Right Here Waiting For You
5 Sweet Dreams
Notas iniciais
Enquanto as outras três mulheres ressonam ao meu lado, tento reunir força suficiente para levantar dessa cama, pôr minhas roupas e ir embora. A brincadeira que tive com Tinker, Ruby e Summer, está me fazendo sentir a pior pessoa do mundo.
Não sou puritana, longe disso, nem tenho nada contra orgias, já participei e me diverti muito em algumas, mas não dessa vez. Ruby é quase como minha irmã e isso me fez sentir muito, muito mal. Me pergunto como vou olhar para cara dela depois de tudo que aconteceu. Como vamos fazer de conta que está tudo bem?
Foi uma péssima ideia convida-la e praticamente obriga-la a participar dessa orgia, agora sei exatamente o que ela quis dizer com “essa é uma péssima ideia”. Porém, está feito e não tem nada que eu possa fazer para desfazer. Mas posso evitar de encara-la agora.
Com o intuito de ir embora, espreguiço meu corpo, estico primeiro as pernas e ao fazer o mesmo com os braços, acabo os acertando em alguém, sussurro um pedido de desculpas, que sai completamente inaudível. Mexo minha cabeça de um lado para outro, e mais uma vez volto a me espreguiçar. Infelizmente esse pequeno ritual, acorda Tinker, e infelizmente ela já acorda disposta a não colaborar comigo.
Seus dedos sorrateiros escorregam preguiçosamente pelo meu abdômen, enquanto cola seu corpo no meu. Seus lábios tocam meus ombros, trilhando beijos leves em direção ao meu pescoço, enquanto sua mão acaricia meu sexo. A mulher é incansável, e eu, bom, não estou disposta. Estou ciente de que Ruby e Summer, ainda estão aqui, e dividindo a mesma cama conosco. Tenho certeza que continuam tão nuas quanto eu, mas infelizmente para mim, é o meu corpo que Tinker quer.
Rolo para o lado em uma tentativa de fugir da sua investida, infelizmente calculo mal e acabo caindo da cama.
– AU! – Resmungo de dor, ao sentir o impacto de um dos meus cotovelos contra o chão.
– Você está bem? – Ao abrir os olhos vejo Tinker me observando, com os cotovelos apoiados na cama e o queixo apoiado nas mãos, enquanto tenta não rir.
– Sim. – Sorrio e me ponho de pé. – Preciso ir. – Aviso enquanto caço pelo chão, minhas coisas. Graças a Deus encontro boa parte delas antes de Tinker se pôr de pé. Me afasto quando a vejo se aproximando e vou em busca das peças que faltam.
Em outra ocasião tomaria um banho antes de ir para casa, não gosto do cheiro de perfume que minhas clientes deixam impregnando em mim, mas como estou praticamente fugindo de uma mulher ensandecida por sexo, resolvo deixar o banho para quando chegar em casa.
– Não, você não precisa. – Me abraça por trás, enquanto tento atacar meu sutiã. – Fique, a noite está apenas começando. – Pede. Ponho um sorriso no rosto e me volto para ela.
– Delicia, segundo o despertador... – Aponto para o mesmo. — Já passa das 3:00hrs da madrugada. Não posso mesmo ficar, mas minhas amigas ficarão e tenho certeza que me substituirão a altura. – Beijo sua boca e de novo me afasto. Rapidamente abro minha bolsa e tiro dela o vestido que trouxe. Tinker volta a se aproximar e eu volto a fugir, enquanto visto o vestido. Calço os sapatos, coloco meu sobretudo e quando vou pôr a calcinha, Tinker a rouba de mim.
– Suas amigas são ótimas, mas você é insubstituível. – Tenho vontade de rolar os olhos ao ouvir tal coisa, mas apenas lhe lanço um sorriso de agradecimento. Como sei que ela não me devolverá a calcinha se eu não lhe der sexo, desisto da mesma. Passo os dedos pelos cabelos, vou até minha bolsa, a pego e caminho em direção a saída. Saio do quarto e entro no escritório escuro, infelizmente ouço os passos de Tinker atrás de mim, logo em seguida as luzes daquele cômodo são acesas.
