Era para ser só uma pequena comemoração. Cachorros-quentes e x-burguers, coisas que Elizabeth se dispôs a fazer. E bolo de chocolate, que ela também ficou encarregada. Quatro ou cinco garrafas da espumante preferida da Srta. Swan, água e refrigerante. Foi isso o que eu tinha combinado com Zelena, quando concordei que ela ficasse responsável pela organização de tal coisa.

Esperava chegar em casa, e encontrar com essas coisas na bancada da minha cozinha, que é um lugar bem grande, diga-se de passagem, e que todos se acomodariam bem, comeriam, beberiam e fim. Cada um seguiria seu caminho. Porém, na pratica não foi simples assim.

Ao chegarmos em casa, Emma e eu nos deparamos com algo um tanto mais exagerado. Nada de comemoração na cozinha. Zelena e sua quase mais nova melhor amiga, Tinker, transformaram minha sala em um espaço de festas.

A extensa parede de vidro, pela qual eu podia ver a cidade lá fora, foi coberta por balões, muitos balões, balões grandes, balões médios, balões pequenos e balões minúsculos. Uma parede de balões desconstruídos. Todos eles de cor dourado metálico. Não faço ideia da quantidade de balões, nem como conseguiram encher todos sem ter nenhuma espécie de problema respiratório, o fato é que tenho certeza que mais de 700 unidades, foram usadas.

Meus sofás foram arrastados para perto dessa parede, e foram forrados por um pano também dourado e cheio de brilho. O centro da sala virou uma pista de dança. Não faço ideia de como, nem vou perguntar a respeito, inclusive, espero que o gesso do teto tenha sobrevivido intacto, enfim, colocaram um globo enorme ali. Não entendo nada a respeito de iluminação de festas, mas nunca vi tantas luzes de tantas cores, saindo de um único lugar. Alguns refletores foram colocados em cada canto da sala, e por eles, também saem muitas luzes coloridas. Não tenho noção de onde foi parar o tapete da sala, só sei que sumiu. “Feliz aniversário, Emma!” é o adesivo que está colado no piso claro, bem no centro da pista de dança que se transformou esse cômodo. A mesa de jantar, que também foi arrastada para perto da parede de balões, virou mesa de bolo, lanches bebidas. Baldes com garrafas de espumantes, cervejas e energéticos, que podem suprir tranquilamente uma festa para trinta pessoas, estão espalhados pela mesma. Assim como incontáveis cachorros-quentes e x-burguers, que podem alimentar tranquilamente umas cinquenta pessoas.

O beijo que trocamos no carro, e que durou praticamente a viagem toda até em casa, junto com os sussurros, as caricias, os toques, e toda a vontade reprimida desses dias que passamos longe, fizeram com que eu me arrependesse de ter optado pela comemoração. Tudo que eu mais estava desejando, era chegar em casa e subir com Emma para o meu quarto, para saciar de uma vez, toda a vontade ensandecida, quase sem controle, que meu corpo sente por essa mulher.

Queria me perder com ela na minha cama, na nossa bolha, no nosso mundo paralelo. Queria. Na verdade, ainda quero, quero muito. Porém, agora já não faço ideia de que horas isso vai de fato acontecer. Já que acabamos de chegar, a festa obviamente ainda nem começou. E mesmo que sejam poucos os convidados, pela quantidade de bebidas, energéticos e comida, pode ser que amanhã de manhã, ela ainda esteja acontecendo.

Honestamente, não sei onde estava com a cabeça quando concordei que Zelena cuidasse da comemoração. Zelena não sabe o significado de pequena comemoração. Então mesmo que essa festa envolva apenas nove pessoas, ela transformou em algo digno das mulheres que ela diz não gostar, que atendem pelo sobrenome de Kardashian.

— O que significa isso tudo? – Emma balbucia comigo, bastante incrédula por tudo que vê.

— Eu não faço ideia. – Respondo com sinceridade. – Parece que minha casa foi transformada em algo como: Regina Bar e Boate. – Ainda passo os olhos pelo lugar que uma vez foi minha sala. Embora nunca tenha usufruído muito dela, eu gostava de como ela era.

Eu deveria estar surtando, não deveria? Talvez depois que a minha também incredulidade vá embora, eu comece. Até porque para que possa pôr meu surto em prática, preciso da presença das promoters responsáveis: Zelena e Tinker. E claro, do convidado especial que com certeza teve muito a ver com isso: Killian Jones, vulgo Burro Falante.

— Estou em dúvidas entre ficar na pista e esperar esses exagerados que eu chamo de amigos, aparecerem para gritar: surpresa! Ou peço para você me levar para a área vip, enquanto ainda existe a possibilidade de fugir. – Acho graça do comentário, além de gostar muito da ideia que envolve fugir enquanto ainda existe tempo.

— Preciso dizer que gosto muito da ideia da área vip, aliás, eu não deveria de jeito algum, ter concordado com nada além da área vip. – Compartilho meu pensamento, que na verdade é um quase lamento. Tal coisa faz com que ela se volte para mim. Suas mãos vão até minha cintura, traz meu corpo para junto do seu, enquanto me sorri.

— Eu bem que avisei. Avisei desde o começo. – Tinha certeza que me falaria isso. – Mas não, você resolveu compartilhar com o mundo que hoje é meu aniversário. – Joga tal coisa na minha cara. – E agora quem sofre com isso? Isso mesmo, eu. – Resolve ser dramática o que me faz lhe rolar os olhos.

— Eu não compartilhei com o mundo, apenas com Zelena. – Me defendo enquanto tento não rir.

— Ou seja, compartilhou com o mundo. Pelo jeito como sua sala está, se prepare para abrir a porta para as Kardashians, babe. – Não consigo me manter séria, acabo rindo do seu exagero. — Talvez até Paris Hilton resolva aparecer. Ela e a Kim, devem ter trocado mensagens o dia todo, combinando essa balada de respeito. Algo como: vamos relembrar os velhos tempos! – Agora pensa a respeito da bobagem que acaba de me falar. – Imagina esse encontro, as maiores herdeiras de hotéis do mundo, reunidas para comemorar o meu aniversário. E de brinde, Kim Kardashian, a dona da sexy tape mais comentada da história. – Ela ri alto. – Meu Deus! Provavelmente eu sou um avatar do The Sims e alguém me jogou no núcleo errado. – Como não rir das besteiras que saem dessa boca? Quantas bobagens desse tipo será que passam por essa cabeça diariamente?

— Pare de ser ridícula, garota! – Lhe balanço a cabeça negativamente, enquanto ainda acho graça. – E para que você fique atualizada sobre: a rede de hotéis Hilton, não pertence mais aos Hiltons. Foi vendida. – Cutuco seu nariz com o meu indicador, depois de lhe contar a “novidade”.

— Por isso eu digo que foi vendida. – Me faz balançar a cabeça negativamente novamente. – Ela já tinha sido deserdada mesmo. – Dá de ombros. – Ou talvez sejam só fofocas. – Pensa a respeito. – Eu nunca sei em quem acreditar. – Continua divagando. — Você conhece ela? – Me questiona.

— Sim, eu conheço ela. – E não tem nem como eu não rolar os olhos ao falar sobre.

— Eu não consigo imaginar vocês duas dividindo um mesmo espaço. Imagina então vocês três. – Está pensando alto. – Você, ela e a Kim já estiveram em um mesmo evento? – Um dia, quando estiver bastante desocupada e entediada, vou parar para ouvir todas as curiosidades da Srta. Swan, que envolvem a minha pessoa.

— Claro. – Respondo seriamente. – Existe uma sex tape, essa obviamente, nunca vazada. Nela Paris, Kim e eu, participamos juntas de uma orgia. – Pensa por dois ou três segundos no que eu acabei de dizer, então me balança a cabeça negativamente e começa a rir.

— Pare com isso! Eu quem sou a dona das piadas nessa relação. – Implica comigo. – Você não deve tratar assim meros mortais, que os únicos famosos que conhecem, são os falsos Elvis de Las Vegas. – Resolve continuar com as suas bobagens.

— E as famosas que você conheceu no evento do Bellagio? – Questiono.

— Só se eu conheci na sua imaginação, porque a realidade foi bem diferente. Elas olharam para minha cara por algo como, meio segundo, fizemos uma foto e fim. – Não sei se está se lamentando ou reclamando.

