Notas iniciais
Depois de 50 copos de café para revisar esse "pequeno" capitulo, cá está ele rs Ele ficou maior do que eu desejava. Pensei em cortar e fazer 2, mas não... Queria que ficasse tudo nesse. Então, sorry por estar enorme rs Espero que vocês gostem, porque olha......

— Maura você está louca? – perguntou se afastando. Estava com os olhos arregalados.

— Jane, me desculpe! Eu... eu... – a loira se assustou com a reação da morena!

— Você não tinha esse direito. Não tinha, Maura! – falou se virando igual a um furacão para ir embora, ao que deixou Maura sem ação. Ficou parada na porta olhando Jane ir embora, sem nada dizer. Mesmo porque não podia, tinha estragado tudo e Jane estava com raiva dela por ter beijado-a. “Oh meu Deus, e agora? Eu estraguei tudo. Jane deve estar com muita raiva de mim, eu não deveria ter beijado ela. Mas não pude me conter, não pude resistir... Estávamos tão perto, a boca dela perto da minha, eu só tive vontade de beija-la. E como é maravilhoso o seu beijo... O que farei agora? Preciso ir atrás dela. Mas assim, com a perna machucada? Vou pedir um táxi.”

Os pensamentos de Maura gritavam. Fechou a porta e cuidadosamente foi para seu quarto para se trocar e ir atrás de Jane pedir desculpas pelo que tinha acontecido. Embora tivesse gostado de beijá-la, sabia que a amiga não era fácil e iria reclamar, ou até mesmo se afastar dela, e isso ela não queria, não iria permitir. Trocou-se rapidamente, pegou sua bolsa e ligou para um táxi. Os minutos até o táxi chegar eram intermináveis. Maura estava nervosa, preocupada. Jane não atendia suas ligações, não respondia suas mensagens. Estava começando a se desesperar.

Enquanto isso, Jane dirigia loucamente sem rumo. Estava brava, estava nervosa, estava aflita, estava sentindo uma coisa dentro de si como se fosse explodir. Um medo imensurável se estabelecia nela! Não sabia direito o que pensar sobre o beijo em que Maura havia lhe dado. E o pior: ela havia correspondido! "O que está acontecendo comigo? Deus, acabei de ser beijada e também beijei minha melhor amiga! Desde quando eu me deixo levar por impulso? Desde quando eu sinto coisas por Maura? Coisas, coisas que eu não sei nem explicar. A mão dela sobre minha boca, o seu toque em mim, todos os toques que tivemos nesses últimos dias. Não pode ser, não comigo e com Maura. Eu não quero perder nossa amizade de anos, eu não vou suportar ter que me afastar dela. Mas ela não tinha esse direito, não de me beijar e me colocar a par das modernidades dela.Quando eu era mais nova, sempre duvidavam de minha sexualidade, pelo meu jeito, meus gostos... Mas eu sempre fui muito certa dela, nunca me importei com os comentários e brincadeiras de mau gosto que faziam comigo e sobre mim porque eu sempre fui muito certa do que eu gostava, mas agora... Agora Maura mexendo comigo desse jeito? Será que eles sempre estavam certos e eu não queria enxergar? Será que o que eu sempre senti por ela não era apenas amizade? Amigas não se beijam. Amigas não se tocam e ficam constrangidas. E o pior: gostam de tocar, tem vontade de tocar, de beijar. Não, não pode ser! Maura, o que você fez comigo? Não, não, não pode ser. Deus, eu estou mesmo pensando que gostei de ter sido beijada por Maura? Sério? Acho que preciso de uma cerveja bem gelada...”. Seus pensamentos borbulhavam... Estava sentindo como se fosse enlouquecer a qualquer momento, pois sua cabeça não parava!

E o celular de Jane tocou. Ao ver o nome “Maura” no visor, gelou... Não iria atender, não estava preparada para falar com Maura. Estava nervosa e não queria mais uma vez falar coisas que pudesse magoar ela. Não agora, mas elas iriam conversar para isso poder parar e Maura de uma vez por todas botar um fim nessas ideias malucas.

***

Ao chegar à porta da casa de Jane, Maura chamava sem parar, mas sem sucesso.

— Jane, abra, por favor. Vamos conversar. Você precisa me ouvir! – batia na porta e nada. Ligava para o celular de Jane, mas essa havia desligado e caia na caixa postal. Ligava em sua casa e o telefone só chamava. Estava desesperada, a morena não queria falar com ela. Mas ficaria ali até Jane resolver abrir a porta. – Jane, não seja criança, vamos conversar. Abra, por favor. – e nada. Pensou em usar a chave do apartamento que Jane havia lhe dado para uma emergência, mas revirou a bolsa e não a encontrou. “Devo ter deixado junto as chaves do carro” pensou.

— Hey, Maura? – disse Marisa se aproximando, a vizinha de Jane. – Você está bem?

— Oi Marisa, eu to bem. Só estou esperando Jane abrir a porta para mim. – respondeu com um sorriso amarelo.

— Ah, eu ouvi você batendo. Jane não chegou ainda, não ouvi ela entrar.

— Você sabe para onde ela foi? Não estou conseguindo falar com ela no celular, ela deve estar com... Eu estou preocupada. – tentou disfarçar.

— Não, não a vejo desde quando nos encontramos na entrada, mais ou menos umas 20:00h. Ela estava saindo e eu chegando.

— Okay, obrigada. Vou esperar mais um pouco até ela chegar.

— Okay, se precisar é só chamar.

— Obrigada mais uma vez!

Marisa havia aparecido para ajudar, mas só tinha piorado sua aflição. Jane não havia voltado para casa desde quando havia saído da casa da médica. Não atendia o telefone e nem respondia suas mensagens. “Para onde será que ela foi? Oh meu Deus, Jane deve estar muito brava comigo.” Maura só conseguia pensar no quão a Detetive poderia estar brava depois do ocorrido entre elas. Tentou compreender por ser normal, já que Jane sempre dizia que nunca queria ficar com uma mulher, que não tinha ideias modernas como Maura e que isso jamais poderia acontecer, não com elas que eram amigas. “Mas então porque ela também me beijou? Digo, também correspondeu ao beijo que lhe dei... Foi tão bom... Por que Jane tem que tornar tudo tão difícil? Ela realmente deve estar confusa, assim como eu que agora não sei distinguir o que sinto por ela. Só sei que gostei de beija-la... Mas ficar aqui parada esperando não vai adiantar de nada.”. E por fim, Maura decidiu ir embora e conversar com Jane logo pela manhã, já que ela voltaria a trabalhar depois de tirar os pontos.

Jane então tomou consciência de seus pensamentos e dirigiu até ao Dirty Robber para tomar sua cerveja. Chegando lá, o garçom que sempre as serviam, já sabia o que Jane tomava e então levou a cerveja até a mesa onde a Detetive estava.

— Detetive Rizzoli, e a Dra. Isles não veio? – perguntou Hebert, o garçom.

— Você está vendo ela aqui? – perguntou dando um gole em sua cerveja, com uma cara que até a encarnação passada do rapaz ficou com medo.

