Right Here Waiting For You
7 Four Five Seconds
Notas iniciais
POV REGINA
Você já sentiu como se tivesse sido pisoteada por uma manada de elefantes? Ou como se uma banda de metal estivesse dando um show dentro da sua cabeça? Já sentiu essas duas sensações juntas? Pois é exatamente desse jeito que me sinto. Minha cabeça dói tanto, que pensar tornou-se algo completamente complicado. Abrir os olhos então, é praticamente impossível.
Não faço ideia de onde estou, muito menos de por quantas horas, ou quantos dias dormi. Me sinto completamente perdida e confesso estar um pouco assustada. Além da cabeça, o medo também me impede de abrir os olhos. Tento pensar no que aconteceu, mas é como se não tivesse acontecido nada. A única coisa da qual me lembro é de estar no bar do hotel, quando a Srta. Swan apareceu, pedindo para beber comigo.
As garrafas de tequila, disso eu lembro. Lembro também de ter sido vencida pelo cansaço, (popularmente conhecido como Srta. Swan) e ter aceitado a companhia dela para beber. Mas o que conversamos, não consigo lembrar do que conversamos. Minha cabeça lateja em busca de respostas, tornado a dor quase insuportável.
Água, minha boca seca, clama por um copo d’água, minha cabeça por um analgésico e meu corpo pela morte. Morrer, seria mais fácil morrer. Deveriam vender armas como remédio para ressaca. Um tiro na cabeça e pronto, tudo ficaria lindamente resolvido. Seria um remédio dois em um, curando ressaca física e moral.
Como esse remédio milagroso ainda não pode ser usado para esse fim, não me resta outra alternativa a não ser recorrer a algum analgésico. Pelo menos a minha ressaca é só física, certo? Errado! O braço que acaba de me puxar pela cintura, deixa bem claro que meu problema vai muito além de uma ressaca física.
Meu coração reage de imediato a tal contato, meu corpo enrijece, e o estado de minha cabeça fica ainda pior.
Quem diabos está nesse lugar comigo? E por que motivo acha que pode me puxar desse jeito? Robin, talvez? Mas não faz sentido ele estar aqui, ou faz? De novo tento lembrar da noite passada.
Bar, Okay. Tequila, Okay. Srta. Swan, Okay. Miley Cyrus, talvez? Hannah Montana? Mas quem diabos são essas? E por que esses nomes surgiram na minha cabeça? Meu pensamento, (ou a falta dele) se vai quando o braço possessivo volta a me puxar pela cintura, dessa vez juntando meu corpo ao seu.
Não faço a mínima ideia do que fazer. Devo gritar por ajuda, ou devo levantar e sair correndo? Abrir os olhos, acho que devo começar abrindo os olhos. A claridade do lugar deixa minha dor pior, mas o que realmente me incomoda é ver a mão feminina jogada para cima da minha cintura.
Uma mulher! Uma mulher! UMA MULHER! O que diabos eu estou fazendo na cama com uma mulher? Assustada, me afasto o máximo possível, como se de repente, estivesse prestes a pegar alguma doença contagiosa. O problema é que me afasto tanto, que acabo caindo da cama.
Estou tão mal, que não consigo nem praguejar contra a dor que a queda me causou. Sem forças, nem coragem, nem dignidade para levantar, permaneço deitada sobre o chão gelado. Chão gelado. Chão gelado. Minhas roupas. Ao sentir falta de tais coisas, passo as mãos pelo corpo, e infelizmente os poucos neurônios que ainda me restam, me avisam que estou completamente nua.
Okay, qualquer esperança que tinha sobre ter passado a noite brincando de casinha, com quem quer que seja, é totalmente destruída pela minha falta de roupas. Miley Cyrus, Hannah Montana, não sei por que, mas esses nomes voltam a minha cabeça. Provavelmente uma das duas está ali na cama. Peço a Deus para ser apena uma e não as duas.
Okay, Regina. Você passou a noite com uma mulher. UMA MULHER. Acidentes acontecem certo? Deve ser a água dessa maldita cidade, essa é a única explicação plausível para o que você fez.
Você veio pra Vegas, encheu a cara e traiu seu noivo com UMA MULHER. Tudo isso em incontáveis UM DIA. Vamos pensar pelo lado positivo, você não lembra. Se você não lembra, você obviamente não fez, não é isso que dizem por aí? Sim, é exatamente isso. Você agora faz parte da seleta lista dos bêbados desmemoriados. Agora levanta desse chão, expulsa quem quer que seja da sua cama, toma algum remédio e ponha uma roupa. Okay, você não precisa fazer isso exatamente nessa ordem.
