Rising Tide
16 Limite
Notas iniciais
LIMITE
POV Merida
Elsa é a única do grupo que, mesmo bêbada, não perde a sensatez. E eu sou aquela que não tem sensatez, independentemente de estar bêbada ou não. Então, ainda que estivéssemos indo no meu carro, as chaves estariam nas mãos dela a noite toda.
— Quais são as promessas pra essa noite, garotas? – Elsa indagou, já dirigindo pra fora do estacionamento e tomando as ruas.
— Ficar um minuto e meio em cima de um touro-mecânico sem deixar a cerveja cair. – fui a primeira a expor meus planos, que foram aplaudidos pela Rapunzel.
— Aprecio sua criatividade, mas prefiro algo mais provocador que radical. – ela sorriu com malicia. – Pretendo instigar um boy ao tempo que provoco tanto uma dalilah que me odeia quanto um phoenix que não consegue admitir que me quer.
— Achei muito específico. Amei?! – comentei, animadíssima por estar sentindo uma treta.
— Se eu ficar bêbada hoje, agarro e beijo o Jack. – Tooth falou com simplicidade.
Todas sentimos a direção se desestabilizar no mesmo instante e encaramos Elsa, assustada.
— Não vi o quebra-mola. – ela afirmou calculadamente, antes que qualquer uma pudesse questiona-la.
Punzie e Tooth, que estavam atrás, com certeza não notaram o que eu notei, por estar ao seu lado: seu rosto enrubescido e feição desconcertada.
— Achei interessante e ainda mais específico que a minha, mas sugiro que não faça disso uma promessa. – Punzie comentou com tranquilidade. Tooth não pareceu captar o tom conselheiro e sugestivo de minha amiga.
— É uma possibilidade, apenas. Só tenho momentos de coragem insana quando estou bêbada.
Ao mudar de assunto, Tooth comentou que Kristoff a interceptara eventualmente, perguntando se Anna iria conosco para festa e quando ela negou, ele pareceu frustrado e rapidamente arranjou uma desculpa para ir embora. Foi quando ela pensou que ele a convidaria.
— Acho que, mesmo se ele a convidasse, ela não viria. – eu disse, pois conhecendo Anna...
— De qualquer forma, amiga... – disse Rapunzel, ao olhar admirada para fora da janela do carro. – Ela está perdendo um festão. – completou, fazendo-me fitar na mesma direção.
Havíamos acabado de chegar e eu, a lerdona, nem notei. Elsa já até havia estacionado na calçada próxima à casa, bicha rápida, viu?
Saímos do carro e pude sentir o ar frio da noite em minhas pernas e braços desnudos. Af, devia ter seguido o conselho de Elsa – que foi para Anna e não pra mim – e ter trazido um casaquinho.
Fitei o céu instintivamente esperando apreciar aquele mar de estrelas. Estou poética, com licença.
Caminhei pela calçada fria e poética, passando por aquela portaria linda e poética, de forma elegante e poética. (?) Tá, chega de poética.
Na portaria, haviam duas tochas acesas como decoração, que nos deixavam um tanto aquecidas ao passar por elas. Hm, gostei demais, viu? Coisa chique, afrodisíaca, praiana, Latrel Spencer (???).
Fomos seguindo o fluxo de pessoas. Toothiana já sabia qual era a casa de Jack e também não seria difícil de adivinhar. Cada vez que chegávamos mais perto de sua casa, maior ficava a aglomeração de pessoas.
Chequei minha bolsa – lembre-se sempre de checar a bolsa quando você sai na intenção de voltar bêbada, ok? – e vi que estava tudo nos conformes.
— Nossa! A festa começou há umas meia hora e já tem essa pá de gente?! – exclamou Elsa.
Entramos num cômodo que deduzi ser a sala de estar, porém modificada, e eu já amei tudo de antemão por motivos de: adorava a música que tocava no momento. In my mind, dos artistas musicais Dynoro e Gigi D’Agostino – um eletronic pop contagiante que, mal percebi, já estava dançando ao tempo que continuava a adentrar o lugar.
Toda a área estava escura numa penumbra tentadora. Penumbra. Que palavra louca.
Nos cantos, haviam inúmeros pufes e almofadas jogados, muitos desses ocupados por pessoas deitadas, sentadas ou juntas, dando uns amassos.
— Olha quanta gente se pegando, que loucura tio.
Eu só conseguia distinguir as pessoas dos pufes por causa das luzes estroboscópicas, estrategicamente localizado no centro do teto, direcionando a luz para a parte de baixo. Logo notei que o segundo andar estava fechado. No candelabro acima de minha cabeça, havia uma luz negra pendurada, fazendo as peças de roupas brancas e os sorrisos ficarem num tom fosforescente. No centro do cômodo, não havia nenhum objeto decorativo, dando um espaço perfeito para os convidados dançarem.