– Você tem outro compromisso ainda hoje? – Não gosto nada do tom ciumento com o qual ela faz a pergunta e gosto menos ainda de saber que não posso despacha-la para todo o sempre. E menos ainda, pensar que praticamente aceitei fingir ter um compromisso sério com ela por um mês. UM MÊS. Trinta dias. Tinker vai grudar em mim por trinta miseráveis dias. Tenho certeza que não vou conseguir nem respirar direito e mais certeza ainda que isso não vai terminar bem. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei tal coisa?
– Tenho, um compromisso inadiável com a minha cama. – Respondo sem olhar para trás ou parar de andar. Atravesso o escritório o mais rápido que posso, mas infelizmente antes que consiga abrir a porta para sair, Tinker passa na minha frente e para diante da mesma.
– Por que você não pode dormir na minha cama? – Suspiro, levo as mãos até sua cintura e a tiro de frente da porta.
– Porque é a sua cama, a sua casa, ou hotel, tanto faz. Tinker, eu tenho uma vida, nem só de programas vive essa que vos fala. – Volto a beijar-lhe os lábios. – Preciso ir. Mais uma vez, obrigada pelo o que fez por mim e aproveite seus presentes. – Lhe dou outro beijo e abro a porta, já estou praticamente no corredor quando ela me puxa pelo braço e me faz voltar.
– Você vai embora sem receber? – Arqueia as sobrancelhas.
– Receber pelo o quê? Presentes são de graça, Delicia! – Lhe sorrio e tento soltar meu braço.
– Estou falando pela noite de ontem, na casa da minha amiga. – Me explica.
– Não tem pagamento, certo? Quer dizer, você resolveu o problema do carro da executiva estressada. – Tinker abre a boca para falar alguma coisa, mas por algum motivo desiste e apenas sorri. Faz sinal com a mão para que eu espere e caminha até a mesa extravagante do seu escritório, minutos depois volta trazendo consigo um amontoado de dólares.
– Já disse que não quero que continue se encontrando comigo por obrigação. Esquece isso! Aceite como presente o conserto do carro da executiva estressada. – Ri, aparentemente pelo apelido que coloquei em Regina Mills. – Aqui está o pagamento pela noite anterior, que foi uma das melhores da minha vida, devo acrescentar. – Me estende o dinheiro.
– Tem certeza? – Indago sorrindo sem tirar os olhos das notas de cem.
– Absoluta. – Já que está insistindo, não vou me fazer de rogada. Pego meu pagamento, e rapidamente o guardo no bolso da jaqueta.
– Obrigada, Delícia! Você salvou minhas contas atrasadas. – Ela sorri. – Por falar nisso, deu tudo certo? – Ela afirma.
– Sim, quer dizer, liguei algumas vezes para ela, e acabou sempre caindo na caixa, então deixei um recado, pedindo o número da conta dela e o valor que devo depositar. Se até o final da manhã, ela não me retornar, ligo de volta. – Balanço a cabeça concordando.
– Certo. Então eu vou. – Aviso.
– Tem certeza que não quer ficar? – Afirmo.
– Hoje não, vamos combinar um outro dia, prometo ficar a noite toda e não deixar você dormir. – O tom sacana que uso, a faz sorrir e me puxar pela jaqueta.
– Vou cobrar. – Murmura ao beijar minha boca. A princípio retribuo o beijo, mas ao ver onde ela quer chegar, desisto.
– Me liga. Precisamos falar sobre esse “compromisso” de um mês. – Peço ao me afastar. – E mais uma vez, obrigada. – Lhe jogo um beijo, e dessa vez consigo sair. Enquanto caminho pelo largo e extenso corredor, a ouço me chamando de gostosa, o que me faz sorrir.
Enquanto caminho pela ala dos escritórios, Regina Mills me vem em mente e me sinto tentada a ligar para ela, para falar do carro e claro, marcar um encontro para que ela devolva meu celular. Provavelmente ela está dormindo, começo a rir ao imaginar a reação dela ao ser acordada a essas horas por uma ligação minha.
