Rising Tide

24 (Bônus) Sra. Millano.


Notas iniciais
Cheguei, trazendo um bônus da nossa loira do badalo ^^ Pode ser que ele esteja meio méh, mas me perdoem risus ♥ De qualquer forma, espero que gostem ♥ Boa leitura!

Chapter Twenty Four.

Mrs. Millano

POV Rapunzel.

Por trabalhar dois dias seguidos o quais não faziam parte do meu expediente, ganhei folga naquela segunda. Se eu soubesse que teria de receber minha mãe, teria preferido ir trabalhar... Mas de nada adiantaria. Ao que parece, eu teria de lidar com Gothel por um longuíssimo mês. E quando digo “lidar” quero dizer “aturar”. Isso soa cruel, até mesmo para mim.

— Deseja ficar para o jantar, Sra. Millano? – a voz de Elsa era cautelosa e equilibrada, como sempre. Visto que eu estava calada todo esse tempo, creio que ela resolveu interferir.

Já estava arrumada para seguir em visita a casa de Tooth. Mas creio que, dado o olhar suplicante que lhe lancei, ela desistira de ir. Por mais que eu me sinta culpada... Não sei se quero ficar sozinha com Gothel.

— Não, querida, não se preocupe. Eu jantei no hotel antes de vir para cá, obrigada. – respondeu Gothel, em toda a sua simpatia. E elegância, não importa o que eu diga.

Já havia tirado o grosso sobretudo de tom carmin, todavia, seu vestido preto justo a cintura e longo até os joelhos ainda transmitia certo requinte. As botas negras de salto fino, cano curto e felpudo poderiam até ser considerados bregas, mas eram lindíssimas. Em seu colo, seu colar de rubis exibia-se. E em suas mãos, as luvas, que seguravam sua echarpe de seda.

— Algo para beber?

— Ah, aceito uma xícara de Earl Grey, por favor. – Elsa anuiu e foi até a cozinha. Assim que já não era possível ela conseguir ouvir algo, Gothel cochichou. – Essa sua amiga é quase albina de tão branca, ela precisa pegar uma corzinha.

— Não precisa não, ela está linda assim. – retruquei ao seu comentário maldoso.

— Claro, claro. E onde estão as outras? – indagou, fazendo pouco caso de minha indignação, como sempre. Como se adivinhando que foram mencionadas, Anna e Meri apareceram descendo as escadas. – Oh, falando nelas...

— Elsa, estamos indo! – berrou Anna, recebendo um “Ok” no mesmo tom como resposta.

— Para onde elas vão?

— Na casa de uma amiga. – lembrei-me de Tooth novamente. O voo dela estava marcado para a madrugada de hoje, então marcamos de ir depois da janta pois, segundo ela, era melhor. Ela não queria dormir antes de embarcar.

— Tchau, Punzie! Tchau, Sra. Millano! – despediram-se ambas, antes de baterem a porta.

— Essa menina não cresce não? – indagou Gothel assim que Anna sumiu de nossas vistas.

— Inteligente de sua parte dizer isso só depois de ela sair. – revirei os olhos.

A primeira coisa que fiz depois disso, foi perguntar o porquê de ela ter vindo – pois, com certeza, não foi para me ver. E como eu já suspeitava, ela precisava de um favor.

— Preciso de você nas passarelas, para exibir as novas peças da minha coleção. – dizia, sem me fitar. Na verdade, ela analisava e reparava cada canto do apartamento.

Sua coleção? Hm, não é mais parceira do Sr. e Sra. Snow?

No mesmo momento, Elsa vinha trazendo uma xícara sobre um pires, entregando-as a Gothel. – Aconteceu algo entre você e os meus pais, Sra. Millano? – questionou um tanto preocupada.

