Rising Tide

23 Oh, não...


Notas iniciais
Olá rs. Abaixem as armas (?). Demorei, mas cheguei, opa! Motivo da demora tá nas notas finais, pois nunca enrolo nas notas iniciais (talvez só um pouquinho -qq). Trago-lhes o capítulo 23, com dois POVs. Esse capítulo se passa na segunda-feira. Então, as partes em itálico e entre aspas são lembranças do que já aconteceu, no caso no domingo, flashbacks do domingo, se assim soa melhor. Apenas avisando para que ninguém fique confuso, tá bem? Então tá bem. Ainda não respondi todos os comentários, estarei terminando assim que postar aqui, don't worry ^^ Sem mais delongas... Boa leitura! ❤

Chapter Twenty Three.

Oh, no...

POV Anna.

Estou oficialmente contratada! Sim, senhoras e senhores. Anna trabalhará na boate The House a partir de... Bom, logo depois de um evento, mas tudo bem, já tá pra acontecer. Conversamos sobre isso e as meninas disseram que não haverá problema algum eu ficar em casa durante esse tempo, na verdade, nunca houve esse problema. Mas estou feliz, devo dizer. Com esse emprego garantido, já consigo respirar mais aliviada.

Minha mãe me ligou logo depois que cheguei da entrevista com Bunny. Ela ficara sabendo que fui demitida... De novo.

Acostumada com o jeito da filha que tem, ela nunca liga pra dar sermão e sim pra perguntar se estou precisando de algo. Odeio preocupa-la, então, usei o meu melhor tom otimista para lhes mostrar que estava tudo bem.

“- Agressão verbal e injúria a um cliente de novo, Anna? – suspirou minha mãe, com a voz cansada. Eu conseguia imagina-la massageando as têmporas enquanto falava comigo.

— Bom, é... Não foi só verbal...

— Você bateu em alguém?!

— Que isso, mãe! Claro que não... – ela suspirou, aliviada. – Eu só virei uma caneca de cappuccino fumegante em sua cabeça, só isso, ué. Nada demais. – ri nervosa.

— Anna!

— Por favor, não se chateie. Ele mereceu!

— Era um homem?

— Era um cara da faculdade... – ai caralho, não tô gostando do caminho que essa conversa tá tomando.

— Estudante de Oxford? Era só o que me faltava, resolverem te processar novamente.

— Ele seria um homem infeliz caso tomasse essa decisão, dado o fato de a minha advogada ser a melhor no que faz.

— Não adianta me bajular. – ela riu e eu sorri, imaginando a feição tímida em seu rosto.

— Fica tranquila, mãe. Ele não vai me processar. Ele é... – suspirei. – Ótimo.

— Espera aí... – seu tom era analítico e só então eu notei o sorriso sumir de meu rosto. Peraí, eu tava sorrindo? – Esse suspirar esperançoso. Essa relação de amor e ódio. Uma hora ‘ele mereceu’, outra hora ‘ele é ótimo’. Esse seu desespero em fugir do assunto... – ela arquejou. – Meu Deus! Minha filha está amando!

— Mãe!

— Lucy! Lucy, venha cá! Anna está namorando! – pude ouvir Lucy exclamar um ‘até que enfim’.

— Mãe, menos!

— Qual o nome dele?

— Eu não vou dizer o nome dele.

— Quando oficializarem, me fale. Irei aí conhecer meu genro. Ai, meu Deus, eu tô ficando velha (?)...

— Mãe, você tá na flor da idade e eu preciso desligar. Manda um beijo para a Lucy. Tchau.”

Depois desse constrangimento, foquei-me em analisar minha entrevista. Eu já adoro o meu patrão. Conversar com ele foi muito divertido, tendo em vista que costumo não me dar muito bem com chefes em geral, pois a maioria tem a desnecessária mania de querer parecer intimidador o tempo inteiro. Eu odeio me sentir intimidada e, na verdade, é bem difícil encontrar algo capaz de surtir essa sensação sobre mim. Exatamente por isso, os ditos chefes obtiveram uma certa antipatia para comigo, por seus esforços de intimidação sempre soarem ineficazes. Isso nunca me incomodou, só me era prejudicial pelo fato de que, principalmente por conta disso, eu acabava sendo demitida em poucos meses. Foram poucas as vezes em que fiz amizade com alguns patrões...

Mas isso não vem ao caso. Bunny é descontraído, bem-humorado e educado. Em momento algum, retirou o sorriso ao me entrevistar. Talvez, só talvez, eu tenha encontrado o chefe dos sonhos.

Mais uma coisa que devo agradecer ao bosta do Kristoff.

E de repente, me vi sorrindo só de... Pensar nele? Que porra é essa, Anna?! De novo?

— Nossa, mas o Hans é um gato... – suspirou Rapunzel, encarando sem nenhum pudor a bundinha do Coordenador, que havia passado por nós no pátio da faculdade enquanto nos lançava um sorriso educado.

Tive que concordar com ela, porque na real... O Hans é lindo, alô. – Né, menina? – falei, apreciando aquela bela bunda (?).

Percebi Meri dando uma boa observada nele. – Ih, é mesmo... Até que ele é bonito sim.

— Bonito?! Ele é lindo, por favor! – exclamou Punzie, enquanto Elsa anuía veemente em concordância.

Tooth nos olhou estranho. – Não vejo graça nele.

Todas nós encaramos Tooth. – Como assim?! – indagamos em uníssono, o que resultou num olhar de espanto dela para nós.

— Ué... Só eu que não acho Hans lá essas coisas?

Punzie bufou. – Sim, só você. A única. A diferentona. Exclusiva. Peça rara. Primogênita. Selecionada.

— A versão deluxe. Edição Limitada. Divergente. – comentei.

— Pioneira. Inovadora. Barroca. Vanguardista. Colonizadora. Rococó. – continuou Elsa.

— Iluminista. Garimpeira. Napoleônica. Modernista. Contemporânea. Revolucionária. – interviu Punzie novamente.

— A que possui o anel. A herdeira de Sonserina. A atingida pelo raio. Última filha de Krypton. A Deusa do Trovão. A nova jóia do infinito. A responsável pelo Ragnarok. Nascida do Gelo e Fogo. – tornei a falar.

— Ruiva natural. Ovelha negra. Alfa Genuína. Xodó de Jesus. A primeira das 7 ondas. A geradora de tendências. – falou Meri, gargalhando em seguida.

