Right Here Waiting For You
18 Loved me Back To Life
Notas iniciais
Eu a odeio. A Srta. Swan, a odeio e poderia ficar aqui dissertando sobre os muitos motivos que me fazem odiá-la, mas focarei apenas em um, o poder de convencimento que tem sobre mim. Eu odeio isso.
Okay, eu não queria mesmo participar daquele evento, não com a minha mãe envolvida, não tendo que ser fotografada ao lado dela, interagindo, dando sorrisos falsos, passando a mão nas costas em um gesto de afeto, não fazendo gostar dela, não fazendo de conta que somos uma família normal e feliz.
Estar perto de Cora, me faz mal. Ela me deixa doente, me causa náuseas, me dá pânico. Perto dela, eu não consigo relaxar, não consigo respirar, o ar fica pesado, meu corpo fica tenso, repele qualquer mínima aproximação. Então sim, a ideia de fugir de lá, mexeu bastante comigo. Além de não precisar ficar perto da minha mãe, era de certa forma, uma maneira de desafia-la, mostrar a ela que ela não é dona da minha vida, porém, tenho certeza que não teria sido assim corajosa, desafiadora, inconsequente, imprudente, irresponsável, se a proposta tivesse sido feita por qualquer pessoa que não fosse a Srta. Swan.
Eu não sei, algo nela me faz ter esses atos impensados, algo em seus olhos sempre tão vivos, sempre tão expressivos, me desafiam a ser livre, a viver, a quebrar as regras, a fazer algo que não esperam que eu faça. Rebelde, toda a juventude e liberdade da Srta. Swan, me desafiam a ser rebelde, e não, eu não tenho mais idade para esse tipo de coisa, tampouco tenho tempo, além é claro, de ter uma mãe psicopata.
Fugir foi um ato totalmente irresponsável, eu sei, mas no momento em que ela sugeriu tal coisa, e depois, quando a ouvi falando com seu burro falante ao telefone, e quando ela vociferou ordem ao segurança, quando me mandou ir... a adrenalina que correu pelas minhas veias, o querer pelo menos uma vez na vida, não fazer o que era esperado de mim, e preciso admitir, a vontade de encontrar a Srta. Swan mais tarde, me fizeram agir por impulso, e como um bandido procurado, eu fugi.
Me arrependi de tal coisa, no mesmo segundo em que entrei no carro do Burro Falante, que atende também pelo nome de Killian. Durante todo o trajeto, tive que ouvir Village People, enquanto ele fazia coreografias ao volante, e castigava ainda mais meus ouvidos, tentando cantar. Não bastasse isso, o cheiro forte e doce, impregnado no seu carro, me causou dor cabeça, embrulhou o meu estômago e deixou minha respiração ainda pior. Quando enfim ele parou em uma farmácia, além dos remédios para asma, precisei também comprar algo para a cabeça, e para o estômago.
Para quem acha que estava ruim, devo informar que ficou pior. Assim que chegamos no meu esconderijo, eu descobri que o lugar era um tipo de bar privado, ou coisa parecida. Quando pensei em abrir a boca e dirigir a palavra ao infeliz, ele já estava fechando a porta. Sim, estou literalmente trancada nesse lugar, feito uma prisioneira, ou uma refém.
Como obviamente eu estava sem nada para fazer, resolvi explorar o lugar. Um balcão de bar. Muitas garrafas de bebidas sobre a prateleira de vidro, atrás do balcão. Uma geladeira com a imagem de Lady Gaga, estampada. Algumas banquetas. Um sofá enorme de couro com estampa de oncinha. Um pole-dance. Uma poltrona estranha que procurei não pensar para que serve. E uma televisão.
Já que estou tomando remédios e não posso ingerir nada alcoólico, como também não sou dançarina de pole-dance, e como de jeito nenhum teria vontade de explorar a poltrona estranha, optei pela TV.
Sentei no sofá escandaloso, tirei meus sapatos, me ajeitei confortavelmente, peguei o controle que estava sobre o sofá e liguei a TV, segundos depois a desliguei. Pornô gay, era o entretenimento da TV. Por menos que eu tenha visto, tenho certeza que aquelas imagens não vão sair da minha mente.
Todas essas coisas foram só o começo dos meus problemas. Assim que me vi sem nada para fazer, pensei em pegar meu celular, acessar a internet, responder alguns e-mails pendentes, ler algumas matérias, assistir alguns vídeos, olhar algumas fotos, reler algumas conversas, me distrair um pouco. Foi então que senti falta da minha bolsa, eu não a trouxe comigo.
Brava pelo esquecimento, comecei a pensar em que lugar eu a tinha deixado, e lembrar de tal coisa me deixo estática. No meu quarto de hotel, foi onde ficou a minha bolsa, quarto esse, onde Cora também estava, e se minha mãe, mexe nas minhas coisas mesmo estando na minha presença, com toda a certeza do mundo, com a minha ausência, ela viraria aquela bolsa e tudo o que nela está, do avesso.
