Notas iniciais
Oieeee, todo mundo! Quanto tempo, não é mesmo? Mas, porém, portanto, todavia, anotem aí, 2019 vai ser o ano de Right Here Waiting For You (mas anotem de lápis (mentira (porém depende))). Sério, se der tudo certo e for como estou planejando, esse ano eu finalizo (demorou quase nada). Quero voltar a postar regularmente, sem muita espera, sem muita demora e tudo mais. Então torçam por mim, por favor. Ainda é tempo de desejar feliz ano novo, né? Então feliz ano novo, gente! Que 2019 seja nosso, e que enfim sejamos exaltadas. Agora vamos falar sobre o capítulo: 1º Ele tá bem grande. 2º Vamos conhecer um pouco o "canto" da Regina. Como ela é em seu habitat natural. 3º As partes que estão em espanhol, são feat google tradutor, então se estiver errado, ele e eu já pedimos desculpas. E acho que é isso. Espero que vocês gostem do capítulo ;)

A claridade do dia lá fora que rompe a parede de vidro e bate no meu rosto, me faz despertar. Um tanto perdida, bastante incomodada com tanta luz, e querendo dormir um pouco mais, penso em esticar o braço para pegar o controle responsável pelas cortinas, porém quanto tento fazer tal coisa, sinto um braço jogado sobre o meu.

Meu cérebro lento me arranca um sorrisinho quando lembra de quem é tal braço. Sou tomada por lembranças da noite passada. Ótimas lembranças. Calorosas, sórdidas, íntimas, únicas. Os toques, os sussurros, os gemidos, a troca de olhares, de carícias. Meu coração acelera com tais lembranças, um sorriso bobo forma-se em meus lábios, e meu sexo, ele pulsa com cada recordação.

“Vamos fazer amor, enquanto o dia nasce lá fora”. Essa frase brega e melosa, claro que foi dita pela Srta. Swan, antes de mais uma vez tornar meu corpo maleável as suas mãos tão habilidosas. Foi por isso que não fechei as cortinas, não consegui juntar força necessária para tal coisa. Meu corpo exausto caiu sobre a cama, onde aninhou-se nos braços desse furacão, e entregou-se ao cansaço.

“Foi uma noite e tanto”. Tal conclusão de novo me faz sorrir. Balanço a cabeça negativamente, não acreditando que aqui estou. Eu, Regina Mills, sempre tão responsável, ontem quebrei o último resquício de responsabilidade. Agora estou aqui, na minha cama, nua, nos braços dessa pessoa, as vezes tão menina, as vezes tão mulher. Ela é mesmo um furacão, não tenho mais dúvidas sobre isso. Também não tenho dúvidas que o avesso, ele é o meu lado certo.

Querendo me situar sobre em qual parte da cama eu estou, meus olhos se abrem. A claridade volta a incomoda-los, mas no momento isso realmente não me importa. Volto a balançar a cabeça negativamente ao ver que estou na beirada da cama, quase caindo da mesma. “Espaçosa” penso. Porém aceitaria esse pedacinho de cama todos os dias, se me fosse prometido que todos os dias acordaria tão bem desse jeito, e que todas as noites seriam agitadas com a noite passada.

Tentando não cair da cama, me viro me voltando para ela. Tenho vontade de rir ao ver que está completamente coberta, até o topo da cabeça. Alguns fios de cabelos loiros são as únicas coisas que posso ver.

Ela se mexe, encaixa uma perna entre as minhas. O braço em minha cintura a envolve mais, me puxando mais para si. É indescritível essa sensação, o quão gostoso é sentir sua pele na minha, seu contato, o aconchego, o calor dos corpos.

Faço com que a coberta desça um pouco, tornando seu rosto visível. Cuidadosamente meus dedos colocam para o lado os fios loiros que lhe cobrem a face.

Meu Deus, Regina! Você foi para cama com uma garota. Assim dormindo, completamente calma, de boca fechada, sem seu olhar de predador, tranquila, serena, inofensiva, fica visível o quão jovem ela é. São dez anos, dez anos de diferença. Quando em são consciência eu sequer imaginei me envolver com alguém tão jovem assim? E tudo se torna “pior”, quando esse alguém em questão, é uma mulher.

Balanço a cabeça em sinal de reprovação, mas mesmo assim, não consigo me sentir arrependida, muito pelo contrário, a tendo assim tão próxima, com nossos corpos do jeito que estão, tudo que sinto é desejo de outra dose.

“O que você fez comigo, Srta. Swan? ” Questiono mentalmente, enquanto afago seu rosto.

— Você pulou a parte das regras de etiqueta onde diz que é feio assistir alguém dormir? – A voz dela sai preguiçosa, arrastada, quase inexistente. Não se move, não abre os olhos, não nada. Continua inerte.

— Você está na minha casa, no meu quarto, na minha cama, então se essa regra existe mesmo, não se aplica a essa situação. – Minha resposta faz com que ela abra um olho e me espie pelo mesmo.

— Você já acorda Regina Mills. – É a resposta que me dá. – Pensei que iria acordar com beijos e café na cama, não com um sono assistido. – Faz uma falsa reclamação.

— Desculpe, não sou adepta a esse grau de romantismo. – Minha resposta a faz rir. Seus olhos agora estão bem abertos. Eles me encaram. Na verdade, eles me olham bobamente, como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo. Me vejo refletida ali, nesse mar de intensidade e sonhos que são seus olhos. Felicidade é o que sinto me vendo neles.

— Você não é adepta a nenhum tipo de romantismo, Regina Mills. – Me acusa. Embora tente não rir, acabo não conseguindo fazê-lo.

— Falou a reencarnação de William Shakespeare. – Minha resposta arranca dela uma gargalhada.

— Hey, eu sou romântica. – Fala de um jeito nada convincente.

— Muuito! – Debocho. – 98% das vezes, tudo que você me fala quando está sendo “romântica”, tem conotação sexual. – Minha observação a faz rir novamente.

— Nós não somos românticas. – Conclui.

— Nós não somos. – Concordo. – Nem um pouco. – Acrescento enquanto penso a respeito.

— Isso te incomoda? – Questiona com curiosidade.

— Não. Isso não me incomoda. – Respondo. – E eu não vou perguntar se incomoda você, porque honestamente eu não sei ser romântica. – Ela me sorri, beija a palma da minha mão que está em seu rosto, a tira de lá e entrelaça os dedos aos meus.

— Eu não me apaixonei por nenhuma Regina romântica, então não, também não me incomoda. – É o que me fala. – Como você está, nesse lindo primeiro dia do ano? – Questiona com um sorriso largo e presunçoso, provavelmente concluindo que sim, ela é isso tudo que sua autopropaganda diz ser.

— Como você acha que eu estou? – Lhe respondo com uma pergunta, o que a faz rolar os olhos.

— Quero ouvir de você. – Insiste. – Porque eu estou tão feliz e saltitante. – O jeito alegre como me conta, me faz sorrir.

— Eu também estou feliz. Além de feliz, estou relaxada, e com preguiça. – Acho que chegamos em um ponto em que nada adianta esconder as coisas dela, nem de mim. Então melhor admitir logo.

Seu sorriso presunçoso volta a aparecer.

— Disponha, Srta. Mills. – Volta a beijar minha mão. O sorriso bobo que me dá, o jeito bobo como me olha, me deixa um pouco sem graça. Quero dizer, como disse anteriormente, ela me olha como se eu fosse a coisa mais preciosa desse mundo. Como se fosse algo raro, valioso. Quando na verdade, sou apenas uma mulher cheia de problemas, que facilmente, mesmo sem querer, pode arruinar a vida dela.

— O que foi, Srta. Swan? – Seu sorriso torna-se largo, os olhos brilham, aparentemente emocionados.

— Você não tem o mínimo de noção do quanto eu gosto de você. – Se declara. – Para ser honesta, está sendo difícil de acreditar que eu estou mesmo aqui, na sua casa, jogada nessa cama com você, Regina Mills. – Solta minha mão e resolve acariciar meu rosto. – Eu diria tantas sentimentalidades para você, tantas... – Ela suspira. – Mas, além de existir o fato de ainda não sermos românticas, existe também o fato de eu não querer assustar você. – As palavras saem quase sussurradas. – Sei que o meu gostar, o meu amar, te preocupam por você ter a vida que tem, mas não me chuta mais não, não me afasta mais de você... – Seus olhos conversam com os meus, enquanto me fala todas essas coisas. – Me deixe ficar. Eu assumo todas as responsabilidades, todas as consequências, mas por favor, me deixe ficar. Nos permita viver isso. – Como dizer não para quem você quer dizer sim? Como tirar da sua vida alguém que mal chegou, mas já é tão essencial? Como negar alguém que salvou você de você mesma? Mas por outro lado, como dizer sim? Como dizer sim, sabendo o quanto ela tem a perder? Como dizer sim, sabendo do que minha mãe é capaz? Como dizer sim, sabendo o quão mal essa história pode acabar?

— A verdade? – Lhe questiono.

— Por favor. – Responde prontamente.

— Eu e você, eu gostaria de pagar para ver, sabe? Eu não sei, não sei se daríamos certo. Se não cansaríamos uma da outra. Se não nos magoaríamos, como já nos magoamos. Se não perderíamos essa química inegável que temos... mas eu gostaria de arriscar, pagar para ver. – Antes que eu termine, ela já está sorrindo. – Porém...

— Tinha que ter um porém. – Resmunga.

