Notas iniciais
Oiiie, gente bonita!!! Vocês continuam anotando de lápis, né? Porque tá dando certo. Voltei e com o capítulo maior da ff, que vale por uns três mais ou menos. Gente, muito obrigada a todas que ainda estão por aqui, obrigada quem passou e deixou review, opiniões e tal. Até amanhã estarei respondendo. Enfim, obrigada a todas pelo carinho que vocês têm por esse mundo paralelo chamado Right Here Waiting For You. E se eu puder dar uma dica: prestem atenção nas entrelinhas

Alicia Keys feat Jay Z — Empire State of Mind

Nova York, eu preciso começar assim, com o nome dessa cidade, Nova York. O que dizer desse lugar que mal conheço (na verdade tudo que conheci até agora além do aeroporto, foi a mansão que Regina chama de apartamento), mas já considero pra caramba? A arquitetura, os arranha-céus, as luzes, as avenidas, as ruas, o frio (Okay, isso eu ainda não decidi se é muito bom, mas com certeza combina com o lugar), as pessoas, ênfase nas pessoas. Todas as pessoas parecem elegantes aqui. Dentro dos seus casacos de frio, os pescoços envoltos por echarpes. Copos de café nas mãos, apressadas, o semblante fechado. Ah, Nova York, com diria Alicia Keys: vamos aplaudir Nova York. Com certeza é um lugar único, que pertence apenas a ele mesmo e as pessoas que vivem nessa selva de pedra onde são feitos os sonhos.

Eu amo Vegas, mas como não me encantar com minha futura nova cidade? Já me imagino caminhando por aqui, xingando mentalmente o frio enquanto lembro do meu deserto, onde eu achava que conhecia o significado dessa palavra. Tomando meu café, dentro de um casaco elegante que eu ainda nem tenho. Pegando o metrô, enquanto falo com Regina ao telefone e combino algo para mais tarde, depois de pegar Janis na escola. Uma vida novinha me espera aqui, e embora eu tenha um medo fodido de tudo que possa vir a me acontecer, eu também estou ansiosa. Quero logo me mudar e começar.

Enquanto estou aqui, com a cabeça para fora da Limusine das Srtas. Mills, tomando vento, frio e neve na cara, Regina e sua irmã estão dentro do carro, tomando café e conversando, dessa vez civilizadamente, sobre Cora, e os planos para pôr a lunática na prisão ou talvez em um manicômio. Como a parte da qual Regina atualizava Zelena sobre a minha pessoa, chegou ao fim, eu fui liberada para aqui estar.

É tão bom fazer isso, botar a cabeça para fora do carro e sentir o vento. Agora eu sei exatamente como os cachorros se sentem quando fazem. Só está faltando mesmo eu pôr a língua para fora.

Mas em vez da língua, eu coloco os braços para fora do carro, os abro e fecho os olhos. Me sentindo imensamente feliz, eu resolvo verbalizar o meu amor.

— EU TE AMO, NOVA YORK!!! – Grito o mais alto que posso a minha declaração.

— Se Nova York tem ouvidos, ela sentiu dor ao ouvir seu nome ser gritado com esse sotaque. – A resposta é quase berrada pela Srta. Mills, e faz sua irmã rir. Sua provocação barata me faz sair do lugar onde me encontro e voltar para dentro do carro. Fecho o teto solar, fazendo Zelena murmurar um agradecimento a Deus. Vou até Regina Mills, sentando-me ao seu lado.

— Nova York me ama também, ela não tem preconceitos contra o sotaque que você diz que eu tenho, mas que quem tem é você. – Tem um ar de deboche no rosto, as pernas cruzadas, as mãos dentro do bolso do casaco, e a postura perfeita como sempre.

— Isso é algo indiscutível, Srta. Swan. Você tem o mesmo sotaque brega que seus conterrâneos do deserto, também tem. – Nem se dá ao trabalho de olhar para mim enquanto chama eu e meu povo de brega.

— Odeio concordar com Regina, mas nisso, ela tem razão. – Zelena se mete. – Vocês têm um sotaque digamos que... peculiar. – Com palavras mais bonitas, acaba de me dizer a mesma coisa.

— Vocês quem falam tudo atropelado, tudo faltando letras e meu sotaque que é brega, uhum, Okay. – Levanto meus polegares. – De qualquer jeito, eu amo Nova York! – Volto a me declarar para a cidade. – Nova York. – Tento imitar o sotaque estranho delas. – Nova York. – Faço outra tentativa. – Nova York, Srta. Swan. – Dessa vez imito a voz de Regina, que me rola os olhos e tenta se manter séria. – Nova York! Nova York! Nova York! – Nesse momento tenho plena consciência que estou sendo mais infantil do que Janis, mas fazer o quê? Eu estou muito feliz.

— Onde que você desliga ela? – Zelena questiona com a irmã.

— Não desligo. – Fala em falso lamento. – Veio com defeito de fabricação. – Bato com minha mão em suas pernas, a fazendo descruza-las. Sem pedir, me sento sobre as mesmas, fazendo com que ela me lance um olhar de censura, que é totalmente ignorado por mim. – Qual o seu problema com assentos, Srta. Swan? – Questiona em tom de bronca. Lhe dou de ombros.

— Nenhum. Mas eles ficam pouco atrativos, quando tenho suas pernas para sentar. – Respondo sem me abalar.

— Realmente, veio com defeito de fabricação. – Zelena acha graça da situação. Pelo jeito como se portam, tenho certeza que sentar-se sobre as pernas de outro alguém, não é algo comum, ou muito visto na alta sociedade norte americana.

— Não vim não, sou um exemplar e tanto. – Resolvo entrar na brincadeira. – Além de saber falar Nova York, eu também vim com uma canção gravada. – Conto.

— Que seria? – Regina é quem questiona. Aliás, ela reclamou sobre minha bunda sobre suas pernas, mas seu braço já está bem envolto em minha cintura, obrigada.

— Now you're in New York, these streets will make you feel brand new, big lights will inspire you. Let's hear it for New York, New York, New York. – Me achando a própria Alicia Keys eu solto a voz da cantora de Karaokê que existe dentro de mim, fazendo minha futura mulher me sorrir. — Vai, Srta. Mills, agora você faz o Jay Z, vamos fazer um feat. – A incentivo estendo para ela o microfone invisível que minha mão segura. Claro que tal microfone é completamente ignorado.

— Eu sou Jay Z. – Zelena então resolve participar da minha cantoria. – Catch me at the X with OG at a Yankee game, shit, I made the Yankee hat more famous then a Yankee can. You should know I bleed blue, but I ain't a Crip though, but I got a gang of niggas walkin' with my clique though. Welcome to the melting pot, corners where we sellin' rock
Afrika Bambataa shit, home of the hip-hop... – Sem ar, ela aponta para que eu continue.

— Yellow cab, gypsy cab, dollar cab, holla back, for foreigners it ain't for, they act like they forgot how to act. Eight million stories, out there in it naked, city is a pity, half of y'all won't make it. — Mexo as mãos, tentando imitar a rapper que eu não sou. Enquanto faço o mesmo com a cabeça. — Me, I got a plug, Special Ed "I Got It Made", if Jesus payin' Lebron, I'm payin' Dwayne Wade... De novo insisto para que Regina se junte a nós, de novo ela me rola os olhos, só que dessa vez, agarra o microfone que é minha mão, e resolve soltar a voz.

— Three dice cee-lo, three card monte, labor Day Parade, rest in peace Bob Marley. Statue of Liberty, long live the World Trade, long live the King yo, I'm from the Empire St. that's... – E foi desse jeito que a melhor versão de todos os tempos de Empire State of Mind, foi inventada. Ninguém jamais vai superar Regina Mills encarnando Jay Z, cantando seus versos sem errar a letra, sem tomar ar, sem desafinar. Já sou fã! Quero comprar os discos, tirar fotos e tatuar.

Como a mais orgulhosa das fãs, passo o braço em volta do seu pescoço, me jogo para cima dela e a abraço.

— Regina Mills cantando Empire State of Mind, se não é o amor da minha vida, eu não sei mais quem pode ser. – Falo orgulhosa. Dou um beijo estalado em sua testa, então volto a me ajeitar em suas pernas, a liberando do abraço.

— Menina, eu nem sabia que Regina sabia cantar. – Zelena está boquiaberta. – Até hoje, eu tinha em mente que Regina mal sabia o significado de música. – Implica com a irmã, que nada lhe responde.

— Regina Mills também é cultura inútil. – Meu comentário faz a ruiva rir.

— Insuportáveis. – Ela resmunga ao rolar os olhos. Não contendo minha vontade, volto a beija-la. Dessa vez o lado do rosto. – Você está gelada, Srta. Swan. – Mesmo que eu esteja gelada, sei que isso não passou de uma falsa reclamação. – E cheia de resquícios de neve. – Volta a resmungar ao olhar para mim, para ser mais precisa, para os meus cabelos e passar as mãos por eles.

— Agora sério, como vocês conseguem ignorar essa cidade? – Aponto lá para fora.

— Do mesmo jeito que você faz com Las Vegas. – Zelena é quem responde.

— Crescemos aqui, então nos acostumamos. – Regina complementa, enquanto ainda mexe nos meus cabelos.

— Sério, eu já amo esse lugar. – Falo com empolgação. Volto a me ajeitar nas pernas dela, então recosto a cabeça em seus ombros. – Decidi que vou torcer para os Knicks e para os Yankees. – Conto a ela, que faz careta.

— Não estou de acordo com os Yankees, Srta. Swan. – Pelo tom que fala, percebo que não está nada de acordo.

— Nem eu. – Zelena concorda. – Somos Mills. – Continua.

— E o que isso significa? – O que os Yankees fizeram de mau para essa família?

— Isso significa que torcemos para os Reds. – Regina é quem traduz.

— Eu não sei se eu gosto dos Reds. – É minha vez de fazer cara feia.

— Então você não pode ser uma Mills. – Minha futura quase cunhada volta a falar. E bom, é só um sobrenome, mas é o sobrenome de Regina, então é impossível minhas borboletas não agitarem ao pensar sobre o assunto. Antes que eu possa responde-la, seu celular avisa que lhe chegaram mensagens e ela resolve entrar na bolha.

— O que foi? – A Srta. Mills me questiona.

— Minhas borboletas agitam quando pensam no meu sobrenome junto com o seu. – Admito. – Swan Mills. – Ela sorri e balança a cabeça negativamente. – Você acha que combina? – Já que ela não fala nada, resolvo questionar.

— Sim, eu acho que combina, Srta. Swan. – Em outras circunstâncias, ela jamais teria me dado uma resposta, principalmente essa resposta, mas agora, agora ela respondeu sem pestanejar, o que faz minhas borboletas continuarem agitadas.

— Nesse caso então, mesmo sem entender porque pessoas de Nova York, torcem para um time de Boston, eu vou deixar os Yankees de lado, e vou virar uma fanática torcedora dos Reds. – Minha resposta arranca dela uma de suas risadas gostosas.

— Você é esperta, Srta. Swan. – Depois de falar tal coisa, ela pisca para mim. – Os Reds foram fundados em Nova York, depois de um tempo é que mudaram para Boston. – Me explica.

