Rising Tide

28 Invertidos.


Notas iniciais
SOCORRO CHEIROSASSSSSSSSSSSSSSSS! Trago um capítulo tão cheiroso quanto vocês... Sabe prq??? Prq esse capítulo cheira a treta. MUITA TRETA! E quem não gosta de treta? Pois eu, amo. Admito, tô com um pé meio atrás com esse capítulo, tá? É prq tem umas coisas aqui... Umas cenas... Eu não sei, vlh. Não sei mesmo, tô super insegura aqui, tô com o cu na mão (???). Mas antes das minhas lamúrias, vamos a um recado importantíssimo. DEEM AS BOAS VINDAS AO: MrOliver! ❤ ~le coro: BEM VINDOOOOOOOO~ ~retardada mode on~ Gentem, MrOliver chegou chegando, comentando em TODOS OS CAPÍTULOS e, quando enfim terminou... Deixou uma RECOMENDAÇÃO MARAVILHOSA, que quando li, fiquei “MEU TIO JEJE, DEVO TER FEITO ALGO MUITO BOM PRA MERECER LEITORES TÃO INCRÍVEIS!” Nem preciso dizer que estou mais feliz que quando recebo o décimo terceiro né? ~piadinha besta~ Mas continuandoooooo... MrOliver, querido, seja bem vindo ao bonde, SE SINTA EM CASA, cola com nós que é só sucesso (???) -QQQ. Muito obrigada pela recomendação, caraaaaa! ❤ Eu ainda nem terminei de responder os seus comentários, já respondi alguns, mas ainda falta outros, MAS NÃO SE PREOCUPE, eu responderei assim que eu terminar de postar esse capítulo. Na verdade, isso já é um recado para todas vocês: Não terminei de responde-las ainda e vocês já devem ter se acostumado com isso, né? Já tá na hora de eu me explicar? -qqq. Sempre que reservo um tempo pra responde-las, no meio do processo, SEMPRE ACONTECE, de eu me inspirar – isso é normal pois costumamos, bem dizer, conversar nos comentários. Então, com isso, minha mente acaba borbulhando de tantas ideias! Aí acabo me deslocando para o Word para escrever, por isso atraso nas respostas. Mas se tem uma coisa que cês podem ter certeza é: Eu nunca deixarei de responde-las. Vocês já estão carecas de saber que a melhor parte disso tudo, pra mim, é o contato com vocês. ENTÃO É NÓS, MANAS, MESMO ESQUEMA: Estarei respondendo assim que postar esse capítulo ^^ JÁ ENROLEI DEMAIS! Então vamos ler? Vamos! Não pulem as notas finais, pois tem coisa importantíssima lá, viu? Mais uma vez MrOliver, sejam bem vindo e obrigada pela recomendação! ❤❤ Capítulo dedicado a você! ^^ Manas, vocês são minhas betas, cês sabem né? -QQQQ me alertem sobre qualquer erro, pois revisei beeem rápido! Sem mais delongas... Boa leitura! ^^

Chapter Twenty Eight.

Inverted

POV Merida.

— Punzie, me desculpe... – pedi, fazendo um biquinho. – Mas você prometeu, lembra? Angus chegou! – exclamei animada. – Terá de manter o Pascal preso. – essa parte eu não falei tão animada assim.

Ela suspirou, aturdida. – O problema não é esse, Ferrugem... – segurou os cabelos. – Eu não sei onde ele está! – ela estava bem nervosa, mas não pelo fato de Pascal estar sumido pelo apartamento – pois ele fica passeando por aqui dia e noite, mas sempre aparece. O medo de Punzie era outro. – Se Angus achar ele antes de mim... Vai fazer ele de brinquedo de novo!

De repente, fiquei nervosa também. – Ai, minha santa Frigga, mãe de Thor. – roí as unhas.

— Não é hora de clamar por Deuses Nórdicos, Meri... – ela deu uma pausa, ponderando. – Por mais que eu adore quando você cita essa específica frase, visto que Frigga é madrasta de Thor e não mãe, mas é bem dizer uma mãe, e isso me faz pensar em Stella, o que acarreta...

Eu a interrompi. – Punzie, o Pascal.

— EU SEI, EU TO NERVOSA! – ela berrou e eu sorri. Isso era típico de Punzie. Basta uma situação tensa e desata a falar. – Você se lembra como ele ficou da última vez que Angus resolveu brincar com ele? – ela indagou aflita e anuí lentamente, com os olhos arregalados, porque só de lembrar, ficava assustada. – Temos de tentar achar o Pascal antes dela! – subitamente apontou para o corredor, onde nos observava, com a cabeça inclinadinha, uma Angus confusa... Mas logo que notou ambas a olhando, correu para cima de nós, achando que estávamos brincando ou algo do tipo. – Merida, segura a fera! (???).

— Ah, poxa, não chama ela assim... – fiz biquinho. – Minha avó chegou de surpresa, eu teria te avisado e daria tempo de colocar Pascal no terrário, mas é que nem eu sabia... – tentava explicar, gesticulando com as mãos.

Punzie respirou fundo, se acalmando. – Tudo bem, só... Não deixe que ela o machuque de novo. – pediu quase como uma suplica. – Eu sei que ela não faz por mal, mas... A Angus não consegue evitar ser bruta, ela é um cão de porte grande, cê sabe...

— Eu sei, cê tem razão... – pensei por uns segundos até ter uma ideia brilhante. – Façamos o seguinte! – exclamei com indicador levantado, me sentindo numa série de TV (?). – Eu vou levar a Angus para caminhar e, enquanto isso, você procura pelo Pascal... – falei, já pegando a guia de Angus – que, quando percebeu que iria passear, deu um latido estridente correndo para a porta antes de mim, com rabinho felpudo abanando em alegria. – Quando o encontrar, você me manda uma mensagem, assim não corro o risco de trazê-la de volta antes de ele estar bem seguro em sua casinha.

Punzie sorriu de orelha a orelha. – ÓTIMA IDEIA, VIADA! (?)

— Só tente se apressar, porque hoje eu ainda tenho que ir trabalhar, sabe como é né... – gesticulei com as mãos.

— Não que eu não esteja feliz por você estar lá assistindo ao show, mesmo que não seja junto de mim, mas... Sua avó chegou, bixa. Achei que fosse passar o dia inteiro com ela.

— Era o que eu queria, mas a equipe de funcionários de hoje foi meticulosamente selecionada, justamente por causa desse show, e de alguma forma, eu não faço ideia de como, eu fui recomendada ao Bunny para ficar escalada essa noite. – Punzie fez aquela cara do tio Barack que diz “Hm, nada mal”. – Pois é. Me sinto lisonjeada. Mas queria mesmo passar um tempo com ela e os meninos, mas tá muito em cima da hora pra eu chegar lá e dizer que não poderei...

— Poxa, Meri...

— Não, mas tá tudo bem! Eu conversei com a minha avó, ela disse que amanhã meu avô chega, então estaremos todos juntos, o que é ótimo, né?

— Com certeza. – ela sorriu. – Então okay, vou caçar o Pascal pela casa inteira o mais rápido possível, até porque eu ainda tenho de ir no shopping hoje para resolver uns babados.

— HAMISH, HARRIS, HUBERT! VENHAM AQUI! RÁPIDO! – berrei enquanto Punzie tapava os ouvidos, assustada. Em poucos segundos, depois de uma sequência de tombos, empurrões e passos correndo, eles chegaram em mim. – Quem quer ir no parque? – era o mesmo que perguntar a Anna “Quem quer ir na Comic Con Experience?” – se bem que é o mesmo que pergunta isso a qualquer ser humano, até porque né, quem não quer ir na CCXP, mano?

Depois dos berros estridentes em resposta, minha avó ajeitou os três muito brevemente e logo saímos – minha avózinha não quis vir, resolveu descansar da longa viagem.

Foi de última hora que resolvi pegar o carro, visto que o parque onde eu pretendia leva-los era a umas doze quadras daqui – e também porque, no horário de pico, não era, digamos, um momento propício para caminhar com Angus nas calçadas, ela tendia a assustar as pessoas por conta de seu tamanho. Então peguei as chaves, mas não as do meu carro, e sim do Jeep de Anna – aproveitando que ela estava nadando na piscina do prédio, saí na surdina (??).