— Vou começar a mandar você nos eventos com Zelena. Ela é metida a famosa, vai apresentar você as “celebridades” norte-americanas. – Lhe prometo.

— E você? – Ao invés de ficar feliz, está quase reclamando, pedindo a minha presença.

— Eu gosto do anonimato, Srta. Swan. Até porque, não existe motivo algum, para eu ser alguém famosa. – Lhe falo. – Eu já sou o entretenimento da minha mãe, não preciso se mais ninguém querendo seguir minha vida.

— Sempre muito sensata a minha mulher. – Sem que eu espere, resolve juntar os lábios aos meus.

— Emma! – A repreendo.

— O quê? – Está rindo. – Não é como se tivesse mais alguém nessa festa além de nós duas. – Essa frase ela fala em tom mais alto, para que seus convidados resolvam de repente aparecer. – Então nós podemos tirar as roupas e fod... – Antes que continue, minha mão vai até a sua boca e faz com que ela se cale.

Provavelmente não lembra que a filha também está entre esses convidados escondidos. Fora sua mãe e sua irmã, que também estão em algum lugar dessa casa, e ela ainda não sabe.

— Comporte-se, Srta. Swan! – Preciso falar o mesmo de sempre. – Janis também está por aqui. – A lembro de tal coisa.

— Talvez eles não estejam, talvez tenham sido abduzidos, ou congelados pela Elsa, ou qualquer outra coisa que explique essa ausência já sem graça, mas caso estejam: ESTÁ FICANDO CHATO! EU VOU SOLTAR A REGINA EM VOCÊS! – Seu aviso, que indiretamente, ou bastante diretamente, me chamou de cachorra, me deixa um tanto incrédula, outro indignada, e outro não acreditando no que ouviu.

— Você me chamou mesmo de cachorro, Srta. Swan?! – Me dá um sorrisinho sem graça.

— Talvez?! Mas eu gosto, sabemos. – Aproxima o rosto do meu. – Também sabemos que entre quatro paredes, eu te chamo de cachorra e derivados. Você tem até uma coleira, Srta. Mills. – Isso ela sussurra, enquanto tenta fazer sua defesa.

— Okay, apenas... cale a boca! – Peço, enquanto torço para que ninguém, esse ninguém inclui Janis, Mary Margaret, Anna e por último, mas não menos importante, Elizabeth, estejam perto o suficiente para terem ouvido os sussurros. – Zelena, se vocês não aparecerem, nós vamos embora. – Aviso, um tom alto, autoritário, sem margem para gracinhas. – Esse embora significa: iremos para a sua casa, seu quarto, para ser mais precisa. – Se existe um templo sagrado para minha irmã, esse templo é seu quarto. Ela não gosta que ninguém entre no mesmo sem ser convidado. Imagina então entrar no mesmo sem convite, e usar a cama, para motivos de sexo.

— Você precisa ser mais convincente. – É o que sugere minha namorada.

— Vá em frente, gênio!

— Killian, aquele viado britânico que atende pelo nome de Robin, quer muito sair com você. Se você não aparecer agora, juro pela Mãe Monstro, que não vou fazer essa saída acontecer. – Não faço ideia de quem ser a mãe monstro, mas não deve ser alguém importante, já que tudo continua do mesmo jeitinho.

— Você precisa ser mais convincente. – Tento imitar a voz dela, que ri da minha implicância.

— Você tem mais alguma ideia? – Penso um pouco a respeito e concluo que sim, eu tenho. Uma ideia que pode muito, muito dar certo.

— Janis?! – Chamo. – Janis, você não está com saudades? – Uso um tom quase triste ao questionar sobre. – Estou com tantas saudades de você. Vim o mais rápido que pude para lhe ver e agora você se esconde de mim? – Emma põe a mão sobre a boca, para segurar o riso.

— ELES NÃO QUEREM ME DEIXAR IR COM VOCÊ, ME AJUDA! – Grita por ajuda e me faz sorrir satisfeita. Embora tenha a “usado”, para descobrir onde estão escondidos, eu realmente estou com muitas saudades dessa pessoinha. De tê-la em meus braços, de enchê-las de beijos. De ouvir seu tagarelar e seus vários questionamentos. Enfim, sua voz entrega que eles estão no andar de cima, provavelmente perto das escadas.

— Eu vou subir! – Aviso.

— NÃO! – Agora a voz da minha desagradável irmã, se faz audível. – Era para vocês terem subido antes, estávamos certos que ao encontrarem a casa vazia, fariam isso. – Ótimo! Minha vida sexual parece que anda habitando e muito, os pensamentos dessas pessoas. Provavelmente comentários do tipo: “mas é claro que não encontrando ninguém, vão direto para o quarto”. Ou: “aposto que vão começar a se despir já na sala”. “Temos que cobrir os olhos de Janis”. – Agora fiquem aí, nós vamos descer. – Exige. – E a culpa é de vocês, que não seguiram o scrip. – Eu ainda preciso ouvir isso. – Swan, Emma Swan, fique de costas para as escadas. – Seu pedido a faz rolar os olhos, mas acabada acatando.

— Estou de costas. – Fala.

— Ela está, Regina? – Pede uma confirmação.

— Está!

— Okay, não deixe que ela vire. – Me ordena enquanto em fila indiana, começam a descer as escadas. Tinker com um lança confetes em mãos, vem na frente. Seguida de Killian que também tem um lança confetes. Atrás dele, Mary Margaret com Anna no colo, Elizabeth, Janis e por último, Zelena, que também vai sujar minha sala com confetes.

Ajeitam-se todos atrás de mim e me fazem balançar a cabeça negativamente e sorrir. Pisco para a pequena Srta. Swan, que me dá um sorriso largo e me manda um beijo, depois leva o indicador até os lábios, aparentemente avisando que precisa ficar em silêncio. Balanço a cabeça concordando.

— Já deu? – Emma questiona comigo.

— Não faço ideia. – Respondo. – Essa é a primeira festa não surpresa, que querem fazer surpresa, na qual eu participo. – Não que eu tenha participado de muitas, mas...

— É a primeira festa de aniversário privada que não envolve ninguém da nossa família que você participa. – Zelena me corrige.

— Pare de ser insuportável. – Peço. — Ela já pode virar? – Acabo tendo que rir de toda a idiotice que está acontecendo aqui. Eu realmente preciso ir a um médico e checar minha saúde mental. Desde quando eu concordaria com isso? Aliás, desde quando eu concordaria com uma festa na minha casa, ou uma pequena comemoração, ou coisas do tipo? Pois é, eu não concordaria. E agora, cá estou eu, quase me divertindo com toda essa bobagem.

Zelena não me responde, apenas faz o número um, com seu indicador. Depois faz o dois e então o três. Concluo então, que estão prontos.

— Pode virar agora! – Falo a Emma, ao levar as mãos aos seus ombros e fazer com que faça tal coisa.

— SURPRESA!!! – Gritam todos em uníssono, enquanto Killian, Zelena e Tinker estouram os lança confetes, fazendo o papel colorido picado voar para todos os lados, incluindo, meus cabelos.

A Srta. Swan tem um sorriso largo no rosto, enquanto olha para os amigos e lhes balança a cabeça negativamente, algo como: não acredito que vocês são assim idiotas, mas gosto. Quando percebe a mãe e a irmã ali, seus olhos crescem em surpresa, aparentemente bastante incrédula com a presença das duas.

Sem que eu espere, ela me puxa pela cintura e me envolve em um abraço, enquanto os outros lhe cantam parabéns.

— Eu não acredito, Srta. Mills, que você trouxe elas! – Fala enquanto sorri. Seu tom de voz também é incrédulo.

— Surpresa!!! – Agora sou eu quem lhe fala.

Quando soube que Emma chegaria em Nova York, no dia do aniversário, liguei para sua mãe, falei sobre fazermos uma pequena comemoração, comentei sobre os últimos anos que Mary não esteve presente, e acabei a convencendo que seria bom da parte dela, se pudesse fazer isso. Depois disso eu usei minhas milhas, e pronto. O resto foi com Zelena e Tinker.

— Feliz aniversário querida Emma, feliz aniversário para você! – Ajudo a cantar o final da música de parabéns, só que meio que sussurrando, só para que ela ouça. Até porque, na hora dos parabéns, eu sou a pessoa ao invés de cantar, fica se perguntando sobre o sabor do bolo.