— É complicado, Srta. Swan... – Solto com o ar. – Um relacionamento com você poderia literalmente destruí-la. Destruir Janis. – Sinto o peito apertar pensando sobre. – Como você acha que eu me sentiria a respeito? – Indago. – Existe essa história, das duas mulheres que foram até o Rei Salomão...

— O que o Rei Salomão tem a ver com isso? – Não me deixa terminar, o que me faz rolar os olhos.

— Posso continuar? Você espera calada? – Ela ri e fecha o “zíper invisível” da sua boca.

— Elas foram até o Rei Salomão levando um bebê. As duas alegavam ser a mãe da criança. Como não conseguiram de fato saber quem era a verdadeira mãe, Rei Salomão mandou cortar a criança ao meio, assim cada uma ficaria com uma parte do bebê...

— Que Rei louco, credo. – Compartilha seu pensamento comigo.

— Uma das mulheres começou a chorar, e disse que preferia ver o filho sendo criado por outra, do que tê-lo morto em seus braços.

— Essa com certeza era a mãe dele. – Conclui e eu afirmo.

— É nesse ponto que eu quero chegar, Srta. Swan. Eu tenho todas essas vontades, juro para você que tenho. Mas entre vê-la viva, porém longe de mim, ou tê-la por perto e correr o risco de vê-la dentro de um caixão, eu vou sempre optar pela primeira opção. – Contrariada ela balança a cabeça em negativo.

— Regina, eu já tentei ficar longe de você, e você, meu Deus, você tentou ficar longe de mim desde o princípio, e veja só onde estamos. Não queira jogar fora tudo que ainda nem vivemos, porque existe uma pequena possibilidade de sua mãe louca, querer o meu couro. – Agora é minha vez de balançar a cabeça. – Não precisamos ser o tipo de sapatão que se conhece hoje, e amanhã já quer casar e mostrar para o mundo o quão lindo é o amor. – Fala quase sem respirar. –Não que eu não queira isso, mas eu tenho noção que precisamos ir com calma. Até porque, você tem seu noivo, mesmo que esse noivado seja mais falso que a Taylor Swift. – Continua. — Nós não precisamos tornar isso público. Você não precisa sair por aí desfilando comigo de mãos dadas. Não precisa dizer para o mundo que você agora é sapatão, e consequentemente não precisa me apresentar como sua parceira. – Continua falando freneticamente. — Não precisamos dividir uma casa, escova de dentes, etc., etc. Só vamos ficar juntas, Okay? Você aqui, eu lá em Las Vegas, não importa esse tipo de distância, mas por favor, vamos tentar. – Enfim termina seu discurso de convencimento.

— E por que você acha que Cora não vai descobrir? – Questiono de sobrancelha arqueada.

— Eu não acho. – Dá de ombros. – Provavelmente se investigar muito você, ela vai descobrir. Porém, desde que ela pense que sou só uma diversão, ela não vai atacar. – Penso um pouco a respeito.

A verdade é que faz sentindo. Cora não faz questão de esconder que tem várias “diversões” espalhadas pela cidade. Zelena já teve algumas também, e nossa adorável mãe, nunca deu muita importância. Aliás, ela já sugeriu mais de uma vez que seria saudável para mim, me divertir de vez em quando, sendo que, em nenhuma dessas diversões eu esquecesse quem sou e as responsabilidades que tenho. E discrição, acho que ela falou sobre o tópico.

— Vou pensar a respeito. – É o que lhe respondo. No momento, com ela aqui ao meu lado, é fácil dizer que sim. Mas quando ela for para longe, e todas as coisas ruins que minha mãe já fez me vierem a cabeça, sei que vou surtar.

— Com carinho? – Me olha com olhos pidões, iguaizinhos os da sua filha quando quer alguma coisa.

— Com responsabilidade. – É a minha resposta. Agora me olha contrariada e de novo me lembra Janis.

— Com carinho também? – Insiste e me faz rolar os olhos.

— Com carinho também. Todo carinho existente no meu ser. – A frase sai meio debochada, meio sarcástica, o que a faz rir.

— Existe carinho no seu ser, Regina Mills? – Ela me provoca e eu dou de ombros.

— Talvez.

— Meu Deus, como eu pude me apaixonar por você? – Se pergunta enquanto balança a cabeça em negativo.

— Me questiono isso todos os dias. – Mesmo que estejamos brincando, sou sincera nessa parte.

— Acho que é o som da sua voz, eu gosto tanto do timbre dela. E seus olhos, o jeito como você me olha, as vezes olha tão profundamente, que parece que está vendo minha alma. E o seu sorriso tão perfeito, tão alinhado, tão branco, tão lindo... – Tal declaração me faz sorri um pouco sem graça. — Mesmo que você não faça muito uso dele, eu amo quando você sorri. E a sua risada, sério, eu amo ouvir você rindo. É um som gostoso, ele me preenche, faz minhas borboletas agitarem. – Ela suspira. – Ou talvez seja todo o conjunto, tão diferente das muitas pessoas nas quais já esbarrei nessa vida. – Seus olhos me sorriem. – É, não tinha como eu não me apaixonar. – Conclui. Sem saber exatamente o que dizer, falo a primeira bobagem que me vem à cabeça.

— Tenho que ver os conceitos sobre você não ser romântica... – Começo. – Você foi um poço de romantismo agora. – Fica um tanto envergonhada com minha conclusão, ou seja, sem uma resposta imediata. – Eu vou pensar com carinho, Srta. Swan. – Dou minha palavra. – Com muito carinho. Embora não pareça, quando penso sobre você, o carinho está sempre envolvido. – Admito. – E embora também possa não parecer, eu não quero me ver livre de você. Honestamente eu não consigo mais pensar nos meus dias sem você, suas histórias e seu tagarelar sem fim, pessoa falante. – Meu “romantismo”, ou o mais próximo disso que consigo chegar, faz com que ela me dê um sorriso gigante.

— A sua pessoa falante. – Balanço a cabeça em concordância.

— De quem mais poderia ser, se não minha?

— De absolutamente mais ninguém. – Solta com um suspiro. – Ew!!! – Faz cara de nojo. – Algo me diz que um futuro não muito distante, nosso status de mulheres não românticas, vai mudar para o status de mulheres românticas nível melosas. – Sua conclusão me faz rir e também fazer cara de nojo.

– Não vamos pensar sobre isso. – É um tanto assustador pensar a respeito. – Agora me diz, como você chegou até aqui? – Era uma das primeiras coisas que deveria ter perguntado, porém tínhamos um assunto mais urgente para resolver, assunto esse que durou toda a madrugada.

— Decidi de última hora. Eu estava com saudades, não conseguia tirar você da minha cabeça e de repente estar com você era algo quase vital. – Conta. – Liguei para a sua irmã e perguntei a ela como fazer para encontrar você aqui. Além de se prontificar a ir me buscar e me trazer até você, ela também me conseguiu milhas. – Rola os olhos ao aparentemente lembrar-se de algo. — Diz ela que tem milhas infinitas. “Querida, eu tenho milhas para ir até a lua”. – Imita a voz de Zelena e me faz rir. – Então graças a essas milhas infinitas da sua irmã tão humilde, eu vim de graça.

— Você poderia ter falado comigo, eu também tenho milhas infinitas. – Ela faz vomitar e de novo me faz rir. – E eu também poderia ter buscado você no aeroporto. – Me dá um sorriso sem humor.

— Se eu tivesse te falado, aposto que você faria jogo duro e me falaria para não vir. – Não posso dizer que tal conclusão não faz sentido.

— Talvez eu tivesse mesmo feito isso. – Concordo. – Mas estou feliz por você estar aqui.

— Depois de tantos orgasmos, se você não estivesse feliz, eu iria pedir para ser ressarcida. – Lhe dou um sorrisinho sem graça, enquanto rolo os olhos.

— Você é ridícula, Srta. Swan! – Ela ri. — Quando você volta para o deserto? – Mudo de assunto.

— Amanhã à noite.

— Amanhã? Mas por que assim tão cedo? – Indago.

— Bom, porque ao contrário de você e da sua irmã, eu sou uma reles mortal que nem milhas tem, imagina milhas infinitas. Com isso podemos concluir que eu preciso trabalhar. Além disso, ouvi dizer que a chefe não gosta de funcionários indisciplinados. – Explica enquanto afaga meus cabelos.

— Passe pelo menos a semana. – Peço. – Lhe dou minha palavra que não vai lhe causar problemas no trabalho. – Ela rola os olhos.

— Eu sou sua funcionária, Regina. – Fala de um jeito sério e firme. — Não quero tratamento diferenciado, quero que me trate do mesmo jeito que trata os outros. – Exige. — Sem regalias. Nem um tipo delas, Okay? Vamos ser adultas e separar o pessoal do profissional. – A bronca que me dá, me faz abrir e fechar a boca algumas vezes. Por fim, para que não corramos o risco de entrar em uma discussão por causa do assunto, mesmo um pouco contrariada, resolvo concordar com ela.

— Okay, Srta. Profissional! Só gostaria que você ficasse um pouco mais. Você mal chegou, e já tem que ir. – Reclamo. Já ela, tenta esconder um sorrisinho.

— Namore comigo e eu posso usar as milhas infinitas da sua irmã para vir mais vezes. – Me faz rir por mencionar as milhas de Zelena e não as minhas.

— É uma proposta tentadora, Srta. Swan. – Minha resposta a faz se aproximar ainda mais.

— É? – Sua voz torna-se sedutora, assim como seu olhar.

— Uhum...

— Inclua nessa proposta tentadora, beijos, carinhos e sexo de qualidade. — Seus dedos escorregam sorrateiramente pela lateral do meu corpo. – Orgasmos, muitos orgasmos... Sexo sujo... – Ronrona e me faz pulsar. Sua mão agarra com possessividade minha coxa, fazendo com que minha perna se encaixe mais sobre a sua.

