Rising Tide
32 Luxúria.
Notas iniciais
Chapter Thirty Two.
Lust
POV Rapunzel.
Quem me atendera, para o meu alívio, fora Jack. Eu tinha uma relação bem descontraída com ele. Eu me sentia sempre pateticamente um tanto nervosa diante de Flynn, então, diferente dele, conversar com Jack era sempre fácil.
Ao abrir a porta e perceber minha pessoa, o boy da Elsa lançou-me um olhar desconfiado e um sorriso divertido moldava-lhe os lábios.
— Ora, se não é a Punzie? Agora entendi porque Flynn fez questão de manter a casa inteira arrumada... – e deu uma risadinha.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, avistei um punho forte a socar o ombro de Jack, que deu uma risada.
— Não foi por causa dela, seu babaca. O Mason vai vir aí hoje... – o moreno apressou-se em explicar.
— Aham. – ironizou o outro. – E você sempre faz isso antes de o Mason vir, é claro.
Flynn limitou-se a revirar os olhos e virou-se para mim que, ainda na porta, reprimia um sorrisinho.
Para o meu total desconcerto – e sorte – Flynn tomou o lugar de Jack em frente a porta e eu pude distinguir com clareza a calça moletom escura, que exibia por venturosamente a barra de sua boxer, em conjunto com seu peito forte... E nu.
Suspeitei estar encarando seu abdômen exageradamente gostoso quando ele cruzou os braços musculosos sobre o peito largo, me encarando com os olhos castanhos crispados.
— Já terminou? – arqueou uma sobrancelha ao indagar, abrindo um sorriso irônico como provocação.
Meu sorriso contido logo se foi. – Já. Faça um favor a todos nós e vá vestir uma blusa. – menti descaradamente.
Ele deu um sorriso maldoso. – Hm... – murmurou sem fitar-me nos olhos, me examinando de cima a baixo, sem pudor algum.
— Flynn, você já sabe o quanto sou gostosa e gata, você me vê todo dia, querido. Já posso entrar ou não?
O moreno sorriu de lado, abrindo espaço para que eu passasse. – Fique à vontade, Srta. Corona.
— Grata. – e passei por ele, ainda sentindo seu olhar sobre mim. – Pelo visto, ele ainda não chegou... Eu deveria ter vindo mais tarde, talvez?
— Ele já tá pra chegar, de qualquer forma. – Flynn deu de ombros. – Fique longe do meu quarto se não quiser que o que ocorreu na festa aconteça novamente.
Jack, que voltava da cozinha, chegou a tempo de ouvir as insinuações de Flynn e perceber o rubor querendo se destacar em meu rosto.
— O que aconteceu na festa? – indagou confuso e desconfiado.
Flynn me encarou tranquilo da ponta da escada. – Pergunte a ela.
Jack me lançou um olhar inquisidor. Meio desconcertada, refiz minha postura, jogando os cabelos para trás. – Nada importante. – dei de ombros e pude sentir o olhar crispado do moreno. – E então, Jack? Como estão as coisas com a Elsa? – indaguei, desesperada por um novo assunto.
Mas peguei-me verdadeiramente afetada ao observar a vivacidade do rosto de Jack se esvair em questão de segundos, só de ouvir o nome de minha amiga.
Que Elsa sempre fora extremamente reservada, isso é mais que evidente. Então, não me surpreende constatar que as coisas entre eles não estavam bem e que, mesmo assim, não havíamos notado isso.
Suspeito muito que, mesmo que descobríssemos ou desconfiássemos por conta própria e resolvêssemos perguntar... Ela nos enrolaria e não diria absolutamente nada.
Aproximei-me de Jack e toquei seu ombro. – Viado, tá tudo bem? (?)
Seu olhar perdido só focou em meu rosto quando ele ouviu minha voz. Jack forçou um sorriso e respondeu simplesmente. – Não, mas vai ficar.
Eu sorri para sua confiança que, em momento algum, oscilou em seu olhar, ainda que o sorriso continuasse sendo forçado. Mesmo evidentemente magoado, Jack mantinha sua fé. Eu queria saber o que aconteceu, mas respeitei o seu espaço e o de Elsa. Mesmo assim, deixei claro.
— Se precisar conversar, estou aqui, okay? Quiser um ombro pra chorar, soltar as lamúrias, abrir o coração, conta comigo. Sou a melhor pra essas coisas, principalmente se quiser manter em segredo, porque esqueço tudo cinco minutos depois que você falou, porque muito provavelmente não estou nem aí...
Jack desatou a rir. – É bom saber que posso contar com você, mesmo você estando “nem aí”...
Ficamos conversando por mais alguns minutos, mesmo depois de Flynn voltar de seu quarto devidamente – ou eu deveria dizer lamentavelmente? – trajado de uma camiseta escura.
Enquanto o papo fluía entre eu e o loiro cor-da-lua, Flynn manteve-se numa poltrona próxima, apenas nos observando – vez ou outra, checava seu celular, teclando algumas coisas, suspeitei que respondendo mensagens pendentes.
Quando Jack subiu para seu quarto, Flynn finalmente disse, ainda mantendo a atenção em seu celular.
— Você parece se dar muito bem com o Jack.
Mantive meus olhos em suas feições bonitas e despreocupadas, esperando que ele me fitasse, mas ele não o fez.
— Ciúmes, gato? – meu tom de voz era uma clara provocação, que teve como resposta uma risadinha irônica.
— Não consigo me recordar quando foi a última vez que senti ciúmes de alguém. Talvez porque nunca tenha acontecido...
— Aconteceu sim. – ele bufou revirando os olhos, descrente. – Não se lembra? Na faculdade, quando me viu com o Mike a primeira vez. – sua feição mudou drasticamente. Meu sorriso tornou-se ainda maior. – Ah, você lembra...
Ele me fitou de relance. – Aquilo não foi ciúmes.
— Oh, não?
— Conheço o Mike há anos. Eu já tinha uma vaga ideia de quais eram as intenções dele com você.
Foi a minha vez de mudar de feição, involuntariamente.
Era difícil pra mim admitir que Flynn havia me livrado de uma burrada daquelas. Conseguiria admitir gratidão pra qualquer pessoa. Mas, estranhamente, com ele e para ele tudo se tornava o maior dos desafios.
Ajeitei meus cabelos, disfarçando a falta de jeito. – Então quer dizer que se preocupou comigo, hm.
— Eu nunca disse isso. – deu um muxoxo.
— Mas foi o que pareceu. – coloquei um dedo sob o queixo. – Aquela sua reação... Incomodado e irritado. Se não era ciúme, só podia ser preocupação.
— Poderia ser qualquer coisa, Rapunzel. Não seja tão leviana no que afirma.
— Tá nervoso, é?
— Quem tá nervoso aqui? – indagou, nervoso.
Não consegui conter a risada. – Não há nada de errado em demonstrar ter um coração, sabia?
Foi a vez dele de rir. – Há dúvidas quanto a isso?
— Quanto ao quê, meu rapaz?
— Quanto à eu ter um coração ou não.
Eu não soube responder de imediato. Mas a sinceridade sempre fora a minha maior impulsão.
— Há. – afirmei sem nem perceber. – Você as vezes parece não sentir nada além de um profundo apreço por si mesmo. Quando não está irritado, está indiferente quanto a tudo e todos. Além de que costuma demonstrar uma destreza irrefreável em provocar a mente alheia... – aquilo não foi para fazê-lo sorrir, então imagine minha cara ao ver seu sorriso mais sugestivo, tentador e deleitante bem moldado em seus lábios. – Isso não foi um elogio, idiota.
