Right Here Waiting For You
6 Who Owns My Heart
Notas iniciais
– Não preciso que me acompanhe até meu quarto, Srta. Swan, posso muito bem chegar até lá sozinha. – Resmunga ao entrarmos no elevador.
Regina Mills está visivelmente irritada comigo, por eu não ter lhe dado o que queria. Quando me neguei a beija-la, ela esbarrou suas mãozinhas de uma forma nada delicada contra meus ombros, me empurrando, e foi afogar suas magoas na meia garrafa de tequila que tinha sobrado. Só não esvaziou completamente a mesma, porque eu a impedi de fazer tal coisa. Ela me chamou debochadamente de “mamãe”, assim que confisquei seu litro, e resolveu me ignorar completamente, antes de voltar a dançar.
Bom, só chegamos até aqui, porque depois de quase duas horas, tive que subir até a cabine, desligar tudo e mentir para ela que alguém tinha desligado a energia. Tal coisa a deixou ainda mais irritada. Perdi a conta de quantas vezes a palavra “incompetentes”, foi pronunciada.
Regina saiu de lá querendo ver sangue dos funcionários do hotel, e só não foi até a recepção dar um show de grosseria, porque na metade do caminho, a bebida a fez esquecer que ela saiu da boate com a única intenção de ir até eles para reclamar. Ah, ela falou também sobre despedir por justa causa.
Claro que eu, sendo uma pessoa muito inteligente, me limitei só a ouvir, o que me permitiu sair ilesa, sem nenhuma mordida ou arranhão, até então. Bom, talvez eu não seja tão inteligente assim, caso realmente fosse, a colocaria dentro do elevador e fugiria para as colinas, mas ao invés disso, sendo a boa moça que nunca fui, aqui estou, dentro do elevador, as 4:20hrs da madrugada, servindo de babá para a madame bêbada. E pior, por livre e espontânea, põe espontânea nisso, vontade.
– Insisto em acompanha-la, é deselegante largar uma mulher bêbada sozinha, a mercê da própria sorte. – Ao ouvir tal coisa, ela me lança um olhar duro, irritado, que por um momento me faz sentir receio de apanhar.
– Não estou bêbada. – Apesar de sua dicção continuar perfeita, seu corpo que balança de um lado para o outro sempre que tenta ficar parada, junto com todos os outros sintomas, incluindo, querer uma noite de sexo comigo, me faz ter muita certeza que sim, ela está muito bêbada.
– Seus olhos pequenos e brilhosos, junto com suas pernas bambas, e sua proposta de sexo, me dizem ao contrário. Qual o seu andar? – Indago, a fazendo bufar e cruzar os braços.
– O último. – Inclina o corpo para frente, tentando alcançar os botões do elevador, o que a faz desequilibrar e quase ir ao chão. Passo meu braço em volta da sua cintura e a puxo para junto de mim, a impedindo de cair. Essa é outra prova que está completamente bêbada, caso não estivesse, iria repelir nossa aproximação, ao invés de agarrar-se a minha cintura e aproximar o rosto perigosamente do meu.
– Deixa comigo. – Murmuro olhando em seus olhos de bêbada, que mais uma vez na noite, me hipnotizam. Me pergunto de novo o motivo de não fazer o que quero fazer, e o que ela visivelmente quer que eu faça.
Ao vê-la sorrindo, e mordendo os lábios pela nossa aproximação, lembro exatamente o motivo, a executiva gostosa está para lá de Bagdá. Tiro os olhos dos dela e os concentro nos números do elevador, antes de apertar o vinte.
– Eu não entendo... – Ela começa, enquanto enrosca os dedos nos meus cabelos. Seu rosto parece ainda mais próximo do meu. Para manter o controle, continuo fingindo interesse nos botões.
– O que você não entende? – Ela demora para responder, o que me faz espia-la pelo canto dos olhos. Ver seus olhos concentrados em minha boca, me faz suspirar e me xingar mentalmente, por a crise de boa moça que resolvi ter justo hoje.
– Você. – Responde enfim. – Eu... eu... eu o que mesmo? – Junta as sobrancelhas, aparentemente esquecendo o que ia dizer, o que me arranca uma gargalhada. – Lembrei, lembrei, lembrei.
– Então me conta. – Peço ainda rindo.
– Você me olha como, como, como... – Faz uma pausa, aparentemente esquecendo de novo. – Como se estivesse vendo um copo d’água, depois de ter passado dias no deserto. Então o copo d’água se oferece para saciar sua sede e você diz não. – A comparação dela, me arranca um sorriso.
– Você não sabe o quanto eu adoraria por minha boca nesse copo d’água, prova-lo, degusta-lo, saboreá-lo, de todos os jeitos possíveis, mas se eu fizer isso hoje, você vai me odiar. E também existe o risco de você não lembrar de tal coisa amanhã. – Por isso desde já, peço a Deus uma outra oportunidade, uma oportunidade onde ela não esteja assim tão bêbada. Quando eu ter Regina Mills, quero que ela lembre de cada detalhe, quero que ela sinta falta, que se torne dependente.
– Eu já disse que pago. – Murmura, ao roçar os lábios contra meu queixo, me fazendo fechar os olhos em busca de concentração.
– E eu já disse que não quero seu dinheiro. – Solto o ar lentamente, abro os olhos e viro o rosto na direção contraria, fugindo de sua boca.
– Eu estou contratando seus serviços, Srta. Swan, não pode me negar. – Está voltando a ficar irritada.
