Notas iniciais
HELLO, MANAS! Olha só quem chegou... (◡‿◡✿) Antes de mais nada, eu queria agradecer... A JESSUCA DO TUMBLR (eu sempre vou te chamar assim, olha que complemento mais lindo, né non? ♥) E A AKYE SCARLET, que leu minha fic pela recomendação de uma amiga que tb com toda certeza é LINDA, LOUCA, AMADA, FODONA, FABULOSA, DESTRUIDORA DA DESTRUIÇÃO, igualzinha a essas duas leitoras maravilhosas, que me escreveram textos divinos como recomendação. Ah, eu amei cada palavrinha... Li e reli com o coração na mão, umas lágrimas teimosas nos olhos e um sorriso bobo no rosto, VOCÊS ME FIZERAM FELIZ! Obrigada :’) ♥♥♥ Agora, sobre o capítulo: Fica de olho que vai ter duas participações especiais, uhul! Fica de olho que vai ter duas participações especiais, uhul! Antes de mais nada, queria aconselhar vocês a ouvirem essa música aqui - no youtube, depois da barra "/" coloquem esse código: watch?v=tNHML6jFQuw pois não é permitido links nas notas iniciais do capítulo, uma palhaçada atrás da outra, devo dizer - enquanto desenrola a cena do quarto do Flynn ( ͡° ͜ʖ ͡°). Ouvi essa música em looping enquanto escrevia. Sem mais delongas... Boa leitura ^^

ERROS

POV Rapunzel

Pode-se dizer que dentre as quatro que integram nosso pequeno grupo, eu sou a que mais aprecia uma boa festa. Se tratando de baladinha, celebrações, college party e derivados, eu costumo ser a mais empolgada para a curtição.

E sobre a festa semanal do Phoenix Club eu não imaginei que seria diferente, muito pelo contrário.

Grande engano, né amada?

Com um copo de ponche já quente na mão, eu olhava as pessoas animadas, tão animadas quanto eu deveria estar. Apenas olhando mesmo, pois nem prestar a atenção, eu estava. No momento, estava concentrada em outra coisa...

Já faz uns cinco minutos que estou sentada, e ressalto que sozinha, em um dos pufes da sala. Sozinha, isso mesmo. E há cinco minutos. Exatamente isso.

Já faz cinco minutos que Flynn chamou Mike para conversar, alegando ser algo importante e de seu interesse.

É certo que eles têm coisas e coisas a tratarem em conjunto, pode ser qualquer assunto, algo sobre o male club a qual fazem parte, enfim, que seja! Mas enquanto isso, ao invés de me acabar na pista de dança, estou aqui, dissertando se Flynn seria capaz de fazer qualquer coisa em prol de vingança.

Gostava de acreditar que não, mas não estava muito certa disso.

Eu não queria admitir que o que mais me afetara era o fato de Flynn mal ter olhado na minha cara no momento em que nos interceptou – foi direto em Mike, sem nem mesmo prestar a atenção em mim ou me cumprimentar. Educação mandou lembranças!

Dei um longo suspiro. Sua frieza chega a ferir, mas nunca fui de me deixar abalar facilmente, então... Dei de ombros, sorvendo mais um pouco de ponche.

Pus-me de pé, pois não estava afim de amarrotar ainda mais meu vestido recém-tirado da etiqueta, e então me encostei numa parede enquanto tomava do meu ponche recém servido e olhava Merida conversando agarradinha com o príncipe patrão enquanto ambos assistiam Astrid sensualizar com um bofe escândalo na pista de dança. Notei também que já fazia um tempo que eu não via Elsa perambular por aí.

— Você está bem, colega? – era uma voz feminina que indagava, aproximando-se do meu lado.

Tratava-se de uma asiática de cabelos curtos, repicados e de mechas roxas. Estourava uma bolha de chiclete entre os lábios antes de continuar.

— Achei que o pavor das dalilahs estaria tocando o terror nessa festa.

— Não vim com esse propósito, mas não seria má ideia.

Ela deu uma risadinha antes de continuar.

— Não vale a pena esperar por um phoenix, acredite. – seu conselho veio num tom de seriedade.

Foi quando finalmente percebi que essa doida era mais uma que já sabia de meu lance com Mike e provavelmente também percebera que eu estava esperando que ele voltasse – ainda que não fosse verdade.

Eu preferia deixar que achassem que eu estava aqui esperando por homem do que admitir que na verdade estava mexida com a forma como Flynn vinha me tratando – com razão? Não!

Não sei.

— Você também está esperando por um? – resolvi questionar e ela negou com a cabeça na mesma hora.

— Já saí dessa há muito tempo.

— Esperta.

— Você também é. – afirmou ela, sem ressalvas. – Só está nisso por que quer, na verdade.

Dei de ombros. – Não dá pra reclamar do que temos, mana. Ele não me cobra nada e também não é cobrado. Ele tem seus lances à parte e não é como se eu também não tivesse os meus.

— Dessa forma, todos saem ganhando. Mas eles são traiçoeiros. – ela mantinha o tom de voz amigável ao tempo que sério, e nesse momento fitou meus olhos antes de continuar. – Não confie muito. Não vale a pena, vai por mim.

Levei alguns segundos para responder.

— Valeu pelo conselho.

— Temos que nos manter unidas.

— Concordo.

Nesse instante, uma moça altíssima e de longos cabelos loiros aproximou-se de nós, segurando a minha companheira solitária pelos ombros ao tempo que dizia com um sorriso eufórico.

— Precisamos dançar essa música juntas!

— De jeito nenhum. – a outra mantinha passividade na voz.

Chegava a ser engraçado o contraste. Dei uma risadinha.

— Por favor, por favor, por favor! – suplicava ela. – Só essa, Gogo!

— Você sabe que eu odeio dançar, Honey, se lembra da última vez? – a tal Honey caiu na risadinha. – Sei lá, chama o Tadashi pra dançar.

Honey ficou séria na hora.

— Ele está meio ocupado no momento.

Gogo crispou o olhar para o tom amoado da amiga, mas seus olhos pareciam fulminantes para os feitos do tal Tadashi.

— Eu já volto. – disse entredentes e simplesmente saiu.

Bom, parece que amanhã um jovem universitário assassinado aparecerá nos noticiários.

Ainda que a moça loira tenha tentado conter a amiga, Gogo sumiu por entre as pessoas num pulo, deixando-a ali com uma completa desconhecida – eu mesma.

A canção que tocava era We Found Love, da minha rainha Rihanna numa colaboração com Calvin Harris.

A situação inteira me levava a ajuda-la – ela parecia mesmo estar precisando de um conforto. E mesmo que o momento não fosse propício, confesso que a ajudaria mesmo assim.

— Ei, eu AMO essa música! – afirmei com uma euforia quase igual à que ela exibira minutos atrás.

O olhar melancólico sumiu de sua feição, dando lugar a surpresa e uma pontinha de alegria.

— Eu também!

— Vamos dançar, sim ou claro?!

— CLARO!

Então a puxei pelo pulso, guiando-a para pista de dança, e ela me acompanhou sem protestar.

***

Passado um tempo, fui urgentemente abandonada pela minha companheira de dança, que precisou ir resolver divergências entre seus amigos.

Decidi dar uma volta pela festa até encontrar um tonel, onde me acomodei ao lado, abrindo uma lata de energético bem gelada para repor as energias gastas na pista de dança. Delícia.

Dando algumas olhadelas em volta, percebo cenas pra lá de inéditas, mas bem apreciáveis – Astrid dançando com Tuffnut depois de ter beijado Snotlout; Ruff prensada a parede pelo corpo musculoso de Eret que a agarrava sem pudor algum e ela correspondia; Meri sobre o colo de Hiccup protagonizando um tórrido beijo com direito a puxão de cabelo e pegada na coxa num pufe isolado da multidão; Elsa e Jack numa conversa regada à segundas intenções do lado de fora da loucura que estava essa festa.

Dei um sorrisinho satisfeito. Tudo sob controle (?).

Continuei bebericando da latinha fria entre meus dedos, a sensação era de que o líquido gaseificado deixava um caminho incandescente à medida que descia pela minha garganta. Eu poderia jurar que sentia minhas energias sendo repostas a cada golada, mas tenho certeza que não passa de efeito placebo.

Minhas observações bem interessantes ficaram tristemente de lado quando, no instante seguinte, captei a imagem de Mike atravessando o grande salão, desorientado e confuso, bem longe de onde estávamos sentados juntos a princípio.

Francamente, recusei-me a ir atrás dele – ainda que parecesse nervoso e exibisse um andar tenso, minha dignidade não permitia isso.

Mas não pude evitar observa-lo, pelo menos enquanto ainda marcava presença no meu campo de visão.

De maneira aflita, ele olhava ao redor. Se eu o conhecesse bem, diria que estava fugindo de alguém. Temeroso. De repente, me peguei sorrindo. Misericórdia, quem será que deixou o Blonde Phoenix com o rabo entre as pernas desse jeito? Nem consigo imaginar.

Na verdade, eu conseguia sim.

Desviei o olhar do outro e, de alguma forma desgraçada, minha atenção fora completamente voltada para os olhos castanhos daquele que fazia o mesmo que eu: observava alguém de longe.

Mas diferente do meu caso, ele não observava Mike.

Flynn encarava a mim. Longa e intensamente.

Os braços fortes cruzados sobre o tórax, o olhar crispado emoldurando as írises castanhas e em seus lábios um sorriso de lado, tão cretino e instigante quanto ele em toda a sua singularidade.

Eu não fazia ideia de por quanto tempo ele já vinha me observando.

No entanto, não posso negar que seu olhar intenso provocara tênues arrepios no meu corpo. Como de praxe, né amada? Eu quase poderia dizer que o flagrei. Mas é um flagra quando a pessoa quer ser descoberta?

Virei o resto do energético antes de amassar – ou tentar – a lata entre meus dedos – Anna teria conseguido sem pestanejar – e, sem tirar os olhos de Flynn, fiz menção de ir em seu encontro.

