Right Here Waiting For You
34 Nothing But Love
O que falar sobre o escritório que gere o império de hotéis e resorts Mills B.? Eu já tinha passado por aqui antes, com Zelena. Foi no segundo dia do ano, quando Regina já tinha voltado ao trabalho e passou o dia todo no mesmo. Quando pedi para Regina, para conhecer seu local de trabalho, eu não fazia ideia do quão intimidador poderia ser, até quando aconteceu. Na ocasião, ela me deixou aos “cuidados” da irmã. Passamos só para que Zelena pudesse assinar algum documento, e seguimos. Coisa de no máximo, uns 15 minutos. Não sorri, não acenei, sequer olhei para os lados. Tracei uma linha reta e fui.
Claro que hoje, está sendo incontáveis vezes pior. Primeiro, porque agora eu não estou aqui para uma visita, não estou acompanhando uma amiga. Estou como uma funcionária. Segundo, porque ser amiga de Zelena e “namorada” de Tinker, não me ajuda na parte de estar aqui como uma funcionária. Terceiro e não menos importante, minha falsa namorada resolveu que eu precisava fazer um tour pelo lugar, e minha querida cunhada, prontamente concordou.
Enfim, o espaço em si até que é aconchegante, além de enorme. O vigésimo terceiro andar todo, pertence ao escritório da humilde rede de hotéis. Claro, arejado, cheiroso, muito bonito e bem decorado. Uma mistura entre o clássico e moderno, na visão de designers de interiores que eu não sou. Tem o mesmo padrão de cores, pisos e texturas em quase todos os cômodos. Cada parte parece se complementar.
Obviamente começamos pela recepção. O teto branco, todo trabalhado em gesso, com muitos spots de led espalhados. O chão de piso com texturas claras de madeira. A mesa da secretária é branca, o tampo de é madeira escura, quase preta. Sobre a mesma, um vaso chique, elegante, dourado, cheio de pedrinhas, desses que a gente encontra em eventos luxuosos. Dentro dele, muitas rosas vermelhas. A parede atrás da mesa, é de madeira de verdade. Tem exatamente a mesma textura e cor do piso falso. O nome da rede de hotéis está exposto ali.
Zelena me apresentou Megan Parker, a secretária do lugar. Alguém de meia idade, alta, bastante magra, loira, bem vestida, e com um perfume que de tão doce, me trouxe dor de cabeça e náusea. Não costumo julgar as pessoas sem antes conhece-las, mas pelo jeito como me olhou, como me sorriu, como me desejou boas-vindas enquanto me analisava da cabeça aos pés, me passou a imagem de uma pessoa um pouco forçada, falsa, e fofoqueira, provavelmente.
Os lados da parede de madeira, são abetos, sem portas e concluí que ambos levam ao mesmo lugar: as ilhas do escritório. Ilhas essas onde concluí também que trabalham a maioria dos funcionários. Como falei, o lugar é como uma continuação da recepção, então tem as mesmas cores de móveis e o mesmo padrão no chão e no teto. Só é um pouco mais claro, mais arejado, graças ao paredão de vidro fumê, que mostra a cidade, ou os outros arranha-céus, lá fora. Mais vasos chiques podem ser encontrados em tal lugar, esses com pequenas árvores, flores e plantas. Podem ser encontrados também muitos quadros de lugares ao redor do mundo. Lugares esses que provavelmente possuem um hotel da rede.
Bom, não preciso nem falar que como é o lugar com mais concentração de funcionários, é também onde existe mais fofocas, certo? Sabe quando você passa, e fica com a impressão que estão falando de você? Foi essa minha impressão. Alguns até tentaram disfarçar, já outros, ficaram de murmúrios, gracinhas, segredinhos, enquanto olhavam diretamente para mim. Precisei respirar fundo algumas vezes, para me controlar e abster.
Eu sou a “namorada” de uma das donas da empresa, que está caindo de paraquedas nesse escritório. Trabalharei diretamente com Zelena Mills, que além de filha do fundador de tudo isso, é consequentemente também, outra das donas. Ou seja, o que quer que falem a respeito, acho que mereço. Quantas pessoas que estão aqui há anos, não esperam por essa oportunidade que eu ganhei sem nenhum merecimento, não é mesmo?
Enfim, não posso dizer que ganhei a antipatia de todos, alguns me sorriram, me desejaram boas-vindas e voltaram a se concentrar no trabalho. Não me pareceram falsos, nem forçados. Só pareceram não estar interessados em falar, ou comentar qualquer coisa a respeito da “namorada de Tinker”. Sim, mal cheguei, mas já sei que esse é meu nome por aqui. Okay que esses alguns, posso contar nos dedos de uma mão, mas poderia ser pior, certo?
O corredor no final das ilhas, nos levou a outra sala, na verdade uma antessala. Um lugar bastante amplo. O piso com texturas de madeira, deu lugar a um piso cinza, com textura grafiato. Os focos de luzes de led, deram lugar a um lustre pendente central enorme. São três anéis, um central na posição vertical, e os outros dois dentro dele, cada um de um lado, na posição vertical. Tenho certeza que essa coisa que poderia ser considerada uma obra de arte, é de cristal de verdade e que vale mais do que eu posso ganhar em uns dois ou três anos de trabalho.
Enfim, a parede aqui é de madeira, no mesmo tom das anteriores. Três portas fazem parte dessa parede. Uma leva a sala de Zelena. Outra leva a sala de Regina. E a última é a de Cora. Pelo menos é o que está escrito nelas. Enfim, procuro não dar atenção as portas, para não surtar ao pensar quem está atrás dela. Voltando para o lugar, um sofá chique, largo, de camurça num tom creme, e aparentemente bastante confortável que deixou minha bunda bastante atraída, também está encostado nessa parede. De frente para ele, uma mesa de centro, com algumas revistas empilhadas e mais rosas vermelhas dentro de mais um vaso que deve custar a minha vida. Em cada lado do sofá, tem uma mesa de canto, com abajures modernos/retros/caros.
O painel atrás da mesa da secretária, é uma pedra enorme de mármore, a cor cinza, combinando com o chão. No meio dele, um quadro da cidade de Nova York, vista de cima e com um pôr do sol maravilhoso. Sabe aquela imagem que te encanta de um jeito, que você quer levar para casa? É a imagem desse quadro. Infelizmente ele é muito grande para eu conseguir esconder atrás do corpo e levar para casa. Comprar também não é uma opção, já que provavelmente Regina Mills não aceitaria parcelar em 48 vezes. A única alternativa que me resta é procurar por uma versão genérica no eBay.
A mesa da secretária, das secretárias na verdade, é praticamente igual à mesa da recepção, só que em uma versão consideravelmente maior.
Bom, meus olhos pobres, que não são muito acostumados a lugares como esse, com certeza deixaram passar muitas coisas, muitos detalhes, muitos enfeites, plantas, folhagens, abajures, aparadores, lustres, quadros, cores e textura, mas até onde pude observar, a família Mills tem um bom gosto. Como falei anteriormente, algo que envolve clássico e moderno.
Como não pudemos conhecer a sala de reuniões, já que a mesma está sendo ocupada por não prestei atenção quem. Como a sala de Cora é um lugar “sombrio”, onde o sol “não toca”, Zelena e Tinker, encararam Mufasa, o pai de Simba, e em uníssono falaram algo como “você jamais deve ir lá, Emma”. E como a sala de Regina, é um lugar onde eu só devo ir, quando for chamada, nosso tour acabou chegando ao fim.
Agora estamos aqui, paradas quase em frente à mesa da secretária da Srta. Mills e que daqui alguns minutos, será “minha” também, esperando a mesma sair da sala da chefe, para que possamos ser devidamente apresentadas e eu possa finalmente, começar a trabalhar.
Depois que meus olhos curiosos, varreram todo o lugar e agora me encontro sem nada para fazer, as portas parecem me chamar, me pedir para pensar sobre e consequentemente surtar. Não quero mesmo pensar que Regina Mills, está logo ali, e que Cora Mills, está atrás da porta ao lado, não quero mesmo, chega de ataques nervosos por hoje. Meus olhos fogem dali, resolvem olhar para o chão, enquanto tento me concentrar em outra coisa.
O quadro, penso no quadro e ao pensar no quanto gostaria de tê-lo para mim, acabo lembrando de Lexie Grey, que Deus a tenha! Na verdade, lembro do dia em que ela resolveu decorar sua casa, afanando objetos do hospital. Pensar no quão valiosa ficaria a casa dela, se levasse qualquer coisa que tem por aqui, me faz rir. Pensar no que a Srta. Mills, faria e falaria a respeito, quando soubesse sobre, me faz rir ainda mais.
— Está rindo de quê? – É Tinker quem questiona.
— Lexie. – É tudo que respondo.
— Que Lexie? – Ela e Zelena questionam juntas.
— Lexie Grey.
— De Grey’s Anatomy? – Zelena me olha com cara de quem não está entendendo é nada.
— A própria.
— Okay, você quer compartilhar conosco? – É minha falsa namorada que pede e eu nego.
— Vocês não entenderiam. – Minha resposta serve para deixa-las mais curiosas, o que me faz rolar os olhos e resolver compartilhas. – Lexie adoraria levar alguns muitos objetos decorativos desse lugar, para decorar a casa dela. – Resolvo não compartilhar que eu mesma, adoraria levar o quadro.
— Nesse caso, ela estaria terrivelmente ferrada. Mamãe adora ficar assistindo os funcionários pelas várias câmeras de segurança. – Zelena conta e me faz engolir em seco. Pensar na possibilidade de estar sendo assistida por Cora, me traz calafrios. Querida Cora, se você por um acaso, for uma bruxa evoluída, que tem o poder de ler pensamentos, saiba que estava apenas brincando sobre o quadro. E de forma alguma eu transei ou quero transar com sua primogênita. – Então além de obviamente demitida, ela sairia gravemente queimada pelo fogo que o dragão cuspiria. – Finaliza.
— Sua mãe está nos assistindo agora? – Questiono entredentes. O cu trancando.
— Existe uma grande possibilidade. – É tudo que me responde.
— Me diz que ela não pode ouvir. – Peço. Se for preciso, eu até imploro.
— Ouvir ela não pode. – Para o alivio de todo meu ser.
— Mas, é sempre bom tomar muito cuidado com tudo que você falar. – Tinker me alerta e eu balanço a cabeça muitas vezes em concordância. – Essa mulher não gosta de você, você não pode nunca esquecer disso. – Continua, enquanto afaga meus braços.
— Eu não vou. – Prometo, não só a ela, mas a mim também. Para que as coisas venham a dar certo, não posso de jeito algum, em momento algum, deixar de ser profissional.
Infelizmente não temos tempo de falar mais uma palavra sequer. A porta da sala da tão temida Cora Mills, é aberta, e por ela, sai quem dizem ser o diabo em pessoa. Veste um vestido branco, de mangas compridas. Um casaco fur, comprido, e também branco por cima dos ombros. Saltos altíssimos. Um caminhar seguro. Um olhar intimidador, penetrante. Não faz questão de disfarçar que sua atenção está em mim. Por um segundo sequer, saio do seu foco de visão. Ao parar em nossa frente, ela esboça um pequeno sorriso.
— Bom dia! – Nos deseja. O tom sério, quase intimidador quanto a pessoa.
— Bom dia! – Respondemos em uníssono. Seus olhos continuam em mim, e mesmo incomodada, amedrontada, quase acuada, não deixo que transpareça. Minha ex profissão me ajuda bastante nisso. Ajuda a não demonstrar meus reais sentimos, a camufla-los. Então no momento, eu a encaro, sem desviar os olhos, sem piscar, sem demonstrar o que ela quer ver: medo.
— Mãe, você lembra de Emma, certo? – Zelena tenta quebrar a tensão entre nós.
— Como eu poderia esquecer? – Responde sem tirar os olhos de mim. – Emma Swan, não é alguém que possa ser esquecida. – Continua. O que falou, junto com o jeito como falou, e o meio sorriso um tanto maquiavélico que me deu, faz com que todos os pelos existentes em mim, se ericem.
— O que falar sobre a senhora então, Cora Mills?! – Só me dou conta de que talvez a frase tenha soado provocativa, ou meio subliminar, quando acabo de proferi-la. O jeito como ela arqueia uma sobrancelha enquanto continua me estudado, me faz crer que ela não esperava por um comentário sequer parecida.
— Isso depende... – Tinker começa, e ganha a atenção e o olhar duro da mulher. – Se você quiser falar coisas boas, vai esbarrar em nada. Se quiser falar coisas ruins, vamos ficar aqui por pelo menos, um ano ou dois. – Sorri debochadamente para minha amável sogra, que lhe retribui do mesmo jeitinho “carinhoso”.
— Tinker, querida, estarei esperando por você, no dia em que você finalmente enxergar a realidade e resolver se desculpar por todas as injurias que já falou contra a minha inocente pessoa. – Está nitidamente provocando a minha falsa namorada, não faz nem questão de disfarçar.
— Continue me esperando, Cora. Um dia eu chegarei acompanhada da polícia, que a levará presa. – Antes que Cora abra a boca para a tréplica, Zelena resolve intervir.
— Vocês não acham que é muito cedo para provocações e ameaças? – Indaga, tentando apaziguar.
— Zelena, meu amor... – Ela toca o braço da filha, enquanto lhe sorri. – Mamãe não está provocando nem ameaçando ninguém. – Se Cora não fosse Cora, diria que está tratando Zelena com carinho. – Muito pelo contrário, sua amiga quem não perde a oportunidade de falar injurias e fazer ameaças a minha pessoa. – Ao ouvir tal coisa, Tinker gargalha.
