Right Here Waiting For You
24 No One
Notas iniciais
Ela é difícil, complicada, chata, irritante, dona da razão, inflexível, as vezes quase impossível. Ela é Regina Mills, muito provavelmente, o amor da minha, ou alguma coisa brega do tipo. Meu Deus! Às vezes eu tenho vontade de brigar com ela, apontar o dedo, chacoalhar-lhe os ombros, e gritar umas ordens.
Regina acha que sou sensível, quebrável, algo frágil, que mal pode ser tocado. Isso me aborrece, me irritada e me faz realmente brigar com ela, mas sem a parte de apontar o dedo, chocalhar os ombros e gritar ordens.
Estava tudo bem, tudo lindo, tudo maravilhoso, até o meu Emma Pocket Show chegar ao fim. Então entramos no assunto que nos levou até o escritório para a reunião com Zelena. Cora Mills, minha querida futura sogra, por assim dizer.
Zelena me botou a par da reunião que teve com Regina no dia anterior, e do plano que fizeram. Enquanto Regina distrai a mãe, Zelena investiga. É praticamente essa a ideia. Ou seja, fui sabiamente incluída nesse plano, já que posso com toda certeza desse mundo, ajudar a Srta. Mills, a distrair Cora. Porém é claro que: Regina sendo Regina, não gostou dessa inclusão. Na verdade, ela não aceitou tal coisa. Foi nessa parte que começou a discussão.
Flashback
— Você ficou maluca? Perdeu a cabeça? Voltou a beber? – A veia alta em sua testa, mostrou o quanto tal ideia a deixou irada.
— Nem uma coisa, nem outra e tampouco outra. – Já Zelena respondeu pacientemente, sem se alterar. – Por um acaso você tem alguma ideia melhor? – Questionou.
— Qualquer uma que não envolva a Srta. Swan. – Praticamente gritou as palavras contra a irmã. – Você esqueceu o que aconteceu com Daniel? – Daniel, Daniel, Daniel, já me cansei desse cara. Sempre que ela me nega ou me afasta, é por causa desse bocó. Foda-se Daniel, eu não sou ele.
— Regina, você estava grávida de Daniel. – Zelena continuou com seu tom de voz ameno. – Ela não conseguiria fazer você desistir dessa criança, não com ele vivo. – Opinou a respeito.
— Então a culpa foi da minha gravidez? – Sua pergunta saiu em tom de voz sarcástico. Seus olhos fuzilavam a irmã, que apenas lhe deu de ombros.
— Você quis abrir mão de tudo para ir morar com ele em um subúrbio de Nova York. Aliás, você fez isso. Se demitiu, disse que abriria mão da sua herança e mudou-se para a casa que ele dividia com os pais. – Okay, dessa parte eu não sabia. Fiquei bastante surpresa com tal atualização. E ciúmes, talvez eu tenha ficado com um pouco de ciúmes, já que o falecido conseguiu tal proeza da sempre tão responsável Regina Mills.
— Você fez mesmo isso? – Estava quieta até então e pretendia continuar assim até alguém pedir minha opinião, porém minha boca grande falou mais alto. Tal pergunta me fez ganhar a tenção das duas.
— Sim, Srta. Swan, eu fiz mesmo isso. E olha onde a minha irresponsabilidade me levou. – Resolveu esbravejar comigo também.
— Ouça, Emma... – Zelena me pediu, o que me fez tirar os olhos de Regina e encara-la. – Enquanto nossa mãe for viva, ou estiver livre, impune, você nunca vai poder ter minha irmã. – Apesar de gostar de sinceridade, eu acho que poderia viver sem essa. – Não do jeito como deveria ser. Casa, cachorro, filhos... – Balançou a cabeça em negativo. – Isso não.
— Ela iria ou talvez ainda vá casar com um homem. – Reclamei. – Isso consiste em casa, cachorro... – Menos os filhos, isso eu não aceito.
