Rising Tide

12 Garotinha


Notas iniciais
MIL PERDÕES! NÃO ME JOGUEM NA FOGUEIRA! Falei que ia fazer o possível pra postar até ontem, eu sou horrível com promessas, um cocô mesmo. Mas to aqui, cheguei, tô viva - sinto que por pouco tempo, né -éoq Mas gente, desculpem mesmo... Estou cheia de sono, mas to aq lutando com ele, só vou dormir depoooois que disponibilizar essa lindeza a vocês, tem bastante surpresa aqui, viu.... HEHEHEHEHEHEHE' tá parei. Esse capítulo tá do caralho, eu gostei bastante. Vou deixar que leiam, nos vemos nas notas finais, ok? Boa leitura! ^^

GAROTINHA

POV Elsa

Enquanto eu percorria pelos corredores, pensei que Punzie poderia ter se enganado sobre a direção que ele seguira, pois não havia absolutamente ninguém à vista.

O prédio em si já estava vazio, pois o horário de aulas havia batido há exatos cinco minutos. Eu deveria estar na minha sala, mas feito uma idiota, mantinha-me empenhada em encontra-lo.

Já me aproximava dos confins do prédio de Artes, uma área mais escura e desocupada por conter apenas as entradas para os vários auditórios.

Aquilo era uma perda de tempo. É melhor que eu volte logo para a minha sala, se não terei que fazer outra visita ao coordenador Hans.

O que não seria má ideia... Neguei com a cabeça, dando uma risadinha.

Dei meia volta, desistindo de continuar procurando por Jack, até que ouço um grito feminino abafado vindo da direção dos auditórios vazios.

Meu ventre se contraiu em pavor.

Fiquei petrificada por meio segundo enquanto as lembranças do que sofri recentemente me atingiam e eu engoli em seco, respirando fundo.

O grito se repetiu e eu pude identificar de qual auditório vinha. Corri em direção a porta, que estava encostada. Pensei duas vezes antes de entrar, calculando o que eu faria assim que abrisse. Havia uma brecha generosa que dava visão para dentro do auditório, resolvi espiar por ela, sentindo meu coração latejar.

O interior estava escuro. Duas silhuetas fora tudo o que consegui discernir – uma delas exibia uma forma franzina, baixa e de longos cabelos lisos e soltos, acompanhada de outra silhueta de forma mais alta, ombros largos e braços fortes.

Era uma mulher e um homem.

O homem agarrou-a pelo braço e ela gritou novamente, só que dessa vez essa reação viera acompanhada de uma risadinha melódica, enquanto ele a puxava bruscamente contra si.

Era apenas um casal se divertindo. Minha nossa, Elsa, você precisa relaxar.

Eu ia começar a rir da minha própria paranoia quando, no entanto, eles acabaram entrando sob o fraco foco de luz que me permitiu enxergar com clareza de quem se tratava, principalmente um deles, cujo a cor dos fios de cabelo era inconfundível.

Ele sorria provocante enquanto a puxava, no tempo que a garota empurrava-o, fazendo charme. Dado momento, ele segurou-a pela fivela de seu cinto, inclinando-se para morder lhe o lábio inferior.

A garota o agarrou pela nuca, foi quando desequilibrei-me minimamente para frente, mas me firmei antes que pudesse cair.

No entanto, não a tempo de evitar esbarrar na velha porta do auditório, que rangeu à medida que se escancarava ainda mais. Que desastre!

Nem tive tempo de virar as costas e fingir que não fui eu – os dois encararam na minha direção na mesma hora.

— Elsa? – ele arqueou uma sobrancelha e sorriu antes de falar. – Tá fazendo o que aqui, garotinha?

Garotinha?!

Eu não respondi. Apenas me afastei da porta, fingindo que ele nem havia falado comigo.

— Ei, espera! – rapidamente, senti uma presença aproximar-se as minhas costas à passos apressados. – Elsa, espera. – ele parou a minha frente, obstruindo a minha passagem. – Eu estava procurando por você.

— Estou vendo. – olhei bem sério na cara dele, desviando o olhar em seguida para a garota que nos alcançara.

Quando tornei a fita-lo, sua feição exibira uma súbita compreensão, seguida de um sorrisinho de lado bem sacana. A garota revezava o olhar sobre nós dois, confusa.

Desviei-me deles e tornei a seguir meu caminho. Ele, por sua vez, veio me acompanhando.

— Estou falando sério. Eu estava preocupado.

— Percebi bem sua preocupação.

— Você não precisa ser tão ciumenta, garotinha.

— Não me chame assim.

— Então chega de birra.

Parei de andar subitamente para encara-lo, irritada.

— Escuta aqui, você não tem mais o que fazer não? – meu olhar era bem característico de uma indireta sendo lançada, mas fiz questão de dirigir uma olhadela bem direta à garota que nos acompanhava ainda exibindo uma feição confusa, mas que no fundo já havia entendido o que quer fosse e de maneira errônea.

Ele sorriu maldoso, antes de revezar o olhar entre a moça bonita e eu.

— Ah, não se preocupe com a Lindsay. Eu só estava a convidando para a festa desse fim de semana.

— Se essa é a forma como você faz o convite, fico imensamente aliviada de ter sido convidada pelo Hiccup, então.

Ele colocou uma mão sobre o tórax largo, com um ar indignado.