— Eu tomo como um.
— Eu ainda não terminei. – ele continuou sorrindo, esperando que eu terminasse. – Então, consegue imaginar a minha surpresa ao perceber que você se importava com alguém além de si mesmo? – seu sorriso já não era mais maldoso. – Quando aconteceu comigo, custei a acreditar. Então apareceu o Mason. – ele desviou o olhar, mas eu continuei. – Mantenha essa fachada de mulherengo sem coração para qualquer outra pessoa, Flynn. A mim, você não engana mais.
Ele pareceu pensar por segundos indefinidos, até me acalorar com seu olhar perscrutador novamente. Seus olhos, que geralmente exibiam um tom intenso de chocolate derretido, pareciam mais claros naquele momento, quase como um caramelo vivo. Encarei aqueles olhos e senti um fascínio inexplicável.
Ele sorriu maldoso e murmurou. – Quer pagar pra ver?
Arqueei uma sobrancelha. – Está me desafiando?
— Não. – respondeu de imediato, me fitando com o finzinho de um sorriso. – É você quem está provocando.
Empertiguei-me ao notar que ele fazia menção de falar mais alguma coisa...
Mas o toque da campainha ressoou pela espaçosa casa, distraindo-o por um segundo. Flynn levantou-se para atender quem quer que fosse. Uma curiosidade tomou minha mente, não pra saber quem pudesse ser na porta – afinal, eu já imaginava quem fosse –, mas sim uma curiosidade em saber o que ele deixou de dizer...
Mason adentrou, todo trajado de seu estilo confortável; usando calças jeans rasgadas, uma camiseta de pano fino e coturnos de camurça esverdeada desamarrados. Os cabelos negros de cachos abertos estavam enrolados num coque no topo da cabeça e ele sorria radiante para Flynn, dando-lhe um longo abraço.
— Reformaram a sala, seus putos! – arquejava, olhando em volta ainda agarrado a Flynn.
Estavam próximos e eu pude compara-los – era sempre difícil para mim deixar de comparar os dois. As diferenças eram gritantes ao tempo que as semelhanças eram sempre icônicas de um modo que te faz concluir “é, eles realmente são irmãos”.
Embora fosse mais novo, Mason tinha a exata altura de Flynn – ou talvez até fosse alguns mínimos centímetros mais alto, dada suas pernas longas e graciosas.
O jovem rapaz, diferente de seu irmão mais velho, era magro e exibia uma musculatura sutil. As roupas que usava contribuía com a sua aparência esguia, no tempo que seu irmão, Flynn – o gostoso –, mesmo trajando uma calça moletom grossa e uma camiseta escura larga, era perceptivelmente fácil de notar os músculos dos bíceps saltados enquanto apertava seu irmão entre o abraço e a calça marcada com aquela... Bundinha... Gostosa (????). Deus do céu.
Ele se afastou para fitar o rosto deslumbrado do irmão caçula, um brilho marcava seu olhar em conjunto com o sorriso saudoso. Mason o fitou e correspondeu ao sorriso, dando dois tapinhas firmes e fraternais num dos ombros largos de Flynn.
E lá estava eu novamente os comparando...
Os cabelos de Mason eram evidentemente mais longos – capazes de serem enrolados não só num coque, mas em variados tipos de penteados. Como eu já havia o visto outras vezes, lembrei-me de seu comprimento quase exato – cachos que desciam até pouco abaixo dos ombros.
Já os cabelos de Flynn, apesar de serem longos, não chegavam a ser tão compridos quanto os de Mason – cobriam parte das orelhas e parte da nuca, não exibindo cachos, mas ondulações suaves.
E a cor dos fios... Negros e lustrosos, feito um veludo escuro e macio, capaz de fazer você sentir a textura mesmo olhando de longe.
Embora eu tenha concluído equivocadamente que a cor dos fios de cabelos era a única semelhança entre eles, eu não poderia estar mais errada.
Os narizes afilados eram idênticos. O queixo delicado, também. Os lábios... Mesmo que um exibisse sempre um sorriso maldoso e o outro um sorriso divertido, ambos davam destaque ao lábio superior bem desenhado e o inferior levemente carnudo. A cor dos olhos, ambos de um castanho quente feito chocolate – ainda que o olhar de Flynn fosse sempre intimidante, o de Mason mostrava sempre uma alegria contida, isso dava a impressão errônea de que os olhos do mais novo eram mais claros.
Ao entrarem numa conversa amigável, eu percebi que havia piadinhas internas ali, e um brilho travesso cruzou o olhar dos dois em meio a isso... Os dois trocaram um sorriso irônico e arrogante e, ainda que fosse evidente que era algum tipo de brincadeira, em minha consciência pregou-se automaticamente uma nota mental que dizia “a característica mais marcante dos Rider é, com certeza, o sorriso.”
Os olhos puxadinhos de Mason exibiram certa malícia, algo maldoso, algo que eu já havia visto antes muitas vezes... Nos olhos de Flynn. Sua sobrancelha negra e fina arqueou-se ao indagar-lhe algo, de maneira intimidante e descontraída ao mesmo tempo, e Flynn o respondeu com um muxoxo irritadiço, ainda que tentasse reprimir a risadinha.
Ao mesmo tempo, os dois me encararam e eu voltei a si, bruscamente. A reação de Mason ao me ver foi a melhor possível.
— GOSTOSA! – e correu em minha direção.
Aquele era o apelido que ele havia me dado desde o show. Sim. Gostosa. Achei digníssimo.
Guardou-me num abraço apertado e, ao afastar-se, sorria largamente enquanto me analisava, até dizer por fim. – Tá com fome? – pisquei seguidas vezes, meio sem entender. – Eu tô morrendo de fome. Eu não comi antes de vir, aí já viu né? Flynn, eu tô com fome. O que tem pra rangar? – já ia se afastando, indo em direção a cozinha.
— Por que não comeu, Mason? – na voz de Flynn, que observava o irmão com o cenho franzido em desconfiança, havia uma fagulha de rispidez.
Eu poderia jurar que vi Mason se encolher, antes de ele virar-se lentamente, com um sorriso amarelo. – Por nada. Esqueci de fazer compras...
— Mason.
— Tá, o dinheiro acabou. – falou rápido e murmuradinho, virando-se na mesma hora e correndo para a cozinha, abrindo a geladeira.
Pude ouvir o suspirar exasperado de Flynn enquanto ele ia atrás dele. Fiquei em dúvida se seguia os dois ou não. Seria muita falta de educação da minha parte ir me intrometer – ainda que eu não quisesse me intrometer, só saber dos babados (??).
Por fim, os anos vivendo com a Elsa fez da minha voz sensata e mental falar mais alto que a voz da curiosidade, e então eu me mantive ali, quietinha, fazendo a egípcia na sala de estar.
Não demorou para eles retornarem – Mason trazia uma travessa inteira de alguma sobremesa em uma das mãos e na outra uma colher.
Já Flynn, vinha ralhando com ele, seu tom de voz baixo e grave exibia claramente uma irritação contida.
— Por que não falou comigo? O que foi que eu te disse?
O mais novo deu de ombros, com a boca cheia. – Eu sei lá! Você já fez tanto por mim que fiquei com vergonha...
— Já conversei com você sobre isso, Mason, porra.