— Homem esse que ela não gosta. – Me explicou. – Está bem explicito na cara de Regina desde que esse namoro com Robin começou, que ela não gosta dele. Ela no máximo o suporta. – Continuou. – Assim como está explícito na cara dela, que ela é boba por você. – Okay, essa parte do boba por mim, me fez sorrir e consequentemente, fez a Srta. Mills bufar. – Então vamos ao primeiro fato: pela experiência anterior, Cora sabe que quando Regina se apaixona, ela fica incontrolável, fora do controle que ela exerce sobre minha irmã, certo? – Apenas balancei a cabeça em concordância. – Segundo, você é uma mulher, o que com certeza é um agravante para a nossa mãe. – De novo concordei. – Terceiro, o seu passado. Não podemos negar que ele existiu até pouco tempo e que ela sabe sobre. – Regina resolveu interromper sem nem deixar sua irmã concluir.
— E depois de tudo que você acabou de falar, como pode em sã consciência querer envolve-la nisso? – Apesar de seu tom ter saído um pouco menos irritado, seus olhos continuavam fuzilando a irmã.
— Porque ela já está envolvida, você não vê? – Bom, sendo uma Mills, Zelena não tem nem genética para muita paciência, certo? O tom de voz que começou a se alterar, deixou claro tal coisa. – Não seja cega, irmã! – Bateu as mãos contra a mesa. – Você acha que ela no mínimo não desconfia disso? – Apontou de Regina para mim e vice-versa. – A noite da festa em que você sumiu, você acha mesmo que ela acreditou que Emma não sabia para onde você tinha ido? – Indagou.
— Se ela tivesse certeza, já teria feito alguma coisa a respeito. – Não teve nenhum pouco de convicção na voz de Regina.
— Você acha? Eu não acho. Eu acho que se ela tiver certeza, ela vai esperar um pouco, para ver o desenrolar. Para saber exatamente o que está acontecendo. Saber se você tem planos de brincar de casinha com Emma também. – Fez uma pausa. – Ela sabe que se, se meter entre vocês agora, corre o risco de você levar essa história a frente só para bater de frente com ela. O famoso “o proibido é mais gostoso”. – Expõe seu ponto de vista. – Já se ela tiver paciência e esperar, e é claro, se você conseguir conter a sua cara de apaixonada e evitar fazer loucuras por essa mulher, essa história pode acabar, sem ela ter que sujar as mãos. – Os olhos de Zelena de novo me procuraram. Ela me sorriu diabolicamente. – Não que ela se importe com você, porém mesmo que ela tenha muito dinheiro, acredito que matar, ou mandar matar alguém, sempre é arriscado. – Assustada com tal comentário e o jeito como me olhou, apenas balancei a cabeça concordando.
— Então é simples, nós colocamos aqui, um ponto final nessa história. – Bom, foi nessa parte da história que eu também me irritei.
— O quê? – Questionei indignada. – Você não pode mesmo estar falando sério! – Não se intimidou com meu tom de voz, nem com minha irritação.
— Você prefere morrer? – Cuspiu as palavras.
— Eu prefiro não ser covarde. – Rebati imediatamente. – Foda-se ela. Foda-se o seu querido e falecido Daniel. Eu sou outra pessoa, essa é outra história. Pare de se acovardar. – Meu tom de voz foi aumentando conforme as palavras foram saindo.
— Não me chame de covarde... – A veia alta em sua testa, voltou a parecer. Me olhou de um jeito irado, ameaçador. – E estou dispensando os palavrões, não fale desse jeito comigo. – Seu tom de voz também aumentou. – Você é uma menina irresponsável, que não sabe onde está se metendo. – Me apontou o dedo. – Você tem uma filha, caso não lembre. – Minha mão agarrou o dedo apontado e fez com que ela o baixasse.
— Não use minha filha como desculpa. – Exigi. – Pare de se lamentar por tudo que lhe aconteceu, pelo homem que perdeu e faça alguma coisa a respeito. – Tentei lhe retribuir o olhar irado. – Não espere sua mãe morrer para começar a viver sua vida, para se relacionar com quem você bem entender. Reaja, lute pelo que é seu. Mostre-me que você não é covarde. – Voltei a exigir.
— Ela está certa. – Zelena saiu em meu favor. O que faz sua irmã raivosa esquecer de mim e voltar-se contra ela. – Foi você quem me procurou, e isso foi ontem. Você quem me disse que temos que reaver o controle das nossas vidas. Você quem me convenceu.