Tentada a ouvir sua voz irritada do outro lado da linha, tiro meu celular da bolsa e faço a ligação. Infelizmente ela não me atende. Enquanto atravesso o extenso corredor vazio, tento outra vez e de novo não sou atendida. Ainda rindo com a ideia de acorda-la, resolvo tentar mais uma vez.
Ao passar pelo bar praticamente vazio, levanto a cabeça para me despedir de Ryan, o barman do lugar, e ao fazer tal coisa, vejo ninguém mais, ninguém menos do que Regina Mills ao vivo e a cores, o que me faz parar bruscamente. Regina Mills em um bar em plena madrugada? Estou em choque. Esfrego meus olhos, para ter certeza que não estou alucinando, pisco algumas vezes e nada acontece. Ela continua lá, linda, gostosa e inalcançável.
Está sentada em uma das banquetas do bar, com os braços apoiado no balcão do mesmo. Um copo e uma garrafa de tequila já pela metade lhe fazem companhia. Sorriu ao vê-la olhando para o meu celular, enquanto da de dedo nele, como se fazendo aquilo, estivesse dando de dedo em mim.
Desisto da ligação e me aproximo sorrateiramente, ela parece distante, alheia do que acontece ao seu redor. Paro ao seu lado, a espera de que ela me perceba ali, como não acontece, resolvo me pronunciar.
– Podia jurar que você não me atenderia por estar dormindo. – Minha voz a surpreende e a assusta. Ela levanta a cabeça, e me olha com cara de poucos amigos. Na verdade, me olha como se eu tivesse lhe feito algum mal. – Mas só para me surpreender você está no bar, enchendo a cara a essas horas da madrugada. – Sento-me na banqueta ao seu lado, com o corpo voltado para ela, que a princípio faz o que sabe fazer de melhor, me ignorar.
– Senhorita Swan, não sei sobre seus clientes, nem quero ofende-la, mas sei que as regras desse hotel impedem os mesmos a trazer pessoas como a Srta., para cá. – Me lança um olhar irritado, me impossibilitando de não sorrir.
– Não ofendeu. – A tranquilizo. – E toda regra tem sua exceção, já ouviu falar? – Minha resposta parece deixa-la ainda mais irritada.
– Não nesse caso. – Fala bastante séria.
– O que estamos bebendo? – Pergunto com intuito de faze-la me oferecer um pouco de tequila.
– Eu, tequila, a Srta. nada! – É enfática.
– Puxa vida! Você tem uma garrafa de tequila só para você, deixa de ser egoísta, divide um pouco dessa maravilha comigo. – Peço. – Podemos dividir a conta. – Sugiro.
– Não estou interessada em dividir nada com a Senhorita. – Me lança um olhar esnobe, o que me faz ter vontade de pular da banqueta e agarra-la.
– Nada mesmo? – O tom sugestivo que uso na pergunta a faz-me lançar um olhar incrédulo. – Nadinha? – Uso meu sorriso mais cafajeste, o que a faz bufar.
– Absolutamente nada. – Deixa claro, antes de desviar os olhos dos meus.
– Assim você magoa meus sentimentos, Regina Mills. – Gosto da reação do seu corpo quando falo seu nome. Seus olhos chamuscam, e posso ver um pequeno sorriso que ela tenta esconder, mas isso acontece rapidamente e ela logo se recupera. – Não vai mesmo dividir a bebida comigo? – Insisto e como resposta ganho silêncio. – Mulher má! – A acuso e de novo posso ver um sorrisinho escondido. Levanto a mão chamando Ryan, que prontamente vem me atender. – Ryan, me traz uma garrafa de tequila, por favor! – Peço. Ele olha para mim, depois para Regina Mills, e de novo para mim, balança a cabeça em negativo como se quisesse me dizer alguma coisa e em seguida sai em busca da minha bebida. – Então... – Volto meus olhos para a executiva gostosa, que me ignora completamente. Seu indicador está circulando a borda do copo de tequila, enquanto seus olhos estão fixos em algum ponto a sua frente. – O que faz essas horas aqui, e sozinha? – Tento puxar assunto.
