Rising Tide

17 Apaixonado?


Notas iniciais
HEY GALEROOOO! OLHA QUEM VOLTOU, IT'S ME MARIO! HEUHEUHEUHEUHEU' tá parei. Trago-lhes o capítulo 17 cortado, bleh! Mas tenho uma explicação, okay? Vê a quantidade de palavras? Sim, são quase 10k de palavras, manas! E acreditem, tinha mais! E eu nem havia terminado ainda, sérião... Então resolvi postar toda essa parte que estava pronta, e deixei as cenas pendentes que ainda faltam uns ajustes para ser postado no capítulo 18. Creio eu que vocês vão gostar. Tem POV da Elsa, POV do Jack e... ~TCHARAMS!~ POV DO KRISTOFF! Simmmmmmm, abigas! Tem POV do Kris sim, graças a Saitama! Finalmente! Aleluia! Goku seja louvado! HEUHEUEHUHEUEH' Vou deixar que vocês leiam, aproveitem o capítulo ^^ Boa leitura!

APAIXONADO?

POV Elsa

— Elsa.

Vire-me para fitar aquele que me chamara. Phillip estava alguns metros afastado, longe o suficiente para não me assustar – tive a impressão de que ele manteve-se longe justamente com essa intenção.

Ele colocou as mãos nos bolsos com cautela, demonstrando-se inofensivo.

Mas seu olhar indicava preocupação. Perguntei-me qual fora o meu deslize dessa vez.

— Você está bem? – questionou-me, apreensivo.

— Estou.

— Tem certeza? – involuntariamente, ele avançou um passo, mas pareceu ainda mais rendido ao notar meus olhos arregalados e se afastou minimamente.

— Sim. Por que a pergunta?

— Elsa, você está chorando.

— Droga. – desviei o rosto, secando as bochechas molhadas de lágrimas, dando graças aos deuses por ter usado maquiagem à prova d’água. Quando tornei a fita-lo, tratei de mudar de assunto. – Você está louco? O que faz aqui? – ele não pareceu entender meu tom de alerta. – Jack vai mata-lo se te encontrar por aqui.

Ele me observou por longos segundos, os olhos crispados analíticos. Deu de ombros.

— Fui convidado.

Não consegui evitar a surpresa.

— Por quem?

— Kristoff. Somos colegas de turma. – falou com simplicidade. – Eu não viria, mas achei que seria a oportunidade perfeita para saber sua resposta. Se bem me lembro, havia uma questão a ser respondida no fim daquela carta.

Eu olhava ao redor, na verdade, bem preocupada com Phillip e a possibilidade de ele ser pego por Jack.

— Não se preocupe, Elsa. – revirou os olhos azuis, despreocupado. – Tomei as precauções necessárias. Seu anjo guardião Frost não vai me encontrar. – havia um tom irônico em sua última sentença.

Crispei os olhos com a forma como ele ainda conseguia me decifrar com tanta facilidade.

— Vocês conversaram?

— Não. Mas estou me mantendo distante de onde ele costuma ficar.

Arqueei uma sobrancelha, espantada.

— Está fugindo dele, Phillip? – indaguei, meio descrente.

Phillip me encarou e deu um sorriso de canto familiar, antes de negar com a cabeça.

— Estou evitando, Elsa.

E eu me vi realmente pasma.

Conhecendo o Phillip que nunca dispensara uma boa briga e até adorava uma confusão, vê-lo aqui se esforçando para evitar era de se espantar. Nesse momento, percebi que ele estava levando a ideia de mudar para melhor bem a sério.

— Além do mais, eu não vim curtir essa festa. Eu vim por você. – continuou ele, com a feição calma. – E então? – incentivou, esperando minha resposta.

Lembrei-me das palavras escritas em sua carta. Pareciam sinceras. Mas eu precisava dizer algo que estava entalado na minha garganta desde que recebi a notícia.

— Antes de qualquer coisa, eu quero dizer que eu sinto muito pelo seu pai.

Sua feição mudou drasticamente e ele desviou o olhar, desconfortável.

— Agradeço a consideração, mas não estamos aqui para falar dele. – arqueei a sobrancelha para o seu tom cortante. Ele suspirou profundamente derrotado, antes de se desculpar. – Desculpe, é que... eu realmente não quero falar sobre o meu pai.

O observei por um tempo.

— Conversou com alguém depois que ele se foi? – ele negou com a cabeça depois de uns segundos, sem me fitar. – Phillip, esse peso todo dentro de você...

— Meu amor, por favor, não me analise. – mal se importou com o deslize de um apelido carinhoso do passado e continuou. – Sei que sua futura profissão demanda isso, mas eu não estou pronto. Ainda. – ele suspirou. – Entende isso?

— É claro. – anuí prontamente. – Mas eu não vou desistir.

Fui sucinta ao dizer e depois de um tempo me encarando, ele abriu um sorriso de lado.

— Não esperava menos de você.

Fitei seus olhos azuis por longos segundos. Ele não parecia estar mentindo.

— Você se arrepende?

Minha pergunta foi repentina e por um momento pareceu aleatória. Mas Phillip sabia que não era. Na verdade, tinha plena noção do que se tratava e ao que eu me referia.

— Profundamente. – respondeu num murmuro cansado.

Os segundos se seguiam enquanto não nos atrevíamos a desviar o olhar um do outro. Cada qual tentando passar sua mensagem desprovida de palavras, mas abarrotada de sentimentos. Engoli em seco.

— Ouça. Eu estou imensamente envergonhado do que te causei há alguns dias. Mas o que aconteceu lá não chega a metade do estrago que causei durante o nosso namoro. E isso... – ele engoliu em seco e sua voz falhou. – Acaba comigo aos poucos, dia após dia. Você me conhece. Estou engolindo o meu imensurável orgulho por que sei que te machuquei de formas absurdas. Por conta disso, um desprezo profundo é tudo o que sinto quando me olho no espelho.

— Phillip...

— Por favor... – pediu com a voz cansada. – Por favor, não me interrompa. – seu peito estava um tanto arfante e eu profundamente preocupada. – Eu me condeno porque sei que as feridas que te causei persistem até hoje. Vê-la apavorada com a minha aproximação me destrói de dentro pra fora. Seu perdão, talvez, só talvez, alivie isso a você, principalmente. – encarou o fundo dos meus olhos e completou. – Estou contando com isso. Rezo a Deus, ou a qualquer divindade que ouça, para que você se veja livre do peso que coloquei em seu coração.

Meu coração por um segundo parou de bater. Eu estava perplexa.

Não tive sequer uma fagulha de reação.

Pisquei seguidas vezes, ainda sem acreditar. Como ele havia amadurecido.

O analisei com mais precisão. É quase impossível sentir medo desse Phillip, tão inofensivo e vulnerável a qualquer lembrança.

Aos poucos fui sentindo esse sentimento esvair.

A cada palavra que ele proferia e a cada timbre falho devido ao arrependimento de suas atitudes terríveis do passado, eu sentia a raiva, o medo, a vergonha, a mágoa sendo varridos para longe do meu coração.

A sensação era ótima. Nunca gostei desses sentimentos ruins guardados dentro de mim.

Ele não me encarava em expectativa, parecia também estar processando todo o próprio desabafo. Não demorou para que sua atenção fosse voltada para mim, quando com a voz leve declarei sem ressalvas.

— Eu perdoo você.

E de repente, me senti livre.

Uma sensação repentina de alívio.

Só percebi estar vivendo todo esse tempo sufocada sob o peso do rancor quando senti esse mesmo peso sumir depois de minhas palavras.

Ele me encarou espantado e eu não consegui conter o sorriso. Não um sorriso aberto, mas sim um sorriso compreensivo – um simples e singelo repuxar de lábios, que fez Phillip me corresponder.

— É a primeira vez que você sorri pra mim desde que cheguei aqui.

O momento perdurou-se nos segundos que se seguiram, havia muita coisa não dita, mas certamente sentida, tanto da minha parte quanto da dele. Uma compreensão mútua, que aquecera meu coração amargurado.

