Rizzoli And Isles - O amor por trás do caso
16 Capítulo 16
Notas iniciais
“Tarde demais o conheci. Por fim, cedo demais, sem conhecê-lo, amei-o.”
Jane apenas o fez. Assim, sem pensar. Não sabia que possuía essa coragem, quando na verdade tinha um medo bobo do amor. Costumava agir sem pensar, sempre por instinto, e no final sempre dava certo. Mas se tratando dos últimos acontecimentos, pensava mais do que agia. Amava Maura. Maura a amava. Queria ficar com ela, sem barreiras e sem se preocupar com ideais de sociedade. Conhecia ela há tantos anos, não vivia sem ela, nem mesmo quando brigavam, pois ainda assim estavam próximas. Não sabia o que seria da sua vida sem ela, sem sua adorável e querida melhor amiga. Amiga que lhe fez descobrir sentimentos que não sabia que possuía, que lhe fez descobrir o gosto do verdadeiro amor, sem se importar com sexo, raça e cor. Estava tão feliz...
Maura nem controlava as lágrimas que caiam em seu rosto. Depois de ter aceitado que estava apaixonada pela morena, pensou que talvez pudessem ser namoradas, e quando pensava nisso um sorriso imenso aparecia em seus lábios, só de imaginar a possibilidade. Encenou como seria ser namorada de Jane, mas não contava que a Detetive faria o pedido, ainda mais ela que não sabia expressar direito seus sentimentos, mas fez... E fez da maneira mais inusitada possível, quando a loira não espera, surpreendendo-a da forma mais perfeita. Seu sorriso radiava o necrotério. Queria responder, dizer que sim, que estava tão feliz por Jane ter tomado aquela iniciativa, que a única coisa que conseguiu fazer foi se desequilibrar na tentativa de abraçar a morena. Maura havia ficado tão feliz e tão nervosa que estava tremula. Jane a segurou prontamente. Riram.
— Ótima forma de se iniciar, Dra. Isles!
— Eu não posso dominar os músculos do meu corpo, uma vez que meu cérebro se comunicou e minha amígdala e minha glândula lacrimal tem uma conexão que não consigo controlar!
— Você não pode simplesmente responder? “Sim Jane, eu aceito.” – Jane falava afinando a voz. – “Não Jane, eu não aceito.” – gesticulava. – Sério? Tem que derramar a enciclopédia em...
— Shh – Maura calou-a com o dedo. Aproximou-se até não terem mais a mínima distância. – Sim Jane, eu aceito! Sim, é tudo o que eu mais quero. – deu um selinho nela. Jane sorriu sobre a boca da loira. – Sim, sim, sim... – e Maura não pode dizer o outro sim, pois já estavam aos beijos. Mas assim que ouviram um barulho próximo ao local em que estavam, separaram-se, pois não queriam dar pinta, não no local de trabalho. Olharam-se e sorriram... Estavam tão felizes com o passo que tinham decidido dar que pareciam duas adolescentes que estavam descobrindo o amor!
Talvez não soubessem que aquele amor sempre esteve lá, presente em seus corações... Porém, estava sendo aflorado agora, depois de tanto tempo, depois de terem passado por muitas e muitas situações que as levassem a terem essa certeza! Amavam-se. Agora eram namoradas. Nada nem ninguém ia tirar isso delas!!!
“Não da mais pra negar que eu me apaixonei...
Te amo agora e pra sempre te amarei....”
***
O dia parecia não terminar para o mais novo casal de namoradas da Homicídios de Boston! Estavam tão felizes que sem que se dessem conta, estavam contando os minutos para saírem do trabalho e se encontrarem na casa de uma das duas. Os telefones não tocavam. Parecia que nos últimos dias tudo conspirava a favor delas que ninguém ousava cometer um crime para dar-lhes trabalho. Não achavam ruim, mas Jane odiava ficar entediada e parada sem se exercitar, sem botar em pratica no trabalho toda sua habilidade. Mas isso também lhe fazia pensar nas suas novas habilidades e em como estava doida para coloca-las em pratica novamente... Não parava de pensar em Maura, em sua boca e seu lindo e delicioso corpo.