— Oh, claro que não, querida. Não se preocupe quanto a isso. – ela riu e bebericou o chá. – Aldara e Dante parecem mais estar numa 3ª lua de mel do que trabalhando... – Elsa sorriu. – E, bom, o que tenho em mente é algo bem solo. Não daria certo em sociedade. Conversei com os dois, ambos entenderam perfeitamente e até me apoiaram. – Elsa assentiu com um sorriso aliviado e avisou que iria subir. Gothel tornou a degustar seu chá, enquanto que a palavra “passarela” ainda ecoava na minha cabeça...

— Tudo bem, mãe, só que primeiramente... – pigarreei, mas ela nem me olhou. – Estou gorda, a senhora mesmo disse. Não posso desfilar suas ilustríssimas roupas com esse corpo imenso, não é mesmo? – ironizei. – E outra, já discutimos sobre isso, eu não sou mais sua modelo. E nem quero ser. – isso chamou sua atenção, fazendo seu olhar indiferente repousar sobre mim. – Segundo... O que está fazendo aqui em Londres na mesma semana em que o Fashion Week ocorre em Nova Iorque? Deveria estar aqui só semana que vem...

Quando Elsa me deu o recado que ela viria para cá, supus que seria na Fashion Week de Londres, na verdade, eu contava com isso... Daria tempo de eu inventar algo para fazer, de repente uma viagem de última hora (?).

Ela sorriu. – Querida, eu tenho ambições além da sua capacidade compreensível. O Fashion Week, comparado ao que eu tenho de olho aqui, torna-se trivial.

Estreitei os olhos. – E o que é tão importante que a senhora não pôde esperar uma semana?

— Você não faz parte da minha equipe, acabou de se negar a me fazer um favor, então não tenho que te contar sobre os meus planos acerca de minha carreira. – ela fitou as unhas, dando outro gole em seu chá.

— Não faço parte da sua equipe há muito tempo, e não foi por te negar um favor, e sim porque, segundo a senhora, eu nunca fui boa o suficiente. – levantei-me e segui até a cozinha. – E quando digo “segundo a senhora” é pra enfatizar o quanto você sempre esteve errada. Pois eu sou fabulosa, amada. – passei por ela, sem fitar seu rosto. Mas conseguia sentir o seu olhar julgador sobre mim.

— Se você diz. – ela deu de ombros e eu respirei fundo contando de um a dez.

— É, digo mesmo. E se isso é tudo, sugiro que a senhora volte para o seu hotel... – tentei não ser rude, mas as vezes, principalmente com Gothel, esse tom é automático.

— Não foi assim que eu te eduquei, Rapunzel. Expulsando sua mãe assim, na cara de pau...

— A senhora me ensinou a falar dos outros pelas costas, por exemplo. Eu prefiro ser assim, direta e, como você diz, cara de pau. – bebi a água que eu havia acabado de me servir.

— Tá, tanto faz. Mas querida, repense na proposta... – ela tornou a tocar no assunto e eu suspirei. – Eu não achei que você fosse negar esse humilde favor a sua mãe... – ela repousou uma mão sobre o peito, forçando uma feição de falso desapontamento.

— Na verdade, eu não consigo entender porque, de repente, eu me tornei uma “modelo” a ser cogitada.

— Tudo bem. Eu explico... – ela pigarreou. – Caroline, Izabel, Miranda, Kasia e Agyness estão escaladas para NY. Lisa e Lindsey estão aqui, mas irão desfilar para o Christopher Kane. E aquela menina, Cara, uma pena, está gravando um filme. – ela suspirou, com pesar. – O resto, já está em Milão. Só me sobrou você, minha anja. – ela sorriu abertamente.

Dei um longo suspiro. – Sejamos francas? Eu fui a sua última escolha.

Ela deu uma risada, estapeando o vento. – Oh, querida, não leve as coisas tão a sério!