— A sétima esfera do dragão. A bijuu de 10 caldas. A Titã Colossal. O soco único do Saitama. O oitavo pecado capital. A sobrevivente da tropa de exploração. A Maria que não vai com as outras...

— Tá, entendi, sou a única mesmo. Obrigada.

— De nada.

Ela me deu um tapa no braço e riu de minha feição assustada, que viada! Tooth tá ficando violenta que nem eu, tô má-influenciando ela, ai meu Santo Hagoromo. Mas não consegui me sentir culpada por isso, estava feliz de vê-la sorrindo, ainda mais depois das notícias que recebeu nesse domingo...

Aliás, assuntos sobre o domingo foram a pauta principal naquele descontraído momento do intervalo. Afinal, nós quase não paramos juntas ontem... Meri passou o dia inteiro em casa, em seu quarto mais especificamente. Punzie passara o dia em sua escrivaninha, também enfurnada em seu quarto, concentrada em compor sua música. Elsa fora trabalhar e chegara mais tarde que o habitual... Mas não deu explicações, se bem que não perguntamos.

Tooth passara o dia inteiro com os pais e ficamos sabendo hoje que irá viajar com eles durante uns dias para sua cidade natal – esse foi, aliás, o motivo de eles terem ido busca-la em nosso apartamento no dia anterior. O causa dessa viagem inesperada é urgente e... Triste.

Sua avó, uma senhorinha já beeem idosa, está bastante doente. Seu marido, avô de Tooth, já falecera tem uns anos, então ela mora sozinha. Sra. Fairy, que é enfermeira, e Tooth estarão indo para lá pra cuidar dela até que melhore. Ficarão com a senhora 24h por dia, dando toda a assistência. Não sabemos quanto tempo ela ficará por lá, nem mesmo ela sabe. Também não sabemos o que ela fará quanto a faculdade. Trancar a matrícula ou fazer um acordo, para ela, tanto faz. Ela está muito preocupada com a avó.

O que estamos fazendo o dia inteiro é tentar anima-la. Torço para que esteja funcionando.

Ao fim do intervalo, nos despedimos das meninas, retornando a nossa ala num sentido oposto ao delas. Tooth ainda chegou a comentar comigo que estava otimista e que tudo daria certo. Mas a preocupação no seu olhar ainda era evidente.

Nos separamos ao corredor de nossa ala, quando ela seguiu para o banheiro e eu para a sala.

Que estava vazia ainda. Ótimo. Ou nem tão ótimo, levando em consideração a última vez em que decidi ficar dentro de uma sala vazia até certo alguém chegar para me provocar. Eu poderia mentir dizendo que não queria vê-lo nem pintado de ouro, como qualquer outro dia normal eu diria sem ser uma mentira, mas a verdade é que... Eu queria vê-lo. E ao mesmo tempo, não queria vê-lo.

Percebi curtos cabelos castanhos e arrepiados numa mesa isolada do fundo. Estranhei ao concluir de quem se tratava. Desde quando James senta no fundo? É o mais CDF do curso, talvez até mais que eu.

— E aí, Grant Boy. – puxei assunto. – Tá tudo bem com você?

— O-oi, Anna... Ahn... – ele deu um sorriso mínimo e forçado. – Claro. – continuei o fitando, com uma sobrancelha arqueada. Ao perceber meu olhar desconfiado, ele suspirou. – ... Que não.

— Foi o que imaginei. – sorri, enquanto me sentava ao seu lado. – E então, vai me contar o que houve ou terei que apelar? – dei uma piscadela o fitando de lado e seus olhos se arregalaram enquanto ele corava feito um menininho. Meu sorriso foi involuntário.

— Digamos que... Um de meus amigos não está nada satisfeito de ter de dividir o mesmo ar comigo sobre a terra.

Eu ri. – E que amigo seria esse?

— Tuffnut.

— O loirinho dos dreads?

— Ele mesmo.

— Lamento dizer que, se ele acha isso, não é seu amigo, então.

— Acho que quem pisou na bola fui eu.

— O que houve?

Ele pareceu pensar, ficou tenso. – É q-que... Pode ser que eu tenha... Beijado... Uma pessoa que ele é apaixonado.

— Eita porra, James. Como assim?

— Anna... Eu juro que foi ela quem me agarrou. É sério!

— Hey, calma! – ergui ambas as mãos. – Eu acredito em você. Contou para ele o que realmente aconteceu?

Ele bufou. – Inúmeras vezes e ele escuta? Não. Ele estava do meu lado quando aconteceu, deveria ter percebido o que houve de fato. Mas prefere ficar me culpando e apontando coisas onde não teve... – suspirou e se virou para mim, afoito. – Mas eu NÃO beijei ela! Eu fui pego de surpresa!

— Eu já entendi, Jay. Fica calmo!

— É que eu não quero que, justamente você, ache que eu tenho algo com ela... Ou com qualquer uma. – ele ficou vermelho e eu não entendi o porquê.

— Vamos por partes, sim? – ele anuiu. – Quem é ela? Eu conheço?

— Sim. É a Astrid.

— Você ficou com a Astrid?! – indaguei num berro, tendo um olhar suplicante de James como resposta. Nesse momento, entraram na sala um grupo de estudantes e, um pouco mais atrás desse grupo, vinha Kristoff e Tooth. Ignorei o fato de ele estar sorrindo para ela, que lhe lançava um olhar agradecido. Ajeitei minha fronte e tornei a indagar, dessa vez num sussurro. – Você ficou com a Astrid? – ele anuiu lentamente. – Peraí, então quer dizer que o Tuffnut gosta da Astrid?

— É apaixonado por ela desde o colegial, mas nunca contou pra ninguém. – Jay parecia exaurido com as perguntas e ter de respondê-las lhe parecia muito difícil. – Se ele souber que te contei, porra... Já posso dar adeus a nossa amizade.

— Ele não vai saber, tá? – o tranquilizei, no fundo pensando que Astrid devia ter, sei lá, um mel, porque né, Hiccup, Tuffnut, a faculdade inteira... Vai ver, até Kristoff é apaixonado por ela. A preocupação que eu senti ao pensar nisso me surpreendeu. Sacudi a cabeça numa vã tentativa de afastar esse incômodo. – Tá, tá okay, calma, é... – pensei por um segundo e me aproximei dele de maneira cúmplice, segurando suas mãos. – Eu sei de alguém que pode te ajudar. – ele me fitou esperançoso e corado. – Deixa comigo, irei ajuda-lo com Tuffnut.

