Notas iniciais
Oiee, gente bonita! Conforme combinado, cá estou eu! Essa é a parte boa. A parte não boa é que, surgiu um compromisso pra esse sábado a noite (obrigada, @Deus), e como esse capítulo também era bem grande, eu não consegui ajeitar, nem revisar, nem dar todos os retoques finais nele, então, eu vou postar a parte ajeitada, e na segunda, no máximo terça, eu volto com mais (a parte dele que seria a mais leve). Combinado? Entenderei o silêncio como sim. Nesse de hoje a gente vai tacar mais uma bolinha de fogo no parquinho, porque né, nem só de amor vive RHWFY, e a gente até gosta de um fogo, né não? Muito obrigada a todas que passaram por aqui, e deixaram aquele review lindo, cheiroso, bacana e incentivador, muito obrigada mesmo, obrigada pelo carinho de vocês, obrigada, obrigada, obrigada!!!

Ai a vida, odiosa vida, complicada vida, insuportável vida. É muito difícil viver, é muito difícil se relacionar, é muito difícil resolver as coisas, é muito difícil tentar ser feliz. Seria tão mais simples e confortável se só dormíssemos. Evitaríamos problemas, preocupações, mortes. Evitaríamos “roubar” namoradas ou namorados da nossa melhor amiga. Evitaríamos ouvir da mesma, palavras que doem, que amedrontam, mas que não deixam de ser verdades. Evitaríamos de nos apaixonar. Olha que coisa linda que seria, não se apaixonar. Porém não, isso não é possível. Existe essa necessidade do ser humano de viver, de se relacionar, de se ferrar. Sofrer, esse deve ser o sentido da vida, para isso que todos nascemos. Depois de sofrer bastante, nós morremos. Fim. Não é bonito, não é romântico, não é justo, mas é a vida.

Meus dias em Las Vegas, não poderiam estar sendo mais ruins. Dormi um total de 0 horas, na noite anterior. Sem Emma, sem sexo, sem bobagens, sem romance, sem espaço reduzido na cama. Fui para a minha casa e a Srta. Swan, ficou na dela para conversar com Janis sobre algumas coisas, atualiza-la na verdade. Enfim, sem a Srta. Swan para me distrair, não me restou outra alternativa a não ser pensar na vida e consequentemente, entrar em paranoia.

Primeiro, fiquei pensando no pai de Emma. Na agressividade daquele homem. No que ele teria feito com a filha caso eu não estivesse lá para intervir. Pensei também na mãe dela, me perguntei há quantos anos ela vinha sendo agredida. E se os vizinhos eram surdos, para não intervir, não chamar a polícia ou coisa do gênero. Me perguntei também se ela conseguiria ser forte suficiente para vencer o medo e deixar o homem. Depois fiquei pensando na criança, Anna. De novo me questionei o motivo de alguém com tão pouca idade, já ter que passar pelo o que ela passa. Não é justo, é? Gostaria muito de saber como funciona isso, como é essa divisão. O porquê de algumas pessoas nascerem com tanto, e outras sem nada. Quando falo sobre nada, não me refiro a dinheiro, me refiro a um lar tranquilo, amoroso, em paz, onde alguém pode crescer sem nenhum tipo de trauma.

Depois fiquei pensando em Janis, que não quis de jeito nenhum me deixar vir para casa. Aliás, ficou chateada comigo. Me fez bico, me olhou contrariada e me fez querer esmaga-la em um abraço sem fim. Lembrei do quão empolgada ela ficou quando Emma lhe deu a notícia da mudança para Nova York.

Meu Deus! Zelena e a garota fizeram incontáveis planos, e eu tenho certeza que muitos desses planos, me darão dor de cabeça, porque a menina não vai esquecer, e bom, eu estou incluída em todos eles, e alguns deles envolvem lugares públicos e consequentemente, exposição.

Foi pensando em tal coisa, que eu me dei conta do tamanho da minha responsabilidade. Do quão responsável por elas, eu serei. É por minha causa que estão se mudando. É por mim que vão deixar Las Vegas. É por mim que vão para um lugar onde não conhecem praticamente ninguém, começar do 0.

Janis vai perder todos os amigos, não vai ter nenhuma criança conhecida por perto, as poucas pessoas conhecidas por lá, serão adultas. O mesmo vai acontecer com Emma, que também vai se afastar de todos os amigos. Elas vão estar do outro lado do pais, quase que sozinhas. Okay, se estivessem fazendo isso por uma pessoa com um padrão de vida normal. Alguém que não tenha que temer a mãe psicopata e coisas do tipo. Porém, eu não sou essa pessoa.

E quando elas me chamarem para ir em um lugar que eu não posso ir? E quando eu estiver atolada até a cabeça de trabalho, não podendo dar a atenção devida? E quando eu não poder ir até a casa delas? E quando elas não poderem ir até a minha casa? E quando eu precisar viajar? E quando Janis pegar um resfriado ou esse tipo de coisa, e não poder ir para aula? E quando por todos esses quandos, Emma se cansar de tudo e resolver desistir? E como deixa-las ir, se minha mãe ainda estiver a solta? E se Cora já souber de tudo?

Com todas essas perguntas, medos e incertezas, pipocando na minha cabeça, provavelmente nem se eu tomasse toda uma cartela de tranquilizantes, conseguiria dormir.

Coração acelerado, dor no peito, dificuldades para respirar, ou seja, fui premiada com uma crise de ansiedade. Para não surtar, ou não surtar de vez, resolvi que precisava levantar dali. Precisava espairecer, precisava conversar, precisava de alguém, mesmo que o alguém em questão, fosse Zelena.

Flashback

Sem me importar com as horas, que segundo o display do celular, passava das 04:00hrs da madrugada, levantei e fui até o quanto da minha irmã. Sem bater, sem ser convidada, sem me anunciar, entrei, acendi a luz do mesmo e me joguei na cama ao seu lado.

Ela acordou assustada, me olho um tanto perdida, a cara amassada. Com toda certeza do mundo não entendendo o que eu estava fazendo lá.

— Já é de manhã? – Estava confusa.

— Não. Ainda é madrugada. – Respondi. Tal resposta a fez fechar os olhos, em seguida escondeu a cabeça debaixo do travesseiro.

— O que você está fazendo aqui então? – Sua voz saiu arrastada, baixa, sonolenta. – Mamãe morreu e você veio me avisar?

— Não. Nesse caso eu teria trazido comigo uma garrafa de espumante. – Foi a resposta que lhe dei. – Eu só... preciso conversar. – Fazia algum tempo que não tinha crise de ansiedade, já que fazia algum tempo que eu não tinha com quem me preocupar.

— Desde quando você gosta de conversar de madrugada, Regina? – Seu tom continuava sonolento. Tinha certeza que podia voltar a dormir a qualquer momento. – Aliás, desde quando você gosta de conversar? – Estava quase dormindo, mas mesmo assim, ainda tinha consciência para me provocar.

— Eu não gosto... – Respondi. – Não muito. – Ou não com Zelena. Talvez não com a maioria das pessoas. Na verdade, não era com ela que eu gostaria de conversar, mas era a única disponível no momento, já que Emma com certeza estava babando. – Eu só não consigo dormir. – Tirou a cabeça de debaixo do travesseiro, ajeitou-se lá e bateu com a mão no espaço vago do mesmo.

