Right Here Waiting For You
28 Always Remember Us This Way
Notas iniciais
Depois da reunião com Tinker, não tive mais força, nem vontade, nem paciência para nada. Tudo o que eu queria resumiam-se a uma única coisa: isolar-me. Ficar bem quieta em um canto, para que não pudesse gritar, bem berrar, nem atirar nada em ninguém. Não que eu estivesse com tal vontade, mas sabia que quem quer que fosse, que viesse a abrir a boca para me defender, eu acabaria me irritando.
Tudo que ouvi, tudo que ela me desejou, o jeito como me ameaçou, eu mereci todas essas coisas. Não consigo e nem acho que devo me chatear a respeito. Tinker só falou verdades. Jogou todas elas na minha cara. Falou coisas que com certeza tinha para falar há muito tempo. Me atingiu? Com certeza me atingiu. Ao falar que assistiria eu enterrar outra pessoa na qual ela gosta, ela me atingiu, foi fundo. Me deixou perdida, atordoada, sem chão. Me magoou? Não, não me magoou. Em seu lugar eu teria feito o mesmo, ou talvez pior.
Me preocupa as ameaças que fez, as que envolvem Cora. Tenho medo que ela venha mesmo a me delatar, mas também penso que se ela gosta mesmo de Emma, mesmo magoada, não vai fazer isso. Não sei como, não ouvir direito, ou, não consegui focar atenção necessária no que a Srta. Swan falou a minha irmã sobre a conversa que teve com Tinker, o fato é que de algum jeito que eu não sei nem se quero saber, conseguiu convencer minha ex-amiga a pensar sobre a possibilidade de nos ajudar.
Enfim, depois de sairmos do hotel, viemos para a casa da Srta. Swan, onde ela me ofereceu sua cama para que eu descansasse. Depois disso, juntou-se a Zelena e seu amigo insuportável na varanda, onde passaram praticamente a tarde, fumando, e tagarelando muito. Até que chegou a hora de buscar Janis na escola. Killian e a minha irmã quem foram fazer isso. Emma aproveitou tal coisa e foi para o banho, já eu, continuo exatamente no mesmo lugar.
Olhos fechados, a cabeça a mil, reprisando as minhas últimas 24 horas. Sem forças e nem vontade para voltar a socializar. Sem vontade de encarar tudo que vem pela frente. Sem muita esperança de um futuro feliz, descomplicado, ou coisas irritantes do tipo. No momento desejo ficar aqui para sempre, exatamente desse jeito, sem me mover, sem abrir os olhos, sem interagir, sem nada. Só eu e o silêncio. É tão mais fácil, simples e seguro assim. Desse jeito ninguém vai se machucar. Desse jeito eu não vou correr o risco de enterrar ninguém. Desse jeito todos continuam vivendo.
Só que infelizmente para mim e para todas pessoas envolvidas, não é possível permanecer assim. Sei que nem mais sozinha estou e confesso que acho até que demorou para isso acontecer. Mesmo de olhos fechados, sei que ela está aqui. Sinto seu cheiro, misturado com cheiro dos seus cigarros. Esse cheiro já me é tão familiar, tão casa.,tão bom, tão único e tão dela. E mesmo achando que não devemos, é para onde eu gostaria de correr e me abrigar todos os dias. Confuso, eu sei, mas é o que a minha vida é, confusa. Ah sim, eu estou tão sem saída.
— O que aconteceu com sua regra de etiqueta sobre assistir o sono de alguém, Srta. Swan? – Abro os olhos e encontro com ela encostada na soleira da porta. Os braços cruzados, o semblante sério, um olhar preocupado. Os cabelos estão molhados. Veste um jeans puído e uma regata branca. Seus pés estão descalços.
— Já é seguro nós nos falarmos? – Questiona.
— Já é seguro nós nos falarmos. – Garanto. Ela me analisa, provavelmente se certificando que é mesmo seguro. Bato com a mão ao lado vago da cama, convidando para que se junte a mim. Me sorri, desencosta-se de onde está e sem pestanejar, vem ao meu encontro.
Deita-se ao meu lado e me puxar para os seus braços, onde me jogo sem pensar. Deito a cabeça em seu peito e fecho os olhos. Me concentro no bater tranquilo do seu coração.
Acho que é por isso que não consigo nega-la, porque ao mesmo tempo que ela pode vir a ser minha ruína, ela também é a minha redenção. Tenho tanta certeza sobre ela ser. É como se quando estivéssemos assim, nada conseguisse de fato me atingir. Mesmo preocupada, mesmo temendo, mesmo odiando a vida, quando ela me puxa para os seus braços, as coisas mudam, eu desacelero. Emma é calmaria em meio a tempestade interminável que me tornei. Não sei como ela faz, mas simplesmente ela faz.
— O que ela disse para você? – Questiona. Penso se devo falar a respeito ou não. Decido contar algumas partes, as partes que não vão chateá-la nem preocupá-la. Ou seja, as partes que não envolvem ameaças de morte, nem promessas da mesma.
— Algo como: ela gostaria que eu estivesse morta, enterrada, sepultada no lugar de Daniel, e outras coisas que não vem ao caso. – Minha resposta faz com que seu coração até então calmo, comece a bater mais rápido. Faz silêncio, suspira, ensaia algo para falar, volta a suspirar.
— Pesado. – É tudo que diz.
— O que você falaria, caso alguém tirasse pela segunda vez de você, a pessoa que você gosta? Além disso, colocasse a vida dessa pessoa em risco? – Volta a fazer silêncio. Provavelmente está pensando a respeito. Enquanto faz isso, leva a mão aos meus cabelos. É tão boa a sensação que um cafuné pode causa, faz quase eu sentir vontade de ronronar.
— Eu odeio essa cara... – Seu tom sai sério. Antes que eu possa perguntar quem seria esse cara, ela continua. – Daniel... Eu odeio ele. – Nunca falamos a respeito de Daniel. Falamos apenas a respeito das coisas que aconteceram com ele. Das consequências que existiram por eu ter me relacionado com ele, mas sobre a pessoa não. Porém já percebi que ela não gosta mesmo dele. Sempre que o nome é mencionado, seu semblante muda, e ela se torna um tanto impaciente. Provavelmente esse não gostar, nada mais signifique do que ciúmes. – Sempre que você me nega, ou sente medo, ou grita comigo, é por causa dele. – Reclama. – E o jeito bobo como você olhava para ele naquela foto? – Ela bufa. – Eu odeio muito essa cara. – Solta com ar. – Quando penso em alguém com forte potencial para rouba-la de mim, só consigo pensar nele, mas como ele está morto, no momento eu não consigo visualizar alguém tirando você de mim... – Sua voz volta ao normal quando o assunto Daniel, é aparentemente encerrado. – Para Robin eu falaria: sai dessa, cara! O seu negócio é pênis. – Esse com toda certeza é outro motivo para eu não conseguir me afastar. Eu fico impressionada com isso, como ela faz. Ao mesmo tempo que está falando algo sério, vem e termina com uma graça, uma bobagem que deixa qualquer assunto mais leve e me faz rir.
— Meu Deus! Como você é ridícula! – A acuso enquanto dou risada.
— Meu Deus! Como eu amo o som da sua risada. – Ela ri também. – Sério, eu amo ouvir você rindo. É tão gostoso de ouvir. Minhas borboletas ficam aqui no meu estômago: faz ela rir mais, faz ela rir mais. – Ao imitar a “voz” das suas borboletas, ela acata o pedido das mesmas e me faz rir mais.
— Então é por isso que você abre a boca para falar tantas bobagens? – Provoco.
— Por isso também. Mas a maioria eu falo sem pensar mesmo. – Balanço a cabeça negativamente.
— Boba!
— Boba, bobinha, bobona e derivados, eu sou por você. – Estaria fazendo careta, ao ouvir tal coisa melosa, se não estivesse ocupada sorrindo feito a patética apaixonada que estou me tornando.
— Srta. Swan? – Chamo.
— Hum?
— Você não precisa sentir ciúmes de Daniel. – Garanto. – Se ele estivesse vivo, você quem me roubaria dele e não ao contrário. – Acho graça do quanto seu coração acelera instantaneamente. Bate rápido e alto. Ouço também barulhos vindo do seu estômago e quase acredito que as borboletas das quais ela tanto fala, existam mesmo.
— Ainda bem que você já sabe que eu te amo. Porque senão meu coração nesse momento, estaria entregando isso para o seu ouvido. – De novo ela me faz rir. – Eu preciso verbalizar o quão feliz estou em ouvir isso? – Além do seu corpo, era perceptível na sua voz também.
— Não, você não precisa. Seu coração me disse, em alto e bom som. Assim como as borboletas no seu estômago. – Lhe conto.
— Eu nunca vou desistir de você, Srta. Mills, nunca. – Faz outro tipo de declaração. – Não existe essa hipótese. – Suspiro bobamente ao ouvir tal coisa.
— Mesmo achando que o melhor caminho, não o melhor, o mais seguro, seja esse da desistência, a sua não desistência me faz de certa forma feliz. – Do meu jeito torto, eu também me declaro.
— Nós vamos ser tão felizes. – Parece pensar alto. Sonhadora, Emma é uma sonhadora nata.
