Rising Tide

5 Intenções


Notas iniciais
Hello, guysss! C: Como estão? Trago o capítulo 5 para vocêssss, está fresquinho HUEHEUHE' Não sei se algumas pessoas ficaram confusas, mas lhes digo que essa fic será JELSA, MERICCUP, KRISTANNA & EUGENZEL, ok? Nada de Hicstrid, Jackunzel, Helsa (seilá como diabos é o nome desse shipp), enfim.. nada disso, sai fora. rs Minha ideia central está firme nesses shipps, porém, n quero deixar nada muito forçado. Peço a paciência de vocês. É minha primeira fic, e quero fazer um bom trabalho rs Chega de blá-blá-blá, Nathalia, deixa o povo ler logo essa budega ¬¬ Enfimmmm, rs divirtam-se! ^^

INTENÇÕES

POV Tooth

— Cara, esquece essas garotas. – disse Flynn, cansado.

— Anna, não vale a pena, lembra? – disse Rapunzel.

Anna não respondeu.

E Merida, nada entendia. – É o que que tá acontecendo?

Hiccup assistia a tudo com as sobrancelhas arqueadas. – Ahhh, agora entendi... – disse, dando um risinho. – Suponho que a joelhada que meu amigo levou seja de sua autoria, estou certo? – indagou Hiccup, tomando a atenção de Anna para si, que ainda olhava Kristoff de soslaio, desconfiada.

— Certíssimo, coração. – respondeu Punzie no lugar dela. – Mas a culpa é do seu amigo.

— Ele não falou com você. – Flynn expôs, em toda sua placidez.

— Desculpe, quem é você mesmo? – indagou Punzie, despreocupada, e eu não entendi porque aquilo pareceu irrita-lo ainda que minimamente.

— Sua amiga é louca! – de repente Kristoff se manifestou, mas respondendo as primeiras declarações de Rapunzel.

— Você a provocou e sabe disso. – retrucou ela.

— Não o leve mal. – Hiccup disse à Anna, se referindo a Kristoff, tentando descontrair o clima pesado que já havia se formado. – Ele tem esse jeito turrão e é assim mal-encarado, mas é uma ótima pessoa, sério. – com um olhar assassino Kristoff encarou Hiccup, que o ignorou.

— Já desse seu outro amigo, não podemos dizer o mesmo, né? – alfinetou Rapunzel, fitando as unhas.

Flynn deu um sorrisinho de canto de boca, estranhamente satisfeito com o comentário maldoso.

— Quem? Flynn? Ah, ele também é meio difícil, mas é um cara legal. – disse, sorrindo nervoso. – Vocês só precisam se conhecer melhor.

— Eu dispenso. – Rapunzel falou de imediato.

— É um favor que você me faz. – disse Flynn, com sua voz tranquila que, vou te contar, tira qualquer pessoa do sério.

Eu desejaria boa sorte à Punzie, se ela não se mostrasse bem preparada para a afronta encarnada que atende pelo nome de Flynn Rider. Ela o encarou, antes de revirar os olhos e fingir um bocejo.

Meus Deus, preciso fazer alguma coisa antes que isso aqui acabe em morte.

— Mas então, Kristoff... a Anna também é tão gente boa. – Anna me encarou, incrédula. – Só é um pouco estourada, só isso...

— Eu não sou estourada. – tornou a fitar Kristoff. – Só não tenho paciência pra gente idiota. – disse naturalmente. Ai mulher, coopera!

— Não tem paciência consigo mesma? – indagou Kristoff. E a veia da Anna tá latejando, cadê a Elsa?! – Eu não vim aqui para conversas casuais. – tornou a falar num tom surpreendentemente tranquilo, quase tão afrontoso quanto o de Flynn, porém firme, o que fez todos se aterem. – Eu vim te mostrar que não sou de avisar. – Anna estreitou os olhos, mas ergueu o queixo antes de ele terminar. – Sou de agir.