Rapunzel, sendo sempre a mais bem informada do nosso grupo, me contou sobre ter visto Astrid aos beijos com um certo rapaz, que eu suspeito muito ter sido o James, mas isso ela não havia mencionado. Disse também que não se surpreenderia caso soubesse ter sido ela quem tomou iniciativa, ao invés dele, pois Astrid vinha rondando os amigos de Eret já tinha um tempo e... Enfim! É a Astrid! O que ela quer, ela tem.

Talvez eu peça a Punzie para conversar com Tuffnut. Com uma segunda voz a favor de James, quem sabe, ele repense. Devo mencionar também que estou contando muito com o poder de persuasão de Rapunzel.

Expliquei para James brevemente como eu pretendia ajuda-lo, pois o professor de Álgebra Linear já repassava algo na lousa branca. Antes de levar minha atenção a este, lancei um olhar de conforto para Jay que sorriu agradecido. Odeio ver amigos brigados, farei o possível para ajuda-los.

Depois dali, ao fim das aulas, James me puxou num canto para que eu o contasse detalhadamente o meu plano. Estava ansioso e afoito, torcendo para que desse certo. Antes de sair, me deu um abraço em agradecimento e eu o correspondi prontamente.

Tooth, por sua vez, estava próxima a nós mas não demonstrou interesse sobre o assunto. Parecia distraída e avoada, e eu suspeitei que o motivo fosse sua situação familiar. Ofereci-me para ouvi-la, mas ela agradeceu e negou, alegando que tinha de ir logo pois pretendia falar com uma pessoa antes do fim do dia. Nos separamos ao fim do corredor, mas logo sua companhia fora substituída por outra...

Hans chegou rápido até mim, aparentava ter acabado de se lembrar de algo. – Anna! Trouxe algo para você. – retirou de sua pasta uma embalagem fina e retangular de plástico. A frente, o logo do jogo DmC: Devil May Cry – Definitive Edition era escrito numa fonte personalizada, sobre a arte com o Dante em seu modo Devil Trigger. Puta que pariu! O sorriso no meu rosto se abriu na mesma hora. – Achou que eu havia esquecido? – me lançou um sorriso educado, enquanto eu ainda me encontrava deslumbrada.

— Hm... Achei que você já tivesse esse jogo. – virei-me bruscamente ao ouvir essa voz, dando de cara com o tórax de Kristoff, que estava atrás de mim com o corpo colado ao meu. – Posso jurar que vi um exemplar desse no dia em que estive no seu quarto... – soltou, dando de ombros. E pude ver as sobrancelhas de Hans curvarem-se em surpresa. Kristoff não fitava meu rosto, lançava um olhar desanimado para a capa do jogo nas mãos de Hans. – Se bem que pode ter sido outro, eu não me lembro muito bem. – deu uma risada curta. – Eu estava prestando atenção em outra coisa... – e me fitou com um sorriso malicioso.

Ai minha santa mãe de Rikkudou (KAGUYA?), o que o Kristoff tá fazendo, caralho?!

— Ei... – murmurei entredentes. – O que pensa que tá fazendo?! – expressei todo o meu tom ameaçador ao dizer essas palavras.

Mas elas pareceram não afetar Kristoff, que me olhou despreocupado. – Não entendi, Mini-Anna. Eu realmente achei ter visto esse jogo em uma de suas prateleiras, mas posso ter me enganado, dado o número de jogos que você tem...

— Fizemos um trato! – ainda entredentes, eu exclamei. – “Nenhum comentário sobre o que houve aqui.”

— Exatamente. – ele se virou para mim e sorriu triunfante. – Nenhum comentário sobre o que houve. Isso não inclui o fato de eu ter ido lá. Isso qualquer um pode saber, eu não ligo. – deu de ombros.

— Eu ligo!

— Liga?

— Ligo!

— Tô nem aí.

Grunhi irritadiça. – Quebrou nosso trato.

— Mas é claro que não. Não coloque palavras na minha boca.

— Gostaria de colocar outra coisa nessa sua boca! – exclamei, cerrando os punhos em irritação.

— E eu adoraria que fosse sua língua. – falou, com as mãos nos bolsos, exibindo uma tranquilidade irritante. Mas a irritação que eu sentia até então, se esvaiu no momento em que assimilei a frase.

Com os olhos arregalados, eu enrubesci atordoada e só então me veio em mente que Hans presenciava a tudo aquilo, inclusive a frase há pouco dita.

Fitei seu rosto, ainda muito vermelha. Ele estava chocado, constrangido e eu, a idiota, tentei me explicar não sei porquê. – E-eu não sei o q-que ele quis dizer com...

— Não, que isso! Não tem problema, eu não tenho nada a ver com isso... – sorriu nervoso e me entregou o jogo, saindo o mais rápido que conseguiu logo em seguida.

Virei-me para Kristoff, que o observava se afastando com o olhar maldoso e um sorriso satisfeito no rosto. – Hm. Até que enfim. Achei que ele não fosse embora nunca.

Soquei seu peito com toda a força que consegui reter, gerando nele uma reação nada esperada por mim. Risadas. Aquela mesma risada fofa de ontem, que grandessíssimo filho da mãe. – Qual é a sua, Kristoff?! – falei, ainda o agredindo, o que de nada estava adiantando.

— Eu contava com o constrangimento dele para que assim ele fosse embora. Quem sabe agora ele não te deixa em paz? – me olhou como se eu o devesse gratidão.

— Eu gosto de conversar com o Coordenador Hans, okay? Pode parando! – ele bufou em desagrado e franziu o cenho ao cruzar os braços. – E você quebrou o nosso trato. Seu tratante!

— Ei, ei! – apontou na minha direção, irritado. – Eu não quebrei nosso trato, eu não mencionei nada do que houve. Mas agora você vai me chamar de tratante com razão, porque eu vou contar pra geral. – arquejei boquiaberta. – Vou explanar. Vou mesmo!

— Beleza então! Vamos ver como você vai manter sua reputação de O Imponente Temido Kristoff, que sai por aí corando sob gestos de carinho. – dei uma risada.