Meu celular, tudo que tem nele. As fotos, os vídeos, as conversas... pavor, pavor toma conta de mim e tudo que penso é que preciso sair daqui o quanto antes.
Corri até a porta, esbarrei nela, bati, até chutei, mas não obtive o menor sucesso. Então comecei a estapeá-la, enquanto pedia para alguém abrir, pedia socorro, dizia que precisava ajudar alguém, mas também não funcionou, ninguém me ouviu, ou se ouviu, não quis me ajudar. Por último tentei as janelas, mas além de as mesmas não abrirem, eu me encontro no terceiro andar. Esperei em frente a uma delas, rezando para que alguém passasse, me visse ali, me visse batendo e viesse ajudar, mas as horas da noite, não colaboravam comigo.
Por fim, minha mente foi totalmente dominada pelo medo, pelo pavor. Aconteceria de novo, era o que ecoava na minha mente. Cora faria mal aquela garota, tudo terminaria mal, como eu sempre disse que aconteceria, caso nos aproximássemos. E seria culpa minha, de novo.
Minha mente foi levada para memórias, cenas de anos atrás, e a dor veio junto com as lembranças. Dessa vez não tentei detê-la, permiti que ela me dominasse, dilacerasse, me levasse ao fundo do poço, como costumava fazer.
Sem força, nem vontade de dar um passo adiante, escorei meu corpo na parede e o deixei escorregar pela mesma. Permiti então que as lagrimas viessem.
Desde então, aqui estou, abraçada aos joelhos, a testa encostada nos mesmos, os olhos fechados, esperando pelo pior. Não sei quantas horas passaram, mas acredito que muitas, e quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza de que algo de ruim aconteceu. Já chorei tudo que tinha para chorar, já lamentei tudo que tinha para lamentar, e embora a dor ainda esteja aqui, no momento me sinto anestesiada, apática, sem vida.
As vezes penso em morrer. Acredito que deve ser algo bom. Você para de se preocupar, para de sentir, para de sofrer, para de pensar, você simplesmente para. Vira nada, pó, poeira, história. No meu caso, uma patética história, tão insignificante que ninguém lembrará.
Aperto meus joelhos ao ouvir barulho de chave na porta. Meu coração começa a bater acelerado, meus olhos fecham com mais força, não querendo de jeito algum, ver quem quer que tenha acabado de me encontrar. Levo minhas mãos aos ouvidos, para também, tentar não ouvir. Meu corpo move-se freneticamente para frente e para trás, e encolhe-se cada vez mais, à medida que o som de passos, aproximam-se. Há silêncio, segundos dele. Mesmo de olhos fechados, sinto a presença de alguém diante de mim. Sinto uma mão tocando meu braço, e instantaneamente, a afasto de mim.
— O que aconteceu com você? – A voz preocupada que quebra o silêncio, também traz alivio imediato para todo meu ser, e faz com que meus olhos se abram.
Não sei dizer tudo o que sinto a vendo aqui, diante de mim, tão bem, tão cheia de vida. Esse é o principal motivo pelo qual não posso me envolver com ela, porque quero que ela continue assim, com o corpo e alma cheios de vida. Quero que seus olhos nunca percam esse brilho, essa expressividade que têm. Quero que ela nunca perca a vontade de sorrir. Quero que nunca perca sua liberdade, sua vontade de viver. Quero que nunca perca essa leveza.
A Srta. Swan é alguém que conheço há pouco tempo, mas é uma dessas pessoas que entram na vida da gente, e mesmo que por uma infelicidade do destino, não possam permanecer, elas ficam para sempre. Ficam em um lugar seguro, onde ninguém pode feri-las, ou magoa-las. Emma ficará para sempre, a guardarei como uma surpresa boa, que em meio a tanto caos, me trouxe um pouco de paz, me arrancou alguns sorrisos sinceros e de uma certa forma, me trouxe momentos de felicidade. Tenho certeza que jamais a esquecerei, jamais esquecerei as coisas que mesmo sem saber, ela fez por mim.
— Alguém te fez alguma coisa? – Seus olhos atentos e preocupados, estão em mim. Já meus olhos expressam-se através das lágrimas que deixo cair. – Por favor, me fala o que aconteceu? – Apesar de preocupa, sua voz soa baixa, calma. Fica de joelhos sobre o chão, e devagar, leva sua mão até meu rosto. Fecho os olhos, enquanto ela tenta secar minhas lágrimas. – O que aconteceu? – Tenta de novo. Balanço a cabeça negativamente, não querendo falar nesse momento. Suas mãos então vão até meus ombros, e sutilmente fazem com que meu corpo pare com seu colapso de ir para frente e para trás. – Está tudo bem, eu estou aqui com você. – Suas mãos afagam meus braços. – Está tudo bem. – Repete.
Senta-se ao meu lado, e puxa meu corpo, fazendo com que deite a cabeça em suas pernas. Mexe em meus cabelos enquanto continua sussurrando que está tudo bem. Não sei precisar quanto tempo estamos aqui, desse jeito, mas posso dizer que seus afagos, sua voz sussurrada, conseguiram me trazer calma, conseguiram levar as coisas ruins embora, conseguiram acalmar meu corpo, confortar minha mente.