POV Elsa

Oxford é conhecida por seu sistema rigoroso. Então, qualquer falta ou atraso, deve ser justificado, ou acarretará em perdas de pontos – e todo acadêmico sabe que o menor dos décimos é sempre importante.

Portanto, eu tinha que me informar sobre o que fazer a respeito do péssimo horário em que cheguei com as meninas – quase perdemos a primeira aula inteira.

Em poucos minutos cheguei a coordenação da faculdade – poucos minutos graças ao bendito mapa.

Não consigo acreditar até agora que perdi o mapa enviado a mim junto com os documentos da faculdade. Apesar de que as meninas também receberam, só que são todas avoadas para essas coisas. Seria surpreendente mesmo se elas não o perdessem. Eu que me responsabilizo sobre isso. Se eu não tivesse perdido, essa confusão que Anna e Punzie se meteram não teria acontecido, todas chegaríamos a tempo para a primeira aula e eu não precisaria estar aqui.

A recepção era uma grande sala oval e a porta dava de frente para o balcão, no qual havia uma moça loira que aparentava ter a minha idade.

— Boa tarde. – me pronunciei.

— Boa tarde, senhorita...?

— Elsa. Elsa Snow.

— Sim, senhorita Snow. Em que posso ajuda-la? – indagou sorrindo, solidária.

— Eu queria saber como faço pra justificar uma falta, ou melhor, um atraso.

— Você precisará conversar com o coordenador. O que está cursando?

— Psicologia.

— Pode tratar com o senhor South, mas no momento ele está em aula. – ela digitou algo antes de continuar. – Daqui à poucos minutos ele está chegando. Se quiser sentar e esperar, fique à vontade. – apontou na direção das poltronas. – Assim que ele chegar, aviso que a senhorita deseja falar com ele, sim?

— Obrigada. – fui em direção as poltronas enfileiradas, me sentei numa no canto de trás e peguei uma revistinha pra ler. Haviam poucas pessoas na sala – apenas eu, duas moças e um rapaz. Será que também estão esperando esse mesmo coordenador?

Não se passaram nem cinco minutos e um homem alto e ruivo, muito familiar, adentrou a grande sala. E eu me senti uma tonta por ter esquecido dele – apelidado de ruivo sedução pela Rapunzel. Como pude me esquecer? Observei ele se aproximar da recepção e falar com a moça simpática, que prontamente me apontou enquanto dizia alguma coisa.

Ele olhou para mim e tornou a falar com a recepcionista algo rápido antes de vir em minha direção com seu andar firme.

— Senhorita Snow, por favor, me acompanhe. – disse com a voz grave e me dirigiu um sorriso tranquilizador.

O segui pelo corredor, notando sua postura impecável apesar do andar rude – que suspeitei ser fruto dos anos na escola militar. De frente a uma porta de madeira maciça, ele fez um gesto para que eu entrasse no que parecia ser sua sala.

Grande e moderna como indicava Oxford em todo o seu interior. A aparência medieval era apenas por fora mesmo. Por dentro, as salas de aula, corredores e equipamentos eram tudo de última geração.

Havia muitas estantes nas laterais da sala, todas lotadas de livros. A grande mesa com a cadeira acolchoada executiva ficava de costas para a janela, que tinha vista para um dos pátios da faculdade.

— Aqui dentro podemos conversar melhor. Não preciso usar as formalidades, entende? A não ser, claro, que você prefira ser tratada de maneira formal. – disse, enquanto se sentava em sua cadeira.

— Não, eu entendo. Assim é melhor mesmo. – respondi, enquanto me sentava em uma das poltronas de frente para sua mesa.

Acho que seria um pouco estranho trata-lo de maneira formal. Mesmo eu tendo certeza que não, ele aparentava ter a minha idade.