Mas o desgraçado sumiu no segundo seguinte, feito uma assombração (??).

— Droga. – xinguei, ao perdê-lo de vista.

Nem considerei o fato de ficar feito uma louca procurando por ele, pois sinceramente, esse lance de ir atrás não é comigo não, sinto muito.

Mas odeio mentir para mim mesma. Eu me sentia realmente frustrada.

Uma coisa mais importante chamou minha atenção.

Vi Tooth passar por entre as pessoas e caminhar a passos rápidos em direção ao jardim de entrada. Ela não estava com uma cara muito boa. Resolvi ir atrás dela quando alguém falou.

— Por que Mike está fugindo de você? – me virei e deparei-me com Merida.

— Quê? Que Mike? – ela arqueou uma sobrancelha. Logo me recordei, vish. – Então, você também notou?

— Sim, ué. Tá meio na cara, né mana. – deu uma risadinha. – Mas acho que ele estava na verdade é com medo de outra pessoa... – e alisou o que parecia ser sua barba imaginária, com os olhos em fendas.

— O que suas suspeitas indicam, Merida Holmes? – entrei no seu joguinho e ela prontamente respondeu.

— Ele está sendo coagido. – e assentiu com a cabeça para a própria observação.

O pior é que fazia sentido.

— Pois eu sugiro que você retorne àquele pufe e se acabe de tanto beijar o príncipe patrão, como antes estava fazendo, ou não respondo mais por mim.

Provoquei e foi instantâneo: Meri arregalou os olhos e corou drasticamente, esquecendo até da sua barba imaginária.

— V-você viu? – dizia, toda tímida. – Mas nós estávamos tão...

— Isolados? Percebi, bem longe de tudo e de todos. – crispei os olhos. – Lugar propício para umas saliências.

Santa Rihanna Fenty. Merida parecia que ia explodir a qualquer momento, tamanho o rubor nas suas bochechas.

— Louca, acalme-se! Estou apenas te zoando! – não consegui evitar a gargalhada poderosa. Ela desviava o olhar, de tão sem jeito.

Eu nunca vou me cansar da inocência de Meri.

— Onde está o felizardo, afinal? – indaguei, puxando assunto, para que ela se sentisse confortável outra vez. – Não me diga que foi beijar outra? – franzi o cenho. – Não vou permiti-lo fazer de você mais uma na lista do harém phoenix, mas nem por cima do meu salto 15! Vamos, me fale. Acabo com a vida social dele com apenas uma ligação!

— Não, calma! – gesticulou com as mãos, nervosa, dando uma risadinha. – Ele só foi averiguar um problema com algum convidado bêbado.

Crispei os olhos. – Acho bom mesmo.

Ela não conseguiu evitar sorrir, admirada.

Era difícil para mim deixa-la à mercê de homens espertos, homens com os quais eu sei lidar muito bem – jogando na mesma moeda, ou até pior. Meri, no entanto, não era como eu. Por isso, sentíamos essa necessidade inquietante de protege-la disso.

Voltamos a conversar enquanto Meri mais uma vez alisava sua barba imaginária, agora acompanhado de um cachimbo também, apontando evidências que comprovavam sua teoria de que Mike estava sendo coagido a ficar longe de mim. Neguei com a cabeça, sorrindo de canto, pois poucos minutos conversando com Meri aliviaram toda a carregada tensão que se propagara sobre mim nas últimas horas.

Mas logo toda essa tensão retornara novamente assim que avistei Flynn ao longe, conversando com Hiccup.

E eu só fui notar estar desconfiada quando senti que meus olhos crispados eram a parte mais chamativa que montava o meu semblante. O ímpeto de ir tirar satisfações com ele me atingiu feito um alude.

Notei quando Hiccup lhe entregou umas chaves, enquanto lhe falava algo. Flynn deu de ombros e caminhou até as escadas, calmo e despreocupado. Gostosamente sério. Passando pelos pedestais e subindo logo em seguida.

— Meri, fica aqui... – falei sem fita-la, já fazendo o mesmo caminho que Flynn.

Ao chegar no pé da escada de acesso ao segundo andar, olhei em volta, checando se ninguém estava prestando a atenção. Desencaixei a fita retrátil de um dos suportes que barrava a passagem e passei para escada, me certificando de encaixar a fita novamente para mantê-la fechada antes de subir.

Afinal de contas, eu não queria que ninguém interrompesse nossa conversa.

Uma vez no segundo andar, rapidamente segui em direção aos corredores onde havia, no máximo, umas cinco portas – não sei ao certo, não me dei o trabalho de contar, pois uma delas detinha toda a minha atenção visto que estava entreaberta.

O corredor estava escuro, mas não um completo breu graças a pouca luz originada deste quarto meio aberto, num claro convite para que eu entrasse.

Eu sentia, no fundo sentia, que estava caminhando para uma armadilha.

Eu sabia.

Mas fingia não saber.

Sem pensar duas vezes, abri ainda mais a porta e adentrei o quarto furtivamente.

Tá, não pude deixar de notar o quão ele era organizado.

Mas considerando a personalidade meticulosa de Flynn, não posso dizer que isso me surpreende.

A primeira coisa que reparei foi a escrivaninha embutida à estante, inteira numa cor escura e detalhes cinza. Tal móvel ocupava toda a extensão da parede de frente para porta. Dividido em vários compartimentos quadriculados, a divisória da estante era em sua maioria preenchida por muitos livros. Já na divisória da escrivaninha, em volta de um grande mural, os nichos eram ocupados com inúmeros porta-retratos, luminárias, CDs e um Home Theater pra lá de tecnológico.

Sobre a escrivaninha, uma mediana luminária prateada estava acesa jogando sua luz sobre o macbook fechado. O único foco de luz do quarto.

Sobre a poltrona-executiva à mesa, uma jaqueta estava jogada, e ouso dizer que era a única coisa fora de seu lugar dentro daquele cômodo que presumi ser o quarto de Flynn.

A cama bem arrumada e alinhada à parede da janela tinha um criado-mudo embutido a sofisticada cabeceira, onde repousava um abajur desligado e um caderno de desenhos aberto que me deixara imensamente intrigada.

O tapete cinza e felpudo no chão me ajudou a entrar mais furtivamente, já que abafava o som do meu salto contra o assoalho.

As persianas estavam abertas e, de frente para os vidros da janela, estava Flynn, observando o movimento lá fora.

Franzi o cenho, encarando o seu perfil e bati a porta com uma força exagerada, anunciando a minha presença.

No entanto, ele não pareceu abalado. Me fitou de esguelha depois de um segundo, tão tranquilo e sereno que por um momento achei que minha imagem em seu quarto era o cenário mais casual do mundo.

Tornou a fitar pela janela no momento seguinte. Ignorada com sucesso.

Franzi o cenho irritadiça e peguei o caderninho que tanto me atraía. Observei os desenhos com atenção e certo fascínio, folheando com cuidado. Tratava-se de arquiteturas, das mais diversas, desde casebres à grandes edifícios. Todos desenhados à ricos detalhes, em traços finos, firmes e à caneta!

Não havia como negar. Eu estava admirada com seu talento.

Mas guardei esse pensamento para mim mesma.

Agora, com a porta fechada, os ruídos da festa tornaram-se quase inaudíveis e com isso pude notar que What You Need do The Weeknd ressoava bem baixinho de seu Home Theater.

— Uau, quem diria. – coloquei de volta o caderno sobre o criado-mudo devidamente alinhado, tornando a dar uma breve olhadela no quarto mais uma vez. – Você é organizado. – havia um tom corriqueiro de ironia em minha voz, que não pareceu incomoda-lo no entanto.

É irônico a forma como um homem tão metódico consegue fazer uma grande bagunça na vida alheia.

— Não consigo me imaginar morando com você. – fui sincera ao dizer.

E pela primeira vez na noite, ele me lançou um olhar que não remetia a malícia, arqueando uma sobrancelha em curiosidade.

— Por que?

— Opostos demais. – dei de ombros, gesticulando. – Tenho a mente de uma artista. Meu processo criativo gira entorno da desordem. Há poucas coisas no mundo mais belas que o caos.

Ele sorriu de lado. – Interessante essa sua forma de dizer que é bagunceira.

— Que seja. – se eu o conhecesse bem, diria que conteve uma risadinha. – Enfim, me responde uma coisa. Você faz tanta questão de todos os seus esquemas ou isso só se aplica a Ruffnut? – a pergunta repentina pareceu intriga-lo por meio segundo. Ele se virou, ficando de frente para mim, esperando que eu esclarecesse. – Pois é, amado, você foi tirar satisfações comigo por causa dela. É claro que me surpreendi.

Ele permaneceu me encarando por alguns segundos, em silêncio, antes de sorrir e negar com a cabeça.

— É sério que você veio aqui... – ergueu o olhar, tornando a fitar meus olhos com intensidade. – No meu quarto... – enfatizou com um sorriso malicioso. – Só para me perguntar isso?

Dei de ombros. – E para o que você esperava que fosse? – questionei, antes de crispar os olhos e sorrir maldosa. – O que você queria que fosse, Fred?

Mais uns segundos de silêncio extremo, dessa vez mais duradouro que os anteriores. Flynn me lançava um olhar mordaz, o canto de seu lábio voltado para cima. Sorri singela na sua direção, esperando pacientemente.

— Eu gosto de Ruff, como pessoa. – respondeu ele, de repente, claramente fugindo da minha última questão. – Era a melhor dos meus contatos, por termos uma boa amizade.

— Certo. Então, ela era a sua favorita. – revirei os olhos.

— Pode colocar nesse termo, se quiser. Mas confesso que não gosto muito. – seu sorriso se intensificou enquanto encarava minha feição de desagrado. – E parece que você também não.

Bufei, indignada. – Se manca, Flynn.

Ele crispou os olhos e sorriu ainda mais. – “Flynn”?