— E eu já disse que não posso viver dependendo de você, Flynn!
— Eu não vou deixar você desamparado. Você é meu irmão!
Mantive-me em silêncio, com cara de bunda. Parecia que pela primeira vez eu via Mason sem palavras – o rapaz parecia ter sempre resposta pra tudo.
Ele suspirou longamente, deixando a travessa em cima da mesa de centro e levantando-se, seguiu até seu irmão.
— Eu tentei não precisar de você dessa vez, porque as vezes fere meu orgulho saber que preciso do meu irmão mais velho pra tudo. – afirmou, com o coração aberto.
Aquilo me surpreendeu e me afetou de tal forma, que eu fui incapaz de desviar o olhar maravilhado deles dois. A sinceridade era tão plena que se eu não estivesse tão compenetrada nas reações dos irmãos, estaria chorando de emoção sem nem perceber, por mais exagerado que possa soar.
Para alguém como eu, que sempre esconde as reais intenções e pensamentos por trás de comentários ácidos e uma confiança inabalável, situações tão verdadeiras como aquela era sempre deslumbrante.
Flynn pareceu compreender perfeitamente os motivos de Mason, mas ainda assim manteve o olhar austero.
— Você não depende de mim. – começou, com sua voz grossa e mais branda, ainda que séria. – Você tem seu emprego, tem sua casa... Arca com todas as despesas ou a maioria delas. Só o que eu faço é dar uma força e isso nada mais é que minha obrigação como irmão.
— Não é sua obrigação.
— Não interessa. Eu quero continuar te ajudando... Será que eu posso? Você permite isso? – havia um tom irônico mesclado a divertimento nessa última parte. Algo descontraído, como uma piada interna, e isso fez Mason lançar lhe um sorriso maldoso seguido de um longo suspiro.
Ele encarou Flynn de um jeito único. Havia ali admiração, contentamento e uma singela irritação por ter que lidar, mais uma vez, com o jeito teimoso e obstinado de seu irmão.
Revirou os olhos castanhos. – Se te faz sentir melhor, permito, seu porra.
Flynn sorriu. – Nossa, obrigado. – deu uma risadinha, que parou subitamente. – E se continuar com isso, reboco o seu carro.
— Você não se atreva!
Mesmo com o comentário agressivo, Mason sorria, revirando os olhos e voltando-se para minha direção novamente, a direção da sala – ou melhor, a direção de sua travessa cheia de doce.
— Punzie, tenho algo a te contar que, com certeza, vai te deixar chocada. – comentava Mason, descontraído e risonho, de um modo que fazia-me cogitar que a discussão de agora pouco nada mais foi que coisa da minha cabeça.
Só então percebi que estava calada todo aquele tempo.
Piscando seguidas vezes, indaguei rapidamente. – Babado forte? Já quero. – eu estava curiosa, afinal. Só depois de longos segundos, minha mente discerniu a frase de Mason.
Pra me deixar chocada, devia ser algo verdadeiramente louco.
Ele sorriu pra mim depois de mastigar o doce. Um sorriso cúmplice.
— Eu conversei com o meu namorado sobre você e ele, curiosamente, afirmou conhecer a Srta. Corona.
O fitei com mais afinco. – Ele o que?
— Ele conhece você! – e deu uma risada. Flynn retornou da cozinha, trazendo um prato de comida decente e esticando na direção de Mason, que aceitou prontamente. – Ele disse que te conhecia da faculdade. Você estuda em Oxford?
Não demorei nem meio segundo para responder um exclamado “sim”. Se o namorado de Mason me conhecia de lá, sinal de que também estudava lá.
Não tivemos como conversar sobre muitas coisas no dia do show – a última vez que nos vimos –, afinal, estávamos extasiados demais com ideia de assistir um ídolo mais que querido tão de perto.
Eu nem mesmo sabia que Mason tinha um namorado – e nem fazia ideia de que esse mesmo namorado estudava em Oxford. Com certeza era algum conhecido meu.
E quando fiz menção de indagar, faminta por mais informação, um burburinho no alto da escada chamou a atenção de nós três.
Se tratava de Jack, todo trajado em seu estilo despojado, os cabelos úmidos pelo recente banho. Suspeitei que o motivo de ele estar arrumado era porque daqui a alguns minutos seguiria rumo ao trabalho.
Assim que avistou o rapaz alto e esguio sentando relaxadamente ao sofá enquanto comia, sorriu animado.
— Mason! Há quanto tempo! – Jack desceu as escadas, abrindo os braços, visto que Mason se levantara e seguia para lhe dar um abraço.
— Jack, com todo respeito, você continua uma delícia. – falou Mason, sem pudor nenhum, e eu achando que Jack ficaria constrangido... O viado sorriu!
— Eu sei. – falou, passando as mãos nos cabelos alvos.
Eles se cumprimentaram e conversaram sobre coisas que eu sequer fazia ideia do que se tratava. Mason perguntou por Hiccup e Kristoff, contou sobre sua estadia na Universidade de Cambridge e deixou claro para Jack que ainda estava de pé a proposta de eles se pegarem.
Não demorou para Jack seguir rumo a boate. Nada naquela conversa havia me surpreendido, mas peguei-me espantada ao ver a imagem de um loiro musculoso a vaguear pela casa, atravessando a sala em silêncio, cumprimentando Mason com um sorriso breve, voltando da cozinha com uma caneca em mãos e rumando para o segundo andar novamente.
Calado. Curto, grosso e na dele. Ora, se não é o Kristoff, quem mais poderia ser.
— Achei que ele tinha saído, como você havia mencionado... – comentei.
— Acho que ele mudou de ideia. – deu de ombros o belo moreno babaca, Flynn.
— Outro que também continua uma delícia. – concluiu Mason, num suspiro. – Eu vim mandado a este mundo para ser rodeado de beleza.
— MAIS ABENÇOADO QUE ISSO, SÓ O CLIPE DA GAGA COM A BEY! – comentei, animadérrima.
— SE É DEUS QUEM TÁ DIZENDO, QUEM SOU EU PRA DISCORDAR! – concluiu ele, num berro em meio a risos.
Flynn revirou os olhos. – Eu mereço.
— Merece. – refutara Mason. – Ninguém mandou demonstrar amor por mim, deveria ter feito que nem a mamãe. Falando nela, como está a velha?
— Tá ótima. Continua jovem.
— Continua plastificada, você quer dizer. Aliás, fala que eu mandei um beijo.
Flynn crispou os olhos. – Nem brinca com isso.
Mason deu uma risadinha até perceber minha feição meio desconcertada.
Eu havia acabado de descobrir, é claro, que o jovem Rider não tinha uma boa relação com a família, assim como eu e, minha intuição gritava que, o Flynn também.
Mirei de relance o rosto do irmão mais velho, que tinha os braços cruzados e a atenção voltada para o seu caçula. Ao notar que o outro me encarava, tornou a fazer o mesmo... Seu olhar recaiu sobre mim, intenso e compenetrado.
Mas uma vez, fui fraca – desviei o olhar, tornando a encarar Mason, ainda meio abalada com o que acabara de tomar ciência.
O moreno de coque apenas me sorriu cordial, deu de ombros com seu charme e refutou qualquer dúvida que eu ainda pudesse ter. – Meus pais não me aceitam. – deu um suspiro de tédio. – Fazer o quê, né. Nada novo sob o sol. Apesar disso, eu não consigo deixar de agradecer pela família em que eu nasci. – bebericou de seu suco e completou, ainda com aquele sorriso gentil. – Se eu tivesse nascido em outra família, eu não teria o Flynn como irmão.