— Agora você me magoou.

Suspirei em desagrado, dando de ombros.

Bom... eu estava surpresa com as minhas próprias reações. Não havia motivos para eu agir dessa maneira. Ele ter me socorrido, me ajudado e... me protegido, não mudava absolutamente nada. Eu sempre tive plena noção da reputação desse rapaz. E de qualquer forma, não é da minha conta.

Elsa, foco. Está esquecendo do porquê veio aqui?

Esse pequeno deslize de compostura me fez ater-me a situação que eu estava tentando evitar – e por conta do meu comportamento desnecessário, os riscos de ocorrer haviam aumentado significativamente.

Eu estava fazendo exatamente o contrário. Tudo errado!

Sua tonta, ele é seu patrão!

Quando já ia me preparando para pedir sua atenção por alguns segundos, ele me interrompeu antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, se dirigindo à moça.

— Podemos continuar de onde paramos depois, boneca? Tenho assuntos do serviço pra resolver agora. – ele me indicou com a cabeça.

Aquilo não me ofendeu – eu não via a hora de acabar logo com isso e sumir da sua frente.

E então, a Lindsay deu um imenso sorriso aliviado, quase eufórica por ter as próprias intuições refutadas, afinal, a ameaça se mostrara como sendo apenas uma “questão do trabalho” – observando isso, não consegui evitar o pensamento de que as pessoas realmente gostam de se enganar. Ele poderia simplesmente estar mentindo, mas ela preferia acreditar cegamente em sua palavra.

Reprimi a vontade de negar com a cabeça.

Antes de sair, ela me olhou por breves segundos até enfim virar as costas. Eu continuei fitando o andar de Lindsay até ela sumir ao virar no fim do corredor, me perguntando o que levava a se prestar a um papel tão pequeno.

Não finja que não sabe.

Sacudi a cabeça, afastando esse pensamento.

Quando tornei a fita-lo, o peguei já me encarando.

— Resolvido.

— Como é?

— A presença dela era o que estava te incomodando, então... – ele gesticulou com as mãos. – Resolvido.

Profissionalismo, formalidade e respostas sucintas, Elsa.

— A presença dela não era incômodo algum, Sr. Frost. – mantive a voz impassível, ainda que fosse imensamente estranho chama-lo daquela forma.

Mas desde que nada tirava da minha cabeça que ele estava decidido em me demitir por conta... daquele angustiante episódio, eu achei melhor agir de forma pertinente.

Fora que quanto menos intimidade eu tivesse para com ele, mais profissionalismo ele enxergaria de minha parte – eu estava contando com isso.

Ser intima do meu patrão não estava entre meus planos.

Ele ainda parecia impressionado com algo que, no segundo seguinte, descobri o que era.

— “Sr. Frost”? – abriu um imenso sorriso admirado. – Não vou dizer que não gostei, pois estaria mentindo.

— Você é meu chefe. Devo trata-lo de maneira adequada.

— Apesar de estar adorando vê-la me chamando assim, Elsa... – havia uma satisfação lúbrica em sua voz rouca. – Não vejo necessidade nisso. Nem os funcionários das outras filiais me tratam dessa forma. – ele riu divertido. – Além do mais, sou seu chefe somente na boate. Fora dela, sou apenas seu colega... – seu sorriso se encheu de malícia a medida que ele se aproximava um passo. – Por enquanto.

— O senhor disse que estava me procurando. – mudei de assunto no mesmo instante.

Nada naquela conversa remetia ao meu emprego, então não me interessava.

— Deixe as formalidades para o meu pai. Por favor, me chame apenas de Jack.

— Ok, Jack. – respondi imediatamente. – Bom, aqui estou.

Ele massageou a própria nuca com a mão esquerda, bagunçando os cabelos alvos e abrindo um sorriso de canto antes de tornar a me olhar. Se eu o conhecesse bem, diria que estava disfarçando.

— Queria saber como você está. Faz dias que não te vejo.

— Muito amável da sua parte, teria tido notícias minhas antes se não estivesse fugindo de mim.

Fui tão direta que cheguei a me surpreender.

Ele abriu um sorriso provocador. – Eu não estava fugindo de você, mas gosto de ver que sentiu minha falta.

Maldito. Desvio o olhar, fingindo indiferença.

— Tive a ligeira impressão, apenas. – dei de ombros. – De qualquer forma, te devo desculpas.

— Pelo quê?

— Que eu me lembre, vários motivos... – mordi o lábio, ainda sem coragem para seguir com os assuntos que pretendia. – Mas por agora, vamos começar com o fato de eu tê-lo atrapalhado durante o seu convite à Lindsay. – quase esmurrei minha própria face ao perceber meu tom ácido. De novo isso, Elsa?!

Seus olhos crisparam ao me encarar com mais afinco. De repente, senti-me nua sob a intensidade de seu olhar meticuloso, que em conjunto com o sorriso, sugeria que tinha ciência de cada insegurança presente na minha alma.

— Você parece incomodada, garotinha.

— Não me chame assim.

— Gostaria de saber o porquê, se não for incômodo.

— Sugere fragilidade e eu odeio isso.

Ele franziu o cenho, confuso, mas logo pareceu compreender.

— Eu estava me referindo ao que te deixa incomodada, mas obrigado por esclarecer isso também.