— Oh, perdão. Fred. – “corrigi-me”, meu coração aos saltos pelo deslize. Putz, fui pega no pulo. Sua tonta, recomponha-se.

O sorriso malicioso e satisfeito dele agora estava em pura evidência. Pronto, ele ganhou seu dia com isso.

Flynn me fitou por mais alguns segundos em um silêncio ardiloso, enquanto eu discernia em como a vida consegue ser tão injusta para comigo. Como manter as farsas de que esse homem “tanto faz como tanto fez” para mim, sendo ele um puta tesão desse jeito? Que ódio.

Mas por fora, mantive a compostura.

Flynn caminhou até a poltrona giratória da escrivaninha e se jogou sobre ela, girando-a e ficando de frente pra mim de um jeito desleixado e convidativo demais para que eu sentasse com tudo em cima dele (?).

Me contive.

Com muito esforço.

Ele massageava o dedo anelar da mão direita, onde tinha um chamativo anel de ouro, ao tempo que me observava com um sorriso perigoso nos lábios.

Gesticulou antes de dizer. – Isso é tudo, Punzie?

— Não sei, tô pensando. – fiz a maluca, desviando o olhar dele, ajeitando os cabelos, procurando me ater a qualquer coisa que não fosse ele e seu olhar predatório.

— Sem pressa. – murmurou com a voz rouca. – Nós temos a noite toda.

Eu mesma me negava a crer em Ruffnut quando esta afirmava com veemência o quão totalmente entregue a esse homem ela era. Simplesmente não entrava na minha cabeça. Eu não conseguia entender.

Mas estava começando.

Flynn sabe exatamente o que fazer, quando fazer e como fazer.

E ele nem precisa agir muito, consegue só com o olhar incitar em suas vítimas o desejo de avançar nele e tomar a atitude por si própria.

Ele é certeiro em suas investidas. É certeiro na forma como te olha e na entonação que usa para falar com você.

E eu não gostei nada de sentir estar sendo atraída aos poucos.

Engoli em seco e puxei um assunto que certamente dispersaria a atmosfera erótica que ele provocara tão habilmente em poucos minutos e sem fazer absolutamente nada.

Só podia ser coisa da minha cabeça. Não é possível!

— Mas me conta, está preparado para assumir sua culpa no cartório? – sentei sobre sua cama, fazendo a sonsa, cruzando as pernas e folheado seu caderninho de desenhos mais uma vez, tudo isso para evitar fita-lo.

Eu conseguia imaginar seu olhar confuso.

— Culpa de quê?

— Ora, você sabe. Com Ruffnut. – o fitei com a feição óbvia, ele tinha os olhos em fendas e o cenho franzido. Bingo. – Por ter sido tão injusto e cafajeste com ela todo esse tempo.

Ele suspirou. – Eu admito que errei apenas por nunca tê-la negado quando ela me procurava. – foi sucinto ao dizer. – Por que negar? O sexo era ótimo e acima de tudo sem cobranças.

— Que herói. – ironizei.

— Ruffnut não tinha um lance só comigo, se quer saber. Ela também saía com uma garota de arquitetura. – soltou despreocupado a informação que me pegara de surpresa. Eu não sabia daquilo. Ele percebeu e sorriu sereno. – Eu não imaginava, francamente, que ela nutria esse tipo de sentimento por mim. – deu de ombros brevemente. – Mas se realmente quer saber, eu teria dado um fim nisso há muito tempo se soubesse. Não é algo que gosto de alimentar. Não é como se eu não conseguisse dormir tranquilo sabendo que alguém sofre por mim, mas confesso que a sensação é... desconfortável.

Flynn. A sinceridade em pessoa.

— Uau, será que você consegue ser mais babaca?

— Não espere que eu encha os seus ouvidos com palavras vazias que te agradam. – sentenciou ele. – Isso nunca vai acontecer.

— Eu diria que é uma pena, mas estaria mentindo. – falei super tranquila. – Gosto da sua sinceridade.

— Então por que não acredita em mim? – questionou no mesmo instante.

Quando fitei seu rosto, vi que estava sério. Absurdamente sério.

Aquele sentimento de culpa que eu vinha tentando esquecer durante toda a semana ameaçou despontar no âmago do meu ser e eu fiz de tudo para ignora-la.

Meu orgulho não me permitia reconhecer o quão fui injusta com ele, mas não havia como negar. Enquanto Flynn ainda me encarava, impassível e sério, eu decidi só dessa vez ser franca.

— Eu acredito em você. – não desviei os olhos dele ao dizer. – Agora.

Longos segundos em silêncio até sua seriedade ruir diante do sorriso de lado que escapara em sua feição, sem maldade ou malícia. Eu quase poderia dizer que se tratava de gratidão.

E então, aquela mudança de ares novamente.

— Só agora? – ele estreitou os olhos e indagou num tom de voz perigosamente sombrio.

— Sim, só agora. – fitei minhas unhas, fazendo pouco caso.

Antes que eu pudesse me dar conta, ele se ergueu da poltrona.

E caminhou a passos lentos e calculados na minha direção, enquanto que eu o acompanhava apenas com olhar, desconfiada.

Flynn parou bem a minha frente.

Me encarando de cima e parecendo imensamente satisfeito com a visão que tinha, ele sorriu e umedeceu os lábios com a língua.

Antes de começar a se abaixar lentamente.

Meu coração por um momento parou de bater enquanto ele se inclinava sobre mim, me induzindo a apoiar-me sobre meus cotovelos ao tempo que, sem nem perceber, eu praticamente me abria para qualquer possibilidade, sentindo meu estômago se contrair em borboletas frenéticas.

Em momento algum ele desviou os olhos dos meus.

Sua proximidade era perigosa demais para que eu conseguisse raciocinar com algum êxito. Ofegante feito a fraca que descobri ser, graças as malditas e eficientes investidas desse homem, a única forma que encontrei de tentar manter o pouco controle que me restava foi respirar profundamente, mas ao me sentir ser invadida pelo perfume almiscarado e inebriante que ele usava, percebi ter sido uma péssima ideia.

Era inegavelmente difícil para mim admitir que amava seu cheiro. E que estava acostumada com ele.

Flynn fitou meus lábios com intensidade, a um dedo de distância dos seus. Um arrepio me tomou por inteira.

Ergueu a mão vaga para me tocar. Seus dedos roçaram o meu pescoço e minha pele se aquecera numa onda intensa de calor.

Reprimi um suspiro entalado em minha garganta quando, no segundo seguinte, ele desviara a ocupação de seus dedos para um compartimento na cabeceira bem trabalhada da cama sofisticada.

Franzi o cenho e encarei a pequena repartição, de repente me esquecendo o quão próximo ele estava, quase em cima de mim. Tratava-se de uma pequena adega de whiskys caros, de variados tamanhos e nomes estrangeiros.

Cheguei a ver o momento em que sua mão agarrara uma pequena garrafa, logo fechando o compartimento e se afastando rapidamente.

Deixando-me completamente atordoada.

Não sei dizer qual era o teor da minha cara de indignação, mas com certeza era a das mais expressivas, principalmente depois que percebi o sorrisinho divertido em seu rosto.

— Parece desapontada. Qual o problema, Punzie? – indagou, cínico.

Ordinário. Desgraçado!

— Não estou desapontada. Estou incomodada.

— Hm, por que?

— Você infestou os meus pulmões com seu perfume.

Outra risadinha contida de sua parte.

Minha dignidade certamente caíra por terra.

Pus-me de pé, pois aquilo já era de mais. Tomei distância de sua cama, caminhando – ou tentando – disfarçadamente para perto da janela, evitando fita-lo. A integridade física e emocional do meu pobre coração certamente estava em colapso, enquanto que eu ainda sentia um calor intenso. Mas que filho da puta!

Do espaço na cômoda próxima, Flynn fitou brevemente na minha direção.

— Não vou te oferecer. – comentou enquanto se servia uma dose de whisky. – Longe de mim coloca-la num dilema terrível, típico do que você pensaria a meu respeito.

Vire-me para encara-lo com a sobrancelha arqueada. – Que seria?

— Se sou ou não capaz de embebeda-la para conseguir o que tanto quero.

— E o que você tanto quer?

— Foder você. – soltou na maior naturalidade e se virou para fitar meu rosto. Pela primeira vez na noite, senti minhas bochechas esquentarem. Isso, senhores, é o que eu chamo de fenômeno raro. Ele sorriu. – Não me olha assim. Você disse que gosta da minha sinceridade.

— Antes de mais nada, preciso me acostumar com ela.

— Vou pegar leve com você. – riu ele.

— Não precisa. – retruquei no mesmo instante. – Eu me garanto.

Sua resposta foi um sorriso admirado de lábios entreabertos.

Mas eu só conseguia pensar no que ele confessara tão diretamente segundos antes.

— Mas sobre esse dilema a seu respeito, de fato, eu realmente pensaria. – admiti e ele gesticulou orgulhoso para si, satisfeito com a própria perspicácia. – E certamente não estou errada.

No mesmo instante, Flynn me lançou um olhar sombrio, penetrante, e assim manteve-se me encarando por longos segundos.

Começou a caminhar perigosamente na minha direção. Lento e sorrateiro. Senti-me nervosa no mesmo instante, percebendo que mais uma vez ele estava findando a distância entre nós.

— É aí que você se engana. – soou despreocupado, levando o copo aos lábios para beber do whisky mais uma vez, sem tirar os olhos de mim.

— Será? – questionei-o, revirando os olhos para manter as aparências de que não estava sendo afetada. Pura fachada. – Veja bem, Fred, eu estou tão perto da sua cama. Me embebedar para conseguir o que tanto quer não seria má ideia para você.

— Vou ignorar a parte em que você me ofende ao insinuar isso. – retrucou na mesma hora, completando com a voz rouca. – E me ater a oportunidade de provocar você.

Se aproximou mais um passo, deixando o copo na superfície mais próxima com o calculado intuito de ter as mãos livres. Mantive o olhar impassível. Por dentro, meu coração disparava e eu mal notei que havia recuado até sentir a janela fria e fechada as minhas costas.

