Rising Tide

18 Impulsos


Notas iniciais
CHEGUEI, EM NOME DE SAITAMA, EU CHEGUEI! E cheguei com tudo, suas lindjas! TRAZENDO 12K DE PALAVRAS PRA VOCÊS! 12 FUCKING K! Anyway... Eu não queria enrolar aqui nas notas iniciais, longe de mim querer que vocês esperem AINDA MAIS pra ler o capítulo, mas é que eu queria agradecer... Aos comentários do capítulo passado e a quem comentou, ah adorei cada palavra! ❤ E também eu queria dizer que... CATASTROPHE, SUA LOCA LINDA AMADA, SUA RECOMENDAÇÃO ME ARRANCOU LÁGRIMAS! E me deixou imensamente feliz o resto da semana, eu não sei nem como agradecer pelas palavras, eu li e reli aquele texto inúmeras vezes... Obrigada, obrigada e obrigada! Considere o capítulo dedicado a você ❤ Enfim! Já lhes adianto que as notas finais estão enormes, mas tem coisas deveras importantes lá, pra quem quiser ler, viu? Então, nos vemos nas notas finais! MAIS UMA VEZ, OBRIGADA CATASTROPHE! ❤❤❤ Sem mais delongas... Boa leitura! ^^

IMPULSOS

POV Toothiana

A música ambiente era Let It Happen do Tame Impala quando, tropeçando nos próprios pés, faço caminho até a portaria de acesso aos fundos da casa, onde estava a aglomeração de pessoas animadas por conta da piscina há pouco liberada.

Eu deveria estar ciente de que com mais de duas longnecks de cerveja logo chegaria neste estado deplorável de embriaguez, diga-se de passagem. Afinal de contas, eu não bebo. Ou não bebia, até então.

Parei na sacada do pequeno deck iluminado e dei uma espiada na área da piscina, constatando que estava tão animada quanto a parte de dentro da casa. O cheiro de grama molhada me atingiu – não só de água, mas de álcool também.

Animada para ser mais uma entre as loucas da piscina com os peitos de fora, corri em direção aos degraus de saída do deck e que davam acesso ao gramado do jardim.

Pior decisão do dia.

Ao fazer menção de pisar no primeiro dos cinco degraus, senti minha cabeça girar e, por um segundo, fechei os olhos com força. Acabei por pisar em falso e senti quando a sola de minha bota escorregou na ponta do primeiro degrau e fui lançada pra frente.

Não havia onde eu pudesse me segurar para evitar o iminente. Arquejei. Oh, droga. Eu estava pra cair de cara no chão, tão bêbada que sequer lembrei de dar um de meus gritos agudos e histéricos para anunciar esse pequeno evento desastroso.

Fechei os olhos, já esperando o impacto e o som das risadas a minha volta, mas tudo que ouvi foi...

— Peguei você. – disse a voz grave as minhas costas.

Abri meus olhos no mesmo instante.

O gramado verde ainda estava ali, bem à minha frente, e eu ainda estava inclinada, porém não mais prestes a cair...

Fitei meu abdômen, onde sentia uma certa pressão.

Suponho que o dono da voz seja o mesmo dono do braço forte que está envolta de minha cintura, me salvando da horrível e vergonhosa queda que eu estava prestes a expor para os demais convidados.

Bom, levando em consideração que a grande maioria já estava tão bêbado quanto eu, muita gente nem notaria Toothiana caída de modo nada gracioso no gramado verde e molhado do belo jardim.

— Minha nossa... – foi a única coisa que a minha mente conseguiu formular naquela situação.

Senti meus cabelos batendo contra meu rosto quando fui puxada para trás num súbito. Minhas pernas falharam devido ao susto, eu as senti bambas por longos segundos, mas os mesmos braços fortes ainda estavam ali, me ajudando a continuar de pé.

Tirei os cabelos de meu rosto, ajeitando-os afim de firmar a visão turva graças a embriaguez, enquanto me apoiava no parapeito do deck novamente. Ofegante, eu repousava uma das mãos sobre o peito, tentando aliviar o susto que meu fraco coração havia sofrido a pouco.

Fitei os cinco degraus com os olhos arregalados, como se fossem cinco monstros.

E no segundo seguinte, caí na gargalhada.

— Gente, que vexame... – eu estava falando sozinha, na verdade, quase perguntando a mim mesma qual era a graça, pois ainda desatava a rir.

— Foi por pouco.

— Sim, nossa... – dei uma risada, olhando de relance o dono daquele par de olhos azuis que me fitava de maneira divertida. – Estou me imaginando de cara no chão naquele gramado, o mico, meu pai. – dessa vez ele deu uma audível risada, mas eu não consegui evitar encara-lo bem séria e deslumbrada. – A partir de hoje te chamarei de meu herói.

— Quê?

Foquei seu rosto e então, constatei que...

— Você é realmente muito bonito, está mais que apto para esse posto. – falei, chegando mais perto afim de observar seus traços com mais precisão. Ele parecia meio espantado com toda a minha atitude, ora essa. – Está com medo de mim? Não temas, ó jovem rapaz charmoso.

— Wow.

— Sim, “wow”, também estou impactada com tamanha beleza. – nesse momento, eu já o segurava pelas bochechas com apenas uma mão, encarando com afinco o fundo de seus olhos. – Nem parece real.

— Moça, você tem certeza de que está se sentindo bem? – tentou indagar, meio atrapalhado por estar tendo suas bochechas apertadas.

— Sendo sincera, estou bêbada. Na verdade, nunca estive tão bêbada. Na verdade, eu nunca havia bebido antes. Na verdade... – passei os dedos por entre seus cabelos, sentindo a maciez com certo deleite. – Você está mesmo aqui? – ele arqueou a sobrancelha, parecendo não entender a pergunta.

Soltei ele num súbito e dei alguns passos pra trás.

— Será se estou alucinando? – murmurei para mim mesma. – Bem que ouvi que o ponche estava batizado. – falei com lamentar.

Não pode ser. Estou drogada?

— Estou começando a ficar preocupado. – admitiu ele, apreensivo, mas no segundo seguinte, abrindo um sorriso divertido antes de dizer. – Garanto a você que não sou uma alucinação.

— Como não?! – o encarei com os olhos em fendas, meu tom regado a desconfiança.

Ele sorriu ainda mais, coçando a nuca. E pra completar, a alucinação ainda tem um sorriso perfeito.

— Teve sua prova, moça. Estava até agora apertando minhas bochechas, lembra?

— Você não vai me enganar, gostoso fruto da minha imaginação! – ralhei, apontando em sua direção.

Ele ergueu ambas as mãos. – Ei, olha só. A última coisa que quero é enganar alguém! Se eu fosse fruto da sua imaginação, você estaria até agora de cara no gramado.

Analisei por breves segundos. Suspirei. Até que fazia sentido... A não ser que...

Arregalei os olhos. – Você é um anjo!

— Obrigado. – agradeceu ele, presunçoso.

— Não! Estou dizendo que você é um anjo! Não fruto da minha imaginação. Você é um anjo!

— Quê?! – indagou incrédulo demais para o meu gosto, o que não o deixava menos lindo.

Ele só pode ser um anjo. Faz sentido, já que anjos podem se materializar, não é mesmo?

— Nossa, me fala, qual seu nome? Rafael? Miguel? Uriel? Zacariel? O que você faz aqui? Costuma salvar universitárias bêbadas com frequência? Quero saber tudo! Como é o céu? Você toca harpa numa nuvem?

— Moça... – ele gemeu e apoiou seu rosto sobre a mão, num gesto frustrado.

Mas era só o que me faltava. Fiquei tão bêbada que Deus resolveu mandar um anjo pra me livrar das vergonhas como cair de cara no chão, vomitar nos outros, ficar pelada na piscina, fazer streaptease em cima da mesa, tentar sensualizar em cima de um touro mecânico...

— Eu não sou um anjo. – murmurou ele, tornando a me fitar.

— Aham, claro.

— Estou longe de ser um anjo. Acredite em mim. – dessa vez, havia certo lamentar em sua voz.

Parei para observa-lo de corpo inteiro e só então notei copo de ponche em sua mão.

— Não, não é. Que tipo de anjo bebe ponche batizado? – murmurei para mim mesma, mais uma vez.

Santa senhora das vodcas. Que mico.

Gemi, muitíssimo frustrada, encostando-me no guarda-corpo do deck enquanto passava as mãos nos cabelos.

