Rising Tide

11 Jogo de Mentiras


Notas iniciais
Oie, cheirosas! Não me matem! Sim, eu disse que não ia demorar... Mas acontece que eu fui escrevendo e escrevendo, e tive que quebrar o capítulo de novo DE TÃO GRANDE QUE ELE FICOU! Pois é, manas. Odin ouviu minhas preces. O bom é que estou bem adiantada, HÁ! Pode até parecer que é, porém esse capítulo NÃO é pra encher linguiça, ok? Tem coisa importante nessa bodega, mas tarde cês irão ver... Ele tá beeem pequeno, pois é a segunda parte do capítulo 10, e a primeira parte do capítulo 12... Tendeu? rs Aviso importante: Leiam as notas finais, ok? Boa leitura!

JOGO DE MENTIRAS

POV Jack

Se tem uma coisa que eu amo nessa vida é dormir.

Se tem uma coisa que eu odeio, é querer dormir e não conseguir.

Quase não apareci na boate durante a semana principalmente porque minha vida foi me manter preocupado com a minha segunda mãe. Por ironia do destino, cogitei fugir em segredo – atitude que condenei totalmente quando Kristoff e Flynn planejaram. Mas eu queria mesmo estar com ela.

Segundo meu pai, eu tinha muito a perder indo embora daqui – mas eu não dava a mínima, porra. No entanto, decidi obedece-lo principalmente por saber que, pelo menos, ele estava junto dela.

Fora isso, tive que lidar com insinuações maldosas durante vários dias – isso eu sempre soube tirar de letra pois sou o criador da provocação. Logo, as indiretas dos meus amigos não deveriam me incomodar, o que seria o caso, é claro, se não se tratasse daquela garota.

No fim, juntando a notícia que tive somada as insinuações dos filhos da puta com quem divido uma casa, foi meio difícil evitar a mente a mil durante a semana.

De qualquer forma, as indiretas dos meus amigos, principalmente, não deveriam me causar esse tipo de reação – eu tenho plena certeza de que estão errados. Eu não ajo estranho perto daquela garota, porra, só tenho mais cautela.

Bato a porta do meu carro com força, me recostando no capô, pensativo. Kristoff me acompanha, encostando-se ao meu lado. Me indaga se eu não acho meu carro um pouco chamativo demais pra um estudante universitário. Dou de ombros. Um jaguar é um jaguar, né?

Kristoff riu, notando os estudantes que passavam e contemplavam a bela máquina em que estávamos encostados.

— Ok, meu amigo temperamental. – falei, chamando sua atenção. – Se não vai me contar o que foi fazer naquela noite, então terei que dar um palpite.

— Odeio quando você faz isso. – murmurou, voltando a olhar as garotas que passavam.

— E com toda certeza, tem algo relacionado a deusa guerreira... – comecei meu argumento, fazendo-o me fitar de soslaio. – E, a julgar pela sua expressão quando você chegou em casa, acho que está começando a brotar sentimentos nesse seu coração de pedra. – resolvi alfinetar.

Kristoff bufou e revirou os olhos.

— Esperava mais de você. – afirmou e eu arqueei uma sobrancelha. – Logo o tão observador Frost, não percebendo o evidente? Decepcionante. – e negou com a cabeça.

Dei um sorriso orgulhoso. O filho da puta conseguiu me afetar.

— Estou admirado, meu infame camarada, mas perceber que você quer fazer Anna ficar louca por ti é algo óbvio demais para os meus raciocínios avançados. Lamento tê-lo decepcionado. – e então ele me fitou, como quem não estava surpreso.

Se ele achou realmente que não notei isso, logo eu, está muito enganado.

— Isso está mais que claro... para todos, se me permite dizer. – digo, sem fitá-lo. – Entretanto, o que eu disse a princípio não é nenhum absurdo.

— Tá falando sério? Porra, Jack... – e negou com a cabeça mais uma vez, enquanto franzia o cenho.

— Acho que ainda não sente algo por ela. Mas está a caminho disso. – mantive meus argumentos. – Fora que... – o encarei com a feição óbvia. – Isso não é do seu feitio.

— Sei exatamente o que estou fazendo.

— Eu duvido disso.

— Não sabe o que está dizendo.

— Não tente ser o Flynn. – dei de ombros. – Não tente ser um filho da puta calculista com as mulheres pois, você sabe... o castigo kármico chega para todos.

Ele sorriu com ironia e me fitou.

— Jack, o castigo kármico chegará pra você também.

Dei de ombros, despreocupado. – Que venha. Tô preparado pra isso. – ele deu uma risadinha. – Mas você não precisa agir dessa forma só por medo do desconhecido.

— Eu só quero que ela aprenda uma lição, não pretendo ser o Flynn por muito tempo. – ele falou com tranquilidade, mas sei que estava sendo irônico.

— Se quer agir feito ele, que seja no que ele faz de melhor: ser sincero.

A sinceridade de Flynn era uma dádiva pura – chegava a magoar. Desde sempre, ele fora assim, fala o que pensa na maior naturalidade. É como se nada lhe preocupasse.

— Valeu pela dica. – ironizou Kristoff mais uma vez. – Mas como eu disse, ela só precisa de uma pequena lição. Ela é teimosa, cabeça quente, mandona, cheia de marra, fala o que der na telha e me irrita com muita facilidade.

— Quem não te irrita com facilidade, porra? – ele revirou os olhos âmbares. – Se quer saber, eu gosto dela. – ele me encarou com os olhos crispados. Dei um sorrisinho satisfeito. – Que foi? Ser obstinada, ter pouca paciência, demonstrar atitude, não admitir desaforos e ser sincera não faz dela uma má pessoa. Essas características até me lembram alguém... – ponderei a última parte.

Ele sabe que esse alguém de quem falo é ele mesmo.

— Não me compare a ela, Jackson... – murmurou bem sério.

Me chamou pelo nome. Notaram? Agora a porra ficou séria.

Suspirei e ergui ambas as mãos em sinal de paz.

— Tenha calma, pai! – provoquei e ele bufou. – O que eu tenho a te dizer é que dobra-la não será uma tarefa fácil.

— Nada é impossível. Eu sou bem insistente, você sabe.

— Ah, claro que sei! Sua perseverança é uma dádiva.

— Vou tomar isso como um elogio.

Kristoff sorriu de canto antes de pegar sua mochila, apressado para a sua próxima aula.

— Isso tudo é ansiedade para ver Anna? Que curioso... – ele riu e eu me vi surpreso com aquela cena rara, mas não me respondeu.