Não sei como ela faz, mas simplesmente faz. Me faz bem, me faz leve, ou menos pesada. Me faz calmaria, em meio a uma tempestade sem fim. Sabe quando você perde o interesse na vida, nas pessoas? Se limita a existir, ao invés de viver? Era exatamente assim que me sentia. Achei que tudo dentro de mim, estava morto, que nunca mais fosse voltar a funcionar. Então a Srta. Swan, aconteceu na minha vida, e tudo que eu achava estar morto, reviveu, e talvez a vida já não pareça algo tão terrível assim.
Gostaria de não ser essa pessoa pesada, de não carregar comigo tantos problemas, tantas amarras. Gostaria de deixa-la me ajudar a colar todos os meus cacos, a me recompor, me pôr de pé novamente. Porém, infelizmente quase nunca o que gostaríamos de fazer, podemos fazer. Talvez a Srta. Swan, vista perfeitamente em mim, mas mesmo assim, eu não posso. Mesmo que ela não caiba tão bem em outra pessoa, vai ficar melhor assim. Gostar de alguém é isso, não é? Não ser egoísta? Então dessa vez eu não serei.
— No que você está pensando? – A pergunta sai sussurrada, seus olhos atentos estão em mim.
— Em você. – Minha voz sai falha. Mostra-se surpresa com minha resposta.
— Em mim? – Confirmo com a cabeça. – Coisas muito ruins? – Nego.
— Não. Coisas boas, Srta. Swan, muito boas. – Tento lhe sorri, enquanto ela me olha com desconfiança. – Fico feliz por você estar bem. – Agora junta as sobrancelhas, aparentemente sem entender.
— Por que eu não estaria? – Me questiona.
— Porque eu esqueci minha bolsa no hotel, e dentro dela estava o meu celular. — Lágrimas voltam aos meus olhos, quando penso no assunto.
— Estava com medo que sua mãe tivesse acesso ao seu celular, que visse o que tem nele, e que o que quer que ela encontrasse lá, a fizesse me detestar e me fazer algo de ruim? – Sua pergunta me deixa preocupada, e acelera as batidas do meu coração. Concluo que algo aconteceu.
— O que ela fez para você? – Sinto ódio quando penso o que Cora pode ter falado ou feito para ela, tal coisa faz minhas mãos fecharem-se em punho.
— Sua mãe não me fez nada. – Fala tranquilamente. – Claro, ela me interrogou sobre o seu desaparecimento, mas tirando isso, não aconteceu mais nada. Até posamos junto com Tinker e sua irmã para fotos. – Conta. – Zelena estava com seu celular. – Ao ouvir tal coisa, sinto meu corpo relaxar, me sinto leve. Apesar de saber que Zelena viu tudo que tinha lá, sei que não vai repassar informações. Vai com certeza me interrogar, mas não contará nada a Cora. – Ela pegou da sua bolsa, quando você estava no hospital, dopada por alguns remédios. – Sua mão sai do meu rosto, aparentemente a leva para o bolso do paletó. – Aqui. – De lá ela tira o meu celular e me entrega. – Se você aceitar um conselho, troque sua senha. – Tiro meus olhos do telefone e olho para ela.
Instantaneamente, sei que não foi apenas Zelena quem teve acesso ao meu celular. Sinto muitas coisas por ter minha privacidade invadida desse jeito, mas no momento o que mais sinto é vergonha pelas coisas que ela com certeza viu. Já ela, sorri, aparentemente está achando graça da situação. Tal coisa me irrita e me faz querer levantar daqui, mas sou impossibilitada por suas mãos, que me prendem onde estou.
— Solte-me, quero ir embora. – Peço e ela nega.
— Mesmo que você quisesse, você não pode, os seguranças da sua mãe estão ali na rua. – Fala com tranquilidade.
— Se os seguranças dela, estivessem mesmo, Srta. Swan, eles com certeza já teriam dado um jeito de entrar para certificarem-se se estou ou não aqui. – Concorda com a cabeça.
— Sei disso, e por sua causa, eu tive que beijar um homem. – Me conta.
— O que eu tenho a ver com isso? – Questiono de cenho franzido, enquanto tento imaginar a Srta. Swan, beijando um homem.
— Bom, Zelena me deu certeza que sua mãe sabia que eu sabia onde para onde você tinha fugido. O que me fez ter certeza, que ela com mandaria alguém me seguir assim que eu saísse da festa. – Concordo com a cabeça. – Então em uma das minhas idas ao banheiro, mandei uma mensagem a Killian, e pedi que ele entrasse em contato com seu ex atual namorado, pedindo que o mesmo me buscasse. – Faz uma pausa, aparentemente está organizando os pensamentos. – Sei que sua mãe sabe que eu sou garota de programa. Então quem quer que tenha nos seguido até aqui, vai falar para ela que me viu aos beijos e amassos com um homem, então ela vai concluir que eu estava muito ocupada me prostituindo, ou seja, eu realmente não sabia/sei do seu paradeiro. — Fico boquiaberta ao ouvir tal coisa.
