Rising Tide
6 Dilema
Notas iniciais
DILEMA
POV Rapunzel
Por trás da máscara de durona, Anna é uma pessoa muito bondosa de coração.
Nos dias conseguintes, passava horas se martirizando por ter feito Elsa se preocupar e até cogitou a ideia de pedir desculpas ao salafrário lá – Anna, a personificação do orgulho, pedindo desculpas? Pois é, não passou de cogitações mesmo.
Durante a semana, havia sido difícil se concentrar nos afazeres quando vivíamos apreensivos dos dois se trombarem novamente e dessa vez se matarem, mas não houveram muitas provocações entre eles – o que em nada significava ser o fim daquela historia. Eu tenho a leve impressão de que é só o começo de tudo.
Contudo, o que mais me impediu de seguir em foco foram as palavras daquele Flynn durante nosso primeiro fatídico encontro. Ninguém merece. O moreno sedução virou moreno repulsão, se me permite dizer. Vou te contar, viu? Homem bonito hoje em dia é assim: ou é gay, ou é um completo babaca.
Pensar nisso me fez lembrar das insinuações de Merida na festa do lago.
“Aposto que é gay.”
Pois é, Meri. Também aposto, porque convenhamos, pra ele já ter lido matérias que mencionassem o nome do meu pai, a posição dos meus pais e, principalmente, a minha pessoa, ele com certeza é leitor assíduo de revistas de moda. Por mais que eu odeie generalizar, uma coisa leva a outra.
As aulas terminaram e combinamos de nos encontrar na grande portaria de entrada da faculdade. A primeira que avistei foi Anna, se despedindo de Tooth e vindo em minha direção.
— Por favor, vamos embora pois mais tarde ainda tenho que trabalhar. Mas antes de mais nada, meu corpo clama por um mergulho.
— O quê?! Vocês vão no clube e não iam me chamar? – indagou Merida, chegando de surpresa, atrás de mim.
— Ia te chamar sim, só estava esperando você chegar. Inclusive, vou até chamar Elsa também, cadê ela? – dizia Anna, olhando para os lados procurando por Elsa.
— Está vindo. – respondeu Meri, apontando para além do ombro de Anna. Olhamos na direção e vimos Elsa se aproximando.
Quando chegou mais perto, pude perceber que ela suava frio. Seu olhar estava sem foco algum.
— Elsa... você está bem? – pelo visto, não fui a única a perceber. Merida indagou, tirando Elsa de seus supostos devaneios.
— O que? Claro que sim. – mentiu. Era evidente que havia alguma coisa errada.
— Sei... – disse Anna, num tom desconfiado. Elsa parecia desconfortável. – Queria te chamar pra ir no clube com a gente.
— Olha... deixa pra outro dia, tá legal? Hoje vou descansar, me sinto exausta. – dizia, sem nos fitar nos olhos.
Elsa não sabia mentir. Não pra nós.
— Tudo bem, Elsa. – eu falei e ela me fitou. – Quando quiser nos contar o que houve, seremos todo ouvidos. Ok? – disse, lhe dirigindo um olhar compreensivo.
Ela me dirigiu um olhar surpreso, antes de suspirar longamente.
— Ok. – respondeu, dando um sorriso fraco.
O trajeto até o carro foi em silêncio. E o trajeto até o prédio, também. Assim que adentramos nosso apartamento, Elsa jogou sua bolsa no sofá, se sentou na poltrona e lá ficou. Olaf se aproximou de sua mão, tomou lugar em seu colo, implorando por um carinho, mas ela mantinha o olhar distante. Pensativa, por minutos a fio. Resolvemos respeitar seu espaço.
Anna vestiu seu maiô. Eu e Merida vestimos os biquínis e pegamos nossas coisas. Resolvemos ficar na piscina do prédio mesmo, Elsa estava estranha e não queríamos ir para longe. Não com ela desse jeito. Sentei-me numa espreguiçadeira perto da piscina e Merida pulou na água, fazendo respingar em mim.
— Ai, Merida! Sua cara de cu. – xinguei, mas acho que ela nem ouviu.
Pus meus óculos, antes de pegar o bloqueador que havia trago. Anna pôs sua touca e óculos de natação antes de mergulhar graciosamente na água. Dessa vez não respingou. A habilidade de nadadora é para poucos.
