Right Here Waiting For You
1 Waking up in Vegas
Notas iniciais
POV EMMA
Las Vegas, a cidade do pecado. Jogos, bebidas, desejos, sedução, luxúria, diversão, tudo isso você encontra aqui. Uma hora, um dia, uma semana, um mês, enquanto você tiver dinheiro para gastar, será sempre muito bem vindo, e bem tratado. Depois disso se torna descartado, desnecessário e completamente inútil.
Não me levem a mal, mas não há espaço para amor ou outras sentimentalidades aqui. Você paga, você tem, essa é a regra. Se quiser amar, se apaixonar, conhecer o amor da sua vida, sugiro que vá a Paris, Veneza, Notting Hill, mas se tudo que você procura é diversão, terá os melhores dias dela aqui, dias inesquecíveis, regados a bebidas, sexo e mulheres, tudo isso sem compromisso.
Pouco nos importa seu estado civil, nome, telefone ou endereço, esquecemos todas as formalidades por aqui, e você não precisa se preocupar caso tenha algum tipo de compromisso, somos a discrição em pessoa, além disso, o que acontece em Vegas, fica em Vegas.
Meu nome? Emma Swan, mas você pode me chamar por qualquer outro nome, se tiver dinheiro para pagar por isso. Tenho 23 anos, um cartão de crédito estourado, um fusca arrebentado, aluguel atrasado e uma filha de 6 anos. Nasci e cresci em Vegas, por muitos e muitos anos, consegui resistir com bravura aos seus pecados, mas as contas não se pagam sozinhas, empregos bons exigem estudos, empregos como garçonete não pagam nem os materiais escolares que sua filha precisa, então no fim você acaba se rendendo.
Trabalho por conta própria, gosto de sair com mulheres, dou sempre preferência as mais velhas. As mais velhas são mais experientes, mais pés no chão, menos sonhadoras, e o mais importante, sabem que não podem se apaixonar. Além disso, elas são mais fácil de lidar, na maior parte das vezes estão à procura de alguém para lhes ouvir, beber um bom vinho, sair para jantar, as vezes pegar um cinema e um sexo no final do encontro. Gostam de massagens, gostam de elogios, atenção, carinho e risadas. Adoram ser paparicadas, cantarolam ou fumam depois de um bom orgasmo e sempre acabam pedindo para você passar a noite. Gostam de dormir de conchinha, te acordam com beijos e um café da manhã reforçado, se despedem já marcando um outro encontro, e a parte que eu mais gosto, antes de saírem para o trabalho, além de deixarem meu pagamento, dizem que posso demorar o tempo que quiser para ir embora.
Estou na casa de uma dessas mulheres, acordada há alguns minutos, tentando reunir forças para abrir os olhos, levantar e ir embora. Sinto meu corpo dolorido e meus ombros latejando. Solto um suspiro de desaprovação. Odeio que deixem marcas pelo meu corpo, isso não faz parte do acordo, afinal, ele faz parte do meu trabalho e nenhuma mulher gosta de ver marcas de uma outra mulher em sua mercadoria. Deixo claro que marcas são proibidas e que se acontecer cobro uma taxa. A maioria delas entende, mas Tinker não se encaixa nessa maioria. Meus ombros são vítimas constantes de suas mordidas, e o pior é que, não posso nem reclamar, ela paga sempre o triplo por isso, e vai além, me enchendo de mimos bem caros.
Tinker é uma empresaria bem sucedida, uma das donas do Bellagio Hotel, um dos mais luxuosos de Vegas. Aos olhos de todos, ela é escandalosa, adora ser bajulada, ama esbanjar seu poder, mandar e desmandar, mostrar o quanto é rica e poderosa. Faz piadas dos seus relacionamentos fracassados, e paquera qualquer um a sua frente. Às vezes é extravagante demais, principalmente quando o assunto é roupas, quando ela acorda inspirada, nem Lady Gaga é páreo para ela. Essa é a mulher que ela faz questão de parecer ser quando sai de casa.