— É que você sempre vem com ela, por isso perguntei. Estranhei não vê-la com você e... – respondeu meio sem graça.

— Sério? Estranha vai ficar eu se você não parar de me encher e não pegar outra cerveja para mim! – Jane o encarava com uma cara nada amigável. Ela havia tomado em poucos goles o conteúdo da garrafa de cerveja. Estava com sede e nervosa, ao que fez beber mais rápido do que o normal. O garçom entendendo o “poucos amigos” de Jane, apenas fez um gesto em positivo e foi buscar outra cerveja rapidamente, da mesma forma que também levou rapidamente até a mesa. Sabia da fama de brava que Jane tinha, não queria deixar ela mais brava do que já estava.

Afogada em seus pensamentos, Jane não conseguia deixar de pensar em Maura...”Droga, o que esta acontecendo comigo? Não consigo parar de pensar em Maura e no beijo que demos...” E as lembranças vinham cada vez mais forte, pois involuntariamente ela estava sentada na mesa onde sempre costumava sentar com Maura, no bar aonde ela só ia com Maura, aonde já teve tantas conversas, risadas, desabafos, casos, tristezas e alegrias, com Maura. Aonde ela olhava, no que pensava só via, só tinha Maura. Até o garçom havia percebido que algo estranho havia acontecido, tanto que comentou sobre ela não estar com Maura. “Deus, desde quando todo mundo percebe quando acontece algo de errado entre eu e Maura? Até o garçom de um bar? Sério?” Jane estava confusa demais. Pensava em tudo ao mesmo tempo, mas não conseguia distinguir o que estava sentindo, nem ao menos decifrar o que estava acontecendo. Para ela, até então, aquilo não passava de uma simples atração que Maura sentia, que foi despertada por estarem trabalhando em um caso onde o Homicídio era contra homossexuais. Mas não, algo agora estava diferente. “Tão diferente que Maura enlouqueceu de vez por ter me beijado...”. Ou esse algo diferente seria com ela, Jane Rizzoli? Esses pensamentos a deixava com medo, temia pensar no que podia estar acontecendo. Não com a situação em si, mas sim com ela. E durona como era, não deu lado para esses pensamentos e focou em outra coisa que sempre prendia sua atenção: trabalho! “Amanhã o Cavanaugh fará um comunicado pela manhã, pediu para que chegássemos mais cedo. E como preciso levantar cedo, é melhor eu ir embora para dormir e tentar esquecer o erro que foi o dia de hoje.”. Erro? Quem poderá dizer... E pensando nisso, foi para casa na intenção de esquecer os problemas e apenas focar no dia que teria em seu trabalho.

Maura estava em sua casa aflita e triste. Jane não respondia suas mensagens e nem retornava suas ligações. Entendia que a amiga estava confusa e brava por ter sido beijado, mas estava triste porque Jane não precisava agir dessa maneira. Afinal, havia sido apenas um beijo entre amigas! Eram adultas e saberiam lidar com isso. Não? “Só espero que Jane esteja bem. Amanhã conversaremos e acertaremos tudo. Eu pedirei desculpas e seguiremos nossas vidas normalmente como sempre foi.”. Maura se agarrava nesse pensamento com o intuito de ao menos se sentir melhor e conseguir dormir, já que acordaria cedo no dia seguinte para tirar os pontos e retornar ao trabalho. Mas ela sabia que não estava e não ficaria tudo bem. No fundo, no intimo, onde só ela conseguia ouvir, sabia que não ficaria bem. E se perguntassem, teria urticárias. Ela havia gostado, adorado e teria repetido o beijo se não tivesse sido empurrada por Jane. O beijo tão desejado por ela, que com coragem e sem pensar em mais nada, havia dado. “Oh meu Deus, Jane... Porque eu demorei tantos anos para te beijar? Sua boca fina e desenhada tinha um gosto maravilhoso na qual eu nunca havia provado. E que por mim, passaria horas e horas apenas no beijo...”— NÃO— A Legista falou praticamente gritando para si mesma, na intenção de mais uma vez afastar esses pensamentos da mente. Sabia que depois do ocorrido, Jane nunca mais iria querer beija-la. E se quisesse que continuassem sendo amigas, teria que esquecer esse beijo e seguir como sempre foram: apenas amigas. E nessa luta de pensamentos, Maura adormeceu.

Jane havia chegado em sua casa e antes de dormir, tomou mais uma cerveja. Se jogou em sua cama de qualquer jeito e afundou a cabeça no travesseiro, desejando que aquele dia não tivesse passado de um pesadelo. “Amanhã vou acordar e perceber de que tudo não passou de horas de sono seguida de pesadelos. Vou encontrar com Maura e vou notar que tudo não passou de um sonho ruim. Droga, ainda tem isso... Vou ter que encontrar com Maura, ela vai vir falar comigo sobre o ocorrido e eu ainda terei que falar sobre o beijo. Não Jane Rizzoli, vai ser só um pesadelo, esqueceu?”. E pensando nisso ou tentando não pensar, Jane também adormeceu.

***

Às 07:00 horas da manhã, a Detetive foi despertada pelo seu telefone tocando. No visor, avisava ser Frost. Atendeu ainda meio sonolenta. O Detetive avisava de um novo homicídio que havia acontecido! Jane agradeceu por ter avisado e desligou. Levantou-se e foi caminhando até o banheiro ainda meio sonolenta e tomou um banho rápido para despertar. Após se trocar, recobrou as lembranças da noite anterior... Notou que tudo havia acontecido mesmo, não era um sonho ruim. Maura havia lhe beijado e ela havia correspondido. Seu coração voltou a apertar e a acelerar novamente devido as lembranças. Passou a mão em seu rosto, arrumou o cabelo e olhando para o espelho falou para si mesma: “Okay! Maura te beijou e você correspondeu, mas tudo não passou de um mal entendido. Foi um impulso automático que acontece com as pessoas ao serem beijadas. Vamos esquecer de tudo o que aconteceu e vamos seguir em frente, normalmente. Não tem com o que você se preocupar... Afinal, Maura é sua amiga e também vai concordar de que não passou de um erro. Vamos voltar as nossas vidas normal. Você é Jane Rizzoli, a Detetive da Homicidios de Boston, nada te abala. Nem mesmo quando Casey não quis saber de você, você não se abalou... Não seria agora com Maura, não seria um beijo que mudaria tudo. Respira e tudo irá ficar bem.”. Após falar essas palavras para si, Jane afirmou mais uma vez de que tudo iria ficar bem e voltaria ao normal. Deu um beijo carinhoso em sua cadelinha e foi para a cena do crime

Maura também havia acordado cedo, porém não com o aviso de um novo homicídio. Iria até o hospital para retirar os pontos como o médico havia lhe recomendado. Estava tranquila, mas ainda preocupada com Jane e seu sumiço. Tentou não pensar em nada, apenas conversaria com Jane e diria tudo o que estava sentindo. Depois tudo ficaria bem, ela lhe pediria desculpas e voltariam ao normal. Como sempre foi, como sempre desejaram. Fez sua higiene matinal, se trocou e foi para o hospital. Resolveu tomar café na cantina da Central, e se desse sorte, com Jane.