— Você não sente medo do que vem pela frente? – Me sinto na obrigação de questionar. – Porque é uma boa hora para sentir medo, Srta. Swan. – Seus dedos continuam se arrastando preguiçosamente pelos meus cabelos.
— Às vezes eu sinto. – Confessa. E eu confesso que me sinto aliviada por isso. É bom ter medo, o medo nos mantém vivos, em alerta. — Aí eu penso... – Espero que prossiga, mas não acontece.
— E pensa sobre o quê? – Não resta outra alternativa a não ser questionar.
— Sobre nós. – Sua voz se arrasta quase tão preguiçosa quanto seus dedos. – Sobre como vai ser, quando tudo está estiver resolvido. – Continua. – Sobre a casa que teremos, a que foi do seu pai. – Acho que gostou mesmo da casa que foi do meu pai. — Nós podemos manter a tradição, sabe? Sei que seu pai é insubstituível, mas eu posso fazer o que você me disse que ele fazia. Subir no telhado para fumar. Você abre a janela do seu quarto, senta-se na soleira, e nós nos comunicamos por Walkie Talkie. – É impossível não sorrir ao ouvir sobre. – E outras vezes, você pode subir até lá comigo, para assistirmos as estrelas, enquanto dividimos um fone de ouvido e bebemos algumas taças de vinho. – Balanço a cabeça em concordância, enquanto desejo que tal coisa aconteça. – Eu vou conseguir a proeza de tirar você cedo do trabalho alguns dias, e nós, sem seguranças ou motoristas, vamos até a escola buscar Janis e depois vamos passear com ela no Central Park. Vamos sentar em algum banco e comeremos cachorro quente, enquanto assistimos ela brincar. Nessa parte nós vamos comentar o quanto ela está crescendo. – Me sinto aquecida ouvindo os planos secretos da Srta. Swan, os imaginando, e os desejando. Sinto também o que não costumo sentir, uma ponta de esperança. Tudo que ela falou, eu quero muito isso. Quero poder viver essas coisas. Não quero mais ser privada de viver, tampouco de sonhar. A minha liberdade, eu a quero, quero de uma forma que nunca quis antes.
— Podemos dar o meu quarto a Janis e ficar com o que era dos meus pais. – Sugiro.
— Podemos sim. Gosto da parte onde o quarto que era dos seus pais, fica um pouco afastado do seu e do de Zelena, assim os riscos de Janis ouvir o que não deve, são menores. – Balanço a cabeça negativamente ao ouvir tal coisa. Me pergunto se existe alguma parte no dia em que ela não pense em sexo.
— Você é impossível, Srta. Swan! – Resmungo. Ela acha graça.
— Você bem que gosta. – É a resposta que me dá.
— Podemos levar o piano que está lá em casa. – Sim, gosto de todas as suas perversidades, gosto do fogo que me torna, mas no momento, no momento eu não quero seguir a linha do teor sexual. Quero só continuar assim, aninhada onde estou, imaginando um futuro que não faço ideia se teremos. O fato é que no momento, eu consigo visualiza-lo, quase toca-lo. – Você pode tocar para nós todas as noites. Ver você ao piano, é algo que tenho certeza que nunca cansarei de admirar. – Minha confissão faz com que ela aperte os braços em minha volta.
— Vamos levar o piano do seu pai, então. – Concorda. – Sempre que você chegar do trabalho na hora devida, eu vou tocar para você. – Sua implicância com meu trabalho me faria rolar os olhos, mas no momento eu apenas sorrio.
— E quando eu me atrasar? – Lhe questiono.
— Quando você se atrasar, eu acho bom que você tenha algo maravilhoso em mente para compensar, porque existirão dias que isso me deixará possessa, Srta. Mills. – Pelo jeito como fala, tenho certeza que realmente vai acontecer, não está brincando.
— Posso pensar em algumas coisas. – Respondo sem me abalar.
— Como por exemplo? – Possivelmente a Srta. Swan é a criatura mais curiosa da terra. E bom, digamos que eu gosto de vê-la curiosa.
— Quando acontecer, você vai ver. – É tudo que respondo a respeito.
— Chata! – Reclama. Seus dedos voltam para os meus cabelos. – O que você acha sobre ter filhos? – Sua pergunta me pega de surpresa e me deixa sem saber exatamente o que dizer.
— Acho que lésbicas são intensas. Nos beijamos no natal, transamos pela primeira vez não tem nem quatro dias, e você já chegou no tópico filhos. – Ela ri.
— Assim é a vida da mulher sapatão, Regina Mills. Na maioria das vezes, ainda nem beijaram, e já existe toda uma vida planejada. – Conta. – E você fugiu da pergunta. – Penso um pouco a respeito. Não tenho certeza sobre, quer dizer, ontem ela disse para mãe que casaria comigo e teríamos filhos. Achei bonitinho, mas só.
Existe tantas coisas na minha cabeça, tantas coisas para resolver, tantas coisas para acontecer, que pensar sobre filhos não é algo sequer plausível. Porém, pensando rapidamente e bem hipoteticamente sobre, já existe Janis. Uma criança sozinha já dá bastante trabalho. E tem a parte da implicância de Emma, quando o assunto envolve meu dinheiro. Também existe o fato da criança que eu não tive, e todo o trauma por esse motivo causado. Resumindo...
— Eu não sei. Para ser honesta, só vou conseguir pensar verdadeiramente a respeito, depois de resolvermos o problema com a minha mãe. Depois que eu saber que posso deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz... – Começo. – Quando acontecer, acho que pode existir sim essa possibilidade. Mas primeiro nós vamos fazer o que você me convidou para fazermos na noite em que fomos ao cinema. – Abro os olhos e levanto a cabeça, para que possa encara-la. – Nós vamos rodar o mundo, Srta. Swan. Sem relógios, sem dia ou hora marcada para voltar, sem muita responsabilidade. Nós vamos conhecer o mundo. – Lhe prometo. Como resposta eu ganho um sorriso enorme. Me sorri não só com os lábios, mas com os olhos também. Eles brilham, não sei se pelos planos, pela promessa de volta ao mundo, ou por tudo.
Faz com que eu saia de cima dela e deite as costas sobre o colchão, então vem para cima de mim.
Minhas mãos penteiam seus cabelos molhados para trás, os tirando assim, de cima do meu rosto. Seus olhos que estão presos aos meus, continuam me sorrindo.
— Estou contando os dias para que possamos pôr isso tudo em prática. – Lhe sorrio, antes de trazer seu rosto para perto, para que possa lhe beijar.
Seus lábios arrastam-se preguiçosamente pelos meus, de um lado para outro, ternamente, carinhosamente, e me fazem suspirar. Sutilmente, meus dentes prendem seu lábio inferior e o puxam com delicadeza. Com as costas dos dedos, alisa meu rosto, seu nariz brinca com meu, a sinto sorrir, então ela voltar a tornar seus os meus lábios.
Meus polegares escorregam pelos seus ombros, pela extensão das suas costas e chegam a barra da sua regata, meus dedos tocam sua pele por debaixo do pano, e por debaixo do mesmo, voltam a se arrastar preguiçosamente por suas costas. Minha ação parece anima-la, tornando seu beijo mais invasivo, mais intenso. Sua língua encontra com a minha, elas envolvem-se, um toque lento, ainda sutil, porém bastante sedutor. Meus dedos prendem-se ao seu sutiã, e com agilidade que estão aprendendo a ter, abrem o mesmo.
— Devo me empolgar? – Questiona sem parar de me beijar. A voz sussurrada, galanteadora. Sem voz para responde-la, eu balanço a cabeça negando, o que a faz desistir do beijo, e me faz suspirar em protesto. Senta-se sobre minhas pernas. Quando abro os olhos, encontro com os dela já abertos, me olhando profundamente. – Tem certeza? – O jeito como me olha e como questiona, faz qualquer certeza virar incerteza. Me dá um sorriso cafajeste quando volto a negar com a cabeça.
Minha resposta a faz livra-se da sua regata, levando com ela o sutiã.
Meus olhos param para admirar, venerar a mulher seminua a minha frente. Ela é tão linda, tão linda. Acho que nunca vou cansar de aprecia-la.
A pele alva, os muitos sinais espalhados pela mesma. Os cabelos molhados já ondulados, também já bagunçados que praticamente cobrem-lhe os seios simétricos. Os braços torneados. O abdômen chapado, bem cuidado pela sua chatice diária sobre alimentação saudável. A respiração mais pesada. Os lábios avermelhados pelo beijo trocado. A região da boca borrada pela cor vinho do meu batom. Os olhos da predadora que se torna quando nos encontramos em momentos como esse.
Ah sim, eu nunca vou cansar. Parece um anjo caído, provavelmente é o que realmente é. Quando me olha desse jeito, quando nos conectamos desse jeito, eu tenho certeza que ela é.
— Você é linda, Srta. Swan! – Expresso em voz alta a minha admiração. – Meu Deus, como você é linda! – A imitando, sento-me sobre o colchão. Levo minha mão até seu rosto e o afago, o que faz com que sorria. Leva a mão até a minha, a segura e entrelaça nossos dedos. Não faço ideia do que passa pela sua cabeça, o fato é que sorri para nossas mãos unidas, os dedos entrelaçados.