Tinker seria uma pessoa insuportável se fosse mesmo assim, mas a verdade é que ela não é. A Tinker de verdade é na maioria das vezes discreta (exceto quanto está bêbada), não gosta de falar sobre seus relacionamentos fracassados, não gosta de exibir suas conquistas, odeia badalar, prefere lanchonetes a restaurantes luxuosos, e troca champanhe por cervejas baratas. Ela é a minha cliente mais fiel, nós saímos pelo menos três vezes por semana. É uma mulher solitária, sem filhos e já coleciona três divórcios. Tem 36 anos, um corpo de causar inveja a qualquer garota de 18, uma risada gostosa, e uma conversa fácil.
Nos conhecemos por acaso, há pouco mais de três meses em um dos casinos do seu hotel, ela estava completamente bêbada nessa ocasião, e desde então estamos saindo. O luxuoso quarto presidencial do seu hotel, sempre foi o lugar dos nossos encontros, pelo menos até na noite passada, quando depois de um cinema e um jantar íntimo, ela resolveu que me levaria para sua casa. Então aqui estou, envolta a lençóis de fios egípcios, abraçada a travesseiros de plumas de gansos branco da Sibéria, deitada sobre uma cama King size, muito provavelmente maior que meu quarto.
Tateio o criado mudo em busca do meu celular, ao alcança-lo o trago para mim e abro os olhos. Me assusto ao ver que já passa das 3:00 da tarde. Jogo o celular em qualquer lugar da cama, e estico todo meu corpo afim de me espreguiçar. Sorrio, abraço o travesseiro e rolo com ele pela enorme cama.
– Emma, Emma, você ganhou na loteria! — Comemoro ainda sorrindo. Sento-me sobre a cama e volto a me espreguiçar, meus olhos percorrem o quarto enorme. Preto, com certeza preto é a cor preferida de Tinker, as paredes do lugar são todas pretas, assim como as cortinas e o tapete longo e peludo que enfeita o chão escuro de madeira. O enorme e rústico lustre também é preto. Os criados-mudos ao lado da cama também são da mesma cor, mas com detalhes em prata. A cabeceira da cama, junto com os abajures, o teto a enorme poltrona, são brancos, dando contrate ao lugar. Gosto do tom sombrio, mas não vejo nada de Tinker aqui, jamais passou pela minha cabeça que ela gostasse tanto de preto, na verdade apostaria que ela nem gosta dessa cor. Me sinto um pouco sufocada, procuro pelo controle remoto responsável por fazer as cortinas abrirem, junto as sobrancelhas ao me deparar um seis controles em cima de um dos criados-mudos.
– Ok, amiguinhos, levante a mão quem for o responsável pelas cortinas. — Pedi, mas infelizmente eles não sabem falar. — Vamos tentar você. — Pego o menor e aperto um botão qualquer. Grito de susto quando a cama começa a se mexer, então gargalho de mim. Jogo o controle sobre a cama e faço uma nova tentativa. Volto a me assustar quando Katy Perry começa a cantar no volume mais alto. Procuro de onde vem a música, e acho caixas de som, penduradas em cada canto do quarto. Resolvo fazer mais uma tentativa, e sorrio satisfeita ao ver as cortinas negras se abrindo.
Katy Perry — Waking up in Vegas
Me ponho de pé, ajeito a lingerie fio dental que é a única coisa que trajo e caminho até a grande porta de vidro que estava coberta pelas cortinas. Assovio para o que vejo, acho que nunca vi a cidade tão de cima, a impressão que tenho é de que toda Vegas está aos meus pés. Meus olhos percorrem a enorme sacada, o ofurô e o frigobar me chamam a atenção, mas é a piscina quem me ganha. Abro a porta e vou em direção a ela, paro na beirada, meu pé brinca com a água, sorrio, e quando dou por mim estou emergindo de um mergulho.
– Isso sim que chamo de vida! — Comemoro jogando água para o ar. Passo os dedos pelos cabelos os penteando para trás, dou risada de tudo aquilo e volto a afundar na piscina. Quando emerjo abro os braços, jogo meu corpo para trás e começo a boiar, fecho os olhos e começo a cantarolar junto com Katy Perry, volto a rir ao prestar atenção na música. Não sei por quanto tempo fico ali daquele jeito, mas ao ouvir meu celular tocando, praguejo, nado até as escadas e vou em busca dele.
Tinker, a dona do paraíso, é ela.