Punzie acabara de encontrar Mike e estava indo em sua direção. Tooth puxou Elsa e ambas foram na direção de Astrid e Ruffnut.
Dei de ombros, percebendo ter sido abandonada, e continuei a adentrar entre os convidados. A porta de acesso ao jardim de trás estava aberta e o local iluminado por uma luz de tonalidade azul, o que suspeitei ser as luzes da piscina. Em volta, estava escuro, então não consegui ver se haviam pessoas lá.
Continuei andando e então, num grupo de muitos homens bonitos, eu vi Hiccup. E, uau... como ele estava bonito. Mais do que sempre foi.
Ele vestia uma camiseta preta e justa de Game of Thrones, que ressaltava seus músculos dos braços e peito. Hm, musculoso. Usava também uma bermuda jeans escura e um tênis social cinza. Ele não usava gorro, como de costume. Em seus cabelos, um brilho molhado se exibia, aparentemente havia saído da piscina ou do banho a pouco.
Gritei seu nome com certo entusiasmo e acenei mais animada que o Capitão quando entende a referência. Eu estava pronta para correr em seu encontro quando pisei numa poça de cerveja no piso liso e, também graças a sola desgastada do meu tênis velho, escorreguei com tudo e caí que nem uma potranca manca de bunda no chão.
Pior decisão de hoje.
— Meu Deus, Cabelos em Chamas, você está bem? – indaga ele, vindo rapidamente ao meu encontro.
Rindo que nem uma hiena convulsionando, o respondo.
— Tô bem, tô bem... Eu caio sempre. – falei, ficando de joelhos e sentando sobre meus pés, enquanto ele segurava meu braço.
É tão estranho falar “eu caio” do verbo cair. Tipo, eu caio, tu lucas, ele matheus, nós vitor...
— Se machucou? – indagou preocupado, me tirando de meus retardos mentais enquanto apoiava um de seus joelhos no chão para que pudesse me fitar de perto.
Agora, mais próximo, pude notar a água que gotejava de seus fios de cabelo e caiam sobre seus ombros. Eu achava impossível, mas seus olhos conseguiam ser ainda mais lindos de perto. Eu não sei, mas tenho a ligeira impressão de que estou toda sem jeito (?).
— Não, eu tô bem. – falei, constrangida. – Não sei como é que ninguém viu esse mico micoso que acabou de acontecer.
Ele riu melodicamente. – Na verdade, viram sim. Só que ninguém é louco de rir quando mando meu olhar mortal. – brincou ele, lançando o tal olhar mortal para mim, que consistia em semicerrar os olhos verdes enquanto franzia o cenho.
Minha nossa.
Corei violentamente. Devo estar parecendo um tomate ruivo.
Abaixei a cabeça, deixando os cabelos esconderem minha feição envergonhada, enquanto eu ria descontroladamente nervosa.
— Ai, só você, Hic... Uh! – ele me puxou subitamente, me pondo de pé em um segundo, segurando-me pela cintura.
Fitei seu rosto com os olhos arregalados. Ele me observava com a feição analítica, inclinando ligeiramente a cabeça.
— Você está bem?
— Sim. Por que a pergunta? – respondi imediatamente.
— Não sei. Parece acanhada. – ele concluiu. – Toma. – me ofereceu sua longneck de cerveja, ainda cheia.
— Não, que isso, acabei de chegar. E além do mais, esse aí é seu, né? Por favor, não quero ficar roubando a bebida que você teve o trabalho de ir pegar para o seu consumo, pff! Claro que não, pelo amor de Deus, que falta de respeito. – e ri, toda monga.
Ninguém merece, ein Merida? É só ficar nervosa que desata a falar, típico.
Hiccup riu dos milhões de gestos que fiz com as mãos só enquanto dizia essas palavras.
— Tudo bem, Cabelos em Chamas. Eu pego outra. – me tranquilizou, abrindo um daqueles sorrisos estonteantes que ele só consegue fazer quando é plenamente sincero.
Minha mãe sempre me ensinou a ser franca com o meu próprio coração, portanto...
Coração, me faça um favor? Se você bater um pouco mais alto, querido, ele vai acabar te ouvindo, então seja discreto, sim? Grata.
Eu não estava conseguindo entender essas reações tão repentinas para Hiccup.
O que tá acontecendo, alô Merida?
Só pode ser fome ou sede. Sem pensar duas vezes, peguei a garrafa de sua mão e dei três longas goladas, só fui sentir o gosto amargo no último gole, quando fiz uma careta.
— Ui... – murmurei, fazendo Hic gargalhar.
— Melhor? – ele indagou.
— Muito melhor.
Ele sorriu. – Vou pegar outra garrafa para mim. Você vem?
— Ah, mas as meninas... – falei, voltando minha atenção para o último lugar onde vi Elsa e Tooth, no qual elas não mais se encontravam.
— Vamos. – ele pegou minha mão. – Elas estão ocupadas. É bom que te mostro o resto da festa e também a minha casa. – ele deu um sorriso, seguido de uma piscadela marota.