– Está vendo quantos lugares vazios, Srta. Swan? – Seu indicador aponta. — Por que não escolhe um bem longe de mim e me deixa em paz? – Sugere, sem ao menos me dar uma olhadinha.
– Prefiro sua companhia. – Ela suspira.
– Nesse caso, vou eu procurar outro lugar. – Ameaça levantar-se, mas seguro seu braço, enfim ganhando sua atenção.
– Por favor, fique. – Peço. – Eu só preciso de uma companhia. – Seus olhos se prendem nos meus por alguns segundos.
– Por que não procura uma de suas clientes? – Indaga sem paciência. Não entendo o motivo de tanta raiva.
– Porque não estou atrás de sexo, só quero alguém para conversar, desabafar, sei lá... – Dou de ombros.
– E por que acha que esse alguém sou eu? – Acabo sorrindo.
– Alguém já disse que você faz perguntas demais? – De novo ela ameaça ir, o que me faz segurar seu braço com mais força. – Você está sozinha, eu estou sozinha, então por favor, só vamos nos fazer companhia. Por favor? – Insisto. Ela suspira, aparentemente desistindo de ir.
– Larga meu braço. – O pedido sai mais como uma ordem, e mesmo com medo que ela vá, eu a obedeço.
– Sua bebida. – Ryan está de volta e ganha nossa atenção. Ele abre a garrafa e me serve, faço sinal com a mão para que ele sirva Regina Mills também, e é o que ele faz. Assim que ele se retira, pego meu copo e me volto para ela.
– Vamos brindar. – Sugiro, o que a faz rolar os olhos.
– E brindaremos ao quê? – Sorrio.
– A você ter ficado, ao invés de ir. – Estendo meu copo. Ela volta a rolar os olhos e totalmente a contragosto pega seu copo e o tintila no meu, logo em seguida entorna a bebida e sem fazer cara feia, o que de novo me surpreende.
Seus olhos presos nos meus, parecem me desafiar a fazer o mesmo, então não me resta outra alternativa a não ser beber. Entorno a bebida sem desfazer o contato visual, mas ao contrario dela, a tequila me faz fazer careta, tal coisa a faz me mostrar os dentes em um sorriso perfeito pela primeira vez.
– Parece não gostar muito de bebidas fortes, Srta. Swan. – Me provoca.
– Pelo contrário, só existe uma coisa que eu gosto mais do que de bebidas fortes... – Ela arqueia uma sobrancelha, esperando a resposta. – Personalidades fortes. – Minha resposta a faz desviar os olhos. Sorrio ao deixa-la sem resposta e volto a encher nossos copos. – Então, minha mãe resolveu o problema do seu carro? – Por algum motivo que não entendo, minha pergunta traz de volta seu olhar irritado.
– Sim, pelo recado que sua mãe deixou na minha caixa postal, junto com gemidos e palavras de baixo calão, ela resolveu o problema do meu carro. – A palavra “mãe”, não poderia ter sido dita com mais sarcasmo. Não acredito que Tinker, ligou para ela enquanto estávamos lá. Só pode ter acontecido quando fui atender a porta em busca da espumante e dos morangos. – Acredito que ela tenha sido recompensada por isso. – Regina me tira dos meus pensamentos, pega o copo de tequila e volta a entornar.
– Foi. – Solto com o ar. Como não quero falar sobre o assunto, também entorno meu copo de bebida.
– Seu celular. – Ela desliza meu celular que estava em cima do balcão a sua frente.
– Não, não, não! – Volto a pôr o celular na frente dela. – Você vai me entregar só quando acontecer o nosso encontro. – Aviso.
– Senhorita Swan, qual a parte da frase: eu não estou interessada nos seus serviços, a Srta. não entendeu? – Sorrio e mais uma vez encho nossos copos.
