Notas iniciais
Oiiiie, gente linda! Como vocês estão? Eu também estou bem, obrigada! Tá dando certo esse negócio do lápis né? Voltei em pouco tempo, e de novo com o maior capítulo da fanfic. Na verdade, ele ficou tão grande que decidi dividir, porque senão quase daria para concorrer com a bíblia. Então nessa primeira parte, nós vamos conhecer os pais da Emma, e amor da Regina por bolos. Na outra parte, tem a Tinker e a Janis. Quero agradecer a todas as meninas por aqui e deixaram seus comentário. Muito obrigada mesmo, mesmo, de coração. Vocês são foda! Obrigada, obrigada e obrigada! Obrigada também a quem indicou, quem favoritou, quem pegou o barco andando, e mais uma vez, a quem não desistiu. E acho que é isso. Ah, a parte que estiver em itálico, é flashback, talquei?

Tinha tudo, tudo mesmo, para ser um bom dia, um ótimo dia, um excelente dia. Não sei nem dizer se dormi, ou se dormi muito, já que tive outra noite intensa de sexo. Enfim, o fato é que se dormi, acordei muito bem, obrigada. Mais uma vez, em um reduzido espaço na cama. Mais uma, vez com o braço da Srta. Swan em volta do meu corpo. Por último, mas não menos importante, mais uma vez com mais sexo ao “despertar”, só que dessa vez, com a porta do quarto devidamente trancada. Não bastasse tudo isso, Emma ainda foi parar debaixo do chuveiro, junto comigo.

Não sei se por um acontecimento específico, ou se pôr a junção de todos, eu cheguei mais de uma hora atrasada no trabalho.

Atrasada e de muito bom humor, do tipo irritante de bom humor, desses que deseja bom dia para todo mundo que encontra pelo caminho, que agradece a secretária pelo café que ela lhe trouxe, que além de agradecer, sorri para ela e lhe deseja bom dia. Desse tipo que assusta todos a sua volta, já que nunca te viram assim, portanto não são de forma alguma, acostumados com seu irritante bom humor.

Quis dizer para todos, gritar para todos: transem, tenham orgasmos, salvem o mundo. Porém devido as circunstâncias, não pude sequer abrir a boca para falar a respeito das maravilhas que duas mulheres podem fazer nuas.

Durante o tempo em que passei no escritório, minha mente me levou algumas vezes de volta a madrugada, as caricias, aos olhares, as palavras sujas, as vulgaridades, que troquei com a Srta. Swan. Mais uma vez tive o corpo marcado, muito marcado pela sua falta de sutileza quando provocada. Só que dessa vez, em partes só visíveis para ela, já que é a única a me ver sem roupas.

Ri sozinha algumas vezes, imaginando a reação de Cora, caso pudesse ver os hematomas que Emma, me deixou. Me questionei o que minha mãe faria comigo, caso soubesse que estou me tornando a vadia obediente, suja e vulgar, de uma outra mulher, que até pouco tempo atrás, era uma prostituta.

Concluí mais uma vez que eu estou muito, muito, terrivelmente, ferrada. Porque não é só o sexo, não, vai muito além disso. É pele pós-sexo também. Pelo jeito carinhoso como seus olhos me olham, pelas coisas que eles me dizem, pelo jeito como me vejo refletida lá. É pelo jeito como seus braços me aninham, me seguram, me protegem. É pelos sorrisos bobos e apaixonados que me dá, e que me contagiam. É pela voz preguiçosa, baixa e terna, que me faz rir pelas suas bobagens, ou me faz suspirar pelo seu romantismo brega. E por falar em brega, cá estou eu, sendo brega. Enfim, o fato é que não é só pelo sexo. É pelo conjunto, é pela menina, e pela mulher. É pela pessoa que além de me despir o corpo, me despe a alma. E para não continuar sendo brega, termino aqui tal explicação.

Como falei anteriormente, querido, asqueroso, horroroso, Leão, era para ser um excelente dia. Era. Não foi. Se fosse, eu não estaria aqui, falando com você, um réptil multicolorido, provavelmente gelado e pegajoso, que Janis resolveu ter como animal de estimação.

Enfim, tudo começou a desandar quando pegamos o avião com destino a Las Vegas...

Flashback

— Você sabe que não precisa participar disso. Pode esperar no carro, e deixar que Zelena e eu, resolvamos tudo. – Falei a Srta. Swan, que junto comigo e minha irmã, estava diante da porta da casa dos pais, esperando para que alguém viesse nos atender.

No avião, decidimos que ali seria a nossa primeira parada, e desde então, ela ficou mais quieta, o olhar muitas vezes vago, a atenção longe. Tentei conversar, puxar assunto sobre, mas não obtive muito êxito. Se tem um tópico do qual ela foge, esse tópico são seus pais.

Pelo que consigo entender, não falar sobre, fazer de conta que os mesmos nunca existiram, fazer de conta não lembrar do que eles lhe fizeram, foi o jeito que ela encontrou para não sofrer, ou para sofrer menos. Sabemos que de certo modo, funciona, até é claro, alguém tocar no assunto.

Só que hoje foi um pouco pior do que só tocar no assunto, fomos além do “só tocar no assunto”, estávamos lá, paradas em frente à porta do assunto, esperando pelos mesmo.

Não sabia qual era o seu plano, o real motivo de estar lá. Não sei se queria confronta-los, encara-los, questiona-los, o fato é que queria estar.

— Vou encarar. – Foi o que me respondeu, seus olhos fixos na porta.

— Por quê? – Precisei lhe questionar. – Por que está aqui, se pode evitar? – Ela suspirou, então me encarou. Estava tão nervosa com a situação, que seu rosto estava pálido, os lábios sem cor. A impressão que tinha é que ela podia desmaiar a qualquer momento.

— Porque eu quero mostrar a eles que eu sou uma sobrevivente. – Me respondeu. – Que eu dei meu jeito, que sobrevivi durante todos esses anos, sem ceder as chantagens deles. – Ganhei a minha explicação. Lhe esbocei um sorriso e balancei a cabeça concordando.

— Você é uma sobrevivente. – Repeti. – Eu tenho muito orgulho de você. De toda a sua história. Da pessoa que você é. De toda sua trajetória, Emma! – Minhas palavras arrancaram dela um meio sorriso.

— E eu sou alguém que vai precisar de um médico para me tratar de diabetes. – Foi o que minha desagradável irmã murmurou. E o que eu fiz de conta não ouvir. Já a Srta. Swan, provavelmente não ouviu mesmo.

— Respire fundo, erga a cabeça e encare. – Lhe sugeri. – De cabeça erguida, mostre a eles a mulher fantástica que você se tornou. – Ela voltou a me sorrir e até abriu a boca para me falar alguma coisa, mas o barulho de alguém na porta, a fez travar. Segundos depois, uma mulher abriu a mesma.

Alguém na casa dos seus quarenta e poucos anos. Magra, estatura mediana, os cabelos curtos e escuros, olhos azuis, um semblante cansado. Zelena foi a primeira pessoa por quem passou os olhos, em seguida veio eu, então ela encontrou com a Srta. Swan.

Ao fazer tal coisa, seus olhos cresceram, talvez descrentes, assustados, incrédulos, ou um misto de todas essas coisas. Olhava para Emma, como se de repente, estivesse vendo um fantasma. Lágrimas represaram em seus olhos claros. A mulher levou a mão ao peito e balançou a cabeça negativamente, como se não pudesse acreditar no que estava vendo.

— Emma! – Exclamou. A voz falha, porém, emocionada. Deixou algumas lágrimas escaparem e rapidamente passou as mãos pelo rosto, para tira-las de lá.

— Mãe. – Emma estava estática, seu rosto conseguiu ficar mais pálido do que já estava. Como se de repente, ela também estivesse diante de um fantasma. Também tinham lágrimas represadas em seus olhos, mas ao contrário da mãe, ela conseguiu evitar de que as mesmas fugissem dos olhos. E ao contrário da mãe, não tinha nem um pingo de emoção, ou qualquer outro tipo sentimento em seu tom de voz.

Um silêncio chato e perturbador, fez-se presente enquanto as duas se encaravam. Uma um tanto perdida, provavelmente sem saber o que fazer ou o que dizer, ou como reagir diante a surpresa que bateu em sua porta. Outra por estar chateada demais, magoada demais, ferida demais para poder dizer qualquer tipo de coisa.

Como já falei, não sei quase nada sobre a história de Emma com seus pais. Tudo o que sei se resume à noite em que eu estava muito bêbada, e ao primeiro dia do ano, quando ela sentou-se ao piano e nos contou um pouco do passado. Porém, sei o suficiente para dizer que seus pais lhe fizeram muito mal. Mal físico e psicológico. Mal que de certa forma, levou ela a prostituição, e todo o pacote de coisas ruins, que a profissão oferece. Sem falar sobre o fato de deixa-la desabrigada, com uma criança recém-nascida nos braços.

Mas o fato é que eu esperava ver outra mulher, na verdade, esperava que quando abrisse a porta, eu fosse encontrar com alguém sem sentimentos, e agora estou um pouco perdida. Posso dizer que eu conheço bem as pessoas, sei quando estão tentando me enganar, me passar para trás. Quando estão fingindo, atuando e coisas do gênero, e a mãe de Emma, ela definitivamente não estava. Ela estava de fato emocionada, feliz, de ver a filha lá, diante de si.

— Eu senti tanto a sua falta. – Quebrou o silêncio. Fez isso com uma frase infeliz, devo acrescentar. Quem sente falta vai atrás, certo? Não duvido que ela tenha mesmo sentido, não tem porque fingir sobre, mas só sentir não vale de nada. Só sentir não vai fazer a outra pessoa sentir-se menos chateada, menos magoada. Só sentir não vai fazer com que a outra saiba que a falta realmente aconteceu. Se você não faz nada a respeito, sentir ou não sentir, acaba dando no mesmo. – Meu Deus! Olha só para você. – Continuava olhando para filha com incredulidade. — Você está uma mulher feita. – Por breve frações de segundos, sua mão tocou o rosto da filha, que quase instantaneamente, repeliu tal ato, tirando a mão da mãe de lá e dando um passo para trás, o que faz a mulher recuar.

— Zelena Mills! – Minha irmã resolveu interferir. Se apresentou e estendeu a mão para a mulher, que um tanto triste por ter seu toque repelido, tirou os olhos da Srta. Swan e deu atenção para Zelena.

— Mary Margaret. – Cumprimentou Zelena com uma mão, enquanto a outra livra-se de mais lágrimas que deixou cair.

— Essa é minha irmã, Regina Mills. – Me apresentou. Diferente da minha irmã, não lhe sorri, não lhe fui simpática, não nada. Apenas lhe estendi a mão e lhe olhei nos olhos, tentando entender algumas coisas, e lhe cobrando outras. Por quê? Se meus olhos pudessem falar, era isso que teriam lhe perguntado. Algo como tristeza, vergonha, talvez arrependimento, essas foram a respostas que seus olhos me deram.

— Sra. Swan, temos alguns assuntos para tratar com a senhora e com seu marido. – Resolvi ir direto ao assunto, até porque devido as circunstancias, ser cortes, entrar, jogar conversa fora, e tomar uma xícara de café, não condiziam nada com a situação. Ao ouvir tal coisa, os olhos dela procuraram por Emma.

— Aconteceu alguma coisa? – Lhe questionou. Talvez um pouco preocupada.

— Desde que vocês me expulsaram? – Usou de ironia. – Aconteceram várias coisas, mas tenho certeza que você não aguentaria ouvir nem a metade da metade e se manter de pé. – Foi a resposta que deu a mãe.

— Emma... – Tentou, mas foi impedida antes que pudesse começar de fato.

— Sem Emma. Sem “senti tanto sua falta”. Sem “você está uma mulher feita”. Sem falsidades, Okay? – Exigiu. Seu tom de voz continuava apático. — Nós só viemos resolver algumas coisas e pronto. Nos deixe entrar, ouça o que tem para ouvir, concorde e fim. É o que viemos fazer aqui, sem jogar conversar fora. – A negativa da filha, fez a mulher suspirar e balançar a cabeça negativamente. Até abriu a boca ensaiou algumas coisas para falar, mas por fim acabou desistindo. Abriu toda a porta atrás de si, e estende a mão, nos convidando para entrar.

