Rigorosamente proibido, ligeiramente permitido
29 Corpo a corpo
Notas iniciais
MY SACRIFICE — CREED
Stiles recebeu a visita de Tom no meio daquela noite gélida e não tinha ideia de como se sentia ao encarar o homem que matou duas de suas amigas e tantas outras pessoas inocentes, o crápula que lhe quebrou os ossos e ainda por cima quase matou seu melhor amigo. O homem tinha um sorriso cínico nos lábios ao ver o pavor nos olhos do garoto e o puxou pelo braço sem dificuldade.
– Para onde está me levando? — Stiles perguntou sentindo as costas serem empurradas pelos corredores em silêncio. — Para onde está me levando seu desgraçado? — ele perguntou com um certo desespero na voz.
– Não se preocupe criança. — a voz calma do psicopata o deixou com calafrios e depois de mais alguns corredores escuros, ele ouviu uma porta pesada de ferro ser destrancada e seu corpo ser jogado para dentro com violência.
– Stiles! — Cora correu até o garoto que se assustou ao ver a cunhada ali.
– Como ele te pegou? Não! Ele não pode! — o garoto começou a dizer coisas desconexas, várias cenas do estupro das vítimas desconhecidas passaram pela sua cabeça, Callie sendo constantemente torturada. — Ele não pode fazer isso com você! — Stiles gritou e a garota o puxou para um abraço, podia sentir o cheiro de medo e desespero misturado ao ensurdecedor bater de seu coração.
– Ele não vai fazer nada Stiles, Derek vai nos encontrar. — ela tentou acalmar o garoto que chorava descontrolado.
Muitas horas se passaram e daquele cubículo não se podia ouvir nada, a chuva que Stiles sabia que caía há horas atrás já poderia ter acabado, assim como a noite virado dia, mas eles não sabiam e nem se soltavam. O garoto não queria ver Cora sendo vítima de Tom, não por sua culpa, não na sua frente. Ele pensou em Derek e teve medo do lobo ir parar ali também ou de fazer o namorado sofrer mais uma perda, por causa de sua maldita vida amorosa e isso o fez chorar mais ainda.
– Não chore, isso te deixa mais vulnerável e cansado. — Cora comentou.
– É tudo minha culpa, ele vai nos matar e vai ser minha culpa, eu vou mais uma vez fazer o Derek sofrer, perder mais alguém na família. — o garoto abraçou os próprios joelhos.
– Você acha que Derek nunca teve outros relacionamentos conturbados? A vida amorosa de Derek já começou estragada Stiles, você foi o único que deu luz para ele. — o garoto encarou Cora confuso.
– Teve alguém depois de Kate? — ele estava curioso e com fome, tinha sede e uma louca vontade de ir ao banheiro, não restava muita coisa senão conversar.
– Antes. Ele nunca falou da Paige? — o garoto fez que não. — Ela foi o primeiro amor de Derek e era uma garota adorável, mas ela era durona e Peter colocou um monte de minhocas na cabeça de Derek dizendo que seria mais fácil para ela ser como nós e meu irmão foi ingênuo ao acreditar nisso, por isso, ela morreu, atacada por um conhecido da família. — Stiles engoliu em seco. — Ela morreu nos braços dele Stiles e ela sofreu até a vida se esvair, por isso, Derek o protege tanto. Ele só quer que você fique seguro, porque ele não aguentaria perder mais ninguém. — era uma história muito triste, mas muitas coisas não batiam, coisas que no fundo Stiles tinha certeza de que não gostaria de saber.
– Por que os olhos do Derek ficam azuis? — ele perguntou sentindo o frio ficar cada vez mais forte naquele lugar.
– Quando você viu isso? — ela perguntou um pouco preocupada.
– Sempre que ele sente dor ou muito prazer. — as bochechas do garoto coraram. — Eu não deveria falar sobre isso com você. — ele suspirou e Cora sorriu.