— Como eu disse anteriormente, Regina Mills também é cultura. – Mas no momento não é exatamente sobre isso que quero falar. Nosso casamento é um tópico muitíssimo mais interessante. — Juntar meu sobrenome ao seu significa que um dia nós vamos casar, brincar de casinha, ser uma família... – Dessa vez ela não fala nada, apenas volta para seu semblante sério, e resolve olhar pela janela. – Não vamos? – Mesmo tendo medo de ouvir a resposta, eu resolvo insistir e questionar. Desencosto dela, e arrumo minha postura para que possa vê-la melhor. Ela suspira, continua olhando para fora por alguns segundos, antes de, de novo suspirar e me encarar.

— Eu gostaria de dizer que sim, mas honestamente, eu não sei. – Começa. – Sinceramente, eu não sei nem como classificar nosso relacionamento, não sei o que somos... – Na verdade ela sabe, só tem medo de algum jeito me magoar com isso.

— Amantes. Somos amantes. Eu sou sua amante. – Interrompo para deixar claro que não sou a mulher inocente que ela acha que sou. Que estou ciente do que somos. E que tudo bem sermos. No momento, sei que não podemos ser mais do que isso.

— Amantes. – Concorda. – Mesmo que o que eu tenha com Robin, não passe de um contrato, de negócios. Mesmo que isso não magoe você agora, eu sei que em um certo ponto, vai começar a magoar. – Explica. – Srta. Swan, eu vou magoar você, vou feri-la, muitas vezes vou lhe fazer chorar e me odiar... – Continua. – Mesmo que eu não queira, vai acontecer. Cora não vai perder uma oportunidade de nos colocar uma contra a outra. Tenha em mente que ela não vai. – Não deixo que termine seu pensamento.

— Eu sei que sua mãe não vai nos dar trégua, Regina. E sei que perto dela, você não vai ser você, então relaxa. – Peço.

— Mas você ainda não sabe o quanto isso vai te afetar. Esse relacionamento bonito de agora, ele vai ser testado, ele vai ser arranhado, vai ser pisoteado. E talvez isso faça com que ele desgaste. É isso que eu quero dizer. – Meus dedos brincam com os pingentes da pulseira que lhe dei no Natal.

— Então nós vamos fazer o que combinamos mais cedo. Sarar algumas feridas, cicatrizar outras e seguir em frente. – Tiro os olhos dos pingentes e lhe encaro. – Eu não sei muito sobre o amor, mas eu sei que ninguém vive só de dias bons, de coisas boas, de momentos felizes. – Ela concorda. – Pessoas brigam, discutem, batem boca, mesmo sem querer, acontece. – Opino. – Sabe, eu nunca amei alguém antes, mas eu tenho certeza que eu amo você. Eu amo não só a parte boa, não só a Regina feliz, não só a Regina sorridente e saltitante, de bem com a vida. Até porque essa Regina aparece bem as vezes. – Aproveito para pegar no seu pé. — Eu amo também a Regina brava, a de mal com o mundo, rabugenta, irritada, que atira coisas, olha de cara feia, grita e briga comigo. – Lhe sorrio. – Eu sei que tudo o que eu sinto por você, vai ser colocado a prova, mas estou tranquila com isso, porque eu sei que não importa o que aconteça, isso não vai mudar. – Lhe garanto.

— E se eu, Regina Mills, sem a interferência de Cora, ou qualquer outra pessoa, se for apenas eu te magoando? Será que você será capaz de perdoar? – Tem preocupação na sua voz, assim como no jeito que me olha.

— Se você, Regina Mills, sem a interferência de qualquer outra pessoa, por um acaso me magoar e pedir desculpas por isso. Desculpas sinceras, dessas que a gente pede olhando nos olhos. Se você fazer isso, se você se mostrar arrependida, e prometer que não vai fazer de novo, sim, eu vou te perdoar. – Lhe garanto. – Se você for além, e fazer algo brega/romântico, algo que Regina Mills nunca pensou fazer, além de perdoar eu vou beijar a sua boca. – Ela ri.

— Algo brega/romântico, Okay, acabei de fazer uma nota mental. Espero não precisar usar, mas em último caso, pensarei a respeito. – Não que eu queira ser magoada, mas sim, gostaria de ver Regina Mills se derretendo por mim em uma versão brega/romântica.

— E se for eu a fazer isso, você me perdoa? – Deixo meu pensamento bobo de lado para questionar algo mais sério.

— Se você trocar os Reds pelos Yankees, não, eu não sou capaz de perdoar. – Sua resposta séria me faz rir e esbarrar a mão em seu braço.

— Boba! Eu estou falando sério. – Me dá um sorrisinho antes de me responder.

— Eu não consigo imaginar algo que não me faça perdoa-la, Srta. Swan. – É o que me responde. – Mesmo quando eu estou irritada com você. Mesmo quando você resolve me contrariar. Mesmo quando você decide arriscar o seu bem-estar só para se envolver comigo. – Balança a cabeça negativamente e esboça um sorriso. Sua mão toca meu rosto e o afaga. – Mesmo com o mundo contra você e eu, mesmo assim, eu não consigo nega-la. Você é inegável. – Sua sinceridade e o carinho que usou para expressa-la, acelera meu coração e faz minhas borboletas estomacais batucarem forte. – Acho que isso responde sua pergunta.

— Não só responde minha pergunta como me deixa com vontade de beijar a sua boca.

— Mas não vai beijar, porque eu já vi e ouvi coisas demais por hoje. – É o que Zelena resmunga, ainda sem tirar os olhos do celular. – E eu não sei quem vai magoar quem primeiro, mas como a bela adulta crescida e vacinada que sou, sei que vai acontecer... – Enfim, tira os olhos da tela e olha para nós. – Não importa quem venha a magoar quem, se desculpem. Eu ainda não estou muito adaptada a isso... – Aponta para nós. – Minha irmã formando casal com outra mulher, mas o fato é que já torço muito por vocês e já não consigo mais imaginar uma sem a outra. Eu sou time Swan Mills e não abro mão. Então quando acontecer, se virem, briguem, estapeiem, xinguem, mas se perdoem. Afinal de contar, além de tudo que mencionei, meu pescoço está a risco por causa desse relacionamento. – No final ela abre um sorriso forçado para nós, nos joga um beijo e nos enquadra dentro do coraçãozinho que faz com as mãos.

— Zelena, cara irmã, você estava esse tempo todo fingindo estar no celular? – Regina lhe questiona.

— Não. Eu estava esse tempo todo no celular para dar privacidade a vocês. Já que para manter as aparências, provavelmente eu vou participar de muitos encontros e saídas desse casal. Ou seja, é melhor eu me ocupar com alguma coisa. – Ah sim, as duas concordaram que para ganharmos tempo com Cora, é melhor eu ser algo como, amiga de Zelena e conhecida de Regina. Ou seja, terei que sair com a ruiva, que as vezes vai “convencer” a irmã a sair conosco. – Gostaria de estar me ocupando com uma garrafa de whisky, ou de vodka, mas o celular é tudo que me resta. – Se lamenta com pesar.

— Você frequenta o AA? – A indago.

— Raramente. Não tenho paciência... – Começa, mas por algum motivo para. – Na verdade eu tenho vergonha... – Se corrige.

— Vergonha? – Questiono sem entender.

— Vergonha. – Afirma. – Eu ouço tantas histórias lá. Histórias de pessoas com problemas de verdade. Histórias tristes, muitas histórias tristes. Histórias de pessoas sofridas, pessoas que perderam tudo, pessoas até que não tem mais onde morar. – A conheço há pouco tempo, e nesse pouco tempo acho que essa é a segunda vez que a vejo falar de um jeito tão sério. – O que são os meus problemas perto dos deles?

— Seus problemas são tão sérios quanto os deles, Zelena. – Opino. – A única diferença é que você tem muito dinheiro. Se eles tivessem o dinheiro que você tem, usariam para o mesmo fim que você quer usar o seu, comprar bebidas. – Continuo. – Você assim como eles, é viciada. Assim como eles, precisa se tratar. Assim como eles, não pode beber.

— Eu sei que posso controlar, não é algo tão grave. – Fala o que qualquer viciado sempre fala.

— Qual seu maior tempo sóbria? – Pergunto, ela não responde.

— Desde que foi diagnosticada como alcoólatra, isso tem um pouco mais de cinco anos, 92 dias, foi seu maior tempo sóbria. – É Regina quem responde pela irmã.

— Com isso concluímos que não, ela não pode controlar. – Minha conclusão é óbvia.

— Não, ela não pode. – Concorda.

— Concluímos também que o problema dela é tão ruim quanto de qualquer outro alcoólatra financeiramente menos favorecido. – Continuo.

— Concluímos isso também.

— Bom, então como quando eu me mudar para cá, nós nos tornaremos praticamente melhores amigas, vamos participar dessas reuniões do AA. – Pela primeira vez a ruiva me olha contrariada, o que faz eu recorrer a Regina. – Caso você me diga não, tenho certeza que sua irmã pode lhe convencer a me dizer um sim. – Cada um usa as armas que tem, não é isso?

— É algo totalmente indiscutível, Zelena. Você sabe que precisa ir. – Fala em tom de bronca. – Pelo amor de Deus, se ajude, livre-se disso de uma vez. Se vamos recomeçar, vamos recomeçar direito. – Meio que pede, meio que exige.

— Vocês me fazem ter vontade de beber. – Reclama. – Se não estão me pressionando com uma coisa, estão me pressionando com outra. Se não estão me pressionando com outra, estão brigando. Se não estão brigando, estão me fazendo fazer cara de nojo e querendo esquecer o que eu vi. Assim não dá. – Levanta as mãos ao céu.

— Acabou? – Regina sendo Regina, não está nem um pouco abalada.

— Okay! Eu vou. Está feliz? – Lança um olhar nada amigável para a irmã.

— Feliz e saltitante. – Responde com seu jeito zangado de ser.

Me pergunto como será é estar em um mesmo lugar que Regina, Zelena e Cora, quando elas resolvem bater boca? Será que algum objeto resiste a esse encontro explosivo? Será que todos param o que estão fazendo para ouvir atrás da porta? Provavelmente não precisam ouvir atrás da porta, já que elas gostam de gritar. Imaginar a situação me faz achar graça.

— Está rindo de quê? – É a zangada ruiva quem me questiona.

— De vocês. – Respondo. – Quem morde quem primeiro, quando vocês junto com Cora, começam uma discussão? – Indago. – Quem aparta? Alguém chama a polícia? Regina atira objetos. Cora provavelmente atira bolas de fogo. E você faz o quê? Magia negra? – Tira os olhos incrédulos de mim e encara a irmã.

— Ela nos chamou mesmo de bruxa? – Sua pergunta me faz rir alto.

— Eu não diria que atirar objetos seja algo de bruxa. – A Srta. Mills opina. – Mas você e a nossa querida mãe, ah sim, ela com certeza chamou. – Está tentando não rir. Zelena volta a me encarar, agora parece indignada.

— Regina só atira objetos, porque ainda não aprendeu a cuspir fogo. – Tem indignação na sua voz também, o que de novo me faz rir alto. – Mamãe é a Bruxa das bruxas, a toda poderosa, a bruxa suprema. Regina é a Rainha Má de todos os contos de fadas. Perto das duas, eu sou apenas aprendiz de feiticeira. – Depois de ouvir tal coisa, eu olho para minha futura mulher, que está se divertindo com o assunto.