Boquiaberta, eu olhei para Flynn... Este, que sempre amou um elogio e se vangloriou por todos os que recebeu, no entanto ali... Desviava o olhar, um tanto... Sem jeito.
O QUÊ?! Flynn Rider, o Sr. Segundo Lugar na Lista de Canalhas Bonitões de Oxford – porque o primeiro lugar é do Jack – agora aqui, todo tímido e meigo?! Vivi pra ver isso?
— Já acabou a bajulação? – provocou seu caçula, que franziu o cenho.
— Não é bajulação, seu babaca. Sabe disso.
Flynn deu uma risadinha, logo o fitando com admiração. Mason sorriu plenamente e eu ainda estava boquiaberta com aquilo tudo.
Mas isso não me impediu de seguir com o assunto, super animada. Não devo desperdiçar o dom da minha fala ficando calada, né amores.
E conversar com Mason é tão gostosamente fácil. Só a atmosfera que ele exerce foi o suficiente para que eu me sentisse confortável perto de Flynn. O nervosismo foi embora, quase que completamente.
O Rider Gostosão sentava-se ao meu lado num dos imensos sofás, enquanto que Mason conversava de frente para nós, graciosamente aninhado numa poltrona única.
Sabe aquelas pessoas que você conversa sobre assuntos aleatórios, qualquer coisa se torna uma boa pauta para se discutir de maneira descontraída, tudo vira um bate papo fluído? Era isso que eu estava vivendo.
Quando me dei conta, estava conversando sobre meias de tricô com Flynn e Mason. Como o assunto chegou a isso? Não faço ideia.
— Achei que só existia para bebês. – falou Flynn ao meu lado, verdadeiramente intrigado.
— Minha madrasta já fez uma pra mim. – admiti sobre meias de tricô, com um sorriso saudoso.
Mason havia servido vinho para nós três, então pode ser por causa disso que eu esteja quase-meio emocionada.
— Sério? Minha madrasta nem sabe que eu sei sobre ela. É amante. – Mason soltou assim, na lata, e antes que eu pudesse me espantar com a informação, percebi quando Flynn o fuzilou com o olhar. – Ah, qual é, mano? Uma hora ela ia saber...
— Claro que não, Mason... Não se revela isso para qualquer um. – o outro murmurou.
— Qualquer um? – fez o jovem Rider, realmente confuso. – Achei que vocês estavam se encaminhando para o relacionamento sério. – engasguei com o vinho.
— De onde você tirou isso? – questionou o moreno ao meu lado, de repente, nervoso demais pro meu gosto.
No entanto, ele indagou o que eu mesma teria feito, não fosse o fato de eu estar tossindo copiosamente no meio do sofá.
Mason deu um sorriso irônico. – Quer que eu cite os motivos catalogados por data, hora, situação ou evidência?
Flynn franziu o cenho, sem tirar os olhos de Mason, porém estendendo um copo de água na minha direção. Eu ainda estava tossindo. Vou morrer, socorro @Deus.
— Dá um tempo, Mason. – grunhiu o moreno gostoso. Mason riu.
— Sério, bro. Um dos motivos mais claros é o fato de ela ser a primeira mulher que você trouxe aqui. Mais um? É a primeira mulher que você apresenta a mim. Mais outro? É primeira mulher que você se preocupa. Quer mais? É a...
— Chega! Já entendi! – Flynn passava as mãos nos cabelos, vermelho feito um pimentão.
Eu tinha os olhos arregalados, do tamanho de dois pratos, na sua direção. Nos meus lábios? Um sorriso psicopata.
— EU SABIA QUE VOCÊ SE PREOCUPAVA COMIGO, DESGRAÇADO! (???) – berrei, mais maldosa que a Nazaré e sua escada assassina. Minha vontade era de matar o Flynn... De tanto beijar ele. Deus, quê?
— Cala a boca, Rapunzel. – grunhiu ele, envergonhadinho.
— Não me manda calar a boca não, seu asno. – mas eu estava sorrindo, gente. É mole?
— Que fofos. – murmurou Mason e sua taça de vinho rente a boca, como quem “opa, quem foi que disse isso? Juro que não foi eu, risos.”
Mas antes que Flynn pudesse manda-lo calar a boca também, a campainha tocou.
Nos olhamos, com cara de trouxa. Cada qual se perguntando “quem será a essa hora?”
Já havia anoitecido, afinal. Passamos o resto do dia conversando que mal percebemos o pôr do sol. O céu, a essa hora, já era adornado com o brilho das estrelas.
Tá na hora de ir pra casa, né Rapunzel?
Flynn deu um suspiro exasperado. – Aposto que Jack esqueceu as chaves de novo. – levantou-se, seguindo para a porta. Tanto eu quanto Mason nos esticamos ao notar que ele demorava. – Hm... Oi?
— Oi, Flynn. Desculpa incomodar, mas o Kristoff tá aí?
— Está sim. No quarto. Pode ir lá, se quiser... – e abriu espaço para o recém chegado.
E eu arregalei os olhos ao perceber a diaba anã adentrando a espaçosa sala. – Anna, tá fazendo o que aqui, rapariga? Não deveria estar trabalhando?
Ela me olhou por longos segundos, confusa. Encarou Mason, Flynn... Tornou a me fitar.
— Você sumiu o dia inteiro, sua vagabunda. – afirmou, com carinho. – Responda as mensagens, pra variar.
Dei uma risadinha. Só então me recordei que tinha um celular. Ao vasculhar minha bolsa, encontrei o aparelho em modo silencioso. Sim. Haviam trocentas mensagens e ligações delas.
Enquanto isso, Flynn a apresentava a Mason, daquele jeito despreocupado dele, logo se jogando ao meu lado no sofá novamente.
— Desculpa, esqueci de desativar essa coisa de modo silencioso. – dei de ombros e ela me fitou, em seus olhos eu percebi o espanto ao descobrir que o rapaz Rider tinha um irmão mais novo.
A encarei com compreensão. Pois é, amiga. Sei como se sente.
— Se estivesse com a gente no intervalo... – embasbacada, ela ainda encarava Mason, no entanto, o que dizia era pra mim. O jovem Rider, por sua vez, sorria pra ela, simpático toda vida, amando ser o centro da atenção da baixinha Anna. – Saberia que eu consegui uma folga para acompanhar Tooth na boate hoje... – ela virou-se na minha direção, porém, encarando Flynn. Ah, é claro. Ela estava os comparando. Deu uma última olhada em Mason, logo encarando Flynn mais uma vez, até que finalmente me fitou. – Sabe, pra espairecer. – gesticulou com uma mão na testa, meio zonza.
— Ah, eu não sabia.
— Acabei de sair da casa dela. Vim só pegar o meu taco, antes que eu me esqueça mais uma vez... – ajeitou a bolsa no ombro e estreitou os olhos para mim e Flynn. – E você, tá fazendo o que aqui?
— Vim beber. – levantei a taça de vinho, propondo um brinde, sendo seguida por Flynn e Mason.
Ela encarou a cada um. Comparou os irmãos uma última vez, até que...
— Então tá. Tchau. Tô entrando... – e saiu, adentrando a casa, subindo as escadas em direção ao quarto de Kristoff.
Ao vê-la sumindo de vista, Mason comentou. – Ela é tão baixinha que chega a ser fofa.