— Já levei tanta coisa na esportiva, que devo ser o maior atleta do país. – murmurei, cruzando os braços e dando um suspiro cansado. Eu nunca quis desfilar. Na verdade, eu nunca nem quis ser modelo. Me prestei a fazer o que nunca gostei só para tentar orgulha-la, e mesmo assim, nunca obtive sucesso. – Então, a situação é que suas modelos prediletas já foram escaladas para desfilar em NY, ou já estão se preparando para França, Milão e aqui, certo? – ela anuiu. – Mãe, eu sei de muitas iniciantes que dariam tudo para desfilar suas roupas.

— Ah, Rapunzel, até parece que eu quero qualquer uma pra exibir meu trabalho. Será um evento privado e pequeno, não tão influente quanto o Fashion Week, mas com um público magnata. É perfeito pra mim!

— Não sei, não, mãe...

— Querida, são só algumas peças de roupas. Não vai te custar nada! – vai sim. Minha dignidade. – Por favor. – suplicou.

— E-eu... – cocei a sobrancelha, desviando o meu olhar do dela.

— Coloque um sorriso no rosto da sua mãe. – e ali, eu quase cedi. Já fiz tanta coisa em prol do sorriso dela que, por um tempo, esqueci do meu. Vivo dizendo que jamais voltaria a ser assim e, no entanto, dou esses deslizes bobos. – Se você quiser, deixo você olhar os desenhos... – ela me sorriu, sabendo que ali havia vencido. Droga.

— Tá, mãe. Mas quero detalhes do que irei desfilar! E eu quero ver os desenhos. – murmurei a última parte, com um biquinho patético.

Ela bateu palminhas. – Obrigada, filha! – e fui surpreendida com um “meio abraço”. – Não posso apertar muito, porque se não vou amassar esse vestido. Foi um presente da Carol Herrera. – e passou a mão pelo vestido caríssimo. Revirei os olhos. – Não vi o nome do seu pai em nenhuma lista de Designers das quatro semanas. Fico me perguntando se as ideias para bolsas acabaram. – ela fitou as unhas.

Pronto. Começou a falar mal do meu pai. Às vezes, acho que ela faz de propósito pra me irritar.

— Papai não desenha só bolsas. Aliás, quem dá a ideia das bolsas é a Stella e, inclusive, ele saiu de férias com ela. Merece um descanso, depois do sucesso que foi a sua última coleção.

— Bobagem! Seu pai é um velho acabado. Ele está cansado, isso sim. E não deve estar dando conta daquela ninfeta. – eu quase podia sentir a irritação dela.

— Hm. Se você diz. – dei de ombros e ela me fitou, irritada. – Estão em Paris, se quer saber. Aposto que se a senhora tivesse lido a lista de convidados, em vez de Designers do Fashion Week de lá, teria encontrado o nome deles. Meu pai sempre gostou de assistir. A senhora sabe que ele tem um bom olhar crítico...

Ela divagou por um minuto. – Não quero falar sobre seu pai. E, por favor, pare de me chamar de senhora. Isso faz com que eu me sinta velha.

Bufei. – Sua aparência pode até enganar, mãe, mas o número de divórcios em seu ‘curriculum’ meio que denuncia que a senhora já não é mais tão jovem assim.

— Divórcio são apenas papéis. Sou uma romântica incorrigível, ainda à procura de seu amor verdadeiro. – sua declaração tinha um leve tom de ironia.

— Eu já encontrei.

— Sério?! – a surpresa dela me fez arquear uma sobrancelha.

— Sim, o amor próprio. O que vier depois, é consequência.

— Você e suas respostas afiadas. – ela sorriu para mim, com orgulho (?). – Mas tudo bem, você está nova. Tem tempo de sobra pela frente para arrumar um marido decente.

Opa! Quando foi que a conversa tomou esse rumo? – Que marido o quê, mãe. Quem disse que eu quero casar? Como diria Anna, eu quero mesmo é meter o loco (?).

Gothel arregalou os olhos, assustada. – Rapunzel, desse jeito nenhum homem vai te querer.