– Eu não posso te contar Sti, eu estaria traindo a confiança dele, mas acredite, ele só quer protegê-lo. — o garoto bufou, estava tremendo de frio, Cora o abraçou, ela estava tão quente.
– Ele não está morrendo, está? — um aperto no peito tomou conta do menino.
– Muito longe disso. — ela deu um beijo na testa do garoto que a abraçou também, eles acabaram dormindo.
Derek não encontrou ninguém nas doze fábricas, mas ainda tinha esperanças de encontrá-los. Em uma das fábricas o cheiro de Cora o invadiu misturando-se ao cheiro podre de Tom, ele ainda lembrava do homem comendo Nathaly na escola. Engoliu em seco e seguiu o rastro de sangue que acabava em uma grade, estava trancada e ele precisava abrir sem fazer barulho, tudo poderia chamar atenção daquele monstro que estava com sua irmã e Stiles. Procurou outras formas de invadir o local e se perguntou se não deveria avisar alguém onde eles estavam, mas poderia ser uma pista falsa, mesmo assim fotografou algumas manchas de sangue, a porta da escada e em uma mensagem com o endereço, enviou para o xerife. Agora ele precisava decidir se invadia ou não o local. Três horas depois ele ouviu um grito de Stiles, tinha certeza que era o menino e desistiu, não conseguiria esperar.
Tom tinha levado Cora, a garota pediu para Stiles não fazer escândalo e o garoto mesmo tremendo de medo obedeceu. Horas depois a garota voltou um pouco machucada e Tom o agarrou pelo colarinho e o arrastou para fora, a primeira coisa que Tom fez foi se livrar de todas as roupas de Stiles e o garoto estremeceu, naquela outra sala de metal sujo tinha sangue para todo lado e uma pequena mesa de metal como a maca de um hospital e alguns instrumentos cirúrgicos.
– Você é um garoto muito enxerido Stiles. — Tom sibilou em seu ouvido enquanto o segurava pela cintura.
– E você é um monstro! — o garoto cuspiu as palavras e sentiu o corpo cair no chão, mal teve tempo de se preparar para o impacto e sentiu a testa doer e sangrar.
– Vamos ver até onde vai a sua coragem pequeno Stiles. — Tom injetou alguma coisa no pescoço de Stiles e ele se viu paralisado e com medo, muito medo.
Quando Stiles voltou estava completamente marcado, tinham hematomas por todo corpo e Tom não fez a mínima questão de lhe devolver suas roupas, ele não falou nada, mesmo quando Cora insistiu, nem permitir que ela se aproximasse ele deixou. A garota estava com ódio, não aguentava mais aquilo, esperava que Tom fizesse com ele o mesmo que ela, mas não, o desgraçado parecia ter feito muito mais e ela sentia o cheiro de Tom em toda a pele marcada de Stiles.
– O que você acha de assistir eu acabando com a sua amiguinha, Stiles? — o garoto olhou para Cora assustado.
– Seu filho da puta desgraçado! Pare de machucá-lo! — ela voou em cima dele e quando ele a acertou com um tapa a fúria se instalou por fim na loba que se transformou e o arranhou, deixando três tiras de arranhões profundos no rosto do serial killer.
– Sua vadiazinha! — ele se afastou e ela permaneceu em forma de ataque, os rosnados reverberando e então ele a atravessou a barriga com um bisturi e ela caiu em um rosnado esganado de dor.
– Cora! — Stiles tentou se aproximar e a loba com os olhos brilhando em dourado, o rosto coberto de pelos e as presas salivando, cravou suas garras em seu braço o fazendo gritar de dor.