Meu carro é pequeno, gente. Colocar Angus mais os meninos nos bancos de trás de um New Beetle? Não daria certo – acredite, eu já tentei. Mas no Renegade de Anna, cabia e ainda sobrava.

Eu poderia leva-los ao Parque da Universidade de Oxford ou ao Jardim Botânico de Oxford mesmo, já que ambos eram próximos, mas lá não tinha nada que uma criança considerasse divertido – diferente de Punzie, que amava visitar o Jardim Botânico.

Então estacionei a alguns metros da entrada do South Oxford Adventure, o parque pacífico que tinha um enorme playground para crianças. Por mais curta que possa ter sido o trajeto até a entrada, os meninos ainda sim viram tempo para parar e tomar um sorvete. Eu percebia os momentos de euforia dos meus irmãos porque eles começavam a falar ao mesmo tempo, e era difícil assimilar o que diziam, mas extremamente divertido. Eu só ficava escutando e rindo, me sentindo uma retardada – porque, quem diabos só consegue conversar rindo? Opa, eu.

Seguimos pela calçada e eu já percebia daqui que o parque estava cheio. Soltei a guia de Angus, mal atravessando os portões do parque, e os meninos passaram correndo por entre as pessoas, levando quem tivesse na frente, parecia um arrastão recorrente em praias Cariocas (??). E Angus corria vivaz no encalço dos três pestinhas, com a língua pra fora num entusiasmo nunca antes visto, olha só a felicidade dessa cadela! Que linda! Alguém tira uma foto, pelo amor de Jeová?!

Eu não sei quanto tempo fiquei ali parada em pé, observando meus quatro xodozinhos e olhando em volta pra ver se alguém havia tirado uma foto – torcendo para que sim (?). Mas ao em vez de encontrar algum aspirante a fotógrafo, encontrei alguém muito melhor.

Prestem atenção nas reações de meu corpo: Uma batida falha e sutil, seguida de um acelerar louco. As mãos? Subitamente, suando frio – não se esqueçam da tremedeira nos dedos, acontece sempre. O sorriso involuntário e boboca só de percebe-lo sorrindo também, mesmo que não seja pra mim. A bochechas, habitualmente pálidas, agora mornas – suspeito muito que vermelhas. E aquela reflexão sobre o sentido da vida toda vez que eu admirava seu rosto.

Alguma dúvida sobre quem seja? Nenhuma, né? Afinal, quem diabos faz eu me sentir assim, a não ser ele?

Eu nunca pensei que encontraria Hiccup em um parque – porque Hic sempre parecia estar ocupado e com a mente abarretada de coisas, e eu costumo associar parques a lugares de lazer onde as pessoas vão quando não tem o que fazer, pessoas atoa, ou ‘seje’, eu.

Eu realmente não esperava encontra-lo ali, mas isso me intrigou por um curtíssimo tempo, pois algo a mais me chamara atenção.

Um enorme cachorro que pulava alegremente em seus pés, trazendo o frisbee recém arremessado. Mal percebi, estava sorrindo de orelha a orelha, com todos os dentes (?). Dando uma furtiva olhadela em volta – me assegurando de que ninguém estava olhando estranho para a garota que sorria sozinha parada no meio de um parque –, eu me aproximei sem que ele notasse.

— Então esse é o seu cachorro pelo qual você chora de saudades quando tá bêbado?

O olhar dele, desconcertado e um tanto surpreso ao me perceber, durara só alguns instantes sobre mim, pois no segundo seguinte, o mesmo robusto e enérgico cão pulava em cima dele, puxando as pontas de sua camisa com os dentes, ansiando por atenção e um novo arremesso.

Ele riu. – O nome dele é Banguela.

Arregalei os olhos. – Ai meu Deus, ele não tem dente?! Ai, tadinho! Que pecado! – SOCORRO, COITADO DO CÃO! (??).

Hiccup deu aquela minha risada favorita (?). – Ele perdeu um canino que nunca mais cresceu. Jack colocou esse apelido, que pegou como nome.

Suspirei aliviada, com uma mão sobre o peito, observando o Banguela galopando atrás do frisbee e o pegando no ar. – É sempre o Jack. – comentei, anuindo com a cabeça, e ele concordou fazendo o mesmo. – Quando ele voltou? Digo, o Banguela.

Hic pareceu meio aflito com a lembrança. Coçou a cabeça, me olhando de esguelha por míseros segundos, mas logo desviando até responder. – No dia que estive na sua casa.

— Oh. – foi só o que fui capaz de formular. O famigerado “oh”. E no tempo que meus lábios soltavam o “oh”, em minha cabeça, passava uma novela muito louca, que ia desde o dia em que conheci Hic até essa nossa recente desventura amorosa. E os acontecimentos se misturavam, o que me deixava confusa nível hard – porque ser confusa já é uma parte de mim, então... Eu devia estar com aquela cara de gato fitando o nada, enquanto o dono observa achando que o felino está enxergando alguma entidade, quando, na verdade, o bicho provavelmente só tá pensando “Por que esse humano inútil ainda não me alimentou hoje?”.

Mas a novela ainda se estendia em minha cabeça...

O clima agradável que acompanhava o céu azul e límpido, adornado com nuvens tão branquinhas quanto creme batendo na batedeira. Hmmm, chantilly (???). Uma competição acalorada, que me fazia torcer para que alguém perdesse ao invés de vencer – pois a situação seria mais engraçada e eu não sei como não me senti tão maquiavélica naquele dia, mas a verdade é que eu queria rir. E o que me desconcentrou da competição? As costas de um desconhecido que, de repente, pareceram mais interessantes que a situação em volta. Mas, opa! Eu dei de cara em alguém. E já esperava cair no chão, não fosse certos braços me segurando – porque, veja bem, eu vivo caindo. Já caí pra cacete durante minha curta vida. Caí correndo, caí andando, caí parada (?), caí de bicicleta, caí saltando dum carro, caí numa piscina, caí da cama, caí numa cama (de um desconhecido), caí da escada, caí escorregando em bebida, cocô de cachorro, casca de banana – o que você puder imaginar. Caí no sono, caí nas dívidas, caí aos pedaços – metaforicamente, tá?

Mas se tem uma coisa que nunca caí, foi de amores.

Até agora.

Enquanto sentávamos num cumprido banquinho abarretado de pais e mães que observavam seus filhos no playground, Hic me contava das aventuras intrépidas que teve ao lado de seu cãozinho na época em que ia para a fazenda de seus pais na Noruega.

A forma como ele fala do Banguela, repare, é sempre carregada no mais puro e amável tom terno e cheio de afeição. E eu ficava sorrindo admirada ao assistir aquilo...

Mas estou bem normal aqui, okay? Nada demais. Estou de boas. Nem maravilhada, nem... Me apaixonando (??). Apaixonando? Mais do que já tá? Tem como? Indagou a voz intrometida na minha cabeça. O que cê tá falando??? Estou tão fria e distante quanto uma estrela, juro! Aham, ela respondeu.

— Meus pais vão embora hoje e vão leva-lo. – suspirou Hic, puxando-me de meus devaneios, enquanto eu observava seu sorriso sumir. – Estou me despedindo. – ele parecia triste, mas mudou de assunto antes que eu tivesse a chance tentar conforta-lo. Melhor assim, porque Merida confortando alguém é, óh, uma bosta. Foi quando o percebi fitando ao longe. Piscando continuamente, com as sobrancelhas lentamente franzindo-se sobre os olhos e um sorriso intrigado no rosto, ele indagou. – Aqueles são seus irmãos?

Ao fita-los, notei estarem todos sujos de areia, mas não me importei – afinal, aquilo era normal, até.

— Ah, sim, são eles mesmo... – gesticulei com as mãos, chamando os três e, quando se aproximaram, os apresentei a Hiccup devidamente, este que estava ligeiramente boquiaberto ao fitar o rosto de cada um – parecia estar jogando um jogo dos sete erros (?). Nesse caso, seria o jogo dos quatorze erros? Ou vinte e um? – Meninos, esse é o Hiccup. – falei, deixando os retardos pra depois. – Ele é... – eu pigarreei. – Um bom amigo da faculdade. – Hic sorriu para mim, saindo do transe, e os fitando em seguida. – Hic, este é o Harris. – Harris acenou para Hic, no estilo do Bronx (?). – Esse aqui é o Hamish. – Hamish clamou um “olá” alegre, antes de correr atrás do enorme Banguela, tentando abraça-lo. – E esse emburradinho aqui, é o Hubert. – Hubert fitava Hiccup com os olhos em frestas, uma sobrancelha arqueada e os bracinhos cruzados. Hiccup emitiu um “oi” descontraído ao percebe-lo o encarando, porém não obteve resposta. – Hubert, seja gentil.