— Putz, que pena. Caramba. Jura mesmo? Nossa, to abaladíssima. Nenhum homem? Nem mesmo um?! – fingi uma falsa indignação. – Que coisa. – finalizei, fitando as unhas.

— Oh, minha cara, seu deboche foi herdado de mim. Sugiro que desista de tentar me irritar, filha.

Franzi o cenho. – Eu não tentei. – tentei sim.

Devo admitir que estava um tanto afoita naquela noite. O fato de que eu iria desfilar para a Gothel me deixava nervosa. Não por ela ser uma estilista rumo ao seu renome mundial, e sim por ser... A minha mãe.

Depois dali, basicamente o que aconteceu foi que mantive todo o meu foco no projeto dela. Os dias se passaram e, por mais que eu forçasse a linha do “se farei, farei do meu jeito”, eu estava me esforçando bastante para que desse tudo certo no desfile. Ela estava muito ansiosa, animada e otimista; eu não queria ser quem estragaria tudo. Minha música para a Bey? Tive de guarda-la na gaveta da escrivaninha, incompleta. Da faculdade, para casa; de casa, para o trabalho; do trabalho, eu ia direto para o mini estúdio que Gothel montara em seu quarto de hotel. Eu mal conversava com as meninas e mal tinha tempo para me juntar as refeições do dia a dia, eu mal parava em casa. Ao menos, consegui ajudar Anna a resolver um problema com um colega dela da faculdade.

Mas no fim, todo esse esforço valeria a pena...

Só haviam os modelos desenhados, Gothel ainda iria produzir e montar as peças – ela sempre deixava para última hora, por conta de suas súbitas ideias que mudam a todo tempo. Ofereci-me para ajuda-la a produzir, esperando uma resposta negativa, e me surpreendi quando ela aceitou. No entanto, isso significava passar boa parte dos dias em sua companhia. Mas, diferente do que eu pensava, não estava sendo nenhum sacrifício.

Não fora tão ruim assim tê-la como companhia todos os dias. Foram momento bons, na medida do possível.

Passando-se as semanas, notei que Gothel não estava nem aí para o Fashion Week mesmo. O evento já se passava em Milão e ela nem mesmo comentava sobre. Também se recusou a me contar o que havia de tão valioso aqui em Londres que tomara toda a sua atenção.

Durante um dia de trabalho árduo, uma vez que faltava pouco menos que 72h para o desfile, Gothel terminava de ornamentar o drapeado de um vestido de organza magenta, enquanto que eu traçava uma peça inspirada em meu estado de espírito – isso vinha acontecendo bastante, e eu já tinha várias roupas desenhadas... Não era para o desfile, era só algo que eu queria produzir um dia, quem sabe.

Voltando ao esboço, eu já pensava nas cores e os tecidos... Imaginava-o num tom quente, puxado para o acarminado, abrasador e sensual como o olhar do... Peraí, o que eu tô pensando? Concentre-se, Rapunzel. Seu estado de espírito... Hm, detalhes em negro. Ébano rutilante, com aparência aveludada, suscito ao toque, tal como os cabelos do... O que?! Quem?! NINGUÉM! Socorro, não! Fechei o caderno na mesma hora, deixando o desenho por terminar.

Mal percebi estar com os olhos arregalados. No meio disso tudo, eu não sei como, eu ainda conseguia pensar em Flynn! Foi algo rápido, breve... Mas que, ainda assim, me surpreendeu. Passei as mãos nos cabelos. – Tá amarrado em nome de Lúcia, Estella, Átila, Denise e Cia... (???) – murmurei baixo, quase fazendo o sinal da cruz (?). E como se o universo conspirasse a favor de minha frustração, Starboy do The Weeknd ressoou do Home Theather que, desde que eu chegara, varria o silêncio do quarto. Bufei em desagrado.

— Adoro esse cantor! – comentou minha mãe, sem desviar a atenção de seu trabalho. Af, mãe. Até você? (?).