— Deite aqui, faça de conta que eu sou a sua Srta. Swan, mas a parte dela não perversa. A Emma que em algum momento da noite, substitui sexo por sono. – Por que mesmo eu tinha ido até o quarto de Zelena? Sofrer sozinha de ansiedade, já não parecia mais uma má ideia.

— Impossível conversar com você! – Reclamei e tentei sair dali, mas sua mão segurou meu braço. Ao olhar para ela, encontrei de olhos abertos. Estava rindo de mim.

— Okay, vamos conversar. – Primeiro ela provoca. Quando consegue me tirar do sério, aí aceita o que quer que eu tenha lhe pedido. – Qual seu problema? – Questionou enquanto bocejava.

— A vida é o meu problema. – Reclamei. Ela coçou os olhos, voltou a bocejar, então me encarou e balançou a cabeça negativamente.

— Alguém já te disse o quanto você pode ser dramática? – Ao perguntar tal coisa, conseguiu me irritar um pouquinho mais.

— Eu não sou dramática. – Minha resposta a fez dar um sorrisinho sem humor.

— Você é! – Exclamou. – Ah Deus! – De novo voltou a bocejar. – Eu preciso de um café. – Passou mais uma vez a mão pelos olhos.

— Esquece. Volte a dormir. – De novo tentei me retirar e de novo ela me impediu.

— Está vendo como você é dramática? – Ajeitou seu travesseiro na cabeceira da cama e encostou-se lá. – Você veio até aqui, no quarto onde você disse que eu podia ficar, não bateu, não chamou, foi só entrando. Acendeu a luz, me acordou no meio da madrugada, me tirou do sono da beleza, agora você vai ficar e vai me falar. Qual o seu problema? – Irritada, eu bufei, cruzei os braços, mirei um ponto qualquer à minha frente, e resolvi falar.

— Eu não deveria ter aceitado as chantagens daquela garota insistente... – Comecei. – Ela estava blefando, tenho certeza que estava, mas mesmo assim... – Suspirei. – Mesmo assim eu não quis arriscar... – Levei as mãos até os cabelos e os puxei. – Arrgg!!! Essa história, tudo isso, é uma loucura. – Balancei a cabeça negativamente. – Não tem como acabar bem. – Lamentei.

— Tirando a nossa mãe e as coisas que ela pode vir a fazer, do que você tem medo, exatamente? – Me questionou.

— De que Emma não aguente a pressão. De que queira desistir, quando não houver mais opção de desistência. De que se canse das coisas que eu não posso. De que as coisas terminem com ela me odiando. – Suspirei pensando sobre.

— Regina, Emma não é uma criança indefesa. – Foi desse jeito que começou. – Ela também não é inocente, nem ingênua, tampouco fraca. Você esteve comigo na casa dela na tarde de hoje. Você ouviu tudo que eu ouvi. Você sabe pelas coisas que ela passou. Tudo que ela enfrentou... – Fez uma pausa para outro bocejo. – Você acha que ela não está mesmo ciente sobre a não opção de desistência até que nossa mãe não seja mais uma ameaça? Acha que ela não está ciente das coisas que você não pode? – Questionou-me. – Acho que seu romantismo não deixa você enxergar a mulher forte e determinada que ela é. Emma não de vidro, não é de cristal, não é de açúcar, muito pelo contrário. De vocês duas, ela é o elo mais forte. De nós três, ela continua sendo o ele mais forte. – Finalizou sua defesa a favor da Srta. Swan.

— Você acha justo, depois de tudo que ela passou, fazê-la passar por mais isso? – Rolou os olhos com a pergunta que fiz.

— Põe uma coisa na sua cabeça: você não está fazendo ela passar por nada, ponto. Ela está onde ela quer estar. Ela está porque ela quer estar. Não é como se você estivesse a obrigando a alguma coisa. – Respondeu. – Você a alertou do que ela precisava ser alertada. Você deu sua opinião sobre o assunto. Você falou sobre seus medos. Você até brigou com ela, quando disse que era melhor vocês não seguirem adiante. – Suspirou. – Você fez o seu papel. Tudo que podia fazer a respeito, você fez. Então chega disso, vire essa página, ela não vai desistir. E no fundo, eu sei que você não quer que ela desista. E tudo bem você não querer. Não é de jeito algum egoísmo. – Bateu com as mãos sobre as pernas, me chamando para deitar lá, e bom, foi o que eu fiz. – Não é egoísmo querer ser feliz, irmã. Não é egoísmo você querer ter por perto quem te faz feliz. – Foi o que falou enquanto alisava meus cabelos.

— E se eu machucá-la? – Me balançou a cabeça em negativo.

— E se você não machucá-la? –Respondeu.

— E quando eu não puder dar a ela a atenção que ela merece? – Fiz outra pergunta.

— E quando você puder compensar tal coisa, dando a ela toda a atenção que ela merece? –Questionou de sobrancelhas arqueadas.

— E quando eu não puder ir até ela? – Voltei a questionar.

— E quando ela puder ir até você? – Conseguiu me fazer sorrir.

— E quando ela não puder ir? – Ela também sorrir.

— E quando você puder ir? – Não posso reclamar da irmã que tenho, posso? Não é toda irmã que tem a paciência que Zelena tem, em plena madrugada. – Nós vamos dar um jeito, irmã. Para todos os seus “e quando” e para todos os seus “e se”, nós vamos dar um jeito. – Prometeu. – Vamos deixar para pensar sobre eles, quando e se, acontecerem. Até lá, não vamos nos preocupar com essas coisas. – Pediu. – “Só por hoje”, é a frase usada no AA. Você não é viciada em álcool, mas parece que é viciada em sofrer, então sempre que essas coisas começarem a pipocar na sua cabeça, fale para você mesma: só por hoje, eu não vou pensar sobre isso. Só por hoje, eu não vou sofrer. – Pediu. – Não fale da boca para fora, se convença a tal coisa. É assim que se vence o dia. – Lhe dei um sorriso e concordei com a cabeça.

— Prometo tentar. – Me sorriu de volta. – É difícil? Ficar sem o álcool? – Afirmou muitas vezes com a cabeça.

— É muito difícil. Meu Deus, como é difícil. – Lamentou-se. – Quando estou feliz, eu sinto vontade de beber. Quando estou triste, eu sinto vontade de beber. Quando estou apática, sinto vontade de beber. Quando estou com sono, sinto vontade de beber. Quando acordo, sinto vontade de beber. No café, no almoço, no jantar, sinto vontade de beber. – Desabafou.

— Eu sinto muito, Zelena. Sinto muito não ter percebido o que estava acontecendo com você. Sinto muito não ter sido a irmã que você precisava que eu fosse. Sinto muito por ter me distanciado tanto. – Ela me rolou os olhos.

— Você tem alguma síndrome que faz com você se ache culpada por tudo, só pode ter. – Resmungou. – Não é culpa sua, Regina. Mesmo que você tivesse sido a irmã mais presente do mundo, teria sido igual. Eu teria bebido igual. Eu seria alcoólatra igual. Você nunca vai convencer nenhum tipo de viciado a parar, nunca. Ele quem tem que se convencer a isso. – Me explicou.

— E você está convencida? – Questionei.