— Pobre e inocente Cora! – Debocha enquanto ainda ri. – Você sabe que olhando atentamente para você, a auréola desse inocente anjo quase se faz visível? – Continua. – Será que você é o mais novo caso de um anjo caído? Lúcifer que se cuide, porque quando você chegar no inferno, ele pode ser destituído. – A mais nova rainha do inferno, ouve as provocações da minha falsa namorada, com um sorrisinho sarcástico no rosto. Não é de forma alguma atingida pelo que ouviu, muito pelo contrário, parece estar gostando e quase se divertindo com tal coisa.
— Okay, chega! – Zelena volta a intervir. — Acho que você, mamãe, e você, Tinker, deveriam levantar uma bandeira de paz. – Pede. — Vocês assustam as pessoas. – Cora com certeza assusta. Já Tinker, ela não parece temer a morte, essa é a conclusão que eu chego.
— Eu não assusto ninguém, apenas falo a verdade. – Tinker responde prontamente. — Sua mãe quem fica responsável por assustar, entre outras coisas... – Deixa mais uma acusação no ar.
— Diga, Emma, eu assusto você? – Infelizmente, a atenção volta para a minha humilde pessoa. Sim, ela me assusta. Assusta muito, para falar a verdade. O jeito ameaçador, maquiavélico como ela olha, assusta. O jeito como ela fala, assusta. O sorriso macabro que dá, também assusta. Fora todas as coisas que já ouvi falar sobre.
— De forma alguma. – Minto, enquanto lhe sorrio calma e amigavelmente. – Acredito que não haja motivos para tal coisa, certo? – Pela segunda vez em menos de cinco minutos, me arrependo do que disse. De novo sei que falei demais. O jeito quase surpreso como ela me olha, deixa tal coisa bem clara. Zelena que com o olhar, me manda calar a boca, também me fala o mesmo.
— Motivos existem muitos. – Sei que Tinker acabou de falar isso, única e exclusivamente, para de novo tirar a atenção de mim. – Inclusive, eu poderia cita-los, mas nós não queremos assustar a minha namorada, queremos, Cora, querida?
— Não, nós não queremos. – Sorri para Tinker, como se de repente, elas fossem como melhores amigas, e tivessem jogando conversa fora por aí. – E você está certa, Emma. – De novo, seus olhos voltam a me procurar. – Não existe motivo algum para isso, querida. – Além de me sorrir, ela vai além e toca meu braço, o afagando. Tal coisa não dura mais do que dois segundos. Tinker rapidamente tira a mão da mulher dali, o que faz Cora lhe balançar a cabeça em reprovação. — Nós queremos que você seja bem-vinda, Emma! – Está tentando ser cordial, simpática, agradável. O tom de voz e o sorrisinho que usa, até poderiam me convencer das suas palavras simpáticas, o problema são seus olhos, eles me mostram que é tudo fingimento, que ela não é absolutamente nada dessas coisas que está tentando ser. Nos seus olhos eu posso ver o quanto ela já não gosta de mim.
A lembrança do motel, de Regina ganhando uns tapas, falando palavras de baixo calão enquanto eu a fazia gozar, acabam parando na minha cabeça, enquanto encaro a substituta do diabo. Me pergunto o que essa mulher faria, caso viesse a descobrir sobre? Acho que me mataria aqui mesmo, sem se importar com as testemunhas.
— Obrigada, Sra. Mills! – Exclamo. “Eu comi e como sua filha”. Esse é o comentário que o sorriso que dou a ela, faz.
— Bom dia! Bom dia! Bom dia! – Como não existe nada de terrivelmente ruim, que não possa ficar ainda terrivelmente pior, Robin, o noivo da minha amante, acaba de chegar. Cena linda essa, ele dentro de um terno todo azul, bastante justo para os padrões heterossexuais, por assim dizer, com três buquês de flores nas mãos, caminhando, para não dizer: desfilando, ao nosso encontro. O infeliz é um viado bonito, cheiroso, tem as sobrancelhas muitíssimo mais bem-feitas do que as minhas, e tem uma pele maravilhosa. Não encontro nenhuma imperfeição no seu rosto.
— Robin!!! – Zelena, essa cunhada ingrata, sorri amigavelmente para ele, depois de beijar-lhe o rosto.
— Zeleninha! – Só pelo tom de voz dele, pela entonação, já fica bastante perceptível que ele é gay. E eu nem vou falar dos trejeitos, das roupas, do portar. Me pergunto se existe alguém que convive com ele e não sabe sobre isso? – Essas são para você! – A floricultura ambulante entrega um buquê com rosas coloridas para ela. – Alegres como sua pessoa. – É o comentário que faz. – Feliz dia de São Valentim! – Agora beija o rosto dela.
— São lindas! Obrigada, Rob e feliz dia de São Valentim para você também! Você sendo um amor, como sempre. – Infelizmente tenho que conter a minha cara de nojo e a vontade que tenho de fazer que vou vomitar ao ouvir tal coisa. Diz que eu sou a cunhada preferida, mas está aí, se derretendo pelo idiota. O que são flores, perto de conselhos sexuais? Exatamente, nada. Flores murcham, e vão para o lixo. Conselhos e dicas sexuais, te fazem gozar. Mas ela me agradece desse jeito? Não, não me agradece. E sim, talvez eu esteja com ciúmes.
— E essas são para você, sogrinha... – Agora se volta para Cora, e lhe entrega outro buquê. – Brancas, perfeitas e únicas, assim como você. Feliz dia de São Valentim! – Ao contrário de mim, Tinker não precisa disfarçar qualquer sentimento, então ela faz o que eu tenho vontade de fazer, cara de nojo, e ao ver tal coisa, quase acabo rindo.
— Obrigada, querido! – Cora lhe dá um sorriso amarelo. Pelo jeito como lhe olha, acho que ela o acha um pouco mais insignificante do que a minha pessoa. Pelo menos seus olhos me olham com raiva, já para Robin, olham com apatia. – Sempre tão gentil e galanteador! – Falsa.
— Gosto de agradar as minhas mulheres. – Até porque para os homens, ele até dá algo que também envolve botões, mas não tem a ver com rosas. – As vermelhas são para o amor da minha vida. – Me sentiria ofendida e irritada, mas se tratando de Robin, a única coisa que sinto, é vontade de perguntar se o macho dele também trabalha aqui. – Ela está?
— Está na sala dela, em uma pequena reunião, pediu para não ser atrapalhada. – Zelena responde amigavelmente.
— Claro. Por ela eu espero quando tempo for preciso. – Cora Mills, acabou de rolar os olhos ao ouvir tal coisa. Sim, ela fez isso, eu tenho certeza que fez.
— Bom, me perdoem, mas eu tenho algumas coisas para resolver na rua, então eu vou deixá-los. – E não é que nessa história toda, o tal do Robin é quem faz Cora Mills, bater em retirada? Não tenho mais dúvidas sobre ela saber que ele é gay. Assim como não tenho dúvidas que ela não gosta de gays. Tenho certeza que as rosas que ganhou, vão parar na primeira lixeira que ela encontrar no caminho. – Robin, mais uma vez, obrigada pelas flores, querido! – Toca o braço do homem, e lhe sorri. – E Emma... – Volta a olhar para mim. Tão simpática a minha sogra, nem parece que sai por aí matando o namorado da filha. – Seja muito bem-vinda! Estamos felizes por tê-la no nosso time, querida. – Isso foi o que saiu da sua boca, já seus olhos traduzem para algo como: cuidado, estou de olho em você! – E não ligue para as bobagens que as meninas falam. – Pede.
— De jeito algum. – Lhe garanto. – Muito obrigada, Sra. Mills! – Não me fala mais nada, apenas toca o braço da filha e se vai.
— Falsa! – É o comentário que sai da boca da minha namorada de mentirinha.
— Não comece! – Zelena pede.
— Sua mãe me dá azia. – Pelo jeito como fala sobre, tal coisa realmente acontece.
— Um comprimidinho de Omeprazol para azia, faz milagres. – É Robin quem faz tal comentário.
— Milagre seria se o caminhão de lixo, passasse por cima dessa mulher. – Ao ouvir o comentário de Tinker, o viado leva a mão ao peito, seus olhos crescem, ele a olha assustado.
— Que horror! – Sua mão desmunheca no final da exclamação. – Não deseje isso a minha sogrinha. – Pede. – Tudo que você, ela, eu e o mundo precisamos, é de amor. Amor é tudo que precisamos. – Ele me faz rolar os olhos.
— Já dizia um quarteto de Liverpool, não é mesmo? – Acabo debochando.
— Beatles! A-DO-RO! – VI-A-DO!
— Robin, sempre tão romântico e sensível. – Tinker resolve debochar também. Esse homem é tão tapado, que acho que é o único a não perceber tal coisa.
— Faço o possível. Gosto de poesias, flores, chocolates e cartões. Romântico a moda antiga. – Regina Mills que vive rolando os olhos para mim, provavelmente com esse ser que ela chama de noivo, seus olhos vivem em looping eterno. – Mas vamos falar de você, Tinkz, como você está, querida? – Acho que nunca ouvi tanto a palavra “querida”, como hoje na última meia hora.
— Ótima! – Minha falsa namorada continua com seu deboche. – Melhor só se eu estivesse na cama, fodendo duro e com força, com minha amada namorada, comemorando esse dia tão lindo. – Ele dá um tapinha no ar, e de novo desmunheca no final de tal ato.
— Tinker, sempre tão sincera. – O vermelho em seu rosto, entrega que ficou com vergonha pelo que acabou de ouvir. – Como você faz para lidar com essa boca suja, Emms? – Ah Deus, deu um jeito de ficar ainda pior! Ele não esqueceu do apelido idiota que me colocou na noite do evento do Bellagio. Penso em dar uma resposta ainda mais suja do que a de Tinker, mas resolvo que é melhor não.
— Você sabe... esse é um dos muitos charmes dela. – Jogo as mãos para dentro dos bolsos do macacão. – Sou apaixonada nessa boca suja. – Agora encaro minha falsa namorada, e pisco para ela, que aproxima o rosto do meu e me beija a bochecha. O infeliz do noivo da Srta. Mills, faz um coraçãozinho com as mãos, enquanto suspira.
— Eu amo um casal! – É o que ele exclama. – Que bom que você veio para Nova York. – Está falando comigo, de novo. Odeio esse sotaque britânico, odeio. Posso tranquilamente tirar um cochilo, enquanto ele fala uma frase. Regina Mills ainda tem coragem de falar do meu sotaque. Pelo menos eu não falo me arrastando. – Nós podemos combinar uma balada. Você, Tinker, Zelena, Regina e eu. De repente você chama o seu amigo, aquele do evento, como é mesmo o nome? – Sei que ele sabe o nome. Provavelmente sabe até o sobrenome. Já deve ter stalkeado e muito, Killian, assim como Killian fez com ele. O fato é que gosto da ideia da balada. Enquanto meu amigo distraí esse idiota, Regina e eu podemos dar um perdido.
— Killian. Killian Jones. Ele veio para Nova York comigo, mas daqui alguns dias, estará voltando para Las Vegas, então não tenho certeza se essa balada pode acontecer.
— Nós mandamos busca-lo, boba! Fretamos um voo. – Que triste é a vida de um milionário, não é mesmo? Enquanto reles mortais precisam planejar uma viagem com muitos meses de antecedência. Os milionários resolvem em um piscar de cílios, fretando voo para buscar amigo da amiga. E olha que nesse caso, nem amigo nós somos. Eu faço a noiva dele feliz, a fazendo gozar, enquanto ele dá o cu por aí.
— Eu amo aquele ser debochado! – É Zelena quem fala. – Com certeza precisamos sair todos juntos para uma balada. – Parece empolgada com a ideia.
— Eu topo! Ter Killian em uma balada, é ter diversão garantida. Vamos combinar algo, antes que eu volte para Las Vegas. – Tinker também se empolga.
— Próxima segunda? – Quem é que vai para balada em plena segunda? É o que eu me pergunto. Nem na minha vida de prostituta, lembro de sair para festas em uma segunda-feira. Mas né?! O que é ir para balada em plena segunda, para quem sai por aí fretando voo, como se de repente, tivesse pagando Uber?
— Talvez precisemos de um pouco mais de tempo, para convencer minha irmã. – Zelena está pensando a respeito.
— Para convencer Regina? Vamos precisar de no mínimo, seis meses. – É a vez de Tinker. Tenho vontade de rir com os comentários que fazem a respeito, e até ajuda-las nas gracinhas, porém permaneço séria e calada, enquanto espero desenrolarem a balada.
— Tenho certeza que se nós três unirmos forças, podemos convence-la. – É o que o britânico afeminado fala, querendo formar praticamente a liga da justiça.
— Não vejo tal coisa acontecer tão facilmente. – Zelena parece pensar em voz alta.
— Algum jeito deve existir. Só precisamos pensar qual. – Está quase saindo fumaça das orelhas do idiota, enquanto ele pensa. Rolo os olhos, balanço a cabeça negativamente e resolvo falar.
— Comida. – Falo o óbvio. Me pergunto como eles sabem tão pouco a respeito da Srta. Mills? – Se vocês querem convence-la, tem que ser uma balada onde tenha comida. – Sei que Robin é tão tapado e tão desinteressado na mulher que tem, que não vai nem me perguntar como eu sei sobre, mas resolvo dar uma desculpa mesmo assim. – Estávamos em Las Vegas, esperando Tinker finalizar de uma reunião, para que as duas pudessem sair para jantar. Ela comentou que a única coisa que a faz sair de casa, é comida. – Zelena me sorri, de um jeito que me diz que ela tem certeza que essa história não é real, mas que sim, eu tenho razão sobre a comida.
— É uma boa ideia! – Minha cunhada quem fala. – Pode dar muito certo, Swan, Emma Swan. – Continua me sorrindo. – Vamos a Lavo! – Acho que nem uma sugestão é. Está mais para uma decisão, sobre a qual está nos avisando.
— Obrigada por perguntar o que eu penso a respeito. – Tinker pega no pé da amiga, que lhe mostra a língua.