— Não sabia que se ofendia com a verdade.

Flynn findou a distância entre nós, comedido, mas certeiro em seu andar predatório.

Parou a centímetros de meu rosto, me encarando de modo intenso, fitando-me de cima com satisfação.

Teimosa, ergui meu queixo. Não queria parecer intimidada.

— Eu te quero bem sóbria. – murmurou rouco, próximo a minha boca. – Quero vê-la perdendo a sanidade a cada investida minha... – engoli em seco e ele não reprimiu o sorriso cretino ao perceber meu deslize, levando os lábios a tocarem minha orelha exposta pelo penteado antes de completar num sussurro. – E ouvir com nitidez o som da sua voz gemendo meu nome.

Senti um arrepio descer minha espinha.

Com a respiração entrecortada e com ambas as mãos apoiadas em seu abdômen, me vi sem a mínima força para ao menos tentar afastá-lo.

Eu me sentia entorpecida.

— Onde você pretende chegar com isso tudo? – minha voz saiu mais fraca do que imaginei e me odiei por isso.

— “Isso tudo”? – senti seu sorriso maldoso se intensificar. – Isso aqui não é nada, Punzie. – respondeu num sussurro.

Senti a textura macia da ponta de seus lábios a deslizar desde a extremidade do meu maxilar até minha bochecha, aproximando-se cada vez mais de minha boca numa lentidão quase incômoda para mim.

Num vislumbre de sanidade, virei o rosto no último segundo, impedindo-o de alcançar meus lábios. Mas ele simplesmente aproveitou a oportunidade para explorar mais o meu pescoço.

Ao invés de empurra-lo, meus dedos se enroscaram em sua camisa, puxando-o para mais perto. Involuntariamente, fechei meus olhos, jogando brevemente a cabeça para trás num claro convite para que fizesse tudo.

Tudo o que pretendia fazer comigo.

Céus, eu estava entregue.

E ele prontamente acatou.

No momento em que senti sua mão subindo pelo meu pescoço e agarrando-me pela nuca com firmeza, ofeguei em prazer, mantendo meus olhos fechados para me deleitar de cada toque, beijo e mordida que Flynn distribuía na extensão de meu pescoço.

Seus dedos em meus cabelos me firmavam num puxão suave, à maneira que ele queria, dominando-me com maestria, enquanto seus lábios me castigavam de forma prazerosa, deslizando pela minha pele, deixando suas marcas e em meu interior uma ânsia por mais.

Aproximou-se de minha boca lentamente.

Não havia como eu recuar, pois eu estava completamente em suas mãos. Seus lábios roçaram de leve nos meus, de uma forma tão tentadora, que um instinto poderoso de avançar e aprofundar um beijo me tomou por inteira. Era exatamente isso que ele queria.

Me contive... com um esforço... doloroso.

Demorei minutos a fio pra perceber o quão estava sendo fraca.

Abri meus olhos em um súbito e foi como se um chamado apitasse agudo e continuamente – sem contar que atrasado – em meu cérebro.

Alerta. Perto demais. Perto demais!

Desenrosquei meus dedos de sua camisa e com as mãos espalmadas o empurrei – tirando forças de onde eu nem sabia que tinha.

Toda a minha força retida resultou em um mísero passo de Flynn para trás. E ele não parecia surpreso de ter sido empurrado.

Eu conheci, da forma mais hedionda – ou era isso que eu repetia mentalmente para mim mesma, no intuito de tentar me convencer que não havia gostado –, o motivo pelo qual haviam tantas mulheres aos pés dele.

Com a respiração ofegante e as pernas trêmulas, fiz menção de falar algo, porém fui interrompida antes que pudesse.

— Perdoe-me por isso. – dizia enquanto colocava as mãos nos bolsos e umedecia os lábios com a língua, num ato malditamente charmoso. – A ideia era eu ficar na minha, mas você não me deu escolha. – e sorriu de lado.

Inferno!

— Da próxima vez, contenha seu ímpeto. – exprimi entredentes, tentando compassar a respiração.

Ele arqueou a sobrancelha e apontou para a camisa amarrotada, no local onde meus dedos estavam segurando com vigor para que ele não se afastasse.

Mantendo o sorriso de lado, falou. – Você também.

Fechei meus olhos para evitar gemer em frustração e respirei fundo, ouvindo seu risinho rouco e sedutor até quando ele não estava tentando ser sedutor. Mas como pode isso?!

— Certo. Escute. Eu preciso te contar uma coisa.

Suspirei em exasperação. – Mas o que é essa mudança de assunto tão repentina?! Me deixe respirar, homem!

Ele crispou os olhos.

— Estou preservando o pouco autocontrole que me resta para não te agarrar e te jogar na minha cama, Rapunzel, então sugiro que coopere.

— Ok.

Não obedeci porque ele quis, obedeci porque me vi tristemente sem reação. Dei um longo suspiro. Céus.

— Rogers não está fugindo de você.

— Rogers? – franzi o cenho, confusa, encarando-o em seguida. – Quem é Rogers, Fred? O único Rogers que eu conheço é o Capitão América.

— Mike. – esclareceu ele. – Mike não está fugindo de você.

Crispei os olhos e assumi uma postura mais autoritária.

— E o que você sabe sobre isso?

De repente, eu estava absurdamente séria.

— Ele não está fugindo de você.

— Você já disse. O que você sabe sobre isso, Flynn?! – não me preocupei em tê-lo chamado pelo nome correto, pois estava possessa.

E tal deslize não pareceu agrada-lo, pois ele já havia notado a irritação em meus olhos.

Se eu souber que Flynn tem algo a ver com o súbito afastamento de Mike para comigo por pura atitude infantil e vingativa de sua parte, esse quarto vai ficar pequeno diante da minha ira.

— Responda.

— Acalme-se, Corona. Você não vai conseguir nada se exaltando dessa forma. – a tranquilidade dele me tirava do sério. – Mike não está fugindo de você. Está fugindo de mim.

Não pode ser. Merida estava certa?!

— O que você fez?

— Decretei uns termos. – ele deu de ombros, nem um pouco abalado com meu olhar inquisidor. – Que ele se negou a cumprir, então precisei ser mais rígido.

— O que você fez?! – minha voz elevou uma oitava.

— Você vai descobrir. – respondeu tranquilamente. – Agora me responde uma coisa. – negando com a cabeça, ele deu um passo à frente, nos deixando bem próximos novamente. – Você sempre fica possessa dessa forma quando arruínam algum esquema seu ou isso só se aplica a Mike? – apoiou o antebraço acima da minha cabeça, ficando olho a olho comigo, e completou num murmuro rouco e irônico. – Pois é, Punzie, você parece bem furiosa comigo por causa dele. É claro que me surpreendi.

Senti os pelos de minha nuca se eriçarem e minhas pernas bambearem pela proximidade. Mas eu estava irritada demais para me deixar levar pelo seu charme.

O problema nunca foi Mike. Minha nossa, eu não estou dando a mínima para o que Mike faz ou deixa de fazer! O problema é ele se sentir no direito de dar o troco por algo que nunca fiz com intenção de prejudica-lo e ainda ironizar fazendo uso das minhas palavras.

— O que me incomoda mais é o fato de você ter feito o que fez por conta de um a vingança infantil! – passei por ele, levando-o com meu ombro, gesticulando com as mãos enraivecida. – Minhas atitudes para com Ruffnut sempre foram visando o bem dela, mas você só age em função de si mesmo!

Eu estava furiosa e imensamente magoada em constatar que tudo o que eu pensava sobre ele... estava certo.

Flynn franziu o cenho e respondeu baixo. – Você não sabe o que está dizendo.

— As coisas estão bem claras para mim, Flynn. Obrigada por abrir meus olhos. – retruquei entredentes, tão chateada que minha voz baixara um terço, sem forças. – E se quer saber o motivo de eu suspeitar tanto da sua palavra, contemple o óbvio. Difícil não desconfiar quando estou lidando com um narcisista, manipulador e egoísta!

Cuspi as palavras nele.

O silêncio foi devastador.

E ao encara-lo com desgosto, notei em sua feição o mais absoluto... nada.

Ele estava estático, sim. Mas com a postura tensa de quem se esforça para não perder a austeridade.

Percebi, com muito esforço, o momento em que ele engolira em seco, trincara o maxilar e desviara o olhar de mim, fechando os olhos com força.

— Quando se der conta do erro que acabou de cometer... – sua feição tornou-se sombria quando ele voltou a me encarar. – Por favor, não me procure.

Completou com a voz tão glacial que me deu arrepios.

Franzi ainda mais o cenho. – Nunca foi um dos meus planos.

Ele não me respondeu.

Apenas virou-se e pegou seu copo de whisky, voltando a sua posição inicial – fitando além da janela fechada, com uma mão no bolso.

Anuí lentamente com a cabeça. – Ótimo. – murmurei, virando-me para sair daquele quarto.

— Ótimo. – ele precisava dar a palavra final, é claro.

Saí do quarto batendo a porta e batendo os pés, feito uma menina birrenta. Sim.

Como eu pude ser tão burra?! Como não imaginei?! Como ainda depositei esperanças em um homem que se sentiu no direito de me ridicularizar no primeiro dia de aula por conta de mentiras numa revista?!

Grunhi furiosa, desejando socar a minha própria cara, a cara dele, a cara de todos e respirei fundo. O pior de tudo era ouvir a voz de minha mãe me dando sermão em memórias não muito distantes.

Mantenha a compostura, menina tola.

Revirei os olhos, mas obedeci feito a tonta que era. Dei um longo suspiro, desci as escadas e fiz o caminho de volta ao saguão, jogando-me em um dos pufes e bufando em desagrado ao lembrar que quase cedi a tentação que era Flynn. Quase, tá?

Céus, eu estaria morta de arrependimento agora. É difícil constatar que ele consegue ser tão irresistível e tão cruel ao mesmo tempo.