— Acabei de sair de uma aula de Farmacologia Aplicada, então me perdoe se eu estiver parecendo um pouco confuso. – aquele comentário me fez rir, sinceramente. Quem diria, o coordenador, gente como a gente. – E então, como posso ajuda-la, Elsa?

— Preciso justificar meu atraso e das minhas amigas hoje. Pode parecer uma desculpa esfarrapada, mas creia, nos perdemos na faculdade. – foi a vez dele rir.

— Eu creio, moça. Se me visse chegando aqui no meu primeiro ano, teria gargalhado como os outros veteranos. – comentou ao tempo que fazia umas anotações. – Mas em relação as suas amigas, não posso fazer muita coisa por meio de você. Elas devem vir falar comigo, principalmente caso sejam da área da saúde.

— No que isso implica, se me permite a pergunta?

— Sou coordenador de determinados cursos, mais precisamente, da área da saúde.

— Você é responsável pelo prédio de ciências biológicas, então?

— Não. Apenas determinados cursos de ciências biológicas e humanas. Se alguma das suas amigas estiver cursando enfermagem, biomedicina, biologia, educação física ou psicologia, pode vir falar comigo. Caso estejam em qualquer curso de ciências exatas, a situação será tratada com um outro coordenador.

— E quem cursa moda?

— Sua amiga vai resolver sem quaisquer contratempos. – ele ainda escrevia ao dizer. – Os discentes de moda tem um coordenador próprio e, no geral, ele é bem afável.

— E você também é, eu espero. – me retesei ao perceber que ele parou de escrever para fitar-me o rosto, me sentindo uma estúpida por ter dito algo tão besta. Para o meu alívio, ele sorriu.

— Dessa vez, serei. – esticou na minha direção um papel, que se tratava de uma justificativa já assinada por ele. – Na semana que vem, procure seu professor da primeira aula e lhe apresente isto. – ele indicou um local ao fim da folha. – Preciso da sua assinatura também. – e me esticou uma caneta.

— Nossa, que alívio. – dizia enquanto assinava. – Vou repor todo o conteúdo que perdi assim que adquirir no portal, logo que chegar do expediente.

— Logo que chegar do expediente, descanse. – corrigiu-me ele.

— Não posso me dar ao luxo, coordenador. – dei um risinho. – Tenho uma bolsa a manter.

— Não precisa se cobrar tanto.

— Preciso sim. – entreguei-lhe a caneta antes de finalmente perceber que ele me encarava com o olhar analítico e um sorriso meticuloso no rosto.

Foi alguma coisa que eu disse?

— Você é discente de psicologia. Tem plena ciência do mal acometido por um esforço mental em excesso...

— Acha que não consigo? – indaguei, arqueando uma sobrancelha. Ele sorriu.

— Muito pelo contrário. – me encarou intensamente. – Acho que você é completamente capaz. – se inclinou para frente, apoiando os cotovelos sobre a grande mesa, entrelaçando os dedos. – Nossas disciplinas são bem puxadas, mas você não estará sozinha. Me preocupo com os alunos.

Ele estava apenas preocupado e eu achando que estava duvidando da minha capacidade. Ponto pra você, Elsa.

— Não se preocupe, eu estou habituada a fazer tudo sozinha.

Eu estava tão sem graça de olhar para ele, que nesse momento minhas mãos se tornaram extremamente interessantes. Então passei a olhar para elas.

— Parece um jeito difícil de viver.

— Você se acostuma.

Eu ainda fitava minha mão quando ele acrescentou depois de alguns segundos.

— Você precisa parar de exigir tanto de si, Elsa. – tornei a fitar seu rosto.

Encarei aqueles olhos verdes que me fitavam com tamanha magnitude, como se tentassem a todo custo me decifrar. E, pelo que parecia, estava conseguindo.

De repente, me vi nervosa. Não é todo dia que alguém consegue ver através do meu sorriso “estou sempre bem” costumeiro.