A Detetive estava enlouquecendo com tantos pensamentos misturados... Estava arrumando suas coisas para passar no necrotério e chamar Maura para irem embora, para então botar seus pensamentos em prática, que se virou ao ouvir o gostoso barulho que produzia o salto da loira ao colidir com o chão! Sim, sabia que o barulho era do salto de Maura... Sorriu, pois só então percebeu que até isso conhecia de sua amada! Viu a figura dela apontar na porta e sorriu ao encontrar seus olhos. A loira sorriu de volta. E sem que dessem conta, ficaram alguns segundos sorrindo paradas. Frost e Korsak que também estavam na sala se entreolharam, olharam pra elas novamente, que sorriam feito bobas, se olharam e também sorriram... Quem ousaria dizer alguma coisa? Existem palavras que apenas os olhares podem dizer!
— Eu vim ver se você já está indo embora! – diz Maura ainda parada na entrada da sala dos Detetives.
— Sim, já estava arrumando minhas coisas! – respondeu a Detetive com o mesmo sorriso.
Frankie entrou na sala e também notou os sorrisos apaixonado das duas!
— Toc toc toc! – falou Frankie, imitando o som de batidas.
Jane olhou para o irmão, depois para Korsak que a encarava e por fim para Frost que também a olhava. Ficaram intercalando os olhares sem nada dizerem. Olhou para Maura que também encarava os rapazes e assim ficaram, um olhando para o outro sem nada dizerem.
— Vocês parecem bobos se olhando desse jeito! – disse Cavanaugh entrando na sala, tirando todos dos “olhares”.
***
— Não tem vinho, mas tem a minha maravilhosa cerveja gelada! – disse a Detetive abrindo a geladeira. Estavam em seu apartamento. – Você quer Maur?
— A famosa loira gelada!
— Loira gelada? – perguntou Jane entregando a cerveja para Maura, sentando ao seu lado.
— Quando você estava em DC, Korsak e Frost me chamaram para ir tomar a “loira gelada”.
— E é claro que eles tiveram que te explicar o que é! – disse a Det. rindo.
— Sim! – respondeu a loira rindo também. – E eu realmente prefiro vinho. – a morena revirou os olhos. – Mas eu vou tomar! – ficaram algum tempo em silencio. – No Brasil, a maioria dos comercias de cerveja é com uma mulher loira gostosa...
— Dra. Isles, você fica vendo comercias de mulheres seminuas e ainda por cima achando elas gostosas? – perguntou arregalando os olhos!
— Todos os dias! – Jane levantou uma sobrancelha e ficou encarando a Legista. – O que? Claro que não Jane!
— É impressão minha ou você está tentando ser irônica?
— Deu certo?
— Um pouco! – respondeu rindo. Maura também riu balançando a cabeça.
— Falando em Brasil, e aqueles seus amigos de Washington que foram no hospital... Como é mesmo o nome deles?
— Ah, o Hugh e a Cezario! O que têm eles?
— Um deles é do Brasil, não?
— A Cezario! Ela e o Thony ficavam tentando fazer minha cabeça para ir pra lá pra conhecer. – deu de ombros. – Quem sabe um dia! – falou se aproximando mais da loira, dando um beijo em seu ombro.
— Eu realmente não pretendo passar a minha lua de mel no Brasil! – Jane quase engasgou consigo mesma.
— E alguém aqui falou em lua de mel? Ou melhor, alguém falou em casamento?
— Por que, você não tem planos para nós? – perguntou a Legista confusa.
— Tenho! – respondeu dando um beijo em Maura. – E por hora não é nenhum desses... – deixou a voz mais rouca.
— E quais os planos, Detetive? – Maura tentou soar o mais inocente possível, mas a real era que desde a hora em que Jane lhe deu um beijo, arrepiando todo o seu corpo, seus pensamentos estavam longe de ser inocentes...
— Que tal se fossemos tomar um banho? – perguntou com o olhar mais penetrante possível.
— Eu adoraria. – A loira respondeu na mesma intensidade. Jane começou a desabotoar a camisa de Maura. – Eu ainda lembro como desabotoar minha camisa.
— Eu sei... Só que eu faço isso muito melhor!
Os beijos eram de muita intensidade. As mãos hábeis vasculhavam o corpo uma da outra com certa urgência! Tudo naquele momento parecia fazer muito sentido... Não precisavam de mais nada, apenas uma da outra. Se completavam. Tudo o que elas queiram estava acontecendo naquele momento: estavam entregues a paixão!
Em passos lentos, foram em direção ao quarto de Jane. Não tinham pressa, tinham necessidade uma da outra e isso fazia com que ficassem saboreando cada segundo como se fosse o último! Respirações altas eram ouvidas por ambas... Os corpos estavam quentes e colados. Aos poucos, iam desfazendo de suas peças de roupas, ficando apenas com as íntimas.