– Desculpe, mas já encerrei o expediente por hoje. – Respondo sem me deixar abalar pelo seu tom autoritário e grosso. Ela bufa, desenrosca os dedos dos meus cabelos, se afasta de mim e encosta-se na parede do elevador. Assim que o mesmo para no vigésimo andar, ela sai do lugar apressadamente, não sem antes, esbarrar de propósito, o braço no meu.
– Obrigada por nada! – Esbraveja ao voltar-se para mim.
– Regina... – Dou um passo à frente, saindo do elevador.
– Para você, é Srta. Mills. – Dá de dedo em mim, antes de me dar as costas e começar a cambalear em zigue-zague pelo corredor.
Bufo e desisto de uma tentativa de diálogo, balanço a cabeça em negativo, coloco as mãos na cintura e acompanho com o olhar, o caminhar nada gracioso dela até seu quarto. Não consigo não rir, quando ela começa a brigar com o cartão, responsável por abrir a porta do lugar, que por motivos de bebedeira da sua dona, não está cumprindo com seu dever de abri-la.
Ao perceber que ela não vai mesmo conseguir entrar no quarto, resolvo ajuda-la. Caminho até ela, paro ao lado da porta, me encosto na parede e estendo a mão, pedindo o cartão.
– Me deixe ajuda-la, Srta. Mills. – Peço.
– Não. – Respondeu enquanto continua lutando contra o cartão e a porta. – Sabe quantas pessoas me disseram não até hoje? – Desiste da porta e volta-se para mim.
– Não faço ideia. – Dou de ombros, tentando permanecer séria.
– Nenhuma. Ouviu bem? Nenhuma. – Enfatiza a palavra.
– Bom, sempre existe uma primeira vez. – Ela me lança um olhar furioso.
– Não vai ser você, uma... uma... uma... – Desiste da palavra. — Não vai ser você a primeira a fazer isso. – Esbraveja.
– Por que exatamente está brava? Por que está ganhando seu primeiro não, ou por que uma prostituta é quem está lhe negando? – Indago de sobrancelhas arqueadas.
– Porque há anos, não sei o que é sexo de verdade. Há anos não sei o que é um orgasmo. Há anos não me importo com isso. E quando esbarro em alguém que vende sexo, quando finalmente tenho vontade de extravasar por uma noite, você me nega isso. – Desabafa, antes de voltar a se concentrar na porta.
Okay, de todas as respostas que esperava ouvir, essa com certeza não era uma delas. Como assim há anos ela não sabe o que é um orgasmo? Quem em sã consciência vai para a cama com essa mulher, e não tem a decência de faze-la gozar?
Homens, isso me cheira a homens. Não sei qual o exemplar que Regina Mills tem, mas com certeza tem. O anel com uma exagerada pedra de diamante preso em seu anelar direito, deixa claro isso.
– Me dá o cartão. – Insisto e volto a estender a mão. Antes de aceitar minha ajuda, ela xinga, soca e estapeia a porta, bufa, e por fim, me entrega. Não consigo evitar a gargalhada ao olhar para o número do quarto e o número da chave.
– Quarto errado, baby. – Pego sua mão e a puxo até a porta oposta. Abro a mesma sem dificuldades, e antes que eu possa dizer tchau, ela me puxa consigo para dentro do lugar.
– Fecha a porta. – Me ordena ao largar minha mão.
– Sim, senhora! – Resmungo rindo, enquanto faço o que me foi solicitado.
O apartamento que não sei porque diabos, chamam de quarto, é ainda mais amplo do que os que eu costumo frequentar. Ele tem dois andares, o de baixo é composto por uma ampla sala, com direito a pista de dança e um enorme e um bar. O de cima fica é onde fica a suíte.
Regina não perde tempo, vai direto ao bar, e abre uma garrafa de tequila. Não sei o quanto ela é acostumada a beber, mas pelas atitudes que teve comigo, tenho certeza que já bebeu muito além do que deveria, tal certeza me fez abandonar minha bolsa e sobretudo no sofá e caminhar até o bar.
Infelizmente não chego a tempo de impedi-la de beber, então preciso esperar ela parar de embocar o líquido, antes de puxar a garrafa de suas mãos.
– Hey, chega de beber! – Aviso ao esconder a garrafa atrás de mim.
– Você não é minha mãe! – Responde sem se abalar, enquanto puxa meus braços, em uma tentativa de reaver a bebida. Como não consegue tal coisa, dá de ombros, desiste, e pega um litro de outra coisa. Me pergunto o motivo de ainda estar aqui, como não acho nenhum, desisto de pensar sobre o assunto.
– Eu sei fazer um drink maravilhoso, por que você não senta lá no sofá e me deixa servi-la? – Sugiro, usando meu tom de voz mais convincente, junto com toda a paciência que nem eu sabia ter.
Seus olhos brilhosos param em mim por alguns segundos, lhe sorrio e estendo uma mão, pedindo a bebida. Por fim ela dá de ombros e me estende o litro.
– Não demore. – Assim que me dá as costas, abro as duas garrafas e sem pestanejar, despejo tudo na pia. Meus olhos pararam de relance no frigobar, o que me fez ter a ideia de esconder o resto das bebidas alcoólicas lá dentro.
Depois de fazer tal coisa, abro a porta de vidro do extenso armário e paro meus olhos nos muitos copos, e taças de cristal, a procura de um ideal para o drink da executiva. Como ela está bêbada, provavelmente não vai se apegar a detalhes, o que me faz escolher um copo de suco, onde deposito um refrigerante de limão. O enfeito com um canudinho cheio de voltas e um guarda-chuva laranja.