— No momento estou. – Sua resposta me fez a olhar com desconfiança. – Mentiria se garantisse a você que não existirá recaídas. – Soltou com o ar. – Eu já tive tantas, e em todas essas tantas eu prometi a mim mesma que seria a última. Só que nunca foi. – Lamentou-se.

— Eu acho, na verdade, tenho certeza, que você precisa de uma clínica de reabilitação. Acho que você precisa fazer todo o tratamento. Todas as vezes que você foi, você ficou lá por poucas semanas, quando são necessários meses. – Falei e ela riu.

— O mundo prestes a pegar fogo, e você querendo que eu tire meses de “férias”. – Foi o que falou.

— Eu quero que você se livre disso. Quero que você não tenha mais recaídas. Quero nunca mais ter que juntar você em uma calçada no meio da madrugada. Quero não ter mais que me preocupar em não fechar os olhos, para não correr o risco de dormir, e não ver você se afogando com o próprio vômito. Quero não perder a minha irmã para o álcool. – Lágrimas vieram aos seus olhos. – Você é a minha família, Zelena. É você quem eu tenho e quero continuar tendo. Então nós podemos deixar para depois o fogo que queremos atear no mundo e priorizar a sua saúde. – Fungou e se livrou das lágrimas antes que as mesmas caíssem. Piscou algumas vezes, certificando-se que não choraria e só então resolveu me responder.

— Tudo isso que você quer, é o que eu também quero. – Sua voz saiu falha. – Juro que eu quero.

— Porém? – Tinha certeza que existia um porém.

— Porém, eu e o álcool, somos como você e Emma. – Juntei as sobrancelhas, sem entender o que quis dizer. – Vocês só vão conseguir ficar juntas de verdade, quando dermos um jeito em Cora. E eu e o alcoolismo só vamos conseguir nos separar de verdade, quando o mesmo acontecer. – Explicou. – Mamãe é o gatilho do meu vício. Eu quero esses meses em uma clínica de reabilitação, mas antes eu preciso tirar ela da minha vida. Caso contrário, eu posso ficar lá por anos, e mesmo assim não vai adiantar. – Entendo o que ela quis dizer, e acho que concordo. – Nesse meio tempo, não sei se terei mais recaídas, porém eu prometo para você e para mim também, que meu último porre, minha última bebedeira, a última vez que colocarei a boca em algo alcoólico, será no dia em que colocarmos ela na prisão. Nesse dia eu vou beber, eu vou beber muito, vou extravasar, vou comemorar, vou cair e mesmo caída, vou beber um pouco mais. – Acabei rindo ao ouvir tal coisa.

— Provavelmente nesse dia, até eu encherei a cara. – Na verdade, não consigo nem imaginar qual será minha reação. Talvez porque eu não consigo de fato imaginar, tal coisa acontecendo. – Você acha que nós vamos conseguir? – Questionei.

— Gosto de pensar que vamos. – Foi o que respondeu. – Nós somos um time agora. Temos as experiências das coisas que deram errado. Temos mais maturidade. Temos um plano de guerra. Acho que pode dar certo. – Compartilhou.

— Se algo não sair exatamente como planejado, mas mesmo assim, der certo, você promete seguir em frente e parar de beber? – Pedi. Ela juntou as sobrancelhas, não entendendo exatamente o que eu quis dizer.

— O que seria exatamente esse algo? – Quis saber.

— Se tivermos uma baixa. – Dei de ombros. Ela pensou um pouco a respeito, quando concluiu o que eu quis dizer, me balançou a cabeça negativamente.

— Não vamos ter baixas. – Prometeu algo que não estava ao seu alcance.

— Mas se tivermos. Você me promete isso? – Insisti.

— Prometo. Mas não vai acontecer. – Medo, foi com medo que me respondeu.

— Você promete também que não importa quanto tempo passe, você nunca, nunca mesmo, vai deixar faltar algo a Emma e a filha dela? – Voltei a pedir. Me olhou de cara feia, parou de mexer os meus cabelos e quase rosnou para mim.

— Regina, para com isso. Não vai acontecer nada, Okay? Vai dar tudo certo. Você vai me ver parar de beber. E eu não vou precisar não deixar faltar algo para ninguém, porque você quem vai estar fazendo isso. – Lhe sorri e balancei a cabeça concordando.

— Okay, não vai acontecer, mas se acontecer, você promete? – De novo insisti.

— Regina... – Estava ficando brava.

— Só prometa. – A interrompi. – Falar sobre isso, não vai mudar nada. Não vai fazer, ou não fazer acontecer. Você sabe disso. Então me prometa, por favor. – Balançou a cabeça negativamente.

— Você também é tudo que eu tenho. Você também é o que eu tenho da nossa família. Eu também não quero perder você. – Sua voz embargou. – Eu não quero lhe prometer nada, porque eu não quero que você tenha esse sentimento tudo “resolvido”. Eu quero que você lute. E do jeito que você está colocando, dá a impressão de que se precisar morrer para parar a nossa mãe, você vai morrer. – Bom, Zelena tinha a impressão correta.

— Se eu precisar morrer, não vai ser por Cora. Vai ser por você, vai ser por Emma, por Janis, pelo nosso pai, por Daniel, pela criança que eu não tive, por mim. Vai ser por justiça, por liberdade e paz. – Expliquei. – E não, eu não quero morrer, nem estou pensando em fazer isso. É só uma hipótese, algo que pode acontecer. Então só me prometa o que eu lhe pedi e nós nunca mais precisaremos falar sobre o assunto. – Primeiro ela me rolou os olhos. Depois, bufou contrariada. Então resolveu fazer o que lhe pedi.

— Okay, eu prometo. Caso aconteça o que não vai acontecer, eu ficarei de olha em Emma e sua filha. – Prometeu. — Agora chega disso, Okay? Não vai mesmo acontecer. – De novo “previu” o futuro. – Puff.. Chata e irritante do jeito que você é? Deus não passaria cinco minutos com você. Ele te mandaria de volta para terra. Você seria um novo caso de ressurreição. – Deveria ter me sentido ofendida com tais comentários, mas a verdade é que eu só achei graça.

— Eu amo você, Zelena! – Me declarei e a surpreendi. Sua boca se abriu em formato de ó.

— Certo, acho que você não está bem. – Colocou a mão na minha testa, para checar se eu estava com febre. – Você disse mesmo o que eu acho que você disse? – O exagero com que tratou o assunto, me fez rolar os olhos.

— Eu amo você, Zelena! – Repeti e alto e bom som.

— Meu Deus! Regina, é mesmo você? – Isso é o que acontece, quando você resolve expor seus sentimentos. – Eu deveria ter filmado, esse foi um evento raro da natureza. Se eu falar, ninguém vai acreditar em mim. – Continuou com seus exageros.

— Você é tão insuportável. – Soltei com o ar. – Esqueça! Na verdade, eu te odeio! – Riu ao ouvir tal coisa.

— Agora sim, aqui está a Regina que eu conheço. – Me provocou e eu resolvi não responder. – Eu também amo você, irmã! Mesmo você sendo... você. – Resolveu se declarar também. – Eu quero tanto que nós sejamos felizes. Eu sem meu álcool e você com sua mulher. – Me sorriu. – Você não vai morrer, pode esquecer essa hipótese. – Pediu. – Você vai casar. Eu vou ser sua dama de honra. Vou organizar tudo. Nem pense em me dizer que não. – Me fez sorrir ao imaginar.