Ainda que me doesse admitir, eu sentia plena sinceridade vindo dele – uma pena isso não ser o suficiente para apagar as marcas que ele me causara.

Tenho a sensação persistente de que ele ainda se sente mal, mas pelo menos, mais esperançoso que antes.

O momento se tornou minimamente embaraçoso quando não soubemos mais como agir após isso.

O que eu faria, afinal? Viro e vou embora? Peço licença e apenas saio? Agradeço? Parece-me meio rude sair sem dizer mais nada.

Ele deu uma risadinha.

— Relaxa, Elsa. – tranquilizou-me, exibindo um sorriso triste. – Eu não espero que sejamos amigos, tampouco que você se sinta na obrigação de me fazer sentir bem. Pode ir, não se preocupe. Eu não sou a prioridade aqui. Ficarei bem em algum momento.

Não consegui me conter.

Caminhei a passos calmos, findando os generosos metros que nos separavam, até parar bem à sua frente. Tentei não pensar em nada enquanto observava de perto sua feição, cada traço de seu rosto e seu olhar atento, ao tempo que Phillip acompanhava cada movimento meu.

No momento em que gesticulei e, aos poucos e lentamente, guardei-o num abraço inesperado, pude senti-lo completamente estático sob meus braços, acometido por um imenso espanto.

Não posso dizer que estou tranquila. Meu coração está a cem por hora.

Mas é um esforço feito por duas boas causas: a redenção de Phillip e a superação de meus temores.

Feridas profundas não cicatrizam de uma hora pra outra. Isso é um fato. Mas cabe a você trata-la, para que se cure mais rapidamente.

Seja sua própria cura.

Não demorou para que eu fosse correspondida, no entanto, seu abraço consistia em apenas tocar bem de levinho as minhas costas com uma só mão, evidentemente com receio de me assustar.

Travei a respiração ao sentir meu coração acelerando descompassadamente. Não era uma sensação gostosa, mas familiar. Tentei conter a agonia que meu físico e psicológico detinham à memórias relacionadas a Phillip, mas decidi me afastar antes que ruísse a qualquer momento.

Me esforcei para parecer tranquila no instante em que o soltei depois de uns segundos, mantive-me perto para observar sua feição mais uma vez.

Não sei dizer se ele percebera minha aflição. Tampouco sei dizer qual era o motivo da diminuta lágrima a descer pelo canto de seus olhos surpresos.

Reação que me surpreendera em demasia.

Fui sua namorada por dois anos e alguns meses e nunca, ressalto o nunca, o presenciei chorando – o que já era de se esperar uma vez doutrinado à maneira arcaica do pai que diz que “homem não chora”.

Quando ele enfim percebera o próprio descuido, secou o rosto rápido e desesperadamente, desviando o olhar.

— Você não precisava fazer isso só para...

— Isso precisa ser superado. – o interrompi, já sabendo o que ele falaria. Ele ergueu o olhar depois de um tempo. – Te abracei pelo bem de ambos e porque eu quis.

Phillip levou um tempo antes de anuir lentamente e dar um esforçado sorriso. Eu o correspondi com sinceridade. Me sentia estranhamente leve.

Mas me afastei subitamente no instante em que ouvi passos se distanciando.

Phillip e eu olhamos imediatamente na direção em que vinha o barulho, mas não havia ninguém.

Achei estranho.

Quando tornei a encarar seu rosto, ele já me observava com a sobrancelha arqueada.

— Acho melhor voltarmos. – sugeriu. – Antes que uma das meninas nos vejam e imaginem que você está em apuros.

— Tudo bem. – tranquilizei-o, mas no fundo, não consegui evitar concordar. – Você tem razão. Melhor voltarmos.

— Ok. Eu vou na frente para não gerar desconfianças.

Anuí antes de ele repousar um longo olhar atento sobre mim, dando um sorriso agradecido. Ele então virou-se e se afastou, despedindo-se com um aceno de cabeça.

Decidi que esperaria alguns minutos antes de voltar, mas fui surpreendida novamente por outra voz que me chamara, dessa vez feminina.

— Você é a Elsa, né? – questionava a moça de box braids, amiga de Astrid, que parecia estar passando ali por acaso. Anuí em concordância. – Merida estava a sua procura, moça.

— Jura? Eu também estava a procurando, mas ela sumiu.

— Bom, ela estava te caçando igual uma louca quase agora, junto de Jack.

Meu coração acelerou.

— De... de Jack?! – ela pareceu estranhar minha reação, arqueando a sobrancelha. Tentei compassar os pensamentos. – Eles estavam onde?

— Estavam lá dentro. Creio eu que Merida ainda está te procurando...

— Vou encontra-la, obrigada. – saí apressada para o interior da festa.

Minha cabeça parecia ter dado um pequeno pane ao cogitar a possibilidade de Jack ter contado tudo a Meri, sobre Phillip e aquela noite. Gostaria de acreditar que ele jamais seria capaz disso, mas uma vez que ele me chantageou, não há muito o que se pensar dele.

Ele me deu até a noite de hoje. Eu estou dentro do acordo, ele não tem o direito!

Dei um longo suspiro, não encontrando Meri na pista, mas sim em seu entorno.

Ela bebia direto de uma longneck de cerveja, à gargalhadas junto de Astrid. Aproximei-me apreensivamente, no entanto, já um pouco tranquila por ter uma resposta prévia considerando seu comportamento alegre ao invés de preocupado – ele não havia comentado nada com ela.

Assim que pousou os olhos azuis em mim, abriu um imenso sorriso.

— El, até que enfim te achei! – seu olhar mudou para preocupação e meu coração falhou uma batida. – Esteve falando com a Tia Aldara? – questionou, apreensiva, e meu coração se tranquilizou novamente. Ele realmente não havia falado com ela.

Suspirei e rapidamente respondi. – Sim, fui atendê-la... – mantive o semblante sereno, ainda que a conversa com a minha mãe não tenha trago boas notícias. – Mas está tudo bem, não se preocupe.

Meri anuiu e tocou meu ombro em sinal de apoio.

— Frost estava a sua procura, Elsa. – virei-me para fitar Astrid, que me falava. – Saiu atrás de você tem um tempinho.

— Ele comentou o que queria? – ela negou e Meri deu de ombros. – Ok, acho melhor eu ver o que ele quer. Pra onde ele foi?

— Foi na direção em que você veio. Tem certeza que não o encontrou no caminho? – neguei com a cabeça, franzindo as sobrancelhas, realmente confusa. Será que..?

— Eu vou ver o que ele quer. Pode ser alguma informação sobre o expediente na boate para a próxima semana.

Elas anuíram e voltaram a conversar antes de eu sair à procura de Jack, sentindo o meu coração pesar sem motivo aparente.

Segui rumo o jardim da frente novamente, mas como eu suspeitava, ele não estava mais lá. Voltei para os corredores do interior da casa, averiguei os entornos, a cozinha, os banheiros, verifiquei entre os dançarinos alegres na pista. Nada.

Eu caminhava pelos fundos da casa, próxima a piscina, quando ouvi gemidos vindo do interior da sauna escura e desligada, porém com as portas encostadas.

Sons de beijos lânguidos e outras coisas que até a mente mais pura conseguiria discernir. Realmente, essa festa está uma loucura.

Não me interessei em ir bisbilhotar de quem se tratava.

Até ouvi-la gemer o nome dele.

Meu estômago se contraiu e, feito uma masoquista, dei meia volta e empurrei a porta sem absolutamente hesitação alguma. Qualquer pessoa diria que eu na verdade meti o pé na porta ao invés de ter dado um simples empurrão, uma vez que o som da madeira chocando-se contra a parede fora estrondosa. Ótimo.

Eles estavam de roupas, ou quase isso – Jack estava sem camisa. O olhar dela exibia uma surpresa constrangedora, o dele nem tanto.

Mas assim que pareceu me reconhecer, a garota retomou a postura, abaixando rapidamente a própria saia e me lançando uma encarada mortal, mas eu tampouco me importei.