Quando levanto a cabeça para procurar por Regina e não a vejo sentada no sofá, meu coração bate forte, e fica um pouco pior quando vejo a porta que dá acesso a varanda aberta.
Regina virando carne moída, caso resolva chegar muito perto do parapeito da varanda, é tudo que me vem em mente.
A passos largos me dirijo até o local e respiro aliviada ao ver que ela não resolveu praticar Bungee Jumping sem corda, nem nada do tipo. Ela está sentada na beira de uma espreguiçadeira, perto demais da piscina para uma bêbada. Por último, mas não menos importante, está aparentemente mexendo no MEU celular.
Caminho até ela, e me sento na espreguiçadeira ao seu lado, com as pernas voltadas para as dela.
– Você sabe que uma pessoa está muito bêbada quando ela não consegue nem desbloquear a tela de um celular. – Implico com ela, que me olha de canto e me entrega o aparelho.
– Eu quero música. – Pede. Lhe sorrio, entrego seu “drink” e pego meu celular. Fazendo a vontade dela, abro minha playlist, coloco no aleatório e aumento o volume do alto falante.
Miley Cyrus – Who Owns My Heart
– MÚSICA! EU AMO MÚSICA! – Grita assim que a canção começa, e levanta os braços, em uma espécie de comemoração. – Como vivi trinta e três anos sem música? – Questiona comigo. O que me faz rir e dar de ombros.
– Antes tarde do que mais tarde ainda. – Ela sorri e concorda, antes de emborcar o copo de refrigerante. Seu estado alterado faz com que o líquido escorra pelos cantos da boca, e assim que acaba de ingerir o líquido, usa o braço como guardanapo, então me estende o copo.
– Delicioso! – Elogia. — Quero mais! – Gargalho ao lembrar que Janis diz exatamente a mesma coisa, sempre que preparo seu achocolatado.
– O que você acha de subirmos para você descansar um pouco? – Sugiro. Ao pensar em minha filha, lembro que tenho que ir embora. Provavelmente vou conseguir dormir um total de uma hora, antes de acordar para leva-la ao colégio.
– Dormir? – Ri da minha cara. – Estou em Vegas, a cidade que... que... – Junta as sobrancelhas. – Que não sei, não faço ideia, odeio esse lugar, mas não quero dormir, quero me divertir. Não é isso o que as pessoas fazem aqui? – Balanço a cabeça afirmando. Ela se põe de pé, de novo fazendo meu coração acelerar, pela sua proximidade da piscina. – Vamos dançar! – Me convida, antes de começar a balançar o corpo, tentando entrar no ritmo da música.
– Você está muito perto da piscina, vem mais para cá. – Peço e milagrosamente, ela dá um passo à frente, me obedecendo.
– Quem canta essa música? – Está de olhos fechados, os braços balançando no ar, mexe a cabeça de um lado para o outro, fazendo com que os cabelos parem na frente dos seus olhos.
– Miley Cyrus. – Conto ao espiar no celular.
– Quem é Miley Cyrus? – Tira os cabelos da frente do rosto, abre os olhos, e me encara.
– Hannah Montana? – Tento de novo. Ela me lança um olhar de interrogação me fazendo gargalhar.
– Quem? – Quais as chances de Regina Mills, conhecer Hannah Montana? Exatamente, nenhuma.
– Deixa para lá. – Ela dá de ombros, volta a fechar os olhos e dedicar-se a música. Me encosto na espreguiçadeira e me limito a assisti-la. Não consigo tirar o sorriso do rosto enquanto faço isso. De novo me pergunto qual o meu problema? Nunca gostei de pessoas bêbadas, gostei menos ainda de cuidar de uma, mas aqui estou, me divertindo com a bebedeira Regina Mills, e sem um pingo de vontade de levantar para ir embora.
Mal a conheço, mas ficou bem claro o quanto ela é uma pessoa fechada e politicamente correta, pelo menos até a bebida entrar em sua corrente sanguínea. É de certa forma fascinante vê-la liberta da pessoa que a moldaram para ser. Essa a minha frente é ela de verdade, e é um pouco deprimente saber que ela nunca vai se permitir ser assim.
Meus pensamentos se dispersam quando a vejo se desfazer do blazer preto que usava, antes de começar a desatacar os botões da sua camisa social branca. Continua dançando completamente desajeitada, mas o jeito com o qual desataca os botões da camisa e como olha para mim, me provocando, me chamando, me fazem achar a situação maravilhosa e até sexy.
Ao chegar no último botão, ela desiste de desataca-lo, para de dançar, e desliza as mãos até a barra da sua saia social preta. Meu coração bate apressado, ansioso com o que está por vir. Tal ansiedade dura míseros segundos, então ela faz a saia cair por suas pernas. Tal ato me faz sorrir, morder os lábios e passar as mãos pelo rosto, me concentrando para não levantar do lugar onde estou e ir até ela.
Sem tentar disfarçar, inclino a cabeça para o lado, em uma tentativa de espiar sua calcinha, que o comprimento da camisa não me deixa ver.
– O que você quer ver? – Pergunta em um tom provocante, suas sobrancelhas arqueadas.
– Eu... – Coço a garganta, enquanto tento me recompor. – Acho melhor você... — Aponto para saia caída em seus pés. – Colocar sua roupa. – Ela ri, agacha, tira a peça presa em seus pés e a joga para cima de mim.