Seus olhos se encontraram...
— Você é linda! – disse a morena admirando Maura. A legista abriu um sorriso doce com a declaração da namorada. Exalavam amor.
Voltaram a se beijar com mais ganância! A morena desceu a boca beijando o colo de Maura até chegar entre o vão dos seios. Tirou o sutiã dela e apertou seus dois seios com vontade. Maura em resposta puxou o cabelo de Jane, pois adorava a forma como a morena a tocava e parecia que naquele dia os toques estavam mais gostosos, tamanha sua excitação! Jane perdeu minutos chupando o seio de Maura, sugava cada parte, mordiscava o mamilo enquanto aperta o outro seio... Adorava! Ambas adoravam. A loira se remexia embaixo de Jane, sua respiração agora havia virado gemidos. Arranhava as costas da morena, apertava seus braços, perdia as mãos nos cabelos dela, estava louca! Os toques de Maura também deixava a Detetive ensandecida, pois saber que estava dando prazer pra sua amada a deixava ainda mais excitada! Foi descendo com a boca, fazendo o caminho da barriga até chegar à calcinha da loira. Com beijos molhados, foi removendo a mesma com a boca.
Não se lembrava de quando havia sentido tanta vontade, tanto prazer e tanto amor por alguém! Podia não ser a pessoa mais indicada para falar de sentimentos, mas tinha um amor incalculável por Maura. Não sabia descrever e até se assustava com isso, pois jamais imaginava sentir e jamais imaginava que um dia estaria assim com a loira: peladas em sua cama, prestes a fazer o sexo mais gostoso do mundo! Sim, Jane julgava ser o sexo mais gostoso, porque nunca havia sentido tanto prazer e tanta excitação assim antes. Nem mesmo Casey, que ela julgava seu amor dizendo que o amava, tinha lhe causado metade do que Maura causava, metade do que estava sentindo naquele momento. Tudo bem que, mesmo negando, quando conheceu a legista tinha sentido algo que julgava estranho e que jamais admitiria que fosse atração, mas com o passar dos anos aquilo da mesma forma que aumentou, ela trancou em um lugar onde pensou que nunca sairia... Mas ai veio o contrário, virando sua vida de cabeça para baixo e lhe proporcionando tudo o que um dia teve medo até de pensar que estava pensando naquilo! E mesmo achando que fosse a coisa mais errada do mundo, se tornou a mais certa...
A morena beijava a coxa de Maura enquanto ela segurava seus cabelos... A vontade de sentir o gosto da namorada era tanto que Jane sem mais demora, começou a chupar Maura com todo fôlego que ainda tinha! No mesmo instante, a médica soltou um gritinho com a “surpresa”. A garganta já estava ficando seca. Jane chupava, beijava, lambia e mordiscava o sexo de Maura como se já tivesse feito aquilo muitas vezes! A loira gemia e segurava a cabeça de Jane, sinal para ela não parar, mas segurou mais forte, fazendo a morena parar e encarar a loira para ver se estava tudo bem, se não a tinha machucado! A loira fez apenas um sinal com a mão, chamando Jane para perto de si e lhe deu um beijo. Virou a Detetive ficando por cima dela, arrancou a calcinha que ainda usava e sentou em seu colo, colando os sexos! Começou a se mover em vai e vem que ia aumentando a cada minuto. Transpassou uma de suas pernas por cima da perna de Jane e a outra ficou debaixo, colando seus corpos ainda mais. Jane sentou na cama para que Maura pudesse se encaixar melhor a ela... Moviam-se rapidamente, num vai e vem delicioso. Gemiam, beijavam-se e apertavam-se. Maura jogava a cabeça para trás e Jane ficava alucinada com aquela visão. Olharam-se. Estavam prestes a ter um orgasmo. E juntas gozaram, apertando-se como se o mundo fosse acabar naqueles segundos...
Caíram na cama uma do lado da outra. Respiravam descompassado, estavam suadas e totalmente descabeladas. Olharam-se e riram. Estavam tão felizes.... E sem delongas, Maura levantou da cama puxando Jane pela mão. Chegaram ao banheiro e aos beijos ligaram o chuveiro! Estavam cansadas, mas o amor e a vontade falava mais alto. Ainda tinham muito para explorar uma do corpo da outra. Ainda tinham muito tempo para descobrir e explorar o amor. Ainda tinham muito amor...