Estava ocupada demais sustentando o olhar maldoso de Jack.

— Ora, ora, garotinha. Onde estão seus modos?

Cruzei os braços e ignorei seu deboche.

— Estava me procurando?

Jack semicerrou os olhos azuis, observando meu descontentamento, e sorriu.

— Pelo visto, não apreciou o espetáculo.

Dei de ombros. – Insignificante. – foi meu único comentário referente a situação que presenciei. Jack franziu as sobrancelhas, incomodado. – Estava me procurando? – tornei a questionar, enfatizando a pergunta para que ele entendesse o único motivo pelo qual eu ainda estava ali.

Jack abriu um sorriso, antes de tornar a feição zombeteiramente confusa, fazendo-se de desentendido com um dedo sobre o queixo.

— Eu te procurando? Hm... Não que eu me lembre.

— Certo. Então, com sua licença, não quero atrapalhar vocês. – e virei-me fazendo menção de me afastar, mas parando no segundo em que ouvi sua resposta.

— Eu sei que você veio saldar sua dívida. Então por favor, espere na fila. – eu quase conseguia imaginar seu sorriso cretino. – Você entra depois dela.

Dei meia volta na mesma hora.

— Que provocação é essa? – minha voz elevou uma oitava, fato que pareceu desestabiliza-lo por um segundo. – Qual é o problema com você?!

Ele piscou seguidas vezes, sem jeito pelas minhas palavras, mas seu olhar mantinha-se firme.

— Ok. Eu estava brincando, só isso.

— Brincadeira estúpida.

— Fica calma, garotinha.

— Não me chame assim! – tanto ele, quanto a moça que prestava plena atenção em cada deixa de nós dois, pareciam extremamente espantados pelo meu tom firme. – Não tenho mais nada a tratar com você. – fui categórica ao dizer.

Virei-me e saí, ouvindo seus protestos, mas mantendo-me firme no meu caminho.

— Elsa, espera.

Em momento algum cessei meus passos, muito pelo contrário. Ele parou na minha frente tentando impedir minha passagem, mas eu desviei rapidamente.

Então ele fez o que me espantou em demasia.

— Eu falei “espera”! – grunhiu baixo e me agarrou pelo braço, puxando-me de tal forma que girei antes de ser lançada contra seu peito.

— O que você quer?! – minha voz estava enérgica e Jack, ainda que parecesse surpreso, manteve os olhos duros e firmes sobre mim.

— Você acha que é a única que tá furiosa aqui?! Enquanto eu planejava inúmeras maneiras de te manter segura, você se atirava nos braços daquele filho da puta!

— Do que você está falando?!

— Não me tira como otário, Elsa!

— M-mas... O que?!

— Com foi tê-lo tão perto? Traumatizante?! Pois você parecia estar gostando pra caralho! Enquanto eu estava feito um imbecil pensando em como te protegeria do mesmo desgraçado em que você estava se agarrando!

— Eu não estava... me agarrando com ele!

— Vai mentir na minha cara?! – ele deu uma risada de escárnio. – Que feio, Elsa.

Meu cenho se franziu em irritação no mesmo instante. Embora eu já estivesse de queixo erguido para fita-lo nos olhos, ergui ainda mais com o único propósito de confrontá-lo.

— Eu o abracei. – declarei sem hesitação, Jack franziu o cenho. – E também, o perdoei.

— Ah, perdoou?

— Perdoei. – respondi quase que na mesma hora, firmando ainda mais essa certeza. Ele estava visivelmente incomodado. – Meu coração é nobre e sempre há perdão nele.

— Ótimo. – grunhiu com a voz baixa. – Você está por sua conta e risco. – falou bem próximo ao meu rosto. – Não venha se lamentar quando se decepcionar novamente com esse cara, porque, com certeza, vai acontecer!

— É isso que você quer, então? – questionei com o olhar inquisidor. – Quer que eu quebre a cara para que esteja certo?

— Não foi isso que eu disse.

— Mas foi o que pareceu.

— Entenda como quiser. Só não diga que não avisei quando ele pedir pra voltar e você se ver apaixonada novamente pelo mesmo filho da puta que te atacou no seu ambiente de trabalho e sabe-se lá mais o que fez enquanto estavam juntos. – ele soltou meu braço de leve, mas deslizou ambas as mãos pelos meus ombros, meu pescoço, até segurar meu rosto com a delicadeza e cuidado que seu emocional permitia no momento.

Antes de encarar o fundo dos meus olhos com intensidade, fitou minha boca brevemente e meu coração disparou na mesma hora.

Quando tornou a falar, falou baixo e sua voz tinha um singelo tom de pesar.

— Entenda. – exprimiu em alerta. – As pessoas não mudam, garotinha.

Nem pisquei antes de retrucar.

— Isso se aplica a você também?

E no mesmo instante eu percebi tê-lo deixado perdido, além de sem palavras.

Jack evidentemente não soube o que me responder.

Desorientado por meio segundo, ele fez menção de se afastar, mas agarrei ambos os seus pulsos e mantive suas mãos em meu rosto, forçando-o a me encarar nos olhos mais uma vez.

— Eu o perdoei, Jack, não porque pretendo reatar com ele ou porque ele merece perdão, mas porque meu coração precisa de paz. Se é difícil para você entender isso, então, é, de fato. – seu olhar perdurou-se fixo nos meus olhos antes de eu finalizar. – Estou, e prefiro estar, por minha conta e risco.

O soltei e me afastei num súbito. O contato entre nós se desfez, tanto físico quanto emocional.

Algo se desprendeu dentro de mim, como uma conexão sendo perdida. Um gosto enjoativo tomava a minha língua e meu coração apertava com intensidade. Com certo lamentar, espanto e desgosto, percebi estar sentindo falta das suas mãos em minha pele, mas isso fora esquecido no momento em que notei sentir uma profunda tristeza.

Eu sou imensamente grata pelo que Jack fez por mim. Mas isso não lhes dá o direito de ir contra as minhas decisões pessoais.

Olhei rapidamente para a garota que havia nos alcançado, prostrando-se enfim ao lado dele e nos fitando de maneira confusa e consternada.

— O que está acontecendo aqui? – ela indagava, desnorteada, seu olhar acusador se alternando entre eu e Jack.

— Agora não, Heather.

— De novo essa garota?!

— Eu falei agora não. – ele exprimiu, sem paciência.

— Agora sim! – sua ira se voltou sobre ele. – Mas que droga! O que está acontecendo?! – ela começou a empurra-lo, exigindo uma explicação. Jack permaneceu em silêncio.

Olhando diretamente para mim.

A garota continuava escandalizando revoltada ao seu lado, socando-o no peito diversas vezes, e Jack permanecia impassível.

Comecei a dar meia-volta porque, apesar de tudo, a relação deles não é da minha conta. Tomei a decisão infeliz de nem tentar conter meu ímpeto ao empurrar aquela maldita porta, então quanto antes esse pequeno circo acabar, melhor.

Além do mais, eu me sentia emocionalmente esgotada. E não estou disposta a ficar aqui assistindo a isso feito uma idiota.

— Espera!

Ouvi ele dizer as minhas costas. Continuei a andar na direção do interior da casa, determinada a sair dessa situação o mais rápido possível.

— Eu ainda não terminei! – segurou meu pulso para me impedir de ir.

— Pois eu já terminei! – retorci minha mão para tentar me livrar dele.

— Para com isso, Elsa!

— Me solta!

— Só depois que você me ouvir, garota teimosa!

— Eu estou cansada de te ouvir!

— Me desculpa! – ele expôs à plenos pulmões. Paralisei no mesmo instante. Ele tornou a dizer, com a voz mais calma, ainda que ofegante. – Eu não quis que você se sentisse mal. Eu... eu não deveria ter dito aquilo e entendo sua decisão. – deu um longo suspiro. – Me desculpa.

Olhei para ele um instante. Eu me recusava a admitir que ele parecia sincero.