— Ah, sendo assim... Ok! – e então ele me guiou para todos os cômodos do primeiro andar.
Me mostrou a imensa cozinha. A sala, que realmente estava modificada e bem decorada. A área externa, o qual constatei que a piscina ainda estava fechada. O jardim, da área da frente. Até na sala de jantar, que estava trancada por conter móveis caros, Hiccup me levou.
— A parte de cima são os quartos e tem uma sala de jogos que Jack insistiu em montar...
— Sala de jogos? Anna vai ficar louca quando ouvir isso.
— Também tem uma sauna na área da piscina e alguns quartos de hóspedes para os outros phoenix.
— Hic, sua casa é o máximo! – falei, sentando numa das cadeiras da longa mesa de vidro no centro da sala de jantar.
— Obrigado. Agora só falta eu conhecer o seu apartamento. – falou ele, sentando-se na cadeira ao meu lado.
— Eu acho uma ótima ideia! Você poderia ir lá esse fim de semana mesmo! – comecei a gesticular, super empolgada. – Estaremos todas em casa, vou avisar a Elsa que você irá lá e com certeza ela fará alguma guloseima gostosa para a gente se empanturrar enquanto conversa. Também podemos... – parei de falar ao notar que Hiccup puxava gentilmente meu braço, fitando o meu pulso de maneira surpresa, um tanto boquiaberto e deslumbrado.
— Você tem tatuagens. – murmurou, enquanto alisava com a ponta dos dedos as cinco pequenas flechas em meu pulso.
— Oh... você nunca havia notado? – perguntei, um tanto afoita com a proximidade e forma como as alisava com tanto carinho.
Se eu pudesse descrever o que sentia naquele momento, diria que tinha a sensação gostosa de sentir meu coração quentinho.
— Não. É meio difícil de notar uma tatuagem em seu pulso em meio as inúmeras pulseiras de bandas que você nunca tira. – dei uma risadinha.
— Compreendo. Ah! Tenho essa aqui também, oh! – falei, me virando de costas e mostrando a pequena ursa tatuada na parte posterior de meu ombro. – Essa eu fiz há quatro anos.
— Um urso?
— Uma ursa. – corrigi.
— Ah, sim, uma ursa. – ele pareceu pensar por um momento. – E então, qual é a historia?
— História de quê?
— De suas tatuagens, oras.
— E como você sabe que tem uma historia por trás de minhas tattoos? – perguntei, de fato curiosa, tornando a ficar de frente pra ele.
Hic arqueou uma sobrancelha e me fitou de relance.
— Se tratando de você, Merida... cada sorriso teu conta parte de uma historia. Cada olhar, cada risada, cada expressão. E não são várias historias diferentes. É apenas uma. – ele dizia, voltando a alisar as flechas em meu pulso e as observando atentamente, como se quisesse gravar cada detalhezinho de cada uma. – Eu só... não tenho coragem de te perguntar sobre essa historia. – ele fitou meus olhos. – Minha intuição me diz que não é algo que você goste de falar abertamente.
Ao fitar o fundo de seus olhos, eu me senti exposta. A tão falante Merida, agora jazia ali naquela cadeira, sem palavras e com o coração aos saltos. Se ele chegasse mais perto, seria possível ouvi-lo. Isso eu tinha certeza.
Ele desceu o toque carinhoso de meu pulso, pegou minha mão e entrelaçou os dedos nos meus.
E foi aí que meu coração, por um segundo, falhou apenas para tornar a pulsar acelerado.
Não sei dizer por quanto tempo fiquei encarando seus olhos, só não tive a menor vontade de desviar. Percebi que me perder naquele mar de esmeralda era algo que me acalentava... Que sensação era essa? Tão nova e tão intensa.
Eu tive certeza de que poderia ficar aqui, olhando no fundo dos seus olhos por horas no momento em que Hiccup, no entanto, desviara o olhar. Mas não para longe. Para centímetros abaixo de meus olhos.
Minha boca.
Notei que nossa proximidade deixava aberta a possibilidades que, só de pensar, despertou as borboletas em meu estômago que eu nem sabia que existiam.
E quando ele fez menção de se aproximar ainda mais, apertando minha mão entre seus dedos, senti-me engolir em seco ao notar quão nervosa eu estava, quando...
— Hiccup!
Era uma voz masculina, que me assustara tão desgraçadamente que puxei minha mão do calor da sua num súbito, fazendo Hic me olhar com uma sobrancelha arqueada por meio segundo, antes de se recompor.
— Alô, princesa viking?! – a voz continuava a chamar e se aproximar. – Cadê você, boneca?! Trago informações!
Me sentei eretamente na cadeira, ajeitando os cabelos que já estavam ajeitados (?). Mas eu precisava ajeitar alguma coisa, porque eu estava muito nervosa, senhor Jesus, eu vou enfartar!