Derek chutou o cadeado até ele ceder e seguiu o cheiro forte do sangue de Stiles, mas só encontrou suas roupas manchadas de sangue em uma espécie de sala, seguiu o cheiro de Tom e de Cora, ela estava ferida, ele podia sentir o sofrimento da irmã e o desespero do namorado. Ouviu passos e viu Tom entrando em outra sala, resmungando alguma coisa, seguiu mais uma escada que o levava mais para baixo, no subsolo e viu três portas com cadeados, respirou fundo e fechou os olhos, precisava ouvir com clareza para encontrar sua irmã e Stiles.
– Derek! — Stiles viu o lobo arrombar a porta ainda em sua forma humana. — Ela está morrendo! — Stiles se sobressaltou ao ver Derek desesperado, o cheiro de Tom se espalhando pelo corpo de Stiles, o sangue e a prata infectando a irmã.
– Eu preciso tirar vocês daqui. Escute, isso vai doer. — Derek avisou antes de arrancar as garras da irmã do antebraço do namorado que reprimiu um grito doloroso de dor.
– Tira ela daqui. — Stiles pediu segurando o ferimento que pingava sangue em boa quantidade.
– Não vou sem você. — Derek nem cogitava essa possibilidade.
– Eu vou ficar bem, leve-a. — Stiles estava apavorado, mas nunca deixaria Cora morrer por sua causa. — Eu não posso ver mais ninguém morrer na minha frente. — ele admitiu encarando a menina pálida.
– Eu já volto. — Derek pegou a irmã no colo e saiu dali correndo, Stiles se encolheu em um canto e sentiu o corpo todo tremer de frio, nojo e terror.
Tom não voltou nas horas seguintes e Stiles se viu ardendo em febre, a ferida em seu braço estava infeccionando junto com os tantos ferimentos que Tom causou. Ele podia sentir o cheiro podre do próprio corpo e mal tinha forças para chorar, foi quando sentiu seu corpo ser arrastado para outra cela e quase inconsciente sentiu o impacto do próprio corpo contra o chão de cimento áspero. Derek tinha deixado Cora na estrada e ligado para Laura, a irmã estava a caminho e ele não podia fazer mais nada por ali, então voltou para buscar Stiles, mas acabou sendo surpreendido por Tom.
– Vai à algum lugar? — o lobo suspirou, arrancar a garganta do psicopata era a sua primeira ideia, mas ele não conseguiria explicar isso e precisava ver Stiles que poderia ter sido levado para outro lugar nesse momento.
– Q-quem é você? — ele tentou fingir o pavor e Tom o jogou contra a parede, ele se deixou amarrar e guiar pelos corredores. — Por favor, não me machuque. — ele repetia enquanto o assassino o empurrava para a sala ao lado da que Derek encontrou a irmã e Stiles, o jogou ali e ele pôde ver Stiles em um canto.
– Não se preocupe, logo ele vai estar morto e minha atenção pode ser toda sua. — uma risada sarcástica e o barulho da tranca, Derek correu até o garoto.
Stiles ardia em febre e Derek tinha medo de tocá-lo. Estava inconsciente, largado no chão, nu e completamente machucado. Vergões avermelhados e roxos compunham sua pele, algumas feridas feitas a bisturi, arranhões, ralados e um cheiro forte de urina e sêmen por todo o corpo. Derek podia ver o ferimento no braço do garoto infeccionar e feder, seu corpo estava rejeitando a transformação e ele só tinha uma chance de ajudar o menino, uma única chance. Pegou o garoto e o colocou em seu colo, ouviu resmungos doloridos e segurou firme o antebraço de Stiles levando até sua boca e lambendo a ferida.
O gosto nojento era ignorado, assim como o corpo ardendo em seu colo, ele só pensava em fazer aquela ferida cicatrizar. Com a mão na cintura do garoto ele sugava sua dor e sentia suas veias queimando, era tanta dor que ele não conseguiu conter as lágrimas. Continuou a lamber a ferida até reconhecer alguns sinais de melhoras e fez isso até que todo o local estivesse limpo e quase fechando. Parou de sucar sua dor e se deu conta de que o garoto estava consciente. Ele estava transformado, seus olhos azuis e tristes encarando o par de tom âmbar assustado e trêmulo em seus braços, suas presas a mostra e suas garras segurando a carne do menino sem força, ele pensou em dizer alguma coisa, mas o garoto voltou a desmaiar.