Mais uma vez, esticou o papel na minha direção e eu enfim despertei, piscando seguidas vezes.

— Avise as outras alunas que puderem tratar comigo, estarei aqui a semana inteira.

— Ok. Tudo bem. – sorri em agradecimento, ainda que me sentisse desconfortável.

— Mais alguma coisa em que eu possa te ajudar?

— Não... era apenas isso. – ele me levou até a porta de seu escritório. – Muito obrigada, coordenador.

— Apenas Hans.

— Hans... – corrigi-me na mesma hora. – Muito obrigada, Hans. – ele sorriu quando fitei seu rosto.

Merda, como ele era bonito.

POV Merida

Morta feat. Enterrada com essa situação.

Tooth estava tão nervosa que resolveu ir atrás de Elsa. Eu nesse exato momento estou meio confusa. Acabei de descobrir que esses meninos são todos amigos do Hic. Gente. Que loucura, não?

— Cabelos em Chamas, está me seguindo? – indagou ele, com um sorriso brincalhão.

— O quêêê?! Eu?! – fingi indignação, com uma das mãos repousadas sobre o peito.

— “Cabelos em Chamas”? Que intimidade é essa, Merida? – indagou Rapunzel, com uma sobrancelha arqueada.

— Ah, Punzie, esse é o Hic.

— “Hic”?! – indagou os dois amigos de Hiccup em uníssono.

— Olha, por favor, sem piadinhas, ok? Ao menos dessa vez, sejam maduros. – disse Hiccup, cruzando os braços.

— Até o amigo deles reconhece que são infantis. – sussurrou Anna para Rapunzel dando um risinho.

Mas parece que o loiro ouviu.

— Acho melhor você ficar calada.

— Ou o quê? – indagou Anna, toda trabalhada na arrogância.

— Ou... – ele deu uma pausa e com a voz rouca e baixa continuou. – Eu vou ter que te calar.

Sua feição mudou da água pro vinho.

Desde a hora em que eu o conhecera – ou seja, a minutos atrás – ele tinha o rosto tenso, irritadiço, pronto pra matar um. Agora ele exalava um quê de malícia.

Ele fitava de um modo intenso os lábios finos da minha amiga. E o pior é que já estava próximo de uma maneira bem perigosa.

Anna que até agora tinha o seu jeito arrogante a ativa, perdeu a compostura por um segundo ao deixar escapar um olhar de espanto com a repentina mudança de intenção do loiro.

Isso o fez sorrir. Um sorriso pretensioso.

Anna estava estática. Ele se aproximou do rosto dela, todos ficaram na expectativa de um beijo. Até eu, é claro! Mas ele desviou, levou os lábios na direção do ouvido de Anna e sussurrou.

— Assim está melhor... – com um sorriso de lado, acrescentou. – Calada.

Bom, nem preciso dizer que até agora eu, Punzie, Hic e o tal Flynn estávamos todos boquiabertos, estáticos, ninguém nem respirava. Apenas assistíamos a tudo para ver no que ia dar.

Mas aí, então, Anna saiu do transe. E eu fui obrigada a fazer alguma coisa.

— Ah, seu... – já avançava nele quando eu a segurei. – Me larga, Merida!

O loiro a olhava de cima, com um sorrisinho vitorioso no rosto.

— Ei, seus putos... – ah ótimo, chegara mais um. – Procurei vocês por toda parte... – olhou em volta, pelo visto sentindo o clima pesado. É, tá dando para perceber à léguas. Arqueou uma sobrancelha. – O que tá acontecendo aqui?

— Jack, me ajuda... – falou Hiccup, com certo desespero.

— Claro que ajudo, meu campeão. – respondeu, ainda meio confuso. – Mas primeiro você me ajude a entender o que se passa aqui, sim? – ele encarou o rosto de cada um até localizar Anna e abrir um enorme sorriso. – Já entendi tudo.

POV Jack

A situação passou de estranha pra engraçada.