Hiccup se levantou e foi até a porta, antes que outro berro fosse concedido novamente ao corredor vazio.
— Estou aqui. – ele falou, por fim.
— Ei, o que tá fazendo aí? – agora, não mais gritando, pude reconhecer a voz de Jack. – Oh, sim, olá princesa valente. Há tempos não te vejo. – ele me cumprimentou ao olhar furtivamente do batente da porta.
— Você me viu hoje no shopping.
— É verdade, quase não te reconheci sem o sorvete na cara. – é sério, não consegui evitar o gargalhadão. – Chegou agora?
— Não, cheguei tem uns 20 minutos, eu acho. – falei, sorrindo amarelo.
Que cu, odeio isso. Essa sensação de ter sido pega no flagra. Eu sou uma meliante?
Hiccup não estava diferente, parecia tão envergonhado quanto eu, coçando a nuca e me olhando de esguelha.
— Jack, érr... Será que você...
— Oh, não, que isso! Claro, serei breve! Longe de mim querer interromper esse momento... – começou a falar em tom de compreensão, colocando uma mão sobre o peito desnudo.
Sim, ele estava sem camisa.
PERAÍ, MOMENTO? QUE MOMENTO?! De que momento ele está falando?! Não entendi, me explica (?).
— É o q-que..?! – gaguejei, nervosa, me levantando e caminhando até os dois. – M-momento?! Que... que momento? O que você quis dizer com isso?! – perguntei, rindo de nervoso.
Será que estou deixando transparecer que tô nervosa? Não, né? Claro que não, sou super discreta, discrição é o meu sobrenome. Oh.
— Não é o que você tá pensando, Jack. – Hiccup gesticulou com as mãos.
Jack revezou os olhos desconfiados de mim para Hiccup continuamente e eu fiquei um tanto assustada com seu olhar meticuloso. A sensação que tenho é que esse rapaz é friamente capaz de analisar até os confins da minha alma. Ai, Jeová. Ele sabe de todos os meus medos, não sabe?! Ele sabe de tudo, ele consegue ler minha mente! Socorro, estou sendo violada! (?).
Jack, se estiver ouvindo isso, eu queria lhe pedir que... Não conte o que você descobriu a ninguém, eu te imploro pelo amor de Saitama. Caso contrário, vão querer me internar!
Com uma sobrancelha arqueada e um sorrisinho de canto costumeiro, ele indagou.
— E no que exatamente vocês acham que eu estou pensando? – semicerrou os olhos, se divertindo com nossa reação de espanto.
— Ahn... é... como assim? É óbvio q-que você pensou que... – comecei gesticulando com as mãos e então cutuquei Hiccup com o cotovelo, passando a responsabilidade a ele de se explicar, porque eu já estava tendo uns tremeliques de nervoso.
Era só o que me faltava. Além de gaguejar, ainda fica se tremendo. Fora que eu fico rindo quando tô nervosa, sabe? Feito uma hiena.
Uma hiena ruiva com mal de Parkinson. (???)
— Eu e ela... nós... – Hic falava, apontando pra mim e pra si próprio continuamente.
— Aqui. Agora... Né? A casa... mostrando a... festa... sala de jantar... caindo no chão... cerveja e eu... naquela hora... quê?
O que caralhos eu tô falando???
Jack riu melodicamente. – Vocês dois... – ele negou com cabeça, sorrindo com cumplicidade para Hiccup. Sim, este que desviou o olhar. – Bom, enfim. Vim avisar que eu abri a piscina.
— Tá ok. Só isso?
— Não. Kristoff está te procurando, ele quer as chaves do quarto.
— Kristoff? Ele não havia saído?
— Sim, mas chegou quase agora e... – Jack tentou reprimir o riso. – Encharcado e cheirando a capuccino.
— Encharcado?! – indagou Hiccup.
— Capuccino?! – indaguei, já assimilando as informações: Capuccino = Café = Cafeteria = Anna. Oh, Deus, não me diga que...
— Sim, e seja rápido. Ele está furioso. – ah, com certeza... Anna. – Se quiser, eu mesmo entrego as chaves a ele...
Hiccup pensou por um segundo. Me olhou de relance e negou com a cabeça.
— Não, deixa que eu resolvo isso. – colocou a palma da mão em minhas costas, me guiando até a saída. – Vamos, Cabelos em Chamas. Kristoff com raiva não é nada agradável. Outro dia lhe mostro o resto da casa...
— Oh... Ok. – saí e me virei para Hic, que trancava a porta. – Vou aproveitar e procurar as meninas.
— Tudo bem, vai lá.
— Jack, você as viu por aí? – indaguei ao loiro cor da lua.
— Ia te fazer a mesma pergunta, baunilha. Queria dar as boas-vindas a elas, se é que me entende. E a você também, claro, mas meu amigo aqui já fez isso por mim. – ele apontou com a cabeça na direção de Hiccup.
