Right Here Waiting For You
2 Promiscuous
Notas iniciais
POV Emma
“Merda! Merda! Merda!” Praguejo mentalmente. É inacreditável a quantidade de azar que Deus me deu. Ele só pode ter se perdido na dosagem, essa é a única explicação para tanta falta de sorte. Tantos carros por Vegas, tantas latas velhas tipo a minha, e meu carro resolve sentir atração justamente pelo carro de luxo da tiazinha gostosa. Coitado, pelo jeito ele não sabe nada sobre amores impossíveis. Enfim, nem que eu morra e reencarne umas três vezes, vou ter dinheiro para pagar o estrago. Esse carro provavelmente vale mais do que vou conseguir em 100 anos de programa.
Tinker foi a primeira pessoa que me veio em mente. Ela é a única que pode dar um jeito nisso. Sei que ao pedir tamanho favor, vou ficar à mercê dela pelo resto da minha vida, e provavelmente vou ter que trabalhar sem receber, mas não vejo outra saída.
Enquanto o telefone chama, aperto a mão da tal Regina Mills. Nome forte, para uma mulher de personalidade também forte. Não preciso embarcar em uma conversa com ela, para saber que ela faz o tipo linha dura. Vejo isso na sua postura e nas expressões faciais. O olhar de irritação que ela me lança, me fascina. Já mencionei o quanto eu gosto de mulheres mais velhas? Elas me atraem de um jeito inexplicável.
Adoraria despir sua vestido estilo tubinho de executiva e ver o que ela esconde por baixo daquela peça um pouco sem graça. Me pergunto o tipo e a cor da lingerie que ela está usando. Ofereceria uma boa massagem para relaxar seus ombros rígidos. Aposto que tem vários nós por ali, e me pergunto se toda a tensão que carrega é só pelo acidente, ou se já está acumulando há algum tempo. Me vejo tentada a oferecer meus serviços para ela, mas acabo optando em deixar para uma próxima oportunidade. Sim, porque certamente haverá uma próxima, afinal, oportunidade é você quem cria. E com certeza antes de me despedir, criaria uma.
De repente ela já não me lança mais um olhar irritado, me olha como se tivesse tentando lembrar de algo. Acho o máximo a sua expressão de dúvida, o que me faz sorrir. Quando penso em perguntar se posso ajuda-la, Tinker enfim atende o telefone. Com a mão livre, eu cubro o aparelho, para que ela não ouça meu papo com a tiazinha gostosa.
– Adoraria ficar aqui balançando a sua mão o resto do dia entre outras coisas, mas preciso falar com a minha mãe. – Sussurro. Os olhos dela crescem, quando falo sobre “outras coisas”, por milésimos de segundos ela pareceu surpresa, incrédula e assustada, então põe de novo sua máscara de indiferença e irritação. – Com licença. – Peço ao me afastar.
– Delícia, estou encrencada. Muito encrencada! – Vou direto ao ponto, antes que Regina Mills, decida chamar a polícia.
– Não me diga que ela pegou você em casa? – Abro a boca para perguntar quem seria “ela”, então lembro da sua sócia estressada.
– Não delícia, aconteceu algo muito pior do que isso. – Aviso. – Só consegui pensar em você para me livrar dessa.
– Está me deixando nervosa, o que aconteceu, Jane? – Pela sua voz, deduzo que ela está mesmo preocupada.
– Meio que entrei na contramão e bati meu carro. — Antes que eu pudesse continuar, ela me interrompeu.
– Você está bem? Se machucou? Onde você está? – Rolo os olhos pela quantidade de perguntas. Toda aquela preocupação não é nada legal. Tenho medo de que Tinker esteja se apaixonando. Nada pode ser pior do que isso, principalmente agora, que vou dever um favor enorme para ela.
– Está tudo bem, delicia! Eu não me machuquei nem nada assim. Estou no local do acidente. A dona do outro carro é osso duro, e o carro dela é um Mercedes, desses que eu teria que trabalhar a minha vida inteira para conseguir comprar um mísero pneu. – A ouço rindo. – Ela está irritadíssima, delicia! Tenho medo de que chame a polícia. – Conto.
– Calma, Jane! Vou resolver isso para você. – Sorrio e respiro aliviada ouvindo tal coisa. – Não posso ir até aí agora. Primeiro tenho que resolver um problema com a minha sócia, e talvez isso leve o resto do dia. – Sua voz soa um pouco apreensiva e temerosa. – Diga para ela acionar o seguro, e lhe dê meu telefone. Diga que no final do dia eu ligo para saber o valor do conserto. – Olho para trás por cima dos ombros, e vejo a morena gostosa encostada na lateral do seu carro, de olhos fechados, massageando as têmporas. Algo me diz que ela não vai gostar nada, nada de não ter o problema resolvido na hora.
– E se não tiver conserto? – Indago. Estou começando a ficar realmente preocupada.
– Se não tiver conserto, eu compro um carro novo. Jane, esse é o menor dos meus problemas no dia de hoje. Apenas passe meu telefone para ela, deixa que o resto eu resolvo. – Concordo com a cabeça.
– Certo. Delícia, tudo bem se eu disser para ela que você é minha mãe? É que pelas roupas que ela usa, o carro que tem, sua cara de mulher mal e seu jeito de quem não transa há algum tempo, deduzo que deve ser uma executiva importante aqui de Vegas. E como você não gosta que as pessoas saibam que você sai comigo... – Explico.
– Sim, diga que é minha filha. – Concorda de imediato.
– Muito, muito, muito, obrigada, Tinker! Prometo compensar você de várias maneiras. – Dou minha palavra.
– Não espero nada menos. – Posso apostar que ela estava sorrindo. – Quando minha sócia chegar, vou ter uma reunião no mínimo estressante. Quero que você tire o meu estresse a noite. – Droga! Droga! Droga! Mil vezes droga! Tenho planos com Janis a noite, e é mil vezes mais fácil conseguir desmarcar com todas as minhas clientes, do que conseguir desmarcar com a minha filha. Mas tenho que dar um jeito, é o mínimo que posso fazer por Tinker.