— E onde foi para esse seu homem? – Porque aqui, tenho certeza que não está.
— No apartamento em frente a esse. Killian mora ali. – Conta. – Esse é só um lugar onde os dois resolvem relaxar, se divertir, fazer perversidades. – Infelizmente a cena do pornô, vem a minha cabeça, mas logo trato de esquecer.
— Você até que é inteligente. – Preciso elogia-la. — E esperta. — Continuo. — E persuasiva. – Ela acha graça.
— Obrigada pelo “até”. – Cutuca meu nariz com seu dedo indicador. — Faz parte da minha profissão, meu bem. — Penso um pouco sobre o assunto, e concluo que faz sentido. Então algo acaba parando em minha cabeça.
— Você finge orgasmos? — Ela ri.
— Sim, na maioria das vezes, eu finjo. — Volto a ficar boquiaberta ao ouvir a confissão.
— Sério? — Afirma.
— Sério. Eu vendo prazer, e se o meu prazer, faz parte do prazer de outra pessoa, e a mesma não consegue me fazer chegar lá, então eu finjo e pronto, todas saímos felizes. — Explica.
— Eu não diria que você sai feliz. — Opino e ela sorri.
— Como quando eu estou com essas mulheres, eu transo por dinheiro e não para o meu prazer, eu diria que saio muito feliz. – Sua mão procura pela minha, ela leva até sua boca e a beija, antes de entrelaçar os dedos nos meus.
— E você não fica com vontade? – Parece pensar a respeito.
— No começo, eu ficava. Então quando não acontecia, eu chegava casa, acabava me masturbando. Agora eu só ligo o automático e vou. — Eu faria mais algumas perguntas, como por exemplo: como você faz para ligar esse automático? Gostaria muito dessa resposta, não que Robin e eu façamos muito sexo, mas quando acontece, ele fica satisfeito, já eu, fico com vontade e frustrada, muito frustrada.
— Tirando a parte do dinheiro, e de conseguir ligar o automático, acho que sou uma prostituta. — Meu comentário, ou pensamento alto, faz com que ela de uma alta risada.
— Regina, eu gostaria que você me falasse que você não gosta do seu noivo. – Me pede, enquanto ainda ri.
— Só por que ele não se sai bem na cama? — Indago.
— Por isso também, mas o maior motivo, que com certeza é o que leva ele a isso, ele é gay, é mais viado do que o Killian. Tenho certeza que ao som de YMCA, ele se torna uma bicha louca e descontrolada. – Ainda ri. – Na verdade, eu não sei como ele consegue levantar o negócio e comparecer. Meu Deus, ele é muito gay. — Mais uma vez na noite, fico boquiaberta. Será que é tão perceptível assim? Nunca falei com ele a respeito, mas sempre desconfiei sobre, não só por causa do sexo, mas por muitos de seus atos. Porém, como nunca senti nada por ele, nunca me importei, nem questionei, nem debati, mas achava que só eu sabia ou desconfiava disso.
— É tão óbvio assim? — Ela afirma com a cabeça.
— Muito. O cara exala glitter. – Me pergunto se todos com quem convivemos, já perceberam o mesmo. — Você sabia, não sabia?
— Desconfiava, mas nunca falamos sobre.
— Eu não entendo, por que você vai casar com ele então? — Me questiona.
— Negócios. — Solto com o ar.
— Você disse que seu noivo era o motivo acima de Tinker para você nem sequer cogitar a possibilidade de ter alguma coisa comigo. — Infelizmente, ela resolve entrar nesse assunto.
— E continuo dizendo. Só porque ele é gay, eu não posso ter sentimento por ele? — Balança a cabeça em reprovação, olha em outra direção, sorri sem humor e volta a olhar para mim.
— Você se contradiz quando me fala que tem sentimentos por ele, mas vai casar por negócios. – Resolvo que ficar em silêncio é a melhor saída. – Por que você não pode ser honesta comigo? – Sua pergunta sai em tom de reclamação e de novo ganha silêncio como resposta. — Eu acessei seu celular, vi as fotos, os vídeos. – Confirma o que eu já sabia, o que de novo, me deixa envergonhada. — Zelena me passou a senha e incentivou a olhar. — Zelena, claro, metendo-se aonde não é chamada. — Você gosta de mim. — Não está me fazendo uma pergunta, está afirmando. — Não sei o quanto, mas pelo menos um pouquinho, você gosta. Diria que gosta mais, do que gosta do seu noivo, já que não vi nenhuma foto dele ali, ou vídeo, ou mensagem. — Continua. — Não que isso valha para medir sentimentos, mas não sei, é uma intuição minha. — Como não sei o que falar, ou não quero falar a respeito, continuo em silêncio. — Por que você fez aquilo? Por que me falou aquelas coisas? Por que me magoou daquele jeito, se você gosta pelo menos um pouquinho de mim? — Seu tom de voz demonstra magoa e chateação. — Você não vai falar nada, é isso mesmo? – Se aborrece, quando na verdade, eu quem deveria estar aborrecida, já que a minha privacidade é que foi invadida, e aparentemente, discutida.