Hiccup me puxou para o canto e perguntou se a baixinha Anna era mesmo meio doida como eu havia dito mais cedo.

— Pode apostar que sim.

— Pois é, eu meio que percebi (?).

Kristoff parece que sente a necessidade de se meter com as mais brabas. Incrível. E o pior é que ele nem faz de propósito.

— Ótimo! Vamos lá conversar? – já ia em direção a elas quando Hiccup segurou meu ombro.

— Você não está entendendo. Elas não querem conversar! Eu estava indo bem, até agora. Mas Kristoff fez o favor de estragar tudo outra vez, aquele idiota. – dizia exasperado. – Pensei em seguir a sugestão do Flynn e mandá-las ralar, mas não sei se quero levar uma joelhada no saco também não.

— Eu posso tentar conversar com elas. Sou carismático, você sabe. – falei com um sorrisinho presunçoso proposital.

— É, acho que você é o único que pode fazê-los mudar de ideia e não se matar... – enquanto me observava, ele parecia pensar em algo. – Vamos tentar.

Voltando ao agradável clima anterior, ainda pude ouvir algumas trocas de ofensas antes de eu me pronunciar.

— Oi, lembra de mim? – perguntei a garota de cabelos acobreados. – A gente nem chegou a se apresentar e eu gostaria tanto de saber seu nome.

— Pra quê? – indagou, com os olhos estreitos. Desconfiada, não?

— Calma, meu diamante bruto, só não quero te tratar feito uma desconhecida. – não vou mentir, essa moça tá me dando medo.

— Desconhecida é exatamente o que sou para você.

Que amor de mulher, né gente?

Uma menina de rebeldes cabelos cacheados massageava as têmporas antes de vir até o lado dela.

— O nome dessa cavala aqui é Anna e não ligue para os coices que ela acabou de te dar. É o estresse que esse aí... – apontou para Kristoff. – Exerce sobre ela. – disse a ruiva, naturalmente.

Sua amiga a encarou com um olhar assassino.

— Ora, sem problemas. Para alguém que convive com esses caras.... – indiquei os três infames as minhas costas. – Levar um fora sem motivo aparente é um hábito. Mas me responda, Anna, minha deusa guerreira, por que você chutou o Kristoff? – ela, por um momento, não respondeu. Parecia ter esquecido quem era Kristoff.

— Esse seu amigo idiota? – concordei com a cabeça, como se idiota fosse seu sobrenome. – Apenas dei o que ele tanto pediu e no momento não me arrependo. Muito pelo contrário, estou até muito orgulhosa do que fiz.

— Tacada de mestre, a sua. Logo naquela área, ein? – falei, a observando. Sua feição estava mais descontraída. – Você queria mesmo fazê-lo sofrer de dor.

— Você estava lá. – os olhos dela voltaram a emanar uma súbita raiva novamente ao encarar Kristoff. – Sabe que ele queria isso.

— Bom saber que está tão disposta a me dar tudo o que eu quero. – Kristoff comentou com maldade na voz. Nossa, jovem. Tô orgulhoso.

— Cala essa sua boca. – Anna grunhiu entredentes, fofa de tão enrubescida que ficou.

— Viu? Era disso que eu estava falando. – Hiccup cochichou para mim.

— Acho melhor você tirar essa ideia absurda da sua cabeça. – disse Anna para Kristoff, claramente me ignorando.

— O jogo só está começando, Anna. – o nome dela soou diferente na voz de Kristoff.

—Você é baixo se pensa que vou cair nas suas provocações sujas! – vociferou, aproximando-se dele.

— Você já caiu uma vez.

— É diferente e você sabe disso!

— E você achou o que?! Que eu ia bater em você? Eu não bato em mulheres, sua maluca! – disse Kristoff, elevando seu tom de voz.

— Oh, nossa, que cavalheiro você. – disse ela, num tom irônico.