— Onde ele está, Jack? – indagou Hiccup, ao terminar de chavear a porta.
— No gramado dos fundos. – mal Jack respondeu e Hic saiu na direção do gramado dos fundos. – Então, minha querida companheira de alegrias sem motivo aparente. Quer dizer que Hiccup te mostrou a nossa casa? – indagou num tom sugestivo que esforcei-me para fingir que não notei.
— Sim! A casa de vocês é incrível, por sinal, viu? Adorei, muito chique! – ele agradeceu em meio a uma risadinha. – Agora só falta o Hic conhecer o nosso apartamento. Eu já até falei com ele! Ele poderia ir esse fim de semana mesmo, só preciso falar com Elsa porque, você sabe, Elsa é tipo a mãezona, né? Com certeza ela fará algo muito gostoso pra gente comer e conversar! Ela adora tratar bem as visitas.
— Na verdade, eu não conhecia esse lado dela, mas fico feliz em saber. – comentou ele, se mostrando bem satisfeito.
Hm. Aí tem. AÍ TEM. TEM CAROÇO NESSE ANGU, TO SENTINDO!
Ei, tive uma ideia massa, agora!
— Jack, você também poderia ir lá em casa! Junto com Hic! – falei, soltando minha ideia massa.
Eu sou muito genial, não sou? Pena eu também não ser bilionária, playboy e filantropa. Mas não estou nem aí, pois prefiro o Capitão.
Ele ergueu ambas as sobrancelhas. – O que?!
— Sim, daí você faria companhia ao Hic, pra ir e pra voltar e tudo mais. – inventei uma desculpinha esfarrapada.
Tô tão maquiavélica hoje, parecendo a Rapunzel, ô loco.
— E também, vai me dizer que você não quer comer as guloseimas da Elsa? – falei, lhe cutucando com o cotovelo, fazendo-o rir.
Olha só essa minha tentativa de suborno, nossa. Se fosse eu no lugar dele, certamente já teria aceitado a muito tempo. Comida, minha gente! Comida!!!
Ele fitou o nada com uma expressão que dizia “ah, como eu gostaria de comer quem prepara as guloseimas” (????). Se até eu fui capaz de decifrar isso, sinal de que estava bem evidente.
— Sabe de uma coisa, Pippi Meia-Longa? Você está coberta de razão.
— É claro que estou.
— É uma ótima ideia.
— É claro que é.
— Irei sem falta.
— É assim que se fala! – ergui as palmas, as quais ele bateu prontamente, feito um amigo de anos.
— Então, onde será que ela está? Pois, você sabe, gosto de ser um bom anfitrião. – seu tom era sugestivo.
— Bom, a última vez que a vi, antes de eu cair feito um macaco dopado no chão e Hiccup me acudir, ela estava com Tooth conversando com Astrid e Ruffnut. – ele pegou uma garrafa de cerveja em um dos tonéis dos cantos da sala, abriu e me deu.
Só então notei que essa era minha segunda longneck de cerveja. Eu já havia terminado a outra? Nossa!
— Ei, olha lá! – apontei na direção da última pessoa que vi junto de Elsa. – Astrid! – berrei, enquanto seguia de encontro a ela, Jack em meu encalço.
Astrid procurou quem a chamara, Ruffnut ao seu lado. Ao me fitar, abriu um sorriso.
— Oi! Você sumiu. Elsa estava procurando por você.
— Onde ela está? E Tooth? – perguntei só pelas duas, pois já sabia o paradeiro de Punzie: em um dos pufes, se agarrando com Mike.
— Eu estava com Tooth agora, ali na varanda que dá acesso à piscina. – falou ela, apontando para atrás de si. – Elsa, eu já não sei, sumiu já tem um tempo, mas antes disso, estava te procurando.
— Elsa é a moça que chegou junto de você? – me questionava Ruff. – Usando uma saia de couro preta? Loira? Cabelos soltos? Branquinha? Bonita?
— Ela mesma. – afirmou Jack atrás de mim.
— Eu a vi correndo em direção à frente da casa já tem um tempinho. Parecia que precisava atender um telefonema às pressas.
— Ah, sim... – pensei por um segundo.
A única pessoa que levava Elsa a atender às pressas quando telefonava era a Sra. Snow. Tendo em vista a situação judicial chata a qual ela está lidando, espero que ao menos dessa vez sejam boas novas a serem informadas.
Só então lembrei de Jack, que estava atrás de mim também a procura das meninas.
— Ouviu, Jack? Elas estão... Jack? – olhei em volta. Jack já havia saído. Nossa, tão rápido. Onde será que ele foi?
Tornei a procura-lo, mas ele realmente havia sumido – Ruffnut também, indo em encontro aos amigos do irmão.
— Ai, essa música é muito foda pra dançar! – gritou Astrid, do nada.
— Miga, sua louca. Pregou-me um susto (?). – falei com uma mão sobre o peito, Astrid gargalhou.