– Certo. Talvez eu chegue um pouco mais tarde do que o habitual, mas me espere, porque eu vou. – Aviso.
– Vou esperar. Faça como sempre. – Fazer como sempre significa, disfarce-se de hospede. Como os operadores dos elevadores sabem sobre nós, eles sempre me deixam subir sem perguntarem nada.
– Okay. – Antes que eu possa falar outra coisa, a morena gostosa se materializa na minha frente. Se antes ela parecia irritada, agora parece possessa.
– Ok, mãe, vou falar com ela. – Tinker riu pela mudança de assunto.
– Ela está perto de você? – Questiona.
– Sim, pode deixar que eu falo. – De novo a ouço rindo.
– Diga para ela me ligar, e até mais tarde, gostosa! – Enfatiza a palavra gostosa, o que me fez sorrir.
– Até, delicia! – Só me dou conta do que falei, depois de ter falado. A morena me olha com desconfiança. – Delícia de mãe. – Antes de desligar ouço Tinker gargalhar. Guardo meu celular, passo os dedos pelos cabelos, e lanço um sorriso conquistador para a tal Regina Mills. Tenho vontade de rolar os olhos ao ver que ela nem se abala.
– Tudo resolvido! – Aviso.
– Ela já depositou o dinheiro do conserto na minha conta? Ou você está com ele escondido nesse monte de lata retorcida? – Ironiza.
– Nem uma coisa, nem outra. – Mostro que sua provocação na me abala. – Veja só, Srta. Mills, não sabemos se vai ter conserto ou não. Caso tenha, não sabemos quanto vai custar. Ou seja, não tem como eu fazer um pagamento adiantado. – Explico.
– E o que você me sugere, então? Que eu não chame a polícia, que cada uma vá para sua casa bem contente e feliz, e que quando eu souber o valor do conserto, ligue e você apareça em um passe de mágica com o dinheiro? – Se ela soubesse o quanto esse olhar de deboche e esse tom irônico me fazem sentir vontade de agarra-la, talvez não fale mais comigo desse jeito.
– Algo do gênero. – Respondo sorrindo.
– Vai sonhando! – Fala entredentes. – Conheço bem o seu tipinho de pessoa, você não me engana, querida. – Cruzo os braços e lhe lanço um olhar de desafio.
– E qual seria o meu tipinho de pessoa? – Indago com curiosidade.
– Você é uma pobre coitada que não tem onde cair morta. Se sua mãe tivesse mesmo dinheiro para pagar o conserto do meu carro, você não estaria andando com essa lata velha amarela. – Aponta para o meu carro. – Não sei nem se você tem idade para dirigir. E posso apostar que a mãe do telefone, era no mínimo, um homem casado com o qual a aluninha de colegial se diverte. – Gargalho ao ouvir tal coisa. Não sei o que acho mais engraçado. Seu dedo apontando em minha direção enquanto me acusa, ou o que acha ao meu respeito.
– Obrigada pelo, “aluninha de colegial”, mas digamos que já passei dessa fase há alguns anos. Se quiser, posso lhe mostrar minha carta de habilitação e minha carteira de identidade. – Ela não me deixa continuar.
– Sim, eu quero. – Ordena. Sorrio para ela, e vou em direção ao carro, faço questão de roçar meu braço no seu, volt a sorrir ao ouvi-la bufar e praguejar algo que não consigo entender.
Meu carro está uma bagunça, devido ao impacto todas as minhas roupas e perucas que ali estavam, acabaram parando na frente. Minha bolsa que estava em cima do banco do carona não está mais. Demoro um tempo até encontra-la embaixo de várias outras coisas. Tiro meus documentos de lá e os levo até a xerife Mills. Paro em sua frente, lhe sorrio e estendo os documentos.
– Aqui, xerife! – Ela simplesmente ignora minha piada, e puxa os papéis da minha mão. Os analisa por algum tempo e arqueia as sobrancelhas, me deixando curiosa. Vira eles de um lado para o outro, os expõe ao sol e por fim me devolve.
– Tenho cara de quem falsifica documentos também? – Questiono sorrindo. Ela nada me responde. – O que acha de me revistar? – Sugiro. – Não me importaria de sentir suas mãos pelo meu corpo. Na verdade, essa ideia muito me agrada. – Seus olhos reagem a minha última frase. Me lança um olhar de censura e indignação. Parece não acreditar no que acabou de ouvir.
– Eu vou chamar a polícia. – Avisa ao me dar as costas. A seguro pelo braço a impossibilitando de ir. Meu ato a faz me lançar um olhar irado. Penso por um minuto que ela partirá para cima de mim e isso me excita.
– Esse não era o nosso trato, Srta. Mills. – A lembro.
– Nunca tivemos um trato, Srta. Swan. – Tenta puxar seu braço, mas não permito, seus olhos chamuscam de ódio.
– Não me olhe assim, posso me apaixonar. – Compartilho com ela o que estou pensando.
– Pare de ser petulante, ou juro que meto a mão na sua cara. – Ouvir tal coisa me faz suspira. Mordo os lábios, tentando conter a vontade de beija-la.
