Notas iniciais
Hello guys! Como estão? Já vou dizendo que estou feliz e um pouco apreensiva. Feliz pela terceira recomendação em RT, da merida donbroch! Eu só tenho a agradecer com todo o meu coração, muito obrigada mesmo! Você me deixou imensamente feliz com sua recomendação! s2 E apreensiva pelo tempo que demorei, eu sou uma pessoa horrível, me desculpem. ~crying~ Masssss, para me redimir, eu fiz esse capítulo enorme! ODIN QUIS CAPÍTULOS MAIORES E ASSIM FOI FEITO! é pra glorificar de pé, irmãos! HEUHEUHEUEH' ok, chega. Já vou me desculpando, se alguns erros de português forem encontrados, eu revisei bem rapidinho pois acho que já demorei demais, né? Enfim, lembram do breve contato Jelsa? Pois então, aqui está ele rs Talvez vocês queiram me matar ao final, não sei... hihi. Boa leitura, cheirosos =* [AVISO: INSINUAÇÃO DE SEXO NO DECORRER DO CAPÍTULO] [+18]

CONTATO

POV Rapunzel

Fui até meu armário guardar minhas coisas. Durante o caminho, chequei os stories. Não tinha nada demais, até porque, não postei nenhuma foto minha hoje.

Guardei meu celular quando ia chegando no meu armário. Pus a senha e destravei a pequena porta. Saí jogando todos os livros lá dentro, porque não tenho tempo pra ser organizada, com licença. Peguei as chaves do meu carro e bati a porta do armário.

— Meu Deus! – arquejei alto, quase deixando minha mochila cair. Flynn estava recostado na porta do armário ao lado, mexendo no celular. – Quer me matar de susto, Fred?!

Ele deu um sorriso de lado, sem desviar os olhos da tela. – Por que tão assustada, Punzie?

Peraí, ele me chamou de Punzie?

— Assustada, não. No momento estou confusa. – falei, estreitando os olhos. – Procurando essa intimidade que nunca te dei. – disse, enquanto trancava meu armário.

Ele guardou o aparelho e então me fitou.

— Haverá um evento inédito essa noite no The House e eu gostaria que você fosse.

— The House? – algo pontuou-se na minha memória. – A boate?

— Você é mesmo bem informada.

— Você não faz ideia do quanto.

— Que engraçado nunca ter ouvido falar de mim. – seus olhos crisparam-se na minha direção.

— Só me interesso por assuntos importantes, Fred. – ele sempre sorri com meus comentários maldosos, incrível.

— Ao menos um traço em comum nós temos.

— Então, vá… – gesticulei, enxotando-o. – Vá caçar seus assuntos importantes.

— Já estou em processo disso. E então?

Finalmente percebi que ele ainda esperava por uma resposta minha.

— Agradeço o convite, mas terei de recusar.

Ele anuiu por dois segundos. – Já tem compromisso marcado, então?

— Não, só não estou afim de ir mesmo. – dei de ombros com tranquilidade.

Ele tinha um meio sorriso congelado ao rosto, parecendo minimamente surpreso.

Pela primeira vez, presenciei o franzir do seu cenho. Durou um ínfimo instante, no segundo seguinte, como se retomando a compostura, o canto de seu lábio voltava-se para cima naquele fatídico sorriso pretensioso mais uma vez.

— Gosto quando você me provoca. – admitiu ele, crispando os olhos castanhos. – Faz tempo que ninguém ousa fazer isso comigo.

— Se posso te fazer esse favor, fico feliz. – fiz pouco caso tentando internamente compassar meu coração acelerado.

Ele moveu-se e meu corpo instintivamente gritou perigo. Seu andar era calmo, calculado e sorrateiro enquanto ele aproximava-se de mim, sem desviar os olhos dos meus.

— Escute, Rapunzel Marie Corona. – apoiou a mão no armário as minhas costas enquanto falava, de maneira bem calma, num tom baixo e rouco. Ergui o queixo para confronta-lo. – Você é uma mulher inteligente. Sabe que o jogo que está disposta a iniciar será difícil de jogar e, no fim, eu vou acabar vencendo.

— Além de tudo, é arrogante.

— Você não faz ideia do quanto. – respondeu imediatamente.

Percebi, no mesmo instante, que além dele estar próximo demais a ponto de eu sentir-me engolir em seco em reação ao nervoso, ele havia acabado de repetir minha resposta de agora a pouco. Dei um sorriso tranquilo.

— É uma pena, Fred, mas a verdade é que você é como qualquer outro homem clichê da faculdade. – ele estreitou os olhos. – Você não é uma novidade. Réplicas de um universitário rico vivendo as desventuras da juventude é o que mais se encontra por aí. – sorri irônica, dando de ombros. – Nada que me impressione. Nada que me abale. Nada fora do comum. Nada novo sob o sol. Então, escute... – apoiei a mão sobre seu ombro, encarando seus olhos castanhos com uma falsa compreensão. – Esse jogo você já perdeu. Aceite.

Minha última sentença o fez sorrir ainda mais, evidentemente crente do contrário.

— Já terminou? – ele indagou, tão tranquilo que chegava a ser irritante.

Respirei fundo, exasperada. – Na verdade, não. Não terminei.

Ele cruzou os braços fortes e me fitou de cima, com aquele sorriso calmo e ultrajante, esperando que eu continuasse.

— Me permite uma pergunta, Fred? – ele não respondeu, o que julguei ser a deixa pra continuar. – Você é gay?

Perguntei. Bem na cara dele.

Mas diferente do que imaginei, ele não se ofendeu com a pergunta e surtou completamente comentando algo típico da fragilidade masculina – alguma coisa como “fica pelada que eu te mostro quem é gay”.

Não. Nada disso. Nem mesmo uma franzida de cenho, nada.

Ele não demorou para responder de maneira bem natural um simples e singelo…

— Não. – eu quase poderia dizer que estava admirada. Quase. – Agora, eu posso te questionar uma coisa?

— Claro.

— Por que a pergunta?

Eu dei um risinho, lembrando das insinuações de Merida no parque Hinksey momentos antes da competição de wakeboard começar, mais as minhas reflexões sobre o seu hábito de ler revistas de moda.

— Apenas para sanar as dúvidas de uma amiga e, é claro, somando ao fato de você ler a Sparkle... – ele arqueou uma sobrancelha e crispou os olhos.

— Eu nunca disse que lia a Sparkle.

— Foi a única revista que publicou uma matéria sobre mim. É a única explicação para você me conhecer com base nisso.

— Se eu só sei o que li na revista, é evidente que eu continuo não te conhecendo.

— Então você admite que lê a revista?

Ele revirou os olhos castanhos. – Não.

— Não é vergonha admitir.

— Eu não tenho o que admitir. – ele me encarou mais intensamente, parecia me analisar com mais afinco. – Você nunca ouviu nada sobre mim mesmo?

Dei de ombros. – Não. – menti na cara dura. – Isso parece te surpreender. Oh, ego masculino ferido.

— Não é por isso, é porque... – ele pareceu pensar, abrindo gradativamente um sorriso sórdido. – Isso torna a situação ainda mais atrativa.

Arqueei uma sobrancelha, mas não lhe dei o prazer de me ver curiosa, ainda que estivesse.