– Eu já disse que não estou lhe oferecendo meus serviços. Regina Mills, embora você seja muito atraente, cheirosa e gostosa, não estou aqui para lhe vender sexo, se estivesse aqui para isso, com certeza já teria ido embora na primeira patada que você me deu. Por que não podemos ser amigas? – Sugiro. Ela bufa e de novo entorna a tequila.
– Porque eu não tenho amigos. – Sua frase soa ácida.
– Eu também não. Quer dizer, tenho um amigo gay, que ultimamente só sabe falar sobre o homem que ele arrumou. E a minha única amiga... – Balanço a cabeça em sinal de negativo pensando em Ruby, e ganho um olhar curioso de Regina Mills. Entorno minha bebida antes de contar. – Minha única amiga está em algum quarto desse hotel, nua, com mais duas mulheres, e bom, eu fiz parte dessa orgia. Ela é como minha irmã, e eu transei com ela, isso para mim é como um incesto, então não vou conseguir olhar na cara dela por um bom tempo. – Meu desabafo parece pegar Regina Mills de surpresa. Seus olhos um tanto quanto incrédulos, estão em mim. – Não me julgue. – Peço. – Precisei fazer isso para agradecer o conserto do seu carro. – Ela tira os olhos de mim, e dessa vez é a responsável por encher os copos.
– Minha melhor e única amiga está transformando nossos negócios em um puteiro, quando me prometeu que não faria mais isso. – Para minha surpresa, Regina Mills também resolve desabafar. – Sem ofensas. – Murmura ao lembrar o que eu sou.
– Não ofendeu. – O silêncio se faz presente entre nós e ela parece ter a mesma ideia que eu. Pega seu copo e entorna a bebida. Devolvemos o copo ao balcão juntas o que nos faz rir. – Vai sair comigo? – Já me sentindo um pouco alta pela bebida, então volto a insistir no assunto.
– Provavelmente. – Sua resposta me faz sorrir.
– Você é assim sempre tão difícil? – Ela sorri e afirma.
– Sempre. – Cheia de coragem levo minha mão até a mão dela, que para minha surpresa não recua e nem se retrai.
– E eu sou assim sempre insistente. Pelo menos quando vale a pena. – Conto, de novo a fazendo sorrir.
– Eu estou bêbada. – Muda de assunto. Pelos seus olhos pequenos e brilhosos, constato que sim, ela está bêbada.
– Estou vendo.
– Você não abusa de pessoas bêbadas, abusa? – Sua pergunta um tanto quanto séria, me arranca uma gargalhada.
– Não, eu não abuso. – Respondo ainda rindo.
– Nesse caso, vou beber mais uma dose. – Faço menção em largar a mão dela para servi-la, mas ela é mais rápida e com a mão livre nos serve.
– Está bebendo desse jeito só porque os negócios com sua amiga não vão bem? – Questiono com curiosidade.
– Se você conhecesse minha mãe, me incentivaria a beber pelo menos mais um litro. – Arqueio as sobrancelhas assustada com a possibilidade de a mãe dessa mulher ser ainda menos flexível do que a própria. – E também porque estavam transando no quarto ao lado e o isolamento acústico dos quartos não é tão bom quanto pensei que fosse. – Lhe lanço um olhar de quem sente muito.
– Sinto muito, pela sua mãe e pelo isolamento acústico. – Ela concorda com a cabeça.
– E eu sinto muito pelo incesto. – Imitando ela, balanço a cabeça concordando. – Então, o que você faz quando está com problemas e não pode contar com ninguém? – Questiona comigo. Penso um pouco a respeito e sorrio.
– Bom, eu me tranco no meu quarto, plugo meu celular no aparelho de som, coloco no volume mais alto e danço. – Ela junta as sobrancelhas.
– E no que isso ajuda? – Parece em dúvida.
