Right Here Waiting For You
17 The Heart Wants What It Wants
Notas iniciais
Eu a odeio. Odeio seu ar de superior; odeio seu sotaque nova-iorquino carregado; odeio sua arrogância; odeio sua falta de interesse pelas pessoas; odeio o desprezo como trata as mesmas; odeio seu mau humor; odeio a sua indiferença; odeio seu tom sempre sério; odeio o modo como vive e o mundo em que vive. Odeio! Odeio! Mas em meio a tanto ódio, também existe esses sentimentos, todas essas coisas que me fazem ser idiota, boba por ela. Então muito provavelmente, eu também a amo.
Nunca amei ninguém antes, não sei exatamente como é isso, muito menos porque infelizmente acontece, mas quando olho para ela, todos os sentimentos e emoções que o ato me causa, me fazem concluir que sim, eu a amo. E ama-la dói. Amar dói. O amor dói. Não ser correspondida dói ainda mais.
Ter a pessoa fisicamente perto, e todo o resto a milhas e milhas distantes. Vê-la diariamente, esperar por pelo menos um "oi", um aceno de cabeça, talvez um sorriso, mas não ganhar absolutamente nada. Ser ignorada dia após dia e mesmo assim ainda cultivar uma esperança boba de voltar a ser pelo menos notada. Todas essas coisas, elas doem na alma, machucam fundo, e tudo que posso fazer é torcer para cicatrizar o quanto antes.
Já tentei tanto esquecer, pensar em outras coisas, me distrair coma a TV, com músicas, com um livro, com trabalhos da faculdade, com sexo, mas de algum jeito irritante, ela sempre acaba infiltrada em todos os meus pensamentos, e aí o que quer que eu esteja fazendo, eu perco a vontade de fazer.
Vocês já pararam para pensar na grande merda que é gostar de alguém? De repente a gente não é mais a gente. Vira essa coisa, essa angustia, essa máquina de sofrer. Tudo nos joga para baixo, até coisas banais, como uma propaganda de shampoo. Parece que foi tudo feito para você, para aquela ocasião, para o seu sofrimento e aí para tentar sofrer menos, você se esconde até das canções e da TV, passa a ignorar, a não assistir e não ouvir e não viver.
Durante esses dias, eu tenho me perguntado, como eu me tornei essa eu sofredora? Onde diabos foi parar meu amor próprio? Eu estou tão na merda, que não consigo nem pensar que um dia eu já o tive. Provavelmente pegou carona na bolsa daquela mulher, e foi embora junto com ela.
Gostaria muito de saber quando essa dor vai passar, quando eu vou conseguir juntar todos os meus cacos, cola-los e voltar a ser eu? Quando vai pelo menos, doer menos?
— Quanto você quer pelos seus pensamentos? — Os braços de Tinker, me abraçam por trás, enquanto estou de pé, parada em frente a grande parede de vidro, olhando a cidade lá fora.
— Eles não têm preço. — Respondo ao me voltar para ela. Veste um vestido preto longo e todo rendado. O forro nude, as mangas longas, e um pequeno detalhe preto na cintura, parecendo um cinto. Tem os cabelos presos em um coque bagunçado, os olhos bem marcados, batom nude nos lábios. Ela é tão bonita, engraçada, divertida, bem resolvida, me pergunto por que diabos não poderia ter me apaixonado por ela, ao invés de me apaixonar pela amiga problemática dela? O coração é mesmo um grande idiota que gosta de sofrer, essa é a resposta. — Você está linda. — Meu elogio arranca dela um sorriso de orelha a orelha.
— Obrigada, Srta. — Traz sua boca de encontro a minha, mas parece lembrar que estamos de batom, então recua. — Ops! – Sua onomatopeia nos faz rir. — Você também está muito bonita, Srta. Swan. — Tenho vontade de rolar os olhos para sempre ao ouvi-la me chamar assim, por motivos óbvios. — Só em você coisas sem graça como saia e camisa social, e um paletó, ficam maravilhosamente lindos e sexys.
— A gravata laço e os saltos dão um charme. — Ela sorri.
— Seu rosto maravilhoso é quem dá um charme. Um não, muitos. — Seu exagero me faz rir. — Então, o que quer em troca dos seus pensamentos? — Volta ao assunto.
— Não quero trocar, curiosa. — Cutuco meu indicador em seu nariz.
— É alguma coisa com a sua filha? — Nego com a cabeça. — No trabalho? — Volto a negar. — Faculdade? — Nego de novo. — Garotas? — O tom enciumado com o qual fala a palavra, me deixa preocupada. Por que algo me diz que não vai ser simples me desfazer de Tinker?
— Também não. — Minto. — Meu problema no momento, é esse evento. Tem certeza mesmo que preciso ir a ele? — Regina estará lá, e segundo Tinker, seu noivo idiota também. Não quero presenciar tal coisa, e se os dois se beijarem? Não sei se meus olhos aguentam tanto sem se expressarem através de lágrimas. – Poderíamos ficar, trocar esse evento por sexo. – Sugiro e por alguns segundos, ela pondera.
— É uma proposta para lá de tentadora. – Começa, mas tenho certeza que não vai concordar. – Porém, tenho certeza absoluta de que iremos. Afinal, o evento é praticamente uma apresentação pública da minha namorada, que por um acaso é você. — Fala com orgulho, como se fosse algo real. — Além do mais, teremos infinitas garrafas da sua espumante preferida, Veuve Clicquot. — Não, nem que eu fosse dona da Veuve Clicquot, eu me animaria para ir a tal evento. — Ellen Page, estará presente. Cara Delevingne, estará presente. Jodie Foster, estará presente. Ellen DeGeneres além de estar presente, fará um discurso. É praticamente uma festa do Vale, você não pode mesmo não estar empolgada. – A verdade é que se pudesse, eu fugiria sem ao menos olhar para trás.