– Olá, delícia! — A saúdo com meu melhor tom de voz.
– Boa tarde, Jane! — Sim, ela me conhece por Jane. Foi esse o nome que ela me deu, quando eu disse que ela poderia me escolher um. — Você está em que lugar? — Sua voz soa afobada.
– Na sua casa. Acabei de acordar. — Conto. — Algum problema? — A ouço praguejar.
– Ouça, não fui totalmente honesta com você na noite passada. A verdade é que eu não tenho uma casa, moro no hotel desde meu último divórcio. — Meus olhos crescem em sinal de surpresa.
– Ok. Então essa casa seria exatamente de quem? — Volto para a sacada e vou até o frigobar.
– Da minha sócia. — Conta. Pego uma cerveja, a abro e vou até a espreguiçadeira que fica à beira da piscina.
– Pelo seu tom de voz, devo supor que ela não sabe sobre esse empréstimo que você fez na noite passada. — Concluo o óbvio.
– Ela me deu as chaves e disse que eu poderia usar quando quisesse, mas isso com certeza não incluí uma completa desconhecida sozinha na casa dela. — Fala tudo rapidamente, sem ao menos respirar. — Se ela encontra você aí, talvez te mate, sem ao menos dar a chance de você explicar que não é uma ladra. — Gargalho, e antes de responder dou um gole na cerveja.
– Sócia estressada essa sua. — Comento. — Talvez eu possa oferecer uma massagem. — Sugiro.
– Estressada não seria a palavra, querida, e não, você não dobraria ela nem com a melhor das suas massagens. Além do mais, eu não permitiria tal coisa. — Balanço a cabeça em sinal de reprovação e volto a beber minha cerveja.
– Não seja possessiva, delicia, você sabe que eu sou de ninguém. — Sutilmente a lembro.
– Você pode ser de Vegas inteira, querida, menos da minha sócia. Amigas, amigas, negócios a parte, já ouviu falar? Não nos envolvemos com a mesma pessoa, isso é um trato que já fizemos há tempos, ou seja, nesse caso, você é só minha. — Explica. — E além disso, ela não curte mulheres, se é que você me entende. — Um sorriso presunçoso nasce em meus lábios. Não existe nada mais excitante do que conquistar mulheres que dizem não se interessar por outras mulheres. Adoro me dedicar a esse tipo de mulher, nada me dá mais prazer do que vê-las deitada sobre uma cama, gemendo meu nome, implorando para serem fodidas, fodidas por mim.
– Eu poderia faze-la mudar de ideia. — Falo, já me sentindo empolgada com a possibilidade de uma nova conquista.
– Não. Você não pode. Sabe o que você pode fazer? Pegar suas coisas e sair daí imediatamente, ela desembarcou a pouco e está a caminho daí. — Avisa. — Jane, é uma situação séria. Pegue suas coisas e saia daí imediatamente. — Suspiro frustrada.
– Ok, delicia. Seu desejo é uma ordem. — Volto a entornar a cerveja.
– Ótimo! Outra coisa, acabei esquecendo de deixar o seu dinheiro. Pode passar aqui para pega-lo? Lhe dou cem dólares a mais pelo esquecimento. — Balanço a cabeça em sinal de negativo, sei que ela não esqueceu daquilo, apenas está inventando pretexto para me ver. Mas por cem dólares a mais, eu posso fazer muitas coisas.
– Posso sim. Quando chegar lhe envio uma mensagem. Devo esperar no estacionamento? — Tinker não quer que ninguém saiba sobre mim, então nos encontramos sempre às escondidas.
– Sim. Espere lá até eu aparecer. — Pediu.
– Tudo bem então. Até daqui a pouco, delicia! — Me despeço e desligo.
Acabo de beber minha cerveja e a deixo ao lado da espreguiçadeira, quero que a sócia de Tinker saiba que alguém esteve por aqui. Retiro minha calcinha e a jogo na piscina, quero que ela saiba também que alguém do sexo feminino esteve por aqui.