Minhas bochechas ameaçavam enrubescer, mas pensei em outra coisa imediatamente, tentando a todo custo evitar essa reação traíra e involuntária de meu corpo.

Jack continuava me encarando em expectativa, as sobrancelhas erguidas numa feição calma, pacientemente esperando pela minha resposta.

Inventei qualquer coisa.

— Me incomoda saber que você trai sua namorada. – comecei, sendo bem franca até. Dado momento, realmente cheguei a acreditar que ele namorava a moça que aparecera atrás dele na boate. – Não que eu devesse me importar, mas acho que o julguei em cima da boa ação que fizera por mim e no fim das contas acabei... me desapontando.

Ele tinha o olhar genuinamente confuso.

— Espera aí. Namorada?

Evidentemente havia parado de ouvir depois dessa palavra.

— A moça morena na boate.

Ele deu um sorriso de canto parecendo lembrar da dita cuja e negou com a cabeça.

— Elsa, eu não tenho namorada.

— Ah. – tá aí uma coisa que não me surpreendeu. – Tem certeza? – sim, fiz essa pergunta bem engraçada, que até o levara a rir.

— Eu acho que me lembraria caso tivesse.

Arqueei uma sobrancelha, meio descrente. Tentei conter o comentário seguinte, mas foi impossível.

— Eu tenho sérias duvidas. – ele crispou os olhos ao ouvir, mas sorriu, parecendo gostar da minha audácia.

— Então, se era isso que te incomodava... – continuou ele. – Resolvido. Mais uma vez. – sorriu satisfeito. – Eu não sou de ninguém, garotinha. – fuzilei-o com o olhar, tendo como resposta um sorriso de canto e uma erguida de mãos em rendição. – Elsa. – corrigiu-se logo em seguida.

— Melhor assim.

— Mas você não me respondeu. – percebi que ele se aproximara mais dois passos. – Como você está?

Decidi fingir que não me incomodei com sua sorrateira aproximação, mas me certifiquei de recuar os dois passos que ele avançara.

— Como pode ver, estou ótima, sobrevivendo entre expedientes e aulas num cotidiano bem básico.

Fui sucinta ao dizer e ele sorriu de lado ao fitar minha boca.

— Se quiser apimentar seu cotidiano, Elsa, você sabe onde me encontrar. – sua voz era mais baixa e sugestiva a cada palavra. – Eu ficaria imensamente satisfeito em lhe fazer esse favor.

Infelizmente, xingar meu chefe me levaria diretamente a situação que eu estava tentando evitar. Então, decidi fazer a sonsa portadora de respostas convenientes e certeiras.

— Consigo dosar o sabor da minha vida sem seus favores, Sr. Frost. Mas agradeço a oferta.

Incrivelmente, ele sorriu ainda mais.

— Uma pena. Eu ficaria muito feliz.

— Não duvido disso.

— Mas você não sabe o que está perdendo.

— Ou, talvez, quem esteja perdendo é você.

Ele ponderou. – Não duvido disso. – repetiu minhas palavras com satisfação.

Nos segundos que se seguiram, me vi sendo alvo de seu olhar intenso. Em nenhum momento, cogitei desviar meus olhos dos seus – ele pareceu gostar disso.

— Eu tenho um assunto delicado a tratar com você também. – resolvi me ater ao que me levara ali.

O tom que proferi e as palavras que usei exerceram nele uma súbita curiosidade e profunda preocupação – Jack era surpreendentemente expressivo.

Por conta disso, ele parou de avançar em investida no mesmo instante.

— Pois fale. – verbalizou, cruzando os braços, ainda que estivesse próximo.

E a questão que vinha acabando comigo foi colocada em pauta.

Depois que ele garantira que não estava fugindo de mim, comecei a desconfiar que, na verdade, ele estava apenas adiando o iminente.

Eu imagino o quão chato deve ser ter que lidar com situações que envolvam demitir funcionários que apresentem atrasos para os negócios. Talvez ele estivesse dando um tempo para que eu me recuperasse do baque antes de aparecer com a minha carta de demissão.

Então, vi minha oportunidade para tentar reverter essa condição – ainda que estivesse nervosa demais para lidar com isso agora.

— Eu sei que o que aconteceu foi uma situação desagradável... – comecei, imensamente sem jeito ao lembrar do que ocorrera. – Mas eu garanto que sou íntegra em meu horário de trabalho e muito esforçada também. Eu asseguro a você que algo assim jamais ocorrerá novamente no seu estabelecimento, pelo menos no que se refere a minha pessoa. Ficarei mais atenta ao meu entorno e lidarei sozinha com o que quer qu...

— Nem mais uma palavra. – ele me interrompeu, firme.

Seu tom comumente malicioso e sugestivo havia sumido. Jack estava absurdamente sério. De maneira dramática, meus argumentos travaram em minha garganta.

Jack avançou na minha direção, findando a distância generosa entre nós, mas no último segundo, se retesou antes que pudesse me tocar.

No lugar disso, fui obrigada a erguer o queixo para fita-lo nos olhos, ao tempo que ele murmurava bem próximo ao meu rosto.

— Nunca mais repita isso.

Pisquei seguidas vezes, meio atordoada, levando longos segundos para retomar a compostura e encontrar minha voz.

— Isso o que?