– Você não deveria me provocar desse jeito. – Resmungo ao trazer a peça até meu rosto, inspiro o máximo que posso, tentando absorver o cheiro bom que essa mulher tem.
– Tem certeza que eu deveria mesmo pôr? – Indaga em tom provocativo, enquanto me lança um dos seus sorrisos diabólicos. Como não acho minha voz para responder, apenas balanço a cabeça negando.
Suas mãos voltam para o último botão de sua camisa, e o desatacam, em seguida ela livra-se da peça, de novo a jogando para cima de mim. Meus olhos estão fixos na mulher que agora está parada a poucos metros de mim, usando apenas uma lingerie azul marinho, me fazendo um convite mudo para ataca-la.
Tal situação acelera meu coração, minhas pernas estão formigando de vontade de levantar e ir até ela, e minhas mãos seguram-se com firmeza nas laterais da espreguiçadeira, tentando me impedir de fazer tal coisa.
– Sabe o que eu acho? – Continuo sem palavras, então mais uma vez apenas nego com a cabeça, enquanto meus olhos percorrem o corpo muito bem cuidado da executiva gostosa. – Acho que está uma bela noite para dar um mergulho. – Nego. Bebedeira e piscina são duas palavras que não combinam em uma mesma frase.
– Acho... acho... – Fecho os olhos em busca de concentração, mas volto a abri-los rapidamente quando ouço o barulho de algo se chocando contra a água. Esse algo nada mais é do que Regina Mills, que provavelmente tropeçou nos próprios pés e foi parar lá.
Cinco segundos é o tempo que espero para que ela emerja, como tal coisa não acontece, abandono os sapatos, o celular, e resolvo ir atrás da maluca. Quando a vejo emergir já é tarde demais, já estou praticamente dentro d’água.
Assim que volto do meu mergulho, ainda assustada com a situação, a encontro gargalhando, aparentemente está rindo da minha cara. Abro a boca para brigar com ela, mas desisto e acabo sorrindo, antes de jogar água contra ela e esticar os braços, a trazendo para perto.
– Você é louca! – A acuso, a fazendo gargalhar mais.
– E você parece mais preocupada do que aparenta ser, Srta. Swan. – Está se divertindo as minhas custas.
– Pareço? – Ela assente.
– Me fale sobre você. – Pede ao aproximar-se ainda mais. Prende os braços em meu pescoço, antes de pôr fim a qualquer distancia que ainda havia entre nossos corpos. Tal contato me faz suspirar.
– Não existe muito sobre mim que valha a pena contar. – Sussurro. Meus olhos se fecham quando sinto os dedos dela no meu pescoço, tirando meus cabelos molhados dali.
– Você é lésbica? – Sussurra ao pé do meu ouvido, antes de mordiscar a ponta da minha orelha.
– 110% lésbica. – Solto com o ar. — Mas quando a falta de dinheiro aperta, sou obrigada a deixar minhas preferências de lado e sair com homens também. – Conto. Minhas mãos apertaram sua cintura quando sinto seus lábios tocarem meu pescoço. Seus toques leves, sutis e um tanto tímidos, voltam a me arrancar suspiros.
– Você não vai desistir, não é mesmo? – Continuo de olhos fechados, tentando não me render ao que ela quer. Seus lábios sobem até meu queixo, onde ela deposita um beijo demorado. Quanto sinto seu nariz roçando no meu, jogo a cabeça para trás, a impossibilitando de beijar minha boca. A ouço rindo baixinho.
– Você é como a Vivian de Uma Linda Mulher, Srta. Swan? Não beija na boca? – Seu tom de voz sai baixo, rouco e provocador. Mais uma vez na noite, não encontro minha voz para responde-la. Suas mãos escorregaram pelas minhas costas, e enquanto uma delas para em minha cintura, a outra pega minha mão. Afasta um pouco o corpo do meu, antes de escorregar minha mão junto com a dela, até seu sexo, tal ato faz meu sexo pulsar. Não tenho nenhum tipo de dúvida que Regina Mills com certeza sempre conseguiu tudo o que quis. Além de ser insistente, ela sabe exatamente quais argumentos usar e como usar. — Faça isso, Srta. Swan! – Me incentiva, enquanto sua mão estimula a minha a fazer o que ela quer. Perco o controle por alguns segundos, e fazendo sua vontade, uso dois dedos para acariciar seu sexo, por cima do pedaço de renda estúpido. Tal ato arranca dela um tímido e quase inaudível gemido, e me faz abrir os olhos e travar.
– Regina, por favor! – Praticamente imploro, buscando forças não sei de onde, para fazer com que minha mão fique inerte.
– Por favor, o quê? – Respiro fundo, antes de abrir os olhos, me recompor e encara-la. Ela tem um sorriso sedutor, seus olhos gulosos estão vidrados em mim e seu sorriso diabólico está de volta.