— Toda a elite chata de Las Vegas, também estará presente. Com certeza a de Nova York também. Entre outras, como Londres. – Reclamo.
— São chatos mesmo, preciso concordar com você. Mas hoje farão uma boa ação. Todo o dinheiro doado por eles, será destinado a uma instituição que recebe gays, lésbicas, trans, que são expulsos de casa pela família. – Okay, a causa é boa, mas Regina e seu noivo, continuarão presente no evento, então olho para Tinker com cara de puro desanimo, o que a faz me rolar os olhos. — Pelo amor de Deus, você está andando muito com Regina, está pegando dela a falta de vontade para as coisas. — O nome Regina faz meu estômago embrulhar.
— Ela também não quer ir ao evento? — É mais forte que eu, as palavras simplesmente saem da minha boca.
— Ela também não que ir. — Responde. — Mas pelo menos ela, tem uma desculpa, também conhecida como asma. — Muito embora não devesse me preocupar, a informação me deixa inquieta.
— Está muito ruim? — Questiono.
— Teve uma crise, passou a noite no hospital. — Meu coração bate mais forte ao ouvir tal coisa. Penso em pegar meu celular, mandar uma mensagem para ela, perguntar como está, mas lembro que ela me bloqueou no aplicativo de mensagens instantâneas — Vocês não têm se falado? — Tinker questiona.
— Quase não falamos essa semana. — Esse quase não existe, mas sei que preciso dar uma disfarçada. — Você sabe como é sua amiga, muda de humor conforme as fases da lua. — Minha resposta a faz rir.
— Sei como é, mas dessa vez eu entendo ela. Aposto que ela passou a semana, pensando no encontro com Cora. – Ao ouvir o nome da mulher, resolvo entrar no assunto.
— Ela é tão ruim assim? — Tinker balança a cabeça muitas vezes em afirmativo.
— Você não tem noção do quanto. Ela é má, mesquinha e cruel. — O jeito como fala essas coisas, acaba fazendo os pelos dos meus braços eriçarem. — Ela é perigosa, mantenha-se afastada dela, se der de cara com ela, a cumprimente, e só. – Acho que nunca vi Tinker usar um tom tão sério, parece bastante preocupada comigo.
— Por que senão ela vai me prender no calabouço? — Tento fazer piada, mas Tinker permanece séria.
— Porque senão ela pode te envolver em um acidente de trânsito. Seu corpo pode ficar tão em mutilado, que nem seu caixão vai poder ser aberto para sua família. — Meu corpo fica rígido com o que acabo de ouvir. Pelo que já ouvi falar sobre a mulher, concluí que ela não é nenhuma pessoa acessível, mas pelo que entendi, Tinker deixou subentendido que é muito mais grave do que isso.
— Estamos falando hipoteticamente, certo? — O jeito como me olha me diz que não, que não é hipotético. Até abre a boca para me responder, mas somos interrompidas por três batidas na porta. Antes que a pessoa seja convidada a entrar, ela já faz isso.
Ruiva, alta, corpo esbelto, olhos claros, traz um sorriso no rosto e um ar despreocupado. Bom, não a conheço, mas não preciso que me apresentem, sei de quem se trata. Desde que comecei a trabalhar no Bellagio, e a me "envolver" com Regina, comecei a pesquisar sobre a família dela, e preciso agradecer ao Google pelas várias fotos que tenho de Regina em vestidos de festa. Enfim, essa que acaba de invadir o quarto de Tinker, é Zelena, a irmã mais nova da Srta. Mills.
— Bom dia, boa tarde, boa noite, como estamos em Vegas, eu não sei que horas são. — Acho graça da idiotice que fala, e do jeito acelerado como fala. — Desculpa interromper e ir entrando, mas mamãe está um pouco irritada, e você sabe como ela fica quando está assim. — Fala diretamente com Tinker.
— Não me diga que Regina sumiu? — Ela ri e nega.
— Não, ela está na coleira, os remédios a deixam menos rebelde. – Regina é regrada, sistemática, comprometida, chata, mas juro que não a consigo imaginar em uma “coleira”.
— Ela está melhor? — De novo, eu e minha boca grande. Minha pergunta chama a atenção da mulher para mim, ela me sorri amigavelmente e vem em minha direção.
— Como ela está perto da nossa mãe, mentiria se dissesse que ela está bem, mas da asma, melhorou sim, obrigada. — Tem o mesmo sotaque carregado da irmã. — Desculpe minha falta de educação em não me apresentar. — Para em minha frente e continua me sorrindo. — Eu sou Zelena, irmã de Regina, filha de Cora, conhecida dessa ali... — Aponta para Tinker, e a faz rir. — E um pouco dona dessa porra toda. — Okay, talvez eu a fosse achar um pouco esnobe, se não estivesse a achando engraçada. — Você deve ser Emma. — Confirmo.
— Swan, Emma Swan. — Lhe estendo a mão.
— Gostei desse Swan, Emma Swan, no estilo Bond, James Bond. — Bom, ela ignora minha mão e resolve me abraçar, me deixando momentaneamente surpresa. Nova-iorquinos não gostam disso, certo? Abraços? Regina Mills é uma prova viva disso. Provavelmente sua irmã deve ter vindo com defeito de fabricação, ou foi adotada. Muito sem graça, dou tapinha nas costas dela, enquanto a espero me soltar. — É um prazer finalmente conhece-la, Swan, Emma Swan. — Fala ao se desfazer do abraço.
— Tem certeza mesmo que você e Regina são mesmo irmãs? – Faz cara de lamento.
— Absoluta. Não tem jeito, vou ter que dividir a herança. — De novo ela me faz rir. — Regina herdou a rabugice, provavelmente da mamãe. Eu fiquei com as bobagens do papai. — Zelena já me contou mais coisas em um minuto, do que a irmã dela me contou em dias. — Mas ela é legal. — Faz pensar sobre o assunto. — Pelo menos é assim que gosto de pensar. – Continuo achando graça.