— O que vocês acham?
— Eu acho que você já decidiu, então o quanto antes eu apenas concordar, melhor. – Zelena ri da resposta da minha “namorada”.
— Para mim, está ótimo! – É a vez de Robin. Então todos os olhares, se voltam para mim. Parece que querem que eu vote sobre também.
— Eu não quero cortar o barato de vocês, mas segunda-feira é daqui quatro dia. Como vocês sabem, eu tenho uma filha que ainda não tem idade para ficar sozinha em casa, enquanto a mãe sai para balada.
— Ela pode ficar com Elizabeth. – Zelena sugere. Elizabeth, tenho minhas dúvidas se a quase mãe de Regina, gosta de mim. Da última vez que nos vimos, depois que ela meio que deduziu sobre Regina e eu, passou a me evitar.
— Acho melhor não. – Falo. — Janis precisa se adaptar à nova cidade, nova realidade, novos amigos. Não acho bom já na primeira semana, deixa-la com alguém para sair à noite. – Muito embora a ideia de dar um perdido na balada com Regina, me agrade e muito. Tenho certeza que a própria Srta. Mills, irá concordar com isso.
— Na última noite de Killian aqui, então? – Os olhos da minha querida cunhada, tentam me dizer algo, algo que eu não sei se entendi direito. Talvez ela esteja querendo formar um casal, porém acho algo meio improvável de acontecer, por motivos de muita passividade. – Até lá, Janis já estará pelo menos um pouquinho familiarizada com a vida nova. Elizabeth ama, ama muito, crianças. Me comprometo a apresenta-las. – Insiste.
— Okay, se as coisas desenrolarem bem até lá, eu topo. – Robin levanta uma mão, em comemoração e dá um pulinho.
— Agora só precisamos avisar Regina. – É o comentário de Tinker. Como se combinado, a porta da sala da Srta. Mills, é aberta. Por ela saem dois homens e uma moça, pessoas que eu ainda não conheço. A moça eu deduzo ser a secretária que estamos esperando para que eu possa começar a trabalhar.
Bom, logo em seguida, sai a própria Srta. Mills. A versão até então, por mim nunca vista.
Meu coração estúpido reage a tal coisa começando a bater num ritmo acelerado, e num volume alto. Um daqueles momentos que eu quase fico constrangida, por ter medo de alguém possa ouvi-lo batendo.
Pelo jeito como seus olhos param no nosso pequeno grupo, está desaprovando nos ver aqui, tal coisa me faz engolir em seco.
Seus funcionários nos desejam bom dia ao passar por nós. Eles acompanham a mulher que agora tenho certeza ser a secretária da Srta. Mills, até a mesa dela. Já Regina Mills, nos balança a cabeça em negativo, tornando visível sua desaprovação, enquanto caminha com segurança, elegância e de cabeça erguida, como faz sempre.
Para entre a irmã e o noivo, e de frente para mim.
— O que significa essa reunião aqui? – Questiona com Zelena. A voz firme. – Estão dando uma festa em pleno horário de serviço? – Continua. – Ou abriram uma floricultura? – Indaga enquanto olha para os buquês da irmã e do noivo.
— Significa que estávamos combinando uma balada enquanto esperávamos você liberar a Srta. Lucas, para que possamos apresenta-la a Emma. Já que é ela, quem vai ensinar a Srta. Swan. – Explica simpaticamente, sem se deixar abalar pelo tom ranzinza de Regina.
Então acontece, ela tira os olhos de Zelena, e os concentra em mim. Ato que de novo me faz engolir em seco. Tenho toda a atenção dela. O jeito intimidador como seus olhos escuros me olham, a sua cara de poucos amigos, o seu portar... a forma como no momento parece quase não me conhecer, me deixa aflita, angustiada, quase amedrontada. Sinto minhas mãos suarem frio, dentro dos bolsos do macacão.
— Srta. Swan! – Me dirige a palavra e me deixa mais nervosa do que já estou. O cheiro dela me invade. Os poucos segundos que seus olhos escuros param nos meus, afetam muito minhas pernas fracas, que me mandam sentar com urgência. A presença dela mulher me faz travar, me faz ter vontade de recuar.
É só Regina, eu sei. Não faz muito tempo, eu estava com essa mesma mulher nas escadas. Rindo, matando a saudade, combinando a noite que teremos. Mas também não é só Regina. Nunca é só Regina. É Regina e todas as sentimentalidades, todas as coisas que me faz sentir. E no momento não é “apenas" isso. É também a Regina milionária, a executiva poderosa, a dona da empresa onde me encontro.
É Regina Mills, a mulher que já ouvi muito falar sobre, e que no momento estou finalmente conhecendo. Essa Regina tem a voz mais firme e segura do que todas as outras que ela também é. Tem o olhar mais duro e penetrante. E é a mais fodidamente sexy.
— Como Zelena, aparentemente ficou com a parte das boas-vindas, eu sou a responsável por avisa-la que aqui, em hipótese alguma misturamos o profissional com o pessoal. – Para todos que estão presentes no momento, ou pelo menos para o bobão do seu noivo, sua secretária e os outros dois funcionários, que estão perto o suficiente para ouvir, ela está se referindo ao meu “relacionamento” com Tinker. Porém eu tenho absoluta certeza que se refere a nós duas mesmo. Está quase me avisando que o que aconteceu nas escadas, não pode de jeito algum, voltar a se repetir. Não existe resquício da minha amante, presente nessa mulher no exato momento. Nesse momento, ela demonstra que no máximo, me suporta, como faz com todo o resto.
— Entendo. – Com medo de gaguejar, ou começar a chorar, ou sair correndo e novamente fugir, essa é a resposta mais segura que no momento consigo lhe dar.
— E você está atrasada! Nós não costumamos tolerar atrasos, Srta. Swan. Então espero que seja a última vez. – Ela falou nas escadas que a Regina CEO, não tolera tal coisa, mas mesmo assim, mesmo tendo me falado antes, mesmo sabendo que está agindo assim, sendo assim ríspida, impaciente, porque precisa ser, continuo amedrontada, acuada.
— A culpa não é dela... – Tinker ganha um sorrisinho de deboche da amiga, que joga as mãos para dentro dos bolsos do paletó, enquanto espera minha “namorada” fazer minha defesa, porém resolvo interrompe-la, eu não quero uma defesa. Não preciso de uma. Sei me virar sozinha.
— Não vai se repetir, Srta. Mills. – Lhe garanto. Seus olhos escuros, voltam para os meus. Eles me queimam, me amedrontam e intimidam. Agora sou eu quem ganho um sorrisinho, ou algo parecido com isso, mas não é de deboche. É de alguém que ficou satisfeita, por ver que não gosto que falem por mim.
— É o que eu espero. – Fala. – E arrume algo mais social para usar nos pés. – Balanço a cabeça concordando.
— Desculpe o inconveniente, Srta. Mills.
— Dado os avisos... – Ela tira uma mão do bolso do paletó e me estende. – Bem-vinda à Mills B. Hotéis e Resorts, Srta. Swan! – Agora já não esboça mais nenhum sorrisinho, nenhuma simpatia, nenhum tipo de empatia, nenhuma emoção que demostre que a mulher que sente algumas muitas coisas por mim, esteja aqui, parada bem na minha frente. Mais uma vez: sim, eu sei que está atuando, fingindo, sendo quem precisa ser, mas é impossível não me sentir intimidada.
Sem saber exatamente o que falar, ou mais uma vez no dia, sem saber como falar, eu pego a mão que me foi estendida e a aperto. Meus olhos acabam parando nos dela, quando sinto algo entre seus dedos, algo que aparentemente está tentando me entregar. Algo também que com certeza, deve passar despercebido aos olhos de qualquer um que esteja nos assistindo.
— Obrigada, Srta. Mills! – Lhe dou um sorriso nervoso. Essa Regina me deixa nervosa. A situação me deixa nervosa. O que quer que ela esteja tentando me entregar, me deixa ainda mais nervosa. Provavelmente antes que esse dia termine, eu vou acabar vomitando por algum motivo nervoso. – Eu... eu... eu... – Droga, Emma! Só o que falta, você começar a gaguejar. Se recomponha imediatamente! É só Regina, mesmo sendo a dona dessa porra toda e mesmo não parecendo, continua sendo a sua Regina, e pelo jeito como lhe olha agora, com certeza estaria debochando da sua cara, se pudesse. – Obrigada! – Decido que é melhor não tentar falar mais nada. É mais seguro não falar.
Agora ela me sorri ironicamente enquanto olha para as nossas mãos balançando, ainda se cumprimentando.
— Adoraria ficar aqui balançando a sua mão pelo resto do dia... – Me fala exatamente o que eu lhe falei no dia em que nos conhecemos. Quando meu carro atropelou o dela. Sei que ela sabe disso, sei também que esse é seu jeito de me dizer que está tudo bem, que ela está aqui. – Mas eu tenho uma empresa bilionária para gerir, então se você não se importar... – “Pegue logo a droga do papel”, é o que me diz, mesmo sem me dizer. Meus dedos capturam tal coisa, e do jeito que podem, tentam camuflar, para que nãos seja visto quando finalizarmos o cumprimento.
— Me desculpe! – Peço ao largar a mão dela. Com medo de deixar o papel cair, ou deixar que alguém que não deva o perceber, faça isso, minha mão vai direto para o bolso do meu macacão. Escondendo o que quer que esteja ali.
— Que durona! – Tinker reclama com um certo deboche, por assim dizer. Se pudesse, falaria algo chato e repetitivo como: nem parece que roubou mesmo essa mulher de mim.
— Vocês não têm mais o que fazer, não? – Graças a Deus, tira seu foco de mim, e resolve implicar com os milionários presentes. Queria pedir para ir ao banheiro, para poder ler o que tem nesse papelzinho, mas não tenho certeza se é um bom momento.
— Regina, cara amiga, eu trabalho no Bellagio, não aqui. Em Nova York eu estou a passeio, então posso estar onde quero estar. – Tinker responde despreocupadamente, enquanto lhe dá de ombros.
— Sua namorada tem um horário a cumprir. – Lembra a ex amiga.
— Como estamos falando da minha secretária, ela estava aguardando junto comigo, a sua secretária voltar do calabouço que você carinhosamente chama de sala. – Zelena implica com a irmã.
— Minha secretária já voltou. – Rebate a implicância com outra.
— Mas continua ocupada. – Aponta com a cabeça. A mulher ainda fala com dois homens que saíram da sala da Srta. Mills. Estão bem próximos de nós, então mesmo que não queiram, estão com certeza ouvindo toda essa conversa.
— Relaxa, Regina! – Tinker pede. – Robin, aproveite que é dia de São Valentim e leve sua mulher para transar, ela está precisando. – Sugere e eu me concentro para não lhe dar um olhar de indignação.
— Existem coisas que podem relaxa-la mais do que sexo. – A frase que o infeliz acaba de proferir é errada em tantos jeitos de ser. Primeiro, quem nitidamente se esquiva da oportunidade de levar Regina Mills para cama? Segundo, ele não a conhece, nem um pouco, nem o mínimo. Terceiro, não, não existe nada que possa acalmar mais essa mulher, do que sexo sujo, uns bons tapas, palavras de baixo calão.
— Como por exemplo? – Eu não posso rir, não posso comentar a respeito, não posso debochar, mas graças a Deus, Zelena pode e é o que ela faz. Está rindo descaradamente do que acabou de ouvir, e por motivos mais que óbvios. O infeliz é tão tapado, que sequer percebe tal coisa. Para ele, ela está rindo por motivos de simpatia e concordância.
— Flores. – Com a cabeça, ele aponta para o buquê que lhe sobrou e volta-se para sua noiva. — Meu amor... — Começa desse jeitinho. Não role os olhos. Não faça cara de nojo. Não queira fazer que vai vomitar. Não esqueça que ele é o noivo dela. Não esqueça também que ele é gay. Está tudo sob controle. – Feliz dia de São Valentim, minha amada! – Deseja ao lhe entregar o buquê exagerado com incontáveis rosas vermelhas. Para o bem dos meus olhos, ele não lhe beija os lábios e sim a testa. – Rosas vermelhas, para a flor mais bela do meu jardim. – Juro, juro mesmo, que estava tentando me controlar, mas ao ouvir tal coisa, eu não consigo. Regina Mills, a mulher que diz detestar coisas bregas, tem o noivo viado mais brega de todo o mundo. A cara de nojo que ela não consegue nem disfarçar, com seu “obrigada” completamente chocho e o jeito como pega as flores, junto com todo o resto, infelizmente me faz rir, e consequentemente ganhar uma cotovelada de Tinker, que também está rindo.
— Gente, que lindos! – Tento disfarçar, enquanto comento com minha falsa namorada sobre. – Delícia, você poderia ser assim romântica as vezes. – Peço a ela o que a faz rir mais.
— Amor, sabemos que você gosta de safadezas, e não de romantismo. Mas se você faz questão, posso lhe comprar um jardim de rosas, e recitar Shakespeare, enquanto passeamos de mãos dadas por ele. – Se oferece.
— E de repente tudo ficou doce, doce nível diabético, e Zelena Mills, senhores, mais uma vez sobrou. – Ela não contém a cara e nem a voz de nojo. – Obrigada Deus, por ter me feito resistente. Por não me deixar falar esse tipo de coisas por aí. Imagina a vergonha que essa sua filha aqui teria, quando deitasse a cabeça na cama para pensar sobre o dia, e lembrasse de ter falado algo vergonhosamente parecido. – Conversa com Deus, que no momento, é o teto. – Por isso também eu bebo, para esquecer o que ouço e vejo por aí. – Continua.
— Cale a boca, irmã. – Regina CEO Mills, está quase rindo.
— Não me reprima. Eu preciso de uma amiga solteira e com urgência. – Parece pensar alto.