— ISSO NÃO INCLUÍA A SRTA. SWAN! – Vociferou ao chocar as mãos contra a mesa.
— Quando uma guerra é declarada, as partes envolvidas levam todos os reforços que possuem. Nós não podemos deixar Emma para trás só porque você tem medo. Ela é um excelente soldado. Talvez venha a ser nosso cavalo de Tróia. – A opinião de Zelena só serviu para deixar a irmã ainda mais irada. O que a fez descontar tal ira em todas as coisas que tinham sobre a mesa do escritório. Suas mãos raivosas levaram os objetos ao chão.
— BASTA! ENVOLVÊ-LA NÃO É UMA OPÇÃO. SE NÃO TIVER OUTRO JEITO, NÓS PARAMOS POR AQUI. – Depois de gritar as palavras para quem quisesse ouvir, ela se pôs de pé e tentou se retirar. Porém, rapidamente levantei e a puxei pelo braço. – ME SOLTE! – Gritou comigo.
— Não. – Foi minha resposta. Apertei seu braço com força e raiva. – Eu não tenho medo de você, nem do seu ataque de raivinha. – Avisei enquanto ela se debatia para se soltar. – Você não pode e não vai mais decidir as coisas por mim. Eu sei que eu posso ajudar, eu quero ajudar e eu vou ajudar. – Continuei. – E você, Srta. Mills, você vai aceitar, sabe por quê? Porque caso você não faça isso, quem vai desistir sou eu. Eu vou fazer o que você acha que quer e vou embora. Vou embora da sua vida, do seu hotel, da sua história, de Las Vegas. Eu vou sumir. – Chega em um certo ponto em que precisamos arriscar. Apostar tudo, todas as fichas, como no poker. Eu tentei falar com ela de todos os jeitos civilizados e carinhosos possíveis. Não funcionou. Então a única opção que me restou, foi a “all-in”. – Eu vou sumir sem deixar rastros, vou sumir de um jeito tão “ensurdecedor”, que o medo de que eu nunca tenha existido, vai começar a te corroer por dentro. Você vai ter noites insones, se perguntando dia após dia se isso existiu mesmo. Imaginando como sua vida poderia ter sido diferente se você não tivesse se acovardado, se tivesse me deixado ajudar. Você vai se martirizar ao pensar no quanto poderia ter sido feliz. – Aperto seu braço com força maior. – E aí talvez arrependida, você venha a querer minha ajuda, mas eu não vou mais estar lá. Talvez você recorra à sua irmã, mas aonde estava você quando deixando os medos dela de lado, resolveu se juntar a você para dar um basta em Cora, porém com medo você se acovardou e desistiu? – Se olhos pudessem matar, os dela já teriam me matado. Eles ficaram estreitos, me olhavam com raiva, ódio. Seus dentes trincados. O maxilar rígido. – Então pense bem a respeito antes de decidir parar por aqui, Srta. Mills. – Meu pedido saiu em tom ameaçador. Minha mão soltou seu braço, e instantaneamente, ela se afastou.
— Okay, acho melhor darmos um tempo dessa reunião porque eu já estou ficando com vontade de beber uma ou duas garrafas de vodka para relaxar e amenizar a tenção. – Zelena falou ao levantar-se do lugar onde estava. Embora tenha se afastado, Regina deixou os olhos fixos em mim. Além de raiva, me olhava com mágoa, e talvez tristeza. Pensei em deixar tudo para lá, me aproximar, pedir desculpas, dizer que não era bem assim, que encontraríamos outro jeito. Porém, algo dentro de mim me mandava ser forte e resistir. – Irmã, porque você não sobe, toma um banho, e esfria um pouco a cabeça? Enquanto isso eu acompanho Emma até a cozinha, lhe sirvo uma água, ela também esfria a cabeça. Depois disso nós continuamos. Com mais calma, muito mais calma. – Meio que sugeriu, meio que pediu. Regina nada respondeu. Aliás, sua resposta foi nos dar as costas e se retirar do escritório, o que me faz crer que ela acatou tal sugestão.