– Por que está tão irritada? A Srta. nem se importa com esse carro. – Mudo de assunto. Por uma fração de segundos, vejo um semblante surpreso em seu rosto, o que me faz deduzir que estou certa sobre o carro. Resolvo continuar. – Pelo seu sotaque, acredito que seja de Nova York. Está morando aqui há pouco tempo, talvez? Pelo seu ar de superioridade, a tensão que carrega nos ombros e o humilde Mercedes para o qual a senhorita nem liga, arrisco dizer que é a CEO de uma grande empresa. Cassinos? Empreiteira? – Estalo o dedo e aponto para ela. – Hotéis! – Não consegue disfarçar a cara de surpresa, concluo que acertei em cheio. – Aposto que nem tem tempo para diversão. Vive para o trabalho, não é mesmo? Posso apostar que sente o peso do mundo nas suas costas. E a noite, deitada em sua cama, se sente a pessoa mais solitária da terra, e em segredo se pergunta se isso tudo vale a pena, não é mesmo? – Vejo o quanto minhas palavras a afetam, concluo que estou coberta de razão. Ela se sente desconfortável, como se eu tivesse acabado de descobrir um segredo horrível. Desvia os olhos dos meus e de novo tenta soltar seu braço. — Quantos carros iguais a esses, a Srta. pode comprar por dia? – Indago, dando outro rumo a conversa. – Aposto que nem você sabe. Então, para que quer chamar a polícia? Você não tem cara de quem gosta de humilhar os menos favorecidos economicamente, Srta. Mills. – Ela suspira, vejo que está à beira de uma crise nervosa, então resolvo soltar seu braço. — Vou lhe passar o telefone da minha mãe, e não importa se é ou não a mulher que me pariu, o que importa é que ela vai com toda certeza resolver isso. Por favor, Srta. Miils, vamos resolver de forma amigável. – Seus olhos um tanto quanto atordoados, voltam a procurar pelos meus, ela me encara por alguns tempo, parece decidir se acredita em mim ou não. Por fim solta um suspiro cansado.
– Por que devo acreditar que ela vai me ligar? – Indaga. Sorrio.
– Porque ela vai. Lhe dou a minha palavra de que, antes de anoitecer, esse problema estará resolvido. Minha mãe é uma mulher de palavra, Srta. Mills, e posso lhe garantir que ela tem tanto dinheiro quanto a Srta. – Afirmo. Seus olhos continuam nos meus, eles tentam me intimidar, ainda parece indecisa sobre minha índole. Sustento seu olhar sem problema algum, sorrio ao ver que ela vai ceder.
– Eu quero seu telefone. – Avisa.
– Sem problemas. Tem seu telefone aí para anotar, ou consegue memorizar? – Ela sorri de forma irônica e balança a cabeça em sinal de negativo.
– Não quero o número do seu telefone, eu quero o aparelho. – Meus olhos crescem em sinal de surpresa. Isso foi totalmente inesperado.
– O quê? – Indago enquanto penso em uma desculpa convincente para não lhe entregar meu aparelho. Ela sorri, provavelmente da minha cara de perdida.
– Eu quero seu celular. – Repete. — Ele vai ser minha garantia de que a Srta. não vai simplesmente “dar no pé.” Vou esperar até as 21:00 horas, se ninguém me ligar, vou vasculhar sua agenda telefônica. Se for preciso ligarei para todos os seus contatos, até descobrir em que lugar desse maldito deserto a Srta. e a “Sra.” sua mãe, se escondem. – Me vejo sem uma resposta. Estou perdida e sem saída. Por mim ela pode levar até minha alma, posso lhe dar qualquer coisa, menos, o celular.
– Eu não posso. Meu trabalho depende do meu celular. – Explico. Pelo sorriso irônico, sei que não vou gostar do que ouvirei.
– Veja bem, Srta. Swan, você tem duas opções. Primeira, polícia. Segunda, celular. – Está irredutível, sei que ela não vai ceder. Pela sua aparência “linha dura”, acho até que ela cedeu demais. Sem saída, tudo que me resta é concordar.
– Que garantia a Srta. me dá de que não olhará a minha agenda? – Indago, ela volta a me lançar um sorriso. Dessa vez um sorriso diabólico, quase posso ver o diabo ali.
– Garantia nenhuma. Você não está no direito de pedir garantias, Srta. Swan. – Ah, se eu pego essa gostosa de jeito! Faço ela se arrepender de todas essas cenas desnecessárias.
– Ok. – Nada me resta fazer nada a não ser concordar. Tiro o celular do bolso, destravo e renomeio o nome de Tinker. Agora ela se chama “mãe”. Mando uma mensagem para ela, explicando que meu celular ficará com a CEO maluca, como garantia do conserto do seu carro e peço para que não me mande mais nenhum tipo de mensagem com teor sexual. Gravo o número do meu celular pessoa ali. Apago todas as mensagens enviadas e recebidas e com muito pesar, lhe estendo o aparelho. – Todo seu. – Lhe sorrio. Como resposta ganho um olhar de pura irritação.
– Não estava apagando sua agenda, estava? – Nego.
– Não. Só estava apagando as mensagens pornográficas. – Minha sinceridade de novo a deixa perplexa. – Estamos resolvidas então? – Indago. Não sei exatamente que horas são, mas tenho quase certeza que está na hora de Janis voltar da escola, ou seja, preciso estar em casa antes disso.
– Nem um pouco. – Responde em tom ríspido. Regina Mills precisa de sexo, precisa urgentemente disso. Não qualquer sexo, do tipo que ela está costumada a ter. Precisa de algo com qualidade, precisa de atenção e precisa de orgasmos, coisa que não sei se ela já teve algum dia. Só desse jeito para melhorar esse mal humor do cão que ela tem. Sem saber, a Srta. Mills, criou uma oportunidade para mim. Ligarei para ela no final dessa noite e darei início a minha mais nova conquista. Sei que vai ser difícil, e isso me deixa animadíssima, adoro mulheres difíceis. Odeio quando alguma cliente acaba se apaixonando, mas abro exceções. Tenho prazer em fazer as mulheres difíceis se apaixonarem por mim. Regina Mills será com certeza minha próxima vítima.