— Rainha Má? – Questiono de sobrancelha arqueada.

— Ou seja, não me provoque, Srta. Swan. – Em outros tempos o olhar ameaçador que acaba de me dá, me faria sentir medo. Mas agora só me dá tesão mesmo.

— Ou senão o que, Regina Má? – Já estou provocando. Quero que ela me dê uma maçã envenenada só para depois me acordar com um beijo. Okay, isso foi brega, melhor deixar para lá.

— Ou senão eu posso destruir a sua felicidade, Srta. Swan. Nem que isso seja a última coisa que eu faça. – Fala em um tom de voz grave, ameaçador, quase aterrorizante. Enquanto me olha de um jeito também ameaçador, como se eu fosse algo que ela está prestes a esmagar. Seu sorriso é tão diabólico quando seu olhar. – HAHAHAHAHA... – A risada que era para ser maligna, que soou como maligna, que deveria amedrontar, só serviu para me excitar mais. Meu Deus, eu amo esse timbre de voz, amo o som de qualquer uma de suas risadas, eu amo. Mas essa que deu agora, me olhando desse jeito malvado, não existe calcinha que resista seca.

— Se você me olhar desse jeito sempre e falar nesse tom comigo, você pode destruir a minha felicidade, pode destruir a minha vida inteirinha, eu não me importo, eu dou tudo para você. – Minha resposta traz seu semblante tranquilo de volta e sua risada normal. – Meu Deus! Que vontade de foder com você aqui mesmo. Sem me importar de sermos assistidas ou não. Minha calcinha está um nojo e a culpa é sua. – Põe a mão sobre minha boca, para que eu me cale. Mas pelo seu olhar, sei que ela gostou do que ouviu.

— Contenha-se, Srta. Swan! – Me pede.

— Oh, Deus! Uma garrafa de qualquer coisa que contenha álcool, mande uma garrafa para essa sua filha sofredora que não aguenta mais essas duas pervertidas. – Meio que pede, meio que reclama com Deus. – Swan, além de sexo, você gostaria de fazer mais alguma coisa nessa cidade? Porque está difícil, praticamente impossível, eu participar dessa nossa amizade sincera, quando Regina está no mesmo lugar que você. – Me faz rir. Me concentro na pergunta, para que minha vontade de sexo diminua.

— Além do lugar preferido de Regina?

— Sim, além do lugar que estamos indo. – Responde.

— Empire State. – Respondo sem pestanejar.

— O que quer fazer no Empire State? – É Regina quem questiona.

— Além de toda a história que ele tem? É lindo. Alto, muito alto. Tem os mirantes lá em cima. E é o Empire State. Todo turista quer conhecer o Empire State. – Faço minha defesa.

— Todo turista quer conhecer a Broadway. A Time Square. Central Park. Até a Estátua da Liberdade. – Claro que ela não iria concordar comigo.

— Eu faço parte dos turistas que dão preferência ao Empire State. A Broadway eu vou deixar para o dia que você puder assistir comigo de mãos dadas. A Time Square para o dia que você for me pedir em casamento, claro que você vai usar os vários telões. O Central Park e a Estátua da Liberdade, vamos conhecer com Janis. – Balança a cabeça negativamente para as minhas respostas e tenta não sorrir.

— Como podemos ver, Empire State por ora realmente é a opção mais aceitável. – Zelena é quem conclui.

— Não nos resta outra alternativa. – Regina concorda.

— Como eu imaginava. – O assunto morre assim que o carro para, estacionando em frente a uma casa de gente normal. Pela janela, vejo os seguranças que nos seguiam entrar na casa sem ao menos bater, ou esperar pelo dono da mesma. – Onde é aqui? – Questiono sem tirar os olhos do que acontece lá fora.

— Aqui é onde vamos parar para esperar que acabem de limpar meu lugar preferido. – A Srta. Mills responde. – É também o meu segundo lugar preferido. – Me conta.

— Por isso os seguranças podem entrar sem bater? Sem autorização? Sem nada? – Ela ri.

— Essa casa foi do meu pai, Srta. Swan. Vivemos até a adolescência aqui. – Explica. – Agora ela é minha. Então sim, eles podem entrar sem bater. – Agora olho admirada para casa que foi do patriarca da família Mills. É uma casa aparentemente simples, casa de alguém de classe média, casa que não parece pertencer ou fazer o tipo de pessoas milionários.

— É uma casa de milionários disfarçada de casa de classe média, ou por dentro ela condiz com fora? – Minha curiosidade põe para fora o que eu deveria só ter pensado.

— Por dentro condiz com fora. Não fomos sempre ricos. – Explica.

— Milionários. Não fomos sempre milionários. – Zelena a corrige. – Ricos nós sempre fomos. – Sei que não está sendo esnobe, está apenas sendo sincera. Mal a conheço, mas sei que esse é seu jeitinho de ser.

— Quando Deus criou Zelena, eu acho que a humildade estava em falta no estoque. – Comento com a Srta. Mills, que acha graça.

— Só estou falando a verdade. Que culpa eu tenho de termos nascido ricas? E não, eu não estou reclamando, aliás, obrigada Deus, por ter me feito linda, norte americana, rica e depois ter me tornado milionária. – Sua falta de modéstia me faz rir. Já Regina faz que vai vomitar. – Que cena é essa, irmã? Você também gosta de ter dinheiro. – Acusa.

— Nunca falei ao contrário. Só não fico me exibindo por aí. – Retrucou.

— Me diga, Swan, nesse tempo que vocês se conhecem, quantas coisas ela já quis pagar e quantos presentes caros já quis te dar? – Resolveram colocar a minha humilde e pobre pessoa no assunto.

— Hã... – Com medo de deixar a Srta. Mills, brava, resolvo pegar leve. – Um dia nós fomos ao parque de diversões com Janis, e ela comprou TODOS, os balões para a minha filha. – Não sei se foi pela ênfase que eu coloquei no todos, ou se foi pelo exagero de Regina ao comprar todos os balões, o fato é que Zelena está rindo.

— Nesse caso, acho que você teve até sorte, por ela não ter comprado todo o parque para a sua filha. – Não sei se fala para implicar com a irmã, ou não. O fato é que pensar sobre o assunto, me deixa assustada.

— Isso não significa que estou exibindo o quanto sou rica. – Se defende. – Ela só estava em dúvidas em qual escolher, gostou de todos, não vi porque não os comprar. – Simples assim, como se fosse 1 centavo cada balão.

— Estamos falando de quantos balões exatamente? – Zelena me questionou.

— Trinta e dois. – Sim eu contei, me senti na obrigação de fazer aquilo. Se Janis segurasse todos juntos, poderia muito bem sair voando por aí.

— Trinta e dois. – A ruiva repete em quanto ri. – Apenas um pequeno mimo. Ela queria incentivar Janis a voar. – Faz graça, me fazendo rir. Já Regina, ela está de cara fechada.

Graças ao bom Deus, não temos mais tempo para falar sobre os exageros das Mills, já que os seguranças saem da casa, se postam cada um em um lado da porta de entrada, e falam algo pelo rádio comunicador. Quase que instantaneamente, o chofer nos abre a porta do carro e diz que a casa está liberada para que entremos.

Regina vai na frente, seguida de Zelena, e eu saio por último. Tanto os seguranças quanto o chofer, me olham com curiosidade. Provavelmente tentando entender quem sou eu e o que estou fazendo nesse lugar com as milionárias irmãs Mills.

Não posso dizer muito a respeito de como a casa é por dentro, já que todos os móveis estão cobertos por panos. Posso falar sobre as janelas grandes, sobre o enorme lustre no centro da sala, desses que parecem ser de casa de filmes de terror. Sobre o chão que é feito de uma madeira escura. Sobre as escadas que dão acesso ao segundo andar, que aparentemente são feitas com a mesma madeira. Sobre o cheiro de casa fechada que encontramos aqui. Sobre o frio que faz aqui dentro. E sobre a bombinha de asma que Regina acabou de tirar da bolsa e inalar.

— Quando você quer ter crises de asma, você vem para cá? – Minha boca grande não me deixa ficar quieta.

— Ai, já está ganhando bronca da mozão. – Zelena implica com a irmã. Regina nada responde, apenas volta-se para mim e me estende a mão. Regina Mills me estendendo a mão. Oh Deus, você sabe quando está pateticamente ferrada, quando um simples gesto como essa, te deixa feliz, como se de repente, ela estivesse me pedindo em casamento. Mas, né? Todos os contatos físicos que tivemos até agora, foi eu quem dei início, ou quase todos, por isso sim, ela me estender a mão e na frente da irmã, é uma grande coisa. O fato é que agarro sua mão de imediato, não contente com isso, entrelaço nossos dedos.

— Vamos subir. – Me convida, ao puxar-me para que lhe acompanhe.

— Eu vou estar em meu quarto. O que quer que venham a fazer, por favor, façam em voz baixa. – Zelena pede, enquanto também sobe as escadas.

— Quando você sair com seu segurança e precisar da minha ajuda, eu vou lembrar de todas essas suas graças, irmãzinha. – Não sei se a Srta. Mills ameaçou ou apenas deu um aviso.

— Oh, Zelena rica feat milionária está saindo com um segurança? – Bom, ela já pegou tanto no nosso pé em menos de 24 horas, que já nos considero quase velhas amigas. Daquelas cheias de intimidade.

— Eu não estou. – Ao ouvir a negação, Regina para de andar e se volta para trás. Não precisa de mais de meio segundo para seu olhar fazer a irmã mudar de ideia. – Okay, talvez eu esteja. – Satisfeita coma resposta da ruiva, minha futura namorada volta a subir as escadas. – Mas não é como se eu quisesse casar com ele. – Defende-se.

— E o que você quer com ele então? Sexo sujo? – A questiono.

— Defina sexo sujo. – É a resposta que me dá.

— Vejamos. – Coço a garganta antes de começar. – Ele te pega com força, algo meio bruto, meio selvagem. Vocês se estapeiam, se xingam, se mordem, sem arranham. Ele te puxa pelos cabelos, você desconta metendo a mão na cara dele, lhe mordendo os lábios, fazendo sangrar. Ele fodem com f... – Antes que eu possa concluir, Regina resolve me impedir.

— Ela já entendeu, Srta. Swan. Não precisamos de mais nenhum detalhe. – Okay, né? Mas tem gente de prova que foi Zelena quem me pediu para definir.

Bom, por algum motivo que fiquei sem entender direito, caminhamos em silêncio, cada uma até a porta do seu respectivo quarto. Antes que eu feche a porta do quarto de Regina, Zelena me chama. Está parada no batente da porta a frente, que muito provavelmente é seu quarto.

— Me tire uma dúvida. – Preciso dizer que tenho medo de tal dúvida. Mas se for sobre sexo, como a boa prostituta que fui, esclarecerei tal coisa. – O que você estava fazendo com Regina hoje de manhã, era sexo sujo? – Vejo que ela não está tentando provocar, ou tirar com a nossa cara. Está realmente em dúvida.