— Gostei de você. — Compartilho com ela meu pensamento.
— Eu sei, costumo causar esse sentimento nas pessoas. — Pisca para mim e me sorri.
— Estou de olho em vocês duas. — Prefiro acreditar apenas na possibilidade de Tinker estar fingindo ciúmes.
— Fique tranquila, por enquanto ainda não comecei a me interessar por mulheres. — Responde a Zelena. — Mas caso aconteça, Swan, Emma Swan, eu vou tentar ter um lance com você, você é muito bonita, cheirosa, e parece simpática. — Ganha um tapa de Zelena, enquanto a abraça.
— Me liga, gata. — Entro na brincadeira.
— Parem com isso, deixem para falar sobre quando eu não estiver presente. — Graças ao bom Deus, percebo que Tinker está mesmo só brincando.
— Delicia, você sabe que meu coração é grande, tem lugar para todas. – Isso era uma verdade, então Regina apareceu e aconteceu, e transformou meu coração em uma coisa patética.
— Cafajeste! — Zelena me acusa. Estamos rindo, quando de novo, três batidas na porta nos interrompem.
Assim como da primeira vez, a pessoa entra sem ser convidada, o problema é que eu não estava preparada para essa pessoa. Instantaneamente o cheiro do seu perfume, invade minhas narinas, sua presença parece entrar pela minha corrente sanguínea. Meu coração vai a loucura, minhas pernas fraquejam, e meu estômago embrulha. Por fora tento me conter e me mostrar apática, mas por dentro, por dentro estou eufórica, inquieta, como um drogado que acaba de injetar a droga de que tanto precisa.
Tenho medo que além disso tudo, meu queixo esteja caído. Ainda não estava preparada para vê-la, a verdade é que nunca estou preparada para isso, mas estava ainda menos preparada para vê-la em um vestido de festa, toda produzida, invadindo o quarto que já é praticamente meu também.
Seu vestido também é longo, também é preto, e também tem renda. Mas ao contrário do de Tinker, a aplicação da renda é apenas na parte de cima, ele não tem magas, e tem um decote lindo. Não sei o que está calçando, já que seu vestido longo me impossibilita de ver tal coisa, mas sei que são saltos muito altos. Seus cabelos estão revoltos, jogados para um lado só. Pouca maquiagem na parte dos olhos, e um batom vermelho, só que mais escuro nos lábios.
Por milésimos de segundos, seus olhos param em mim, e então acontece o que tem acontecido nessa última semana, ela me ignora, faz de conta que sou nada, ninguém, finge que não estou aqui e volta-se para Tinker e Zelena.
— Cora quer matar você, Zelena. — Que saudades que eu estava de ouvir essa voz. — E quer matar você duas vezes, Tinker. — Continua.
— Estava aqui conhecendo a sedutora Swan, Emma Swan, acabei esquecendo do que vim fazer. — Ao ouvir meu nome, ela volta a olhar para mim e então, de novo me ignora.
— Você quem a estava seduzindo. — Tinker me defende.
— Qual a parte do "me liga, gata", e "meu coração é grande", que você não ouviu? – A ruiva a questiona.
— Tem um evento para acontecer lá fora, evento dado pelo nosso hotel, como nosso nome, nossa marca, envolvidos, e vocês estão aqui jogando conversa fora? — Regina Mills está possessa, o que no momento não afeta ninguém.
— Se você quiser participar desse evento, Zangada, sugiro que não se estresse, sua asma, não a alimente. — Mesmo rindo, Zelena dá a entender que está falando sério.
— Tinker, onde está Ellen DeGeneres? — Ignora a irmã e se volta para a amiga.
— Emma, veja se Ellen está no bolso do seu paletó. — A graça que faz, faz com que a veia de alerta, na testa de Regina, se mostre.
— Não me envolva nessa brincadeira. — Peço. Dou as costas para elas, jogo as mãos para dentro dos bolsos do paletó e volto a olhar para cidade lá fora, além de ser mais seguro assim, é um jeito de eu não vê-la me ignorando.
— Acho que ela está atrás do nariz. — Zelena murmura.
— Em cima dos pés. — Tinker continua.
— Dentro das roupas. — Sei que Regina vai explodir e acho que deveria temer pelas duas, mas confesso que estou rindo do que falam.
— No planeta terra.
— Estados Unidos da América.
— Provavelmente, Las Vegas.
— Bellagio, talvez?
— Eu odeio vocês! Odeio Las Vegas! Odeio esse lugar! Odeio minha vida. – Regina Mills vocifera. — Ao contrário de vocês, não estou me divertindo, não estou aqui porque quero, não estou aqui para piadas. Eu odeio isso tudo, odeio. — Sua voz se torna ainda mais alta.
— Calma, Regina, só estamos descontraindo. — Tinker tenta acalmar a amiga rabugenta.
— Calma? Você quer que eu fique calma? Desde que Cora chegou, tem um maldito segurança no meu pé, ele vai atrás de mim, onde quer que eu vá. Está ali fora, em frente a porta, me esperando, junto ao seu. — Aponta para a irmã. — Eu ganhei alta do hospital, porque sua mãe... – Volta a apontar para Zelena. — Forçou o hospital a tal coisa. – Continua. — Eu cheguei ao quarto desse hotel, já tinham quatro pessoas esperando por mim. Cora está no meu ouvido o dia todo, para saber de Ellen, e seu discurso, que provavelmente para minha mãe, estará gay demais. – Faz uma pausa para respirar. — E eu não sei sobre isso, não foi eu quem a contratou, eu não faço ideia de onde ela possa estar, não faço ideia do maldito discurso. Então não, eu não estou calma, eu não quero ficar calma. Eu só quero voltar pra Nova York, entrar na minha casa e não sair de lá nunca mais. — Percebo pela sua voz cansada, e o jeito como as palavras saem, que algo não está certo, tal coisa me faz de voltar para ela.
— Ela está ficando sem ar. — Falo ao ver que ela parece respirar com dificuldade.