Zelena tomou frente, seguida da Srta. Swan. Eu fiquei por último. Fiz questão de mais uma vez olhar a mulher nos olhos, de novo com cara de reprovação. Só depois disso foi que passei por ela.

Ao entrar, quase tropecei em um dos muitos brinquedos espalhados pelo chão de madeira.

— Anna! – Escutei a mulher resmungar atrás de mim. – Não sei quem ser Anna, mas sei que põe “armadilhas” na casa.

Bom, minha atenção logo foi capturada por um cheiro tão bom de baunilha com canela e mais alguma coisa, que provavelmente vinha da cozinha, que pensei que a ideia da xícara de café, junto com um pedaço do que quer que fosse que tivesse aquele cheiro, não seria de forma alguma, má ideia.

Para não correr o risco de ser enfeitiçada e acabar indo parar na cozinha, resolvi tentar esquecer o cheiro e prestar atenção em outras coisas. A TV da sala era dessas antigas, nada de plasma, nada de LCD, nada de led, e nada de muitas polegadas. Uma TV de tubo, do tipo que eu pensei que nem existisse mais. Dá mesma, vinha o som de alguma música gospel.

O sofá que ficava do lado oposto da TV, era azul marinho em um tom desbotado. Atrás do mesmo, uma cortina floral, cobria a janela. Alguns quadros com algumas passagens bíblicas, enfeitavam as paredes e antes que eu pudesse fazer mais alguma observação, quando olhei na direção das escadas, vi um monstro enorme, cheio de pelos, parado em frente a elas.

Um piscar de olhos, em um piscar de olhos, o monstro gigante já não estava mais no mesmo lugar, ele estava correndo em nossa direção. Como não tinha mais tempo para correr, e gritar por ajuda seria vergonhoso e deselegante, fixei bem as plantas dos pés no chão, e esperei o cão vir me atacar, porém para minha felicidade, o alvo foi Emma, e não era nenhum ataque, na verdade, até era, mas era um ataque de carinho e saudades.

— Tequila!!! – Demorei alguns segundos para entender que Tequila era o nome do cão que levou a Srta. Swan ao chão. – Meu Deus! Eu não acredito que você ainda vive! – Parecia emocionada ao encontrar com o provavelmente, antigo amigo. Não tive dúvidas sobre tal amizade e tal emoção, quando ela deixou fugir uma lágrima. – E ainda lembra de mim! – Afagava a cabeça do cão, enquanto era lambida por ele. – Esse é o Tequila. – Resolveu me apresenta-lo. Preciso dizer que lhe balancei a cabeça negativamente, e lhe dei um olhar de reprovação.

— E você ainda teve a coragem de reprovar o nome que dei ao meu gato. – Ela riu.

— Tequila é melhor do que Thomas. – Respondeu e ainda teve a audácia de me mostrar a língua.

— Ainda bem que esse cachorro não é meu, senão nesses dias de seca, seria bem capaz de eu bebe-lo. – O comentário de Zelena fez com que todas acabássemos rindo.

— Ele tem problema de coluna. – Mary Margaret quem contou. – Já não consegue mais subir as escadas. – Tenho certeza absoluta que Emma teve vontade de perguntar sobre. Ela até abriu a boca para isso, mas acabou desistindo e voltou a ficar calada. – Ele também sentiu sua falta. – Tentou de novo e de novo ganhou silêncio como resposta.

— Mary, quem está aí? – A voz masculina que praticamente gritou a pergunta, veio do segundo andar. A mulher pareceu ficar no mínimo nervosa. Saiu do lugar em que estava e subiu alguns degraus de escada para só então responder.

— Emma e umas amigas! – Usou um tom de voz carinhoso e cuidadoso, embora seu semblante continuasse nervoso.

Não demorou muito para sons de passos no segundo andar serem ouvidos. Conforme foi descendo as escadas, a figura do homem foi se fazendo visível. Alto. Forte. Os cabelos loiros, mas em um tom escuro, e sujos, visivelmente sujos. Os olhos verdes, idênticos aos da Srta. Swan. Tinha a barba por fazer, cara de poucos amigos, e uma criança nos braços.

Seus olhos que fuzilavam Emma, deixavam bem claro que ela não era bem-vinda lá. Raiva, irritação, ódio, desse jeito ele olhava para a filha. Foi exatamente esse tipo de pessoa que eu esperava encontrar.

Esse tipo de pessoa que eu conheço, e sei o quanto podem ser mesquinhas, más, cruéis. Para esse tipo de pessoa que eu vim preparada. Esse é o tipo que põe a filha adolescente para fora de casa. Esse é o tipo que vive na igreja, mas exige abortos e adoções. Esse é o tipo que leva a filha até a igreja em busca de uma cura gay. Esse é o tipo que pensa única e exclusivamente, em si. No seu próprio bem. Em benefício próprio.

— O que ela está fazendo aqui? – Esbravejou com a mulher ao lhe entregar a criança. Então aproximou-se de Emma, que rapidamente se pôs de pé. Já o cachorro, visivelmente com medo do homem, abaixou as orelhas, e retirou-se da sala.

Bom, se a mãe a Srta. Swan, olhou com apatia, o homem, que deduzi ser seu pai, ela olhava com ódio, nojo.

— O que você está fazendo aqui? – Resolveu esbravejar com ela também.

— Vim conversar. – Respondeu sem se intimidar. Deu uns passos em direção a ele, e parou a poucos centímetros do mesmo. Encarou de frente o homem que era muitos centímetros maior.

— Nós não temos nada para conversar com você. NADA! – Vociferou, enquanto lhe olhava de um jeito ameaçador. Tais coisas me fizeram fechar as mãos em punho. – Eu falei para você jamais voltar aqui, não falei?

— David! – Mary Margaret tentou interferir. Ele voltou-se para mulher e lhe olhou de um jeito um tanto quanto ameaçador.

— Foi você quem foi atrás dela? Você quem chamou ela aqui? – Esbravejou com a esposa, que parecia amedrontada.

— Não! – Respondeu prontamente. Bom, para mim já estava bem claro que ela tinha medo dele. Na verdade, pavor, essa seria a palavra certa.

— Por que outro motivo ela estaria aqui? – Ele parecia convicto de que foi sua mulher quem foi atrás da filha. – Você me inferniza sempre com a história de ir atrás dela, e de repente, ela aparece aqui, no meio da minha sala. – Continuou latindo contra a mulher, que com medo não quis, ou não conseguiu responde-lo.

— Deixe ela em paz! – Emma vociferou ao sair em defesa da mãe, fazendo tal coisa, voltou a ganhar a atenção do homem.

— Quem você acha que é, para me dar alguma ordem? – Deu um passo à frente, aproximando-se ainda mais dela, que não se deixou intimidar.

— Eu sou alguém que não tem mais medo de você. – Ela também resolveu dar um passo à frente, praticamente anulando a distância entre eles. – Alguém que não tem mais medo da sua ignorância, nem dos gritos, nem das suas ordens. – Falou em alto e bom som, a voz irritada, os dentes trincados o maxilar rígido. – Você é o pior tipo de covarde, aquele que desconta toda sua raiva, toda sua angustia, toda frustração, na sua família. – O acusou. – E você... – Apontou para a mãe, que estava no pé das escadas, enquanto tentava tranquilizar a criança em seus braços, que aparentemente também assustada, começou a chorar. – Você é um pouco mais covarde do que ele. – Aconteceu. O homem puxou o gatilho, e me fez ter certeza absoluta que a Srta. Swan, falaria tudo que tinha guardado para falar. — Você deixa ele fazer o que bem entender com você. Você deixa ele mandar em você, deixa ele bater na sua cara, deixa ele te humilhar... – Balançou a cabeça em reprovação. — Você deixou ele te dizer que era para me mandar ir embora. Então você me mandou embora... – Como não achou voz para se defender do que a filha lhe disse, ela só negou com a cabeça. – Ele disse para você me mandar ir, e você como a ovelhinha obediente, me mandou. Eu chamei você para vir comigo, você lembra? – Lágrimas de raiva, rancor, mágoa, caíram dos olhos claros da Srta. Swan. – Eu falei que daria um jeito, que nós daríamos um jeito, que conseguiríamos nos virar sem ele. Que tudo seria mais fácil sem ele. Eu prometi para você, mãe... – Usou as mãos para tentar se livrar das lágrimas. – Eu prometi para você. – Repetiu. — Eu só precisava de você. Eu só queria a minha mãe. – Desabafou. — Eu quem sempre fiz tudo, tudo que você me pediu... Você lembra, lembra quando vocês me arrastaram para igreja, para me curar? Como se eu tivesse alguma doença terrível, algo mortal. Você lembra? – Mary Margaret nada dizia, só sabia chorar. – LEMBRA? – Gritou com a mãe, que afirmou com um balançar de cabeça. – Eu sabia que não existia nada de errado comigo. Sabia que não era doente. Sabia que não existia nada de errado em gostar de outra mulher, mas mesmo eu sabendo, você me pediu e me convenceu. – Fez uma pausa para tomar ar. – Eu estava tão assustada, tão perdida dentro da minha própria casa, mas você subiu no meu quarto, você me prometeu que se eu fosse onde vocês queriam me levar, e que se me comprometesse a me curar, tudo ficaria bem. Você me abraçou e passou a noite lá, chorando comigo. – Balançou a cabeça negativamente. Parecia se sentir indignada consigo mesma por ter aceitado tal coisa. – VOCÊ LEMBRA, MÃE? – Voltou a gritar com a mulher, que de novo afirmou com a cabeça.

— Por favor, Emma... – Pediu entre as lágrimas.

— Eu fiz por você, mãe. Eu não fiz por mim. – Ao ouvir tal coisa, o choro da mulher se intensificou e ela começou a soluçar. – Então quando chegou a minha vez de pedir, pedir para que você me entendesse, pelo menos uma vez na vida, que você me entendesse. – Emma também tinha dificuldade em fazer com que as lágrimas cessassem. — Você me disse não. Você me abandonou quando eu mais precisei de você. – Fez uma pausa para respirar e tentou recompor-se do choro. – De novo, você preferiu ele, a igreja, a comunidade, Deus. – Balançou a cabeça negativamente. – Você acha mesmo que Deus estava de acordo com isso? – A mulher continuava chorando copiosamente, sem condições alguma de falar o que quer que fosse.

Zelena parecia bem desconfortável com a situação, provavelmente pensando que não deveríamos de jeito algum estar ali, ouvindo tal conversa tão pessoal, tão íntima, que deveria ser só entre os três.

A princípio, eu me senti assim também, pensei até em me retirar, esperar do lado de fora, dar-lhes privacidade e coisas do tipo. Mas isso foi antes de Emma vomitar todas as coisas contra a mãe. Coisas que eu nunca tinha ouvido, coisas que nunca imaginei. Coisas que até então, eu tinha curiosidade em saber, e que depois que ouvi, não sabia como proceder, como digerir, e nem se deveria tocar no assunto depois.

Imaginar o que tinha acontecido com ela e sua família, é muito diferente do que saber de fato. Ter os detalhes, saber o quanto isso a destruiu, a machucou. Perceber o quanto essa história ainda a machuca. Saber de fato é perder um pouco mais a fé já muito abalada que tenho na humanidade, nas pessoas, no mundo.

Minha vontade era de ir até ela, puxa-la para longe daquele lugar, e abraça-la. Aperta-la em meus braços e deixa-la lá, por tempo indeterminado, até que se acalmasse, até que se sentisse melhor.

Nunca fui boa com essa história de palavras e muitas sentimentalidades, mas a vendo fragilizada daquele jeito, tudo que desejava era prometer-lhe que cuidaria dela para sempre. Que ela iria poder contar comigo para sempre. Que nunca vai importar o dia, o lugar, as horas, estarmos juntas, ou separadas, os meus braços sempre estarão abertos para ela.