— Ah, aquilo? Não, não chegou a ser sexo sujo. – Explico. – Digamos que foi apenas um esboço, mas com certeza chegaremos lá. – Me olha boquiaberta, enquanto já dentro do seu quarto, a Srta. Mills resmunga meu nome. – Mas alguma dúvida? – Lhe questiono.

— Não. – Continua imóvel, aparentemente, bastante pensativa. – Era só isso mesmo. – Tenta me sorrir. – Obrigada! – Lhe lanço um sorriso, junto com uma piscadela.

— Disponha. – Respondo.

Ao fechar a porta do quarto da Srta. Mills e me voltar para o mesmo, me surpreendo. Nesse cômodo não tem nenhum pano cobrindo os móveis. Parece um quarto que é habitado todos os dias.

O chão é escuro, como na parte de baixo. As paredes são cinzas, assim como a cama que fica encostada na parede da janela. A roupa de cama é uma mescla das cores cinza e rosa. Tem um varal de fotos em cima da cabeceira da cama. Do outro lado do quarto, tem uma estante cheia de livros, e uma mesa com um computador do tempo dos dinossauros.

Regina Mills já foi adolescente, já conheceu outras cores além do preto, provavelmente já foi até algumas vezes na vida, irresponsável. Seu quarto me faz constar tais coisas.

Bom, fico em dúvida sobre saber o que lia na sua adolescência, ou ver as fotos na cabeceira da cama. Acabo optando pelas fotos, o que me faz ir até lá.

Sorrio ao ver ela e Zelena quando eram crianças. Regina descabelada e Zelena sem o dente da frente. Ambas sorrindo. Aquele sorriso largo, despreocupado e sonhador, que toda criança tem.

Regina adolescente, linda, com cabelos compridos, ondulados, sorrindo com os olhos e com os lábios, abraçada a um senhor que eu constato ser seu pai, também faz parte das fotos do mural.

Regina, Zelena e Tinker, adolescentes, em alguma praia paradisíaca bebendo espumante e mostrando toda riqueza, também estão por aqui.

Bom, a próxima que meus olhos param, me faz sentir algo que muito provavelmente chamam de ciúmes. Regina em um vestido longo, branco e solto. Os cabelos também soltos, também compridos, também ondulados, abraçada a um homem que infelizmente de feio não tem absolutamente nada, sorrindo de todas as maneiras possíveis de sorrir enquanto olha para ele com cara de louca apaixonada, é o que vejo.

— É ele? – Minha pergunta sai murmurada. Ela se aproxima, tira a foto do varal, guarda no bolso do casaco e só então resolve me responder.

— É. – É sua longa resposta. Não falo nada, primeiro eu preciso digerir. Aparentemente, eles formavam um desses casais que a gente vê nas revistas, na TV, nos filmes de romance. Fisicamente, eram lindos juntos. E pelo que eu já ouvi sobre, tenho certeza que ia muito além do físico, para a minha infelicidade. O jeito que ela olhava para ele, era, wow. Eu nunca vi ela olhar desse jeito, nem sorrir, nem se portar. Odeio Cora por tudo que ela já fez a Regina, inclusive ter mandado matar Daniel, mas nesse momento, me sinto digamos que aliviada, por ele não estar mais entre os vivos. E mesmo me sentindo aliviada, continuo sentindo ciúmes.

— Vocês formavam um lindo casal. – Tento elogiar, porém não consigo olhar para ela.

— Ciúmes, Srta. Swan? – Aparentemente ela está achando graça. Vem ao meu encontro. Enquanto uma mão sua segura minha cintura, a outra pega meu queixo e me faz encara-la.

— Eu odeio esse tal de ciúmes, Srta. Mills. Mas no momento, não consigo não sentir. — Admito, o que a faz esboçar um sorriso.

— Você não precisa sentir. – É o que me diz.

— Tecnicamente, eu sei. Até porque, devido as circunstâncias, não tem como disputarmos você. – Balança a cabeça concordando. – Mas o jeito como você olhava para ele, como lhe sorria. Me desculpa, talvez seja infantil, mas além de ciúmes, eu senti um pouco de inveja também. – Me balança a cabeça negativamente.

— Quero que tente entender uma coisa, Okay? – Apenas concordo com um balançar de cabeça. – Nessa foto que você viu, nada de ruim tinha me acontecido ainda. Eu era uma jovem sonhadora, feliz, apaixonada. Encantada com essa história de amor. Intacta, sem nenhum machucado. – Me conta. – Eu nunca vou voltar a ser o que eu era, Srta. Swan. Hoje eu carrego muitas marcas, muitas cicatrizes comigo, algumas feridas ainda sangram. – Continua. – O que não significa que eu não possa amar tanto, ou ainda mais do que já amei alguém na vida. Entende? – Não entendo, mas entendo. Sei o que quis dizer, e até concordo. Mas existem muitos sentimentos envolvidos, então eu estaria mentindo se falasse que não desejo que ela me olhe daquele jeito bobo ali.

— Acho que sim. – Me sorri. Sua mão agora afaga meu rosto. – Você ainda o ama? – Não, eu não quero saber, mas mesmo assim não consegui não perguntar. Ela suspira, seus olhos continuam presos aos meus. Pondera um pouco antes de responder.

— Eu não sei. – Meu coração bate apressado ouvindo tal coisa. Claro que eu queria ouvir um não, então me sinto um pouco decepcionada. Por outro lado, ela foi sincera. – Eu tenho muito carinho por ele, por tudo que vivemos. – Droga, Emma! Por que diabos você resolveu entrar nesse assunto? E por que você sente vontade de vomitar ouvindo isso? – Mas amar, eu não sei mais... – Okay, muito provavelmente ela ainda o ama. E mesmo que queira ser sincera, talvez a parte dela que gosta de mim, não a deixe fazer tal coisa completamente.

— Você acha que um dia você pode me amar, com a mesma intensidade que um dia o amou? – Ela suspira. Seus olhos conversam com os meus, coisas que eu não entendo.

— Eu acho que existe muito potencial para isso. – É a resposta que me dá. – Existe um mundo de diferenças entre vocês dois, Srta. Swan. – Não faço ideia do que ela quis dizer com isso. – Eu tive uma história bonita com ele, ponto. O que não me impede de jeito algum, de ter uma história igualmente bonita com você. E dessa vez, eu peço a Deus, para que tenha um fim também bonito. – Okay, mesmo não falando nada que eu imaginei nos meus diálogos mentais, sua resposta me deixou mais aliviada, ou menos preocupada/enciumada. Regina Mills não fala esse tipo de coisas para qualquer um. Então provavelmente junto com o falecido, eu estou na seleta lista dela.

— Darei o meu melhor, para que sequer tenha fim. – Seguro o rosto dela entre as mãos. Beijo a ponta do seu nariz, antes juntar nossos lábios.

— Então eu farei o mesmo. – Sussurra contra minha boca. Minhas mãos agarram sua cintura, me jogo em sua cama a trazendo junto comigo. Tal coisa a faz rir. Está por cima de mim, agora tem os lábios no vão do meu pescoço.

— Eu nem acredito que estou aqui, na sua casa de rica, e não de milionária. Obrigada por ter me mostrado ela, acredito que tenha muito valor sentimental para você.

— Sim, você não imagina o quanto. Me deixa feliz estarmos aqui. – Responde.

— Me deixa feliz também. Mais uma vez, obrigada por isso.

– E o que você acha da minha casa de rica? – Levanta a cabeça para me encarar. Tem um sorriso lindo no rosto.

— Acho que é mais adequada aos meus padrões de pobre. – O som de sua risada preenche meus ouvidos. – Quando juntarmos os sobrenomes, podemos vir morar aqui. – Falo brincando, porém sério. Ou ao contrário. – Quer dizer, é mais fácil eu não me perder dentro dessa casa. Porque lá na sua mansão que você chama de apartamento, vou precisar de placas, para me indicar o caminho das coisas. – Ela volta a rir.

— Você é absurda, Srta. Swan! – É o que me fala.

— Estou falando sério. Me sinto um tanto quanto intimidada com sua vida milionária. – Admito. – Quer dizer, chofer, seguranças, mansão, limusine. Isso são coisas de filmes. – Balança a cabeça negativamente.

— Agora você sabe que não são coisas só de filmes.

— O que mais você ostenta? – Imagino várias coisas, mas pergunto mesmo assim, só para ter certeza.

— Helicóptero, Jatinho particular. – Como eu pensava. – Mas são coisas da empresa, uso só quando necessário. – Conta.

— Sei.. – Falo com desconfiança e ganho um rolar de olhos. – E o que você tem, tipo, que o dinheiro te dá, e você fica muito feliz com isso? – Ela nem precisa pensar a respeito.

— Carros. – Responde com excitação. – Eu amo carros. Carros esportivos. – A empolgação com que me conta tal coisa, me faz sorrir.

— Meu Deus! Depois de ouvir e ver o jeito empolgado e excitado como você me contou isso, estou pensando seriamente em mudar meu sobrenome para Lamborghini. – Meu comentário faz com que de novo ela ria alto.

— Quantas besteiras podem sair da sua boca em menos de um minuto, hein? – Não sou capaz de responder, já que minha boca que fala muitas besteiras, está nesse momento sendo agraciada com toques sutis dos lábios dela. Meus lábios correspondem com a mesma sutileza. Carinhosamente, preguiçosamente, nos beijamos.

Me sinto tão bem, tão em paz, tão aquecida. Como se essa mulher fosse o meu lugar, minha terra firme. É um sentimento tão bom, tão forte e tão único. Não sei explicar tudo que sinto no momento, faltam palavras para expressar, mas tenho vontade de ficar assim, nesse quarto, nessa cama, com ela agarrada a mim, para todo o sempre.

Cedo demais, ela põe fim ao beijo, porém não se afasta. Junta a testa a minha e abre os olhos. Por um tempo, é através deles que namoramos, conversamos, trocamos algumas promessas e todas essas coisas de amor.

— O que foi? – Questiona comigo, enquanto me sorri.

— Já dizia algum poeta que eu não faço ideia do nome “tão bom morrer de amor e continuar vivendo”. – Sabe aqueles sorrisos de pessoas apaixonadas? Que só falta sair corações dos olhos? Sou capaz de jurar que Regina Mills está me dando um desses sorrisos.

— Mario Quintana. Poeta brasileiro, se eu não me engano. – Sendo ela a intelectual da história, nada mais justo do que a própria dar o crédito ao devido autor. – E sim, é muito bom morrer de amor e continuar vivendo. – Ah é, sem nenhum um tipo de dúvidas, essa mulher vai ser mesmo o meu fim. Não tem mais volta. – Em pensar que mais cedo, estávamos concordando que não fazíamos nenhum pouco a linha romântica. – Resmunga um tanto envergonhada e volta a esconder a cabeça no vão do meu pescoço.

— Não adianta fugir, Srta. Mills, a fase brega chega para todas. – Faço piada de nós mesmas. – Como a gente faz para ficar aqui para sempre, hein? – Indago com ela que demora um pouco para me responder.

— Primeiro, teremos que dar um jeito na minha mãe. Depois de resolvermos tal coisa, se ainda for o que quer, nós reformamos a casa e viemos ficar aqui para sempre. – Acho que é a primeira vez que verbaliza um futuro comigo. Onde nós passamos a morar juntas e tem um para sempre.