— O dia tinha começado tão bem. – Lamentei quando ela bateu a porta ao sair.
— Você sabe que ela é geniosa, não sabe? – Zelena me questionou.
— Sim, ela é. Principalmente quando tem medo. – Acabei lembrando daquela primeira noite em Vegas. Na verdade, da manhã seguinte, quando acordou comigo em sua cama, me olhou aterrorizada e começou a esbravejar, por assim dizer.
— Depois desse pequeno atrito, preciso saber se você está mesmo disposta. – Pelo tom que me questionou, percebi que parecia com medo de eu ter mudado de ideia.
— Sim, eu estou mesmo disposta. – Lhe garanti. – Porque mesmo quando está sendo geniosa, ela continua sendo a mulher pelo qual meu coração estúpido resolveu se apaixonar. – Minha resposta lhe fez rir. – Ela sabe ser tão cabeça dura quando quer. – Me lamentei. – Eu detesto magoa-la. – Continuei.
— Ela vai sobreviver. – Me garantiu. – Além de sobreviver, mesmo contrariada, ela vai aceitar. Então espero que você esteja preparada para ir ao inferno. Caso não esteja, é melhor fazer isso o quanto antes. – Me deu o sutil aviso.
— Preparada para enfrentar sua mãe, eu estou. Regina voltar aqui com uma passagem de retorno para Las Vegas em meu nome ainda para hoje, para isso eu não estou. – Meu medo a fez rir.
— Ela não vai fazer isso. Nem teria se dado ao trabalho de sair dessa sala, caso não viesse a ceder. Você é boa de blefe, Swan, Emma Swan. Estou impressionada. – A última frase saiu mais como um pensamento alto do que qualquer outra coisa.
— Cada um usa as armas que tem. – Soltei com o ar. Abriu e fechou a boca algumas vezes, por fim pareceu desistir e só concordou com a cabeça.
— Eu realmente gostaria de uma bebida. – Choramingou.
— E eu de um cigarro.
— Você não trouxe? – Questionou-me.
— Trouxe, mas estão lá em cima, dentro da minha bolsa. Acho que não é uma boa ideia tentar ir até lá resgatá-los. – Quem tem cu, tem medo. Não é isso?
— Nesse caso, acho melhor deixar para depois. – Concordou.
Mais de uma hora se passou desde então e Regina ainda não voltou.
Zelena está jogada na poltrona que é da irmã, enquanto ri para algo em seu celular que roubou sua atenção já tem um tempo. Já eu estou deitada em um dos sofás que tem em seu escritório enquanto penso nos próximos passos que darei.
Preciso de um advogado, quero me informar sobre o que tenho que fazer para passar a tutela de Janis para Killian, caso eu venha a óbito. Sim, sou sonhadora, mas não sou burra.
Sou uma sonhadora consciente, mantenho os pés no chão, pelo menos as vezes. Sei onde estou me metendo, assim como sei os riscos que tal coisa me traz, mas não, desistir não é uma hipótese.
Dizem que a gente vem a terra por um propósito, não é isso? Provavelmente o meu é ajudar Regina a enfrentar isso, a recuperar sua vida. Cada vez que penso sobre, tenho mais certeza sobre.
Ela mora em Nova York, eu moro do outro lado do país. Ela tem seus incontáveis, inacabáveis, milhões de dólares, eu não tenho onde cair morta. Somos de mundos completamente opostos.
Las Vegas é uma cidade turística, centenas, centenas e mais centenas de pessoas passam por lá por dia, não foi por acaso eu ter batido no carro dela, foi o destino. Naquele ponto, daquele jeito, ele decidiu nos juntar, ou nos reencontrar. E desde então, mesmo sem perceber, eu que sempre procurava um propósito para minha vida, parei de fazer isso. Provavelmente porque finalmente eu tinha encontrado o caminho, a pessoa que me levaria a ele.
Então como disse anteriormente, não, desistir não é uma opção. Eu vou enfrentar, vou bater de frente, se tiver que morrer, eu vou morrer, mas eu vou liberta-la disso. Vou ajudar-lhe a livrar-se das algemas que lhe acorrentam a alma. Vou vê-la ser livre. Livre, meu propósito é ajudá-la a conhecer a liberdade.