— Eu lhe empresto Emma, enquanto eu estiver em Las Vegas. – Tinker me oferece. – Só não vá se apaixonar. – A mensagem subliminar de Tinker, me deixa sem graça. Faz o quase sorriso de Regina se desfazer e faz Zelena rir, junto com Robin.
— Não se preocupe, meu gosto por pênis continua intacto. – Tenho certeza que se Robin pudesse abrir a boca para comentar a respeito ele diria: o meu também. – E agradeço o empréstimo, tenho certeza que Emma e eu, seremos ótimas amigas. – Como se já não fossemos, não é mesmo?
— Oh, por favor, chamem Regina para essa amizade. – Robin pede, oferecendo a noiva. – Eu pouco fico em Nova York, o que faz com que ela passe muito tempo sozinha. Então levem ela para essas coisas de meninas. – Ela rola os olhos para o idiota, provavelmente pelo pedido que acabou de fazer. Antes que abra a boca para dizer que não precisa que ele a ofereça a nenhuma amizade, decido tomar frente.
— Chamamos. – Ganho a atenção deles. Dentro do bolso, meus dedos brincam com o papel que ela me deu. – Você gostaria de fazer parte do nosso grupinho de amizade, Srta. Mills? – Convido enquanto lhe sorrio. Continuo um tanto nervosa estando na presença dessa versão de Regina Mills, mas devido ao pedido do britânico idiota, mesmo temendo um pouco a Regina CEO, não vejo como deixar passar em branco esse pedido de amizade sincera.
— Lhe dou certeza ela quer. – Robin responde enquanto me sorri. – E você pode ficar tranquila, Tinker. Regina também só gosta de pênis, nada de... – Aproxima o rosto do de Tinker, para terminar a frase. – Pepecas. – Não consigo decidir o que é pior, o nojo que ele não conseguiu disfarçar ao falar a palavra, ou o constrangimento com o qual falou sobre. O fato é que ao ouvir tal coisa, Zelena gargalha. E mesmo tentando lutar contra, é mais forte que eu, não consigo me manter apática, não consigo fazer de conta que não ouvi o que ouvi, ou seja, não consigo não rir. Até Tinker, que julga ter sido “roubada” pela ex melhor amiga, está rindo de tal comentário. Já Regina Mills, ela parece ter ficado irritada nível possessa.
— Chega! – É o que ordena. A voz ríspida, irritada. No momento, não consigo dizer se está brava pelo o que Robin disse, ou por nós termos rido de tal coisa. O fato é que está brava, além da voz e do olhar zangado, a veia alta em sua testa está visível. Bom, como eu temo e muito essa chefe, engulo qualquer gracinha e me recomponho. Já Zelena, não parece nada abalada, então continua rindo. – Eu não preciso que você ofereça minha amizade a ninguém, querido! – Isso ela late olhando para o noivo. – Se eu quiser fazer parte dessa amizade, eu mesma farei isso, sem que você precise pedir, Okay? – Continua esbravejando. – E você, Srta. Swan, não é porque namora uma das donas da empresa, que pode ficar por aí, em horário de trabalho, com as mãos para dentro dos bolsos, rindo e jogando conversa fora. – Agora late contra a minha pobre pessoa. – Tinker, você pode estar a passeio, mas sua namorada não. Então a deixe trabalhar, afinal, é o que ela veio fazer aqui, não é? – Sobra para minha falsa namorada também. – E você irmã, você é a pior. Deveria dar exemplo, ao invés de ficar aqui, cheia de graças e piadas. Interrompa o que quer que a Srta. Lucas esteja resolvendo, apresente a Srta. Swan, e faça com que ela comece a trabalhar, já está na hora. Na verdade, está passando e muito da hora. – Dá as ordens, não deixando espaço para nenhum tipo de reclamação, piadas ou gracinhas. – Robin... – Volta para o noivo. – Vamos até minha sala. – Não espera uma resposta, não nada, apenas ordena tal coisa e marcha em retirada. Robin obedece sem pestanejas, sem olhar para os lados, sem fazer nenhum comentário. Apenas segue obedientemente sua noiva.
Até os homens que estavam ali conversando com a srta. Secretária, finalizam e se retiram bem rapidamente.
— Ela realmente precisa de sexo. – Não sei se Zelena está concluindo, ou só jogando a indireta para cima de mim. De qualquer jeito, hoje à noite eu resolverei com muito prazer esse problema.
— Ela precisa. – Tinker concorda com um certo pesar. – Eu cuido disso para você... – Se refere ao buquê que Zelena ganhou. Tira o mesmo da mão da amiga. – Enquanto isso, para que não haja mais nenhuma bronca, nem reclamação para cima de Emma, você entrega ela ao trabalho. – Pede.
— Deixa comigo! – Pisca para minha “namorada”.
Tinker se põe em minha frente, me sorri e com a mão livre, toca o meu rosto e o afaga. Essa coisa de sentimentos é algo muito inexplicável, não é mesmo? Porque quando Regina é quem faz isso, eu tenho aquela sensação boa de aconchego, de querer bem, de olhos saindo corações, estômago criando mais borboletas, essas coisas de amor mesmo. Já com Tinker fazendo isso, eu me sinto mal, me sinto errada, tenho vontade de repelir. Sim, devido à prostituição, eu tive que ir em frente com muitas pessoas que desejei repelir, mas é diferente. Provavelmente porque agora eu tenho alguém, eu amo alguém, e mesmo que tudo isso seja armado, por insistência do meu alguém, eu sinto quase como se a estivesse traindo.
— Boa sorte, meu amor! – Me deseja ao aproximar o rosto e juntar os lábios aos meus. Minhas mãos param na cintura dela, quase que instantaneamente e tentando disfarçar o máximo possível, faço com que se afaste.
— Aqui não, delícia! – É tudo que posso lhe falar.
— Aqui de jeito algum, Tinker! – Zelena usa um tom sério, quase autoritário. Não sei se está se portando como a dona do lugar, ou além disso, está com ciúmes pela irmã.
Tinker ficou visivelmente chateada. Tenho medo do comentário que possa vir a fazer, já que abre a boca para tal coisa. Felizmente acaba desistindo, e sem nos dizer mais nada, nos dá as costas e se retira. Detesto essa situação! Detesto fazer isso com ela! E detesto o jogo que ela está tentando fazer!
— Swan, Emma Swan, você trouxe uma manhã agitada para um dos meus dias preferidos do ano, e não é agitada de um jeito que eu gostaria. – Zelena meio que reclama comigo.
— Me desculpe! – Peço.
— Tudo bem, isso é só um ventinho. A turbulência ainda está por vir. – Fala despreocupadamente, como se de repente, sua vida não tivesse nada a ver com isso, quando sabemos que com certeza, ela também será atingida. – Está pronta? – Me questiona.
— Sim. – Afirmo.
— Então vamos lá. – Sua mão toca minhas costas e nos voltamos para a mesa da secretária, que agora está sozinha. Ela levanta a cabeça para nos encarar e nos dá um sorriso simpático.
— Srta. Lucas, demorou eu sei, e lhe agradeço por não ter surtado e consequentemente, não ter saído correndo... – Começa desse jeito e faz a moça sorrir. – Mas enfim, aqui está Emma, a minha nova secretária. – Meio que me apresenta. — Como lhe falei, ela não é fruto da minha imaginação, você consegue vê-la? – As bobagens de Zelena, nos faz achar graça e faz a Srta. Lucas, acenar com a cabeça dizendo que sim, ela consegue me ver. – Ótimo! Então está decidido que não sou louca, mas talvez seja diabética. – Nessa parte, ela está sublinarmente implicando comigo e com a irmã. — Então como combinamos, você vai passar a ela toda a minha agenda, e ensina-la a ser tão competente quanto você. — Elogia a mulher, enquanto lhe pede tal coisa. Ao contrário da irmã, a Zelena chefe, parece alguém tranquila. Alguém que não mete medo, nem faz os funcionários gaguejarem ou terem vontade de sair correndo. Alguém que as pessoas têm empatia e desejam fazer amizade.
— Darei o meu melhor, Srta. Mills! – Promete ao se pôr de pé. Seus olhos simpáticos param nos meus, ela volta a sorrir e me estende a mão.
— Ruby Lucas! – Se apresenta e me faz lembrar da minha amiga, ou ex amiga, eu não sei mais. Desde que Ruby participou daquela orgia comigo, as coisas entre nós, nunca voltaram a ser as mesmas. Ela se afastou, passou a me evitar, passou a não ir lá em casa quando eu estava lá. Até minhas mensagens passou a não responder. Tentei falar com ela algumas vezes sobre, mas esquivou-se em todas. Killian, que também é amigo dela, nunca quis me dizer o que Ruby falou a respeito daquela noite. Tudo que falou a respeito foi que esse é um problema que eu tenho que resolver com ela, e que quando ela se sentir bem para conversar, vai fazer.
Enfim, essa Ruby com a qual eu já fui com a cara, e que à primeira vista, parece ser uma pessoa legal, é mais alta que a “minha” Ruby, e parece ter o corpo tão bonito quanto. Tem os olhos verdes de tom escuro, e usa óculos de graus. O punho dobrado da sua camisa social, mostra um pequeno pedaço da tatuagem, que com certeza lhe cobre todo o braço.
Essa Ruby tem olhos curiosos, e simpáticos. Não curiosos do tipo que fazem prejulgamento, ou estão procurando algo para fazer fofocas, apenas curiosos.
— Emma Swan! – Zelena já me apresentou, mas resolvo fazer de novo, enquanto lhe dou um breve aperto de mão.
— Eu sei! – É o que fala, na verdade, pelo jeito como suas bochechas ficaram vermelhas, ela deixou escapar. – Quer dizer... eu meio que... – Seu rosto fica ainda mais vermelho. – Vi suas fotos? Do evento no Bellagio. – Sua vergonha acaba me fazendo sorrir.
— Ah, aquela era eu disfarçada da mulher cheia de classe que eu não sou. – Explico e quase a vejo rir. – Aquela das fotos só compartilha o nome comigo. Eu sou essa, que ganhou uma bronca já no primeiro dia, por ter vindo trabalhar de tênis. – Agora não disfarça o sorriso.
— Com o tempo você acostuma, mesmo que nunca deixe de amar os tênis. – Pelo jeito como fala sobre, tenho certeza que também faz parte do grupo de pessoas que preferem os lindos, amados e confortáveis tênis.
— Vejo que vocês duas vão se dar muito bem. – É o comentário de Zelena. – Emma, você está em boas mãos. Se tiver dúvidas, questione. Se não entender, avise. – Concordo com um balançar de cabeça.
— Deixa comigo, chefe! – Pisco para ela, que me sorri.
— Boa sorte e seja oficialmente, bem-vinda! – Me deseja, beija meu rosto, e se retira. Como para uma agora oficial secretária, estou do lado errado da mesa, dou a volta nela e vou até onde a Srta. Lucas está. Ela me sorri e aponta para cadeira vaga, me convidando a sentar.
— Okay, preciso dizer que estou um pouco nervosa. – Solto com o ar. – É tudo tão intimidador.
— Coisas do primeiro dia. – Tenta me tranquilizar. – No meu primeiro dia, cheguei em casa tão assustada, amedrontada, intimidade que... – Ela aproxima-se de mim. – Fumei maconha boa parte da noite, para relaxar... – Sussurra tal coisa. – Foi uma quantidade tão grande, que eu acho que meu cérebro funcionou de ré por quase uma semana. – Sua confissão me faz rir.
— A primeira vez que eu fumei maconha, eu passei boa parte da noite deitada, olhando algo que eu julgava ser um disco -voador, enquanto pedia para os extraterrestres me levarem. No outro dia fiquei sabendo que tal disco-voador também é conhecido pelo nome de lua. Tal experiência me fez ficar só com cigarros normais mesmo. – Conto.
— Nesse caso, quando chegar em casa, fume um cigarro normal e tome uma cerveja. Tenho certeza que vai ajudar. – Me aconselha enquanto ri.
— É uma ótima ideia. Obrigada pela dica!
— Essa, é a agenda de Zelena. – Fala ao me entregar tal coisa. – Todos os compromissos dela, são anotados aí. – Balanço a cabeça concordando. – Antes do final do expediente, você sempre passa por e-mail, todos os compromissos que ela tem para o outro dia. Às vezes ela vai ler, outras vezes não. Independente disso, todos os dias quando chegar na empresa, ela vai vir até aqui, vai pegar o capuccino com chantilly, que você vai sempre comprar no café lá do térreo, e vocês vão repassar os afazeres do dia. – Volto a concordar com a cabeça. – Todas as coisas relacionadas a Zelena, vão passar por você, antes de chegarem até ela. Muitas pessoas procuram Regina e Zelena Mills em um único dia. Eu e você, somos as responsáveis por fazer o filtro. Só vamos passar para elas, o que realmente for importante. – Antes que possa continuar, a interrompo.
— E como eu sei quando é importante ou não? – Questiono.
— No começo, você vai me perguntar. Não importa quantas vezes no dia aconteça, me pergunte. – Concordo. – Depois quando você pegar o jeito, quando conhecer as pessoas, quando ouvir sempre da mesma conversa, vai saber distinguir a importância.
— Certo.
— Sempre que Zelena participar de alguma reunião, você participará também. E fará anotações. Tudo que você considerar importante, vai anotar e depois vai entregar a ela. – Por favor, Deus, que não seja muita coisa para o meu pobre cérebro que só entende de sexo e de cultura inútil. Amém! – Alguns compromissos pessoais como: agendar almoços e jantares em cima da hora, em restaurantes que têm filas de um mês de espera. Conseguir ingressos de última hora para peças badaladas da Broadway, ou vips para algum jogo do Knicks também em cima da hora, também acabam tornando-se responsabilidade sua. – Se Zelena me pedir qualquer uma dessas coisas, espero que no mínimo, me convide para ir junto. – Outra coisa muito importante... – Sua voz volta a tornar-se baixa. – Elas recebem muitas coisas, de empresas que querem que os produtos sejam vendidos nos nossos hotéis. Dentre essas muitas coisas, bebidas alcoólicas são o que mais recebem. Tais bebidas, jamais, em hipótese alguma, devem ser repassadas para a Srta. Mills, ordens de Regina Mills. – Pelo jeito como fala o nome da minha amante, diria que Regina é bastante temida pela Srta. Lucas.