— Às vezes ainda tenho dificuldades para acreditar que é mesmo real. – Sussurra ao levar minha mão até sua boca, beija-la e então libera-la.
Suas pernas envolvem minha cintura. Ela volta a me sorrir.
— Eu odeio botões. – É o que fala ao desabotoar o primeiro botão da camisa que uso. Desabotoa também o segundo. Suas mãos agarram-se cada uma de um lado da aba frontal aberta, então ela tira os olhos de lá e me encara. — Me desculpa por isso. – Pede. Em um puxão, faz com que quase todos os botões, voem para longe da camisa. Em outro puxão, ela livra-se dos que sobraram. É desse jeito que costuma “desabotoar” minhas camisas.
— Você tem que parar com isso. – Não que eu realmente me importe, eu tenho muitas camisas, porém se continuarmos desse jeito, não vai levar muito tempo para todas elas ficarem sem botões.
— Você tem muito dinheiro... – Seus dedos tocam a pele que a falta de botões ajudou a tornar exposta. Eles sobem até meus ombros, e agora com delicadeza, livram-se da peça de roupa. – Pode sempre repor. – Balanço a cabeça negativamente e lhe sorrio.
— Sem sexo, Okay? – Aviso. Na verdade, peço, enquanto a deixo tirar meu sutiã. – Vamos apenas namorar. – Sei que Janis está prestes a chegar. Junto com ela, Zelena e Killian também chegarão, com a sorte que temos, sei que chegarão antes consigamos terminar qualquer coisa.
— Quem é que namora sem roupas e não transa, Srta. Mills? – Ajeita-se melhor sobre minhas pernas. Suas pernas abraçam com mais firmeza minha cintura, nosso contato torna-se maior. – Dessa vez vamos fazer com amor. — Fecho meus olhos e suspiro de satisfação quando sinto sua pele em contato com a minha, completando-a, preenchendo-a. De novo não encontro minha voz para responde-la.
Sua mão emaranha-se nos meus cabelos, ela os puxa e me faz inclinar a cabeça, tornando meu pescoço alvo de seus lábios, sua boca, sua língua, suas vontades. Os beijos que deposita ali, as caricias que se arrastam pela extensão do meu pescoço até minha orelha, tornam pesada minha respiração, e deixam nublados meus pensamentos.
Oh, Deus! Como isso é bom. É tão bom que cada vez que ela começa, eu desejo que nunca acabe. Desejo que fiquemos assim, nessa situação prazerosa para todo o sempre. É possível morrer de prazer? Porque se for, quero que essa mulher seja a responsável pela minha morte.
— Tão cheirosa. – Sussurra ao pé do meu ouvido. – Você me deixa louca, Srta. Mills. – Volta a sussurrar, e então faz do lóbulo da minha orelha vítima da sua boca.
— Isso é tão bom. – Em um murmúrio de prazer, eu verbalizo meu sentimento.
— Uhum... – Ela concorda. Suas pernas liberam minha cintura, ela faz com que eu me deite, e volta a deitar-se sobre meu corpo. Seus olhos gulosos param nos meus. – Eu quero me afundar em você, mergulhar em você e nunca mais emergir. — O que me falou, junto com o jeito intenso e desejoso como falou e o jeito como me olha, faz meu sexo pulsar. Faz meu corpo, cada pedacinho dele, cada célula, desejarem ainda mais essa mulher. Desejarem que sim, que ela faça tal coisa, que ela se afunde, que mergulhe.
— Então faça. – Minhas mãos vão até os seus cabelos, agarram-se a eles e os puxam, a trazendo para mim. Sua boca devora a minha e é devorada com a mesma vontade, a mesma intensidade. Não é mais calmo, não é mais sutil, não é mais terno, mas mesmo assim, continua sendo carinhoso, cuidadoso.
Isso que ela falou, sobre fazer amor e não só sexo, é extremamente brega, brega do nível que eu sentiria vergonha de falar em voz alta, porém realmente acontece. O jeito como acontece, como ela conduz as coisas, como faz ser, sempre deixa bastante claro quando é amor, ou quando é carnal, só desejo, coisa de pele.
Enfim, por algum motivo que desconheço, a intensidade citada, de repente, sem que eu entenda, vai se desfazendo. Ela desacelera, torna o beijo calmo, até por fim extingui-lo.
— O que foi? – Pergunto reclamando.
— Ouça... – Pede em tom de lamento. Ao fazer tal coisa ouço vozes e risadas. Infelizmente aconteceu o que eu previ que aconteceria. – O que fazer com todo esse incêndio agora? – Reclama ao deixar a cabeça cair sobre meus ombros.
Meu corpo está prestes a entrar em ebulição, tenho certeza que está. Estou tão excitada, com tanta vontade, que meu sexo chega a doer. Então não, eu não posso ajuda-la com seu incêndio, já que eu tenho o meu próprio incêndio para me preocupar e apagar.
— Agora é uma boa hora para você sair de cima de mim. A porta do seu quarto está bastante aberta. – Além disso, eu preciso de distância, caso contrário não tenho certeza se conseguirei me conter.
— Eles estão enrolando. – Me fala. – Para nos dar tempo. Ouça, ainda nem abriram a porta. – Fico grata por isso. Com certeza não teríamos tempo para qualquer coisa, antes que Janis conseguisse chegar ao quarto.
— Você precisa sair de cima de mim, Srta. Swan. – Peço com muito pesar. O desejo ainda bastante explicito em minha voz. – Eu preciso que você saia. Meu corpo precisa. – Explico. Ela sorri.
— Seu corpo precisa que eu continue. – Sua voz está tão desejosa quanto a minha.
— Mas a situação exige que você saia. – Lamento. – Você sabe que eles não vão conseguir enrolar por muito tempo. – É o que estou falando para mim também, para me convencer a não continuarmos.
Solta um suspiro de lamento e rola para o lado. Suspiro igualmente frustrada, passo as mãos pelo rosto e sento-me, procurando pelas minhas roupas.
— Eu preciso dos botões da minha camisa, Emma. – Reclamo com ela. – O que eu vou usar agora? – Sem camisa, eu coloco o que me sobrou do que ela tirou, meu sutiã.
— Pegue a minha. – Oferece ao me estender sua regata branca. Sem outra opção eu faço.
— Saia social com regata branca, combinação perfeita. – Resmungo enquanto a coloco, o que a faz rir. Beija meu rosto, antes de se pôr de pé. Vai até a porta do quarto, fecha e chaveia a mesma. Então vai até seu guarda-roupas onde pega um dos seus muitos jeans e me estende.
— Da sua cor preferida. – Pisca para mim.
— Você tem uma calcinha também? – Já que ela deixou a minha bastante inutilizável.
— Qual você quer? – Questiona enquanto coloca uma camiseta. Graças a Deus, está sem tempo para fazer graças.
— Qualquer uma que não seja fio dental. – Ela ri, mas não faz nenhum comentário a respeito.
— Pega essa. É confortável, bonita e também da sua cor favorita. – Me dá uma de renda e preta.
— Obrigada! – Agradeço antes de lhe dar as costas. Mesmo sem ver, sei que os olhos dela estão em mim, me acompanhando tirar a saia, seguida da calcinha. – Não se atreva. – Aviso a ela ao ouvi-la se aproximando.
— Por que não? – Questiona rindo. Antes que resolva desacatar minha ordem, coloco rapidamente a calcinha que me deu.
— Porque se você fazer isso, não me responsabilizarei pelo o que sua filha pode vir a ouvir. – Respondo. Não consigo colocar a calça, ela é mais rápida, suas mãos agarram minha cintura, e me fazem voltar para ela. Em seus olhos posso ver que seu instinto predador continua ali.
— Isso é muito injusto. – Depois de fazer tal reclamação, ela tenta beijar minha boca, mas eu me esquivo.
— A vida não é junta, Srta. Swan, já lhe falei sobre isso algumas vezes. – Tento me livrar das suas mãos, porém sou impedida. Ao invés de me soltar para que eu possa terminar de colocar a roupa, ela me empurra até a parede. Seu corpo prende o meu ali. – Não. Faça. Isso. – Peço pausadamente, enquanto lhe lanço um olhar não muito amigável.
— Por que não? – De novo tenta me beijar, de novo me esquivo. Não preciso responder, três batidas na porta respondem por mim.
— Mami? – Janis chama.
— Por isso.
— Podemos resolver rapidinho. – Ela sussurra comigo, me fazendo lhe rolar os olhos. A perversidade dessa mulher, ela não tem limites.
— Eu não quero resolver rapidinho. – Queria estar esbravejando, mas devido as circunstâncias, tenho que me limitar a também sussurrar.
— Mami? – Janis chama de novo, enquanto tenta abrir a porta.
— Só um minuto. – Emma resolve responde-la. – Eu estou com tanta vontade. – Isso ela fala para mim.
— Vontade de quê? – Sim, como falou em alto e bom som, sua filha ouviu.
— Me deixe passar. – Resmungo com ela, que muito sem vontade, me libera do lugar onde tinha me encurralado.
— Mami? – A garota continua tentando abrir a porta.
— Me dê um minuto, Janis! — Frustrada, Emma usa um tom irritado.
— Mas você tá brava? – Se eu não tivesse ocupada fazendo o jeans skinny da Srta. Swan, entrar em minhas pernas, talvez eu achasse graça.