A garota que estava com ele nos alcançou novamente e nos encarou de maneira inquisidora, alternando o olhar entre eu e ele, sentindo que havia interrompido algo entre nós.

No segundo seguinte, ela pareceu inteiramente decidida sobre o que estava havendo, claro, em fatos que só existiam na sua própria cabeça.

Voltou-se contra mim, me lançando um olhar repleto de acusações, seus lábios apertados em irritação, enquanto se jogava contra o peito de Jack.

— Quando não é você, é aquela sua amiga. A trupe de vocês não cansa, impressionante. – ralhou com a voz ácida, coloquei a mão na cintura e crispei os olhos, esperando pacientemente que ela terminasse. – Eu estou cansada da sua cara, menina.

Dei um sorriso sereno.

— Mas quem é você, mesmo?

O olhar zombeteiro que ela me lançava se desfez no mesmo instante. A garota franziu o cenho, principalmente quando Jack se afastou dela um passo.

— Não é primeira vez que você se intromete no meu assunto com Jack. Qual é a sua?

— Não seja tão insegura. Meu assunto com ele era plenamente profissional. – garanti, cruzando os braços.

— Como se fosse a primeira vez que escuto essa desculpa esfarrapada.

— Heather, chega. – sentenciou Jack, de maneira cortante. – Você está exagerando e pra caralho. Não te devo satisfações.

Ainda que ela parecesse minimamente incomodada com o último comentário, sorriu com uma provocação sedutora.

— Eu conheço nossos termos, gato, não precisa repetir.

Heather caminhou até ele, aproximando-se de seu rosto, no entanto, com os olhos fixos em mim.

Ela parou alguns mínimos centímetros dos lábios dele e sorriu cínica na minha direção.

Ergui meu queixo com toda afronta do mundo e a encarei fixamente, desafiando-a a continuar com o que pretendia.

E ela continuou.

Mas Jack virou o rosto no último segundo, impedindo-a de tocar seus lábios nos dele.

Imensamente surpresa e sem jeito, Heather olhou para ele, que me fitava. Quando ela tornou a me encarar, eu não consegui evitar esboçar um sorrisinho pleno e satisfeito.

A revolta em seus olhos verdes era evidente, sua vergonha era tanta que cheguei a sentir.

Frustrada, ela voltou-se contra Jack e desferiu lhe um tapa que ecoara por toda a casa.

Jack nem se moveu.

Com o rosto levemente virado para a esquerda e a vermelhidão atenuando-se em sua pele clara, ele apenas trincou o maxilar, mas não olhou para ela – que logo tomou seu rumo e se distanciou de nós.

Jack fechou os olhos com força e respirou profundamente, antes de tornar a me fitar.

Eu o encarava com as sobrancelhas erguidas.

— Você pediu por isso. – afirmei com uma satisfação cruel.

Surpreendentemente, ele anuiu em concordância, dando uma risadinha da própria desgraça e fitando o chão.

— Ok, reconheço. Eu mereci. – ergueu o olhar lentamente e me encarou com os olhos crispados. – Você apreciou o espetáculo dessa vez, pelo menos?

— Você acha realmente que era isso que eu queria?

— Certamente, sei o que eu não queria. – ele deu de ombros. – Eu não queria que você tivesse presenciado aquilo.

Ele parecia se referir a situação em que o peguei – agarrando-se com Heather. Revirei os olhos, tentando soar indiferente, pois a última coisa de que preciso é que ele saiba o quão incomodada eu me senti.

— Não é a primeira vez que te surpreendo nessas circunstâncias. Estou começando a me acostumar. – havia um certo tom de acidez em minhas palavras.

Jack franziu o cenho, pensativo.

— De qualquer forma... – continuou logo ao perceber estar pensando demais. – Eu não fiz de propósito. Garanto a você. Jamais quis que você me visse com outra.

Encarei o fundo dos seus olhos por longos segundos, cética.

— Acredite em mim, eu preferia mil vezes não ter visto você com ninguém.

Revoltada com a minha própria confissão, decidi que o melhor a ser feito era cortar o contato visual com ele – queria evitar seu olhar de pena, característico para aquelas que ele avalia e pensa “essa daí tá no papo, nem vou fazer muita questão”.

Neguei com a cabeça, irritada.

Isso com certeza não era verdade. Não podia ser.

Eu estava mais magoada pelas coisas que ele me disse do que por tê-lo visto com mais uma de seu harém.

Virei-me em direção ao parapeito do deck, passando a fitar a piscina e dando as costas para Jack.

Senti meu coração apertar e minhas unhas entrarem na palma de minha mão, ao tempo que me recordava à ricos detalhes da forma como ele tratara as mulheres com as quais já o flagrei.

Sem desprezo, sem desdém, mas com total desconsideração. Ele não fazia questão alguma. Será que em algum momento passou por sua cabeça que, de repente, uma delas pudesse ter sérios sentimentos por ele?

Neguei com a cabeça, imaginando o estrago no coração daquela que possui sentimentos por Jack e presenciasse as cenas com as quais me deparei. O quão doloroso deve ser amar esse homem.

É inegavelmente fácil se atrair por ele – Jack é tão magnético que chega a me causar quentes arrepios quando me olha. Mas ter os próprios sentimentos sendo pisoteados não é apreciável nem para a pessoa mais masoquista.

Elsa, não. Isso é uma péssima situação.

Dei um longuíssimo suspiro.

E me retesei no momento em que senti a ponta de seus dedos deslizar pelo meu pulso antes dele envolver minha mão na sua, de um jeito suave, sem toda a violência e aspereza de minutos atrás.

Meu coração falhou uma batida.

— Minha intenção sempre foi te proteger. Lamento por ter feito exatamente o contrário. – ouvi sua voz murmurada bem próxima ao meu ouvido e um arrepio percorreu minha pele. – Me desculpe se te magoei.

Em seguida, ele soltou minha mão e ouvi seus passos se distanciando, seguindo rumo ao interior da casa.

Retomei minha respiração, ou tentei.

Meu coração me esmurrava dentro do peito, ora ainda acometido pela sensação causada pelas palavras de Jack, ora me alertando a todo instante que não, Elsa, isso é uma péssima situação.

POV Jack

Saí daquele deck, deixando-a para trás e tendo a sensação intensa de que a qualquer momento meu coração ia explodir.

Nem me lembro quando fora que essa porra batera tão acelerado quanto agora. Relaxa, Jackson, é só uma taquicardia, vai passar.

Eu estava tão desanimado e tenso que cruzei a festa simplesmente para sair pela porta da frente e lá ficar, onde a aglomeração de pessoas era mínima.

Dei um longo suspiro, recordando-me que fora esse o exato caminho que fiz para encontra-la no jardim da frente assim que Astrid indicara onde ela estava. Talvez eu não devesse ter chegado tão rápido e furtivo, porra, talvez eu nem devesse ter ido atrás dela – me pouparia da cena catastrófica que vi.

Estamos quites, pelo menos? Nem um pouco, Jackson, nem se compara a sua situação com a dela.

Foda-se, também. Odeio pensar demais em coisas que não deveriam ser importantes.

Passei as mãos nos cabelos com certa exasperação. Mas que... desgraçada, como ela consegue fazer com que eu me sinta tão culpado?!

Puta merda, meu rosto tá ardendo pra caralho. Dei um grunhido em exasperação e quase soquei a parede ao meu lado.

— Segue o baile, irmão. Nunca valeu a pena se estressar por causa de mulher. – comentou uma voz masculina e familiar.

Revirei os olhos.

— Ainda não cheguei no seu nível de indiferença, reizinho da máfia. – virei para fitar o rosto de Flynn, largado numa das poltronas da varanda com um copo de whisky na mão e uma garrafa a sua disposição.

Ele crispou os olhos ao focar o hematoma em minha bochecha e um sorrisinho de lado brotou em seu rosto.

— Nem pergunta. – grunhi antes que ele pudesse falar qualquer coisa.

