Rising Tide

9 The House


Notas iniciais
Hola, muchachas! ^^ MIL PERDÕES, pela demora :C fiz um capítulo maior que o último, pra compensar. Espero que seja o suficiente, vocês sabem que odeio demorar e fazer vocês esperarem :C Eu tive um bloqueio criativo SUPREMO, sério mesmo. Os diálogos saíam breves e forçados, nossa um horror só! Por isso demorei, eu não postaria um capítulo pra vocês que eu não considerasse realmente bom. E quando enfim consegui superar esse maldito bloqueio e fui capaz de escrever algo decente, eu gostei do resultado. Chega de enrolar, já enrolei demais! UEHUEHUE' Boa leitura ^^

THE HOUSE

POV Hiccup

Depois de presenciar a imagem que quase me forçara a vomitar de desgosto, não me atrevi a voltar àquele camarote nem para averiguar se tudo estava em ordem.

Isso afetava diretamente minhas responsabilidades, mas eu pouco me importava naquele momento.

Vi Rapunzel e Merida se comunicarem brevemente por uma linguagem que só elas entendiam. A loira se afastara e sumira em meio as muitas pessoas que ocupavam a pista de dança, junto com Mike. Dei um risinho. Ela não perde tempo.

Dando uma olhada em volta, percebi com satisfação que tudo estava como de costume. Em ordem, pessoas se divertindo, celebrando a noitada, espalhando alegria.

Todo mundo feliz.

Menos eu.

Voltei minha atenção a Merida. Ela lia o rótulo de uma garrafa de destilado com uma feição confusa, visivelmente não entendendo nada do que estava escrito ali. Dei um sorriso de canto e ela me fitou, corando ao perceber estar sendo observada.

— Até estranhei você me chamando pelo nome ao invés de Cabelos em Chamas. – admitiu, enquanto passava um pano úmido no balcão. – “Senhorita DunBroch”. – enfatizou. – Eu nem fazia ideia de que você sabia o nome da minha família!

Dei uma risadinha.

— Não quis mostrar muita intimidade, caso os outros funcionários achem ruim. Temi que eles cismassem com a sua cara.

— Os funcionários são ciumentos? Uau... – ela indagou, abismada.

— Não. Entretanto, eles podem reclamar de você estar recebendo um tratamento diferente ou até inventar coisas maldosas sobre você e o gerente.

— Que horror... – disse com os olhos vagamente arregalados.

Pronto, acabei de traumatizar minha amiga.

— Calma, não estou dizendo que necessariamente isso vá acontecer. Mas é melhor prevenir do que remediar. – argumentei e lhe sorri, afim de obter um sorriso em resposta. – Não se preocupe. Ainda assim, pelo que pude ver nessas semanas, a equipe é bem unida.

— Você tem razão. – ela concordou prontamente.

Tentei dar um sorriso sincero, porém acho que foi uma tentativa falha.

Eu já imaginava o que meu pai diria se me visse assim, sendo feito de trouxa durante anos pela mesma mulher e agora melancólico por tê-la visto beijando o meu próprio amigo, isso depois de ter sido devidamente dispensado – ao menos, não foi enquanto estávamos juntos.

Eu sou uma piada pronta, namoral. O desgosto que meu pai sente é totalmente compreensível.

— Aconteceu alguma coisa, Hic? – indagou Merida, me arrancando bruscamente de meus devaneios.

Olhei para ela surpreso. É, com toda certeza foi uma tentativa falha aquele meu sorriso.

— Você percebe bem as coisas ou eu que sou absurdamente transparente?

Ela riu melodicamente.

— Estou acostumada a te ver sorrindo. Então consigo diferir seu sorriso sincero desse sorriso tristonho aí. – fez uma careta e me fitou por alguns segundos. – É o lance com a Astrid, não é?

Suspirei longamente, sem responder. Ela tinha a feição triste e preocupada.

— Eu sinto muito, Hic. – murmurou, fitando as mãos. – Eu realmente achei que ela havia mudado de ideia...

— Não se preocupe. Isso foi necessário.

Pude sentir seu olhar sobre mim com mais intensidade, seguida de um longo suspiro.

— Você gosta mesmo dela, né... – a afirmação veio de uma voz desapontada, coisa que me chamou atenção.

Dei de ombros em resposta. Era óbvio que eu gostava de Astrid. Gosto dela a tanto tempo que nunca nem tentei gostar de outra mulher.