Continuo achando que essa situação entre Anna e Kristoff resultará em algo muito diferente do que eles esperam... e eu pago pra ver o desfecho dessa novela.

Percebi que Hiccup se aproximava enquanto falava ao celular e eu tinha plena certeza de que estava conversando com Aster só de perceber seu olhar sério e empenhado.

Hiccup é perfeccionista, possui um forte senso de dever, gosta de resolver suas responsabilidades com eficácia além de ser um profissional íntegro. Não foi preciso muito para Aster aceitar minha sugestão de tê-lo na equipe de funcionários.

Não vou mentir, me agrada vê-lo assim, focado em seus assuntos. Até o vejo sorrir mais, apesar das coisas terminadas nada bem entre ele e Astrid. Eu realmente esperava por uma reação contrária – vê-lo cabisbaixo por isso não seria uma visão surpreendente, mas não aconteceu. Ele aparentava mais leveza e aceitação que melancolia e negação.

Acredito que o motivo disso não seja as distrações do trabalho. O motivo do sorriso de Hiccup tem nome, endereço e longos cabelos ruivos encaracolados.

— Jack, você já sabia disso? – indagou, enquanto abafava a extremidade do celular em que sua voz poderia ser ouvida por Aster.

— Disso o que?

— Da reforma na boate. – e acatou algo ao celular antes de tornar a abafa-lo novamente. – Para um show importante.

— Sabia.

— Por que não me disse antes?

— Esqueci.

E era verdade. Eu havia me esquecido completamente desse evento importante, apesar de meu pai ter fechado o contrato há meses. Talvez seja por isso.

Trata-se de um show particular que não será divulgado, pois será aberto apenas para artistas de renome – a cantora em questão está pra lançar uma linha de roupas e cosméticos, uma coisa assim, e fará uma apresentação para os patrocinadores e convidados. É uma honra que ela tenha pensando no The House para isso, mas não posso tirar o crédito do meu pai.

Depois que desligou a chamada, eu e Hiccup nos entreolhamos.

— Esqueceu de um evento dessa magnitude, Jack, pelo amor de Deus.

— Ora, não venha com essa, princesa viking. Fui informado disso meses atrás, é claro que eu iria esquecer.

— A boate estará fechada a semana inteira para reformas.

— Ao menos, fiquei feliz pelos dias de folga.

— Não haverá folga para mim. – fiz uma careta, sentindo pena. – Nem pra você. – nem tive chance de zombar dele. Mas que porra. – Tu é o proprietário da casa. Vai estar de frente comigo. – ele decretou bem na minha cara.

Quase bati continência, mas decidi apenas dar de ombros.

Quando perdi parte do poder sobre as minhas boates – como forma de castigo, o que é bem patético – fiz questão de não assumir mais porra nenhuma – feito o moleque birrento que era. Mas de uns tempos pra cá, consegui assumir a culpa de que perdi a documentação por um motivo plausível e deveria arcar com as consequência como qualquer ser humano.

Gosto de pensar que amadureci bastante e sem o pretexto de que reconheçam isso.

Estou amadurecendo para mim, para minha evolução pessoal.

Não custa ajudar Hiccup – fora que isso concederá uma boa reputação a boate.

— O responsável pela ornamentação do palco já mandou os documentos. Amanhã, começaremos a dar entrada nas papeladas.

— Por hoje, o que temos?

— Hoje temos a chance de descansar, porque a partir do fim de semana, não teremos mais essa oportunidade.

— Esse fim de semana é a festa dos phoenix na mansão, você sabe né? – dei um sorrisinho ao vê-lo fechar os olhos e respirar fundo.

— Eu havia esquecido.

— Tudo bem, acontece. – fiz questão de ironizar. – Não vou julga-lo por isso. – ele me lançou um olhar crispado, mas ignorou a clara provocação.

— Sem descanso, então. Sexta, às 22h, né? – confirmei o horário. – Como está a situação com as bebidas?

— Precisamos reabastecer.

— É claro. – revirou os olhos. – Não fazem nada sem a minha supervisão.

— Estaríamos perdidos sem você, meu digno.

— Eu não duvido.

Combinamos de nos juntar para comprar as bebidas no fim da semana, após as aulas. Decidimos deixar o único dia vago de descanso para o dia da festa, planejando adiantar as documentações do show no fim do dia. Ele seguiu, escrevendo alguns e-mails para informar aos demais funcionários sobre a semana vaga. Deixou-me encarregado da organização da festa, que é claro, esse processo já estava bem avançado. A organização é sempre fácil de se fazer, principalmente no que se refere os convites.

Enquanto ele seguia para longe, eu pensava que algumas pessoas interessantes ainda não haviam sido convidadas...

POV Elsa

Convenientemente, havia chego tarde na faculdade, depois de perder a hora. Mas por sorte, ou não, eu não estava sozinha – Meri na verdade fora quem me acordara, pois não fosse isso, suspeito que estaria até agora dormindo.

Eu havia feito umas horas extras na boate durante a semana – embora tenham sido expedientes tranquilos, sem eventos importantes ou shows, fiquei até bem depois do meu horário de saída habitual.

Fato que acometeu diretamente minhas noites de sono.

Eu contava com a alta posição de Jack na boate para encontra-lo durante meus expedientes, mas aparentemente o rapaz pouco marcava presença lá durante os dias de semana – ou ele simplesmente estava fugindo de mim.

Hiccup me dera sua palavra de que manteria aquele acontecimento trágico em segredo, mas com Jack, no entanto, eu não tive a oportunidade de conversar a respeito para garantir isso – coisa que eu pretendia fazer, de uma forma ou de outra.

Com Meri ao meu lado, seguimos o caminho até a portaria do prédio da faculdade e, ao passar pelo estacionamento, Meri logo notou o audi de Rapunzel. Também, quem não notaria o único carro vermelho no meio de tanto cinza e preto?

— Ei, Hic! – berrou Merida, acenando animada para Hiccup que vinha em nossa direção.

— Cabelos em Chamas e Elsa, vocês receberam meu e-mail? – indagou, pondo seu aparelho celular no bolso.

— Ainda não tive tempo de checar meus e-mails...— admiti e Meri também.

— Tudo bem, eu já adianto. Vocês terão a semana de folga, pois a boate estará fechada para reformas.

Na hora, uma preocupação me atormentou. Eu não sabia se esses dias sem trabalhar afetariam diretamente o salário daquele mês, mas não tive coragem de perguntar. Gostava de pensar que não faria diferença nenhuma e estava torcendo por isso. Eu não podia me dar ao luxo...

— Há um motivo específico para essa reforma? – indagou Meri e Hiccup hesitou, mas logo a respondeu.