Merida voltou a superfície, vindo até a borda da piscina, próximo onde eu estava. Ficamos conversando enquanto Anna continuava com sua sessão de terapia – nadar.
— O que será que aconteceu, Punzie? Não gosto de ver Elsa assim.
Merida dizia, enquanto apoiava os dois braços na borda da piscina. Estava com os cabelos molhados e baixos. Tinha o olhar preocupado.
— Difícil dizer, Meri. – falei, enquanto espalhava o bloqueador solar nos meus braços. Ela deu um longo suspiro. – Mas eu tenho certeza que alguma coisa grave aconteceu.
Quando Elsa resolve não nos contar algo – pelo menos não no momento – significa que nem ela mesmo está sabendo lidar com a situação e por isso não quer nos envolver. É como se ela travasse uma batalha interna e só depois de concluir seus raciocínios ela resolve falar. Respeitamos seu espaço justamente por isso.
Mas estou preocupada. Só a vi assim uma vez e nem gosto de lembrar o motivo. Nenhuma de nós gostaríamos de vê-la daquele jeito novamente.
Começamos a comentar sobre o dia. Não tínhamos novidades e nem estávamos animadas sobre o hoje. Foi um tédio, a última adrenalina foi a treta da Anna dias antes.
Questionei Merida sobre o tal Hiccup novamente e ela me disse que foi esse moço que ela conheceu na festa do Parque Hinksey. A olhei com um sorriso malicioso e ela corou.
— Não viaja, Punzie! – arquejou, escondendo o rosto.
Gargalhei alto. Merida as vezes parece uma criança. Às vezes, quase sempre. Anna veio em nossa direção e também jogou uma piadinha.
— Hiccup, ein... – disse, dando um sorrisinho de lado, malicioso. – Ele é gato. Pescou um peixão, ein amiga. – ri de Anna e da feição espantada de Merida.
— Eu mal o conheço, pelo amor de R’hllor! Isso é loucura.
— E o que é que tem? – falei, arqueando as sobrancelhas. – Os melhores amores são assim, amiga, loucos. – e dei uma piscadela travessa.
Ai, sou tão sábia. É por isso que adoro conversar comigo mesma (?).
— Mas não tem nada a ver, sério. – ela negou com a cabeça, ficando séria. Merida séria é raridade, fato. – Ele namora a Astrid, eu acho.
— Mas que merda. – falou Anna, com um muxoxo.
— Então parem, ok? Não é nada disso que vocês estão pensando e provavelmente nunca será. – disse Meri, antes de mergulhar e ficar um tempinho embaixo d'água, tentando bater o próprio recorde.
— Poxa, já havia até bolado o nome do shipp. – falei, fazendo um biquinho.
— Eu também. – Anna parecia desapontada. Merida voltou a superfície na outra ponta da piscina. Anna colocou as mãos em torno da boca antes de berrar. – Mericcup, maior e melhor!
— Mericcup na veia, Hiccstrid na cadeia! – mantive a torcida, porque sou dessas.
Meri, do outro lado, nos olhou aparentemente furiosa, mas logo caiu na gargalhada. Ela não consegue ficar séria por muito tempo.
— Ele parece legal. Diferente de seus amigos, né. – falei num tom irônico, me referindo a Hiccup.
— Sim. – concordou Anna e pensou por um segundo. – Aquele Jack também não parece tão péssimo.
Ao retornarmos para o apartamento, toda aquela curiosidade e preocupação sobre a repentina mudança no comportamento de Elsa voltaram. Assim que chegamos, todas nós varremos a sala com os olhos a procura dela, que continuava no mesmo lugar, com Olaf dormindo em seu colo.
— Tá legal, esse é o máximo que eu consigo aguentar! – exclamou Merida, chamando a atenção de todas nós, até de Elsa, que antes mais parecia estar em outro planeta. – Desembucha, Elsa. Você está me matando!
Elsa deu um longo suspiro. Me sentei ao lado dela e peguei sua mão. Anna permaneceu de pé, encostada no braço do sofá, próxima a Merida. Olhávamos pra ela, ansiosas. Abriu a boca para dizer algo – e nesse momento ficamos todas na expectativa – mas logo fechou.
— Meu Deus, fala logo, mulher! – berrou Anna.
— Phillip está aqui... – Elsa fez com a voz sem vida. – Em Oxford.