— Não imagino ninguém além de você para ser minha dama de hora. – Como ela já é, só que do meu “casamento” com Robin. Robin, outro ponto que preciso resolver. Não faço ideia de como proceder com essa história. Terminar agora, seria um prato cheio para Cora. Continuar fingindo, só faria o dia do casamento aproximar-se cada vez mais. Provavelmente no final dessa história eu termino de verdade louca.

— Eu vou envergonhar tanto você quando eu for fazer o brinde. – Nunca existiu nem uma sombra de dúvidas sobre. – Janis vai vir com as alianças. Meu Deus! Ela vai ficar ainda mais esmagável dentro de um vestido de princesa. – Os olhos de Zelena brilhavam, imaginando tais coisas. – “Cuide bem da minha mami, Srta. Mills”. – Tentou imitar a voz da menina, me fazendo rir.

— Ridícula! – Minha mão empurrou seu rosto.

— Essa menina é muito bobinha por você. – Falou. – Ela olha para você de um jeito que eu acho até graça. Não sei quem é pior nesse quesito, ela ou a mãe. – Minhas borboletas agitaram, ouvindo tais coisas.

— Ela é uma graça. – Foi nessa parte que me derreti. Provavelmente corações saíram dos meus olhos. – E geniosa que só. – Lembrei do bico que fez por eu não ter atendido seu pedido de ficar lá.

— Deve ser ariana, igualzinha a alguém que eu conheço. – Zelena é a louca do zodíaco. Isso faz com que culpe o meu signo pelo meu comportamento as vezes estourado. – Ela ficou muito brava por você não ter ficado lá. – Concordei.

— E eu não vou poder levar nenhum presente para me redimir, porque se fazer isso, vou acalmar a filha e irritar a mãe. – Me lamentei.

— Puff... Pelo jeito como ela olha para você, como ela fala com você, como ela presta atenção em você, você não vai precisar de absolutamente nada para se redimir. – Falou.

— Ciúmes, irmã? – Provoquei.

— Não. – Me sorriu. – Acho bonitinho o jeito como ela trata você. E o jeito como você trata ela. Se deixarem, tenho certeza que você adota. – Me fez rir.

— Segundo Emma, ela pediu algumas vezes para que eu fosse sua outra mãe. – Contei.

— E você nem fica boba com isso, né? – Implicou comigo. – Olha aí... – Foi a vez de sua mão empurrar o meu rosto. – Não consegue nem conter o sorrisinho. As Swans arrancaram todos os dentes desse leão que foi um dia tão feroz, o domaram e transformaram em um gatinho inofensivo. – Apertou minhas bochechas enquanto falava tais coisas.

— Eu odeio tanto você! – Resmunguei.

— Não odeia não. Você me ama, me disse isso duas vezes. – Me lembrou. – Sabe Deus daqui quantos anos, você vai voltar a me dizer isso. – Continuou e desse jeitinho, ora provocado, ora jogando conversa fora, nós varamos a madrugada.

Foi de manhã, quando estávamos sentadas na sala de Tinker, esperando pela mesma, que a minha crise retornou. Perdi a conta de quantas vezes usei meu broncodilatador, e tenho ciência que fiz isso sem precisar. Minha asma não estava atacando, tampouco eu estava com dificuldades para inspirar ou respirar, mas mesmo assim, a ansiedade fazia eu pensar que estava.

Tudo piorou quando Emma, que deveria ter ido para aula, resolveu desistir de fazer tal coisa para juntar-se a nós. Sentou-se ao meu lado, bem tranquila e despreocupada, e começou a tagarelar com minha irmã sobre imóveis em Nova York para alugar. Me irritou um pouco o fato de elas aparentemente não estarem nem um pouco preocupadas com a conversa com Tinker. Era como se estivessem em algum lugar tranquilo, tomando café e batendo papo sobre a vida, e não na sala da pessoa que eu não fazia ideia de como viria a proceder sobre o assunto que estávamos ali para resolver.

De repente todos os medos da madrugada, estavam na minha cabeça de novo. E eu não conseguia esquecer, nem deixar para lá, nem pensar em outra coisa. O que diabos eu estava fazendo? Por que diabos eu tinha baixado a guarda daquele jeito? Como em tão pouco tempo eu tinha me tornado essa pessoa patética? Em que momento ela se infiltrou, derrubou os meus muros e me fez voltar a sentir?

“Não faça isso”, a frase ecoava na minha mente. Cada vez mais alto, cada vez mais repetidamente, ela ecoava na minha mente. “Retorne. Desista. Volte enquanto ainda é tempo”, meu cérebro em estado de alerta total, tentava me convencer a não ceder as chantagens da Srta. Swan. A continuar covarde, voltar a ser a Regina sem sentimentos, e parar. Parar para protege-la.

Por outro lado, lembrei do que Zelena me disse de madrugada.

Mas e se não desse certo? Era impossível não pensar nos “e se”. Porém eu já tinha uma resposta para esse e se. Já tinha um plano, um plano final, para que se nada desse certo. Para que se terminasse da pior forma possível. Eu tinha esse plano, que fiz junto com a minha consciência. Naquela tarde de primeiro do ano, quando subi para tomar banho e esfriar a cabeça, eu fiz esse plano. Se não der certo, não vou mais levantar, não vou mais lutar, não vou mais resistir. Vou jogar a toalha e desistir.

Naquela tarde, fiz um contrato secreto comigo mesma, antes de verbalizar que aceitaria a proposta da Srta. Swan. Um contrato de uma única cláusula: Dar um fim na minha própria vida, caso eu cause mais alguma morte. Se eu matá-las, se por minha culpa, uma delas morrer. Eu vou junto. É algo claro e bem decidido em minha mente.

Sim, já tentei não ser pessimista. Já tentei me convencer que pode dar certo, que dessa vez pode ser diferente, que não é a mesma história, que não são as mesmas pessoas, porém infelizmente não consigo enganar a mim mesma. Sinto como se minha alma pertencesse ao diabo, e eu nunca ouvi falar de alguém que conseguiu enganar o mesmo. Então por que eu conseguiria?

— Tudo bem? – Emma apertou minha mão, livrando-me dos meus devaneios. – Você está gelada. — Tirei os olhos do além e os foquei nela.

— Nós não precisamos fazer isso, sabe? – Toquei seu rosto o afagando. – Eu posso ir embora, isso pode terminar aqui. Sem que ninguém se machuque. – Lhe olhei com um certo desespero, pedindo para que aceite tal coisa. Me frustrei ao vê-la negando.

— Eu não quero que termine aqui. Você tampouco. – Falou calmamente, sem nunca abandonar os olhos dos meus, como se quisesse me convencer de tal coisa, ou fazer meu medo ir embora. É claro que eu queria que terminasse, só não tinha coragem de fazer. É nessa parte que fica confuso porque pelos mesmo motivos que eu queria, eu não conseguia. – Eu estou nesse barco com você, e eu não pretendo deixa-la, mesmo que você me expulse. – Teimosa, ela é teimosa, tão teimosa que muitas vezes me irrita. Ela não sabe onde está se metendo. Acha que sabe, mas não sabe. Deus sabe que não. Queria ter forças suficientes para com ou sem a opinião dela, pôr um fim a tudo, queria... Como eu deixei me envolver desse jeito, como? Não se trata mais de atração física. Se trata de muitos outros sentimentos. Se trata de carinho, de bem querer, de amor. Eu quero deixa-la ir, quero manda-la ir, mas ao mesmo tempo eu realmente não quero.