— Cair de cara no chão teria sido menos vergonhoso. – ri desgraçadamente.

Ele abriu um sorrisinho.

— Está tudo bem. – encostou-se na parede oposta a mim, fitando-me com um sorriso compreensivo. – Talvez você só esteja um pouco bêbada.

— Não, meu amigo, eu tô muito bêbada! – gargalhei alto.

— Pelo menos, está curtindo a festa mais do que eu.

O filho da mãe havia aberto um charmoso sorriso de lado.

— Oh, me desculpe. Entendendo o quão chato deve ser ter de lidar com uma aspirante a pinguça...

— Não foi isso que eu quis dizer. – argumentou ele, coçando a nuca. – Sendo bem franco, você foi uma das melhores coisas que me aconteceu até agora. – quando notou a própria confissão, arregalou os olhos e desviou o olhar. – Digo, hm... te ajudar foi a melhor coisa que aconteceu até agora.

— Bom, fico feliz por isso. E sorte a sua por não ser tímido. – falei, desviando o meu olhar do seu, mas ainda sim conseguindo notar com a visão periférica o sorriso que se formava em seus lábios.

Dois rapazes subiam ao deck nesse instante, voltando da piscina e seguindo rumo ao interior da casa.

Um deles usava uma camisa-pólo vermelha, destacando os braços fortes, e o outro estava simplesmente sem camisa.

Ambos tinham a atenção totalmente voltada para a música que tocava nas grandes caixas de som espalhadas pelo gramado, com os braços sobre os ombros um do outro enquanto cantavam – ou tentavam cantar, pois falavam mais embolado que eu. Pararam pra olhar um pra cara do outro, gargalhando logo em seguida.

Ao menos, me senti acolhida por não ser a única bêbada.

E é claro que eu não pude deixar de rir também, né? Por sorte, foi um riso sutil. Ou era isso que eu supunha. O homem que olhava na minha direção percebeu minha risada.

— Do que está rindo? – perguntou o sem camisa, também rindo.

— Eu não sei. – respondi, gargalhando, pois eu realmente não sabia.

O de camisa-pólo virou-se para mim, procurando com quem seu amigo falara. Seu olhar desceu para o meu corpo numa lentidão incômoda para mim.

— Nada mal.

Ergui uma sobrancelha.

— É sério que o senhor se sentiu no direito de avaliar?

— “Senhor”? – riu ele. – Gostei da posição de autoridade.

Meu estômago se revirou. Tinha que ser babaca.

— Que bom que te proporcionei boas sensações, uma pena eu não poder dizer o mesmo de você. – foi só o que consegui pronunciar.

— Mil perdões, eu não queria soar rude.

— Não soou rude. Soou desnecessário.

— Ok, eu admito. Soou desnecessário. – meu olhar sobre ele mudou no mesmo instante e eu arqueei uma sobrancelha. Não esperava que ele concordasse. – Me desculpe.

Com um sorriso, dei de ombros. – Sem problemas.

E ainda que estivesse feliz por ele ter se desculpado, não via a hora dele ir embora. Eu realmente estava distraída numa conversa bem interessante com meu anjo salvador, gostaria de retoma-la.

— Posso admitir duas coisas que gostei em você? Se te interessar, é claro...

— Não estou interessada, porém, estou curiosa. – respondi tentando não soar rude.

Ele sorriu antes de continuar.

— A cor de seus cabelos e sua risada fazem você parecer uma garota meiga e fofa. – continuou, dando um sorriso de lado e vindo para mais perto. – Mas suas respostas na ponta da língua sugerem que é uma mulher agressiva. Qual das duas facetas te representa mais?

— Por que não poderia ser as duas? – respondi no mesmo instante.

O seu amigo, que presenciava toda a nossa conversa, deu uma risadinha e falou.

— Vamos embora, Ralph. Deixa a garota em paz. – falou tudo embolado.

Quase ri, mas estava ocupada demais torcendo para que o fulano a minha frente seguisse o conselho do amigo.

Infelizmente, não posso contar com a minha sorte, no geral, ela é quase inexistente.

— Estou ocupado. – respondeu sem desviar seus olhos de mim. – Vá você, te encontro depois. – o amigo deu de ombros e adentrou a casa.

Quase chorei quando o vi sumir por entre as pessoas já dentro do cômodo. Oh, volte. Por que ele não insistiu para que seu amigo fosse?

Comecei a falar, buscando uma desculpa para sair dali.

— Olha, acho melhor você...

— Não se faça de difícil, vem cá. – ele agarrou meu antebraço, puxando-me num súbito.

Sua atitude me assustou. O fitei, um tanto nervosa, esforçando-me para me afastar imediatamente.

— Por favor, me solte. – falei, respirando fundo.

— Ora, tão educada. Que gracinha. Com toda certeza, meiga e fofa.

— E-eu...

— Não precisa ficar nervosa. – segurou-me pela nuca. – Você vai gostar.

— E-eu... espere... – eu tentava a todo custo me afastar, enquanto ele se forçava ainda mais na minha direção. – Eu não posso.

— Por que não?

— Porque não quero.

— Eu faço você mudar de ideia, acredite. – deu um sorriso de lado.

— Eu tenho namorado, entenda. – menti, menti mesmo. E se reclamar, minto de novo!

O rapaz revirou os olhos com desdém, claramente em desconfiança.

— Tem namorado, hm?

— Sim. Isso aí.

— E ele tá aqui?

Droga. Ele não estava aqui. Ele sequer existe! Que ótimo, agora esse cara não vai largar do meu pé.

Percebendo minha hesitação, ele sorriu de lado, ciente da minha mentira.

— Bom... – falei, tentando pensar em alguma desculpa. Na verdade, tentando pensar.

Repentino e certeiro, uma mão masculina espalmara-se com força sobre o tórax do rapaz que me segurava. Tamanho foi o seu susto que ele mal reagira diante do empurrão que levara nos peitos, sendo impelido para trás. Atordoado, ele não teve escolha a não ser me soltar para não desequilibrar e acabar caindo no chão.

Tudo acontecera muito rápido. No segundo seguinte, senti uma pegada conhecida em minha cintura e fui puxada de encontro ao torso de alguém de forma possessiva e protetora.

Era o meu anjo. Prostrado ao meu lado, encarando o outro desagradável com os olhos em fendas.

— Ele acabou de chegar. – a voz rouca da minha alucinação, digo, anjo... digo, moço que me salvou se fez presente novamente, só que dessa vez um tanto mais grave. E muito mais firme.

O cara em questão retomou a compostura e parecia bem corajoso ao peitar meu suposto namorado, mesmo tendo de olhar para cima para poder fita-lo nos olhos.

O sujeito o observou de cima a baixo, avaliando-o com um sorriso arrogante de lado.

— Relaxa, campeão. – ergueu as mãos em rendição. – Sua garota é muito bonita para passar despercebida. Fique por perto ou acabará perdendo.

— Confio nela. – a resposta dele foi categórica, mas o outro nitidamente fazia pouco caso com seu olhar de desprezo, negando com a cabeça. Meu anjo aproximou-se um passo do rapaz exibindo um olhar meticuloso. – Mas não confio em sujeitos como você, que não entendem que “não” significa “não”, porra. – afirmou a voz grave a qual eu já me afeiçoara antes de finalmente finalizar com um ar ameaçador. – Não haverá conversa da próxima vez.

Fitei o rosto do outro que, ainda que tenha tentado disfarçar, engolira em seco, um tanto nervoso, mas mantinha o resquício de um sorriso arrogante. Ele ergueu ambas as mãos em sinal de paz e não demorou para sair imediatamente, sem nem mesmo me encarar.

Só depois que o sujeito sumira por entre as pessoas, senti meu anjo suavizar o aperto em minha cintura, me soltando lentamente... eu não queria que ele me soltasse.

— Me salvou de novo.

Minha voz era um sussurro e eu mantive-me próxima quando ele virou o rosto para me encarar, exibindo um sorriso inegavelmente lindo.

— Estou começando a gostar de salvar você.

Eu juro que tentei.

Mas foi impossível me conter.

Segurei-o pela nuca e colei meus lábios nos seus com vontade, entregando-me a esses segundos de coragem insana que me dominava somado ao imenso desejo de beija-lo desde a hora em que foquei seus olhos.