— Obrigada! Obrigada! – Agradece. — Ahhh, eu não sei o que eu faço com você! – Sua voz sai empolgada, feliz! Ela me tira do chão, enquanto me aperta em seus braços.

— Me colocar no chão seria um bom começo. – Peço, quando ouço Killian e Zelena começarem com os comentários desagradáveis. Emma coopera comigo, fazendo o que lhe foi pedido. Me libera do abraço, segura meu rosto entre as mãos e continua me sorrindo.

— Você não existe! – Me fala, antes de dar um beijo estalado em minha testa. – Obrigada por tudo, gênio da lâmpada! – Agora pisca para mim.

— Mami!!! – Janis vem até a mãe e ganha a atenção da mesma, que tira a garota do chão assim que a mesma lhe estende os braços. – Você me desculpa por não ter lembrado de manhã? Eu estava com sono. – Pede a mãe, que lhe sorri e também lhe beija a testa.

— Claro que eu desculpo! – Fala despreocupadamente. – De manhã, nem eu lembrava sobre. – Conta a filha e me faz sorrir. Pelo jeito como a encontrei, acredito que não tenha mesmo lembrado, ou se importado.

— Feliz aniversário, Mami!!! Eu amo muito você. Até na lua e volta! – Felicita, se declara e de novo me faz sorrir. Segura o rosto de Emma entre as mãos, e junta os lábios aos dela, lhe dando um beijinho.

Spice Girls — Wannabe

— Obrigada, amor! Eu também amo você! Amo tanto que há muito tempo já passou da lua, está tão longe que ainda não voltou. – Continuaria assistindo essa interação que me faz sorrir feito a idiota, patética e irritantemente apaixonada, que estou me tornando, ou já me tornei, porém, o alguém que está responsável pelo som, resolve pôr a playlist para tocar, e ao ouvir a improvável música da lista, a nostalgia toma conta de mim, e eu me recordo de muito tempo atrás, quando eu era uma pré-adolescente, que secretamente, queria ser uma Spice Girl.

Eu não sei dançar. De jeito algum nasci para isso de música. A verdade é que nos últimos anos, nem paciência para isso, eu tive. Tudo que fazia parte da minha playlist, era um silêncio interminável.

Como música é praticamente parte da Srta. Swan, faz pouco tempo que voltei a ouvi-las, mesmo que indiretamente. Enfim, o fato é quando eu era essa pré-adolescente que tinha esse sonho secreto, também secretamente no meu quarto, eu arriscava uns passos, umas interpretações e coisas vergonhosas do tipo. E agora, ouvindo Wannabe, que para mim era quase como um hino, preciso conter a vontade que meu corpo está de se mexer.

— Regina?! – Emma chama. Pelo jeito como ela e Janis me olham, estavam falando comigo.

— Perdão?! Meu Deus, se eu usasse a palavra amar e seus derivados no meu vocabulário, acho que diria: eu amo Spice Girls! – Conto a elas. Janis me olha com cara de quem não entendeu absolutamente nada. Para ela Spice Girls, deve ser literalmente garotas do espaço. Já Emma, ao ouvir minha confissão, resolve gargalhar.

— Eu não acredito mesmo que ouvi isso! – É o comentário que faz.

— If you wanna be my lover, you gotta get with my friends... – Aponto para elas, enquanto cantarolo. Não consigo não cantar, é mais forte que eu, apenas sai da minha boca. — Make it last forever, friendship never ends... – Emma continua rindo de mim, provavelmente da minha cantoria desafinada, mas no momento, não consigo me importar. Tudo que consigo pensar, é que não consegui ser amiga de Victoria Beckham. – Isso sim que é pop. – Falo a Srta. Swan.

— Podia ser, nos anos 90. – Debocha, enquanto ainda continua rindo.

— Você tinha o quê? Um ano? – Questiono com ela, algo como, rebatendo sua provocaçãozinha barata. Spice Girls expondo nossa diferença de idade.

— Chata! – Me mostra a língua.

— Eu não estou entendendo é nada. – Janis que tinha se limitado a ouvir, resolve entrar na conversa. – Eu não conheço essa música. – Nos conta. – Mami, nós nunca ouvimos essa. – Está quase pedindo uma explicação a mãe.

— Sua mãe era um bebê, quando essa música estourou. – Conto a ela, e ganho sua atenção.

— E o que isso significa?

— Regina Mills, mana, bruxa má, linda e cheirosa, futura caminhoneira de Nova York, outra mãe de todos os filhos que essa outra sapatão aí quer ter... – Killian começa desse jeito, e me faz ter o desejo de ser mesmo uma bruxa, para quem sabe, jogar umas bolas de fogo contra ele. — Pare de monopolizar minha amiga! Ela não é só sua e nós estamos aqui na fila, esperando para abraça-la também. – Penso em lhe responder muitas coisas, muitas. Mas como a insignificância dele, não merece uma palavra sequer minha, a única coisa que faço é ignora-lo.

Estendo os braços para Janis, lhe convidando para o meu colo. Ela joga-se neles sem pestanejar e libera a mãe para que seja felicitada pelo seu burro falante e impaciente.

— Significa que provavelmente eu perdi o meu juízo em algum lugar por aí. – Dou a resposta para pergunta de Janis. Minha explicação parece deixa-la ainda mais confusa. – Que saudades que eu estava de você, pequena Srta. Swan! – Exclamo antes de beijar-lhe a bochecha.

— Eu estava com saudadooona de você. Do seu colo quentinho e do cheiro bom do seu pescoço. – Me faz sorrir. – Quando você chegou, a Merida e o tio Killian, não me deixaram vir te dizer oi. – Não sei se está fofocando, reclamando, ou se desculpando. Mas acho que as três coisas.

— Depois eu vou conversar com os dois. – Prometo a ela, e volto a lhe beijar a bochecha. Sua mão toca meu rosto, e seus dedos o acariciam, enquanto ela parece me admirar. – Como foi o voo até Nova York? – Rola os olhos, solta um suspiro frustrado e me faz rir.

— Uma chatice! – Responde. – Foi legal só quando a gente decolou. Depois demorou muito até chegar, e todo mundo só queria dormir, e ficavam me mandando dormir também. – Reclama comigo. – E eu não gostava de nada que estava passando nas TV’s das poltronas. – Continua. – E pela janela só dava para ver um monte de escuro. – Faz uma nova reclamação. – Nova York é mesmo muito longe. – Enfim finaliza, enquanto com ela ainda em meus braços, caminho até a mesa da comida.

— Eu também acho viagens longas bem chatas. – Compartilho.

— E o que você fica fazendo? – Quer saber.

— Ou eu fico lendo, ou tentando dormir. – Pensar sobre a vida também é algo que faço, mas essa parte da resposta seria mais complexa, então melhor deixar para uma próxima oportunidade.

— Eu ainda não sei ler direito. Às vezes dá nó na minha cabeça.

— Você tem que praticar, quanto mais você fazer isso, mais rápido vai aprender. – Explico. – Sua mãe está lendo para você?

— Está. Ela disse que você me deu tantos livros, que eu não vou precisar de livros novos até a adolescência. – Emma disse exatamente a mesma coisa para mim. Porém, tenho certeza que não vai acontecer, não é só Janis quem está gostando de Harry Potter. A Srta. Swan, está viciada na história. Tão viciada, que está lendo compulsivamente. Me pediu segredo sobre, já que Janis não vai gostar de saber que a mãe já está partindo para o terceiro livro, enquanto não acabou de ler nem o primeiro para a filha.

— Sua mãe não é nada exagerada, não é mesmo? – Questiono rindo.

— Você poderia ler para mim também. Assim a gente termina mais rápido. – Meio que sugere, meio que me pede.

— Hum... vamos combinar assim, sempre que nos vermos, eu reservo meia hora para ler. Pode ser? – Balança a cabeça muitas vezes em concordância.

— Pode! – Exclama. – Você vai ler hoje? – Hoje não é um bom dia para começarmos. Primeiro, estamos em uma festa que acabou de começar. Segundo, quando essa festa terminar, eu já estou comprometida com outra coisa. Algo mais urgente, que eu realmente preciso resolver.

— Amanhã! – Prometo. – Hoje temos a festa da sua mãe. E depois...

— Vocês vão namorar. – É com essa frase, que ela interrompe o que eu ia dizer.