Ao invés disso, ele riu, serviu mais uma dose de whisky e ergueu o copo cheio na minha direção.

— Você está precisando mais do que eu.

Agarrei o copo e virei-o numa só golada, sentindo a ardência quente descer minha garganta.

— Não sei se você percebeu, mas tem uma festa orgiática rolando dentro da sua casa. – ironize com veemência, apontando para a porta de entrada aberta atrás de mim. – Então, o que caralhos está fazendo aqui fora ao invés de estar curtindo e garantindo que continue uma loucura?

— Não estou muito interessado nessa festa. – ele deu de ombros, enchendo meu copo novamente.

O encarei com certa desconfiança, mas uma coisa me veio à memória.

— Oh, certo. Rapunzel, entendi. – Flynn franziu o cenho na minha direção. Isso em si já me deixara apreensivo. Dei uma risadinha e ergui as mãos. – Calma, Dorian Gray, estou apenas formulando teses. O que tá acontecendo, meu nobre camarada? Vai, verbaliza. Abre seu coraçãozinho.

— Não começa.

— Só estamos nós dois aqui, juro que não conto pra ninguém que o honorável Flynn Rider desabafou sobre uma mulher. – forcei uma voz feminina e cumplice, ele revirou os olhos.

— Não torra, Jack. – massageou a têmpora, irritado. Dei uma risadinha. – Eu tenho uma família complexa, mas para você, é claro que meus problemas se limitam a mulher. – ironizou, negando com a cabeça.

— Permita-me lembra-lo que você, herdeiro Rider, lida com qualquer assunto relacionado a sua família com notável maestria. Mas... – enfatizei a palavra, erguendo um dedo em evidência. – Já não podemos dizer o mesmo quando se trata de mulher.

Ele deu uma risada alta. – Tá de sacanagem, né?

— Você entendeu o que eu quis dizer. – arqueei uma sobrancelha. – Precisa parar de bancar o indiferente o tempo todo, principalmente quando se pega se importando com alguém. – aquele conselho ironicamente servia para mim também. – Até onde eu sei, você é humano, né? – que pergunta imbecil digna da risada que ele deu. – Então, qual é a situação?

Ele desviou o olhar, incomodado, e suspirou longamente. Cruzei meus braços, demonstrando a paciência que eu não tinha. Ele percebeu.

— Não foi você quem perguntou, caralho?

— Mas não tenho o dia todo, né princesa. – gesticulei em incentivo, porque de repente ele se viu empacado.

— Eu vou falar, se você der sua palavra que vai ficar quieto até que eu termine.

— Tudo bem, você tem minha palavra.

Ele suspirou mais uma vez antes de continuar.

— Ok, é sobre Rapunzel.

— Isso é evidente.

— Você deu sua palavra, maldito!

Descruzei os braços, mostrando meus dedos cruzados, ele revirou os olhos.

— Seja lá o que for, tenho certeza que pode ser resolvido com um diálogo... bem franco. – continuei e ele negou com a cabeça.

— Você não entende.

— Somo adultos, cara, faz o que você sabe fazer de melhor. Ou então, apenas admita simplesmente que tem tesão nela e pergunte-a se ela toparia ser sua foda casual. O pior que pode acontecer é ela negar. Pronto. Resolvido. Próximo.

— O que? Não, Jack, você não está entendendo mesmo!

— Ué, como não?

— Estou falando do lance dela com o Mike. – ele falou, gesticulando como quem dizia o óbvio.

Coloquei um dedo sobre o queixo. – Tinha me esquecido desse detalhe, mas até onde eu sei, eles não têm nada sério, portanto, Rapunzel ainda está disponível.

— Esqueça a possibilidade de a gente transar, Jack.

— Quê?! Logo você dizendo isso?! – exclamei, com os olhos arregalados. – Flynn, você está se sentindo bem?

Ele revirou os olhos mais uma vez.

— O foco é outro. Estou falando do Mike.

Arqueei uma sobrancelha e comprimi os lábios antes de enfim perguntar.

— Você... quer transar com o Medina? Não sabia que você gostava da fruta, mas se tu é tão bom no quesito mulher, vai ver com os caras também seja, né. Não acho que será problema pra você, de repente, você pode pegar umas dicas com o Mason e...

— Porra, eu desisto. – colocou uma mão na testa, massageando entre os olhos de maneira cansada.

Dei uma audível risada. – Tô te zuando, Rider. – ele me encarou em desagrado. – Ok, você está preocupado com o lance do Medina com a Salt... por qual motivo, exatamente?

Seu olhar perdurou sobre mim por uns segundos antes de ele arquear uma sobrancelha e sorrir com ironia.

— Sério? Você é o presidente do Phoenix Club. Conhece muito bem as intenções dos caras aos quais você lidera.

— E isso te inclui, não esqueça. – sentei-me na poltrona a sua frente e falei. – Você subestima a Rapunzel. É evidente que ela não é do tipo que se deixa ser magoada e vai se lamentar no quarto. Não mesmo. Tá mais para a mulher fatal que te magoa antes. Ou, no pior dos casos, acaba sendo magoada, mas certamente se vinga depois. – sorri com confiança. – Aquela mulher é mais malandra que você, meu caro rapaz.

Ele sorriu de lado depois de uns segundos, satisfeito com o cenário desafiador. Mas deu um suspiro, um tanto pensativo.

— Talvez você tenha razão, mas sei lá... – continuou. – Tenho a impressão de que essa imagem de inabalavelmente segura é pura fachada.

— Nesse caso, então vocês têm bastante coisa em comum. – ele me encarou mortalmente. – Apenas dizendo.

— Pois eu prefiro que não diga.

— Como quiser.

Enchi nossos copos mais uma vez. Por um momento, permanecemos em silêncio, atento aos próprios pensamentos.

— Você sabe que ele tá ficando com a Heather, né?

Bebi do meu whisky e respondi. – Não.

Porém, não estava surpreso. Isso me deixa ainda mais em paz com a forma como a tratei. Dei de ombros.

— E você ficou sabendo que Rapunzel recusou ingressar no Dalilahs. – ele afirmou e eu anuí em concordância porque, afinal, o campus inteiro soube disso.

— Entendi. Você acha que Heather laçou o Mike para sacanear Rapunzel de alguma forma.

— Bingo. – sorveu de seu whisky mais um vez.

Não era uma ideia absurda. Conheço Heather há bastante tempo. Reconheço o quão vingativa a prima de Hiccup consegue ser.

— Você acha que a Salt sabe? Digo, que o Medina está com ela e com mais outra...

Flynn pensou durante uns segundos.

— Sinceramente, não faço a mais remota ideia.

Dei de ombros. – Ela deve desconfiar.

— Rapunzel sabe que ele é um phoenix, afinal.

— Isso em si já responde essa pergunta. – dei um gole na minha bebida. – Mas eu tenho certeza que ela não sabe que a outra é Heather.

— Por que?

— Ela teria o largado, em prol da própria dignidade. – falei, pontuando a rixa entre as duas.

Flynn anuiu, comentando. – Acredito que ela manteria esse lance aberto com Mike, caso se tratasse de qualquer outra mulher que não fosse Heather.

— Também acho. Ela tem cara de ser bem aberta a possibilidades, é claro, contanto que não tire os direitos iguais para ela também. – ele concordou prontamente.

Mais uma vez, ficamos um longuíssimo tempo apenas pensando.

— E o que você pretende, exatamente? – fiz a pergunta do ano.

Mas ele não respondeu de imediato.

— Eu não preciso fazer nada. – resmungou, dando de ombros. – Uma vez que nos odiamos, eu não deveria me importar.

— Mas se importa. – sorri com serenidade e ele negou com a cabeça.

— Não. Não me importo.

— Repita isso até se convencer. – ele grunhiu baixo e revirou os olhos a centésima vez nesse meio espaço de tempo. – E deixa de ser exagerado, porra. Vocês não se odeiam, só são orgulhosos demais pra assumir o tesão reprimido. Meu conselho? Já disse. Resolvam isso na cama e as coisas irão melhorar, eu garanto. – minha sabedoria as vezes não têm limite. – E outra, você está preocupado. Isso em si já prova que se importa com ela. – o observei analiticamente. – Vá em frente, Flynn. Impeça isso.