— Dra. Isles, como se sente? – perguntou o Dr. Fyrnes, o médico que havia lhe atendido.

— Bom dia Dr. Fyrnes, eu me sinto bem melhor, obrigada. – cumprimentou com um sorriso. – E como o combinado, vim tirar os pontos.

— Ótimo! Se você se sente melhor, tiraremos. Mas aconselho que ainda não volte ao trabalho, continue com o repouso sem forçar esta perna. Será mais seguro.

— Não, eu realmente estou bem, não precisa se preocupar. Posso voltar ao trabalho normalmente. Sou médica e vou me cuidar, agradeço sua preocupação. – disse com um sorriso. O médico também sorriu e fez gesto em positivo. Acompanhou a loira até a enfermaria. Após a retirada dos pontos, o médico ainda lhe passou algumas recomendações... Não deveria forçar muito a perna, continuar com o remédio e utilizar uma pomada para a cicatrização. Maura mais uma vez agradeceu ao Dr. Fyrnes e a sua equipe por toda a atenção e foi embora. Já se sentia melhor, embora ainda sentisse algumas pontadas no ferimento. Era um pequeno corte, mas como todo corte, ainda doía um pouco. Nada que a impedisse de trabalhar, se sentia melhor assim. Ligou para o Dr. Pike para agradecer por ele estar em seu lugar na sua ausência, mas que estaria de volta para o Departamento e que tudo voltaria ao seu controle. O Dr. Pike contrariado, acatou as ordens e lhe avisou do novo homicídio que havia acontecido, passou o endereço para ela e então a Legista foi para a cena do crime. Voltaria ao trabalho normalmente, já com um novo caso.

***

Ao chegar no local do crime, Jane desceu do carro, respirou fundo e confiante de que tudo ficaria bem. Ao se aproximar, notou os policias isolando o local com a faixa amarela. Frost e Korsak estavam próximo ao corpo. O local era uma praça publica e havia muitos curiosos em volta.

— Bom dia rapazes – desejou Jane se aproximando do corpo. Eles desejaram o mesmo de volta. – O que temos? – perguntou colocando suas luvas. Ao notar o corpo, fez uma cara de espanto.

— Robson Peter, 14 anos. Morto com dois tiros no abdômen. – respondeu Frost. – Essa senhora estava passando por perto e notou uma movimentação estranha de um grupo de meninos vindo dessa direção. – apontou para o corpo.

— Deus, era uma criança com todo um futuro pela frente. – falou Jane comovida com aquela cena. – Você conversou com essa senhora, Frost?

— Sim. Ela nos disse que esse garoto e todos os outros passavam aqui quase todas as manhãs. Existe uma escola próxima daqui, são estudantes de lá. – Frost apontava para a mochila do menino.

— Okay. Leve ela, vamos interroga-la melhor! – falou Jane se abaixando para analisar o corpo. – Mas porque diabos o Dr. Pike não está aqui? Mal substituiu Maura e já está atrasado?

— Ele não está atrasado! – ao ouvir essas palavras, Jane gelou, seu coração acelerou e se virou para notar a única figura capaz de despertá-la da falsa sensação de segurança. Maura se aproximava com um lindo sorriso no rosto, ao que fez Jane se incomodar ainda mais. – Eu liguei para ele avisando que hoje mesmo voltaria a trabalhar e assumiria novamente. – respondeu com mais um sorriso, mas Jane já havia se virado de volta para o corpo. – Bom dia rapazes.

— Bom dia. Bom te-la de volta, Dra. Isles – disse Frost. Korsak desejou o mesmo.

— Bom dia Jane. – agora a loira se aproximava do corpo onde estava Jane abaixada, intacta e sem dizer uma única palavra. – Jane?

— Bom dia. – respondeu secamente. Maura se abaixou para analisar o corpo e no mesmo instante, Jane se levantou. Por um momento Jane se lembrou do beijo e dos olhos de desejo de Maura. Descobriu que estava incrivelmente engana de que tudo estaria bem, porque não estava. Ela não conseguia falar nem muito menos criar uma situação normal de trabalho como sempre foi, como sempre aconteceu. Balançou a cabeça em negativo e foi se juntar a Frost e Korsak. – Morto à queima roupa. Não deve ter conseguido reagir, não há sinais de luta nem mesmo de defesa. Parece uma 38.

— Na verdade não sabemos qual foi a causa da morte nem muito menos qual arma foi usada, Jane. – falou a Legista se aproximando de todos. – Eu farei a autopsia e depois poderemos dizer a causa da morte. Ele foi morto há aproximadamente duas horas. – fez sinal para retirarem o corpo.

— Okay. – falou Jane sem olhar para ela. Korsak e Frost se entreolharam e franziram a sobrancelha... Era estranho, algo estava estranho. Jane sempre reclamava, fazia Maura falar, irritava ela ou soltava qualquer tipo de piada a cada morte em que Maura falava que faria a autopsia para depois dizer a causa da mesma, mas agora não! Ela não falou nada, apenas concordou e ficou quieta. Mas, quem ousaria dizer alguma coisa? – Bom, nos encontramos na Central. – falou se virando e caminhando em direção ao seu carro.

— Jane? Será que eu posso falar com você? – perguntou Maura se aproximando dela.

— Ah... Hmm... Desculpe. Eu preciso passar num lugar antes e já estou atrasada. A gente se vê no Departamento. – falou sem parar, apenas olhando para trás. Mais uma vez deixou Maura sem ação. Inventou qualquer desculpa que apareceu em sua mente só para não ter que conversar com ela. Estava estranha, se sentia estranha. Não saberia o que falar com ela e nem queria que ela nem ninguém notasse isso. Falariam depois, já que precisavam mesmo conversar. E todos foram para a Homicídios trabalhar em mais um caso.

***

Maura havia iniciado a autopsia e também estava triste por ser apenas uma criança com um futuro todo pela frente. Mas não podia deixar de se sentir incomodada por Jane não querer falar com ela, não esperar por ela e dizer que passaria em um lugar na qual ela já estava atrasada.

— Bom dia a todos. – desejou Cavanaugh entrando na sala. – Onde está a Det. Rizzoli?

— Ela disse que passaria em um lugar antes de vir para cá, Tenente. – respondeu Korsak

— Ok. Me avise quando ela chegar. Farei um comunicado importante a vocês. – Korsak fez gesto em positivo e Cavanaugh saiu da sala.

Jane havia parado em uma padaria para tomar um café e ter tempo para encarar Maura novamente. Tudo o que ela havia pensado e dito para si, não aconteceu. Haviam se beijado, Maura estava na sua frente novamente e ela não conseguia agir. Não conseguia pensar normalmente nem muito menos distinguir o frio na barriga que sentia. Passava a mão em sua cicatriz. Ao perceber, viu que aquilo não era um bom sinal.

— Hey Frost, então o que temos? – perguntou Jane entrando na sala.