Era o que eu queria fazer, era o que eu queria falar. Me visualizei fazendo tais coisas, mas não tive tempo de realmente faze-las. Fui surpreendida pela agressividade do homem, que esbarrou as mãos no peito da Srta. Swan, a empurrando e quase a levando ao chão.

Ao ver tal coisa e constatar que ele poderia se tornar agressivo, dei um passo à frente, querendo ir em direção ao infeliz, porém Zelena segurou meu braço, me impedido de fazer tal coisa. Ao olhar para ela, vi o celular que aparentemente estava filmando tudo. Quase que inaudível, seu fio de voz pediu para que eu esperasse.

— NÃO ABRA A SUA BOCA IMUNDA PARA FALAR DE DEUS! – O tal David vociferou com a filha.

— Você quem abre a sua boca imunda para falar d’Ele, para louvar Ele, para pregar as palavras d’Ele! – Não se intimidou nem com a voz do homem, nem com o empurrão que ele lhe deu. Pelo contrário, seus olhos os desafiavam. – Me diz, seu escroto, seu merda, me diz, me mostra, em que parte da bíblia diz: bata na cara da sua mulher, sempre que ela se atrasar para fazer o jantar? – Foi a vez dela empurra-lo. – Ou, chute seu cachorro, quando querendo a sua atenção, ele parar em frente à TV? – De novo voltou a empurra-lo. – Ou, expulse sua filha de casa, quando ela se recusar a abortar, ou dar a criança a adoção? – Mais uma vez o empurrou. – Ou, caso sua filha lhe diga que gosta de mulheres, leve-a para uma cura gay. – Teve outro empurrão. — ANDA, ME DIZ! ME MOSTRA! – Gritou com ele. – Você bate nela também? – Apontou para criança nos braços da mãe, que devido a briga e gritos e choradeira, continuava chorando. – Quando ela está chorando, você manda ela calar boca, para não perder os dentes? – Olha em direção da mãe. – É minha irmã, não é? – A mulher assentiu com a cabeça. – Eu tenho pena dela, pena por ela ter os pais que tem. – De novo o homem nos surpreendeu quando suas mãos agarram o pescoço da filha.

— CHEGA! – Berrou. — Cale a sua maldita boca, garota imunda! – Ordenou de um jeito sombrio, enquanto lhe lançava um olhar mortal e apertava seu pescoço.

Foi aí que tudo se tornou um grande pandemônio. Mary Margaret, gritava, ordenando ao marido que soltasse a filha. A criança em seus braços, chorava ainda mais alto.

Emma estava agarrada as mãos do pai, tentando tira-las do seu pescoço.

Zelena também gritava com David, exigindo que soltasse a Srta. Swan. Como ele parecia não ouvir, ela gritou comigo. “A arma, Regina! O faça parar”. Foram as frases responsáveis para me tirar do transe em que em encontrava.

Sem nem saber exatamente como, tirei a Glock da minha bolsa, e com as pernas tremulas e as mãos suando frio, fui até eles. Parei atrás de Emma, consequentemente, de frente para o homem, que sequer me percebeu ali. Ao ver o jeito diabólico como olhava para ela enquanto lhe apertava o pescoço, o ódio tomou conta do meu eu.

Tive vontade de descarregar a arma na cabeça dele. Deixa-lo bem deformado, para que em seu velório, o caixão tivesse que permanecer fechado. Para deixa-lo tão desfigurado por fora, quanto era por dentro.

Me vi tentada a tal coisa. Meu dedo alisou o gatilho, querendo aperta-lo. E tenho quase certeza que se não fosse minha irmã gritando para que eu não fizesse, e o choro da criança que ecoou nos meus ouvidos como se me lembrando da presença dela lá, fizeram com que eu desistisse de tal coisa.

— HEY! – Gritei com ele, mas como falei, ele estava muito ocupado enforcando a filha para perceber qualquer coisa a sua volta. Não tive outra alternativa, a não ser mirar um ponto qualquer e atirar.

Não sei se foi pelo barulho do tiro, ou pelo mesmo que passou muito perto de sua orelha, o fato é que funcionou, eu consegui atenção dele. Me olhou assustado, um pouco perdido, aparentemente, sem entender quem era eu, e o que eu estava fazendo ali. Deduzi que só naquele momento, ele percebeu as “amigas” que estavam com Emma.

— Solte ela, agora! – Exigi. Ele não fez nada, não moveu um dedo, não sei nem se realmente ouviu. Sem paciência, com vontade de meter uma ou cinco balas na cabeça do infeliz, voltei a atirar, uma, duas, três vezes. De novo os tiros passando perto do infeliz. – AGORA! – Vociferei, irritada, zangada, descontrolada, prestes a explodir. Dessa vez funcionou. Além de solta-la, ele recuou e levantou as mãos.

Emma apoiou as mãos no joelho, curvou o corpo para frente e começou a tossir. Fez isso algumas vezes, antes de inspirar o máximo de ar possível.

— Você está bem? – Questionei com ela, sem tirar os olhos e a mira do seu pai.

— Sim. – Sua voz saiu falha e de novo, algo inesperado aconteceu. Ela se recompões, voltou a sua postura normal, deu um passo à frente e deu uma joelhada nas partes baixas do pai, o fazendo grunhir de dor e curvar o corpo para frente. Aproveitando-se de tal coisa, fechou a mão em punho e acertou em cheio o nariz do homem, lhe fazendo sangrar. Tal sequência de atos, me fizeram sorrir. Orgulhosa, ela me deixou orgulhosa.

— Essa é minha garota! – Não consegui me manter quieta diante de tal coisa.

— Eu vou matar você, sua imunda! – Ele ameaçou e antes que se recuperasse para fazer tal coisa, puxei Emma pelo braço e me meti entre os dois.

— Não você não vai! – Avisei. – Se você tocar um dedo nela de novo, quem vai morrer nessa história é você! – Ameacei. – E quem vai mata-lo, sou eu. – Me olhava transtornado, irado, com certeza sua vontade era de me atacar também.

— Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito, para entrar na minha casa sem ser convidada, para me apontar uma arma e ficar atirando? – Esbravejou comigo. Lhe lancei um olhar maquiavélico, e lhe dei um sorriso sombrio, ameaçador, diabólico.

— A personificação do Diabo, prazer! – Não sei se foi o jeito como me “apresentei”, como lhe olhava, sorria, ou como lhe apontava a arma, o fato é que ele recuou um passo. – Eu não invadi sua casa, sua mulher me deixou entrar. – Comecei. – Eu trato as pessoas do jeito que elas merecem ser tratadas, Sr. Swan, então podemos dizer que hoje é seu dia de sorte, já que eu não meti uma bala no meio da sua testa, por você ter tentado esganar sua própria filha. – Não deixou que eu finalizasse.

— Eu vou chamar a polícia. – Ameaçou, enquanto com as mãos, tentava estancar o sangue que saia do seu nariz.

— Isso, chame, chame agora. – Incentivei. — Você quer meu telefone para chama-los? – Ofereci. – Chame, eu vou adorar contar a eles o jeito como você ia matá-la. Vão leva-la direto para fazer exame de corpo delito. Vão ter o testemunho dela, meu, e o da ajudante do diabo ali. – Apontei para Zelena que lhe sorriu e levantou a mão. Só faltou lhe dizer “sorria, você está sendo filmado”. – Sua mulher talvez fique do seu lado, já que aparentemente para ela, nada é mais certo ficar do lado ao marido escroto. – Abriu a boca para me responder, mas fui mais rápida. – Cale a boca! Eu falo, você escuta. Não ouse me interromper mais uma vez, porque a minha paciência com você, já nem existe mais, Sr. Swan. – Dei um passo à frente e ele voltou a recuar um. – Sabe o que mais eu vou falar para a polícia? – Voltei a lhe dar um sorriso sombrio. – Que quando a sua filha tinha dezessete anos, ela foi abandonada pelo pais na porta do hospital, quando estava em trabalho de parto. – Ameacei. – Emma ainda não tinha alcançado a maioridade, ela ainda era responsabilidade de vocês e vocês a expulsaram...

— Legalmente falando, vocês respondiam também pela criança que a Srta. Swan teve. – Zelena interrompeu para acrescentar essa importante informação.

— É por isso que o diabo sempre traz um advogado junto, para que não esqueça de nenhum detalhe. – Apontei para minha irmã que de novo sorriu e deu um tchauzinho. — Eu vou adorar contar essas coisas para a polícia, Sr. Swan. Você sabe que além de processado por abandono de menor, vocês podem também pegar cadeia? – Ele já não parecia mais tão machão, tão durão, tão corajoso. Assustado, era assim que ele estava começando a me olhar. – Você não sabe, Sr. Swan, não faz ideia do quanto nesse momento, eu estou disposta a pagar para vê-lo preso, enjaulado, feito o animal que o senhor é.

— Ou nós podemos negociar. – Zelena de novo me interrompeu para sugerir tal coisa, enquanto me olhava de um jeito que me dizia que eu estou indo longe demais.

— Não sei se estou mais disposta a isso. – Lhe respondi. – O que você acha, Emma? – Gostaria de olhar para ela, ver se estava realmente bem. Parabenizá-la pelo chute e pelo soco que deu no pai, mas naquele momento, tinha certeza que não podia tirar os olhos do homem que estava à minha frente.

— O mal por si só se destrói. – Sua voz de novo saiu falha. Ela coçou a garganta antes de continuar. – Vamos fazer o que viemos fazer. Sei que ele mesmo vai dar um jeito de se destruir. – Um pouco chateada por não darmos a ele o que merecia, porém de acordo em fazer à vontade Emma, balancei a cabeça, acatando sua decisão.

— Que seja feita a sua vontade então. – Infelizmente, nesse caso. – Eu vou baixar minha arma agora, não tente nada contra qualquer pessoa aqui presente, porque se eu tiver que aponta-la para você de novo, vai ser para mata-lo. – Avisei sutilmente, olhando de um jeito ameaçador, enquanto devagar, baixei a Glock.

— E só para esclarecer, eu tenho uma igualzinha à essa aqui na minha bolsa. – Um ponto positivo de Zelena: ela também sabe ser boa em ser má. — As outras partes também estão de acordo, ou preferem a polícia? – Ela também sabe ser boa em ser debochada.

— Sem polícia, por favor, David. – A mãe de Emma que continuava sem conseguir parar de chorar, tão pouco conseguia fazer a criança para de fazer o mesmo, praticamente implorou tal coisa.

— O que vocês querem? – Não tenho dúvidas de que se pudesse me matar, ele teria matado. Eu, Zelena e sua própria filha. Teria matado a nós três e ainda usaria o nome de Deus na matança.

— Quase nada. – Zelena respondeu. – Em troca do nosso silêncio sobre o que vimos e ouvimos. E para não processarmos vocês, por abandono de menor. De menores, na verdade, vocês só precisam assinar esses papéis. – Rapidamente tirou da bolsa os mesmos e deixou visível aos olhos deles.

— O que diz nesses papéis? – Ele lhe questionou, enquanto lhe olhava desconfiança.

— Resumindo... – Comecei. — Caso a Srta. Swan, morra, ou por qualquer motivo, seja considerada pela justiça, inapta a criar a filha, vocês abrem mão da tutela da menina. Ou seja, a filha da Srta. Swan, de jeito algum poderá vir a ficar com vocês. – Me lançou um olhar de dúvida.

— Por que você acha que eu iria querer criar a filha dessa daí? – Apontou para Emma.

— Ninguém acha. – A Srta. Swan tomou frente. – Por isso estamos aqui, para evitar que essa possibilidade sequer exista. Quero a milha filha a milhas distante de você e toda a sua ignorância. – Ele ignorou o que lhe foi dito e voltou a me encarar.

— É só isso? – Questionou.

— Apenas isso. – Provavelmente para nos irritar, testar até onde minha paciência era capaz de ir, ou coisas do gênero, o infeliz começou a rir. O sangue adentrando a sua boca, misturando-se aos dentes, tornava a imagem dele mais repugnante do que já era.