Sem muita vontade visto minhas roupas, vou até o criado mudo em busca de meus anéis, encontro também um bilhete de Tinker. "Obrigada por mais uma noite maravilhosa." É o que está escrito nele. Sorrio, faço do bilhete uma bola de papel, o jogo sobre a cama, pego meus sapatos a chave do meu carro e saio, não sem antes fazer uma promessa silenciosa ao lugar, de que voltarei em breve.
POV REGINA
Nova Iorque, a cidade dos apressados, lugar onde tempo é dinheiro. Se você quer achar as grandes empresas, ou aplicar na bolsa, aqui é o lugar certo. Nas ruas o que você mais encontra são homens de terno e gravata e mulheres de terninhos e saltos alto, apressadas para fechar algum negócio, ou para reunião com algum investidor. É lugar de pessoas sérias, fechadas e um tanto frias, que possuem mais diplomas na parede do que o Bill Gates. Em Nova York não há tempo para diversão, o trabalho, lucro e crescimento profissional são sempre o foco.
É onde eu cresci, meu nome é Regina Mills, tenho 33 anos e sou presidente da empresa Mills, atuamos no ramo de hotelaria. Meu pai e meu herói, Henry Mills, começou com primeiro negocio cedo. Comprou uma pousada no interior do Maine, numa cidade pequena chamada Storybroke. De lá para cá muitas coisas aconteceram, o negócio expandiu, ele abriu o primeiro hotel em Boston, dois anos depois inaugurou o primeiro hotel de Nova York, e em questão de anos, nossos hotéis se espalharam por todo território americano. Nosso objetivo é conquistar todas as classes sociais, ou seja, oferecemos desde hotéis luxuosos com tantas estrelas que alguns nem sabem como contar, até pousadas simples a beira de rodovias. Enfim, não importa sua classe social, oferecemos muito conforto e comodidade a todos.
Cresci sobre a tutela dura de minha mãe, ela me criou para vencer, para ser uma dama da alta sociedade e mão de ferro nos negócios, fui educada sobre regras rígidas. Ela tornou minha agenda cheia desde muito cedo. As aulas de etiqueta começaram quando completei cinco anos. Aprendi tudo que se pode chamar de refinado aulas de piano. Sou fluente em cinco línguas, alemão, russo, francês, italiano e o meu favorito, espanhol, que aprendi com meus avós. Tenho uma paixão por cavalos o que me resultou em muitas aulas de equitações, e até nisso minha mãe exigiu que eu fosse a melhor. Cavalgar para mim sempre foi além de competições, apenas ser uma excelente amazona, acabou se tornando minha válvula de escape, minha terapia, para fugir desse mundo de compromissos onde tudo tem que ser perfeito.
Formei-me com louvor e todas as honras em Harvard para orgulho de Cora Mills, me graduei em comercio exterior, e fiz uma bela pós, em relações públicas. Não me leve a mal, mas não precisaria de nenhum tipo de diploma para gerir os negócios da família, poderia fazer isso de olhos fechados. Lido com investidores e magnatas do ramo hoteleiro desde que tinha 16 anos, mas minha mãe queria diplomas de peso para exibir em sua parede.
Não fui o tipo adolescente rebelde, Cora não deu qualquer brecha para tal fato, tive apenas uma amizade verdadeira durante essa fase, amizade que dura até hoje. Tinker é o nome dela, nome um pouco peculiar, eu sei, mas os pais dela eram loucos por contos de fadas e acabou sobrando para ela.
Tinker teve uma criação bem parecida com a minha, mas ao contrário de mim, ela nunca foi muito de acatar ordens, ou seja, entrei em muitas frias para salvar a pele dela quando estávamos no colégio interno. Ela viva me dizendo, “Regina você é certa demais, aproveite mais a vida” sempre achei tal frase uma loucura, afinal, sou uma dama da alta sociedade e não devia nem devo, me comportar feito uma louca qualquer.
Fora nossas diferenças, sempre fomos melhores amigas e com o tempo, nossas famílias passaram a fazer negócios juntas. Meu pai e o dela acabaram se tornaram sócios e consecutivamente nós também. Ela gerencia parte dos negócios, na cidade que chamo de “a parte podre da América do norte”, conhecida também como, Las Vegas.