Eu ri de nervoso. – Nunca na sua vida, diga isso na presença dela.
E mais uma vez, retomamos um ciclo incansável de conversas intermináveis. A última vez que me sentira tão confortável, eu estava na sala do meu apartamento, sobre um conjunto de colchões, conversando com Anna, Elsa, Merida e Toothiana.
Eu nunca me imaginaria tão à vontade na situação que estou agora. Que mundo louco. A vida é maluca.
Dado momento, chegara a hora de Mason ir embora. Flynn, como eu já suspeitava, se ofereceu para leva-lo, mas ele negou.
— Meu namorado vai vir me buscar. – afirmou ele, todo sorrisos.
NÃO CREIO, @DEUS! É a minha chance de conhecer o boy magia do menino Rider.
Eu e Flynn nos entreolhamos, cúmplices. Afinal, ele também não sabia quem era o cidadão felizardo de Oxford que namorava a beldade mirim. Mason fazia questão de manter tudo no mais singelo segredo.
Mas ao perceber nossa indisfarçável troca de olhares, decretou. – Ele vai chegar daqui a pouco. Vocês não vão sair para conhece-lo. Nem espiarão das janelas. Fui claro?
Mason estava sério.
Aquilo foi o suficiente para deixa-lo intimidante.
Com uma sincronia impecável, tanto Flynn quanto eu anuímos – ele com o cenho franzido, logo revirando os olhos em seguida. Já eu, assustada.
Quando Mason saiu, foi mais difícil cumprir com o último dos decretos: Não espiar das janelas. Afinal, estava ali... Tão fácil, tão acessível...
— Nem pense nisso. – a voz de Flynn me puxara dos planos maquiavélicos que involuntariamente eu acabei formando. Fitei seu rosto de feições bonitas, percebendo que ele parecia ter aceitado numa boa o fato de ainda não ter conhecido o cunhado. – A última vez que ele veio aqui, eu anotei a placa do carro do namorado dele para conseguir um nome. Mason descobriu. Ficou três meses sem falar comigo.
— Nossa.
— Mesmo eu garantindo que havia desistido de investigar quem era.
— Você não chegou a saber..?
— Desisti antes de conseguir um nome. Caso contrário, eu saberia quem era o cara e meu irmão não estaria falando comigo até hoje. – me fitou de relance. – Mason é irritantemente teimoso.
Sorri com ironia. – Igual ao irmão mais velho.
Ele me fitou de esguelha, um sorriso de lado adornando o canto de seus lábios. – Pior que o irmão mais velho.
— Impossível.
— Perfeitamente possível. Ele é tão teimoso quanto... – pareceu pensar por um segundo, até me acalorar com seu olhar intenso. – Você. – crispei os olhos na sua direção. – Na verdade, eu acho que vocês têm muito em comum... – nesse momento, a seriedade tomou sua feição. – Principalmente no que se refere a família.
Recordei-me do dia em que fora humilhada pela minha própria mãe, diante de um evento lotado de figurões da moda. Diante do meu pai, minha madrasta e minha melhor amiga. Diante de Flynn.
Quem me ajudara, no fim das contas, fora ele. E recordei-me de algo que ele havia me dito certa vez...
— Quando você disse aquilo, sobre ter acompanhado de perto o quão difícil é a busca pela consideração dos pais, você estava se referindo...
— Ao Mason. Não a mim. – suspirou, desviando o olhar. – O mundo é injusto. As coisas são ridiculamente fáceis pra mim, enquanto que ele enfrenta incontáveis dificuldades... E não estou me referindo só aos meus pais.
Inclinei-me para mais próxima dele e toquei seu ombro. – O que ocorre?
Ele me encarou com mais afinco. Uma frase ecoou na minha mente. “Não se revela uma coisa dessas para qualquer um.”
Não adiantava, eu não conseguia me sentir uma qualquer. Mas ainda assim, era direito dele preferir não me dizer.
Me afastei, retirando minha mão de seu ombro, até que ele subitamente falou.
— Mason foi deserdado logo que assumiu a homossexualidade.
Silêncio absoluto.
Naquele exato instante, tudo fez sentido… O fato de Flynn discutir assunto financeiros com o irmão, ajudá-lo nas despesas de sua casa. Mason estuda, trabalha e mora sozinho. Foi emancipado aos 16 anos, longe dos holofotes da imprensa, e descobri que o motivo disso era para não haver escândalos com o nome de seus pais. Eu só não sabia que ele havia sido deserdado... Pelo mesmo motivo.
Tudo isso por causa de sua opção sexual.
Uma fúria incontrolável ameaçava me devastar. Gradualmente, meu cenho franziu-se e eu indaguei entredentes. – Qual o problema dos seu pais?
Percebi a surpresa no olhar de Flynn, meu comentário o espantou.
— Me desculpe, eu só…
— Não, tudo bem…
— Por que você… Não os enfrenta?
Flynn crispou os olhos na minha direção. Pareceu perceber que não havia maldade na minha questão. Eu realmente queria saber…
Ele admitia que a situação era injusta. Ajudava o irmão, mas não fazia nada para mudar a decisão dos pais. Eu tinha certeza, pelo pouco tempo que o conheço, que Flynn tinha um motivo plausível para ainda não ter peitado os pais. E eu queria saber...
— Não enfrento o meus pais por muitos motivos... – começou ele, de repente. – Mas eu nunca tive medo deles.
— Então me diga esses motivos.
— É preciso pensar antes de agir. – virou-se para mim, para fitar-me diretamente nos olhos. – Mason já foi deserdado. Eu fui ameaçado a ir pelo mesmo caminho caso soubessem que eu estava o ajudando. Ser deserdado não me afeta, sinceramente… Caso eu estivesse sozinho nessa.
— Mas Mason depende de você.
Ele anuiu. – E da minha parte na firma do meu pai. – umedeceu os lábios e explicou. – Ele é um ótimo rapaz, isso você já sabe.. Esforçado. Determinado. Mas seu salário naquela loja mal paga o aluguel da sua casa.
— Por que ele não vem morar com você?
— Já pedi para que ele viesse… Mas ele não quis, pois meus pais saberiam. Ele não quer me prejudicar... – pegou-se sorrindo. – Mas isso não me impede de continuar o ajudando. – seu olhar perdeu o foco por um momento e eu aproveitei para estuda-lo, vulgo admirar sua beleza.
A situação familiar deles era pleno desapontamento e desgosto. O que me surpreende de verdade é o fato de Flynn parecer sempre tão despreocupado e indiferente quanto a tudo.
Outrora, eu cheguei a considera-lo uma pessoa egoísta.
Um sentimento de culpa horrível pesou em meus ombros. É, Rapunzel... As aparências enganam. Todo mundo que você conhece está lutando uma batalha que você não sabe nada a respeito. Então o melhor a se fazer é ser gentil. Sempre.
— Me desculpe por te chamar de crápula (??). – ele me encarou, surpreso. Só percebi ter falado quando a merda já havia sido feita. Agora não tem como mais voltar atrás. – Não que você não seja (???). Quer dizer, você não é um ser humano tão desprezível assim, só um pouco (????).
Desviei o olhar, apoiando a mão na testa, rindo de nervoso. Rapunzel, toma aqui o seu biscoito, calabokitos. Fiquei calada, esperando pelo seu desprezo infinito, mas fui claramente surpreendida.