– Não me faça fazer isso. – Peço, enquanto tento libertar minha mão da dela. – Eu quero muito, você não imagina o quanto, meu Deus! – Suspiro. – Estou pulsando por você, e faz um bom tempo que não sinto tanta vontade, tanto desejo, tanto tesão. – Admito. — Mas não quero que seja desse jeito. Você está completamente bêbada, e eu posso ser uma prostituta, mas não vou usar isso para me aproveitar de você. – Explico. – Acredite em mim, não estou lhe negando, meu Deus, você é completamente inegável. Eu só peço que você espere até amanhã, caso amanhã acorde com essa mesma ideia, você me liga. Juro que venho correndo e fico o tempo que você quiser que eu fique. Fico não porque você vai estar me pagando para fazer isso, porque isso não vai acontecer. Vou ficar porque quero ficar. Eu, Emma, não uma personagem, que interage por dinheiro. – Suspiro, enquanto ela me olha atentamente. – Então por favor, vamos esperar até amanhã? – Seus olhos ainda estão nos meus, é impossível saber o que se passa por sua cabeça. Sustento seu olhar por alguns segundos, até por fim ela dar um leve aceno com a cabeça, sorrir sem humor, e libertar minha mão. Antes que ela resolva se afastar, volto a juntar nossos corpos e apoio meu queixo em seus ombros. – Você não faz ideia do quão difícil está sendo para mim. – Choramingo com ela.
– Você é surpreendente. – A ouço sussurrar. – Sabe por que não vai acontecer nada amanhã? – Nego com a cabeça. – Porque amanhã eu vou ser moral demais, certa demais, cheia de regras e bom senso, para ter qualquer tipo de relação física, com uma mulher. – Ao ouvir tal coisa, sou eu quem sorri sem humor.
– Uma prostituta. – Digo exatamente o que ela quer dizer.
– Prostituta seria o último dos meus problemas. O primeiro seria minha amiga estar apaixonada por você. O segundo seria meu noivo. – Ao ouvir tal coisa, tento me afastar para encara-la, mas ela não deixa.
– Que amiga? – Indago, já com medo de ouvir a resposta.
– Tinker, vulgo, sua mãe. – Ah droga!!! Droga!!! Droga, droga, droga! Não, não, não! Mil vezes não. É muito, muito azar para um Emma só. Centenas de pessoas nesse lugar, centenas de hotéis, centenas de milionários, não posso mesmo ter tido o azar de Regina ser a sócia de Tinker.
“Você pode ser de Vegas inteira, querida, menos da minha sócia. Amigas, amigas, negócios a parte, já ouviu falar? Não nos envolvemos com a mesma pessoa, isso é um trato que já fizemos há tempos, ou seja, nesse caso, você é só minha.” Lembro instantaneamente do aviso que ganhei mais cedo.
– Tinker é só uma cliente. – Balbucio sem saber direito o que dizer.
– Bom, você tem uma cliente apaixonada. – Me garante, me fazendo balançar a cabeça negativamente.
– Eu não me apaixono por clientes, e deixo claro que elas não podem se apaixonar por mim. – Me defendo e a ouço rir.
– Não é algo do qual se pode ter controle, Srta. Swan. – Meio que sai em defesa da amiga e me faz suspirar frustrada.
– Eu não tenho culpa de vocês duas serem sócias e amigas. – Reclamo.
– Ninguém disse que você tem. – Me respondeu tranquilamente.
– Você não vai me chamar para sair amanhã. – Concluo o óbvio.
– Não. Tinker e eu temos um acordo, não nos envolvemos com a mesma pessoa. – Me conta o que eu já tinha ouvido da loira. — Por isso acho que deveríamos aproveitar o hoje. Amanhã tenho a bebida a quem culpar. – Sugere em meio a um bocejo.
– Bom, então acho que vamos ficar só na vontade. – Me lamento. Tenho certeza que além da bebida, ela vai culpar e muito a mim, caso façamos alguma coisa hoje. – Pelo menos vamos poder ser amigas? – Indago.
– Talvez. – Não tem nenhum tipo de certeza em sua voz. — Me fale sobre você, algo que você não fala para suas clientes. – Me pede e não faço ideia do porquê, resolvo falar.
– Bom, eu tenho uma filha, o nome dela é Janis e ela tem seis anos. – Conto e por um tempo o silêncio se faz presente entre nós, o que me faz imaginar que ela dormiu. – Regina? – Chamo.
– Eu... eu... wow! Uma filha, sério? – Indaga totalmente surpresa.
– Seríssimo. – Afirmo.
– Mas, mas, você é 110% lésbica. – Sorrio.
– Bom, quando me dei conta de que era 110% lésbica e contei para os meus pais, ambos não aceitaram, sugeriram que eu era algo como doente, me levaram para algumas igrejas e tentaram me curar. – Nunca, nunca mesmo contei essa história para alguém. Ruby e Killian são os únicos que sabem, e bom, eles são meus amigos desde quase sempre. Por que estou contando para Regina? Provavelmente também estou bêbada. — Eles fizeram meio que uma lavagem cerebral em mim, me fizeram querer essa tal cura, e eu comecei a sair com um garoto da minha turma. – Só de lembrar de tal coisa, meu estômago revira. — Foi com ele que perdi minha virgindade, na verdade, foi com meus dedos, mas enfim, ele foi a primeira pessoa com quem me relacionei sexualmente. – Conto. — Isso aconteceu uma única vez, cinco minutos, se tivesse durado seis, eu teria vomitado nele. Foi tão horrível, tão asqueroso, eu me senti tão mal, tão errada, que desisti de ser curada segundos depois do fim. Enfim, essa única vez foi suficiente para eu engravidar. – Solto com o ar.
– Quantos anos você tinha? – Indaga enquanto suas mãos alisam preguiçosamente minhas costas.
– Dezessete. Estava no último ano do colégio.
– E você não pensou na possibilidade de... – Mesmo não terminando a frase, sei o que ela quer saber.