— Ok... agora, posso fazer um comentário não tão aleatório assim? – mais silêncio de sua parte, logo, mais uma deixa para eu continuar. – Achei interessante.

— O que, exatamente?

— Sua reação.

— Quanto a..?

— Minha pergunta. Sobre você ser gay. Você reagiu de forma bem... madura. – ele estreitou os olhos, me analisando. – Me admira o fato de você não ter surtado como qualquer outro homem portador da famigerada masculinidade frágil.

Ele, surpreendentemente, riu.

— Incrível.

— O que?

— Sua capacidade de esconder um elogio numa ofensa.

Joguei os cabelos sobre os ombros com satisfação.

— Espero não tê-lo ofendido tanto.

— Nem um pouco. – ele me encarou intensamente. – Estou na verdade impressionado com o elogio. – aproximou-se um passo e eu me retesei com a forma como seu olhar me intimidava. – Isso é um feito raro.

Fingi não ter sido afetada pela sua voz rouca, tão próxima do meu rosto.

— É raro você receber elogios? – fingi sentir dó. – Não estou surpresa.

Ele fitou meus lábios, do mesmo jeito intenso que encarara meus olhos. Engoli em seco.

— É raro alguma pessoa me impressionar. – com a voz baixa, ele me corrigiu.

E eu me vi pateticamente sem reação.

Mas isso só durou os segundos antes de eu piscar seguidas vezes, abrindo um sorriso irônico.

— Você evidentemente ganhou seu dia com um elogio meu. – anuí em admiração, dando dois tapinhas em seu ombro para disfarçar. – Só não se acostume, Fred. Não é um hábito que tenho.

Ele sorriu com pretensão, desviando finalmente o olhar dos meus lábios e encarando o fundo dos meus olhos.

— Te vejo mais tarde, Rapunzel.

Senti os pelos de minha nuca eriçarem-se quando ele falou meu nome, daquele mesmo jeito – rouco, baixo, pretensioso. Que filho da puta.

Recusei-me a responde-lo de imediato, para não arriscar gaguejar feito uma tonta. Saí de seu domínio, permitindo-me respirar novamente. Tentando disfarçar de forma bem patética, recusando-me a fita-lo, morrendo de apreensão por estar corada.

Minha pele estava quente – de raiva, por ele conseguir me deixar tão sem jeito. Imbecil.

Mas como sempre fui rainha em manter a compostura, apenas desfilei para longe enquanto falava, sem virar-me para fita-lo.

— Nos seus sonhos, talvez, Fred.

POV Jack

É quinta à noite e é claro que tenho coisas importantes a fazer – tais como celebrar a iniciação do Medina no The House, iniciação essa que foi um sucesso. O moleque leva jeito, será um exímio phoenix.

Eu fiquei sabendo da conquista de Hiccup e me senti extremamente feliz com a notícia – é claro que eu tive uma participação nisso, conversando com meu pai e meu primo. Mas o primordial sempre foi a responsabilidade e caráter do meu melhor amigo – ele já era visto com bons olhos.

Se eu tivesse pleno poder sobre a boate como antes, certamente já o teria colocado como chefe de equipe há eras. Mas talvez, o tempo tenha sido necessário e vantajoso para o seu amadurecimento profissional.

Tê-lo na boate será ainda mais oportuno – somando ao fato de que ele também é um phoenix e com certeza o mais responsável de nós. Ficará atento para que tudo ocorra dentro dos parâmetros.

Kristoff e Flynn seguiram para a boate mais cedo, já que estão encarregados de liderar por hoje.

Enquanto isso, dentro de casa, as caixas de som ressoam Do I Wanna Know do Arctic Monkeys por todo o cômodo no tempo que me mantenho despreocupado, sentado no sofá de maneira bem relaxada, as mãos firmes sobre o quadril de uma morena fatal que quicava com força sobre meu colo.

— Jack... – geme meu nome entre um ofego e outro, mantendo o ritmo e mordendo os lábios pintados de vermelho enquanto encara o fundo dos meus olhos.

Um sorriso sórdido brilha em meu rosto quando observo o seu olhar lânguido. Não me resta dúvidas.

O som estralado corta o ambiente e ela reage com um gemido alto, enquanto agarro sua bunda na mesma área em que desferi o tapa, fazendo-a sentar com mais força.

Sua voz falha quando ela se curva para frente, afundando as unhas em meus ombros. A dor não me incomoda, pois minha atenção está totalmente voltada para as reações de seu corpo, enquanto assisto com deleite mais um orgasmo seu.

A porta fora aberta, num súbito. Porra.

A morena pulara do meu colo tão rápido que me perguntei se ela não poderia ter feito assim enquanto sentava. Dei um longo suspiro.

— Tá de sacanagem. – murmurei, jogando a cabeça sobre o encosto do sofá.

De qualquer forma, revirei os olhos. Quem quer que tivesse chego naquele momento, não importa, não consegui evitar xingar em frustração.

— Eu que o diga, né Jackson. Porra, tu tem um quarto, cara.

Hiccup fechava a porta ao dizer, passando pela mesa do hall de entrada, catando umas roupas femininas jogadas pelo caminho e entregando a garota que mantinha-se encolhida no canto da sala, escondendo-se sob a manta do sofá.

Olhei para a feição de desaprovação dele, sem muito ânimo.

— Obrigado por empatar minha foda.

— Tu não toma jeito mesmo. É o que? A terceira dessa semana?

Mordo o lábio inferior, tentando conter um sorriso. – Eu deveria estar ofendido com isso, boneca?

Jane ou Cindy, ou Ariel ou Alice, eu não faço ideia de qual seja o nome da morena, ergue-se de seu canto e sai em direção ao banheiro a passos rudes, ofendida.

Dei um longo suspiro.

— Tá vendo o que você fez? Magoou a moça.

— Eu?!

— Você.

— Não falei nenhuma mentira.

— Isso não muda o fato de que ainda estou excitado e você estragou tudo.

— Isso não é problema pra você. Tendo buraco e estando se mexendo, você mete a pica mesmo.

— Não me ofenda dessa forma. Sou muito seletivo.

— Claro. – ironizou, pegando minha bermuda jogada sobre o outro sofá e zunindo na minha cara. – Veste. Ninguém é obrigado a ficar vendo isso aí.

Dei de ombros abrindo um sorriso. Nós ainda não estamos nos falando muito bem. Esse pequeno diálogo foi o maior que tivemos desde aquela conversa.

Hiccup seguiu para seu quarto ao tempo que Jane ou Cindy, ou Ariel ou Alice saíra do banheiro, sem me fitar nos olhos. Não posso dizer que me importo, porque estaria mentindo. Mas ao menos assegurei a ela que não foi minha intenção fazê-la passar por esse constrangimento.

O estranho nas mulheres é que geralmente o menor sinal de consideração as encanta. Isso pode ser perigoso as vezes. Pessoas sabem fingir.

A sorte dela é que, naquele momento, esse não era o meu caso. Eu estava sendo sincero. Evidentemente, não precisei de muito para contornar a situação e o fato de ela ter combinado me encontrar na boate mais tarde firmou que eu havia sido desculpado sem sequer ter pedido desculpas.

Ela saiu e eu dei de ombros, voltando ao sofá e checando o celular que não parava de apitar em notificações.

Hiccup retornara do quarto, pegando sua carteira e suas chaves, enquanto checava as horas no celular.