Meus devaneios vão embora quando ela abre a porta do escritório. Voltou vestida para matar. Calça de couro, camisa social, scarpin. Todos em uma das únicas cores que ela provavelmente conhece: preto. Tem uma echarpe de seda azul marinho envolta ao seu pescoço. Os lábios pintados de batom vinho. Cara de poucos amigos.
Me olha por frações de segundos, antes de ignorar-me e passar por mim deixando o rastro do seu perfume bom.
— Você pode nos dar um minuto de privacidade, por favor? – Pede ao parar ao lado da irmã.
— Mais calma? – Zelena a questiona, enquanto se põe de pé.
— Sim. – É tudo que responde.
— Okay, quando eu puder entrar, me mande uma mensagem. – Pede. – Seja civilizada, comportada, educada. Resumindo: a mulher que você foi criada para ser. – Provoca a irmã, toca-lhe e o braço e caminha em direção a saída. – Boa sorte! – Me deseja em um sussurro, ao passar por mim.
Regina toma posse da sua poltrona, pega um bloco de notas em uma gaveta, assim como uma caneta, rabisca algumas coisas, torna sua postura mais perfeita do que já é, e aponta para a cadeira oposta à sua.
— Sente-se aqui. Srta. Swan. – Seu pedido soa como uma ordem. Tem a voz firme. Continua sem olhar para mim. Suspiro, levanto do lugar onde estou e acatando seu pedido, vou até o lá. Sento-me, cruzo as pernas, apoio os braços nos apoios da cadeira e batuco meus dedos no mesmo. Deixo meus olhos nela, em seu semblante irritado, furioso.
A verdade é esse estado de espírito de Regina Mills, me excita. Quer dizer, vê-la berrado e atirando coisas, isso não me excita. Me refiro mesmo ao seu semblante fechado, sua cara de má, o quanto seus olhos se tornam mais escuros, o olhar irritado, porém fodidamente sexy. Essas coisas, ah sim, essas coisas me excitam.
— Me parece que não tenho uma saída, estou correta? – Ela começa. Larga suas anotações e resolve finalmente olhar para mim. Ah sim, como eu gostaria de joga-la sobre essa mesa, e arrancar-lhe as roupas enquanto sou estapeada. – Se ficar o bicho pegar, se correr o bicho come. Não é isso? – Tal ditado cabe perfeitamente bem nos pensamentos perversos que estou tendo agora.
Foco, Emma, foco. Não ouse falar nada de teor sexual nesse momento, senão ela vai literalmente matar você, e não vai ter a opção do prazer.
— Você quem está dizendo. – Dou de ombros. Minha resposta traz a temida veia alta da testa. Ela faz silêncio por alguns segundos, provavelmente se concentrado para não pular dali e me pegar pelo pescoço.
— Então estou aceitando sua chantagem. – Seu tom de voz se torna mais duro e mais alto.
— Não foi uma chantagem. – Me defendo. – Foi o único jeito que encontrei de fazer você realmente me ouvir. – Tento explicar. Minha justificativa não a abala. – E eu sei que tem um mas, nessa sua aceitação. – Tenho certeza absoluta disso.
— Não só um. – É sua resposta.
— Sou toda ouvidos. – Seus olhos gritam comigo, enquanto sua boca está calada. Ao ver que seu olhar não me abala, ela balança a cabeça negativamente e resolve falar.
— Vamos para Las Vegas depois de amanhã, no período da tarde. – Abro a boca para dizer que preciso voltar amanhã, mas ela não me dá nem chance. – Pouco me importa o seu trabalho nesse momento, Srta. Swan. Então eu espero que você nem abra a boca para falar a respeito. – Irritada com o que ouvi, inspiro a maior quantidade de ar possível e o solto devagar. – Eu vou conversar com Tinker, contar sobre nós. Depois de fazer isso, você vai me passar nome sobrenome e o endereço do pai da sua filha, e então eu vou encontra-lo. – Ela o quê?
— Você o quê? – Tem indignação na minha voz. Para que diabos ela quer ir atrás de Neal?