— Interrogamos a Sra. Josephine Maddlin e ela nos disse que estava passando pela praça, pois ela faz caminhada por lá todas as manhãs, sempre no mesmo horário. Todos os dias ela vê alguns garotos passando por ela e indo em direção à escola. E hoje, esse mesmo grupo estava passando, mas todos estavam “correndo” eufóricos na direção oposta. Eram mais ou menos cinco garotos.

— E ela viu quem atirou?

— Não. Também não ouviu barulho de tiros. Apenas notou que Robson estava morto quando passou em frente ao banco que o encontramos e notou que havia uma enorme poça de sangue.

— Ela consegue reconhecer os rostos desses meninos?

— Sim.

— Okay, vamos até a escola para chamar esses garotos e avisarmos aos responsáveis. – falou Jane se levantando novamente. – Vamos levar também a Sra. Maddlin para fazer o reconhecimento. Frost avisou aos familiares do Robson?

— Sim. Ele morava apenas com a mãe e o irmão.

— Jane, Cavanaugh estava te procurando. Quer nos reunir para fazer um comunicado. – disse Korsak

— Mas que diabos de comunicado é esse?

— Não sabemos!

— Okay. Vou até sala dele para dizer que voltei e acabamos com esse mistério de vez.

— Não, ele esta em reunião com alguns agentes do FBI.

— FBI? Novamente: que diabos o FBI tá fazendo aqui? – perguntou franzindo a sobrancelha.

— É o que todos nós queremos saber. – disse Frost. Jane revirou os olhos e logo recebeu uma mensagem em seu celular. Esqueceu completamente de que Maura havia voltado e que uma hora teriam que conversar, mesmo que fosse sobre o caso. Continuou com a cara fechada. A médica pedia para que ela descesse até o necrotério, pois queria falar com ela. Não estava com vontade de ver Maura, não naquele momento, muito menos de conversar sobre o beijo. “Espero que seja sobre a autópsia e que ela tenha descoberto algo.” Pensou. – Maura tem algo. Vou até lá ver o que é e quando eu voltar, vamos à escola. – e saiu da sala.

Ao chegar ao andar do necrotério, pode notar pelo vidro que Maura ainda realizava a autopsia no garoto.

— Me chamou? – disse entrando na sala e parando em sua frente, do outro lado da mesa. Mas ainda assim, não olhava nos olhos da Legista.

— Chamei. – parou o que estava fazendo e encarou Jane. – Você está bem? Digo, não respondeu minhas mensagens, não atendeu minhas ligações e mal me deu bom dia.

— Eu estou bem. – mais uma vez seca, um suspiro – Okay, causa da morte?

— Jane!

— O quê?

— Vamos, nós duas sabemos o que aconteceu e precisamos conversar. Eu fiquei preocupada com você. Mal me deixou dizer uma única palavra e foi embora.

— Maura, qual é... Temos um caso para resolver e eu tenho que ir até a escola buscar alguns garotos para um interrogatório. – disse ainda sem olhar para ela. – Novamente: causa da morte?

— Por que você não olha para mim?

— Porque eu estou olhando a entrada das balas.

— É assim que você prefere Jane? Vamos, olhe para mim! – Jane então levantou sua cabeça e olhou para a loira. Seus olhos se encontraram e mais uma vez ela se lembrou dos olhos de desejo da amiga após se beijarem. Ficou quieta e não disse uma única palavra. Após alguns segundos, voltou ao olhar para o corpo.

— Já fizemos o exame de vista. Será que agora a Dra. pode me dizer a causa da morte? – perguntou apontando para o corpo.

— Okay... – Maura abaixou a cabeça e voltou a mexer no corpo. Jane não queria conversar e ela respeitaria isso. Tudo no tempo certo, já que estavam no trabalho. – Ele levou dois tiros no abdômen, ficou dois minutos sem conseguir respirar direito para então morrer.

— E foi à queima roupa. As balas estão muito profundas e a ferida também mais profunda do que o comum. Qual é o seu palpite? Ele estava muito perto, mais ou menos a quantos metros..

— Mandei as balas para a balística analisar. Menos de um metro ele foi atingido. Vê esse roxo em seu tórax? – Jane assentiu – Seu corpo era pequeno e frágil, com o impacto causado pelo tiro, toda a parte da sua barriga ficou roxa, seus órgãos desintegraram. Estou esperando os resultamos de alguns exames.

— Okay. Vou até a escola interrogar os outros garotos suspeito. Qualquer novidade me avise. – falou indo em direção à porta.

— Jane?

— O que foi Maura? – perguntou parando para olha-la.

— Eu sinto muito por tudo.

— Eu também. – se virou e foi em direção ao elevador. Mais uma vez passava a mão em sua cicatriz na mão direita. Falar com Maura foi fácil, pois estavam falando de trabalho. Agora, olha-la nos olhos foi uma tarefa difícil, pois se lembrou de todo o momento do beijo que trocarem na noite anterior. Mas tudo ficaria bem, teria que ficar.

Ao chegar em sua sala, Korsak avisou que Cavanaugh ainda não havia saído da tal reunião. Então Frost, Jane e Maddlin foram até a escola para interrogar os outros garotos. Korsak e Frankie interrogariam a mãe de Rosbon. Essa parte sempre era ruim: avisar sobre a morte do parente e logo após o interrogatório. A mãe do garoto parecia muito assustada e inconformada. Dizia a eles que seu filho era um excelente garoto. Bom filho, estudioso e que se dava bem com todos, todos o adoravam. O interrogatório correu sem muitas pistas. Jane logo voltou com Frost. Teria que esperar todos os cinco garotos citados e reconhecidos pela Sra. Maddlin acompanhado de seus responsáveis, pois todos eram menores. Inclusive, um dos garotos era irmão de Robson. Esperaria até dar inicio ao interrogatório. Avistou Maura entrando pela porta, ela segurava alguns papeis na mão.

— Aqui está o resultado da balística, Jane. – disse os entregando.

— Obrigada. – disse analisando os papeis. – É um calibre 38 como dissemos. Não há vestígios, numero nem nada.

— Isso é ruim! – disse Frost.

— Isso é muito ruim. – disse pensativa.

— Detetives, quero lhes falar. Todos prestem atenção, por favor. – Disse Cavanaugh entrando na sala. Todos pararam o que estavam fazendo e ficaram de pé para então prestar atenção, inclusive Maura que estava na sala e lá permaneceu. – Teremos um novo treinamento em campo. Nós da Homicídios e alguns policiais do FBI. Quem for indicado, terá que ficar um mês fora de Boston, indo para o estado de Washington. Mudaremos armas e munições. Teremos novos treinamentos de defesa, ataque e tiro.

— Mudarão o uniforme também? – perguntou Frankie.

— Por quê? Você quer personalizar o seu? – perguntou Frost e todos deram risada, menos Frankie.

— Ainda não esta decidido quem irá, portanto, estejam preparados para essa nova etapa. Agora voltem aos seus trabalhos. – Após essas palavras, se aproximou de Jane. – Rizzoli, como anda o caso do garotinho?