Respiro fundo, buscando forças para levantar e encarar o desconhecido, e me sento. Fico alguns segundos sentada, antes de me agarrar a beira da cama, buscando apoio para me levantar.
Ao me pôr de pé e checar quem está na cama, fico estática, incrédula, totalmente sem reação. Não sei por quanto tempo estou aqui parada, sem tirar os olhos da Srta. Swan, que provavelmente não por um acaso, está usado a MINHA camisa.
O Bar, a Srta. Swan, a insistência dela para que bebêssemos juntas, a tequila, ela enchendo nossos copos. Forço minha memória, enquanto a fuzilo com o olhar. Parece tudo desconexo em meio a um grande nada. Ela me segurando pela cintura quando levantei da banqueta. Nós duas entrando no elevador.
O diabo, essa mulher é o diabo. Claro, agora tudo faz sentido. Ela me viu bebendo no bar, insistiu para que bebêssemos juntas, me embriagou, colocou alguma coisa na bebida, e depois me convenceu a deixa-la subir comigo. Fez tudo de caso pensado. Ela sabia que seria o único jeito de ter qualquer tipo de contato físico comigo.
Irritada por ter sido enganada, e praticamente dopada para que essa mulher pudesse fazer suas vontades, vou até ela e a puxo sem nem um pingo de delicadeza pelo braço, a arrastando para beirada da cama.
– Acorda! Acorda agora! – Exijo e volto a puxa-la, a fazendo ir ao chão. – Fora! – Ordeno assim que ela abre os olhos. Ela parece assustada, perdida, tentando entender o que está acontecendo. – Você tem meio segundo para sair daqui, ou eu vou chamar os seguranças. – Esbravejo. Gostaria de estar gritando, mas a dor que sinto na cabeça, me impede.
– Regina... – Ao ouvi-la me chamando pelo primeiro nome, como se fossemos intimas, não consigo conter a vontade de gritar.
– NÃO ME CHAME DE REGINA! – Exijo. Fecho os olhos e levo as mãos às têmporas, as massageando. Quando volto a abri-los, ela já está de pé. Seus olhos estão parados em mim. – Não me chame de Regina, nós não temos nenhuma intimidade para você me chamar assim. Você só está aqui, porque me embebedou ou fez sabe-se lá mais o que, para estar aqui. – Acuso. – Está satisfeita? Teve o que queria? – Aponto em direção a saída. – Pois muito bem, agora dê o fora daqui. – Seus olhos parecem perdidos, enquanto ela parece tentar entender o que estou falando.
– Você acha que nós...? – Aponta para si e depois para mim, então seus olhos saem do meu rosto e descem pelo meu corpo. Lembro da minha falta de roupa e puxo o lençol da cama para me cobrir.
– Eu não acho, Srta. Swan, eu tenho certeza. – O sorriso em seus lábios me faz odiá-la ainda mais. – Se sente bem por ter abusado de uma bêbada? É isso que faz, embebeda todas as pessoas pelas quais se sente atraída, só para leva-las para cama? – Meu tom de voz sai mais alto a cada palavra pronunciada. – Você é baixa, mais baixa do que eu pensei que fosse. – Cuspo as palavras contra ela. – Você me dá nojo! – Ela balança a cabeça negativamente e sorri sem humor.
– Você não lembra absolutamente de nada. – Não é uma pergunta, é uma afirmação.
– Tenho certeza que você colaborou para que isso acontecesse. O que você pôs na minha bebida? – Ela me lança um olhar incrédulo, e volta a balançar a cabeça.
– Você está sendo injusta. – Me acusa.
– Injusta, eu? E você foi o quê? – Ela abre a boca para responder, mas não deixo. – Pensando bem, obrigada, não sei o que você pôs na minha bebida, mas obrigada. Assim não terei ânsia de vômito, toda vez que lembrar da noite que passei com você. – Me sorri ironicamente antes de me dar as costas e ir até os seus pertences, jogados no chão no quarto. Veste sua calça que aparentemente está molhada, depois calça as sandálias.