— Você já pensou em parar de idealizar ela nas outras pessoas? – encarei-a num súbito, abismado. – E-eu quero dizer... – gaguejou, desviando os olhos para a barra de sua saia preta do uniforme, retorcendo o tecido com a ponta dos dedos, evitando me olhar, imensamente sem jeito. – Nós conversamos bastante desde aquela vez e não pude deixar de perceber que, apesar de você ter tentado sim se envolver com outras moças, nunca dava certo pelo fato de que... – finalmente ergueu o olhar para encarar-me os olhos. – Não era a Astrid.

Ela tornou a limpar o balcão, que já estava tinindo de limpo. Mais uma vez, evitando fitar-me nos olhos. Entregou o drink de um rapaz, serviu uma outra moça e auxiliou o barman entregando-lhe uma garrafa específica, antes de voltar-se para mim novamente.

— Você já tem uma imagem formada do que quer ao seu lado, mas só uma pessoa no mundo atende a esses requisitos e infelizmente ela não anseia o mesmo que você. – colocou um cachinho ruivo atrás da orelha enquanto servia alguns shots. – E se você continuar a manter essa expectativa de que as outras serão como Astrid, estará fadado a decepção. Então eu sugiro, ainda que não tenha me pedido conselho nenhum... – deu uma risadinha. – Que desapegue dessa imagem e não forme mais nenhuma. Mantenha seus princípios, claro, mas deixe-se surpreender um pouco.

Eu ainda a olhava, sério, prestando atenção em cada palavra que ela dizia, cada feição e movimento de sobrancelha, que eram muitos... Merida era incrivelmente expressiva.

Eu estava profundamente maravilhado com a sabedoria inocente dela.

Ela riu sem jeito quando percebeu que eu a encarava todo esse tempo.

— Olha, eu não entendo nada da vida, é possível que eu esteja falando um monte de merda, então vou entender se você...

— Faz todo sentido.

Me encarou, surpresa. Mas logo sua feição murchou e ela revirou os olhos azuis.

— Isso. Pode zombar de mim.

— Estou falando sério. – me encarou novamente e reprimiu um sorrisinho bobo. – Vou seguir seu conselho.

POV Jack

Ainda que eu não tenha mais pleno poder sobre meu estabelecimento, eu nunca quis que condições como essas fossem uma característica desse lugar.

O objetivo do The House é dispor o ambiente ideal para que as pessoas saiam daqui mais relaxadas e não mais estressadas do que quando entraram.

Houve uma época em que Aster vivia recebendo reclamações sobre confusões que ocorriam na pista. Eventualmente, com a chegada dos seguranças, a confusão se dispersava e ficava difícil identificar quem acarretava as brigas. Eu apresentei as soluções e esse problema foi resolvido com o auxílio de Kristoff.

Em outro momento, aconteceram denúncias de furtos no entorno da pista. Eram grupos pequenos de golpista que “trabalhavam” assim. Não foi difícil, para mim, solucionar esse problema também – a ajuda de Flynn veio bem a calhar.

Todos os contratempos já apresentados no The House foram devidamente resolvidos depois de muita calma e debates para a solução mais racional e eficaz.

Mas homem que agride mulher não merece perdão. E eu não me refiro só a agressão física.

Se existe uma situação em que eu não consiga agir de maneira bem pensada e solucionar tranquilamente, da forma mais racional e eficaz, é essa.

A raiva me domina e meu sangue ferve só de pensar.

Ela estava tão apavorada que me senti um imbecil sentimental, tentado a abraçá-la para garantir que tudo ficaria bem. Mas contato físico visivelmente não era o lance dela.

— Ouça... – minha mão pairou sobre seu ombro, mas pensei duas vezes antes de tocá-la, desistindo da ideia no segundo seguinte. – Eu preciso que você converse comigo, tá legal?

— Não fale como se estivesse se dirigindo a uma criança amedrontada.

Mas era exatamente o que ela estava parecendo, porra.

— Não foi minha intenção, garota.

— Meu nome é Elsa.

Era tudo o que eu queria ouvir.

Descobri seu nome, porra, finalmente! Tô feliz pra caralho, mas nem tanto, ok.

Mantive a seriedade.

— Ouça, Elsa... – enfatizei seu nome com satisfação. – Se você conhecia aquele imbecil, eu preciso que o identifique para que medidas cabíveis sejam tomadas.