— Okay, fique calma Regina. — Tinker tenta tranquiliza-la. — Fique aqui, tire uns minutos de folga da sua mãe e todas as coisas que ela lhe proporciona. Enquanto isso Zelena vai até seu quarto buscar seu broncodilatador, e eu vou até lá falar com Cora. — Tinker aponta para mim, parece um pouco preocupada. — Fique com ela, faça companhia e se precisar, a faça respirar. — Eu? Não, eu não! Queria dizer que preferia ir falar com a tal Cora, mas não tenho tempo para isso, elas já estão saindo.
Trocamos um breve olhar, como não quero ser ignorada, resolvo ficar na minha, em silêncio, apenas fazendo o que me foi ordenado. Com os olhos, acompanho o caminhar perfeito dela até o sofá, onde senta-se. Fecha os olhos, e tenta respirar fundo. Faz aquilo algumas vezes. Leva a mão até o peito, aparentemente sentindo dor lá.
Penso em perguntar se está tudo bem, mas nesse momento, talvez meu orgulho ferido esteja dando as caras, e talvez também, ele seja maior do que a minha preocupação, então resolvo que devo continuar em silêncio. Vejo que aparentemente ela está mais calma, então lhe dou as costas e volto a olhar pela vidraça.
Balanço a cabeça negativamente, pensando em como a vida muda rapidamente. Há um mês, eu era só alguém com quem Tinker, se divertia, por isso as vezes frequentava os lugares nada humildes que ela frequenta. Agora estou aqui, envolvida nisso tudo, "namorando" uma bilionária; vestindo roupas de grife que eu trabalharia o ano inteiro para poder pagar; sendo convidada para um evento importante da alta sociedade, recheada de gente importante; apaixonada por outra bilionária que é amiga da minha Pseudo namorada e que não quer absolutamente nada comigo.
Se tivesse um jeito de desfazer tudo, nesse momento eu estaria jogada no sofá de casa, assistindo alguma coisa na TV com Janis, e sendo a velha Emma que era, antes de me apaixonar e me envolver. Sei que aqui não é o meu lugar, assim como sei também, que se não tivesse conhecido Regina, jamais teria aceitado ser namorada de Tinker.
— Você está bem? — Meu corpo volta a entrar em colapso, quando ouço a voz dela dirigindo-se a mim. Por um breve momento, penso em me aproximar, responder, perguntar, ser a idiota que sempre fui quando se trata dela, mas graças ao bom Deus, meu orgulho ferido continua falando mais alto.
— Voltou a perceber que eu existo e resolveu parar de me ignorar? — Questiono sem nem um pingo de emoção na voz, sem me dar ao trabalho de me voltar para ela.
— Srta. Swan... — Ela tenta começar, mas eu não deixo, não quero ouvir.
— Ouça, nós não precisamos fazer isso, Regina. — E daí que ela não quer que eu a chame pelo primeiro nome? Cansei de fazer suas vontades. — Você não precisa falar comigo, só porque por uma infelicidade, acabou ficando sozinha comigo nesse quarto. Faça o que você sabe fazer de melhor, continue me ignorando. — Lágrimas idiotas param nos meus olhos, e tenho que me esforçar para conseguir represa-las e conte-las.
— Certo. — Sua reposta talvez tenha soado um pouco triste, mas só serve para me irritar. Certo, certo. Certo é mesmo tudo que me responderá? Penso em falar algumas verdades para ela. Falar sobre come me senti quando ela saiu lá de casa. Falar sobre o quanto suas palavras me magoaram e continuam magoando dia após dia, sempre que recordo. Falar o quanto tudo isso dói, o quão quebrada me sinto. Porém meus pensamentos são interrompidos por uma crise de tosse que ela tem. Ela tosse, tosse, tosse, faz um barulho estranho para tentar respirar, e tosse mais um pouco. Lembro que Tinker me mandou faze-la respirar caso fosse preciso, e gosto de pensar que somente por esse motivo, saio do lugar onde estou e vou até ela, paro em sua frente, agacho e toco suas pernas.
— Respire. — Me preocupo um pouco ao perceber o quanto lhe parece faltar o ar. — Devagar, tente ficar calma, e apenas se concentre em fazer isso, respire. — Ela fecha os olhos, e talvez para não morrer por falta de ar, faz o que lhe peço. Percebo o quanto o simples ato de respirar, parece difícil para ela nesse momento. A olhando assim, parece frágil, abalada, cansada. De jeito nenhum parece a inabalável e insensível Regina Mills. — Continue assim, está melhorando. – A incentivo, aperto seus joelhos e tento levantar dali, mas minhas mãos são agarradas pelas dela, me surpreendendo e me fazendo desistir de me afastar. Ela abre os olhos, os para nos meus, e de novo me olha daquele jeito estranho que eu não consigo decifrar.
— Fique aqui. — Seu pedido me surpreende. — Por favor. — Mas seu "por favor" me surpreende ainda mais. Meu coração está tentando convencer meu cérebro que aquilo é um gesto de carinho, talvez? Mas meu cérebro manda o idiota calar a boca.
— Okay. — É tudo que lhe respondo. Minhas mãos continuam sendo agarradas pelas mãos frias dela. Com o intuito de aquece-las, esfrego as minhas sobre as dela. — Está com frio? — Nega com a cabeça.
— Só nervosa. — Conta. — Eu odeio tudo isso, só queria estar em casa, jogada no sofá, assistindo TV. — Sua confissão me surpreende. Como assim ela queria estar fazendo o mesmo que eu? Que tipo de bruxaria era aquela?
— Você lê mentes? — Minha pergunta a faz franzir o cenho.
— Eu gostaria. — Me responde.
— Eu também. — Confesso. Me dá um meio sorriso. Está triste, é visível. Muito provavelmente não dormiu direito a noite, e ainda foi forçada a sair do hospital, e sabe-se mais o que, sua mãe lhe proporcionou no dia de hoje. Talvez, apesar de todo o dinheiro que tem, não seja nem um pouco fácil ser ela. – Problemas no paraíso? – A questiono.