— Quem disse isso para você? – Mentalmente, penso o que mais essa criança deve ter ouvido na tarde de hoje. Preciso conversar com Zelena e com o Burro Falante, sobre esse assunto. Preciso fazer isso e com urgência. Os dois juntos perdem completamente a noção da realidade. Não que Killian a tenha, mas até minha irmã fica afetada.

— A mami! – Okay, essa era uma resposta que eu não esperava. – Ontem antes de a gente sair de casa ela disse: Janis, amanhã à noite você vai ver a Srta. Mills, nós três vamos comer alguma coisa, depois você vai aceitar dormir sem reclamar. Porque é meu aniversário e Regina e eu vamos sair para namorar. – Tenta imitar a voz na mãe e no final, rola os olhos. Tais coisas me fazem gargalhar. – Por que crianças não pode ir junto? – Gostaria de abrir a boca para lhe explicar que não são só crianças que não podem. Que é algo entre duas pessoas, e que deve ser assim. A menos que você tenha uma irmã metida, é claro.

— Porque... – Pensa, Regina! Coloque essa cabeça para pensar, e arrume uma resposta condizente com a idade da sua enteada. – Primeiro, porque isso é um assunto de pessoas adultas. – Me olha um tanto contrariada, ao ouvir sobre. – Segundo, porque sua mãe é minha namorada, e eu sou namorada dela... – Já ao ouvir isso, a feição contrariada, dá lugar para um sorrisinho. — E nós precisamos passar um tempo sozinhas, só nós duas, sem mais ninguém. – Sem nenhum tipo de dúvida, essa foi a pergunta mais difícil que precisei responder na vida.

— E por que vocês precisam ficar sozinhas? – Sempre penso em pesquisar no Google, até que idade vai a fase das perguntas, mas sempre acabo esquecendo, porém, depois das perguntas de hoje, eu vou com certeza fazer essa pesquisa.

— Para conversarmos, sem ter outra pessoa para interromper... – E tudo que esse “sem outra pessoa para interromper”, pode nos proporcionar. – Sem ter uma matraca para ficar falando e falando... – Cutuco o nariz dela, que me sorrir. – Para termos um tempo só nosso. – E é o melhor que posso falar.

— Para namorar, não? – Questiona, a sobrancelha arqueada.

— Okay, Srta. Janis, me diga, o que é namorar para você? – Que Deus me ajude no que estou prestes a ouvir.

— Ficar de mãos dadas? – Responde perguntando, o olhar cheio de dúvidas.

— Ficar de mãos dada. – Concordo enquanto lhe sorrio.

— Abraçar? – Balanço a cabeça, de novo concordando.

— Abraçar também.

— Ficar olhando uma para outra com cara de bobinhas? – Não consigo não rir ao ouvir tal coisa.

— Okay, isso também é namorar. – Me sorri. Aparentemente está feliz por saber o que é namorar.

— Dar uns beijinhos nojentos? – Essa pergunta/conclusão sai quase inaudível e bastante envergonhada.

— Sim, os beijinhos também fazem parte do namoro. – Respondo com seriedade, um tanto preocupada, me perguntando se teremos mais algo nessa lista de itens de um namoro.

— E só. – Respiro aliviada com o só. – Tem mais alguma coisa? – Nego muitas vezes.

— Não, não tem mais nada. E sim, é para isso também que precisamos ficar sozinha, para namorar. Não é legal outra pessoa ficar assistindo essas coisas, é? – Nega.

— Assistir as caras de bobinhas, é engraçado. – Conta. – Mas os beijinhos, não. Ew! – Faz cara de nojo. – É nojento. – Fico muito satisfeita por ela achar isso. – Então hoje vocês fazem coisas de namoradas e amanhã você lê para mim? – Não poderia ficar mais de acordo com tal decisão.

— Combinado! – Lhe beijo a bochecha. – Amanhã de manhã, nós duas tomamos café da manhã juntas e eu leio um pouco para você, antes de ir para o trabalho. O que acha? – Pelo sorriso largo que me dá, ela gosta da ideia.

— Acho que vai ser demais!!! – Levanta os braços em uma espécie de comemoração. – Obrigada, Regina, você é a melhor!!! – Agora prende os braços em volta do meu pescoço.

— De nada, Janis! – Respondo sorrindo. – Agora o que você acha de atacarmos essa comida? – Sugiro enquanto olho para a mesma. Solta os braços do meu pescoço, para olhar minha sugestão. Fazer tal coisa a faz lamber os lábios.

— Boa ideia! – Me faz rir. Dou um beijo estalado em seu rosto, antes de devolve-la ao chão.

— Você quer cachorro quente, ou x-burguer? – Indago.

— Os dois. – Exatamente o que eu também quero. Amo as comidas que Elizabeth faz, amo. Todas elas. Ela simplesmente tem o dom de fazer comida boa, não importa que tipo de comida seja.

— Vamos começar por qual?

— X-burguer. – Responde com a voz cheia de dúvidas. Fazendo à vontade mesmo que duvidosa dela, lhe entrego o lanche e pego um para mim.

Solto um suspiro de satisfação enquanto mastigo o primeiro pedaço. Pão, hambúrguer e queijo, tem como não gostar? A resposta é não. Absolutamente não. Já pensei algumas vezes em tentar ser vegana, todas essas vezes a imagem do hambúrguer que sempre acaba parando na minha cabeça, me diz que não.

— Isso está muito bom! – Essa frase poderia muito bem ter sido dita por mim, mas foi Janis quem verbalizou o meu pensamento.

— Muito mesmo. – Concordo.

— Você sabia que foi essa pequena senhorita, quem me ajudou a fazer? – Elizabeth conta, ao parar ao nosso lado. — ¡Hola, ninã!- Afaga minhas costas, enquanto nos sorrir.

— Eu não estava sabendo sobre isso. – Falo. – Você ajudou? – Um pouco envergonhada, a garota afirma com a cabeça.

— Ajudei a colocar tempero na carne e amassar ela para misturar. – Conta. Sendo filha da Srta. Swan, ela não consegue deixar o corpo imóvel, quando uma música está tocando. – E ajudei a fazer o molho do cachorro quente. E a limpar a bagunça que eu fiz na cozinha. – A parte da bagunça me faz rir.

— Ela é uma ótima ajudante, mesmo sendo bagunceira. – Ah é, pelo jeito derretido como Elizabeth, conta tal coisa. Vejo que já foi completamente conquistada.

— Eu gosto de ajudar a fazer comida, mas mami não me deixa ajudar muito, porque ela diz que eu posso ser pior do que um furacão. – Nos conta enquanto se lamenta.

— Okay, eu estou quase ficando com medo. Será que ainda tenho uma cozinha? – Ri e afirma com a cabeça.

— Tem sim. Tá bem limpinha. – Me garante. – Você também sabe falar espanhol, que nem a tia Elizabeth? – Vejo que nasceu uma amizade nesse tempo que passaram na cozinha e eu no escritório.

— Si, yo hablo espanõl. – Lhe respondo.

— Não entendi foi nada. – Me olha com cara de interrogação e nos faz rir.

— Falei que sim, eu falo espanhol. – Explico.

— Você pode me ensinar a falar também? – Me pede.

— Sim, eu posso.

— Yo también puedo! – Minha governanta se oferece e de novo Janis, nos mostra que não entendeu nada.

— Ela disse que também pode ensinar você. – Faço a tradução. – Elizabeth fala muito bem espanhol. Foi ela quem me ensinou. – Assim como ensinou minha irmã.

— Legal! – Exclama. – Vou contar para a Mami, que também fala essa coisa estranha as vezes e nunca quer me ensinar. – Depois de nos falar tal coisa, nos dá as costas, e praticamente corre em direção de Emma, que está no meio do que um dia foi minha sala, dançando ao lado da mãe e com a irmã no colo.

— Então... – Me volto para a minha governanta, que bobamente, assiste minha enteada. – Aparentemente, temos uma nova conquistada. – Concluo. Tira os olhos da garota e me encara.

— Aparentemente, eu não fazia ideia do quanto uma criança estava me fazendo falta. – É o que me fala. – Ela é uma graça. – Só falta mesmo suspirar. – E fala pelos cotovelos, o que me fez lembrar muito da sua irmã. – Zelena cresceu e continua falando pelos cotovelos, mas quando era criança, ela conseguia falar mais do que a pequena Srta. Swan. Eu ficava constantemente irritada com tal coisa. – Também pude observar que ela é geniosa. Já tem uma personalidade bastante forte. O que me fez lembrar muito de outra pessoa. – Acabo sorrindo ao ouvir sobre.