– Culpar as pessoas é mais fácil, não é mesmo? – Volta-se para mim. – Eu entendo você. – Caminha em minha direção. – É mais fácil pôr a culpa na prostituta, do que admitir para si que a prostituta não teve culpa nenhuma. – Para a centímetros de mim. Seus olhos sustentam meu olhar furioso. – Eu contaria em ricos detalhes para você, tudo o que fizemos na noite passada. – Sorri e dá um passo à frente, fazendo com que seu nariz toque o meu. – Adoraria repetir tudo que ouvi saindo da sua boca, mas eu vou poupa-la, Srta. Mills. Você é fraca, não sei se aguentaria tanto. – Murmura a provocação, sem tirar os olhos dos meus. — Aspirina e café, essas coisas vão ajudá-la a amenizar a ressaca. – Avisa. Suas mãos vão até minha cintura. – Com licença. – Pede ao me tirar da sua frente, e passar por mim.
Me pergunto quem essa mulher pensa que é. Me embebeda, me droga, dorme na minha cama, e ainda quer ter razão. Acha que pode me provoca desse jeito. Irritada, resolvo ir atrás dela.
– Não vá embora sem receber, Srta. Swan. Não quero que pense que lhe devo alguma coisa. – Peço enquanto desço as escadas. Ela para de caminhar, mas permanece de costas.
– Não se preocupe, você não me deve absolutamente nada. – Garante. – Cliente insatisfeita não paga. – Abro um sorriso debochado e paro no primeiro degrau das escadas.
– Acredito então que seu trabalho acaba sendo gratuito. – Provoco.
– Engano seu, você é a primeira insatisfeita. – Responde sem se abalar, ainda de costas para mim.
– Podemos deduzir então que realmente existe doido para tudo. – Minha nova provocação a faz dar de ombros.
– Você vai precisar melhorar muito, para conseguir me ofender ou me tirar do sério, Srta. Mills. – Avisa, sua voz continua inabalada. – Confesso estar um pouco decepcionada. – Enfim, volta-se para mim. – Pensei que você fosse uma mulher madura, mas está mais para uma adolescente imatura e mimada, que se recusa a admitir os próprios erros, então tenta ofender e culpar alguém, para que se sinta melhor. – Me acusa. – Melhore, conheci muitas pessoas iguais a você, e acabei me tornando imune a elas. – Me lança uma piscadela, me dá as costas e sem dizer mais nada, se vai.
Fecho as mãos em punho, desejando esbofetear a loira desaforada. Além de ter me embebedado, drogado, e tudo mais, ela ainda se acha no direito de tentar me dar lição de moral? Mas é muita, muita cara de pau para uma pessoa só. Irritada, pego o vaso que está em cima da mesa de canto, e jogo em direção ao lugar por onde ela saiu, fazendo o mesmo se espatifar.
– IDIOTA! – Xingo e tenho vontade de morrer, já que é minha cabeça quem sofre as consequências. – Ai! – Reclamo. Minha bolsa, preciso dela. Minha cartela de analgésicos está lá dentro. O problema é que não tenho noção de onde ela está. Roupas, também preciso pôr minha roupa, ao pensar em tal coisa, volto a amaldiçoar a prostituta. ELA SAIU VESTINDO A MINHA CAMISA. A ÚNICA QUE TENHO AQUI. – Maldita! – A xingo, e contenho a vontade de jogar outro objeto contra o lugar por onde ela saiu.
Caminho de um lado para o outro, enquanto penso no que fazer. Isso não demora mais do que um minuto, já que minhas pernas cansadas, bambas, desidratadas, mandam claros sinais para o meu cérebro, de que eu preciso sentar. É o que eu faço, vou até o sofá e me sento. Só percebo que sentei em cima de algo, quando já estou em cima. Chego para o lado, dando um espaço para os pertences desconhecidos.
Uma bolsa, e um sobretudo preto. Meu cérebro não precisa estar em perfeitas condições para eu saber de quem são essas coisas. Me vejo tentada a abrir a bolsa, quem sabe eu encontre um remédio dentro dela. Mas não devo, certo? Isso seria invasão de privacidade. Por outro lado, ela também invadiu a minha privacidade, e como invadiu. Melhor nem pensar em tal invasão.
Pego a bolsa, decidida a abri-la, mas a campainha acaba de me impedir. Só pode ser ela, deve ter lembrado das coisas que esqueceu. Ótimo, assim recupero minha camisa, ela pega as coisas dela, e com uma pequena ajuda de Deus, nunca mais precisaremos trocar uma palavra. Enrolada no lençol caminho até porta e a abro sem me dar ao trabalho de me certificar se é ela mesmo.