O silêncio foi longo e carregado de tensão.
— Não pode ser. – Merida foi a primeira a se pronunciar.
Anna, que antes estava com a feição espantada, agora exalava um sentimento de raiva. De alguma forma, eu também estava com raiva. Só de ouvir o nome dele, todas as lembranças desagradáveis, as lágrimas de Elsa, as palavras dele diante de todos, voltam feito uma avalanche.
— Por quê? – indaguei quase sem forças.
— Eu... não sei. – suspirou Elsa, fitando as mãos.
— Pensei que ele fosse pra uma porra de universidade militar, se é que isso existe! – vociferou Anna, indignada. – Qualquer coisa, contanto que continuasse lá no cu de Birmingham!
— Elsa, onde você o viu?
— Encontrei com ele no fim das aulas. – respondeu sem emoção alguma. – Ele me cumprimentou.
— Miserável. O que ele disse?
— Não muita coisa. – deu um longo suspiro. – Só que está estudando aqui também, que não queria vir mas que não teve muita escolha.
— Deve ser pau mandado do pai até hoje.
— Não, ele... ele falou que o Sr. Hubert faleceu ano passado. – Anna pareceu meio desconfortável, mas nada disse. – Ele realmente parecia não querer ter vindo.
— E isso te deixa...?
— Aliviada. – respondeu de imediato.
— De qualquer forma, nunca foi do feitio dele ser um maníaco obsessivo, então não acho que ele tenha vindo atrás de você.
— Não faz sentido nenhum também ele vir atrás dela, né. – Anna tinha uma certa dificuldade em manter-se tranquila principalmente porque foi a que acompanhou tudo bem de perto. – Era só o que faltava, um Phillip arrependido.
Segurei o ombro de Elsa. – Fica tranquila, mana.
— A repentina aparição de Phillip afetou todas nós, ainda que nem tenhamos o visto ainda. – Meri afirmou, pontuando que ela não estava sozinha.
Elsa suspirou pesadamente e eu sentei-me na mesinha de centro, de frente para ela.
— Falar sobre isso pode te ajudar na busca pela melhor forma de lidar com essa situação difícil. – tentei argumentar e ela, que até agora fitava as mãos, me olhou nos olhos.
Todas nós a olhávamos querendo ajudar. E ela percebeu isso.
— Está tudo bem. Eu só fiquei assim porque... esperava não vê-lo por um bom tempo. – suspirou e negou com a cabeça, parecia envergonhada. – Nem tive tempo de supera-lo, que droga! Eu sei que não deveria, mas não pude evitar ser rude quando conversamos, pois toda vez que olho pra ele... – fechou os olhos com força, apertou os lábios. – É como se uma novela passasse na minha cabeça. Ele me faz lembrar de tudo o que eu já abri mão, já me humilhei, tudo por ele. – fitava um ponto qualquer. – Eu não guardo rancor de Phillip. Guardo rancor de mim. – vi seus olhos marejarem. Elsa respirou fundo e não deixou nenhuma lágrima cair. – O modo como eu era burra e cega...
— Você só era uma jovem apaixonada, Elsa.
— Tenho vergonha do que eu era. – ela afirmou rapidamente. – Toda vez que o olho, lamento o tempo que perdi vivendo por ele e esquecendo de mim. E agora, terei de vê-lo todo dia. – tornou a fitar as mãos e acrescentou. – Será uma tortura.
— Não será, não. Estamos com você, esqueceu? – Merida lhe dirigiu um sorriso solidário. – Como sempre tivemos.
— Elsa, você é uma das mulheres mais incríveis que eu conheço. E não se acostume, pois nunca mais direi isso novamente. – eu falei e ela riu. – Phillip nada mais é que um obstáculo que você, com toda certeza, vai conseguir superar.
— Concordo com a Punzie. E você terá nossa ajuda, mesmo eu achando que você não precisa. – disse Anna.
— Preciso sim. Não consigo sozinha. – pedir ajuda era raridade, vindo de Elsa para outras pessoas.
Mas não para nós.
— Vamos debater sobre isso, então! – exclamou Anna. – Como sempre fazemos, com as coisas distintas do cotidiano. Vamos tratar esse assunto com o devido nível de preocupação que ele merece ter: pouco, quase nada. – olhou para cada uma de nós, sua feição exalava determinação. Aloka. – Não vamos tratar o bosta do Phillip com tamanha importância. Ele não merece isso.