— Ela sabe se impor. Emma detesta quando ela bate o pé e fica teimando. – Compartilho tal coisa.

— E você defende... – Está fazendo uma afirmação.

— Sempre que possível. Menos quando Janis está errada. – Mesmo assim, as vezes ainda tento amenizar, muito embora nesse tempo que nos falamos por telefone, sempre que esteve errada, fui firme na minha opinião sobre, pelo menos na frente da garota.

— Posso ver que você não tem nada da sua personalidade forte quando o assunto é essa criança. – Está fazendo outra afirmação. Como não tenho como me defender, resolvo que o silêncio, e o x-burguer, podem ser minha melhor defesa. Me balança a cabeça negativamente, enquanto me analisa. – Teremos finalmente uma criança em casa? – Me questiona e me faz suspirar. Faço sinal com a mão, pedindo que espere eu acabar de mastigar. – Deixei uns para você lá na cozinha, sei que gosta dessas coisas já no café da manhã. – Fala sobre o lanche. Quando se trata de comida, Elizabeth sabe ser bastante exagerada. Nessa mesa tem comida para mais de cinquenta pessoas, mesmo assim, ela resolveu deixar uns guardados na cozinha, como se não fosse sobrar nada por aqui.

— Não existe café da manhã melhor. – E só a minha opinião é o que importa. — Eu não sei. – Agora falo sobre a pergunta que fez. – Eu gostaria, mas... enquanto minha mãe continuar na minha vida, é algo impossível de acontecer. – Essa é a verdade que as vezes escondo de mim mesma.

— E o que elas estão fazendo aqui em Nova York, então?

— Melhor estarem onde meus olhos podem ver. Onde posso me certificar que está tudo bem. Você sabe do que Cora é capaz. – Balança a cabeça concordando.

— Elas estão aqui só por Cora, você tem certeza? – Me olha de um jeito investigativo/desconfiado.

— Você sabe que não. – Respondo o que sei que ela está esperando ouvir. – Eu gosto delas. – Concorda com a cabeça.

— Ama, você ama. – Está me corrigindo. – Por isso também, elas estão aqui. Por isso, você encarou Tinker, e lhe contou sobre. – Conclui.

— Achei que você era contra Emma. – Depois que voltei de Las Vegas, tentei conversar com ela sobre a Srta. Swan e eu, porém, recusou-se a ouvir qualquer tipo de coisa.

— Não contra Emma. Contra você e outra mulher. Com o agravante, de ter sido namorada da sua amiga. – Enfim está me esclarecendo o motivo de ter fugido tanto do assunto. Preconceito. Mesmo que não tenha falado a palavra, acaba de deixar claro tal coisa.

Não sei exatamente o que falar. Antes de Emma, eu também nunca tinha me imaginado com uma mulher. E quando Emma começou a acontecer, eu mesma tive preconceito. Achava errada a atração física que sentia. Errados os pensamentos impróprios que as vezes paravam na minha cabeça. Errado me imaginar com outra mulher. Ficava imaginando a reação que as pessoas próximas a mim, teriam caso soubessem as coisas que mesmo sem querer, minha cabeça as vezes fantasiava.

Eu precisei me aceitar, na verdade, eu ainda faço isso. Muito embora eu não ligue quando Emma, me chama de Reginão e afins. Quando é outra pessoa quem faz isso, me sinto um pouco incomodada. Então entendo o que Elizabeth quer dizer.

— Você não gosta de ver nós duas juntas? – Questiono.

— Não é isso. Eu só... – Parece pensar um jeito de como explicar. – Nunca tinha passado pela minha cabeça, você com uma mulher. – Começa. – Foi um choque porquê... – Gesticula com as mãos. — Eu só não imaginava. – Tropeça nas palavras. Pelo jeito como fala, está escolhendo o que falar, porque visivelmente tem medo de me magoar. – Eu só quero que você seja feliz, se você for feliz, então eu estarei feliz também. – Me sorri no final da sua conclusão.

— Eu sei que você não entende muitas coisas a respeito... – Concorda com a cabeça. – Mas sim, eu me sinto feliz, como há muitos anos, não me sentia. – Lhe conto. – Como pode ser errado, se eu sinto que é tão certo? – Já me questionei muitas vezes isso.

— Se é certo para você, então não existe mais nada a ser respondido, porque não existe nada de errado. – É a resposta que me dá.

— E Tinker? – Afinal, ela ficou bastante chateada por Tinker, ou talvez Tinker tenha sido quase uma desculpa, para o fato de ter descoberto naquele momento, que eu estava com uma mulher.

— Ao contrário do que aconteceu no tempo de Daniel, ela já está fazendo graça com a situação. Algo que me faz concluir que não era amor. – Ouvir tal novidade, me faz sorrir e torcer para que Elizabeth esteja certa. – Mas você tem que parar com isso. Não é legal fazer essas coisas com as amigas. – Concordo com a cabeça.

— Emma tem planos de casar e ter mais filhos, então... – Dou de ombros. – Não tenho planos de estragar mais nenhum relacionamento que Tinker venha a ter. – Sorri ao ouvir sobre.

— Espero ser convidada para esse casamento, e ter essas crianças na minha cozinha. – O pior de ficar imaginando, fantasiando essas coisas, é pensar que pode não acontecer. – E tomem cuidado com Cora, Okay? Muito cuidado. Jamais se descuidem perto dela, ninã! – Concordo com a cabeça. – E no que eu puder ajudar, não hesite em contar comigo. – Abro a boca para lhe agradecer e talvez compartilhar alguns medos, mas muito infelizmente, o Burro Falante, praticamente se materializa na minha frente.

— Nós precisamos conversar. – Aparentemente esse “nós”, envolve a minha pessoa, já que fala tal coisa olhando para mim. Feito isso, para os olhos na mesa da comida e pega um cachorro quente. – Adoro uma salsicha. – É o comentário infeliz que a graça de não ter nascido surda, me faz ouvir. – Huuuummm... isso está muito gostoso, Betinha. – De boca cheia, ele elogia o cachorro-quente de Elizabeth, que ao contrário de mim, está achando graça.

— Que bom que estou sendo aprovada por você. – É o quê? Desde quando Elizabeth, a minha Elizabeth, se importa em ter a comida aprovada por outro alguém que não seja eu? E pior, se importa em ter a comida aprovada por essa criatura, que nem modos para comer, tem. – Faça bom proveito. – Pelo jeito como fala com ele e sorri para ele, eu não faço ideia do porquê, essa traidora gostou desse... desse... traste. — Agora eu vou lhes dar licença. – Afaga minhas costas e se retira, me deixando sozinha com essa coisa que a Srta. Swan, chama de amigo.

Resolvo terminar meu lanche, enquanto espero o infeliz falar o que tem para falar. Espero que não seja nada que envolva Robin, não, na verdade, espero que seja. Meu sonho é pôr um laço azul no pescoço do meu “noivo” e dá-lo de presente a alguém. Claro que antes, preciso resolver meu noivado, induzindo minha mãe, a termina-lo por mim. Depois disso, o Burro Falante pode levar.

— Se eu tivesse uma cozinheira dessas, já estaria com meio metro de pança, para fora da cueca. – Como não existe nada de ruim, que não possa piorar, agora ele está lambendo os dedos. – Menina, eu AMEI a sua casa! – Me fala. – Nós até brincamos de esconder nessa sala que cabe toda minha vida de princesa dentro. – Continua. – Você até que tem bom gosto. – Resolve que precisa compartilhar comigo todos os seus pensamentos.

— É esse o assunto que você tem para conversar comigo? – Sem paciência, uso um tom bastante ríspido.

— Arrrrr... – Rosna para mim, como um cachorro, enquanto me mostra os dentes sujos pelo resto de comida que ainda tem ali. — Desculpa, mana! – Pede. – Acabei de lembrar, você é um cão que rosna, E morde. Ninguém me falou, vi nos ombros de Emma. – Paciência, Regina, paciência. Quando você escolhe se relacionar com outra pessoa, inteiramente grátis, vem o amigo dessa pessoa. Você sabia sobre, então aguenta.