— E que gesto de carinho seria esse? – um sorriso prepotente nasceu em seu lábios. – Um abraço seu? Um carinhoso abraço seu? É isso? Quem diria que a toda marrentinha Anna tem um lado meigo. – meu sorriso sumiu. E o dele se intensificou.

Com muxoxo, declarei emburrada. – Refaçamos o trato, então.

Ele me olhou de cima a baixo, afastando a jaqueta para trás e repousando ambas as mãos na cintura, como quem estivesse analisando a fundo o que lhe era proposto. – Não sei, não.

— Você tem tanto a perder quanto eu.

— Fale por você, Srta. Arendelle. Eu sei lidar com essas pessoas. Já você... – ele ponderou, vitorioso. E eu suspirei, derrotada. Era só o que me faltava, Kristoff me tem em suas mãos. Em vários aspectos... O quê?! Como se estivesse ouvindo meus pensamentos, ou como se soubesse ler minha linguagem corporal como ninguém, ele suspirou e jogou as mãos para cima, num sinal de rendição. – Tá beleza, eu não conto nada. Isso se você também não contar, é claro.

Reprimi a vontade de soltar um suspiro aliviado. – Você nunca correu esse risco. – ele anuiu lentamente.

Demorei tanto pra moldar essa minha personalidade supostamente inabalável e ele vem ameaçando desfazê-la apenas com uma alegação. Se bem que eu poderia negar, mas mentir nunca foi o meu forte... E nunca me foi preferível também.

Percebi que ele ainda me fitava sério durante esses longos segundos e resolvi deixar algo bem claro pra ele. – Se você contar para alguém, eu arranco suas bolas (??).

Arqueou ambas as sobrancelhas, espantado. – ... Okay.

— Arranco mesmo.

— É justo.

— Arranco.

— Entendi.

— Faço de você uma versão alternativa do Theon Greyjoy.

Ele colocou as mãos nos bolsos. – Só não posso te prometer a mesma “lealdade” que o Fedor, afinal... Você não me assusta, Anna Bolton.

— Pois deveria. Minhas intenções sádicas são muito piores que as do Ramsay. Mas são bem parecidas com as do George R. R. Martin.

— Tá, agora você me assustou.

Não pude evitar dar uma risada, enquanto ele sorria abertamente.

Existe um momento, aquele ao fim de uma gargalhada, em que nos nossos lábios se mantém o sorriso que se dissipa logo em seguida, dependendo da situação. Mas no meu caso, ao fitar o rosto dele e ver seu sorriso, o meu continuou ali... Um sorriso feliz e sincero, apenas por presenciar o sorriso dele.

Vê-lo sorrindo me trazia uma sensação gostosa... E desconhecida.

Que merda é essa, Anna?!

Engoli em seco. – Tô indo. Tenho mais o que fazer. – girei nos calcanhares e caminhei o mais rápido que consegui para longe dele – o que não foi muita coisa, dado o tamanho de minhas pernas. Malditas pernas curtas! É por causa de vocês que sou baixinha! Meu nome deveria ser Mentira. Entendeu a piadinha? Porque mentira tem pern... Ah, deixa pra lá.

Não demorou muito para que ele aparecesse caminhando ao meu lado, confuso pela minha súbita mudança de humor. – Vai ficar me seguindo? Vou chamar a polícia pra você. Socorro! Temos um stalker aqui! – gesticulei bestamente (?).

Com muxoxo, ele me lançou um olhar irritado, me observando por longos segundos, e murmurou por fim. – Você as vezes me deixa maluco.

POV Elsa.

“De trás do balcão, eu observava Hiccup ao longe, em seu modo automático. Os olhos verdes opacos, sem vida, respondendo a todos o mais brevemente possível. Ainda pensei em perguntar a ele o que estava havendo, porque estava tão calado, emburrado, pensativo. Mas antes que eu pudesse fazê-lo, Astrid chegou e o abraçou por trás...

Bom, o que quer que possa estar acontecendo com ele, creio que... Ela resolverá.

Ele deu um mínimo sorriso ao fita-la e ao me lembrar de Merida, meu coração apertou. Aquele mesmo aperto de ontem, que tive antes de ouvir as sentenças de Tooth.

Uma prenuncia para algo.

Algo que venho desconfiando desde ontem e que, felizmente, ainda não veio à tona. Ou felizmente. Não sei. Ainda bem que Meri está em casa. Mas até quando ela poderá ficar no conforto e segurança das paredes de nosso apartamento? Uma hora ela terá de sair de seu casulo e encarar... Isso. Faria qualquer coisa para viver isso no lugar dela. Isso o quê, Elsa? Eu não sei.

Eu não sei.

Eu realmente não sei.

Senti-me estranha. Maldito aperto no coração.

Obrigações como bartender à parte, pedi a Jack para falar com Hiccup, avisando que eu iria ao banheiro um segundo, e pedi para que perguntasse se não havia problema quanto a isso – já que o bar estava bem cheio, mas meu colega ficaria no meu lugar, é claro. Resolvi não falar com Hiccup eu mesma, pois não sei bem se... Queria interromper o momento dele com Astrid. Na verdade, eu não sei o que eu poderia falar para ele. Não costumo fazer coisas imprudentes, mas se tratando dos sentimentos de minhas amigas, principalmente Meri... É melhor eu não arriscar.

Jack me fitou preocupado, os olhos azuis concentrados as feições de meu rosto. Não foi até Hiccup para perguntar nada, ele mesmo me liberou. Perguntou se eu estava bem. Se ofereceu para me acompanhar. A preocupação dele quase me fez dar um sorriso bobo e admirado, mas me contive, apenas agradeci e neguei.

Resolvi, no meio do caminho, usar o banheiro dos funcionários, lembrando que o banheiro de cliente tende a estar cheio e, o pior de tudo, bem sujo a essa hora.

Lavei as mãos na elegante pia de granito escuro. O toalette dos funcionários consistia de um espaço mediano, porém bem limpo. Um pequeno box com ducha quente, um vaso sanitário, um mictório e uma extensa pia sob o espelho adornado. Não era como o banheiro dos clientes, com várias cabines com vasos sanitários. Aqui, entrava uma pessoa de cada vez.

Molhei as mãos, os pulsos e a nuca. Umedeci a ponta de uma toalha, passando-a em meu rosto com cuidado para não borrar a maquiagem leve, pois havia me esquecido de trazer a nécessaire para retocar mais tarde. Não tem problema. O expediente está quase terminando, de qualquer forma.

