Notas iniciais
E aí, amiguinhas? Tudo certo com vocês? Sei que pedir desculpas pela demora não resolve nada, mas mesmo assim, me desculpem. Muito obrigada a todas que passaram por aqui, e deixaram aquele review bacana. Obrigada pelo carinho, pelas cobranças, e até pelas ameaças =D Sobre o capítulo, ainda não tem o que vocês querem, mas estamos encaminhando para isso. Vocês vão ver que a Regina está mais relaxada, mais amiga, mias aberta. Digamos, quase acessível. Então aguentem mais um pouquinho, combinado?

— Você está bonita. — A voz arrastada a minha filha elogia, enquanto me olho no espelho.

Jeans escuro, regata, uma das minhas muitas jaquetas de couro, um par de vans. Geralmente, essa sou eu quando não estou trabalhando. Gosto de me vestir assim, e nunca me importei com opinião alheia, mas nesse exato momento, gostaria muito de uma opinião.

Na verdade, gostaria que Killian estivesse aqui, e escolhesse a roupa que devo usar. Okay, eu vou só ao cinema, e nem tenho muita certeza sobre isso. As pessoas se vestem de qualquer jeito para idas ao cinema. Algumas vão até de pijama. Então não tem porque eu me importar com isso, certo? Certo. Mas no momento, estou me importando.

Suspiro e me volto para Janis.

— Eu não sei. — Levo as mãos a cintura. — Não acha que deveria me arrumar mais? — Junta as sobrancelhas enquanto me analisa. — Pôr um vestido, saltos, esse tipo de coisa. — Sua expressão muda para confusa. Seus olhos passam por mim até por fim ela dar de ombros.

— Você vai a uma festa? — Nego.

— Não. No máximo em um cinema drive-in, se é claro, Regina não me chutar assim que ouvir a ideia. — Para ela, é só mais um dia normal, onde iremos “correr”. Está certo que mandei algumas mensagens pedindo a ela que me pegasse em casa e explicando que iremos a um lugar diferente, o problema é que não expliquei o que iremos fazer lá, então ela com certeza acha que só o que mudou, foi o lugar da corrida.

Corrida, coisa essa que ainda não aconteceu. Estamos nos encontrando tem quase uma semana, mas todos os planos que envolvem uma corrida, acabam aí. Sempre acabamos sentando no mesmo banco, da mesma praça e nos perdemos lá, falando sobre a vida. Não que falemos muito sobre a vida dela, já que é quase impossível arrancar alguma coisa daquela mulher difícil. A maior parte das vezes conversamos sobre a minha vida, ou sobre Janis e os vários desenhos que ela tem mandado para a Srta. Mills, que sempre mostra seus dentes perfeitos ao vê-los.

— Ainda não entendi porque não posso ir junto. — Mais uma vez, faz a mesma reclamação.

— Porque já são quase 23:00hrs, ou seja, você já deveria estar dormindo. — Minha desculpa a faz rolar os olhos.

— Amanhã é dia de ficar em casa. — De novo me dá a mesma resposta.

— Mesmo assim, você precisa dormir. Janis, crianças da sua idade dormem cedo.

— Eu acho que você está mentindo. — Me olha com desconfiança.

— Mentindo sobre o quê? — Arqueio uma sobrancelha.

— Você não quer que eu vá junto, porque você quer dar uns beijos de língua na Srta. Mills. — Sua resposta inesperada me deixa de boca aberta.

— O quê? — Questiono, ainda sem acreditar no que acabei de ouvir.

— Foi o que o tio Killian disse. — Responde na defensiva. — Pôr a língua na boca das pessoas é nojento, mami. — Faz cara de nojo enquanto me repreende. — Por que você faz isso? Ew! — Balanço a cabeça negativamente, enquanto penso em algumas formas de matar Killian.

— Eu não faço. — Respondo e ganho mais um olhar desconfiado.

— Não? — Suspiro e vou até ela. Me sento na beira da cama.

— O que mais Killian andou falando para você? — Mudo de assunto. Ela me analisa, enquanto parece pensar se me conta ou não.

— Não posso falar, porque ele disse que é segredo nosso, e que se você ficar sabendo, vai brigar muito com ele.

— Eu já vou brigar muito com ele, e se você não me falar, vou brigar mais ainda. E vou brigar com você também. — Me olha um pouco assustada. — Conte-me, ou eu deixo você de castigo. – Minha ameaça faz seus olhos crescerem.

— Mas eu não fiz nada. — Se defende.