— Aster está fazendo mistério sobre o motivo.

Assentimos, compreendendo. Talvez ele não possa falar ou não é da sua alçada.

— Ouçam, haverá uma festa lá em casa esse fim de semana, celebração semanal do Phoenix Club. – ele firmou seu olhar em Meri e sorriu. – Gostaria da presença de vocês e suas amigas.

— Uma festa?! Jura?! – Meri exclamou em puro entusiasmo. Se virou pra mim e agarrou minhas mãos. – Elsa, vamos... por favor!

— Bom... – sorri amarelo.

Não era como se eu tivesse muita vontade de ir a uma festa regada a bebida e mulherio. Não valia o meu esforço em sair de casa, com toda certeza.

— Por favor... – Meri fez um biquinho. Ai, não. Meri e esse biquinho.

Fitei Hiccup e ele sorriu na minha direção, com um olhar que dizia “vamos, não será tão ruim”.

Tomara que eu não me arrependa dessa decisão.

— Vamos sim, Hiccup. Estaremos lá. – respondi e ele sorriu largamente ao ver Merida pular de alegria.

Hiccup certificou-se de nos passar o endereço e horário da festa por mensagem e anunciou que precisava ir logo, pois estava ocupado.

Nem me espantei com a forma como ele se despedira de Meri – com um beijinho na testa. É fácil notar o carinho que ele sente por ela. Já conversei com ele antes, ele diz que a admira muito e que entende como é fácil ser amigo de Merida.

— Acha que dá tempo de falar com as meninas antes da aula começar? – perguntei a ela quando Hiccup se afastou.

Meri pôs o queixo entre os dedos polegar e indicador, pensativa. – Acho que sim, se trabalharmos em equipe.

— Então vá atrás de Tooth e Anna, vou procurar Rapunzel.

— Ok! – tocamos os punhos e seguimos em direções opostas.

Enquanto seguia até a entrada do prédio de Artes, lembrei que deveria aproveitar a oportunidade para também procurar por Jack.

Preciso conversar com ele o quanto antes sobre o sigilo daquele delicado assunto. Já me pesava o fato de Punzie saber, não queria correr o risco de ele acabar comentando com Anna e Meri.

Mais à frente, vejo três moças loiras. Conversavam distraídas, dando risadinhas encabuladas vez ou outra. Pelo tom dourado dos fios de uma, vi que Punzie ocupava o meio delas. As três loiras se viraram ao notar que alguém chegara – presumi que ouviram o som das minhas sapatilhas batendo no assoalho ao me aproximar.

Punzie estava acompanhada de Astrid e mais uma outra menina loira de box braids que eu não conhecia. Assim que me viu, veio em meu encontro.

— El, amiga! – dizia, eufórica, pronta para me contar um babado. – Vamos para uma festa esse fim de semana! E não, não estou indagando, estou afirmando que você irá. – disse, convicta, pondo as mãos na cintura.

— Peraí, já te convidaram? – indaguei, ligeiramente surpresa.

— Por que? Já convidaram você também?

— Sim, eu vim só pra te avisar sobre isso...

— Então isso significa que você vai! – exclamou Punzie, animada.

Astrid e a outra moça chegaram em nós.

— Rapunzel, estamos indo... Ruff precisa ir pra sua classe e eu também. – disse Astrid.

— Ok, girls. Até mais. Nos vemos no intervalo.

Elas sorriram em despedida antes de irem embora. As observei passando por mim, fazendo o caminho de volta à entrada principal do campus, antes de indagar com um ciúme quase palpável.

— Hm... amigas novas?

— Peraí... para tudo. – ergueu as mãos num súbito. – Você sentindo ciúme é raridade.

— Não viaja. – retruquei, emburrada.

— Que linda... – dizia toda boba, com os olhos brilhando.

— Vai te catar, Punzie. – resmunguei, tentando continuar emburrada. Impossível, já que Punzie me fizera rir.

— Amiga, sem necessidade. Você e aquelas duas loucas são únicas na minha vida, ninguém tasca! – afirmou, jogando seus cabelos e fitando as unhas.

— Eu sei... – falei, lhe sorrindo. – Mas me conta, quem é aquela outra que eu não conhecia?

— Ruffnut Thorston. Moça simpática, é uma slut, sabia?

Eu não entendi muito bem se Punzie estava xingando ou elogiando a tal moça.

Slut é um female club, mana. – ela riu.

— Como aquele que você se sentiu ofendida por acreditarem que você aceitaria fazer parte?

Oh God, please, no. – ela revirou os olhos. – As sluts são originais e excêntricas. Gosto delas. Astrid também é uma, entrou faz pouco tempo. – anuí em concordância, não entendendo nada, na verdade.

Punzie me contou que conheceu Ruffnut oficialmente por meio de Astrid – oficialmente porque a moça já a conhecia, mas Punzie não sabia.

Quando Rapunzel recebeu a carta de convocação do Dalilahs Club, fez questão de ir ao encontro das garotas do clube. Estava convidada, afinal. Mas a situação contava também com moças que ansiavam entrar para o clube – logo, uma sala cheia de integrantes oficiais, futuras integrantes convidadas e as que não haviam sido convidadas mas ansiavam entrar.

Entre essas, estava uma moça de box braids estilosíssimos e sorriso espontâneo, que, porém fora humilhada e zombada por apresentar padrões diferentes das componentes do Dalillahs Club, mas ainda assim estava ali ousando tentar uma vaga.

Rapunzel se lembra de ter partido em defesa da garota – aproveitando pra dizer meia dúzia de afrontas para as moças que agem feito donas do campus sem necessidade – e rejeitou o convite de entrada para o clube na frente de todos, o que gerou um espanto coletivo, que fora comentado durante semanas.

— Eu não me lembrava disso. – pontuou ela, pensativa.

— Não se lembrava de ter defendido a garota, doida? Você não nos contou isso também. Só nos falou que rejeitou o convite.

— Eu não me lembro de ter ficado lá e me apresentado como sua heroína, né. Fui-me embora. Estava enjoada com tanta estupidez e maldade juntas em um só lugar.

Aquilo não me surpreendeu, sinceramente. É bem a cara de Punzie agir em função de desconhecidos sem esperar ser reconhecida por isso.

Punzie não se apresentou à moça de box braids depois do feito, mas a Ruffnut fez questão de procurar saber dela.

— Você sabia que a Astrid era uma dalilah? – neguei com a cabeça, meio chocada. Astrid realmente não aparentava ser uma delas, a não ser pela aparência. – Ela largou o clube depois daquele dia. Admitiu que já não fazia muita questão de permanecer entre elas, pois se sentia deslocada. A humilhação à amiga foi a gota d’água.