— O que você quer, Killian? – Se queria me deixar de mau-humor, acabou de conseguir.

— Assinar um tratado de paz? Levantar a bandeira branca? Ser sua amiga?

— Não parece que quer isso, já que não perde uma oportunidade de me provocar. – Emma já tinha comentado sobre tal desejo do infeliz, que na verdade, eu sei, é desejo dela. Já intercedeu pelo o amigo algumas vezes. Pediu para eu parar com as implicâncias. Para que tentássemos nos dar bem. Porém, como eu posso tentar tal coisa, se só a respiração desse idiota, já me irrita?

— Meu amor, você é a única pessoa que leva a sério, que se irrita, com as bobagens que eu falo. – Acusa. – Não é nada pessoal, sou só eu sendo euzinha. – Se defende. – E você não pode falar muito a respeito, porque até o dia de hoje, você nunquinha fez questão de me tratar bem. Aliás, você nunca fez questão de mim. Sempre me ignorou. – Me olha com cara de quase magoada.

— Porque você sempre me provocou. – Rebato. – Desde o primeiro minuto que nos vimos, você fez questão de me provocar. – Pensa um pouco a respeito.

— Talvez eu tenha mesmo feito isso. Porém, naquele dia eu estava magoado com você, porque você tinha magoado a minha amiga. – Okay, infelizmente para mim, tal coisa faz sentido.

— Eu não gosto de você. Você é debochado, desnecessário, irritante, mal-educado e exagerado. – Leva a mão ao peito e me olha como se eu o tivesse ofendido. – Porém, Emma gosta de você, assim como Janis e eu sei o que você já fez por elas. – Continuo. – Então se você parar de me provocar, parar de implicar comigo, parar de me irritar... para um bem maior, eu aceito conviver pacificamente com você. – Concluo.

— Eu também não gosto de você! – Eu nem nunca tinha percebido. – Você é arrogante, chata, prepotente, indiferente, se acha superior aos demais, e ainda levou para longe de mim a minha melhor amiga, e o meu pacotinho. – Ao contrário dele, não fico ofendida com todos os “elogios”. – Mas Emma e Janis, ficam pedindo para eu parar com as provocações, e como a gente faz absurdos pela família, eu estou disposto a isso, se você estiver disposta a parar de me ignorar. – Realmente, pela família, a gente faz absurdos.

— Faça a sua parte, que eu faço a minha. – Lhe dou minha palavra.

— E jamais, em hipótese alguma, ouse machuca-las. – Usa de um tom sério, que até então não imaginava nem que poderia existir nele.

— Tentarei não machuca-las. – Prometo. – Porém, você sabe que em um relacionamento existem discordâncias que muitas vezes acabam em discussões, não sabe. Sr. Jones?

— Gostaria de não saber, porém a realidade me faz viver isso todos os dias. – Aparentemente está se lamentando.

— Quando eu magoar Emma, mesmo que você esteja do outro lado do país, mesmo que não possa fazer isso fisicamente, esteja aqui para ela. – Lhe peço. – Não sei quanto tempo vai demorar, mas sei que ela vai precisar de você. Como você muito bem observou, meus defeitos são muitos e em algum momento, eu vou acabar magoando ela, e ela vai precisar de você. – Balança a cabeça concordando.

— Eu vou ouvi-la e consola-la, e vou dar a você 24 horas para se desculpar. Não me faça vir até Nova York, só para puxar os seus cabelos. – Termina me ameaçando.

— Okay, me parece justo.

— Temos um trato então. – Enfia todo resto do cachorro quente na boca e então me estende a mão suja. Muito a contragosto, a aceito.

— Temos um trato. – Concordo e trato logo de soltar a mão da dele. Pego um guardanapo sobre a mesa, para limpar o que ele sujou.

— Eu vivi para ver esse momento. – Emma sorri para nós dois, e me faz crer que estava nos assistindo.

— Está feliz com seu presente de aniversário, sapatão?! – O burro Falante questiona com ela, que lhe sorri e beija-lhe o rosto.

— Muito. – Responde. – Vamos todos conviver pacificamente. – Comemora e ganha de mim, um sorriso amarelo. – Vamos até para a balada juntos! – Ah é, Robin conversou comigo sobre na tarde de hoje. Estava irritantemente empolgado com a ideia de irmos todos a uma mesma balada. Não preciso nem ser inteligente, para saber que tal empolgação, é o bicho de estimação que a Srta. Swan chama de amigo. Enfim, o fato é que ele só parou de falar sobre, quando concordei de participarmos de tal coisa.

— Soube que seu homem, anda falando de mim. – Killian resolve continuar interagindo comigo. – Fui até chamado para uma balada.

— De você e de todo o homossexual que ele encontra no metro quadrado. – Não quero desanima-lo, mas essa é a verdade. Não sei o que aconteceu com o namorado, ou ex-namorado de Robin, só sei que desde que brigaram ou terminaram, meu noivo virou um cafajeste. Palavras do próprio.

— Ele também quer fretar voos para esses outros? – A “exibida” me fala sobre tal coisa, como se fosse a maior prova de amor que poderia ganhar.

— Você está preparado para ouvir a verdade? – Questiona.

— Preparadíssima!

— Não tem duas semanas, ele me contou que conheceu um homem por uma rede social... – Começo. – Esse homem mora na Nova Zelândia, você sabe onde fica a Nova Zelândia?

— Lá do outro lado, praticamente no fim do mundo, depois da Nova Zelândia não tem mais nada. – Ótimo, com isso concluímos que ele não faltou nas aulas de geografia.

— Ele não só pagou a passagem, como a hospedagem desse homem, e eu garanto para você, que ele não fez isso só para eles conversarem e se conhecerem melhor. – Ao ouvir sobre, Emma gargalha, já Killian, parece murchar.

— Homens! Inferno de raça ruim! – Choraminga. – Por que você não me fez heterossexual, Deus? – Reclama com seu “criador”.

— Mas você pode fazer bom proveito. Conquiste-o e o pegue para você! – Incentivo.

— Eu estava fascinada apenas pela ideia de saber que um homem, estava disposto a fretar um voo para mim. Conquistar já é demais. Muito embora eu já tenha sido relativa, gosto mesmo é de ser passiva. E o seu noivo, ele tem cara e jeito que dá mais o cú, do que euzinha aqui. – Não, eu não precisava de jeito algum, saber sobre isso. Por que ele falou? Não faço ideia.

— No final de toda essa história, que sai ganhando sou eu. – Palavras da Srta. Swan, que se aproxima de mim e passa um braço em volta dos meus ombros. – Olha só a mulher que eu tenho para chamar de minha. – Parece orgulhosa, ao falar sobre. – Você sabia que nós estamos namorando? – Conta a novidade ao amigo.

— Desde quando? – Parece surpreso.

— Desde hoje. Fui pedida. – Desacreditado, ele fica boquiaberto e leva a mão ao peito.

— Regina Mills... – Aponta para mim. – Pediu você em namoro? – Pelo jeito, está com dificuldades de acreditar.

— Pediu.

— Estou passada, viado! Você não só converteu uma hétero, que no meu ponto de vista, era incorruptível, em sapatão, como fez ela se apaixonar e agora foi até pedida em namoro. – Continua desacreditado. – Emma Swan, eu estou sem palavras para você, sapatão! Você tem todo o meu respeito. – Enquanto eu rolo os olhos, Emma ri. Está bem bobinha, de ego inflado.

— Não existe heterossexualidade que seja páreo para mim. – É o comentário cretino que faz sobre.

— Sua falta de modéstia me enjoa. – Reclamo com ela.

— Mas você está brava? – Seus olhos me estudam.

— Não.

— Enciumada, diria eu. – O burro falante quem conclui. – Primeiro mandamento da terra sapatão: – O idiota levanta o indicador. – Ficarás de olho na tua mulher, pois a sapatão ao teu lado, cobiçará sim a mulher do próximo. – Me faz rolar os olhos. – Esse próximo pode ser você, queridinha. – Além de me chamar de queridinha, ele toca meu braço. Respiro fundo, para que não quebre nosso acordo recém feito e tento deixar para lá.

— Okay, eu vou deixar vocês e vou... – Passo os olhos pelo lugar. – Conversar com a sua mãe. – Aponto para Mary Margaret, que conversa animadamente com Zelena, enquanto beberica sua espumante.