— Você sabe que isso pode leva-la a morte, não sabe? – Questionei e ela me afirmou.

— Sei. E aceito continuar mesmo assim. – Falou com muita certeza e convicção, e me fez balançar a cabeça negativamente.

— Se isso acontecer... – Antes que conseguisse continuar, ela me interrompeu.

— Se isso acontecer, você junto com Killian, vão ficar com a guarda de Janis. Vocês vão resolver as diferenças, e vão cria-la muito bem. Vão ajudá-la a se tornar uma adulta espetacular. É isso que vão fazer. – Ao ouvir tal coisa, meu coração que já batia apressado, disparou ainda mais. Senti minha garganta apertar. E lágrimas de desespero acabaram parando em meus olhos. – Prometa. – Ela pediu.

Com a cabeça eu lhe neguei. Levei alguns segundos para me recuperar e engolir as lágrimas para que pudesse falar.

— Eu não posso. Não posso lhe prometer isso. – Respondi. – Eu espero, eu torço, e ando até pedindo a Deus, para que nada de ruim nos aconteça, Srta. Swan. Mas caso aconteça... – Balancei a cabeça negativamente. – Caso aconteça eu não vou poder mais continuar, sabe? Eu não vou mais poder, Emma... não mesmo. — Por alguns segundos me olhou sem entender o que eu quis dizer. Quando o entendimento foi se fazendo presente, ela me olhou com descrença.

— Nunca mais abra sua boca para me falar esse tipo de coisa. – Pediu. — Nós não somos românticas, Srta. Mills, esqueceu? – Saiu do lugar em que estava, ajoelhou-se entre minhas pernas, segurou minhas mãos e as beijou. – Ou seja, esse final Romeu e Julieta, não combina conosco. – Tentou fazer uma graça. Aparentemente tinha sido surpreendida pelo meu pensamento talvez um pouco suicida.

— Me certificarei de que não falte nada a Killian, consequentemente a Janis. Mesmo ele sendo Killian, acredito que Janis ficará em boas mãos. – Diante da minha insistência, seu semblante mudou para sério. Assustado talvez.

— Eu não sei o que você tem em mente e nem quero saber. – Falou. – Você sabe porque eu estou fazendo isso? – Questionou. — Sim, eu amo você, eu quero ficar com você, isso é obvio. Mas além disso, eu quero ver você ser livre. Quero que você abra suas asas e conheça a liberdade. Eu quero liberta-la, Srta. Mills. Quero ver você alçar voo. – Seus olhos brilhavam enquanto me falava tais coisas. – Não importa o que aconteça, você vai levantar e você vai seguir. Você vai ser livre. Meu Deus, você vai ser tão feliz, tão feliz. Isso é tão claro para mim. – Apertou minhas mãos e voltou a beija-las. Com lágrimas nos olhos, ela me sorriu. – Eu juro para você que quando eu fecho os olhos e penso sobre o assunto, eu vejo um futuro lindo para você. – Balancei a cabeça discordando.

— Como eu posso ter um futuro lindo, caso eu venha a lhe causar algum mal, Srta. Swan? Seria impossível. – Minha voz saiu falha. Eu não estava gostando daquele assunto. Não gostava de pensar naquela possibilidade. Pensar no que poderia lhe acontecer, me atormentava.

— Não é impossível. Nada nessa vida é impossível. – Tentou me tranquilizar. — Olhe para Janis. Se me acontecer algo de ruim, lembre-se de uma coisa: uma parte minha, sempre vai viver nela. Assim como uma parte minha, sempre viverá em você. – Com medo de deixar algumas lágrimas escaparem, fechei meus olhos. Era mais seguro daquele jeito.

Brandi Carlile — The Story

— Antes de você, eu era um quarto escuro, completamente escuro. Não entrava mais nem um foco de luz sequer. – Contei. – Eu gostava de ser escuro. Era seguro ser escuro. Ninguém me via ali, portanto ninguém podia mais me machucar. – Suspirei antes de continuar. — Quando você apareceu, você me achou nesse escuro. Com toda sua insistência, você fez-se luz. Chega ser engraçado, porque faz pouco tempo, porém nesse pouco tempo, você me mudou. – Balancei a cabeça em negativo. – Foda-se se eu estou sendo romântica/brega ou brega/romântica, o fato é que você é a luz que ilumina o meu quarto escuro, Srta. Swan. Você quem está iluminando a saída até a porta. – Expliquei. – Se algo lhe acontecer, eu vou voltar a ser escuro. Um escuro tão sombrio, tão pesado, tão perdido, que eu vou sucumbir as trevas. – Ao finalizar, volto a abrir os olhos, e a encontro chorando.

— Isso não é junto! – Reclamou. Soltou as mãos das minhas e passou pelo rosto. – Ontem eu já extrapolei a minha cota de lágrimas. Não fale essas coisas, não me faça chorar mais. – Lhe esbocei um sorriso, levei a mão ao seu rosto e a afaguei.

— Me desculpe! – Pedi.

— Sabe o que você não sabe? – Sua voz saiu falha e embargada. Lhe neguei com a cabeça. – Você só estava perdida dentro desse quarto. Eu posso ter sido a faísca, mas a luz, quem fez foi você. – Me sorriu. – Eu só lhe ajudei a reencontra-la. – Opinou. – Mas vamos fazer o seguinte... – Começou. — Caso algo me aconteça, e você pense em voltar para o escuro, você vai deixar Janis ser sua outra faísca. – Pediu. — E embora no começo talvez você ache que não seja suficiente, eu prometo para você que vai ser. Quando você ser der conta, vai ver que não existe mais quarto. Sequer existe mais escuro, ou medos ou receios, tudo terá se transformado em luz. – Falava com a voz terna, lágrimas nos olhos e um pequeno sorriso nos lábios. Enquanto eu sentia a garganta cada vez mais apertada e lutava contra as lágrimas insistentes que represavam em meus olhos. – Enquanto isso eu, no outro lado, em um mundo paralelo, onde não existe isso de escuro, estarei na companhia de uma pessoinha que eu sei que existe por lá. Segundo a ciência, por aqui, ela não chegou a ser alguém, mas lá, eu sei que lá ela é alguém, lá ela existe. – Fez uma pausa e me sorriu. — Eu vou contar a ela sobre você. Sobre o quanto você é uma mulher maravilhosa, linda, cheirosa, inteligente, sagaz, bondosa. Ela vai ter tanto orgulho de você, Srta. Mills, tanto... – Ao tocar nesse assunto, ela fez com que todas as lágrimas que eu estava tentando segurar, viessem à tona. Não consegui mais conte-las. Nem minhas lágrimas, nem meu desespero, nem toda a tristeza que tudo aquilo estava me fazendo sentir. – Então um dia, sem que de jeito algum você interfira nisso, vai acontecer. E não importa aonde, não importa o que a ciência diz, não importa a nossa falta de informação sobre o assunto, não importa, nós vamos nos reencontrar. Eu e você... de jeito nenhum termina aqui. – Não querendo mais ouvir, não podendo mais ouvir, levei as mãos até os ouvidos e balancei a cabeça negativamente muitas vezes.