– Neal, o cara que deveria ser o pai dela, sugeriu que eu abortasse, na verdade, tentou me convencer de todas as maneiras. Meus pais foram além, me fizeram escolher entre a criança e a casa deles. – Deveria simplesmente colocar um fim no assunto, ao invés de falar mais e mais sobre isso com alguém que praticamente nem conheço. – Mas isso nunca foi discutível, sabe? Não seria justo com Janis. Quer dizer, eu sabia o que estava fazendo, sabia dos riscos, e mesmo tendo sido horrível, não fui obrigada a fazer. O mínimo que podia fazer por ela, era tê-la. – Conto meu ponto de vista. – A princípio eu a entregaria para a adoção, porque ela com certeza merecia ter uma vida melhor do que a que eu poderia oferecer, mas quando ela nasceu, eu caí na besteira de segura-la em meus braços, e aí, eu desejei nunca mais solta-la. – Sorri com a lembrança. — Então com dezessete anos, lá estava Emma, com uma filha recém-nascida nos braços, sem pais, sem o mínimo de apoio do pai da minha filha, sem lugar definido para morar, sem dinheiro, e sem nenhuma noção do que fazer da vida. – Escondo meu rosto no vão do seu pescoço.
– E vieram os programas. – Deduz. Afirmo com a cabeça, antes de levanta-la e encarar a executiva.
– E vieram os programas. Não é algo do qual eu me orgulho, mas consigo mais dinheiro assim, do que trabalhando dias inteiros, sete dias por semana, em lanchonetes. – Explico. — Eu fiquei com Janis e me prometi que não deixaria faltar nada a ela. Essas coisas de crianças são exageradamente caras, o colégio então, nem se fala. Só desse jeito para conseguir cumprir com a minha promessa. – Ela balança a cabeça, aparentemente concordando.
– Eu... eu... – Parece um pouco atordoada. Seus olhos talvez estejam cheios de lágrimas, mas não posso ter certeza disso, já que ela não sustenta meu olhar. – Eu quero entrar. – Sussurra por fim. Como não entendo sua mudança de humor, apenas concordo com a cabeça, e a solto. Nado até as escadas e saio da piscina, então estendo as mãos para ela, para ajudá-la a fazer o mesmo.
O silêncio continua presente entre nós enquanto junto suas roupas, meus sapatos e meu celular. Um pouco envergonhada por ter contado sobre minha vida a uma desconhecida, que provavelmente está em silencio me julgado, estendo as roupas para ela, que junto com as roupas, pega minhas mãos, ganhando minha atenção.
– Você é uma mulher incrível, nunca, nunca deixe que lhe convençam do contrário. – Diz tal coisa olhando nos meus olhos. Sem saber o que dizer apenas lhe sorrio e concordo com a cabeça.
– Preciso ir. – Aviso, apontando para trás.
– Sim, você precisa. – Concorda. – Mas pode se secar um pouco antes, me acompanhe, Srta. Swan. – Pede, antes de iniciar seu zigue-zague rumo a sala. O banho frio parece tê-la deixando um pouco melhor, mas só um pouco mesmo.
Pouco à vontade pelo meu momento de desabafo, sigo atrás dela em silêncio, deixando rastro de água por onde passamos.
Ela se agarra ao corrimão das escadas, para conseguir chegar até o segundo andar, o que faz eu me manter o mais perto possível, para que consiga segura-la, caso ela caia.
Ao entramos em seu quarto, as luzes se acendem, ela joga suas roupas sobre a cama e vai até o banheiro, voltando dele com duas toalhas. Me estende uma, enquanto se enrola na outra. Passo a toalha pelos braços, e pernas, antes esfrega-la contra meus cabelos. Por fim, a penduro sobre meus ombros e volto a prestar atenção em Regina. Seus lábios roxos e seu queixo batendo, deixam bem claro que ela está com frio, o que me faz sorrir.
– Vem cá! – A puxo para perto, minhas mãos friccionam seus braços, em uma tentativa de aquece-la.
– Você não está com frio? – Indaga enquanto seus dentes batem.
– Não. Estou acostumada com banhos gelados. – Conto, enquanto passo a toalha por seus cabelos, tentando seca-los.
– Suas clientes? – Afirmo.
– Sim, sempre tem uma maluca, que inventa de cair na piscina de madrugada.
– Então me acha uma maluca? – Paro o que estou fazendo e a encaro.
– Você está mais para misteriosa e indecifrável. – Minha resposta a faz sorrir. Sua cicatriz acaba chamando minha atenção e faz meu indicador toca-la. — Como conseguiu? – Indago.
– Nunca se meta em uma briga de cão e gato. – Sua resposta me faz rir.
– É uma cicatriz bonita. – Elogio.
– Obrigada! – Me agradece e o silencio volta a se fazer presente. Nossos olhos se procuram de novo e mais uma vez na noite, preciso conter a vontade de beija-la. Minha mão acaricia seu rosto a fazendo fechar os olhos e suspirar.
Regina Mills me quer, tudo bem, a culpa pode ser da bebida, mas ela me quer, e pensar sobre isso, me faz sorrir. Paro a mão em sua nuca e a acaricio, antes de traze-la para mim e beijar sua testa.
– Eu acho, acho que estou sentindo o mundo girar. – Sua frase me faz rir.
– Acontece, quando se bebe muito. – Resmungo contra sua testa. – Por que você não põe seu pijama e deita? – Sugiro ao me afastar. – Tenho certeza que vai melhorar.