Ela pareceu finalmente pensar no assunto com mais afinco, mas aquilo não era um bom sinal. O foco de seu olhar simplesmente sumiu, dando lugar a aflição. Sua respiração descompassou significativamente e ela estremeceu. Por mais que eu quisesse transpassar-lhe alguma segurança, o simples vislumbre da minha mão se aproximando fazia com que ela se encolhesse toda.

Massageei a nuca, nervoso. Eu já tive que lidar com essas situações umas outras vezes, mas sempre tive a certeza de que não levava jeito.

— Ela está bem? – indagava um curioso e eu apenas maneei com a cabeça, pedindo que se afastasse.

— Ok, olhe pra mim... – pedi, mas ela não obedeceu, ainda fitando o chão de maneira aflita. – Elsa, olhe pra mim. – fui mais firme e ela ergueu o olhar languidamente. – Respire fundo e concentre-se nos meus olhos. – assim ela o fez e, por mais que eu odeie admitir, estava sendo difícil não poder toca-la. – O que você fez no último verão?

— O q-que? – ofegou sem entender.

— Responda da forma mais completa que conseguir.

Ela engoliu em seco e pareceu entender o que eu estava tentando fazer imediatamente.

— E-eu... fui visitar a minha mãe.

— Bom. E sobre o que conversaram?

— S-sobre... – pausou para tentar respirar profundamente. – O processo em andamento.

Aquele não parecia um bom assunto para distraí-la. Mudei a tática.

— Bom. Qual o nome da sua melhor amiga?

— Eu t-tenho quatro melhores amigos.

— Diga-me seus nomes.

— Merida, Anna, Rapunzel e meu gato Olaf.

Não consegui evitar sorrir de canto. – Qual a sua cor favorita, Elsa?

— Minha cor favorita é azul.

— Bom. E o que te fez hiperventilar?

— Phillip me fez hiperventilar. – sua respiração estava abrandando.

Phillip é o nome do filho da puta. Ótimo.

O princípio daquilo foi interrompido antes que tomasse proporções inimagináveis – graças a Deus, porque eu particularmente não sei mesmo lidar com crises de ansiedade.

Mas a forma como ela tentava se proteger a todo momento... Dei um longo suspiro. Ainda que eu não pudesse tocá-la, senti a necessidade de garantir uma coisa.

— O perigo já passou. – aproximei-me um passo e pela primeira vez na noite percebi que ela não recuou. – Não vou deixar nada acontecer com você. – o foco do seu olhar intensificou-se nos meus olhos. – Entende isso? – ela anuiu depois de longos segundos. – Me desculpe pelo que você teve que passar.

Aquilo foi involuntário. Eu me desculpei com ela sem nem perceber e cheguei a me espantar minimamente com a situação, mas isso fora completamente esquecido no momento eu que ouvi sua voz dizer.

— A culpa não foi sua. – o tom era o mesmo de alguns minutos atrás. Firme, ainda que um pouco trêmulo.

Suspeito que, caso não estivesse tão abalada com o que ocorrera, ela estaria exibindo o mesmo tom obstinado que dispõe na faculdade. É difícil acreditar que essa garotinha assustada, tão frágil a minha frente, é a mesma mulher destemida e imponente que deixara todos os meus amigos, inclusive eu mesmo, sem palavras no corredor.

— Elsa! – um vulto loiro passou a minha frente feito um raio e segurou-a pelos braços. – O coiso estava aqui? Vi ele se afastando. Você está bem?

Ainda que ela parecesse incomodada com o contato, não se moveu e esforçou-se para abrir um sorriso.

— Eu estou bem, Punzie.

A recém-chegada virou-se para mim, não me deixando mais apreciar a visão esplêndida do vestido vermelho colado as suas costas. Tá de parabéns, Barbie. Ela me fitou e agradeceu rapidamente pelo que fiz pela garotinha amoada.

Dei de ombros e foi nesse momento que escutamos um pigarro. Toda atenção do momento fora desviada para alguém as minhas costas.

Encontrei a dalilah chefe ligeiramente impaciente. Não pude deixar de me perguntar o porquê de tamanho despeito, não há motivos para ela estar brava.

— Estamos todos te esperando, Jack. – deu largos passos até ocupar o espaço ao meu lado.

— Calma, gata, estou trabalhando.

— Mas você é o anfitrião. – expôs manhosa, deslizando as mãos pelo meu abdômen. – Mike perguntou por você.

— Tenho certeza que o Medina está se divertindo.