— A filha que essa aí teve com aquele bandido, jamais, jamais vai pôr os pés dentro dessa casa. – Avisou enquanto ainda ria. – Antes, eu faço o que deveria ter sido feito anos atrás, entrego ela para a adoção. — Respirei fundo tentando conter minha vontade de novo apontar a arma para o infeliz, só que não apenas para ameaça-lo e sim para mata-lo.

— Assine o maldito papel, antes que eu resolva mudar de ideia sobre a prisão. – Emma quem lhe respondeu. Não sei como, mas as palavras e ameaças, não pareciam atingi-la, ou ela fingia muito bem tal coisa. Falou com ele com um tom frio, apático. Já nem ódio tinha mais ali. Ele encarou a filha com ar de deboche, então deu de ombros, tirou a camiseta que vestia, e a usou para tenta limpar as mãos e o sangue do rosto, então volta-se para Zelena.

— Você tem caneta? – Questionou com ela.

— Sim, senhor. Mas antes peço que o senhor se livre desse sangue, não podemos correr o risco de sujar o papel, caso contrário, teremos que visita-lo de novo. – Concordou com a cabeça.

— Não quero correr o risco de tal acontecimento. – Foi o que ele resmungou, antes de retirar-se do recinto.

— A senhora quer adiantar e assinar? – Zelena questionou com a mãe de Emma, que ainda tinha dificuldades em fazer a filha parar de chorar.

— Claro. – Foi até minha irmã, que lhe estendeu os papeis junto com a caneta. – Hey, você! – Zelena sorriu para a criança enquanto tentava uma comunicação. – Como é seu nome? – Questionou. — Você me diz o seu nome? – Silêncio foi o que ganhou como resposta.

— Anna, ela se chama Anna. – Mary respondeu pela filha.

— Quer que eu fique com ela, para você assinar? – Ofereceu. A mulher ponderou um pouco, mas por fim acabou aceitando a ajuda, entregou a filha e foi até o sofá.

Algo em minha irmã, chamou a atenção da menina, fazendo com que ela se calasse. Talvez a voz calma, talvez o sorriso largo que toma conta do seu rosto quando se direciona a uma criança, talvez a cor dos seus cabelos. Ou talvez todas as opções.

— Oh, sim, são ruivos de verdade, você pode confiar. – Esbocei um sorriso ao ver a cena. A menina como é uma Swan, tem os padrões das mesmas. É loira e tem os olhos claros. Lembra Janis e a própria Srta. Swan. – Aquela ali, com cara de má, é minha irmã. – Apontou para mim, fazendo com que a criança me olhasse. – Mas não se preocupe, ela late, mas não morde. – Tranquilizou a criança. Sorri para a menina, antes de saudá-la.

— Olá, Pequenina Srta. Swan! Você é muito bonita, sabia? – Essa Swan não me deu muita bola. Estava mesmo interessada na minha irmã e na sua cabeleira ruiva.

— Srta. Swan, Pequena Srta. Swan, Pequenina Srta. Swan, se existir mais uma, do que você vai chama-la? – Emma tentou fazer uma graça.

Tirei os olhos da sua irmã e a encarei. Seu pescoço estava vermelho, devido ao apertão. Seu rosto estava igualmente vermelho, devido à crise de choro que teve enquanto “falava” com a mãe. Ao conferir a mão em que socou o pai, vi que a mesma estava um pouco inchada. Embora tentasse não demonstrar, sei que estava no mínimo, abalada. Mais uma vez, senti vontade de puxa-la pela mão, e leva-la para bem longe daquele lugar.

— Como você está? – Questionei-lhe.

— Devido a todas as circunstâncias, estou bem. – Contou. – Como se depois desse tempo todo, um peso tivesse saído das minhas contas. Eu precisava disso, colocar tudo para fora. – Balancei a cabeça concordando.

— Entendo.

— Também estou doida para pular nos braços da minha salvadora, abraça-la e enche-la de beijos. – Essa parte ela sussurrou e me fez sorrir. – E também gostaria de saber, desde quando você tem uma arma? Aliás, acho que já pode guardá-la. – Acatando o que me pediu, fui até minha bolsa que abandonei no chão, travei a arma e a guardei em seu devido lugar.

— Uma das primeiras coisas que meu pai nos ensinou quando alcançamos idade para isso foi atirar. Defesa pessoal, Srta. Swan. Sempre vai existir essa arma na minha bolsa. – Expliquei a ela.

— Eu não gosto muito de armas. – Foi o que me falou.

— É, eu imaginava. Você atira tão bem quanto dirige, ou seja, mantenha-se afastada de armas de fogo, Srta. Swan. – Ela riu. – Estou falando sério. – Balançou a cabeça negativamente enquanto ainda ria.

— Como quiser, Srta. Matadora de Aluguel. – Piscou para mim. Ao ouvir tal coisa, balancei a cabeça negativamente, e tentei não lhe sorrir. – Então, eu sou mesmo a sua garota? – Balancei a cabeça muitas vezes, afirmando que sim.

— Você é muito minha garota, garota! – Falei com orgulho. – Bateu com classe e nos lugares certos. Não poderia estar mais orgulhosa. – Abriu um sorriso largo ao ouvir tal coisa.

— Essa dali se chama Emma. – Zelena fez uma nova apresentação, e fez também que nosso assunto chegasse ao fim. Emma tirou os olhos de mim, e os voltou para a irmã. Sorriu para a menina ao aproximar-se dela.

— Hey, Anna! – Saudou. – O gato comeu sua língua? – Com a cabeça, a menina disse que não. – Tem certeza? – Balançou a cabeça positivamente. – Então me deixa ver se ela está aí mesmo. Mostra para mim. – Esboçou um sorriso envergonhado para Emma, antes de abrir a boca e mostrar-lhe a língua. – Menina, não é que ela existe mesmo? – Cutucou as costelas da irmã, fazendo ela rir e pular de cócegas. – Agora diz para mim, quantos anos você tem? – Envergonhada, escondeu o rosto no vão do pescoço de Zelena.

— Três. – Respondeu timidamente, ao fazer o número com os dedinhos.

— Quase uma mocinha. – Observei pelo jeito como olhava para criança e para o jeito que sorria e como falava com a mesma, que se dessem muito espaço, Zelena esconderia a menina na bolsa e levaria para casa. – Tão cheirosa. – Elogiou.

— Swans são cheirosas. – Emma e a sua modéstia quem falaram tal coisa. – Está aqui a Srta. Mills, que não me deixa mentir sozinha. – É impressionante o quanto ela, juntamente com uma pequena ajuda da minha irmã, tinha em poucos minuto transformado um ambiente pesado em algo leve.

— Eu não tenho nem um pouco de certeza sobre isso. Me recordo muito bem do que Regina cheirava naquela tarde de primeiro do ano. – Zelena, ah Zelena, desagradável e irritante irmã. Ao mesmo tempo que a amo, já quero matá-la. – V A G I N A. – Soletrou, só que sem voz. E bom, tratando-se de vagina, Emma entende mesmo que seja soletrado em hebraico e sem voz. Então ela estava gargalhando. Nem parecia a mesma pessoa que minutos atrás, estava socando o pai, nem sendo enforcada por ele.

— Meu bem, você faz ideia de quantas vezes nós já tínhamos nos esfreg... – Não deixei que terminasse. Cobri sua boca com a minha mão.

— Basta, Srta. Swan. Contenha-se. – Não foi um pedido, foi uma ordem. Minha vida sexual tem sido muito exposta nesses últimos dias. Devo estar mesmo me transformando em um leão sem dentes, já que ela e a outra lunática que atende pelo nome de Zelena, começaram a rir da minha cara.

Anna nos olhava atentamente, provavelmente tentando entender o que estava acontecendo, porque estavam rindo. De onde tinham surgido esses seres de outro planeta e coisas do tipo.

— Não de ouvidos a elas. – Pedia a menina, a roubando do colo da minha irmã. A ajeitei em meus braços para que pudéssemos olhar uma para outra. – Minha irmã, é doida, doidinha, coitada. Faltam parafusos. – Expliquei a ela, que por algum motivo, achou graça. Provavelmente da minha cara, ao contar-lhe tais coisas. – E a sua irmã... quando se trata de certos assuntos, ela consegue ser pior do que Zelena. — Contei. – Não é fácil ter irmã, sabia? As vezes a gente quer soca-las e brigar, gritar e brigar de novo. Já outras vezes, tudo que desejamos é protege-las. – Sei que entendia o que eu lhe falava, assim como sei que não entendia nada sobre o que eu lhe falava. Me olhava com certa curiosidade, provavelmente pensando: o que essa outra doida quer comigo? – Zelena tem razão, você é tão cheirosa, Pequenina Srta. Swan. – Elogiei ao cheirar seus cabelos. – E você se parece com a sua sobrinha. – Continuei meu monólogo.

— Olha que loucura, existe trinta anos de diferença entre vocês, e vocês são cunhadas. – Zelena jogou a filosofia no ar.

— Aqui! – Mary Margaret praticamente se materializou ao nosso lado e devolveu os papéis para Zelena. Pelo jeito como olhou de mim para a Srta. Swan e vice-versa, tenho certeza que ouviu mais do que deveria.

— Obrigada! – Minha irmã lhe agradeceu.

— Então, ficou mesmo Janis... – A conclusão da mulher foi direcionada a filha.

— Ficou mesmo Janis. – Na presença da mãe, Emma voltou a ser a pessoa sem emoção.

— Como ela é? – De novo tentou uma comunicação com a Srta. Swan. Ao contrário do marido, parecia interessada, tanto na filha, quanto na neta. Olhava para Emma com carinho e saudade, eu podia ver saudade em seu portar.

— Você não merece saber como ela é. – Foi a resposta ríspida que ganhou.

Eu não sou mulher de ter dó de alguém, muito menos quando o alguém em questão, magoa ou magoou uma pessoa que eu gosto, mas nesse caso, nesse caso eu tive dó.

O pai de Emma é uma má pessoa. Já a mãe de Emma, ela não é má. Eu tenho uma mãe má, e entendo bastante sobre o tópico. Mary Margaret, errou em vários aspectos, vários. Como disse, ela junto com seu marido, me fizeram perder um pouco mais a fé na humanidade, mas mesmo assim, insisto em dizer, má, ela não é.

Provavelmente é só uma dessas mulheres, que foram criadas na ignorância. Criadas para obedecer e acatar os maridos, como se de repente, fossem propriedades dos mesmos. Ela tem medo do tal David, sei que Emma também sabe disso. Como também sei das muitas mágoas que com certeza tem da mãe, por não tê-la escolhido, protegido. Por nunca em todos esses anos, ter sequer lhe procurado. Porém conhecendo ela, sei que pode vir a se arrepender das patadas que estava dando na mulher, por isso resolvi intervir.

— Ela é linda. – Falei, ganhando então a atenção das duas. – Janis é a criança mais linda desse mundo. – Minha resposta fez a mulher me sorrir e Emma me olhar com cara de poucos amigos. – Fisicamente, ela é a cara da Srta. Swan. O mesmo tom de cabelo, o mesmo jeito bagunçado. A cor dos olhos também é idêntica. – Contei. — Os trejeitos também são os mesmos, quando sorriem, quando se concentram, quando se chateiam... – Continuei. — E insistentes, as duas são terrivelmente, irritantemente, insistentes. – Ouvi a Srta. Swan murmurar algo como: “mentira”. – E assim como Emma, Janis também é bondosa, tem um coração enorme, uma esperança infinita, uma fé inabalável. E assim como os da sua filha, os olhos de Janis também são bastante expressivos. Eles conversam com você, sem que ela precise abrir a boca para lhe dizer uma só palavra. – Ao finalizar, percebi que a Srta. Swan já tinha desfeito a cara de poucos amigos, e substituído por um sorrisinho escondido.

— Obrigada, Srta. Mills, muito obrigada por isso. – A mulher me agradeceu, sua voz embargada. – Ela é adorável. – Isso ela falou para Emma.

— Sim, ela é. – Foi a longa resposta que ganhou.

— Por que isso de tutela agora, Emma, você está doente? – Parecia não se importar sobre o fato de visivelmente a filha não querer conversa.