— Você não faz ideia do quanto. – afirmou Kristoff, sarcástico. Isso aqui tá demais, gente.

É a primeira vez que vejo Kristoff falar tantas palavras de uma vez só com uma desconhecida, se assim podemos chama-la.

— Faz alguma coisa, Jack. – sussurrou Hiccup.

Eu queria fazer alguma coisa. Pegar uma pipoca e ficar assistindo.

A ruiva de cabelos encaracolados estava com uma cara de quem não aguentava mais. Toda hora olhava para trás, ansiosa esperando por alguém. Uma garota de cabelos loiros e longos – que Flynn encarava sem nenhum pudor, com os olhos crispados – fitava as unhas, indiferente. Vez ou outra olhava para Flynn e, percebendo que ele estava a encarando, revirava os olhos, tornando a fitar as unhas.

As pessoas passavam, curiosas, espiando e cochichando coisas que eu não me dei o trabalho de tentar ouvir. Algumas paravam para olhar, mas logo eram enxotadas por Flynn ou Hiccup.

Ouvi passos apressados no corredor. A ruiva olhou para trás e pude ouvi-la agradecendo a Deus. Me estiquei para tentar ver quem era o motivo de tanto alívio e...

Vinha uma mulher inexplicavelmente familiar. Parecia preocupada e muito brava. Uma segunda pessoa a acompanhava. Espera aí, Tooth?!

— O que está acontecendo aqui, Anna?

Só percebi estar admirando-a durante todo o seu trajeto quando ela enfim se pronunciou bem próxima a nós.

Crispei o olhar analítico sobre ela. A cor de seus cabelos...

— Nada importante, é só... – Anna dizia meio sem jeito. – O idiota de hoje cedo, que eu falei... – a outra a interrompeu.

— Eu peço desculpas, em nome de minha prima, pela agressão... – disse para Kristoff, fazendo meu amigo se espantar.

De certa forma, todo mundo se espantou. Anna a olhou indignada, mas antes que pudesse dizer algo, ela continuou.

— Porém... – deu ênfase. – Você é livre para dizer o que bem tender, mas é prisioneiro das consequências que isso acarreta. – só ela falava, todos ouviam.

Até seu penteado era familiar. Tudo nela gritava que eu já a conhecia.

— Lide com o que você causou a si mesmo. – afirmou, na maior tranquilidade possível.

Kristoff estreitou o olhar na direção dela, mas nada disse. Ela nos fitou por ínfimos segundos. De onde eu conheço esses olhos, porra?

Nos deu as costas. – Vamos. – não precisou dizer mais nada, todas a seguiram na hora, sem protestar.

Kristoff estava estático. Eu, Hiccup e Flynn também.

Eu me sentia estranhamente em completo torpor. Vítima de um fascínio exercido pela minha consciência perigosa que insistia em afirmar que eu a conhecia.

De qualquer forma, ela conseguiu apenas com uma frase acabar com essa discussão que parecia não ter fim. Coisa que nem eu, nem Hiccup conseguimos e olha que tentamos com muita conversa.

Ficamos olhando elas irem embora. E o que a Tooth tá fazendo indo embora com elas? Dava para perceber que Anna levava broncas da branquinha que acabou de nos dar as costas.

E eu nem sei o nome dela. Sorri de lado. Não tem problema. Terei o ano inteiro para descobrir.

POV Anna

É evidente que Elsa não concorda com os meus métodos e é contra esse meu jeito impulsivo mas, mesmo apesar disso tudo, ela continua do meu lado. Me defendendo, me apoiando, mesmo não concordando comigo.

Isso acontece desde sempre – já perdi as contas de quantas vezes ela me livrou de suspensões por arranjar briga no ensino médio para defender Merida, para ensinar uma lição as que ousavam inventar boatos sobre Punzie pelos corredores, ou simplesmente por não admitir que comentassem sobre a minha vida – minha mãe teria uma luxação no punho de tanto assinar advertências minhas, não fosse Elsa sendo representante por anos e me livrando das merdas feitas na escola.