Eu tinha uma observação a fazer desde que pusera o pé nessa festa: o repertório musical era inegavelmente... lascivo. O DJ dispunha de músicas românticas, no entanto, remixadas em batidas lânguidas, alternando entre rítmico e sensual, não é à toa que foi possível até para mim notar a nítida aura erótica que pairava o lugar.
A música que tocava naquele momento e agradara a Astrid era um cover de Wicked Games por Anna Naklab e remixado pelo DJ Parra For Cuva.
Uma música que, só de iniciar as batidas harmônicas em conjunto com a melódica voz da moça, me contagiava a sensualizar deliberadamente feito a devassa que eu me negava a ser (?).
Astrid me puxou pelo pulso até o meio da pista. Foi só então, com o puxão que ela me dera, que eu notei já estar um pouquinho tonta. Um pouquinho, tá?
Admiti que a música era realmente “foda pra dançar” quando me peguei imersa a sonora gostosa, deixando-me levar pela aura do ambiente no meio da multidão, sem me importar com mais nada.
Eu sentia-me sendo guiada pela sensação poderosa da autoconfiança. Meus cabelos farfalhavam a cada rebolar sensual de meu quadril, minhas mãos passeavam pelo meu próprio corpo, meu pescoço, meus cachos, um sorriso provocador insistia-se em meus lábios. Naqueles pequenos minutos, eu me senti a mulher mais sexy daquela pista.
Ao erguer os olhos languidamente, percebi enfim os inúmeros olhares sobre mim, uns admirados outros instigados, e foi ainda mais estranho não me sentir envergonhada.
Observei meu entorno com satisfação, até minha atenção ser completamente voltada para os olhos verdes vívidos que me encaravam fixamente.
Hiccup.
Seus lábios estavam entreabertos e seu olhar dispunha um brilho incomum de fascínio.
Meu coração falhou uma batida quando enfim recobrei os sentidos, sensação causada pelo forma como ele me encarava, tão intensamente do meio dos expectadores.
Senti as malditas borboletas me importunar mais uma vez.
Contudo, mal me reconheci no momento em que sustentei seu olhar com uma audácia que eu nem sabia que tinha. Hiccup crispou os olhos verdes para o sorrisinho provocante que dispus em sua direção, e me peguei satisfeita ao ver que ele sorrira também, ainda um tanto boquiaberto.
Nossa troca de olhares intensa foi quebrada no momento em que Astrid me puxou para um dos tonéis, atrás de mais uma longneck para cada uma.
Enquanto ela me puxava, até tentei olhar novamente para ele, mas fui impossibilitada pela multidão que tomara a pista novamente. Apenas desisti e a acompanhei.
Depois de abrirmos, brindamos com as pontas das garrafas antes de bebe-las até a metade de uma vez só. Como diria Anna, “É HOJE QUE O OROCHIMARU VAI FUMAR!” (?).
POV Anna
— Mesa três! – ouvi minha colega de trabalho berrar, seguido de um som agudo de sininho tocando.
— Tá na mão. – falei ao pegar a bandeja com o pedido e carregando até a destinada mesa, o qual se sentava uma senhora, distraída lendo um livro.
Repousei a pequena xícara de café expresso com chantilly e o pires com brownie de Nutella na superfície a sua frente. A senhora agradeceu assim que terminei.
— Deseja mais alguma coisa, senhora? – ela negou com a cabeça e deu um sorriso amável.
Saí em direção à mesa onze, onde um jovem casal havia acabado de ir embora. Coloquei as louças sujas sobre a bandeja que eu carregava e limpei a mesa rapidamente com um pano úmido. Fui até o balcão e deixei a louça para a minha colega pusesse na lava-louças.
O Opera Cafe não estava tão movimentado. Talvez por ser fim de semana e as pessoas optarem por pubs e boates ao invés de cafeterias. Gosto dos meus expedientes de fim de semana, pois tendem a ser calmos justamente por isso.
A música que tocava nas pequenas caixas de sons nos cantos do teto me agradava bastante, principalmente por ser de uma banda a qual tenho tanto apreço. Arcade Fire, Ready To Start.
Peguei meu celular no bolso do avental de babados e fitei as horas. Já eram 22:00h. Suspirei.
— Mesa quinze! Mesa sete!
O dever chama.
Guardei meu celular e fiz o trajeto até o outro lado do balcão novamente. Peguei os pedidos e segui meu caminho até a mesa quinze. Pus o chá gelado de cereja e o crepe de frutas vermelhas com molho de creme de leite à frente de uma mulher loira que lia algo no celular.
Virei-me para seguir em direção à mesa sete, que havia pedido o capuccino médio que ainda estava na minha bandeja quando ouvi uma voz chamar...
— Por favor, eu gostaria de fazer meu pedido.
Dei a meia volta, pois não gosto de deixar nenhum cliente esperando. Eu seria rápida.