— Isso não vai acontecer. – Lhe garanto e ela concorda com a cabeça.
— Se por um acaso um dia eu perder a hora, ou faltar, ou ganhar na loteria, ou for abduzida por esses extraterrestres que você viu, ou morrer, você vai ficar responsável pela agenda da outra Srta. Mills, também. Regina Mills. – Sinto um nervosinho no estômago ao cogitar tal possibilidade. – Você vai fazer praticamente as mesmas coisas, só vai substituir o capuccino com chantilly, por café preto, extraforte e sem açúcar. – Eu não sei como Regina gosta de café assim. Quando estava na casa dela, fui praticamente obrigada a provar tal coisa e só não cuspi o mesmo, por consideração a cozinha e também por vergonha. – E sempre que você for fazer algo para ela, ou dirigir a palavra a ela, vá direto ao ponto, nunca questione, nem nunca sugira nada, nem tente falar sobre outra coisa que não seja relacionada a empresa. – Se de Zelena, Ruby fala de um jeito tranquilo e quase amigável, de Regina ela fala de um jeito completamente sério, quase com medo.
— Ela é brava? – Sei que é, só não sei o quanto. Já que visivelmente, assusta a própria secretária, acredito que seja um nível bastante alto.
— Ela é extremamente profissional. – Responde. – Ela não gosta de sorrisos, nem que fiquem lhe bajulando. Vá direto ao assunto e você não terá problemas com ela. – Concordo com a cabeça.
— Ela também não gosta de tênis. – Deixo escapar meu pensamento, ao lembrar da bronca que me deu.
— Você foi a primeira corajosa a vir de tênis. – É o que me fala. – Ela detesta atrasos, tente nunca se atrasar. – Me dá mais uma dica. – Ela também detesta fofocas. Conversas paralelas em horário de expediente, ela também não gosta. – Continua. – E sempre que ela lhe pedir alguma coisa, qualquer coisa, mesmo que seja o impossível, tente resolver, tente dar um jeito e jamais, em hipótese alguma, ouse falar que não vai ser possível, antes de tentar.
— Okay, você já me assustou, acho que pode parar agora. – Meu pedido a faz esboçar um sorriso.
— Ela não é má pessoa, de jeito algum, mas como eu disse, é extremamente profissional. Às vezes pode parecer um pouco brava, intimidadora, mas não é nada contra você. É o jeito dela. – Defende a chefe, e vejo que faz isso com honestidade. Não está de forma alguma puxando o saco de Regina, por de repente achar que sendo namorada de Tinker, eu venha a ter uma certa intimidade com a Srta. Mills. Está sendo sincera, vejo que está.
— Confesso que fiquei um pouco muito aterrorizada na presença dela. – Exponho.
— Ela costuma causar esse sentimento nas pessoas, não se preocupe com isso. — De novo tenta me tranquilizar.
— Mas você parece ir com a cara dela mesmo assim. – Compartilho minha conclusão.
— Não é porque ela venha a aterrorizar nós, meros mortais, que é significa que ela seja má. Só é uma pessoa intimidadora, o que muitas vezes pode fazer você gaguejar, ou suar frio, ou as duas coisas. Porém, um dia isso é superado, eu acho. – A última frase sai com bastante incerteza. – Ainda não cheguei nessa parte. – Me confessa e me faz rir.
— Eu já gosto de você, Ruby! Obrigada por ter me recebido bem. – Lhe sou sincera e arranco dela um sorriso largo.
— Você não precisa me agradecer por isso. – É o que fala. – Por outro lado, pode me pagar uma cerveja no próximo happy hour. – Me faz rir. – Agora vamos lá, ligue seu notebook... – Aponta para o mesmo. – Eu preciso lhe mostrar algumas coisas... – E assim, começa oficialmente, meu primeiro dia de trabalho.
Graças ao bom Deus, quase uma semana depois de tal evento, depois de atender muitas ligações, de ser bastante simpática em todas, de tentar usar um inglês aceitável, de fazer muitas anotações, muitas perguntas, e prestar atenção em tudo, o dia está finalmente, chegando ao fim.
Na verdade, já chegou. Ruby acabou de ir embora. Cora Mills nem veio no período vespertino. Regina Mills, que passou praticamente o dia todo fora com o noivo e me deixou um pouquinho enciumada, chegou há pouco e trancou-se em sua sala. Zelena e Tinker que desapareceram depois do almoço, continuam sumidas até o presente momento.
Graças a tal sumiço, eu ainda estar por aqui, na minha mesa, ouvido mentalmente uma música, rabiscando um desenho em uma folha da agenda que me foi dada, e esperando alguém vir me buscar, me ligar, mandar um sinal de fumaça, ou qualquer coisa.
Claro que eu poderia pegar um táxi, tentar a sorte me arriscando no metrô ou coisas do tipo, porém, primeiro eu não sei o endereço da mansão de Zelena. Segundo, mesmo que soubesse, duvido e muito que os seguranças do condomínio, me deixariam entrar no mesmo, sem a companhia de alguma Mills, ou seja, esperar é a solução.
Meus olhos estão atentos na minha tentativa de desenho: Regina, Janis e eu, de costas e de mãos dadas, batendo pernas por Nova York. Meu desenho é um pouquinho melhor do que aqueles com bonecos palitos. Provavelmente muitas crianças do primário desenham melhor do que a minha pessoa, mas enfim, é de coração, além de como já disse, preciso fazer o tempo passar de alguma forma.
— Nothing but love... – Cantarolo a música que está na minha cabeça, enquanto faço os últimos retoques na minha obra de arte. — I've got nothing but love... – Mexo minha cabeça no ritmo da canção, enquanto estalo os dedos. – Looove, loovee... — Como sou uma cantora de Karaokê completa, faço também o backing vocal. — Nothing but, nothing but love. – Infelizmente minha cantoria é interrompida pelo meu celular que vibra em cima da mesa. Ato que acaba me assustando.
Acho estranho ao ver que é o número do outro celular de Regina, o pré-pago, que ela usa única e exclusivamente para falar comigo. Roni, foi esse o nome que dei para a pessoa que me liga de tal número. Ela já me questionou o motivo de tal nome, porém nem eu sei ao certo, como ela não ficou satisfeita com essa resposta, precisei elaborar algo.
Então Roni Caminhão é a dona de um bar, que bebe todas junto com os clientes. Usa jeans, camisetas, regatas, e jaquetas de couro. Tem os cabelos bastante revoltos, os olhos bastante marcados por lápis preto e continua sendo cheirosa e usando salto. A descrição dessa Roni fez Regina rir e dizer que ela só pode viver mesmo, no mundo paralelo da minha cabeça.
Bom, o fato é que não faço ideia do porque está me ligando, já que pode dar alguns passos, abrir a porta e vir até aqui, mas como só vou saber se atender, faço tal coisa.
— Suas pernas estão com problema? – É desse jeito que atendo.
— Não. Mas além de não querer que minha mãe talvez nos assista batendo papo, parece que eu assusto você, além de deixa-la gaga. – Usa um tom de deboche, para falar sobre o medo que a versão CEO dela, me causa. Como tenho coisas muito mais importantes para falar, resolvo ignorar o comentário.
— Como foi o dia com o seu noivo? – Me sinto na obrigação de questionar. Na verdade, ensaiei tal coisa muitas vezes mentalmente.
— Ciúmes? – Agora parece se divertir.
— Não tem graça alguma. – Reclamo.
— Você acha que eu gostei de ter passado o dia com ele? – Questiona. O tom agora sério. – Eu não tenho paciência para ele, e sei que você sabe disso. Porém, para que possa passar a noite com quem eu quero, passar o dia de São Valentim com ele, foi a solução que encontrei. – Sei que não existe nem motivos para eu ter feito tal ceninha, mas como já disse, a distância me fez burra. Além da carência.
— Desculpe. – Solto com o ar.
— Você estava cantando? – Muda de assunto.
— Como você sabe? – Indago.
— Câmeras de segurança, Srta. Swan, já ouviu falar? – Levanto a cabeça e procuro por tais coisas, que já ouvi falar bastante, mas ainda não encontrei.
— Você por um acaso não tem mais nada o que fazer, e resolveu me assistir? – Provoco. Ao achar uma das câmeras, quase dou um tchauzinho, mas lembro sobre o comentário de talvez Cora estar assistindo.
— Nope! Como você deve saber, todos os meus compromissos do dia, foram cancelados. – Sei muito bem. Inclusive, ajudei a fazer algumas ligações para remarcar alguns compromissos. — Você não respondeu minha pergunta. – Insiste.
— Cantando e desenhando, enquanto espero alguma princesa em um cavalo branco, vir me resgatar dessa torre alta e solitária. – Respondo e arranco dela uma risadinha.
— Por um acaso você se importaria se no lugar de um cavalo branco, fosse uma limusine preta? – Ao perguntar tal coisa, me faz abrir um sorriso bem bobinho apaixonado.
— Devido ao frio de congelar que faz nessa cidade, a opção da limusine me parece ótima. – Melhor só se pudéssemos de repente, nos pegar na mesma. – E para onde você vai me levar, princesa?
— Para o meu castelo. – Sei que está sorrindo. – O que você está desenhando aí? – Quem diria que a Srta. Mills poderia ser curiosa, não é mesmo?
— Algo para a minha amante. – Conto. – Ela vai emoldurar essa obra de arte, para que possa expô-la. – Continuo. – Você sabe, ela tem um castelo... vários e vários metros de parede com quadros abstratos, então acho que esse ela vai pôr na parede do quarto.
— Então você não aceitou o pedido? – Questiona e me deixa sem entender.
— Que pedido? – Questiono ao juntar as sobrancelhas.
— O que você fez com o pedaço de papel que lhe entreguei, ao apertar sua mão? – O papelzinho! Eu esqueci completamente dele. Na verdade, eu lembrei algumas vezes, mas em todas essas vezes, estava na presença de Ruby, ou estava enrolada com alguma coisa, ou seja, resolvi não arriscar.
Rapidamente, meto a mão dentro do bolso e tiro o papel dali. É um bilhetinho amarelo, que foi dobrado duas vezes. Vejo que se trata de um post it. Minha mão se desfaz das dobras, e meu coração bate acelerado, quando leio o que está escrito ali.
“Seja minha namorada”, junto a isso, tem um sinal de igual e um sinal de parênteses fechado, traduzindo, um sorriso, ou coisa.
O bilhetinho de dia de São Valentim, o que eu pedi, Regina Mills o fez. E foi além, já que aparentemente, está algo como: me pedindo em namoro. Tenho certeza que meu sorriso não pode se tornar mais amplo, e que a criação de borboletas que tenho no estômago, está cada dia maior. Provavelmente mais dia, menos dias, elas vão acabar escapulindo pela minha boca.
— Isso é um pedido? Por que se for, você esqueceu do ponto de interrogação. – Falo a primeira idiotice que me vem à cabeça.
— Talvez eu não precise fazer a pergunta, muito embora, confesso que gostaria de ouvir um parecer sobre. – Sua resposta padrão Regina Mills, me faz balançar a cabeça negativamente.
— É óbvio que eu quero. Quero ser tudo que você quiser que eu seja.
— Quero que você seja todas as coisas relacionadas a um casal. – Sua resposta brega, me deixa momentaneamente sem palavras. Talvez Regina Mills tenha sido possuída pelo próprio São Valentim. Isso explicaria o que acabei de ouvir. — Então, como foi o seu dia, namorada? –Questiona ao mudar de assunto e me chamar de NAMORADA. Confesso que algumas vezes, tenho medo de estar sonhando. Medo de acordar e ver que nada disso realmente aconteceu.
— Por que você não me convida para entrar aí? Quero formalizar tal coisa. – Peço.
— Porque sabemos que eu não sou a única a assistir vídeos das câmeras de segurança.
— E se formos embora? – Sugiro. Agora mais do que antes, quero ir embora. Quero ficar sozinha com ela. Quero abraçar e beijar muito esse ser as vezes estressado e as vezes derretido.
— Vamos. Mas antes eu preciso lhe contar que tem uma festa esperando por você em casa. – Ao ouvir tal coisa, além de rolar os olhos solto um suspiro frustrado.
— Eu não quero uma festa. – Choramingo com ela.
— Eu sei, mas fui voto vencido. Não tem como fugir. – Duvido e muito, que ela votou para a não festa. Pelo jeito como me desejou feliz aniversário e falou sobre, aposto que está bastante envolvida nessa comemoração.
— Vocês são más! – Minha acusação a faz rir.
— Talvez nós sejamos. – Responde sem se abalar. – Mas terá cachorro quente, como prometido. Espumante também. E segundo maiores informações, existe um bolo, velas. – Pode até ter Lady Gaga fazendo um novo feat com a Beyoncé, que não vou ficar animada. Tudo que eu quero para o resto do meu dia é Regina Mills e uma cama.
— Onde vai ser isso? – Não consigo disfarçar minha falta de ânimo.
— Devido as bebidas alcoólicas envolvidas, na minha casa. – Gosto da casa dela. Na verdade, gosto do quarto dela, da cama, dos lençóis de não sei quantos fios, dos travesseiros de plumas de ganso, do corpo nu dela debaixo do meu, do jeito como se aconchega em meus braços quando tudo chega ao fim.
— Hum... No seu quarto? – Não custa tentar, certo? Tal pergunta a faz rir.