— Não, Janis! – Sua voz sai mais branda. – Só me dê um minuto, eu já vou abrir, Okay? Estou trocando de roupas. – Nesse caso, a única possibilidade viável, é mesmo mentir.
— Okay! – Resmunga do outro lado da porta.
Enquanto visto o jeans, Emma pega as roupas que eu tirei, e põe no cesto que tem em seu quarto. Arranco os dois botões que sobraram da minha camisa, pego os outros espalhados pelo colchão e entrego a ela. Visto a camisa sem botões, tentando quem sabe parecer mais eu, ou algo do tipo. Passo os dedos pelos cabelos, querendo arruma-los, também passo os dedos pelos lábios e próximo a eles, tirando o que com certeza ainda resta do meu batom e então procuro pela Srta. Swan, que assistia a tudo ali parada diante de mim.
— Pode abrir – Falo. Ela não vai até a porta, ela vem até mim, curva o corpo para baixo, e para o rosto bem próximo ao meu.
— Você pode fugir, Srta. Mills, mas não pode se esconder. – É o que me fala. Lhe rolo os olhos e levo as mãos até seus lábios, onde também tento limpar o que o meu batom borrou.
— Não estou fugindo, tampouco me escondendo, Srta. Swan. – Respondo. – Me avise a hora e o lugar, e me entregarei por conta própria. – Finalizo com um sorriso sugestivo. Ela suspira. – Agora abra! – Concorda com a cabeça, me dá um estalinho e aparentemente muito sem vontade, vai até a porta.
— Onde é o incêndio? – Questiona com a filha ao abrir. Gostaria de lhe responder que tem um bem no meu corpo, mas não posso, tampouco devo.
— Por que você demorou tanto? – Reclama enquanto abraça a mãe, que a tira do chão e beija sua bochecha. Ao me perceber aqui, ela levanta a mão me dando um tchauzinho. Me dá também um sorriso.
— Porque tinha acabado de sair do banho e estava colocando uma roupa. – Responde. – Como foi a aula? – Questiona, ao tentar mudar de assunto.
— A mesma coisa chata de sempre. – Parece se lamentar.
— Janis Swan, você prestou atenção na professora? – Engulo minha vontade de rir quando a garota rola os olhos.
— Eu prestei. – Responde. – Já faz tempo que não vou para o canto do pensamento por fazer bagunça e não prestar atenção. Você olha minha agenda todos os dias. – Se defende. Ao ouvir tal coisa, Emma se dá por satisfeita e põe a filha no chão. Janis passa pela a mãe e vem ao meu encontro.
— Oi, Regina! – Me saúda enquanto me sorri.
— Hey, Janis! – Lhe sorrio também. – Ainda está brava comigo? – Nega com a cabeça muitas vezes.
— Desculpa por ter ficado brava ontem. – Pela desculpa que pede, tenho certeza que ela e Emma conversaram sobre.
— Não tem problema. Me perdoe por não ter podido ficar. – Me desculpo também.
— Perdoo. – Responde. – Mas hoje você pode, né? – Faço pensar sobre o assunto. Sim, hoje ficarei. Assim como Zelena. Foi o que as ouvi combinando enquanto estava incomunicável com o mundo.
— Hoje eu posso. – Minha afirmação a faz sorrir gigante.
— Você também estava tomando banho? – Sabia, tinha quase certeza, que ela não ia deixar passar batido.
— Não. Eu estava tirando uma soneca. – Ou estava tentando, antes de Emma vir me fazer companhia.
— Ah tá. – O jeito desconfiado como me olha, me faz ter certeza que o assunto ainda não foi encerrado. – Mas essas roupas são da minha mãe. – Toca minha camisa. – Só essa que não. – Abro e fecho a boca algumas vezes antes de responde-la.
— É que as que eu estava usando, estavam um pouco sujas. E eu esqueci as limpas em casa, então Emma me emprestou. – Explico.
— Mas a gente não tem que tomar banho, antes de colocar uma roupa limpa? – Está bastante em dúvida sobre, as sobrancelhas juntas me fazem ter certeza disso.
— Eu tomei e só depois vim tirar um cochilo. – Tento de novo. Dessa vez parece satisfeita. – Agora vem aqui, me fala, cadê o meu abraço? – Indago ao abrir os braços. Me sorri e quase que instantaneamente, joga-se nele. Deixo com que minhas costas caiam sobre o colchão e puxo ela junto comigo.
— Você é tão cheirosa. – É a primeira coisa que me fala, ao deitar a cabeça no vão do meu pescoço. Não consigo não sorrir, pensando que sua mãe vive me falando a mesma coisa.
— Você quem é cheirosa, Pequena Srta. Swan! Cheirosa, linda e muito apertável. – Falo enquanto aperto essa pessoinha em meus braços.
— Você também é essas coisas. – Levanta a cabeça para que possa me olhar. Seus olhos me sorriem, também feitos o da sua mãe. Acho impressionante o quanto se parecem.
— Eu sou?
— É. – Sua mão toca meu rosto, e o afaga. – Eu sinto saudades quando a gente fica muito tempo sem se ver. – Não sei se está reclamando ou apenas falando.
— Eu também sinto saudades, Pequena Srta. Swan, muitas saudades. – Se eu sou mesmo um leão sem dentes, essa criança foi a responsável por arrancar a maioria deles.
— Você está feliz por a gente ir morar lá em Nova York? – Preocupada seria a palavra. Muito preocupada. Mas sim, mesmo preocupada fico feliz em tê-las por perto.
— Eu estou feliz. – Respondo. – E você? – Sorri e afirma.
— Tô maior felizona. – O jeito como responde me faz rir.
— Eu também estou maior felizona, a propósito. Obrigada por perguntarem! – É o que a Srta. Swan diz ao deitar-se ao nosso lado.
— Eu sei, você já me disse isso ontem. – Janis lhe responde e volta a deitar a cabeça no vão do meu pescoço.
— Eu também sei, você já deixou bem claro. – Também respondo.
— Tá bom então, Srtas. Eu Já Sabia. — Dá de ombros.
— Aquela moça que foi me buscar na escola junto com tio Killian, e que veio ontem também, é mesmo sua irmã? – Me questiona o que já tinha me questionado ontem.
— Se aquela moça atende pelo nome de Zelena, você pode mesmo acreditar, ela é sim minha irmã. – Lhe respondo.
A garota sai de cima de mim, e deita-se entre a Srta. Swan e eu.
— Vocês vão mesmo levar a gente para conhecer todos aqueles lugares que ela falou ontem? – Ai, Zelena, graças a ela já estou sendo cobrada antes mesmo da mudança.
— Vamos! – Foi prometido, então vou cumprir.
— Legal! – Exclama. — Os cabelos dela, Zelena, são da mesma cor dos da Merida. – Aparentemente está mudando de assunto. E bom, esse novo assunto me deixa um pouco perdida, não sei se sei quem ser Merida, então olho para Emma, em busca de ajuda.
— Valente. – Ela tenta me traduzir. – Pixar, Disney, Princesa? – Okay, talvez eu tenha uma vaga ideia de quem seja tal pessoa.
— Você não conhece ela? – Janis parece surpresa, ou talvez incrédula.
— Digamos que eu não conheço muitas princesas, principalmente as mais atuais. – Explico e ganho um balançar negativo de cabeça.
— Vacilona! – É o que me fala.
— Janis! – A Srta. Swan repreende a filha. Já eu, eu acho graça do que fui chamada, do jeito que fui chamada, do jeito incrédulo como me olhou.
— Então eu sou vacilona, Srta. Janis? – Indago enquanto ainda dou risada. Ela não me responde nada, aparentemente está envergonhada por ter me chamado de tal coisa. – O gato comeu sua língua, ou foi o camaleão que está ali na sala? – Ela tenta não rir. Cutuco meu indicador em suas costelas, lhe fazendo pular e rir alto. – Você precisa saber uma coisa sobre pessoas vacilonas, Pequena Srta. Swan... – Me olha com curiosidade, esperando que eu lhe conte. Apoio os joelhos na cama, deixando o corpo da menina entre eles. – Elas adoram fazer ataques de cócegas. – É o que conto, antes de iniciar o ataque. Ela ri muito enquanto se contorce e tenta se livrar. Entre as risadas, consegue pedir ajuda a mãe, que instantaneamente me puxa para cima dela, e junto com a filha, me torna a mais nova vítima das temidas cócegas.
— Que coisa feia, atacar crianças indefesas, Srta. Mills. – É o que Emma me diz, enquanto me ataca. Me fazem rir tanto, que me fazem chorar, fazem também eu quase ficar sem ar. Com medo de morrer rindo, ou morrer por rir assim, eu apelo para minha asma e tento me livrar.
O problema é que ao ouvir a palavra “asma”, a Srta. Swan me solta imediatamente, ou seja, a força que eu estava fazendo para fugir dali me leva ao chão. Minha cabeça dói ao chocar-se contra o mesmo, assim como meus cotovelos. Penso até em reclamar, mas tenho uma ideia melhor. Fico imóvel, de olhos fechados e espero.
— Você derrubou ela! – Não tem mais graça na voz da Pequena Srta. Swan, tem preocupação.