Infelizmente, como estou em Vegas e como nunca fui boa em jogos de azar, dou de cara com Tinker, o que me faz quase fechar a porta na cara dela. Deixo só minha cabeça visível, e escondo meu corpo atrás da porta. Me pergunto o que ela faz aqui.
Lembro-me que Tinker adora se divertir, assistindo os vídeos das câmeras de segurança. Peço a Deus que ela não tenha assistido os vídeos da noite passada, ou que pelo menos, não tenha assistido a parte do bar e do elevador do mesmo. Outra possibilidade me vem a cabeça, ela pode ter visto a Srta. Swan saindo daqui, e veio tirar satisfação.
Não tenho noção do que dizer, de como me desculpar, de como explicar o que aconteceu. Provavelmente ela vai debochar da minha cara, se eu contar que não me lembro. Tinker não acredita na história de bêbado desmemoriado, e a irônica verdade, é que eu também não acreditava, até pelo menos abrir os olhos e tudo mais.
Além disso, Tinker está apaixonada pela prostituta, está cega a ponto de não ver que a mulher não dá a mínima para ela, e sim para o dinheiro dela, ou seja, ela não vai acreditar de jeito nenhum que foi a prostituta quem me “seduziu” e não o contrário.
– Regina? – Passa a mão na frente dos meus olhos, me tirando dos meus devaneios. – Você está bem? Está com uma cara horrível de acabada. – Inclina o corpo para frente e fareja perto de mim. – E com cheiro de bebida. – Me lança um olhar divertido. – Não me diz que caiu na farra? – Ela gargalha. – Regina Mills, uma noite, apenas UMA NOITE, foi suficiente para corrompe-la. Tem alguém aí dentro com você, não tem? Aposto que você está pelada. – Balançando a cabeça negativamente, imaginando o que aconteceria com toda essa felicidade excessiva de Tinker, se ela só imaginasse, com quem “caí na farra” e passei a noite. – Me conta tudo, quem está aí com você? – Tenta espiar.
– Tinker, você não faz noção do meu mal humor, muito menos da minha dor de cabeça, mas você faz ideia do quão grossa eu posso ser. Então sugiro que você desembuche o que veio fazer aqui, e então vá embora. – O sorriso dela se desfaz.
– Não teve sexo. – Conclui. – Mesmo estando de ressaca, se tivesse tido sexo, você não estaria irritada desse jeito. – Volto a balançar a cabeça negativamente, e de novo imagino o que ela diria se soubesse de tudo.
– O que você quer? – Questiono sem paciência.
– Vim dizer que eu sei de tudo. – Ao ouvir tal coisa, fico momentaneamente sem reação. Ela sabe de tudo? Tudo, tudo? E não está brava? Não faço ideia do que dizer, então resolvo apenas me desculpar.
– Sinto muito.
– Sente muito pelo quê? – Indaga de testa franzida.
– Pelo que aconteceu. – Ela me sorri, e não é um sorriso debochado, é um sorriso tranquilo, um sorriso de que está tudo bem.
– Tudo bem, Regina. Sei que a culpa não foi sua. – Arqueio as sobrancelhas.
– Sabe? – Okay, jamais imaginei que ela fosse ter esse tipo de reação. Xingamentos e acusações, pensei que seria tratada com esse jeito carinho.
– Sim, Jane me contou tudo. – É o que? Junto as sobrancelhas, em sinal de desentendimento.
– Jane? – Ela afirma.
– Sim, depois de pensar um pouco e juntar os fatos, concluí que você é a executiva que teve o carro atropelado pelo carro dela. – De repente ligo o nome à pessoa. Lembro da parte do dia anterior em que eu não estava bêbada, e estava ouvindo atrás da porta. Jane, para Tinker, a prostituta se chama Jane.
– Não sabia que você tinha uma filha. – Debocho, e vejo algo raro, Tinker envergonhada. – Muito menos que tal filha é prostituta. – Ela sorri sem graça. – Você está se relacionando com uma garota que tem mesmo idade para ser sua filha. Tanto que ela usou a palavra “mãe”, para se referir a você. – Resolvo descontar um pouco do meu mal humor nela, já que tudo isso aconteceu, por culpa dela.
– É só sexo, Regina. – Defende-se.
– Não poderia encontrar alguém com rosto pouco menos adolescente, para ter só sexo? – Esbravejo.