Resolvi me ocupar com outras coisas, puxei as pastas com os desenhos dela, tornando a analisa-los a terceira vez naquele dia... A diferença entre os nossos traços era gritante.

No meio dos papeis, achei a ficha do evento. No convite, não havia muito descrito, mas Gothel já tinha me explicado boa parte...

Se tratava de um desfile comercial produzido por um ricaço metido a besta. Mentira, eu estava muito nervosa – e todos sabemos que quando isso acontece, tendo a tratar as coisas com indiferença, para que assim não notem meu nervosismo.

Acontece que só pelo fato de eu ter de desfilar num evento desse porte, para esse específico “ricaço metido a besta”, e vestindo as roupas de minha mãe, a sensação me bambeava as pernas.

Essa sensação permaneceu até o dia do evento.

E lá estava Rapunzel, adornada dos pés à cabeça. A maquiagem forte chegava a pesar em minha pele. Os fios de cabelos cheios de laquê firmavam o penteado. Os cílios postiços faziam um vendaval a cada piscadela (?). Eram poucas peças a apresentar, então não haviam colegas para partilhar dessa insegurança – sentimento incomum, ainda mais para mim. Era apenas eu, sozinha. Ao menos, havia a equipe de Gothel e a própria – maquiadores, cabeleireiros e etc.

Passarelas me traziam lembranças... Não tão boas assim.

Um burburinho nada ocasional refutou das cortinas laterais dos bastidores e um pensamento logo me veio à cabeça: Alguém importante está chegando.

— Giorgio, querido! – exclamou minha mãe para o recém chegado e meu coração deu um pulo. O senhor abriu um alvo sorriso para ela, segurando seus dedos com delicadeza e a puxando para um saudoso abraço. – Há quanto tempo.

— Gothel. Está maravilhosa, como sempre. – Gothel respondeu com um sorriso agradecido.

— E o nosso público alvo... – ela mencionou num tom cúmplice.

— Ainda não chegaram, mas seja paciente. Ela nunca perde um Privé. – ele deu uma piscadela. – Então, já tem sua equipe de modelos?

— Será necessária apenas uma.

— Curioso. E quem seria essa jovem graciosa?

— Minha modelo e filha, Rapunzel. Rapunzel, este é Giorgio Armani.

Mesmo eu já sabendo quem ele era, resolvi fazer a desentendida. – Muito prazer, Sr. Armani.

— O prazer é todo meu. Você tem a beleza de sua mãe. – eu apenas sorri, ainda estava meio boba por ouvir Gothel ter feito questão de me chamar de filha. Geralmente, ela não faz isso.

— Mãe, quem seria esse “público alvo”? – cochichei, assim que o Sr. Armani saiu do recinto.

— Ninguém interessante, Rapunzel. Concentre-se. – desconversou. Senti meus dedos suando frio ao espiar de uma brecha das cortinas. O lugar estava lotado. Talvez eu não estivesse tão nervosa caso minhas amigas estivessem aqui. Dei um longo suspiro. – Tá pronta? – indagou, repousando uma mão sobre meu ombro.

Virei-me e fitei seu rosto. – Eu nasci pronta, mãe. – ela sorriu satisfeita.

— Então se prepare, porque você já vai entrar.

Pra quem nunca se incomodou em ser o centro das atenções, o medo de palco soa bem irônico. Isso ia além do que eu sou, mas naquele momento, não se tratava apenas de mim.

Então eu daria o meu melhor. Isso aí, Rapunzel. Arrasa, gata.

●●

Ao voltar para os bastidores, eu sentia minhas pernas trêmulas. Eu achava que o pior que poderia acontecer era eu cair, mas empacar na frente de uma fila de supermodelos foi, de longe, muito pior do que só cair.

Claro que algo assim aconteceria, ainda mais quando você vê Beyoncé – que por acaso é a mulher a qual você idolatra – junto de sua família – sim, Jay e Blue estavam junto dela – numa das primeiras fileiras da plateia!