– Meu pijama está em casa. – Conta em tom de lamento.
– Okay, então, você tira a lingerie molhada, deita, e se cobre. – Dou a única solução.
– Fique de costas. – Pede ao desfazer nosso contato. Não digo nada, apenas faço o que ela me pede. – Não está espiando? – O tom com o qual faz a pergunta é quase infantil.
– Nem um pouquinho. – Garanto.
– Mas você queria espiar? – A pergunta desconfiada me faz rir.
– Sim, queria muito espiar. – Confesso.
– Mas você não pode, porque está comprometida com Tinker. – Nego com a cabeça.
– Não estou comprometida com Tinker, temos um acordo de um mês que envolve dinheiro, apenas isso. – Deixo bem claro.
– Ela gosta de você. – Repete o que me disse na piscina.
– Esse não é um problema meu. – Respondo dando de ombros.
– Conquistadora! – Ouço o barulho da roupa de cama sendo puxada. – Pode olhar agora. – Me avisa. Suspiro e me volto para ela, que já está coberta até o pescoço. – Você continua toda molhada. – Concordo.
– Acontece quando se pula na piscina sem tirar as roupas. – Ela sorri.
– Tire! – Ordena em um tom de voz autoritário, me fazendo arquear as sobrancelhas.
– Como?
– Tire a sua roupa. – Nego com a cabeça.
– Não acho uma boa ideia. – Só de saber que ela está completamente nua debaixo da coberta sortuda, a míseros metros de mim, já tenho vontade de me jogar na cama. Com certeza tudo vai piorar se eu tirar minha roupa.
– Tire! – Volta a repetir. – Tire agora, Srta. Swan.
– Eu não gosto de receber ordens. – A aviso.
– Você não gosta de confiar nas pessoas. – Me corrige, me deixando momentaneamente sem respostas. – Apenas tire. Agarrar você, jogar contra essa cama e abusar do seu corpo, não faz parte dos meus planos, até porque, não saberia como fazer isso. – Murmura o final da frase, me fazendo sorrir.
– Eu estou sem calcinha. – Resolvo esclarecer, antes de fazer sua vontade.
– Tire! – Continua irredutível. Obedecendo sua vontade, levo as mãos até a barra do vestido e o puxo, me livrando dele.
– Satisfeita? – Indago ao joga-lo no chão.
– Tudo. – Aponta para meu sutiã. Resolvo nem questionar, apenas faço o que ela quer, e faço a peça se juntar ao meu vestido, ficando completamente nua, em frente a executiva gostosa.
Os olhos dela estão no meu corpo, ela está me dando uma bela conferida e nem se preocupa em disfarçar tal coisa. Nunca fui uma pessoa inibida, mas confesso que os olhos dessa mulher sobre mim, estão me deixando um pouco sem jeito. Ela faz sinal com o dedo, me pedindo para virar, o que me deixa mais desconcertada. De novo, faço sua vontade.
– Você tem uma bunda linda. – Seu elogio me faz sorrir.
– Obrigada! – Murmuro sem graça.
– Seus braços, pernas e abdômen malhados, também não são de se jogar fora. – Continua. – Como faz para manter tudo isso? – Parece interessada.
– Bom, como você sabe, meu corpo é meu instrumento de trabalho, o que me faz ser “sócia” da academia. – Explico.
– Okay, já pode virar agora. – Suspiro, cruzo os braços em frente aos seios, e me volto para ela. – Gostei do seu piercing também. – Seus olhos provavelmente estão no metal preso ao meu umbigo.
– E agora? – Indago, querendo que ela ponha um fim a sua análise. Seus olhos sobem, até encontrarem meu rosto.
– Vista minha camisa. – Aponta com a cabeça para a peça que está em cima da cama. Penso em abrir a boca para negar, mas além de pensar no perfume dela, que com certeza está impregnado na camisa, penso também que será mais fácil para nós duas, se eu trajar qualquer coisa. Então faço o que me foi ordenado. Coloco sua camisa, ataco todos os botões e dobro as mangas até os cotovelos. – Pronto, agora não está mais molhada. – Tenho vontade de abrir a boca para responder, que sim, estou molhada, mas resolvo que é melhor não.
– Eu tenho que ir. – Murmuro com ela, que abre um sorriso persuasivo.
– Você não quer ir. – Faz uma afirmação. – Vem aqui! – Bate com a mão no lado vazio da cama, me convidando, e embora minha vontade seja negar, minhas pernas me levam até lá. Deito ao seu lado, só que por cima da coberta, e me volto para ela, que tem um pequeno sorriso. – Você quer dormir aqui? – Me convida.
– Quero. – Admito. – Mas não posso. – Aviso não só a ela, mas a mim também.
– Por que não? – Sorrio, levo a mão até os cabelos que caem na frente dos seus olhos e os coloco para trás.
– Porque essa Regina Mills, simpática e convidativa, vai embora assim que você dormir. Amanhã a outra Regina vai acordar de ressaca, e tudo vai ficar ainda pior se me encontrar aqui ao lado dela. – Explico.
– A outra Regina é um saco! – Reclama.
– Não, ela só é mais reservada. – A defendo. Seus olhos ficam presos nos meus, ela parece estar se decidindo entre falar ou não algo, por fim acaba suspirando.
– Você quer ouvir um segredo? – A pergunta sai sussurrada, seus olhos fogem dos meus.