— Por que você mexeu no meu celular? — Questiono, o tom de voz um pouco irritado.
— De tudo que você pode me falar, é sério mesmo que vai me perguntar isso? — Também se irrita.
— Isso é invasão de privacidade. Você mexeu em algo que não é seu. Isso é ridículo! – Esbravejo.
— Ridículo é o que você está fazendo com nós. — Altera o tom de voz.
— Nós? — Questiono com ironia. — Que nós, Srta. Swan? Aonde existe nós? Em que mundo paralelo você vê nós acontecendo? — Elevo o tom ao dela.
— Não vejo, porque você não me dá uma chance. — Acusa. — Você prefere casar com um cara gay, do que se dar e me dar, uma chance de nos conhecermos. — Continua suas acusações. — Eu não sei se é porque eu sou pobre, porque eu sou mulher, porque eu sou prostituta. — Resolvo interrompe-la, para poupar meus ouvidos dessas coisas.
— Sim, você está certa, Srta. Swan, eu gosto de você. Eu gosto de você. — Admito pela primeira vez em voz alta, não só para ela, mas para mim também. — Você trouxe de volta muitos sentimentos, coisas que eu achei estarem mortas. E todas essas coisas que eu sinto, eu não gostaria de senti-las. – Desabafo. — Não porque você é pobre, não porque é mulher, não porque é prostituta, talvez não tenha nem muito a ver com Tinker, mas tem muito a ver comigo. – Faço uma pausa para tomar ar. — Eu não quero passar por isso de novo, Srta. Swan. Eu não quero me envolver, criar laços, afetividades, dependências. Não quero fazer planos, não quero dividir sonhos, não quero envolve-la na minha vida. Não quero um belo dia acordar, e receber a notícia que algo de muito ruim aconteceu a você, ou a sua filha. – Só de falar em voz alta a respeito, me sinto angustiada. — Não quero ser responsável por isso, não quero mais essa dor, esse fardo. – Paro meus olhos nos dela. – Nós nem nos envolvemos de fato, e você não tem ideia da importância que você tem para mim. Você não imagina como eu me senti, enquanto estava aqui trancada, sozinha, imaginando que algo de ruim, tinha acontecido a você. – Levo minha mão até seu rosto, e faço o que muitas vezes tenho vontade de fazer, o afago. – Eu não quero machuca-la, eu só quero que você viva e seja feliz, seja livre. — Consigo desabafar, pôr para fora tudo que penso a respeito de “nós”.
— Você tem alguma doença transmissível e mortal, para me dizer esse tipo de coisa? — Em um pequeno aceno com a cabeça, eu afirmo.
— Tenho. Essa doença transmissível e morta, chama-se Cora Mills. — Digo com pesar. Ela fica em silêncio, parece processar a informação. Enquanto faz isso, continuo afagando seu rosto com as costas dos dedos. Ela é tão linda, tão jovem, tão viva. Seu eu pudesse, com certeza arriscaria. Mesmo que não desse certo, mesmo que nossas diferenças, o destino, ou outra pessoa viesse a nos separar, eu arriscaria. Me entregaria a esses sentimentos, a essa pessoa, eu pagaria para ver.
— Hoje mais cedo Tinker comentou a respeito de um acidente de carro. – Ela me encara. — Era ele? Daniel? — Balaço a cabeça afirmando. — Sua mãe foi a responsável? — De novo afirmo com a cabeça. Desvio meus olhos dos dela e os para em um ponto qualquer. Ela de novo faz silêncio, ficamos assim, por um tempo que não sei precisar. Ela beija minha mão que está em seu rosto, a tira de lá, e volta a entrelaçar nossos dedos, enquanto sua outra mão, mexe em meus cabelos — Por que ela não está presa? — Questiona baixinho, aparentemente com receio de entrar no assunto, ou sem certeza que pode falar sobre.
— Porque ela é Cora. – Solto com o ar. — Ela nunca me disse abertamente "Regina, eu matei seu namorado", mas em mais de uma ocasião, ela deu a entender que fez isso. – Conto. — Uma vez, eu resolvi bater de frente com ela, e acusa-la. Procurei um advogado, reuni algumas provas, e antes de a acusação ser formalmente feita, ela de algum jeito descobriu, e eu fui parar em um lugar para loucos. – Lágrimas idiotas acabam em meus olhos com a lembrança de tal coisa. Fico em silêncio, tentando conte-las, só resolvo voltar a falar, quando consigo fazer tal coisa. – “Regina, eu estou muito chateada com você”, foi o que ela me disse, antes de me submeter a eletroconvulsoterapia, popularmente conhecido como tratamento de choque. – Não quero lhe olhar nos olhos agora, porque sei que tal confissão além de espanto, causa pena, e eu não gostam que sintam isso por mim. — Depois que ela me mostrou quem manda, que ficou menos “chateada”, e mostrou o que pode me acontecer caso as coisas não sejam como ela quer, eu pude sair de lá. – Finalizo.