— Não fale mais. Eu não quero mais ouvir. – Pedi a ela, que tirou minhas mãos de lá, se pôs de pé e me fez fazer o mesmo. Ofereceu-me seus braços e eu me joguei lá sem pestanejar. Nos seus braços eu chorei a minha dor, a minha culpa, o meu arrependimento, os meus medos, a minha vida. Ela limitou-se a afagar meus cabelos, e repetir incontáveis vezes que tudo ficaria bem e que ela não iria a lugar algum.

Sem que eu esperasse, esse abraço tornou-se triplo, Zelena o fez tornar-se.

— Eu estou tão triste. – Pela sua voz, deduzi que ela também chorava. – Vocês não têm esse direito. Não pode fazer isso comigo. – Reclamou. – Parem com isso de escuro, de luz, de faísca. De além. Parem! – Exigiu enquanto fungava. – Ninguém vai morrer, ninguém, Okay? – Avisou. — Então parem com isso, parem de se despedir. Isso não se faz. Vocês me deixaram tão triste, que nem se eu mergulhasse em uma piscina de Vodka, eu seria capaz de ficar feliz no momento. – Emma respirou fundo e soltou o ar lentamente.

— Okay. – Sua voz saiu embargada. Coçou a garganta algumas vezes e voltou a respirar fundo. – Okay. – Repetiu, dessa vez com a voz recomposta. – Ninguém vai morrer. – Concordou com Zelena. – Eu tenho fé, muita fé, que essa história vai terminar bem. E que no futuro, quando falarmos sobre ela, vamos com certeza rir do dia de hoje. – Pelo tom de voz com que falou aquilo, parecia mesmo ter aquela certeza.

— E talvez eu venha a me arrepender de ter dito que mergulhar em uma piscina de Vodka, não me faria feliz. – Zelena acabou nos fazendo rir.

— O que está acontecendo? – A voz de Tinker fez-se audível na sala. – Eu não sei nem o motivo, mas também quero participar desse abraço. – Antes que pudéssemos nos desfazer do mesmo, ela já estava lá, fazendo parte dele. – O que vocês estão fazendo aqui? – Questionou enquanto nos abraçava. Acho que ela percebeu que tinha algo de errado, quando ninguém ousou lhe responder. Tal coisa a fez desistir de abraçar, e nos liberou para que fizéssemos o mesmo. – Vocês estavam chorando? – Passei as mãos pelo rosto, tentando me livrar das lágrimas de uma vez por todas. Zelena fez o mesmo. Emma já tinha se recuperado.

— Conversas difíceis. – A voz embargada da minha irmã respondeu.

— Por que estão todas assim? O que aconteceu? – Preocupada, sua voz soou preocupada. Provavelmente seu semblante estava igual, mas não pude ver, já que estava com vergonha de levantar a cabeça e encara-la.

— Conversas difíceis. – A Srta. Swan repetiu o que Zelena tinha acabado de falar. – Porém necessárias. – Continuou.

— O que você está fazendo aqui? – Questionou com ela. – Você não deveria estar na aula? E por que você matou o trabalho por esses dias? – Mais perguntas vieram.

— Essas respostas fazem parta das conversas difíceis. – Respondeu.

— Okay... – Seu Okay saiu com desconfiança e dúvida. — Alguém pode me botar a par dessa conversa? – Pediu e ganhou silêncio como resposta. Respirei fundo algumas vezes, tentando também respirar coragem. Então levantei os olhos e procurei por Tinker. Seus olhos ficaram parados nos meus, porém minha cara de choro, a fez me olhar talvez com pena ou compaixão. Lamentei-me quando pensei que dali a alguns minutos, tudo que passaria a ver em seus olhos, seria ódio.

— Mortes. – Respondi enfim sua pergunta.

— Quem morreu? – Seu semblante mudou para preocupado.

— Nenhuma morte nova. – Zelena quem respondeu.

— Graças a Deus! – Soltou com o ar. Aliviada por ter ouvido tal coisa. – Eu não estou entendendo muito do que está acontecendo... – Beijou meu rosto, o rosto da minha irmã, o rosto de Emma, deu a volta em sua mesa e sentou-se em sua poltrona. Todas voltamos a nos sentar também, ficando de frente para Tinker. – Vamos por partes, o que vocês estão fazendo em Las Vegas? – Questionou comigo e Zelena. – Se vocês vieram festeja o ano novo e não me chamaram, eu vou ficar terrivelmente chateada. – Tive certeza que dali alguns minutos, iria com toda certeza do mundo, preferir essa opção.

— Viemos falar com você. – Zelena respondeu.

— Muito bem, então falem. – Pediu. – Já estão me deixando nervosa. – Sim, aquilo estava visível.

— Nós precisamos da sua ajuda. – Emma quem falou.

— O que você fez? – Olhou com desconfiança para Emma e apontou para nós. – Emma, Emma, o que você aprontou para deslocar elas até aqui? – Vai lá, Regina. Diz a sua amiga que quem aprontou foi você.

— Nada de errado. – Respondeu.

— Eu preciso da sua ajuda, Tinker. – Não adiantaria de nada ficar postergando. Estava ali para aquela conversa, então tinha que deixar de ser covarde e falar.

— Nós, nós precisamos. – Zelena resolveu me corrigir, e me fez lhe lançar um olhar irritado, que nada mais significava do que uma ordem para que calasse a boca.

— Meu Deus! Que mistério todo é esse? – Questionou. – Digam logo, no que eu posso ajudar? – Parou os olhos em mim.

— Cora. – Falei.

— O que tem ela? – Ao ouvir o nome da minha mãe, seu olhar assustado/desconfiado, voltou a aparecer.

— Okay... – Soltei com o ar. – Eu não sei como falar isso, mas eu sei que não importa o jeito como eu fale, você vai me odiar mesmo assim. – Comecei. – Depois que o seu contrato com Emma terminou, nós começamos algo como uma relação, ou coisa do tipo... – Já não olhava mais para ela, mirei um ponto qualquer em sua mesa e deixei os olhos lá. – Cora obviamente não sabe, por isso eu preciso da sua ajuda, para que ela continue não sabendo. Enquanto isso buscaremos provas contra ela, para leva-la a prisão. – Não foi isso que planejei dizer. Não era assim tão resumido. Nem assim, tão aparentemente sem sentimentos. Mas o nervosismo não me deixou dizer tudo o que eu tinha ensaiado, então falei o que me veio à cabeça.

Um silêncio desses ensurdecedores, tomou conta da sala. Tudo que eu conseguia ouvir, era as batidas alucinadas do meu coração, enquanto esperava ela digerir o que ouviu. Só que tal coisa acabou levando tempo demais. Impaciente, nervosa, com medo, tirei os olhos do ponto qualquer e procurei por Tinker. Estava parada, estática, quase uma estátua.

— Tinker? – A voz de Emma foi a responsável por fazê-la piscar. Seus olhos passaram por Zelena, Emma e então encontraram com os meus. Como não sabia exatamente o que dizer, me limitei a sustentar seu olhar. Com incredulidade, era assim que me olhava.

— Eu sinto muito, muito mesmo. – Acabei balbuciando. Então ela esboçou um sorriso, que se tornou largo, então virou uma risada e transformou-se em uma gargalhada.