— Eu vou encontra-lo. Eu e alguns advogados. Então nós vamos fazer com que ele assine alguns documentos, abrindo mão, legalmente, da criança. Ou seja, algo que não tem como minha mãe desfazer. – Ela explica e então meu coração acelera. Não tinha sequer passado pela minha cabeça, a possibilidade dessa louca querer tirar minha filha de mim. – Continua me achando covarde, Srta. Swan? – Provavelmente minha cara de terror abriu brecha para que fizesse tal deboche.
— O que vem depois? – Não rebato sua provocação.
— Depois nós vamos até seus pais. – Conta. – Abandono de menor é crime, você sabe? Pelas minhas contas, você tinha 17 anos, quando eles a expulsaram.
— Mas faz um tempo que já alcancei a idade adulta. – Balança a cabeça concordando.
— Mas ainda pode render um processo, dor de cabeça e até prisão. Tudo depende de provas e algum dinheiro envolvido. – O jeito sombrio como fala, tudo que já penso, já planejou, as chantagens que aparentemente quer fazer, essas coisas me assustam um pouco.
— Como pensou em tudo isso? – Penso em voz alta.
— Você sabe de quem eu sou filha. – É a resposta sombria que me dá. – Se vamos a guerra, vamos jogar o jogo dela. Nunca pense que estamos em vantagem, porque isso com certeza não vai acontecer. Quando a luta é contra Cora, não a espaço para bondade. E dessa vez... dessa vez eu vou até o fim, nem que para isso eu precise matar, ou morrer. – O jeito como fala, como olha, como se porta, já não me excita mais. Me assusta, me assusta muito. Me assusta tanto que provavelmente arrepiou até os pentelhos depilados do meu cu.
— Tenho fé de que não chegaremos a esse ponto. – Mal consigo sussurrar as palavras.
— É o que eu espero. – Não tenho nem um pingo de certeza se é mesmo.
— Depois de Neal e dos meus pais? – Sim, tenho certeza que não para por aí.
— Depois de tudo acertado com o pai da sua filha e com seus pais, você vai falar com Janis, com Killian, com o seu camaleão e qualquer outra pessoa ou animal que seja importante para vocês e vocês vão deixar Las Vegas. – Continua irredutível, não deixa de forma alguma espaço para questionamentos, sugestões, reclamações. É pegar ou largar e eu sei que diferente de mim, ela não está blefando.
— E por que nós vamos fazer isso? – Pelo menos o direito de saber, eu tenho, não é mesmo?
— Porque se eu me mudar para lá, vou cometer o mesmo erro que cometi ao ir morar com Daniel. Ou seja, Cora vai concluir que não é apenas uma aventura e vai atacar. – Explica. – E se eu não me mudar para lá, eu não vou ter um minuto de paz, por ter medo que a minha mãe psicopata, possa a qualquer momento atacar. – Continua. – Por isso eu preciso de você por perto, para ter certeza, me certificar, ver com meus próprios olhos, que vocês estão bem. Só desse jeito vou conseguir ter um pouco de paz, e consequentemente, não surtar. – Finaliza sua explicação a respeito.
— Entendo. – Mesmo achando que posso me virar sozinha, acho bom não contrariar. Vou pensar pelo lado bom, provavelmente vou vê-la todos os dias. – Então eu vou vir para Nova York? – Ela afirma.
— Sim.
— Devo perguntar a respeito do meu trabalho? – De novo afirma.
— Você vai trabalhar conosco, no escritório. – Eu o quê? Como assim, ela quer me levar direto para o covil?
— Com a sua mãe? – Abandono qualquer tranquilidade que estava tentando transparecer na voz.
— Mantenha o amigo perto e o inimigo ainda mais perto. Já ouviu essa frase, Srta. Swan? É mais fácil controlar os passos, as ações da minha mãe, tendo você no mesmo lugar que ela. – Meu Deus, quem é essa mulher que está na minha frente? E o que fizeram com a Regina? Essa que me fala é praticamente um general de guerra. Fria e calculista, armada até os dentes.
— Mais alguma coisa? – Meu corpo escorrega um pouco pela cadeira.