— Eu não sei o que dizer, eu estou horrorizada. – Sua voz deixa bem claro que ela está isso mesmo. – Eu sinto muito por tudo, por todo mal que ela te causou. – Não digo nada, apenas concordo com a cabeça. — Eu odeio ela! Odeio! – De novo seu tom de voz consegue expressar o que está sentindo.
— Ela costuma causar esse sentimento nas pessoas. – É tudo que respondo.
— E eu amo você. — Não estava esperando a repentina mudança de assunto, esperava ainda menos, ouvir tal coisa. Meu coração reage imediatamente a tal declaração, bate tão forte, que tenho aquele sentimento que ele pode “sair pela boca”. Automaticamente, meus olhos procuram pelos dela, e encontram com olhos marejados. — Eu nunca amei ninguém na vida, não nesse sentido, mas eu tenho certeza que eu amo você. – Me sorri, enquanto deixa uma lágrima escapar. — Mesmo sendo assim rabugenta, ranzinza, estressada, mal-humorada, você me faz sentir tantas coisas boas. Eu sou tão feliz quando eu estou com você. Você me faz sentir bem. – Continua. – E agora mais do que nunca, eu quero tanto proteger você, cuidar, dar carinho, amor. – Balanço a cabeça negativamente.
— Não vamos por esse caminho, Srta. Swan. — Lhe peço.
— Me dá uma chance, só uma. — Ela me pede.
— Você sabe que eu não posso. – Lamento.
— Mesmo assim, olha só onde você está. — Rebate. — Às vezes, por mais que a gente queira, não adianta lutar contra, as coisas só acontecem, ou você acha que eu escolhi isso?
— Você pode não ter escolhido, mas nós quem fazemos acontecer. — Opino.
— Discordo. Okay, claro que temos a nossa parcela de culpa, mas acho também que as vezes, tem algo a mais, esse negócio de destino ou coisa assim. Não era combinado eu bater o carro no seu, nem era combinado Tinker ser sua sócia e amiga. Aquele encontro no bar do hotel não foi combinado. As idas aos parques de diversões também não. Você ter aparecido hoje lá no quarto, tampouco. – Volta a me sorrir. — Algo, alguma força, traz você para mim, e talvez me leve para você. – Continua. — Eu sei que você é racional, mas se você pensar um pouco a respeito, vai ver que eu tenho razão. Eu posso te fazer feliz. – Balanço a cabeça em concordância e lhe dou um sorriso triste.
— Eu sei que você pode, mas eu não posso fazê-la feliz, Srta. Swan. Não sou capaz sequer de me fazer feliz. – Sou sincera.
— Porque você não se permite ser. Se você se permitir, vai ver que pode sim se fazer feliz e pode sim, me fazer feliz. Você já me faz feliz, e olha que você não é nenhuma princesona para mim, está mais como Rainha Má. – Me arranca um sorriso.
— Talvez esse seja o meu charme. – Me retribui e concorda.
— Esse, entre muitos outros. – Volta a beijar minha mão. – Me dê uma chance, por favor! – Pede. – Você não pode terminar comigo, antes mesmo de ter começado. – Balanço a cabeça negativamente.
— Você não está sendo inteligente, Srta. Swan, muito menos racional. – Reclamo. – Você ouviu com atenção, tudo que eu lhe contei? – Afirma com a cabeça. – E mesmo assim você quer uma chance? – Volta a afirmar. – Você já pensou o que pode acontecer, caso Cora, apenas sonhe com isso? Já pensou no que ela pode fazer com você? E pior, já pensou no que ela pode fazer com Janis? Já pensou o quanto isso vai me ferir? – Mantém os olhos nos meus, enquanto pensa a respeito. Torço para que minhas palavras a convençam, para que ela pare de insistir, para que desista. Porque sei que se continuar insistindo, talvez ela vença, e aí, todas acabaremos perdendo.
— Eu não tenho medo da sua mãe. – Sua resposta me faz soltar um suspiro frustrado. – E acho que você também não deve ter. Apesar de todo o mal que ela já te fez, acho que você deveria lutar. Lutar pela sua vida, pela sua liberdade, pelo o que você quer. Pelo amor de Deus, você não é uma propriedade, e graças a Deus, a escravidão acabou faz muito tempo. – Dá seu discurso bonito e libertador, é uma pena que na prática não é bem assim.
— E o que você sugere que eu faça? Aliás, você acha que eu já não tentei?
— Sugiro que mesmo que você seja a vítima, você pare de se ver como tal. Eu não sei o que você pode fazer, mas você conhece sua mãe, está próxima dela, das pessoas com quem ela convive, ache o ponto fraco dela, e então a ataque. – Balanço a cabeça negativamente.
— Você ouviu que eu fui parar no manicômio, quando tentei tal coisa? – Afirma.
— Porque você deixou pistas, você comentou com alguém, talvez tenha procurado as pessoas erradas. Talvez você deva usar a estratégia de manter os inimigos perto. Quem sabe assim, você não descubra mais coisas? Já pensou que seu namorado, pode não ter sido o único? – Afirmo com a cabeça, enquanto penso sobre o que acabou de me falar.