– Não vamos falar sobre isso. – Pede.
– Jane... – Associar o nome à pessoa, me faz bufar. – É ela, a mulher do jornal? – O silêncio dela me confirma algo que já sei. – Você está apaixonada por uma prostituta, uma prostituta que mal largou a adolescência. Você é pateticamente ridícula! – Acuso.
– Eu não estou apaixonada! – Está na defensiva.
– Não? – Ela desvia os olhos.
– Não. – Sua resposta não sai nada convincente, o que me faz balançar a cabeça negativamente.
– Ótimo. Caso esteja, desapaixone-se, faça isso, ou vai quebrar a cara. Espero que tenha em mente que tudo que você vai conseguir dela, é sexo. Dinheiro não compra amor. – Ela me lança um olhar irritado.
– Que bicho mordeu você, hein? Por que diabos você não gosta de ver as pessoas felizes? Por quem eu me apaixono ou deixo de me apaixonar, é problema meu. Pelo menos estou vivendo, me divertindo, sendo feliz. Liberdade, Regina. Já ouviu falar? Já se sentiu livre? – Sua irritação me deixa momentaneamente sem palavras. – Você deveria tentar libertar-se disso, libertar-se da pessoa que sua mãe moldou para que você fosse. Liberte-se dessas amarras Regina, tente fazer isso. Quando você conseguir, garanto que você vai conhecer o significado da palavra, paz. – Outra. Pelo visto tiraram o dia para me darem lição de moral. Talvez Tinker esteja convivendo demais com Jane, ou Swan, ou sei lá por mais que nome a prostituta atende.
– Acabou? – Questiono tranquilamente, sem me abalar com o ataque de pelanca dela.
– Sim, como já dizia minha vó: não adianta gastar vela com defunto ruim. – Seu drama me faz rolar os olhos. — Seu carro, vim falar sobre ele. Quando concluí que era o seu carro, decidi comprar-lhe outro. Maior, mais bonito e mais vibrante. – Estende a chave para mim. – Faça bom proveito. Está no estacionamento dos funcionários, tem um laço vermelho em cima dele. – Assim que pego a chave, ela me dá as costas e se vai.
– Tinker, volta aqui, desde quando você virou essa pessoa dramática? – Estico o pescoço, botando a cabeça para fora do quarto. Ela está parada em frente ao elevador, batendo o pé impacientemente enquanto o espera. – Tinker! – Chamo de novo.
– Tome um banho, Regina, você está fedendo a álcool. O que é um pouco estranho, para uma pessoa puritana como você, que veio a cidade apenas para tratar de negócios. – Assim que o elevador abre, ela se vai, sem se dar ao trabalho de olhar em minha direção.
Irritada pelo sermão de Tinker, por tê-la magoado, e por ter de certa forma a traído, bato a porta com força, tentando descontar nela, minha frustração. Maldita cidade, maldita prostituta, maldita vida! Qual o meu problema? Como pude fazer isso com Tinker? Como pude me envolver com uma mulher?
– Você não vale nada, Regina! – Murmuro comigo. A verdade é que não faço ideia do que fazer. Deveria ir até Tinker, e contar tudo o que aconteceu, ou pelo menos, contar tudo o que eu me lembro. Devo isso a ela, certo? Mas não sei se ela me perdoaria. Pelo jeito que ela ficou ofendida quando falei da tal “Jane”, algo me diz que ela não vai aceitar nada bem o envolvimento que eu tive com a moça. Provavelmente a prostituta vai coloca-la contra mim, e além de perder a única amiga que tenho e já tive, vou arrumar um outro problema.
Me sinto atordoada, sufocada. Preciso urgente sair desse lugar, respirar ar puro, tentar pôr os pensamentos em ordem, mas como posso sair daqui, se nem roupas para isso eu tenho? Meus olhos param no sobretudo da mulher causadora dos meus problemas. Quando dou por mim, já estou dentro dele.
Rihanna, Kanye West, Paul McCartney — FourFiveSeconds
O elevador me deixa no bar do hotel, ando a passos largos, querendo de uma vez pisar fora desse lugar, mas tenho a impressão de que vi a prostituta debruçada sobre o balcão do bar, o que me faz girar nos calcanhares e voltar. Sim, é mesmo ela. Conversa animadamente com uma criança que está sentada sobre uma das banquetas. Ela e a garota parecem se divertir, na verdade, ela parece estar lhe contando algo muito engraçado, o que faz a menina gargalhar constantemente. Paro em frente a elas, ganhando a atenção das duas.