— Estamos esperando os outros garotos virem com os responsáveis para um novo interrogatório, senhor. Maura nos trouxe o exame da balística e vamos descobrir de quem foi a arma que atirou nele.

— Ótimo. Me mantém informado. – ela assentiu e ele saiu da sala. Maura ainda estava parada em pé ouvindo tudo. Aproximou-se de Jane, após Cavanaugh sair.

— Os exames que estávamos esperando não resultaram em nada. Não ingeriu nada químico, sua alimentação estava normal, não havia nada no sangue e nem existia indícios de alguma doença crônica. – disse a Legista.

— Então parece que temos um crime de ódio... – após essas palavras, ficou pensativa. Estava realmente abalada com a situação do garoto. Ainda mais depois de descobrir que o tiro foi pura brutalidade.

— Bom, vou para o Necrotério e se eu achar mais alguma coisa te aviso. – Jane agradeceu mais uma vez e voltou às investigações.

***

Tudo parecia cada vez mais indicar de que o garoto foi assassinado sem motivos, ou com motivos de ódio. Os outros menores haviam chegado para o interrogatório, menos o irmão de Robson. Todos diziam que não falavam com o Robson e que não tinham nada a ver com sua morte. Que passavam pelo local apenas para irem para a escola, já que lá era caminho. Negaram qualquer tipo de envolvimento. Jane estava ficando cada vez mais irritada, nada ligava a nada sobre o assassino, sobre a arma ou qualquer tipo de pista.

No necrotério, Maura analisava novamente alguns exames para se atentar e encontrar qualquer novo indicio de alguma coisa. Estava intrigada pelo fato de Jane fugir dela. Entendia que lá não era o melhor e nem o lugar certo para falarem sobre o “beijo”. Mas não gostava de sentir que Jane estava afastada, não gostava de sentir que Jane estava evitando ela. Mas respeitaria isso, poderiam conversar e se acertar em outra hora. Agora teriam que focar em encontrar o assassino.

O dia correu lento e sem muitas pistas sobre o assassino do garoto. No final da tarde, a mãe de Robson, apareceu com o filho mais velho, Jonathan Peter, para o interrogatório. Os dois estavam muito assustados, a mãe só chorava desolada.

— Eu sinto muito por sua perda, sra. Peter. – disse Jane entrando na sala. – Eu sou a Detetive Jane Rizzoli e esse é o Detetive Barry Frost. Faremos algumas perguntas, tudo bem?

— Sim senhora. Só quero que encontrem o assassino do meu filho – pediu aos prantos Evelyn Peter.

— Onde você estava na hora em que seu irmão foi morto, Jonathan? – perguntou Frost.

— Na escola.

— Vocês não costumavam irem juntos?

— Às vezes. Ele ia sozinho e eu ia com meus amigos.

— Esses amigos não gostavam de Robson? – perguntou Jane. Mas o garoto ficou quieto, não respondeu nada. Jane percebeu a aflição e o nervosismo do garoto, havia sido treinada para leitura corporal e Jonathan só dava indícios de desconforto com o interrogatório, como se sentisse algum tipo de culpa!

— Como era seu relacionamento com Robson? – perguntou Frost.

— Eles brigavam como irmãos fazem e brigam, Detetives. Mas Jonathan amava seu irmão e jamais se envolveria em algo contra o irmão. – Disse Evelyn.

— Senhora, nós lamentamos sua dor, mas precisamos que ele responda as perguntas. Estamos apenas fazendo nosso trabalho. – afirmou Jane.

— Esse grupo de amigos que você citou, eles estudam na mesma sala que você, Jonathan? – perguntou Frost.

— Não, eles são do terceiro ano, eu estou no segundo. – os Detetives notavam nitidamente o medo e o nervosismo do garoto. Ele custava a responder as perguntas.

— E você acha que algum deles seria capaz de machucar o seu irmão? – perguntou Jane. O menino começou a chorar e abraçou sua mãe. Jane e Frost trocaram olhares e se entenderam assim. A mãe pediu para que deixassem irem embora. Estavam desolados e precisavam preparar as coisas para o velório. Jane permitiu alegando que por enquanto haviam terminado com o interrogatório. Saíram da sala e voltaram para o bullpen.

Todos estavam ansiosos e nervosos. Não haviam conseguido achar qualquer indicio nem pista sobre a arma do assassino.

— Frost, não existe câmeras de vigilância pela redondeza ou na praça mesmo?

— Não, é um lugar aberto e com muitas arvores. Não tem câmera na redondeza que alcance, já analisei todas.

Jane diria qualquer coisa, mas foi interrompida pelo seu celular tocando com uma mensagem de Maura: “Não nos vimos direito hoje e mal conseguimos conversar. Será que podemos conversar hoje na minha casa? Preparo o jantar!”. Jane colocou o celular em cima da mesa e suspirou. Havia por algum tempo se esquecido do ocorrido entre ela e Maura, já que estava concentrada em seu trabalho. Não podia ficar fugindo por muito tempo, precisavam mesmo conversar e acabar de uma vez por todas com essa historia de beijo. Resolveu que iria aceitar o convite e respondeu: “Okay! Já estou indo embora, tomo um banho e vou para sua casa.”. Se despediu dos rapazes e foi embora. Chegou em casa, tomou um banho demorado e relaxante. Estava cansada e teria que enfrentar Maura. Antigamente não usava a palavra “enfrentar”, mas também antigamente não havia beijado Maura e gostado. Após esse processo, rumou para a casa da Legista.

***

Jane apertou a campainha por diversas vezes e nada de Maura atender. Quando estava desistindo e indo embora, ela abriu a porta, ainda de roupão.

— Hey! Me desculpa, eu estava no banho. Cheguei agora a pouco. Entre! – disse com um sorriso. Jane a cumprimentou com outro sorriso. Estavam nervosas, pois os sorrisos sem graça denunciavam.

— Não me diga que não tem nada para comer nessa casa? Estou faminta, Maura. – disse reclamando.

— Eu tive que terminar alguns relatórios e colocar em ordem toda a bagunça que o Dr. Pike fez. Não tive tempo para preparar nada, mas podemos pedir algo se você preferir.

— Aaah sim, eu prefiro. Ou você vai querer fazer um monte daquelas coisas verdes natureba que eu não to nenhum pouco afim de comer e não vai matar minha fome. Hoje eu quero hambúrguer.

— Mas Jane, não podemos comer coisas pesadas e muita proteína à noite. Estudos dizem que na alimentação noturna, devemos comer algo leve e que nos sustente com as vitaminas necessárias. Se você come alguma coisa gordurosa e com muita proteína, a sua noite de sono não é tranquila. Se você não dorme tranquilamente, estimula uma...

— Oh, pare pelo amor de Deus. – disse Jane se sentando no sofá. – Eu não quero que você estrague a minha fome e nem o meu hambúrguer! – Maura deu risada e apenas concordou. Jane não estava nem um pouco afim de ouvir a boca de Google tagarelar. – Vamos pedir no Dirty, eles entregam aqui.