É claro que ele não correspondeu – pelo menos, não de primeira. Mas eu estava empenhada em beija-lo, então, assim que forcei um pouco minha língua em seus lábios, foi nítido... a mudança de atmosfera.

E então...

A famigerada sensação de súbita vergonha na cara resolveu surgir feito um banho de água fria sobre mim. Num ímpeto, afastei-me... com muito esforço e sem vontade nenhuma.

Fui a primeira a abrir os olhos, arregalados pela minha atitude impulsiva, o encarando em apreensão, mas percebendo que... ele ainda tinha os olhos fechados e os lábios entreabertos numa feição de puro deleite.

Ele abriu os olhos devagar, dando um sorriso que parecia involuntário, e quando me vi sendo alvo de seu olhar intenso novamente, desatei a me desculpar.

— Mil perdões por essa minha atitude, e-eu juro que fiz sem pensar! Eu não sou assim, prometo que tentarei me retratar, e-eu sei, você tem toda razão, não justifica. Ok, me desculpe, me desculpe mesmo, fui péssima, vou me contr... – ele me segurou pela nuca e me beijou novamente.

E eu quase poderia dizer que me derreti em seus braços.

Dessa vez, ainda que eu tenha sido pega de surpresa, não hesitei em corresponde-lo com ardor, encaixando nossos lábios numa sincronia gostosa demais pra ser real. Seus dedos agarraram os cabelos de minha nuca com firmeza, sua mão em minha cintura era possessiva e certeira, mas o seu beijo era inegavelmente delicioso. Por um momento, achei que eu só poderia estar beijando um anjo mesmo. Tive a sensação de que meus pés não mais tocavam o chão, de tão leve e mole que eu me sentia. Como esse rapaz conseguira exercer-me tais sensações em tão poucos segundos e apenas com um beijo é que eu não sei.

Quase me xinguei por precisar me afastar em algum momento, sem fôlego, minhas pernas bambas, minha pele arrepiada... Nossas testas encostaram-se enquanto ele dispunha de um longo selinho antes de afastar nossos lábios mais uma vez. Outro selinho, outro selinho, uma mordidinha em meu lábio inferior, um sorriso de lado em conjunto... Minha nossa.

Encarei o fundo de seus olhos. Boquiaberta.

— Toothiana? – ouvi uma voz conhecida. Uma voz feminina conhecida.

Não me virei para checar – ainda atada ao olhar dele.

— Tooth? – mais uma pausa na voz, que parecia mais próxima que antes. – E você?!

Era Anna, que ao parecer reconhecer o dono do melhor beijo que eu já ganhara na minha vida, andou a passos rápidos até chegar bem próxima a nós, com Merida em seu encalço. Mas gente, o que Anna está fazendo aqui? Ambas estavam vindo da parte da piscina.

— O quê... O quê vocês... O que você tá fazendo com ela? – Anna parecia imensamente confusa.

Ela não mostrava sinais irritadiços. Só parecia estar surpresa. Muito surpresa.

Ainda que aquela reação me estranhara em determinado grau, eu ainda estava extasiada demais para racionar com eficácia.

Fitei novamente os olhos azuis que segundos antes eu me esforçara para desviar, e vi que estavam em fendas, direcionados a Anna com certa cisma. Não. Não era cisma.

Meu anjo parecia amargurado, chateado... Talvez magoado. Ele não a respondeu. Ao invés disso, me fitou, abriu um esforçado e mínimo sorriso triste, e falou por fim.

— Se cuida, Toothiana.

— Espera, e-eu...

Ele sumiu em questão de segundos por entre as pessoas do cômodo a frente. E eu continuei ali... Com cara de paisagem. Ou, como diria Merida, com cara de boi comendo pasto (????).

Não fui atrás dele, pois por um momento me ocorreu que todo esse momento mágico não passara de uma situação tristemente desenvolvida na minha cabeça.

Virei-me para Anna e Meri com os olhos arregalados e boquiaberta, ainda tentando raciocinar, porém sem muito sucesso, ambas observavam o caminho que ele fizera.

— Se a feição de vocês não denunciasse nitidamente o que acabaram de ver, eu estaria jurando até agora que beijei uma boca divina.

— Amada?! – surpreendeu-se Meri.

— Tooth, você o conhece? – Anna indagou-me no segundo seguinte.

— Não, na verdade eu... o conheci agora. – pisquei continuamente, constatando que eu nem sequer sabia seu nome. – Deus do céu. – cocei a cabeça. – Ele me ajudou.

— Mas você não... – Anna arqueou uma sobrancelha. – Sabe quem ele é?

— Não sei seu nome. Ele não me disse e também não perguntei. – tentei colocar meus pensamentos em ordem. – Espera um pouquinho aí... – crispei os olhos. – Você... está aqui! – agarrei-a num abraço prontamente correspondido.

— E você estava beijando um desconhecido! – riu ela, ainda agarrada a mim. – Danadinha, tá aprovada!

— Como assim “desconhecido”? – falou Meri num tom inocente. Anna arregalou os olhos em alerta, mas a ruiva pareceu não captar a mensagem. Despejou sem delongas. – Aquele era o Phillip.

Meu mundo caiu.

Fiquei longos segundos em silêncio, esperando e torcendo para que estivessem brincando. Mas Anna não disse nada, tampouco Meri que parecia ter finalmente percebido a gravidade da situação.

— Por favor, me diz que é brincadeira. – a expressão que Anna me lançava era de pena.

Ela estava falando sério. Mas foi preciso assentir com a cabeça para que a ficha enfim caísse.

***

Depois de muito insistir, Anna conseguiu convencer Merida a nos deixar a sós. E já fazia generosos minutos que cá estávamos, em silêncio, fitando o chão.

Minha amiga estava, é claro, respeitando o momento... de contínuo caos e desespero na minha cabeça!

— Tooth, vamos por partes, sim?

— Eu beijei o ex da Elsa. – exprimi sem forças.

Senti minhas pernas desvanecerem em fraqueza e precisei imediatamente me encostar a balaustrada do deck para não cair.

Anna fez uma careta. – Se colocar dessa forma, vai parecer pior do que realmente é. – suspirou mais uma vez. – Apenas me conte o que ocorrera, desde o início.

Contei a ela o que acontecera, com o máximo de detalhes que consegui exprimir. Ela apenas ouviu e assentiu, de vez em quando fazia algumas perguntas. Ao fim do meu relato, Anna afirmou.

— Isso não me surpreende.

— O que?

— Você ter simpatizado com ele.

— Eu o beijei. – respondi antes que ela pudesse insinuar o contrário. Parecia que estava disposta. – Eu o agarrei e o beijei.

— Eu sei.

— Mas... – ergui o olhar para fita-la nos olhos. – Você suspeitou do contrário.

Anna deu um longo suspiro e sentou-se ao meu lado. Sua feição evidenciava sua desconfiança. Sei que ela não estava desconfiando de mim. E sim de Phillip. Ela o conhece desde aquela época. Só Deus sabe o que essas meninas vivenciaram graças a esse rapaz. Só Elsa sabe o que sofrera na mão dele.

Eu não sei de nada.

E por isso é tão difícil de acreditar que o homem que estava aqui comigo até poucos minutos atrás seja aquele total calhorda que tanto me falam.

— Todas nós sabemos o que é se encantar pela gentileza e bom humor de Phillip. – aquilo me machucou mais do que eu podia admitir.

Então é isso. Fui mais uma das suas presas. Talvez ele só quisesse provar a si mesmo de que ainda era muito bom na arte da conquista. Me ocorreu que, na verdade, ele só queria ter certeza de que a mais nova amiga de Elsa era tão facilmente manipulável quanto ela já foi!

Aceite os fatos, Toothiana. Não passou de encenação.

Meu coração se comprimiu num aperto enjoativo.

Suspirei, fechando os olhos. Qual o problema comigo?

Por que sempre me interesso pelos terrivelmente errados?! Meu ex melhor amigo cafajeste, o ex namorado maníaco da minha amiga. Por que eu tenho que ser tão vergonhosamente medíocre?

Eu estaria mentindo se dissesse que não quero chorar. Mas não vou, ao menos não na frente de Anna – não quero apanhar com um rolo de jornal como a Mulher Elástica apanha da Edna em Os Incríveis.

— Vem. – puxei Anna pela mão, guiando-a para o interior da casa. – Vamos dançar.