***
Jane acordou com a visão mais maravilhosa do mundo: Maura dormia tranquilamente usando sua camiseta do Red Sox! Abriu um sorriso que não cabia na boca. Olhava para a loira parecendo um anjo com os olhos mais apaixonados no mundo! E pensando nisso, teve a certeza de que tinha feito a escolha certa, que na verdade havia demorado por fazer aquela escolha e por sua infantilidade, quase havia perdido a única oportunidade que teve de ser feliz! Mas o resto não importava. Assim como o passado e tudo o que havia ficado nele. Estava com Maura, estava tão feliz e tão bem que tudo se tornava tão complexo e ao mesmo tempo tão simples, que não estava acreditando que depois da legista, havia virado essa boba que mesmo que mentalmente ficava filosofando consigo mesma. Mas como não filosofar, como não pensar dessa forma tendo uma mulher como Maura? Queria mais era ser essa boba apaixonada filosofa desde que tivesse Maura ao seu lado!
— Ao invés de você ficar me olhando, deveria vir me abraçar porque eu estou com frio! – disse Maura, ainda de olhos fechados.
— E como você sabe que eu estou te olhando? Além de médica dos mortos é vidente?
— Não existe vidência, Jane. Nenhuma pessoa tem esse poder! – respondeu abrindo os olhos e se espreguiçando. Jane riu. Achou até estranho ela não dizer o porquê disso e o porquê daquilo, se limitou só ao “não existe”. Mas fez o que ela pediu, abraçou-a de conchinha.
Poderia passar o dia inteiro só naquela posição. Não era de muito mimimi, mas tava acreditando em tudo que diziam sobre “não tem nada melhor do ficar deitada de conchinha!” Fechou os olhos e deu um beijo no pescoço de Maura. Não ligaria para as horas e muito menos para o mimimi, só queria ficar deitada o resto do dia com sua namorada, pois estavam de folga!
— Vou preparar algo para o café! – respondeu Maura se virando para a morena. Jane fez não com a cabeça e segurou-a para que ela não saísse da cama! – Eu estou com fome, Jane! Não comemos nada ontem a noite.
— Porque tínhamos coisas muito melhores para fazermos! – Maura riu. Sim, estavam tão envolvidas que a única coisa que colocaram no estômago foi a loira gelada. E só de lembrar da noite passada, a médica foi ficando animada e beijou a Detetive. Mas realmente estava com muita fome e foi soltando-se de Jane.
— Maur – disse ela com a voz mais manhosa do mundo.
— Eu volto rapidinho, meu amor! – disse dando um beijo em seus lábios. Jane abriu um sorriso doce, era a primeira vez que Maura a chamava de amor. A loira não entendeu muito bem, mas não se importou porque amava ver a morena sorrir.
— Eu vou te ajudar, assim voltamos mais rápido para a cama!
Chegaram na cozinha rindo e se depararam com Ângela abrindo a porta do apartamento. Ângela ia chamar por Jane, mas se deparou com Maura só com a camiseta do Red Sox de Jane e claro, sua filha com outra camiseta que não era do Red Sox! As três se olharam e Jane sabia que precisava dizer algo.
— O que você está fazendo aqui mã?
— Eu vim fazer o seu café da manhã e, bom, pensei que poderíamos ir juntas para a Delegacia! – respondeu tranquilamente.
— Eu estou de folga hoje!
— As duas? – perguntou apontando para elas. Maura começou a ficar nervosa.
— Sim, as duas! – chegou mais perto de sua mãe. Jane não estava gostando do rumo da conversa, menos ainda da cara de sua mãe e muito menos da cara de assustada que Maura fazia.
Não queria que sua mãe pensasse algo errado sobre elas. Não que tivessem fazendo algo errado, sabia que teria que contar sobre o namoro e sobre gostar de uma mulher que é sua melhor amiga, mas essa situação estava longe de ser como imaginou que seria quando contasse! Ângela também percebeu o desconforto delas e mais ainda de Maura. Não queria atrapalhar nada, não queria criar nenhum constrangimento, só queria fazer o café para sua filha e quem sabe conversar com ela sobre tudo, quem sabe ela se abriria para ela (Ângela) e quem sabe, mas quem sabe mesmo, seria uma pessoa mais feliz se conversasse com Jane. Maura continuava imóvel. Não sabia o que fazer diante daquela situação, não sabia o que Ângela estava pensando daquilo e sabia menos ainda como ela reagiria se soubesse o que “aquilo” era realmente. Então a mãe resolveu quebrar o clima.