Odeio Vegas, aquele lugar representa gente louca, promiscua e sem a menor responsabilidade. Para meu azar, nosso hotel mais rentável se localiza em tal lugar. Ele nos rende lucros absurdos, ainda não consigo entender o motivo das pessoas gastarem tanto dinheiro com bobagens, baixarias, bebidas, jogos e sexo. E pior, elas amam relembrar desses momentos constrangedores.
Quando Tinker foi designada para gerenciar o hotel em Vegas, ficou radiante de felicidade, comparou tal lugar ao próprio paraíso. Depois de alguns divórcios e relacionamentos frustrados, Vegas lhe surgiu como salvação. Segundo ela, aquilo seria como juntar negócios e prazer e ela teria ambos sem se preocupar.
Lembro-me de quando tentei faze-la desistir da ideia, e mandar outra pessoa para lá no lugar dela.
Flashback
– Regina, você parece uma velha e não chegou nem aos trinta. Se joga, mulher, viva a vida!
– Eu vivo, Tinker. Tenho uma empresa para comandar e caso você não se lembre, você também!
– Deus! Você vai terminar seus dias como sua mãe, velha e amarga. Quando foi a ultima vez que cometeu uma loucura desde Daniel? Você estagnou com esse otário inglês que chama de noivo.
– Tinker, não fale assim do Robin, ele é um homem sério e tem ótimas intenções comigo. Assim como eu, ele quer formar uma família.
– Para mim, ótima intenção é dar um orgasmo que leve você aos céus, te deixe de pernas bambas e sem respirar. Isso sim que é homem com boas intenções. Vocês pelo que vejo transam uma vez na semana e com hora marcada, ou seja, ele não tem o mínimo de boas intenções.
– Por Deus! Seja mais discreta. Robin e eu temos uma vida sexual satisfatória e não vou discutir minha vida intima com você. Desisto de convence-la, vamos acertar tudo e você embarca em dois para aquele lugar dos infernos que insiste em chamar de paraíso.
– Tudo bem chefe, você quem manda!
Foi a última conversa um pouco sensata que tive com aquela doida e isso já faz seis anos. Sorriu com a lembrança de Daniel, em tal conversa. Ele foi sem dúvida alguma, meu primeiro e único amor, ele me fez fazer algumas loucuras, me tirou das rédeas curtas de mamãe, me deu os melhores dias da minha vida, e deu muitos cabelos brancos a minha mãe. Para Cora, Daniel, não tinha os padrões certos para ser o namorado de uma Mills. Daniel e ela travaram uma queda de braços por minha causa, não preciso mencionar quem ganhou. Não gosto de pensar nesse episódio.
Enfim, voltando a Tinker, mesmo levando uma vida de loucuras, ela é uma ótima profissional e os negócios em Vegas só crescem. Ela cuida tão bem de tudo, que poucas vezes preciso colocar meus pés naquele antro, mesmo assim, mantenho uma casa por lá, para as poucas eventualidades que não consigo resolver por telefone.
Nesse seis anos fui a Vegas, umas três vezes, para reuniões que exigiam minha presença, fora isso me mantenho aqui na sede em Nova Iorque.
Vida social é algo que não me dou muito ao luxo. Dirigir uma empresa não deixa muito tempo para muitas coisas. Tento manter uma rotina constante e isso inclui trabalhar até aos domingo. Estou noiva há três anos de Robin de Locksley, inglês de família nobre, o que minha mãe chama de puro sangue e aprova como marido com toda certeza. Conhecemos-nos na faculdade, no começo apenas uma amizade até que na formatura ele se declarou e me pediu em namoro. No fundo sei que não posso sentir por ele o mesmo que senti por Daniel, mas ele é uma boa pessoa. Além do mais, deixo minha mãe satisfeita, e não vou terminaria sozinha, como Tinker joga na minha cara sempre que tem uma oportunidade.
Temos um relacionamento tranquilo e instável, pretendemos nos casar até o fim do ano. Robin é um cavalheiro, não é o melhor dos amantes na cama, mas tem outras qualidades que suprem esse pequeno detalhe. Tinker nunca gostou dele, sempre o achou certinho demais, na nossa última conversa por telefone, resolvi contar a novidade e fazer tal coisa foi o pior dos meus erros.