Eu me negava a passar o resto da noite deprimida. Eu não vou chorar. Eu não posso. Eu não quero.

Meu deus, eu beijei o ex da minha amiga.

— O que?! De maneira alguma! – protestou Anna, tentando desvencilhar-se de meu aperto. – Eu não sei dançar.

— Vai aprender hoje.

— Não, Tooth! Eu não danço! – dizia, desesperada. – Sou muito séria pra dançar! Se eu fosse uma super heroína, meu nome seria a Super-Séria. – continuei puxando-a para dentro da casa. – Me larga, sua louca!

Me virei pra ela e fitei no fundo de seus olhos – pude sentir os meus marejarem.

— Eu estou triste, Anna. Preciso de você aqui.

Sua feição suavizou no mesmo instante.

Ela respirou fundo, coçou a sobrancelha.

— Tá ok. Eu fico. – suspirou, derrotada. Abri um sorriso aliviado. – Mas não danço.

Minha feição murchou.

— Sua pilantra.

Eu não consegui evitar gargalhar de sua feição de falso ultraje.

Anna passou a minha frente, guiando-me em direção ao banheiro com o intuito de “melhorar a minha cara” segundo ela.

Assim que adentramos o saguão, senti o calor acariciar minha pele. Mas, sinceramente? Nunca me senti tão fria. Vazia. Muita bebida, muita música em um volume exorbitante, muitas vozes, muitas pessoas... Mas, graças a Deus, nenhuma atenção sobre mim.

Como eu contaria a Elsa que adorei beijar seu ex?

Um lapso do que acabei de confessar a mim mesma fez meu ventre se contrair em pavor. Eu só conseguia sentir vergonha do que fiz. Vergonha de mim. Vergonha de tudo.

É agonizante a forma como a vergonha consegue te consumir de maneira tão intensa. Em tão poucos segundos. Não consegui conter a teimosa que escorria pelo meu rosto. Maldição. Baixei o olhar, um tanto desesperada para seca-la o quanto antes, mas quando dei por mim, meus olhos já estavam encharcados e minha face embebida em lágrimas. Quis soluçar, mas contive meu ímpeto... E por que caralhos eu ainda estava pensando nele?!

Minha garganta fechou num nó doloroso. Como você pôde, Tooth?!

Seque esse rosto, menina fraca.

Neguei com a cabeça.

Ainda que eu tente, não sou tão forte quanto Anna e suas amigas. Eu não sou do tipo que consegue respirar fundo fazendo com que a lágrima não escorra. Basta dizer algumas palavras e eu choro, desmorono, me desmancho. Já fui. Já foi.

Não sei encarar de cabeça erguida, feito Anna.

Ou ser cautelosa, em nome da sabedoria, feito Elsa.

Ou ter uma fé inabalável em mim mesma, feito Punzie.

Ou simplesmente buscar numa situação dessa, mesmo que trágica, um motivo pra sorrir, feito Merida.

Chorar é a minha resposta; na verdade, pra quase tudo.

A sensação que sinto após chorar é de imenso alívio. Mas o durante... é sempre uma tortura.

Mal percebi e me escapava um soluço. Eu ainda tentava inútil e desesperadamente secar o rosto antes de notar alguém parado a minha frente.

Ergui meus olhos para fitar quem impedia a minha passagem e arquejei.

Era ele.

— Por que está chorando?

Demorei longos segundos para responder. Mas antes que eu pudesse falar algo, Anna fez-se presente ao meu lado.

— Phillip, ela... – no momento em que ele a encarou, Anna fora interrompida.

Com uma tenacidade certeira, alguém a agarrara pelo braço e a puxara para trás.

Se Anna se assustou, como eu com certeza teria me assustado, não demonstrou ou disfarçou bem, pois no segundo em que minha amiga erguera o olhar para encarar quem a segurava, dizia entredentes e de maneira bem firme.

— Me solta.

— Precisamos conversar. – foi só o que Kristoff dissera, sustentando o olhar evidentemente furioso de Anna.

— Não precisamos, não. – retrucou, tentando desvencilhar seu braço da mão forte de Kris.

Com um muxoxo, ele revirou os olhos antes de nos notar, sem solta-la.

Arqueou a sobrancelha para Phillip, indagando. – Chegou agora?

O outro deu de ombros. – Já tem um tempo.

A confusão no rosto de Anna era evidente. Sua feição era impagável; e provavelmente, a minha também. Então Kris e Phillip se conheciam?

— Hm, entendi... – Kris fitou-me e eu rapidamente desviei o olhar, para que não fosse notada minha cara de choro. Ao encarar Phillip, ele deu um mínimo sorriso de lado. – Divirtam-se.

Falou por fim antes de puxar Anna em direção a saída do lugar, enquanto eu ouvia os protestos de minha amiga sendo ignorados à medida que ia se distanciando de mim. Não pude evitar sorrir, negando com a cabeça. Quanto tempo mais vai demorar para que eles se entendam?

Eu já não me sentia tonta, mas ainda queria ir ao banheiro limpar o meu rosto das lágrimas teimosas que escaparam a pouco. Por um ínfimo momento, me esqueci da dura realidade que me assolava, mas foi necessário apenas eu me virar para verdade tortuosa voltar a me afligir.

E então, ali estava ele. Eu me negava a aceitar que aquele par de olhos azuis conseguiam ser ainda mais brilhantes sob a penumbra da luz-negra que pairava sobre nós. Com os olhos em fendas, ele observava cada movimento meu. Eu engoli em seco, me martirizando mentalmente por acha-lo tão malditamente lindo.

Phillip inclinou brevemente a cabeça, de forma analítica, dando um passo à frente, ficando ainda mais próximo.

Eu não fazia ideia de qual era a minha feição. E nem muito menos do motivo pelo qual ele dera aquele sorriso de lado. Só sei que eu tentava manter cravado em minha mente quem ele era.

Phillip. O ex da Elsa. Minha amiga

— Estou aguardando sua resposta, Toothiana. – sua voz me puxou de minhas divagações.

Pisquei continuamente, não conseguindo disfarçar o nervosismo nem se eu quisesse.

— E-eu não estava chorando... – gaguejei, negando com a cabeça. Ele arqueou a sobrancelha, denunciando que era notável minha mentira. – Você não precisa fingir que se preocupa comigo, Phillip.

A ênfase que dispus ao proferir seu nome o fez franzir o cenho, deixando sua feição ser tomada por uma apreensão quase palpável logo em seguida. Ele pigarreou em desagrado.

— Então, é por isso...

— Isso o que?

— É por isso que está me olhando desse jeito agora. – respondeu quase no mesmo instante.

Senti o sangue fugir do meu rosto.

E me senti mal, constrangida, quase morta de vergonha...

— E-eu... – fui interrompida.

— Admito a você que não se passa um dia sem que eu me sinta o ser humano mais desprezível do mundo. – aquela confissão, tão crua e repentina me deixara atordoada de uma forma desoladora, eu sentia meu coração apertar. Ele estava sendo inegavelmente sincero. – Já estou acostumado com os olhares condenatórios, mas você conseguiu fazer com que eu me sentisse pior... – ele desviou o olhar antes de completar. – Não achei que isso fosse possível mais.

Não sei quanto tempo fiquei ali, terrivelmente em silêncio. Sem porra de reação alguma.

Se ele esperava algum comentário, não sei, eu não consegui formular nenhum.

Só tive uma fagulha de reação quando ele negou com a cabeça e se virou, fazendo menção de se afastar.

— E-espere...

— Eu não fazia ideia de que vocês eram amigas.

Despejou por sobre o ombro a cereja do bolo. Aquilo foi o cerne para o caos recém-formado na minha pobre mente.

Dessa vez, não havia mais nada que eu pudesse fazer ou tentar – meu corpo simplesmente não obedecia meus comandos uma vez acometido pela sua última declaração.

E enquanto me torturavam os fatos de eu ter sido tão injusta, ao tempo que ingênua e covarde, meus olhos só conseguiam se ater as suas costas à medida que se distanciava, até enfim sumir por entre as pessoas.

O fio de esperança, que antes estava puído, – porém, por mais impressionante que possa parecer, ainda não rompido – pareceu se reforçar depois daquelas palavras.

E não tinha como negar: isso acalentou o meu coração. Mesmo que por um breve momento.

POV Merida

Parei de beber assim que notei que estava ficando tonta novamente. Eu já sou tonta sóbria, quem dirá bêbada.