Voltando ao assunto da loira de box braids, Astrid acreditava que Ruff merecia uns conselhos, especificamente os conselhos de Rapunzel.

Ao que parece, a moça se ridicularizava bastante diante de um determinado cara – em palavras simples, a garota se arrastava aos seus pés de forma bem vergonhosa.

Fiquei surpresa em saber que Punzie simpatizara com ela logo de cara, já que geralmente não consegue compreender quem se presta a situações semelhantes a essas. Mas considerando que, mesmo durante meu relacionamento com Phillip, ela se manteve minha amiga sem dar pitaco, achei compreensível até.

— Esse lamentável papel de otária não era feito de propósito, amiga. O cara dava esperanças, com certeza. – explicou ela. – Ela só é boba demais pra perceber que era mentira.

Foi aí que entendi tudo.

Apesar de parecer que não ocorria nada entre eles, na verdade, acontecia sim – as famigeradas transas casuais.

O problema era que, aparentemente, o rapaz tinha plena noção dos sentimentos da garota. Punzie não mencionou em momento algum, mas era impossível não presumir que ele se aproveitava disso – suspirei com o meu próprio histórico.

— Essa não é nem a parte mais triste. – ela continuou. – Sabe o Eret Son? Brown phoenix do Phoenix Club?

— Não.

— Enfim, ele é um gato, moreno, forte, tatuado, o mais maduro e responsável dentre eles...

— Depois de Hiccup.

— Sim, e advinha? Só tem olhos pra Ruff.

Dei um longo suspiro.

— Deixa eu adivinhar. Enquanto que Ruffnut só tem olhos para o que não presta?

Punzie anuiu com lamentar.

Mas que merda de situação, ein? No entanto, nada muito inédito. A vida é assim, você ama uma pessoa, que ama outra pessoa, que ama outra pessoa... e no final, somos todos infelizes.

— Mas como você sabe disso, Rapunzel?

— E o que é que eu não sei, amada? Ok, conversamos bastante desde que comecei a me envolver com Mike. Ele mesmo admitiu pra mim.

— Nossa... mas ele é assim, assume seus sentimentos pra quem quer ouvir? Quanta coragem... – falei, toda perplexa.

— Sim. Um homão desse, queria um.

— E eu. – Punzie começou a rir. – Bom... retiro o meu ciúme. Essa moça precisa de você como amiga urgentemente.

Punzie é a personificação da autoestima. Se valoriza, se respeita, se ama. E não permite que quem vive com ela seja menos que isso.

Ela sorriu para mim, agradecida. – Conversei muito com ela, dei uns conselhos. Espero tê-la feito enxergar que não merece isso.

— Aposto que ajudou.

— É fácil conversar com ela. – disse, observando o caminho que ambas fizeram a pouco. – Mas então, me conta. Quem te convidou para a festa? – falou ela, mudando de assunto.

— Hiccup, ué. Não foi ele quem te convidou não?

— Claro que não, nem vi Hiccup hoje. Quem me convidou foi o Jack.

Opa, peraí!

— Jack Frost?!

— Sim, ué. O próprio. Seu chefe. Delícia de homem. Com certeza, está de olho em tu. – deu um sorriso malicioso, que resolvi ignorar.

— Para onde ele foi?

— Pelo visto, é recíproco. Você também está de olho nele. – e deu uma risadinha.

— Rapunzel!

— Ok, ele passou por aqui pouco antes de você chegar. Pensei que ele havia lhe convidado também... Ele foi, hum... foi pra lá, por que? – respondeu, apontando para trás de si, com o polegar.

— Por nada... preciso fazer uma coisa naquela direção, vejo você mais tarde.

Punzie ficou sem nada entender.

— Elsa, será que você pode, por uns minutinhos só, largar a mão de ser doida?

— Vá para aula, não se atrase! – finalizei, já me virando e saindo em disparada.

POV Anna

Ah, que delícia que é acordar cedo. Dá vontade de abrir a janela, olhar o sol e se matar.

Ando tão preguiçosa, que não sei não. Nunca achei que fosse contagioso, mas acho que estou pegando a preguiça da Merida.

Pior que acordar cedo é chegar na faculdade e perceber que o professor da primeira aula faltou.

Ah, que ótimo!

E agora, cá estamos. Eu e Tooth, as únicas alunas presentes na sala. Que maravilha, viu?

Tô aqui, sentada, olhando para o quadro limpo. Quase dormindo. Morrendo de sono por ter dormido tarde ontem. Morrendo de fome por ter saído de casa às pressas. Que delícia. Que dia estupendo. Que dia excepcional.

Me viro para olhar Tooth dormindo na carteira, babando as pencas. Eu poderia até rir se não tivesse tão entediada, com sono, faminta, mal-humorada.

— Tooth. – cutuco seu braço.

— Fuja comigo, Steve (?). – ela murmura, ainda dormindo. Mano?????

— Toothiana! – exclamo, dando um tapa em seu braço.

— Ai que susto! Santo Deus... – ela berra, pondo uma mão no peito, ligeiramente atordoada. – Do quê você tá rindo, ô diaba anã? – diz, limpando a baba. – Eu poderia ter um colapso e morrer.

— Quem é Steve?

— Quem?

— Que você estava sonhando.

Ela ruborizou, mas admitiu. – Steve Harrington.

Minhas sobrancelhas se ergueram em espanto, mas o sorriso se recusava a sumir do meu rosto.

— Steve Harrington... topetinho? – ela confirmou depois de uns segundos. Acho que o campus inteiro ouviu o gargalhadão que eu dei. – Chega de Stranger Things pra você, Tooth.

— Af, vai cagar. – disse ela, gargalhando também. – Estava fazendo o que esse tempo todo, em vez de dormir? Olhando para o quadro?

— Sim, ué. O que se há de fazer?

— Aposto que estava pensando no Kris. – provocou, colocando um dedo sobre o queixo.

— Maldita. Eu já nem lembrava mais desse bosta amarelo. Por que me lembrou dele, ein? Já não basta eu ter de aguenta-lo todo dia e ele agora está no auge da prepotência depois do que quase aconteceu na ponte.

— Espera aí... – eu me retesei no mesmo instante em que percebi ter falado demais. – O que aconteceu na ponte?

— Nada.

Até o Seu José da quitanda da esquina convence melhor que isso.

— Não acredito que está me escondendo as coisas. Eu chorei nos teus braços! – dramatizou ela, como sempre.

— Menos, Tooth, estou dizendo! Não aconteceu nada! – dei uma pausa e acrescentei. – Por pouco.