— Não. Só estou indo embora de Las Vegas, e quero deixar tudo certo, para que se pôr uma infelicidade do destino, me aconteça algo de ruim, minha filha não venha a parar em mãos erradas. – A mulher lhe deu um sorriso triste e balançou a cabeça em concordância.

— Não deixe minha filha perto delas. – Infelizmente, o tal David estava de volta.

Tirou Anna dos meus braços, e a entregou a esposa. Assustada, a criança voltou a chorar, e me faz concluir que seu choro nada mais significava do que medo do pai.

— Muito menos deixe que alguma delas a pegue no colo. São pecadoras, sujas, e falam em nome de satanás. – Isso ele disse olhando diretamente para mim.

— Você não sabe o quanto é aguardado no inferno, Sr. Swan. – Pisquei para ele, que ao ouvir tal coisa, imediatamente desviou os olhos dos meus. Não sei se é por ter me apresentado como diabo, ter atirado algumas vezes, ou ter apontado uma arma para ele, o fato é que comigo, ele não ousa ser o machão.

— Onde eu assino? – Questionou com Zelena.

— Aqui, aqui e aqui. – Mostrou os lugares. – Em todos os lugares que sua esposa assinou. – Explicou ao lhe estender os papéis e a caneta. Imitando o que sua mulher tinha feito, foi até o sofá, usou a mesa de centro como apoio, e sem sequer ler, começou a assinar.

Todas acompanhamos em silêncio a ele fazendo tal coisa, menos Anna, a menina continuou choramingando. Por fim, o homem sorriu para os papéis, largou a caneta em cima dos mesmos e se voltou para nós.

— Está feito. Que essa menina nunca apareça aqui. – Ele se pôs de pé. – Agora eu vou sair, quando voltar, espero não encontrar nenhuma de você por aqui ainda. – Apontou para nós. – E espero que Anna esteja mais calma. – Isso ele falou olhando para a mulher.

— Ou senão o quê? Vai bater nelas? – Emma questionou. – Se eu souber que você tocou um dedo nessa criança, ou na sua mulher, eu vou abrir minha boca. – Ameaçou. – O bem-estar e a saúde das duas, essas coisas vão garantir o seu passe livre da cadeia. A partir do momento que eu souber que você levantou a mão para uma das duas, eu vou até a polícia. – Ao ouvir a ameaça, ele voltou-se para ela e perigosamente caminhou ao seu encontro.

— Está me ameaçando? – Perguntou e ganhou um dar de ombros.

— Entenda como quiser. – Respondeu sem se abalar.

— Sr. Swan, vale lembra-lo, ou avisa-lo, que tenho filmado em meu celular, o momento em que o senhor tenta esganar sua filha. – Não faço ideia do porquê Zelena não seguiu a profissão em que se formou. Ela tem tudo para ser uma excelente advogada. – Só por esse motivo, devido ao parentesco existente entre vocês, já podemos conseguir uma ordem para que o senhor se mantenha afastado de Anna e talvez até da sua esposa. – Explicou. — Se juntar isso ao abandono de menor, o senhor realmente vai preso, eu não estou blefando. – Ele manteve os olhos na filha por alguns segundos, provavelmente a ameaçando, ou tentando amedronta-la, não sei. Então suspirou e se afastou.

Concluímos que ele saiu de casa quando a porta da mesma foi batida com força.

— Ele batia em você? – Foi a primeira coisa que questionei com Emma.

— Não. Nunca chegou a bater. – Falou. — Gritava, ameaçava, me fazia ficar por horas ajoelhada no milho, ou debaixo do sol em dias de verões escaldantes. Era desse jeito que me castigava. – Meus olhos cresceram ao ouvir tais coisas e o arrependimento por não ter atirando contra o infeliz, se fez presente mais uma vez. – Mas nela ele batia. – Apontou para mãe. – E mesmo assim, ela preferiu ficar e apanhar, do que ficar do meu lado. – Ressentida, a voz da Srta. Swan saiu ressentida.

— Emma, eu sei que o que eu lhe fiz, tudo o que lhe fiz, é imperdoável. – A mulher começou e dessa vez, Emma não impediu de que continuasse. – Não ouso lhe pedir perdão, vejo o quanto está ferida, o quanto está magoada, e com certeza, você tem razão para estar. – Continuou. – Eu só quero que você saiba, do fundo do meu coração, que não teve um dia sequer dentro de todos esses anos, em que eu não me arrependi de ter feito o que fiz. Que não me arrependi de tê-la mandado ir. De que não me arrependi de não ter ido com você. – A mulher voltou a chorar. – Eu não sei como anda sua fé em Deus, depois de tudo que lhe aconteceu, mas em todos esses dias, antes de deitar a cabeça no travesseiro, e de manhã ao levantar, eu pedi para que ele lhe guardasse e protegesse.

— Deus não tem nada a ver com os pais que eu tenho. – A voz da Srta. Swan, já não soava mais tão ríspida, ou tão apática. – Ele foi o único a não me abandonar. – Ao ouvir tal coisa, a mulher concordou e lhe sorriu.

— Que bom que você pensa assim. Ele com certeza não tem nada a ver com os pais que você tem. – Falou. – O que me dava ânimo para levantar da cama todas as manhãs, era saber que Ele estava com você.

— Mas Ele não podia pagar boletos, nem alugueis, nem fraldas e comidas, não é mesmo? – Zelena murmurou comigo, fazendo com que eu acertasse o cotovelo em suas costelas, exigindo que calasse a boca. Mas sim, ela tinha razão, Deus não podia fazer tais coisas.

— Por quê? – A Srta. Swan lhe questionou. – Eu só quero que você me diga o porquê? – Pediu a mãe, que com a mão livre, tentou livrar-se das lágrimas.

— Porque eu tive medo. – Começou. – Porque eu não sei ser livre. Porque eu não sei fazer nada da vida. Porque eu nunca trabalhei fora de casa. Porque eu nunca fui a algum lugar sozinha. Porque eu temi a Deus. – Lágrimas represaram nos olhos de Emma ao ouvir os seus porquês. E eu decidi que era nesse momento em que deveríamos dar privacidade as duas, para que resolvessem suas pendencias e pudessem seguir seus caminhos.

— Desculpe interrompe-las... – Falei. – Mas Zelena e eu finalizamos o que viemos fazer aqui. Vamos lhes dar privacidade e esperar lá fora. – Avisei. – Não tenha pressa. – Isso falei olhando diretamente para Emma. Sabia que mesmo querendo ir embora o quanto antes, ela também queria ficar e ouvir o que a mãe tinha para falar.

— Eu não demoro. – Prometeu.

— Demore o tempo que precisar. – Insisti.

— Enquanto isso, Regina e eu podemos ir até... – Zelena pegou mais papéis em sua bolsa, passou os olhos pelos mesmo e então levantou a cabeça. – Neal? – Pelo jeito como pronunciou o nome do rapaz, não tinha certeza se estava mesmo certo. – Ele mora aqui por perto? – Questionou com Emma e com Mary.

— Não faço ideia. – A Srta. Swan respondeu. – Mas os pais dele provavelmente ainda moram no final da quadra, uma casa a... – Antes que pudesse finalizar, sua mãe se intrometeu.

— Você não sabe sobre Neal? – Questionou com a filha.

— Saber o quê? – Indagou. – Eu ainda estava grávida na última vez em que falei com ele. – Contou a mulher.

— Certo. – Mary coçou a garganta, passou a mão pelos cabelos, ajeitou a filha nos braços e então encarou Emma. – Neal está morto. – Falou. Alguns segundos de silêncio fizeram-se presente no lugar. Sabe quando você ouve algo que jamais esperava ouvir? Que tal possibilidade nunca sequer passou pela sua cabeça? Emma estava assim. Surpresa, incrédula, muda. Provavelmente ainda processando o que tinha acabado de ouvir. Até eu que nem conhecia o infeliz, e já não gostava do mesmo pelas coisas que ele fez a ela, fiquei um tanto incrédula e outro tanto surpresa.

— Menina, não é que a tal lei do retorno existe mesmo? O dia de hoje nunca vai me fazer esquecer disso. – Zelena fez mais um dos seus comentários que deveriam ser apenas pensados.

— Como assim, morto? – Emma balbuciou a pergunta.

— Assassinado. – A mulher explicou. A palavra “assassinado”, fez eu pensar na minha mãe. Mas ela não teria nada a ver com isso, teria? Claro que não. Primeiro, minha mãe não faz ideia que um dia tal pessoa existiu. Segundo, se fizesse ela iria querer protege-lo e usá-lo a seu favor e não matá-lo. Então concluí que não, Cora não tinha nada a ver com tal morte. – Ele e seus pais. – Mary Margaret contou em doses homeopáticas, mas chocou a todas do mesmo jeito. – Você sabe, o pai dele era metido com tráfico, e pelo o que as pessoas falavam, o filho seguiu o mesmo caminho. Pelo jeito foi um acerto de contas. – Explicou.

— Nossa! – Foi o que Emma conseguiu exclamar. Seus olhos assustados estavam arregalados. Mais uma vez no dia, o sangue tinha abandonado seu rosto. – Eu não sei nem o que dizer, eu, eu... – Não acreditava. Ela não acreditava no que tinha acabado de ouvir. Algo entendível, quando recebemos uma notícia sobre a morte de um conhecido, algo dentro de nós se recusa a acreditar. – Quando foi isso? – Questionou.

— Tem uns cinco, seis meses. – Ótimo! Não que seja ótimo que ele esteja morto, só é ótimo eu ter certeza absoluta que minha mãe não foi mesmo a responsável. Isso é o que acontece quando você tem uma mãe psicopata, todos os assassinatos ou mortes que acontecem com pessoas próximas, ou pessoas próximas a pessoas próximas, você acaba associando sua mãe como possível culpada.

— Eu... – Emma balançou a cabeça negativamente. Ela que foi sempre tão falante, estava com dificuldades em falar alguma coisa.

— Você quer um copo de água? – Foi Zelena que ofereceu.

— Não. – Foi tudo que respondeu.

— Você quer sentar? – Foi minha vez de tentar. Apontei para o sofá que estava a poucos metros dali. Ela afirmou com a cabeça.

— Acho que quero. – Respondeu antes de caminhar até o mesmo.

— Okay, nós vamos esperar lá fora. – Avisei a elas. Impactada, Emma apenas concordou com a cabeça.

— Vocês podem esperar na cozinha. – Mary Margaret ofereceu ao apontar em direção a mesma. — Não faz muito tempo que desenformei um bolo, tem café na garrafa, e a mesa está posta. – Okay, em qualquer outra ocasião eu agradeceria e negaria, mas a palavra bolo, ela fez com que o cheiro que meu olfato estava tentando ignorar, despertasse e berrasse para que eu falasse que sim, nós adoraríamos esperar na cozinha.

— Agradecemos a hospitalidade, mas vamos mesmo esperar lá... – Antes que Zelena acabasse com meu sonho de provar um pedaço do tal bolo que tinha aquele cheiro tão bom, eu resolvi impedi-la.

— Na cozinha. – Tomei frente. Minha irmã me lançou um olhar de interrogação ao ouvir tal coisa. – Não seja descortês, irmã. Nós podemos muito bem esperar na cozinha. – Insisti e fiz com que o semblante de interrogação de Zelena, crescesse. Abriu a boca para me questionar, mas meus olhos fizeram com que se calasse. – Irmã... – Só precisei dessa palavra para que ela desse de ombro e concordasse.

— Vamos esperar na cozinha então. – Avisou a mulher, que sorriu e concordou. – Se você nos permitir, podemos levar Anna também, assim vocês podem conversar melhor. – Anna está para Zelena, como o bolo está para mim. Ou seja, todas sairemos felizes nessa história.

— Se vocês não se incomodarem... – Aceitou de imediato a oferta de Zelena.

— De jeito nenhum. – Foi o que a futura ladra de crianças respondeu, ao tirar a menina dos braços da mãe.