— Já está indo trabalhar, meu benevolente? – resolvi arriscar puxar assunto.

Ele respondeu sem me fitar.

— Sim. Vou chegar cedo para me certificar de que a celebração dos phoenix se limite ao seu camarote.

— Ah, sim. Claro, claro... (?).

Pude ver, de esguelha, que ele me fitava. Sentou-se na poltrona ao lado do sofá onde eu estava deitado.

— Jack, eu queria conversar com você uma parada séria.

Me ergui num súbito, sentando-me para fitar seu rosto. Quando Hiccup fala assim, não é qualquer merda. E o fato de ser algo sério me deixou preocupado.

— Diz aí. Aconteceu alguma coisa?

— Eu... vou precisar da sua ajuda.

— Eu ajudo. O que tá havendo?

— Bem... eu... – me encarou com mais afinco, parecendo pensar por dois segundos. – Terminei tudo com a Astrid. – disse rápido, como se tivesse decidido me contar de última hora.

Caralho. Será se ouvi direito?

— Quando? – indaguei, com a voz tranquila.

— Não importa. – arqueei uma sobrancelha. – Ok, ontem.

— Por que fez isso, exatamente?

— Porque estou cansado. – havia uma sinceridade esmagadora naquela pequena frase.

Não consegui evitar o olhar complacente. Toquei seu ombro em sinal de apoio.

— Se sente bem com sua decisão?

— Sim. – suspirou alto. – Quer dizer... eu só estava adiando o inevitável.

— Estou curioso. O que te levou a tomar essa atitude?

Não vou fingir que não estou feliz em ver que ele abriu os olhos. Mas estou preocupado com a ideia de ele só ter feito isso por causa das coisas que eu disse, mesmo sabendo que Hiccup não é facilmente influenciável.

Fitei seu rosto e vi que ele sorria de canto enquanto encarava o nada, parecendo lembrar de algo agradável.

— Eu parei pra pensar e entendi o porquê de você se incomodar tanto quanto a esse “relacionamento”... – fez aspas com as mãos. – Entre eu e Astrid.

— Me sinto mais aliviado agora. – admiti e ele sorriu. – E como você chegou a essa conclusão?

— Uma pessoa me ajudou.

— Me diga quem, urgentemente. Essa pessoa merece a minha singela gratidão.

— Em breve.

— Não esqueça. E no que você precisa da minha ajuda?

— Ah, isso é na boate. Eu sei que você vai querer celebrar a iniciação do Mike... – começou ele. – Mas haverá o show, eu estarei na pista e será a primeira vez que estarei gerenciando um show no The House. Eu não queria fazer feio, tu sabe... – ele deu uma pausa e me encarou com um sorrisinho. – Uma ajuda do proprietário da casa não seria nada mal.

— E eu tenho cara de ajudante de marmanjo? – me joguei no sofá novamente. – Ok, então. Quanto eu ganho de extra?

— Quer mesmo saber?

— Na verdade, não me importo. Que horas tenho que estar lá?

— O quanto antes. Aster está viajando, mas já está ciente que você estará de frente comigo... – olhou para minha cara e riu zombeteiro. – Na verdade, sabe que você será meu assistente.

— As suas ordens, Sr. Soluço.

— Se foder, Frost. – dei uma gargalhada alta e ele fingiu estar irritado. – Vou indo nessa, até daqui a pouco.

— Até mais, princesa viking.

Ele parou de frente da porta aberta. Deu um suspiro e tornou a me fitar.

— Obrigado, Jack.

Aquilo me pegou de surpresa.

— Pelo quê? – ele não respondeu. Apenas sorriu, saiu e fechou a porta.

POV Hiccup

Por sempre me apoiar, seu puto.

Jack sempre esteve do meu lado. Ele é meu irmão. Não por um motivo ocasional, como o sangue. Mas por algo muito mais forte: por escolha.

Ele aceita me ajudar antes mesmo de saber do que se trata o assunto ou o que ele precisará fazer. É normal você ouvir um “te ajudo, cara” vindo de Jack.

Resolvi parar de pensar sobre o quão filho da puta eu conseguia ser por sempre entender mal quem só queria meu bem, pelo menos durante o trajeto até o meu local de trabalho. Estou mais animado hoje que nos outros dias, pois haverá o show de um rapper famoso – é claro que Jack se certificou que o tal evento ocorreria justo na noite de encontro dos phoenix na boate.

Já dentro do meu carro, fiz a primeira coisa que sempre faço assim que adentro o mesmo: liguei o rádio.

Aumento até o último volume e chego ao som de Radioactive do Imagine Dragons na boate.

Apesar de uma decisão dolorosa ter sido tomada na minha vida, eu me sentia estranhamente mais leve. Não podia negar que estava triste, mas a sensação de empurrar algo com a barriga é cansativa, então quando enfim acabou, foi instantâneo sentir-me mais relaxado.

Eu poderia dizer que foi graças a Jack, graças a mim, ou até mesmo graças a vida, mas a verdade é que isso tudo só aconteceu graças a Merida.

Estacionei numa das vagas para funcionários, num estacionamento próprio com acesso a entrada posterior da boate. Antes de ir para o grande salão, olhei as horas no celular e vi que estava cedo demais.

Fui atrás de Kristoff e Flynn, que imaginei estarem no camarote do Jack, mas ao chegar lá, não encontrei nada além dos tonéis devidamente reabastecidos.

Voltei-me para a pista. A arquitetura do palco estava impecável. A iluminação já estava baixa, as luzes estroboscópicas e refletores em pleno funcionamento e o som ambiente retumbava na pista. Como já esperado de Flynn, sua equipe estava devidamente posicionada em seus postos. Os funcionários chegavam aos poucos, o DJ da noite já estava em sua mesa arrumando o equipamento, os bartenders limpando o balcão... Encontrei Flynn e Kristoff sentados ao bar.

— Não vai acreditar no que o Kristoff fez. – falou Flynn, assim que me viu chegar.

Lá vem merda.

— O que foi que ele fez?

— Deu um jeito de ser transferido para a sala daquela maluca.

— Não estou surpreso. – nesse momento, percebi o sorrisinho presunçoso no rosto de Kristoff. – Você mexeu os pauzinhos pra ficar nas mesmas turmas que ela. Uau. Logo você? Disposto a acordar cedo para vê-la todos os dias? Estou impressionado com o poder dessa garota. – o sorriso dele sumiu.

— Tá falando merda.

— Apenas expondo fatos. – retruquei e ele virou um shot, evitando me fitar para fugir do comentário. Flynn deu uma risadinha. – E você sabia, Rider? Dos planos dele...

— É claro.

— E não fez nada para impedir.

— Como se existisse um indivíduo nesse planeta capaz de tal proeza. – Flynn me encarou com seu olhar cínico e deu um sorriso irônico para minha feição de desaprovação. – Sabe que estou certo.

Kristoff chegara a ironizar, indagando-me quantas vezes ele já fizera algo em função de alguma mulher, confiante, é claro, pois conhecia o próprio histórico. Fingi pensar por dois segundos e não respondi, por falta de argumento.

Até então, não houvera uma mulher que fizera alguma diferença em sua vida – e não foi por falta de esforço das várias que ele se envolvia.