– É libertador. Enquanto estou dançando esqueço os problemas e me sinto leve. Se a boate do hotel ainda estivesse aberta, eu levaria você até lá e lhe explicaria como funciona. – Seus olhos procuram pelos meus, ela parece estar tentando decidir alguma coisa. Por fim sorri, bebe outra dose de tequila e se põe de pé. Ao fazer tal coisa, a bebida em seu corpo parece deixa-la tonta, sem pensar muito, me ponho de pé e a seguro pela cintura.
Ao contrário do que imaginei, ela não se afasta, seus olhos continuam presos nos meus e ela me sorri. Como em um sonho, ela aproxima seu rosto do meu, me deixando tensa, imóvel e ansiosa. Seu sorriso se torna perturbador, parece me testar, me provocar, então fecha os olhos, e sem querer faço o mesmo. Sinto seu nariz roçar o meu pescoço, o que faz meu coração acelerar no mesmo momento.
– Srta. Swan? – Sussurra ao pé do meu ouvido.
– Hum? – É a única coisa que consigo responder.
– A Srta. deveria tomar banho depois de transar com a sua “mãe”, o perfume enjoado dela está impregnado em você. – Quando abro os olhos, seu rosto já não está mais próximo do meu, e ela sorri diabolicamente, aparentemente se dando conta do quanto sua aproximação repentina me abalou.
– Saí meio que fugida da minha mãe, então não tive oportunidade para um banho. – Explico. – Nem todas são cheirosas como você, Regina Mills. – Seu sorriso diabólico continua em seu rosto.
– Me acha cheirosa? – Afirmo.
– Muito. Seu perfume me faz ter vontade de... – Ela arqueia as sobrancelhas, esperando que eu continue. – Deixa para lá.
– Vem comigo. – Me estende meu celular, pega seu litro de tequila e com a mão livre, agarra a minha mão e me reboca dali.
– Aonde estamos indo? – Questiono. Minha mente completamente pervertida não consegue não pensar em um quarto, uma cama, Regina Mills nua gemendo meu nome, entre outras coisas. Mas me contentaria com um cantinho qualquer também. Elevador, atrás de um arbusto, debaixo da mesa de roleta. Qualquer lugar para mim está ótimo.
– Não pergunte. – Ordena e eu concordo. Não faço ideia para onde ela está me levando, mas quero muito ir.
– Ok! – Concordo. A executiva gostosa parece conhecer o hotel como a palma das mãos. Cruzamos o bar, passamos pelo casino e então entramos em um corredor que eu tenho quase certeza que é de uso exclusivo dos funcionários. Depois de atravessarmos todo o corredor, ela abre a porta presente no final do mesmo e me puxa para dentro do cômodo desconhecido.
Não posso ver nada além do escuro, em outras ocasiões me sentiria sufocada, mas nessa, estou pensando seriamente em me aproveitar disso para quem sabe agarra-la. Quer dizer, ela quer ser agarrada, certo? Por que outro motivo me traria para cá? Infelizmente preciso abandonar esse pensamento quando ela acha o interruptor e acende as luzes. Assovio ao me dar conta do lugar que estamos.
– UAU! A cabine do DJ. – Ao mexer em outro interruptor ela acende as luzes da boate, que está um andar abaixo de nós. – Por que algo me diz que não poderíamos mesmo estar aqui? – A questiono.
– Você se importa? – Me lança um olhar de desafio ao voltar-se para mim.
– Não mesmo. – Respondo de imediato ao dar de ombros.
– Então, pegue seu celular. Espero que você saiba como pluga-lo aí. – Afirmo com a cabeça. Não demoro muito a achar um fio que me faz conectar o celular a aparelhagem.
– O que quer ouvir? – A indago ao abrir minha playlist.
– Me surpreenda. – Tiro os olhos da tela do celular e os prendo nela. Seu sorriso diabólico está de volta, o que faz eu ter que me controlar para não jogar o celular de lado e partir para cima dela.
– Ok, então espere lá embaixo, na pista de dança. – Ela balança a cabeça concordando e sem dizer mais nada, caminha até a porta oposta à que entramos e se vai. Mexo em alguns botões tentando ligar as luzes de neon e os globos. Depois de algumas tentativas frustradas, finalmente consigo. Apago as luzes normais da boate, coloco a música para tocar, e praticamente corro para o andar de baixo.