Ele encarou Hiccup de cima a baixo, como se estivesse o analisando. – Não gosto do modo como você olha para minha irmã. Parece apaixonado. – soltou ele, com seu fofo sotaque escocês carregado, enquanto que eu arquejava com o que ele acabara de dizer.

— HUBERT! – repreendi e ele me fitou por míseros segundos, voltando a encarar Hiccup, que tinha ambas as sobrancelhas arqueadas em surpresa.

E eu achando que Hic ficaria, ao menos, constrangido ou irritado. Não. Ele sorriu. SORRIU! – Você é bem perspicaz, garoto. – murmurou para Hubert, que sorriu de lado minimamente e eu fiquei meio “quê?”.

— Ei, moço! Você tem que conhecer a Angus também! – berrou Hamish, agarrado ao pescoço de Banguela que lambia a cara dele. No mesmo instante, Harris levou os dois dedos a boca, emitindo um agudo assobio. Segundos depois, Angus chegava correndo, daquela mesma forma alegre e com a língua pra fora. ALGUÉM TIRA UMA FOTO, POR FAVOR?!

Porém, ao se aproximar e perceber um macho no recinto, ela logo manteve-se alerta – diferente de Banguela que, assim que a avistou, foi se chegando enquanto Angus recuava, desconfiada.

— Será que eles vão brigar? – Harris parecia preocupado, com as mãozinhas retraídas à frente da boca.

Banguela encarava Angus de um modo que dizia “Opa, posso dar uma cheiradinha na sua bunda para iniciarmos aquela bela amizade?”, enquanto que Angus tava mais pra “SEU DEPRAVADO, SAI DE PERTO DE MIM!!!” (???).

Mas com o decorrer da situação – e com o admirável esforço do Banguela, que corria em sua volta, com direito a latidos num convite para brincar e paradinhas súbitas com o rabo felpudo oscilante para o alto –, os dois cães se aproximaram. Mesmo que minha cadela fosse difícil dificílima, ela gostava de fazer amizade. Agora próximos, trocando lambidinhas e tocando os focinhos um no outro, eu percebi que se assemelhavam em muitas coisas – principalmente, a cor dos pelos. Ambos num tom escuro vibrante. Acho que, além da personalidade e raças, eles só diferiam nos olhos – visto que Angus tinha os olhos tão negros quanto os próprios pelos, e já as írises de Banguela eram tão verdes... Quanto os olhos do próprio dono.

E, então, correram. Repentinamente. O Pastor Belga e a Labrador pareciam dois raios negros, rodeando o parque, alegres e satisfeitos com a companhia um do outro. ALGUÉM FOTOGRAFA ISSO, PELO AMOR DE LOKI! Af, cadê o Jack quando se precisa dele?

Hiccup sorriu, tranquilizando Harris. – Eles vão ficar bem. – Harris o fitou, retribuindo o sorriso, e logo seguiu Hamish e Hubert de volta ao playground – não sem antes Hubert gesticular com os dois dedos próximos aos olhos, apontando-os em seguida para Hiccup de um modo que dizia “estou de olho em você”.

Hiccup deu um sorriso de lado quando Hubert, enfim, se distraiu no playground – o que não demorou muito. – Quem diria que você teria um irmão ciumento. – ele comentou e eu sorri.

— Por ser o mais velho, ele se sente no dever de manter o papel de meu pai e... Me proteger.

Senti seus olhos sobre mim, no entanto, não fitei seu rosto. Ainda admirava meus irmãos ao longe. – Mais velho? – indagou Hic, depois de uns segundos.

— Dos três, sim. O primeiro a nascer, nove minutos mais velho que Harris.

— E Hamish, é o mais novo. – ele concluiu.

— Sim, o que estava abraçado ao Banguela. – seu sorriso se intensificou em seu rosto enquanto ele fazia o mesmo que eu. Admirava meus irmãos.

— Avise seu irmão Hubert que nós temos muito em comum. – disse por fim, sem me fitar, sentando-se ao banco atrás de nós.

Por não ter entendido nada, pensei em perguntar, mas logo desisti... Mas fiquei pensando sobre o que eles poderiam ter em comum. Ambos eram ciumentos, é isso?

O acompanhei, sentando-me ao seu lado... Então ficamos ali, lado a lado, apreciando a companhia um do outro tanto quanto a Angus e o Banguela. Entre nós, o silêncio – nem tão silêncio assim, dada a movimentação a nossa volta. Mas era como se nada precisasse ser dito – por mais que a sensação fosse contrária. Sabíamos que muita coisa precisava, sim, ser dita. Porém, eu não sei ele, mas eu... Tinha medo de abrir minha boca e estragar esse momento que, de uns tempos pra cá, tornou-se raro.

Com o cheiro de terra úmida, resultado da chuva recente, sendo o aroma que nos rodeava junto da sensação gostosa que era o sutil calor que emanava abaixo de nossos pés – graças aos raios solares insistentes que atravessavam as nuvens espessas e aqueciam o chão –, eu pude ouvir, da voz baixa e controlada de Hiccup, a frase seguinte que se desatava apenas para me deixar, o que era incomum, sem palavras.

— Eu sinto sua falta.

O mundo parou.

Meus olhos seguiram até seu rosto, tão lentamente quanto se pode imaginar. Acredite, eu temia piscar, com medo de tudo sumir e eu descobrir que era só minha mente pregando-me peças. Mas ele, que fitava ao longe durante essa confissão, desviou minimamente o olhar e fitou a mim... Suspirou e tornou a fitar sua frente. Talvez, achasse que eu não tinha a menor pretensão em responder; mas a verdade é que eu estava pasma.

E eu não fazia ideia de qual era minha cara. Meu pobre coração não aguenta mais essas revelações bombásticas, ainda mais vindo de quem?! Hiccup não entende, não faz a menor noção do quanto senti saudade dele e do quanto eu quis dizer isso a ele, mas eu temia tantas coisas... Tantas.

Mas, por um momento, eu parei de me preocupar e decidi que seria justa. Se ele foi honesto comigo, eu deveria ser com ele também.

Então, durante aqueles poucos segundos em que se seguia tal frase, meu coração estava aberto. Foi tão pleno e sincero que, por um momento, eu me senti... Leve. – Eu também sinto a sua. – minha voz soou mais baixa do que eu pretendia.

A princípio, eu não soube dizer se ele havia ouvido ou não... Não houve reação. Pelo menos, por ora.

Os segundos correram, eu com meu coração aos saltos, ele com a feição dura e centrada ao longe, o que me deixava... Ansiosa.

Mas quando percebi a curva de seu mínimo sorriso, uma torrente de calor percorreu minha nuca, arrepiando-me... Ele ouviu sim.

Ele me fitou e fez menção de se aproximar... Mas hesitou, parando por fim. Suas sobrancelhas pesaram sobre os olhos e eu me perguntei o que o incomodava, até Hic resolver, enfim, dizer em voz alta. – Qual o problema com nós dois?

Foi repentino, confuso e me fez parar pra pensar. Eu nunca quis que nossa amizade acabasse... Eu nunca quis me afastar dele. Mas com o tempo eu percebi que era demais pra mim – me sentia culpada por não estar feliz em vê-lo feliz com Astrid.

Astrid.

— Você tá namorando agora. – lembrei, logo que o nome dela cruzou minha mente.

Hiccup desviou o olhar de mim. – E você, me dispensou. – disse com a voz calma e eu crispei os olhos ao pensar nisso.

Era assim que ele se sentia? Dispensado? Quando eu achava que estava o ajudando, deixando as coisas mais fáceis pra ele – mesmo que não estivessem sendo tão fáceis pra mim? Mas que merda é essa, Inglaterra?!

— Hiccup... – resfoleguei, torcendo para que ele estivesse pronto pra uma enxurrada de perguntas.