— Fizeram festa do pijama? – Jane revirou os olhos.
— Festa do pijama? Sério, mãe? – respondeu sem muita paciência.
— Okay! Eu vou embora, não quero atrapalhar vocês. – disse se virando para ir para a porta. A morena revirou os olhos mais uma vez. Conhecia o joguinho da mãe. Maura só observava.
— Qual é, mãe? – disse rangendo os dentes. Definitivamente não queria prolongar aquele assunto, mas também não podia deixar Ângela ir embora daquele jeito. Olhou para Maura e ela mesmo assustada, fez sinal para Jane não deixar a mãe ir embora. – Toma café com a gente!
— Não querida, tudo bem! – disse mandando um meio sorriso.
Jane ergueu a cabeça pedindo paciência aos céus. Na verdade ela não queria que fosse daquele jeito, mas que fosse, só não podia ficar mais naquela situação. Respirou fundo e decidiu que iria conversar com sua mãe. Tinha medo de qual seria sua reação, mas teria Maura ao seu lado!
— Espera... Eu... Eu preciso conversar com você, senta! – disse a Detetive para a mãe, apontando para o sofá. Maura a encarou de olhos arregalados perguntando se aquela seria uma boa hora mesmo. Jane nada respondeu apenas se encaminhou para o sofá. A loira fez o mesmo. Saberiam se era uma boa hora ou não.
— Está tudo bem? – perguntou Ângela desentendida, percebendo a preocupação nos olhos da filha.
— Está! – respondeu com um meio sorriso. Não sabia como prosseguir com aquilo, mas já tinha começado então que fosse até o final! – Bom, eu... Ah... Há algum tempo, mas nem tanto tempo assim, aconteceram algumas coisas...
— Que coisas? – perguntou franzindo a testa.
— Coisas ué! – respondeu rindo nervosa. Sabia que seria difícil, mas não imaginava que fosse tanto! – Na realidade essas coisas tratam-se de sentimentos... Sentimentos que eu descobri que possuía e que na verdade não estava querendo ver. Demorei muito tempo para enxergar, neguei e lutei contra ele, mas na verdade só tinha medo dele, pois não podia fugir do que sentia!
Ângela observava tudo muito atenta. Não queria perder nenhuma palavra do que Jane dizia. Ela nunca falava tão abertamente e sabia que para ela deveria estar sendo difícil por isso não ousou interromper.
— Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer... – olhou para o lado e soltou um riso. – Sim, eu já imaginei que isso poderia acontecer, mas negar me parecia mais fácil! E hoje, por causa desse sentimento estou descobrindo o que é a verdadeira felicidade! – olhou para Maura e ela lhe sorriu como se a incentivasse a continuar! – Mãe, eu não imaginava que essa seria a forma de eu contar para você, mas... – segurou a mão da loira. – Eu e Maura estamos namorando!
Ângela abriu a boca alguns milímetros, como se processasse tudo o que tinha acabado de ouvir. Não conseguia dizer nada e isso as deixou aflita. Ela levantou e foi andando até a cozinha sem nada dizer. Voltou para o sofá e começou a chorar. Maura levantou e começou a andar de um lado para outro. Queria muito que Ângela soubesse, mas não queria que ela reagisse daquela forma! Jane começou a se desesperar... Não sabia se acalmava a mãe ou a namorada. Ângela fez sinal para Jane pegar um papel e uma caneta, pois quando ela ficava assim só conseguia escrever o que estava sentindo. Maura não entendeu, mas logo se lembrou que isso já havia acontecido uma vez e ela tinha escrito sobre o divorcio, coisa que não era nada legal. Começou a respirar descompassado e levou a mão ao pescoço!
— Vasoconstrição. Hipocapnia. – dizia para si mesma, ainda andando de um lado para outro. Maura estava mais do que nervosa!
— Maura, pare por favor! – disse Jane tentando abraçar a mãe. – Pegue papel e caneta na mesa do telefone!
A loira ainda estava respirando descompassado, entregou para a sogra a caneta e o papel. Jane ficou prestando atenção em cada movimento da mãe, estava preocupada com a reação dela. Não queria que ela tivesse nervosa e muito menos que reagisse mal. E se a mãe não aceitasse? E se a mãe não desse a aprovação que elas precisavam? Viu Ângela escrevendo ainda chorando e entregando o papel para a filha! Olhou para o papel, olhou para ela e depois para Maura!
— MEU SONHO!!!!!!
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