Regina Mills flexiona timidamente os joelhos, tentando mover-se no ritmo da música, o que me faz sorrir. Paro em frente a ela, que me olha envergonhada, como se dançar ou tentar fazer isso, fosse a coisa mais grave do mundo.
– E agora? – O volume alto da música, a faz praticamente berrar. Me aproximo, levo a mão até a lateral do seu rosto e o acaricio, antes de traze-la para perto, com intuito de falar ao pé de seu ouvido.
– Agora você fecha os olhos, e deixa a batida da música entrar na sua alma, nos seus poros, no seu corpo, se entregue a isso como se você fosse uma prostituta suja e vulgar. – Minha sugestão a faz afastar o rosto para que possa me encarar.
– Eu não sou uma prostituta suja e vulgar. – Parece quase ofendida. Lhe sorrio, pego o litro de bebida da sua mão e dou um gole.
– Eu sou! – Exclamo antes de desatar o nó que mantém meu sobretudo abraçado. O abandono no chão da boate, andes de fechar os olhos e começar a dançar.
Levanto os braços, e os balanço de um lado para o outro enquanto movo meus quadris no ritmo da música. Deixo as batidas guiarem meus passos e meus movimentos, por um tempo fico tão entretida na música que esqueço onde estou e com quem estou.
Dançar é libertador, não existe problema que não consigo esquecer quando estou dançando. É quase como uma meditação, só que muito melhor. É prazeroso, quase tão prazeroso quanto uma boa noite de sexo.
Sexo, tal palavra me faz pensar em Regina Mills, o que me faz lembrar de onde estou e abrir os olhos. Ela continua parada, seus olhos estão presos em mim, eles parecem me devorar. A batida da música, junto com os flashes coloridos de luzes que batem nela, a tornam ainda mais sexy e convidativa.
Um tigre enjaulado, desafiando seu domador a aproximar-se sem nem um tipo de proteção, nesse momento é assim que vejo nós duas. Volto a entornar a bebida e sem medo dos estragos que essa mulher pode fazer, me aproximo.
– Você não está dançando. – Falo perto de seu ouvido.
– Eu não sei dançar. – Admite.
– Feche os olhos. – Peço, e sou surpreendida ao ser obedecida. – Abra a boca. – De novo ela me obedece, me fazendo sorrir satisfeita. Levo a garrafa de tequila até sua boca, desejando ser aquele litro sortudo, e despejo um pouco de bebida. Quando ela passa a língua pelos lábios, sem tirar os olhos diabólicos de mim, quase esqueço que não devo me aproveitar de uma bêbada. Suspiro e tiro os olhos de lá, em busca de concentração. – Agora mova os quadris, não pense, não tente dominar a música, deixe a música dominar você. – Ela assente e desajeitadamente começa a se mover.
– Eu não gosto de ser dominada. – Sorrio, pelo duplo sentido que vejo na frase.
– É porque você nunca encontrou a música certa, ou a pessoa certa. – Deixo escapar e para minha felicidade, ela não se abala. – Tenho certeza que quando isso acontecer, você não vai se importar nem um pouco em ser dominada. – Ela nada responde, seu corpo está entrando no ritmo da música. Tentada a dançar com ela, junto a ela, colada nela, dou mais um gole na bebida, antes de abandonar o litro longe de nós.
Paro atrás da executiva gostosa, que já está de braços levantados, enquanto movimenta-se com perfeição. Desinibida, sensual, sexy. Sua cabeça balança de um lado para outro, enquanto ela cantarola a canção.
Se no início do dia me dissessem que eu conheceria Regina Mills, e que fossemos terminar a noite invadindo uma boate de um hotel, tendo a mesma só para nós. E que dançaríamos e beberíamos como se não houvesse amanhã, riria da cara dessa pessoa. E se fossem além, e me dissessem que eu me sentiria completamente atraída por essa mulher linha dura, sugeriria a essa pessoa, internação em um manicômio.