— Eu não fiz isso. – A Srta. Swan se defende, como uma criança que acaba de ser acusada de machucar a amiguinha. – Regina? – Me chama. Aparentemente não está acreditando muito que realmente aconteceu alguma coisa.
— Faz alguma coisa, Mami! – A menina continua com o mesmo tom.
— Será que um beijo pode acorda-la? – A pergunta de Emma me faz ter vontade de rir.
— Claro que não. – Responde com convicção. A ouço sair de cima da cama, segundos depois, está no chão ao meu lado. – Ela está machucada, não envenenada. – Explica enquanto pega minha mão. – Acho que a gente deve chamar os bombeiros. – Sugere. Agora passa a mão pelo meu rosto, tirando alguns cabelos dali.
— Primeiro quero tentar algo. – Vindo da Srta. Swan, já sei até o que esperar desse algo. Ela também sai da cama e vem para o meu lado.
— O beijo não vai funcionar. – Janis fala de novo. As palavras da garota, junto com a respiração perto do meu rosto, me fazem concluir que ela vai mesmo me beijar. Junta os lábios aos meus e os deixa ali por alguns segundos.
— Está ficando sem graça, Regina. – Sussurra. Pelo seu tom, aparentemente está ficando preocupada. – Anda logo, desperte. – Volta a sussurrar e me beijar. Continuo exatamente do jeito que estou. Ela desiste do beijo, e resolve tentar me trazer de volta a vida, cutucando minhas costelas, porém consigo concentração suficiente para não rir e nem me mover. – Srta. Mills? – Sim, agora ela com certeza está preocupada.
— Eu falei para você! – Janis parece bastante assustada.
— ZELENA!!! – Emma grita pelo nome da minha irmã, como se de repente, ela pudesse me trazer de volta, caso tivesse mesmo acontecendo algo.
— Você precisa ligar para os bombeiros, Mami. Eu não quero que ela morra. – Resolvo pôr um fim ao meu teatro, antes que eu faça a Pequena Srta. Swan chorar, ou os bombeiros aparecerem por aqui.
— AHHH!!!! Enganei vocês!!!! – Dou risada ao abrir os olhos e ver o quanto as duas parecem mesmo assustadas. Agora estão estagnadas, olhando para mim, aparentemente não acreditando que eu fiz isso, ou não acreditando que foram enganadas. O fato é que elas que já são muito parecidas, quando fazem as mesmas expressões faciais então, ficam quase iguais. No momento acho que estão bravas, o que me faz rir ainda mais.
— Você é ridícula, Srta. Mills! – Emma quem me acusa.
— E vacilona. – Janis a ajuda. Enquanto eu continuo rindo, a Srta. Swan balança a cabeça negativamente, em seguida, resolve sorrir para mim. Já a Pequena Srta. Swan, continua chateada. O que me faz parar de rir e me sentar. As duas estão ajoelhadas ao meu lado.
— Faltou o seu beijo. – Cutuco o nariz dela com meu indicador. – Por isso eu não acordei. – Explico.
— Você me assustou. – Reclama comigo e me causa um certo arrependimento.
— Me desculpe! – Lhe peço. – Não queria assusta-la. Não desse jeito. – Suspira e balança a cabeça concordando.
— Tá bem. – Sem que eu espere, joga-se para cima de mim. Seus braços envolvem meu pescoço, ela me abraça apertado.
— Ah, eu também quero participar desse abraço. – Emma avisa, ao juntar-se a ele. Nesse momento, sou quase esmagada por mãe e filha. Devido ao ataque de cócegas e ao jeito como estou sendo abraçada, sinto-me um pouco sem ar. Penso até em sair em busca do meu broncodilatador, mas também além de me sentir sem ar, eu me sinto bem, me sinto em paz, me sinto em casa, então resolvo continuar onde estou.
— Abraço em grupo!!! – Bom, como o nome de Zelena foi chamado, achei até que ela demorou a aparecer. O fato é que agora temos mais uma participante nesse abraço.
— Viado!!! Eu também quero!!! – Mesmo de olhos fechados, eu os rolo ao ouvir a voz de Killian, que também se junta a nós. Com mais essas pessoas adicionadas ao abraço, começo a me sentir bastante sufocada.
— Eu preciso do meu broncodilatador. – Falo. – E agora não é brincadeira. – É bom esclarecer tal coisa, para que não achem que estou tentando engana-las de novo.
— O que é isso? – É Janis quem questiona. Parece está se divertindo com o abraço em grupo.
— Coisa de gente doente. – Minha irmã quem responde.
— Onde ele está? – A Srta. Swan me questiona. É ela também quem põe fim ao abraço.
— Na minha bolsa. – Digo a ela. – Acho que está no sofá. – Concorda com a cabeça e vai em busca do que eu pedi. Continuo sentada, agora com Janis sentada em minhas pernas.
— Você é desastrada igual a minha mãe. – Fala com ar de reprovação, enquanto balança a cabeça em negativo.
— Eu sou? – Questiono de sobrancelha arqueada, sem entender.
— Você é sim. – Afirma. – Olha aqui seu pescoço. – Seu indicador o toca. – Está machucado. O da Mami vive assim. E ela é tão desastrada que nem sabe como machuca. – Bom, é nessa parte da história que uma criança consegue me envergonhar. Zelena que continua por aqui, ri escandalosamente ao ouvir tal coisa. Já Killian, resmunga alguma coisa que não faço questão de ouvir. – Você sabe onde machucou? – Pergunta.
— Ou quem machucou... – Killian cantarola, enquanto olha suas unhas. Zelena continua rindo.
— Alguém fez isso em você? – Agora parece assustada. A verdade é que eu deveria esbravejar com a Srta. Swan. Eu não sei como conseguiu me deixar um hematoma tão extenso. Quando o vi no espelho, até eu me assustei. Graças as echarpes que uso, tal coisa fica escondida, porém nesse momento não uso tal coisa, o que deixa a marca bastante visível a quem quiser ver.
— Um vampiro, talvez. – Zelena resolve fazer um feat. com esse ser insuportável que Emma chama de amigo.
— Ou vampira... – O infeliz continua.
— Essas coisas não existem! – A menina exclama, só que sem muita certeza na voz.
— O que não existe? – Graças ao bom Deus, a causadora do meu problema, está de volta.
— Obrigada! – Lhe agradeço quando me entrega a bombinha.
— Vampiros. – Janis conta a ela. — Tio Killian e a outra Srta. Mills, falaram que quem fez essa marca no pescoço de Regina, foi um vampiro ou uma vampira. Mas não foi, não é? – Questiona com a mãe, que fica sem uma resposta imediata. Já eu, graças a Deus estou me ocupando com meu broncodilatador e faço de conta que o pescoço em questão nem é o meu.
— Não, vampiros não existem. – Responde para a filha, enquanto pensa em alguma desculpa para o meu pescoço.
— Viu?! Falei para vocês.
— Eu acho que existem! Edward Cullen, aquele purpurinado lindo. Ai, daria meu pescocinho lindo e cheiroso todos os dias para ele morder e chupar. – Acho que não preciso nem falar de quem foi tal comentário.
— Ew!!! – Zelena faz voz e cara de novo. – Qual o seu problema?! – Questiona com ele. – Jacob era muito mais lindo, mais charmoso, mais musculoso, mais bronzeado, mais tudo. – Só falta mesmo sair corações pelos olhos.
— Eu prefiro a Bella. – É a vez da senhorita Swan.
— Porque você é sonsa. – A resposta que Killian lhe dá, infelizmente me faz rir. Preciso concordar com ele, depois de ouvir tal preferência, concluo que Emma tem um gosto no mínimo, duvidoso.
— Está rindo de quê? – Ela me olha com incredulidade.
— Estou rindo de você ser sonsa. – Dou de ombros. Agora ela abre a boca, aparentemente não acreditando mesmo que concordei com o amigo dela.
— Está mesmo de acordo com ele? – Ela está realmente surpresa.
— Não tenho culpa se você prefere a pior personagem de todos os livros! – Me defendo.
— VIADOOO!!! Não acredito que Regina Mills e eu, concordamos em pelo menos uma coisa. – É o que o escandaloso diz.
— Nem eu. – Resmungo.
— Você era de qual time? – Emma me questiona.
— Regina Mills? – Killian aparentemente quer responder por mim. – Do time dos Volturi ou qualquer outro com muito sangue nos olhos. – Não gosto de concordar com ele, mas a verdade é que está certo.
— Sim, eu gostava dos maus. – Afirmo.
— O quê? – A Srta. Swan parece indignada. – Como assim você gostava dos maus? Você não podia gostar dos maus. Quem torcia para os maus? – Dispara as perguntas.
— Regina. – Zelena responde. – Regina era time vampiros de olhos vermelhos.