O pensamento de que logo eu estaria em casa me desesperou minimamente. Falar para Merida o que eu vi, ou não falar? Prepara-la para quaisquer eventuais notícias, ou não arriscar? Afinal... Eu posso estar errada. Hiccup e Astrid sempre foram amigos.

Dei uma risada sem humor. Oh, por favor, Elsa. Sejamos francos. Amigos?!

Uma batida na porta e meu sobressalto. Murmurei uns xingamentos a quem quer que tivesse me assustado, mas me arrependi no mesmo segundo.

— É o Jack. Você está bem? – abri a porta num súbito, fitando o seu rosto. Ele pareceu surpreso por eu ter aberto. Agarrei sua camisa e o puxei para dentro do banheiro. Estávamos a sós.

Ele me observou caminhar de um lado para o outro durante longuíssimos três minutos, encostado a ponta da pia com os braços cruzados. Seu olhar me seguindo a cada passo não me incomodava. Eu estava pensando... Se deveria perguntar a ele o que estava havendo. Eu deveria tirar minhas duvidas, ter a certeza, para enfim resolver o que fazer... Dizer a Meri. Ou não dizer.

Chega de segredos, Elsa.

Parei a sua frente, com as mãos na cintura, notando o seu olhar intrigado sobre mim. – Finalmente resolveu me dizer o que te aflige. – comentou, sem desviar o olhar de mim.

— Vou pedir que seja sincero comigo. Por favor... – comecei, fazendo com que ele ajeitasse a fronte, curioso. – Não minta pra mim.

Ele deu uma risada curta. – Elsa, acho que não conseguiria mentir pra você nem se eu quisesse... – continuei o fitando, pouco convencida de sua afirmação. Ele suspirou e gesticulou em sinal concordância. – Eu prometo ser sincero com você, linda. Pode falar.

— Hiccup e Astrid estão juntos?

Ele continuou me fitando por alguns segundos e eu o percebi engolir em seco. Coçou a sobrancelha e passou a mão no rosto. – Defina “juntos”. – falou hesitando e então eu soube.

— Ah, droga.

— O que foi?

— Eu sabia que alguma coisa estava acontecendo. Algo... Nada agradável, talvez. – tamborilei os dedos em meus lábios, pensativa. – Hiccup foi o primeiro a ir embora ontem... Ficou pouco tempo lá. Estava muito estranho... Na festa, eles estavam juntos, caramba, o que será que aconteceu durante esse intervalo de eventos? – eu murmurava para mim mesma, analisando os acontecimentos. Só então notei que Jack me fitava com um sorriso de lado em seu rosto. – Que foi? – indaguei um tanto nervosa, pois se tinha um sorriso capaz de me deixar sem jeito, esse sorriso era o de Jack.

— Nada, é só que... – ele gesticulou. – Você é bem observadora quando quer. Eu nem havia reparado que Hiccup tinha saído de lá mais cedo e sem a Meri, pra mim isso pareceu banal na hora, mas agora que você mencionou... Como deixei passar isso? – ele pareceu pensar por uns segundos. – Você anda me distraindo muito, mocinha... – revirei os olhos, me virando para o outro lado, sem conseguir reprimir um sorriso teimoso.

— É isso que você faz, Frost? Culpa seus esquemas pela sua desatenção? – alfinetei, mordendo o lábio inferior para conter uma risada.

— Achei ter ouvido você dizer que não era um esquema.

— E não sou mesmo. – cruzei os braços.

— De qualquer forma, Elsa... – ouvi sua voz perigosamente mais próxima e quando me virei, era tarde demais. – Gosto do modo como você me deixa desatento. Acabo por concentrar toda a minha atenção em você. – e superando todas as minhas expectativas, ele beijou a ponta do meu nariz. A atitude fofa, contraditória a sua feição provocadora, me fez piscar continuamente em surpresa. Mal senti um sorriso brotar em meus lábios. – E então, você dizia...

— Oh, sim! Claro, é... – pigarreei, rapidamente dando fim ao sorriso bobo em meu rosto. Jack sorriu, mas eu fingi não ver. O que a gente tava conversando mesmo? Ah tá! Lembrei! – Vai me dizer o que tá acontecendo ou não? Porque eu desconfio que Hiccup e Astrid estejam juntos...

— Espera aí. Não tire conclusões precipitadas... – Jack manifestou-se, depois de uns segundos e eu o encarei, desconfiada.

— Prometeu não mentir pra mim. – crispei o olhos em sua direção e ele suspirou, derrotado.

— Eu não estou mentindo pra você. Eu realmente não sei se eles estão juntos. Só sei que ontem, depois que cheguei de sua casa, Astrid estava lá... No quarto dele. – terminou hesitante. – Eles conversaram bastante, eu acho. Ele a levou na porta... E... Bem... – ele não terminou.

— E o que, Jack?!

— Eles se beijaram. – falou de imediato. – Pareciam ter se reconciliado, eu não sei, linda! – jogou as mãos para cima, nervoso. – Antes disso, ficaram por muito tempo dentro do quarto, talvez eles...

— Poupe-me dos detalhes sórdidos... – murmurei, com uma das mãos na têmpora. Jack deu uma risada.

— Olha, eu tentei conversar com ele, porque, assim como você, eu também não entendi nada e... Bom, ele só bateu a porta na minha cara. Só saiu de seu quarto para falar com seus pais e olhe lá.

— Ah, meu Deus... – gemi em frustração, caminhando até a pia e apoiando as mãos sobre ela, cansada. – Como eu vou dizer isso pra Merida?

E, caso ela já saiba... Se privou de nos contar. Por que?! Ah, caramba. Ela deve estar péssima... Ou pior!

Deve estar com o coração em pedaços. Engoli em seco, quase chorando só de pensar nisso.

Jack se aproximou de minhas costas, repousando ambas as mãos em meus ombros. Acariciando com os polegares sob a camiseta preta de mangas – que era meu uniforme. Ele beijou a extensão de minha nuca, atrás do maxilar – a pele exposta por conta de meu penteado, que era o habitual coque com franja solta.

— Olha, eu ainda não desisti de falar com Hiccup. – falou, próximo ao meu ouvido. – Se você quiser, posso conversar com a Meri também.