Mas eu mantinha meus conceitos. Não falei aquilo apenas para provoca-lo. Vê-lo agindo dessa forma era algo inédito – mais inédito ainda era uma mulher, desconhecida até então, trata-lo como ela o tratou, fazê-lo se exaltar do que jeito que ela fez, força-lo a arquitetar toda uma situação só para que tenha ainda mais oportunidades de provoca-la, fazê-lo falar mais de cinco frases completas em menos de 24h e por último, mas não menos importante, ter lhe acertado uma joelhada certeira porque, evidentemente, aquela garota não leva desaforo pra casa.

E ainda que ele tentasse me convencer do contrário, sorri em sua direção de uma forma que evidenciava o quanto aquilo não significava nada para mim. É difícil não ser óbvio quando se está conversando com amigos que te conhecem desde a sua infância. Kristoff franziu o cenho e levantou o dedo médio como resposta. Dei uma risadinha e os deixei, voltando a averiguação da boate.

Abri mão dos meus dias no escritório para manter-me em “campo” pois trabalhar na pista passara a se mostrar bem mais interessante – e o motivo disso com toda certeza não era o mesmo que me induzia a observar assiduamente os funcionários que passavam pela porta.

Eu pontuava a todo minuto que, não, eu não estava esperando por ela. Eu não estava ansioso para vê-la. Eu não esperava conversar com ela o quanto antes. Eu não dava a mínima para o fato de que o nome dela estava entre os funcionários que eu administrava.

E, sim, eu estava mentindo para mim mesmo.

POV Elsa

— Eu tenho plena certeza de que eles estão armando em conjunto! – exclamou Anna, eufórica.

Sabe aquele meme de um personagem de The Office com cara de maluco indicando vários gráficos em quadros abarrotados de “evidências” como se estivesse especulando uma teoria da conspiração? Essa era Anna lidando com o fato de que Kristoff magicamente fora parar nas mesmas turmas que ela.

— Flynn vem mexendo com você? Não minta pra mim! – indagou ela à Punzie que pareceu assustada.

— Ele vem falando umas coisas suspeitas... – estreitou os olhos e pôs a mãos no queixo, pensativa. – E tendo umas atitudes imprevisíveis.

— Eles estão tramando! – Anna pareceu pensar por dois segundos. Eu e Merida apenas fitávamos o rosto de cada uma a medida que iam falando. – Precisamos de um plano de ataque.

— “Eu tenho um plano. Ataque!” (?) – falou Meri, forçando a voz do Homem de Ferro e rindo da própria piada.

— Você precisa urgentemente parar de assistir Vingadores, isso sim. E você... – apontei para Punzie. – Está se deixando levar pelo papinho do bonitão lá, ora ora. Nem parece a Punzie que eu conheço. – negando com a cabeça, alfinetei minha amiga.

Rapunzel arquejou e pôs a mão no peito, indignada.

— Não estou me deixando levar! Se quer saber, hoje eu deixei tudo bem as claras e ele mesmo assim insiste em continuar com isso.

— “As claras”, sei... Se tratando de você, Punzie, isso pode muito bem ter um duplo sentido. – afirmei e ela deu uma risadinha, satisfeita.

— Vocês não estão entendendo. Gente, meu caso é grave! Alô, eu e Kristoff nas mesmas turmas! – exclamou Anna, chamando nossa atenção estralando os dedos.

— Ué, e qual é o mal nisso? – indagou Merida, inocente ô dó.

— Merida, uma aula de física pra você entender a gravidade da situação (?). Cê tá precisando, amiga. – falou Rapunzel.

— Vocês conseguem imaginar? Guerra Civil! É nisso que vai resultar. – Anna exasperou-se. – E eu serei o Tony Stark. Ele que seja o Steve Rogers.

— Então torço pra ele, porque prefiro o Capitão América. – Merida disse naturalmente.

— Quê???? – indagou Anna, abismada. – Vai ficar contra sua amiga?

— Vou ficar contra o Tony Stark.

— Mas você gosta do Tony, Merida!

— Mas prefiro o Steve, poxinha. Todo mundo sabe disso.

— Eu tô ficando doida, ou de repente essa conversa se tornou um debate sobre os filmes da Marvel? – murmurou Rapunzel, para mim.

A semana de Anna havia sido bem agitada por conta dessa novidade – dias de resmungos constantes, diga-se de passagem. Não havia um só momento em que ela não expunha toda a sua insatisfação, relatando sobre como era uma tortura ter que lidar com ele a maior parte dos dias. Chegava a ser engraçado.

— ARGH! Ele me irrita! A vontade que eu tenho é de esmagar as bolas dele com um rolo compressor! (????????).

Merida arregalou os olhos inocentes. – Que rebeldia é essa, jovem? Senta aqui, vamos conversar.

— Anna, acalma-se. Finge demência e segue o baile.

Rapunzel. A sabedoria em pessoa.

— Isso pode ser uma ótima chance de vocês dois fazerem amizade! – Meri sugeriu com um olhar complacente. – Aposto que ele quer ser seu amigo, mas não sabe como se aproximar.

Às vezes fico impressionada com a inocência de Merida.

— Não vejo a hora de começar a nova temporada da minha vida, por que essa, vou te contar, tá uma merda (?). – continuou Anna, com as reclamações.

— Anna, vou mudar teu nome de contato aqui pra Eustácio Resmungão. – Merida falou com simplicidade.

— E eu vou mudar o teu pra Muriel.

— Por que sou legal? – abriu um sorriso animado.

— Porque é ingênua.

— Me desculpa, eu tô nervosa (??).

Todas nós sabíamos o motivo do nervosismo de Meri – mas falar no assunto parecia deixa-la mais nervosa ainda. Também sabíamos que não tinha motivo para ela se desculpar, mas isso nunca foi um feito difícil para Meri, então...

— Ok, Meri. Vou seguir seu conselho vital e tentar enxergar as coisas de maneira mais positiva, pelo menos durante o trajeto para o trabalho. – Anna piscou para Meri, que amou as palavras, evidentemente. Até bateu palminhas.

Anna pegou sua bolsa com o uniforme e seus pertences, dando uma sequência de respirações profundas.

— Espero que vocês tenham uma noite de expediente mais relaxante que a minha. Até mais tarde, kunoichis. – despediu-se e sumiu atrás da porta.

***

— É arriscado eu dirigir nessas condições?

— Claro que é. – respondeu Punzie. – Em quaisquer condições é arriscado você dirigir, Merida.

Meri jogou uma jujuba na cara dela.

— Não é como se você estivesse indo para seu primeiro dia no trabalho, Mê. – pontuei com a voz tranquila, tentando acalma-la. – O pior já passou.

— Mas será a primeira vez que trabalharei num show! – exclamou ela, ofegante, agarrando os cachos num nervosismos exagerado.

Rapunzel sorriu maliciosa.

— Para de fazer a sonsa. Todo mundo sabe que você tá assim por causa do príncipe nórdico vulgo Hiccup que, para surpresa geral, se mostrou ser seu PATRÃO!

De repente, Merida ficou mais vermelha que os próprios cabelos. No segundo seguinte, jogou em Rapunzel não só uma jujuba, mas o pacote inteiro.

Merida me informara que nosso novo gerente era ninguém mais ninguém menos que Hiccup, o moreno de olhos esmeraldinos que ela simpatizara... até demais, se é que me entendem. O fato de essa simples notícia tê-la feito surtar em suas primeiras semanas no emprego já era uma potencial comprovação disso.