— Você não faz ideia de quantos. – É o que me responde.
— Quer dar o fora daqui?
— Você tem um tapete mágico e voador? — Faz pouco caso.
— Você quer ou não quer? — Insisto no assunto.
— Gostaria, Srta. Swan, mas não vejo como. Tem um segurança esperando por mim ali fora. – Reclama comigo.
— Vou perguntar de novo, você quer sair desse lugar? Não comparecer a essa festa? – Fixa os olhos nos meus, antes de me responder.
— E para onde iríamos? — A droga do meu coração, volta a bater forte quando ela me inclui nesse plano fuga e de novo, tenta convencer meu cérebro, que já se sente momentaneamente abalado.
— Está me convidando para ir com você? – Minha pergunta parece a deixar sem graça.
— Não. – Para minha infelicidade é o que responde. – Quer dizer, imaginei que você estaria inclusa nesse plano. – Nego. Muito embora tenha sim vontade de fazer parte desse plano, não posso, não devo e ela não merece. Mas talvez se pedisse com carinho, eu pudesse pensar melhor no assunto.
— Eu, para o evento. O Vale homossexual estará lá essa noite, e bom, o combinado sempre foi esse, certo? Me apresentar como namorada oficial de Tinker, nesse evento? — Ela balança a cabeça afirmando. — Você, para um lugar onde sua mãe e os seguranças dela, não te encontrarão. Nesse lugar tem um sofá e uma TV. Talvez até um pote de sorvete no congelador. — Parece pensa sobre o assunto, enquanto me olha com desconfiança. – Tudo isso com um bônus de paz e tranquilidade, logo ali, esperando por você. – Tento incentiva-la.
— E o que pretende fazer com o segurança que está ali fora? Hipnotiza-lo? — Sua talvez tentativa de piada, me faz esboçar um sorriso.
— Sim, ou não? Não temos muito tempo. — Pelo jeito como me olha, parece bastante tentada a aceitar.
— Como vou fazer para ir embora do seu esconderijo depois? – Quer saber.
— Peço para alguém te deixar em casa. — Por algum motivo, parece decepcionada com a resposta.
— Você não pode fazer isso? — Agora parece envergonhada. Desvia os olhos, depois de tal pedido. Eu? Por dentro estou sambando, sorrindo e acenando. Não sei exatamente o que isso significa, mas eu sou trouxa, idiota, iludida, então penso que é algo bom.
— Você quer que eu vá te buscar? — Eita, porra! Confesso que não estou entendendo merda nenhuma, mas estou gostando. Ela me dá de ombros.
— Você poderia me contar o que aconteceu no evento e tal. – Pelo jeito como fala, e como olha para longe, tenho quase certeza que me deu uma desculpa, mas e daí? Seu pedido me surpreendeu tanto, que resolvo mandar meu orgulho ferido calar a boca e aceitar.
— Okay, eu busco você. Te conto sobre tudo que aconteceu no evento. Sobre cada gafe que um dos seus amigos bilionários cometer. Sobre quantas garrafas de Veuve Clicquot, tomei. E sobre quão gay foi o discurso da Ellen. – Ela me sorri abertamente. Embora ainda não respire bem, parece muito mais calma e tranquila.
— Eu gostaria disso, mas eu não posso. — Rolo os meus olhos ao ouvir tal coisa, solto as mãos dela e me ponho de pé. Tiro o celular do bolso do paletó e chamo meu tapete voador, que no primeiro toque, já atende.
— Viado, eu estou morta com a decoração dessa festa. E as bebidas? E os canapés? Que arraso!!! Quero ser assim rica e plena para todo o sempre. — É desse jeitinho que Killian me atende.
— Mudanças de plano, viado. Eu preciso da sua ajuda. — Aviso.
— O que aconteceu? Você matou alguém? E não poderia ter matado mais tarde? — Lhe rolo os olhos.
— Não posso explicar, tenho que ser rápida. Espere na saída dos fundos do hotel, Regina vai estar lá, pegue ela, e a leve para o seu lugar.
— O QUÊ? – É escandaloso. — Que tipo de tóxico você andou usando? Desde quando eu tiraria meu pompom desse lugar maravilho, com homens maravilhosos, muita testosterona, muito cheiro de macho, para levar Regina a algum lugar? Principalmente para a MINHA casa? – Drama, provavelmente Killian inventou o drama. – Aliás, você lembra que está na fossa por culpa dessa mulher?
— Desde quando seu pompom só está nesse lugar maravilhoso, com homens maravilhosos, com muita testosterona rolando solta, porque eu te consegui um convite. – Respondo sem paciência. – E esse evento, é de ninguém mais, ninguém menos que Regina Mills. – Continuo. — Então se você quiser voltar para essa festa, para esses homens, faça o que eu estou mandando. Sem perguntas, apenas faça. Você tem exatos cinco minutos. – Aviso.
— CINCO MINUTOS? Você está louca? Querida, nem que eu fosse aquele Bolt das pernas compridas e cheirosas. Já viu o tamanho desse hotel? Desde quando alguém consegue chegar em algum lugar nele em apenas cinco minutos? – Rolo os olhos.
— Apenas faça, Killian, dê seu jeito. Ou essa será a última festa maravilhosa, que seu pompom frequentará. — Desligo o telefone e me volto para Regina, que parece surpresa. — O quê? — Questiono.
— Você até que sabe mandar e ser firme. — Abro minha boca para responder que ela precisa ver o quanto sei mandar e ser firme na cama, mas acho que não temos mais intimidade para isso, então não falo nada. — Srta. Swan, eu agradeço seu esforço, mas não vai dar certo. Vou pôr você e seu amigo em risco. Então ligue para ele e cancele. — Nego com a cabeça.