— Que lidará sozinha caso ocorra novamente. – ele crispou os olhos antes de completar. – Não se atreva a fazer isso.

Arqueei uma sobrancelha.

— Eu não estou entendendo.

Ele abrandou a feição e respirou profundamente, antes de fitar brevemente meus lábios e desviar o olhar, meio perdido.

— Eu também não estava entendendo a princípio. – começou, com a voz mais calma. – Você tá achando o que, que eu ia te demitir por ter sido atacada?!

— Eu... sim, ué.

A forma como ele colocou em palavras sugeria que a ideia era mesmo absurda. Estranho, há uns minutos eu jurava que era plausível.

— Você conseguiu me ofender mais uma vez em menos de 20 minutos. Considere um recorde. Nem mesmo meus amigos são assim. – ele dizia num tom descontraído.

Não vou negar, estou profundamente surpresa.

Mas havia também a questão do que sofri. Era na verdade o principal motivo que me levava a acreditar que ele me desligaria da equipe. Só de lembrar, sinto minha feição ruir por meio segundo.

E é claro que um observador ínsito feito ele notara meu olhar aflito de quem considerava tal cenário um motivo aceitável para ser demitida. No mesmo instante, lançou-me uma encarada em resposta que indicava algo como “porra, nem tente cogitar isso.”

Eu estava me preocupando à toa.

Jack se mostrou imensamente compreensivo.

Mal percebi e estava sorrindo para ele, de tão aliviada que eu me sentia. E, assim que ele captou tal gesto, tive uma visão... inexplicavelmente linda.

Pela primeira vez, presenciei um sorriso de Jack sem qualquer indício de malícia.

Me vi maravilhada por longos segundos.

— Fique tranquila, eu não tenho a menor pretensão em te demitir. – garantiu ele, mas eu não conseguia parar de admirar seu sorriso. – A menos...

Meu sorriso sumiu, num mini desespero súbito (?).

Ele fez mistério, torturando-me por longos segundos.

— A menos..? – incentivei e ele crispou os olhos.

— A menos que faça a merda que pretendia fazer.

Pra alguém que está sempre falando num tom descontraído e malicioso, ouvi-lo falar tão sério era realmente impressionante. Levei poucos segundos para lembrar de qual “merda” se tratava. Suspirei no instante seguinte.

— O que devo fazer, então?

— Falar comigo. Imediatamente.

— E quando eu não conseguir, Jack?

A mais mera ideia de eu não conseguir pedir ajuda juntando com a possibilidade de ocorrer novamente fez minha voz falhar e perder a força por meio segundo.

Jack pareceu perceber.

— Eu duvido que ocorra novamente, fui bem claro ao dar a ordem. Fique calma. Mas... – ele pensou por longos segundos. – Eu vou dar um jeito nisso. – completou involuntariamente, parecendo absorto em seus pensamentos.

E assim manteve-se nos segundos que se seguiram. Tentei conter-me, mas a curiosidade sobrepôs o bom senso.

— O que você pretende?

Jack finalmente pareceu voltar a realidade e me encarou por breves segundos, antes de abrir mais um de seus sorrisos de canto.

— Nada preocupante, garotinha. – crispei os olhos. – Elsa. – dessa vez, não consegui evitar a risadinha. – Então... isso é tudo o que tinha a tratar comigo?

— Quase. – respondi no mesmo instante, lembrando-me do mais importante de tudo. – Também queria pedir que guarde segredo sobre aquela noite. Gostaria que minhas amigas não tomassem conhecimento do que aconteceu.

Ele então parou de sorrir, confuso.

— Ok, mas posso pelo menos saber o porquê de você esconder isso delas?

— Eu só... – suspirei. – Não quero preocupa-las.

Ele continuou me fitando, pensativo.

— Entendo... – murmurou. – Guardar segredo não é uma tarefa difícil pra mim. Mas de vez em quando deixo escapulir umas palavras, sem querer. – seu tom era sugestivo. – Talvez eu precise de, oh, como eu posso dizer? Um incentivo, sabe? Algo que não me permita obliterar nem por um segundo em ser cuidadoso com seu segredo. Algo inesquecível e que me faça querer... sempre mais. – pôs um dedo indicador sobre o queixo, fingindo não ter algo em mente.

Eu logo notei se tratar de mais uma de suas provocações. Arqueei uma sobrancelha e cruzei os braços.

— E o que você sugere, Jack?

— Ora, não está óbvio? O que mais poderia ser? – de repente, seu sorriso de dentes perfeitos se intensificou, antes de ele umedecer brevemente os lábios com a língua.

Ele aproximou-se e, quando pensei em recuar, percebi ter chegado ao limite do corredor. Satisfeito em me ter exatamente onde queria, apoiou o antebraço na parede atrás de mim.

Ele se inclinou em direção aos meus lábios e me retesei no mesmo instante, meu coração, no entanto, falhara uma batida, só para em seguida acelerar de maneira frenética.

Eu mal respirava no momento em que ele parou repentinamente e à centímetros da minha boca.

Pisquei seguidas vezes, sem reação, ainda assimilando a situação e sem conseguir deixar de reparar no olhar intenso que ele dispunha a minha boca – e apesar de ter parado, sua feição indicava um imenso esforço para se conter.

Engoli em seco no segundo em que ouvi a rouquidão de sua voz.