– Antes de anoitecer, tenho certeza que estaremos. – Lhe dou um sorriso confiante. – Agora eu preciso ir, tenho um compromisso inadiável. Apesar dos pesares, foi um prazer conhece-la, Srta. Mills. Ligo mais tarde para saber onde devo buscar meu celular. – Sem que ela espere, me aproximo mais e lhe beijo o rosto, seu corpo enrijece de imediato. Ela me olha como se eu fosse uma louca ensandecida e dá alguns passos para trás. Parece em choque pelo o que acaba de acontecer. Deduzo que ela não é nem um pouco adepta a beijos, abraços e qualquer outro tipo de contato físico, vindo de pessoas desconhecidas. – Tchau! – Aproveito que ela ainda está se recuperando do meu “atrevimento”, para ir, antes que ela resolva implicar com qualquer outra coisa. Ao passar por ela, sua mão agarra meu braço sem nenhuma delicadeza. Seu aperto me faz concluir que ela está com muita raiva, não consigo saber exatamente do que.
– Onde pensa que vai, Stra. Swan? – Aperta meu braço ainda com mais força.
– Para casa, preciso chegar antes das 17:00. – Explico. Ela balança a cabeça em sinal de negativo, e me sorri com ironia.
– A Srta. bate no meu carro, não me deixa chamar a polícia, não me deixa dinheiro, não resolve absolutamente nada e resolve ir para casa? – A olho sem entender. Nós não tínhamos meio que nos entendido? Antes de conseguir questionar, ela volta a falar. – A Srta. bateu no meu carro, então o mínimo que tem que fazer é chamar o guincho e me pagar um táxi. – Guincho e táxi! Oh, droga! Quantas regras para um acidente de carro.
– Certo! Guincho e táxi. – Murmuro. Jogo minhas mãos para dentro dos bolsos da calça, procurando meu celular pessoal, o tiro de um dos bolsos e resolvo ligar para alguém que pode me ajudar com aquelas coisas, mas antes que possa fazer isso, a mulher rouba meu aparelho.
– Me deu o aparelho errado? Está tentando me enganar, é isso? – Cospe as palavras contra mim. Balanço minha cabeça muitas vezes negando.
– Não. Não. Claro que não. O celular que acabou de tirar da minha mão, é o pessoal. – Explico. – O que eu lhe dei, é o do trabalho. É ele que uso 24 horas por dia, Srta. Mills. Agora se puder me devolver, preciso fazer uma ligação para resolver seus problemas. – Ela me olha com desconfiança e nega.
– Vou ficar com esse também. – Me irrito ao ouvir tal coisa.
– MAS QUE DROGA, Regina Mills! – Extravaso minha raiva, seus olhos crescem, aparentemente assustados pelo meu pequeno surto. – Eu fui errada. Eu bati minha lata velha no seu lindo carro de mulher rica. Eu sou uma pobre coitada que não tem onde cair morta. Eu sou tudo que o seu ar de mulher superior quer que eu seja, ok? Mas estou me esforçando para resolver a porra desse problema, e tudo que você tem feito é dificultado. Que merda! – Respiro fundo, e tento me controlar, antes que decida resolver as coisas da minha maneira. – Ouça, você não precisa do meu celular pessoal, ninguém dessa agenda vai ter dinheiro para me ajudar a consertar seu carro. Você precisa só, do meu celular de trabalho, ele é uma verdadeira mina de ouro. Então por favor, por favor, devolve meu aparelho e me deixa resolver isso. Eu preciso ir para casa, tem alguém esperando por mim lá, alguém por quem eu faço todas as merdas que faço, alguém que não quer saber do seu carro de madame, nem de dinheiro de espécie alguma, ou qualquer outra merda do tipo. Alguém que se contenta única e exclusivamente com a minha presença, a presença de uma pobre coitada que não tem nem onde cair morta. Esse alguém é muito, muito importante para mim, para eu ficar aqui batendo boca por causa de carros. – Meu desabafo a deixa surpresa. Suspiro e estendo a mão. – Por favor? – Seus olhos continuam assustados. Noto que meu desabafo não era algo que estava previsto no script dela, por isso no momento ela se encontra sem palavras. Concluo que Regina Mills, não faz nada antes de planejar. Sem dizer nada, ela devolve meu celular. O pego, disco o número de Kilian e lhe dou as costas.
– Atende logo, Bicha! – Praguejo impaciente, enquanto o telefone chama sem parar.
– Emma! Você não morre mais, amiga! Estava pensando em você. – Antes que ele comece a falar sobre o que estava pensando, resolvo corta-lo.
– Bicha, não tenho tempo para isso. Me meti em um acidente de carro e preciso da sua ajuda. – Conto.
– Não me diz que sua lata velha matou alguém de tétano? – Rolo os olhos pela piada sem graça.
– Kilian, eu atropelei um Mercedes, do modelo mais caro que existe. – O ouço assoviando. – Preciso de um guincho, de uma oficina de bacana e de um táxi. Não faço ideia de onde arrumar isso. Você que é amiguinho dos caras da alta-sociedade é a pessoa certa para me ajudar. – Explico. – Por favor, Kilian, sem perguntas. Daqui a pouco Janis estará em casa, você sabe como ela é, se chegar primeiro, vai saber que ainda não apareci por lá desde ontem.
– Me passa o endereço, providencio isso em cinco minutos. – Suspiro aliviada. Kilian 90% do tempo é uma bicha louca, alucinada e sem limites, mas quando quer, sabe ser sério. A maioria das vezes isso envolve Janis, que segundo ele, é sua sobrinha emprestada.
– Estou no começo da avenida Tompkins. – Olho ao redor procurando um ponto de referência. — Em frente a uma loja da Tiffany.
– Ok. Vou resolver isso imediatamente, mas tarde eu ligo para você me contar essa história. – Aproveito que já estou com ele na linha, para lhe pedir outro favor.
– Bicha, você pode ficar com ela hoje à noite, por favor? – Imploro e o ouço suspirar.