— Por que você está me julgando? – Questiono com Emma. – Eu quem deveria julgá-la. – Falo. – Primeiro por Bella ser a sua personagem favorita. – Balanço a cabeça em reprovação. – Quem tem a Bella como personagem favorita? Pelo amor de Deus, Srta. Swan! Está para existir uma personagem mais sonsa, mais sem graça, mais boca aberta, mais vesga. – Expresso minha opinião. – E os Cullen? Puff... Eles são uma ofensa para os vampiros que existiram, existem e existirão. – Continuo. – Eles brilham, Srta. Swan, brilham como fadas... vampiros que brilham? Okay, tudo bem, se fosse só isso, daria para relevar, mas eles também não se alimentam de sangue humano. – Faço cara de interrogação. – Vampiros bons? Vampiros que trabalham? Vampiros “veganos”? Vampiros que pagam contas? Vampiros que não queimam no sol? – Volto a balançar a cabeça em negativo. – Se eu fosse esse tipo de vampiro, eu mesma pegaria uma estaca e meteria no meu coração. – Abre a boca para com certeza defende-los, mas não deixo que faça. – Eu ainda não terminei, agora vem a pior parte. O tapado do Edward Cullen... — Rolo os olhos ao pensar no infeliz.
— Tapado mesmo. – Zelena concorda. – Além de ser branquelo azedo.
— Por que diabos ele ficou postergando, postergando, postergando e não mordeu ela logo? Ela lá, pedindo, implorando, chorando, ficando vesga para ser mordida, e o boca aberta nada. Que tipo de vampiro é esse? Tudo isso para quê? Para no final, de um jeito ou de outro, ela ser transformada. – Ainda não acredito que gastei dias da minha vida, com esses livros. Se me perguntarem o motivo, nem eu saberei responder.
— Viado, que mulher revoltada! – Killian leva a mão ao peito.
— Prática, na verdade. – Zelena o corrige. – Mas só quando não se trata da Swan, caso contrário, é praticamente um Edward Cullen, sem a parte do brilho. – Essa parte ela sussurrou e eu fiz questão de fazer que não ouvi. — Revoltada ela ficou, quando viu que a cena da batalha final era só um pensamento da Alice. – Conta.
— Eu não estou entendendo é nada. – Janis reclama. – Por que eu não posso ver os filmes desses vampiros? – A pergunta que faz para a mãe, sai em tom de reclamação e dúvida.
— Porque você ainda não tem idade para isso. – É a resposta que dá.
— Saco! – Solta com o ar.
— Olha a boca! – É repreendida por Emma.
— Eu nunca posso nada. – Reclama.
— Você pode assistir algo muito, muito, muito melhor do que o os filmes dos vampiros. – Lhe falo. Seus olhos crescem, parece curiosa e empolgada.
— O quê?
— Harry Potter! – Zelena e eu respondemos juntas.
— Quando você assistir a esses filmes, você nunca mais vai dar bola, ou querer saber desses vampiros. – Garanto.
— Isso é verdade. – Minha irmã concorda. – Harry Potter é incontáveis vezes melhor do que Crepúsculo.
— Eu gosto dos dois. Quanto mais homens, melhor. – Não role os olhos, Regina. — Queria que ele batesse com a varinha em mim. – Suspira depois de fazer tal comentário.
— Continuo preferindo a Bella. – É a vez de Emma.
— Não pode mesmo ser sua personagem preferida. – Preciso insistir nisso, preciso debater sobre. — Além de tudo ela é vesga. – Zelena e Killian acham graça.
— Ela não é vesga! – Defende.
— Ela é sim. – Parece que hoje o melhor amigo da Srta. Swan, está do meu lado. – Fora que eu dormindo interpreto melhor do que Kristen Stewart, sua musa, acordada. – Ao ouvir tal coisa, minha cara de reprovação e desapontamento, piora.
— Sua musa, é sério? – Me sinto na obrigação de questiona-la.
— Qual o problema? – Está na defensiva.
— Acho que para o bem de todos e para não tornarmos o gosto de Emma no mínimo, muito duvidoso, devemos pensar que não é pelas interpretações, e sim por ela ser sapatão. – Zelena sugere e todos balançamos a cabeça concordando.
— O que é sapatão? Ela usa sapato grande? – A pergunta de Janis nos faz rir.
— É um termo usado para meninas que gostam de meninas. – Explico e no mesmo momento tenho absoluta certeza de que deveria ter ficado calada.
— Você já é sapatão agora? Você e a Mami parecem namoradinhas, vocês já até beijaram que eu vi. Você é? – Bom, a pergunta faz Zelena rir alto, junto com seu novo amigo também escandaloso. A Srta. Swan abre e fecha a boca algumas vezes, e decide não falar nada. Eu estou bastante sem graça, um tanto envergonhada, e outro tanto sem saber o que dizer.
— Conta para nós, Regina! – Zelena quem pede, em meio a sua crise de riso.
— Estou louca para ouvir sobre a atualização dessa orientação sexual. – O insuportável continua.
— Deem um tempo. – Emma tenta me defender, mas bem no fundo, tenho certeza que ela também quer rir.
Lanço um olhar nada amigável para todos eles, que resolvem tentar parar de rir.
— Você... – Aponto para minha adorável irmã. – E você... – Aponto para o amigo da Srta. Swan. – Fora! – Agora aponto para a porta do quarto. A irritação na minha voz, faz com que nem discutam sobre. Saem resmungado coisas, coisas que para o bem dos dois, eu resolvo fazer de conta que não ouvi.
— Mas você tá brava? – Janis questiona, aparentemente sem entender minha mudança de humor.
— Olha a veia aparecendo na testa dela. – Emma aponta. — Isso significa que sim, ela está brava. – Alerta a filha.
— Srta. Swan, você pode esperar lá fora também, por favor? – Lhe peço.
— Eu não vou participar disso? – Questiona de sobrancelhas arqueadas.
— Talvez depois. – Quando minha irritação por ela ter rido internamente das graças deles passar. – Agora se você me permitir, gostaria de falar com a sua filha. – Peço gentilmente, algo que exige esforço.
— Okay. – Como sabe que é melhor não insistir, ela apenas nos joga um beijo e também se retira.
— Você vai brigar comigo? – Janis me questiona, enquanto me olha atentamente, igual sua mãe faz quando quer saber o quão brava estou.
— Não. Eu não vou brigar com você. – Lhe tranquilizo.
— Okay! – Agora me olha com ansiedade.
— Eu gosto da sua mãe... – É assim que começo e tal começo já arranca dela um sorrisinho.
— Então vocês são namoradinhas? – Assim com Emma, Janis parece ter problemas para esperar que alguém termine um pensamento.
— Você sabe guardar segredo? – Balança a cabeça muitas vezes, me dizendo que sim. – Certo, então eu tenho um para lhe contar. Porém é um segredo muito, muito, muito grande. Você não pode conversar a respeito com ninguém, a não ser com sua mãe. Você acha que pode fazer isso? – De novo balança a cabeça afirmando. Seus olhos brilham, ela me olha com empolgação, só falta quicar e bater palmas.
— Pode me contar. Juro de dedinho que não vou contar nada para ninguém. – Me garante.
— Okay. – Coço a garganta e resolvo começar. — Lá onde eu moro, em Nova York, existe uma bruxa... – Seus olhos crescem, agora parece um pouco assustada.
— Uma bruxa de verdade? – Indaga, sua voz sai preocupada.
— Uma bruxa de verdade. Que faz muito mal para as pessoas. – Sim, eu quero deixa-la com medo. Com certeza mais cedo ou mais tarde, vai esbarrar com a minha mãe. Então quero que ela fique tão assustada, a ponto de correr para longe, ou pelo menos, não trocar nem uma palavra com Cora.
— Ela fez algum mal para você? – De novo afirmo.
— Fez. Ela me fez muito mal. – Conto. – Ela machucou pessoas que eu gostava. Ela matou meu gato. Ela me fez triste por muito, muito tempo. – Agora é perceptível o quanto está assustada. Encolhe-se em meu colo e agarra minhas mãos.
— Por que ela fez essas coisas?
— Porque ela é má. Muito má. – Além de psicopata, mas essa parte terá que ser explicada daqui alguns anos.
— Eu não gosto dela! – Enfatiza. – Quando nós formos morar lá em Nova York, você pode ir morar com a gente. Eu e a Mami vamos defender você. – Acabo esboçando um sorriso. Parece que herdou a coragem da mãe também.
— Eu não posso, porque se eu for morar com vocês, ela vai querer machucar vocês também. – Falo. — Eu tenho que derrotar essa bruxa primeiro, só assim vou poder ser feliz, sem medo que ela me faça mal de novo. – Tento lhe explicar. – É nessa parte que a sua mãe e você, entram. – Ela nem pisca, tenho 100% de sua atenção. – Eu gosto da sua mãe. E sim, nós somos namoradinhas. – Minha confirmação a faz sorrir.
— Então você é sapatão. – Não me pergunta, apenas uma conclusão. Okay, Regina, você é sapatão. Pensar sobre isso ainda é um pouco estranho. Quer dizer, me associar a tal coisa, é um pouco estranho. Acredito que ainda esteja em processo de entendimento e aceitação, mas estou me relacionando com outra mulher, gostando da mesma, fazendo planos com ela, e por último, mas não menos importante, gostando e muito, da parte que envolve sexo. Isso não é coisa de alguém heterossexual, ou seja, pelo menos bissexual eu sou, mas é mais fácil falar para a garota que sim, sou sapatão.
– Sim, eu sou. – É estranho admitir isso pela primeira vez em voz alta.
— Legal! – Exclama e acaba em fazendo rir.
— O que você precisa saber é que, essa bruxa, ela de jeito nenhum, pode saber sobre isso. Ela não pode saber que eu sou sapatão. Muito menos saber que eu e sua mãe somos namoradinhas. – Junta as sobrancelhas, parece não entender.