— Pois não, senhor. O que desej... – parei de falar no momento em que pus meus olhos no “senhor” a minha frente. – O que tá fazendo aqui?! – murmuro, entredentes.
— Ora, que absurdo. Vim tomar um café.
— Como é que é? – perguntei, com a voz aguda. Olhei em volta, nervosa, mas logo tornei a fitar seu rosto. Kristoff sorria tranquilamente. – Não seja sonso! Estão dando uma festa na sua casa e você vem tomar um café?!
— Você não estaria lá. Que graça teria a festa? – indaga ele, tranquilamente, enquanto lia o cardápio.
Revirei os olhos, mas não consegui evitar corar violentamente com esse maldito comentário, dando graças a Goku por ele não estar me encarando. Pare de enrubescer feito uma boboca! Não caia nas provocações dele!
— Você não cansa de ser estúpido? Esse seu papinho besta não cola mais, ô idiota.
— “Idiota”? O que aconteceu com o “senhor”?
— Está prestes a ser assassinado. – murmurei irritadiça.
— Quanta indelicadeza. – debochou ele.
— Fui indelicada com você? Oh, mil perdões, senhor, só queria dizer que... foda-se. – falei, forçando uma voz meiga que mudou drasticamente pra rude no instante seguinte.
Ele negou com a cabeça. – Você é grossa demais.
— Eu não sou grossa.
— Eu acho você grossa.
— Problema é seu.
Ele suspirou. – Você parece chateada comigo, senhorita Arendelle. – murmurou para si mesmo. – Não achei que ouvir determinadas verdades a afetaria tanto.
— Eu n-não..! – gaguejei feito uma imbecil e reprimi um grunhido. – É possível que sua prepotência não tenha limites, Kristoff?!
— Pode ser. – ele deu de ombros. – Mas fico feliz que você nem tenha tentado negar, mini-Anna.
— Não se atreva a repetir essas palavras.
— O que foi dito já foi guardado. Não preciso repetir. – finalmente fixou o olhar sério sobre mim. – Contudo, eu posso provar que sempre estive certo. – repousou o cardápio fechado sobre a mesa e entrelaçou os dedos à frente do queixo, encarando o fundo de meus olhos antes de proferir. – E você bem sabe, Anna, que estou certo.
Estreitei os olhos, antes de desviar o olhar. Ri ou tentei, meio incrédula com suas sentenças e tentando transpassar uma falsa tranquilidade. Pois se tinha uma coisa que eu não estava, era tranquila.
— Oh, nossa... – ironizei.
Eu não queria desafia-lo. Vai que ele consegue provar mesmo? Minhas mãos começaram a suar e deslizar em baixo da bandeja de metal. Coloquei a bandeja sobre a superfície a sua frente antes que eu acabasse a derrubando com o capuccino no chão.
— Aquele dia, na ponte perto daqui... – ele começou e eu gelei com a maldita lembrança. – Você sabe, Anna, que se eu não tivesse recuado...
— Não.
— Você não teria parado.
— Não...
— Ia acontecer, Anna. E você queria.
— Não! Eu estava prestes a te dar outro chute, seu...
— Lembre-se que você não sabe mentir. – a tranquilidade confiante com a qual ele falava só me deixava ainda mais irritada. – Seja sincera consigo mesma e aceite. – pausou por longos segundos, senti meus punhos semicerrando-se. – Esse beijo só não aconteceu porque eu... não.. quis.
Sua última declaração foi fria e cortante. A forma com a qual ele falara, pontuando cada palavra, sugeria que sim, a intenção dele era me ferir.
Ergui o queixo, sentindo meu peito arfante, mas mantendo a compostura esforçadamente. Meus lábios se comprimiam numa linha reta enquanto eu tentava inutilmente conter... a sensação esmagadora que me consumia.
Mas meu sangue ferveu no momento em que vi seu sorriso vitorioso, satisfeito com o que me causara.
Basta.
Eu não aguento mais isso.
Eu nunca quis que chegasse a ponto de minha dignidade virar brinquedo na mão de um sádico insensível feito esse homem.
Eu nunca quis que esse jogo chegasse tão longe! Eu não suporto essa situação! Eu não suporto fingimento! Eu não suporto pessoas que divertem-se as custas dos sentimentos dos outros! Eu não consigo seguir com isso como se fosse uma coisa normal! Eu não consigo ser fria e calculista como ele, que teatralmente resolve conquistar minha simpatia só pra depois jogar na minha cara que eu não resisto a sua presença. Alguém que se sente satisfeito em enganar, fingir e tomar vantagem sobre os outros.
Eu não consigo ser um ser humano assim.
Eu cheguei no meu limite.
Senti uma pontada no meu coração e no mesmo instante constatei que a sensação esmagadora que me consumia era na verdade uma terrível tristeza.
Não. Eu não me permitirei ficar triste com as atitudes de Kristoff para comigo. Ele não vai me afetar dessa forma. De jeito nenhum.