– Hoje, Emma? Vocês não tinham um programa para hoje? Ela está toda animada com ele. – Me sinto culpada ao ouvir aquilo, mas não vejo outra saída.
– Kilian, o concerto do Mercedes, não vai se pagar sozinho. Minha presença foi exigida. – Explico.
– Tinker Monster Gaga? – Indaga.
– A própria.
– Você deveria contar para ela sobre Janis. – Opina.
– Essa não é uma boa hora para falarmos sobre isso. Posso contar com você ou não? – Vou direto ao ponto. Pelo canto dos olhos, vejo que a Srta. Mills, disfarçadamente, ouve ou tenta ouvir minha conversa.
– Claro que pode. Mais tarde conversamos então, beijos conquistadora! – Não me espera responder e já desliga. Guardo meu celular e me volto para a mulher, que faz estar prestando atenção no outro lado da rua.
– Tudo resolvido, daqui alguns minutos o guincho e o táxi estarão aqui. – Conto. Ela limita-se a concordar com a cabeça. Desisto de tentar um diálogo, meus pensamentos estão em Janis, estou me odiando por ter que deixa-la mais uma noite. Suspiro e vou até meu carro, me encosto na sua lateral. Faço uma prece para que ele funcione, quando sair dali. Sorrio imaginando a cara da minha filha, quando ver o que aconteceu ao fusca. Não sei se ela vai ficar feliz ou chateada. Muito embora ela viva tentando me convencer a trocar de carro, ela diz que o fusca tem um lugar especial em seu coração e que vai viver nele para sempre.
Estou tão dispersa que não vejo quando a Srta. Mills se aproxima, a percebo só quando ela para em minha frente. Me analisa atentamente por alguns segundos, de novo me deixando curiosa. Seus olhos param nos meus, enquanto ela parece decidir se fala ou não algo. Resolvo encoraja-la.
– Posso ajuda-la? – Indago. Ela balança a cabeça afirmando. Pacientemente a espero falar.
– O que você é, Srta. Swan? — Apesar de não ter dito com todas as letras “o que” sou, acho que deixei bem claro. Então sua dúvida me faz sorrir.
– Sou exatamente o que eu pareço ser, Srta. Mills. – Respondo. — É isso o que sou. – Acabo com suas dúvidas. Por um momento ela me olha como se não acreditasse. Tira os olhos dos meus, balança a cabeça em sinal de descrença e volta a me encarar. Por quê? Era exatamente isso que seus olhos me perguntavam, mas tive certeza que ela não abria a boca para indagar. Para Regina Mills, fazer tal pergunta seria indiscreto e indelicado demais.
– Você pode ir agora, daqui para frente posso me virar sozinha. – Muda completamente de assunto.
– Vou ficar, e resolver. – Aviso. Afinal, não era isso que ela queria há cinco minutos atrás?
– Já resolveu. Agora pode ir. – Abri a boca para responde-la, mas ela foi mais rápida. – Não tem alguém lhe esperando em casa? – Janis. Me pergunto se ela conseguiu ouvir minha conversa com Kilian. – Vá! – Concordo com a cabeça e me desencosto do carro.
– Existe um coração aí dentro, afinal. – Aponto para seu peito. Ela me lança um olhar nada agradável. Sorriu e abro a porta do meu carro. – Estou indo, não se irrite. – Não sei se é coisa da minha cabeça, ou não, o fato é que talvez eu tenha a visto esboçar um sorriso, mas tal coisa não durou nem um segundo. – Entro no fusca, giro a chave e deixo um grito de comemoração escapar, quando o motor mostra que sobreviveu. Pelo canto dos olhos percebo que a Srta. Mills, está me assistindo. Engato a ré, e ouço barulho de latas se retorcendo. Antes de partir abro a janela, coloco a cabeça para fora do carro e a encaro.
– Eu vou ligar para você, quer dizer, para mim, para combinarmos o lugar onde vamos beber um drink, quando você for devolver meu celular. – Lhe lanço uma piscadela, e sem esperar resposta, sigo meu caminho.
POV Regina
Pensa na palavra problema e a multiplique por um milhão, pois bem, esse é o resultado das minhas poucas horas nesse lugar dos infernos. O suor escorre pelo meu rosto, minha cabeça está prestes a explodir, e começo a me sentir um pouco enjoada. Não consigo encontrar uma palavra que defina o quanto estou cansada e estressada.
Se tudo já estava bem horrível, piorou quando a loira maluca, bateu sua lata velha no meu carro. Bufo ao pensar nela. Mulherzinha prepotente e abusada. A cada três palavras que dirigiu a minha pessoa, pelo menos quatro delas, ela usou para me cantar. Não contente só com as palavras, usou também sua linguagem corporal. Me lançou uma piscadela nada inocente, sorrisos convidativos, roçou o braço no meu, e quando pensei que não havia jeito de ser mais atirada, teve a ousadia de beijar meu rosto.
É exatamente por pessoas iguais a ela, que estou nesse lugar. Sim, porque com certeza é com esse tipo de mulher que Tinker sai para farra, ou melhor, leva a farra para dentro do nosso hotel. Emma Swan não precisou me dizer o que é, para eu saber exatamente com o que ela trabalha. Ainda não posso acreditar que Tinker sai com pessoas assim, não sei o que ela tem na cabeça, se não administrasse tão bem o nosso hotel, diria que vento.
Ainda não sei o que me deu na cabeça para não ter chamado a polícia. Aquela loira cheira a encrenca, tenho quase certeza que os documentos que me mostrou são falsos. Aquela atirada provavelmente não tem mais de dezoito anos, e seus documentos dizem que ela tem vinte e três. Além de portar documentos falsos, está se prostituindo. Mentalmente me xingo por inconscientemente ter consentido com a prostituição de uma menor. Claro, como fui burra! Por isso ela insistiu tanto para que não chamasse a polícia, porque se pusessem as mãos nela, a forçariam a ir para uma casa de adoção, ou alguma coisa do tipo.