— Essa foi ótima. – Falou em meio as gargalhadas. Ria tanto que chegou a chorar. Sim, ela achou que fosse uma brincadeira. – Ai, Regina! Você quase me pegou. – Como ninguém responde, nem riu, nem achou graça, aos poucos a gargalhada foi se extinguindo, até que seu semblante voltou a ficar sério. – Você já pode rir agora. – Pediu.

— Você acha mesmo que eu faria alguma brincadeira desse tipo com você, Tinker? – Lhe questionei. De sério, seu semblante mudou para irritado.

— Acho! – Foi enfática. – Acho mesmo que você faria esse tipo de brincadeira comigo. – Respondeu. – Essa seria a única explicação aceitável para o que eu acabei de ouvir. – Enfatizou a palavra aceitável. Ah não seria fácil, nem um pouco fácil. Seria com certeza pior do que eu estava imaginando.

Me voltei para Zelena e para Srta. Swan.

— Vocês podem por favor nos dar um momento e esperar lá fora? – Pedia a elas.

— Claro. – Zelena concordou imediatamente e tão imediatamente se pôs de pé. Já Emma, bom ela sendo Emma, teve problemas em acatar meu pedido.

— Eu gostaria de ficar. – Foi o que me falou.

— Agora não. – Meu tom sério, exigente e firme, foi suficiente para convencê-la.

— Você vai ficar bem? – Parecia bastante preocupada.

— Eu vou ficar bem, Srta. Swan. – Lhe garanti.

— Se isso for mesmo sério, sim, ela vai ficar bem, Srta. Swan. – Tinker usou de sarcasmo ao pronunciar tal frase. – Ela sempre fica bem. Quem não vai ficar bem, é você. – Apontava para Emma, enquanto lhe olhava com cara de pouquíssimos amigos.

— Eu sei me cuidar, Tinker. – Foi o que respondeu ao se pôr de pé. – E antes que você comece a crucificá-la, se quer culpar alguém, culpe a mim e a minha insistência. – Ao me defender, Emma fez com que o olhar de pouquíssimos amigos de Tinker, se transformasse em olhar de nojo e raiva. – Qualquer coisa, estou ali fora. – Não bastasse me defender, ela terminou tal frase e tocou meus ombros antes de se retirar.

Os olhos de Tinker me encaravam, mediam, desafiavam. Me olhava com desprezo, nojo, ódio. Em momento algum, desviei os olhos dos seus. Deixei que me julgue e me odiasse. Ela tinha total direito. Tinha direito de gritar comigo, de me bater, de me xingar e estapear. E caso decidisse seguir por esse caminho, aceitaria sem reclamar ou revidar. Sei que o que eu fiz é inaceitável. A história toda é inaceitável. A repetição é inaceitável.

— Você não vale nada. – Falou com ira, os olhos estreitos, o maxilar rígido. Balancei a cabeça concordando com tal afirmação.

— Eu de verdade, sinto muito. – Voltei a repetir. Ela balançou a cabeça em reprovação. Tendo uma ação pouco provável para pessoa que é, para a personalidade que tem, ela teve um ataque mais condizente com a minha pessoa, suas mãos varrem todas as coisas que encontraram em cima da mesa. Todas. Só parou quando não sobrou nada lá.

Não me assustei, não me abalei, não reagi.

— E sente muito pelo quê? – Fechou as mãos em punho e as chocou contra a mesa. – POR DE NOVO ESTAR FAZENDO ISSO COMIGO, OU POR SER A FUTURA RESPONSÁVEL PELA MORTE DESSA POBRE COITADA TAMBÉM? – Vociferou enquanto apontava para a porta por onde a Srta. Swan tinha saído.

— Pelas duas coisas. – Respondi sem pestanejar. – Eu sinto muito pelas duas coisas. – Falei com pesar. Além de irada, ela continuava incrédula. Podia ver no jeito como se portava. Tenho certeza que esperava que a qualquer momento, eu lhe falasse que estava mesmo brincando.

— Qual o seu problema? – Questionou. – QUAL A PORRA DO SEU PROBLEMA, REGINA? – Voltou a vociferar.

— Não sei. – Foi tudo que pude lhe responder. Também já tinha me questionado aquilo algumas vezes, e nunca cheguei a uma resposta. Sabia também que quanto mais tentasse explicar, mais iria machuca-la, magoa-la, faze-la me odiar.

— Você é egoísta, narcisista, egocêntrica. – Disparou. – Você não pensa em ninguém, além de você mesma. – Continuou, a voz alterada. – Depois de tudo que você me fez, depois de eu ter conseguido aceitar e ter continuado com você. Depois de por sua culpa, eu ter que saber que o homem que eu continuava amando, estava morto... – Balançou a cabeça em negativo. Lágrimas de ódio vieram aos seus olhos. Voltou a fechar as mãos em punho e choca-las contra a mesa. — Depois disso tudo... depois de ter me prometido que nunca mais aconteceria, você foi e fez de novo. – Bateu de novo as mãos contra a mesa. – EU NÃO POSSO ACREDITAR NISSO. – Mais uma vez, gritou comigo.

— Eu não sei o que dizer. – Minha resposta a fez me lançar um olhar mortal.

Furiosa, ela levantou do lugar onde estava e veio ao meu encontro. Suas mãos agarram o descanso de braço da minha cadeira, e os puxam, fazendo a cadeira girar, consequentemente, me voltando para ela. Como um tigre que acabou de escapar da jaula e encontrou uma presa pelo caminho, era mais ou menos esse o jeito que nos encontrávamos.

— Você não sabe o que dizer? – Curvou o corpo para baixo, aproximando o rosto do meu.

— Eu não sei. – Respondi sem me intimidar. Naquele momento tinha certeza que ela estava decidindo o que fazer comigo.

— Eu deveria meter a mão na sua cara. – Falou em tom ameaçador.

— Vá em frente. – Não provoquei. Apenas sabia que era o mínimo que merecia.

— Não. – Me deu um sorriso maquiavélico. – Eu não preciso. Tenho certeza que sua mãe vai dar um jeito de fazer você se sentir bem pior. – O jeito como falou, olhou e me sorriu, faz os pelos do meu corpo eriçarem. Um soco no estômago, suas palavras me atingiram como um soco no estômago.

Ela se afastou, foi até o paredão de vidro, e mirou algum ponto lá fora.

— Eu preciso da sua ajuda, Tinker. – Pedi. Minha voz não passou de um sussurrar.

— Você quer que eu ligue para sua mãe e conte sobre a novidade, ou ela já sabe? – Sua voz saiu fria, sem nenhum pingo de empatia.

— Eu preciso da sua ajuda para que não aconteça com Emma, o mesmo que aconteceu com Daniel. – Pedi ao ignorar sua ameaça. Ao ouvir tal coisa, ela desistiu do ponto qualquer que mirava, e voltou-se para mim.

— Fique longe dela, é o único jeito para ajudá-la. – Falou entredentes.

— Você acha que eu não tentei? – Indaguei. – Eu tentei de todas as maneiras possíveis. – Me pus de pé e caminhei até ela. – Mas em todos os lugares que eu ia, lá estava ela. Você a trouxe para o meu hotel. Depois você me mandou encontra-la no maldito parque de diversões e nessa mesma noite você marcou com ela e cancelou de novo, e de novo sobrou para mim. – Não era desculpa? Não era desculpa. Mas Tinker facilitou que Emma e eu nos aproximássemos? Tinker facilitou. — Você me incentivou a correr todos os dias com ela. Não bastasse tudo isso, pediu que eu fosse representar você no maldito dia de Ação de Graças. – Balancei a cabeça em negativo. – Você me empurrou para as suas coisas. Para os seus encontros. Você me aproximou dela, não foi eu quem fiz isso. – Só percebi que estava dando de dedo na cara dela, quando sua mão agarrou meu dedo e me fez baixa-lo.