Afundei e enterrei esse sentimento sufocante num buraco escuro do meu coração a murros! Ele nunca tomará conhecimento desse meu lado que esforço-me tanto para encobrir.
Ele terá o que merece...
Respirei fundo, ou tentei. Por meio segundo, fechei meus olhos.
Quando tornei a abri-los, encarei sua feição de indiferença com toda a seriedade do mundo.
Juntei minhas mãos à frente do corpo, entrelaçando meus dedos de forma tranquila.
— Que declaração mais infeliz, Kristoff, algo impressionante até mesmo pra você. – ele crispou os olhos no mesmo instante.
Meu tom de voz era tão frio e sem vida, que por um momento pareceu que eu estava falando com um desconhecido qualquer.
— É no mínimo arrogância de sua parte fazer tal afirmação, mas se isso pra você soa como elogio, eu só tenho a lhe oferecer a minha lamentação. – repousei uma mão sobre o peito de maneiro irônica, fingindo lamentar. – Se é conveniente para você acreditar no que diz, bom... vá em frente e continue sonhando. – ri ironicamente, negando com a cabeça.
Kristoff tornou sua feição absurdamente séria.
— Mas é uma pena, uma vez que não existe ninguém além de mim que tenha total ciência do que quero ou deixo de querer, mas posso garantir que você não está incluso nessa condição. Sinto muito, ou nem tanto. – dei de ombros. – Não obstante, jamais pressuponha que tem o direito de fazer tais insinuações quando o assunto em pauta se trata do meu nome, meu interesse, minha vida, pois são tópicos a quais a sua opinião e suposto conhecimento são inegavelmente insignificantes. – ele franziu o cenho, profundamente irritadiço. – Sugiro também que procure outra garota para intimidar, pois você tomou uma péssima decisão ao me escolher para este ofício.
Ele apertou os punhos sobre a mesa, os lábios pressionados numa linha reta tamanho a exasperação que tentava inutilmente conter. Dei um sorriso tranquilo.
— E para finalizar... – de forma lenta e comedida, agarrei o copo médio de capuccino que repousava em cima da bandeja a sua frente.
E despejei com muito deleite todo o líquido morno em seus cabelos.
Apreciei todo o momento em que levei para esvaziar todo o conteúdo do copo em seus fios com uma satisfação fria. O líquido pegajoso descia pelo seu rosto, pingava em sua jaqueta de couro e manchava sua camiseta branca.
Repousei novamente o recipiente vazio em cima da mesa e o observei ao cruzar de meus braços.
Ele estava estático, boquiaberto, ainda processando o que acabara de acontecer.
— Aí está o café que queria. Deseja mais alguma coisa, senhor?
— Você ficou maluca?! – berrou, erguendo-se num súbito, enquanto passava a mão nos cabelos melados de chocolate.
— Você ainda não me viu fazendo a maluca. – murmurei entredentes. – E que você jamais esqueça o que aconteceu e o que foi dito aqui hoje.
— Anna... – ele grunhiu, entredentes.
Levantei o meu indicador, fazendo-o se calar. – Eu ainda não acabei. – ele semicerrou os lábios, furioso. Estava começando a ruborizar de tanta raiva. – Eu nunca, jamais na minha vida, nem que você fosse o último homem na face da Terra me prestaria ao desprazer de beijar você.
Kristoff apertou os punhos e, com seus olhos em fendas, avançou com o ar ameaçador em minha direção. Forcei-me a permanecer fincada no mesmo lugar, ignorando o instinto de recuar.
Ele parou repentinamente, a centímetros de distância do meu rosto, e depois de fitar meus olhos e minha boca continuamente proferiu ruidosamente entredentes, com uma voz tão mordaz que me causou arrepios.
— Veremos.
Pronto. Sinto que acabei de cavar minha própria cova.
Passou por mim, exprimindo uma aura tão furiosa capaz de aquecer até o ar a sua volta.
Assim que ouvi a porta bater, permiti-me respirar novamente. Senti minha cabeça latejar por uns segundos, por conta do oxigênio preso por demasiado tempo. Passei a mão no rosto e nos cabelos, eu estava suando frio.
Olhei em meu entorno e engoli em seco.
Todos no estabelecimento prestavam atenção em tudo o que acabara de acontecer.
Arregalei os olhos ao notar que meu chefe era um dos espectadores.
As pessoas acompanhavam assustadas, outras davam risadinhas e murmuravam. O moço da mesa sete já havia até ido embora.
E o que era pra ser mais um expediente calmo de fim de semana, tornou-se o caos que vai me trazer consequências terríveis.
Gemi em frustração.
Meus olhos se fixaram no rosto do meu chefe, que expressava uma feição nada agradável. Com apenas um gesto com a cabeça, ele indicou que eu fosse até sua sala.
Suspirei, já adivinhando o que me aguardava. Droga. Isso não vai terminar nada bem.
*
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