— E por que não? – Quer saber.
— Porque ela não gosta de meninas que gostam de meninas. – Acho que é nesse ponto, que Janis vai começar a entender sobre preconceitos. – Ela não aceita isso. Se ela descobrir que sua mãe e eu somos namoradinhas, ela vai querer nos fazer muito mal. – Não sei se é minha voz grave e sombria, ou se é o que acabou de ouvir, ou talvez os dois, mas ela volta a se encolher e seus olhos voltam a crescer. – Se ela descobrir, Pequena Srta. Swan, sua mãe e eu, nós nunca vamos poder ficar juntas, ela vai nos separar e eu nunca mais vou poder ver vocês. – Eu poderia usar um tom de voz mais ameno, mas não uso e faço de propósito. Assusta-la é um modo de protege-la. Quando você tem medo, você não chega perto. Você não questiona. Se você puder fugir, você foge. Ao ouvir o que falei e como falei, ela joga-se em meus braços e me aperta. – Por isso, tem que ser um segredo nosso. Ninguém pode ficar sabendo. Porque se alguém que não deve, saber sobre isso, pode contar a essa bruxa e ela vai destruir nossa felicidade. – Finalizo, enquanto a abraço.
— Não se preocupa, Srta. Mills, eu não vou contar para ninguém, eu juro para você. Juro de dedinho. – O medo em sua voz, me faz ficar satisfeita.
— Eu sei que você não vai. Sei que podemos confiar em você. – Minhas mãos afagam suas costas.
— Mas isso não é muito justo. – De novo dá a impressão de que é sua mãe quem está falando. – Ninguém vai fazer nada contra essa bruxa má? – Questiona.
— Sim. Eu vou, junto com minha irmã, com sua mãe e talvez seu tio Killian. Estamos bolando um plano para destruí-la. – Conto. Ela desfaz-se do abraço e me encara.
— Vocês me deixam ajudar também? – Ah é, ela é provavelmente um clone de Emma, não existe mais dúvida.
— Você já está ajudando. – Pelo jeito como me olha, dúvida bastante sobre. – Você está guardando esse segredo, Pequena Srta. Swan. Você é a responsável pela parte mais importante do nosso plano para derrotar a bruxa. – Conto. — Porque enquanto você manter esse segredo a salvo, enquanto ninguém saber sobre isso, a bruxa má também não saberá. E aí, sem que ela esteja preparada, podemos atacar e derrota-la. – Ela pensa um pouco a respeito, esboça um sorrisinho e concorda com a cabeça.
— Eu não posso contar para ninguém que vocês são namoradinhas. – Parece falar consigo mesma. Algo como, falar alto para memorizar.
— Você não pode. Se alguém algum dia perguntar alguma coisa, você vai dizer que eu sou a irmã de Zelena, que é a amiga da sua mãe. – Me olha sem entender. – É complicado de explicar, por enquanto você só precisa saber e dizer isso. – Suspira, mas não insiste.
— Você é a irmã da Merida, que é amiga da minha mãe. – Lhe sorrio e beijo o rosto.
— Isso mesmo, Janis! Você é muito inteligente. Tenho certeza que nosso segredo estará bem guardado com você. – Me retribui o sorriso e o beijo.
— Nós vamos derrotar essa bruxa má! – Levanta os braços, em uma comemoração muito, muito adiantada.
— Nós vamos derrota-la. – Tento passar animação em minha voz, assim como nos meus braços que também levanto para comemorar.
— Você tem mais alguma pergunta sobre esse assunto? – Melhor me certificar e deixar tudo bem “esclarecido”, não é mesmo?
— A Merida e o tio Killian, eles podem saber sobre isso? – Afirmo.
— Sim. Eles podem. Mas só eles, mais ninguém. – Esclareço.
— Mais ninguém. Vou fechar a minha boca e jogar a chave fora. – Sua última frase me faz rir.
— Boa menina! – Elogio.
Bom, pelo jeito como me olha, sei que quer me fazer outra pergunta, mas aparentemente não sabe como, ou coisa do gênero.
— O que mais você quer saber? – A incentivo a ir em frente e perguntar.
— Você vai ser tipo... – Suas bochechas ganham um tom forte de vermelho e seus olhos, eles fogem dos meus. – Minha outra mãe? – A pergunta não passa de um sussurrar, mas serve para agitar todas as borboletas existentes no meu corpo, e acelerar as batidas do meu coração. De todas as perguntas que espera ouvir, essa não era uma delas, ou seja fui pega de surpresa.
Enquanto eu penso no que responder, ou em como responder, ela me espia pelo canto dos olhos.
Tecnicamente, eu vou, certo? Quer dizer, Emma e eu nunca conversamos sobre isso, não usando esse termo, “outra mãe”. Até falamos, mas naquele tempo não tínhamos nada. Porém, ela falou que era o que sua filha estava pedindo, certo? E não parecia ter nada contra, então...
— Se você quiser que eu seja, então eu serei. – Lhe respondo. Suas bochechas ganham um tom ainda mais forte de vermelho, porém seus olhos param de fugir de mim e me encaram. Tem um sorrisinho escondido, e um olhar envergonhado.
— Eu quero que você seja minha outra mãe. – Fala com toda a certeza do mundo. Sabe quando você tem problemas em conter seu sorriso? Em parar de sorrir? Sou eu nesse momento. – Você quer ser? – Minha resposta inicial é um abraço, seguido de muitos, muitos, muitos beijos. Tenho vontade de esmaga-la, abraça-la e nunca mais larga-la.
— Claro que eu quero ser, Pequena Srta. Swan. – Falo em meio aos ataques de beijos. – Será uma honra, um prazer, ser a sua outra mãe. – Ela dá risada, enquanto eu continuo com meu ataque.
— É mesmo você, Regina Má? – A voz de Emma, me faz parar o que estou fazendo e procurar por ela. Está encostada no batente da porta, os braços cruzados, um sorriso bobo no rosto. Pelo jeito como nos olha, tenho certeza absoluta que ouviu toda nossa conversa.
— Em carne e osso. – Respondo. Janis levanta das minhas pernas e vai até a mãe, literalmente pulando em seu colo.
— Mamiii, eu estou tãããão feliz! – É o que fala ao abraçar a mãe, que acha graça.
— Entendo o sentimento, eu também estou desse meeeesmo jeito. – Fala para a filha, mas olhando para mim.
— Nós três compartilhamos dele então. – Pisco para ela e me ponho de pé. Sinto meus cotovelos doerem, e ao olhar os mesmos, vejo que sangraram. O amor pode machucar fisicamente também, principalmente quando te derruba da cama.
— Machucou? – Emma me questiona.
— Superficialmente. – Dou de ombros e vou até elas. Tenho a atenção das duas, e no momento não sei exatamente o que dizer ou o que fazer. Quer dizer, é só a Srta. Swan e sua filha, mas no momento, é diferente. Agora firmei meu compromisso com Janis, também.
— Você é tão linda! – A menina quem faz o elogio. O jeito como me olha, é o mesmo jeito como sua mãe também me olha. Como se de repente, eu fosse a coisa mais valiosa do mundo.
— Você quem é.
— E eu, o que você acha? – Olho para a dona da pergunta e lhe rolo os olhos, antes de responder.
— Acho que você ama que inflem seu ego. – Falo. – A sua filha é a sua cara, Srta. Swan, só que com cílios maiores, então você é igualmente linda. – Ela ri e me manda um beijo. Segura a filha com um braço só, e me estende a mão livre.
— Sempre bom ouvir você falando. – É o que me diz.
— Verdade. – Seu clone concorda.
— Agora vamos comer pizza, antes que Killian e sua nova melhor amiga, comam tudo e nos deixem sem nada. – Ela me puxa pela mão.
— Desde quando eles são assim amigos? – Lhe questiono.
— Se conheceram no evento do hotel, na verdade, tomaram todas juntos e desde ontem isso. – Me conta.
— Ciúmes? – Questiono com ela.
— Ciúmes eu só tenho de você, Srta. Mills. – Sua resposta me faz sorrir.
Penso em falar alguma graça, mas além de Janis estar atentíssima na nossa conversa, alcançamos a sala onde os dois desagradáveis estão. Sentados no chão, usando a mesa de centro como mesa de refeição, cada um com seu pedaço de pizza.
— Então irmã, preciso ouvir a resposta sobre você ser sapatão. – Zelena quem começa.
— Bem-vinda ao lado escuro da força, mana!!! – É a vez de Killian. – Aliás, adorei a roupa de semi-caminhoneira que você pegou emprestada de Emma. – Aponta para as roupas que uso.
— Ouça. – Zelena larga sua pizza na caixa, limpa as mãos e a boca em um guardanapo e me encara. – Nós fizemos uma música para você. – Cutuca as costelas de Killian, que agora de boca cheia, apenas levanta o polegar, confirmando tal coisa.
— Eu não quero ouvir. – É a resposta que dou.
— Por que não? – Janis me questiona.
— Eu estou curiosa sobre. – Emma continua. Lhe olho atravessado e tento soltar minha mão dá dela, mas ela segura firme.
— Pronto, estou pronta! – Killian avisa, enquanto lambe os dedos. Troca um olhar de cumplicidade com Zelena, que por algum motivo ri. – Vamos? – Ela afirma. – Um, dois, três e...