Foi algo bobo, rapidamente concertado, eu torcia para que ninguém houvesse notado, mas temia que Gothel surtasse. Ela vinha planejando isso tão minuciosamente que era bem capaz de ela ter sido a única a notar meu pequeno surto.

Suspirei, terminando de trocar de roupa para ir embora, já que o desfile ia chegando ao seu desfecho.

— Princesa... – era uma voz grave, conhecida e que soou as minhas costas. Era uma voz que há muito eu não ouvia... E sentira profunda saudade. Eu mal podia acreditar que ele estava ali. – Você estava linda. – mal percebi, já estava em seus braços. Meu pai me abraçava com carinho.

— Eu não sabia que viria.

— E eu não sabia que desfilaria. Isso, com certeza, foi obra do destino. – ele riu e se afastou para fitar meu rosto. Eu me sentia tão imensamente feliz de vê-lo... E, ao mesmo tempo, tão nervosa com o desfile. O fitei dos pés à cabeça, apreciando cada detalhe de suas vestes, com um sorriso bobo no rosto... Meu pai sempre estava bem vestido. Tal como minha mãe. – Eu planejava ir à sua casa depois daqui. Faria uma surpresa. Mas eu quem foi surpreendido, ao ver minha filha arrasando naquele palco.

— Pai, eu nem estava sozinha, tá. – revirei os olhos, mas havia adorado o comentário

— Mas sem dúvida, você era a mais linda de todas. – e beijou minha testa. Meu pai me tratava feito uma menininha. E eu nunca enjoava disso. Na verdade, eu amava.

— Cadê ela? Preciso pedir um autógrafo para essa supermodelo, arrasadora de corações. – Stella chegou, toda pomposa. Eu nunca me cansaria desse jeito dela e isso incluía as roupas extravagantes em cores vivas. Abracei, enquanto nossas risadas se misturavam no ambiente.

— Sabe como sou convencida, e ainda me fala essas coisas, Stella.

— Querida, o que eu vi de jovens empresários suspirando por você lá em baixo, é de se admirar. – e riu.

Aquela minha insegurança de ter estragado tudo aos poucos foi se esvaindo, e no meu coração eu novamente sentia que estava voltando ao meu estado normal. Diria que o modo Rapunzel de ser.

— Onde está minha mãe?

— Eu não a vi ainda, creio que ela ainda não sabe que estamos aqui. – ela se aproximou e cochichou de modo cúmplice. – Será que ela vai ter um ADP que nem da última vez?

Eu ri. – Tomara que sim. – ela deu uma risada e então uma das cortinas dos bastidores fora bruscamente aberta, enquanto as outras modelos vinham do palco.

Resolvemos sair para dar espaço as moças trocarem suas roupas e ao chegarmos do lado de fora, inconfundíveis cabelos claríssimos me chamaram atenção.

No rosto dela, a feição era “o que caralhos eu to fazendo aqui?”. Mas que eu estava muito feliz de vê-la, ah eu estava. – ELSA! – ela deu um pulo, os olhos azuis arregalados. Não teve tempo de dizer nada, pois eu já corria em sua direção e a abraçava. – VOCÊ VEIO! NÃO TO ACREDITANDO!

Ela riu. – Consegui um convite de última hora graças aos meus pais. – disse ao nos afastarmos. – As meninas não puderam vir, pois foram para a boate. – ela deu um sorriso triste.

— Tá tudo bem, eu compreendo. Eu nem acredito que você me viu. Se eu soubesse que você estava aqui, talvez eu entrasse mais confiante... – dei um sorriso sem graça.

— Ei, quem é você e o que fez com a Punzie? – ela estreitou os olhos e riu. – Você arrasou, Rapunzel. E não se surpreenda quanto a isso, pois eu e você sabemos que esse é o seu normal. – eu sorri para ela. Elsa sempre sabe o que me dizer.