Neguei com a cabeça. Meu coração estava tão... estranho. Diria triste, mas não queria admitir que sua última sentença me afetara.

Eu estava tão absorta em meus pensamentos que só fui perceber que Heather estava parada em minha frente quando a mesma pigarreou em desagrado.

Olhei em volta, notando que ela havia armado todo um circo – sua trupe de dalilahs estavam de prontidão, os olhos atentos em mim, os sorrisos zombeteiros em evidência. As pessoas ao redor também olhavam e cochichavam.

Heather havia convocado toda essa gente com um único propósito – que eu ainda ia descobrir.

A fitei com a sobrancelha arqueada e ela colocou uma mão na cintura.

— E então? – indagou com sua arrogância habitual e eu logo me vi confusa.

Olhei em volta para saber se era comigo mesmo.

— Meu tempo é precioso demais para lidar com insignificâncias. Por isso, eu não queria mesmo estar aqui tendo que falar logo com você... – continuou ela antes que eu pudesse dizer qualquer coisa e eu tive certeza que era comigo ao notar seu desprezo. – Mas cá estou.

Abri um sorriso sereno. – Olá, querida. Ou devo lhe chamar de pobre coitada?

Ela revirou os olhos verdes. – Ele já te falou? – indagou, impaciente.

— Ele quem?

— Mike.

Crispei os olhos, entendendo tudo.

Sempre soube que Mike tinha seus casos à parte, ainda que ele sequer soubesse dos meus casos à parte. Mas era de um extremo desgosto saber que ele realmente estava se envolvendo com essa dalilah, justo a que não me suporta.

Isso, é claro, concedê-lo-ia generosos pontos morais com os outros phoenix— ainda que eu não apreciasse o status a qual eu infelizmente estava ostentando, de grande rival das dalilahs.

Sair com duas rivais faria de Mike o maioral de seu bando. Revirei os olhos. Homens.

Me levantei do pufe e ajeitei meu vestido, ficando de frente pra ela. A sua altura. Olho no olho.

— Então, ele está se envolvendo com você também. – foi só o que eu disse, ao cruzar meus braços, deixando transparecer todo o meu tédio naquela conversa.

Ela riu, negando com a cabeça. – E pelo visto, você não sabia.

— Ah, eu já suspeitava, fofa. – dei de ombros. – Os rolos à parte de Mike nunca foram segredo para ninguém, tampouco para mim, mas confesso que não imaginei que você era uma delas.

Ela me lançou um olhar, demonstrando uma falsa pena. – Ele planejava te dar o fora hoje. – falou com uma satisfação tangível.

Não pude evitar que minha expressão surpresa escapasse por entre as frestas de meu semblante impassível. Manter a feição fria sempre foi um forte de Elsa, não meu.

— Por que a surpresa, amor? A decisão era fácil de tomar, você sabe.

Pus um dedo sobre o queixo. – Uau, que curioso. Ele teve tantas chances de me dispensar essa noite, por que será que não o fez?

— Pena, talvez.

— Será? Eu tenho sérias dúvidas, mas vou facilitar as coisas pra você, bonitinha. Vá, cate seu homem, exiba-o no teu club como um troféu, mas vou te contar, ein... – dei uma risadinha. – Você se contenta com tão pouco. Que decadência. – joguei os cabelos para o lado. – Mas ó, dica de amiga: não surta com os vários casos que ele tem, apenas faça o mesmo, aproveite tanto quanto ele, se estressa não, tá? Não vale a saúde mental.

— Você não está entendendo. – ela sorriu ironicamente, ainda que parecesse incomodada. – Estamos nos encaminhando para um relacionamento sério. Não há mais espaço para terceiros e você foi jogada para escanteio. – deu um sorrisinho triste, fingindo lamentar. – Sad face.

Coloquei uma mão sobre o peito, fingindo ter sido afetada.

Mas no segundo seguinte, abri um sorriso tão maravilhado que até ela estranhou.

— Não acredito que fui o pivô de um namoro relâmpago! – afirmei para todos ouvirem. – Vocês aí, podem me chamar a partir de hoje de Rapunzel, a cupida!

— Do que você está falando, sua maluca?! – Heather parecia ainda mais incomodada com o fato de eu não estar me incomodando.

— Ora, como assim? Já era de se esperar que você tentaria de alguma forma obter vantagem sobre mim, que decisão infeliz a sua em optar logo por homem, a coisa mais insignificante e whatever na minha vida. – tentei conter o risinho. – Mas e aí, tá satisfeita com o que conseguiu?

— Para de tentar bancar a inabalavelmente segura, Rapunzel, isso não cola mais.

— Me permite uma pergunta, flor? Pois estou realmente confusa. Qual seria o seu propósito com isso tudo? – ela não respondeu. – Fazer com que eu te odeie? Ou odeie Mike? É uma pena porque, francamente, minha querida, eu não dou a mínima. Mas uma coisa que realmente me intriga é o que você mencionou... – pus um dedo sobre o queixo. – Seu relacionamento não tem mais espaço para terceiros, você diz, então, já dispensou o Jack? E o Ralph? E o Tony? E o William? – ela franziu o cenho. – Calma, amada, você não está errada, afinal, se eles podem ter uma lista de concubinas, por que nós também não podemos? – Heather continuava sem reação. – Mas uma vez que isso começa a te prejudicar, você precisa rever os seus conceitos, Heather. – expus com a voz séria. – Meu amor próprio te incomoda e a única razão de você estar tão obcecada em encontrar alguém que te queira, é porque você mesma não é capaz de se amar.

O silêncio foi sepulcral.

As pessoas que estavam ao redor, antes colocando pilha e incentivando a discussão, de repente se calaram e passaram a encarar Heather.

Meu coração apertou, pois me vi no lugar dela, sendo alvo de olhares opressores vindo das mesmas pessoas que ela própria havia convocado para presenciarem-na me humilhando.

Me senti sufocada.

Aproximei-me um passo, ela sequer percebeu, uma vez que ainda olhava em volta, constrangida. Quando parei a sua frente, ela ergueu os olhos verdes para me encarar, de repente exibindo sua arrogância de sempre.

Não me afligi.

— Venha comigo.

— Não irei com você a lugar algum. – respondeu na mesma hora.

— Ok, então, fique e contente-se em servir de entretenimento pra um bando de jovens bêbados.

Saí e deixei que tomasse sua decisão: continuar no meio de um monte de olhares julgadores e risadinhas zombeteiras, ou me seguir para findar de uma vez por todas essa conversa de um jeito maduro.

A segunda opção lhe pareceu mais proveitosa, uma vez que não demorou para eu senti-la me acompanhando.

Essa situação me deu vergonha, na verdade. É uma tristeza assistir Heather se prestando a algo assim. Ninguém pode viver só de pseudo-amores e lances esperando que eles sejam eternos ou infinitos. Uma hora você cai na real e percebe que precisa amar a si próprio, pois este sim é um amor que vale a pena.

Uma garota sábia beija, mas não ama. Escuta, mas não acredita. E parte antes de ser abandonada.

— Eu não serei sua inimiga, Heather. – virei-me para fitar-lhe o rosto quando enfim chegamos a varanda da frente da casa, onde só haviam poucas pessoas alheias ao que ocorrera no saguão. – Seus problemas em relação a mim, não são meus problemas. São seus. Simplesmente me recuso a me submeter a essa rixa, principalmente por causa de homem. Francamente, não vale o meu esforço. E nem o seu.

Com isso, Elsa apareceu ao meu lado. Parecia ter presenciado todo o ocorrido.

— O que foi isso lá dentro? – ela indagou a mim. – O que houve, Punzie?

— Você de novo, sua garota sonsa?! – Heather enfureceu-se, do nada.

Tomei a frente de Elsa num súbito.

— Estou tendo muita paciência com você, garota. Mas xingar minhas amigas é pedir para ser agredida. – afirmei bem séria e ela recuou um passo, apreensiva.

— Chega de viver de status, Heather. – Elsa interviu. – De prestígios, de aparências! Chega de prezar pelo fútil, preze pelo seu espírito e o seu caráter. Se o mundo inteiro fosse cego, quantas pessoas você impressionaria?

Se foi uma pergunta retórica, eu não sei, mas a garota certamente não havia resposta para aquilo.

Elsa então simplesmente pegou minha mão e me puxou para mais longe, deixando Heather plantada, sozinha e pensativa na varanda. Acho que ela precisava de um tempo para pensar.

— Ok... – Elsa falou, antes mesmo de pararmos. – Pode começar.

— Amiga, vá devagar que já não tô podendo.

— Vai falando, Rapunzel. – ela se encostou na parede, de frente pra mim, com os braços cruzados. – O que diabos aconteceu?

— Nada preocupante ou significativo. Eu teria comentado com você vagamente, se você não estivesse sumido. Aliás, onde você estava?

— Conversando com Jack. – dei um sorrisinho malicioso, me recordando que havia os visto, e ela revirou os olhos. – Estamos preocupados com Tooth, ela sumiu. Ele está procurando o número residencial dela para saber se ela chegou em casa.

De repente, fiquei preocupada ao me lembrar da forma como a vi mais cedo.

— Elsa, eu a vi tem pouco tempo, e realmente ela não estava parecendo muito... – antes que eu pudesse concluir meus pensamentos, fui interrompida por alguém que me chamara.

Mike vinha caminhando em nossa direção até parar bem a minha frente. – Precisamos conversar.

— Ah, não. Me recuso.

— Rapunzel... – protestou Elsa.

— Estou cansada, El. Ih, sai fora.

— Pelo menos ouça o que ele tem a dizer. – sugeriu ela, pacientemente.

Quando pensei em protestar, no entanto, fui interrompida mais uma vez, mas agora por alguém que chamava por ela.

Nos viramos e nos deparamos com a beldade encarnada que atende pelo nome de Jack Frost.