— Regina sapatão, sapatão, sapatão, de dia é Regina, de noite é Reginão. – O verso é repetido três vezes. No final, eles mesmos se aplaudem. Janis acha graça. Emma visivelmente se contorce para não rir. Killian agradece e me manda beijo. Zelena aponta para minha cara e gargalha.
Lanço um olhar mortal para os dois, enquanto desejo pular por cima dessa mesa de centro e estapeá-los até a morte, porém contendo a minha vontade, solto minha mão da mão da minha “namoradinha” traidora e vou até os dois, que de repente, ficam sérios, como medo do que a Regina Reginão pode fazer.
Os ignoro, faço de conta que não existem e sento-me na ponta da mesa. Jogo as pernas para cima das de Zelena, puxo a caixa de pizza e me sirvo de um pedaço de Pepperoni.
— Você não vai falar nada? – Minha amada irmã pergunta. Tiro os olhos da pizza, e lanço um olhar furioso para ela.
— Mais cedo ou mais tarde, você vai precisar de mim. – É o que lhe falo.
— Para com isso, irmã! Foi engraçado, vai! – Minha cara de quem não achou nenhum tipo de graça, faz o sorriso dela desmanchar. – Engraçadinho? – Tenta de novo. – Meio engraçado? – A ignoro e resolvo comer. – Nada engraçado?
— Nada engraçado. – Emma resolve agora ficar do meu lado.
— Falsa! – Killian a acusa. – Você ainda está segurando para não rir. – Falsa mesmo.
A “falsa” vem até nós, coloca Janis no chão e senta-se no meu outro lado, de frente para Zelena.
— Okay, a música foi engraçada, mas parem de pegar no pé dela. – Pede e dessa vez, fala sério. – Não é como se ela fosse lésbica, ou bissexual desde sempre. É novo para ela, ou seja, ainda está acontecendo todo um processo de aceitação. – Explica. – Então se vocês cantarem isso daqui alguns meses, ela vai rir e provavelmente talvez até cante junto. Talvez chame vocês para dar uma volta no nosso caminhão, mas agora não é o momento. – De repente, todos prestam atenção nela, e não fazem nenhuma gracinha ou comentário idiota a respeito.
— Desculpa viado, não era minha intenção chateá-la. – Killian me chateia só de respirar perto de mim, mas Okay, como algo me diz que conviveremos muito, então aceito suas desculpas.
— Eu também não. – Zelena toca minha mão. – Só achei toda a situação engraçada. Mas Swan, Emma Swan, está certa no que disse. – Desculpa-se.
— Eu não entendi foi nada. – O comentário de Janis é o responsável por fazer rir até o leão sem dentes que vos fala. – Mas desculpa se eu deixei você triste por ter falado sapatão. Não vou mais falar essa palavra. – Mesmo sem entender, me promete tal coisa e me faz sorrir.
— Muito bem... – Coço a garganta e desisto momentaneamente da pizza. – Para que não precisemos mais voltar ao assunto... – Suspiro. — Eu sou, ou eu estou sapatão, caminhoneira, lésbica, bissexual, ou qualquer outro termo que vocês queiram usar. – Admito em alto e bom som, quase pausadamente, para que não haja dúvidas. – Pronto? Satisfeitos? – Questiono. — Agora que estão todos cientes, que está tudo bem esclarecido, nós podemos falar sobre outra coisa? – Peço educadamente.
— Depois prove essa pizza de frango com barbecue, está deliciosa. – Zelena sugere, acatando assim o meu pedido educado.
— Vou buscar vinho e mais suco, precisamos brindar a esse squad que se forma hoje. – Você sabe que sua vida não vai bem, quando é incluída no mesmo squad de Killian.
— Me diz que você não está bebendo vinho, nem nada que contenha álcool. – Peço a Zelena.
— Não estou. Estou bebendo suco de uva. – Me oferece seu copo, para que eu prove. Bom, mesmo querendo acreditar nela, seu histórico sobre mentiras que já me falou para tomar algo alcoólico, não me deixa fazer isso. Então eu pego e provo.
— Muito bem, continue assim. – Incentivo ao devolver-lhe o copo.
— Você também. – Ela me sorri. – Você não sabe o quão feliz estou, em vê-la de volta, como você costumava ser, irmã. – Retribuo seu sorriso e suspiro.
— Agora vamos resgatar você. – Afirmo a ela.
— Seremos duas sobreviventes. – Não sei se é um desejo ou uma promessa, mas mesmo assim, resolvo concordar.
— Seremos duas sobreviventes. – Repito.
— Por que seu cabelo também não é vermelho? – Janis ganha a nossa atenção. – Ou o seu também não é preto? – Vejo que continua curiosa com o fato de Zelena e eu, sermos irmãs.
— Então... a nossa avó, mãe da nossa mãe, também era ruiva, assim como eu... – Zelena começa a explicação. O pé de Emma cutucando o meu, não deixa que eu continue prestando atenção em tal coisa.
Lady Gaga — Always Remember Us This Way
Ao lhe olhar, vejo que está sorrindo para mim, um dos seus sorrisos cafajestes, de quando quer me conquistar ou se redimir. Com o indicador, ela me chama e se aproxima. Mesmo sem ter certeza se merece, também aproximo meu rosto.
— O que foi, Srta. Swan? – Lhe questiono.
— Você não está de bico comigo, está? – Pergunta, enquanto seus olhos de cão perdido na mudança, me olham.
— Não sei, eu deveria? – Faço pensar sobre.
— Claro que não. – Fala prontamente. – Se tem uma coisa que você deveria, essa coisa é fugir comigo mais tarde. – Sua sugestão me faz arquear uma sobrancelha.
— Fugir com você para onde? – Questiono.
— Segredo. Mas posso adiantar que vai ter só eu, você, uma ou duas garrafas de vinho, música, e algo como uma pista de dança e um sofá. – Praticamente sussurra tais coisas.
— Está querendo me seduzir, Srta. Swan? – Volto a arquear uma sobrancelha.
— Estou querendo muitas coisas com você, seduzir com certeza é uma delas. – Me arranca um meio sorriso.
— E Janis? – Indago.
— Fugimos depois que ela dormir, então a deixamos com Killian e Zelena. – Ainda bem que estará dormindo, é mais seguro assim. Bom, a verdade é que gostaria de jantar, tomar um banho, escovar os dentes e dormir. Estou precisando dormir. Por outro lado, como negar um convite desses?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Okay. – Minha aceitação a faz sorrir largo.
— Agora tem outra coisa que eu acho que você deveria... – Seu tom de voz volta ao volume normal. — Sabe o quê? – Nego com a cabeça. — Me me encher de beijos. – Além de me fazer rolar os olhos, também me faz sorrir.
— Contente-se com pizza. – Levo meu pedaço até a boca dela, que aceita sem reclamar. Com a mão livre, pego o guardanapo e limpo os cantos da sua boca. Solta um suspiro de satisfação enquanto mastiga. Acho graça do quanto parece satisfeita.
— Está bom? – Afirma com a cabeça. E com a mão, faz sinal pedindo para que eu espere ela acabar de mastigar.
— Eu amo essa pizza! – É a primeira coisa que me fala. – Está muito deliciosa. – Continua. – Só não é mais deliciosa do que vo... – Antes de possa terminar a frase, levo meu indicador a sua boca, pedindo para que se cale. Com os olhos, aponto para sua filha que mesmo estando de papo com Zelena, está de olho em nós. Emma ri, e sem que eu espere, põe fim a distância que havia entre nós. Beija minha boca junto com meu dedo, que está entre nossos lábios.
— Contenha-se, Srta. Swan! – Falo o que eu tenho que lhe falar de hora em hora.
— Desculpa. – Pede ao afastar-se, não sem antes, voltar a juntar os lábios aos meus.
— Você é mesmo impossível. – Para não correr o risco de mais uma vez ser beijada, faço com que dê outra mordida na pizza assim mantendo a boca cheia.
Bom, beijar ela não pode, mas pode me abraça, e é o que faz. Me puxa para seus braços, quase fazendo com que meus pés que estavam debaixo da mesa de centro, trouxessem a mesma junto. – Emma!!! – Reclamo com ela. – Agora meu pedaço de pizza está com cabelos. E seus cabelos estão com pizza. – Continuo reclamando. – Impossível é pouco para você! – Minha bronca a faz rir.
— Meu Deus! Eu estou tão feliz. – Expressa tal coisa sem me largar. – Eu nunca pensei que pudesse me sentir tão feliz desse jeito. – Continua compartilhando sua felicidade. – Quando você se zangar comigo, ou pensar em desistir, ou tiver pensamentos um tanto quanto suicidas, ou qualquer outra paranoia que eu sei que você pensa, lembre-se de momentos assim. Lembre-se do final do dia de hoje, mesmo que o começo dele, não tenha sido fácil. – Continua. — Lembre-se da última noite do ano, e do primeiro dia dele. Lembre-se do Empire State só nosso. Lembre-se de nós assim, leves, apaixonadas, felizes. Lembre-se e lute, Srta. Mills. Lute por nós, pelo nosso futuro, por mais momentos como esses. Lembre-se e lute, apenas faça isso.
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