— Não vamos por esse caminho, Srta. Swan. – Murmuro sem um pingo de certeza na voz.

— Não? – Acaricia minha perna, sobe os dedos pelas minhas costas, e os desce vagarosamente. Antes que cheguem onde eu sei que ela quer que cheguem e onde eu também desejo que cheguem, eu a impeço. – Não? – Questiona de novo. A sobrancelha arqueada, um semblante sem vergonha, cafajeste e inegável.

— Preciso escovar meus dentes primeiro. – Minha resposta a faz rolar os olhos.

— Vamos deixar os dentes para depois. – Não tenho tempo de responder, minha boca é tomada pela sua. Seus lábios sedentos devoram os meus com pressa, urgência, desejo. “Que se dane os dentes”, é o que penso antes de me entregar ao momento.

Suas mãos puxam meu corpo para cima do dela. Me desfaço dos seus lábios e sento-me sobre seus quadris. Meus olhos procuram pelos seus, que se pudessem queimar, estariam fazendo isso. Suas mãos agarram-se aos meus seios, o jeito como os tocam, me arrancam alguns suspiros. Ela fecha os olhos, joga a cabeça para trás, passa a língua entre os lábios e sorri, um sorriso safado.

— Sentir seu sexo molhando minha pele... – Solta com o ar. – Você não sabe o quanto me excita. – Tem desejo em sua voz. — Tenho certeza que não posso mais viver sem isso. – O que me fala, o jeito como fala, a voz sussurrada, em pedaços, desejosa, o conjunto, me deixa excitada também. – Você é a porra de uma gostosa, Srta. Mills! – Seu elogio me arranca um sorriso. Seus olhos se abrem e procuram pelos meus. – Eu vou fazer de você a minha vadia, só minha. – Suas palavras sujas e vulgares deveriam me ofender, mas a única coisa que fazem, é aumentar minha vontade. – Minha vadia suja e vulgar. – Me provoca. A palma da minha mão que acerta sua face, a faz rir e sentar-se sobre a cama com minhas pernas abraçadas a sua cintura. – Então você gosta de bater... – Não é uma pergunta, é uma conclusão.

— E se eu gostar? – Sua mão vai até a minha nuca, ela agarra os cabelos que ali estão e os puxa sem nem um pingo de gentileza. A dor prazerosa me faz gemer.

— Então você vai apanhar também. – Sussurra ao pé do meu ouvido, me arrancando um sorriso sem vergonha.

— Uma vadia suja e vulgar, não sei importa em apanhar. – Solto com o ar. Ela volta a puxar meus cabelos. Sem delicadeza, morde meu pescoço, antes de distribuir beijos e chupões por sua extensão. Vai me deixar marcada, eu sei que vai, mas no momento não consigo me importar com isso. Minhas unhas cravam em suas costas, o que a faz gemer. – Uma vadia suja e vulgar não se importa em deixar marcas. – Minha voz se arrasta, assim como minhas unhas fazem pela extensão de suas costas.

Seus lábios procuram pelos meus, dessa vez não tem sem um pingo de gentileza, sutileza, carinho. Desejo, tudo que existe é um desejo perverso e primitivo. Seus dentes prender meu lábio inferior, ele é mordido e chupado. O sinto latejar, assim como sinto gosto de sangue. Sua mão segura meu pescoço e o aperta. Afasta-se minimamente para que possa me encarar.

— Não, ela não se importa. – Responde antes de voltar a beijar minha boca. Me desfaço do contato, e volto a estapear seu rosto, arrancando dela outro sorriso cafajeste. Seus dedos descem, tocam meu sexo molhado, brincam, se lambuzam ali. – Prove... – Não é um pedido, é uma ordem. – Prove o gosto bom que você tem. Prove como você é a porra de uma gostosa, Srta. Mills. Prove. – Leva os dedos até minha boca, e sem ao menos pensar sobre, acato sua ordem. Abocanho seus dedos, lambo, chupo, me delicio com meu próprio gosto. Faço isso a olhando nos olhos. O jeito guloso como me assiste me dá ainda mais vontade.

— Me deixe provar de você. – Peço ao tirar seus dedos da minha boca. Ela solta um longo suspiro e faz com que eu saia de cima de seu colo. Continuamos uma de frente para outra, os joelhos dobrados, as plantas dos pés sobre o colchão.

Seus dedos voltam a se lambuzar em meu sexo, brincam em meu clitóris, me arrancam suspiros e gemidos. Tento retribuir a gentileza, mas ela me impede. Seus dedos que antes me tocavam, agora tocam ela. De olhos fechados, a cabeça jogada para trás, ela se masturba e me enlouquece. Tento de novo toca-la e de novo me impede.

— Sabe quantas vezes eu fiz isso fantasiando com você? – As palavras são praticamente gemidas. – Não, você não sabe. – Ela mesma responde. Seus olhos se abrem, ela me encara. – Foram tantas que nem eu sei. – Seus dedos abandonam seu sexo e novamente vão até minha boca. Dessa vez não vez não preciso ouvir uma ordem para que prove. – Seu sorriso perverso aparece enquanto me delicio ali. Cedo demais, ela os tira da minha boca. – Beije-me agora, me deixe provar do nosso gosto. – Toma meus lábios de um jeito avassalador, e é correspondida da mesma forma. Ela volta a me tocar, a excitar, a me invadir e preencher. Primeiro devagar, rápido e devagar de novo. Dessa vez não sou impedida de fazer o mesmo com ela.

Sentir o quão molhada está, ouvi-la gemendo enquanto a toco, perceber o quanto esse contato, esse toque a excita, me excita também. Dar-lhe prazer, me dá prazer.

Sabe aquele sexo bom, que você deseja continuar ali naquela situação por tempo indeterminado? Que você deseja que nunca acabe? Esse é o sexo que a Srta. Swan, proporciona.

Inundada de prazer, de desejo, tesão. Queimando, ardendo em pleno inverno de Nova York, é desse jeito que me encontro. O prazer corre por minhas veias, pulsa em meu coração. Ele aquece meu corpo mais e mais, a cada nova caricia, troca, cada nova investida. Eu desejo mais, peço por mais, e dou mais. Imploro para que não pare, para que continue e continue.

Meus gemidos intercalam com as palavras sujas que saem da boca dela, palavras que servem como combustível para o fogo que eu me tornei. Mesmo querendo prolongar e arder nesse fogo por tempo indeterminado, eu não consigo mais. Deixo os espasmos tomarem conta de mim, deixo o orgasmo vir. Meu sexo contrai em seus dedos enquanto em voz alta, como a vadia mais suja e vulgar, deixo escapar palavras de baixo calão.

Quando meu juízo retorna ao meu eu, as pernas da Srta. Swan, estão abraçadas a minha cintura. Sua testa está junto a minha. Minha respiração pesada acompanha a dela. Ao abrir os olhos, vejo que os seus ainda estão fechados. Ela tem um sorrisinho nos lábios e o rosto um pouco suado. Ao pensar no que aconteceu, nas palavras nada carinhosa que trocamos, no jeito como nos tratamos, sinto um pouco de vergonha, então decido fechar meus olhos para não ter que encara-la a qualquer momento.

— Uau! – É a onomatopeia que exclama.

— Uau! – Concordo. Só então me dou conta que não faço a mínima ideia se ela gozou. – Você está bem? – Não é exatamente isso que gostaria de perguntar, mas acho que é um começo.

— Sim, eu estou bem. – Responde, a respiração ainda pesada. – Muito bem. – Mesmo não vendo, sei que está sorrindo. – E você?

— Morri, mas passo bem também. – Minha resposta a faz rir. – Você... – “Gozou? Não é uma pergunta difícil, Regina, ainda mais para você, que há menos de um minuto, estava sendo uma vadia suja e vulgar”. Converso mentalmente.

— Sim. – Bom, não preciso terminar a frase, ela é uma boa entendedora. – Segundos antes de você. – Sua resposta me deixa satisfeita. – Obrigada por isso. – Agradece ao beijar a minha testa. – Acho que eu machuquei você. – Seu polegar acaricia meu lábio inferior. – Me desculpe por isso. – Deposita um beijo terno ali. Me fazendo suspirar e abrir os olhos.

— Tudo bem, acho que eu também machuquei você. – Meus olhos encontram com os dela, e ao contrário do que imaginei, não sinto vergonha. Cumplicidade, ao olhar em seus olhos, é isso que eu sinto. – Acho que preciso cortar minhas unhas. – Meu comentário a faz rir.

— Acho que você precisa fazer isso. – Concorda.

— Eu te machuquei? – Questiono com uma certa preocupação, lembrando do dia que me sugeriu que cortasse as unhas se um dia resolvesse ter um caso lésbico ou me masturbar.

— As minhas costas, talvez. – Sobre as costas, não tenho dúvida.

— Só as costas? – Ela sorri e afirma.

— Só as costas. O resto está bem e melado.

— Entendo o sentimento. – Respondo rindo. – Preciso de um banho, mas no momento minhas pernas bambas não me deixam sair do lugar em que me encontro. – Continua me sorrindo, enquanto acaricia meu rosto.

— Minhas pernas também estão tremulas. — Conta. – Acontece com orgasmos mais intensos. – Lhe sorrio, beijo os lábios e apoio meu queixo em seus ombros.

— Emma? – Chamo enquanto cenas do que acaba de acontecer, passam pela minha cabeça.

— Sim?

— Não pense que você vai dar as ordens sempre. – A ouço rir.