— Se eu fizer alguma coisa errada, ele vai me achar uma boboca! – dizia ela, roendo uma unha.

— Ora, pare com isso! – exclamou Punzie. – Vocês estão trabalhando juntos a dias!

— Tá louca?! Hoje será a primeira vez!

— Quem sabe ele não fica no escritório, como sempre? – sugeri com complacência, sabendo que era bem improvável.

Naquela manhã, todos os funcionários receberam a escala para a noite do show – e é claro que o nome do gerente estava em letras garrafais como auxiliar na pista. Quando Meri leu, só faltou enfartar – eu recebi a notícia aos berros.

Para a Meri, aquilo significava falhas iminentes – e era evidente que ela admirava o rapaz e por isso não queria decepciona-lo. Ao mesmo tempo, ela se via minimamente aliviada com o fato de seu chefe ser alguém que ela tenha certa afinidade. Embora fossem sentimentos contraditórios, era compreensível.

Para mim, era algo indiferente, pois eu não tinha a opção de falhar. Preciso manter esse emprego de qualquer forma e já estou me programando para eventuais horas extras. Desde que o processo de minha mãe se encaminhara para os finalmente e, infelizmente, ela vinha perdendo, não havia alternativas para mim, uma vez que só o aluguel do apartamento não quitava nem a metade da dívida.

Mas admito que ter um rosto conhecido da faculdade no trabalho possa se mostrar uma boa condição no fim das contas.

— Existe uma cura para nervosismo alheio e essa cura se chama: música.

Meri afirmou ao adentrarmos seu carro, onde um CD do The Killers automaticamente começara a tocar Smile Like You Mean It.

Durante o trajeto, ela não pôde deixar de provocar Rapunzel.

— Não entendo por que está fazendo tanta questão de ir a um show de rap. – aproveitou para fita-la pelo retrovisor. – Tu nem gosta de rap, sua loira aguada!

— Eu gosto sim, não ouse me difamar.

— Aí tem coisa, Rapunzel.

— Me erra, Fósforo!

— Qual o nome do rapper que você vai assistir, então?

— É... – Punzie pareceu pega de surpresa e nitidamente inventou um nome qualquer. – Lil Badgal?

— Rihanna ainda não virou uma rapper, Punzie. – Meri caiu na gargalhada.

— Mas se ela quisesse, seria a melhor. Admita.

— Sim, mas com toda certeza ela não usaria o próprio usuário do Instagram como nome artístico.

Punzie deu de ombros. – Desde quando preciso de motivos pra sair e badalar?

— Hm, se você dissesse isso desde o início, eu não estaria tão desconfiada. – foi minha vez de provocar.

Eu e Merida nos olhamos cúmplices. Rapunzel bufou.

— Vocês estão de complô contra mim. Malditas.

Estacionamos na parte posterior da boate. Eu e Meri, dentro de nossos uniformes pretos, estávamos nitidamente ofuscadas em torno de Punzie, que era a única vestida fatalmente para aquela noite – linda dentro de seu justo vestido carmesim, de mangas longas até o pulso e decote cavado em formato de coração, as unhas como sempre bem feitas, a maquiagem equilibrada, os cabelos longos e soltos e o salto 15cm nos pés.

Fitei as horas no celular para me certificar de que não havia chego atrasada, pois ainda que o relógio exibisse o exato horário de início do meu expediente, a pista já tinha pessoas o suficiente para eu confundir com o horário de pico – que era de madrugada.

Chegamos no bar e assumimos lugares diferentes: Punzie ficou do lado de fora, sentada sobre as banquetas altas, pois era cliente. Meri tomou seu lugar ao lado do barman para auxilia-lo e eu peguei minha fiel amiga, a bandeja, para seguir rumo as mesas bistrô espalhadas pela pista.

— Eu ainda não vi o Hic. – murmurou Meri, antes que eu saísse detrás do balcão.

— Deve estar na pista. – ela parecia aflita. – Meri, aquele rapaz gosta de você. Ele ser seu patrão não irá interferir em nada na amizade de vocês. – ela pareceu mais aliviada e sorriu confiante.

— Tem razão. Ele é meu amigo, né?

— Claro. Você disse que o ajudou.

— Ajudei.

— E disse que ele parecia agradecido.

— Parecia.

— Então tenho certeza que ele será sempre compreensivo com você.

— Será.

Ela repetia e anuía em concordância para firmar aquilo na própria cabeça. Dei uma risadinha, enquanto Punzie pedia pelo seu primeiro Sunshine, um coquetel a base Bacardi.

— Ao trabalho, doida. – tocamos os punhos e saí do bar.

Mandei uma mensagem a Anna, para quando saísse do trabalho viesse até a boate, pois estaríamos todas aqui. Bom, mesmo eu achando pouco provável que ela venha – primeiro, por estar cansada do trabalho e segundo, por não gostar de lugares assim – torço para que dê a louca nela e ela decida vir.

POV Rapunzel

Eu já estava tonta e isso era evidente. Não é segredo para ninguém que sou fraca para álcool, mas não consegui evitar pedir o terceiro Sunshine daquele dia.

Gargalhando alto, sem motivo aparente, eu apenas pontuava na minha mente o seguinte: essa boate contará com a minha ilustre presença mais vezes e isso é um fato.

Merida chegou saltitando trazendo meu drink e cantando a música que o tal cantor apresentava no momento. Satisfeita e devidamente servida, dei uma olhada em volta constatando que haviam muitos rostos familiares, mas a ideia de haver estudantes de Oxford aqui não era nada absurda, uma vez que se tratava da boate mais próxima do campus.

A maior certeza que tive, por ora, é que, sim, só tinha bofe escândalo marcando presença. Achei o meu lugar. Daqui não saio, daqui ninguém me tira.

— Bom te ver. – o murmuro ressoou bem próximo ao meu ouvido.

O arrepio que percorrera minha pele sob a rouquidão daquela voz fez-me, creia, revirar os olhos, puta da vida, já ciente de quem era o dito cujo que induzia meu corpo a ter reações tão imbecis como essa.

— Ainda que não me surpreenda. – ele completou, tomando o lugar ao meu lado no bar.

Perguntei-me secretamente se ele não tinha mais o que fazer, como por exemplo, sei lá, ir assistir o tão ansiado show do tal rapper que já estava no palco há minutos?

— Como te surpreender se você sonha comigo todas as noites, Fred? – alfinetei ao fitar seu rosto. Não sendo correspondida, pois é claro que ele percorria seu olhar predatório por todo o meu corpo. – Já terminou?

— Em um segundo.

Filho da puta. Desceu os olhos pelas minhas pernas cruzadas e um sorriso sórdido brilhou em seus lábios. Voltei-me para minha taça de Sunshine novamente.

— É bom que olhe bastante, pois é o máximo que fará

A falta de resposta de sua parte chamou minha atenção. Quando o encarei, ele tinha os olhos castanhos crispados e cheios de uma maldade lasciva.

— Não me provoque, Rapunzel.

Por dentro, meu coração falhou uma batida. Por fora, apenas dei de ombros.

Merida vinha até mim, carregando a bandeja com uma taça que continha uma bebida avermelhada. Me fitou com um sorrisinho malicioso no rosto.