— Depois de Mason ser deserdado, todos os magnatas amigos do meu pai viraram as costas para ele. Não havia mais como ele usar da influência de nosso nome e eu percebi... Que é só isso que somos. Um nome.
Neguei com a cabeça. – Você não é só isso.
— Nem você. – ele chegou no ponto em que queria. – Me desculpe. – continuou sem me encarar. – Por te falar aquelas coisas hoje... Você não é só um status. – deu um suspiro, encarando-me nos olhos. – É muito mais que isso.
E enquanto ele me fitava com aquele sorriso sincero e raro, sem nenhum resquício de ironia e maldade, eu percebi a atmosfera mudar.
A nossa proximidade sobre o vasto sofá só contribuiu com o cenário de um beijo perfeito, e quando ele fitou meus lábios, minhas expectativas excederam-se a um nível absurdo.
Flynn inclinou-se e eu não recuei. Feito uma idiota, eu não recuei! Afinal... Eu queria. Droga, eu queria, e isso não podia estar acontecendo. Eu não deveria querer...
Vou empurra-lo. Vou conseguir empurra-lo sim e... Ele me segurou pela nuca. Não vai dar.
Só vem, Flynn (?).
Só vem!
Aproximou-se mais... E mais... Estava a um dedo da minha boca. Parou. Por que parou?!
Só então percebi minha respiração travada. Seus olhos desviaram-se dos meus lábios, encarando o meu olhar em expectativa.
Aquele sorriso maldoso marcou presença em seus lábios e eu senti meu estômago gelar.
— Está na hora de você ir embora. – sussurrou com ironia e se afastou num súbito.
Foi bom ele ter se afastado tão rapidamente. Caso contrário, teria sentido o peso da minha mão na sua cara, desgraçado gostoso filho da mãe!
Eu estava tão desgraçadamente espantada por ter sido feita de trouxa que passei meio minuto com cara de bosta, parada no mesmo lugar. Meu Deus. O que foi que acabou de acontecer?!
Nunca pensei que ia ser otária, fui otária.
Finalmente firmei meu psicológico para encarar as costas do moreno que havia me feito de palhaça. Ele se afastava, indo até uma mesinha próxima a portaria, pegando sua jaqueta do cabideiro junto das chaves do seu carro.
Sem perder a pose, eu me levantei, desfilando até a entrada para pegar meu sobretudo. Ele não precisava saber que me afetou, apesar de ter afetado. Vesti meu sobretudo, queixo erguido e postura sempre. Ele me encarou de esguelha, pude sentir seu olhar. Muito rapidamente, o fitei, apenas para perceber sua feição confusa.
Ajeitei meus cabelos, pronta para sair daquela maldita casa, até ouvi-lo dizer.
— Vou te levar.
— Te pedi alguma coisa?
— Não, mas eu insisto...
— Não fode, Flynn. – calma, Rapunzel. Tá dando bandeira, rapariga!
Diferente de antes, ele já não estava mais confuso. Estava sorrindo. Se divertindo com a minha reação.
Revirei os olhos. – Tenha uma boa noite.
Saí apenas para presencia-lo saindo atrás de mim. Nem o frio da noite foi capaz de amenizar a minha vontade de dar na cara dele. Encarei seu rosto, mordaz. Ainda sorrindo feito um babaca, ele deu de ombros.
— Eu disse que ia te levar.
— Eu falei que não precisa.
— Eu insisto... – sua calma só estava servindo para me deixar mais furiosa.
— Para com isso! Irei sozinha.
— Você nem veio de carro...
— Não interessa! Eu dou um jeito!
— Mas está frio...
— Eu trouxe casaco!
— É perigoso...
— Flynn, qual é o problema com você?! – indaguei enérgica e ele manteve a sua placidez absoluta, como quem sabe exatamente do que eu estava falando.
Como resposta, tive um ultrajante jogar de ombros. Aquilo só contribuiu para me deixar ainda mais irritada. Mal consegui conter o grunhido exasperado.
— Primeiro de tudo, você pede, quer dizer, ordena que Mike se afaste de mim! Me expõe a todo aquele ridículo! Eu quase fui aos tapas com aquela Heather graças as suas atitudes quando você só precisava chegar em mim e conversar. Mas, nããão... Você tinha que ser todo misterioso e enigmático até nisso e, de cara, não permite que nenhum homem chegue perto de mim! Depois, você me presenteia com ingressos para o show da minha vida! Logo em seguida, me apresenta seu irmão, que é uma pessoa maravilhosa, diferente de você! Me confia a sua real situação familiar! Demonstra uma assustadora preocupação, principalmente pra alguém tão impassível quanto você! Me persegue, me provoca, me instiga, me ganha.... Pra no fim, você fazer menção de me beijar e logo me mandar embora. – com a voz arquejante, encarei seus olhos que não me fitavam. Minha vontade era de voar no seu pescoço. – Por que está fazendo isso?
Ele riu.
De maneira ultrajante, ele riu. Uma risadinha curta e malditamente gostosa, descontraída.
Ele ainda não me fitava.
Apenas deu de ombros, respondendo. – Sei lá. É gostoso te irritar.
Incrédula, eu mantive-me em silêncio por poucos segundos. Não demorou para que eu anuísse com a cabeça, horrorizada e ainda encarando seu perfil.
O desgraçado ia me pagar. Não hoje, nem amanhã, mas ele ia me pagar.
Eu mal fui capaz de conter o comentário maldoso. – Meu Deus... – dei uma risada curta. – Será que você consegue ser mais babaca?
Ele franziu o cenho, mas logo tornou sua feição impassível novamente. – O que eu fiz foi pro seu bem. Você deveria me agradecer.
— Te agradecer? TE AGRADECER?! – ri exageradamente. Seu olhar mudou de maneira drástica ao perceber minha exasperação. – Você me manipulou todo esse tempo! – Flynn crispou os olhos, mirando-me sob os cílios, ameaçador. – Sempre frio e calculista. Mas quer saber? – ergui as mãos, num sinal claro de rendição. – A culpa é minha, por ter dado brecha. – expus cansada e ele pareceu tenso, mas eu estava tão enraivecida que não dei a mínima. – Pra mim, já deu. Basta. – empertigou-se quando fiz menção de seguir para longe dali. – Logo eu, que nunca espero nada, espero que você se fod... – fui incapaz de terminar a minha ofensa.
Um puxão me trouxe para tão perto dele que por um momento eu não respirei.
O maldito estava tão próximo a ponto de ser perfeitamente possível sentir o tocar do seu nariz na ponta do meu. Enraivecida, tentei empurra-lo, mas isso só serviu para que ele me segurasse com mais força, firmando seu peito junto ao meu.
Ofegante, eu sentia o seu coração acelerado. E eu arquejei, com o meu a pulos, enquanto fitava o fundo daquela imensidão em tons de chocolate que eram seus olhos.
Me debati, tentando inutilmente desvencilhar-me de suas mãos hábeis, mas o desgraçado me colocou entre ele e a parede, prensando-me com o peso de seus músculos.
O perfume almiscarado que já fazia parte da minha coleção de cheiros malditamente favoritos estava agora tão próximo... Mais uma vez, me enlouquecendo.
Ele fitou minha boca entreaberta, com a respiração ofegante e pareceu reprimir com muita dificuldade seu impulso, fechando os olhos com força...
Senti minhas pernas bambearem. Eu podia jurar que se ele não estivesse me segurando, eu iria me desfazer feito uma boneca de pano.
— Me solta. – rosnei.