— Okay, vou me trocar enquanto você faz o pedido. – Jane assentiu e pegou o telefone. Fez os pedidos e ligou a televisão para assistir algum canal de esportes. E mais uma vez se lembrou do ocorrido do dia anterior. Ali, sentada naquele mesmo sofá, foi onde tudo começou para acontecer o beijo. Lembrou-se do toque de Maura em seus lábios e o arrepio que sentiu. Mas foi despertada de seus pensamentos por um cheiro que ela conhecia bem: o perfume de Maura. Ela estava se aproximando, podia sentir o cheiro no ar. Isso conseguiu deixar ela mais nervosa. Apenas o perfume de Maura estava causando isso. O que estava acontecendo com Jane Rizzoli?

Maura estava simples, porem linda como sempre. Mesmo em casa, não podia deixar de usar seus saltos altos. Usava um short jeans, com uma blusa de alça de seda preta. Simples, sofisticada e linda. Sentou-se ao lado de Jane no sofá e ficaram em silencio. Maura também estava nervosa, também se lembrava do beijo que haviam dado. A vontade dela era de repetir, mas entendia que a amiga não queria e não podia estragar tudo de novo. Alguém precisava dizer alguma coisa para cortar o “climão”.

— Você fez o pedido? – perguntou Maura se virando para olhar Jane.

— É, fiz sim. Logo eles entregam.

— Ah sim... E como anda as investigações com o caso do garotinho?

— Está indo, devagar... Interrogamos os garotos que uma testemunha viu perto da cena do crime. Todos negaram qualquer envolvimento. Mas algo me deixou intrigada...

— Seus instintos. – Maura sorriu.

— É, eles. – sorriu também – O irmão dele, mais velho, disse que andava com esse grupo de meninos que foi visto. Eles são mais velhos do que ele, do ultimo ano. E eu não entendi o porquê do vinculo entre eles, a amizade, já que esses meninos se acham o dono do mundo e não falam com “pivetes”. Mas...

— Mas você acha que eles estão escondendo algo?

— Sim. Mas o que me deixou mais em alerta foi a reação do irmão dele. Ele estava nervoso e mal respondia as nossas perguntas.

— Natural Jane, ele perdeu o irmão.

— Não, ele também escondia algo. Mas respeitei o seu luto e o de sua mãe. Disse para ficarem atentos que a qualquer momento poderíamos chama-los novamente.

— Você acha que ele teve algo com a morte do irmão?

— Eu espero que não... – falou fitando o vazio. Maura pegou em sua mão, e ela a olhou assustada, não esperava por esse toque. Ficaram se olhando por alguns segundos e Maura começou.

— Jane, eu sinto muito por ontem. Eu não sei o que me deu... Eu não tive a intenção de magoa-la!

— Tudo bem, eu também tive parte de culpa nisso. Deveria ter evitado, mas não o fiz. Só quero que a gente esqueça isso de uma vez por todas e voltemos as nossas vidas normalmente.

— E você quer esquecer? – Maura não podia conter o que sentia e nem fingir que nada aconteceu ou que não havia gostado. Sabia que Jane podia não ter gostado, mas precisava ouvir da boca dela.

— Mas é claro. Por que, você não quer esquecer?

— Eu não posso mentir e dizer que não gostei! Mas...

— Maura, por favor. Não vamos piorar mais essa situação. Somos amigas há anos, construímos essa cumplicidade e sempre fomos decididas do que queríamos. Eu não quero que a essa altura a gente perca tudo isso. Eu não quero perder sua amizade. Eu não quero estragar isso mais uma vez.

— O quê? Mais uma vez? – perguntou Maura sem entender. Jane percebeu que havia falado demais.

— Não, nada. Foi só maneira de dizer. – Jane num ato involuntário, começou a mexer na sua cicatriz, ato que não passou despercebido por Maura.

— Jane, eu te conheço e sei que você esta me escondendo alguma coisa. E eu entendi bem o que você quis dizer...

— Ah, não é nada. – disse apontando para a geladeira. Esperou Jane voltar para continuar. – Okay... Agora você já pode começar a me dizer.

— Você não vai desistir, não é?

— Não mesmo. – Jane respirou fundo e começou.

— Okay! – tomou um gole de sua cerveja como num ato encorajador – Quando eu tinha quinze anos de idade, tinha amizade com uma garota... Ela se chamava Jully! Éramos ao que se poder dizer de unha e carne. Estudávamos na mesma sala, fazíamos balé juntas, estudávamos juntas, íamos ao parque juntas, fazíamos tudo o que duas melhores amigas fazem. – tomou mais um gole de cerveja. – Costumávamos dormir uma na casa da outra... Fazíamos cabanas em nossos quartos e dormíamos lá. Tomávamos banho juntas e vestíamos os pijamas uma da outra. – soltou um riso incrédula e revirou os olhos se lembrando que usava um pijama rosa da amiga. Então tomou outro gole. Maura ouvia tudo curiosa, Jane não havia lhe contado sobre isso, mas queria muito saber o final dessa historia. – Eu adorava ela! Quando ela ficava doente, eu ficava doente junto. Quando eu faltava à aula, ela também não ia para a escola. Não desgrudávamos por muito tempo. Era um martírio quando a minha família ou a família dela viaja de férias. Não queríamos nos separar nunca! – ficou alguns segundos em silencio e voltou a falar. – Até um belo dia, tínhamos combinado de vermos um filme na casa dela. O nome do filme era “Imagine eu e você”. Era um filme desses mimimi romântico, onde duas mulheres se apaixonavam. – mais alguns segundos em silencio. – Hey, você não vai dizer nada? – perguntou olhando para Maura.

— Oh, não... Eu estou curiosa para saber o final. Apenas continue.

— Bom... Elas se beijam no filme! E quando fomos dormir, na nossa cabana, ficamos algum tempo em silencio e ela perguntou se podia me beijar... Eu não respondi nada, mas ainda assim ela encostou os lábios dela nos meus. Ah, enfim... Nós demos um beijo, ao que foi muito estranho! Depois de um tempo ela mudou completamente comigo e perdemos a amizade que tínhamos. Sofri muito, pois éramos grandes amigas. Depois disso, nunca mais me relacionei amigavelmente com uma mulher, nunca tive uma nova melhor amiga. – alguns segundos em silencio, Jane fitava a mesinha de centro da sala. Olhou com ternura para a loira. – Não até você. – Maura se encheu de alegria.

— Oh Jane, eu sinto muito!- a loira estava realmente comovida, pois podia sentir toda sinceridade e afeto da morena.

— Não, tudo bem, já passou. – agora encarava a loira. – Maura, eu não quero perder sua amizade por nada nesse mundo. Eu não quero estragar tudo e fazer tudo errado. Me desculpe por tudo. Vamos esquecer esse beijo e deixar pra lá!

— Eu também não quero. Desculpe-me também. – se olharam e se abraçaram carinhosamente. Jane respirou aliviada. Sentia-se bem e confortável com o abraço de Maura. Só não contava com o seu coração, novamente disparado. Separaram-se com o som da campainha tocando. – Deve ser nossa comida. – Foi até a porta, pegou a comida, pagou o entregador e voltou. – Vamos comer. – e foram para a cozinha.