Ele me fitou, confuso com minha feição estarrecida, mas então, uma mensagem apitou em meu celular – era Punzie, avisando que Pascal já descansava em seu terrário. Bom, eu precisava ir pra casa – afinal, eu tinha lugares a fazer, coisas a ir (?). Mas me pergunta se eu queria.

Queria não.

Principalmente porque coisas tinham de ser esclarecidas aqui!

Mas eu não sei porque eu tenho esse hábito chato de temer estar interferindo em algo que sobrepõe as minhas dúvidas... Suspirei longamente.

— Eu... Tenho que ir. – para a surpresa geral, não foi eu quem disse isso.

Foi o Hic.

Percebi que ele mexia em seu celular, aparentemente também lendo uma mensagem.

— Ah, sim, claro, com certeza (?). – falei, que nem uma boboca. – Eu também preciso ir...

Nos levantamos juntos e um constrangimento peculiar irrompeu no ambiente. Ele coçava a nuca, olhando para todos os lados, menos para mim, e eu fitava o chão, chutando de leve as pedrinhas próximas aos meus pés, enquanto colocava um cacho atrás da orelha. Que ótimo. Não fazíamos a mínima ideia de como nos despedir.

Ele me fitou, seus olhos encontrando os meus... E mais uma vez, nada precisou ser dito.

Hic estendeu seu braço, pegando minha mão e me puxando contra seu corpo, guardando-me num abraço inesperado... Mas que eu esperava ansiosa a tanto, tanto tempo, que nem fui capaz de hesitar em envolve-lo com os meus, apertando-o contra mim. Ele afagou meus cabelos e respirou fundo. Ali, eu senti aquela estranha sensação que li em algum lugar, não me lembro onde, que diz que todos nós nascemos com uma asa só e, apenas quando estamos abraçados com aquele nosso encaixe perfeito, conseguimos enfim voar.

Isso fez todo sentido para mim, naquele momento.

Um pigarro e nos afastamos, depois de... Minutos, talvez horas? Pareceram só alguns segundos. E quando ele, enfim, me solta, é quando tenho a sensação de que meus pés acabam de tocar o chão.

Mal percebemos a senhorinha nos observando – a mesma que pigarreou, suponho – com um sorriso amoroso no rosto. Centrados nos olhos um do outro, foi preciso a senhorinha pigarrear novamente, para enfim chamar nossa atenção.

— Desculpe incomodar, mas aqueles três meninos são seus filhos? – ela indagou e eu corei mais que a Elsa quando Jack resolve trazer seu lado malicioso à tona. Já Hiccup, tinha um imenso sorriso no rosto. – É que estou meio preocupada, porque... – ela fez uma cara do tipo “olhe para onde estou apontando e você entenderá o que estou dizendo”.

Dito isso, fitei meus três irmãos, ao longe no playground. E arquejei, porque... Eles não estavam no playground.

Estavam indo em direção ao vendedor de pipoca com queijo... Do outro lado da rua, além do tráfego de carros em alta velocidade.

Por um momento, senti minha alma saindo do meu corpo e acenando em despedida... Morri por um tempo.

Só que antes que minha alma pudesse voltar ao corpo, Hiccup já estava lá, segurando a mão de Hamish – que era o que seguia mais à frente – e incentivando-os a voltarem até mim.

Foi um susto e tanto – e eu nunca fui boa em dar sermões, então saiu algo meio...

— É melhor que não contem a vovó o que aconteceu, ou então ela me mata.

— Não contaremos. – Harris sorriu e se desculpou pelos três.

— Ela pode decidir não deixar mais que você nos leve pra passear. – apontou Hamish, fazendo uma careta.

— E nós não queremos que isso aconteça, com certeza. – admitiu Hubert e eu lhe sorri, mas ainda sentia meu coração na goela.

Anunciei que iríamos embora e eles se despediram de Hiccup e Banguela com um tchauzinho alegre – Angus também se despediu de Banguela –, então seguimos caminho até o carro – não, sem eu antes dar uma olhadela para trás e perceber Hic, que também seguia seu caminho, olhar para trás, assim como eu... Um sorriso trocado foi o que marcou essa flagrável “coincidência”.

Chegando no apartamento, Anna e Elsa assistiam a um reality show junto de minha avó – Punzie já havia seguido até o Shopping, para resolver seus assuntos. Fui xingada por Anna, por ter pego o carro dela sem permissão. Fui xingada por minha avó, quando ela percebeu os meninos todos sujos de terra – imagine os xingamentos caso ela soubesse o que aconteceu antes de virmos embora. A única que não me xingou, foi a Elsa.

Mas xingamentos a parte... Nada disso me afetou. Eu ainda sentia meu corpo quente como se ainda estivesse envolvida nos braços dele.

Eu passei o resto do dia... Pensando... No Hiccup – opa, peraí, mas isso é normal, não? (?). Não! Aham. É sério! (???).

Aquele abraço foi... Esclarecedor. Nas muitas vezes em que parei pra pensar – bizarro, não? –, me ocorreu que o que eu vinha sentindo não passava de uma saudade não correspondida. Mas Hic sentia minha falta também... Ele sentia minha falta. Meus Deus, ele sente minha falta. E porque isso me deixa tão feliz?

— Querida, você está se sentindo bem? – indagou a voz preocupada de minha avó. – Está fitando o nada, sentada nessa banqueta desde que chegou. O que houve? – ela se aproximou, acariciando meus cabelos, chegando mais próxima ao meu ouvido e sussurrando num modo cúmplice. – É gases? Prisão de ventre? (?????)

Dei uma risada nervosa. – Não, vó...

— Eu sei fazer um remédio tiro e queda, você sabe...

— Claro que sei. – socorro, que conversa constrangedora.

— Já sei, você tá com fome...

— Também não, vó... – ponderei por um momento. – Na verdade, tô sim. Na verdade, tô sempre. – ela riu.

— É claro que tá. Farei uma porção de muffins hoje para você e suas amigas. – nem consegui disfarçar o sorriso animado em meu rosto, que logo sumiu quando lembrei que teria de trabalhar. – Não se preocupe, quando você chegar do trabalho, terá bolinhos deliciosos esperando por você.

Ela me lançou um sorriso compreensivo, avisando que qualquer coisa que eu precisasse, ela estaria ali, antes de puxar meus irmãos para tomarem banho... E o sentimento, ao vê-la seguindo dentro de meu apartamento, foi de que eu não precisava de mais nada, só dela junto a mim.

Depois de encher a recipiente de água de Angus – que tinha bastante sede por ter corrido a tarde inteira – e dar um “oi” alegre para Tooth que conversava com Anna no Skype, subi até o meu quarto para ajeitar minha bolsa e tomar um longo banho. Hoje, o expediente seria longo e cansativo – teríamos o show de uma das musas mais renomadas mundialmente, e isso significava o oposto de um expediente calmo. Eu já até conseguia imaginar o bando de fãs maravilhados com o talento de sua diva – opa, pensei em Rapunzel na mesma hora.

E, como hoje eu iria sozinha – Elsa não iria, pois não fora selecionada e eu até estranhei, visto que sempre achei ela bem mais profissional que eu –, tive uma breve discussão casual com minha avó sobre dirigir altas horas da madrugada na hora de voltar para casa – minha avó as vezes esquece que já tenho 18 anos, na verdade, acho que para todas as avós, netos sempre serão seus bebês. Afim de tranquiliza-la, Elsa teve a ideia de me levar e me buscar – me senti no Ensino Fundamental, mas se isso colaborou para que minha avó se sentisse mais calma, então tá tudo beleza.

Elsa me deixou a uma quadra da portaria de trás, visto que na fachada da boate já se estendia uma legião de fãs. Ainda tive de correr de uns três que perceberam a possível entrada por trás – eu pensei que fosse morrer, que galera louca, pareciam eu na estreia de Deadpool no cinema, ansiando pelo melhor lugar.

Que a recente reforma que Bunny investiu na boate rendeu um belíssimo trabalho, isso era evidente. Mas aquele palco, todo ornamentado, que pegava metade da pista, em meia-lua, aquilo tava maravilhoso! A arquitetura. Os fachos de luz estrategicamente posicionados em meio aos objetos decorativos. Até os dançarinos, que se aqueciam todos trajados com roupas temáticas pretas que reluziam as luzes coloridas, me chamaram atenção. Mas, ao fundo, um telão adornado com luzes em volta que piscavam, dando aquele efeito peculiar de purpurina, foi o que me fez até aplaudir. E isso não é nem metade de tudo o que me deslumbrou naquele palco. O profissional que elaborou isso aqui, está de parabéns.