— Penso a respeito quase todos os dias. – Confesso.
— Então não recue, avance. – Me incentiva e infelizmente, acaba plantando em mim uma semente de coragem. – Ninguém vence na vida se lamentando, você como uma bilionária, expert no mundo dos negócios, deveria saber mais disso, do que uma prostituta suja e vulgar. – Acaba descontraindo o assunto sério, e consegue me fazer rir.
— Todo esse incentivo é pura vontade de beijar minha boca? – A provoco e ela também ri.
— Vontade de beijar sua boca, entre outras coisas. – É sincera, como sempre costuma ser. – Aliás, agora que eu sei que você fica você pega os vídeos do hotel, para ficar me assistindo, preciso me arrumar um pouco mais. – Seu comentário me deixa sem graça.
— Cale a boca! – Peço e ela ri.
— Você não usa meus vídeos para fins pornográficos, usa? – O absurdo que acabo de ouvir, me faz levar a mão até a boca dela, em uma tentativa de cala-la.
— Eu não sei como saem tantos absurdos, de uma pessoa só. – Ela continua rindo. Pega minha mão e a tira da sua boca.
— Você sabe que eu ganhei meu dia, com as coisas que eu vi no seu celular, não sabe? – Questiona. – Eu achei que eu fosse explodir de tanta felicidade. – Conta. – Tive sérias dificuldades para parar de sorrir. – Acho graça da felicidade com a qual está me contando tal coisa.
— Isso é tão confuso para mim. — Confesso.
— Isso o quê? – Sua mão afaga meu rosto.
— Você. As coisas que eu sinto por você. – Balanço a cabeça negativamente. — Eu não sou lésbica, quer dizer... nunca tinha me interessado por outra mulher antes, mas as coisas que você me faz sentir, tenho plena certeza que também não são coisas de uma pessoa heterossexual. — Ela me sorri.
— Essas coisas que você sente por mim, incomodam você?
— Incomodam. – Admito. – No começo incomodavam mais, mas ainda incomodam. Principalmente porque eu sei que Tinker gosta de você. Eu tento esquecer, deixar para lá, não pensar, mas desde aquela noite que você sabe... — Volta a me sorrir.
— Nos beijamos. Você pode falar. Não é errado, nem dói. — Incentiva.
— Desde aquela noite, eu não consigo mais não pensar. Eu fico tão irritada comigo mesma por estar sempre pensando em você. – Realmente, vejo que ela tem problemas para parar de sorrir.
— O que mais incomoda você, ter beijado uma mulher, ou ter beijado a mulher que você acha ser da sua amiga? — Me questiona.
— Saber que eu sinto mais do que atração por uma mulher, com o agravante de ser a mulher da minha amiga. Fico pensando, será que eu tenho fixação pelas pessoas que Tinker resolve amar? – Ri da minha cara.
— Não aconteceu de repente. Você não bateu os olhos em mim e resolveu. Nós fomos nos envolvendo, e Tinker colaborou com isso algumas vezes. — Tenta me tranquilizar, ou me fazer sentir menos culpada.
— Porque ela acha que sou heterossexual, o que eu de fato era, ainda sou, não sei. – Minha incerteza me faz soltar um suspiro frustrado. — Agora eu já não sei mais o que eu sou.
— Você acha ruim, ter beijado uma mulher? – Balanço a cabeça negando.
— Não. Só acho diferente, não ruim.
— Acho que você deveria me ajudar a te deixar descobrir quem você é. — Lhe rolo os olhos.
— Acho que você está me dizendo isso só porque quer me beijar. — Ela ri alto.
— Quem disse que eu quero te beijar? — Questiona de sobrancelhas arqueadas.
— Não quer? — Questiono também de sobrancelhas arqueadas.
— Desde o minuto em que cheguei. — Acabo rindo também.
— Você é ridícula, Srta. Swan. – Me dá de ombros.
— Faz parte do meu charme. – Balanço a cabeça negativamente para pessoa idiota que meu coração resolveu gostar. – Sai comigo. – Pede. – Um encontro, é só isso que eu lhe peço. – Mantenho os olhos nos dela, enquanto infelizmente, penso a respeito. – Você me deve um encontro. – Agora rolo os olhos, ela nunca vai esquecer disso.
— Não, eu não lhe devo.
— Então me fala que você não quer. – Abro a boca para falar tal coisa, mas antes que possa fazer, põe a mão sobre meus lábios e ri. – Da boca para fora não vale. Fala que você, Regina Mills, não quer sair comigo, pelo simples fato de não querer, e não porque tem medo da sua mãe.
— Eu não posso dizer isso. – Falo contra sua mão. Minha sinceridade arranca dela um sorriso.
— Um encontro, por favor? Eu não vou desistir, você sabe. – Suspiro, tiro a mão dessa mulher teimosa da minha boca, e conversamos por alguns segundos, através do olhar. Tenho certeza que não vai mesmo desistir. Tenho certeza também, que sente mesmo muitas coisas por mim. Assim como tenho certeza de que nesse momento, meus olhos demonstram que eu também sinto muitas coisas por ela.