Achei sábio da parte de Anna me afastar para tentar resolver as coisas com Tooth, porque eu, pelo visto, não estava ajudando em nada. Dei um longo suspiro. Por que eu tenho que ser tão alheia a tudo?!

Fui para a pista de dança e comecei a me remexer feito um boneco de posto (?), tentando a todo custo não me sentir tão mal.

Parece que funcionou.

Eu já estava ébria o suficiente para não conseguir assimilar meus movimentos, mas quem se importa? Faz tempo que não me divirto tanto. Se eu disser a Elsa que já estou embriagada, ela vai comer minhas entranhas.

Comecei a rir, do nada, junto com uma menina de cabelos muito vermelho que eu acabara de fazer amizade. Era outra que parecia estar aprendendo a dançar, ou aprendendo a andar, não sei dizer, só sei que estávamos nos divertindo tanto que pouco nos importávamos com os olhares ao redor.

Fui dar uma caminhada por entre as pessoas, na verdade, atrás de um tonel abastecido por garrafas d’água, mesmo sabendo que não tinha, ao menos, não naquela festa. Se eu quisesse água mesmo, teria de pedir a um dos donos da casa.

Foi o que decidi fazer.

Mesmo com a visão um tanto turva, notei logo adiante Hiccup e Jack conversando. Aproximei-me para pedir a um deles uma garrafa d’água bem gelada, mas não consegui evitar ouvir parte da conversa, a qual parecia ser séria.

— Se quiser que isso aconteça, terá que tomar uma atitude. – incentivou Jack.

— Já você, eu aconselho o contrário.

O loiro cor-da-lua franziu o cenho com um muxoxo. – Sai daí princesa, eu não fiz nada de errado.

— Você não reconhecer só torna as coisas ainda mais difíceis. Ela ficou puta e com razão. – apoiou uma mão em seu ombro. – Você não é ninguém para ditar as decisões dela.

O outro pareceu desconfortável, ainda que permanecesse emburrado.

— Não quis ditar nada, Hiccup, eu só estava preocupado com ela. – Hiccup parecia minimamente surpreso, mas em seus lábios formava-se aos poucos um sorrisinho malicioso. Jack logo desconversou. – Não confio naquele cara.

— Bom, nem eu.

— Então o que ele estava fazendo dentro da nossa casa? – Jack mudou seu tom de voz.

— Pergunte a Kristoff, ué. Ele é o único alheio ao que ocorrera na boate.

O loiro ficou pensativo por uns segundos antes de tornar a encara-lo e indagar repentinamente.

— O que irá fazer?

A conversa pareceu mudar de rumo, mas Hiccup sabia exatamente do que ele estava falando, diferente de mim.

— Nada. – ele respondeu simplesmente e Jack revirou os olhos.

— Tu é um otário, namoralzinha.

— Você não tem noção do quanto eu quero tomar uma atitude! Mas, Jack... – Hiccup suspirou. – Estamos falando de alguém que só demonstra um sentimento fraternal para comigo.

— Qual é, princesa viking! Você nunca vai saber se não tentar! E eu tenho certeza de que não é só um sentimento fraternal.

Hiccup choramingou. – Terei que ir devagar.

— Só não demore muito.

De quem será que eles estão falando? Astrid?! Resolvi parar de ouvir a conversa alheia, estava começando a ficar envergonhada.

Dei meia volta e tentei sair de fininho, quando algum ser humano maravilhoso deu de encontrão comigo, empurrando-me e, consequentemente, fazendo com que eu esbarrasse em Jack, que se virou para mim na mesma hora.

— Ora, Baunilha, você por aqui? Achei que ainda estivesse esculachando os demais na pista de dança.

— E aí, Jack! – berrei exageradamente, tentando forçar a casualidade. Ele pareceu assustado. – Como é que tá? – abriu um sorriso divertido, quando apoiei uma mão em seu ombro. – Já conversou com Elsa?

Ele fez uma careta. – Não foi uma conversa muito amigável. – admitiu, coçando a nuca.

— E isso significa que você não irá mais lá em casa?

— Estou pensando em ir de surpresa... – deu um sorriso de canto. – Caso não se importe.

— De maneira alguma! Manda ver, Pietro. Posso te chamar de Pietro?

Ele ficou confuso, mas no segundo seguinte pareceu compreender.

— Ah, o velocista de cabelos brancos da Marvel. Eu entendi a referência. – deu uma piscadela.

— Capitão estaria orgulhoso.

Ele riu. – Não posso perder a oportunidade de provocar sua amiga, que está minimamente ao meu alcance essa noite. Então, vou indo nessa. – colocou uma mão sobre o meu ombro e o de Hiccup ao mesmo tempo, sem tirar os olhos azuis dos meus e abrindo um sorriso pra lá de sugestivo. – Melhor aproveitar, né?— falou por fim, dando uma piscadela antes de sumir por entre as pessoas.

Deixando-me com Hiccup.

Eu não entendi nada.

Éramos os únicos parados no meio de tanta gente dançante e alegre. Na verdade, só estávamos de pé, pois ambos se viam incapazes de permanecer imóvel, uma vez que havia muita gente nos esbarrando.

Além de que eu me sentia meio desequilibrada, então, dei de ombros.

Hiccup parecia bem sem jeito.

— Eu não queria assustar vocês, tá? – admiti depois de uns segundos.

— O quê? Ah, não, claro que não, sem problema algum, Cabelos em Chamas. – tranquilizou-me com um sorriso. – Você está precisando de alguma coisa?

— Na verdade, eu estava procurando por você. – seu olhar mudou e um brilho incomum tomou o verde de suas írises. – Eu estou morrendo de sede. Tem alguma garrafa d’água por aí nos isopores?

Foi nítido o desapontamento em seus olhos e eu me senti péssima ao tempo que confusa. O que foi que eu fiz?!

Ele pigarreou e foi como se aquele lapso de decepção só tivesse acontecido dentro da minha cabeça.

— Claro que tem, vamos lá. Eu procuro pra você. – apoiou um braço em meu ombro. – Venha. Me ajude a ir até um dos tonéis, não tô muito legal das ideias não... – admitiu ele, fazendo-me dar uma risada aliviada por não ser a única embriagada da festa.

— Hic, eu tô pior que você, tá? Se quiser, eu posso ir pegar, sem problemas, é só me dizer onde... – não terminei a frase pois escorreguei com tudo em... alguma coisa escorregadia (?). – Eita! – estava pra levar meu terceiro tombo do dia quando Hiccup me segurou firmemente pela cintura.

— Porra, ia ser a segunda vez hoje, Merida. – repreendeu ele com um tom absurdamente sério. – Vamos sentar.

Meu coração quebrou.

Não tive tempo de expressar nada além do meu espanto para com sua rispidez enquanto ele me puxava para um dos pufes no entorno da sala. Eu não tive reação e não tinha muito o que dizer, nem conseguiria se tentasse, então só fiquei... meio atordoada. Sem acreditar.

Era a primeira vez que eu presenciava sua grosseria – não só comigo, para qualquer pessoa.

Mas o que mais me machucara era que havia sido comigo.

— Vou buscar água pra você. – falou, antes de sair em direção a cozinha, deixando-me num dos pufes.

Fiquei esperando, provavelmente com cara de boi comendo pasto. Ele voltou e eu estava com a mesma cara. Assim que ele me deu a água, eu bebi e admiti.

— Não ia ser a segunda, ia ser a terceira.

— O quê?!

— É, eu caí lá fora. – falei sem graça.

— Merida!

— Olha, você quer parar, fazendo o favor? Não é como se você não soubesse que sou desastrada. Não precisa me dar sermão como se eu fosse uma criança. Por incrível que pareça, dói, tá?

Ele pareceu meio sem graça, com os olhos um tanto arregalados, mas logo desviou o olhar.

— É que você é tão... descuidada! – tentava se explicar, gesticulando com as mãos. – Você poderia ter se machucado e é isso que me preocupa.

— Não é fácil me machucar. Ao menos, não fisicamente.

Ele suspirou e se sentou ao meu lado, sem me fitar. – Me desculpe.

Gemi em frustração, com uma mão na testa estilo Chico Xavier (?), tentando me esconder. Ele se desculpou e só o que eu queria era aceitar. É inegavelmente difícil resistir ao seu tom sincero...

Seu jeito tímido arrependido.