Flashback
– Regina eu não acredito que vai casar com ele! Aquele homem além de chato é péssimo de cama. Gata, você tem vir pra Vegas tomar umas boas doses de tequila e ter um orgasmo intenso com uma mulher. — Aquela declaração me chocou.
– Tinker, você anda transando com mulheres? Eu não posso acreditar numa coisa dessas. – Estava perplexa.
– Regina, por todos os Deuses do rock! Deixa de ser careta. Sexo com mulher é a coisa mais deliciosa do mundo. Uma mulher conhece a outra, homens só pensam em si mesmo. — Definitivamente aquela loira não tinha jeito e no fundo sabia que isso me traria problemas. No fim eu teria que limpar a sujeira que ela faria.
– Loira, não vou discutir com quem você anda transando, mas eu não gosto de mulheres. Sou hetero, caso tenha esquecido desse detalhe.
– Gata, isso é apenas um mero detalhe. Deixa de ser preconceituosa. Ter uma experiência diferente na vida não faz de você uma lésbica. É só você não se apaixonar e está tudo certo. Além do mais, o mundo esta cheio de rótulos. Esquece essa coisa de lésbica, somos apenas pessoas que gostam de pessoas. – Rolei os olhos ao ouvir tamanhos absurdos.
– Tinker, essa conversa de liberdade sexual esta me entediando, preciso voltar ao trabalho e só para você saber, não tenho nada contra gays, lésbicas e simpatizantes. Emprego muitos desses em nossos hotéis, caso não se lembre. Julgo as pessoas pelo seu caráter, senhorita Bell e não por quem elas se relacionam. — Mesmo com uma criação rígida, aprendi que no mundo dos negócios o importante é saber respeitar as diferenças. Clientes são cliente, não importa a orientação sexual. Se gays, lésbicas, simpatizantes desejarem se hospedar em um de nossos hotéis, serão muito bem tratados e recebidos, desde que tenham dinheiro para pagar. Quanto aos meus funcionários, se forem competentes, pouco me importa com quem eles fazem sexo. — Faça o que você bem entender com as suas mulheres, garanto meu apoio, só não torne isso público, tudo que menos precisamos é de um escândalo. Seja discreta. – Ordenei. – Agora mudando de assunto, preciso dos relatórios sobre os últimos faturamentos na minha mesa para ontem, loira, não esqueça.
– Tudo bem chefe, eu envio por Email dentro de uma hora.
É mais uma manhã de domingo, passa um pouco das oito horas, acabei de acordar e estou com uma enxaqueca terrível. Desejo ficar em casa, mas não posso me dar a esse luxo, é meu dia de folga e tenho planos com Robin, algo que envolve golfe. Minha cabeça lateja mais forte, assim que o volume alto do celular começa a tocar, suspiro e viro para o lado esquerdo da cama, alcançando o maldito aparelho. Xingo mentalmente o infeliz que ousa me incomodar a essa hora da manhã.
– Alô? – Não faço questão que tinha voz soe simpática.
– Senhorita Mills, aqui é Bella, desculpa incomoda-la logo pela manhã, mas sua mãe marcou uma reunião com os acionistas principais e exige sua presença imediatamente. — Minha secretaria parece bem nervosa, sinal que existe um problema e dos grandes.
– Bella, diga a todos que chego em vinte minutos, ok? – Pulo da cama e já caminho em direção ao closet.
– Sim, senhorita Regina. — Desligo o telefone, me visto rapidamente, mando uma mensagem a Robin adiando nosso encontro, e dez minutos depois, já estou saindo ao encontro de minha mãe. Minha cabeça dói ainda mais só de pensar em encontrá-la. Momentos assim são muito desagradáveis. Tento a evitar o máximo, nos falamos apenas em ocasiões como essa. Há algum tempo consegui tira-la da minha vida, me fiz uma promessa que ela jamais vai voltar a mandar em mim, pelo menos não como um dia mando.
Chego à empresa, comprimento minha secretaria e vou direito a sala da presidência. Não me dou ao trabalho de desejar um bom dia a Cora, ela não merece tal coisa, então resolvo ir direto ao ponto.
– O que de tão importante aconteceu para senhora me tirar da cama em um domingo de manhã, Cora Mills? – Indago ao parar em frente a sua mesa.