— Na cama, Regina Mills, quem dá as ordens sou eu. – Fala toda cheia de si.

— Vou deixar você pensar que sim. – É a resposta que lhe dou.

— Ah meu Deus! – O jeito como a frase sai da sua boca, junto que seu corpo que enrijece, faz com que meu coração que estava se acalmando, volte a acelerar.

— O quê? – Questiono ao me afastar para encara-la. Parece assustada, incrédula. A cor foge do resto, a deixando pálida. Nada me responde, a única coisa que faz é apontar com o indicador para alguma coisa que está atrás de mim.

Com medo do que vou encontrar, e sem ter certeza de que quero ver, me viro lentamente para o lugar apontado. Estagnada, parada, igualmente assustada, parecendo um espectro, está minha irmã.

Vergonha, sou tomada por uma vergonha sem fim. Me pergunto a quanto tempo ela está ali? O que viu e o que ouviu? Sinto meu rosto queimar. Tenho vontade de sumir, de me esconder, evaporar.

— Me desculpem. Por favor me desculpem! – Ela balbucia. Pelo seu tom de voz, está tão envergonhada quanto nós. — Eu não sabia que vocês estavam, estavam... – Aponta para nós. – Enfim, eu sinto muito, me desculpem. – Enquanto se desculpa, um novo sentimento vai tomando conta de mim. Raiva. Como diabos ela está aqui? Como acha que pode invadir meu quarto, minha privacidade desse jeito? O que está fazendo ali parada?

— O que diabos você está fazendo aqui, Zelena? – Esbravejo, a voz alterada.

— Eu... eu... eu... – Pelo tanto que gagueja, tenho certeza que assistiu boa parte do que aconteceu. Alcanço o travesseiro perto de mim e o jogo na direção dela, que se esquiva.

— Você, você, você o quê? Virou gaga? – Me concentro para não gritar.

— Eu estou em choque. – É tudo o que fala. – Quer dizer... wow! – Volta a apontar para nós, e balança a cabeça, como se quisesse apagar algo de lá. – Eu nunca vi um pornô lésbico, muito menos um em que a atriz fosse minha irmã. – Sua resposta me irrita ainda mais. Faço menção em levantar da cama e ir até Zelena, com intuito de arrancar seus cabelos, mas a mão da Srta. Swan, me impede.

— Me solte! – Ordeno. – Eu vou matá-la.

— Estou de acordo, mas talvez seja melhor colocarmos uma roupa antes. – Sugere.

— Você não pode me matar. – Resmunga. – A culpa é sua! – Ainda sou obrigada a ouvir tamanho absurdo.

— Minha? Você invade o meu quarto, a minha privacidade e a culpa é minha? – Ela quer mesmo apanhar, só pode querer.

— Regina, eu liguei mais de vinte vezes no seu celular, e mais umas vinte no seu. – Aponta para Emma. – Elizabeth já bateu aqui cinco vezes e nada de você responder. – Reclama comigo. – Aliás, estou aqui por causa dela, me ligou preocupada, pedindo que eu viesse checar. Já são quase 16:00hrs, Regina e vocês aí. – Aponta para nós. – Se comendo a essas horas da tarde, como se de repente, a noite e a manhã, tivessem sido insuficientes. – Nos acusa. – Já pensou se fosse Elizabeth a ver o que eu vi? Você a mataria do coração! Ela praticamente criou você, poxa vida! Não iria aguentar ouvir você sendo chamada de vadia suja e vulgar. Nem ver você dando na cara de Swan, Emma Swan. Nem ouvir você sugerindo que gosta de apanhar. – De novo balança a cabeça, como se quisesse apagar alguma coisa de lá. – E não vou nem comentar sobre “me fode ma...” – Dessa vez é Emma quem lhe taca um travesseiro.

— Nós já entendemos. – Resmunga para Zelena.

— Por que diabos você ficou aqui assistindo? Qual o seu problema? – Incrédula, eu continuo incrédula.

— Porque eu estagnei, não conseguia mais ir para frente, nem para trás. Eu estava assustada, você... você... você não parecia você. Que modos são aqueles? – Me questiona. — E você... – Aponta para a Srta. Swan. – Depois precisa me dar umas dicas sobre como deixar as pessoas assim ensandecidas.

— Saia já daqui, Zelena. – A expulso, apontando para a porta.

— Eu só saio daqui, com uma de vocês duas junto comigo. Só desse jeito para conseguir tirar vocês daqui. – É enfática. – E eu sugiro que seja rápido, porque pela preocupação de Elizabeth, não duvido nada que a próxima a invadir esse quarto seja ela. – Balanço a cabeça negativamente, ainda não acreditando no que aconteceu. – E outra, pelo amor de Deus, deixem para fazer sexo “gritado”, no período da noite, quando Elizabeth não estiver por aqui. Juro para vocês que se ela subiu para o segundo andar, ouviu tudo. – Ótimo! Só estava faltando isso mesmo. Muito embora Elizabeth viva me falando que preciso de sexo, não acredito que ela venha a aprovar minha parceira.

— Alcance meu robe. – Ordeno. Milagrosamente, ela faz rapidamente, sem falar nenhuma outra gracinha. Parece mesmo traumatizada. – Vire. – Volto a ordenar, quando ela me entrega o que lhe pedi. Rapidamente me ponho de pé e coloco o robe. – Sinto muito sobre isso. – Aponto para Zelena e sento-me na cama. Com a coberta ajudo a Srta. Swan a esconder o corpo.

— Tudo bem. – Me sorri, aparentemente está recuperada da surpresa. – Você não tem culpa de ter uma irmã louca. – Me faz rir.

— Hey, eu ouvi isso! – Zelena protesta.

— Continue de costas, Zelena. – Ordeno ao ver que ela está nos espiando. Ela bufa, mas obedece.

— Eu vou descer para que ela nos deixe em paz. – Concorda com a cabeça. – Ali... – Aponto para porta que fica do seu lado da cama. – Fica o closet. Pegue o que quiser. – Volta a concordar com a cabeça. – Te espero lá embaixo?

— Eu nem conheço essa Elizabeth e já estou morrendo de vergonha. – Reclama comigo, me fazendo rir. – E se ela ouviu alguma coisa?

— Não se preocupe, ela é discreta. – Lhe garanto.

— Sei... – Não acredita muito no que lhe digo.

— Quer que eu fique e te espere? – Nega com a cabeça.

— Não, vá lá. Não quero ser responsável pelo ataque cardíaco de ninguém. – Me incentiva.

— Okay. Te espero para tomarmos café. – Assente.

— Preciso ligar para Janis antes. Eles já devem ter me ligado algumas vezes.

— Tudo bem. Diga a ela que mandei um beijo e que estou com saudades. – Peço.

— Direi. – Puxa a coberta até a cabeça e faz uma espécie de “cabana”, com o seu indicador ela me chama. Ao me aproximar, divide sua “cabana” comigo, me sorri e então junta os lábios aos meus.

— Não é possível! – Ouço Zelena reclamar, antes de sermos acertadas por um travesseiro.

— Eu vou matá-la. – Resmungo com a Srta. Swan, dou um beijo estalado em seus lábios e me ponho de pé. – É melhor você correr. – Aponto para Zelena que agora ri.

— Ou você vai fazer o quê? Querida irmã mais velha, caso passe pela sua cabeça a possibilidade de me bater, não esqueça que posso comentar com Elizabeth, tudo o que vi. – Me ameaça.

— Você não seria capaz. – Resmungo sem ter muita certeza.

— Você quer pagar para ver? – Está parada em minha frente, a centímetros de mim. Nos encaramos como duas dessas lutadoras de MMA, ou coisas do gênero.

— Não, ela não quer. – É Emma quem responde. – E eu também não. Está tudo bem desse jeito, só vamos esquecer o que aconteceu e pronto. – Tem um sorriso nervoso. – Vocês são adultas, civilizadas, bilionárias, bem-educadas, cheias de regras de etiquetas. Então só esqueçam, se abracem e se desejem feliz ano novo. – Nos incentiva.

— Feliz ano novo, Regina! – Como ela aceita a ideia de Emma, resolvo ceder também.

— Feliz ano novo, Zelena! – Não, não nos abraçamos.

— Vamos deixar o abraço para depois. – Ela sugere e estende a mão para que eu vá na sua frente.

Caminho em silêncio pelo corredor, ainda estou incomodada com o que Zelena viu. Quero dizer, não é todo o dia que você faz sexo assistido. Na verdade, não é todo dia que eu faço sexo. São raras as vezes, e sexo com qualidade, com desejo, com vontade, não lembro a última vez que tinha feito. Então quando acontece, Zelena resolve assistir uma parte. Ainda me pergunto porque diabos ela ficou lá vendo? Se não conseguia se mexer, podia pelo menos ter aberto a boca para dizer “parem, estou aqui”, mas não, nem isso a inútil conseguiu fazer.

Eu também não imaginava que pudesse ser assim tão tarde, pensei que no máximo, passava um pouco do meio dia. Fazia algum tempo que não dormia tanto e tão bem, mas também, a Srta. Swan gastou até as energias que eu não tinha, na noite passada. E bom, não tinha como lhe dizer não, meu corpo reage ao dela como se de repente, tivesse sido feito apenas para fazer isso. E secretamente eu tinha a esperança de que, se não dormisse, talvez pudesse tornar eternos aqueles momentos, aquela noite, aquela felicidade.

— Você não precisa tirar todo o atraso em um único dia. – Faço não ouvir o comentário desagradável de Zelena. – Você está feliz? – Sei que está perguntando só para me ouvir falar. Zelena me conhece o suficiente para saber que estou feliz.