— Então nós com certeza viremos ficar aqui para sempre. – Não existe dúvidas que ainda vou querer. – Quando acontecer, você pode me dispensar dos seus seguranças e do chofer? – Peço.

— Quando acontecer, estaremos seguras, então sim. – Sua resposta me faz sorrir. – Mas você vai ter que realmente aprender a dirigir. Para não colocar a vida de nenhum nova-iorquino em risco. – Claro, não seria Regina Mills se não pegasse no meu pé sobre tal assunto.

— Regina, você precisa superar o que eu fiz com seu carro. Acidentes acontecem. – Tento me defender. – E o carro que você me deu, ele está intacto, sem nenhum arranhãozinho, e olha que ele é enorme e que Vegas é tão, ou quase tão movimentada quanto Nova York. – Faço a minha defesa.

— Srta. Swan, tem uma semana que você está com ele, seria inadmissível que já tivesse o danificado ou arranhado. – Agora que eu sei sobre o amor dela por carros, acho melhor nem debater sobre o assunto.

— Okay, srta. expert em carros. Já que você aparentemente é praticamente uma piloto, me ensine a dirigir então. – Antes que possa me responder, o celular dela toca, avisando que chegaram mensagens. Ela rola para o lado, saindo de cima de mim. Tira o telefone do bolso e checa o que recebeu. – Que cara amarrada é essa? – Indago quando sua feição muda.

— Nada. Só Cora, mandando mensagem. – É o que responde.

— E o que de ruim ela falou?

— Vamos ouvir. – Totalmente sem vontade, ela coloca o áudio para tocar.

“Feliz ano novo para você também, Regina. Impressionante que nem em datas assim, você me procura. Como estão as coisas em Nova York?”

Sabe quando uma pessoa não tem um pingo de paciência com outra? É nítido que isso acontece com Regina a respeito de sua mãe.

— É só outro dia qualquer, não era isso que você nos falava? – Responde. – E mesmo que não seja, não vamos ser hipócritas a ponto de nos desejarmos qualquer coisa boa, mamãe. – O mamãe soa completamente sarcástico. – As coisas aqui estão todas sob controle.

— Você esqueceu de contar que sua irmã nos viu transando. – Tento aliviar a tensão que instalou-se nela ao ouvir o áudio da mãe.

— Dessa vez além de me mandar para o tratamento de choque, ela manda um padre para me exorcizar. – A resposta soa séria, mas mesmo assim, não consigo não rir. Até ela no momento está dando uma risadinha.

— Sai desse corpo que não te pertence, espírito sapatão. – Minha mão toca sua testa a chacoalhando. Ri abertamente junto comigo.

— Você não quer exorciza-lo, Srta. Swan. – Me provoca.

— Não, eu não quero. – E não tenho problema nenhum em admitir. – Eu gosto das coisas que eu faço com ele e ele comigo. – Lhe lanço um sorriso sacana, a fazendo balançar a cabeça negativamente.

— Contenha-se. – É a resposta que me dá.

— Você não quer que eu me contenha. – Tenho certeza que não. Regina Mills tem um fogo que é difícil de apagar. A noite que tivemos foi algo surreal, do tipo, incansável. Todas as minhas investidas, ela não negou, nem fez corpo mole para nenhuma. Tenho certeza que se Zelena não tivesse aparecido, ainda estaríamos naquela cama. E se continuássemos no ritmo da madrugada, muito provavelmente eu seria a parte responsável pelo primeiro pedido de arrego.

— Não eu não quero. – Regina Mills falando abertamente de sexo comigo. Na verdade, falando abertamente que quer que eu não me contenha, ou seja, que quer transar comigo. Parece que o mundo dá voltas, não é mesmo? – Mas mesmo assim, eu preciso que se contenha. Guarde toda sua vontade e sua disposição para mais tarde. – Só de ouvir tal coisa, sinto meu sexo pulsar. – Agora nós vamos sair. – Avisa ao de novo rolar para cima de mim, para então rolar para fora da cama, e se pôr de pé. – Além de receber mensagens de Cora, também recebi mensagens de um funcionário. – Conta. – Meu lugar preferido está liberado. – Fala com uma empolgação não muito vista em Regina Mills.

— Devo ter medo? – Pergunto com curiosidade e um certo receio.

— Não. Você está em ótimas mãos. – Responde sem nenhuma modéstia.

— Você não quer quem sabe dissertar sobre tal lugar? – Faz pensar a respeito.

— Tem outra coisa, além dos meus carros, que eu gosto de ostentar. – Concordo com a cabeça.

— Acredito que seja essa coisa, que você quer me mostrar. – Suponho.

— Exatamente.

— E que coisa seria essa? – Tento mais uma vez descobrir.

— Você vai ser, Srta. Swan, você vai ver. – É tudo que me responde a respeito.

Um autódromo, esse é seu lugar preferido em toda Nova York. A Srta. Mills, tem um autódromo para chamar de seu, só seu. E não bastasse ostentar sua pista de corrida, as garagens individuais de tal pista, também chamadas de box, estão quase todas ocupadas, por carros esportivos.

Mais de dez, todos eles de Regina. Eu poderia comentar sobre, mas a verdade é quem nem sabia da existência da maioria, muito menos a marca, e nem vou falar nada sobre cavalos e cilindradas e esse tipo de coisas.

O fato é que, infelizmente para mim, Regina Mills é apaixonada por velocidade. Então ao chegarmos no seu autódromo, onde seus funcionários tiraram a neve da pista e de algum jeito por mim não entendido e de certa forma ignorado, deram também um jeito de seca-la, a Srta. Mills me levou até um de seus carros favoritos, um tal de Koenigsegg One:1, ou algo assim.

Meio parecido com o carro do Batman, meio parecido com a nave dos X-mans. Azul com listras pretas e cara de mal, muito mal. Ela me falou que só existem sete exemplares no mundo, falou que ele alcançava 440 km/h, falou que um tal de chassi era feito nos mesmo moldes de um carro de Fórmula 1.

Então colocou seus tênis/botas de corrida, perguntou meu tipo sanguíneo, e com um adesivo colocou o mesmo em um capacete e me entregou. Colocou também um capacete antes de entrar em sua máquina mortífera e me chamar para sentar no banco do passageiro.

Sem pensar muito a respeito, ou sem entender exatamente o que estava para acontecer, coloquei o capacete que deve valer mais do que um rim meu, e fui.

Dirigiu calmamente entre os boxes, até a linha de partida, onde estava um dos seus funcionários, com uma bandeira quadriculada nas mãos. Onde também estava a outra lunática Mills, dentro de outro carro com cara de mal, fazendo o motor berrar enquanto ela acelerava sem sair do lugar.

As duas baixaram as janelas, se provocaram, Regina disse para eu segurar firme, fechou sua janela, esperou a bandeirada inicial e acelerou.

Agora eu me encontro aqui, acuada, assustada, amedrontada, provavelmente cagada. Pedindo misericórdia a Deus, enquanto assistido sem poder fazer nada, Regina Mills brincar com as nossas vidas. Tenho que respirar fundo algumas vezes, até conseguir concentração suficiente para formular uma frase e coloca-la para fora.

— O que diabos você pensa que está fazendo, Regina? – Eu queria poder gritar, esbravejar, talvez até estapear, mas no momento a única coisa que consigo expressar é o meu desespero mesmo.

Minhas mãos suadas se agarram ao puta merda como se o mesmo pudesse vir a evitar a nossa provável morte. Meus olhos eu já nem lembro em que momento se fecharam, aterrorizados coitados. Meus ouvidos são atormentados pelo barulho do motor que grita alto, muito provavelmente zombando da minha cara, do meu medo.

— Dirigindo, Srta. Swan. – É o que me responde rindo. Em qualquer outra circunstância o som de sua risada me faria suspirar bobamente, mas no momento, tal coisa só serve para me assustada mais, porque soa como uma risada maligna de quem está nos levando diretamente para o inferno.

— Você não está dirigindo, você está querendo nos matar. – Reclamo. – Você quer por favor, pelo amor de Deus, diminuir a velocidade? — Não, não estou pedindo, estou implorado.

— Por quê? – Continua se divertindo. – Pelo que eu bem me lembro, você gosta de rir na cara do perigo, não é isso? – Não, não é isso, de jeito nenhuma é isso. Nunca foi isso, Deus, eu juro para você que não.

— Perigo? Você já ultrapassou os limites de qualquer perigo quando fez essa coisa ir de 0 a 200 km/h em cinco segundos. – Reclamo. – Por favor, vá devagar. – Volto a implorar, ela volta a rir.

— Acho que você está um pouco mais aterrorizada do que eu fiquei quando você me fez embarcar naquele brinquedo kamikaze no parque de diversões. – Está debochando de mim, eu sei que está.

— Isso é uma vingança? – Aperto mais os meus olhos quando o barulho dos pneus se faz audível e o meu corpo é jogado para a direita. Volto da minha sensação de quase morte quando sinto meu corpo voltar para o lugar. Felizmente não capotamos, só fizemos uma curva. – Pelo amor de Deus! Eu não quero morrer. – Estou choramingando, enquanto ela continua rindo.

— Não. Só estou lhe mostrando o meu jeito de rir na cara do perigo, de encara-lo e domina-lo. – Ela fala com uma calma, uma tranquilidade, de quem está sentada no banco da praça batendo um papo depois de ler o jornal.

— Por favor, Deus! Faça ela parar, por favor! – Recorro a Ele, de novo arrancando uma risada dela.

Camila Cabello — Never Be the Same

— Ouça! – Ela fala alto, devido ao barulho do motor. – Vou pôr uma música que ouvi e me fez pensar em você. – Okay. Regina ouvindo música e pensando em mim. Se minhas borboletas não estivessem desesperadas com medo de morrer, elas agitariam por terem ouvido isso. Mas as coitadas nem tem tempo de pensar sobre, Lunática Mills, tira uma mão do volante para lingar o som do carro.

— PELO AMOR DE DEUS, REGINA! USE AS DUAS MÃOS NO VOLANTE. – Desesperada, o medo me fez berrar desesperada. Ela nem se abala, continua o que está fazendo. Graças ao bom Deus, a música logo começa a tocar e a mão dela a voltar para o lugar de onde não deveria ter saído. Aumenta o volume no controle do volante.

— O barulho do motor e dos pneus cantando é o que lhe assusta. – Ela fala, e arrisca me dar uma espiada. – Concentre-se apenas na música, confie em mim e deixe a velocidade tomar conta da sua corrente sanguínea. — De novo tira a mão do volante, dessa vez para apertar minha mão. – Confie em mim. – Volta pedir. Fecho os olhos, tento acalmar meu coração, meu medo, meu desespero e fazer o que ela me disse, prestar atenção na música, deixar a velocidade tomar conta de mim e confiar, confiar nela. Ao voltar a abrir os olhos, concordo com a cabeça e resmungo um Okay. Ela diminui a velocidade, deixando Zelena passar por nós. Sorri diabolicamente encarando o carro da irmã, e volta a segurar o volante com as duas mãos. – Preparada? – Não, eu não estou. Aliás, estou preparada para sair correndo daqui, mas mesmo assim, resolvo encarar.