– Bom dia para você também, Regina! – Responde-me seca e joga um jornal sobre a mesa. Apanho para ver do que se trata, balanço a cabeça em sinal de reprovação ao ver quem está na capa do New York Times. “Tinker, herdeira da família Bell parece ter gosto por mulheres.”
Bufo e jogo o jornal sobre a mesa. Isso só pode ser piada da Tinker! Não é mesmo possível ela estar na capa de um dos jornais mais prestigiados do país, aos beijos com uma loira, enquanto várias outras damas as rodeiam. Nunca entendi muito sobre orgias, mas levanto em consideração que ela está em Vegas, e analisando as roupas, ou falta de roupas daquelas senhoritas, deduzo que talvez Tinker saiba muito sobre tal coisa.
Nada pode ser pior para o prestigio da empresa, associar o nome de uma das donas, aquele tipo de putaria. Cora está possessa, vejo pelo canto dos olhos o quanto ela parece estar se controlando para não começar a gritar, e pior, dessa vez não tem como eu defender minha amiga alucinada.
– Regina, isso é inaceitável! – Bate com a mão sobre a mesa. — Essa irresponsável passou dos limites. Por mim, ela pode ter mil casos, sendo que seja discreta em relação a ele. Você sabe quanto essa manchetezinha pode manchar nossa imagem? – Suspirei, e sem saída, me vi na obrigação de concordar com ela. Tinker tinha mesmo passado dos limites.
– O que quer que faça a respeito, mãe? Tinker é maior de idade e não nos deve explicações sobre sua vida pessoa. Além disso, o senhor Bell jamais irá tira-la dos negócios. – Cora estreita os olhos ao ver minha tentativa de defesa.
– Não nos deve explicações, quando não está fazendo isso no NOSSO hotel, na frente dos nossos clientes. Olhe para essa foto, Regina! – Apontou para a capa. – É o cassino do nosso hotel. Ela nos deve todos os tipos de explicações. Olha o belo exemplo que ela está dando para os nossos funcionários. – A regra principal da empresa diz que nenhum funcionário pode ter relações de carinho, afeto e coisas do gênero, dentro, ou próximo ao local de trabalho. — Quero que você embarque imediatamente para lá e limpe a bagunça que ela fez. — Ouvir isso é o fim. Se minha cabeça já doida, agora está prestes a explodir. Só de pensar em Vegas e Regina, numa mesma frase, faz meu estomago embrulhar.
– Você só pode estar brincando, Cora. – Minha voz soa desanimada.
– Não, Regina, não estou. Você embarca em duas horas e isso não é discutível, é uma ordem. – Sem me dar tempo para defesa, Cora se põe de pé e ruma para fora da sala. Bufo, ponho as mãos na cintura e miro um ponto qualquer na parede, volto a bufar e tento imaginar minhas mãos apertando o pescoço de Tinker. O que vou fazer? Simples, acatar a ordem de Cora.
Algumas horas depois, que para mim pareceram dias, o avião da empresa finalmente aterrissa no aeroporto. Graças a Deus, chego ao antro de perdição na parte diurna, o que torna o transito mais tranquilo. Digna dos vagabundos que aqui moram ou visitavam, Vegas quase não funciona durante o dia, a grande transformação acontece a noite.
Entro na minha Mercedes CLS 350, que tem como residência o estacionamento do aeroporto, ligo o GPS para tentar não me perder e dou partida no carro. Antes de ir ao encontro de Tinker, quero passar em casa, tomar algo para a enxaqueca e descansar alguns minutos, só assim vou conseguir ter um pouco de calma para conversar com ela.
Penso no quanto meu domingo de folga foi arruinado. Quando liguei para Robin para contar a novidade, ele disse não haver problema, mas percebi pelo tom de voz dele, que aquilo tinha o chateado. Preciso me redimir quanto a isso, talvez com um jantar ou uma ida a Broadway, ou talvez as duas coisas. Isso, com certeza reunir as duas coisas é uma boa ideia. Só preciso resolver as coisas com Tinker, colocar um pouco de juízo na cabeça dela, faze-la assinar um contrato se comprometendo a não usar mais nossos hotéis para suas orgias e pronto. Posso dar o fora dessa cidade miserável.