Arrependimento veio tarde, está feito, e não posso fazer mais nada a respeito disso. Espero que pelo menos ela cumpra com a palavra e resolva a situação do meu carro. Sim, ela estava certa quando disse que pouco me importo com ele, mas não é por isso que vou perdoar. Não é porque tenho dinheiro que vou livra-la dessa. Não sou nada humanitária, e não tenho vocação para santa. Então cobrarei, cobrarei até o último centavo. Espero que essa “mãe” emprestada dela, tenha mesmo dinheiro porque tenho certeza que o conserto, se é que vai ter conserto, não vai sair nada barato. Tenho um pouco de pena dessa coitada, sei que vai levar um bom tempo, talvez uma vida, para ela acertar essa continha com a mãe.
Como não sou boba, fiquei com o celular da infeliz, como garantia do meu conserto. Esse celular é com certeza o que ela tem de maior valor. Vi o quanto ela pareceu receosa ao entrega-lo, e só o fez porque ameacei chamar a polícia. Tenho que admitir que ela foi um pouco corajosa, já que entregou para uma completa desconhecida a peça chave do seu “trabalho”. Tudo começa com uma ligação, não é mesmo? Sem ligação, sem encontros. Abro um sorriso diabólico pensando que todo o trabalho de Emma Swan, está dentro da minha bolsa, e que se a “mãezinha” dela, não resolver meu problema, ela vai no mínimo suar, para conseguir o número de todos os seus clientes de volta, e pela quantidade de vezes que esse maldito aparelho já tocou, deduzo que tais clientes não são poucos.
Lembro-me do seu outro celular, deveria tê-lo confiscado também, mas o maldito sol desse deserto batendo na minha cabeça, afetou meus neurônios. Essa é a única explicação para eu ter cedido ao seu apelo de “boa moça”. Acabei um pouco comovida com o que ela me falou, aliás, praticamente gritou. Sua expressão sacana, seu ar de mulher bem resolvida, de mulher fatal, mudaram completamente quando me disse aquelas coisas. Além de ríspidas, suas palavras saíram com uma certa tristeza, ou pesar talvez. A pessoa a quem Emma Swan se referia, era no mínimo, muito importante para ela. Me pergunto quem seria essa pessoa. Sua verdadeira mãe? Uma irmã? Um irmão? Um filho? Balanço a cabeça em sinal de negativo. Não, não acho que ela seja louca o suficiente para ter colocado uma criança no mundo. Além de morar nessa maldito lugar, ela é uma prostituta. Que futuro teria um filho dessa mulher? Absolutamente nenhum. Se tornaria no mínimo uma pessoa igual a mãe, se não pior. Com toda certeza concluo que não, ela não se referia a um filho.
Enfim, acabei deixando o maldito telefone com ela. Preciso admitir que ela foi rápida em agilizar as coisas que exigi. Quinze minutos depois que ela se foi, o táxi chegou, minutos depois foi a vez do guincho, que levou meu carro para a oficina que a prostituta já tinha contatado. Segundo o motorista do guincho, é a melhor oficina da cidade. Só não sei se isso é realmente relevante, tratando-se de Vegas, tenho medo que instalem alguns caça-níqueis dentro dele, ao invés de consertarem seus amassados.
– Chega, Regina! – Me ordeno que pare de pensar na loira idiota. Abro a porta de casa e vou direto para a cozinha. Pego minha caixa de remédios e tiro dois analgésicos da cartela. Não consigo evitar a careta ao mastiga-los. Dispenso a água e sigo em direção ao meu quarto. Ao passar pela sala e ver as almofadas que deveriam estar no sofá, espelhadas pelo chão, deduzo que talvez a casa tenha recebido visitas.
Olho para as escadas e com preguiça de enfrenta-las, decido ir de elevador. Como ele é panorâmico, meus olhos se prendem na cidade lá fora, gosto da visão, foi exatamente por isso que comprei essa casa, para ter Vegas debaixo dos meus pés. Moro no ponto mais alto da cidade, sinto prazer ao vê-la de cima, ver o quanto ela é pequena e insignificante. Porém, é com muito pesar que admito, ela é bonita.
O elevador deixa-me na sacada do meu quarto, ao entrar no mesmo, me deparo com a cama bagunçada. Definitivamente, a casa recebeu visitas. Alguém, que deduzo ser Tinker, já que ela é a única além de mim a ter as chaves, passou a noite ali e sequer se deu ao trabalho de arrumar a cama.
Sento-me na cama afim de tirar os sapatos, mas o cansaço é tanto, que acabo deixando meu corpo cair sobre o colchão, instantaneamente um cheiro de perfume barato atinge minhas narinas. Canela, cravo e mais alguma coisa que não consigo identificar. Tenho a impressão de que já senti esse cheiro antes, só não me recordo onde. Dou de ombros, isso pouco me importa, o fato é que preciso trocar os lençóis o quanto antes. Jogo meus braços para cima da cabeça e minha mão acaba tocando em algo que pela textura deduzo ser papel, mais precisamente, papel amaçado. Ao torna-lo visível aos meus olhos, concluo que tinha razão, desfaço a bola que ele tinha se tornado e vejo que tem algo escrito ali, pela caligrafia tenho certeza que foi Tinker quem escreveu.
– "Obrigada por mais uma noite maravilhosa."– Leio em voz alta. – Você colocou alguém na minha cama, Tiker? Sério? Eu vou matar você! – Esbravejo contra a infeliz. Minha cabeça lateja quando penso que Tiker trouxe alguém para minha casa, transou com esse alguém na MINHA cama e não se deu nem ao trabalho de trocar as roupas de cama e deixar tudo organizado, do jeito que encontrou. Faço cara de nojo por estar deitada onde Tinker e sabe-se lá Deus quem, tinham transado e rapidamente me ponho de pé.