— Falou bonito!
O objetivo de Anna, no momento, era óbvio, certo? Descontrair o clima.
Aquela áurea ruim passou, trazendo a costumeira Elsa atenciosa de volta. Ela nos ajudou a fazer a bolsa para levar para o trabalho e nos aconselhou, como sempre.
Deixamos Merida e Elsa em casa. Merida não deixaria aquele clima voltar, certeza.
Evitamos falar sobre o assunto, mas eu sabia que Anna ainda pensava nisso. Merida também. E eu também. Suspirei. A época do Phillip não foi a das melhores. Era duro ver Elsa chorar quase todos os dias.
É difícil admitir que aquela situação do passado viera a afetar sua personalidade atual e futura. Elsa é a prova viva de que por trás de toda pessoa fria existe um coração dolorosamente partido.
POV Jack
Na terceira aula do dia, eu imaginava se o inferno era cheio de pessoas como o professor de Ciência Política.
Era meu segundo ano sendo seu discente e eu tinha quase certeza de que nem Satanás me encararia como ele estava me encarando naquele momento – pois, diferente do resto da turma, a única coisa produtiva que eu me dispunha a fazer era segurar o lábio inferior entre os dentes enquanto Heather corria seus dedos pela minha coxa.
Meu caderno nunca esteve tão branco em toda a sua vida, mas as circunstâncias justificam.
Me esforçando para não gemer, seguro seu pulso longe da proeminência rígida em minha calça antes que sejamos flagrados pelo Sr. Satã, mas o cara parecia realmente desconfiado à frente da sala, o que me levou a sorrir em sua direção, apoiando um cotovelo sobre a mesa para disfarçar.
Seria ruim ser expulso de sala por causa disso. Seria ainda pior ver o Sr. Satã convidar Heather a trocar de lugar, ainda mais porque eu estava adorando o que suas mãos podiam fazer e adorando ainda mais sua devassidão.
Heather fez beicinho, inclinando-se sobre a mesa também. Ela sempre irá conseguir minha atenção quando fizer essa carinha.
— Não estava gostando? – indagou, manhosa.
Agarrei seu pulso sob a mesa, fazendo-a apertar a protuberância sob meu jeans, antes de sussurrar em seu ouvido.
— Isso responde?
Ela ofega.
— Sr. Frost? – chama o professor que ainda não encontrou nada melhor para fazer além de encarar o meu belo rosto.
— A análise textual dessa parada aqui... – solto distraidamente, indicando as folhas em branco do meu caderno para Heather, tentando disfarçar.
Seguro sua mão quando ela começa a me provocar novamente em nosso pequeno jogo sujo, sabendo que as dúvidas do professor já estavam sanadas e ele tinha plena noção do que estava acontecendo debaixo da mesa.
— Tenho certeza que a Srta. Deranged gostaria de mudar de lugar. – pronuncia-se Sr. Satã novamente, ignorando segundas opiniões. Desgraçado.
Eu jogo minha caneta sobre a mesa, recostando-me no encosto da cadeira, entediado – enquanto olho para a dalilah chefe com a sobrancelhas erguidas.
Heather parecia chateada e até tentara argumentar com o professor cuzão.
— Sr. Jones, na verdade, eu não gostari...
— Gostaria, sim. – corta ele.
Eu definitivamente odeio Ciência Política.
Heather revira os olhos, se ocupando em jogar suas coisas dentro da bolsa antes de se levantar.
Assim que ela saíra, a mulher sentada a minha frente virou-se para me esticar um papel que continha o que supus ser seu telefone – e pelo sorriso malicioso que ela me lançava, eu estava certo.
Aquela que eu esperava mesmo o telefone, eu não tive – e também, não vi mais a semana inteira. Isso me faz lembrar que Tooth estava junto com ela. Se elas fizeram amizade, talvez isso seja um problema – ou talvez, uma solução. Eu só preciso encarar de outro ângulo.
Quando finalmente o fim da aula chegara, saí da sala incomodado por estar pensando demais nesse assunto. Não era como se eu estivesse interessado naquela garota, tampouco fazendo alguma questão de pedir-lhe seu número ou perguntar seu nome. A mais vaga ideia já me soava cansativa e engraçada demais, então faça o favor e ria comigo porque dois segundos depois, quando Heather invade o banheiro masculino nos trancando na cabine mais próxima, eu esqueço desse dilema tão rápido quanto ela fica molhada.