Estava tudo pronto para a chegada dela – que, quando aconteceu, eu soube antes mesmo que a mulher, enfim, adentrasse a boate, pois os fãs lá fora berraram, anunciando isso. De repente, fiquei ansiosa – e olha que nem sou fã da Bey!

Hoje seria o dia em que eu entraria mais cedo e sairia mais tarde e por mais que eu acreditasse que seria um longo dia, me enganei. Seguiu-se a noite e o bar estava deveras tranquilo – mesmo que movimentado, dava para manter tudo sob controle. Afinal, a cantora sobre o tablado era mais interessante que qualquer bebida – os fãs só iam ao bar por necessidade mesmo, quando a sede falava mais alto.

Ela interagia com o público, brincava, provocava e sorria. Dado momento, um fã subiu ao palco, a seu pedido. Ele tinha negros cabelos ondulados, e trazia um imenso sorriso ao rosto, admirado por estar ao lado de sua diva. O interessante é que, assim como me cativou sem nem mesmo ter me dirigido a palavra, ele cativou a própria Bey também. Eu suspeitei que o motivo disso, fosse aquele sorriso. Eles cantaram juntos uma música que, se não me engano, se chama XO – tiraram uma rápida self antes de ele enfim descer, juntando-se aos seus colegas à frente do palco, mais feliz que nunca.

E, de repente, peguei-me pensando em Punzie. Ela ainda não havia aparecido no bar – se é que apareceria. Onde quer que ela estivesse, devia estar tão feliz quanto esse cara, só de imaginar o que ele estava sentindo.

E por mais que Beyoncé estivesse lá, voltando ao seu show depois desse momento comovente com seu fã – sobre o palco, como sempre, em seu total esplendor, sem fazer esforço algum, porque aquela mulher já chegava, como diria Punzie, lacrando a porra toda –, havia algo nesse mundo que me chamava mais atenção que Hiccup em sua postura rija e imponente, com o olhar centrado e superior, apenas mantendo a ordem que ele estabeleceu na casa, como um bom e exímio profissional? Não, não havia. Nem mesmo a Beyoncé chamava mais minha atenção que aquele rosto sério – a seriedade acentuava o charme do Hic, E EU PRECISO PARAR DE OLHAR PRA ELE, PELO AMOR DE ODIN, O CARA TEM NAMORADA!

Dei um tapa na minha própria cara (?). Doeu, tá? Num total impulso, então foi deveras forte... Me arrependi na mesma hora – ou não, porque funcionou. Eu não prestava mais atenção em Hiccup – só as vezes, quando dava umas olhadelas furtivas, mas eu logo dava um tapa na minha cara novamente. Consegue imaginar quantas vezes eu me estapeei naquela noite? As pessoas já começavam a me olhar estranho.

Inclusive, uma moça bem clarinha me olhava com a sobrancelha arqueada, com uma feição que dizia “Devo ligar para o hospício ou não?” (??). Mas antes que eu pudesse explicar que eu não era maluca – só parecia –, eu arquejei, surpresa.

— Elsa... Tá fazendo o que aqui?! – ela deu um sorriso, que me pareceu forçado, desfazendo aquela feição duvidosa sobre minha sanidade mental.

— Você pode sair agora, eu vou terminar o seu expediente.

Espera aí... Processando, aguarde (?). Eu vou embora?! Me juntar a minha família, aproveitar a companhia de meus irmãos e minha avó?! NEM QUERIA! – S-SÉRIO?! – indaguei, para me certificar que não era uma pegadinha.

Ela riu, uma risada que percebi ser sincera. – Sim, sério... Pode ir ficar com a sua família. – mas logo se sobressaltou com o abraço repentino e desajeitado que dei nela – o balcão em nosso meio.

— Como conseguiu isso? – perguntei, me afastando dela. – Olha, não vou mentir, hoje as coisas por aqui estão bem rígidas. – alertei né, vai que ela pensa que é cilada. – Mas dá pra manter o controle e tals... – eu ainda queria ir pra casa, po.

— O Jack... – ela suspirou, ao menciona-lo. – Conversou com o Bunny, explicando a situação, então ele permitiu que eu ficasse no seu lugar. – explicou ela, passando para a parte de dentro e vindo ao meu lado. – Mas você tem que ir logo, antes que essa fila fique imensa.

— Tá okay, tô indo. Obrigada, El. – falei, ansiosa para voltar para casa. Ficar com a minha família era mais importante que o show da Bey, ME DESCULPE, BEY! – Ah! Você trouxe as chaves? – indaguei a Elsa, lembrando que havia vindo de carona com ela.

Elsa empalideceu e eu soube que ela havia esquecido desse pequeno detalhe. – Vim de carona com o Jack... Me esqueci. – ela bateu na própria testa. – Nós chegamos agora, ele deve tá procurando o Hiccup...

— Não tem problema, El. Nem está tarde, visto que falta horas pro fim do expediente. Nada que um táxi não resolva. – dei uma piscadinha e ela pareceu mais aliviada.

Mas se ela acha que não percebi que algo errado não está certo, ela tá muito enganada (???).

Ajeitei minhas coisas dentro do quartinho dos funcionários. Eu nem mesmo troquei a blusa do trabalho, só coloquei o sobretudo por cima, louca pra chegar em casa. Peguei minha bolsa, despedi-me brevemente de El mais uma vez e saí – dessa vez, pela frente mesmo, temi sair pela portaria dos fundos e me deparar com os fãs de hoje mais cedo, à minha espera (?).

Porém, ao longe de uns fãs persistentes que mantinham-se na fachada da boate, acabei por me deparar com alguém que, de fato, me surpreendera muito.

Encostado na lateral de seu sedã vermelho escuro, estava Dagur, com as mãos nos bolsos, entretido ao observar um grupo de nove moços e moças que cantavam em coral uma das dezenas de singles da Queen B.

Me aproximei dele, sem que me percebesse. – Oi, o que faz aqui? – perguntei, porque eu sou sempre muito direta, só que não. Lancei um olhar malicioso a ele. – Veio assistir a Bey, né? Sempre desconfiei que você fosse fã dela e da Lady Gaga... – dada nossa aproximação nos últimos dias, eu já estava em posição de fazer esse tipo de brincadeira com ele – até com Kris eu fazia, mas Kris nunca caía na pilha.

A princípio, Dag parecia meio sobressaltado pelo meu tom direto – sou muito direta, com licença –, mas ele logo se recompôs e deu uma risada. – Vim me despedir, Meri. Estou indo embora.

Opa. Mais uma vez, fui pega de surpresa. – Vai embora? Mas já? Fica pra janta... (?).

Ele riu. – Sim, eu vim com meu tio e preciso voltar com ele. – não consegui evitar ficar meio tristinha com essa notícia. Dagur vinha sendo muito legal comigo, ainda mais durante esses últimos dias a qual passei maus bocados por causa... Do Hic. – Como foi seu expediente? – indagou, trazendo-me a conversa novamente.

— Ah... – dei uma risada curta e nervosa, recostando-me no lugar ao seu lado, na lateral do carro. – Eu nunca antes trabalhei num show, é muito mais agitado que nos outros dias. – afirmei o óbvio e Dagur anuiu, virando-se para mim, que fitava a frente. – Mas eu consegui tirar de letra. – gesticulei com as mãos, assim como meu irmão, no estilo do Bronx. Ele deu uma risada rouca. Sua voz sempre fora grave, então sua risada era sempre rouca... Ou era isso que eu supunha.

Ele cruzou os braços, me observando com um sorriso perigoso no rosto. – Eu gosto desse seu jeito. Vou sentir saudade disso.

— O que? Do meu jeito? Que que tem meu jeito? – indaguei, meio lerda, meu normal, né gente.

— Saudade de você, saudade desse seu jeito inocente, brincalhão... É algo raro. – ela anuiu, ponderando. – E fascinante. – acrescentou e aí eu percebi... Que não era só o sorriso dele que emanava perigo.

A situação toda estava perigosa.