— Então me conta!

— Não é nada importante! Na verdade, foi a escória! O prelúdio da desgraça! Que só me causou mais dor de cabeça e constrangimento toda vez que ele me olha com aquele sorriso cretino e confiante, EU NÃO SUPORTO ELE!

Ela me fitou, abismada, seus olhos arregalados. Suspirou antes indagar.

— Você o odeia?

A pergunta inesperada me atingiu feito uma avalanche. Foi aí que então finalmente parei pra pensar se realmente o odiava.

Acho que o sentimento que tenho por ele não é necessariamente ódio. No início, eu tive muita raiva dele... mas raiva dá e passa, e isso é bom.

— Eu... acho que não. – resolvi responder logo, um pouco mais calma, para não parecer que eu estava pensando demais no assunto. – Por que?

— Por que parece.

— Só parece. Ódio é um sentimento muito forte, não sinto por ninguém.

— Acho que ele também não odeia você.

— Isso aí eu já duvido... – falei, rindo sem humor. – Ele se esforça bastante pra me azucrinar.

— Acredite, Kris é um ótimo rapaz. – eu queria muito poder acreditar nela e me esforcei para isso. – Prestativo, sincero...

— Percebi sua sinceridade no dia em que ele insinuou que minha altura era semelhante à de um smurf. – revirei os olhos, mas acabei rindo junto de Tooth.

— A sinceridade dele as vezes magoa. – ela admitiu. – Mas você só o vê falando muito quando está entre amigos ou se sente confortável. E, pelo visto, ele se sente muito confortável com você.

Aquilo me fez fita-la repentinamente, digerindo o que me dizia. Tooth não estava falando merda, ela o conhecia há anos, afinal.

Mas eu não queria acreditar nela. Era mais fácil manter esse joguinho sem a ideia de que ele era uma boa pessoa ou que tinha o mínimo de apreço por mim – me isentava de sentir culpa, fora que era algo difícil de acreditar também.

— Eu sugiro que se deem uma chance. – continuou ela. – Tanto você quanto ele são muito orgulhosos.

— Isso significa que alguém terá de ceder e esse alguém não será eu.

Tooth suspirou, mas nada disse a respeito disso. Não mais.

— Vou no banheiro, me aguarde aqui. – e se levantou, indo em direção a porta da sala, me deixando aqui pensativa com a maior cara de cu.

Agora sozinha, voltei a fitar o quadro limpo ainda pensando na situação de agora pouco. Tooth tem essa mania feia de deixar os assuntos pela metade, me fazendo escrava da curiosidade... Tirana. Perversa igual a Rapunzel.

Apoio meu rosto em uma das mãos, pensando no meu salário que tá pra cair hoje à tarde. Com a parte do aluguel e despesas mensais já separadas, imagina quantos livros, mangás, jogos, DVDs e CDs irei comprar tudo de uma vez...

Que sonho.

Alguém abre a porta e eu já ia comentar o quanto sua ida ao banheiro fora rápida, porém não era Tooth.

— Oh... Olá, Anna. Bom dia.

— Bom dia, coordenador Hans.

— Por favor, me chame só de Hans.

— Ok, Hans... – falei, sorrindo bestamente (?).

— Já me disseram o quão prodígio da astronomia você é, porém não achei que fosse tão esforçada a ponto de chegar antes de todos os seus colegas.

— Ah, não, é... – dei uma risadinha sem graça. – Olha, não vou mentir, não recebi o aviso do professor dizendo que estaria ausente e aqui estou. – foi a vez dele rir.

— Entendo. Acredito que não era sobre a próxima aula em que estava pensando enquanto sorria sem motivo para o quadro limpo.

— Não... – coloquei a mão no rosto, de tanta vergonha. – Estava tão evidente assim? – questiono, super vermelha. Ele riu, anuindo com a cabeça. Puta merda, pagando mico essa hora da manhã, Anna?— Eu estava pensando num jogo que pretendo comprar hoje quando receber.

— Interessante. Qual pretende comprar?

Devil May Cry 5.

— Posso te contar um segredo? – anuí, curiosa. – Eu tenho esse jogo.

Dei um arquejo tão alto que Oxford inteira ouviu.

— Não brinca! – exclamei surpresa. – Foi lançado hoje!

Ele deu de ombros.

— Eu tenho uns contatos bem úteis na Capcom.

De repente, entrei num estado de euforia.

— Me conta, pelo amor de Dante, como estão os gráficos?

— Impecáveis, eu diria. – ele respondeu prontamente. – E eu me considero bem difícil de se impressionar com essas coisas, acredite.

Eu quase gemi em admiração.

— Foi o que mais elogiaram nas críticas junto da jogabilidade. – dei um suspirozinho de ansiedade. – E os skins? Eu tô tão ansiosa pra jogar de V. A Capcom está fazendo o maior mistério sobre o estilo de luta desse cara, mas já deixou claro que é bem diferente do Dante e o Nero, mas, por favor, por favor... – minha voz ia ficando mais aguda, tamanha a agitação que eu estava sentindo, quase me levantando da cadeira. – Você precisa me contar se reincluíram o king cerberus mesmo ou era boato?

Ele riu divertido e fez um mistério, antes de anuir em confirmação. Eu quase dei um grito. Eu precisava desse jogo pra ontem.

Quando notei que ele observava minhas reações com um sorriso no rosto, pigarreei, retomando minha dignidade e compostura.

— Desculpe, eu me empolguei. – disse, enquanto me recostava na cadeira novamente, tentando me acalmar.

— Completamente compreensível. – ele deu uma risadinha. – Se você me visse no dia que peguei o jogo, teria presenciado o verdadeiro significado de empolgação. – eu não consegui evitar o sorriso admirado. – Não conta pra ninguém, mas eu quase reprovei numa prova por ter passado o dia anterior jogando.

— Mentira?!

— Verdade. – ele riu. – Mas eu precisei priorizar. Meus estudos estão sempre em primeiro nas minhas obrigações, mas eu decidi dar uma brecha para algo que realmente gosto.

Dizer que estou surpresa, é pouco. Eu tô é morta com esse coordenador Hans! Devo estar boquiaberta, claro. Afinal de contas, não é todo dia que nos deparamos com um moço extremamente bonito, evidentemente inteligente e responsável, bem-sucedido em seus estudos e que ainda por cima curte games.

Depois de alguns segundos, notei que ainda o fitava, provavelmente com a maior cara de monga de tão maravilhada que eu estava, enquanto ele esperava que eu falasse alguma coisa.