— É por ali. – Voltou a apontar para o lugar. – Fiquem à vontade. – Ah sim, se o bolo fosse tão gostoso quanto era o cheiro, eu ficaria com certeza muito à vontade.

Caminhamos até a cozinha em silêncio, ao chegar na mesma, tudo que meus olhos viram foi bolo que estava na mesa. Me sentei a mesma, peguei um prato que estava por ali e me servi.

Sim, Deus, sim! Ele era tão bom quanto seu cheiro. Tão bom que eu precisei saborear o primeiro pedaço de olhos fechados, focando única e exclusivamente naquele gosto, naquele pequeno e tão saboroso prazer. Suspirei de satisfação algumas vezes enquanto o comia.

Banana, esse era o ingrediente que não estava conseguindo identificar pelo cheiro. Baunilha, canela e banana, se o paraíso cheira a alguma coisa, passei a ter certeza que tem o cheiro do bolo da mãe de Emma.

Ao terminar o pedaço que estava em meu prato, tomei uma xícara de café amargo, e me servi de outro pedaço. Me perguntei mentalmente se a mãe de Emma era como Elizabeth. O tipo que oferece comida para a gente levar. Torci muito para que sim.

— Temos aqui uma morta de fome. – Zelena falou para Anna. – Não acredito que você praticamente se ofereceu para vir até a cozinha, Regina. – Parecia incrédula mesmo.

— Eu não me ofereci. – Respondi ao acabar de mastigar. – Ela quem ofereceu. – Esclareci.

— Ela estava apenas sendo cortes. – Opinou.

— Eu também estava. – Minha resposta a faz rir. – Como estou sendo cortes, comendo esse bolo. Elizabeth diz que é falta de educação negar a comida que é oferecida na casa de outra pessoa. – Zelena riu escandalosamente ao ouvir tal coisa, enquanto isso eu aproveitei para enfiar outro pedaço de bolo na boca.

— Meu Deus, parece que você não come faz anos. – Continuou implicando comigo. – Anna, a sua cunhada é uma morta de fome. – A menina que estava sentada em suas pernas, assim como eu, estava muito ocupada com o bolo delicioso para dar ouvidos a Zelena. – Elizabeth não está alimentando você, é isso? – Lhe rolei os olhos, dei alguns goles no café e mesmo sem vontade, resolvi lhe responder.

— Eu perdi a hora, o que me fez sair de casa sem tomar café. – Comei. — Como cheguei tarde no escritório, acabei nem conseguindo almoçar, já que tinha que resolver todas as pendencias antes de virmos para cá. Estava em cima da hora, quando sai do escritório, então de novo não tive tempo de comer. No avião, nenhuma comida oferecida no cardápio, muito menos fora dele, me apeteceu. – Suspirei. – Então além desse bolo ser o melhor bolo que eu já comi na vida, está sendo a minha primeira refeição. – Finalizei.

— Por qual motivo você perdeu a hora? — Sabe quando a pessoa já tem a resposta da pergunta, mas mesmo assim questiona só para ouvir você falar? Pois é...

— Pelo motivo que você já sabe.

— Insaciáveis. – Resmungou. – Não está esfolada não? Quer dizer, está sendo muito usada em um curto período de tempo. – Quando você ouve perguntas desse gênero, é aí que você tem certeza absoluta que intimidade é uma merda. Pensei em não responder nada. Pensei em responder nada educadamente e por fim, pensei em fazer o jogo dela.

— Não está. – Respondi. – Nem um pouquinho. Se ela está alguma coisa... – Meus olhos procuraram pelos dela. – Essa coisa é: ansiosa para a próxima. – Funcionou. Minha resposta sem vergonha a deixou sem jeito, a fez abrir e fechar a boca algumas vezes e por fim a fez mudar de assunto.

— E você e Elizabeth, se entenderam? – Neguei.

— Ainda não tivemos tempo de conversar, mas ela pareceu preocupada quando disse que estava vindo para cá para conversar com Tinker. – Tinker, com o tal Neal e sua família mortos, a próxima parada seria Tinker.

— Por que eu acho que a conversa com Tinker também não vai ser fácil? – Zelena soltou com o ar.

— Porque não vai. – Respondi. — Talvez tenhamos outra arma apontada, só que dessa vez, eu serei o alvo. – Lamentei.

— Nós precisamos de Tinker do nosso lado. – Me falou o que já tinha me falado mais cedo. – Com ela do nosso lado, as coisas serão menos complicadas e mais fáceis de mamãe engolir. – Continuou. – Com ela do nosso lado, nós vamos ter explicação para o segurança que você quer colocar atrás de Emma. Com ela do nosso lado, teremos explicações para o emprego em Nova York. Com ela do nosso lado, nós ganharemos tempo. E se você não deixar transparecer o quão pateticamente apaixonada está, talvez vocês consigam até um pouco de paz antes da guerra. – O Plano de Zelena consistia em: por um milagre divino, convencer Tinker aceitar meu relacionamento com a Srta. Swan, e ir um pouco além. Combinar com ela algo como: fingir que ela e Emma continuaram a relação, só que de uma maneira tradicional, sem dinheiro envolvido, sem que Emma fosse paga para ser qualquer coisa. Desse jeito teríamos um porquê, para o segurança de Emma. E teríamos também um porquê, dá mudança para Nova York.

— Não nego que sua ideia seja boa, mas não acredito que vai acontecer. Tinker vai me odiar, Zelena. – Aquela era a verdade. – Talvez seja ela a me entregar para Cora. – Já que eu estava pela segunda vez na vida, tirando dela a pessoa que ela resolveu gostar.

— Com certeza ela vai odiar você. – Concordou. – Mas acho que continuará odiando nossa mãe um pouquinho mais. – Sorri sem humor.

— Você sabe ser encorajadora, irmã. – Debochei, o que a fez rir.

— Você sabe que não vai ser fácil. Não adianta eu dizer que vai. – Balancei a cabeça concordando. – Você não vai convence-la a qualquer coisa. – Como disse, encorajadora. – Mas eu aposto todas as minhas na Swan. – Continuou. – Emma tem lábia, sabe como ninguém ser persuasiva. Ela é esperta, sagaz. Não tenho dúvidas que vai levar Tinker na conversa. – Concluiu.

— Espero que Tinker não exija nada em troca. – Sim, esse nada significa sexo. Lembro de cada elogio relacionado a sexo, e cada comentário sobre o mesmo assunto, que Tinker já fez comigo sobre.

Zelena achou graça do meu comentário.

— Meu Deus! Que mel tem essa mulher, que é assim tão cobiçada? – Questionou enquanto ria. – Ela deve ser mesmo muito boa de cama. – Afirmei.

— Você não faz ideia do quanto. – Deixei escapar.

— Mais bolo. – A irmã de Emma pediu a Zelena e nosso assunto sobre o desempenho sexual, chegou ao fim.

— É para já, madame. – Meus olhos pararam na menina.

Concluí que estava à vontade com nós. Não estava com vergonha, nem assustada. Estava tranquila ali, sentada nas pernas da minha irmã. Isso me fez observar que é uma criança quieta.

Não consegui ver nela aquela felicidade, aquela empolgação, aquela alegria que toda criança tem. Não vi aquele brilho nos olhos que as crianças costumam ter, que Janis tem.

Triste, ela me pareceu alguém triste. Mentalmente eu me perguntei por que com tão pouca idade, aquela menina já tinha que sofrer? Não é justo, é? Ter um pai agressivo. Ver a mãe apanhar. E só Deus sabe o que mais, ela já viu e ouviu.

Prometi a mim mesma que mesmo não sendo algo que deveria me meter, eu me meteria. Falaria a respeito com Emma, tentaria convence-la a denunciar o pai, e desse jeito, dar um futuro mais digno a sua irmã.

— Tenho vontade de leva-la para casa. – Meu pensamento acabou sendo verbalizado.

— É, eu sei exatamente o que você quer dizer. – Foi o que Zelena me disse.

— Onde é a sua casa? – A menina me questionou ao olhar para mim.

— Nova York. – Contei. – Já ouviu falar? – Balançou a cabeça negando.

— Não. É perto? – Se interessou pelo assunto.

— Não. Fica do outro lado do país. – Me olhava com cara de interrogação. Provavelmente sem entender o que diabos quer dizer país. – Você precisa ir de avião. – Sorriu ao ouvir a palavra avião.

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— Você já foi no avião? – Me questionou.

— Sim. Já fui algumas vezes.

— E você? – Questionou com Zelena.

— Também já fui algumas vezes. – Minha irmã lhe beijou o topo da cabeça.

— Legal! – Exclamou com empolgação, visivelmente achando tal coisa realmente legal. – E como é? – Nos questionou.

— É como se você estivesse dentro de um carro. – Tentei explicar. – Às vezes existem uns buracos invisíveis, então quando o avião passa dentro de um, ele chacoalha, como acontece quando um carro passo dentro de um buraco. – Foi a forma que encontrei para explicar sobre turbulências.

— E você não tem medo?

— Um pouquinho. Na verdade, eu tenho medo de altura. Então preciso sentar longe das janelas, e em hipótese alguma, olhar para elas. – Também gosto de tomar um tranquilizante antes da viagem, algo que me faça dormir boa parte dela, mas isso Anna não precisa saber, certo?

— E você, não tem medo? – Zelena fez a pergunta.

— Acho que não. – Respondeu. – Eu nunca fui em um avião, mamãe diz que precisa de muito dinheiro. – Explicou a Zelena.

— E você gostaria de ir? – Pelo jeito com a pergunta foi feita, tive certeza que a qualquer momento, teria que conter a minha irmã.

— Gostaria muito! – A menina respondeu com empolgação, e Zelena abriu a boca com certeza para falar com a mesma empolgação.

— Não prometa! – Eu fui mais rápida. – Não prometa algo que você sabe que não vai poder cumprir. Não é como se você pudesse mesmo fazer isso. Você não vai ter permissão. – Lhe lembrei do óbvio, a fazendo suspirar e desistir.

— Então quando for verão, se a sua mãe deixar, eu venho te buscar para andarmos de avião. – Zelena não podia prometer, tampouco eu, mas a Srta. Swan, ela eu acho que podia e foi o que fez. Aparentemente tinha se recuperado do choque sobre a morte do ex, e voltado a ser a Emma falante. Tirou a irmã das pernas de Zelena, a aninhou em seus braços e lhe beijou a bochecha. – O que você me diz? – Questionou com a garota, que ao ouvir tal promessa, lhe sorriu grande.

— Você já andou de avião? – Lhe questionou.

— Sim. Andei pela primeira vez faz poucos dias. E hoje eu andei de novo. – Contou.

— E foi legal?

— Muito legal. Eu acho que você vai gostar. – Garantiu a irmã, que procurou pela mãe. A mulher estava encostada no batente da porta da cozinha. Os braços cruzados, os olhos nas filhas.

— Você deixa, mamãe? – Pediu.

— Vamos conversar a respeito. – Foi a resposta que deu. Qualquer outra criança insistiria, bateria o pé, choraria e faria pirraça, até ouvir um sim. Anna apenas balançou a cabeça em concordância e calou-se.

— Vá embora com ela. – A Srta. Swan pediu, ao tirar os olhos da irmã e direciona-los a mãe.

— Emma, não é assim tão simples. – A mulher respondeu.

— É assim tão simples sim. – Insistiu. – Se tudo que você me falou ali na sala, for mesmo verdade, então vá embora com ela. Faça por ela o que você não fez por mim. Faça isso enquanto ainda é tempo. – Continuou. – Olhe só para ela, você acha que ela é uma criança feliz? – Questionou com a mãe. – Ele bate nela? – Quis saber. — Ele bate em você? – Perguntou também para a irmã.

— Não. – Mary Margaret verbalizou, e a menina negou com a cabeça.

— Mas os castigos, eles existem, não existem? – A não resposta da mãe, foi uma resposta. – Vá embora com ela. – Voltou a pedir. – Eu vou sair do lugar onde eu moro, ele vai ficar vago, você pode pegar. Não é grande. Nem médio ele é, mas para vocês duas, com certeza dá. Eu tenho um dinheiro guardado, posso pagar o aluguel enquanto você se ajeita. Por favor, leve ela embora dessa casa. – Ficou claro na voz de Emma, o quão preocupada estava com o bem-estar e segurança da menina.