Dei um sorriso agradecido, o observando pelo vidro do espelho. Ele parecia concentrado em tentar me confortar.

— Eu preciso fazer isso. Mas... Não deixe de conversar com Hiccup. Quem sabe, ele não te conta o que aconteceu de fato... Meri ainda não me contou.

— Tudo bem, eu também preciso saber o que houve. E Hiccup ainda não me contou. – dei uma risadinha e ele sorriu. Eu estava me sentindo melhor tendo ele como dupla... Percebi que nós, hm, dávamos muito certo juntos.

Jack fitou meu rosto pelo espelho, deslizando as mãos pelos meus braços, juntando-os à frente de meu corpo num abraço carinhoso. E ficamos assim... Apenas apreciando a companhia um do outro. Ele sorriu antes de desviar os olhos do reflexo dos meus, levar a boca até meus cabelos e depositar ali um longo beijo, com os olhos fechados. – Vamos resolver isso, okay? – murmurou próximo ao meu ouvido e eu anui lentamente, acreditando em suas palavras.

Confiando nele.”

— Elsa! – o exclamar de meu nome me fez dar um pulo. Sim, eu pulei. – Tá no mundo da lua, querida. O que tá havendo, ein? – dizia Punzie, me olhando desconfiada. Ai.

— Eu tô sempre distraída, Rapunzel. Menos. – ela revirou os olhos verdes.

— Sabe como Anna odeia esperar. Melhor nos apressarmos, a vi passando não tem muito tempo, já deve estar no estacionamento... – falava, tornando a caminhar e sem olhar por onde pisava, tão concentrada a tela do celular quanto eu estava nos acontecimentos de ontem na boate.

Eu não conseguia parar de me recriminar por ainda não ter contado a Meri o que vi. Tudo bem que cheguei bem tarde ontem do expediente, mas tive o dia inteiro hoje pra conversar com ela e nada! O que me falta? Coragem? Certeza?

A verdade é que... Estou com medo.

— Meri está junto? – indaguei a Punzie, que caminhava a minha frente.

— Não vi Meri, mas vi Tooth. Já foi para casa, precisa ajeitar as malas, documentos, passaporte... – seu tom de voz mudou, ficara mais branda e compassiva. – Ela deve viajar amanhã mesmo, El.

O mencionar do nome de Tooth trouxe consigo a culpa, que se alastrava em meu peito toda vez que eu via seus olhos violáceos e esperançosos. Toda vez que me era mencionado o nome dela. Ou de Jack. Eu me sentia fraca e... Covarde. Não ter a coragem de me afastar dele. Na verdade, eu... Não tinha forças.

Não tinha vontade.

O que você está se tornando, Elsa?

— Vamos dar uma passadinha na casa dela hoje, para ajuda-la no que formos útil, nos despedir... E tentar fazê-la se sentir melhor. – falei rápido e num fio de voz, Punzie concordou prontamente. – Tome as chaves. – lhe joguei as chaves do carro, parando de caminhar no meio do corredor.

— Ué, você não vem? – perguntou, ao pegar as chaves no ar.

— Agora não. Preciso falar com uma pessoa antes.

Ela deu de ombros. – Então iremos te esperar no carro.

— Tudo bem. Se eu demorar muito, pode ir embora. – suspirei longamente. – Eu dou meu jeito. – ela anuiu, me fitando por uns segundos... Mas logo foi em direção a portaria de saída enquanto eu fazia o sentido oposto, para os corredores vazios.

Darei um jeito mesmo. Darei um jeito nisso. Hoje. De preferência. Para que não dure e não se intensifique com o tempo. Para que não doa mais do que agora. Para não adiar o inevitável.

Para que a sensação não seja pior.

O tempo cura e também fortalece. Quanto mais se delongar isso, mais forte fica o meu afeto por Jack... Afeto? Seria mesmo isso? Só... Isso?

Sim! Só isso, Elsa. Não inventa! Um afetozinho de nada. (?)

Jack terá de ser firme, pelo seu próprio bem e de Tooth. Mais cedo ou mais tarde ela contará de seus sentimentos a ele e uma decisão terá de ser tomada. Se bem que... Creio que não será um sacrifício tremendo para ele. Afinal, é a Tooth. Eu vi o modo como ele olha pra ela e mesmo que seja um amor fraternal... Isso ainda pode mudar... Né?

Tem que mudar. Tooth já está tão magoada e triste... Se souber o que houve entre eu e ele, ela pode... Meu coração apertou só de imaginar.

Eu não posso continuar com isso...

Eu não posso continuar...

Preciso dar um fim nisso...

Isso tem de acabar...

Uma pressão em meu pulso e sou puxada para trás. A única coisa que assimilo é o sorriso safado de Jack antes de ter seus lábios nos meus. Possessivo, ele segura minha cintura, firmando-me contra seu peito. Dedos instigantes se enroscam em meus cabelos quando ele aprofundando o beijo...

Bom, talvez eu possa continuar com isso... Só talvez. Só agora, tá? Tá.

E assim, o correspondi prontamente. Socorro.

— Eu tô te observando caminhar a uns bons dois minutos, você parecia tensa... – comentou ao se afastar centímetros de meus rosto e sorriu de lado. – Achei que deveria fazer algo para te ajudar a relaxar. – murmurou e depositou um selinho em meus lábios.

Enquanto eu, ainda meio atônita e zonza, piscava continuamente tentando recuperar meu fôlego. Foi quando um pensamento me preocupou, fazendo-me afastar dele num súbito, olhando em volta... E então, ele me puxou para seus braços novamente. – Eu chequei se não havia ninguém no corredor, não se preocupe. Estamos sozinhos. – ele riu divertido e eu quase suspirei de alívio, sorrindo junto a ele, até que notei seu sorriso sumir. – Há algo que... Precisamos conversar. – preocupada com seu comentário, eu esperei que ele continuasse. Ele se afastou, ajeitou a mochila nos ombros com uma mão, enquanto que a outra procurava pela minha, entrelaçando nossos dedos e me puxando para caminhar ao seu lado. Ansiosa, eu ainda esperava ele prosseguir com o que começara a dizer...

Eu aguardei... Aguardei... Aguardei, percebendo que estava calada até agora. Se tinha alguém que conseguia me deixar sem palavras, era ele. Oh.