– Quero, mas só se você quiser me contar. – Ela assente e fecha os olhos. O silêncio se faz presente entre nós por tempo demais, o que mais concluir que ela dormiu. Fico parada por um tempo a admirando dormir, até que a parte irritante do meu cérebro, volta a perguntar qual a porra do meu problema. Quando enfim decido que devo ir embora, Regina decide falar.
– Eu deveria ter alguém também. – Sua voz sai quase inaudível e completamente arrastada. – Mas eu não tive a coragem que você teve... – Está visivelmente lutando contra o sono. — Não tive força de vontade suficiente para bater de frente com a minha mãe. – As palavras saem cada vez mais devagar. — Eu não tinha 17 anos, tinha 28... e... – Espero pacientemente para que ela continue, mas não acontece, dessa vez, tenho certeza que dormiu. E bom, a verdade é que estou aliviada por ela ter dormido antes de conseguir contar o fim da história. As poucas coisas que falou, deixaram claro o final da história e a verdade é que não saberia exatamente o que dizer para consola-la ou coisa assim.
– Você dormiu, mas eu entendi. – Sussurro. – Talvez por isso você seja tão inflexível e durona. – Compartilho meu pensamento, enquanto continuo alisando seus cabelos. – O que está feito, está feito, sabe? Não tem como voltar atrás. Sei que isso não é um consolo, mas você precisa seguir adiante e usar isso como aprendizado, ou sei lá. – Dou de ombros. – Não sou muito boa com essa história de consolar as pessoas, sempre uso palavras bonitas, e frases feitas. Sei exatamente o que minhas clientes querem ouvir, então... – Dou de ombros. — E depois uso sexo para faze-las esquecer dos fantasmas do passado. – Suspiro. – Mas sei que palavras bonitas não colam com você, e não quero usa-las com você, assim como sei que você não quer ouvi-las. Como sexo também não está na pauta, tudo que posso lhe oferecer é meu ombro amigo. – Meus olhos se prendem em seu rosto. Ela dorme tranquilamente, tem uma expressão suave, quase inocente.
Mentalmente me pergunto o que ainda estou fazendo aqui. Mal a conheço, não faz nem um dia que literalmente esbarrei nela. Tudo bem, eu quero sexo, tal coisa já aconteceu outras vezes com outras mulheres. As consideradas “casos impossíveis” sempre me prenderam.
Conquistar o impossível, deixa-las loucas por mim, faze-las mudar de ideia, para mim nunca existiu nada mais instigante, e excitante. Soube que Regina Mills, seria uma dessas mulheres, assim que bati meus olhos nela.
Acabei tendo a oportunidade de fazer o que bem queria com ela, muito antes do imaginado, mas não fiz. Teria feito com qualquer outra, tenho certeza que teria, afinal, sou uma prostituta, não a Madre Tereza, então não sei porque não fiz.
Talvez, eu queira mesmo que sejamos amigas. Conheço centenas de mulheres, mas nenhuma nunca me olhou tão misteriosamente como ela faz. Sempre que me olha, não sei o que está pensando, e a parte assustadora é que gostaria muito de saber.
Como já disse, mal a conheço, mas gostaria de saber sobre todos os mistérios que existem no olhar de Regina Mills. A impressão que tenho, é que ela é uma dessas pessoas “bomba-relógio”, prestes a explodir, e destruir tudo a sua volta. Meu sexto sentido me manda ficar longe, mas simplesmente não consigo, o perigo sempre me atraiu.
– Você é a pessoa mais enigmática que eu já tive o prazer de conhecer. – Sussurro para ela. – E acho que é a mais linda também. – Volto a sussurrar. Ela suspira, me fazendo sorrir.
Lentamente, aproximo meu rosto do dela, volto a sorrir ao sentir seu hálito de puro álcool. Meu nariz brinca com o dela, enquanto minha mão acaricia sua face. Fecho meus olhos, roço os lábios nos dela e por fim os junto aos meus.
– Daniel. – Ela resmunga contra meus lábios, me fazendo abrir os olhos e afastar-me um pouco. – Daniel. – Volta a repetir, e me arranca uma careta.
– Não me chame pelo nome do outro, isso é broxante e indelicado. – Reclamo. – Emma, esse é meu nome. – Um sorriso se forma nos lábios dela, e me faz sorrir junto.
– Srta. Swan. – Resmunga meu nome, fazendo meu sorriso crescer.
– Muito melhor. – Ronrono, antes de voltar a juntar meus lábios aos dela. Beijar uma boca inerte, nunca me deixou em estado de graça, mas como sempre existe uma primeira vez, em estado de graça é como eu estou. Lhe dou dois ou três beijinhos, antes de suspirar e me afastar. – Boa noite, Srta. Mills, me diverti muito essa noite, torço para que possamos repetir isso em breve. – Sussurro ao pé do seu ouvido, o que lhe arranca um longo suspiro.
– Daniel. – Rolo os olhos ao ouvir o mesmo nome pela terceira vez, e decido ir. – Srta. Swan? – Me chama, quando já estou prestes a me por de pé. Bom, não preciso nem dizer que estou de volta a seu lado, preciso?
– Sim?
– Não vá. – Ela pede, antes de me dar as costas, virando-se para o outro lado. Suspiro, deixo minha cabeça cair na cama, jogo meu braço para cima da sua cintura, e a puxo para perto. Sorrio, pensando há quanto tempo não durmo com uma mulher, no real sentido de dormir. De novo meu sexto sentindo me manda cair fora, o que me faz suspirar.
– Só cinco minutos. – Aviso antes de fechar os olhos.
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