Com um muxoxo irritadiço, ele me encarou.

— Tá maluco, Jack? E me meter a troco de quê?

— Então pare de se lamentar, já que não tem nada a perder.

Flynn deu um longo suspiro, melancólico demais para um cara que está sempre com um sorriso irônico e sarcástico estampado no rosto.

— Você tem razão. – afirmou ele, baixo.

E eu neguei com a cabeça, sabendo que a veracidade dessa afirmação era completamente nula.

— Não tenho, não. Eu estava blefando! – me encarou com o cenho franzido. – O que? Quer mesmo que eu acredite que você quer tanto assim vê-la quebrar a cara?

— Talvez ela mereça.

— Rider, pelo amor de Deus, chega de mentir pra si mesmo. Você não quer isso.

Ele fechou os punhos com força e admitiu algo que me fizera piscar seguidas vezes, visivelmente surpreso.

— Há uma coisa que eu temo. – falou, sem me fitar.

É o fim dos tempos.

— Você está parecendo mais humano a cada dia.

Ele me encarou de soslaio. – Isso é ultrajante.

— Me fala, irmão, o que você teme? – pensei por alguns segundos, estranhando a pergunta e principalmente a quem era dirigida.

— Me responde uma coisa, Jack. – começou, virando para fitar meu rosto. – Você acha que, em alguma circunstância, a menor que seja, ela continuaria com ele mesmo depois de..? – sua pergunta ficou pela metade.

Ele parecia não saber como termina-la. Compreendi qual era seu medo.

— Acha que a Salt continuaria com o Medina mesmo depois de você alerta-la e eventualmente você sairia como o errado da historia, o fura-olho, o talarico, safado, sem vergonha, desgraçado? – era o que estava parecendo.

Ele me encarava com uma sobrancelha arqueada.

— Pelo amor de Deus, eu retiro o que eu disse. – massageou entre os olhos, negando com a cabeça.

— É compreensível, Rider, permita-se ter uma insegurança sequer.

— Eu nunca dei a mínima para a opinião dos outros sobre mim.

— Correto, mas parece que agora temos uma exceção.

— Continuo não me importando, Frost.

— Ah, para de caô.

Ele riu sem humor. – Já parou de tentar impor o que eu devo ou não sentir?

— Já parou de tentar se convencer das mentiras que conta para si mesmo?

Ele deu de ombros, mas parecia imensamente incomodado.

Pus minha mão em seu ombro. – Flynn. É a primeira vez que temos uma conversa tão longa sobre uma única mulher. – falei com toda seriedade do mundo, fazendo-o franzir o cenho, dando um muxoxo. Ele sabia que era verdade. – Conhecendo você como um cara preciso e que odeia ambiguidades, te digo que o jeito mais fácil de resolver esse dilema é falando com ela.

— Achei que ia sugerir que transássemos de novo.

— Se façam esse favor, depois que conversarem. – ele não conseguiu evitar a risadinha.

Flynn continuou ali, fitando o nada por mais alguns segundos. Parecia pensar um pouco no meu conselho sobre conversarem. Fitou meu rosto e pôs-se de pé, deixando o copo de whisky na mesinha de canto.

— Jeito mais fácil, né? – ele indagou e eu assenti dando de ombros. Deu um sorrisinho de lado bem suspeito. – Farei ao meu modo.

Sorri, captando perfeitamente a mensagem. – O modo difícil, claro.

— Exatamente. – ele riu. – Valeu, Jack. – agradeceu dando um mínimo sorriso sem me fitar, passando por mim e fazendo o caminho até a entrada da casa. – Aliás... sua garota estava bem ali. – ele apontou para um arbusto, alguns metros à frente, ao lado de uma das tochas da portaria de entrada.

O exato local onde Elsa estava com aquele cara.

— Mas isso você já sabia, é claro. – completou ele.

— Você estava de olho nela.

— Apenas por garantia.

— E permitiu que ele se aproximasse dela. – minha voz estava séria e baixa.

— Ele não se aproximou.

— Ora, como não? – me ergui num súbito, para ficar cara a cara com Flynn. – Conversaram de longe, então? Por que da última vez que os vi, eles estavam se abraçando!

— Escuta, Jack. – ele colocou as mãos nos bolsos, exibindo a tranquilidade que eu certamente não estava sentindo. – Ela parecia disposta a ouvir o que ele tinha a dizer. Quem sou eu para arranca-la de perto dele contra a sua vontade?

— Aquele filho da puta poderia tê-la atacado. De novo!

— Ele não parecia ter a intenção.

— E como você sabe disso?!

— Eu o avaliei bem.

— Desde quando isso é garantia para alguma coisa?! – Flynn crispou os olhos e sorriu para a minha audácia. – Suas avaliações são feitas com base na sua intuição!

— E quando foi que ela falhou? – argumentou certeiro, em toda a sua placidez.

Grunhi, irritado por não ter uma resposta.

Eu não sabia de onde estava saindo tanta exasperação, mas de repente, me vi tão indignado quanto o momento em que presenciei Elsa nos braços daquele maldito.

Meu sangue estava fervendo.

— Proibi a entrada desse cara na boate e de repente ele aparece dentro da minha casa. – queixei-me, sem fita-lo nos olhos.

— Ele certamente foi convidado. Não seria maluco a tal ponto.

— Se quer saber, aquele soldadinho de chumbo já se mostrou bastante corajoso.

— Fica frio, Frost...

— Não... – rosnei entredentes. – Se atreva a me pedir pra ficar frio.

Ele suspirou.

— Jack, mesmo que pela primeira vez eu estivesse errado, estava pronto para intervir a qualquer momento. – garantiu ele, mas eu não conseguia olhar no seu rosto sem ficar mais irritado ainda, ele estava tão calmo. – Aqueles dois têm uma historia. – essa última sentença me deu calafrios. – E precisavam findar ela, de alguma forma. De preferência, de uma forma boa, na medida do possível. Pelo bem da Elsa. Principalmente.

Até ele conseguia ver os benefícios para Elsa no meio disso tudo e eu não. Me senti egoísta por meio segundo.

Droga. Merda!

Dei um longo suspiro resignado, no entanto, ainda sentia-me chateado... só que dessa vez, comigo mesmo.

— Me desculpe, cara.

Ele deu de ombros. – Tranquilo.

— Você chegou a ouvir sobre o que eles falavam?

— Não prestei atenção.

Massageei minha nuca, negando com a cabeça. Não é da sua conta, Frost.

— Você se sai muito melhor protegendo ela, do que eu.

— Sendo bem franco, eu a encontrei aqui por puro acaso. – admitiu ele. – Saí para tomar um ar e notei que Elsa falava ao telefone antes de ele aparecer. Só então, resolvi ficar de olho.

— Ainda assim, obrigado.

— Sem problemas.

Ele pôs uma mão em meu ombro, em sinal de apoio, antes de adentrar a festa, com o único intuito de dar continuidade aos próprios planos.

Permaneci sozinho.

Eu precisava de um tempo para pensar.

POV Kristoff

A frustração parecia ser dominante, mas não chegava a definir especificamente o que eu estava sentindo. Logo eu, que preferia sempre não sentir nada.

Mas foi só aquela desequilibrada – louca! – entrar na porra do meu caminho, naquele maldito primeiro dia, naquele caralho de faculdade que eu venho tendo tantas dúvidas sobre mim mesmo.

Eu deveria querer distância, mas admito que é meio difícil se tratando dela.

Mas depois da merda que deu hoje, distância é tudo o que quero de Anna.

Ah, se foder. A quem estou querendo enganar? A mim mesmo? Trouxa.

Eu não acredito na capacidade que tenho em tomar decisões tão infelizes.