— Tem um gostosão ali te olhando há meia hora. Te comendo com os olhos, te devorando, te desejando... – comentou com exagero.

Dei uma observada na direção em que ela apontava e, ainda que ele estivesse rodeado de outros rapazes, se destacava por ser o mais bonito deles. Ele sorriu na minha direção ao encontrar meus olhos.

Com a visão periférica, notei que Flynn também o fitava. Só que diferente de mim, que tinha um sorriso imenso e sedutor nos lábios, ele estava sério. Muito sério.

Fiz questão de comentar.

— Também, né? Impossível não me notar. Linda, loira, gostosa...

— Modesta. – Flynn murmurou, com ironia.

— Acima de tudo, realista. – e joguei os cabelos pra trás, fazendo Meri rir melodicamente enquanto deslizava na direção de Flynn um copo shot e na minha direção a tal bebida avermelhada.

— Eu não pedi isso. – ele afirmou com a voz séria.

— Nem eu. – falei, meio confusa.

— Isso, senhores, são seus flertes da noite dando o primeiro passo. – Meri apontou para o rapaz loiro e falou. – Punzie, aquele mesmo cavalheiro que mencionei te mandou um Cherry Martini.

Olhei na direção em que ele estava e o peguei me observando. Ele levantou sua taça em minha direção, como quem propunha um brinde. Sorri largamente.

— Esse boy começou com tudo.

Flynn revirou os olhos e negou com a cabeça.

— E você, ó jovem rapaz bonito, recebeu um shot de whisky daquela singela loira ali.

Olhei bem sério pra cara dela e crispei os olhos. Eu conheço essa doida de algum lugar. Nem me dei o trabalho de comentar qualquer coisa – supondo que minha cara de desgosto já fala por si só.

Flynn puxou o diminuto copo e virou-o numa só golada, deslizando-o para Merida novamente, que sorriu.

— Isso pareceu um sim. – arriscou comentar, com os olhos crispados na direção dele e um sorriso maroto no rosto.

Agora imaginem minha cara perplexa ao vê-lo fitar o rosto de Meri e abrir um sorriso de lado, todo simpático – na medida do possível.

— Aquela ali me conhece bem. – comentou com aquela voz gostosa. Desgraçado.

Merida levantou um joinha animado para a loira, que correspondeu. Aparentemente Meri já tinha feito amizade com todos que estavam sentados no bar.

Ansiosa para nem pensar no que ele pretendia e com certeza faria com a lambisgoia do balcão, beberiquei da taça de martini tristemente esquecida entre meus dedos. Por sorte, o rapaz ainda estava lá e a doçura do líquido a descer pela minha garganta me fizera esquecer dos últimos dois minutos.

Isso até Flynn erguer-se do meu lado, preparando-se para a atacar a loira. Coitada dela.

— Senhor. – a voz grave ressoara as minhas costas, mas não era direcionada a mim e sim a ele.

Flynn fitou o rosto do homem – absurdamente alto, trajando um terno preto e alinhado – que começou a falar.

— Há um sujeito. Já estão lidando com ele.

— Quem?

— O chefe. – Flynn franziu o cenho, meio confuso. – Devo interferir?

— Não. – ele respondeu num súbito. – Apenas fique por perto.

— Sim, senhor. – o outro virou-se para acatar às ordens quando Flynn o chamou e o seguiu. – Senhor?

— Eu vou com você.

E sumiu no meio da multidão junto com o segurança, sem nem olhar na minha cara. Pelo menos, nem na cara da loira ele olhara também (?). Já vai tarde!

Dei outro gole no liquido rubro, com um sorriso imenso.

— Parece que acertei seu gosto. – outra voz grave se fez presente atrás de mim. Levei um susto, mas ele não precisa saber.

— Parece que está me observando a um bom tempo.

Ele riu rouco antes de repousar sua taça em cima do balcão, tomando o lugar que antes Flynn ocupava.

— Você é bem perspicaz.

Eu já vi esse cara antes, tenho certeza. Tô meia tonta, mas minha memória tá dez.

Tá “dezmaiada”.

O bonitinho se apresentou como Michael Rogers, mas pediu que eu o chama-se apenas de Mike. Quando ele confirmou minhas suspeitas sobre ser de Oxford, eu anuí em satisfação. Eu sabia que ele não me era estranho!

Mike é um homem bonito – até demais. Exibe um conjunto de porte atlético ousado com cabelos loiros bagunçados e olhos azuis incapazes de mascarar a timidez de seu sorriso fofo, chegando a corar toda vez que o provoco. É difícil de resistir.

— Vi você e o camarada conversando, por isso demorei para me aproximar. – comentou enquanto desviava o olhar, enfim mostrando-se impaciente para saber o que rolava entre eu e Flynn. – Vocês são... – pigarreou. – Amigos?

Revirei os olhos.

— Não força a barra, fofo. Flynn e eu nem chegamos a ser colegas, quem dirá amigos.

— Bom, bom... – anuía ele, visivelmente aliviado. – Ouça... – virou-se de frente para mim. – Eu sou um imenso fã do cara que está no palco, mas decidi descer apenas para te fazer um convite.

Dei um sorrisinho provocador. – Estava me observando desde lá de cima, ein? – ele corou novamente, desviando o olhar com um sorriso tímido. Eu não me canso disso. – Ok. Pode falar, gato.

— Estou em celebração no camarote dos phoenix. – oh, merda, ele é um phoenix? – Queria que você subisse comigo. – ele ergueu o olhar para fitar meu rosto. – Não se preocupe, sem compromisso nenhum.

— Eu acho bom mesmo, ein? – fui logo falando.

Ainda que a fama que eles tenham não seja de homens abusivos – apenas um bando de safado galinha, ou seja, nada novo sob o sol – não era uma boa ideia dar muita confiança pra qualquer male club.

A proposta era tentadora. O camarote do Phoenix Club significa curtição garantida. Mas eu não queria deixar Merida sozinha.

Procurando-a, no entanto, encontro-a a altos papos com o príncipe-patrão, vulgo Hiccup.

Seus olhos me encontram e ela sorri quando lanço lhe um olhar malicioso, revezando entre ela e o patrão, fazendo-a corar. Ela percebe Mike e estreita os olhos em provocação, dando uma risadinha. Essa nossa comunicação é tão engraçada e misteriosa (?). Amo.

Viro-me para Mike, decidida. Meu olhar é captado com toda clareza, pois ele sorri satisfeito e me puxa pela cintura, guiando-me para o camarote.

***

Passei pelo armário de quatro portas que era o segurança que guardava o acesso as escadas do camarote e atravessei a porta prontamente aberta pelo segundo segurança, que meneou a cabeça num gesto de deferência. A área era bem mais próxima ao palco e à parede de som, então a barulheira me atropelou feito um caminhão e as luzes estroboscópicas atrapalharam meu equilíbrio ao subir a escada. Apesar da proibição, o lugar cheirava a cigarro.

No topo da escada, uma moça de olhos vidrados e vestido de látex virou-se, pescou a cereja de sua taça de martini, chupou-a com a boca muito vermelha e rodopiou o cabinho na direção de Mike. Eu não deveria, mas me senti ofendida, porque porra, ele está do meu lado. O fato de ele não ter dado atenção a garota só não me admirou tanto porque tenho plena certeza de que só fez isso para marcar mais pontos comigo.