— Ah... sim, claro! Com certeza! Nossa, nem sei como... você está coberto de razão, senhor coordenador. Sábias palavras, devo dizer. Não é à toa que é coordenador, né? – dizia, rindo nervosa e tropeçando nas próprias palavras, o que resultou num olhar estranho dele para minha pessoa. – O senhor é o máximo, viu?

Aquilo foi a cereja do bolo.

Ri desgraçadamente, pondo a mão levemente sobre a testa com a intenção de me esconder, tendo aquele desejo de ser um avestruz novamente.

Meu Deus, Anna. Por que?

— Você é engraçada. – ele disse, dando uma risadinha e deixando as pastas e uma pequena caixa de canetas piloto em cima da mesa do professor. – Mas por favor, me chame apenas de Hans.

— Ok. – sorri, constrangida.

— E se quiser emprestado o jogo antes de comprar, é só me pedir.

— Uau... – dei um suspiro, admirada, com um sorriso imenso no rosto. – Obrigada, senhor Hans.

— Só Hans. – advertiu ele.

— Hans... – repeti, ainda sorrindo bobamente. – Obrigada, Hans.

Ele me direcionou uma piscadela e deu um sorriso fofo, antes de sair da sala, deixando-me sozinha.

Depois disso, pude notar que eu ainda sorria feito uma boboca.

O coordenador Hans é tão legal. Suspirei, ainda processando o quanto aquele homem não aparentava possuir tais gostos. E gostos em comum.

Nunca gostei ou admirei alguém assim de cara, mas esse aí merece meu respeito.

— Ora, ora. – ouvi uma voz familiar comentar e suspirei na mesma hora. – Olá, senhorita Arendelle.

Antes de desviar meu olhar para o sujeito que acabara de adentrar na sala, me pus em completo estado de meditação por cinco segundos – hábito que me forcei a adquirir para amenizar minha intensa vontade de assassiná-lo.

Kristoff – ainda com os cabelos úmidos – carregava sua jaqueta, sua mochila e ostentava um sorriso prepotente no rosto.

— Espero que já tenha conseguido recuperar... – ele deu uma pausa e sorriu sacana. – O fôlego. – caminhou a passos lento até a cadeira atrás de mim e se sentou. – Mas admito que gosto do jeito como estava, tão receptiva. – murmurou e deu uma risadinha provocante.

Ele nunca, nunca mais, vai esquecer o que aconteceu e me deixar em paz.

Dou um longo suspiro resignado. Agora aguenta, Anna! Hora de arcar com as consequências, dá próxima vez não se deixe levar por essa voz rouca aveludada e desconcertante que faz as pernas tremerem mais que vara de bambu verde (?).

Viro-me para fitar lhe o rosto, dando um sorrisinho à contragosto.

— Quantas árvores foram cortadas pra gerar essa sua cara de pau?

— Calma, não precisa perder a paciência. – disse, com um sorriso tranquilo.

— Não tem como eu perder algo que eu nunca tive. E depois, o que faz aqui tão cedo? O professor faltou, a aula só começa daqui a uma hora.

— O quê?! – ele parecia realmente surpreso, mas logo isso mudou para frustração. – Caralho, não acredito que acordei às pressas atoa. – murmurou, colocando a mão sobre a testa. Não pude evitar gargalhar. – Você também chegou cedo, não tá em condições de rir da minha cara. – expôs ele, com o cenho franzido.

— Mas eu não vim às pressas a ponto de não conseguir secar meu cabelo... – alfinetei sorrindo em deleite, indicando seus fios dourados e úmidos caídos à frente de seus olhos âmbar.

Descendo o olhar até os róseos lábios finos e semicerrados em insatisfação, a lembrança daquela noite me assolou de maneira ardente. Meu sorriso sumiu lenta e involuntariamente.

Senti ser invadida pelas mesmas sensações que tive naquela noite, de forma impetuosa e intensa.

Engoli em seco, percebendo o suor frio pontilhar minhas mãos. E pensar que essa boca estava colada à minha e eu não tive forças para empurra-lo...

Não tive ou não quis? Bobagem! Eu não tive mesmo, é claro que foi isso... né?

Observei que ele notara o meu súbito desconforto ao arquear de sua sobrancelha.

E então, provavelmente pelo fato de eu estar o encarando com cara de bunda, vi o canto de seus lábios voltar-se para cima, num fatídico sorriso malicioso.

Sorriso este que me deixou com muita, muita raiva mesmo, devo acrescentar.

— Tá me olhando assim por que, seu bosta?! – exclamei, fuzi da vida.

— Ei... – disse ele, erguendo as mãos em sinal de paz. – É você quem está me encarando.

— O quê?! Eu não...

— Você sim, senhorita Arendelle... – apoiou os antebraços na mesa e entrelaçou os dedos enquanto aproximava seu rosto do meu. – No que estava pensando? – murmurou, fitando meus olhos com intensidade.

Engoli em seco ao vir sua voz, naquele mesmo tom, dispondo daquela mesma maldade.

— Não interessa pra você, palhaço. – falei, me virando rapidamente para evitar encarar-lhe os olhos.

Temendo que ele pudesse descobrir, através destes, no que realmente eu estava pensando.

Mais uma vez, suspirei pesadamente – principalmente depois de ouvir sua risadinha rouca às minhas costas.

Ficar sozinha com ele não me parece uma boa ideia. Se ele já fez o que fez num local aberto, quem dirá numa sala de aula fechada e bem oportuna, oh céus. Sinto que ele pode tentar qualquer coisa a qualquer momento e o pior... posso não conseguir recuar novamente.

Porra, cadê a Tooth? Aposto que tá cagando! Se eu descobrir que ela tem alguma coisa a ver com esse desnecessário momento a sós com Kristoff, ela vai ver só. Aquela mini hipster esverdeada...

Batia com a sola de meu tênis freneticamente no pé da cadeira, concentrando-me no som para me distrair. Eu sentia seu olhar queimando minhas costas e era impossível não imaginar seu sorriso safado em conjunto. Imbecil.

— Está nervosa, Arendelle?

— Quem tá nervosa aqui? – indaguei, nervosa (?).

Ele riu. – Você, eu diria.

— E por que eu estaria nervosa?

— Com a minha presença, talvez... – falou ele, se levantando e caminhando até a minha frente.

— Que sua presença não me agrada, isso já não é segredo pra ninguém. – expus, desviando-me do assunto.

Ele apoiou as duas mãos sobre minha mesa, ficando cara a cara comigo.

— Não foi o que eu disse.

— Oh, não?

— Não.