— Acha que eu manipulei você? – sua voz era um sussurro.
— Tenho certeza. – eu quase grunhi em resposta e isso o fez sorrir.
Abriu os olhos, finalmente ao me encarar. E eu desejei que ele não tivesse feito. A vontade de avançar contra ele, dando fim a distância entre nossos lábios, era quase incontrolável.
Não! Eu queria socar a cara dele... Isso sim. Rindo de nervoso internamente.
— Não vou mentir, eu bem que quis fazer com você o que eu faço com todas as outras. Mas você acaba comigo... Só com o olhar. – baixo e rouco, ele dizia, perigosamente próximo aos meus lábios. – Antes mesmo de destilar mais uma das suas frases irônicas, eu já me sinto um idiota diante de você. Um adolescente frustrado. Inexperiente e inseguro. É isso que você me causa. Eu perco a linha, viro tudo o que sempre temi ser diante de uma mulher. Viro um bobo. Você me deixa bobo, me sinto um otário. – a cada palavra, ele me apertava mais entre suas mãos, puxando-me para mais perto. – Enquanto eu me esforço pra te tentar… Você não precisa fazer absolutamente nada pra me fascinar. – minha garganta secou com sua afirmação. – Eu tentei... e não consegui manipular você. É tão fácil com qualquer uma... – deu uma risada baixa e maliciosa, de relance, encarou meus lábios. – Mas tinha que ser você, Rapunzel, a maldita que me fascinou.
O silêncio nos pairou, a tensão a nossa volta era pura e densa, nos aquecendo sob o ar frio daquela noite. Eu me vi sem reação. Sem palavras. E Flynn pareceu muito satisfeito em presenciar-me tão atônita.
Um mínimo sorriso cresceu em seus lábios. E ele continuou antes que eu pudesse pensar em dizer qualquer coisa.
— E você achando que tudo que eu fiz foi por gentileza... – deu uma risadinha. – Tola. Está mais que evidente que eu faço isso porque... – empertigou-se ao perceber a gravidade do que quase admitira. Fechou os olhos mais uma vez, evitando me olhar, murmurando tão próximo que era possível sentir sua respiração quente acariciar meus lábios. – Porque...
Sua frase morreu ali.
Flynn manteve os olhos fechados e eu senti falta... Senti falta do seu tom quente de chocolate.
Eu sentia o suor frio nas pontas dos meus dedos, mas isso não foi o suficiente pra me reprimir de continuar com a seguinte atitude, ainda mais quando senti sua testa tocar a minha.
O aperto em meus braços se afrouxou, mas ele não me soltou em momento algum... Apoiei de leve as minhas mãos em cada ombro seu, fazendo-o me fitar novamente.
— Por que, Flynn..? – incentivei em um sussurro e sem pensar muito, excedendo qualquer expectativa, até as minhas, ergui breve e suavemente o queixo, roçando a ponta de meus lábios nos seus.
Num suspiro sôfrego, fui surpreendida com a inebriante sensação de senti-lo agarrando-me possessivamente, tomando meus lábios num beijo urgente, incitado pelo breve roçar da minha boca na sua.
Era como se aquele pequeno ato houvesse dado fim a qualquer fio de hesitação vindo dele. Flynn não mais se conteve e me agarrou com volúpia.
E foi a ali que eu me afundei num mar de sensações deliciosas.
Não havia mais apreensão em seus atos, apenas uma confiança sagaz. E eu me desfiz em suas mãos ao sentir sua pegada certeira. Seu beijo era intenso, e eu não estava surpresa quanto a isso. Flynn era a intensidade em pessoa.
Foi inevitável. Senti meu corpo estremecer dos pés à cabeça, nunca pensei que ansiava tanto por isso.
Sua mão em minha nuca, firme em meus cabelos, era a mais deliciosa das sensações – perdendo apenas para o roçar suave de sua língua na minha. Tudo nele era puro atrevimento. A mordida em meus lábios. Os movimentos tentadores com a língua. A pegada provocante em minha nuca.
Eu me sentia dominada.
Seus dedos desceram pelos meus fios, e eu pude sentir com clareza o instante em que ele segurou-os pela ponta, dando duas voltas em seu pulso e puxando, fazendo-me erguer o queixo, a boca entreaberta num suspiro silencioso.
Doeu. Mas fora uma sensação... Muito... Gostosa.
O calor irradiava de minha pele a cada segundo dolorosamente lento em que ele descia a outra mão pelo meu corpo, perpassando a palma rude por baixo de minhas roupas, pressionando os dedos sobre minha coxa com uma destreza desgraçada.
Num movimento sinuoso, segurou sob minha perna, levantando-a no mesmo instante e puxando-me contra seu corpo... Num movimento instintivo, ele se impulsionou para frente também. Um gemido contido irrompeu de minha garganta quando senti o quanto ele me desejava. A dor fina de uma mordida em meu lábio não foi o suficiente para sobrepor a tão prazerosa sensação.
De tão inebriada, mal discerni o acariciar de seus dedos em minha coxa novamente, antes de ele agarrar minha bunda com gosto.
Eu me considerava uma pessoa bem experiente no que se diz beijo. Mas percebi, por fatídica experiência própria, que até o melhor beijo que eu já havia experimentado na minha vida não se comparava ao que eu estava vivenciando naquele instante.
Eu perdia uma fração da minha sanidade a cada ato de Flynn. Era como flutuar...
Num momento, tudo o que eu queria era me entregar a essa vastidão prazeres indescritíveis. E no outro, quis me jogar da pequena varanda, ansiando afundar na grama do belo jardim ao ouvir um berro DESGRAÇADAMENTE familiar.
— ORA, ORA!!! – berrara a infame, seguido de aplausos irônicos.
Anna.
Só podia ser a Anna.
Santa.
Mãe.
De Beyoncé.
Eu não mereço isso.
Tão lento que chegava a ser cômico, virei o rosto na direção do berro exagerado. Anna podia ser pequena, mas tinha cordas vocais malditamente potentes.
Para o meu total horror, não só Anna como também Kristoff nos encaravam, reprimindo sorrisinhos. Na mesma hora, pus-me de pé, apoiando o meu peso sob a perna que, até então, estava enroscada na cintura de Flynn – Santo Deus.
Desencostando-me da maldita parede, eu me vi envergonhadíssima. Constrangidérrima. Não sabia onde enfiar a cara, desejando ardentemente um leque de plumas imenso para poder me esconder atrás.
Só que não, né amores.
Flynn, tranquilo como sempre, gostosamente sério, não ousou retirar as mãos de mim, segurando-me pela cintura logo ao perceber os recém-intrometidos – enquanto que as minhas mãos mantinham-se confortavelmente apoiadas em seus ombros.
Virei-me para eles, teatralmente. Minha mente enevoada pregava-me peças, o calor provocado pelo beijo dele ainda me envolvia. Mas mesmo com isso, mantive uma das mãos no ombro de Flynn, jogando meus cabelos para o lado com a outra, logo a apoiando na cintura.
Lancei a Anna e Kristoff um sorriso amoroso – e irônico, indagando na lata.
— Vocês deveriam estar fazendo o mesmo, não acham? – Anna engasgou com a própria risadinha.
— Ora, ainda não aconteceu? – a questão viera da voz gostosa de Flynn. O fitei de soslaio e ele sorria maldoso para Kristoff. – Você já foi mais rápido, parceiro.