— Me desculpem a intromissão, eu juro para vocês que nunca fiz isso, não é do meu feitio, mas diante dessa situação, eu não consigo ficar calada. – Foi desse jeito que Zelena começou. – Sra. Swan, eu sei que para a senhora, eu não sou ninguém. Nós acabamos de nos conhecer e a minha irmã apontou uma arma para o seu marido, mas mesmo assim, eu gostaria de lhe pedir do fundo do meu coração, por favor, faça o que sua filha está lhe pedindo. – Zelena também pediu. – Eu me prontifico a também ajudá-la financeiramente com o que quer que seja. Só por favor, tire sua filha daqui. Quem vê de fora, e ouve tudo que foi conversado nessa casa hoje, sabe que esse não é um ambiente para uma criança. – Prosseguiu. – Quem olha para ela, sabe que ela não é feliz. – Ouvir tais coisas, fez com que a mãe chorona de Emma, voltasse a derramar lágrimas.

— Se você quer se redimir comigo, e quer que a sua outra filha não passe pelas coisas que eu passei, você vai embora dessa casa, para bem longe desse homem. – A voz de Emma foi firme e exigente.

Como minha pessoa não estava sendo exigida nem questionada naquele momento, resolvi voltar a comer o bolo, enquanto ouvia atentamente o desenrolar da história.

— Se eu for embora, ele é bem capaz de desistir de abrir mão da sua filha, só para se vingar. – Pelo jeito como falou, tinha mesmo aquele medo.

— Ele não vai. – Zelena voltou a se meter. – Primeiro, porque os papéis já estão assinados. Amanhã mesmo tudo estará resolvido a esse respeito, e mesmo que ele queria voltar atrás, vai ser no mínimo complicado. – Explicou. – Segundo, ele tem medo que venhamos a denuncia-lo pelos atos dele de hoje, e processa-lo pelo abandono da Srta. Swan. – Continuou. – Terceiro, mas não menos importante, você pode e deve denunciá-lo. Deve contar sobre as agressões que ele comete. Sobre os castigos que dá a criança e sobre as ameaças que faz a ela. Deve falar também que até no cachorro ele bate. – Instruiu a mulher. – Desse jeito você vai conseguir uma ordem de restrição, sendo assim ele não vai poder mais chegar perto nem de você, e nem da sua filha. – Finalizou.

— Eu não sei... – Murmurou. – Eu tenho medo, e se eles não acreditarem em mim? – Ela tem o medo que a maioria das mulheres têm. Medo de não ser ouvida. Medo de que não acreditem. Medo de voltar para casa, e ser castigada por ter ido até a delegacia. Medo de apanhar mais. E quem somos nós para julgá-la, não é mesmo? Se muitas vezes quem deveria nos proteger, nos manda para casa, nos manda para o espancamento, e muitas vezes, para morte. Fazem isso sem ao menos nos olhar nos olhos, e ver o desespero estampado ali.

— Eu vou com você. Posso testemunhar sobre as muitas vezes que eu te vi apanhando. – Emma se prontificou. – Posso também falar sobre hoje, sobre o que ele me fez.

— Me prontifico a ir junto. Serei sua advogada, dou minha palavra de que farei com que eles lhe ouçam com atenção. E eu também posso testemunhar sobre o que vi e o que ouvi. – Zelena também se comprometeu. E foi nessa hora que resolvi deixar meu bolo um pouco de lado, e fazer o que minha irmã fez, me meter onde não fui chamada.

— Sra. Swan? – Chamei e ganhei a atenção de todas ela. – A senhora precisa fazer isso. Não é uma opção. – Comecei desse jeitinho. – Eu conheço pessoas más, Sra. Swan, e o seu marido, sem sombra de dúvidas, é uma dessas pessoas. – Afirmei com toda certeza. – Ele esganaria Emma até a morte, se eu não tivesse atirado, eu tenho a mais absoluta certeza que ele faria isso. Eu vi nos olhos dele. – Continuei. – Eu sei que sente medo, eu entendo e não a julgo por isso. E tudo bem a senhora sentir medo, não há nada de errado nisso, mas você deveria ter mais medo de ficar, do que de tentar partir. – Opinei. – Talvez você nunca tenha realmente levado essa história adiante, porque até então, ele nunca tinha agredido fisicamente uma de suas filhas, mas hoje aconteceu, e eu sei que você sabe que nunca para na primeira vez. – De novo ela estava tentando secar as lágrimas. – Eu também me prontifico a ir até a delegacia com vocês e contar a eles tudo que vi e ouvi. – Dou minha palavra. – Zelena e eu estaremos em Las Vegas até depois de amanhã à noite, nesse meio tempo, eu vou torcer para que a senhora pense muito a respeito, se encha de coragem e contate sua filha, pedindo para que venhamos busca-la para acompanha-la até a delegacia. – Como continua lutando com as lágrimas, ela apenas balança a cabeça, aparentemente concordando com o que lhe falei. Depois de tal discurso, resolvo que mereço mais um pedacinho de bolo.

— Você me disse que pediu ajuda a Deus, não disse? – Emma questionou. – Talvez vir até aqui, vá além do que viemos fazer. Talvez Ele tenha nos trazido até aqui para ajudá-la. – Bom, a parte que envolve Deus é de responsabilidade da Srta. Swan.

— Provavelmente Ele fez isso. – Falou com a voz embargada. – Eu acho que eu consigo. Acho que posso. – Não teve nenhum pouco de certeza em tal achar.

— Eu tenho certeza absoluta que você pode e que consegue. – De novo Emma tentou encoraja-la.

— Só me dê um dia, Okay? Eu preciso... – Não terminou a frase. – Eu vou te ligar. – Prometeu. Honestamente eu não tive nenhum pouco de certeza sobre tal coisa.

— Eu vou esperar. Não me decepcione. Não se você realmente quer o meu perdão. – Tais frases soaram um tanto quanto ameaçadoras, ou chantagistas.

— Não vou. – Foi a longa resposta da mulher.

— Já que o assunto está praticamente resolvido... – Comecei. – Será que a senhora poderia me passar a receita desse bolo? – Pedi mesmo e daí? – É o bolo mais delicioso que eu já comi na minha vida. – Elogiei. – Eu estou com sérias dificuldades em parar de comê-lo. – Se olhassem para o pedaço já inexistente do bolo, concluiriam isso.

— Claro! Eu só preciso achar uma caneta. – Passou os olhos pela sua cozinha, provavelmente procurando tal coisa.

— Zelena, dê papel e caneta para a Sra. Swan. – Pedi. Minha irmã balançou a cabeça negativamente, antes de tirar da sua bolsa as coisas que lhe pedi. Mary Margaret, sentou-se ao lado da ruiva e começou a escrever o seu segredo, digo, a sua receita.

— Temos alguém com fome. – Emma sentou-se ao meu lado, sentando a irmã em suas pernas.

— Isso é muito bom. – Elogiei o bolo para ela, que achou graça.

— Eu sei que é. – Pelo menos nesse pequeno ponto da vida, ela teve sorte. – Então você vai se arriscar na cozinha? – Questionou com dúvida e um certo sarcasmo.

— Acredito que me conhece o suficiente para saber que Deus não me deu dotes culinários. – Ela riu.

— Não sei nem se ela sabe como ligar o fogão. – Foi o comentário de Zelena.

— Como se você soubesse. – Retruquei.

— Vocês são muito fúteis. – Emma nos elogiou enquanto ria. – Para que você quer a receita então? – Me questionou.

— Porque Elizabeth sabe ligar o fogão, sabe também fazer bolos. Então vai dar certo. – Respondi e então pensei em algo. – Você sabe fazer esse bolo? – Lhe olhei com segundas intenções, e dessa vez a comida em questão, não tinha nenhuma conotação sexual.

— Se eu tiver a receita, eu sei. – Respondeu ainda rindo. Acabei lembrando da noite de Ação de Graça. O jantar dela estava muito bom. Deve ter herdado os dotes culinários da sua mãe.

— Mais um motivo para eu querer a receita. – Concluí.

— Que interesseira, Srta. Mills. – Implicou comigo e ganhou um dar de ombros. – Mas eu faço o bolo para você. – Prometeu.

— Obrigada!

– Agora me dá um pedaço, deixa eu ver o quão bom está. – Apontou para o pedacinho de bolo que estava no MEU prato, e abriu a boca, esperando pelo mesmo.

— De jeito nenhum. – Falei.

— Regina, me dá um pedaço. – Voltou a pedir, enquanto ria por eu ter lhe ne negado.

— Não.

— Dá. – Insistente.

— Não.

— Então dê um pedaço a Anna. – Suspirei. É feio negar comida a criança, certo?

— Você quer? – Questionei com ela, que balançou a cabeça afirmando. Parecia estar se divertindo com o dialogo infantil que eu e a Srta. Swan estávamos tendo por culpa de um pedaço de bolo. Bom, não me restou outra alternativa a não ser dar um pedaço a menina.

— Agora um pedaço para mim. – Voltou a insistir. Suspirei, larguei meu garfo e passei as mãos pelo rosto.

— Ai, garota! Você é irritantemente insuportável. – Reclamei, e de novo ela riu.

— E você é uma morta de fome! – Me acusou.

— Foi exatamente isso que eu falei para ela. – Zelena meteu-se para falar mal de mim.

— Esse está sendo o meu café da manhã, meu almoço e o café da tarde, e a culpa é sua, então não me chame disso. – Rum!

— Não lembro de momento algum, ter dito para você não comer, aliás, eu insisti para que comece. – Me fez rolar os olhos.

— Eu estava atrasada. – E ela sabia muito bem disso.

— Você deveria pôr seu celular para despertar uma hora antes, Srta. Mills. – E eu ainda precisei ouvir essa provocaçãozinha barata, provocaçãozinha essa que fez Zelena gargalhar. Como não podia responder como gostaria, já que estava na presença da mãe de Emma, resolvi me abster de comentários e ficar em silêncio. – Cadê o meu pedaço, Srta. Mills? – Insistiu e me fez rolar os olhos.

— Você está vendo quanto bolo tem ali? – Apontei para o prato com o mesmo. – Sirva-se. – Lhe dei um sorriso falso e de novo fiz com que risse.

— Eu quero o seu. – Insistiu. – Não quero um pedaço inteiro, só um pedacinho. – Rolei os olhos. Ela é absolutamente chata, quando o assunto é manter o corpo em forma. Não precisava que me falasse que aquele era o único motivo, para não comer os vários pedaços que estava com vontade de comer.

Para que parasse de insistir, peguei meu garfo e muito sem vontade dei um pedaço a ela.

— Obrigada! – Agradeceu de boca cheia, o que me fez a olhar pelo canto dos olhos. – Desculpa. – Pediu ao engolir o pedaço que tanto mendigou.

— Você é solteira? – Mary Margaret, que até então estava no mais profundo silêncio, tirou os olhos do papel onde escrevia a minha receita, para perguntar tal coisa a filha.

— Defina solteira. – Pediu a mãe.

— Solteira. Que não é casada, não é noiva, não namora, solteira. – Foi exatamente nesse momento que eu decidi que infelizmente ou felizmente, eu precisava de mais bolo.

— Eu meio que tenho um relacionamento. – Respondeu sem tem muita certeza sobre.

— Meio? – De novo sua mãe levantou a cabeça para encara-la.

— É complicado. – Começou desse jeito. – Não namoramos, ainda. Mas temos esse compromisso. – Tentou explicar. – Como diria Janis, nós somos namoradinhas. – Contive minha vontade de sorrir, ao ouvir tal coisa.

— Mulher? – Infelizmente a minha receita foi esquecida para que Mary Margaret resolvesse saber sobre a vida da filha.

— Mulher. – Afirmou. Olharam-se nos olhos por alguns segundos, e minha receita voltou a ganhar atenção.

— Você é feliz com ela? – Questionou, dessa vez sem tirar os olhos do que fazia.