Tempos depois, saio daquele banheiro segurando a alça da minha mochila e exibindo um sorriso tão aberto que chama a atenção à corredores de distância. Puxo meu celular do bolso do moletom, enviando no grupo do Phoenix Club:
“tudo por minha conta hoje no The House”
Tendo como resposta um coral de aclamação dos caras quando chego ao estacionamento, tocando os punhos e apostando sobre quem iria sair mais bêbado da boate hoje.
— Jorgenson. Com certeza. – zoou Tuffnut, recostado na camionete de Eret.
— Quem teve de ser carregado para casa da última vez? – indagou Snotlout, ciente da resposta.
— Hiccup. – blefou o outro, dando de ombros. – Filho da puta! – Snotlout lhe dera um tapão na nuca, quase derrubando seu boné.
— Larga de ser cínico. Foi tu mesmo.
— Que isso, meu Bob Marley caucasiano, vai deixar ele te tratar desse jeito? – não pude deixar de provocar.
Hiccup revirava os olhos assistindo a tudo. – Não é como se o Jorgenson tivesse passado batido também.
— Eu sei me cuidar, Haddock. Chego em casa sozinho. A mocinha aqui é quem precisa ser carregada.
Como resposta, o loiro de dreads erguera o dedo médio na direção dele.
Eret negava com a cabeça, dando uma risadinha. – Thorston, aceite meu conselho e pare de deixar a bebida te beber.
— Eu preciso discordar do meu camarada tatuado. – expus, tocando os ombros de Eret e Tuffnut ao mesmo tempo, virando-me na direção do último. – Viva como se fosse morrer, porque você vai.
— Muito motivador, Jack. – ironizou Hiccup.
Em resposta, eu apenas sorri, recostando-me no capô do meu carro.
Antes que eu pudesse perceber, aproximava-se de nós as integrantes de alguns clubs que sempre marcavam presença em nosso meio – muitas dalilahs e algumas poucas sluts, clubes femininos rivais que só se juntavam na nossa presença e eu pude notar que traziam rostos novos, o que supus ser algumas calouras.
— Rapazes. – cantarolou uma morena, com um malicioso sorriso aberto, acomodando-se a nossa volta junto das outras garotas.
Uma delas se acomodara na minha coxa, deslizando a mão pela minha nuca. Eu não esperava por isso, mas também não estou recusando. Não dá para reclamar.
— Moças. – revida um deles, cantarolando a palavra de volta.
Hiccup recebe Astrid em seu colo. Jorgenson se ocupa com uma morena e Thorston se encarrega de uma ruiva. Eret tem ao seu redor as gêmeas, mas não dá muita atenção para as duas pois evidentemente só tem olhos para a irmã do amigo que também está no recinto.
Após retomarem o assunto, volto minha atenção para a mulher em meu colo. Roxanne é como se apresenta. Eu acho que é amiga de Heather, pois chegaram juntas, e esta logo se acomodara na minha outra coxa, garantindo seu espaço. Ela não menciona a nossa foda no banheiro, mas é toda manhosa ao escorregar suas unhas feitas pelo meu peito. Lanço um olhar perverso na direção dela e deslizo meu rosto para o seu pescoço, beijando a pele eriçada com um sorriso cretino.
É nesse momento que, de algum jeito, minha visão é atraída para o foco do meu dilema de hoje mais cedo.
Ela.
Dessa vez, seu esquadrão não a acompanhava, tampouco Tooth.
Estava sozinha, caminhando a passos firmes, ainda que distraídos, em direção ao fim do estacionamento. Os cabelos presos numa trança para trás, o olhar concentrado no celular, a outra mão a carregar inúmeros livros e folhas como indica a sua aparência séria e esforçada.
Eu sabia que não era o único observando ela – olhos nela aqui, olhos nela do outro lado do estacionamento, olhos nela a acompanha-la sorrateiramente. Ela chamava a atenção sem ao menos perceber.
E ela seguia, concentrada em suas folhas até olhar em volta brevemente, expressando sua desconfiança com uma feição adorável. Não pude evitar sorrir contra o pescoço de Heather.
A desgraçada era linda demais.
*
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