— Pelo menos agora você sabe o que sinto a respeito de sua presença. Espero que esteja satisfeito com a descoberta. – apoiei meus cotovelos na mesa, entrelaçando meus dedos à frente da boca no estilo Sasuke Uchiha (?), tentando exibir uma falsa tranquilidade.

Kristoff franziu o cenho.

— Blefar não é o seu forte.

— Não estou blefando. – menti na cara de pau. – Dá pra parar de me encher?

— Dá pra parar de mentir?

E deu um sorriso de lado, estreitando os olhos ao encarar o que supus ser aquele rubor imbecil nas minhas bochechas.

Eu as sentia queimar.

Inferno!

— Eu não estou...

— Certo. – ele me interrompeu. – Continuemos com esse jogo de mentiras, então, minha vez.

Puxou a cadeira da mesa à frente da minha, passando uma perna para o outro lado e apoiando os braços cruzados sobre o encosto. Isso tudo sem desviar os olhos dos meus.

— Sabe esse seu lado inocente que você tanto tenta encobrir com seu jeito arrogante? – eu não respondi, principalmente depois que um sorriso perverso ameaçara despontar em seus lábios. – Certamente não me fascina. Sabe a forma como você fica quando te provoco? – mais uma vez não respondi, incapaz de encontrar minha voz quando ele me fitava de forma tão intensa. – Eu não acho nem um pouco excitante. – sua voz estava baixa e seu olhar crispado. – E o esforço que você faz ao tentar resistir a isso? – ele fitou minha boca e seu sorriso sumiu, dando lugar a um desejo nítido. – Não me faz te querer ainda mais.

Engoli em seco.

Sem saber por quanto tempo fiquei daquele jeito, absolutamente sem reação alguma.

Isso antes de erguer meu queixo, encarando-o com o olhar frio – ainda que sentisse meu rosto quente.

— Esse seu jogo tá se tornando repetitivo demais, Kristoff. – seu cenho franziu minimamente. – E, talvez por eu ter plena noção dos seus objetivos, acaba não me afetando em absolutamente nada.

— Oh, jura, senhorita Arendelle? – ele indagou, mantive meu olhar impassível. – Então por que está corando?

Eu não tive uma resposta.

Fato que o fez sorrir em satisfação. Miserável!

— Não tente negar, Anna. – odeio quando ele fala enquanto sorri. – É em vão.

Ele tinha razão, eu não sei fingir. Que bosta, mano, eu sou tão transparente assim?

Exasperada, me levantei num súbito – caminhando até à frente da sala sem motivo aparente, antes que ele decidisse liberar mais provocações do seu estoque.

— Você fala como se me conhecesse muito bem, o que não é verdade. – falei de costas né, tentando disfarçar, porque porra! Tô mais corada que o cu de uma prostituta! (???????????)

Ele deixou escapar um “hum” desconfiado, antes de proferir.

— Pode ser um choque pra você, mini-Anna... – debochou. – Mas você não é tão difícil de ser decifrada, acredite.

Cruzei os braços. – Ainda estamos jogando o jogo da mentira?

— Não, estou sendo bem franco. – eu quase podia imagina-lo dando de ombros. – Te ler é fácil até demais. Você é muito previsível.

Mas que filho da...

— E você, seu merdinha... – grunhi entredentes, me virando descontroladamente enfurecida, avançando a passos rudes na direção dele, que já estava de pé.

Quando percebera minha aproximação, eu notei, sim, que ele recuara um passo, assustado.

Eu estava a ponto de explodir e dizer tudo, tudo o que eu pensava sobre ele!

O quão sua prepotência é desgastante, para todos! Não só para mim! Sua falta de noção e senso é vergonhosa e suas investidas incrivelmente desnecessárias! E ele é um tolo se pensa que eu ainda não notei o porquê desse joguinho durar até hoje. Não é pelo chute, não é pelas ofensas! É por eu ser a única que ousou peitá-lo e não se sentiu nem um pouco intimidada por sua feição sempre fechada e seu humor instável. E o quão ridículo ele fica fazendo esse papel de galanteador barato!

Ridiculamente irresistível.

PERAÍ, O QUÊ?!

— Você... você... – gaguejei, de repente desestabilizada por esse último lampejo, buscando as palavras corretas até que... – Fede a bosta de passarinho! – exclamei, cutucando-o no peito.

Que porra eu falei agora?!

Kristoff parecia imensamente confuso – piscando seguidas vezes e levando longos segundos apenas para indagar um:

— Quê?

Gemi em frustração e me virei novamente caminhando para longe dele.

Cadê aquele monstro de Bird Box pra me induzir ao suicídio agora?

— Anna...

— Quê quié, encosto?!

— Seus argumentos já foram melhores.

— Eu sei. – respondi, suspirando, tão frustrada que chegava a dar pena.

Pude ouvir, no entanto, ele dando uma risadinha. É claro que estava se divertindo as minhas custas. Ergui meu olhar para fitar seu rosto.

— Escuta aqui, seu... – lhe apontei o dedo e ele ergueu as mãos, sorrindo com deboche. – Eu só não digo o que tenho a dizer pois estou tentando mudar pela minha amiga!

Embora esse não fosse o real motivo do que acabou de acontecer aqui... serviu como uma boa desculpa.

— Então está se privando de dizer o que quer... Para agradar a Elsa? – ele indagou, com uma sobrancelha arqueada e rindo num claro tom de zombaria.

Basta. Não vou assisti-lo me ridicularizar dessa forma, sem fazer nada. Em toda a minha vida eu nunca me prestei a isso e não vai ser agora que vou mudar.

— Engraçado, não? – indaguei, dando uma risadinha forçada. – Mas você certamente não estaria rindo se eu decidisse dizer o que quero.

Seu sorriso foi aos poucos morrendo, mas ainda havia certo sinal de deboche em sua feição.

— Eu não tenho medo do que você tem a me dizer, Anna.

— Ah, que ótimo, pois acabei de mudar de ideia. – ele crispou os olhos de repente. – Sendo bem direta, suas atitudes são repulsivas. Então, em poucas palavras, você me provoca um nojo imensurável. – sentenciei de forma bem lenta a última parte. – Bochechas enrubescidas não significam nada quando tudo o que eu sinto ao te ver é uma forte ânsia, então é... – dei de ombros. – Você me enoja.

O sorriso debochado sumiu totalmente de sua feição no mesmo instante em que proferi essas frases. Ele então abaixou ambas as mãos, uma vez que tais palavras haviam lhe causado um impacto terrível. Não entendo o porquê de tamanho abalo.

Eu assistia a tudo com uma satisfação cruel, isenta de culpa por ter plena ciência de que tudo o que ele me diz é falso.