Seu lábio inferior entre os dentes.

O perfil bonito e bem desenhado.

Os cabelos castanhos sobre os olhos verdes.

O olhar perdido.

Af, que rapaz perigoso...

— Me desculpe, Hic. – pedi também, pois ele estava apenas se preocupando comigo e eu agi feito uma cuzona. – Merida bêbada é um pé nos ovários (?). – falei, referindo-me a mim mesma na terceira pessoa. Isso se chama retardo mental.

Ele deu uma risadinha triste.

— Eu também já bebi demais hoje. Tirei equilíbrio num sei de onde quando consegui te segurar.

— Mas você não parece estar bêbado. – fui sincera.

— Sei disfarçar bem. – deu de ombros. – O segredo é não rir muito. – cochichou ele num tom cúmplice. – Apesar de que, quando estou com você, sinto que posso soltar meu bêbado interior (???). – gargalhei alto. Que conversa produtiva, né gente?

— Me sinto lisonjeada, mas por que você esconde seu bêbado interior, ein?

— Porque meu bêbado interior é humilhante. – riu ele. – Eu choro quando estou bêbado, com saudade do meu cachorro que está em outro país com meus pais.

— Eu também choro pela minha cadela! – admiti um tanto eufórica. – Angus passou a morar com meus avós desde que eu e as meninas nos mudamos para cá... – no segundo seguinte, eu estava meio chorosa. Que saudade da minha neném. – Chorar pelos seus bichos não é humilhante, só faz de você um ser humano muito amorzinho. – falei, arrancando dele uma risada divertida.

— Viu? É disso que tô falando. Quando estamos bêbados, tendemos a ser sinceros. Bem sinceros. – puxou um pufe para perto de suas pernas, apoiando os pés no mesmo para ficar mais confortável. – Basicamente, é aconselhável ficar bêbado perto de pessoas de confiança.

— Nesse caso, você pode ficar bem tranquilo. Garanto a você que nada te acontecerá, não contarei a ninguém o que ouvir aqui e manterei seus momentos de sinceridade insana em total segredo. – assumi uma postura mais séria e completei. – Palavra de escoteira!

Ainda fitando ao longe, ele ouvia minhas palavras.

E quando ele sorriu, eu percebi.

Percebi que eu estava na merda.

Ele virou o rosto para encarar-me no fundo dos olhos.

— Eu sei. Confio em você. – fez com a voz gentil e profunda.

Meu coração se aqueceu naquele instante. Não consegui conter meu sorriso tímido ao tempo que maravilhado.

Ofereci um pouco da minha água e ele aceitou. Permanecemos daquele jeito, sentados confortáveis sobre os pufes, bebendo água, esperando os efeitos do álcool passar. Hic e eu tornamos a observar a festa, sem nada dizer. Naquele momento, o silêncio entre nós não era estranho, chegava a ser acolhedor – e um sorriso insistente e feliz persistia em meu rosto.

A sensação de conforto perto de Hiccup se tornara comum de uns tempos pra cá, por conta da nossa sincronia de pensamentos. Com ele, tudo se torna fácil – conversar, desabafar, se dispor, se aproximar, se entregar, gostar, querer cuidar...

Ok, chega.

Dei um longo suspiro resignado. Eu gosto do que temos e estou satisfeita com isso, não quero estragar tudo por causa de um sentimento inoportuno no meu coração. Atrações físicas são comuns, conexões mentais é que são raras.

Percebi, então, o momento em que ele focara a visão num ponto por entre as pessoas da pista. Seu cenho franziu em desagrado na mesma hora.

— O que foi? – preocupada, eu questionei.

Ele não respondeu, ao invés disso, desviou o olhar para o chão. Ainda com o cenho franzido.

Olhei na direção em que ele fitava anteriormente e vi o que lhe incomodara.

Astrid estava acompanhada de um cara, bem próxima – quando digo bem próxima, digo se agarrando mesmo. Ao som de uma canção da Rihanna, ambos dançavam sensualmente no meio da pista, sem censura ou pudor algum. Mãos nas coxas, mãos nos seios, mãos pelo corpo inteiro.

Minha sobrancelha se ergueu em surpresa, mas a festa realmente estava uma loucura. Eles não eram os únicos na pista a estar dando um show desses.

O problema não era Astrid estar dançando, o problema era com quem – o rapaz não me é estranho. Eu acho, com uma parcela de certeza, que ele é um phoenix, e o pior de tudo, amigo de Hic.

— Você deveria estar fazendo o mesmo, né campeão? – soei descontraída no intuito de elevar seu humor de alguma forma. – Vamos caçar uma moça sensual pra você se esbaldar.

Ele deu um risinho sem humor. – Dispenso. Sou tão patético que mal sei como investir em quem eu quero de verdade.

— Uau, então já tem alguém em mente?

Ele levou uns segundos pra responder, mas abriu um sorrisinho antes de me lançar uma encarada intensa. Anuiu em concordância, sem dizer nada.

Por algum motivo, seu olhar me tirou o fôlego por uns segundos. Eu rapidamente retomei a compostura.

— Bom... – pigarreei e desviei os olhos, voltando a fitar a pista. – Pelo menos, já é meio caminho andado, não acha?

— “Meio caminho andado” onde? Já que eu permaneço parado, pra variar. Nem sei como... chegar nela.

— Ela é legal?

De novo aquele olhar intenso, dessa vez acompanhado de um sorriso involuntário.

— Ela é a melhor. – respondeu simplesmente.

Meu coração estava uma mistura de frenesi com melancolia – eu queria tanto, mas tanto vê-lo feliz com alguém. A vida fica mais bonita quando encontramos alguém que nos faça bem.

Mas não conseguia evitar o pensamento de que essa tal moça era muito sortuda. Me recusava a admitir que me sentia atraída por ele dessa forma tão intensa, porque não queria estragar o que já tínhamos.

No entanto, sentir é inevitável.

Dei um longo suspiro, tentando não pensar muito nisso.

— Hiccup Hadock, eu não admito que você perca essa chance.

Adverti com o mesmo tom de repreensão da minha mãe para comigo quando eu dizia aos meus irmãos que eles haviam sido encontrados no lixo. Eu sempre apanhava.

Mas Hiccup não parecia incentivado pelo meu comentário. Parecia, na verdade, chocado com outra coisa.

— Você me chamou pelo nome, uau. – confirmou minhas suspeitas.

— Pelo sobrenome também, tá afim de apanhar? – tentei soar autoritária, mas acabei rindo, pois minha seriedade nunca dura muito tempo.

Ele deu uma risadinha. – Só você pra me fazer rir num momento desses. – comentou com simplicidade, tornando a fitar a pista.

— Não quero vê-lo triste e sou ótima na arte de alegrar pessoas. Quer ir dançar? Não sei ser sensual, mas sei ser bem engraçada.

Seu olhar perdurou sobre mim por longos segundos, de repente. Havia algo diferente na forma como ele me encarava, parecia se recordar de algo agradável... e recente. Havia também um sorriso malicioso em seus lábios. Minhas bochechas esquentaram instantaneamente.

— Adoraria ir dançar com você... – murmurou antes de umedecer os lábios com a língua. – Mas prefiro ficar aqui, só nós dois. A ideia me parece mais interessante. No momento.

— Graças a Deus, pois meus pés estão doendo. – admiti, fazendo uma careta.

Ele deu uma audível risada antes de indagar, perplexo.

— Iria fazer o doloroso sacrifício de dançar com os pés doendo simplesmente pelo bem da minha autoestima?

Sorri, ainda fitando seu rosto. – Mas é claro.

Ele me encarou por longos segundos e passou o braço por sobre meus ombros, puxando-me para mais perto.

— Deixa eu me certificar que você não vai sumir do nada. Estou apenas checando se você é dólar ou euro, pois real você não pode ser (???). – falou ele, bem alto, fazendo-me rir feito uma jararaca no cio (?).

— Eu sou real, Hic! E você não vai se livrar de mim tão fácil assim.

Hiccup olhou para o teto e fechou os olhos, murmurando com veemência. – Eu tenho a melhor amiga do mundo, meu Deus.

— Não exagera, tá... – falei, estapeando o vento.

Mas no fundo, tô me sentindo! Chupa essa, meros mortais, eu sou a melhor amiga do mundo, UHUL! Zerei a vida!

Aproveitando a proximidade e o fato dele ainda ter os olhos fechados e a cabeça repousada para trás sobre o pufe, o analisei com mais precisão.