— Mas eu não estou. – aproximou-se do meu rosto, mordendo os lábios. Desse jeito, ela vai conseguir o que quer. – Sinto falta de você.

Dei um sorriso de lado, fitando o fundo de seus olhos verdes. – Ok, você venceu. Estou subindo. – sorriu largamente. – Mas antes, preciso resolver uma coisa. – seu sorriso sumiu.

Ela pareceu insatisfeita por ter sido colocada em segundo plano. Com os braços cruzados sob os seios, fitou as mulheres que partilhavam do mesmo momento.

— Quem são essas? – questionou com desdém, demonstrando-se possessiva demais.

E eu me afastei dela instintivamente, minha sobrancelha arqueada evidenciando o quão exagerado era aquilo uma vez que não tínhamos absolutamente nada sério.

— Não faz a sonsa, fofa. Você sabe muito bem quem eu sou. – a Loira Afronta do Flynn respondeu quase que no mesmo instante.

— Não faço ideia de quem você é. – deu de ombros a dalilah chefe, de maneira irônica. – Então não deve ser alguém importante.

— Forçou. – a Barbie deu uma risada tão debochada que cheguei a ficar surpreso. – Mas nada novo sob o sol, é o padrão pra entrar no teu club besta: ser forçada e interesseira. Não esperava menos da exímia presidente.

Caralho. Reprimi um riso, mas no fundo estava mesmo é abismado com a afronta de Rapunzel. Flynn que se cuide.

A morena enfureceu-se e avançou um passo na direção da Barbie, que fez o mesmo.

— Ponha-se no seu lugar, vadia. – exprimiu a dalilah, entredentes e eu já estava me preparando para separar uma briga de mulheres.

Contudo, mais uma vez Rapunzel me surpreendia, abrindo um sorriso irônico de dentes perfeitos.

— Minha nossa, olha isso... – confusa, Heather olhou para o chão, onde Rapunzel indicava. – Não tá vendo o que acabou de cair? Teu nível.

Dessa vez, não consegui – tive que rir. Até a garotinha pusera os dedos à frente da boca, tentando disfarçar um risinho tímido.

— Heather, por favor... – intervi, antes que o pior acontecesse. – Volta para o camarote, eu já estou indo.

— Jack! – exclamou Hiccup.

Graças aos deuses, por um lado porque eu não aguentava mais fingir que não estava achando graça, e por outro, porque Heather parecia não ter nenhuma pretensão de acatar meu pedido. Hiccup se aproximava, apressado.

— O que houve aqui? Flynn falou comigo. – olhou em volta. – O que aconteceu?

Ele revezava o olhar sobre cada um de nós, pois ninguém respondia nada. Fitou sua prima ao meu lado, que tinha um olhar arrogante direcionado a garotinha e sua amiga afrontosa. Olhou para mim, que dei de ombros, evidentemente despreocupado.

E então, a fitou, logo quando firmei meu olhar nela também.

A verdade era que eu não queria que a Barbie, Hiccup e tampouco a dalilah chefe chegassem. Eu esperei tanto, ainda que me doa admitir, por uma oportunidade casual para conversar com essa garota, que eu não me importava com as circunstâncias trágicas de hoje – eu ainda pretendia falar com ela. Por vários motivos – um deles é saber a ligação dela com o cuzão de agora pouco, pois eu pretendia manter minha palavra.

Ela disse que me conhecia – embora não tenha dito nada depois de admitir isso, até eu arriscar questionar sobre o desgraçado lá. De qualquer forma, ela certamente sabe quem eu sou.

Mas naquele instante, via-se imensamente constrangida por estar sendo alvo de olhares fixos de dois marmanjos patéticos.

— Punzie, vamos? Meri deve estar estranhando minha ausência a tanto tempo. – dizia enquanto olhava em volta, já se virando e tomando seu caminho.

— Espera aí, garota! – involuntariamente, exclamei feito um moleque desesperado. Ela virou, lançando-me um olhar mordaz. Abri um sorrisinho de rendição, erguendo as mãos, bem ciente do que a incomodara. – Ok, Elsa. – corrigi-me e ela crispou os olhos azuis. – Por favor, deixe-me acompanhá-la.

Nesse momento... Hiccup, Heather, Rapunzel, o maluco que passava perto, a mulher que tropeçara no salto, o casal que parara de se beijar, o DJ, o próprio Post Malone, todos, me encararam estupefatos, pasmos (???).