— Não dê bola para as bobagens de Killian. – Me pede enquanto tenta não rir.

— Não estou preocupada com isso, Srta. Swan. – Muito embora meu tom de voz, demonstre o contrário.

— Você está brava comigo? – Agora resolve ficar séria. Me puxa pela cintura e fez faz ficar em sua frente.

— Não. Só me deixe ir, Okay? Está tudo bem. — Garanto. Seus olhos continuam me estudando.

— Eu não falei absolutamente nada, foi Killian quem falou. – Me faz rolar os olhos.

— “Não existe heterossexualidade que seja páreo para mim”. Swan, Emma. – Recito sua frase.

— Você está realmente com ciúmes. – Conclui que seu burro falante estava certo sobre tal coisa.

— Eu estou é de olho em você, no seu ego e na sua modéstia, ou falta dela. – Mesmo que não tenha graça alguma, ela acha que tem. Suas mãos seguram meu rosto, seus polegares afagam minhas bochechas.

— Você não faz ideia do quanto intimida as pessoas, faz? Do quanto parece inabalável, inacessível, impenetrável. – Não faço ideia de onde quer chegar com isso. – Eu sou boa de lábia, sempre me dei bem na arte da conquista. Sempre consegui o “impossível”. – Impossível não rolar os olhos ao ouvir sobre. – Mas você ia muito além do impossível, muito além da minha lábia, muito além da minha arte da conquista. Você era inalcançável, Srta. Mills. Até Killian, que nunca duvidou de mim, me disse que eu não conseguiria você...

— Estou fazendo de conta que não fui excluída e que não estou nem ouvindo, mas preciso dizer que isso é bem verdade. – O infeliz que continua perto de nós, enchendo a boca com um outro cachorro quente, faz tal comentário.

— Nem eu acreditava em mim. – Confessa. – Então me desculpa, mas sempre vai me faltar modéstia, e meu ego sempre vai inflar, quando eu falar sobre a heterossexual que de algum jeito, eu conquistei, que me fez entender de amor, e que como sabemos, vou casar e ter filhos.

— Sapatão e suas intensidades... – Infelizmente o Burro Falante não se cansa de ser inconveniente.

— Você sabe ser convincente, Srta. Swan. – Me sorri e aproxima o rosto do meu.

— Sei?

— Sabe. Mas mesmo assim, continuarei de olho em você. – Aviso. – Vou levar esse primeiro mandamento da mulher sapatão muito a sério. – Melhor prevenir, não é mesmo?

— Vamos fazer assim então: você fica de olho em mim e eu fico de olho em você.

— Me parece justo. – Beija-me a testa, a ponta no nariz e por último os lábios.

— Injusto é ter que esperar essa festa acabar, para eu poder te namorar. – Sussurra, os lábios quase roçando os meus.

— Comporte-se. – Peço, enquanto lhe sorrio. – Agora eu vou circular, para não ser novamente acusa de estar monopolizando a aniversariante. – Lhe beijo o rosto e tento ir. Porém ela me puxa pela mão e me faz voltar para ela.

— Te amo, namorada! – Se declara me joga um beijo. Uma piscadela e um sorriso, é a resposta que dou, então sou liberada para poder ir.

Paro um pouco para decidir que caminho seguir. Na pista de dança, Zelena e as crianças estão fazendo esse negócio de dançar, ou seja, não é um bom lugar para eu estar. Em um sofá, Tinker e Elizabeth, conversam animadamente. Sinto vontade de ir até elas e fazer parte de tal coisa, mas sei que não serei bem recebida pela minha ex-amiga. A mãe de Emma, vulgo minha sogra, é a única que continua disponível.

Está sentada no outro sofá, isolada dos outros. Continua com uma taça de espumante na mão e pelo jeito como está se comportando, concluo que essa taça está sendo enchida constantemente. Está de olhos fechados, um braço levantado, mexendo de um lado para outro, no ritmo de I Will Survive, enquanto por algum motivo sorri.

Okay, Regina, sua sogra está bêbada. Você não sabe lidar com pessoas nem quando elas estão sóbrias, imagina bêbadas. Ir até ela, não é uma boa ideia. O melhor que você tem a fazer, é pegar mais comida, uma garrafa de espumante, procurar um canto só seu, e assistir o desenrolar dessa festa. Por outro lado, foi você quem convidou essa mulher para estar aqui. Você quem providenciou as passagens. Você quem ofereceu a casa da sua irmã para elas ficarem. Você quem deixou ela nas mãos dessas pessoas loucas, que a embebedaram e ainda nem perceberam isso. Você é responsável, então não pode simplesmente, fazer de conta que está tudo bem.

Convencida de que será melhor para todos, caso consiga evitar a futura ressaca de Mary Margaret, volto até a mesa, pego uma água, um copo e me dirijo até a mulher.

Gostaria de saber quem foi o responsável por embebeda-la. Apostaria em Zelena, mas como ela não está bebendo, não incentiva os outros a fazerem o mesmo. O burro falante é minha segunda opção. Nesse tempo em que Mary Margaret, passou com a filha, acabou se tornando amiga de Killian, ou coisa do gênero. E Killian tem muita cara de quem não deixa ninguém de copo vazio. Algo como: uma Zelena de calças, mas sem a parte do alcoolismo.

Paro em frente a mulher, que continua de olhos fechados, em um mundo paralelo, canto incansavelmente o: “hey, hey, hey”. Aparentemente a única parte que conhece na música. Balanço a cabeça negativamente enquanto assisto e acabado a comparando a minha pessoa, que só mexe o corpo e tenta cantar, quando tem muito álcool no corpo. Comigo, Spice Girls também funciona.

Mary Margaret, é uma mulher tímina, introvertida, acho que por tudo que já lhe aconteceu na vida. Ou por não ter visto muitas pessoas além do marido, nos últimos vinte e poucos anos. Ou talvez as duas coisas e mais coisas que desconheço. Enfim, o fato é que a bebida, visivelmente leva essa timidez embora.

— Heeey!!! Eu gostava dessa. – Reclama quando a música chega ao fim. Ao abrir os olhos e levantar a cabeça, se depara comigo. Leva alguns segundos até aparentemente ligar a minha imagem a minha pessoa, quando acontece, ela abre um sorriso quase maior que o rosto, e com certa dificuldade, ainda por culpa das costelas quebradas, e talvez também pelo tanto que já bebeu, se põe de pé.

— Regina!!! – Me saúda. – Digo, Srta. Mills! – Se corrige.

— Me chame de Regina. – Peço. – Como vai, Sra. Swan? – Lhe estendo a mão, para obviamente cumprimenta-la. Sendo mãe de Emma, e estando bêbada, ignora a minha mão e resolve me abraçar.

— Sem senhora, Regina! – Seus braços me esmagam, enquanto um pouco desconfortável, dou leves tapinhas nas costas dela e espero ser liberada. – Eu estou bem. Obrigada por ter me chamado para o aniversário de Emma! E pelas passagens. E por morar em Nova York, lugar que sempre quis conhecer. – Sua voz está quase trôpega.

— Okay, você não precisa me agradecer. – Enfim, seus braços me liberam. Ao me encarar, ela sorri, toca meu braço e o afaga.

— Eu estou tão feliz por estar com Emma! – Me conta. – Eu acho... eu acho... – Tem um semblante de dúvida em seu rosto. – O que eu acho mesmo? – Questiona comigo ao arquear uma sobrancelha.

— Eu não faço ideia. – Respondo. – Quanto você já bebeu? – Pensa um pouco a respeito, então me dá de ombros.

— Umas oito ou dez taças. Você quer? – Oferece-me sua taça. – É tão docinha, parece refrigerante. – ZELENA! Espumante doce, só pode ser obra de Zelena.

— Não, obrigada! – Agradeço. – Foi minha irmã, quem lhe serviu? – Antes de me responder, emborca todo o líquido que havia em sua taça.

— Nope! – Nega com a cabeça também. Depois de fazer tal coisa, aproxima o rosto do meu. – Foi a falsa namorada da minha filha. – Sussurra, aparentemente com medo que alguém ouça.

— Tinker e Zelena formam uma dupla explosiva. – Deixo escapar meu pensamento alto.