— A princípio, na minha sala. Depois, quando as visitas forem embora e Janis dormir, nós partimos para o meu quarto, para uma comemoração privada. – Promete.
— Isso é muito, muito injusto. – Volta a reclamar. Se for preciso, posso até bater o pé.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Quantas vezes eu já lhe disse que a vida não é justa? – Está descaradamente, me provocando.
— É o meu aniversário, eu quem deveria escolher o que fazer ou não. — Esbravejo e ela? Ela ri alto.
— Depois você reclama quando Janis faz birra, você está fazendo igualzinho a ela. – Eu ainda preciso ouvir tamanho absurdo.
— Chata! – Agora ri ainda mais alto.
— Olá, pequena Srta. Swan! – Faz uma falsa saudação. Além de me fazer rolar os olhos mais uma vez, me arranca também um sorrisinho. – Vamos falar sério agora. – Sua voz recompõe-se de qualquer gracinha e volta ao tom sério. – São só seus amigos. Por que está assim tão relutante? – Questiona.
— Sabe o que eu estava planejando no final do expediente? – Começo. – Chegar em casa, abrir minha geladeira, pegar uma cerveja e sentar no meu sofá. Relaxar meus ombros que passaram o dia rígidos, fumar meu cigarrinho e ouvir alguma música no volume mais alto. Tudo isso enquanto espero você chegar. – Conto meu sonho de princesa. – Aí eu lembrei que não tenho mais uma casa, nem uma geladeira, muito menos cervejas. – Pobre, Emma, não é mesmo? – Eu não estou relutante, acho. Só é tudo novo, o dia foi puxado e eu gostaria de verdade, de passar um tempo com você. – Me abro.
— Eu estarei lá também. – É o longo comentário que faz a respeito.
— Tinker também estará, ou seja, você ficará milhas distante. – Reclamo.
— Eu não vou fazer isso. – Meio que promete. – Eu não quero fazer isso. Também quero me permitir. – Solta com o ar. – Não foi só você quem passou esse tempo distante. – Meio que desabafa, e me faz ver que estou sendo imatura. Em todo esse tempo longe, ela mais me consolou do que qualquer outra coisa. Era sempre sobre o que eu estava sentindo. Sempre sobre a minha saudade, os meus medos, as minhas inseguranças. Ela ouviu, ouviu, ouviu, sem nunca reclamar. Sempre me consolou, tentou resolver. Sempre buscou paciência não sei de onde, sempre se preocupou. Nunca reclamou, nem mandou um: “hey, você está me vendo aqui também? Eu também tenho sentimentos, eu também estou sofrendo desse mal”.
— Me desculpe. – Peço com sinceridade. – Só agora estou vendo o quão egoísta eu fui nesse último mês. Nós pouco falamos de você nesse tempo. Era tudo sobre como eu estava me sentindo.
— Está tudo bem. Não tenho nenhuma reclamação a fazer sobre, Okay? – Pelo jeito como me garante tal coisa, parece que não tem mesmo. Queria ser assim como ela, segura, mesmo tendo inseguranças. — Você só não deve excluir seus amigos e concentrar-se somente em mim, porque assim como eu, você sabe que existirão vezes que eu não poderei comparecer, que eu vou faltar, que você vai se chatear, que vai chorar e que vai precisar dos amigos que tem. – Balanço a cabeça concordando.
— Tão madura a minha mulher, tão imatura a mulher dela. – Meu comentário a respeito à faz rir.
— Você está pronta? – Indaga.
— Nasci pronta, babe! Vamos nessa!
— Não seja debochada, Srta. Swan! – Implica comigo.
— Não estou sendo. Apenas estou pronta para a minha festa. Festa essa que vou com a minha namorada. Namorada essa muito persuasiva.
— Ela faz o que pode. – O tom sedutor como fala tal coisa, faz a pequena Emma, piscar. Meu Deus! Como eu vou sobreviver a essa festa sem me agarrar com essa mulher na frente dos convidados? Como eu vou conseguir dividi-la com Janis?
— No momento ela acabou de me fazer molhar a calcinha. – Compartilho tal evento.
— Eu acho que não precisava mesmo saber sobre isso. – É o que me fala. – Eu não sei que tipo de bruxaria você fez, nem que tipo de pessoa louca por sexo, você me tornou, o fato é que saber sobre a sua calcinha, afetou a minha também. – Reclama comigo e me faz gargalhar. – E eu odeio quando fica tudo... ew... – Sua voz de nojo me faz rolar os olhos.
— Vem aqui que eu enxugo esse “ew” para você com a minha língua. – Me ofereço. Ela suspira, ela faz silêncio, ela volta a suspirar.
— Eu odeio você! – Enfim se declara. – E odeio o poder que suas palavras pervertidas, tem sobre meu corpo. – Seu falso ódio faz com que de novo, eu de risada.
— Você não odeia não. Sabemos que você pode ser tão pervertida quanto eu. – Essa é a verdade.
— Okay, vamos embora. – Muda de assunto sem nem disfarçar. – Não esqueça de levar a obra de arte que você desenhou. É um bom presente de dia de São Valentim.
— Hoje à noite, quando estivermos sozinhas, no aconchego do seu quarto, eu lhe darei. – Prometo. – E já que entramos no assunto presentes. Hipoteticamente falando, se você tivesse uma namorada que assim, é irritantemente rica, milionária, ou seja, tem absolutamente tudo, com o que você a presentearia? Além desse desenho. Sexo também não vale. – Esse é meu jeitinho de dizer: “por favor, me fale o que você quer ganhar”. Juro que pensei em várias coisas e cheguei em conclusão nenhuma.
— Hipoteticamente falando? – Parece achar graça.
— Claro. – Suspira, faz silêncio por alguns segundos e volta a suspirar. Aparentemente até ela tem dificuldades em saber o que quer ganhar. Que triste é a vida da pessoa milionária, não é mesmo?
— Com a minha companhia. Com meu tagarelar sem fim. Com meus beijos, meus abraços. Com meus sorrisos, meus olhares que sempre falam tanto. Com o meu estar junto e todos os momentos, as lembranças, as memórias que essas coisas podem proporcionar. Algo que dinheiro algum pode dar a ela, e que pobreza nenhuma, pode vir a tirar dela. Algo perpétuo, intocável, imutável. – Provavelmente hoje, minha criação de borboletas, que já não cabe mais apenas no estômago, realmente vai sair pela boca. Eu não posso com essa mulher, não mesmo. Regina Mills, ela é perfeita. Na versão durona. Na versão safada. E nessa versão brega que a coitada diz não existir.
— Então, eu nasci no dia de São Valentim. Como você bem observou, não teria como eu não ser brega. Qual a sua desculpa? – Claro que eu podia ter aproveitado esse raro momento, para dizer a ela mais um monte de sentimentalidades, mas eu faço isso quase sempre, então não poderia mesmo, deixar tal coisa passar em branco.
— Cale a boca, Srta. Swan! – Acabo rindo alto, ao perceber que a deixei envergonhada. – Estou passando aí. – É desse jeitinho que se despede, antes de desligar.
A gente sabe que está muito completamente ferrada, quando fala com a amante namorada, ou namorada amante, ao telefone, quando a mesma está bem aqui, na sala ao lado, mas que por motivos maiores, deve evitar me receber na mesma. Eu deveria pensar que isso pode não terminar bem, não deveria? Ou pelo menos cogitar tal coisa? Mas eu não consigo.
Nos meus sonhos coloridos, tudo vai terminar bem, eu vou ser feliz com essa mulher, nós vamos formar uma família e seremos felizes, até que a morte nos separe. A morte, talvez, bem talvez, muito talvez, venha antes disso tudo.
Infelizmente existe essa possibilidade. Mas mesmo assim, recuar não é uma opção, porque eu tenho certeza que uma vida longa, sem ela, não será de forma alguma melhor, do que uma vida curta, porém extremamente feliz, com ela.
Tiro um post it da gaveta que foi me apresentada como minha, pego uma caneta vermelha, e escrevo ali minha resposta para o bilhetinho da Srta. Mills. Depois disso me ponho de pé, dobro cuidadosamente minha obra de arte, visto meu casaco de frio e jogo para dentro dele, o bilhete recebido, o bilhete feito e a obra de arte desenhada. Me sinto como no primeiro dia de aula, indo cheia de papeizinhos para casa.
Tiro do gavetão que também foi me apresentado como meu, minha bola e dela tiro meu cachecol de frio e minhas luvas. Minuto ou dois depois de eu estar devidamente preparada para enfrentar o frio que faz na cidade lá fora, Regina Mills, abre a porta da sua sala e caminha ao meu encontro.
Também está usando seu kit frio intenso, porém ela fica elegante e com ar ainda mais importante dentro dessas coisas. Sempre que olho para ela e vejo o preto predominante em suas roupas, tenho a mais absoluta certeza que essa cor, foi criada para essa mulher.
Antes, eu achava que nada poderia me deixar mais tensa do que estar com a Regina CEO, na sua empresa, na presença frente dos seus funcionários, mas agora, a vendo caminhar ao meu encontro, me olhando como seu eu fosse uma presa, presa essa que ela está prestes a atacar, sem ninguém aqui presente além de nós duas e toda essa tensão sexual, me faz concluir que estar só com ela, nesse lugar, me deixa muitíssimo mais nervosa.
— Pelo amor de Deus, como você consegue me deixar assim acuada? É como se não nos conhecêssemos. – Balbucio com ela, que me rola os olhos.
— É bom que você reaja assim. Quem vê de fora, vai pensar que não temos qualquer tipo de intimidade. – É o comentário que faz. – Bom, estou aqui parada em sua frente, para ficar gravado nas câmeras que eu estou lhe avisando que Tinker ligou e pediu para eu lhe dar uma carona. – Ela não me dá nem um sorrisinho. Malditas câmeras. Maldita Cora enxerida.
— Bom, para que também fique registrado nas câmeras, minha namorada acabou de ligar e me informar sobre isso. – Ali está, posso ver o quase imperceptível meio sorriso que ela dá. Uma vitória de uma filha de Deus! – Sua mãe não pode mesmo ouvir isso, certo? – Eu pensei bastante a respeito no dia de hoje. Se por um acaso, existir uma escuta aqui, hoje mesmo minha querida sogra, manda me matar.
— Não, ela não pode. – Fala. – Do mesmo jeito que eu sei que ela assiste aos vídeos, ela também sabe que eu faço o mesmo. Ou seja, graças a isso, ela não tem como mandar instalar escutas, sem que passe despercebido. – Explica. – E também, existem alguns nerds. Uma vez por semana, eu chamo um diferente, para que venha aqui e procure por esse tipo de coisas. – Quando se trata da mãe, Regina se transforma quase em um general de guerra. Ela pensa além e se adianta.
— Você é mesmo muito inteligente! – A elogio.
— Sou apenas um gato escaldado, Srta. Swan. – É a resposta que me dá. – Agora vamos? – Não espera por mim, não espera por uma resposta, não nada. Apenas resolve ir.
Antes de correr atrás dela, eu desligo meu notebook e apago as luzes. Quando estou realmente pronta para ir, ela já não está mais no meu campo de visão.
Se o lugar aqui, é aconchegante durante o dia, durante a noite, com tudo apagado, se torna meio assustador, sombrio. Como se as paredes tivessem olhos, ou coisa assim.
Enquanto caminho até a saída, penso que de repente, a minha querida sogra, pode estar escondida em um cantinho escuro desses, só esperando eu passar para me raptar e me levar para o seu calabouço, lugar onde vai me torturar, e fazer oferendas para seu querido amigo Satanás, antes de me matar.
Claro que a realidade seria um cenário um pouco diferente do que se passa no fantástico mundo da imaginação de Emma. Provavelmente ela só mandaria me jogar dentro do porta-malas de um carro, onde eu seria levada até um beco qualquer. Lá ela estaria esperando por mim com uma arma, arma essa que seria descarregada na minha pessoa. Ou talvez, ela só mandasse um carro me atropelar. Ou talvez também, pudesse dar um jeito de envenenar minha comida.
Okay, Emma, talvez você tenha algum problema mental grave. Essa seria uma boa explicação para você estar teorizando as várias formas de como Cora pode te matar. Talvez tenhamos que procurar um médico, ajuda profissional, sabe como é? Enfim, o fato é que jamais em hipótese alguma, você pode sequer, pensar em compartilhar isso com a sua namorada, porque senão será ela a lhe trancar no calabouço e só vai deixar você sair de lá, quando Cora deixar de existir.
Regina, namorada ingrata. Não acredito que ela não esperou um minuto por mim. Me deixou aqui, sozinha, abandonada, largada. Como se eu já não tivesse passado nervoso e medo suficiente no dia de hoje. Não tenho nem certeza se minha calcinha sobreviveu ao meu primeiro dia de trabalho. Por ser o primeiro dia, e por não querer de jeito algum, de repente causa a impressão que estava de alguma forma, fazendo corpo mole, minhas idas ao banheiro foram cronometradas. Nem sentar no vaso para dar uma relaxadinha, eu sentei. Todos os xixis que fiz, foram mais rápidos que trocas de pneus em corridas de Fórmula 1.
Respiro aliviada, ao finalmente chegar ao final das ilhas e alcançar a recepção. Através do vidro escuro da mesma, vejo a Srta. Mills ali fora. Gosto de pensar que está esperando por mim e não pelo elevador, no qual ela está em frente.
— Boa noite! – A voz completamente inesperada que me deseja tal coisa, me faz pular de susto, além de me causar um pequeno gritinho de pavor. Ao procurar pelo dono da mesma, vejo alguém que deduzo ser o segurança do lugar, sentado no escuro, na cadeira da recepcionista. Mesmo tentando disfarçar, ele demonstra ter se divertido com meu susto.
— Boa noite, Senhor! – Desejo ao levar a mão ao peito. Minhas pernas estão tão moles e meu coração, acho que nem Regina Mills já conseguiu fazer com que ele batesse assim disparado.