— Ah... – outra risadinha nervosa. – Que isso, é nada, po. Tem um monte de gente assim, por aí... – falei, tentando dissipar essa coisa estranha no ar que eu ainda não tava entendendo muito bem.

Dag desencostou da janela do carro, pondo-se a minha frente, mantendo uma mão sobre a lateral do veículo, rente ao meu braço. Agora, eu fitava o chão e em minha mente, inúmeras incertezas brotavam no decorrer dos últimos segundos. O que viria a seguir? O que significava aquilo? Talvez, ele só queira um abraço, né? Ele tá indo embora, deve ser por isso, po.

No entanto, senti uma das mãos de Dagur levar o cacho ruivo que caía sobre meu rosto até minha orelha, deslizando os dedos até a ponta do meu queixo em seguida, erguendo-o delicadamente, fazendo-me o fitar... Algo me diz que ele não quer um abraço.

Que olhar é esse? Diferente de qualquer outro que ele já me lançara, desde que começamos a conversar. Não consegui evitar engolir em seco quando, ao invés de se afastar, ele se inclinou para mais perto... Nervosa, pisco continuamente, sentindo meus olhos se arregalarem aos poucos.

Eu estava prestes a dizer algo como “Me desculpe, mas eu não entendi muito bem direito (?)”, porque a realidade é que eu não estava compreendo essa mudança repentina de Dagur. Por que isso agora? Será que é por que ele tá indo embora? Essa sempre foi a intenção dele? Por que????

Até que eu percebo seu sorriso de lado, a poucos dedos de minha boca. – Nunca alguém que me fascinasse como você conseguiu. – sua respiração fresca veio com o sussurro próximo aos meus lábios e enquanto ele fazia menção de se aproximar até que, eu suspeitei, não houvesse distância nenhuma entre nós, meu coração acelerou... E em minha mente, algo gritava “EITA PORRA!” (???????).

Até eu ser lançada para o lado, num solavanco moderado.

Não sinto mais os dedos de Dagur em meu rosto.

E, antes mesmo de assimilar a situação, o vejo no chão da calçada a minha frente, se apoiando sobre um cotovelo, de costas pra mim...

Um vulto a minha frente.

Alguém desenfreado indo à direção do Dagur estirado ao chão, que ao fitar aquele que chegava, crispou os olhos, com uma das mãos tateando o próprio queixo... Só então percebi o filete de sangue que escorria pelo canto de sua boca.

Meu coração falhou uma batida. Ai, puta que pariu, o que que tá acontecendo?!

Com os olhos arregalados, eu observava a cena a seguir, agarrada a minha bolsa e com o coração aos saltos.

Parado à frente de um Dagur ao chão, ele o olhava de cima, a postura enérgica e inquieta. – Levanta. – o recém chegado murmurou entredentes. – Levanta! – bradou, a plenos pulmões e eu dei um pulo, assustada. Demorei para reconhecer a voz... Afinal, eu nunca, em hipótese alguma, imaginaria ouvi-lo tão descontrolado. Meu olhar assustado repousou em Dagur. Foi quando notei um sorriso irônico em seu rosto que meu cenho franziu.

Até que ele levantou subitamente... Não, peraí.

Ele foi levantado.

Hiccup o agarrou pela camisa, o jogando de volta ao lugar que antes eu ocupava na lateral de seu carro. A essa altura do campeonato, eu já estava de pé, nervosa, mais perdida que cego em tiroteio.

Dagur mantinha-se recostado no veículo, mesmo tendo sido jogado ali, ele parecia não estar nada surpreso – aquilo me deixou confusa. Ele limpava o sangue que descia de sua boca, analisando com o cenho franzido, incomodado com o estrago, ignorando Hiccup, as pessoas que se aproximavam e a mim também – que assistia a tudo com os olhos arregalados.

Irado, Hiccup o segurou pela gola de sua camisa e minhas mãos começaram a tremer de nervoso. Cerrei os punhos, ofegante. – Quem te contou? – Hiccup indagou entredentes, pressionando Dagur na lateral do carro. – Foi a Heather, não foi?

E uma risada zombeteira irrompeu no ar tenso. – Você sabe que minha irmã nunca foi com a sua cara.

— É recíproco. – a voz de Hic saiu tão baixa, tão colérica... Tão assustadora, que por um momento, eu não o reconheci.

— Se eu soubesse que pra torrar sua paciência eu precisava apenas mexer com uma mina que tu gosta... Já tinha dado ideia na Astrid a muito tempo. – Dagur falou, sorrindo irônico com os dentes ensanguentados e dando uma cuspida rubra ao chão logo em seguida.

Hiccup o soltou, o fitando com certo escárnio. – Você já deu ideia nela, seu babaca. Ou você já se esqueceu disso? – terminou num tom zombeteiro.

O outro deu uma estridente risada debochada. – Ora, e não é que é verdade? Como pude me esquecer? – indagou a si mesmo, entre uma risada e outra. – Mas, se me lembro bem, aquilo não pareceu te afetar tanto... – um sorriso de lado brilhou em seu rosto, cujo um corte profundo adornava o lábio inferior. Ele riu e me fitou... Aquele mesmo olhar de antes... Engoli em seco. – Parece que com a ruivinha é diferente. – ele sorriu como se tivesse ganhado o melhor dos prêmios. – Como eu suspeitava.

Franzi o cenho, pronta pra perguntar o que caralhos ele queria dizer com aquilo, mas Hiccup avançou pra cima dele que nem um bicho, o agarrando pela camisa e acertando um soco no rosto de Dag novamente, que revidou com uma cotovelada, fazendo Hic cambalear para trás. Minha respiração começou a pesar, e eu senti que, nem mesmo cerrando os punhos, eu conseguia evitar o tremor em minhas mãos.

Quando percebi que Dag preparava aquele soco que seria certeiro, não consegui evitar o gritinho... E quando desferido, meu coração, por um momento, se encheu de alívio quando percebeu a esquiva de Hic.

Mas esse alívio não durara nem alguns segundos, pois lá já estava o punho de Hiccup plantado na cara do ruivo novamente – dessa vez, no nariz.

SOCORRO, JESUS, ELES VÃO SE MATAR! Com as mãos retraídas à frente da boca, eu olhava em volta. Eu queria gritar para alguém separar, mas não conseguia formular nenhuma frase.

E tinha gente filmando, onde já se viu? Vou baixar a Anna aqui e dar na cara dessas pessoas, aguardem (?).

O impacto do último soco de Hiccup fora tão grande, que eu percebi Dagur tontear. Hic parecia ter colocado toda a sua fúria nesse último soco e, dada a aproximação dos dois, Dag logo o atingiu no estômago, que foi revidado com um golpe no queixo.

A partir daí, eu já não ouvia nada a minha volta. Pessoas gritavam, coisa que eu deveria estar fazendo, mas tudo o que eu escutava era um som abafado e o desenrolar das cenas a minha frente em câmera lenta. Um alarme estridente em minha mente, exigindo que eu fizesse alguma coisa antes que o pior acontecesse... Dagur já estava tonto. Não demoraria muito para ele desacordar. Eu nunca vi o Hiccup desse jeito.

Senti-me ser lançada a frente... Minhas próprias pernas me levando na direção da confusão. Puxei um longuíssimo fôlego...

— Para! PARA! HICCUP, PARA! – tentei segura-lo, mas ele jogou minha mão pra longe com um movimento brusco que fez com o ombro. Então, apelei pra um gesto inesperado: Puxei seu cabelo (???).

Dica da Merida: Mulheres, por ser bastante utilizado em suas brigas o famigerado puxão de cabelo – e também pelas diárias puxadas de cabelo na hora de pentear e tals –, acabam por gerar uma certa resistência em seu couro-cabeludo. Homens, no entanto, tem certa sensibilidade nessa área pois, em seus confrontos, apelam pra socos, o que resulta então em couros-cabeludos sem resistência alguma. Via: Enciclopédia da Anna.

Como já esperado, Hiccup soltou um grunhido de dor e largou Dagur, que se segurou em seu carro.

Hiccup me lançou um olhar tão frio e irritado que, por um momento, me borrei (??). Mas ao fitar meu rosto assustado, seu olhar abrandou-se... Até ele ouvir uma risada.

— Que meigo. – zombou Dagur, ao perceber nossa troca de olhares. – O que será que a namoradinha Astrid vai pensar quando souber que você estava aqui, brigando por causa de outra? – então, franzi o cenho pois não reconheci aquele Dagur.