— Vou deixar você tentar adivinhar, garotinha. – murmurou bem próximo, sua respiração tocando meus lábios, e eu não soube dizer qual era a minha feição. Então, ele se afastou, num súbito. – Você tem até à noite da festa.

E eu me vi imensamente desorientada.

— M-mas... como assim?! – exclamei, sem saber ao certo o motivo da exasperação em minha voz.

Seria o fato de estar zonza por conta de seu repentino recuo ou o fato de estar frustrada por ele simplesmente não ter ido em frente com o que pretendia?

Céus, quê?!

— Você tem até à noite da festa para descobrir e me dar o que eu quero, digo, preciso para manter seu segredo seguro. – em seu rosto, havia um sorriso cheio de maldade.

— E se eu não descobrir, Jack?

— Ora, então não haverá garantias de que eu não me descuide, sabe como é, garotinha... – apesar de eu tê-lo encarado furiosa, ele não se corrigiu e seu sorriso na verdade se abriu ainda mais. – Você fica adorável quando está brava. Se continuar me olhando assim, vou acabar tomando o que quero antes que possa descobrir o que é.

Senti meu rosto esquentar e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir. Droga!

Ele, no entanto, parecia imensamente satisfeito com essa minha reação – seus lábios entreabriram-se minimamente e suas sobrancelhas juntaram-se no que parecia ser o semblante de alguém a apreciar a imagem “fofa” e patética do meu rosto corado.

Arfei em desagrado, encarando-o boquiaberta. Não acredito que ela está me chantageando e ainda por cima assistindo a todas as minhas expressões, que não deviam ser muitas, com um sorriso cretino.

Ainda constrangida pela recente proximidade, investidas, provocações e etc, evitei fita-lo nos olhos pois, francamente, me sentia patética por estar vermelha feito uma adolescente.

— Até mais, garotinha. – ele murmurou, fazendo menção de se afastar. – Estou ansioso para selar nosso acordo.

Franzi o cenho. – Você não presta. – grunhi em sua direção, de repente esquecendo que ele era meu chefe.

E no entanto, ele sorria em deleite. Revirei os olhos, mordendo o lábio inferior, ainda nervosa.

— Assim, fica difícil. – ouço-o murmurar antes que eu pudesse sequer assimilar seu movimento de aproximação repentina.

Jack findou deliberadamente a distância entre nós – é nesse momento que sinto seus dedos entre meus cabelos antes dele firmar seus lábios nos meus.

Não tive reação. Meu coração parou por um segundo.

Tão rápido quanto se aproximou, no momento seguinte, ele já havia se afastado, deixando uma sensação quente em minha boca.

Arquejei em surpresa, meus olhos arregalados em espanto.

— Ah, me perdoe por isso, mas porra, resistir a você é difícil demais. – diz isso pegando o celular em seu bolso com tranquilidade, já caminhando despreocupadamente rumo a saída do prédio de Artes. – Considere como uma pista do que tanto quero, se bem que eu desconfio que já está mais que claro pra você.

Olhando na minha direção antes de virar o corredor, ele me lança uma piscadela seguida de um sorriso de lado antes de enfim sumir de vista.

— Mas o q-que... – eu estava ofegante.

E quando me dou conta, estou tocando meus próprios lábios com a ponta dos dedos, sentindo um involuntário sorriso brotar em meu rosto.

Mais uma vez no dia, sinto vontade socar minha própria cara.

Sacudi minha cabeça afastando os agradáveis pensamentos, tentando acalmar meu coração descompassado. Eu deveria estar irritada.

E estou, ok?! Não acredito que ele fez isso! Ele... aquele... grr! (?)

Virei-me, fazendo o caminho oposto do dele enquanto resmungava sobre como o desgraçado do meu chefe era um abusado sem noção. E só de usar esse título dele que evidencia sua condição sobre mim, meu estômago revira.

Elsa, pelo amor de Deus...

Voltei a passos rápidos para o pátio principal do campus— não sem antes checar se estávamos mesmo sozinhos naquele corredor e, graças aos deuses, estávamos.

Nesse pequeno encontro casual ele me chantageou, me roubou um beijo e disse na maior clareza e sinceridade que resistir a mim é difícil, sendo que... Minha nossa.

Era só o que me faltava. Virei mais um dos inúmeros alvos de Jack Frost.

POV Jack

Fiz o caminho até o prédio de Artes, por saber que uma de suas amigas provavelmente estaria ali – Rapunzel, pra ser exato. Talvez não houvesse uma só coisa que Flynn não descobrira sobre essa garota e, portanto, esse era o motivo de eu ter conhecimento de algo tão banal como o curso da Loira Afronta.

Me ocorreu que se, por acaso, eu não a encontrasse durante o dia – já que Elsa vive ocupada – pelo menos encontraria uma de suas amigas e as convidaria de modo que induzisse a leva-la também – para que assim não evidencie meu atual interesse nela, é claro.

Mais adiante, notei três mulheres loiras que conversavam lado a lado enquanto caminhavam em minha direção, bem distraídas com seus assuntos. Percebi que uma delas – a que estava no meio, pra ser mais específico – era Rapunzel.

— Evelyn Salt, é um imenso prazer revê-la nessa manhã linda de terça-feira. – cumprimentei, com o meu tom galante habitual. Punzie arqueou uma sobrancelha na minha direção, mas não conseguiu evitar a risadinha. – Dando muito tapa na cara sem mão essa manhã ou o dia não está sendo muito produtivo pra você?