Seus cabelos castanhos estavam bagunçados e jogados sobre os olhos fechados, o lábio inferior avermelhado pelas constantes mordidinhas que ele dispunha involuntariamente vez ou outra.

Seu perfume masculino inebriava meus sentidos... Um calor incomum tomou meu corpo.

Achei melhor me afastar antes que fizesse a besteira que estava impulsionada a fazer.

— Ei, Hic... – o chamei, para pedir que me soltasse, ainda formulando a desculpa que usaria.

Mas aí ele virou o rosto na minha direção, abriu os olhos devagarinho e eu me perdi naquela imensidão verde-esmeralda.

Santo Odin.

Foco, menina!

— O q-que você acha de eu pegar mais água pra gente, ein? – e fiz menção de me afastar, mas ele me apertou com mais vontade ainda.

— Tá louca? Nem ouse em sair daqui. – fechou os olhos novamente e voltou a sua posição anterior, muito confortavelmente, murmurando por fim. – Isso aqui tá muito bom.

Bom, tentei, mas não deu certo né, poxa. Que pena.

Me aconcheguei ainda mais sob seu braço e lá fiquei, com um sorriso imenso no meu rosto, apreciando a voz maravilhosa de Brandon Flowers num remix de When You Were Young da maneira mais confortável que eu jamais imaginaria estar.

Minha banda favorita tocando. Minha pessoa favorita me abraçando.

Dizer que eu estava feliz era pouco.

No entanto, nem tive tempo de aproveitar mais nosso aconchego, um burburinho repentino chamara nossa atenção no meio da pista.

Fui a primeira a me ater ao motivo de tamanha comoção – tratava-se de Astrid, novamente. Mas dessa vez, ela não só estava causando na pista dispondo de um rebolar bem sensual, antes fosse.

Astrid e o amigo de Hic trocavam um tórrido beijo, exatamente no centro da sala, no meio de todos, que ovacionavam em sua maioria.

Dramaticamente, havia se formado um caminho para que Hiccup tivesse a visão perfeita do que acontecia – as pessoas chegaram a abrir espaço, fazendo questão de encara-lo ansiosos por uma reação.

Achei aquilo uma maldade sem igual, mas o que esperar de seres humanos?

Não tive tempo de tentar impedir que ele visse aquilo. Quando virei-me para fita-lo, ele já presenciava toda a cena.

Seu olhar, sua feição, sua postura, não expressavam absolutamente nada além de uma frieza cortante e um desapontamento já esperado.

Aproximei-me ainda mais de Hic e arrisquei pegar sua mão em sinal de apoio.

Ele não me fitou naquele instante – estava ocupado sustentando o olhar de um rapaz que o encarava em expectativa, como que torcendo por seu descontrole. Mas Hiccup apenas franziu o cenho na direção dele e o rapaz logo tratou de se distrair com outra coisa, sem graça. Não demorou para que os demais, que ainda se atreviam a encara-lo, fizessem o mesmo.

Senti meus dedos serem pressionados pela força de sua mão, como num agradecimento silencioso. Encarei-o nos olhos, finalmente sendo correspondida, e vi... a tristeza contida.

Mas eu não tive colhões para manter nossa troca de olhares, ainda que meu coração doesse, pois estávamos próximos demais.

Eu tentava me ater as boas músicas que tocavam – ignorando o fato de que vê-lo daquele jeito me feria mais do que eu podia imaginar.

Sex, Drugs, Etc do Beach Weather ressoava no amplo espaço, exercendo uma carga de calmaria sobre os jovens dançantes, e o refrão da música refletia estranhamente com a sensação que me dominava no momento – “flutuando sobre a minha vibe discreta.”

Não no sentido tranquilo da frase.

Eu e Hiccup mantivemos o silêncio por um tempo, as mãos firmes e entrelaçadas uma na outra. Mas dentro de mim, não havia calmaria alguma exercida pela boa música, só uma vigorosa sensação causada pela mão dele a apertar a minha com tanta vontade.

— Desculpe. – pedi involuntariamente. – Prometi a mim mesma que te alegraria, mas falhei.

Não soube dizer se ele negara com a cabeça. Eu não o fitava, tinha minha atenção voltada aos detalhes de sua bermuda jeans, contendo o ímpeto de agarra-lo e guarda-lo num abraço.

— Estou triste por não ter desistido dela antes. – longos segundos pairaram o ar. – Ter fé nas pessoas é a maior das minhas fraquezas.

— É difícil superar uma paixão de anos, mais eu sei que você consegue. – admiti num murmurinho tímido, ainda sem fita-lo. – Tenho fé em você.

— Não tenha, por favor. – ele falou na mesma hora. – Não tenha fé num covarde, francamente, não quero que se decepcione. Não quero ser sua fraqueza.

O encarei num súbito, com o cenho franzido.

— Não diga besteiras, Hiccup. – ele pareceu minimante surpreso com meu tom de voz, ainda mais com a forma como o encarei. – Eu admiro você. – admiti de coração aberto.

Ainda que nervosa com a sensação da mão dele na minha, pressionei seus dedos com mais vontade, mostrando que eu estava ali.

— Persistir num amor faz de você o homem mais corajoso que já conheci. E enfrentar a dor de um coração partido te coloca entre os mais fortes seres humanos presentes na minha vida.

Baixei o olhar novamente, incapaz de encara-lo nos olhos sem sentir meu coração descompassar a cada segundo.

— Pode não significar muito para você, mas... eu só queria deixar claro que na vida de uma mocinha esquisita, alternativa e imensamente sonhadora... – fiz um gesto orgulhoso indicando a mim mesma. – Você, milorde, é uma figura de respeito e admiração.

Ele abriu um sorriso que, puta merda, meu coração disparou.

Dei um longo suspiro entrecortado, encantada com a visão que tinha.

— Então, eu não admito isso. – continuei com a voz fraca, observando seus lábios entreabertos e seu olhar extasiado, atento a cada palavra minha. – Não admito que você martirize alguém a qual eu tanto respeito, admiro... e confio.

Ele encarava o fundo dos meus olhos quando, lentamente, aproximou ainda mais nossos rostos. Pisquei algumas vezes, nervosa com a proximidade, mas vi o canto de seu lábio se erguer num sorriso decidido, ciente de que estávamos cruzando uma barreira sem volta.

Um arrepio intenso tomou minha pele quando, com a ponta dos dedos, ele tocou meu queixo, erguendo meu rosto e consequentemente aproximando meus lábios dos seus.

Tornou-se difícil respirar, meu coração estava a cem por hora.

— Hic... – suspirei involuntariamente e num fio de voz.

— Você... – sussurrou antes de desviar os olhos dos meus para fitar minha boca, entreaberta em surpresa e tão próxima a sua. – Foi a melhor coisa que me aconteceu essa noite.

Se inclinou e deu fim à ínfima distância que havia entre nossos lábios.

Senti meu coração explodir em um misto de sensações intensas.

Sua mão deslizou pela minha bochecha e se firmou em minha nuca, puxando-me para mais perto. Seus dedos por entre meus cachos foi minha última percepção antes de tudo à minha volta nublar-se em câmera lenta.

A música ficara abafada. As vozes, berros e risadas dos convidados pareciam estar longe. Eu conseguia ouvir a minha respiração. E também o palpitar acelerado do meu coração.

Não havia ninguém mais, a não ser eu e ele.

Eu nunca imaginei que naquela noite, numa festa tão agitada, o mundo iria parar.

E toda essa sensação, todo esse alvoroço de sentimentos confusos dentro de mim, foram causadas por um beijo.