Comiam animadamente. Vez ou outra Maura ficava olhando a boca de Jane. Embora ela quisesse, não conseguia esquecer o beijo... Queria seguir em frente, esquecer o que aconteceu e deixar para lá, mas o seu desejo gritava internamente. Mas não queria perder a amizade de Jane, não queria magoa-la novamente. Então, tentaria esquecer de vez e guardaria como uma lembrança carinhosa e linda do beijo, da boca e das mãos de Jane em sua cintura. Ao terminarem de comer, voltaram para o sofá e ficaram conversando. Tudo estava voltando ao normal para elas. Jane já se sentia mais a vontade e segura de que também iria esquecer do beijo doce e molhado da legista. Voltariam a serem amigas, não estragariam isso por uma atração. Já estava tarde, Jane estava cansada e avisou que iria embora. Precisava ter uma noite de sono descente. E assim ela pensou que teria...

— Eu te levo até a porta. – e foram caminhando até lá. – Obrigada pela visita e pela conversa sincera, Jane. – abraçou a morena para se despedir, mas ao se separarem do abraço, Jane voltou simultaneamente, como se fosse abraça-la de novo.

— Maur, seu brinco grudou no meu cabelo!

— Oh, me desculpe. – virou o rosto para tentar olhar e desfazer o contato, mas seu rosto, sua boca, seu nariz, sua respiração encostou no rosto, na boca, no nariz e na respiração de Jane, sem querer. Ficaram paradas mais uma vez, não conseguiam dizer nada. Seus olhos se encontraram e não piscaram. Um dizia muita coisa para o outro. Queriam se soltar, deveriam se soltar e não manter mais nenhum segundo aquele contato. Mas não desfizeram. Queriam aquilo e sabiam disso. O instinto falava mais alto. A vontade de repetir o beijo era mútua, mas ninguém ousava dizer. E por não dizerem nada, Jane deixou sua boca encostar um pouco mais na boca de Maura. Deixou seu desejo, sua vontade, sua necessidade, seu instinto e o que quer que fosse que estivesse sentindo falar mais alto. Maura não pensava em mais nada, só nas lembranças de como era bom os lábios de Jane e o quão perto, perto não, colada estava sua boca da dela, novamente.

Beijaram-se novamente, levemente. Um beijo com receio, mas um beijo com vontade. Vontade de sentir novamente o gosto suave, delicado e forte, uma da boca da outra. Não pensaram em nada, apenas aprofundaram mais ainda o beijo. Maura puxou Jane para si e a fez entrar na casa novamente. Jane fechou a porta com uma mão e a outra segurava a cintura de Maura. Se encostaram na parede e deixaram seus corpos falarem mais alto. O beijo era caloroso, cheio de paixão. Desejos, vontades e novos sentimentos estavam sendo descobertos. Não pensavam em mais nada. Em estragar a amizade, em seguir em frente e qual situação geraria. Apenas beijavam.

A mão de Maura percorria as costas de Jane, despertando nela um arrepio gostoso. Jane pesava o seu corpo no de Maura, não havia uma fresta que separava um corpo do outro. E cada vez o beijo era dado com mais desejo, mais forte. Maura entrelaçou os dedos no cabelo da Detetive e soltou um leve gemido mordiscando o lábio inferior de Jane. A morena involuntariamente apertava cada vez mais seu corpo no de Maura. Estavam quentes, estavam com desejo. Agora beijava o pescoço da loira, que fechava os olhos com tal ato. Deixaram-se levar nesses atos de beijo, suspiros, apertos e arrepios até sentirem necessidade de ar. Jane se soltou de Maura, suas respirações eram ofegantes. Maura estava com uma cara gostosa, uma cara de desejo, mais sexy do que nunca. Jane não conseguia dizer uma única palavra, apenas ficou olhando a figura loira parada em sua frente, pedindo mais.

— Maura, eu... – falava com a mão no cabelo, tentando voltar a respirar compassadamente.

— Shh, não fala nada. – a legista silenciou Jane com o dedo, com outra mão a trouxe para si novamente. – Apenas – um selinho – Me beije novamente – outro selinho – Não falei mais nada. – Outro selinho e Jane novamente a prensou na parede, aprofundando ainda mais o beijo. Seus corpos falavam por si, e num impasse, Maura virou Jane e a fez caminhar até o sofá. Jane caiu sentada no sofá e Maura sentou de frente para ela, em seu colo. Novamente um beijo caloroso, agora um pouco mais quente. Jane passava suas mãos pelas costas da Legista. Enfiou a mão por debaixo da blusa e pôde sentir sua pele macia. A loira se arrepiou ao que fez Jane ficar ainda mais estimulada. Passou as mãos pelo pescoço de Maura e entrelaçou seus dedos no cabelo da loira, fazendo a se inclinar para traz e depositou beijos em seu pescoço. Maura soltou um leve gemido, gostoso... Daquele que fez Jane querer ouvir de novo. O cheiro de Maura era suave e marcante. Sua pele, o corpo em cima do seu estava fazendo sentir coisas que nem ela mesma imaginava que era capaz de sentir. E num ato involuntário, Maura fez seus corpos selarem ainda mais com movimentos lentos e apertados de vai e vem. Sentiam a respiração pesada uma da outra. Maura queria mais. Passou suas mãos pelas costas de Jane, numa simulação de arranhões que fez a morena se arrepiar e soltar um leve gemido. Suas mãos deslizavam, os movimentos de vai e vem ficavam cada vez mais intensos. Maura abaixou sua mão até a cintura de Jane e levemente foi tirando a regata que a morena usava. E para não perder tempo, também tirou sua própria blusa. Seus olhos se encontraram novamente. Não piscavam, apenas respiravam ofegantes. Sabiam aonde aquilo iria terminar se continuassem. Nunca haviam se relacionado com mulheres, mas descobriram que juntas sentiam coisas indescritíveis. Voltaram a se beijar e Maura mordia a boca de Jane, apertava sua pele, entrelaçava seus dedos nos cachos negros. Foi descendo lentamente sua mão pelo seio da morena, sem desfazer o movimento do vai e vem. Passou a mão pelas costas dela e com apenas um dedo, abriu o fecho do sutiã de Jane. Mas Jane segurou, não deixando tirar. Maura a olhou sem entender, ela rapidamente tirou a loira de cima de si, fechando novamente seu sutiã.

— Desculpe, desculpe... Eu não, eu não posso... Eu não posso! Não posso. – dizia enquanto procurava sua blusa. Vestiu-a rapidamente. Parou de frente para Maura que ainda a encarava sem entender, mas nada dizia. Respirou fundo, colocou a mão na cabeça. – Me desculpe, eu não... Eu... Eu vou embora!