Aproximo-me mais, roçando meu corpo em suas costas, levo minha mão direita até sua cintura e a puxo para perto. Suspiro sentindo seu corpo em contato com o meu. Subo minhas mãos pelas laterais do seu corpo, seus braços erguidos, e entrelaço meus dedos aos dela. Meu corpo acompanha o seu nas batidas da música.
– Eu gosto dessa música! – Praticamente grita. – E eu nem sabia que sabia canta-la.
– Eu gosto desse momento, das suas curvas, do seu perfume, do jeito como você se mexe. – Sussurro em seu ouvido. Minhas palavras a fazem reagir imediatamente. Regina Mills, se volta para mim, prende os braços no meu pescoço e os olhos nos meus olhos.
– Sou uma prostituta suja e vulgar, agora? – Indaga ao voltar a se mexer.
– Se você fosse uma, pagaria o que tenho e o que não tenho, para passar algumas horas com você. – Minha resposta a faz abrir um sorriso convidativo.
– Meu perfume a faz ter vontade de quê? – Retoma a conversa do bar. Minhas mãos voltam a sua cintura, puxo seu corpo de encontro ao meu, encosto minha testa na sua, e subo uma mão pela extensão das suas costas, até chegar em sua nuca, emaranho meus dedos em seu cabelo.
– Muitas coisas. – Sussurro.
– Por exemplo? – Ela está me provocando, descaradamente me provocando. O diabo, Regina Mills é a personificação do diabo, posso vê-lo em seus olhos. Paro de dançar e devagar a conduzo até a parede mais próxima, sem deixa-la se afastar um centímetro sequer.
A encosto contra a parede, colo meu corpo no seu, e puxo seus cabelos a fim de faze-la levantar a cabeça. Seus olhos estão fechados, seu corpo está entregue. Meus lábios tocam seu queixo, me fazendo suspirar ao sentir a pele macia e cheirosa contra eles. Trilho beijos lentos, molhados, sedutores até seu pescoço.
O perfume que inalo, faz tanto efeito como uma droga, quando atinge meu sistema nervoso. Meu coração acelera, me sinto inebriada, louca. Céus! Amo o cheiro desse perfume, nessa mulher. Ele me descontrola, me faz perder o controle, a gentileza, o que acaba refletindo na minha boca contra seu pescoço. Meus beijos já não são mais sutis, são agressivos, são desejosos, e com certeza deixarão marcas. Minha falta de gentileza, lhe arranca um baixo gemido de dor e prazer, o que me enlouquece ainda mais.
– Isso. – Sussurro com a boca contra o seu pescoço. As mãos de Regina Mills até então penduradas em meu pescoço, vão até meus cabelos, ela os puxa, me fazendo gemer. Contra minha vontade, desisto do seu pescoço e a encaro. Desejo, os olhos da executiva me olham com desejo, ela já não tenta mais esconder tal coisa.
– Qual seu preço? – Sua voz um tanto quanto ofegante me questiona.
– Eu não cobraria um centavo sequer de você. – O desejo iminente em minha voz, lhe arranca um dos seus sorrisos diabólicos. Meus olhos param na cicatriz que ela carrega acima do lábio superior. Até a porra de uma cicatriz consegue se tornar sexy no corpo dessa mulher. Mentalmente me pergunto o que está acontecendo comigo? Regina Mills, não me deixa raciocinar.
– Então o que está esperando para acabar de uma vez com isso, Srta. Swan? – Questiona de sobrancelhas arqueadas, me provocando, me desafiando, me pedindo.
– Você está bêbada. – Lembro não só a ela, mas a mim também. Não posso me aproveitar de uma pessoa bêbada, por mais que eu queira lhe arrancar as roupas e muitos gemidos, não posso me aproveitar.
– E? – De novo puxa meus cabelos, em uma tentativa de trazer minha boca de encontro a sua.
– E caso aconteça alguma coisa, vai me odiar amanhã. – Me agarro aquele último fio de sobriedade.
– E? – Volta a indagar.
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