Eu sei que prefiro os morenos, mas não entendo como o Jack consegue ser portador de tamanha beleza. Exibindo seu abdômen muito bem trabalhado, ele caminhava na nossa direção enquanto discava algo no celular.

No entanto, seu olhar comumente provocante estava totalmente substituído por uma expressão preocupada enquanto ele escutava algo ao aparelho. Ele encarou Elsa nos olhos e com um gesto de cabeça indicou que ela o acompanhasse.

Minha amiga se virou para mim antes de segui-lo.

— Deve ser notícias de Tooth. – fitou Mike brevemente e tornou a me encarar. – Resolva isso de uma vez por todas. É o melhor para você. – me sorriu e saiu na direção em que o loiro cor-da-lua havia seguido.

Dito isso, voltei minha atenção a Mike. – Antes de mais nada, eu só quero saber uma coisa... – falei sem fita-lo. – Quando você ia me contar sobre isso?

— Você entendeu errado. Eu pretendia... – o interrompi.

— Você não pretendia nada, pelo amor de Deus, chega.

— Rapunzel... – ele suspirou e eu encarei seu rosto com a expressão impassível. – Só me escuta.

— Está demorando demais. Seja breve.

— Você me conhece. Estamos juntos há meses! – argumentou, engolindo em seco ao dizer. – Eu sou sujeito homem. Não desconsidere minha palavra quando digo que pretendia sim resolver as coisas com você.

— Francamente, Mike. Não, eu não conheço você, nem nunca achei que conhecesse. E pelo visto, você também não me conhece se acha que esse discursinho xinfrim vai colar comigo (?). – arqueei uma sobrancelha e ri, negando com a cabeça. – Não fale de homem como se você soubesse o que é ser um.

Não fiquei para ver sua reação.

Virei as costas e voltei para a festa.

POV Jack

Deixei a princesa valente sob os cuidados de Hiccup, esperando que ele tomasse uma atitude, e resolvi acatar a desculpa que usei para deixa-los a sós.

Eu procurei por Elsa a festa inteira, durante uns vinte minutos, me sentindo um otário – mas agraciado ao recordar da forma como Flynn se referiu a ela mais cedo.

Sua garota estava ali.”

Um sorriso sórdido cresceu em meus lábios, muito satisfeito, principalmente depois de focar o olhar nos cabelos loiros quase platinados localizados não muito longe. Segui na sua direção, caminhando furtivamente até as suas costas, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Felizmente ela estava distraída, mexendo em algo no celular.

Ao chegar bem próximo ao seu ouvido, mas não o suficiente para que me percebesse, murmurei.

— Achei você.

É claro que ela se assustou – levando os dedos finos à frente da boca entreaberta para reprimir o arquejo em espanto e se virando tão rápido que mal tive tempo de assimilar o movimento. Sorri de canto ao notar o subir e descer de seu busto pela respiração entrecortada.

Elsa crispou os olhos azuis, antes arregalados, e exprimiu com ironia.

— Ora, então estava me procurando? – arqueou uma sobrancelha antes de completar. – Ou vai ironizar mais uma vez dizendo que não se lembra?

Ergui uma sobrancelha, satisfeito com a sua audácia.

— Não pode ficar brava comigo a noite inteira, garotinha. É cansativo demais.

— Eu dou conta.

— Não duvido. Mas por favor, é uma festa. – argumentei com jeitinho. – Vamos selar a paz só por essa noite.

Ela fitou meu rosto, crispando os olhos azuis em desconfiança, e ajeitou os fios de cabelos soltos que desalinharam com o movimento brusco anterior. Por fim, deu dois passos para trás ao notar que ainda estávamos bem próximos.

Ao se afastar, pude notar seu olhar passar pelo meu abdômen lentamente... E a medida que ia descendo, mais ela enrubescia. Sorri de canto, muito satisfeito com essa reação.

Ela sacudiu a cabeça e desviou o olhar, constrangida. Que gracinha. Gemeu em frustração enquanto fitava tudo, menos a mim, e mordeu os lábios róseos, contrariada, antes de dizer.

— Ok. Só por essa noite.

Mas minha atenção estava totalmente retida para seu lábio inferior avermelhado pela mordidinha.

Segurei seu queixo e ela enrubesceu ainda mais.

— Se fizer isso de novo, eu vou acabar te beijando

Seus olhos se abriram em espanto enquanto ela recuava toda sem jeito.

— Pare com isso, Jack. – murmurou com um biquinho involuntário.

Meu Deus.

— Que inferno, mulher. Como é que você consegue ser linda, gostosa e fofa ao mesmo tempo, pelo amor de Deus. – perdi as estribeiras por meio segundo, puta que pariu.

Ela arregalou os olhos ainda mais, mas dessa vez reprimiu um risinho. Suspirei, encarando sem nenhum pudor aquela linda boca rosada pelo gloss e crispei os olhos.

— Se eu te roubar outro beijo, tenha em mente que não será um mero selinho. Garanto a você.

Elsa me lançou um olhar irritadiço e eu sorri provocante em resposta.

— Obrigada por me recordar do quão impulsivo você é.

— Disponha.

— E como vai seu rosto? Já recuperado? – ela indagou ironicamente.

Havia um sorriso maldoso em seu rosto. Crispei os olhos.

— A vermelhidão já sumiu, se é o que quer saber.

— Ótimo. Já está pronto para levar outro.

Boquiaberto, fingi indignação. – Você não se atreveria.

— Não pague pra ver.

Eu provavelmente tinha um meio-sorriso congelado ao rosto, os lábios entreabertos devido a surpresa ambulante que essa mulher conseguia ser.

— Você é um caso sério, garotinha. – ela sorriu serena em resposta. – Tenho que admitir, é gostoso ter alguém que, enfim, me desafia. – peguei-me dizendo sem nem perceber.

— Certo... – falou simplesmente, enquanto tornava a teclar algo ao celular. Semicerrei os olhos ao observar sua postura e semblante, percebendo algo que eu não havia notado antes. – Agora se me der licença, eu...

— O que aconteceu? – ela ergueu o olhar num súbito, analisando minha expressão. Eu estava sério, realmente preocupado. – Está tensa. E mais pálida que o normal, se me permite dizer. – esclareci de antemão, porque essa mulher tende a ser teimosa e pra caralho.

Ela riu sem humor.

— E é claro que você me conhece tão profundamente a ponto de notar essas coisas só com um olhar. – nem tentou disfarçar o tom zombeteiro.

Como eu disse.

Crispei ainda mais os olhos, mas não consegui conter o sorriso, satisfeito com o cenário desafiador.

— Essa sua distração singular, considerando o fato de você estar sempre atenta e calcular cada atitude que toma, manifesta uma situação deveras “grave”, se assim podemos chamar, a ponto de tomar toda a sua atenção, fazendo com que se distraia e ignore provocações minhas com facilidade, coisa pouco comum, modéstia à parte... – dei um sorrisinho e ela revirou os olhos. – Sua linguajem corporal indica que está preocupada e eu diria que é com uma de suas amigas porque, no geral, você costuma ser bem protetora para com elas. Posso até sugerir qual delas, talvez... – pus um dedo sobre o queixo. – Merida, não. Está muito bem acompanhada, eu diria. – dei risinho satisfeito, continuando com minhas suposições. – Talvez Rapunzel, mas essa é a menos provável. Apostaria em Anna e suas atitudes impulsivas quase incontroláveis. Estou certo?

É muito difícil deixa-la sem palavras. Mas quando consigo, é sempre gratificante.

Ela tinha ambas as sobrancelhas erguidas, parecendo meio impressionada demais pro meu gosto. Pigarreou, dando um suspiro, enquanto eu aguardava pacientemente por uma reação sua.

— Falhou no fim. Estou preocupada com Tooth.

Um calafrio de agonia tomou meu estômago ao ouvir o nome dela.

Engoli em seco. – O que aconteceu com ela? – questionei tão sério que até eu me surpreendi.

Elsa pareceu um pouco transtornada com a minha mudança repentina de tom, mas respondeu logo em seguida.

— Não a encontro já tem um tempo... – levei a mão ao bolso de minha bermuda antes mesmo dela terminar o que dizia, puxando meu celular e discando o número de Tooth rapidamente. – Não adianta, já tentei.

— Quantas vezes? – comecei a caminhar para o interior da festa, Elsa me acompanhando.

— Eu estava tentando a terceira, quando você me interceptou.

Passei as mãos nos cabelos, uma preocupação incontrolável me assolando de dentro pra fora. Dei um longo suspiro. Quero pensar que esteja tudo bem, que ela só tá por aí se divertindo e logo mais aparece, mas da última vez que Tooth sumira sem avisar ninguém fora quando recebera a notícia da doença de nossa avó.

— Você está bem? – a voz suave de Elsa me puxou desses pesados devaneios.

Dei um suspiro, desviando o olhar. – Estou. – ela não parecia muito convencida do que eu dizia. – Eu também não a vi por aí. Estou... preocupado. – não fitei seus olhos ao admitir isso.

Odeio admitir às pessoas o meu apreço pela Tooth. Sempre entendem errado. Aparentemente, um homem e uma mulher não podem ser apenas amigos.

Ri internamente sem humor algum. Você transa com todas as amigas que têm, Jackson.

— Está tudo bem, vamos encontrá-la. – foi o tom mais compreensível que ela usara para comigo desde que nos conhecemos.

Fitei seu rosto. Havia ternura em sua expressão e, puta que pariu, se ela quisesse me abraçar, eu prontamente deixaria e nem tentaria me aproveitar da situação – fenômeno raro, mas abro exceção pra ela. Só queria sentir esse carinho dela, essa compreensão que ela passa às pessoas, Elsa faz com que eu me sinta... acolhido.

Me parece tão atrativo.

Ela pareceu sem jeito diante da forma como eu estava a encarando.

Desviei o olhar rapidamente.

— Talvez ela tenha ido para casa. Vou tentar ligar para o telefone residencial dela... – fechei os olhos com força e fiz uma careta, lembrando-me que não tinha esse número salvo no meu celular, no entanto... – Tenho o número anotado num post-it no meu quarto. Vou busca-lo.