— Então me conte. — Bufa e cruza os braços. Tenho certeza que está se esforçando para não me chamar de chata. — Estou esperando. — Volta a bufar, seus olhos indignados saem de mim e miram um ponto qualquer.

— Ele disse que você está apaixonada por ela e que quer que ela seja minha outra mãe. — Sim, com certeza vou matar aquele viado alucinado. — Isso é verdade? — Não digo nada, apenas nego com a cabeça. — Você não está apaixonada por ela?

— Não. — Sou enfática.

— Tem certeza? — Insiste.

— Janis, desde quando você sabe o que é estar apaixonada? — Da de ombros.

— Tio Killian disse quando uma pessoa está apaixonada, ela fica bobinha, assim como o Ross, quando vê a Rachel em Friends. — Me explica. — Suspira, e fala muitas bobagens, e olha com cara de gente boba, e sonha. Você sonha. — Me acusa. — Às vezes eu acordo com você chamando por ela. — Abro e fecho a boca algumas vezes. – E você também fica bobinha. Naquele dia no parque de diversões, você olhava para ela de um jeito engraçado. – Continua com as acusações.

— Eu não estou apaixonada por ela. Eu só... — Eu só o que mesmo? Okay, esse é o tipo de conversava que não me imaginava tendo com Janis. Estou sendo encurralada, acusada, pressionada, por uma criança de seis anos. Criança essa que é minha filha. Isso não é justo. — Só gosto dela. – Solto com o ar.

— Você não quer que ela seja minha outra mãe? – Como nesse mundo não existe nada de ruim que não possa piorar, ela sai de uma pergunta difícil e vai para uma impossível.

— Janis, mesmo que eu queira, Regina não gosta de meninas. — Me esquivo.

— Tio Killian disse que você pode fazer ela mudar de ideia. – Ai, o tio Killian, coitado dele quando aparecer por aqui.

— Não acredito que eu possa fazer isso. — Sou sincera.

— Ele disse que eu posso ajudar com isso, porque ela gosta muitão de mim, e eu posso fazer ela gostar muitão de você também. – Fala com certeza e segurança, como se fosse expert no assunto. — Por isso você tem que me deixar ir junto. – Indignada, balanço a cabeça muitas vezes, lhe negando.

— Meu Deus, como eu quero matar Killian. — Esbravejo. — Janis, Regina e eu somos amigas, só isso. — Deixo claro. Para iludida nessa história, já basta eu.

— E se ela quiser ser sua namoradinha? — Se ela quiser ser minha namoradinha, provavelmente eu estarei sonhando, ou delirando, ou vivendo em um mundo paralelo. Algo como, Emma no país das Maravilhas.

— Eu já tenho uma namorada. — Cutuco seu nariz, enquanto tento mudar o foco da conversa.

— Você é apaixonada pela sua namorada? — Paciência Emma, lembra-se, Killian é o culpado. É nele que você tem que descontar toda a sua raiva.

— Não.

— Você dá uns beijos de língua nela? — Lhe lanço um olhar de censura.

— Janis!!! Não quero que você fique falando isso. Esse não é um assunto para alguém da sua idade. Se eu ouvir mais alguma coisa sobre beijos de língua, você vai ficar de castigo, está ouvindo? — Abre a boca para me responder, mas provavelmente meu olhar zangado a faz desistir.

— Sim. — É tudo que responde.

— Ótimo!

— Você quer que ela seja minha outra mãe, ou não? — A insistência no assunto me faz bufar.

— Não! — Esbravejo. — Talvez. – Solto com o ar. — Não sei. – Sussurro ao passar as mãos pelo rosto. — Talvez. – É minha resposta final.

— Talvez é sim. – Responde, enquanto tenta não sorrir. — Me leva junto com você. Eu posso ajudar. — Nego, jogo uma perna para cima da cama e me volto para ela.

— Você precisa ficar em casa. – Coço a cabeça, enquanto penso o que falar e como falar. — Ouça... – Suspiro. – Mesmo que eu queira que ela seja a sua mãe, e eu não estou dizendo que quero, isso é algo que tem que vir dela, entendeu? Nós não podemos obriga-la. É muito chato fazer alguma coisa que você não quer, não é? – Acena em concordância. – Então, se você ficar insistindo para ela fazer algo que ela não quer fazer, ela vai embora, e não vai ser mais nem nossa amiga. É isso que você quer? – Nega. – Ótimo. Também não quero isso. Então não dê ouvidos para o desmiolado do Killian, Okay? – Apesar de me olhar com cara de cão que caiu da mudança, concorda. – E tem outra, adultos as vezes precisam de um tempo sozinho. – Junta as sobrancelhas.