Tomando atitudes irresponsáveis, agindo a minha maneira, decidi que ir naquela maldita cafeteria atrás da mesma mulher que vem me tirando do sério há tantos meses era o ideal.

Por que?

E por que eu tenho essa inclinação a lidar logo com a mais maluca?

Eu deveria imaginar. Era óbvio que algo assim iria acontecer.

Descuido da minha parte achar que poderia chegar em seu local de trabalho, provoca-la da maneira que bem tendia, sem que ela perdesse o controle.

Foi humilhante. Meus cabelos estão pegajosos até agora. Eu tô cheirando a capuccino, porra!

Estaria em melhores condições se tivesse tacado o foda-se desde o início e vindo curtir essa festa, que agora nem parece mais tão legal.

E mesmo que eu não queira ficar remoendo isso até amanhã... não vou conseguir parar de pensar nas palavras que ouvi sair daquela boca.

Dei um longo suspiro.

Seu tom de voz glacial, sua indiferença, as sentenças, a seriedade. Basta ela começar a falar formalmente que já fico nervoso.

Maldição. Eu preciso parar de pensar nisso. Pelo menos por um momento.

Resolvi dar uma volta pela festa, esperando me distrair com qualquer coisa.

Puxo a carteira de Lucky Strike do bolso e acendo um entre os meus lábios, observando o meu entorno. Dava pra notar o quão cheio estava, mas isso não era surpresa para ninguém. Havia tanta gente, tanta bebida, tanta conversa – tudo em demasia. E continuava a brotar gente. A cada minuto, estacionava um carro novo na portaria.

Passo pelos tonéis cheios de gelo e pego uma garrafa de cerveja. Me jogo no primeiro pufe que encontro largado ao gramado próximo a piscina.

Ainda que a fumaça enturve minha visão das várias mulheres bêbadas fazendo um apreciável topless na piscina, algumas aos beijos, eu não deixava de tragar o meu cigarro, de saco cheio da porra da Anna que não saía da minha cabeça.

Levo a garrafa a boca e dou uma boa golada na cerveja gelada.

Puxo o celular com a mesma mão que tinha o cigarro entre os dedos, concluindo que essa festa estava uma loucura – era só o que se comentava nas redes sociais. Eu estaria adorando, se não estivesse tão concentrado em outra coisa, pra variar.

Outra pessoa, pra ser mais exato.

Esse banho de capuccino não vai ficar por isso mesmo. Eu não costumo esquecer das coisas assim.

— Ahhheeeo! – alguém pequeno vinha correndo, sem conseguir me enxergar no caminho. Pra não conseguir enxergar um cara imenso feito eu, só podia estar tão bêbada quanto as mulheres com os peitos de fora na piscina. – Tinha me esquecido que a piscina já estava liberada!

— Ei, peraí, ô garota! – tento alertá-la, mas é em vão.

Me levanto antes que ela tropece em mim e, em vez disso, ela tropeça no pufe que ficara no caminho, se desequilibra e voa direto para o chão.

— Quê? – resmunga com o rosto ainda contra a grama (?). – Nossa! Acabei de comer uma tonelada de grama, me sinto uma vaca, muuu... (????). – cuspiu a grama e começou a gargalhar.

Suspirei, oferecendo minha mão para que ela se levantasse.

— Oh, obrigada! – ergueu-se do chão com meu auxílio. – Você é muito gentil.

Revirei os olhos. Pelo visto não me conhece mesmo. A pequena – que ouso dizer, conheço, porém não lembro o nome, nunca fui bom de memória – tentava limpar de seus cabelos e de suas roupas as gramas que ficaram presas no tecido. Ela cambaleou e já ia caindo novamente quando a segurei.

Sobre essa garota estar bêbada, tenho certeza.

— Uh, me desculpe! – comentava enquanto dava risadinhas balbuciadas. – Ouso dizer que você tem um cheirinho gostoso de café. – admitiu, rindo mais ainda.

Mesmo eu tendo já tomado três banhos, esse maldito cheiro não sai dos meus cabelos. Que porra de capuccino do Satã é esse?!

— Legal. – foi só o que eu disse, absolutamente sério, esperando que ela fosse logo embora.

— Você não fala muito, né? – não respondi.

Em vez disso, apenas me joguei no pufe novamente, dando uma última tragada no que restara do meu cigarro e jogando a guimba longe.

— Não sei como consegue. Eu falo pelos cotovelos. – continuou ela, dando de ombros.

Percebi, respondi mentalmente enquanto a fitava se sentar no gramado ao meu lado.

— Mas olha, você não parece estar bem... – fez uma feição preocupada.

Sim, pois realmente não estou bem. Levei um banho de capuccino e sofro de um probleminha chamado “não sei disfarçar a cara de cu quando algo está me incomodando”.

— Parece estar pensando em alguém

Peraí, como ela..?!

A encarei de esguelha e ela então abriu um largo sorriso, dando uma audível risada.

— Acertei! – bateu palminhas. – Mãe Diná que se cuide! Enfim... – pigarreou. – Olha, amigo, vou ser sincera. Você não está sabendo disfarçar. Mas eu compreendo. É difícil disfarçar quando estamos apaixonados.

Quase engasguei com a cerveja. – Apaixonado?!

— Situação difícil, mas um sentimento bacana.

— Eu não estou apaixonado.

— Não? Ora essa. – pôs um dedo sobre o queixo. – Não vou mentir pra você. De todas as vezes que te vi na faculdade, você exibia um semblante sério e ao mesmo tempo indiferente. – comentou, pensativa. – Hoje, não mudou muito, porém parece estar enfrentando um dilema terrível. Se não está pensando em alguém, com certeza é em alguma coisa que pretende fazer.

— Estou pensando em uma coisa que pretendo fazer... a alguém. – me peguei admitindo de repente.

Seus olhos exibiram um brilho alegre. – Uma surpresa pra quem você gosta! – suspirou, enquanto juntava as mãos num gesto fofo.

— O quê?! Não é isso...

— Ué, não?

— Eu realmente não gosto dela.

— Não?!

— Não.

— Tem certeza?

— Tenho.

Fez um biquinho decepcionado.

— Mas..?

— Sem mais. – fui categórico.

E ela de repente sorriu marota ao dizer.

— Pois eu duvido.

Meu Deus. Irritante!

Suspirei e fitei seu rosto com mais afinco.

— Entenda. Nós nos odiamos. – declarei por fim.

Ela então arqueou uma sobrancelha, não muito convencida.

— Essa sua declaração é um absurdo, rapaz.

— Se você soubesse de quem estou falando, não diria isso.

— Anna nunca odiou ninguém, tampouco você. – a encarei, perplexo pra caralho.

Como ela sabia que era sobre Anna? O caos então tomou minha mente. Estou confuso e isso não é bom. Assim que notou que minha atenção havia sido totalmente tomada para si, sorriu sapeca e jogou-se de costas na grama.

— Portanto, é. Essa sua declaração é um absurdo. Pelo menos, em parte. – ponderou por fim.

— O que? – indaguei, intrigado. Curioso. Ansioso. A porra toda!

— O que o quê? – questionou, confusa.

— O que... – respirei fundo, utilizando a paciência que eu não tinha. – Exatamente você quer dizer com isso?

— Ora, entenda como quiser. – deu uma risadinha. – Ou você é apaixonado por ela e ela o odeia, o que é uma possibilidade quase nula. – murmurou a última parte. – Ou ela é apaixonada por você e você, por outro lado, a odeia. Porém, essa ideia é ainda mais absurda.

— Peraí, absurda por quê?! – indaguei, porque não pode ser tão absurdo assim a ideia de eu odiá-la.

Né?

— Você não a odeia. Isso é evidente. – a abusada falou num tom óbvio, fazendo-me resmungar com um muxoxo. – Bom, e tem a terceira opção. – ela cessou as palavras repentinamente, me torturando com a curiosidade.

Bufei em desagrado, fingindo desinteresse, e indaguei como quem não quer nada.

— E qual seria a terceira opção?