— Sim. – O pouco de certeza em minha voz, a faz rir. Não fala mais nada, apenas aumenta ainda mais o volume do som, e então volta a acelerar sua máquina mortífera.

Meus olhos assustados estão na estrada a minha frente. Em cada curva que ela faz, eles ainda se fecham, provavelmente por instinto, ou medo da morte, ou ambos. Graças à música, o barulho do motor já não me assusta tanto. Tento me concentrar na canção, no que ela diz, em seu ritmo, sua batida, enquanto a adrenalina pulsa em minhas veias.

Ao perceber o quanto as coisas lá foram passam em um borrão, meu coração consegue acelerar ainda mais.

Regina troca as marchas quando nos aproximamos do fim da reta. Seu carro já está quase grudado no de Zelena. A curva que fazemos volta a jogar meu corpo para direita, porém dessa vez, consigo manter meus olhos aberto. Estou apreensiva para fazermos a ultrapassagem, mas o carro de Zelena é tão veloz quanto o nosso, então ela não facilita.

— Ela é boa. – Meu comentário sai quase gritado, devido a música alta.

— Sim é ela é. – Regina também quase berra.

Quando alcançamos a reta, a Srta. Mills aproveita-se o máximo possível da ajuda do vácuo, cola o carro no da irmã, e então o coloca para o lado, para fazer a ultrapassagem. Ela volta a trocar de marchas e acelera ainda mais.

— Mas eu sou melhor. – Fala com seu ar superior, seu jeito Regina Poderosa Mills, de ser, ao ultrapassar.

— YEAAAAH!!! – Levanto os braços para comemorar o feito. – Você não é páreo para nós, Zelena Mills, perdedora!!! – Extravaso e faço Regina rir.

— E o seu medo? – Questiona comigo.

— Está aqui comigo, porém confiando em você, como você pediu. – Falo. – Eu rio na cara do perigo, Srta. Mills. – Lhe falo o que ela me falou quando estávamos em Las Vegas, no parque de diversões que ela classificou com Kamikaze. Ela ri ao ouvir tal coisa.

— Nós rimos na cara do perigo, Srta. Swan! – Responde o que eu lhe respondi naquela ocasião.

— Não quero acreditar mesmo que estamos a quase 440 km/h. – Falo assustada ao olhar para o velocímetro.

— Acredite, pois nós estamos. – Só de pensar sobre e imaginar o que vai restar de mim, caso batamos o carro, sinto vontade de fechar os olhos novamente. Porém sigo firme.

— Gosto dessa música que lhe faz pensar em mim, a propósito. – Resolvo tentar esquecer a velocidade, ou pelo menos, deixa-la um pouco de lado.

— Eu também gosto.

— Não sabia sobre isso de você ouvir músicas pensando em mim. – Me dá de ombros.

— Tem muitas coisas que você não sabe, Srta. Swan, nem por isso deixam de ser. – Okay, penso um pouco a respeito dessa resposta um tanto quanto enigmática.

— A respeito do que, exatamente? – Indago.

— A respeito dos meus sentimentos por você. – Dessa vez ela consegue. Minhas borboletas não estão mais agitadas apenas pelo motivo de velocidade e medo da morte.

— E que coisas seriam essas? – Questiono com curiosidade. Na verdade, gostaria que existisse um jeito de entrar na mente dela, só para saber tudo que ela pensa a meu respeito.

— Um dia eu te conto. – É o que me responde. Aparentemente se diverte com minha curiosidade. – Agora preste atenção na corrida e aproveite essa viagem, com a melhor piloto que um dia você conheceu. – Bom, como eu sei que de nada adianta insistir, minha única alternativa é fazer o que me foi sugerido.

— Chupa essa, Ana Steele, seu cara pode entender de pilotar aviões, mas Regina Mills não fica nada atrás. É praticamente uma piloto automotiva, além de ser completamente real. Além também de fazer minha Deus interior chorar rios de lavar minhas calcinhas. – Meu comentário a faz rir e balançar a cabeça negativamente.

— Definitivamente, você é absurda, Srta. Swan. – É o elogio que me faz, antes de voltar a se concentrar na corrida...

Empire State Building, seus intermináveis 142 andares, suas incontáveis luzes, sua arquitetura, toda sua história, os vários filmes dos quais fez parte. Tudo, exatamente tudo, me encanta nesse lugar. E se eu já o amava antes, só vendo fotos, ao conhece-lo, ao pôr os pés para dentro dele, eu consigo amar ainda mais.

Por mim teríamos ficado apenas no Lobby, eu passaria um dia ali, só admirando toda aquela arte, lendo sobre cada monumento, cada quadro, cada história presente ali. Okay, eu sou de Vegas, já vi coisas muito bonitas por lá, mas desse jeito, desse jeito eu nunca vi nada. O Empire State faz parte da história de Nova York. Não existe Nova York sem esse arranha-céu, não mesmo. Aliás, o Empire State faz parte da história dos Estados Unidos, parte da história da arte.

Infelizmente depois de me explicar e contar várias curiosidades com toda a paciência do mundo, Zelena praticamente teve que me arrastar para o elevador, para que subíssemos até o 86º andar, onde fica um dos observatórios.

Para quem está se perguntando sobre Regina, ela ficou no carro, falando ao telefone com sua agradável mãe. Disse que nos encontraria depois. Mas tenho certeza que Cora não foi o único motivo por não ter se juntado a nós naquele momento. Como todas sabem, a partir do momento em que sermos vistas juntas, muitas conversas e fofocas irão surgir, então com certeza evitar tal acontecimento, também foi um dos motivos para a Srta. Mills não ter se juntado a nós.

Enfim, aqui estamos, no observatório do 86º andar. Na parte descoberta, onde bate um vento do cão e faz um frio de congelar até a alma, porém graças ao casaco de frio intenso que Regina me deu, junto com um par de luvas, e uma echarpe de lã, eu até que estou conseguindo enfrentar bem esse evento chamado inverno nova-iorquino.

— Lá fica o Central Park. – Zelena aponta com o dedo, tentando me mostrar o lugar. – Está vendo? – A verdade é que não vejo muita coisa. Apesar da noite estar limpa, não tem como enxergar qualquer coisa muito bem a longo alcance e no escuro.

— Mais ou menos, mas estou. – Ela ri da minha sinceridade.

— A Estátua da Liberdade você conseguiu ver, certo? – A Estátua da Liberdade está do outro lado. Foi a primeira coisa que me mostrou. E sim, a Estátua eu vi bem.

— Sim. A Estátua eu vi.

— Quando você se mudar com a sua filha, vamos pegar o Helicóptero da empresa e sobrevoar a cidade. – Fala com empolgação.

— Você é mesmo irmã de Regina Mills. Tão exagerada quanto. – Ela ri.

— A ideia foi de Regina, mas a convenci a esperarmos por Janis. – Como sei que Janis vai amar a ideia e que serei voto vencido, resolvo apenas concordar.

— Janis vai ficar enlouquecida com esse lugar. – Sorrio ao pensar na reação que minha filha terá. – Vou passar trabalho tendo Regina e todo dinheiro envolvido, perto de Janis. – Confidencio. – Quer dizer, sua irmã não tem muita noção sobre realidade. Se eu não cuidar, ela dá a Beyoncé de presente para Janis. – Minhas lamentações fazem a ruiva rir.

— Não prive sua filha do conforto que minha irmã pode lhe dar. E não leve Regina a mal por querer fazer isso. – Agora me olha de um jeito sério, quase com pesar. – Afinal, ela teria uma pessoinha um pouco mais velha que a sua, caso não tivesse acontecido tudo que aconteceu. – Lamenta-se.

— É eu sei. Acredito que ela pense a respeito, quando olha para Janis. Acredito que um pouco do carinho que tem por ela, seja pensando na criança que não teve. Mas eu preciso impor limites, toda criança precisa de limites. Janis não pode de jeito algum, acha que pode tudo. – Exponho meu ponto de vista. A ruiva ri.

— Prevejo muitas discussões sobre o tópico: você não deveria ter dado isso a ela. – Sim, está debochando da nossa cara. E sim, está certa em tal previsão. – Só tenha em mente uma coisa: minha irmã não faria nada que pudesse prejudicar sua filha. Tenha certeza disso. – Concordo com a cabeça. – E se mudem logo. Estou louca de curiosidade para conhecer minha sobrinha. – Me faz sorrir ao chamar minha filha de sobrinha.

— Algo me diz que vocês vão se dar muito bem, obrigada!

— Algo me diz que se deixarmos as duas conviverem muito, Zelena vai transformar Janis em uma mini socialite, aí sim você vai ver o que é ostentação, Srta. Swan. – Para a felicidade do meu coração e dos meus olhos, Regina Mills está de volta. Caminha até nós e põe-se ao meu lado. Diferente de mim, o frio não a faz encolher-se. Tenho dúvidas até se ela o sente.

— Se você fazer isso, cara futura cunhada, pode esquecer qualquer explicação sobre sexo sujo. – Lhe ameaço. Ela ri.

— Pegou pesado. – É o que me fala.

— Eu estou falando sério. – Advirto. – Por favor, deixem minha filha continuar sendo a moleca que ela é. Não queiram transforma-la em uma mini adulta. Nada de roupas espalhafatosas, nem adultas. Nada de laços gigantes na cabeça, sapatos com saltinhos, marcas estampadas. Nada de nada, estão ouvindo? – Elas estão rindo.

— Olhe para a minha cara, Srta. Swan, tenho cara de Kardashian? – Regina Mills está se divertindo.

— Não você não tem. – Nem cara, nem jeito, nem nada. Regina é infinitamente mais reservada, começamos por esse ponto.

— Ótimo. – Está satisfeita com a resposta.

— Eu muito menos. – Zelena se defende. – Tenho muito mais classe. Mais elegância. Mais glamour. Não faço da minha vida um reality show, algo que as pessoas possam debater por aí. Dá licença, meu amor. – Acabo tendo que rir. Aparentemente elas têm uma rixa contra as Kardashians.

— Por que vocês não gostam delas? – Regina dá de ombros.

— Não é que não gostemos. Apenas, não nos compare. – Pede enquanto ajeita minha echarpe. – Nós temos mais classe, muito, muito mais classe. Então não, não se preocupe sobre queremos transformar Janis em uma Kardashian. Janis vai ser uma Mills e se portar como tal. – Apesar do Swan ter sido completamente excluído do assunto, não posso dizer que meu coração bobo não reage ao que acabou de ouvir. Regina Mills dando seu sobrenome a minha filha. Falando com orgulho sobre tal coisa, isso é, wow, mais, muitos mais do que meus sonhos coloridos um dia imaginaram.

— Que Janis seja uma Mills, então. Sem nunca esquecer de ser Swan. – Falo tal coisas olhando nos olhos da minha futura esposa.

— Sem nunca esquecer de ser Swan. – Repete. – Acima de qualquer outra coisa, uma Swan é o que ela continuará sendo. – Sua frase sai em tom de promessa e me faz sorrir.