Franzi o cenho ao fitar em seu rosto um sorrisinho bobo enquanto fitava nossos dedos entrelaçados, seguido de um suspiro alegre. Ah, não creio que ele me enrolou. Puxei minha mão, o que chamou sua atenção, mas ele não permitiu que eu o soltasse.

— Não acredito que caí no seu papinho, Frost. – murmurei irritadiça e ele riu, se divertindo com a situação.

— Me desculpe, linda. Eu não resisti.

— Eu tenho que conversar com você um assunto sério e você nessa!

— Eu também tenho que conversar com você. Não menti. Prometi que não mentiria pra você, lembra?

Arqueei uma sobrancelha, com os olhos em fendas. – Achei que a promessa só valesse até... Ontem.

— Não. Você não especificou e um Frost jamais quebra suas promessas. – afirmou ele, veemente. Sorriu consigo mesmo antes de murmurar. – Meu pai ficaria orgulhoso se estivesse aqui, me ouvindo dizer isso. – e riu

Não pude evitar que um sorriso brotasse em meus lábios ao observá-lo, mais logo fiz questão de reprimir esse sorriso. – E então... Você dizia?

— Ah, sim, hm... – ele coçou a nuca com a outra mão, enquanto continuávamos caminhando em direção ao fim do corredor. – Você primeiro.

Crispei os olhos novamente. – Tem certeza? – ele anuiu. – Okay então, bom... Ia falar pra você fazer uma visita a Tooth hoje. Ela deve viajar amanhã e... Não está muito bem.

Ele baixou o olhar. – Eu fiquei sabendo o que rolou, meu pai me contou hoje de manhã. Eu não tive a oportunidade de falar com ela hoje... Também tentei ligar, mas ela não atendeu.

— Ela tem estado bem avoada o dia inteiro, só percebe as chamadas perdidas horas depois.

— Bom, eu já iria à casa dela hoje, de qualquer forma. Não irei ligar avisando, não vai adiantar mesmo...

— Assim é melhor, ela irá gostar da surpresa. – falei, lembrando-me de sua reação ao vê-lo no quarto de Anna... Ela estava feliz. – As meninas também irão para lá, provavelmente vão ficar a tarde inteira tentando anima-la... E irão conseguir, na fé de Jah. – murmurei a última parte.

Ele sorriu. – Aproveitando sua ideia, vou ver se levo o meu pai para uma conversa casual com os Fairy. Não precisarei fazer muito esforço, meu velho e a família de Tooth são amigos de longa data... – ele me fitou com um brilho diferente no olhar. – E você, hm, também vai estar lá?

Por longos segundos, eu tentei decifrar aquele brilho curioso e incomum nos olhos de Jack. Contudo, não consegui. – Eu pretendia ir, mas... Eu não sei. – suspirei. – Talvez eu vá, eu não sei. – a falta de convicção no meu tom de voz era evidente. Eu conseguia sentir o olhar de Jack sobre mim e sabendo o quão perspicaz ele consegue ser, me apressei em mudar minha fronte, dando um audível pigarreio. – Mas você, senhor Frost, nem pense em deixar de ir até lá, ouviu? – falei, me virando para ele. – Tooth tem muitas coisas a te dizer. – meu tom de voz falhou e ele crispou os olhos. Senti que estava estranhando tanto a minha afirmação quanto meu comportamento. – Tudo bem, agora sua vez.

Mudei de assunto subitamente e ele percebeu, no entanto, não protestou. Suspirou longamente, enquanto tornávamos a caminhar. – Tem uma coisa que eu preciso te contar, linda... É sobre... – ele deu uma pausa. – O assunto de ontem. Hiccup e Astrid. Eu consegui conversar com ele.

Não consegui disfarçar minha surpresa. – E aí? – indaguei, ansiosa.

Ele hesitou. Hesitou muito. Hesitou por longuíssimos segundos que até mesmo eu perdi a paciência. O indaguei novamente, esperançosa de que assim o incentivasse a falar logo, mas assim que ele finalmente abriu a boca, me distraí com o vulto ruivo que passara feito um foguete por nós.

Merida parecia estar correndo... Mas não estava. Só andava apressada na mesma direção que nós e tão focada que pareceu nem ter nos percebido. A chamei e ela não parou. Corri em seu encalço, ainda chamando seu nome, mas ela não me olhou.

Parei a sua frente e segurei seus ombros. Aquela atitude... Estava começando a me assustar. E me afligir. Jack parou ao meu lado, engolindo em seco e ofegante, a fitando tão preocupado quanto eu. Ele havia me acompanhado e eu nem percebi... Na verdade, nem percebi quando soltei sua mão.

— O que aconteceu, Merida?!

Percebi Meri murmurando umas coisas e me aproximei para ouvir, estranhando essa reação dela. Estava indiferente, impassível... Ou, se esforçava demais para não demonstrar nada. – El... Não se preocupe comigo. – murmurou, com a voz esganiçada.

— Impossível com você agindo dessa forma! Me conte o que houve... Por favor. – mas ela nada disse. Apenas me fitou e foi a primeira vez que vi nos olhos Meri o angustiante tom azul de tristeza.

Fitei o rosto de Jack, confusa e nervosa... Foi quando o percebi engolir em seco ao encarar longe, virando-se no segundo seguinte para o lado oposto, passando uma das mãos no rosto. Olhando na outra direção, vi a cena que, se fosse a umas semanas atrás ou mesmo até antes da festa, não me chocaria tanto. Hiccup de mãos entrelaçadas com Astrid, trocando olhares cúmplices e risadinhas enamoradas.

Oh, não...

Franzi o cenho e encarei Jack. Não precisei dizer nada. – Eles estão namorando. – ele murmurou e eu não faço ideia de qual foi minha feição.

— Tá tudo bem. – pude ouvir um sussurro entrecortado de Meri. Ela me sorriu... Um sorriso... Cheio... De dor. – Eu escolhi isso. – repetia as três palavras num murmuro contínuo até baixar o olhar e terminar com a voz falha. – Só não achei que fosse doer tanto.

Ela não chorou. Em nenhum momento e, acredite, não estou impressionada com isso. Meri nunca foi do tipo que chora. O que me deixou imensamente surpresa foi o fato de ela, depois daquilo, ter agido de forma tão impassível. O último sinal de emoção que detectei foi ao proferir daquela frase... Depois dali, a apatia tomou conta de sua feição. Foi a primeira vez que eu me vi nela. Fria e indiferente. Não gostei. Acontece que os meus comportamentos frios e indiferentes são muito bem encenados. E os de Meri... Não sei dizer se são só encenações. Torço para que sim.