— Sim. – Admito.

— Por Deus, Regina! Tenho medo de nunca conseguir tirar essas imagens da minha cabeça. – Reclama comigo. – Você é minha irmã e estava lá toda... toda... toda, com outra mulher. – Rolo os olhos pelo o que acabo de ouvir.

— Me poupe do seu preconceito, Zelena! – Peço sem paciência.

— Não é preconceito, ou talvez seja, mas não é porque eu quero. – Tenta se justificar. – Só é novo para mim. Quer dizer... saber que você está se envolvendo com uma mulher... – Essa parte ela sussurra. – É diferente de ver você transando com a mesma. – Explica. – E vocês estavam um tanto... – Parece procurar a palavra. – Nervosas? Quer dizer, você deu na cara dela. Ela te chamou de vadia suja e vulgar. Apertou seu pescoço. – Fala tudo em um tom incrédulo. – Eu achei que ela fosse te enforcar. Não doeu? – Como me recuso a responder, ela resolve continuar o monólogo. – Deixa para lá. O fato é que, com certeza se você estivesse com um homem e usasse aquelas palavras, agisse daquele jeito, eu também ficaria assim. – Balanço a cabeça negativamente.

— Você queria saber como era, não queria? Ontem mesmo você me perguntou a respeito. – A lembro. – Agora você sabe. Então supere, vire a página, esqueça. Eu quem deveria estar traumatizada por ter sido assistida, não você. – Resmungo enquanto descemos as escadas.

— Ela pegou você de jeito. – Resolve compartilhar sua conclusão comigo. – Cuidado irmã, se ela domar você no cotidiano, como aparentemente domou você na cama, até um leão sem dentes vai meter mais medo do que você. – Me provoca.

Antes que possa rebater sua provocação, nós chegamos ao pé das escadas, onde Elizabeth nos espera, então o assunto morre.

— ¡Aquí está ella, sana y salva! Sólo durmió más que la cama. – Zelena resolve se recuperar do “trauma”, e fazer de conta que me encontrou bem plena dormindo. Elizabeth me olha com desconfiança, seus olhos me dizem que infelizmente, ela sabe de alguma coisa.

— ¡Lo siento preocuparte, abuela! Yo realmente dormí más que la cama. – Me desculpo. Pelo canto dos olhos, vejo minha querida irmã, tentando não ri.

— Yo me disculpo por haber pedido a su hermana para despertarte. – Ela toca minha mão em um gesto de carinho.

— No hay problema. – Lhe sorrio, enquanto lhe encaro e continuo sendo analisada.

— Usted nunca durmió por tanto tiempo. ¿Está enferma? – Está obviamente tentando achar um motivo para eu ter ficado na cama até tão tarde. Talvez até saiba o real motivo, o que não significa que deseja aceita-lo.

— No, yo no estoy. En realidad, me siento muy bien. – Garanto.

— ¿Y el vampiro? – Junto as sobrancelhas e lhe lanço um olhar de interrogação.

— Vampiro? – Afirma.

— Lo que marcó su cuello. – Aponta para o meu pescoço. — ¿Encontró en la calle, o él durmió con usted? – Muito sem graça, e sentindo o rosto queimar, levo a mão ao pescoço, como se tal ato pudesse fazer ela esquecer o que viu. Zelena gargalha escandalosamente, já eu, de novo tenho vontade de esconder a cabeça em algum lugar.

— Abuela, por favor, no vamos a hablar de eso. – Peço encarecidamente. Ela balança a cabeça negativamente, enquanto resmunga algo sobre Robin, o que de novo faz Zelena gargalhar. Decido que preciso mudar de assunto com urgência. — Viene aquí, déjame desear feliz año nuevo. – Seus olhos ficam parados nos meus por mais alguns segundos. Quando vê que não vai arrancar nenhuma informação, se dá por vencida e me abraça. — Feliz año nuevo, Elizabeth! Mucha salud, mucha paz, mucha prosperidad.

— Feliz año nuevo, mi niña! Te deseo lo mismo y añado juicio. – Ela se desfaz do abraço e segura meu rosto entre suas mãos. — Muy juicios. Deseja, os olhos parados nos meus.

— ¿Felicidad no? – Questiono. Nossos olhos se conversam por alguns segundos. Então ela me sorri e assente.

— Mucha, mucha, mucha felicidad. Toda felicidad. – Retribuo o seu sorriso.

— Estoy tan feliz, abuela. Es tanta felicidad que casi no cabe en mí. – Lhe conto, sem abandonar o sorriso do rosto. De um jeito torto e não muito convencional, acho que conseguimos conversar sobre o assunto do “vampiro”.

— Entonces estoy feliz también. – É o que me fala, antes de puxar meu rosto e beijar minha testa. — Ahora vamos a tomar café, usted debe tener hambre. – Afirmo muitas vezes com a cabeça.

— Mucha hambre.

— Zelena me habló que tenemos una convivencia, ¿es eso? – Zelena, graças ao bom Deus, ela até que está se comportando, mostrando que apesar de ser Zelena, eu realmente posso confiar nela.

— Si, tenemos. Creo que ella también tiene mucha hambre. – O estômago de Emma já estava roncando na madrugada, imagino que agora esteja quase criando vida própria para procurar por comida.

— ¿Dónde está ella? – Não é uma pergunta inocente, sei que não. Por isso devo evitar de dizer onde ela realmente está e dar uma informação vaga.

— Está hablando al teléfono, pero ya va a bajar. – Ah sim, pelo jeito como me olha, não tenho mais dúvidas de que Elizabeth ouviu ou viu alguma coisa.

— Vamos a la cocina entonces, preparar el café de las madames. – Balança a cabeça negativamente, me dá as costas e vai. Tento acompanha-la, mas sou impedida pela mão de Zelena, que segura meu braço. Lhe lanço um olhar de interrogação, o que a faz sorrir e suspirar.

— Eu amo você, sabia disso? – Sua declaração inesperada, me pega de surpresa. – Eu fico feliz de ver você assim, feliz. – Acabo sorrindo também.

— Eu sei. Obrigada por me amar, não só a minha versão feliz. Mas também por amar a minha pior versão, a versão que você teve que conviver nesses últimos anos. – De novo ela me pega de surpresa ao me abraçar.

— Para isso que serve a família. – Me responde. – Mesmo tendo a mãe doida que temos, sou feliz por ter você como irmã. Sei que mesmo do seu jeito torto, mesmo quando você parou de cuidar, de se importar com você mesma, você continuou cuidando e se importando comigo. – Sua voz fica falha, o que me faz crer que está lutando contra as lágrimas.

— Para isso serve a irmã mais velha. – Me desfaço do abraço e beijo seu rosto. Seco a lágrima solitária que dali escorre. – Conte sempre comigo, irmã, sempre! – Esse é meu jeito de dizer que também a amo. – Agora chega dessas sentimentalidades, vamos ver o que teremos para o café. – Ela me rola os olhos.

— Pronto, voltou a ser a velha Regina. – Resmunga. Lhe sorrio e passo o braço em volta do seu pescoço enquanto caminhamos rumo a cozinha. – Sempre que estiver com Emma, é melhor você escovar os dentes antes de me beijar. – Sua provocação barata me deixa sem graça. – Também agradeceria se você lavasse as mãos antes de coloca-las em mim. – Continua. – Você está exalando vagina, Regina. – Não, ela não se dá por satisfeita. – Até rimou. Vagina, Regina. – Ri alto. Tento me afastar dessa criatura sem noção, sem classe, sem papas na língua, mas ela não permite. – Só estou brincando. – Fala enquanto ri. – Mas sério, as dicas são verdadeiras. Você realmente está cheirando a... – Não deixo que conclua a frase.

— Eu sei, Zelena... – Falo entredentes, ao alcançarmos a cozinha. – Foi você mesma que não me deixou tomar banho, lembra? – Resmungo. – Agora cale a boca. – Elizabeth volta-se para nós no mesmo segundo em que termino de pedir a minha querida irmã para que se cale. Como se combinado, damos um sorriso falso a ela, o que a faz arquear as sobrancelhas e nos analisar.

— ¿Qué están haciendo? – Nos questiona.

— Nada! – Respondemos juntas. O café completo e especial de Elizabeth, já está servido na bancada.

— Yo conozco esas caras. ¿Qué está pasando? – Ela insiste. Enquanto penso em uma resposta sento-me em uma das baquetas e me sirvo de suco.

— Nada. Zelena habló unas palabras feas y pornográficas. Nada que merezca ser compartido. – Uso meu tom mais convincente. Não, a Regina brava, impaciente, de mal com tudo e com todos, não existe com Elizabeth. Ela para nós foi e continua sendo quase como uma mãe, ou avó, como nos ensinou a chama-la desde que me conheço por gente. Então é bem difícil, muito, muito raro, eu perder a paciência com ela. E é por isso também que secretamente eu torço para que ela goste da Srta. Swan. Gostaria de ter sua aprovação, ou algo parecido com isso.

— ¡Boca sucia! – Repreende a minha irmã, que no momento ocupa a boca mastigando uma torrada. — Que su madre nunca oiga ese tipo de cosas. Todavía recuerdo el día en que ella lavó su boca con jabón. – Tal recordação me faz rir. Cora é o diabo, todos sabem disso, mas o dia em que lavou a boca de Zelena com sabão, foi engraçado.

— Estou rindo, mas é com respeito. – Me defendo enquanto ela me olha com incredulidade, tal coisa me faz rir ainda mais. Aponto para Elizabeth que também ri. — Mira, la abuela también está riendo. – Zelena balança a cabeça negativamente, enquanto tenta não rir também.