— Okay então. – Concordo. – Agora que vocês acrescentaram uma nova integrante ao clã Mills, me tirem uma dúvida, pelo menos vocês preferem Kris Jenner a Cora Mills, certo? – Para minha surpresa, elas pensam a respeito.

— Eu não tenho plena certeza. – É Zelena quem começa.

— Bom, eu prefiro qualquer pessoa a Cora. – Regina continua. – Mas Kris Jenner com certeza passa longe de ser a melhor pessoa do mundo.

— Pelo menos mamãe nunca quis vender nossos dramas familiares para nenhum canal de televisão. – Zelena continua pensando sobre.

— Pelo menos isso. – Regina concorda.

— Acredito que ela se importe tanto com as filhas, quanto nossa mãe. – A ruiva está filosofando. – Uma é popular, a outra anônima, em comum elas têm dinheiro, e as várias coisas erradas, que fazem para tê-lo. – Finaliza sua opinião.

— É, eu preciso concordar com você. – A Srta. Mills sorri satisfeita ao ajeitar minha echarpe do jeito que lhe agrada.

— Eu gosto das Kardashians e das Jenners, não me façam parar de gostar delas. – Reclamo com elas.

— Você gosta de mim, Srta. Swan. Pelo resto das pessoas você tem no máximo, uma pequena admiração. – É o que Regina e sua falta de modéstia me falam.

— Estamos convencidas hoje? – Me volto para ela e penduro meus braços em seu pescoço.

— Estamos apenas sendo verdadeiras. – Responde ao envolver minha cintura em seus braços.

— Eu não gosto de você, eu amo você! – A corrijo. – O resto das pessoas eu no máximo, gosto. – Minha resposta a faz sorrir, não só com os lábios, mas também com os olhos que brilham para mim. Superando qualquer expectativa que eu não estava nem tendo e ignorando completamente a presença da irmã, ela junta aos lábios aos meus.

— Essa é minha deixa. – Ouço Zelena murmurar, o que nos faz rir.

— Eu também amo a sua irmã. – Sussurro sobre a boca de Regina, que para de me beijar e me encara.

— Não seja gulosa, Srta. Swan. – Se faz de ofendida. – Contente-se com uma única Mills.

— Eu estou contente, muito contente, feliz e saltitante com a minha única Mills. – Declaro. – Tão feliz que não troco por nada nem por ninguém. – Continuo. – Mas estou feliz por termos Zelena. Quer dizer, eu estou conhecendo ela de verdade hoje, mas sei lá. – Dou de ombros. – Sinto que temos uma aliada. Mais do que isso, temos uma amiga. Sua irmã te ama, Regina. – Minha conclusão a faz sorrir.

— Eu sei. Temos nossas desavenças, nossas discordâncias, mas do nosso jeito torto, tentamos proteger e cuidar uma da outra. – Conta.

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— Que bom que você tem ela e que ela tem você. – Concorda com a cabeça.

— Sim, isso me deixa feliz. – Me sorri. – Então, o que achou da vista. – Aponta com a cabeça para as luzes da cidade. Claro que sendo ela Regina Mills, a mulher que morre de medo de altura, está a uma distância bem considerável do parapeito.

— É lindo. Não só à vista, como todo o arranha-céu. Esse lugar é maravilhoso. – Declaro meu amor.

— Você viu o Central Park? – Assim como sua irmã fez minutos antes, ela aponta com o dedo para o lugar.

— Ver, ver, assim veeer, eu não vi, mas vejo onde fica. – Explico. Ela ri.

— Amanhã durante o dia passaremos por lá, para que você possa ver, ver, veeer. – É o que me fala.

— De todos os pontos turísticos, qual o seu preferido? – Ela pensa um pouco a respeito.

— EU gosto da Broadway. – Aponta de novo, me mostrando onde fica o lugar. – E do Central Park. Na primavera, verão e outono, para sentar debaixo de uma arvore ou sobre um banco e ler um livro. No inverno para admirar toda a neve, os lagos congelados, o quão diferente fica aquele lugar. – Ao falar sobre, ela me deixa com muita vontade de ir até lá conhecer.

— Você vai muito até lá? – Lhe questiono.

— Já frequentei muito, muito mesmo. Mas nos últimos anos se frequentei cinco vezes, foi muito. – Conta.

— Promete que quando eu me mudar, você não vai ficar só atolada em trabalho? – Lhe peço.

— Prometo. – Seu indicador cutuca meu nariz. – Mas não posso lhe prometer programas ao ar livre. Nem nada que envolva muitas pessoas. – Concordo com o termo.

— Tudo bem, eu não me importo. Eu não preciso que você torne isso público, Regina. De verdade. Eu só quero estar lá, quando você chegar em casa. Ou só quero que você esteja lá, quando eu chegar em casa. Sua cumplicidade, isso me basta. – Segura meu rosto entre suas mãos, e deposita um beijo casto sobre meus lábios.

— Você colocou muito açúcar no seu café, Srta. Swan. Essa é a única explicação para estar doce desse jeito. Ainda bem que não sofro de diabetes. – O comentário que faz me faz balançar a cabeça em descrença.

— Impossível tentar sem romântica com você. – Reclamo. – Você é um muro de concreto praticamente impenetrável. – Mostra seus dentes perfeitos em um sorriso largo.

— Como eu disse mais cedo, eu não sou romântica. – Me lembra. – Porém as vezes você me faz falar umas coisas tão bregas, que o muro de concreto quase impenetrável que existe dentro de mim, se sente enojado. – É minha vez de rir.

— Eu ainda vou derrubar todo esse muro, você vai ver só. – Lhe aviso.

— Nos dias de hoje não podemos duvidar de mais nada, Emma. – Emma. Eu já mencionei o quanto fico possuída pelo ritmo ragatanga quando ela me chama pelo primeiro nome? É algo que eu não sei nem explicar, só sei sentir.

— Eu gosto quando você me chama de Emma. – Resolvo verbalizar.

— Eu sei. Vejo em seus olhos. – Me responde.

— Então por que você não deixa a formalidade de lado e me chama sempre assim? – Indago.

— Que formalidade, Srta. Swan? Depois da madrugada de ontem e do começo do nosso dia, você acha mesmo que existe mais alguma formalidade? – Questiona de sobrancelha arqueada. – Eu me acostumei a chama-la de Srta. Swan, por isso continuo chamando assim, porém não tem nada a ver com formalidades. – Explica.

— Okay então. É um pouco estranho quando as vezes na hora do sexo você me chama de Srta. Swan, mas vou fazer o quê? – Dou de ombros.

— O que você sabe fazer muito bem, Srta. Swan. Me fazer gozar. – OKAY! De todas as coisas que eu esperava ouvir dela, essa com toda certeza do mundo, não era uma delas. Fico até momentaneamente sem palavras. Eu sou a pessoa das perversidades, das gracinhas, das indiretas relacionadas a sexo. A boca suja, a que expõe as vontades, o tesão, o desejo. Regina fica com a parte do: contenha-se, Srta. Swan. E agora isso.

— Você falou mesmo o que eu acho que você falou? – Ela ri.

— Você tem alguma dúvida sobre? – Questiona. – Você é realmente muito boa em dar prazer. – Me elogia.

— Eu falei para você sobre isso desde o começo, você quem não quis acreditar. – E tem um monte de gente de prova.

— Eu acreditei, acreditei tanto que levei você para o meu quarto, você quem não quis prosseguir. – Lembra da fatídica noite. Ainda tenho receio de falar sobre, mas não me resta mais dúvida de que qualquer lembrança por ela esquecida, foi sim recuperada.

— Essa foi uma das coisas mais difíceis que eu fiz na vida. – Conto. – Mas graças a isso estamos aqui. Algo me diz que se eu tivesse ido adiante, não estaríamos onde estamos hoje. – Balança a cabeça concordando.

— Provavelmente não estaríamos. Eu sinto muito sobre aquele dia seguinte.

— Não sinta. – Peço. – As coisas foram exatamente do jeito que precisavam ser, para que nos trouxessem até o presente momento. – Opino a respeito. – Aquele dia nos afastou em um primeiro momento, nos magoou. Mas ele foi também nosso ponto de partida. Começamos a nos entender graças a ele. – Gosto tanto do jeito como suas mãos afagam meu rosto. Da proximidade que estamos. Do calor que emana dela. Do seu perfume que invade minhas narinas junto com o ar frio. Do jeito como ela me olha, como me trata.

— Gosto da sua linha de pensamento... – Antes que possa continuar, seu celular avisa que chegaram mensagens, o que a faz tirar as mãos do meu rosto e pegar o telefone no bolso.

— Que mulher disputada em pleno primeiro dia do ano. – Resmungo. – Você tem noção de quantas vezes seu celular tocou só na tarde de hoje? – Me sorri enquanto tem os olhos presos na tela.

— Você achou que era moleza se relacionar com uma milionária, Srta. Swan? – Me provoca. – Hoje ele quase não tocou. Você vai enlouquecer em um dia útil normal. – Continua com os olhos na tela, aparentemente está respondendo quem quer que seja.

— Vou ter que marcar hora para falar com você em um dia normal?

— Dependendo do dia, você vai. – Pelo tom como me responde, tenho medo, muito medo de que esteja falando sério.

— Mesmo sendo eu uma ótima fornecedora de sexo? – Preciso apelar para o que sei fazer de melhor.

— Mesmo sendo você uma ótima fornecedora de sexo. – Afirma sem pestanejar.

— Isso não é justo. – Só não bato o pé para não ser muito infantil.

— O mundo não é justo, Srta. Swan, já ouviu falar? – Questiona de sobrancelhas arqueadas, ao devolver seu celular para o bolso do casaco.

— A noite você não pode trabalhar. – Deveria exigir, mas estou pedindo mesmo.

— Algumas reuniões as vezes vão noite a dentro. – Oh Deus, sim, não tenho mais nenhuma dúvida de que estava mesmo falando sério.

— Você prometeu que não vai ficar só atolada em trabalho. – Concorda com a cabeça.

— O que não significa que não existirão dias que isso venha a acontecer. – Explica com toda calma do mundo. Algo raro de se ver nessa pessoa. – Você tem noção do tamanho da empresa que gerimos? Não temos todo esse dinheiro à toa. – No momento parece uma mãe dando bronca na filha que não quer saber sobre os negócios.

— Para que você quer mais dinheiro, mulher? Você pode comprar o mundo. – Minha última frase a faz rolar os olhos.

— Eu gosto do meu trabalho. Não é exatamente pelo dinheiro, é por prazer. É por fazer coisas grandes, por tudo que essas coisas movimentam. As transações, as negociações. – Sim, pelo jeito como me conta tal coisa, não me resta nenhum tipo de dúvida que ela realmente gosta do que faz.

— Eu não sei se eu gosto do seu trabalho. – Reclamo. No momento estou enciumada. Ela me pega pela cintura, e faz eu me voltar para a vista da cidade. O vento que agora bate de frente, me faz tremer.

— Você gosta dessa vista? – Me questiona, mudando completamente de assunto.

— Claro que eu gosto. Poderia vir aqui todos os dias admirar, e mesmo assim não me cansaria. – A sinto beijar a parte de trás da minha cabeça.