— Olha, Jack, sinceramente... confesso que até agora, não tive oportunidades, viu?

— Ah, mas não desanime. Sempre aparece alguém que precisa da sua afronta.

— Vou me manter atenta. – ela riu melodicamente.

Fitei as outras duas loiras que partilhavam do momento, estreitando os olhos para uma em especial.

— Alex Morgan, há quanto tempo.

Astrid me olhou e arqueou a sobrancelha. – Frost. A que devo a honra de sua atenção?

— Não faz assim, minha futebolista favorita. Sabe como meu ego infla com facilidade. – ela revirou os olhos, contendo o riso. – Vim aqui fazer um convite a vocês. – elas se entreolharam, cúmplices. – Apesar de eu achar que vocês duas já estão cientes. – apontei Astrid e Ruffnut, que confirmaram.

Eu sabia que ambas tinham passe livre para as festas dos phoenix— graças a Astrid, por cortesia de Hiccup.

Tínhamos um sistema de convites que eram enviados à grupos destinados aos clubes – geralmente convidando todos os membros, sejam females, males ou misto.

Mas, eu também sabia que a Rapunzel não fazia parte de nenhum club, então provavelmente não sabia da festa.

— E você, Salt? O que acha de comparecer na...

— Festa semanal do Phoenix Club? – interrompeu-me, mostrando-se bem informada. – Isso é um convite? Óbvio que é, né. Então, sim, estarei lá. E não se preocupe... – aproximou-se um pouco e crispou os olhos com um sorriso maldoso. – Levarei minhas amigas comigo. – anuí, satisfeito com a perspicácia dessa garota.

— Você nunca decepciona. – ela sorriu, pouco surpresa. Encarei as outras duas. – Vocês também estão convidadas, como já sabem, não aceito não como resposta.

— Nem precisa falar duas vezes. – afirmou a irmã de Thorston. – Tô mais que confirmada em qualquer celebração dos phoenix.

E eu bem sabia o motivo dela ser uma frequentadora tão assídua de nossas festas – por mais que ela afirmasse que gostava mesmo da curtição garantida em nossas celebrações, todos sabiam do lance de Ruffnut com um phoenix que, segundo os boatos, deixou-a apaixonada.

— Gosto da sua sinceridade, Ink Girl, continue assim. – tocamos os punhos. – Então, espero por vocês. – dei uma piscadela em despedida.

Segui meu caminho pelos corredores, reprimindo a vontade de ir procurar por Elsa para convida-la eu mesmo. Revirei os olhos, mas nem fodendo que eu vou atrás dela. Pra quê?! Não tem necessidade, porra, a amiga já vai convida-la e se tudo der certo ela irá.

Ela irá.

Ela tem que ir.

Se ela não aparecer na festa, juro por Deus que vou busca-la em casa.

Dou um suspiro exasperado. Vou porra nenhuma!

Ok, eu estava muito incomodado com a mais remota possibilidade de as insinuações dos meus amigos se mostrarem procedentes – eu não só ajo estranho perto dela, como longe também.

Mas que porra?! De maneira bem caricata, sacudi a cabeça a fim de afugentar esses pensamentos incômodos.

Eu não estava gostando da forma como me preocupava demais com ela, mas ainda assim, sou um homem de palavra – e aquela promessa deveria ser cumprida. Uma promessa perigosa de se fazer, mas eu estou disposto a enfrentar os riscos.

Dessa vez, não vou falhar com ela.

Então, já estava na hora de parar de mentir para mim mesmo. Afinal, não é vergonha admitir que prezo pelo bem-estar dos funcionários da boate. Isso e apenas isso. Mas não consigo deixar de me perguntar... como ela está? Com a semana que passei longe da boate e sua dedicação excessiva aos assuntos acadêmicos, vê-la por esses dias foi uma possibilidade quase nula.

Enquanto eu continuava meu caminho pelo prédio de Artes, respondia aos cumprimentos de alguns colegas e mencionava a festa, requisitando suas presenças – assim fiz até o início das primeiras aulas finalmente ser anunciado.

Minutos depois, me vejo imerso a uma conversa regada a segundas intenções com aquela que com certeza não era a prioridade.

Mas não existe prioridade certa quando tenho toda a atenção da Boneca Bailarina, vulgo Lindsay, para mim – principalmente porque ter sua atenção não é tarefa fácil, ou ao menos é o que dizem os meus irmãos phoenix.

E apesar de adorar um desafio, lidar com mulher difícil demanda paciência – e se existe um traço em comum entre eu e Kristoff, é o de paciência zero.

Por isso e por provavelmente outras coisas também, Lindsay sempre passou desapercebida no meu radar.

Até agora.

Ela estava exatamente onde eu queria e me encarando do jeito que eu gosto. Tão receptiva, que chegava a ser difícil de ignorar.

Tão difícil quanto ignorar a imagem de Elsa, com o olhar frio e impassível, espiando-nos da porta do auditório.

***

Não sei o que deu em mim pra correr atrás dela.

Me senti um moleque desesperado, principalmente depois de cogitar me desculpar por ter nos encontrado em condições tão... Tão o que, Jackson? Normais?! Isso é comum, isso é hábito. Não posso dizer que me envergonho, pois estaria mentindo.