— Não tem graça. Vocês nem me defenderam. – Faz uma falsa reclamação ao cruzar os braços.

— Você mandou ela tomar no cu, Zelena. – Não sei o que deu na minha irmã naquele dia, mas foi algo tão inesperado, que até Cora demorou um pouco para processar que aquilo tinha mesmo acontecido.

— Mejor una boca lavada que tres. – Dessa vez nem Zelena consegue não rir do comentário que Elizabeth faz.

— Cuatro. Papá también tuvo miedo. – Recordo enquanto continuo rindo.

— ¿Qué te dio en ti, niña? ¿Perdió el juicio? – Zelena recita as palavras de nosso pai.

— ¿Hola. Qué tal? – Elizabeth se recompõe, seus olhos param em algum ponto atrás de mim. Não preciso olhar para saber de quem se trata, mas mesmo assim, o faço. Veste uma das minhas camisas. Social, de seda, azul marinho. Os punhos estão dobrados e desabotoados, os três primeiros botões se encontram igualmente desabotoados. Como não sou adepta a jeans, sei que a calça escura que usa, é dela. Seus pés estão descalços. Seus cabelos estão amarrados em um alto e totalmente bagunçado, rabo de cavalo. Sei que já mencionei isso, mas falarei de novo, a Srta. Swan é a bagunça mais linda que um dia meus olhos já viram.

Bom, acho que o cotovelo de Zelena acertando minhas costelas, está me alertando que não estamos sozinhas. Emma desvia os olhos dos meus e um tanto sem graça encara e sorri para Elizabeth.

— ¡Hola! Estoy bien, y la señora? – Para minha surpresa, ela responde em espanhol enquanto vai até minha governanta.

— Estoy bien también, pero no me llame de señora. – Seu pedido deixa a Srta. Swan, ainda mais sem graça.

— Okay, sem senhora. – Abandona o espanhol e volta para língua nativa. Estende a mão para Elizabeth, que dispensa a formalidade e a abraça. – Feliz ano novo! – Deseja a Elizabeth.

— ¡Feliz año, niña! – Ao liberar Emma do abraço, ela lhe encara. — Te conozco. – Meu coração acelera ao ouvir tal coisa.

— Conhece? – Questiona de sobrancelha arqueada.

Sí. ¿Hablas español? — Minha Pseud. amiga faz sinal de mais ou menos com a mão.

— Un poquito, pero yo entiendo bien. – Não tem graça nenhuma, mas mesmo assim, sua resposta me faz sorrir.

¿Voy a continuar en español entonces, todo bien? Usted continúa en inglés.

— Okay! – É a resposta de Emma.

— Yo te vi en internet. Fotos de la fiesta en Las Vegas. – Explica de onde conhece a Srta. Swan. — Tu eres muy bonita. Tinker no es tonta. ¿Ella está aquí? – Ao ouvir tal coisa, o sentimento de culpa toma conta de mim, e faz meu estômago embrulhar. A pergunta também pega Emma de surpresa, e a deixa sem resposta.

Abuela? – Zelena resolve intervir e nos ajudar. — Tinker y Emma no son más novias. – Conta a novidade.

No?- Questiona com a minha irmã, mas olha para mim.

No. – Zelena volta a responder.

— ¿Y porque no? – Agora a pergunta é feita a Srta. Swan.

— Porque eu não consegui gostar dela do mesmo jeito que ela estava gostando de mim. – Responde. – E eu senti que nunca conseguiria gostar dela do mesmo jeito. Não achei que seria justo com ela, e também não seria justo comigo, então resolvemos terminar. – Mesmo excluindo a parte do contrato, por motivos óbvios, ela não deixou de falar a verdade. Porém infelizmente algo me diz que se a Srta. Swan não tivesse se apaixonado por mim, a história entre as duas seria no mínimo diferente.

— ¿Tu corazón pertenece a otra? – Emma assente com a cabeça.

— Sim, meu coração pertence a outra. – Confirma.

— Entiendo. – Responde olhando de novo para mim. “De novo?” é o que seus olhos me perguntam. — Bueno, el café está servido. ¡Buen provecho! – Toca o braço de Emma, e sem dizer mais nada, resolve se retirar da cozinha.

— Abuela! – Eu a chamo quando ela passa por mim, mas sou ignorada. – Abuela! – Chamo de novo. De novo sou ignorada. – Elizabeth! – Minha voz sai alta, autoritária, mas ela não volta, o que me irrita e enche de raiva. – MAS QUE DROGA! – Esbravejo e então atiro minha xícara contra a parede, descontando nela a minha raiva. Emma, assim como Zelena, se encolhe. Me olha um tanto assustada, um tanto incrédula.

— Qual o seu problema? – Me questiona.

— Você! – Aponto para ela. – Você é o meu problema. – Vocifero.

— Ótimo! – Decepção e incredulidade, esse é o tom de voz que usa. Balança a cabeça reprovando minha atitude, tira os olhos de mim e senta-se ao lado da minha irmã.

— O que diabos deu em você? – Zelena empurra meu ombro. É nítido em sua voz sua irritação comigo. – Você não pode atirar coisas sempre que se irritar. Muito menos pode tratar as pessoas que gostam de você do jeito que acabou de tratar Swan, Emma Swan, só porque está nervosinha. – Volta a empurrar meus ombros. – Você achava o quê? Que abuela passaria a mão na sua cabeça, e acharia lindo, maravilhoso você pegar a namorada de Tinker?

— Não era real. – Esbravejo.

— Eu sei que não era real. Emma sabe que não era real. Você sabe que não era real. E Tinker, mesmo sabendo que não era real, se enganava que era, porque existem sentimentos. – Esbraveja. – Você não vai poder ter essa reação de menina mimada sempre que alguém olhar torto para vocês por causa dessa história. E você sabe tanto quanto eu que muitas pessoas vão fazer isso. Você fez uma escolha, Regina. Agora seja mulher e arque com as consequências dessa escolha. – Ela junta seus talheres e se põe de pé. – Perdi o apetite. Espero por vocês duas no seu escritório. – Avisa. – Não demorem. Temos negócios a tratar. – Dito tal coisa, ela se retira.

Um silêncio chato e perturbador, nos acompanha no desjejum. Como só para empurrar algo para dentro do estômago, mas a verdade é que perdi completamente a fome. Já a fome da Srta. Swan, parece que não foi abalada. Ela come torradas, ovos mexidos, bacon, panquecas, waffles e volta a repetir todo o processo. Quando se dá por satisfeita, toma um copo de suco de laranja, e por fim, uma xícara de café. Acho graça quando ao fim de tudo ela suspira, aparentemente satisfeita.

— Então, onde fica seu escritório? – Questiona comigo. O tom de voz que usa e o jeito nada simpático como me olha, me fazem constatar que ela continua magoada. – Esquece, eu posso encontrar sozinha. – Resmunga ao se pôr de pé, preparando-se para deixar o lugar. Ao passar por mim, lhe seguro pelo braço. Ela para, mas não se volta para mim.

— Eu sinto muito. – Deixo meu orgulho de lado e murmuro as palavras. – Olhe para mim. – Peço e sou atendida. — Sinto muito por ter atirado a xícara contra a parede. Por ter gritado com você e por ter dito que a culpa é sua. Eu realmente sinto muito e peço perdão. – Suspira e assente. – Eu não acho realmente que a culpa seja sua. – Falo. – Eu sabia exatamente onde estava me metendo e deixei acontecer. Me irrita porque é algo que já aconteceu uma vez, e eu jurei que nunca aconteceria novamente. – Explico. – Tinker e eu fizemos um trato sobre isso. E agora eu estou aqui, quebrando o coração dela mais uma vez. – Me lamento.

— Não é culpa sua também. – Opina. – Não é a mesma história. Não está acontecendo de novo. – Aproxima-se de mim, se colocando entre minhas pernas. — O maior motivo de eu ter aceitado esse contrato com Tinker, foi você. – Conta. – Foi o único jeito que eu encontrei de me aproximar. Se não fosse por você, Regina, não importa o quão bom fosse o contrato, quantos benefícios eles viessem a me trazer, eu não aceitaria. – Continua. – Tinker sabe que eu não gosto dela, sempre deixei isso bem claro, sempre. Nunca lhe dei nenhum tipo de esperança. – Apenas aceno com a cabeça. — Então pare de se culpar por isso. Porque não, eu não teria ficado com ela mesmo que você não existisse nessa história. Olha, eu não sei o que aconteceu entre você, ela e Daniel, mas pelo pouco que sei, concluo que você não foi a única errada nessa história. – Suspira e toca meu rosto. – De qualquer forma, eu não sou ele. Para mim, Tinker nunca foi uma opção, okay? – É minha vez de suspirar.

— Okay. – Solto com o ar. – Eu preciso criar coragem, olha-la nos olhos e falar para ela que mais uma vez, estou com a pessoa que ela gosta. – Minha frase sai em um lamento. – Por que diabos tudo tem que ser sempre complicado? – Lhe questiono e ela me sorri.

— Não é complicado. – Fala. – Eu prestei um serviço a sua amiga. Tenho um contrato que comprova isso. Você está assim, porque fica pensando sobre o que aconteceu lá no passado, mas se pensar um pouco, vai ver que tenho razão. – Tenta me consolar. – Tinker também, a princípio talvez ela fique chateada, mas quando parar para pensar a respeito, vai concluir o mesmo. – Mesmo não achando isso, balanço a cabeça concordando. – Eu posso falar com ela, se você quiser. – Nego.