Bem diferente de certo moreno, que jamais perderia a oportunidade, não importa as circunstâncias – galinha toda vida.

Com os panos que caíam do alto à maneira de uma tenda, as cadeiras acolchoadas e a vista panorâmica para a multidão dançante na pista e ao palco, não havia dúvida de que ali estava o camarote do Phoenix Club.

Junto do parapeito, adultos e jovens se apertavam enquanto pulavam e sacudiam punhos no alto, acompanhando o cantor em sua apresentação.

Alguns outros fotografavam com o celular alguma cena que eu não conseguia ver e à medida que fui me aproximando, no entanto, pude constatar qual era a causa de tamanha comoção: uma loira e uma morena trocavam um tórrido beijo para a plateia de ensandecidos. Estavam realmente dando um show, esfregando-se, apertando-se, longas unhas vermelhas correndo por coxas que não tinham mais fim.

Meus olhos estreitaram. A loira era a que mandara o shot de whisky para Flynn. Isso eu tinha certeza, pois havia olhado bem pra cara dela e reconheceria aquele box braids em qualquer lugar.

Decidi não me ater a isso no momento em que percebi que a presidente do Dalilahs Club estava ali – aquela Heather que não me suportava só porque fui clara ao dizer que Deus me livre entrar para o club dela. Ela era uma das que assistia a cena, dando uma risadinha. Querendo ou não, não posso negar que a desgraçada é bonita – cabelos negros e brilhantes feito ônix, pele hidratada, olhos esmeraldinos e brevemente puxados.

Mas fazer o que se sou mais bonita ainda, não é mesmo?

— Ora, se não é a Barbie mais gata do campus? – como eu disse, pensei.

Mas me voltando para o que dizia, dei-me de cara com o tatuado Eret, que me observava com o olhar crispado antes de desviar para Mike.

— Você não perde tempo. – ele ergueu o copo de bebida, se colocando entre Mike e eu. – Estamos todos orgulhosos do Blonde Phoenix.

Todos no camarote ergueram seus copos em celebração.

Tentando entender o motivo de tamanho orgulho, olhei em volta com uma sobrancelha arqueada. A feição de “not bad” de cada homem ali presente chegava a ser engraçado, os olhares venenosos da maioria das mulheres quase me levaram a fazer o sinal da cruz, pedindo proteção. Sempre achei desnecessário esse despeito feminino.

Aquela Heather finalmente havia me percebido e me encarou com desprezo. Encarei de volta, porque o bagulho é doido (?).

Mike aproximou-se, trazendo-me um copo.

— Eu fiz esse para você, mas se você quiser preparar seu próprio drink só por garantia, irei entender. Ali fica a mesa de destilados, ali tem um barman particular caso precise de ajuda e também o...

— Tudo bem, vou confiar em você. – peguei o copo de sua mão e ele sorriu. – Mas não se acostume. – ele anuiu com um sorriso bobo. Um fofo.

Voltei minha atenção para o palco, assistindo o que descobri ser o Post Malone – e pelo visto vivo dentro de uma caverna, porque Mike só faltou enfartar quando admiti que não conhecia o cara.

— É sua chance de me fazer gostar dele. – sugeri e ele acatou, animado.

— Missão dada é missão cumprida.

Conforme a apresentação seguia, Mike ia me dizendo o nome das músicas e cantava-as por inteiro – sempre comentando comigo as partes que mais gostava.

Quando começou uma canção chamada Congratulations, ele precisou sair de perto de mim – na verdade, fora puxado, pois a música aparentemente fazia alusão a celebração daquele dia. Pelo que entendi, ele havia sido aceito no Phoenix Club após passar pelo ritual de iniciação sem quaisquer contratempos.

Eu fiquei meio de cara. Mike não tem cara nem jeito de safado, o que é típico de um phoenix. Flynn, sim, é um phoenix escarrado e cuspido – não é à toa que é o Golden phoenix desse club libertino.

Mas ao que parece, talvez isso fosse um padrão, mas não obrigatório – pois veja bem, temos Hiccup, que também em nada parece ser um devasso filho da puta. De qualquer forma, isso não era importante. Eu precisava urgentemente parar de comparar tudo a Flynn.

Aquela fora a última canção da noite. Mike não voltara de imediato para me fazer companhia, mas isso não me incomodou – eu estava satisfeita com a ótima visão que eu tinha da pista. Dali, dava para assistir os boys que eu antes não conseguia ver do bar.

Eu me divertia com cada visão esplêndida que tinha, mas uma em especial tirou o meu chão.

Nada naquela cena me agradou. Meu cenho franziu quando tive a certeza do que via.

Não foi à toa que larguei o copo na superfície mais próxima, saindo do camarote a passos rápidos.

POV Elsa

De todos os expedientes que já tive, esse foi sem dúvida o mais cansativo – pontuando que ainda não havia e nem estava perto de terminar.

A casa havia lotado em poucos minutos e o show estava ocorrendo sem quaisquer contratempos, o que é ótimo. Aproveitei o momento da apresentação para conseguir voltar ao bar mais vezes, entregando as taças sujas e retornando para a pista novamente, atendendo os poucos que me chamavam – uma vez que os fãs assíduos mantinham total atenção no palco.

Eu estava exausta, mas na minha cabeça só o que mantinha-se fixo era minha mãe e sua necessidade de ajuda. Então respirei fundo, entreguei os pedidos pendentes a Meri e retornei mais uma vez as mesas, entregando-lhes os drinks. Enquanto limpava uma área VIP e levantava uma poltrona, percebi que não havia ido ao banheiro durante toda a noite. Terminei o serviço e decidi que precisava, também, me hidratar.

Louca. Pra ajudar seus pais você precisa estar viva, primeiramente.

O banheiro dos funcionários ficava numa área externa, cuja a passagem estava bem longe. A opção mais proveitosa era o banheiro da pista, considerando que a entrada estava vazia, mas o caminho até ela bem cheio.

Como sempre faço, evitei a multidão e segui pelos cantos, desviando de cada corpo dançante, cada ser humano embriagado e feliz demais para notar a garçonete. Fui, calmamente e aos poucos, aproximando-me da entrada até que uma pressão em meu braço me impede de finalmente adentrar a tão ansiada área.

Meu corpo girou e fui lançada contra a parede. Meu coração parou de bater por um segundo.

Perdi completamente o foco de qualquer coisa, mas havia, sim, um corpo colado ao meu. Desesperada, me debati, num ato de muita raiva. Socando os punhos contra seu peito seguidas vezes com o único intuito de afasta-lo de mim, quem quer que fosse.

Eu estava tão cansada, esgotada e trabalhando! Sem um pingo de paciência para lidar com homens!

— Solte-me agora ou chamarei os seguranças, seu...!

Finalmente foquei o rosto daquele que me atacava. Eu paralisei no mesmo instante.

— Dessa vez, você vai me ouvir. – ele firmou com a boca próxima a minha. Senti o cheiro de álcool e meu corpo inteiro se retesou ao recordar de sua versão bêbada.

Uma angústia esmagadora me dominou. Meus olhos arderam enquanto eu testemunhava, com certo horror, o medo me consumindo.

— Por favor... – eu queria implorar para que se afastasse, mas minha voz falhou, sequer fora ouvida sob o retumbar incessante da voz poderosa de Post Malone. – Por... favor...