*

Notas finais
Let It Happen – Tame Impala: https://youtu.be/odeHP8N4LKc When You Were Young – The Killers (Remix by Calvin Harris): https://youtu.be/GuPBFtbt4eU Sex, Drugs, Etc. – Beach Weather: https://youtu.be/5QvkTz1wBU4 PREPAREM-SE PRA 1K DE PALAVRAS SÓ DE NOTAS FINAIS! ♥ É quase um capítulo, só que nas notas finais. HUEHEUHE’ Ps.: Quem não quiser ler, é só pular pro último parágrafo, viu? Eu falo pelos cotovelos, gente, midisgulpem D: GENTENEY, eu tenho tanta coisa pra contar pra vocês! Primeiramente vamos começar com o fato de eu ter passado todos os dias de Carnaval SOZINHA em casa. Sim, totalmente alone. ME SENTI A DONA DA CASA! FOI LOCO! Tirando o fato de que tava muito quente, nossa morri aos poucos. Eu sou do RJ, vocês são de onde? Quero saber! É uma dúvida que tenho a muito tempo. AÍ, ENFIMMMMM, passei esses dias dividindo o tempo entre cuidar da casa, alimentar meus bichinhos, lavar minhas roupas, cuidar da casa da minha avó, comer, dormir e tentar não morrer de calor. Eu nasci no lugar errado, Rio de Janeiro não é pra mim... É muito quente! PARECE O INFERNO SOBRE A TERRA! Mas enfim, não vamos fugir do assunto! Houve uma noite em que eu terminei o capítulo e só faltava escrever o último POV, que era o da Meri. Eu já tinha passado a madrugada inteeeira escrevendo e vocês viram como foi um momento crítico ali, EU QUERIA QUE FOSSE PERFEITO! Talvez tenha sido esse nervosismo e ansiedade que me fizeram empacar no meio do POV! EU NÃO SABIA MAIS O QUE ESCREVER, SÓ SAÍA BOSTA! ENTREI EM DESESPERO! No meio da noite (juro, de madrugada) pedi ajuda a um amigo meu, ele estava acordado. Ele nem escreve nem nada, mas falou que eu passei muitas horas escrevendo (nesse dia eu nem tinha dormido) e que isso bloqueia a mente de qualquer um. Daí ele falou pra eu fazer alguma coisa pra me entreter. Eu pensei em fazer aquilo que faço sempre: Ver um filme, ler um livro, ouvir músicas, ler fics em geral, reler a minha. Mas no final, decidi fazer algo diferente. Eu tenho aqui instalado no meu PC um jogo muito FODÃO! LIFE IS STRANGE, MANAS! ♥ Eu quero jogar esse game desde o ano passado, mas nunca parei pra jogar prq eu sabia que eu ia parar de viver assim que eu começasse (???) -q. Daí eu pensei assim “vou te jogar só um pouquin –qqqq” conclusão: Joguei dois episódios em menos de um dia. E foi muito difícil parar, admito. Mas pensei, minha mente já estava borbulhando com inúmeras ideias. E por fim... CONSEGUI TERMINAR O POV DA MERI E O CAPÍTULO ESTAVA COMPLETO! AGRADEÇAM A LIFE IS STRANGE E A TRILHA SONORA MARAVILHOSA DESSE JOGO! Tô viciada nesse game, gente, joguem isso, é muito bom. Obrigada, de nada. Além de tudo, graças a isso, estou com um novo projeto. Tô com uma ideia pra uma historia desse jogo, sim. É de um shipp super improvável, é fácil pra vocês notarem que eu AMO shipps improváveis, né? Mas isso é pra muito depois, no momento, minha prioridade é RT. Só vou dar início a essa nova historia quando eu concluir Rising Tide, não se preocupem quanto a isso, sim? ^^ MUDANDO DE ASSUNTO... Devo dizer que estou muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito chateada comigo mesma e com meu computador. Eu fiz uma nota de agradecimento (ela tava bem grandinha), com os nomes e nicks de toooodos os leitores que me ajudaram e comentaram palavras de conforto e apoio para mim, naquele episódio do plágio. Na nota dizia o quanto eu estava agradecida, mas o mais importante era que dizia o nome de todas vocês, todas as que comentaram mesmo... Só que aí, um dia eu abri o PC e, não só esse documento, como muitos outros haviam sumido, como se alguém tivesse apagado. Mas na verdade, era um vírus. Que estava apagando documentos de textos recentes, fotos que eu salvava e música baixadas recentemente. Um amigo meu mexeu e me ajudou a reparar esse maldito problema, no entanto não consegui recuperar os arquivos. Eu quase perdi o capítulo 18! Sendo que passei pra um pen drive a pasta inteira da fic, foi a primeira coisa que eu pensei em salvar. Foi por isso que demorei tanto depois daquele dia. Me desculpem mesmo! Eu ia escreve-la todinha novamente, até por que, eu lembro da maioria dos nomes. Mas temi esquecer de alguém ou sei lá! Vocês devem estar tipo a Miranda Presley: "Detalhes da sua incompetência não me interessam." HUEHEUHEUEHUEHUE' mas é sério, gente. Fiquei muito chateada mesmo. Espero que esse capítulo enorrrrme e sem cortes compense pelo ocorrido. E só posso dizer que estou muito agradecida, mais uma vez, por tudo. Só tenho a agradecer, agradecer e agradecer. Obrigada. ♥ Depois disso, houve um problema com o teclado do meu notebook. Uma das teclas não estava funcionando, achei que fosse ainda por causa daquele vírus de antes, mas mexi em tudo aqui e essa bosta voltou a funcionar FINALMENTE! Eu tenho TANTA COISA pra perguntar pra vocês! Como vocês estão?! Espero que bem, mesmo! O que fizeram no Carnaval? Onde vocês moram, está calor? Ontem eu passei o dia inteiro longe do computador, admito. Minha mãe chegou, com minhas irmãs e TODAS AS TRÊS ESTÃO BRONZEADONAS! Eu quase não reconheci minha irmã caçula, ela está enorme! E nasceram os dentinhos, eu fiquei toda boba, babando ela. Nunca admitirei a minha mãe que estava com mais saudade da minha irmã do que dela, não contem pra ela, tá?! HUEHEUHEUHE’ Enfim, fiquei o dia inteiro aproveitando a companhia da minha família, e agora vim aqui postar. ME PERDOEM POR FAZÊ-LAS ESPERAR MAIS UM DIA INTEIRO, A CULPA É DA MINHA MÃE E MINHAS IRMÃS! HEUHEUEHUEHUEH’ Agora, sobre o capítulo... Sobre o beijo Mericcup, eu queria dizer que amei escreve-lo, mesmo que eu tenha ficado um tanto insegura sobre a escrita. Porque, vejamos bem, Merida expressa bastante simplicidade e pureza, já Hiccup é um cara decidido e, não, ele não é inocente. Não tanto quanto Merida. Creio que de todos os personagens, a Meri é a que mais chega perto da inocência, por causa de seu jeito. Escrever um beijo entre uma garota que, até então, nem tinha certeza do que sentia e um homem decidido e mais esperto foi novo pra mim, viu? Na verdade, tudo isso aqui está sendo novidade pra mim. Mas eu gostei. Muito. Escrevi o tão esperado beijo no POV da Meri e retratei a sensação dela. O que continua evidenciando a sempre presente inocência. Anyway... Mais uma vez, eu queria agradecer a Catastrophe. A SUA RECOMENDAÇÃO ME FEZ PULAR DE ALEGRIA O RESTO DO DIA! E olha que fiz faxina naquele dia, não me imaginem dançando com uma vassoura, tá? Nem fiz isso, pf claro que não né -q. HUEHEUHEU’ ♥ Agora, a grande pergunta: E aí, o que acharam?! Quero saber de tudo, minha gente! Tooth embriagada é quase tão doida quanto a Merida. E finalmente conheceu Phillip, alouka! Fiquei meio chorosa por ela e por Phillip também, é chato quando o passado condena a gente, so sad :C Então, galera, eu não posso adiantar muita coisa, mas... A situação Mericcup será “preocupável”. NÃO ME PERGUNTEM PRQ! Não posso fazer spoiler... ¯_(ツ)_/¯ Pois bem, FINALMENTE, acabou as notas finais, ufa! HEUHEUHEU’ Dessa vez, fiz diferente: Postei primeiro aqui e agora estou indo postar no Nyah. ^^ No tumblr da fic, tem novidades, saiu os quatro pôsteres do meninos, eis o link: http://risingtide-orbis.tumblr.com/ Curiosidade sobre os oito pôsteres: Sabe as fontes a quais são escritas os nomes? É a assinatura de cada personagem. Sim, é a letra de cada um. Eu tenho cada ideia boba, né? UHEUEHEUH' Mas enfim, é isso! Comentem, a opinião de vocês é importante! ^^ Vou indo, pretendo assistir ainda hoje a estréia de Deadpool! *-* Falando nisso, quem aí vai assistir Deadpool? TÁ, CHEGA DE FALAR, NATHALIA! Enfim, beijo gente ♥ Até o próximo capítulo ^^