Acho que ela se sente culpada por ter acobertado minhas delinquências juvenis. E eu me sinto culpada por fazê-la ter tanta dor de cabeça, mas me esforço há anos para melhorar – e vinha conseguido, até trombar com esse maldito Kristoff.

— Prima... – eu disse, com a voz calma.

— Ih, chamou de prima. – disse Rapunzel. – Vai começar o sentimentalismo.

— Tá me chamando de prima pra fugir do sermão? Pois fique sabendo que... – a interrompi com um abraço que ela, a princípio, não correspondeu devido ao susto e sua aversão a contato físico.

Aos poucos, senti ser rodeada por seus braços.

— Obrigada. – disse, enquanto nos separávamos. – Estou feliz. Você ficou do meu lado.

— Mas é claro que sim. – disse ela, num tom óbvio. – Não ficaria contra você nunca. – sorriu para mim. – E ele mereceu mesmo. Não pode sair por aí tratando as pessoas de tal maneira, custava te pedir desculpas pelo esbarrão?

— Né? Era uma palavrinha simples, que teria nos poupado de tamanha confusão e dor de cabeça. – disse Rapunzel.

— Hm, bacana isso tudo. Mas que tal a gente voltar para aula? – disse Merida. – Estamos muito atrasadas.

Só então percebemos que o intervalo havia acabado há tempos. Droga. Além de arranjar confusão, agora também atrasada mais uma vez no primeiro dia. Ótimo.

Merida, Elsa e Rapunzel tomaram rumos diferente. Tooth deveria acompanhar Meri para o prédio de ciências biológicas, mas a próxima aula dela era de uma disciplina à parte que seria no mesmo prédio do meu curso, então seguimos juntas.

Por um momento, eu havia esquecido toda a raiva que estava sentindo por aquele cara. Essa curta conversa com minhas amigas me deixou um pouco mais leve. Mas estou preocupada com o jeito como ele me olhou, o tom que ele usou para proferir aquelas palavras.

Argh! Imbecil. Quando ele disse que ia ter volta, não achei que seria dessa forma. O que ele pensa que eu sou? Uma adolescente que não sabe resistir a isso? Uma tapada, que ele vai facilmente seduzir?

Péssima ideia. Ele, definitivamente, não me conhece. O que eu tenho de ingênua é só a aparência. Eu entendi o seu joguinho. Seria uma pena, para ele, se eu soubesse jogar também.

Suspirei, rindo de nervoso. A quem tô tentando enganar? Vou ter que pedir umas dicas a Punzie, isso sim...

— Anna... – a voz de Tooth me tirou de meus devaneios.

— Sim?

— Ele... o Kristoff... não é uma pessoa ruim. – ela disse, fitando o chão, enquanto caminhávamos.

— A meu ver, ele é péssimo. Desculpa.

— Dê tempo ao tempo, Anna. Vocês se conheceram de maneira errada. – deu um suspiro. – Eu não pretendo me intrometer, mas vou, se preciso for. – deu uma risadinha. – Só digo que ele não é esse monstro, apenas enfrenta monstros. – disse, com um sorriso saudoso.

Eu tentei compreender sua última deixa. E consegui, em partes.

Gosto de Tooth e sei que se ela está falando essas coisas, não é à toa. Sorri para ela e assenti.

Quem sabe futuramente eu entenda o que ela quis dizer com essas palavras.

*

Notas finais
Na minha fic, Anna é PRIMA de Elsa, pasmem! HUEHEUHEUHE' Tenho uma história para a família de Anna, por isso rs Tenho em mente fazer sérias revelações no capítulo seis, apenas aguardem... ~risada maquiavélica~ O que acharam? Me digam. Amo conversar com vcs, deixem seus reviews.. Até a próxima ;3