— Sim. – Droga! – Enquanto você estiver em Las Vegas, você só vai andar de Uber. É muito mais complicado ela adivinhar qual vai ser o carro que você vai pegar, ou seja, fica difícil de ela mandar sabotar. – Mesmo achando exagerando, eu concordo. – Por último, mas não menos importante, enquanto você resolve as coisas lá, antes de vir para cá, você e Janis terão um segurança. – É O QUÊ? A não, não, não, aí já é demais. Não posso me manter indiferente sobre.
— De jeito nenhum! – Me imponho. – Eu não quero nenhum troglodita andando atrás de mim e da minha filha. Você está passando dos limites. Você acha que eu não sei me defender?
— Como você vai se defender, se aparecer alguém na sua casa no meio da noite e te acordar com uma arma apontada para a cabeça da sua filha? – Sua pergunta me faz abrir e fechar a boca algumas vezes.
— Isso não vai acontecer. – É a melhor resposta que posso dar.
— Como você sabe? – Dou de ombros.
— Eu só sei.
— Você que desistir? – Me questiona. – Por mim não tem problema. – Isso não é nem uma ameaça, sei que ela está pistola, além de estar se cagando do medo, então se eu não aceitar alguma cláusula dessa sua espécie de contrato, ela com certeza concordar de bom grado com a desistência.
— Só enquanto eu estiver em Las Vegas, depois disso, você despacha eles. – Eu exijo.
— Voltamos a conversar sobre quando a mudança acontecer. – É a resposta que me dá.
— Mais alguma exigência, vossa Excelência? – Questiono. Ela suspira e nega.
— Por enquanto não, mas como vou pensar muito a respeito ainda, talvez apareçam mais algumas. – Esclarece.
— Okay. – Solto com o ar. – Temos um acordo. – Estendo a mão para selar tal acordo, já ela empurra o bloco de notas para o meu lado da mesa.
— Assine. – Pede ao me estender a caneta.
— A minha palavra não basta? – Questiono com incredulidade.
— Não. Porque eu não quero voltar a ser chamada de covarde, caso você resolva esquecer ou realmente se esqueça de tudo que acabamos de conversar. Assine. – De novo me oferece a caneta. Balanço a cabeça negativamente enquanto tento não ser afetada pelo jeito provocativo com os quais seus olhos me olham. Pego a caneta e sem pestanejar ou fazer qualquer outro comentário a respeito, eu assino maldita folha.
— Christian Grey perto de você, não é ninguém. – Respondo ao lhe empurrar de volta o bloco de notas junto com a caneta.
— Com certeza ele não é. – Responde sem se abalar. – Talvez seja porque a mãe dele perto da minha, também não seja ninguém. – Rebate minha provocação. Continua brava, de mau humor, com cara de poucos amigos, me olhando torto.
— Minha deusa interior não sabe se corre, ou se pula em seus braços. – Tento amenizar o clima tenso.
— Seria muito esperto e perspicaz da parte dela, se ela corresse. Fugisse para longe. Mas como eu sei que não será essa a decisão, a mantenha a uma distância segura, Srta. Swan, porque tudo que eu mais quero no momento, é explodir com você. – Sei que não está me provocando, nem querendo me chatear ou algo do gênero, só está expondo o que está explícito em seu olhar e no seu portar. Como não tenho medo de berros nem de objetos atirados, não seguro minha vontade de rir.
— Você não sabe o quanto essa sua cara de má, te deixa sexy, Srta. Mills. Me dá vontade de jogar você nessa mesa, arrancar suas roupas e ser estapeada, mordida e xingada enquanto te faço gozar. – Infelizmente meu comentário não a abalada. Ou seja, infelizmente também, não vai rolar.
— Não estou para nenhum tipo de graça, Srta. Swan. – Me avisa.
— Não é um tipo de graça, é apenas um fato. – Dou de ombros, e ela se irrita.
— Você por um acaso tem ideia do que está fazendo? – Esbraveja.
— Sim, eu tenho. – Me irrito também. – Mas não é a sua cara de raiva e suas grosserias, que vão me fazer desistir. Eu estou dentro, Okay? Eu não vou mudar de ideia, desista. Isso não vai acontecer. – Contrariada, ela balança a cabeça negativamente.