— Ela é simpática. – Acho que está se referindo a Tinker. – Mas eu prefiro você. – Volta a sussurrar. – Você é mais séria, mais dura, mais autoritária. – Depois de Killian, é a vez de Mary Margaret, me falar o que acha de mim. Seu indicador aponta em minha direção, enquanto me sorri. – Emma gosta disso. Gosta, eu sei que gosta. – Agora me mostra a mão. – Conheço aquela menina, como a palma da minha mão. – Como não faço ideia do que dizer, só concordo com a cabeça. – Eu acho, que sei sobre ela gostar de mulheres, desde que tinha 13 anos. Cheguei uma tarde no quarto dela e todas as paredes do mesmo, estavam forradas com fotos de mulheres. – Conta. – Essas cantoras que ela gosta e na época, ouvia escondida. E umas atrizes, eu não tenho certeza. Nenhum homem, nenhunzinho. – Balança a cabeça negativamente. – “Desserviço para a humanidade”, era isso que costumava falar sobre homens. – Agora sorri sem humor, enquanto olha para o além. Sim, no momento está falando sozinha. – Mas saber e aceitar, são coisas tão diferentes, não são? Quando eu pensava sobre, tentava me convencer que era normal, coisa de adolescente, que não tinha nada de errado com a minha filha. – Suspira. – Depois que ela contou sobre e eu não tive mais como me enganar, demorei muito tempo até entender que realmente não tinha nada de errado com ela. – Me estende sua taça vazia. – Saúde! – Deseja antes de levar a mesma até a boca e tomar o líquido inexistente.

— Okay, eu acho que você já bebeu demais. – Pelo jeito como me olhar, não parece concordar comigo. – Você precisa beber água. – Lhe entrego o copo que tenho na mão e despejo a água que também trouxe, ali. Tiro da mão dela a taça vazia e lhe dou a garrafa d’água. – Se você não começar a beber água, você vai passar mal. E amanhã você vai acordar com um dor de cabeça tão forte, que vai querer arrancar ela do seu corpo. – Se benze ao ouvir tal coisa.

— Deus é mais! – Não faço ideia do que quer dizer com isso. Só sei que depois de falar tal coisa, bebe toda a água do copo e volta a enche-lo. – Vamos sentar. – Me convida, ao jogar-se no sofá. – Droga! – Exclama. A cara de dor. Provavelmente jogar-se no sofá, não é indicado para quem ainda sofre de costelas quebradas. – Vem... – Bate com a mão no espaço ao se lado, de novo me convidando. Sem outra alternativa, aceito seu convite.

— Quando acabar essa... – Aponto para a garrafa. – Você precisa beber outra, Okay?

— Você gosta dela? – Sua pergunta me deixa sem entender.

— Perdão?

— Perdão pelo quê? – Oh Deus, só mande alguém até aqui, para que eu possa levantar e fugir para longe.

— Não entendi a sua pergunta. – Explico.

— Minha pergunta... – Tinker merece ir para o canto do pensamento, para refletir seriamente sobre o que fez com essa mulher. – Ah!!! – Parece que lembrou. – Emma, você gosta dela?

— Sim, eu gosto dela. – Lhe dou certeza.

— Do mesmo jeito que ela gosta de você? – Faz uma nova pergunta.

— Do mesmo jeito que ela gosta de mim. – Minha resposta a faz sorrir satisfeita.

— Eu amo ela! – Conta, agora tem lágrimas nos olhos. – E me preocupo com ela. – Suspira. – Eu errei tanto com essa menina, tanto. – Lamenta-se. – Emma já passou por tantas coisas que poderiam ter sido evitadas, se eu tivesse ficado do lado dela. – Sim, isso é uma verdade, mas como não quero que comece a chorar, resolvo permanecer em silêncio. – Não machuque ela, Regina! – Pede. – Por favor, não faça isso. – Solto um longo suspiro, enquanto concordo com a cabeça.

— Não tenho nenhuma intenção de machuca-la, Sra. Swan. – Só não posso prometer que não farei tal coisa, porque sei que há possibilidades de não cumprir.

— Sabe um dos motivos de eu preferir você e não Tinker?

— Não faço ideia. – Se tem uma coisa que não conquisto nas pessoas é simpatia, já Tinker... Bom, Mary Margaret, resolve deitar a cabeça no meu ombro.

— Porque por sua causa, Emma e eu nos reencontramos. Não teria acontecido, se você não tivesse surgido na vida dela. E mesmo que eu tenha saído toda quebrada, esse reencontro, me libertou de mim mesma. – Faz uma pausa para bocejar. — Mas acima de tudo, eu vou lhe ser eternamente grata, pelo o que você fez pela minha filha. – Não sei sobre o que exatamente está falando. Sei que Mary foi atualizada sobre tudo que Emma fez e com o que trabalhou, nos anos em que não se falaram, mas não sei se está se referindo a isso. – Você deu a ela esperança. E essa palavra, esse sentimento, pode mudar completamente a vida de uma pessoa. – Ao pensar sobre, balanço a cabeça concordando. Não sei se dei tal coisa a Srta. Swan, mas sei que foi o que ela me deu. Esperança na minha vida. Esperança no meu futuro. – Não sei se tenho o direito de lhe pedir algo, mas mesmo assim vou arriscar e pedir: cuide dela, cuide bem dela. Mesmo que as vezes ela venha a ser rebelde ou teimosa, faça isso. – Pelo seu fungar, seguido do soar de nariz, concluo que está chorando. Chorando no meu ombro. – Ela ama você! – Tem muita certeza em suas palavras.

— Farei o possível e até mesmo o impossível para cuidar, Sra. Swan. – Prometo. – Eu não sei o que nos aguarda no futuro, não faço ideia de como essa história vai terminar. – Lhe sou sincera. — Eu gostaria muito de ficar com a sua filha, de constituir uma família com ela. Essas coisas clichês, sabe? – Indago enquanto sorrio, imaginando. – Do mesmo jeito que você diz que eu dei esperança para ela, ela me deu esperança. Eu estava em um momento tão negro, que achava não ser mais possível sair da escuridão. Então me apareceu Emma. – Volto a sorrir. – A minha vida é tão complicada... – É minha vez de lamentar. – Não posso dar nenhuma garantia sobre o meu futuro, infelizmente. Mas de uma coisa, você pode ter certeza, eu vou cuidar para que nada de ruim, nada de mal, aconteça com sua filha. Não importa se terminaremos juntas ou não, mas eu prometo para você, que eu vou cuidar dela. – Dou minha palavra. – Quando prometo, você pode ter certeza, eu cumpro. – Deixo claro tal coisa. – Você sabe... nunca me expressei em voz alta para ela sobre isso... mas eu amo a sua filha. – Finalizo e espero que ela voltar a tagarelar, mas por algum motivo, não acontece. – Sra. Swan? – Chamo e não obtenho respostas. – Mary Margaret? – Tento de novo. Ao virar a cabeça para me certificar de algo que já tenho quase certeza, solto um suspiro frustrado. – Claro que você dormiu. – Resmungo. – O que não é de fato ruim, já que não saio por aí falando sobre minhas sentimentalidades. Principalmente para uma pessoa bêbada. – Sorri, enquanto afaga a cabeça em meu ombro.

Não faço ideia do quanto bebeu, nem de desde que horas está bebendo, a única certeza que tenho é a de que está mais travada do que Windows 95. Isso porque pedi para minha irmã receber, cuidar e ser cordial com minhas visitas. Zelena sabe que essa mulher nem nunca bebeu, ou nem nunca tinha bebido, na vida, ou seja, não podia ter negligenciado, afinal, nem todo mundo tem a resistência de um alcoólatra.

O burro falante é outro que eu tenho absoluta certeza, teve muito a ver com essa bebedeira. Quase consigo ver, ele a incentivando a beber.

E Tinker... Bom, Tinker é Tinker, muitas vezes ela não tem noção da realidade, e acha que todas as pessoas do mundo, vivem em uma eterna festa.

Zelena, Killian e Tinker juntos, eles podem ser responsáveis pela terceira guerra mundial. É aquela mistura explosiva, perigosa. Eles se teletransportam para um mundo paralelo onde perdem contato com a realidade. Tenho medo dos danos que essa amizade sincera pode causar.

Balanço a cabeça negativamente, enquanto assisto Mary Margaret babar em mim. Não é culpa dela, você sabe que não é Regina. Você sabe com quem tem que fazer esse acerto de contas...

— Eu vou matar uma sapatão, um viado e uma heterossexual. Rompompompom.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.