— Ok, faça isso.

Virei-me para ela exibindo um sorriso provocador, pois, porra, minha cota de sentimentalismo já deu por hoje – bateu nos poucos minutos diante da presença de Elsa, incrível.

Lhe direcionei um dos meus sorrisos galantes e pude notar – por uma de suas sobrancelhas arqueadas – que ela não estava compreendendo porra nenhuma.

— Gostaria de me acompanhar até o meu quarto, garotinha? – expus, num tom altamente sugestivo.

Ela semicerrou os olhos azuis. – O cenário me parece perigoso demais. Dispenso.

— Sei que é corajosa, Elsa. Visite o quarto do cara que está louco pra te pegar de jeito, vamos, acredite no seu potencial (????).

E apesar dela ter enrubescido, revirou os olhos.

— Isso, Elsa. Vá. Envolva-se com seu patrão e tenha problemas no único emprego bom que conseguira nessa cidade nova. – ironizou claramente, falando na terceira pessoa até.

Não consegui conter a risadinha. – Se esse é o problema, sabe que posso resolver.

— Não haverá problema enquanto mantivermos o profissionalismo.

— O profissionalismo não me permite te beijar e isso é triste. – falei com lamentar.

— Mas é o certo, Sr. Frost.

— O certo não me parece muito atrativo, garotinha.

Ela deu uma risadinha. – Sabe que não me surpreendo com essa sua afirmação?

— Sabe que não me surpreendo com quão tentadora você consegue ser? – seu rosto corou ainda mais e eu sorri de lado. Aproximei-me dela um passo, segurando seu queixo e sussurrando bem próximo de seus lábios. – O que eu faço quanto a essa vontade de beijar sua boca, Srta. Snow?

Elsa não se atreveu a desviar os olhos dos meus e levou longos segundos para me responder.

Mas quando o fez...

Seus olhos azuis brilharam em malícia antes dela falar, com um sorrisinho lindo de lado.

— Mantenha nos seus sonhos, Sr. Frost.

Porra.

Sim.

Ela estava me provocando.

E se eu a achava tentadora antes, agora então, puta que pariu!

Dessa vez, não teve escapatória, me vi tristemente sem palavras, mas imensamente maravilhado – um sorriso de canto se insistia em meus lábios entreabertos em surpresa.

— Certo. Vou me contentar com isso. – respondi depois de um tempo, antes de completar com maldade na voz. – Por enquanto.

Ela sorriu, desafiadora. – Desista, Jack.

Neguei com a cabeça. – Impossível.

Contudo, nossa atenção fora repentinamente retida para um burburinho ao meio do saguão.

As pessoas nos esbarravam, apressadas para presenciar a dita confusão. Elsa e eu nos entreolhamos, estranhando a situação, e caminhamos juntos em direção ao motivo da treta.

Eu fui o primeiro a conseguir enxergar de quem se tratava, uma vez que o olho do furacão estava lotado de curiosos, e a minha garota não é o exemplo de mulher alta, então não estava conseguindo distinguir muita coisa.

— O que está acontecendo? – indagou ela.

— É a Salt. – Elsa não pareceu entender muito bem. – Rapunzel. – logo, ela arregalou os olhos.

Rapunzel e Heather trocavam sólidas farpas. Na verdade, o cenário me parecia tramado demais. Era óbvio que alguém havia armado todo aquele circo e não me restava dúvidas de quem havia sido. Cruzei os braços, encarando todo aquele exibicionismo barato com os olhos crispados. Minha nossa, o que as pessoas não fazem por atenção...

— Vocês aí, podem me chamar a partir de hoje de Rapunzel, a cupida! – exclamara Salt, com um imenso sorriso debochado e satisfeito no rosto.

Não pude evitar sorrir de canto.

Mas preocupei-me genuinamente com minha garota, quieta demais ao meu lado. Fitei-a de esguelha, percebendo seu semblante aflito e postura abatida.

— Você está bem?

Ela mudou a fronte ao perceber estar sendo observada.

— E-eu... sim, estou.

Crispei os olhos, cético. Algo estava a incomodando. Claramente.

— Se quiser que eu acabe com isso, é só pedir.

E eu faria. Daria meu jeito para vê-la tranquila. Nem que eu tivesse que enxotar todos à moda da casa, batendo palmas e esbravejando “vambora, todo mundo, circulando, acabou o show!” (??)

Ela me encarou ao ouvir minha voz. Sustentei seu olhar, que foi longo. Não posso negar, gosto quando acontece.

Mas por fim, ela negou com a cabeça.

— Não. Deixa. Punzie sabe se cuidar. – suspirou ela e, no segundo seguinte, a multidão se dispersou.

Rapunzel havia saído, com Heather em seu encalço. Os espectadores pareciam frustrados e desapontados, ansiavam por mais.

Elsa virou-se para mim. – Jack, vá buscar o número. Eu vou falar com Punzie.

— Beleza.

— Nos encontramos lá fora, tudo bem?

Sorri na sua direção. – Tudo bem, garotinha.

Lancei lhe uma piscadela e ela sorriu, seguindo apressada rumo à varanda da frente.

***

Arranquei o pequeno papel da extremidade do mural sobre a escrivaninha do meu quarto e disquei o número disposto nele, me decepcionando nos segundos seguintes, uma vez que só chamara. Ninguém atendeu. Parecia não haver ninguém em casa.

Xinguei baixinho por ser tão precipitado. Talvez ela só não tenha escutado... Talvez eu deva descer e deixar que Elsa telefone.

Disquei o número mais uma vez enquanto saía do quarto, tomando o corredor escuro, mas sendo distraído por alguém que corria por ele, um pouco adiante, como que fugindo de determinada situação.

Alguém subiu atrás de mim?!

— Ei!

Gritei para o meliante, que na verdade era uma garota – pelo cabelo longo e cheio, não restava dúvidas, mas o que estava fazendo aqui? E quem seria? A escuridão não me permitia discernir muita coisa e os feixes das luzes estroboscópicas não ajudavam.

Assim que me ouviu, ela apressou o passo ainda mais e desceu as escadas correndo. Mas que porra?! Me adiantei até o parapeito do segundo andar, mas fui lento demais, pelo visto.

A pessoa já havia sumido na multidão.

— O que faz aqui, Jack?

Me virei de supetão, reagindo ao susto intenso, e encarei bem sério aquele que me falava.

— Porra, quer me matar?

— Eu que o diga!

Hiccup parecia um tanto atordoado – os cabelos desalinhados, o rosto suado, o peito ofegante, a roupa amarrotada...

Crispei os olhos. – Tava transando com quem? – questionei num tom acusador.

E ele pareceu imensamente sem jeito ao tempo que irritado.

— O que você faz aqui? – ele fugiu claramente da pergunta.

— Vim buscar um número de telefone. E você? – dei um sorrisinho malicioso.

— Não aconteceu nada, se é o que quer saber. – murmurou irritadiço.

— Que situação estranha, porque eu poderia jurar que vi alguém fugindo daqui.

Hiccup pareceu imensamente confuso, foi nesse momento que percebi que tampouco ele fazia ideia de que havia alguém no corredor.

— Algum problema, irmão? – indaguei, temeroso por ele estar pensativo demais.

Ele negou e apenas disse que precisava descer e, como eu tinha que fazer o mesmo para encontrar Elsa, apenas o acompanhei em silêncio.

Ainda que estivesse preocupado com a forma como ele parecia tão tenso.

POV Elsa

Eu estava preocupada com a situação em que Punzie se metera e impressionada com as atitudes de Heather.

Fui infeliz em pensar que coisas assim só ocorriam no Ensino Médio, jamais numa Universidade. Por Deus, somos adultos! Que tristeza ver que determinadas pessoas simplesmente não crescem e insistem em agir feito pré-adolescentes frustrados.

Enquanto seguia Jack, notei que o plano de ligar para a casa de Tooth mostrou-se ineficaz uma vez que ninguém atendia.

Mas ele mantinha as tentativas, parecendo ainda mais inquieto. Jack suspirou longamente ao finalizar mais uma chamada sem êxito.

— Onde está o seu carro? Talvez ela tenha voltado para a sua casa.

— As chaves estão comigo. Se ela voltou, com toda certeza, não foi com o carro. Jack, por favor, você precisa se acalmar. Tenho certeza que ela está bem.

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— Eu estou calmo. – mentiu, claramente, dando um longo suspiro.

Me admirava a forma como ele se importava com ela, mas estava me deixando mais nervosa ainda. Alguém precisava agir com cautela diante da situação e Jack parecia um tanto incapaz no momento.

— Ouça. – refleti por uns minutos. – Talvez ela tenha pedido um Uber e colocado o endereço do nosso apartamento. – ele me fitou, pensativo. – Eu vou ligar para lá.

E assim disquei o número residencial do meu lar, tendo os mesmos resultados anteriores.

— Ninguém atende.

Jack grunhiu exasperado e deu um muxoxo. – Chega.

Segurou-me pela mão e me puxou, sem dizer mais nada, levando-me em direção a um dos cantos do jardim.

Ainda atordoada com sua mudança de atitude, apenas deixei que ele me guiasse por metros a fio até enfim questionar.

— Onde estamos indo?

— Relaxa, garotinha. Não vou sequestra-la.

Dei um muxoxo, revirando os olhos. – Não achei que seria capaz...

— Só não me desafie. – completou num murmuro. Tratei de calar a boca.

O frio da noite se tornara evidente quando notei o vapor de minha respiração entrecortada subir e se dissipar no ar.

As pessoas observavam. Não haviam muitas, mas ainda sim haviam pessoas assistindo a Jack e eu caminhando apressados de mãos dadas pelo jardim e uma delas, eu observei, era a ruiva bonita com quem o flagrei no auditório.

Lindsay.