— Para quê?

— Para conversar sobre coisas de adultos. — Explico.

— Mas vocês já conversaram sobre coisas de adulto um monte de noites. – Reclama comigo.

— Hoje vai ser diferente, vou leva-la ao cinema. – Me lança um olhar de interrogação.

— E o que tem? – A verdade é que não tem nada, e sei muito bem disso. Mais no fantástico mundo de Emma, posso quem sabe, só quem sabe, tirar uma casquinha.

— Não tem nada. – Lamento. – Nada. – Solto com o ar. – Mas você não pode ir mesmo assim. – Cruza os braços e bufa.

— Você é muito chata! – Reclama.

— Obrigada! Também amo você. – Lhe lanço uma piscadela, enquanto ela me mostra a língua. Meu telefone que está jogado ao seu lado e começa a tocar, ganha sua atenção. Abre um sorriso largo, ao ver a cara de poucos amigos da Srta. Mills, aparecer na tela. Sem minha autorização, pega o celular, e atende a chamada.

— Olá, mulher bonita! — Sua saudação me faz sorrir e balançar a cabeça negativamente.

— Sua melhor amiga acabou de chegar. — A voz de Killian me faz esquecer Janis e a ligação. Lhe lanço um olhar nada amigável, me ponho de pé, esbarro minhas mãos em seu peito, e lhe puxo pelo braço para fora do quarto.

— O que eu fiz? – Está assustado.

— Você sabe o que você fez. – É tudo que respondo.

— Exijo a presença dos meus advogados. — O empurro contra o sofá e pego sobre mesa de centro, a grossa lista telefônica, que Janis achou no lixo da vizinha. — Hey, não é para tanto. — Os olhos dele crescem, ele se encolhe no canto do sofá.

— O lado esquerdo, ou o direito? — Indago ao parar em frente a ele.

— Nenhum. Você quer deslocar meu maxilar? Esse rostinho lindo merece beijos, não uma lista telefônica. — Se defende.

— Esquerdo ou direito? — Volto a questionar.

— Emma, eu tenho um homem para beijar ainda hoje. Além disso, tenho que pôr minha boquinha linda em... você sabe... Dependendo da força que você me bater, não vou... — Rolo os olhos e decido não lhe dar opção de escolha.

— Okay, esquerdo. — Antes que ele consiga pensar em fugir, a lista telefônica acerta em cheio o lado esquerdo do seu rosto.

— Auuuuu.... — Uiva feito um lobo afeminado. — Au...au... au... — Leva a mão até o lado atingido, massageando a área. Me olha magoado, enquanto chora. — Sapatão do inferno! – Esbraveja em tom manhoso.

— Viado fofoqueiro! — Rebato. — Beijar de língua?! Sério que você anda falando isso para uma criança de seis anos? Apaixonada? Outra mãe? Qual a porra do seu problema? — Acabo falando mais alto do que deveria, enquanto acerto a lista telefônica em sua cabeça. Suas mãos tentam agarrar as minhas, em uma tentativa de defesa.

— Okay, posso ter exagerado no beijo de língua, mas todo o resto... — Da de ombros. — São apenas verdades. – Rouba a lista telefônica e empurra minhas mãos para longe.

— Não, não tem nada de verdade nisso. — Esclareço. — Pare de assistir essas porcarias de filmes de romance. Pare de acreditar nessas coisas. E principalmente, pare de iludir a minha filha. Você é louco! — Me olha magoado.

— E você é cega! — Aponta o dedo em minha direção. — Qual o problema? Qual o problema gostar de alguém? Qual o problema se apaixonar? Qual o problema amar? – Aumenta o tom de voz.

— Nenhum, quando se acredita em todas essas merdas. Eu não acredito, e você sabe disso. Então tudo que eu menos preciso nesse momento, é que você faça a cabeça de Janis. – Minha voz soa mais alta do que a dele.

— Só achei que ela pudesse ajudar. – Recua.

— Não preciso de ajuda. – Esclareço.

— Emma... – Ele se põe de pé, me segura pelos ombros e me encara. – Eu não acredito em Deus, mas nem por isso ele deixa de existir. – A mudança de assunto me faz lhe lançar um olhar de interrogação. – Nem por isso eu deixo de rezar para ele, quando estou em apuros. Sabe por quê? – Nego. — Porque no fundo, bem lá no fundo, eu sei que ele existe, mas tenho medo de que ele não me aceite assim, como eu sou. Então é mais fácil fazer de conta que ele não existe, fazer de conta que não me importo, que não estou nem aí. – Balanço a cabeça negativamente.