— Desculpe, senhorita. – Pede, ao provavelmente ver o quanto me assustou.
— Não tem problema. – Tento lhe sorrir. – Boa noite! – Desejo novamente ao sair do lugar.
Regina estava mesmo esperando por mim. Concluo isso ao ver que agora ela está segurando a porta do elevador. Como existem câmeras aqui também, passo por ela sem nem olhar ou falar qualquer gracinha. Recosto as costas na lateral oposta à do display do mesmo e a assisto digitar o andar para qual iremos.
Feito isso, ela recostasse ali, de frente para mim e então me encara. Tão perto e ao mesmo tempo, tão longe. Provavelmente é isso que ela também está pensando, enquanto mantém os olhos presos aos meus.
— Sua mãe também tem acesso a câmera do elevador? – Questiono e ela balança a cabeça negando.
— Então por que você está assim longe?
— Primeiro, porque são poucos segundos até lá embaixo, Srta. Swan, e não acredito que eu vá conseguir larga-la rapidamente, quando me aproximar. – Abro um sorriso bobinho, ao ouvir sobre. – Segundo, minha mãe não tem acesso a essa câmera, mas algum segurança certamente está assistindo. – Explica.
— Não sei quem inventou isso de pôr câmera em elevador, mas poderia muito bem desinventar. – Reclamo e a faço sorrir.
— Com certeza poderia. – Concorda comigo, então volta a fazer silêncio enquanto fecha os olhos e começa a massagear as têmporas. Parece cansada, não só fisicamente, mas também mentalmente. Com certeza muitas coisas estão se passando pela sua cabeça, nesse exato momento. Preocupações que infelizmente, ela não vai compartilhar comigo.
— Tão séria. – Meu comentário a faz abrir os olhos e me encarar.
— Eu sou séria, Srta. Swan! – É o que me fala.
— O que está se passando aí, nessa cabeça preocupada? – Questiono. Ela suspira e depois balança a cabeça negativamente.
— Várias coisas. – Acaba soltando com o ar. – Não sei se é uma boa ideia irmos para casa juntas. – Compartilha comigo. – Eu odeio todas essas malditas câmeras! – Pragueja.
— Não se preocupe, não entre em paranoia! – Peço. – Em momento algum deixamos subentendido que formamos um casal. – Tento tranquiliza-la. – Primeiro, você sabe esconder muito bem seu lado Reginão. Segundo, todas as câmeras podem provar que você não está nem aí para mim. – Finalizo meu pensamento.
— Me desculpe por isso. – Pede. Talvez tenha entendido a segunda parte como uma reclamação, ou talvez ter que agir assim, acabe a aborrecendo.
— Um dia, você não vai precisar me ligar para me chamar para irmos embora, ou para conversar comigo. Você vai tirar sua bunda maravilhosa da sua poltrona e suas pernas vão levar você ao meu encontro. – Falo. — E você não vai ter que sair na minha frente, vai poder esperar por mim, vai poder me acompanhar naquele corredor escuro. – Continuo. — Não vamos precisar manter distância no elevador. Você vai poder se encostar em mim, e me abraçar enquanto esperamos ele descer. E quando essa porta se abrir, Srta. Mills, nós vamos sair de mãos dadas, sem medos, sem receios, sem precisar esconder esse amor tão bonito, que existe entre nós. – Lhe prometo e a vejo sorrir.
— Você sabe... a pessoa brega desse relacionamento costuma ser você, assim como a sonhadora, a que faz planos, porém eu desejo muito tudo isso que você acabou de falar. Assim como eu desejo muito todos os outros planos que você já compartilhou comigo. – Ao contrário do que imaginei, não faz gracinha com meu romantismo, muito pelo contrário. Provavelmente está mesmo possuída pelo espírito de São Valentim. – Eu quero chegar em casa com você todos os dias, Emma, e encontrar lá, a nossa família. – Regina não costuma me falar sobre o futuro, na verdade, não costuma me falar os planos que faz para o mesmo. Talvez ela nem os faça. Medo, esse é o motivo pelo qual ela se esquiva de falar sobre. Provavelmente faz isso com ela mesma. – Você me faz imaginar, Srta. Swan. Você me faz desejar. Você me faz querer. Isso me aterroriza tanto. – É sincera, tanto na parte boa, quanto na rua. Balanço a cabeça, concordando.
— Eu sei. Eu vejo. Eu gostaria tanto que houvesse um jeito de proteja-la. Queria poder prometer que nada mais de ruim, vai acontecer na sua vida, mas eu esbarro no não poder. – Concorda com um aceno. – Porém, uma coisa eu posso prometer: o que quer que venha a acontecer, eu vou estar com você. E quando tudo isso terminar, quando você chegar em casa, vai encontrar a nossa família lá, você tem minha palavra. – Não me fala nada, pelo menos, sua boca não fala. Já seus olhos marejados me falam o quanto ela quer isso, e também me falam o quanto ela tem medo de que não aconteça.
Eles me mostram o quanto ela está cansada, sobrecarregada disso tudo, da vida que leva, dos não poderes, dos muitos nãos. Neles eu vejo o quanto ela é atormentada pelo passado, por tudo que aconteceu, pelas pessoas que perdeu.
Estamos em um daqueles momentos em que ela me deixa ver, que deixa eu me aproximar, que mesmo sem falar, me grita por ajuda.
Ignorando o elevador e sua câmera, ou suas câmeras, eu dou alguns passos à frente, parando a centímetros dela. Minhas mãos tocam seus braços, então os afagam. Sem desfazer do contato visual por um segundo sequer, eu lhe sorrio e resolvo também verbalizar o que meus olhos já estão dizendo para ela.
— Eu vou cuidar de você, Srta. Mills! – Lhe dou minha palavra. — Quando você estiver triste, você nunca mais vai estar triste sozinha. Quando você estiver atormentada pelos seus fantasmas, você nunca vai mais estar atormentada sozinha. – Seus olhos que já estavam marejados, ficam um pouco pior agora. — Eu não prometo que vou levar toda a sua dor embora, mas eu prometo que vou pegar um pouco dela para mim, nós vamos dividi-la. Vai doer menos, vai pesar menos, eu prometo que vai. – A vejo engolir o choro, enquanto balança a cabeça concordando. Meu indicador captura as lágrimas que ela não conseguiu evitar que fugissem dos seus olhos.
Antes que eu possa falar mais alguma coisa, antes que ela possa falar alguma coisa, o elevador chega ao nosso destino. Recou um passo antes que a porta termine de abrir. Já Regina Mills, volta a se fechar, põe sua mascará de mulher inabalável, passa as mãos pelo rosto, livrando-se dos resquícios de lágrimas e sai do elevador. De novo, não espera por mim, não pode esperar e agora tenho certeza que esse é um dos não poderes que a incomodam.
Do outro lado da catraca, seu segurança a espera. Ela para, eles trocam algumas palavras, ela volta a caminhar, agora na presença dele. Sei que essa é outra coisa que ela não gosta. Regina detesta ser seguida, vigiada, ter praticamente uma sombra viva. Tenho certeza que esse seu não gostar, me ajudou e muito, a convencê-la a não me “presentear” com nenhum segurança aqui em Nova York. Graças ao bom Deus, essa experiência não muito agradável que tive nos últimos quarenta e poucos dias, ficou em Las Vegas.
É terrível ter alguém atrás de você o tempo todo. Terrível ter que ter “autorização” para pôr literalmente os pés na rua. Por mais que eles sejam silenciosos, discretos, apáticos, quase plantas, não é possível relaxar totalmente, esquecer a presença. Acho que para mim foi ainda mais complicado, já que pobre está acostumado a ser perseguido única e exclusivamente, por boleto atrasado e não por seguranças. Porém, eu sempre tive minha liberdade, nunca deixei de fazer o que quis fazer, já com a Srta. Mills, é diferente, já que ela tem medo e com razão, que esses homens que a seguem, passem um relatório completo para Cora, de todos os passos que ela dá.
Quando enfim saio do arranha céu, sinto um frio da porra tomar conta de todo o meu eu. Minha primeira reação é me encolher. A segunda é levar as mãos para dentro do bolso do casaco, mesmo que as mesmas estejam protegidas por luvas. A terceira é pensar em voltar para dentro do Empire State e nunca mais sair de lá. Ao ver a Srta. Mills e seu “homem” de preto, alguns metros a minha frente, aparentemente esperando por mim, eu vou até eles.
Se eu estava com frio, tudo fica um pouco pior, quando um vento do cão, começa a soprar forte. Elsa, tenho certeza que ela mora em Nova York, dever ser prima de Regina, ou uma parente próxima. O fato é que faz muito sentindo ela morar por aqui, por isso que além do frio, as pessoas daqui são tão fechadas, tão apáticas, tão duronas, tão sem sorrisos, tão nova-iorquinas. A culpa é de Elsa, que não contente em congelar apenas cidade, resolveu congelar o coração dos nativos desse lugar.
— Vamos logo, Srta. Swan, antes que você congele. – É o que a Srta. Mills me fala, quando eu paro ao lado dela.
— Por aqui, Srta. – Com uma mão, o segurança dela me aponta a direção e com a outra ele toca minhas costas, me fazendo andar. Ele me encaminha, por assim dizer, até o carro, estacionado poucos metros à frente. Essa limusine, ou sei lá como chamam isso, eu ainda não tinha visto. Não é a mesma que as irmãs Mills me levaram para passear no primeiro dia do ano e que nos trouxe até aqui na manhã de hoje. Essa é um pouco menor, é mais elegante, provavelmente é também mais nova que outra. Tem cara de má, é azul-marinho e metálico e os vidros são ainda mais escuros.
O homem abre a porta para mim, e me oferece a mão para me ajudar a entrar. Penso em não aceitar, mas eu não sou uma nova-iorquina congelada, certo? Certo, então eu aceito, entro e resmungo um agradecimento, que provavelmente ele nem ouviu, já que fechou a porta antes do meu “obrigada” chegar ao fim.
Aquecida, essa é a primeira coisa que sinto estando aqui dentro. Deus abençoe quem quer que seja que inventou o aquecedor. Graças a tal coisa, pessoas mortas de frio como essa que vos fala, ou escreve, não literalmente morre.
Exceto pela cor predominantemente preta, o interior do carro de luxo também é diferente do outro. Os bancos na verdade são poltronas de couro. Duas poltronas, se é que posso chamar essa coisa confortável e elegante assim. Os braços são de madeira de cor marrom, um tom bastante escuro.
Existem vários botões no braço direito de cada assento. Botões pelos quais meus dedos e minha curiosidade, sentem muita atração. A minha frente tem uma divisória, uma parede, ou sei lá como chama isso que divide e dá privacidade, separando os passageiros, do motorista.
Nessa parede/divisória, tem uma TV de não sei quantas polegadas, mas posso afirmar que é consideravelmente maior, do que a TV que tem na casa que eu morava até ontem. Noticiário, é isso que passa na TV, ou talvez seja um canal só de notícias, não sei.
Antes que meus olhos curiosos possam observar mais coisas, ou achar mais botões para apertar, a porta oposta à que eu entrei, é aberta e por ela entra a Srta. Mills. No seu estilo nova-iorquina de ser, ela murmura um “boa noite” para o seu segurança, que lhe entrega uma sacola branca, lhe murmura a mesma coisa e fecha a porta.
Ajeita-se na sua poltrona, tira as suas luvas, as guarda na bolsa, cruza as pernas, apoia os braços nos descansos do assento, respira profundamente e então aperta um dos muitos botões da sua poltrona.
— Podemos ir. – É o que fala. Está falando com o motorista, obviamente. Esse microfone, ou espécie de rádio comunicador, é meio que padrão em todas as limusines. Mesmo não tendo onde cair morta, já andei em algumas em Las Vegas. Algumas muito espalhafatosas, coloridas, cheias de luzes, bancos e bebidas, devo acrescentar.
É estranho como coisas iguais podem fazer você sentir coisas diferentes. Porque as de Las Vegas, me faziam sentir um tanto cafona. Já as de Regina Mills, fazem eu me sentir como se fosse alguém importante, mulher de negócios, ou coisa assim.
— Está com frio? Quer que eu peça para aumentar a temperatura do ar? – Questiona ao voltar-se para mim.
— Não. Está bom assim, obrigada! – Lhe sorrio. – Parece que os poderes de Elsa não têm acesso aos interiores de casas e carros. – Minha conclusão a faz balançar a cabeça negativamente e esboçar um sorriso.
— Não cante a maldita música! – Me ordena. – Da última vez que você fez isso, eu passei o dia com essa coisa cantando incansavelmente na minha mente. – Ao ouvir sobre, dou risada.
— Okay, vou lhe dar essa chance. – Muito embora me sinta tentada a cantar. Assim com ela fez, retiro minhas luvas e as guardo na bolsa. Me desfaço do coque que manteve meus cabelos presos, ajeitados e alinhados durante todo o dia. Balanço a cabeça de um lado para o outro, afim de solta-los e depois passo os dedos algumas muitas vezes pelo o mesmo. Quando chego ao fim do processo, a espio pelo canto dos olhos e vejo que está literalmente me assistindo. – Você quase me deixa com vergonha quando fica assim parada me olhando, sabia? – Meio que conto, meio que reclamo.
— Você é absurdamente linda, Srta. Swan, não tem como não assisti-la. – Seu elogio além de me deixar sem graça, agita minhas borboletas e meu coração.
— Isso é porque você não conhece a minha namorada. – Falo. – Ela é linda em um nível tão, tão surreal, que me faz ter certeza que nem gente ela é. – Me balança a cabeça em negativo. – Não faz muito tempo, eu cheguei à conclusão que ela é obra de um desses pintores famosos, que tem os quadros expostos no Louvre. Deus, achando tal obra tão linda, tão perfeita, resolveu dar-lhe vida. – Bom, pelo jeito não foi só Regina Mills quem me deixou sem graça quando me elogiou, eu acabei de fazer o mesmo com ela, está perceptível.