— Então você gosta do meu trabalho. Ou pelo menos, gosta do lugar onde eu trabalho. – É o que? Ela quis mesmo dizer o que acho que ela quis dizer? Para me certificar sobre tal coisa, resolvo deixar a vista da cidade de lado e de novo me volto para ela.

— Como assim, o lugar onde você trabalha?

— Nosso escritório fica aqui, no vigésimo terceiro andar. – Resolve me contar.

— No Empire State? – Afirma com um balançar de cabeça. – O Empire State também é de vocês? – Dessa vez ela nega.

— Não, ele não é nosso. Temos apenas hotéis, esse lugar não é um hotel. Nosso escritório é aqui, apenas isso. – Apenas. Como se trabalhar aqui, fossem algo que envolvesse a palavra apenas.

— Isso significa que eu vou trabalhar aqui também?

— Correto, gênio. – Ignoro sua resposta engraçadinha. Ainda estou impactada com tamanho novidade.

— Por que você não me disse que trabalhava aqui? – Ela dá de ombros.

— Porque você não me perguntou. – Responde como se fosse óbvio e é óbvio, mas no momento eu ainda estou absorvendo.

— Podemos ir até lá, conhecer? – Peço. Ela pondera sobre.

— Podemos, porém não hoje. – É a resposta que me dá.

— Por que não hoje? – Quando eu fico muito empolgada com algo, eu faço mais perguntas do que uma criança.

— Porque seria pouco interessante entrarmos lá hoje, mesmo que Zelena venha a nos acompanhar. – Explica. – Cora não vai ter nenhum pensamento bom, caso resolva assistir aos vídeos das câmeras de segurança. – O que falar sobre minha sogra que eu nem conheço e já desejo o mal? – Amanhã quando todos voltarem ao trabalho, você vem conhecer. – Faz uma espécie de promessa.

— Sua mãe não vai ver os vídeos amanhã? – Agora estou preocupada.

— Eu nem sei se ela vê os vídeos, Srta. Swan. Só não quero arriscar. Mas caso ela veja, você estará visitando em horário comercial, o que torna qualquer explicação muito menos complicada. – Concordo com a cabeça. – Mais alguma dúvida? – Afirmo.

— Esse lugar aqui, onde eu tenho certeza que virei muitas vezes para espairecer e para tentar não reclamar muito sobre seu trabalho, é sempre assim tão vazio? – Ri e nega.

— Não, ele não. É sempre muito cheio. – Esclarece.

— E onde estão as pessoas então? Já estamos um tempo aqui, e não vi nenhuma alma viva. Além da minha, da sua e a da sua irmã.

— Não viu e nem vai ver. – É o que me responde. – Hoje esse lugar é só nosso, então eu sugiro que aproveite. Não é sempre que vai acontecer. – Junto as sobrancelhas, sem entender o que quer me dizer.

— Como assim só nosso?

— Como assim só nosso? – Suas mãos me puxam pela cintura. Sua cabeça se aconchega entre meu pescoço e ombro. – Digamos que eu paguei para isso. – Conta. – Comprei algumas horas para termos as plataformas só para nós. – Ela o quê? Eu deveria brigar com ela, não deveria? Com certeza esse aluguel não custou nada, nada barato. Então sim, eu deveria. Mas por outro lado, sei que esse foi o jeito que encontrou de estar em um lugar “publico” comigo. Abraçada a mim, trocando carinho comigo e até me beijando, então não, eu não posso brigar com ela por esse motivo.

— Depois eu quem sou absurda. – É tudo que posso responder.

— Não fique brava, pequeno pinscher. – É o que me pede.

— E tem como ficar brava? – É o que respondo. – O que eu faço com você, Srta. Mills? – Aparentemente sem vontade, levanta a cabeça e se desencosta de mim.

— Jantar, se quer fazer algo comigo, eu sugiro jantar.

— E o que acontece com o dinheiro que você gastou com as horas que comprou, caso saiamos para jantar? – Questiona.

— Não sairemos para jantar. – Explica. – Vamos apenas pegar o elevador e subir até a plataforma do 102º andar, onde o jantar já está nos esperando. – Incrédula, olho para ela com incredulidade. Não existe nenhum restaurante no 102º andar, ou seja, Regina mandou improvisar um, ou algo do tipo.

— Você não fez isso. – Murmuro. – Você é louca, louquinha. – Lhe acuso, ela sorri.

— Isso significa que não vai jantar comigo? – Questiona.

— Isso significa que eu quero jantar com você por todas as noites da minha vida. – Respondo. – Não exatamente nesse lugar. – Faço uma ressalva. – Nada que envolva muito dinheiro. Um cachorro quente de três dólares já estará de bom tamanho. Eu só quero mesmo que envolva você.

— Cachorro quente de três dólares. Anotado mentalmente. – Continua sorrindo. – Você se importa de termos algo mais elaborado para o jantar de hoje? – Nego.

— Nem um pouco.

— E se importa de tomarmos algumas taças de Veuve Clicqout, durante o jantar? – Balanço a cabeça negativamente, tentando reprovar o comportamento dela e tentando também não rir.

— Você não vai me corromper, Regina Mills. – Aviso, o que a faz levantar os braços em sinal de inocência que eu sei que ela não tem.

— Não estou tentando corrompe-la, Srta. Swan. Porém, como não pudemos brindar o ano novo na noite de ontem, acho que seria digno fazermos tal coisa hoje. – Cara de pau, ela é muito cara de pau. – Vamos brindar o ano novo, com Nova York aos nossos pés. – Okay, estaria mentindo se falasse que não gosto dessa ideia. Do lugar fechado só para nós, do jantar e da minha espumante preferida, o que não me impede de também achar um tanto demais.

— Quero só ver o que vai ser de mim, caso você me vicie nos seus gostos por bebidas, comidas e lugares que só pessoas ricas/milionárias, tem acesso. – Ela ri.

— Pobre, Emma! O que são todos os problemas do mundo, perto desse problemão? – Debocha.

— Quando você quer, você sabe como ser desagradável. – Reclamo.

— Meu amor, fique comigo e você nunca vai ter que se preocupar com algo relacionado a dinheiro. – Ao ouvir tal coisa, me sinto na obrigação de fazer de conta que eu vou vomitar.

— De todos os motivos que eu tenho para querer ficar com você, Srta. Mills, seu dinheiro não é um deles. – Resolvo esclarecer.

— Eu sei que não. Mas eu o tenho, então não tem porque não aproveitarmos. – Resolvo que para não discutirmos, não vou entrar no assunto.

— Depois de amanhã, quando formos a Las Vegas, eu quem vou te levar para jantar, e isso inclui pagar por tal coisa. – Aviso. – E você vai ver que não é preciso muito dinheiro para ser feliz. – Concluo. Ela beija meus lábios e então volta a ajeitar minha echarpe.

— Eu tenho plena convicção disso, Srta. Swan. Não se trata do quanto de dinheiro você tem ou deixa de ter. Se trata de pessoas. De quem você tem com você. Com quem você gostaria de gastar tudo o que tem. Para quem você pode contar todos os seus medos, seus pesadelos e dividir seus sonhos. – Para o que está fazendo e me olha nos olhos. – Quem conhece você, exatamente do jeito que você é, com todos os seus erros e defeitos e mesmo assim, ao invés de correr para longe, fica. – Ela me sorri. — Eu estava quebrada. Tão quebrada que nem juntando todo o dinheiro que eu tenho, com o dinheiro do resto do mundo, seria possível me consertar. – Cutuca meu nariz. – Aí me apareceu você. Com seu pouco dinheiro, com uma felicidade irritante, e uma leveza que eu não tenho nem como explicar. – Seus elogios me fazem sorrir bobamente. – Eu não sei como ou quando aconteceu, mas eu que há muito não sonhava, agora ando sonhando até acordada, Srta. Swan. – As minhas borboletas, as minhas borboletas elas estão eufóricas. E o meu coração ouvindo isso tudo, ele bate tão forte, que provavelmente é possível ouvi-lo. – Não será o meu dinheiro a nos fazer feliz, eu sei que não. O que não significa que ele não pode nos dar conforto. Você mesma me disse, mesmo que exageradamente, que eu tenho dinheiro para comprar o mundo. Então me deixe fazer isso, me deixe usar o meu dinheiro com as pessoas que eu gosto. – Depois de ouvir todas essas sentimentalidades saindo da boca de Regina Mills, no exato momento se ela quiser que eu nade com ela em uma piscina cheia de 100 dólares, vou nadar sem problema algum.

— Eu não estou com você por causa do seu dinheiro. – Esse é o ponto. É exatamente aí, que está o meu medo.

— Eu sei que não.

— Promete que nunca vai esquecer? – Afirma com a cabeça.

— Prometo que eu nunca vou esquecer. – Me dá sua palavra.

— Tá bom então. – Solto com o ar, me dando por vencida. – Vou tentar me irritar menos com você, quando você gastar muito do seu dinheiro comigo e com a minha filha. – Ela me sorri, então junta os lábios aos meus.

— Eu agradeço por isso.

— Mas não exagere. – Peço.

— Sem exageros, prometo. – Levanta a mão, fazendo a promessa. – Nada de dar a Beyoncé de presente para Janis. – Ao falar tal coisa, me faz concluir que ouviu parte da minha conversa com Zelena.

— Nada de Beyoncé para Janis. – Concordo. – Mas se quiser me dar a Lady Gaga, eu aceito. – Ela ri e me puxa pela mão.

— Vou pensar a respeito. – É o que me responde. – Mas no momento, se contente com o Empire State só para você, junto com o jantar e a espumante.

— Você está esquecendo o principal. – Paro de andar e a puxo pela cintura, a trazendo para mim.

— Que seria? – Questiona de sobrancelhas arqueadas. Prende os braços em meu pescoço.

— Você, Srta. Mills. Com Empire State, ou sem Empire State. Com jantares caros, ou com um cachorro quente ali da esquina. Com garrafas de espumantes caras, ou com água da torneira. Com Lady Gaga, ou com Killian perfomando, todas essas coisas só vão me deixar feliz, só vão fazer sentindo se você estiver comigo, para me acompanhar. – Seus olhos me dizem muito, me dizem tanto, que sua boca, incapaz de me falar certas coisas, não me incomoda.

— Eu vou beijar você agora. – É o que me fala.

— Um beijo romântico, no 86º andar do Empire State, com a cidade aos nossos pés, em pleno primeiro dia do ano. Nem no meu melhor sonho de princesa, isso poderia ser melhor. – Sua resposta é um sorriso lindo, logo seguido pelo beijo do qual falou.

Deus! Eu não poderia estar mais feliz. Sei que é primeiro dia de um ano que será no mínimo complicado, assim como sei que é com essa pessoa que eu quero estar pelo resto dos meus dias. Então por favor, em casos de irritação estrema, de cansaço, de magoa ou chateação, me lembre dessa noite, me lembre do sorriso dela, me lembre de como ela me beijou, me lembre de tudo que seus olhos falaram aos meus e então me lembre de nunca cogitar a possibilidade de perdê-la. Amém!

Notas finais
É isso, meu povo! Pelo menos por hoje. No próximo as coisas começam a esquentar. Regina vai para Las Vegas enfrentar a Tinker, os pais da Emma e o ex dela. Então, conto com o review de vocês para voltar logo, combinado? Beijos e boa semana!!!