Mas o que mais me preocupou no momento, foi Hiccup, que já fazia menção de voar pra cima dele novamente.

Então fui rápida, agarrando um de seus ombros tensionados e puxando para trás com toda força que consegui. Hiccup cambaleou incrédulo e eu me pus a sua frente.

Mas não para proteger o Dagur.

Antes que ele pudesse me lançar o iminente olhar irritado, enlacei meus braços em volta de seu corpo, o apertando num abraço imediato, trêmula e muito nervosa. Se ele fosse tornar a se engalfinhar com o outro, teria de fazer isso comigo agarrada a ele, correndo o risco de me machucar.

O corpo dele estagnou-se na mesma hora. Ofegante, eu respirava seu cheiro, com os olhos fechados e as unhas cravadas em suas roupas. – Por favor... – pedi, com a boca contra seu cheiro. – Por favor, para.

Ao sentir que ele continuava parado, lentamente me afastei para fitar seu rosto.

Foi quando percebi, com sua imagem turva, que meus olhos estavam marejados. Suas mãos se ergueram e seus dedos quentes seguraram meu rosto, me analisando... Arrependido. Ele encarava meus olhos, o arroxeado já visível em seu olho esquerdo, um olhar que durou vários minutos... Era como se ele estivesse me vendo pela primeira vez. Pisquei, sentindo a lágrima morna descer meu rosto e molhar seus dedos em minha bochecha.

— Não caia na conversa dele, Merida. Você é mais esperta que isso. – ele murmurou, para logo ouvir um protesto ao nosso lado.

— Ele acabou de me dar uma surra, não tá vendo como ele tá descontrolado? – apontou Dagur, aproximando-se de nós. – Não sabe o que diz.

Tentei fitar Dagur, mas Hiccup segurou meu rosto mais firme, sem desviar os olhos dos meus. – Ele não gosta de você.

Meu coração acelerou. – Wow, estamos falando do que mesmo?! – indaguei, confusa.

— Ele não sabe o que tá dizendo. Tá irado pelo ciúme, repare. – tentou desconversar Dagur, estridente ao nosso lado.

— Ele não quer nada contigo, Merida. – o tom de Hic, sempre baixo e controlado, ignorando aquele que gritava próximo a nós.

Mas então, meu coração apertou, enquanto eu pensava a respeito dessa sua última frase. – Assim como você, que também não quis? – minha voz saiu entrecortada e Hiccup prendeu a respiração, franzindo o cenho... Tirou as mãos de meu rosto e eu senti frio.

Acho que ele nunca percebeu que eu me sinto tão dispensada quanto ele.

Ele se virou para o ruivo, agora calado, ao nosso lado. – Deixe ela fora dos seus joguinhos, Dagur. O que eu acabei de fazer aqui não é nada comparado ao que eu ainda pretendo. – Hiccup expôs num tom tão ameaçador, que até eu senti medo dele.

Mas então, foi minha vez de ficar irritada. – É assim, então?! – minha voz elevou-se de tal maneira, que os dois, que antes se olhavam raivosos, me encararam incrédulos. – Vocês se socam feito dois primitivos, do nada, trocam frasesinhas cúmplices durante todo o processo, se despedem e vão cada um pra um lado, enquanto a trouxa fica aqui, sem entender porra nenhuma?! – os dois me olharam com os olhos arregalados, mais pálidos que a Elsa em seus dias normais. – Eu quero explicações. Agora!

Eles se entreolharam, meio assustados, até que Dagur, cheio de hematomas no rosto, apontou para Hiccup. – Foi ele que começou, você viu (?).

Virei-me para Hiccup, com os olhos em fendas. – O que foi isso, Hiccup? O que foi isso, cara?! – eu tava indignada.

— Eu não sei. Eu não sei! – ele passou as mãos nos cabelos, irritado e constrangido ao mesmo tempo, pude perceber os nós de seus dedos vermelhos, já puxando para o roxo. – Ele ia... Ele tava... – gesticulou com as mãos e grunhiu irritadiço.

— Não interessa o que ele ia e não interessa o que ele tava. – respondi mais seca que o sertão brasileiro (?). – Você não pode sair socando as pessoas assim, sem mais nem menos!

— Eu tive meus motivos, Merida. Ele passou dos limites! – apontou ele, enérgico, aproximando-se de mim.

— E quais seriam esses limites que você impôs, ein? Tocar em mim é passar dos limites? Se aproximar de mim é passar dos limites? – eu ri sem humor. – Engraçado. Você não é nada meu. Deixou de ser meu amigo...

— Porque você quis assim. – ele grunhiu e eu continuei.

— Não é meu dono... E, muito menos, é meu namorado. – ele engoliu em seco, ofegante.

Passando as mãos nos cabelos, ele desviou o olhar. – Me dói ver você longe de mim. Me dói ver você com outro cara... – ele pausou e eu me controlei para evitar o rubor em minhas bochechas. – Na verdade, me enfurece. – murmurou baixo, em confissão.

Eu respirei fundo. – Me dói ver você com a Astrid, e nem por isso eu saio por aí socando a cara dela. – ele me fitou surpreso. – E se bem me lembro, a sua namorada está em casa, esperando por você.

Hiccup crispou os olhos, me olhando por longos segundos. Foi quando pareceu, enfim, atônito com próprio descontrole... E, principalmente, com a minha reação. Engoliu em seco, evitando me olhar. Mas o cenho franzido ainda estava ali, mantendo a sua irrefutável teimosia. – Desculpa... – pediu, num tom de voz tão baixinho que, seu eu não tivesse tão centrada em seus lábios, não teria notado.

Ele se afastou, a passos pesados, e dessa vez, o frio tomou conta de mim, como se Hiccup tivesse levado com ele todo o calor. Soltei a respiração, só agora percebendo estar prendendo o fôlego todo esse tempo. Passei os dedos trêmulos sob a testa, eu estava suando frio... Ele se desculpou.

Não demorou para que Dagur se aproximasse, tentando me dirigir a palavra, achando que esqueci toda aquela conversa suspeita dele com o outro que acabou de sair do recinto. As reações zombeteiras, os sorrisos debochados, as risadas irônicas... Ainda estavam bem frescas em minha mente. Neguei com a cabeça, rindo sem o mínimo humor. Deve ser muito fácil me fazer de otária. O fitei, com os olhos frios. – Já dizia Friedrich Nietzsche: “Não me roube a solidão sem antes me oferecer verdadeira companhia.” – ele me lançou uma encarada confusa, esperando por uma explicação, eu suspeitei... Mas quando enfim notou minha irritação e fez menção de tentar se explicar, o interrompi. – Fica longe de mim. – falei baixo, no entanto, séria. Seus olhos se arregalaram, mas eu não fiquei para ver a reação a seguir. Tornei a fazer meu caminho...

Que caminho? Eu já nem lembrava mais o que eu estava fazendo antes disso acontecer. Foi tudo tão rápido, tão... Argh! Meus Deus, Merida, sua capacidade de ser otária sobrepõe a qualquer outro talento teu, se é que você tem algum talento além de ser trouxa (?).

Ah, mas isso já estava me tirando a paciência que eu achava ser infinita. Eu não acredito... Eu não acredito em tudo o que eu ouvi aqui – e olha que eu não entendi nada (?), mas só pelo fato de estar confusa, isso já me irritava. Percebi estar respirando pesadamente, bufando exasperada a cada passo pra longe da boate, pra longe de Dagur, pra longe disso tudo!

Frustrada e irritada por sentir ter sido enganada. Já pensou se aquele beijo acontece?! Não era amor. Era cilada (????). Grunhi irritadiça, sentindo uma vontade incomum de socar alguém, quem quer fosse. Hiccup? Dagur? Servia, eu só precisava soltar minha Anna interior e sair chutando umas genitálias por aí. Mas o que é isso?! Eu nunca fui violenta! Ai, que raiva desses dois, olha o que me tornei! Eu sentia minha cabeça fervendo, por um momento achei que o apelido “Cabelos em Chamas” poderia ter se tornado literal.

As pessoas já passavam por mim e se afastavam ao máximo, provavelmente notando minha cara de poucos amigos. Melhor assim. E QUE NINGUÉM ESBARRE EM MIM, por favor, tá? Não quero correr o risco de matar alguém (?).