— Porque até onde eu estava sabendo, você gostava de homens. – Esbravejou. — Porque você prometeu que nunca, nunca mais essa história voltaria a se repetir. PORQUE EU CONFIEI EM VOCÊ. – Gritou a última frase.

— E por isso eu tentei nega-la. – Rebati. — Eu neguei, neguei, neguei e continuei negando. Você não sabe o quanto eu fiz isso. Você não tem ideia.

— Não fez o suficiente. – A impressão que tinha é que ela podia pular no meu pescoço a qualquer momento.

— O que você quer que eu diga, Tinker? – Sorriu com ironia, enquanto me olhava como se eu fosse a coisa mais repugnante do mundo.

— Sabe o que eu queria, Regina? Eu queria que tivesse sido você, no lugar de Daniel. – Falou. – Eu queria que tivesse sido você naquele maldito acidente. Queria que fosse você, a pessoa dentro daquele caixão. Queria que você estivesse morta, enterrada, sepultada. — Ouvir isso deveria doer, não deveria? Mas a verdade é que não doía. Não doía pelo simples fato dos mesmos quereres.

— É o que eu também queria, Tinker. – Respondi com sinceridade. – Eu sei que você me odeia. E que você nunca vai me perdoar. Como eu sei que eu mereço isso. – Ela me interrompeu.

— Ótimo, que bom que você sabe disso. – Usou todo seu tom de desprezo em tal frase.

— Mas eu peço para que você ajude ela. Acredite, antes de vir até você, eu tentei. Tentei faze-la desistir. Eu tentei de todas as formas. Quando você chegou, e nos pegou chorando, eu ainda estava tentando. – Contei. – Mas ela se recusa. – Soltei com ar. — Eu preciso que você ajude ela, Tinker. – Negou muitas vezes com a cabeça, sem dar a mínima para o meu pedido de ajuda.

— Por que eu faria isso? – Me questionou. – Eu quis ajuda-la. Eu quis ficar com ela. Quis dar todas as coisas boas que ela tem direito. Mas olha só para onde ela correu. – Estava magoada com a Srta. Swan também, deixou tal coisa bem clara. – Eu lavo minhas mãos. Vou cruzar os braços e assistir... – Falou. – Assistir você enterrar mais uma pessoa que eu gosto. – Palavras, palavras podem ferir mais do qualquer tipo de agressão física. Palavras te ferem por dentro, ferem sua alma. Palavras tem poder de alcançar feridas não cicatrizadas, e faze-las sangrar novamente. Foi o que as palavras de sua última frase fizeram comigo.

Atordoada, e um tanto perdida, pensei em dar as costas para ela e ir embora dali, porém ouvir tal coisa mexeu tanto comigo, que naquele exato momento, minhas pernas não conseguiram fazer aquilo. Eu não consegui me mexer.

— Você não é assim. – Sussurrei. Ela riu escandalosamente.

— Então está decidido a partir de hoje, eu serei. – Falou. – Eu tentei ser sua amiga. Eu ajudei você. Eu sequei suas lágrimas. Eu sofri com você. E olha o que você me deu. Agora eu não quero mais saber. – Avisou. – Quando você se viu interessada nela, você sequer cogitou a possibilidade de vir me falar isso. De ser sincera. De me falar a verdade. – Me sorriu com ironia. – Então por que agora resolveu pedir minha ajuda? – Estava irredutível. E eu já tinha perdido o rumo. Estava jogando a toalha. Não sabia mais o que dizer, ao que recorrer. Eu só queria sair dali, precisava sair dali.

— Você está certa. – Concordei. – Eu honestamente não queria que tivesse acontecendo. – De novo me sorriu ironicamente. — Estarei na cidade até amanhã à noite. Caso queira conversar, ou sei lá... me chame. – Sem ter mais o que dizer, dei as costas para ela e forcei minhas pernas a me levarem em direção a saída.

Estava prestes a sair quando um objeto passou a centímetros da minha cabeça e atingiu a porta.

— Se você mata-la, como fez com Daniel, juro para você, Regina, juro por tudo que existe de mais sagrado nesse mundo, que eu acabo com sua vida. Eu mato você. – Ameaçou. Um tom sério, quase sombrio. Desisti de abrir a porta e me voltei para ela. Caminhei de novo até o lugar em que estava, parei a centímetros dela e a olhei nos olhos.

— Faça isso. – Pedi. – Por favor, faça isso. – Continuei. – Não volte atrás com o que acabou de me dizer. Mate-me! Faça sem hesitar. Mate-me. – Acho que me pedido praticamente implorado, a surpreendeu, e talvez incomodou, o que a deixou momentaneamente sem ter, ou sem saber o que falar. – Mas caso não consiga, não se preocupe. Eu mesma darei um jeito nisso. Você tem minha palavra que darei. – Prometi. – Se essa história acabar mal, Tinker, você tem minha palavra que vai me ver em um caixão, morta, enterrada e sepultada. – Meus olhos também lhe prometeram a mesma coisa. Sem trocar mais nenhuma palavra, dei as costas para ela e busquei a saída do lugar.

Encontrei com Zelena e a Srta. Swan ao lado da porta, provavelmente estavam ouvindo atrás da mesma. Não lhes disse nada, só encostei na parede oposta e passei as mãos pelo rosto. Deixe meu corpo escorregar pela parede e fui ao chão. Abracei-me aos joelhos e recostei a testa lá.

“O que eu estou fazendo? O que eu estou fazendo? O que eu estou fazendo?” Era isso, apenas isso que ecoava em minha cabeça sem parar.

— Hey! – Emma agachou, tocou meus joelhos e tentou fazer com que lhe olhasse.

— Agora não, Srta. Swan! – Pedi. – Agora eu não posso. Agora eu não quero. Eu não quero gritar com você, não quero descontar em você. Então agora não. – Ela suspirou.

— Okay. Eu vou lá falar com ela. – Afagou minhas mãos, antes de voltar a se pôr de pé. Trocou algumas palavras com Zelena, e então entrou na sala da sua ex-namorada.

Não demorou muito tempo até Zelena sentar-se ao meu lado. Ao contrário de Emma, ela não tentou nenhum tipo de comunicação, só ficou ali, em silêncio, me fazendo companhia, enquanto provavelmente tentava se convencer a não ir atrás de nada alcoólico. Naquele momento eu a entendi, naquele momento eu desejei algo alcoólico, algo muito alcoólico, algo onde eu pudesse afogar meus pensamentos, algo que fizesse com que a voz na minha cabeça, calasse a boca, algo que amortecesse a minha dor.

Notas finais
Então gente, por hoje nós paramos aqui. Agora é com vocês, me deixem saber o que vocês acharam. Conto muito com os comentários de vocês. No mais, é isso. Bom final de semana para vocês e até semana que vem. PS: não façam nada que eu não faria. beijoss Ahh, quem quiser seguir no twitter, volta e meia rola uns spoilers por lá: @YeahRegal