Ela mirava Jack sem nem piscar, descendo o olhar para nossas mãos com uma expressão que eu não soube decifrar. Ao notar que estava sendo observada, Lindsay tratou de se ocupar com outra coisa. Achei estranho, até perceber que haviam mais pessoas nos espiando curiosas.

— Jack, as pessoas estão olhando. – sussurrei, já fazendo menção de soltar sua mão.

Mas ele segurou com mais firmeza ainda.

— Faça o que você faz de melhor. – virou o rosto minimamente por sobre o ombro e sorriu. – Ignore-as.

E eu estranhamente obedeci.

Assim seguimos, com os dedos entrelaçados até que chegarmos a uma divisa lateral da casa, cimentada e pouco decorada. Só percebi que havia apenas nós dois nessa área quando observei em volta.

Jack abriu uma porta dupla que dava acesso a um cômodo escuro. O forro no teto protegia o lugar da luz da lua, culminando num breu total. Estreitei os olhos, tentando identificar que lugar era aquele, mas não consegui.

Jack adentrou, mas soltei sua mão antes que ele pudesse me puxar junto.

Ele voltou. – O que foi?

— Que lugar é esse? – não consegui disfarçar a desconfiança na voz.

Jack arqueou a sobrancelha. – Entre e você vai saber.

Crispei os olhos. – Não vou entrar aí.

Ele franziu o cenho, ofendido, e se virou seguindo rumo interior do cômodo novamente.

— Não se preocupe, não vou toca-la. – parou no batente da porta enquanto dizia. – A não ser que peça... – me encarou e sorriu, malicioso. – Gemendo.

Franzi o cenho, no entanto, sentindo minhas bochechas queimarem. Merda.

A passos pesados, passei por ele, adentrando o cômodo sem nem fita-lo – mas sentindo-me ser alvo de seu sorrisinho cretino.

Com os olhos arregalados, eu tentava inutilmente distinguir o que estivesse em meu caminho, afim de evitar esbarrar em qualquer coisa que resultasse num barulho alto e constrangedor.

As luzes foram acesas subitamente.

Minhas retinas doeram. Pisquei algumas vezes, me adaptando a luz, antes de olhar em volta.

Tratava-se de uma grande garagem, dispondo de quatro vagas – duas de cada lado, ocupadas por carros bem sofisticados, cada qual com seu brilho polido intensificado pelos reflexos das luzes frias do teto.

— Legal. Você coleciona carros. – comentei sem muito ânimo.

Jack arqueou a sobrancelha na minha direção e riu.

— Não coleciono carros.

Indiquei a minha volta com um gesto óbvio e duvidoso.

Ele apontou na direção do primeiro carro, um preto de textura fosca. – Aquele Corvette Z06 é do Kristoff.

Em seguida, indicou um carro cinza, num tom metálico escuro. – Aquele Aston Martin DB11 é do Hiccup, comumente você o vê na faculdade junto daquele ali. – e indicou um carro azul marinho ao lado desse. – Que é o Range Rover do Flynn.

Ele caminhou até o mais chamativo de todos os carros dispostos ali, uma bela máquina toda texturizada num tom prateado, e deu dois tapinhas orgulhosos em seu capô.

— Este é o meu.

— O mais descomedido, é claro. – comentei nada surpresa. Ele deu uma risadinha fofa. Peraí, o quê?— Ok, já conheci seu carro. Aliás, o carro de todos os seus amigos. Agora pode me dizer o que você planeja?

— Vamos checar se ela está no seu apartamento. – respondeu-me finalmente. – E eu vou te levar até lá.

Arregalei os olhos.

— Mas nem morta! Essa... – gesticulei com as mãos para o carro de Jack. – Nave espacial deve correr uns mil quilômetros por hora! Eu gosto de viver, você sabia?! (?) – exclamei, assustada (???).

Mais uma vez, ele deu uma risada fofa e negou com a cabeça, antes de falar.

— Quem disse que vamos no meu carro?

Franzi o cenho, confusa. Ué?

Ele caminhou até mais adiante de seu carro, foi quando descobri que haviam cinco vagas ao invés de quatro. Ergueu a capa de proteção que descansava sobre esse veículo, exibindo sua moto preta.

Jack fitou-me com um sorriso animado no rosto. Neguei com a cabeça continuamente.

— Qual a parte do “eu gosto de viver” você não entendeu, afinal?

Sorriu maldosamente. – Sei que você é corajosa.

— Nem vem!

Outra risadinha fofa.

— Vamos, garotinha. – dizia, enquanto abria a porta do carona de seu carro, tirando de lá duas peças de roupa. – O tempo é limitado.

Gemi em frustração. – Eu sei.

Ele vestiu a camiseta em gola V cinza, pela primeira vez na noite cobrindo seu belo abdômen e a tatuagem de lua em seu peito.

— E estamos preocupados com Tooth, certo?

— Certo. – eu apenas ia concordando involuntariamente enquanto observava cada movimento seu, curiosa. Ele ergueu o moletom azul escuro na minha direção. – Obrigada, mas não será necessário. – dispensei com educação. – O frio nunca me incomodou, de qualquer maneira.

Ele baixou lentamente a mão que segurava o casaco, me encarando por longos segundos com um sorriso bobo no rosto, só para no segundo seguinte ergue-lo na minha direção mais uma vez.

— Eu insisto que vista.

— Jack...

— Por favor, agasalhe-se. – pediu com sinceridade. – Fará com que eu me sinta melhor.

Peguei o suéter, fazendo-o sorrir, e o vesti enquanto ele seguia até uma das prateleiras, trazendo de lá dois capacetes.

O casaco era aveludado por dentro, o que me exerceu uma sensação gostosa de aconchego.

Ajeitei meus cabelos e fitei meu reflexo no vidro espelhado de seu carro, notando que o suéter chegava até a metade das minhas coxas.

Ao me virar, flagrei Jack me encarando de cima a baixo. E, de todo esse tempo que o conheço, essa é a primeira vez que o vejo corado.

Arqueei uma sobrancelha, mas não consegui evitar sorrir, maravilhada com a visão que tinha. Em seu rosto, quase tão branco quanto o meu, acentuava um tom róseo sobre as bochechas que o deixavam inegavelmente fofo, mas um fofo que com toda certeza não remete a inocência.

Não importa o quão inofensivo o traço possa ser, em Jack sempre prevalecerá esse olhar safado.

E ele, obviamente, nunca fez o tipo tímido que tenta disfarçar alguma coisa.

Crispei os olhos para o seu olhar intenso e malicioso.

— No que está pensando?

Ele nem piscou antes de responder.

— Estou te imaginando usando meu suéter sem nada por baixo.

Ok. Pra que eu fui perguntar?

Ele riu, certamente da minha expressão, e subiu no veículo.

— Toma. – ergueu um dos capacetes na minha direção e, uma vez devidamente equipados, apoiei-me em seu ombro para subir na moto.

Jack deu a partida e o veículo rugiu sob meu corpo, potente e suavemente, levando-me a agarra-lo, apreensiva. Deslizei as mãos por seu abdômen, firmando-me as suas costas. Eu não queria admitir a ele, mas possuía um medo bobo de andar de moto, porém nada preocupante.

Jack manobrou e tomamos as ruas.

Minhas mãos se agarravam uma a outra à frente de seu torso. Eu me apertava ao seu corpo como se minha vida dependesse disso, ainda sentindo certo receio.

Decidi, naquele momento, que tentaria tirar dessa situação uma sensação gostosa, a menor que fosse, e deixaria o pessimismo de lado só por um instante.

Abri os olhos, observando os rastros das luzes, deixando-me hipnotizar pela sensação. O vento frio acariciava minhas pernas desnudas enquanto eu apreciava o vago cheiro de Jack tão de perto, se originando do casaco que eu vestia.

O medo se foi.

Senti-lo perto de mim me acalmava. Mas eu jamais admitiria isso em voz alta.

E aos poucos, meus braços em volta de seu corpo se tornou um abraço.

Minhas mãos se desprenderam uma da outra e as apoiei espalmadas ao abdômen de Jack, deslizando-as até repousa-las sobre seu peito, sentindo seu coração – tão acelerado quanto o meu, que por um momento imaginei que andar de moto sempre será uma adrenalina, mesmo para alguém que o faz há anos.

Me concentrei em seus adoráveis latejos o resto da viagem, enquanto aquela serenidade ainda ocupava o lugar dentro de mim que antes habitava o medo.

Segui aninhada a aquele aconchegante abraço até o meu apartamento.

*

Notas finais
We Found Love – Rihanna feat. Calvin Harris: https://youtu.be/kqaGZYDGcUw What You Need – The Weeknd: https://youtu.be/tNHML6jFQuw E então, alguém aí descobriu quem eram as participações especiais? Nem tava tão difícil, quem acertar, ganha um doce (?). Se ligaram na referência do moletom azul escuro? Que coisa mais linda, socorro. Gente, o Mike com medo do Flynn, morri de rir. O que será que eles conversaram, ein???? A CENA DE FLYNN COM A PUNZIE NO QUARTO ( ͡° ͜ʖ ͡°). Teve treta com a Heather, sim! E se reclamar, terão duas! HEUHEUEHUE’ mentira, terão duas não, essa foi a última porque não suporto esse tipo de rivalidade feminina por causa de macho. Continuandoooo... Agora, vamos ao que interessa: Flynzel e Jelsa em peso nesse capítulo. Quero opiniões na minha mesa até às 14h, obrigada rsrsrs Gente, alertem-me sobre qualquer erro, ok? Revisei rapidão... ● Tem post novo no Tumblr! ● Tem sinopse nova! ● Tem capa nova! (Homenagem a Mericcup) Tá, acho que é só isso... Quero saber, pra quem for ver a capa, sinopse, post no Tumblr, o que acharam também, ok? Eu amei os comentários do capítulo passado, a melhor parte de tudo isso, é responder vocês... E obrigada pelas recomendações! ♥ Bom, por hoje é só! Nos veremos em breve, mais breve do que imaginam! Beijos, manas! (◡‿◡✿)