— Tarde demais, agora vamos até o fim. — Deite-se nesse sofá. — Mando e como não sou obedecida, faço com que ela se deite, o que a faz me rolar os olhos e me olhar com cara de poucos amigos. — Okay, agora tussa. — Me olha sem entender. — Não pergunte, apenas faça. Comesse a tossir, finja que está sem ar. — Me rola os olhos. – Por favor? Respira fundo, balança a cabeça negativamente e faz o que eu pedi. Me arrependo de ter pedido para que fizesse tal coisa, porque parece que levou a sério demais, tão sério que está mesmo tossindo para valer. — Okay, vou chamar o segurança, quando ele chegar aqui, faça aquele barulho estranho de quando você não consegue respirar e depois finja um desmaio. – Dou as instruções.
— Srta. Swan... — Não espero que continue, lhe dou as costas e corro até a porta.
— Você precisa ajudar! — Desesperada, é desse jeito que falo, ou grito com o segurança, quando abro a porta do quarto. — Ela está passando muito mal, está fazendo um barulho estranho, não está conseguindo respirar. — Aponto para dentro e quase sou atropelada por ele, que entra sem nem me mandar sair da frente. Ele cai de joelhos lá, mexe nela enquanto pede para que ela se acalme e respire. Seguindo o script, Regina faz perder a consciência. — Você precisa fazer alguma coisa. – Elevo meu tom de desespero. — Ela vai morrer. Faça alguma coisa!
— Vou fazer massagem. — É o quê?
— Não! — Fico desesperada de verdade. — Ela não precisa de massagem, não precisa de respiração boca a boca. Ela sofre de asma, você sabe o que é isso? O ar entra, mas quase não sai. Ela precisa do broncodilatador, para como o nome já diz, ajudar a dilatar os brônquios, e o ar sair. – Explico. — Se você não for atrás disso imediatamente, ela pode morrer, e a culpa vai ser toda sua. Cora vai te matar. — Cora, esse nome parece assustar as pessoas. Tenho certeza que o medo dessa mulher, é maior que o medo que ele tem que Regina Mills morra por falta de ar, então ele levanta dali e sai correndo. Dou um sorriso um pouco nervoso, ao contatar que meu plano está dando certo. — Sua mãe é mesmo má. — Comento com ela, a fazendo abrir os olhos. Medo, vejo medo em seus olhos.
— Ouça, Srta. Swan, agradeço a ajuda para me tirar daqui, mas não vai dar. Quando voltarem, vou dizer que melhorei. — Me irrito ao ouvir tal coisa.
— Ouça, Srta. Mills, você queria sair daqui, não queria? Agora vai sair.
— Você não sabe aonde está se metendo. — Me avisa. — E eu não quero que você se meta. — Não me importo com seu tom sério, preocupado e talvez um pouco irritado.
— Tarde demais, já estou envolvida. Agora pare com suas frases enigmáticas, dê o fora daqui. — Aponto para a porta. — Vá pelas escadas, desça dois andares delas, depois para não morrer de verdade por falta de ar, pegue o elevador. Misture-se em meio as centenas de reles mortais que vagam pelo seu hotel e espere Killian. – Ao invés de me obedecer, fica parada, estática, exatamente no mesmo lugar. — Vá, Srta. Mills. — Continua imóvel, os olhos presos nos meus, enquanto parece decidir o que fazer. – Apenas vá. Vai dar tudo certo, vai ficar tudo bem. – Lhe garanto. — Vá e me espere. – Continua exatamente no mesmo lugar. – Vá agora, Regina, antes que sua mãe apareça. Isso não vai ser bom nem para você, nem para mim. – Me olha de um jeito irritado.
— Eu odeio você! — Se declara.
—Saiba que o sentimento é mutuo. – Retribuo o carinho. Não fala mais nada, apenas tira os olhos de mim, e resolve finalmente fazer o que lhe sugeri, fugir.
Me sinto angustiada, com medo que ela seja encontrada, e talvez com medo do que sua mãe aparentemente louca, possa fazer com ela. Pego celular e rapidamente digito uma mensagem, pedindo a Killian que me avise assim que ele estiver com a "encomenda". Pedindo também que parece em uma farmácia distante daqui, para que Regina possa comprar medicamentos, para sobreviver a sua asma.
Menos de cinco minutos depois, o segurança está de volta, junto com Zelena e aparentemente, um outro segurança.
— Onde ela está? – O armário questiona comigo.
— Eu não sei. – Lanço um olhar perdido para eles, como se não estivesse entendendo nada.
— O quê? — O segurança vocifera, está nitidamente nervoso.
— Eu não sei. — Respondo de novo.
— Você estava com ela, ela estava aí jogada. — Aponta para o sofá onde estou sentada. Não contente com isso, vem ao meu encontro, me faz levantar, e aperta meus braços contra meu corpo. — O que você fez com ela?
— Tire suas mãos de mim. — Estou em choque com tamanha grosseria.
— Largue ela. — Zelena também pede.
— Então me diz, o que você fez com ela? — Insiste e me apertar ainda mais.
— Eu não sei onde ela está. — Respondo com raiva. — E se você não me soltar agora, vou até a delegacia mais próxima e vou lhe acusar de agressão. – Elevo meu tom de voz.
— Solte ela. — A voz desconhecida causa efeito imediato. Ele me solta e recua uns passos. Ao olhar para a porta, vejo o que dizem ser o diabo em pessoa, Cora, a dona da voz desconhecida. É uma senhora elegante, esbelta, de postura perfeita, e com ar de superior. Ela tem os olhos fixos em mim, me olha de um jeito intimidador, e confesso que isso me incomoda um pouco, mas não demonstro abalo, mantenho meus olhos firmes nos dela, até por fim, ela desvia-los de mim. — Quem vai me explicar, o que está acontecendo aqui? — Questiona. Silêncio é o que tem em resposta. — Você. — Aponta para segurança desconhecido. – Fora. – Ele não diz nada, apenas a obedece. – E você. – Aponta para o segurança de Regina, que estava me apertando. – Quer me falar o que aconteceu?