— Irresponsável. – É o que resmunga.
Me ponho de pé e vou até ela. Contra sua vontade, me sento sobre suas pernas, e passo o braço em volta do seu pescoço. Já ela, não se mexe, fica inerte, os braços paradinhos rentes as laterais do corpo.
— Eu te amo! – Me declaro ao beijar seu rosto. – Dá um sorrisinho para mim, vai. – Peço e claro, não sou atendida. Mantém os olhos fixos em um ponto qualquer à sua frente. Seguro seu rosto e abaixo um pouco minha cabeça, para que possa lhe olhar nos olhos, mas ela não colabora. – Olha para mim, vai. – Beijo seus lábios. – Por favor, volte ao normal, pare de rosnar. – Seus olhos enfim se movem encontrando com os meus.
— Zelena disse que eu posso ficar pior do que um leão sem dentes, e parece que isso pode mesmo acontecer. – Mesmo não entendendo sua reclamação, acho graça.
— Não entendo o que ela quis dizer, mas não se preocupe. Lhe garanto que você mete mais medo do que qualquer Leão cheio de dentes bem afiados. – Minha garantia a faz suspirar e negar.
— Não quando se trata de você. – Aparentemente está se lamentando. – Ouça... – Abraça minha cintura. A outra mão tira alguns fios de cabelo do meu rosto. – Você sabe que existe a possibilidade de não darmos certo. – Começa. – Eu sou explosiva, geniosa, pavio curto. E as vezes eu te irrito tanto, que você também explode. – Continua. – E tudo bem, se você quiser parar, desistir de mim, eu entendo. Porém, enquanto estivermos em guerra, enquanto minha mãe não estiver presa, ou sei lá... – Morta. Morta é a palavra que ela não fala, mas pensa. – Enquanto isso não acontece, eu não posso te deixar ir. Você entende? – Afirmo.
— Sim, Srta. Mills, eu entendo. E não se preocupe quanto a isso, não tenho uma bola de cristal, tampouco prevejo o futuro, mas mesmo assim, mesmo com as explosões que acontecem as vezes, mesmo as vezes te odiando, eu sei que não vou querer ir a nenhum lugar. Não se você não estiver comigo. – Lhe garanto e arranco dela um meio sorriso.
— Certo. Segure-se em mim então, enquanto eu me seguro a você, porque de agora em diante, vai ser só ladeira abaixo, e eu não sei quando que de novo vamos encontrar um lugar seguro para nos agarrarmos, nem quão grave serão as feridas dessa queda. Talvez não sobre muito de nós quando enfim chegarmos a algum lugar de fato. – Não tem mais irritação, raiva, rancor, ou ódio na sua voz. Triste, sua voz soa triste, como se tivesse certeza que nosso relacionamento não sobreviverá a Cora Mills.
— Não importa o que aconteça, eu não vou soltar você e eu peço para que você não me solte também. Quando chegarmos a esse lugar seguro, não importa a gravidade dos machucados que teremos causado uma na outra, nós vamos nos lembrar de hoje. – Faço uma pausa para tomar ar. — Vamos nos lembrar do quão intenso é esse nosso gostar. Vamos nos lembrar das coisas que abrimos mão em prol de um futuro juntas. Vamos nos lembrar das borboletas no estômago, dos corações acelerados, dos olhares apaixonados. Vamos nos lembrar do porquê decidimos nos jogar nessa ladeira. Então nós vamos curar algumas feridas, cicatrizar outras, e aí Regina Mills, aí sim, nós vamos começar a nossa história. – É o que prometo e sugiro a ela, enquanto a olho nos olhos. – Temos um acordo? – Me sorri e assente.
— Temos um acordo.
— Então vamos selar esse acordo com muitos beijos e um abraço apertado, porque ao contrário de você, assinaturas não me interessam. – Me rola os olhos, me sorri, emaranha sua mão nos cabelos da minha nuca e me puxa de encontro a ela.
— É um prazer negociar com você, Srta. Swan. – Fala sobre meus lábios, antes de torna-los seus.
Fale com o autor