É patético, mas consigo me perder o caminho de casa mesmo com o GPS ligado. Dirijo minha Mercedes por essas ruas estranhas completamente sem rumo. Penso em como vou conversa com Tinker, e tento imaginar qual desculpa ela dará para ter deixado essa catástrofe acontecer.
Sou surpreendida por um alto barulho de freios, seguido de barulho de metal sendo amaçado, sinto minha cabeça indo de encontro ao volante. Meu coração está acelerado, minhas pernas bambas, respiro fundo para tentar não desmaiar, volto a respirar fundo e então checo se está tudo bem comigo. Ao concluir que tudo não passou de um susto, solto um palavrão, coisa que não faço há anos.
– Filho de puta! Quem foi o maldito? — Olho para cima e vejo um fusca amarelo e desbotado. Concluo que foi aquela lata velha, cheia de tétano quem bateu no meu carro. Irritada, desço dele e começo a checar os estragos. Claro que o monte de tétano amarelo, quase não sofreu nenhum dano, já a minha Mercedes está detonada. Levanto a cabeça procurando o motorista imprudente e deparo-me com uma loira, que muito provavelmente nem idade para dirigir deve ter.
– Sua maluca! Você é cega ou o que? Não se dirige em Vegas com cabeça no mundo da lua não. – Ela teve o desplante, a cara de pau, a indecência de me acusar. Bem tipinho de pessoas residentes desse maldito lugar.
– Em primeiro lugar, maluca é senhora sua mãe. – Me vejo na obrigação de lhe responder a altura. — Meu nome é Regina Mills. Em segundo lugar, a culpa é sua, irresponsável. Você entrou na contra mão. – A acuso de olhos estreitos, cara fechada, usando meu melhor tom ameaçador. Vejo que funciona, de repente ela parece acuada.
– Hey, fique calma! Respira, inspira e relaxa esses ombros. – Pede. – Você parece tensa, em outra ocasião eu ofereceria uma massagem, mas se eu fazer isso agora, talvez você me morda. – A lanço um olhar ainda mais irritado ao ouvir tudo aquilo. – Fique calma, vou ligar para minha mãe e ela vai dar um jeito nesse seu carro lindo. – Avisa. – Não se preocupe, se não tiver conserto, ela com certeza lhe dará outro. – Vejo uma pequena ruga de preocupação na testa da loira estabanada.
– Sua mãe tem dinheiro para me dar um desses novo? – Indago em tom de deboche e aponto para meu carro.
– Sim, senhora. Provavelmente ela tem dinheiro até para levar-lhe a lua. – Me responde sorrindo.
– Senhorita. – A corrijo, ainda mais irritada. Ela ergue uma sobrancelha e então sorri.
– Solteira? – Questiona parecendo interessada, então me lança um olhar de cima abaixo. Me sinto ofendida com seus olhos de cobiça sobre mim. Qual é o problema com esse raio de cidade? Será que as mulheres daqui já ouviram falar sobre homens?
– Isso não lhe diz respeito, senhorita. – Respondo em um tom nada educado. Ela de novo me lança um olhar cheio de intenções, então tira o celular do bolso, faz a ligação e sorri para mim.
– Vamos resolver tudo sem chamar a polícia, ok? – Pede ao prender o aparelho entre o ombro e a orelha. Então me estende a mão. – Swan, Emma Swan, dia e noite ao seu dispor. – Se apresenta. Muito sem vontade lhe estendo a mão, que é pega no mesmo momento. Ela a aperta com força e não para de sorrir. – É um prazer conhece-la. – Me lança uma piscada, e por um momento tenho a impressão de que a loira irresponsável não me é estranha, por algum motivo ela me parece familiar. Passo alguns segundos tentando saber de onde a conheço e nem percebo que minha mão ainda está junto a dela. – Adoraria ficar aqui balançando a sua mão o resto do dia entre outras coisas, mas preciso falar com a minha mãe. – Sussurra com a outra mão sobre o telefone. – Com licença! – Pede, e volta a piscar para mim, antes de me dar as costas para falar com a mãe. Balanço a cabeça em sinal de reprovação, definitivamente minha estadia nessa cidade será um pesadelo.
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