— A Srta. Mills estava passando muito mal, ali de fora eu conseguia ouvi-la, então essa Srta. — Aponta para mim. — Me pediu ajuda, eu entrei, a Srta. Mills desmaiou, eu corri em busca de ajuda. — Fala de um jeito nervoso, sem olhar diretamente para mulher.
— Por um acaso, seu rádio comunicador está estragado? — Aponta para o aparelho que o ele carrega pendurado na cintura.
— Eu não lembrei dele, Sra. eu só queria ajudar sua filha. Ela estava passando muito mal, eu só queria ajudar. — Ela esboça um sorrisinho irônico e concorda com a cabeça.
— Você já pode ir, conversamos depois. – Outro que não fala nada, apenas a obedece.
Assim que se retira, os olhos da mulher voltam a parar em mim, então ela caminha em minha direção, para em minha frente, e me analisa da cabeça aos pés. Sei o que está fazendo, está tentando me intimidar, e internamente está até que conseguindo, já por fora, não me deixo parecer fraca. Faço seu jogo, lhe sorrio abertamente enquanto ela continua me analisando. Por fim, para os olhos nos meus e me retribui o sorriso. — Então você é Emma Swan. — Afirmo.
— Então eu sou Emma Swan. — Apesar de simpática, minha voz sai firme. Seus olhos continuam nos meus, me olha de uma forma maquiavélica, e ameaçadora, como se de repente, eu tivesse lhe feito algum mal.
— Sou Cora Mills, mãe da Srta. Mills, e estou preocupada com a mesma. Como você aparentemente foi a última pessoa a vê-la, gostaria que me informasse o que aconteceu. — Parece gentil e educada, se não fosse o jeito como me olha, diria que todo esse temor que aparentam ter por ela, não é válido.
— Sra. Mills, com toda a certeza a Sra. conhece sua filha, e o gênio difícil que ela tem. — A mulher concorda com a cabeça. — Ela aparentava estar muito mal, fiquei com medo que pudesse acontecer algo de muito ruim... — A mulher volta a concordar. — Então eu chamei o segurança. Assim que ele saiu em busca de ajuda, ela sentou-se nesse sofá ali. — Aponto. — Se recompôs, e pôs-se de pé. Pedi para que ela ficasse sentada, falei que a ajuda já estava chegando. Ela me respondeu que estava bem e saiu por aquela porta. – Continuo. — Veja bem, eu não sou ninguém para perguntar a sua filha, aonde ela está indo, eu não tenho essa autoridade, nem essa intimidade. — Sabe um ponto bom em ser prostituta? Acabamos também sendo um pouco atrizes. Falo tudo com muita segurança, e certeza. Sem gaguejar, sem pestanejar, sem incertezas e o mais importante, sem desviar os olhos dos dela.
— Você sabe me dizer para que lado ela foi? — É tudo que me questiona.
— Para a esquerda, Sra. — Incluiria "o lado das escadas", mas se fizesse tal coisa, ela constataria que sei exatamente para onde Regina foi.
— Obrigada pelas informações, Srta. Swan, e peço desculpas pelo o que o segurança lhe fez. — Não me dá chance para respostas, me dá as costas e caminha para fora do quarto. — Zelena, ligue no celular da sua irmã, se ela não responder, ligue no de Robin, veja o que ele sabe a respeito. — Ordena a filha antes de retirar-se do local. — Meus olhos procuram por Zelena, que leva o indicador a boca, pedindo silêncio.
Ficamos assim por algum tempo, até que ela vai até a porta, põe a cabeça para fora, dá um "oi", para o seu segurança, volta para dentro, fecha a porta e me puxa pela mão, me levando até o banheiro.
— Então, como que aconteceu? – Sussurra a pergunta, como se estivesse com medo de ser ouvida.
— Eu gostaria de ajudar, mas infelizmente não sei de mais nada, tudo que aconteceu, falei para sua mãe. – Respondo no mesmo tom.
— Você sabe, Regina é covarde quando se trata de fugir de algum compromisso profissional, mesmo que ela não queira ir. Então tenho certeza absoluta que ela não levantou daquele sofá, e resolveu sozinha, fugir. — Não lhe falo nada. Se continuar insistindo nisso, vou exigir a presença de meus advogados. — Mas eu não estou falando disso. — Fico confusa com o que acaba de falar. — Quero saber como aconteceu, você e Regina. — Já perdi a conta de quantas vezes meu estômago embrulhou no dia de hoje. O que essa louca está falando? O que quis dizer com isso? Será que está assim tão nítido na minha cara, ou será que ela está apenas tentando coletar alguma informação?
— Desculpe, aconteceu o quê? — Faço cara de quem não está entendendo e ela me rola os olhos.
— O jeito como você olha para Regina é patético, você tem que melhorar. Peça ajuda a ela, que é mestre em camuflar o que sente. — Abro e fecho a boca algumas vezes, enquanto penso sobre como responder à acusação.
— Desculpe, mas sua irmã é muito bonita, não consigo me manter indiferente. — É a melhor resposta que posso dar. Ela ri, pega a clutch que carrega na mão e a abre.
— Acredito que por ela ser muito bonita, você também enche o celular dela de mensagens, digamos que no mínimo, suspeitas... — Tira o celular de Regina da bolsa e o mostra para mim. — A vida da minha irmã sempre foi tão desinteressante, que ela sempre usou a mesma senha no celular, 1020. — O estende para mim, aparentemente quer que eu o pegue. Mas no momento estou bastante nervosa e sem graça, pensando nas coisas idiotas que eu escrevi para Regina e que sua irmã leu. — Vocês, principalmente você, têm sorte de eu ter acompanhado Regina ao hospital, e não a mamãe. Enquanto ela estava dormindo devido a algumas medicações, eu estava lendo suas mensagens. – Me conta. — Infelizmente mamãe chegou antes que eu pudesse apaga-las, então não me restou outra alternativa, a não ser bloquear você no aplicativo, e afanar o celular da minha irmã. — Lhe olho com vergonha, surpresa e horror. Que tipo de pessoa é essa, que além de invadir a privacidade de outra pessoa, ainda resolvia compartilhar?