Faço algumas notas mentais. Primeira, arrumar uma secretaria para cuidar da casa no tempo em que passarei por aqui. Segunda, ordenar a ela que troque as roupas de cama da casa inteira, porque tratando-se de Tinker, muito provavelmente ela deu jeito de trepar com alguém até no lustre da sala.
Tiro meus scarpins e vou até o banheiro. O inspeciono com cuidado e suspiro aliviada ao deduzir que aparentemente o furacão Tinker e sua companhia, não passaram por aqui. Ao olhar para a banheira de hidromassagem, decido que vou usa-la, preciso urgente relaxar um pouco, e ela pode com certeza me ajudar. A deixo enchendo e resolvo voltar para a sacada, afinal a vista de Vegas que ela me proporciona, é a única coisa boa existente nesse lugar.
Caminho até a beira da piscina e sento-me lá, jogo meus pés para dentro da água, fecho os olhos e respiro fundo. Abro os olhos e os prendo na cidade abaixo de mim. A noite está quase ganhando o dia, gosto dos tons de vermelho, roxo, azul e rosa que tomam conta do céu. As luzes da maldita cidade deixam tudo ainda mais bonito.
Algo batendo em meu pé, tira minha atenção da cidade. Baixo os olhos para checar o que é, e a princípio tudo que consigo concluir é que é um pedaço de pano preto. Junto as sobrancelhas em sinal de dúvida e com a ponta dos dedos, pego aquela coisa não identificada. Com a ajuda da outra mão, estendo o pedaço de pano. Inclino a cabeça para a direita, depois para a esquerda.
Meus olhos crescem quando me dou conta do que é. A primeira coisa que me pergunto é, como alguém consegue vestir isso? Já vi e usei algumas calcinhas fio-dental, mas nenhuma tão minúscula e vulgar. Me pergunto se existe mesmo uma maneira de usar isso. Só então me dou conta que estou segurando algo íntimo de uma completa desconhecida. Instantaneamente minhas mãos largam esse pedaço de vulgaridade, a devolvendo para a piscina.
Tal coisa não é de Tinker, tenho certeza absoluta. Tinker odeia peças desse tipo. Sei porque sempre que usa uma calcinha mais cavada, passa o dia lutando com ela na frente de todos. Ou seja, a companhia folgada e completamente indiscreta e vulgar que ela trouxe para a MINHA casa, é uma mulher.
Faço uma busca minuciosa pela sacada em busca de mais algum indicio de promiscuidade, graças ao bom Deus, não encontro mais nenhum tipo de roupa, mas vejo uma garrafa de cerveja ao lado da minha espreguiçadeira favorita. Bufo e peço aos céus que elas tenham poupado aquele lugar. Faço outra nota mental, preciso mandar minha futura secretária passar um pano com muito álcool na espreguiçadeira.
Me pergunto o que fiz de tão errado, de tão grave, para merecer uma amiga igual a Tinker. Além de fazer orgias no nosso hotel, ela anda trazendo MULHERES para a MINHA casa. Praguejo muito contra ela, levanto-me e sigo para dentro do quarto, pego meu celular e vou em direção ao banheiro, aparentemente o único lugar habitável da casa. Tento ligar para Tinker, mas seu telefone cai na caixa. Bufo, deixo o aparelho sobre a pia e decido me dedicar ao meu banho.
Desligo a água, jogo os sais de banho na banheira, ligo a hidromassagem e pelo comando de voz, ligo o som. Volto a xingar Tiker ao ouvir o tipo de música que ela andou trazendo para minha casa. Irritada, ordeno ao comando de voz que baixe o volume. Bufo e começo a me despir. Primeiro me desfaço do cinto preso um pouco acima da cintura, depois tiro o vestido, em seguida me livro do sutiã de renda e calcinha de mesmo material. Suspiro ao pôr os pés para dentro da banheira e com cuidado sento-me lá, recosto as costas no encosto da mesma, fecho os olhos e respiro fundo, tentando esvaziar a mente, enquanto minhas mãos brincam com a espuma.
Continuo concentrada na minha respiração, uma sensação boa toma conta de mim e faz com que eu cochile. Não faço ideia de quanto tempo tal cochilo durou, mas tenho certeza que poderia durar um dia, caso o toque insistente do meu celular, não resolvesse me acordar.
Sem muita vontade, saio da banheira, pego meu celular e volto para a banheira. Só o atendo quando estou em uma posição confortável de novo.
– Eu. Vou. Matar. Você! – Atendo desse jeito e falo tudo pausadamente para ela não ter dúvida do que ouviu.
– Eu estou bem, obrigada por perguntar. E você, fez um bom voo? – Tinker não tem noção da realidade, é a única explicação plausível para as piadas que faz fora de hora. Meu humor que tinha dado uma leve melhorada, volta a piorar.
– Tinker, você tem ideia do que fez? – Esbravejo.
– De que parte do meu dia estamos falando? De madrugada eu fiz muito sexo. Durante o dia trabalhei e estou trabalhando mais do que aqueles coitados que levantaram as pirâmides do Egito. – Continuava com seu tom de voz casual, como se estivéssemos apenas pondo as fofocas em dia. – E você, pelo seu tom de voz irritadinho, deduzo que não faz sexo há pelo menos duas semanas. Aquele inglês otário definitivamente não está te comendo direito. Aliás, nem direito, nem esquerdo, nem errado. Ele não está te comendo. Ponto. – Respiro fundo algumas vezes, antes de abrir a boca para responde-la.
– Se ele está me comendo ou deixando de me comer, não diz respeito a você. Mas se você quer falar de sexo, tenho duas coisas sobre esse assunto para tratar com você. – Aviso. – A primeira e mais importante, tenho que tratar pessoalmente, já que diz respeito ao nosso hotel e as regras que você anda descumprindo. – Não tenho tempo de concluir, ela resolve me interromper.