— Depois que seu contrato com Tinker acabar. – Minha resposta faz com que ela abra um sorriso enorme. – Um encontro, apenas um, nada além disso, e ninguém, ninguém mesmo, pode sequer sonhar com isso. – Concorda com a cabeça, enquanto continua sorrindo.
— Okay, um encontro. – Concorda. — Ninguém vai saber, juro de dedinho, vamos fazer do jeito que você quiser. – Bom, não faz nem um minuto que aceitei o encontro, mas já estou arrependida disso, porém mesmo arrependida, não sinto vontade de desmarcar. – Você quer que eu te leve para onde? – Lhe rolo os olhos.
— Srta. Swan, você entendeu a parte que ninguém pode ficar sabendo? – Confirma muitas vezes com a cabeça. – Então você não vai me levar para lugar algum. Seu contrato acaba dia 23 de dezembro, certo? – Afirma.
— Certíssimo, dia 23, as 23 horas e 59 minutos.
— Okay. Então dia 24, espero você e sua filha na minha casa, para passarem o natal comigo. – Não sei o posso ter falado de errado, mas seu sorriso murcha.
— Esse é o encontro que tem em mente? – Questiona.
— Esse é o encontro que tenho em mente.
— Não por nada, não estou reclamando nem algo parecido. Mas esperava um encontro onde tivesse você, eu e só. – Mentalmente me pergunto se algo além de perversidade, passa por essa cabecinha.
— Não acredito que está mesmo pensando em passar o natal, longe da sua filha. – Fica sem graça o que me faz rir.
— Um único encontro, você falou. Tenho esperança de talvez convencer você a aceitar outro, mas caso não consiga, essa vai ser uma oportunidade única. – Se defende.
— Você não vai me convencer. – Deixo claro. — Traga Janis. Acredito que ela não vá ficar a noite toda acordada, então você vai ter sua chance. – Volta a me sorrir, além de lançar um olhar de cobiça.
— Está nos chamando para ficar na sua casa?
— Estou. – Talvez ela exploda mesmo de felicidade. – Mas veja bem, ficar a sós comigo, não significa que você vai tirar as minhas roupas. – Balança a cabeça concordando.
— Eu sei. Não quero que se sinta intimidada, nem nada do tipo. Vamos fazer do seu jeito, no seu tempo. Já fico bastante feliz e realizada, se só beijar a sua boca até amanhecer. – O jeito entusiasmado como fala, a felicidade que transborda nela, me fazem sentir muito bem. – Você vai querer ficar comigo para sempre. – Me faz rolar os olhos. – Nunca mais vai querer sair de perto. – Continua. – Vai até querer se mudar para Vegas.
— Menos, Srta. Swan, menos. – Sem que eu espere, ela beija meu rosto, minha testa e me abraça, me deixando momentaneamente sem reação e fazendo com que meu corpo, sinta muitas reações. – Eu estou tão feliz! – Exclama antes de voltar a beijar minha testa.
— Estou momentaneamente feliz também. – Compartilho meu sentimento, enquanto tiro alguns fios loiros da frente de seu rosto.
— Vá se acostumando com o sentimento, se depender de mim, você vai ser feliz constantemente. – A frase soa como uma promessa.
— Acho que poderia me acostumar com isso. – Ela ri.
— Boba! – Suas mãos, puxam meus ombros, aparentemente tentando me fazer levantar. – Levante-se, vamos ver o sol nascer. Porque se continuarmos assim, sua boca aí, tão exposta, talvez a minha boca esqueça que tem que esperar até dia 24. – Rolo os olhos e faço o que me pediu, me ponho de pé. Ao olhar para fora, é que me dou conta que o sol está mesmo nascendo. Sinto os braços da Srta. Swan, envolvendo minha cintura, em seguida, apoia a cabeça em meu ombro. Segurança, é essa a sensação que me invade. – Quem disse que Vegas não dorme, não é mesmo? – Sussurra. Provavelmente falando da cidade quieta lá fora.
— Assim quietinha, ela é até que aceitável. – Meu comentário a faz apertar seus braços em volta de mim. Além do apertão, ganho também um beijo no pescoço, o que de novo, gera reações em meu corpo.
— Admita, você ama Vegas! – Me faz rir debochadamente.
— Você nunca vai me ouvir admitindo isso, Srta. Swan. – Tenho toda certeza do mundo sobre isso.
— Tudo bem, tenho coisas melhores para ouvir você admitindo. – Volta a beijar meu pescoço.
— Cale a boca, e pare de me beijar. – Ordeno.
— Tem medo de não resistir ao encanto dos meus beijos? – Me provoca. E eu? Enquanto vejo o dia ganhar cores lá fora, e a tenho aqui comigo, agarrada a minha cintura, peço a Deus, ao destino, ao universo, mais momentos assim, singelos, leves, em paz, e sempre que possível, na companhia dessa pessoa.
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