— Tá tudo bem... Tudo bem! – também se levantou, ainda sem blusa e pegou na mão de Jane. Foi se aproximando novamente, lentamente de seu rosto com a boca meio aberta, deixando que encostasse no rosto de Jane. A Detetive fechou os olhos e ficou parada. Mais uma vez foi pega de surpresa! Maura lentamente foi beijando a boca de Jane, passou suas mãos pelo cabelo da morena e afastou-se um pouco, apenas para olha-la nos olhos. Jane abriu os olhos e a encarou por segundos, para então aprofundar o beijo... Mais um beijo ardente. Quando Jane se deu conta, afastou se de Maura novamente.

— Não, eu não posso, não posso. Me desculpe! – pegou as chaves de seu carro, seu distintivo e arma, pois sempre levava aonde fosse e foi embora.

Maura estava intacta. Não conseguia falar, que dirá formular alguma frase. Apenas ficou olhando Jane ir embora. Sentou no sofá, ainda sem blusa e ficou parada em estado de choque e graça pelo o que tinha acontecido nos últimos minutos. Levou umas das mãos a sua boca e soltou um riso de lado lembrando-se dos beijos, caricias e loucuras. – Eu não posso deixar Jane sair assim, não posso perdê-la de novo. – Procurou por sua blusa e foi para o seu quarto.

Jane entrou no carro, botou as mãos no volante e parou. Ainda estava meio ofegante, não conseguia assimilar bem o que fazer nas suas próximas atitudes. “Oh meu Deus, o que foi que aconteceu?”. Respirou fundo, ligou o carro em foi embora. Só precisava de um banho gelado e uma cerveja. Era tudo o que queria naquele momento. Estava completamente em choque! Com sua ação, com a reação de Maura, com o que tinham acabado de fazer e o pior: com o rumo que estavam tomando. Mesmo porque não podia negar ou culpar Maura, pois ela havia tomado a iniciativa também. Não sabia nem o que pensar direito... Talvez o banho fosse a melhor opção naquele momento! E foi o que fez. Chegou em casa e foi largando suas roupas pelos cômodos, até chegar no banheiro totalmente nua. Ligou o chuveiro, deixando no mais gelado possível. Encostou sua cabeça na parede e deixou a água escorrer por toda a extensão de seu corpo por um longo momento.....

***

Já se sentia melhor, respirou mais uma vez fundo, desligou o chuveiro e saiu do banheiro. Procurou por seu pijama e o vestiu. Estada confortável. Foi até a cozinha para pegar uma cerveja, mas foi surpreendida com o som de sua campainha. Ao abrir a porta, ficou surpresa com a figura loira parada em sua frente. Maura estava apenas camisola, coberto por seu hobby vermelho. Não disse nada, apenas largou sua bolsa no chão e “pulou” no pescoço de Jane, surpreendendo a com um beijo.

— Oh Jane, eu não posso esquecer... Me diz que você não sente isso... Me diz que também não sente vontade... – a loira dizia ao pé do ouvido da morena, fazendo-a se arrepiar por inteira. – Diz que você também não me deseja, não depois de hoje, porque eu te desejo e muito... – Agora era ela quem apertava Jane contra a parede. Se beijavam loucamente. As mãos viajam uma no corpo da outra. Foram se afastando até chegarem ao quarto de Jane. Maura se deitou por cima dela e lentamente foi beijando seu pescoço, descendo até o colo da Detetive. Passou sua mão pelo abdômen definido da morena e tirou a blusa do pijama que vestia. Olhou maravilhada com a vista. Jane era linda, tinha um lindo corpo definido, sorriu ainda mais satisfeita porque Jane estava sem sutiã. Voltou a beijar a boca da morena e com uma mão, massageava o seio direito dela.

Jane passou a mão pelo ombro de Maura e foi abaixando seu hobby até tira-lo por completo. Maura levantou os braços e Jane tirou a camisola que ela vestia. Levantou sua sobrancelha e sorriu de lado, Maura só estava de calcinha. Voltaram a se beijar, os seios nus agora se encostavam. Maura lentamente foi beijando o queixo de Jane, o pescoço e foi descendo até chegar em seu seio. Passava a língua, mordiscava e chupava o seio esquerdo, enquanto com a mão massageada o direito. Jane já não segurava os leves gemidos. Mordia a própria boca com cada toque da médica.

A loira devagar foi descendo depositando vários beijos na barriga de Jane até chegar em sua calça. Tirou-a rapidamente e depositou beijos molhados na coxa dela, chegando até a calcinha, que retirou com a boca.

— Maurr... Eu... Eu... – Jane praticamente gemeu essas três palavras. Não conseguia raciocinar, não conseguia formular a frase. Maura nada respondeu. Pôde ouvir apenas o gemido de Jane quando passou a língua pelo sexo da até então, amiga. Sorriu satisfeita.

Com movimentos circulares, ora de vagar, ora rápido, Maura chupava o sexo de Jane. Entre respirações pesadas e gemidos, a morena movimentava levemente com o quadril pra frente e pra traz na boca dela. A loira sentindo que a respiração da Detetive ficava cada vez mais rápida, penetrou dois dedos na morena. Enquanto movimentava seus dedos dentro de Jane, a morena sussurrava o seu nome, deixando-a ainda mais excitada. Quando percebeu que ela chegaria ao orgasmo, penetrou o terceiro dedo, aumentando os movimentos. Com a outra mão, massageava o seio da morena. Sentiu ela se contorcer toda na cama, apertando o lençol com as mãos. Lentamente, os movimentos de ambas foram diminuindo, a respiração de Jane voltando ao normal. Maura beijou novamente o sexo da morena na intenção de chupar todo o liquido. Logo então sentiu a mão da morena puxando-a novamente para cima de si.

— Aonde foi que você aprendeu isso, Dra. Isles?

— Apenas fiz o que sentia vontade de fazer. – sorriu maliciosamente para Jane, que apenas em um movimento virou a loira, ficando agora em cima dela. Começou a beijar seu lábio e foi descendo até chegar no farto seio da Legista. Enquanto chupava o seio esquerdo, massageava o direito. – Jaanee... – Entre beijos, gemidos e apertos, Jane desceu lentamente sua mão até a calcinha de Maura, que estava completamente molhada e a tirou.

Olharam-se fixadamente e Maura mordeu o lábio inferior. Jane afastou um pouco o seu corpo, ficando de lado e penetrou seus dedos na legista. Em movimentos repetidos, ela rebolava nos dedos de Jane, num vai e vem delicioso. A morena escutava os gemidos da médica aumentar cada vez mais. Beijou-a na intenção de abafar os gemidos e então, sentiu o corpo da loira se estremecer em sua mão. Lentamente foram diminuindo ritmo e respiração.

Trocaram olhares e sorriram carinhosamente. Nada precisava ser dito. Nada precisava ser perguntado. Entregaram-se ali, uma para outra sem pensar em nada, apenas no desejo e na necessidade que sentiam de ter uma à outra. Tudo o que temiam estava acontecendo. Depois dessa noite, depois desse momento, não tinham mais duvidas do que estavam sentindo.

Aquela noite serviria para muitas coisas.......

Notas finais
Gente! Que dificuldade pra escrever "essa" parte! rs É tão mais fácil praticar #lixa hahahahahahahahahahaha...