Senti olhares cortantes vindo de todos os lados – até de quem não partilhava da conversa (?).

— Jack, você está se sentindo bem? – Hiccup indagou com uma sobrancelha arqueada, estranhando meu cavalheirismo.

Não é do meu feitio me sentir envergonhado. Dei de ombros e respondi sem fitá-lo.

— Você vai entender quando eu te contar o que houve.

— Não será necessário. – ela respondeu, com confiança na voz.

— Está fora de cogitação eu te deixar sozinha.

— Não estou sozinha. – indicou Rapunzel, que tinha os olhos desconfiados e maliciosos na minha direção. – Estou em boas mãos.

— Não duvido disso. – eu já havia notado o uniforme que ela usava. – Mas eu insisto. Você é funcionária desse estabelecimento. O gerente te levará ao meu escritório para que relate o que aconteceu e possamos agir, te dando todo auxílio necessário.

Elsa crispou os olhos lentamente.

— “Seu escritório”? – murmurou, tentando entender e eu sorri, achando uma graça a sua feição confusa, estranhando a forma como eu passara a lidar com a situação tão burocraticamente, antes dela indagar sem arrogância na voz, apenas uma dúvida sincera. – Quem é você?

— Sou o seu chefe. – respondi simplesmente.

Foi difícil não sorrir de sua feição perplexa. Sua amiga também parecia surpresa, mas o importante é que finalmente encontrei a única forma de findar sua teimosia.

— Hiccup, sabe o que fazer. – falei, sem desviar os meus olhos dela.

— Sem problemas. – respondeu ele, guiando-as e, creia, a garotinha foi sem protestar, ainda imersa em surpresa. Dei um sorriso de lado, muito satisfeito.

Fiquei olhando até eles sumirem por entre as pessoas. Quando me virei, dei de cara com a dalilah chefe. Minha nossa, havia até me esquecido que ela ainda estava aqui.

POV Elsa

Sua autoridade, sua postura e principalmente aquela atitude burocrática. As ordens prontamente atendidas, a impressão de que ele sabia exatamente o que fazer, os olhares atentos vindos do entorno por ser o popular dono do pedaço, literalmente.

É claro que se tratava do proprietário da casa – “um jovem rapaz de ideais inovadores e predispostos ao sucesso.”

Eu quase surtei na frente do meu chefe e isso com certeza não é um bom sinal. Tentei calcular as possibilidades de eu ser demitida por instabilidade psicológica, mas estava difícil naquele momento.

Ai, como eu sou estúpida! Devia ter me controlado, segurado a minha onda, como diria Anna!

— Mesmo que negligência signifique futuros problemas, Jack não é do tipo que faz tanta questão assim. – eu entendi exatamente o que Hiccup dizia. – O que quer que tenha acontecido, mexeu com ele. E então? Vai me contar ou terei que saber só quando chegar em casa?

— Me desculpe.

— Eu é quem peço desculpas pelo que aconteceu... – pareceu minimamente confuso de repente. – Mesmo eu não sabendo ao certo o que aconteceu.

Ri baixinho, ainda sentindo-me um pouco desconfortável.

— Tudo já foi resolvido. Você não precisa fazer isso, é sério.

— Na verdade, preciso. Jack está dois cargos acima do meu. – ele me sorriu de forma tranquilizadora. – Vamos, não será tão ruim.

Desisti de tentar dissuadir Hiccup e pedi para Punzie me aguardar junto de Meri, no bar – ela foi depois de muita insistência de minha parte.

Assim que tornei a ser guiada em direção a área administrativa da boate, percebi que minha mente estava a mil. Durante o curto caminho fiquei pensando... se não fosse por aquele rapaz, o que Phillip teria feito comigo? E o que ele queria tanto que eu ouvisse? Na verdade, não me lembro de ter escutado o que ele disse. E o que foi aquele último olhar?

Posso dizer que conheço bem Phillip. Mas nunca senti tanto medo quanto senti agora. Respirei fundo e passei a mão na testa, eu estava suando.

Que Jack me ajudou, e muito, isso era um fato. Mas eu não gostava da ideia de estar lhe devendo favores – ter dívida com um phoenix já não era algo louvável, pior ainda é dever favores ao próprio patrão. Dei um suspiro resignado.

O escritório de Jack era arejado, diferente do calor que se instalava na pista. A sensação de frio em minha pele me tranquilizou significativamente.

Ele indicou a poltrona à frente da mesa.