— Você não pode fazer isso. — Começo. — Mesmo que o celular dela não tivesse senha. Isso é invasão de privacidade, é nojento. — Acuso e ela sorri com ironia.
— Acho que eu tenho pena de você. — Me deixa sem entender. — Você ainda não entendeu onde está metida, entendeu? — Sem saber o que falar, apenas nego com a cabeça. — Não existe privacidade na nossa família. Regina e eu, somos frequentemente monitoradas. — Balanço a cabeça em discordância.
— Isso é bobagem, isso não existe, é um absurdo ter que ouvir tal coisa. – Me sorri sem humor.
— Você sabe quantos bilhões de dólares, gira em torno das nossas vidas? — Outra que aparentemente só pensa em dinheiro.
— Eu não me interesso pelos bilhões de dólares de vocês. Eu detesto eles, para ser sincera. — Ela sorri.
— Outra altruísta, pelo jeito Regina se interessa mesmo por esse tipo de pessoa. — A olho sem entender. — Bom, você não se interessa pelos bilhões de dólares, mas mesmo assim, olha onde você está, negociando com bilionários. – Abro a boca para responde-la, mas ela não deixa. – Você pode pensar que só negociamos, mas nunca somos negociados, mas isso é uma inverdade. Quando se tem muito dinheiro, a sua vida também acaba se tornando um negócio. – Sua filosofia está me deixando confusa. — E bom, eu não tenho nada contra você, muito pelo contrário, então não me leve a mal, mas para nossa mãe, você é com toda certeza desse mundo, um retrocesso em qualquer negócio.
— Não estou interessada em fazer parte dos negócios da sua mãe. — Balança a cabeça negativamente.
— É aí que você se engana. – Fala. — Você está interessada no negócio que minha mãe mais tem fixação, Regina. Então, Swan, Emma Swan, não me julgue por eu ter lido as mensagens da minha irmã, poderia ter sido muito pior, caso minha mãe tivesse feito isso. E eu lhe sugiro que o que você tiver para falar com ela, fale pessoalmente, não deixe mensagens, não deixei rastros, não dê a mínima chance ao azar, porque acredite em mim, isso pode não acabar bem. — Fala e me olha de um jeito sério. – O que quer que você e Regina venham ter, não deixem pistas. – Me aconselha. Lhe balanço a cabeça negativamente.
— Não vai acontecer nada. É tudo minha culpa, as mensagens, o que você leu, sua irmã não sente absolutamente nada por mim, ela já me deixou isso muito claro. Então você não precisa mesmo se preocupar com isso. — Me sorri sem humor e volta a me estender o celular.
— Pegue. — Pede. — E talvez se sua índole permitir, dê uma olhada nesse celular. Nas fotos, nos vídeos salvos da câmera de segurança do hotel, mais precisamente, do bar em que você trabalha, e nas únicas conversar, ou monólogos, que ela não apaga nesse celular. Talvez você mude de ideia. — Ouvir tal sugestão faz meu coração bater apressado, e meus olhos fixarem no telefone. Ela deixou mesmo subentendido o que eu acho que ela deixou? — Pegue. — Volta a pedir e dessa vez, minha mão agarra o telefone.
— Por que você está fazendo isso? — Questiono sem entender e ela me dá de ombros.
— Talvez porque seja o certo, mesmo sendo errado, ou talvez porque seja errado, mesmo sendo certo. – Minha cara de interrogação, a faz rir. — Mas não se engane, Swan, Emma Swan, tenha em mente que o que quer que vocês venham a ter, passará longe de ser um conto de fadas, e provavelmente não terá um final feliz. – Parece me dar um sutil aviso. – Para que eu não me cobre isso mais tarde, devo lhe avisar que se você se envolver com ela, mesmo sem querer, Regina vai puxar você para o olho do furacão, junto com ela. E bom, talvez não sobre muita coisa de vocês, depois disso. – Seu aviso é dado em códigos, e mesmo tentando fazer de conta que não o entendi, confesso que estou começando a entender.
— Talvez eu queira correr esse risco. – Ela sorri e concorda com a cabeça.
— Para o seu bem, o de Regina, e de quem mais estiver envolvido, espero que ela esteja escondida em um lugar onde mamãe não a encontre. — Não lhe digo nada, não sei se posso confiar. — E só para que você fique situada, mamãe sabe que você sabe onde Regina está, então espero que nessa festa, você saiba disfarçar, e não entregue o paradeiro dela. — Ela dá um passo à frente e toca suavemente meus ombros. – Não magoe a minha irmã, e tentem não magoar Tinker. – Pede, então passa por mim e se vai.
Selena Gomez — The Heart Wants What It Wants
Respiro fundo e olho para o celular. Penso no que Zelena falou, nas coisas que provavelmente vou encontrar nele e me sinto muito tentada a explora-lo.
— Isso não é nem um pouco certo, Emma. – Murmuro comigo, enquanto aperto o celular em minha mão. Ando de um lado para o outro, pensando no que fazer.
O anjo mau, me fala para deixar a privacidade de Regina de lado e olhar logo tudo o que tem ali. Já o bom, continua insistindo que não é certo. Mas todas as vezes que tentei ser certa com Regina, o que ganhei em troca? Exatamente, nada. Só sofri, chorei me decepcionei. Então talvez eu devesse uma vez, fazer o que é considerado errado.
Respiro fundo, sento sobre a tampa da privada, e volto a encarar o celular. Ele parece me chamar, me convidar a explora-lo.
— Okay, só uma espiadinha. – Falo para mim mesma, enquanto digito a senha para desbloquear o telefone.
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