Meu pai e minha madrasta chegaram em nós, cumprimentando Elsa assim que a viu. Meu pai adorava Elsa e era um grande amigo do pai dela. O forte laço de amizade que envolvia nossas famílias dava-se as suas carreiras – todos do ramo da moda.

Ao longe, vi os encaracolados cabelos escuros de minha mãe. Ela parecia estar procurando por alguém e eu supus que fosse eu. Acenei para que ela nos visse, e seu olhos verdes nos avistaram. Elsa e meu pai ainda conversavam, juntos de Stella, então resolvi correr até ela.

Hoje, haveria motivos para comemoração, já que tudo ocorrera bem. As peças que desfilei eram lindas, Gothel tinha um talento fora do comum e, com certeza, conseguiu vender as peças e fechar contrato com algum figurão da moda naquela noite. Bom, eu torcia por isso. De qualquer forma, eu queria celebrar. Com um sorriso eu a cumprimentei e, ansiosa, indaguei. – Mãe, como eu fui?

Ela me fitou com um sorriso. – Você ainda pergunta? – e só então notei que o sorriso era, na verdade, irônico. – Meu amor, você foi um completo desastre. – meu sorriso sumiu.

— D-desculpa, mãe. Eu fiquei um pouco nervosa quando vi a Bey, mas...

— Detalhes da sua incompetência não me interessam, Rapunzel. Que tolice a minha achar que você seria capaz disso, não sei como ainda consigo me surpreender com você... – resmungava enquanto caminhava para longe de mim.

Fiquei calada. Atônita.

Era difícil para mim admitir que, mesmo depois de tanto tempo, as palavras dela ainda me feriam daquela forma. Faziam mais estrago do que qualquer comentário de qualquer outra pessoa. E, por um momento, pensei não ter evoluído em nada. Passou pela minha cabeça que tudo o que eu mostrava para as pessoas era uma farsa. Dizia e repetia sobre o quanto era absoluta só pra, de alguma forma, me convencer disso.

Como minha mãe conseguia ter tanto poder sobre mim? Porque ali, depois daquilo, eu só me sentia um grande... Nada.

Você é competente, Rapunzel. Você é.

— Estava mais linda que nunca, minha flor. – a voz de Stella era acolhedora, mas não reparava o estrago que as palavras de Gothel fizeram. Só então percebi que ela e Elsa já estavam próximas.

— Obrigada, Stella. – forcei o meu melhor sorriso, sentindo-me horrível. Ao longe, pude ver meu pai ralhar com minha mãe, enquanto ela apenas o ignorava.

Sempre fora assim. Meu pai fazia-me crer que eu sempre fora capaz de tudo, enquanto que minha mãe sempre destruía essa crença. Após isso, eles discutiam. Tal como está acontecendo agora.

Suspirei, sentindo minhas pernas fazerem um trajeto próprio, automático, desesperada para seguir pra longe dos olhares piedosos que me cercavam. Passando pelos meus pais em direção a porta de saída, meu nome foi chamado, mas não virei-me para ver quem era.

Nas calçadas iluminadas da rua Argyll, a arquitetura junto da decoração do London Palladium contribuiria para o meu completo estado de imersão a aquela atmosfera, no entanto, eu me sentia tão vazia... Engraçado. O vazio não deveria ser leve?

Refletores direcionadas ao céu de nuvens pesadas passaram a me trazer uma sensação melancólica, e não demorou muito para que pesadas gotas despenhassem do céu. Que ótimo. Fosse qualquer outro dia, eu estaria dando um chilique. AI, DROGA, MEU CABELO!, ou algo parecido. Mas hoje não. A chuva já desfazia meu penteado, desfazia minha maquiagem e eu desejava secretamente que desfizesse a angústia que se alojava no meu peito.

Faz tanto tempo que não choro, que cheguei a ficar surpresa. Eu nem sabia se estava chorando de fato, gostava de pensar que não, já que as mornas lágrimas se misturavam com as grossas gotas frias da chuva.