– Que regras andei descumprindo? – Pelo tom de voz dela, tenho certeza que sabe muito bem o que descumpriu. Provavelmente alguém ligou de Nova York, a alertando sobre o motivo da minha vinda a Vegas.
– Não se faça de sonsa, Tinker. Eu sei que você sabe muito bem sobre o que estou falando, mas caso tenha se esquecido, não se preocupe, trouxe um exemplar do New York Times, de presente para você. Adivinha quem faz parte da capa dessa edição? – Questiono em tom sarcástico. – Isso mesmo, você! Você, algumas “senhoritas” e o cassino do nosso hotel. – Esbravejo.
– Regina, eu posso explicar. – Tenta começar, mas não a deixo.
– Não, você não pode! Você vai me ouvir e vai me ouvir calada. Só que pessoalmente, para eu ter certeza que vai prestar atenção. – Volto a esbravejar. – Caso contrário, minha adorável mãe será a próxima a conversar com você. — Sei que mencionar minha mãe faz Tinker pondera as coisas, afinal ela detesta Cora Mills e vice-versa. As poucas vezes em que elas estiveram na mesma sala, terminaram em gritos. Esse foi um dos motivos para o Senhor Bell indicar o nome de Tinker para cuidar dos negócios em Vegas. Quanto mais distancia haver entre as duas, melhor.
– Regina, por todos os Deuses do rock! Aquela bruxa velha, mal amada e mal comida, não sobreviveria nem 24 horas aqui em Vegas. Se bem que, ela nem faria falta. – Deduzi que Tinker estava falando sozinha.
– Vamos deixar para resolver isso pessoalmente. Agora vamos tratar do segundo assunto. – Aviso. – Você acha que a minha casa tem aparência de bordel? – Me irrito só de pensar nas coisas que encontrei pela casa.
– Ops! – A ouço sussurrar.
– Ops? É isso que você tem a dizer em sua defesa? Apenas, ops? Tinker, encontrei na piscina o “presentinho” que a sua acompanhante deixou por aqui. Você vem na minha casa, traz uma prostituta, dorme com ela na minha cama, e não se dá nem a decência de limpar a bagunça que ela deixou. – Bufo. – Eu não sei o que faço com você. Sinceramente, não sei. – Solto com o ar.
– Só para eu saber, que presentinho seria essa? – Pela voz de curiosidade dela, deduzo que ela não faz ideia do que seja.
– Uma calcinha, se é que pode se chamar aquela tira de calcinha. De qualquer jeito, é a coisa mais vulgar que meus olhos já viram, e nem adianta dizer que é sua porque nem em mil anos você usaria algo que fosse desse tamanho e ainda por cima de algodão. – Faço uma pausa para tomar ar. — Fora o cheiro de perfume barato que esse ser deixou na minha cama. Por Deus! Tenho que mandar trocar tudo, sabe-se lá onde você e essas fulaninhas andaram transando. – O assunto é sério, estou falando sério, mas por algum motivo, Tiker está rindo.
– Regina, você está ficando igualzinho a Dona cobra, amarga, sem graça e puritana. – Me acusa.
– Não meta a minha mãe nesse assunto. Apenas me diga o que aconteceu aqui. Assim posso escolher com calma, qual será a forma mais lenta e dolorosa de te matar. – De novo a ouço rindo.
– Bom, não vou negar, eu levei a garota para sua casa, e aconteceu muito, muito sexo. – Fala como se tal coisa fosse a coisa mais normal do mundo de se fazer na casa da amiga. – Ah, qual é, Regina?! Moro no hotel, você mesma disse há minutos atrás que eu tenho que obedecer as regras, ou coisa assim. Ou seja, sua casa me pareceu a melhor opção. Para de drama, vai! Amanhã mando alguém ir aí dar uma geral. Prometo que vai ficar tudo novinho em folha novamente. – Suspiro e resolvo desistir do assunto, sei que Tinker não vai me levar a sério e se continuarmos com esse assunto, vou com certeza explodir e lhe dizer muitas coisas das quais posso me arrepender depois.
– Ok. Vou aliviar o seu lado NESSE caso. Mas só para você não esquecer, temos uma reunião ainda hoje e você não tem como fugir. – A ouço bufando. – Tinker, sei bem a cara que você está fazendo agora. Você tem duas opções, conversar comigo, ou encarar a minha mãe. Você escolhe. – Até dois, conto até dois antes de ouvir uma resposta.
– Certo chefe, espero você no escritório do cassino. Prefiro ouvir seus sermões do que aguentar o veneno da cobra, afinal, aqui é Vegas e soro antiofídico é coisa rara. — Não consigo não rir com a piada da loira.
– Tinker, você definitivamente não presta. – Ainda estou rindo.
– Mas você me ama, admita. – Concordo.
– Sim, infelizmente, mesmo você me dando nos nervos eu amo sim. – Essa é a triste realidade.
– Eu sei, e só para constar, também amo você. – Declara-se. — Agora vamos parar com esse sentimentalismo, espero você e esse seu corpo moreno aqui, não demore. Tenho um compromisso inadiável a noite. – Rolo os olhos imaginando qual será tal compromisso.
– Tchau, Tinker! Daqui duas horas estou chegando aí. — Desligo o telefone, o coloco no chão e volto a usar o comando de voz do som para aumentar o volume.
Balanço a cabeça em sinal de negativo pela música que começa a tocar. Não sei porque, mas a tal Emma Swan, o beijo que deu em meu rosto e a piscadela que me lançou antes de ir embora vem a minha mente. Um sorriso idiota nasce em meus lábios, me pergunto qual o meu problema, volto a balançar a cabeça em sinal de negativo e mergulho nos meus sais, desejando não ter que sair dessa banheira nunca mais. Não gosto nem de pensar nos problemas que me aguardam lá fora.
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