— Não. Eu já fui covarde uma vez. Pelo menos esse erro, não vou voltar a repetir. Eu quem tenho e que vou falar com ela. – Estou convicta sobre isso.

— Para falar com ela você terá que ir até Las Vegas, então não vou insistir. Quero que você vá até lá. – Acabo esboçando um sorriso. – Se precisar de ajuda enquanto fala, é só me chamar. Caso não precise, nos encontramos mais tarde lá em casa. – Dá de ombros, fingido desinteresse.

— Não posso negar que essa ideia me agrada. – Ela faz menção em me beijar, mas aparentemente ao lembrar que já não estamos mais no quarto e que Elizabeth pode de repente aparecer, resolve recuar.

— Se agrada a você, imagina o que faz comigo. – Pisca para mim e se afasta. – Então, onde fica o seu escritório, Srta. Mills? – Desço da banqueta, pego um muffin, e com a mão, faço sinal para que ela me siga. Em um primeiro momento, me acompanha em silêncio, mas volta ao normal quando alcançamos a sala.

— Sem exageros, cabe um aparto de classe média inteiro dentro da sua sala. – Conclui e bom, não tenho muito o que falar a respeito, realmente acredito que caiba.

— Para que tantos sofás, se você só tem uma bunda e segundo você mesma, não recebe visitas? – Me questiona.

— Para ocupar os espaços vazios, Srta. Swan. – Lhe respondo o óbvio.

— O mesmo vale para o tamanho dessa mesa de jantar? – Aponta para a mesma.

— O mesmo vale para ela. – Afirmo.

— Parece aquelas mesas de filmes de gente rica, onde a pessoa senta-se sozinha na ponta, enquanto ouve músicas clássicas, pendura um guardanapo de pano na gola da camisa, bebe vinho, e usa os vários talheres, cada um para uma coisa, enquanto toma apenas uma sopa. – Ela me faz rir. – Por que estou falando que parece? – Aparentemente fala consigo. – Realmente é o que acontece, não é? – Seus olhos parecem curiosos.

— Bom, geralmente eu faço minhas refeições na bancada da cozinha enquanto converso com Elizabeth. Mas sim, já aconteceu tal coisa, mas sem as músicas clássicas, o guardanapo, e os vários talheres para tomar uma sopa. – Conto. – Vários talheres são para quando acontece uma refeição completa. Por exemplo, é servido salada, entrada, prato principal, sobremesa. Nesse caso, cada talher é designado para certo tipo de coisa. – Lhe explico.

— Ainda bem que quando você foi lá em casa, só foi lhe servido o prato principal. – Me faz rir. – É sério, eu não tenho talheres para esse tipo de evento não. Nem sei o que vai com que. – O jeito um tanto quanto assustado como fala, me faz rir ainda mais.

— Você é absurda, Srta. Swan. – Ela nega.

— Realista, Regina Mills, eu sou realista. – Me corrige.

— Como se de repente, eu me importasse muito a respeito de talheres. Quando me sento a mesa, só acho inadmissíveis duas coisas: primeira, falar enquanto está mastigando. Segunda: mastigar de boca aberta. – Balança a cabeça, aparentemente concordando.

— Regras básicas de educação, essas eu tenho. – Pisca para mim e me faz sorrir.

O assunto chega ao fim quando paramos em frente a porta do escritório. Abro a mesma e estendo a mão para que ela entre. Assovia, provavelmente pela quantidade de livros que vê pela prateleira que ocupa o lugar de toda a parede, mas perde pouco tempo ali, o piano que vê no centro do lugar, é ele quem ganha sua verdadeira atenção. Atraída pelo instrumento, ela caminha ao se encontro, senta-se sobre a banqueta e o encara.

— Você toca? – Questiona comigo sem tirar os olhos dele.

— Não. – Respondo. – Não nasci de forma alguma para música. – Admito. Até fiz algumas aulas, mas nunca consegui me interessar de verdade, para me dedicar e aprender. – Era do meu pai, como Cora falou que se livraria dele, eu o peguei para mim. – Explico.

— É lindo. – Fala admirada.

— Você toca? – Zelena que anteriormente havia invadido meu escritório e que tomou conta da minha poltrona, é quem lhe faz tal pergunta.

— Costumava tocar. – É vaga.

— Costumava? – Indago. Ela passa o dedo pelas teclas, arrancando som das mesmas.

— Sim. Na igreja que meus pais frequentavam. – Explica. – O pastor queria investir em um coral de crianças. Por alguns anos me pagou por aulas. – Continua. – Eu costumava praticar na igreja. – Conclui. – Desde que saí de casa, nunca mais cheguei perto de um. – Seus olhos continuam no instrumento. Parece saudosa, ou coisa do gênero.

— O que está esperando? – Zelena questiona. – Desde que papai morreu, não ouço sair som desse instrumento. Toque para nós. – Pede.

— Eu não sei se ainda sei. – Se esquiva.

— Então tente. – A incentivo. Finalmente tira os olhos do piano e me encara. – Acho que essa é uma parte boa de um relacionamento que não acabou bem. – Me refiro aos seus pais.

— Okay. – Responde. Coça a garganta e volta a repetir o Okay. Dobra as mangas da camisa até a altura dos cotovelos, estala os dedos das mãos, mexe o pescoço de um lado para o outro, e em uma postura perfeita de pianista, ela senta-se corretamente ao piano. — Preparadas? – Nos questiona.

— Siiiiiim!!! – Zelena responde com empolgação enquanto bate palmas.

Segundos depois, o piano que foi do meu pai é trazido de volta à vida. Ela faz algumas notas, erra, recomeça, erra, recomeça de novo, e então a melodia por mim desconhecida flui.

Não sei se é por lembrar-me de papai, ou se é por essa menina/mulher que sempre arruma um jeito de me surpreender, ou por estar com ela aqui, na minha casa, interagindo com a minha irmã, que é o que sobrou da mim família, ou talvez por todas essas opções e algumas outras, enfim o fato é que meu coração está batendo acelerado, e meus lábios sorriem enquanto a assistem.

— Eu preciso de ti senhor, eu preciso de ti oh paai... – Junto as sobrancelhas sem fazer ideia do que está cantando. — Sou pequeno demais, me dá tua paz, largo tudo pra te seguir... – Zelena e eu trocamos um olhar de não quem não está entendendo que música é essa. Do de ombros para ela, que dá de ombros para mim e me pergunta algo como: o que ser isso? – Vamos lá, todo mundoo.. – A Srta. Swan levanta um braço e o balança de um lado para o outro. – Entra na minha casaa, entra na minha vida, mexe com minha estrutura, sara todas as feridas. Me ensina a ter santidade, quero amar somente a ti... – Canta rindo, aparentemente se divertindo com as caretas e cara de desentendimento da minha irmã. – Porque o Senhor é meu bem maior, faz um milagre em mim. -Para com a melodia, e volta-se para trás, mais precisamente para o lugar onde estou. Ao olhar para mim, ela ri ainda mais. – A cara de vocês está impagável. – É o que fala apontando de mim para Zelena.

— Isso é música de igreja? – Sim, pelos trechos que cantou, acredito que seja música de igreja, ou algo do gênero.

— Isso é música de igreja. – Confirma enquanto ainda ri de nós. – Ao que me parece, as irmãs Mills nunca frequentaram uma. – Conclui.

— Pouquíssimas vezes. – Respondo por mim.

— Eu falo com Deus, mas não costumo frequentar igrejas. – É a resposta de Zelena.

— Entendo. – Acho que ela também é adepta a isso. – Músicas de igreja são as únicas que sei tocar sem ler partitura. As toquei tantas vezes, que decorei. – Explica. – Sei que não frequentam igrejas, mas vocês devem imaginar que nenhum pastor permite outro gênero de música em uma celebração, que não seja gospel. – Minha irmã e eu assentimos com a cabeça. – Aqui... – Pega o livro de partituras que estava sobre o piano. – Deixa ver o que encontro aqui. – Resmunga com o livro enquanto o folheia.

— Você acredita em Deus? – A pergunta é feita por Zelena.

— Sim, eu acredito e confio em Deus. – É o que responde.

— Interessante... – Pensa em voz alta.

— Por que você diz isso? – Emma quer saber.

— Tenho uns amigos gays que não acreditam na existência de Deus. – A Srta. Swan para o que está fazendo e olha para minha irmã.

— Porque alguém os convenceu que amar uma pessoa do mesmo sexo, é errado, é pecado, contra as leis de Deus e muitas bobagens do tipo. – Volta a prestar atenção no livro de partituras.

— E o que você acha? – Zelena a está entrevistando.