Eu nunca antes havia visto Kristoff tão vermelho de vergonha. Eles se encararam, com olhares constrangidos, e desviaram quase no mesmo instante, envergonhados. Tão fofos, que pareciam crianças.
O loiro foi o primeiro a se retirar, arrancando o taco da mão da Anna ao passar por ela, apontando na direção de Flynn como uma ameaça, porém seguindo varanda a fora – fazendo Anna seguir seu caminho, finalmente acordando de seu surto de constrangimento. Caminhavam juntos em direção a garagem, vociferando um com o outro.
— Eu falei pra você ficar quieta, caralho. – dizia ele, entredentes.
— Não achei que ela fosse insinuar uma coisa dessas!
— É a Rapunzel, porra! E ainda teve pra mim... Sabe como Flynn é!
— Ah, não pensei na hora!
— Você nunca pensa! Tão inconsequente, Anna...
— Você tá nervoso demais pro meu gosto...
E sumiram de vista.
Flynn e eu sorríamos maldosos, orgulhosos da nossa própria maldade. Dado momento, foi impossível não dar uma risadinha ao assistir o possante de Kristoff cantar pneu estrada a fora. Eu quase podia imagina-los emburrados um com o outro dentro do carro, ou muito provavelmente ainda discutindo. Neguei com a cabeça, perguntando-me quando eles iriam se acertar...
A questão logo me fugiu a mente quando peguei-me pensando em mim na mesma situação. Num movimento involuntário, fitei o rosto do moreno ao meu lado. E deparei-me com seus olhos já concentrados em mim.
Não pude evitar sorrir. – Formamos uma bela dupla de intimidadores... – admiti com sinceridade.
— Concordo. – ele falou enquanto sorria. Desgraçado lindo...
Seu belo sorriso fora a última imagem que admirei antes de sentir-me arrepiar com sua pegada – pela nuca novamente, Flynn puxou-me para mais um beijo.
Intenso, violento, viciante... Não deveriam ter nos interrompido antes.
Já não era mais a surpresa de um primeiro beijo. Agora era um desejo ardente por mais.
A pressão de seus lábios somado aos seus atos me tiravam o fôlego de uma maneira inexplicável. A maciez de sua língua na minha mesclava uma dominação excitante intercalando movimentos suaves, me inebriando da maneira mais deliciosa.
Me segurava intensamente, a mão firme em minha cintura, a pressão de seu corpo rente ao meu.
Novamente naquela noite, havíamos perdido a total noção de tudo. Naquele momento, controle era uma breve ideia.
A esse ponto, minhas mãos já estavam em seus cabelos, puxando e arranhando sua nuca. Deslizando, com certa ferocidade, sua jaqueta jeans pelos seus ombros, fazendo-a descer pelos seus braços e parar nos cotovelos, enquanto ele a retirava e jogava no chão, sem que seus lábios deixassem os meus.
Tentei inutilmente reprimir o gemido ao sentir a espessura de suas mãos grossas agarrando minhas coxas, subindo meu vestido sob o sobretudo e tirando-me do chão. Sem delongas, o rodeei com as pernas.
Ao afastar nossas bocas, puxou meu lábio inferior entre seus dentes. Meu corpo se aqueceu com a onda de um prazer sutil gerada pela dor fina de sua mordida em minha boca.
Seus lábios úmidos deslizaram até meu pescoço, distribuindo beijos e chupões, incitando arrepios em minha pele. Inspirei seu perfume profundamente, os lábios entreabertos por conta da respiração embargada.
Puxei seus cabelos com força quando senti o aperto intenso de suas mãos grandes friccionando-me contra seu quadril. Ofeguei contra seus lábios. Um gemido contido irrompeu de minha garganta.
Seus lábios tornaram a tocar minha pele, traçando uma linha incerta de beijos ensandecidos desde a minha clavícula e descendo pelo meu decote...
Eu não teria parado. Eu com certeza não teria parado nem o impedido de continuar, e peguei-me desorientada e manhosa quando ele o fez.
Flynn respirou fundo, seus lábios roçaram sobre a linha de meus seios mais uma vez antes de ele se afastar minimamente. Pude notar quando ele engoliu em seco.
Afastou seu rosto e passou a encarar meus olhos intensamente. – O que você tem que me faz perder o controle? – sussurrou arquejante.
Eu não consegui formular nenhuma resposta. Eu me sentia... Flutuar. Trêmula e quente. Entorpecida e dominada.
Ele desviou o olhar para meus lábios inchados e tornou a me beijar.
Esse fora o complemento da frase que eu incentivei que ele completasse a princípio. Essa era sua resposta para mim. Eu nunca admitiria em voz alta, mas... Eu esperava para obter essa resposta há muito tempo.
Com as mãos em sua nuca, eu me deleitava com a sensação de sua língua na minha. Peguei-me horrorizada com mais um fato a qual admitira a mim mesma...
O beijo de Flynn era o meu mais novo vício.
— Flynn... – suspirei contra seus lábios, mas ele rompeu o beijo antes que eu pudesse completar meu raciocínio.
— Não. – grunhiu e pude discernir com clareza suas mãos segurando-me sob o quadril ao me desencostar da parede.
Instintivamente, desenrosquei minhas pernas de sua cintura, pondo-me de pé, mas isso não foi o suficiente para pará-lo.
Num movimento incrivelmente fácil, rápido e certeiro, ele agarrou-me pela cintura, suas mãos firmes tiraram-me do chão, me jogando por cima do seu ombro.
— Flynn! – gritei, não tendo a visão de nada além de meus cabelos a balançar, enquanto o chão mudava de vigas de madeira da grande varanda para o carpete felpudo da sala de estar. – O que está fazendo?! Me coloca no chão, eu preciso ir embora!
— Não. – repetiu, no mesmo tom. – Você não faz ideia do quanto eu esperei pra beijar sua boca, e agora que eu consigo, você simplesmente vai embora?
Com muito esforço, avistei a porta de entrada se distanciando, enquanto Flynn me carregava para mais dentro da casa. Percebi o hall de entrada se afastando, a espaçosa sala ficando cada vez mais longe, o início dos degraus de acesso ao segundo andar... Desisti de protestar.
Senti um frio na barriga antes de ser jogada contra uma cama. Arfante, eu observei o lugar familiar e um arrepio percorreu meu corpo.
Era o quarto dele. A cama dele. O espaço dele.
Tudo a minha volta pertencia a Flynn. Enfim mirei seu rosto, notando os olhos reluzentes de desejo que já me encaravam com intensidade de uma afirmação que diz “você também pertence a mim”.
Minha nossa.
— Pode ir embora, se quiser... – murmurou, ainda de pé à frente da cama.
Em seus lábios se exibia um quase sorriso maldoso. E seus olhos me observavam quase semicerrados, concentrados em minhas reações, como um predador à espreita. Com o queixo erguido, ele me fitava de cima, exibindo a sua marra como quem sabe exatamente o que está me causando.
E eu me vi desgraçadamente fascinada. Surpreendi-me com meu próprio ato – involuntariamente, peguei-me mordendo meu lábio inferior, desejando na verdade o de Flynn. Céus...
— Mas devo dizer... Que eu tenho algo pra você. – completou num murmuro, seu olhar intenso me instigando.
— O que você tem pra mim? – indaguei arfante, minha voz era um sussurro.
E aquele sorriso perigoso me deixou ainda mais arrepiada.
— Só vai saber se ficar.
Ele não precisou dizer mais nada.
Naquela noite... Eu fiquei.
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