Aos poucos, vi seu rosto ficar vermelho, seu cenho franzido e seus lábios semicerrados, parecia tentar conter a raiva a todo custo, mas em vão.

No segundo seguinte, ele explodiu.

— Garota... – dizia exasperado, entredentes, se segurando pra não voar em mim. – Você não faz a mais remota ideia do quanto... Eu. Te. Odeio.

— Nossa...

— Nossa o caralho! Você e essa sua mania feia de dizer o que quer, na hora que quer, não mede esforços em falar demais! – enfurecido, ele fazia gestos com as mãos. – Eu não dou a mínima para o que você pensa de mim, não me interessa e simplesmente não me afeta em porra nenhuma!

— Estou vendo. – ri baixinho.

— Você... – apontou pra mim, ofegante. – Me dá nos nervos!

— “Você me dá nos nervos”. – o imitei de forma bem caricata, pois o melhor argumento em uma discussão é repetir o que a pessoa falou com voz de retardado.

— Caralho, quantos anos você tem?!

— Ah, faz favor, só tô zuando com a tua cara.

Ele estava muito ofegante, com os lábios e olhos semicerrados, visivelmente tão zangado como nunca antes presenciei.

Sim. Com toda certeza, é a primeira vez que o vejo tão bravo.

— Puta que pariu, você é tão... tão... – grunhia, apertando os punhos.

— Awn, você fica tão fofo quando está vermelho de raiva. – falei exibindo a maior tranquilidade, mesmo que não estivesse tranquila de fato.

E foi preciso apenas essa frase para deixa-lo todo desconcertado e constrangido.

Sua feição surpresa era impagável e tenho quase certeza de que, se não fosse essa súbita mudança de assunto, ele ainda estaria berrando e apontando meus defeitos até agora.

Desestabilizado por longos segundos, ele deu um muxoxo, tornando sua feição impassível novamente.

— Nunca me chame de fofo. – murmurou baixinho e irritadiço. Ri descontroladamente. – Olha o que você faz! – exclamou, passando as mãos nos cabelos, todo sem jeito. Literalmente, um fofo.

Mas ao ver que eu continuava rindo, veio a passos largos na minha direção, avançando com um ar ameaçador. Me firmei no mesmo lugar, reprimindo o instinto de recuar na mesma hora.

— Eu realmente te odeio. – murmurou, próximo ao meu rosto.

— É mesmo?

— Sim!

— Se você soubesse a que ponto eu não estou nem aí... – falei, fitando as unhas e me afastando, achando a proximidade perigosa demais.

Ele estreitou os olhos. – Você é tão ignorante.

— E você é um pretensioso que julga os sentimentos das pessoas feito merda a ponto de se sentir no direito de se divertir a custa disso, oh, mas espere aí, é inadmissível que façam o mesmo com você! – expus, puta da vida.

— Você está se ouvindo?!

— Sim e sei exatamente o que estou dizendo!

— Você é maluca, porra! – berrou, fazendo gestos com as mãos.

— E você, um miserável! – exclamei, furiosa, dando um passo em sua direção.

— Arrogante! – gritou ele, chegando mais perto.

— Estúpido! – retruquei, fazendo o mesmo.

— Insolente!

— Grosso!

— Ah, por favor, se beijem logo. – alguém se pronunciou num tom divertido.

Imediatamente, eu e Kristoff encaramos a direção em que veio a voz.

— Quê isso aí? Parou só porque eu cheguei? – Tooth indagou, exibindo a maior tranquilidade.

Estava sentada confortavelmente sobre a primeira cadeira da primeira fileira, com os braços cruzados e exibindo um sorriso malicioso.

E adivinhe quem estava em pé ao lado dela, também assistindo essa desordem, com a feição super perplexa e, ao mesmo tempo, tentando conter o riso?

Sim, Merida.

— A quanto tempo cê tá ouvindo a gente, ô demônia verde? – questionei-a, exasperada e muito provavelmente vermelha de raiva... e vergonha.

— Ah, que isso... só a... – ela fitou o celular em cima da mesa. – Tempo suficiente. – completou com um sorriso. – Estava tão interessante, por que pararam? – deu uma risadinha sapeca.

Kristoff bufou e passou as mãos nos cabelos.

— Sua vaca verde sem noção, por que não me tirou de perto desse energúmeno?! – exlcamei, furiosa.

Kristoff se virou para mim no mesmo instante, com o cenho franzido, mas logo desviou o olhar para Tooth.

— É, Toothiana, porque não aproveita e leva sua amiga maluca para o manicômio? Ela merece estar lá. Mas não um manicômio qualquer... – se virou e me fitou novamente. – Um manicômio para anões! – exclamou, na minha cara.

ARGH! QUE DESGRAÇADO! Eu vou arrancar as bolas do Kristoff e fazer um colar com elas!

— Mas por que, gente? – Meri falou alguma coisa, finalmente. A fitamos, com a feição confusa e ela sorriu. – Vocês ficam tão lindos juntos. – proferiu, com os olhos brilhando.

— QUÊ?! – indagamos em uníssono.

— Você só pode estar de brincadeira. – murmurou Kristoff, profundamente sério. Ui.

— Fumou uma erva hoje de manhã? Erva matinal, Merida?! – indaguei, com uma mão no peito, assustada com essa ideia de “tão lindos juntos”.

Ela só pode estar drogada.

— Meri, você nunca passa frio, pois está sempre coberta de razão (?). – falou Tooth, toda alegre. Ai, ninguém merece. – Kristanna! Olha que coisa mais linda, não? Já tô shippando! – dizia batendo palminhas junto com Merida e nos ignorando claramente.

Kristoff e eu nos fitamos, com os olhos do tamanho de dois pratos (?).

“Kristanna? NÃO! NUNCA!” afirmei, desesperadamente para mim mesma.

Mas no fundo, sempre tem aquela maldita voz irritante proferindo a frase que vai ecoando na sua mente: nunca diga nunca.

É um caralho mesmo, viu?

*

Notas finais
Achei muito engraçado Rapunzel e Elsa fofocando HEHUEHEUHE' sou idiota, eu sei. Se eu contar o que lhes esperam no capítulo 12... Será um baque imenso pra vocês! MUAHAHAHAHA' ~risada maquiavélica~ mentira, gente, é nada demais. Eu que sou exagerada mesmo... OU NÃO, HÁ! Tá, parei. O tumblr da fic tá ficando bonitinho! *-* Assim que estiver pronto, postarei pra quem quiser ver... E então, o que acharam desse capítulo curtinho? Me digam suas opiniões. Não demorarei para postar o próximo. Vejo vocês em breve, ok? Beijos e até! ♥