— É a minha favorita. – ela me fitou em expectativa e sorriu animada. – Vocês se sentem atraídos um pelo outro, mas fingem que se odeiam, porque ambos são orgulhosos demais para dar o braço a torcer.

Dei uma audível risada sem humor. – Isso sim é um absurdo.

— Ei! Não é, não! – indignou-se, me dando um tapa no ombro, fazendo-me rir. – Talvez, mais tarde, você perceba. Vocês dois!

— Isso nunca vai acontecer.

— Nunca diga nunca. Já tenho até a ideia do presente perfeito pra você dar a ela no primeiro aniversário de namoro. – suspirava, com os olhos brilhando.

A encarei com a sobrancelha arqueada. – Menos, garota.

— Uma dica minha, de amiga de infância dela, é: opte pelos livros, pois Anna ama ler! – continuou ela, me ignorando claramente. – E ela lê de tudo, viu? Mangás, livros, gibis, revistas, jornais, anúncios na rua... – contou a dedos. – Bom, você entendeu.

— Ok, mas...

— Ah, e ela também é uma fã de Naruto assumidíssima!

— Mas eu...

— Além também de ser viciada em videogames. Não vive sem café e sem música, também ama fazer...

Desisti de tentar falar alguma coisa e apenas me rendi aos seus conselhos. Não posso dizer que não estava gostando – estava sendo bem interessante saber tanta coisa sobre Anna.

A essa altura do campeonato, eu já havia lembrado que a ruiva tagarela tratava-se de uma de suas amigas.

As cinco estão sempre juntas, afinal. Toothiana. Anna. A tal loira da família Corona. Uma branquinha que me deu uma dura e fez-me sentir um moleque. E essa moça aqui que, se não me engano, Jack costuma chamar de “a ruiva do Hiccup”.

Bom, a ruiva do Hiccup continuava a falar ao meu lado, tagarelando as inúmeras curiosidades sobre Anna. Eu queria mesmo lembrar seu nome.

De repente, ela se aproximara de meu rosto, pondo uma mão ao lado da boca, de modo cúmplice, e sussurrou.

— E ver Anna falando sozinha é tão normal quanto cagar sentado. – não pude evitar dar uma audível risada. – Ei, você ri?! Nossa, eu deveria ter gravado isso.

— Você é meio maluca, garota. Não é à toa que Hiccup gosta tanto de você.

Ela riu, sapeca. – O mundo precisa de uma dose de loucura pra ser suportável.

Me virei para fitar seu rosto e ela tornou a falar sobre Anna. Eu nunca admitiria isso em voz alta, mas estava realmente adorando saber mais sobre aquela irritante. Engraçado como nem imaginamos que certas pessoas têm tanto em comum conosco.

— Merida? – uma voz familiar chamou detrás de nós.

Merida é seu nome! Caralho, agora não esqueço mais.

— Oh, Anna!

Meu coração entrou em colapso.

Cerrei os punhos com força, só de ouvir seu nome, o que findara minhas suspeitas – eu já conhecia a sua voz.

Merida rapidamente pôs-se de pé, indo a seu encontro. Pelo que pude ouvir, a abraçou. Ainda que quisesse, me segurei para não olha-la. Afinal de contas, eu ainda estou com raiva e cheirando a capuccino.

Por que ela veio pra cá, porra?

— Elsa está procurando por você.

— Ah, sim. Eu estava aqui conversando com o seu crush.

— Não diga besteiras! – Anna grunhiu entredentes, fazendo sua amiga rir.

Virei-me, pois eu não queria perder a imagem de sua feição irritadiça por nada.

Assim que fitei Anna, notei que ela usava o sobretudo que sempre punha ao fim dos expedientes. Seu cabelo estava com um coque e a franja estava solta sobre a testa, calçava botas de camurça e carregava sua bolsa do Batman, que parecia mais cheia que o habitual.

Estranhei pra caralho.

Ela não estava arrumada para a festa. Havia acabado de sair do trabalho.

Mas... tão cedo? Seu expediente vai até mais tarde, pelo que me lembro...

Merida parecia ter acabado de ler a minha mente quando perguntou:

— Anna, por que esta vestida assim? Não foi em casa, se arrumar?

— Não. Vim direto do trabalho.

— Sério? Saiu tão cedo.

— Não saí cedo. – desviou o olhar de sua amiga e pousou sobre mim. – Fui demitida.

E me encarou sem absolutamente emoção alguma.

Mas era inegavelmente verdadeiro o desapontamento que ela sentia. E ainda que sua feição não exibisse nada além de frieza e desprezo para comigo, era nítida a raiva em seus olhos.

Mas não era só isso.

Tinha mágoa. Frustração. Arrependimento, vergonha, tristeza...

Tudo o que eu fiz foi engolir em seco. Nem notei que esquecera o motivo de estar com raiva dela a princípio.

Aquele olhar que ela me lançou...

Acabou comigo.

*

Notas finais
Me perdoem por qualquer erro gramatical, gente, eu revisei rapidão pra poder postar rapidão também... Hmmmmmmmmmm, cês viram o Jack ciumento? Ao tempo que safado? Gente, eu amo o Jack revoltado qqq E vocês viram o senhor Rider enfrentando dilemas importantíssimos? O que fazer... Eita, eita... O que pensar sobre o Phillip? Elsa o conhece bem, afinal, ela namorou com ele... Acredito em sua intuição. Eu gostei da atitude dele de chegar e se desculpar e, acreditem, sei como tá sendo difícil pra ele... Sou tão orgulhosa quanto ele -q. Mas ele reconheceu estar errado e tá tentando consertar o erro. Eu AMO a série Sense8, sabe? Então, nessa série há um lindo homem, maravilho, gostoso, tesudo, gangster, que adora arrombar uns cofres ( ͡° ͜ʖ ͡°), chamado Wolfgang. E esse mesmo homem diz: "Ás vezes, você comete um erro e tem duas escolhas: viver com ele ou consertá-lo." E é isto, galero, Phillip está tentando consertar seus erros, ao menos os que tem possibilidade de reparo. E Merida amiga de Kris? Sim, esperem por isso. Eles tem muito em comum, se querem saber... Tem alguém aí decepcionado com o Mike? Alguém surpreso? Alguém? Não vou mentir pra vocês, manas... Eu tive um trabalhão pra escrever o POV do Kris. Mas saiu, né... E espero que vocês tenham gostado. Me digam o que acharam, sim? Anna chegou na festa, finalmente. Agora me digam, vocês gostariam que ela fosse embora ou continuasse pra curtir um pouco? Pois eu tenho altos planos pra ela... AH, SUPER IMPORTANTE ISSO AQUI, FOQUEM NI MIM! FELIZ DIA DO LEITOR ATRASADO, MEUS AMADOS! Sério, eu queria muito ter postado no dia do leitor mesmo, que foi dia 7 de Janeiro, como um presente, uma homenagem, sei lá! Eu devo tanto a vocês... Que eu não sei nem o que fazer pra agradecer. Só que eu não estava nada satisfeita com o capítulo aquele dia, eu não queria postar qualquer coisa pra vocês lerem... Então não deu. Eu terminei ele nos dias que seguiram e só hoje senti total satisfação e resolvi posta-lo, desculpem-me pela demora e pela falta de consideração no dia de vocês... Espero que esse capítulo tenha compensado meu vacilo. E TAMBÉM, FELIZ ANO NOVO ATRASADO, GENTE! DESEJO MUITOS HICCUP'S, KRISTOFF'S, JACK'S E FLYNN'S PRA VOCÊS NESSE 2016! HEUHEUHEUEHUEH' Enfim, manas, o que acharam? DE TUDO? Do POV do Kris? Momento Jelsa? Phillip? Flynn desabafando sobre Punzie (até eu fiquei surpresa, sério)? Meri e Astrid? Meri e Kris? Tudo, quero saber tudo! Preciso da opinião de vocês, gosto de saber delas... Bom, obrigada a todos que comentaram e favoritaram s2 Beijos e até o capítulo 18 (que já está em andamento) õ/