Voltar para casa ao lado dela foi como voltar para casa ao lado de um robô. Era como se nada tivesse acontecido. As meninas notaram, sim, o meu olhar preocupado direcionado a ela. Eu não tive coragem de anunciar o que tinha causado aquilo, não ali, naquele momento tenso dentro do carro.

Apesar de que, a única tensa na historia era eu... Aparentemente.

Indaguei, insisti, mas tudo o que ela fazia era me sorrir sem dizer nada.

Ao entrarmos no apartamento, ela foi direto para o quarto e de lá... Não saiu mais.

A não ser, é claro, quando a janta ficou pronta... (?).

Ainda assim, nunca antes a mesa esteve tão silenciosa. Meri remexia com a ponta do garfo os feijões em seu prato. Ainda não havia ingerido uma garfada. Anna e Rapunzel mastigavam a refeição, enquanto tentavam disfarçar os inúmeros olhares curiosos, direcionados a ela, com o canto dos olhos. Mas eu, não. Eu a fitava fixamente, pois o silêncio dela já estava me deixando bastante frustrada. Meri nunca fez isso. Não com a gente.

— Merida...

— Por favor, El. – o tom ela foi esmagador, o que resultou no olhar de espanto das outras duas. Era como se ela já esperasse que eu ou alguém desse a iniciativa em falar algo. – Não quero falar sobre isso, sim? – pediu, sem desviar o olhar de seu prato, agora num tom mais brando.

O silêncio seguiu por uns curtos segundos, enquanto que Anna e Punzie trocavam olhares preocupados. Estavam tão tensas quanto eu. Porém, antes que eu pudesse dizer algo em concordância – afinal, respeito as decisões de Meri, só não consigo evitar ficar tão preocupada – a campainha soou as nossas costas.

— Eu atendo! – exclamou Punzie, desesperada em tentar dissipar aquela tensão.

Ao levantar de Rapunzel, Anna passou a encarar Meri, assim como eu. Figurativamente, coloquei-me no lugar de Meri... Eu odiaria estar sendo encarada. Estaria me sentindo desconfortável com esses olhares. Então, com um gesto sutil, pedi que Anna parasse e fiz o mesmo. Na porta, Punzie demorou-se e isso não passou despercebido por nós. Me estiquei para avistá-la de frente para a porta aberta... Foi quando notei o quão pálida ela estava.

Gothel deu vagarosos passos para dentro do apartamento, olhando em volta numa lentidão um tanto exagerada. Observando tudo, reparando tudo. As sobrancelhas, ambas arqueadas, trazia em sua feição o sempre presenta ar superior. Pousou seu olhar em Punzie e a fitou de cima a baixo. Rapunzel a mirava com um olhar suplicante por um abraço, algumas palavras, sejam de conforto ou saudade. Mas tudo o que Gothel disse após longos segundos foi.

— Você engordou.

Punzie deu um indisfarçável suspiro desanimado, porém, não parecia surpresa. – Bom te ver também, mãe.

Notas finais
Número de palavras: 7.258 Eu não sei prq o espaçamento ficou tão exagerado na edição do Nyah, mas tudo bem, continuando... Trouxe do fundo do baú o meme “diferentona” prq eu adorava esse meme ❤. Aesthetics do Tuffnut (o loirinho dos dreads), Astrid e Heather já disponíveis no Tumblr – do Tuffnut acabei de postar. Segue o link, para interessados: Tuffnut: http://risingtide-orbis.tumblr.com/post/151591088010/aesthetic-tuffnut-thorston-tom-felton Heather: http://risingtide-orbis.tumblr.com/post/148983768515/aesthetic-heather-hailey-jessica-lowndes Astrid: http://risingtide-orbis.tumblr.com/post/148983630225/aesthetic-astrid-hofferson-ashley-benson Talvez eu deva uma explicação a vocês (TALVEZ NÃO, COM CERTEZA). ENTÃO, CHEIROSAS, O ‘NEGÓÇO’ É O SEGUINTE... Trago verdades. Notícias boas. Estou com os capítulos adiantados até o 30. SIM, ATÉ O 30. Mas tem um porémzinho -qq. Eu sou o tipo de escritora que escreve em fragmentos (????). Tenho boa parte dos capítulos já escrito, porém nenhum está completo. Mas já é um adianto, podendo até nem demorar para postar, tendo em vista que só preciso interligar algumas cenas, acrescentar poucas coisas, revisar e só. O motivo da minha última demora foi exatamente esse: Eu estava adiantando os capítulos, para que essa demora para postar acabasse. Com isso, ‘deixei de lado’ o capítulo 23 por um tempo, para adiantar os seguintes. Espero que esse plano dê certo e me esforçarei para fazê-lo ❤. Terminei o 23 hoje, revisei hoje e postei hoje, tudo bem rápido, ou ‘seje’: Caso tenha algum erro gramatical, me avisem, por obséquio. POR OBSÉQUIO! ERROS SÃO TIPO OS MEUS PESADELOS! Obrigada, de nada ❤. Cheguei a falar com umas leitoras que nesse capítulo teria cena Flynzel, mas não deu pra encaixar aqui, se não ficaria muito grande... Então deixei para o próximo, vai vim junto de algo que ninguém espera... TAN TAN TAN! É nada demais, gente... É só o......................POV DO FLYNN! OPAAAAAAAAA~ Talvez -qq. Amei os comentários do capítulo passado, vocês são maravilhosas! ❤❤❤ Ah, já ia me esquecendo: RT tá de capa nova. Sim. Eu mudei a capa de novo. Vi essa arte no Tumblr e fiquei: “SANTO SAITAMA, ESSA IMAGEM FOI FEITA PRA RT!” Então fui lá e pedi permissão artista para usa-la como capa e ele deixou, eu quase chorei! ❤ Então enfim, não se esqueçam de dar uma olhadinha na capa, aesthetics, opinem, comentem, inclusive, comentem sobre o capítulo, pois AMO falar com vocês ❤. Nos veremos regularmente de agora em diante, ASSIM ESPERO! Bom, acho que é só isso rs Beijos, cheirosas! Até bem breve ❤