Mas, perceba, é completamente possível que uma válvula de escape surja no meio de seu caminho, algo tão poderoso capaz de esvair toda essa ira pra longe de seu coração e plantar ali, no lugar daquele sentimento pesado, apenas a sensação culposa de comoção e preocupação.

Essa válvula de escape só precisa ser alguém com quem você se importa.

O que, no meu caso, era o Hiccup.

Vê-lo do outro lado da rua, duas quadras depois da boate, com ambos os braços encostados em seu carro enquanto que seus olhos fitavam... O chão, com a expressão vazia. O observei por longos segundos... Nos primeiros segundos, eu já não sentia mais aquela raiva. Afinal, minha válvula de escape tava ali, e não aparentava estar nada bem.

Ele parecia tonto. E cansado. Suspirei, deixando que minhas pernas me guiassem até ele – era onde elas queriam ir, não eu, tá? (?).

Um sentimento de culpa alastrava meu coração e eu percebi estar sentindo isso bastante durante essas últimas semanas. Eu não queria que ele fosse para casa nessa situação.

— Ei... – ele me fitou, e seus olhos rapidamente crisparam. Franzi o cenho, porém, por conta da preocupação ao notar o hematoma em seu rosto ainda mais feio. – Vem. Deixa eu dar uma olhada nisso... – meio que relutante, ele se virou para o meu melhor acesso. A maçã de seu rosto já começava a inchar e isso me preocupou. – Eu não vou deixar você dirigir assim. – falei, depois de dar uma averiguada.

— Eu tô ótimo, Merida. Melhor impossível. – respondeu, e por mais claro que tenha sido a petulância em sua voz, eu não consegui me irritar com isso. Eu tinha a leve impressão de que ele queria matar alguém, assim como eu queria alguns minutos atrás. Seus motivos, eu já não sabia dizer.

— Aham, sei. Me dê suas chaves.

— Não.

— Dá logo.

Ele bufou e colocou as chaves na minha mão estendida. Tive de força-lo a entrar no próprio carro e, ainda sim, ele o fez sob muitos resmungos, enquanto que eu ainda não conseguia me irritar com aquilo. Só ficava admirando, com um sorriso bobo no rosto – sem deixar que ele percebesse, se não seria motivo para mais discussão – o modo como ele parecia um adolescente que mal conseguia entender seus descontroles da puberdade, frustrado pela incoerência de suas atitudes.

Tava agindo de maneira infantil, enquanto eu mantinha a mínima maturidade que descobri ter.

Naquele momento, os papéis pareciam ter se invertido.

Notas finais
Número de Palavras: 9.178 ((Músicas do Capítulo)) XO – Beyoncé: https://youtu.be/0uDgICa14Ek Curiosidades: — O nome desse capítulo me faz lembrar de Stranger Things. — Os irmãos da Meri têm em torno de 8/9/10 anos, tá? -qq Eu ainda não decidi especificamente, mas é em torno disso, fica a critério de vocês. Entenderam prq fiquei com um pé atrás com esse capítulo? Pois é. Preciso da opinião de vocês mais que sincera sobre aquela cena, okay? Agradeço. Mas gente, vocês não tem NOÇÃO de como eu amo esse Hiccup emburradinho. AMO, DÁ VONTADE DE MORDER! ❤ ❤ Fiquem tranquilas quanto a essa última cena, ele não tá com raiva da Meri, ele só tá constrangido prq, VIADO, ELE DEU UMA SURRA NO CARA LÁ, ELE PERDEU O CONTROLE NA FRENTE DA CRUSHA (????). Mas continuando, uma coisa que Meri estava errada é: As coisas em comum entre Hubert e Hic não é só o ciúme. A verdade é que ambos são ciumentos, ambos amam a Merida e ambos querem protege-la – no caso do Hic, do Dagur. No caso do Hubert, de caras que podem vir a lhe fazer mal – Dagur se aplica nessa situação tb, né? Não sei, continuando... É, não teve POV do Hiccup. NÃO ME MATEM! Acontece que o POV da Meri ficou IMENSO, vocês viram né? Por isso, tive de quebrar o capítulo, principalmente porque o POV do Hiccup ainda não tá pronto, e vocês sabem a dificuldade que tenho com POVs masculinos, né? Então... Tá sendo uma luta, mas tá fluindo. No entanto, ainda acho que vai demorar para eu terminar esse POV dele, então, como eu não queria deixa-las sem capítulo novo no fim do ano... Eu disponibilizei o POV da Meri. Sim, gente. Isso é uma ‘despedida’ ~CHORANDO~ Pode ser que o próximo capítulo só saia ano que vem, então... Eu desejo a vocês, manas, minhas queridas leitoras, por quem tenho tanto apreço – e, não, eu não estou sendo sarcástica, estou sendo sincera pra caralho –, um feliz Natal e um próspero Ano Novo ~voz das propagandas de TV~. Esse ano foi um ano e tanto para nós, autora e leitoras – agora, leitores, contando com MrOliver – e sinto que as tenho aqui comigo e as levo para todo lugar, prq vcs estão no meu coração, manas ❤ ai, tô fofa hoje, com licença (???). Mas é sério. Passamos por momentos ótimos e momentos ruins, no entanto, SEMPRE JUNTAS! Vocês me ajudaram – não só em uma situação, mas em várias. Conheci mais de vocês, aprendi MAIS com vocês... Eu nunca pensei que a escrita fosse me trazer tanta gente do bem, tanta coisa boa pra minha vida... Então, eu só tenho a agradecer. Por vocês, por esse dom – que vocês me fizeram enxergar que é um talento, mesmo eu ainda achando que não tenho talento algum HUEHEUH –, e por esse ano... Que, talvez só por causa disso, valeu a pena. ❤ Vamos torcer para que, na fé de Odin, eu consiga terminar o POV do Hic antes do fim do ano, e assim nos veremos novamente ainda em 2016 ^^ MAS TUDO DEPENDE DA MINHA INSPIRAÇÃO, ENTÃO, torçam por ela! HEUHEUEH’ ❤ Vou dedicar os próximos dias a responder os comentários, vai que a inspiração marota brota assim do nada, né non? HEUHEUHE Então, nos vemos em breve... TOMARA! ❤ ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ ATENÇÃO, ATENÇÃO! Eu tenho uma pergunta IMPORTANTÍSSIMA PRA VOCÊS. O que vocês acham... De um hot? É prq, tipo assim sabe, devido as circunstâncias e tals -qq. Eu estava escrevendo aqui um hot, mas queria saber se vocês veriam problema, prq provavelmente, eu terei de aumentar a classificação pra +18. JÁ VOU AVISANDO que não é aquele HENTAI FODEROSO, e nem aquela coisa feia de ~aviso sobre palavras de baixíssimo calão a seguir~ METI NELA, CU, BUCETA, PIROCA, GOZEI PRA CARALHO! Não gente, pelo amor de Deus. E nem será de fato um bglh tipo pá, vai ser mais um bglh tipo “hm né”, mas mesmo assim, é mais pesado que todas as cenas que já escrevi até agr em RT – RT nem tem muitas cenas pesadas, na verdade, pra muitas pessoas, NEM TEM, isso vai de cada um, né? Mas então, pega todas as cenas tipo pá que cê já leu aqui, pegou? Não é nada comparado ao que eu to escrevendo. Vai ter umas palavras assim tipo “EITAAAAAAAA” mas tb não ver ser tipo “Nossa, que baixaria” KKKKKKKKKKK DESCULPA, EU TO NERVOSA! Eu to escrevendo isso, vocês conseguem imaginar como eu to aqui? É MEU PRIMEIRO HOT, SOCORRRRRRRRR, a cada frase, eu fico “NÃO ACREDITO QUE ESCREVI ISSO” KKKKKKKKKKK to rindo mt Mas continuando, tb queria perguntar uma coisa pra vocês, vocês devem saber mais que eu: A fic deve ser classificada como +18 apenas se houver cenas de sexo ou se tiver qualquer cena que envolva quaisquer tipo de conotação sexual? Sem ser o ato em si, de... Penetração? AI SOCORRO KKKKKKKKKKKKKKKKKK gente, to passando mal de tanta vergonha, tiau, até ❤❤❤❤❤❤❤❤❤