— Às vezes você e suas coisas bregas, me deixam até sem palavras, Srta. Swan. – É o que acaba me falando.
— Admite, você adora quando eu abro a boca para falar coisas bregas. – Pego no pé dela, que agora me olha como se eu fosse louca, enquanto tenta não rir.
— Você jamais vai me ouvir admitindo isso. – Me dá uma de suas respostas cretinas.
— Não preciso ouvir, é algo que eu sei. – Lhe dou de ombros. – O que tem aí nessa sacola que o segurança lhe entregou, isso é algo que não sei. – Agora ela ri, provavelmente da minha curiosidade.
— Metida! – Implica. – É para você. – Pega a sacola e me entrega. Penso em perguntar se devo ter medo, mas sei que ela vai fazer cara feia, caso eu faço isso. Na verdade, sei que vai fazer cara feia caso eu faça qualquer comentário a respeito de estar ganhando um presente. Então resolvo apenas pega o que está me estendendo, sem fazer nenhum comentário a respeito.
Ajeito a sacola em minhas pernas e espio o interior da mesma. Abro um sorriso largo ao ver do que se trata.
Essa mulher, ela não existe, não pode existir. Pessoas como ela, não existem, não mesmo. Com certeza ela é fruto da minha imaginação. No final dessa história, vou me dar conta que vivo em um manicômio e que Regina Mills é uma “amiga” imaginária.
— EU NÃO ACREDITO! – Exclamo em voz alta, quase gritada. – Você não existe, mulher!
— Acabei descobrindo algo para substituir os chocolates. – É o que me fala, enquanto eu tiro uma long neck, do fardo de cervejas que acabei de ganhar.
— Tenho medo de verbalizar meus desejos para você, sabia? Quem é o gênio da lâmpada perto de Regina Mills? – Questiono. – Isso mesmo, ele é ninguém. – Está me rolando os olhos. — Eu falei sobre isso para você não tem meia hora, então nós descemos e você me aparece com elas. – Com destreza de uma boa apreciadora de cervejas, que infelizmente, por culpa da dieta, pouco pode beber, me desfaço da tampa da garrafa. – Seu segurança? – Pergunto só por perguntar, com certeza foi ele quem foi incumbido de comprar esse presente maravilhoso.
— Para alguma coisa ele tem que servir, não é mesmo? – Me responde. Parece estar se divertindo com a felicidade que seu presente me causou.
— Hoje está sendo o dia dos melhores presentes, sabia? – Claro que nada que ela venha a me dar, vai se comparar a coleira. Esse presente é incomparável. Nem que ela me dê a lua, vai conseguir superar a coleira. Mas eu realmente estou feliz com a cerveja.
— Fico feliz que tenha gostado, Srta. Swan. – Pelo jeito como fala tal coisa e me sorri, está mesmo feliz.
— Você quer? – Ofereço minha garrafa.
— Não, obrigada! – Então tá, né? Eu ofereci, se ela não quer esse liquido precioso, eu quero. Sem fazer cerimonias, sem me importar com bons modos, sem ligar para o fato de estar dentro de uma limusine, na presença de uma milionária cheia das regras de etiquetas, e não no bar da esquina, eu entorno minha preciosa cerveja.
Não sei quantos goles depois, chego ao final da mesma, o fato é que bebi tudo de uma vez, sem pausas, sem intervalos. Meu Deus, como isso é bom! Obrigada pela cerveja! Caso a pessoa responsável por ter criado o aquecedor, já tenha morrido, por favor, ofereça por mim, uma a ela.
— Wow! – É o comentário que a Srta. Mills faz, quando jogo a garrafa vazia para dentro da sacola de plástico.
— Me desculpe por isso, mas eu precisava. – Peço. – Não sei nem quando tinha sido a última vez, que bebi uma cerveja. – Ganho um balançar de cabeça reprovador.
— Você não acha melhor ir devagar?
— Acho. Até porque eu tenho contas a prestar em casa e quero estar bastante sóbria, para não correr o risco de esquecer de nenhum detalhe. – Agora me rola os olhos, de novo. – Eu também tenho uma coisa para você. – Aviso ao meter as mãos para dentro dos bolsos do casaco, procurando meu post it. Acabo tirando todos os papéis dali, desse jeito fica mais fácil encontrar o dela. – Esse é o pedido de namoro que futuramente, virará um quadro e também enfeitará nosso quarto. – Resmungo ao devolve-lo para o bolso. – Essa é minha obra de arte que vou entregar depois. – Volto a resmungar. – Isso aqui... ah, é do voo. – Esse antes de guardar, amasso, para saber que depois posso jogar fora. – Meus chicletes... – Também guardo. – Aqui... esse é para você. – Entrego a ela, que aparentemente estava julgando eu e meus muitos papéis.
— Pelo jeito, você só usa a bolsa para enfeite. – Comenta ao tirar o papel da minha mão.
— Prefiro bolsos. – Bolsos eu nunca esqueço por aí, já bolsas...
— Você é ridícula! – O comentário que faz sorrindo, ganha minha atenção.
Regina Mills no momento se encontra ridiculamente apaixonada, olhando para o post it amarelo que lhe entreguei. “Sim” é a única coisa escrita ali, porém o jeito que olha para tal coisa, faz qualquer um pensar que ela está lendo uma declaração de amor digna de Shakespeare.
— Uhum... – Concordo. – Ridiculamente apaixonada. – Deixa escapar um desses suspiros bobinhos de amor, tira os olhos do seu papelzinho também de amor e me encara.
— Obrigada! – Continua me sorrindo.
— Você não tem que me agradecer por isso. – Se alguém tem que agradecer aqui, esse alguém sou eu. Agradecer a ela, ao destino, ao universo, a Deus, a Nossa Senhora das Causas Impossíveis, e a Nossa Senhora Caminhoneiras. – Até porque, você sabe que nesse pacote, inteiramente grátis, virá ciúmes e inseguranças. – Ela acha graça.
— Eu posso lidar com isso. – Responde tranquilamente.
— Você pode? – Balança a cabeça afirmando.
— Posso. – Me estende a mão, que é agarrada quase instantaneamente. Ao contrário da minha, sua mão está quentinha. Quase abro a boca para pedir desculpas por talvez congelá-la, mas como não parece se incomodar, resolvo não comentar a respeito.
— Esse carro é da empresa? – Nega.
— É meu. – Como eu suspeitava.
— Não parece exatamente uma limusine, mas também parece. – Me sorri.
— É um Rolls Royce Phantom Limelight. Uma limusine um pouco menor. – Talvez se eu viver por muitos e muitos anos, aprenda a falar o nome desse carro, com a mesma classe que ela acabou de falar.
— Okay, e esse Rolls Royce Alguma Coisa, é anti-Cora? – Faço uma nova pergunta. Está rindo, provavelmente pelo apelido que dei ao carro.
— Com certeza ele é. – Me garante.
— E o comunicador com o motorista está desligado? – Continuo a minha investigação.
— Está desligado. – Afirma.
— E como eu faço para ligar o som desse ambiente? – Não me responde, só abre a sua bolsa, pega o celular, desbloqueia o mesmo e me entrega. – UAU! Um IPhone XS! – Exclamo ao pegar o mesmo. – No mercado negro, acho que esse telefone pode ser trocado por um rim. – Comento enquanto mexo no mesmo.
— Você é tão ridícula! – Me fala o de sempre.
— Sua riqueza me enjoa. – Comento. – Mentira, sua riqueza me deu uma coleira maravilhosa. – Lembro de tal coisa. – Eu amo a sua riqueza! – Refaço meu comentário.
— Como eu disse, você é ridícula! Eu não faço ideia de como pode sair tantas besteiras de uma boca só em questão de segundos. – De novo está rindo.
— Nossa, Regina! Seu celular é muito pobre de músicas. – Reclamo. – Me lembre de fazer algumas playlists para você. – Peço enquanto digito o nome da música que quero ouvir.
— Você não tem o direito de pegar o telefone de outra pessoa e reclamar da falta de músicas. – Implica comigo.
— Quando essa outra pessoa é minha namorada/amante, eu tenho sim. Tenho muito. – Rebato. Coloco a música para tocar e cuidadosamente, lhe devolvo o telefone, que ela pega de qualquer jeito e joga para dentro da bolsa. – Era essa a música que eu estava cantarolando enquanto você me assistia pelas câmeras de segurança. – Conto a ela.
— Acho que não conheço. – Isso não é nem de longe uma novidade. Tenho certeza que antes de começar a conviver comigo, Regina sabia o significado de música, mas nunca tinha parado de fato para ouvir, apreciar e esse tipo de coisas.
— Estranho seria se você conhecesse. – Provoco e faço com que me mostre a língua. – Você não vai me convidar para sentar aí? – Com a cabeça, aponto para suas pernas cruzadas. Meu pedido faz com que ela as descruze, além é claro, de me rolar os olhos.
— Você ainda não me falou que atração é essa que suas nádegas sentem por lugares onde não devem sentar. – Agora é minha vez de rolar os olhos.
— Suas pernas não são qualquer lugar, babe! Por mais que essa poltrona seja confortável, nunca vai se comparar a essas pernas aí. Fora que quando estamos sem roupas, eu não ouço você reclamar sobre eu querer sentar em certos lugares... – Não me responde. Ao invés disso, concentra-se nos muitos botões no braço da sua poltrona. Um é responsável por apagar as luzes do lugar. Outro é responsável por acender muitas luzinhas brancas no teto do mesmo. Luzinhas que me lembram estrelas. Já o outro é responsável por aumentar consideravelmente o volume da música.
Depois de fazer tais coisas, bate com a mão sobre as pernas, me convidando.
Largo minha bolsa no chão, junto com a sacola com as cervejas, e sem pestanejar, me jogo no colo que tanto me fez falta. Aperto os braços em volta do pescoço dela, enquanto a sinto apertar os braços em volta do meu corpo.
Meu coração, minhas pernas, minhas borboletas, todo o meu corpo, junto com minha alma, reagem a esse momento, a essa pessoa, a esse cheiro tão meu, a esse abraço cheio de saudades, cheio de amor, de carinho. Como é maravilhoso estar com ela. Como é maravilhoso estar com ela sem as máscaras. Como é maravilhoso estar com ela sem precisar larga-la. Como é maravilhoso não ter que sair do lugar onde eu me encontro. Como é maravilhoso não precisar me preocupar com o tempo, e nem com o lugar.
— Eu senti tantas saudades, Srta. Mills, tantas, que as vezes ficava difícil até de respirar. – Lhe conto.
— Entendo bem o sentimento. – Ela sussurra. – O que você fez comigo, Emma? – Embora tenha aparentemente questionado comigo, já que mencionou meu nome, acho que foi meio que um pensamento alto.
Beijo-lhe a lateral da cabeça, inspirando o cheiro também muito bom do seu shampoo, afrouxo os braços do seu pescoço, antes que lhe mate sufocada e afasto-me apenas o suficiente para que possa encara-la. Seus braços demoram uns segundos a mais, antes de concordarem me liberar.
— Eu te dei amor, foi isso que fiz com você. – Lhe respondo.
— Eu não sei se sei lidar com todos esses sentimentos que essa palavra traz. Às vezes eu sinto vontade de sair correndo. – Sua última frase me faz sorrir.
— Eu sei que sente, assim como sei que não vai fazer isso. – Seus dedos quentes tocam meu rosto, o afagam. O carinho me faz fechar os olhos.
— É tão contraditório... – Continua sussurrando, assim como continua pensando alto. – Amor deveria construir, mas até hoje a única coisa que me fez, foi destruir. – Balanço a cabeça discordando e volto a abrir meus olhos.
— Não foi o amor quem destruiu, foi o ódio, junto com a loucura da sua mãe. Você sabe disso. – Também lhe sussurro.
— Por que eu devo pensar que dessa vez vai ser dif... – Antes que possa terminar a frase, levo meu indicador até seus lábios e faço com que se cale.
— Porque vai ser. – Respondo à pergunta não finalizada. – Você tem que ter fé. – Peço. – Tenha fé e lute para isso. – Continuo. – Mas caso você não consiga pensar que vai dar certo, não fique pensando que não vai dar. Não sofra e nem se martirize por antecedência. Toda essa situação, não é de jeito algum, culpa sua. Você só é alguém lutando pela sua liberdade. Então pare de se atormentar com isso. – Passo o dedo pela cicatriz que carrega acima do lábio superior, antes de arrasta-lo para a lateral do seu rosto. Agora com as costas dos dedos eu afago ali. – Promete que você vai parar de pensar sobre essas coisas? – Peço e ganho um balançar nada convincente de cabeça. – Eu não ouvi, eu quero ouvir. – Agora me rola os olhos. – Você promete, Srta. Mills? – Insisto.
— Prometo, Srta. Swan! – Promete meio que a contragosto, mas promete.
— Obrigada por isso! – Agradeço. – Você acha que eu já posso te beijar agora? Não existe mais batom nos meus lábios, tampouco nos seus. – Muito embora ainda haja resquícios nos dela.
Sua mão que continua em meu rosto, vai até minha nuca. Seus dedos emaranham-se em meus cabelos. Ela me sorri e traz meu rosto para perto do seu. Seus olhos já estão fechados. Seu nariz brinca com o meu. Seus lábios estão próximos, coisa de milímetros, posso quase senti-los. Eles ameaçam fazer o que eu quero muito que façam. A expectativa faz meu coração acelerar e meu estômago agitar. Meu corpo pede por isso, anseia pelo toque, como um dependente, prestes a usar a droga que tanto ama.
— Eu acho que é uma boa hora para você parar de tagarelar, e fazer isso, Srta. Swan! – São suas últimas palavras, antes de tornarem seus, os meus lábios.
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