– Posso saber aonde estão seus pais? – Acho que meu tom de voz a assusta, o que a faz parar de sorrir e ficar muda.
– Kristen é filha de Robert, um dos barmans daqui. – A prostituta fala pela garota. – A propósito, gostei da sua roupa. – Ela sorri.
– Acredito que Robert, não sabe qual a sua profissão, Srta. Swan, esse é o único motivo para deixar essa criança perto de alguém como você. – O sorrisinho que ela tem no rosto, se desfaz.
– Por que se incomoda tanto com a minha profissão, Srta. Mills? – Seu tom de voz sai sério.
– Não me incomodo. Só não acho que pessoas como você. – Aponto para ela. – Devam ser aproximar e conversar com pessoas como ela. – Aponto para a menina. – Você não é um exemplo a ser seguido, então deveria se manter longe das crianças. Principalmente das meninas, para que não exista o risco de acharem que é legal ser alguém como você. – Ela me olha de um jeito transtornado, tenho a impressão de que quer me bater, ou no mínimo, me amedrontar. – Fique longe dessa menina, Srta. Swan, e pelo bem da humanidade, nunca tenha filhos, o mundo e a criança agradecem. – Depois de dar o recado, dou as costas para ela e sigo meu caminho.
Me assusto quando sinto um par me mãos me empurrando contra a parede. Não tenho tempo de pensar, sou puxada pelos braços, e em seguida minhas costas são esbarradas contra a parede. A prostituta me olha furiosamente, enquanto empurra meus ombros contra a parede mais uma vez, me impossibilitando de sair.
– Você tentou me ofender lá em cima, sem ao menos saber porque, sem ao menos querer saber o porquê, você simplesmente fantasiou o que lhe convinha, decidiu que a culpa era minha e tentou me ofender. – De novo tento sair e ela me empurra com mais força. – Eu podia ter jogado tão baixo quanto você tentou jogar, podia lembra-la de coisas que tenho certeza que você deseja não ser lembrada. Deseja tanto não lembrar que sua mente bloqueou boa parte da noite. – Me puxa pelos ombros só para poder voltar a esbarra-los. – Mas eu não quis rebater, não quis porque eu não sou assim, não sou como você. Ofender os outros não me deixa feliz, não me faz sentir melhor. Só que agora você foi baixo demais. – De novo acontece uma sessão de esbarrão. – Então Regina Mills, eu quero que você saiba que você tem talento, muito talento, com um pouco de treino e alguma bebida circulando no seu sangue, você pode ser tão prostituta quanto eu. – Seus olhos irados, procuram pelos meus. – Você é tão fácil, que acho que uma garrafa de tequila, é suficiente para comprar você. Tudo que aconteceu na noite passada, foi por insistência sua. Você se ofereceu, você se despiu, você me encurralou, só faltou você tatuar na testa a frase: me coma! – Sorri sarcasticamente. Sinto suas mãos afrouxarem os meus ombros, o que faz eu esbarrar minhas mãos em seu peito e empurra-la. Irritada por tudo que ouvi, viro a mão no rosto dela. Ela me lança um sorriso ameaçador, e antes que eu consiga sair, volta a me empurrar contra a parede. – Sabe o que dói mais do que um tapa? Palavras. – Volta a sorrir. – Sabe o que eu tenho a dizer para você? Obrigada pelo conselho sobre crianças, Srta. Mills, sabemos muito bem que a senhorita é perita em saber quem é capaz ou não, de pôr um filho no mundo. – As palavras dela me atingem como um soco no estomago, e me deixam momentaneamente sem ar. Ela aproxima o rosto do meu, e seus lábios roçam minha orelha. – Obrigada por não ter posto seu filho no mundo, Srta. Mills. A humanidade e a criança, agradecem. – Lágrimas estúpidas nublam minha visão, enquanto a maldita voz ecoa na minha cabeça, repetindo o falso agradecimento.
Estou tão atordoada, que quando dou por mim, ela já se foi. Sem forças para dar um passo, deixo minhas costas escorregarem pela parede, dobro meus joelhos e me abraço a eles, enquanto penso no que acabei de ouvir.
Como, como ela sabe sobre isso? Como a deixei saber sobre algo que não tenho coragem de conversar nem comigo mesma? O que diabos essa mulher fez comigo afinal de contas?
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