— Muito, eu sou muito feliz com ela. – Respondeu de imediato. – Um dia nós vamos casar e ter filhos. – Não sorria, Regina, não sorria. Encha a boca de bolo, e se mostre indiferente, faz de conta que você está alheia a conversa. Faz de conta que esse casamento e os filhos em questão, nada têm a ver com você. Era o que eu falava para mim.

— Eu não entendo, mas aceito... – Falou tal coisa sem tirar os olhos do papel. – Fico feliz por você está feliz. – Essa parte ela falou olhando nos olhos da filha.

— Você sabe que eu não ligo mais para você aceitar ou não aceitar. Entender ou não entender, mas obrigada! – Foi nessa hora que resolvi que tínhamos que ir embora, antes que Zelena resolvesse dar com a língua nos dentes, e me apresentar com a namoradinha de Emma.

— E essa foi a primeira parte complicada, do meu dia que tinha tudo para ser excelente, Leão. Foi tão complicada, que as energias para segunda parte, que seria Tinker, acabaram esgotando-se. Então adiamos ela para amanhã de manhã. – O camaleão não dá a mínima para mim, mas eu precisava falar com alguém, e bom, o bicho exótico que a Srta. Swan diz que é de estimação, é um ótimo ouvinte. Não se intromete, não me corta, não me atrapalha e não me julga. – Pelo menos eu comi o bolo e ganhei esse pedaço. – Falo ao levar mais um pedaço a boca. Mais uma vez no dia, eu suspiro por ele. – Isso é muito bom! – Elogio. – Eu daria uma migalha para você experimentar, mas não sei se você pode. Vamos descobrir. – Alcanço meu celular que está em cima do criado mudo da Srta. Swan e abro o Google.

“O que camaleões comem?” Pergunto ao sabe tudo.

— Grilos, larvas de moscas e baratas. – É a resposta que o Google me dá. – Ew! – Faço cara de nojo. – Ew! Ew! Qual o seu problema? – Questiono com ele. – Nunca, jamais, em hipótese alguma, toque a sua língua nojenta em mim. – Não é um pedido é uma ordem.

— Com quem você está falando? – Emma que tinha me abandonado para ir até a senhora que cuida de Janis, finalmente está de volta.

— Com seu camaleão. Você deixou ele aqui para que conversássemos, nós conversamos. – Respondo ao dar de ombros. Ela ri. – O que você dá para ele comer? – Por favor, que não seja larvas de moscas, por favor!

— Grilos. – Obrigada, Deus! – Por quê?

— Graças a Deus! – Solto com o ar. – Porque fui pesquisar o que ele come, larvas de moscas e baratas estavam entre os alimentos. – Faço aspas com as mãos na palavra alimentos.

— Ele come mariposas também, besouros, joaninhas. Não é enjoado. – Fala com orgulho.

— O que ele tem contra bolos, carnes, pizzas? – Mais uma vez ela ri.

— Nada. Só não fazem o tipo dele. – Responde. – O que é muito bom, porque se tivesse que disputar bolo com você, ele morreria de fome. – Poderia dizer que é mentira, ou exagero, mas nunca se sabe, não é mesmo?

Vem até onde estou e senta-se na beira da cama.

— Minha mãe conquistou você pelo estômago. – Seus olhos estão no pequeno pedaço que ainda tem no meu prato.

— Ainda não. Porém, se ela cozinha qualquer outra coisa, tão bem quanto faz bolo, tem tudo para conquistar. – Dou o último pedaço do prato para ela, que aceita de bom gosto. – Como você está? – Por fora, tenta demonstrar que está bem, mas sei que não é bem assim. Sei que por dentro, deve estar reprisando muitas coisas e deve estar preocupada com muitas outras.

— Desejando que esse dia termine. – Solta com ar. – Foi um dia turbulento. – Concordo com a cabeça. – Meu pai quis literalmente me matar. Eu descobri que tenho uma irmã. Descobri também que o pai da minha filha está morto... – Seus olhos parecem pedir ajuda aos meus. – São muitas coisas para assimilar. – Volto a concordar com a cabeça.

— Vá com calma. – Toco sua mão. — Você não precisar assimilar, digerir, tudo de uma vez. – Aconselho. – Tudo bem você não ser sempre forte, Srta. Swan. Tudo bem desabar as vezes. – Ao ouvir tal coisa, lágrimas acabam represando nos olhos dela. Suas mãos logo tratam de nem deixar que as mesmas caiam. – Tudo bem você deixar as lágrimas rolarem. Tudo bem você baixar sua guarda. Tudo bem você sentir, mesmo achando que eles não mereçam que você sinta. Tudo bem, Emma. – Falo ternamente enquanto afago suas mãos. Seus olhos estão baixos, e ela já não tenta mais livrar-se das lágrimas.

— Eu só... – Ela não termina a frase, desiste e se limita a chorar.

— Tudo bem, está tudo bem. – Desencosto-me da cabeceira da cama, coloco as pernas para fora e levanto-me da mesma. Ajeito o travesseiro e bato com a mão no mesmo. – Deite aqui. – Peço. Ela instantaneamente faz.

Com a gaiola do camaleão em uma mão, e o prato do bolo em outra, eu me retiro do quarto. Deixou Leão na sala, o prato dentro da pia e volto para o quarto.

Ela está deitada de barriga para cima, os olhos fechados, lágrimas escorrendo pelos mesmo. Chora silenciosamente. Coisa que tenho certeza que fez muitas vezes, durante esses últimos anos.

Vou até o pé da cama e tiro-lhe os tênis e as meias. Desdobro a coberta que aqui estava e lhe cubro até a cintura. Então sento-me na beira da cama, lugar onde minutos atrás, ela estava. Levo as mãos aos seus cabelos e os afago.

— Deite-se aqui comigo. – Sua voz sai falha, embargada. Seus olhos continuam fechados.

Acatando seu pedido, me meto debaixo da coberta e deito-me ao seu lado. Aqui estou eu de novo, em outra cama, porém com um pedaço igualmente pequeno da mesma. E de novo eu não trocaria esse lugar, por qualquer outro lugar no mundo.

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— Eu vou cuidar de você. – Prometo a ela enquanto afago seus cabelos. – Não vou deixar que lhe façam mais nenhum mal... – Continuo. – Eu nunca vou lhe dar as costas. Pouco importa se no fim dessa história nós venhamos a terminar juntas, ou não. Eu nunca vou abandona-la, Emma, nunca. – Minhas palavras fazem seu choro se intensificar. – Você vai ter sempre a quem recorrer, a quem pedir colo, onde se esconder. Você nunca mais vai precisar chorar sozinha, nunca mais. Eu vou chorar com você. Eu vou rir com você. Eu vou ganhar com você. E quando ou se, você perder, o mesmo vai acontecer comigo. – Passo a mão por seu rosto, tentando secar um pouco das suas lágrimas. – Mais do que uma namoradinha, uma amante... mais do que a mulher com quem você quer casar e ter filhos, mais do que qualquer coisa, você sempre vai encontrar em mim uma amiga. Alguém que tem muito orgulho de você, da sua trajetória, da mulher que você se tornou... – Faço uma pausa para tomar ar. – Não importa a quantos quilômetros de distância nós venhamos a estar uma da outra, quando você precisar de mim, sem importar o dia, ou o horário, eu virei. Você tem minha palavra de que virei. – Finalizo.

— Eu não quero perder você. – A frase é chorada. Seus braços agarram-se a mim e me apertam ali.

— Você não vai me perder. – Lhe garanto.

— Eu estou tão cansada, Regina! Tão cansada de perder pessoas. De ter que ir embora. De ter que fazer de conta que não me importo. – A frase sai em pedaços, em soluços.

— Eu sei... – De novo sinto-me arrependida por não ter atirado contra o tal David. Ele não tinha esse direito, não mesmo. Não com essa pessoa. Não com a própria filha. Não depois de tudo que já tinha lhe feito. – Você tem ganhado pessoas, Srta. Swan... – Afago suas costas com minha mão. – Você tem uma filha linda, inteligente, gentil e amorosa. Ela ama tanto você, é algo tão explícito no jeito como lhe olha. – Falo ternamente. – Você tem Killian, que apesar de ser Killian, é alguém que também a ama e que nunca lhe dará as costas. – Continuo. – Você tem Zelena, que já é praticamente sua melhor amiga no quesito perversidades... – Talvez eu tenha a ouvido rir. – Você não a conhece direito, mas posso lhe garantir que Zelena é fiel as amizades que tem, não é o tipo que dá as costas a um amigo. – Ela funga, aparentemente, está conseguindo se acalmar. – E você tem eu. Rabugenta, zangada, irritada, muitas vezes de mal com o mundo, que também pode atirar objetos vez ou outra... – Ah sim, dessa vez ela com certeza riu. – Mas que lhe quer bem. Que lhe deseja todas as coisas boas, tudo de melhor que esse mundo pode lhe dar. – Funga mais algumas vezes, então afrouxa os braços do meu corpo, e afastasse um pouco, para que possa me olhar. Seu rosto esta vermelho, os olhos inchados por tudo que chorou.

Lhe sorrio e levo a mão ao seu rosto, tentando tirar de lá, as lágrimas que sobraram.

— Nunca se vá, Regina. – Ao pedir tal coisa, mais lágrimas acabam fugindo de seus olhos.

— Prometo ficar, Emma! – Dou minha palavra. Ela me sorri, concorda com a cabeça e outra vez passa a mão pelo rosto.

— Sabe... – Continua tentando dar fim as lágrimas. Quanto aparentemente consegue tal coisa, toca meu rosto e esboça um pequeno sorriso. – Você foi bem romântica/brega me falando todas essas coisas. – Ao ouvir tamanha provocação, concluo que ela com certeza se recuperou da crise de choro e voltou a ser ela de novo.

Arqueio as sobrancelhas, incrédula com o que acabei de ouvir. Tal coisa a faz rir.

— Você é impossível, Srta. Swan. – Tento esbravejar com ela, mas acabado não conseguindo não rir também.

— E você é a mulher mais linda, mais cheirosa, mais inteligente, mais zangada, mais irritada, mais solidária, mais altruísta, mais romântica não romântica, mais brega não brega, que um dia meus olhos tiveram o prazer de ver, e que eu tive a sorte de conhecer. – Depois eu quem sou romântica/brega. – É por isso que eu preciso que você nunca se vá. Eu não conseguiria preencher os vazios que você deixaria na minha vida, muito menos o vazio que você deixaria na minha alma. – Um suspiro bobo apaixonado, juntamente com um sorriso tão bobo e apaixonado quanto. É desse jeito que lhe respondo.

— Para não correr o risco de voltar a ser romântica/brega ou brega/romântica, eu vou beija-la agora, Srta. Swan. – Aviso antes de juntar os lábios aos dela.

Deus! Eu não sei se você ainda me ouve, ou se já desistiu de mim. Não faz muito tempo, eu quem tinha desistido de você. Então Emma aconteceu, e a fé inabalável que ela tem você, fez com que eu voltasse a acreditar e lembrar da sua existência. Sei que já lhe pedi algumas coisas, e só você sabe os motivos por não ter me concedido elas. Mesmo não aceitando, eu estou tentando entender.

Eu gosto dela sabe, eu gosto muito dela. Eu não posso dizer que a amo, porque sempre que falei sobre as pessoas que amo para você, elas acabaram indo embora. Então vamos usar esse termo, eu gosto muito dela.

Então por favor, Deus, por favor, não leve ela de mim. Me deixe ficar com ela. Sei que teremos um caminho difícil, tempestuoso pela frente. Sei que pessoas podem se machucar, mas por favor, que não seja ela, nem Janis. Me deixe ficar com elas. Porém se por algum motivo você não puder, se você tiver que escolher, ou coisa assim, então leve a mim. Deixe Emma e leve a mim. Amém!

Notas finais
Terminamos aqui a primeira parte. Agora é com vocês, me digam o que acharam. Aproveitem e me conte também, como vocês imaginam o final entre as duas. Combinado? Provavelmente lá para sábado eu volto com a segunda parte. Bom resto de semana para vocês! Beijos