No final, não passou de cogitação. Me desculpar por nada é a gota d’água. Sai fora.

Só o que posso afirmar por ora é que sua imagem zangada era adorável.

Eu só tentava a todo custo identificar o porquê de tamanha birra – uma vez que pude constatar o quão difícil é captar qualquer outro sentimento além de indiferença em sua feição sempre impassível e fria.

Mas não podia negar que a simples ideia de ela estar enciumada me causava uma sensação agradável, muito boa de se apreciar. Eu tentava evitar o sorriso, mas era impossível.

Para acabar com seu suposto incômodo, dispensei Lindsay – em vão, já que Elsa deixara claro logo em seguida que Lindsay não era problema.

Modéstia à parte, sou considerado um mestre em decifrar mulheres. Mas Elsa está se mostrando um enigma complexo de ser decifrado. Ótimo. O desafio que ela é torna-a menos entediante que as outras.

Principalmente depois de me colocar em posição de autoridade, sem rodeios, sem hesitação. Sr. Frost? Isso é novo, vindo dela. Não é a primeira vez que me chamam assim, mas é a primeira vez que gosto.

A ideia de eu ter poder sobre ela chega a ser excitante.

Contudo, quanto mais formalidade, menos intimidade. E isso vai contra o meu objetivo atual – ainda que eu desconfie que seja exatamente o objetivo dela. Que pena, amor. Facilitar pra você não está entre as minhas pretensões.

— Me incomoda saber que você trai sua namorada. – ela completa com algumas outras frases, mas eu paro de ouvir no instante em que diz “namorada”.

Eu achei que não existia um indivíduo sequer nesse campus que não soubesse da única coisa acerca da minha vida que deixo bem claro a todos: eu não namoro.

Mas aparentemente, a garotinha estava por fora. Então, eu precisei informa-la devidamente.

Seria arrogância minha cogitar que ela estava fazendo de tudo para me provocar? As respostas afiadas, as feições sempre impassíveis, o olhar desafiador, a postura altiva, as esquivas certeiras às minhas provocações... como ela conseguia resistir com tanta facilidade aos meus cortejos e ao mesmo tempo ser tão tentadora para mim?

Era difícil acreditar que Elsa estava me instigando de tal maneira e sem fazer a porra de esforço algum. Chegava a ser um insulto ao meu ego.

Eu nunca fui nenhum descontrolado – a simples ideia de parecer um, me ofendia profundamente. Contudo, isso passou a ser um conceito próximo a cada vez que ela mordia o lábio inferior, deixando escapar um mínimo sinal de nervosismo.

Me custava admitir que estar a sós com ela naquele corredor demandava um imenso esforço para não avançar em sua direção e beija-la. E quanto mais ela recuava, mais eu tinha vontade de avançar.

Isso, até ela me desconcertar com um assunto urgente.

Eu sou um homem que dispõe de pensamentos muito turbulentos, principalmente no que se refere pessoas com quem me preocupo. Foi impossível não me ater no mesmo instante ao que ela dizia.

Até eu simplesmente não entender mais porra nenhuma.

— Eu sei que o que aconteceu foi uma situação desagradável... – ela falou, começando o que parecia ser uma justificativa para reparar algo que havia ocorrido.

Elsa aparentava estar reforçando a todo custo a sua competência como funcionária, mas não faço ideia do que a levou a imaginar que eu pensaria o contrário. Hiccup só tinha elogios para Elsa e suas horas extras e pró-atividade eram muito bem vistas por Aster – quanto à minha opinião, eu não conseguia evitar pensar que ela exigia muito de si, mas ainda assim eu reconhecia seu valor.

Como assim ela estava achando que eu a demitiria por ter sido atacada? Não havia a mais remota possibilidade de isso acontecer. Que tipo de pessoa ela pensa que sou?

Mas quando ela inventou de lidar com aquilo sozinha... não havia mais como negar, eu me tornei o que mais desprezei: um descontrolado.

Avancei nela instintivamente, sem pensar em como conseguiria dissuadi-la de tamanho absurdo, e no último segundo, retesei-me ao acessar a nota mental que eu deixara a seu respeito: ela odiava contato físico.

Inferno.

O caralho que eu vou permitir que ela lide com aquele filho da puta novamente.

Inclusive, com a ajuda de Flynn e seus contatos, tive conhecimento de sua ligação com ela – tratava-se de um maldito ex-namorado.

Em determinado momento da minha vida, tive de enfrentar situação semelhante e não consegui impedir o pior por ser um moleque fraco na época. Mas agora, o que tiver na minha alçada, eu farei.

— Eu não estou entendendo. – ela parecia confusa. Uma das poucas emoções que fui capaz de diferenciar em sua feição.

Percebi que estava próximo demais. Mas não me afastei. No entanto, peguei-me explicando que não havia possibilidades de ela ser demitida por conta do que ocorrera, tanto o antes quanto o depois, tanto pelo gatilho quanto pela consequência.

Ela não tinha porque se preocupar.

Ela tá doida?!

Sua expressão surpresa era o que chamamos de encantador— eu já poderia fazer uma pequena lista de expressões suas que eu conseguira captar.