Ao perceber isso, um soluço abafado escapou de minha garganta, e eu agradeci a Deus por passar despercebida naquela calçada.

Ou, pelo menos, era isso que eu acreditava.

Algo quente em meu ombro provocou meu sobressalto. Virei-me instintivamente, só percebi o quão rápido quando senti meus cabelos encharcados chicotearem em rosto.

Meus olhos, antes arregalados – e suspeito muito que vermelhos, graças ao choro –, crisparam incrédulos ao vê-lo ali. Porém, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa...

— Vem, eu te levo pra casa. – sua voz saiu como um sussurro naquela chuva gritante, e eu já me sentia tão esgotada que não tive como protestar.

Eu só senti-me ir com ele, sem delongas. Havia muito a ser esclarecido ali, afinal, o que ele estava fazendo ali? Mas eu só entrei no carro dele e fui, desejando que a sensação horrível de cansaço tenha ficado naquela calçada, e me sentindo mais leve cada vez que eu tomava distância dela.

Notas finais
Número de palavras: 4.402 ((Músicas do Capítulo)) Starboy – The Weeknd: https://youtu.be/34Na4j8AVgA Curiosidades: As modelos que a Gothel citou – Caroline (Trentini), Izabel (Goulart), Miranda (Kerr), Kasia (Struss) e Agyness (Deyn). Lisa (D’Amato) e Lindsey (Wixson). Cara (Dalavigne). – são todas reais e o senhor Giorgio Armani também (dã). Ah! Christopher Kane e Carol Herrera também, viu? Gente, não terminei de responder os comentários, na verdade, nem comecei -qq. Mas estarei fazendo isso assim que postar aqui, no Spirit já está postado. Pois beeeeeem... Eu poderia simplesmente escrever algo como “Minha mãe chegou, pediu para desfilar para ela, aceitei e depois fui esculhambada pela própria. Depois, triste devido aos seus comentários, fui embora do evento, foi quando me deparei com alguém oferecendo-me uma carona para casa”. Sim, eu poderia. Poderia mesmo -qq, mas estamos falando de mim, a autora que não sabe escrever capítulos pequenos. E tb, no fundo, achei que deveria colocar esse bônus, pois acho que Punzie está sendo pouco aproveitada, comparado as outras meninas, poxinha :C aqui vemos basicamente a relação da Punzie com sua mãe, com seu pai e sua madrasta. Vemos o modo como ela se pega pensando em Flynn em seus pensamentos mais abstratos. Vemos mais ou menos a relação das famílias de Elsa e Punzie (daí, já dá mais ou menos pra descobrir como elas se conheceram). Enfim, tem bastante coisa a se “pescar” nesse bônus e eu espero do fundo do meu humilde coração que tenham gostado ♥ Voltei atrás novamente e decidi que a diva da Punzie continuaria sendo a Bey, pois se eu fosse mudar, teria de editar os capítulos já postados, e eu me permitir ter preguiça e desisti -qq. O Tumblr está cheio de coisa nova e essa semana ainda vou postar mais coisas novas ♥ AMEI os comentários do capítulo passado e já já irei responde-los (já falei isso, né?). O próximo capítulo só falta o último POV, já adiantei pra vocês que terá POV do Flynn, mas não adiantei que...............TB TERÁ POV DO KRISTOFF! Pov do Flynn e Kris no mesmo capítulo... Hm. Tb terá uma surpresa, pode pá (??????????). Mas não vou contar, prq se não, deixa de ser surpresa, oi? GENTE! Comentem, pois adoro conversar com vocês ♥ quem for ver o Tumblr e as roupas, peço que manifestem suas opiniões tb, pá e browse (????) desculpa, um funkeiro me mordeu hoje (??????????) PAREI! Beijo, beijo, inté ♥ Nos veremos mais em breve do que imaginam ^^