— Não me olhe como se eu fosse um monstro! – ele gritou de repente e toda a minha compostura ruiu.

Perdi o controle do meu corpo e comecei a hiperventilar.

Senti-me estremecer quando ele agarrou meus pulsos. Eu não estava em condições de observar nada em meu entorno naquele momento. Meus olhos não piscavam e nem desviavam da imagem de Phillip, desorientado e descontrolado, a minha frente.

Um nó imenso formava-se em minha garganta. Encarando seu perfil enquanto ele falava alguma coisa, incessantemente, observando ao seu redor com apreensão, gotículas de suor ameaçavam despontar nos meus dedos frios e dormentes.

Minha respiração pesou quando ele tornou a me encarar. E o decorrer do que ele dizia sequer pude ouvir, eu não conseguia discernir, prestar atenção, só me forçava a não desmoronar na frente dele, na frente dessas pessoas, na frente de ninguém.

O show acabara e aos poucos eu sentia minhas forças indo pelo mesmo caminho.

— Por favor... – implorei num murmuro e o vi parar de falar repentinamente, fitando meus lábios. Juntei toda a força que me restava para completar. – Fique longe de mim. – seus olhos azuis arregalaram-se brevemente. – Por favor... por favor. – minha voz esganiçava-se e eu percebi ter sido fraca. Eu estava chorando. – Por favor, por favor, por favor... – eu não conseguia parar de suplicar.

Seu olhar mudou na mesma hora e ele afastou seu corpo do meu num súbito, mantendo-me confinada entre ele e a parede.

— Elsa... – foi a última coisa que consegui ouvir de sua voz antes dele ser violentamente puxado para longe de mim e lançado ao chão com um potente soco.

O susto trouxe de volta alguma reação minha. Pisquei seguidas vezes, respirando com dificuldade, mas ouvindo claramente uma voz firme que dizia.

— Ah, como eu estava ansioso para esbarrar em um desses. – havia um tom de satisfação em sua fala. – O significado da frase “fique longe de mim” é um conceito muito abstrato pra você?

Um homem havia tomado a minha frente, colocando-se entre eu e Phillip – este que havia se erguido do chão tão rápido quanto caíra.

— Não se intrometa. – vociferou para o rapaz a minha frente. – Eu tenho um assunto a tratar com ela.

— Hoje não.

— Saia da minha frente! – empurrou-o para abrir o caminho em minha direção. Me retesei no mesmo instante.

Antes que ele pudesse aproximar-se de mim, no entanto, o rapaz o puxou pelo ombro bruscamente.

— Devagar, Rambo.

— Me solte, eu preciso falar com ela! – um filete de sangue descia pelos lábios de Phillip enquanto ele tentava desvencilhar-se da mão do homem, que o lançara para longe de mim, mais uma vez tomando a minha frente.

Me protegendo.

— Escuta... – passou as mãos nos cabelos claros, cruzando os braços. – Eu te acertei um cruzado na boca e você não revidou. Isso indica que não quer brigar. Respeito isso. É admirável. E, principalmente, inteligente, porque a vontade que eu estou de te matar na porrada é imensa. – sua voz tornou-se sombria de repente. – Então, não torra a minha paciência, porque não precisa de muito para que eu mude de ideia.

Não ouvi uma resposta de Phillip. Observei o rapaz de cabelos claros fazer um sinal com a mão erguida e em poucos segundos, três seguranças aproximaram-se acompanhados do moreno que vez ou outra troca farpas com Rapunzel.

O loiro a minha frente indicou Phillip com a cabeça e falou:

— Sabe o que fazer.

O moreno acatou, olhou diretamente para o chefe de segurança e não precisou dizer nada – o homem de terno prontamente anuiu e agarrou o braço de Phillip, que protestou.

— Tirem as mãos de mim! – numa velocidade absurda, Phillip conseguiu se desvencilhar do aperto forte do segurança.

Me recordei de seu treinamento militar e me afastei instintivamente, assustada, quase fundindo-me a parede atrás de mim.

Mas o rapaz que me protegia assumiu uma postura mais autoritária. Foi o suficiente para fazer Phillip repensar, encarando-o com o cenho franzido.

— Eu conheço a saída. – falou com desdém.

Não consegui acompanhar com a visão enquanto ele seguia para longe, pois no momento em que senti sua presença afastar-se, pude respirar tranquilamente – ou tentar.

— Verifiquem se ele foi embora mesmo. – uma outra voz ordenara, o que supus ser do moreno, que completou dirigindo-se ao rapaz a minha frente. – Quem era esse lunático?

— Não sei. – murmurou em resposta. – Mas não quero vê-lo aqui. Nunca mais. Avise o Hiccup.

Continuei fitando o chão e fechei meus olhos com força. Sem que eu percebesse, estava abraçando meu próprio corpo. Eu havia acabado de lutar uma batalha psicológica comigo mesma – e quase perdi.

A sensação que eu tinha era de completo esgotamento – o coração acelerado e cansado, o suor pontilhando as têmporas, o pulmão a trabalhar incessantemente a respiração pesada, minhas narinas queimavam com o ar puxado com tanta dificuldade e meus ossos pareciam trêmulos e sem forças...

Estremeci sob um toque desconhecido e quase berrei em reação.

— Calma, calma... – ele retraiu as mãos ao notar que me encolhi sob seu toque. – Só estou preocupado. Você está bem?

— S-sim, eu... – ergui meu olhar e fitei seu rosto.

Nenhum tom azulado conhecido se aplicava a cor daqueles olhos.

Os fios de seus cabelos jogados sobre a testa exibiam um branco-perolado de nuances amenas, sutis, que quando caíam à frente dos olhos, contrastavam com a tonalidade viva e tão expressiva... Hipnóticos. A melhor palavra para descrever o azul de suas írises.

Ele tinha o olhar preocupado, mas assim que focou meu rosto sua feição exibira grande surpresa.

— Estou bem. – as palavras saíram involuntariamente, completando a frase que eu deixara pela metade, ainda sob efeito do fascínio exercido pelo olhar intenso que ele me lançava.

Estreitei os olhos na esperança de tentar me lembrar de onde já vi essa cor de cabelo, esse porte, esse olhar expressivo em conjunto com o tom característico de azul...

— Eu conheço você. – afirmamos em uníssono.

*

Notas finais
Do I Wanna Know — Arctic Monkeys: https://youtu.be/bpOSxM0rNPM Radioactive — Imagine Dragons: https://youtu.be/iO_WxYC34eM Smile Like You Mean It — The Killers: https://youtu.be/R9uyb35McKM Eu disse que seria breve. HEUEHUEHUEH' Prevejo altas ameaças pelo ponto onde parou o capítulo. É, psé. E o Phillip? Tá descontrolado. Na verdade, ele tá mais é arrependido, em breve cês vão saber mais sobre isso. Me desculpem pela demora. Agora vai ficar mais difícil, minhas aulas começaram hoje, então é foco total! #modonerdativo tá chega. MAS NÃO VOU ABANDONAR A FIC DE JEITO NENHUM, tenham sempre isso em mente. Pode ser que fique mais demorado pra sair os capítulos, mas vai sair! Sempre sai rs Bom, é isso. O que acharam do capítulo? Me digam. O nove já está sendo escrito, tentarei não demorar dessa vez. ^^ Até a próxima, people! =*