Não consegui conter o sorriso sincero ao vê-la tão aliviada e poderia dizer que fiquei bem contente em ter esse sorriso correspondido. De repente, a imagem de alguém familiar pontuou-se em minha mente – alguém que visitava meus sonhos nas noites mais tranquilas.

Mas sentimentalismo não é bem do meu feitio – cheguei a me estranhar. Então não demorou muito para eu tornar a provoca-la novamente.

De todas as poucas emoções que ela demonstrara por puro deslize, seu constrangimento e nervosismo foram os que mais apreciei.

O nervosismo porque ela dispõe de um hábito que me fascina de formas absurdas: morde o lábio inferior, me torturando lascivamente sem nem perceber.

Por outro lado, sua pele é quase tão branca quanto a minha, então quando se pega constrangida, suas bochechas coram e contrastam em pura evidencia, resultando numa imagem tão fofa, que quase gemi um “own” feito uma adolescente otaku fã de anime fluffy. Puta merda.

É contraditório. Como ela consegue ser sexy e fofa ao mesmo tempo? E o pior, como ela consegue esconder isso atrás da máscara de indiferença com tanta facilidade?

Eu olho pra Elsa em toda a sua imponência e só consigo enxergar a garotinha frágil que ela esconde – fragilidade é sinônimo de fraqueza, mas esse infeliz conceito certamente não se aplica a essa mulher.

Eu reconheço a força dela mesmo tendo testemunhado a garotinha que ela é.

É um mecanismo de defesa auto imposto bem eficaz – e o mais difícil de ser construído principalmente por ser consequência de um sofrimento bem filho da puta.

Esses assuntos do coração são uma grandessíssima merda. Passo longe.

Mas um desejo irreprimível ainda me dominava. Deus, como eu queria toca-la. Mas só de me inclinar em direção ao que eu tanto desejava, sinto-a paralisar a minha frente. Eu realmente não queria ser motivo de aversão a Elsa, embora nunca tenha me importado se alguma vez fui considerado assim por qualquer outra mulher.

Pelo visto, serei torturado por muito mais tempo. É bom que eu me acostume. Droga.

— Vou deixar você tentar adivinhar, garotinha. – juntei um imenso esforço para conseguir me afastar, mantendo-me perto o suficiente para apreciar sua feição confusa mais uma vez. – Você tem até à noite da festa.

Essa preocupação com as amigas dela é admirável, isso eu tenho de admitir. Me peguei encantado por esse jeito protetor que é fácil de notar, ela tem um afeto inabalável por elas. Em meu total estado de franqueza, é claro que em momento algum cogitei me descuidar com seu segredo – eu o manteria seguro, é claro. No entanto, Elsa não sabia disso e eu não podia deixar de me aproveitar da situação.

Suas bochechas coradas eram um deleite para os meus olhos. Sua exasperação era impagável, principalmente depois que continuei com a provocação.

Mas vê-la brava era inegavelmente satisfatório.

— Você não presta. – grunhiu com ferocidade e ao mesmo tempo toda sem jeito.

A vontade que tive foi de irrita-la com o comentário “poxa, o que aconteceu com o ‘Sr. Frost’?” mas a desgraçada fez... novamente.

O pouco autocontrole que mantinha meus impulsos reprimidos foi completamente quebrado pela imagem de seu lábio inferior entre os dentes. Mais uma vez, eu estava atado. Nem tive tempo de repensar, pois era óbvio que ela não estava fazendo de propósito, mas porra... não dá mais.

Aproximei-me num súbito, sem conseguir me conter, torcendo para que ela não me odiasse depois.

É extremamente difícil não sucumbir a ela, e além do mais, o nosso primeiro toque tinha que ser digno de um beijo. Uma pena não poder aprofundar, ainda que queira – já abusei demais.

Ao menos, deixa-la desestabilizada por meio segundo compensou todos os últimos minutos que me vi aliciado pela tentação que ela é.

Não foi fácil me afastar, mas a ideia de levar um tapa na cara induziu-me a tomar distância o quanto antes. Eu duvidava, mas vai que ela é doida igual Anna? Elsa ainda era um enigma pra mim, imprevisível.

Eu ainda lamentava ter me contido e não aprofundado o beijo enquanto me afastava.

Não pretendo conter meus impulsos na festa. Mas não irei toca-la, a não ser que ela peça. Difícil. Abri um sorriso sórdido assim que virei o corredor. Mas posso dar um jeito nisso.

*

Notas finais
Só teve dois POV's, mas tá bom, né non? HUEHEUHEU' Sim, gente, teve selinho roubado, WOOOOHOOOOOAÇWJBDPICQWBDOC! adorei escrever essa cena ♥ Me digam o que acharam, ok? Quero saber, preciso! Pípous, eu estava pensando em fazer um tumblr da fic, falando mais sobre os personagens. Tem tanta coisa sobre cada um deles que você não sabem... Tanta curiosidade, que não faz sentido eu sair jogando na fic, pois ia ficar meio sem nexo. Eu até tento encaixar alguma coisas, mas só consigo poucas, se não acaba desviando do assunto principal a ser tratado no capítulo. Anyway, se eu fizer, postarei aqui o link. Será algo mais pra quem quer se aprofundar mesmo na história... O cast da historia está nas notas da fanfic. Me falem o que acharam desse capítulo e do cast, ok? Juro que irei ler, mas só amanhã. Pois agora estou indo dormir... Beijos, gente! Boa noite!