— O que eu acho? – Ela suspira. – Eu acho que Deus é amor... – Começa. – Sendo Deus amor, como Ele pode não gostar de mim, ou dos seus amigos gays, só porque gostamos de pessoas do mesmo sexo? – Sorri. – Deus não é esse ser impiedoso que castiga, como muitos padres e pastores falam por aí. – Troca um breve olhar com Zelena. – Por muito tempo eu tentei não ser quem eu sou, sabe? Para agradar meus pais, Deus e tudo mais... – Balança a cabeça negativamente. — Quando eu saí do hospital com a minha filha nos braços, eu não tinha mais pais, não tinha mais casa, não tinha mais nada. – Faz uma pausa para organizar as ideias. – Tudo que eu tinha era uma criança recém-nascida e Deus. Aí você vai me dizer: seus pais te expulsaram de casa, não quiseram saber da sua filha. O pai da criança negou-lhe ajuda. Você ficou sem ter onde morar, como pode dizer que Deus estava com você? – Volta olhar para Zelena. – Não é isso? – Minha irmã faz sinal positivo com a cabeça. – Três dias, por três dias Janis e eu moramos em um abrigo. Nesses três dias o que eu mais fiz além de chorar, foi conversar com Deus. Eu pedi a ele para me ajudar. Falei para ele o quão errada me senti quando estava com um homem. Contei o quão feliz fiquei ao ver o rosto da minha filha. – Faz uma pausa. – Falei a ele que eu não podia mais fazer isso, não podia mais ser quem eu não era, e pedi perdão caso eu o chateasse por gostar de alguém do mesmo sexo. Contei a Ele sobre todos os meus medos, os meus receios. Pedi para que me ajudasse, para que eu não precisasse entregar minha filha a adoção. Eu não queria ter que fazer isso. – Ela sorri, e olha para mim. – Então eu conheci Killian. Aquele viado louco, extravagante. – Sorrio junto com ela. – Na verdade eu já conhecia, mas nunca tínhamos trocado mais que três palavras. E é nessa parte que os pelos dos meus braços arrepiam. – Aponta para o braço. – Killian nunca foi de fazer caridade, ele nunca tinha ido a um abrigo até então, mas disse que sonhou a noite toda com abrigos. E durante o dia tal coisa ficou em sua cabeça, como se estivesse o mandando ir até lá... – Faz uma nova pausa. – “Assim que vi você com essa coisinha nos braços, eu descobri o que vim fazer aqui”. Foi o que ele me disse. – Imitando os pelos dos braços da Srta. Swan, os dos meus braços também se eriçam. – Então sim, Srta. Mills... – Volta a olhar para a minha irmã. – Eu acredito em Deus. Acredito no amor d’Ele. Ele me ama, assim como ama Killian. Assim como ama os seus amigos gays. Assim como Ele ama você, Zelena. – Seus olhos procuram por mim. – E assim como ama você. – Balanço a cabeça em concordância.

— É uma história e tanto. – Minha voz sai um pouco falha. Emma tem uma história e tanto, uma história forte. Para os poucos anos que tem, ela viveu muitas coisas, coisas ruins, pesadas, difíceis. Às vezes olho para ela e fico a admirando, admirando por ser a mulher forte que é. Admirando por ter de certo modo, dado a volta por cima, sem ceder as chantagens de ninguém. Admirando por ela ser quem ela é, sem nenhum tipo de medo.

— É sim. – Concorda. – Você também tem medo d’Ele, não tem? – Questiona comigo.

— Não sei se tenho medo, ou descrença. Talvez um pouco dos dois. – Admito.

— Ele conhece cada pedacinho quebrado desse coração aí. – Aponta para mim. – Ele conhece você, Regina Mills, conhece mais do que você mesma. – Me garante. – Se é perdão o que você quer, então perdoe-se, porque Deus já fez isso há muito tempo. – Tais palavras mexem comigo, fazem meu coração apertar, assim como minha garganta. – Você me falou sobre Salomão mais cedo. Agora vou lhe falar sobre Moisés... – Fala. — Quando ele encontrou a imensidão que era o Mar Vermelho, ele se viu perdido, sem saber o que fazer, para onde ir. Então ele pediu ajuda a Deus. “Diga ao povo que caminhe”, foi a resposta que Deus deu a ele. – Me sorri. – Deus abriu o mar vermelho para que eles atravessassem, mas de nada teria adiantado fazer tal coisa, caso Moisés e seus seguidores continuassem estagnados, com medo de andar, de fazer a travessia. – Conclui a história. – Deus está com você, Regina... – Aponta para minha irmã. – E com você. Vocês só precisam caminhar. Ele não pode fazer isso por vocês.

— Muito bonitas suas palavras. – Zelena está fungando. Ao olhar para ela, a vejo secando umas lágrimas que deixou escapar. – E muito verdadeiras, cheias de sentido. Vou tentar não esquece-las. Lhe agradeço por isso. – Emma sorri e lhe pisca.

— Não por isso.

— Aleluia, irmã! – Pronto, tudo voltou ao normal. Zelena voltou a ser Zelena e a Srta. Swan, que responde com um “ALELUIA” seguido de “LOUVADO SEJA DEUS, ALELUIA” enquanto ergue as mãos aos céus, também voltou a ser a Srta. Swan. Só eu que ainda me encontro um pouco impactada por tudo que ouvi.

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— Aqui, achei uma música. – Fala enquanto ajeita o livro de partituras em seu devido lugar. – Sente-se ao meu lado, Regina Mills, quero dedicar a música a você. – Bate com a mão no espaço livre da banqueta.

— O amor está no ar. – Zelena cantarola.

— Cale a boca! – Resmungo enquanto atendo o pedido da Srta. Swan. – Eu gosto dessa música. – Conto ao ler na partitura o nome da mesma.

— Eu também. – Compartilha. – Elton John é rei, mas eu prefiro ela na versão da Lady Gaga. – Já eu, nem sabia que a Lady Gaga tinha uma versão dessa música. – De qualquer forma, nem Elton John, nem Lady Gaga, vocês vão ouvir uma versão muito melhor, que é a de Emma Swan. – Sua modéstia, ou falta dela, me faz fazer cara de novo e faz Zelena fazer vomitar.

— Meu Deus, como você fala besteiras. – Implico com ela ao empurrar seus ombros. Ela ri, aproxima o rosto do meu e o beija.

— Apesar de ter dinheiro para contratar Elton John e Lady Gaga para cantarem para vocês, nesse exato momento eu sou a única alternativa disponível. Então não aceito nada além de vocês concordarem que a minha é a melhor versão. – Exige.

— Eu tenho muito orgulho de você, da pessoa que você é, Emma Swan. – E isso nada tem a ver com músicas. Seus olhos me sorriem, assim como seus lábios.

— Eu amo você, sabia? – Se declara. – E Deus vai me ajudar, que um dia você vai me amar de volta. – Me faz sorrir.

— Acredito que Deus saiba que estou caminhando nessa direção. – Confidencio. – Como acredito que ele também saiba que é meio que um caminho sem volta. – Ao ouvir tal coisa, o sorriso em seu rosto torna-se largo, seus olhos brilham. Sua mão toca meu rosto, o acaricia e antes que possa me beijar, Zelena resolve impedir.

— Acredito que eu já tenha visto bastante coisas por hoje. – Fala depois de coçar a garganta. – Não quero correr o risco de vocês esquecerem que estou aqui. Sei muito bem que se esquecerem desse detalhe, o piano do papai pode se tornar um cenário erótico. – Seu comentário me faz rolar os olhos e faz a Srta. Swan rir e se afastar.

— Eu poderia negar e dizer que isso não aconteceria... – Emma se desfaz do rabo de cavalo, põe o elástico que o prendia no braço e com os dedos, “penteia” os cabelos revoltos. – Porém, acho que isso poderia mesmo acontecer. – Concorda com a minha irmã.

— Você acha? – Ri. – Meu bem, depois do que eu vi mais cedo, eu não tenho nenhuma dúvida sobre. – Conclui.

— Anda logo, essa música sai ou não sai? – Resolvo mudar de assunto, já que minha vida sexual não é de forma alguma, pauta para nenhuma conversa. Tanto a Srta. Swan, quanto minha irmã, riem ao perceber o que eu fiz, porém não faz mais nenhum comentário a respeito.

— Vai sair. Ouça com atenção, Srta. Mills, porque Emma John GaGa vai cantar para você. – Avisa ao voltar para a postura perfeita de pianista. Fica compenetrada nas notas, faz um pequeno ensaio, ou algo do gênero e então começa para valer.

Lady Gaga — Your Song

Meu coração idiota e provavelmente apaixonado, acelera só pelo motivo de ela ter dito que cantaria para mim.

— It's a little bit funny, this feeling inside. I'm not one of those who can, easily hide. – Olha para mim enquanto canta tentando imitar a voz forte e marcante de Lady GaGa. Claro que ela não consegue, primeiro por não ser cantora. Segundo por não ser a Lady GaGa. Porém, em momento algum ela desafina, ou se sente envergonhada, ou intimidada. Acho fascinante seu jeito extrovertido, destemido. O jeito como encara a vida, as coisas ao seu redor.
I don't have much money, but... – Antes de voltar a prestar atenção na partitura, ela pisca para mim. – girl, if I did, I'd buy a big house where, we both could live... – Tendo uma atitude bastante atípica para Regina Mills que sou, interrompo sua performance ao envolve-la em um abraço.

— Reginaa!!! – Zelena reclama.

— Não a culpe, essa é a reação que eu causo nas mulheres. – Responde enquanto ri e retribui meu abraço.

— Espero que a única a se jogar para cima de você, venha a ser somente eu. – Não é um pedido, é uma ordem. Tal coisa faz com que ela ria mais.

— Enquanto você quiser que seja, Srta. Mills, vai com certeza ser. – Me dá sua palavra, enquanto seu indicador cutuca meu nariz. – Agora você me deixa terminar sua música? – Me pede.

— Deixo, mas não me responsabilizo por qualquer outro tipo de ataque. – Deixo avisado. Me joga um beijo e volta a tocar a melodia. Já eu, eu suspiro e me entrego a esse pedaço de eternidade que estamos vivendo, torcendo para que esse seja só o começo de tudo.

Notas finais
Então amiguinhas, o que vocês acharam? Como sempre, conto com vocês. Deixem aqui seus comentários, suas opiniões e tudo mais, combinado? Dessa vez eu prometo que vou voltar logo e com mais uma dose leve de SwanQueen. Bom resto de semana pra vocês! Beijos