Quando Stiles acordou Derek estava sentado de costas para ele, os joelhos erguidos e as mãos pendendo sobre ele, percebeu que estava vestindo a jaqueta do lobo e se encolheu, estava em um estado deplorável, mas sua ferida no braço não doía tanto mais e ele não se sentia com febre, mesmo que ainda sentisse frio. Encarou o mais velho e quis chamá-lo, queria perguntar o que ele e Cora eram, mas teve medo e se nada daquilo fosse real? Seu ferimento nem de longe lembrava mais as marcas de garras, eram apenas furinhos que poderiam ter sido feitos por qualquer bisturi do psicopata. Resolveu ficar quieto e se sentou com as costas grudadas na do lobo que retesou a coluna ao sentir seu toque.
– Me perdoa. — Derek começou e Stiles não conseguia entender.
– Pelo quê? — a voz de Stiles saiu tão baixa que ele se perguntou se Derek o ouviu.
– Por tudo. — o lobo queria se virar e aninhar o garoto, mas não conseguia.
– Não comece com um discurso de despedida, eu me recuso a morrer depois de tudo o que passei. — o garoto se afastou, Derek o encarou.
– Se eu não tivesse te deixado sozinho na Reserva... — Derek desviou o olhar e Stiles tapou seus lábios com os dedos, mas logo retraiu a mão suja.
– Nada disso é sua culpa, ele estava atrás de mim antes e nada o faria parar. Chega disso, eu não preciso das suas desculpas. — o garoto se encolheu mais, cada vez mais longe.
– É possível que reforços estejam chegando. — Derek comentou indo sentar próximo ao garoto que evitava contato. — Pare de fugir. — o lobo reclamou o puxando pelo casaco.
– Eu estou sujo, fique longe de mim. — o garoto tentou se soltar, mas foi surpreendido por um abraço.
– Eu não ligo para nada disso Stiles, você está vivo e isso é mais do que eu poderia querer. — Stiles sentiu o coração apertar.
– Eu estou com medo. — Derek apertou mais o garoto contra seu corpo. — Quero ir para casa. — ele sibilou contra o peito do mais velho.
– Nós vamos sair daqui, eu prometo. — Derek daria um jeito.
Stiles dormiu e horas depois Tom entrou naquele recinto com uma porção de correntes, Derek o encarou cansado, tinha sugado mais da dor do namorado e toda a carga emocional era demais para ele. Tom sorria como em todos os momentos e puxou o garoto pela jaqueta, Derek o empurrou e rosnou, o menino acordou. Foi tudo muito rápido e Stiles só conseguiu ver Tom indo para cima de Derek e o maior o socando, quando estavam no chão Derek o dominou, mas logo Tom conseguiu rolar ficando por cima e acertou Derek com um soco, mais uma vez rolaram e Stiles viu o bisturi ferir a pele das costas do lobo profundamente o fazendo grunhir de dor, Tom estava por cima agora e Stiles não aguentava mais ver aquilo, hesitou em ficar de pé, não tinha certeza que conseguiria, mesmo se arrastando chegou até as correntes, eram tão pesadas e ele estava tão fraco, mas pensou em Derek, o viu gemer e gritar de dor, uma agonia que o fazia ser forte, que o levava a ir até o fim. Derek encarou Stiles enquanto o mais novo enrolava uma das correntes contra o pescoço de Tom e as apertava, o ar do assassino se esvaía junto com sua vida e ele se permitiu relaxar quando ouviu um pequeno estalo, Tom estava morto, Stiles cedeu sobre os joelhos no chão duro, estava em choque e Derek ferido demais para fazer qualquer coisa.
Fale com o autor