— Você não estaria tão relutante se a ocorrência não houvesse a afetado profundamente, então vou compreender se precisar de um tempo para começar. – a voz de Hiccup era calma, o que exercia em mim uma espécie de bem-estar.

Era nítido o motivo de Merida gostar tanto de conversar com ele.

Quanto a sua declaração, bom, o que ocorreu com toda certeza me afetou – em proporções inimagináveis. Nunca havia acontecido antes – pelo menos não de maneira tão intensa, repentina e principalmente na frente dele.

Phillip era o motivo dos meus desequilíbrios, mas ele não sabia desse fato uma vez que me esforcei para esconder durante todos esses anos – eu não queria que ele se vangloriasse com o fato de ter quebrado minha mente.

Foram inúmeras as vezes em que minhas amigas tiveram de me socorrer, enquanto eu insistia, as vezes até rudemente, que me deixassem sozinha no meu quarto – tendo o pensamento errôneo de que se eu conseguisse lidar com aquilo sozinha, seria mais forte. Grande erro.

Fazia tempos que não acontecia.

Isso até ele me tomar em suas mãos como seu eu o pertencesse – de repente, com horror, estava vivendo a época de nosso namoro novamente, sob sua total posse.

Não havia como eu fugir daquilo.

— Quando quiser, ok? – Hiccup me sorriu, com os olhos verdes compreensíveis.

E eu comecei meu relato, garimpando o máximo de pormenores que julguei desnecessário ele saber.

***

— Eu agradeceria bastante se você não contasse a Meri. – ele me encarou por alguns segundos, provavelmente tentando encontrar um bom motivo pelo qual eu não queira que Meri ou qualquer uma de minhas amigas se aprofundem no assunto. – Me recuso a preocupá-las mais do que já venho preocupando.

— Eu entendo.

Respirei um pouco mais aliviada e agradeci.

Ao aproximar-me do bar, notei que estava vazio – não havia nenhum cliente, apenas Meri e o barman trabalhando.

Faço minha feição tranquila e adentro o bar, pegando uma outra bandeja e voltando a trabalhar sob a sutil arte de fingir demência. Pude, no entanto, sentir o olhar de Meri queimando sobre mim.

— Elsa, minha nossa, você demorou! – exclamou finalmente, aproximando-se. – Hic saiu daqui às pressas, disse que tinha de resolver uma confusão. Eu fiquei preocupada pois você ainda não havia voltado, então...

— Está tudo bem, Meri... Já estou aqui agora. Só demorei tempo demais no banheiro, estava cheio. Desculpe. – e forcei o meu melhor sorriso.

Vi sua postura relaxar ao sorrir de volta pra mim. Quando virei-me para o balcão, Punzie estava lá, me encarando com uma sobrancelha arqueada e uma feição que dizia “não vai conseguir manter essa farsa por muito tempo, amiga.”

Mas eu tentaria.

Por mais que eu odeie mentir, é preciso.

Com isso, eu preciso lidar sozinha.

*

Notas finais
Gente, a Heather existe, ok? Quem assiste Dragões: Pilotos de Berk e Dragões: Corrida até o Limite, sabe de quem eu to falando. E eu acho ela bem bonita, até mais bonita que Astrid. E em Dragões: Corrida até o Limite ela está linda! Eu precisava de uma moça bonita pra ser a bitch da historia e com a ajuda de uma leitora, eis que surge Heather. ~Tcharans!~ HUEHEUHEUHE' tá parei. Já haviam me dado a ideia de pôr Tooth como a bitch, porém gosto muito dela. Não consigo enxerga-la como alguém assim. Não consigo escrever ela assim. Sério mesmo. Daí, Heather serviu muito bem para esse papel, ainda mais por não ser personagem original prq, cá entre nós, chega de personagem original nessa historia! UHEUHEUEH' Mas ao contrário do que vocês possam pensar, cada personagem original que crio pra essa fic, tem um propósito. Não é apenas pra encher linguiça, eu realmente tenho um objetivo pra cada um deles. Bom, próximo capítulo poder ser que Tooth revele enfimmmm, COM MÍNIMOS DETALHES, o que houve entre ela e Jack. Ou tb pode ser que não revele nada. Postarei, se Odin quiser, ainda hoje, mais tarde. Vou até deixar o site aqui aberto no navegador para eu não esquecer! E então, o que acharam? ^^ Estou amando conversar com vocês. Beijos e até mais tarde!