— Killian, sabemos que eu não sou exatamente uma religiosa para lhe dar conselhos sobre isso. – Resmungo, enquanto ainda tento entender onde ele quer chegar. – Mas se você parar de falar sobre beijos de língua para crianças, e sabe-se lá Deus, o que mais você fala, provavelmente ele vai aceitar você. – Opino. – E se ele não aceitar quem você é, então talvez ele não mereça você. – Esboça um sorriso e concorda.

— Nem todo mundo vai magoar você, como seus pais magoaram. E se fazerem, é porque com certeza não merecem você. – Rolo os olhos ao entender onde ele quer chegar. – E não é porque você diz que não, que não está pelo menos, apaixonada por Regina Mills. – Não digo nada, bufo e desvio os olhos, é mais fácil terminarmos o assunto, se eu simplesmente não der trela.

— Eu preciso ir. – Aponto em direção a porta.

— Okay, pode ir. Mesmo você não merecendo, você sabe que estarei aqui com a sua filha, enquanto você curte a sua amizade pura e sincera. – Rolo os olhos.

— Minhas roupas. – Aponto para mim. – Você acha que estou bem assim? – Ele ri, debochando da minha cara, e da minha “amiga”.

— Para um encontro de amigas, está ótima. – Debocha um pouco mais.

— Vá se ferrar, Killian! – Praguejo ao lhe dar as costas e voltar para o quarto. – Janis, meu celular? – Peço sem paciência, enquanto lhe estendo a mão. Me faz sinal para esperar, enquanto ri de alguma coisa que Regina fala, como se de repente, Regina falasse muitas coisas engraçadas.

— A mami está um pouco brava. – Conta para sua melhor amiga. – Está pedindo para que eu devolva o celular. – Cruzo os braços e bato o pé impacientemente contra o chão. – Tio Killian me contou que quando as pessoas beijam na boca, elas brigam de língua. – Balanço a cabeça negativamente, com o mais novo detalhes que ela dá a Srta. Mills. – É, eu sei, ela já me disse. – Pelo tom envergonhado que resmunga tal coisa, concluo que está ganhando uma bronca. – Prometo. – Rolo os olhos pelo jeito com o qual promete. Pelo jeito preciso pegar umas dicas com Regina, de como fazer Janis agir assim. – Okay, boa noite! Estou com saudades, quando você vem me ver? – Acho a pergunta muito, muito interessante. – Tudo bem. Beijos, tchau! – Suspira e me devolve o celular.

— Quando ela vem ver você? – Questiono só por curiosidade.

— Não sabe. Disse que outro dia liga para combinar. – Lamenta.

— Deixa isso comigo. – Me inclino para beijar seu rosto. – Agora eu vou. Boa noite e juízo você e Killian. Estou de olho nos dois. – Concorda, pendura os braços no meu pescoço e dá um beijo estalado no meu rosto.

— Amo você, chata! – Me faz rolar os olhos.

— Também amo você, filha legal! – Lhe dou mais um beijo e me afasto. – E nada de televisão. Escova os dentes e cama. – Ordeno antes de me retirar do quarto. – Killian, qualquer coisa, me ligue e se você falar mais alguma coisa imprópria para idade de Janis, juro que faço você engolir a lista telefônica. – Levanta as mãos em juramento.

— Não está mais aqui quem falou qualquer coisa. – Pisca para mim. – Mas que você está apaixonada, ah, isso está. – Contenho minha vontade de meter a mão na sua cara, lhe dou as costas e me retiro.

Desço as escadas bufando, enquanto penso qual o problema desse bicha. Killian sempre foi pateticamente romântico, mas desde que conheceu o namorado atual, tal romantismo triplicou de tamanho, e quem sofre com isso sou eu.

Agora ele inventou essa história de me arrumar alguém para amar, apaixonar, ou qualquer sentimentalidade do tipo. E não, por algum tipo de problema, o cérebro pequeno dele não aceita que não acredito, não quero, e não vou me envolver sentimentalmente com alguém.

Okay, está certo que esse alguém em questão, é Regina Mills, e está ainda mais certo, que mesmo que hipoteticamente eu quisesse ter algo sério com ela, ela não teria algo de nenhum tipo comigo. E também não sei nem porque estou pensando sobre isso. Maldito Killian! Além de ser um viado fofoqueiro, ele também faz bruxaria.

Abro a porta do carro de guerra de Regina e entro no mesmo, muito de mau humor, acabado batendo a porta com mais força do que deveria, o que ganha a atenção dela.

— Boa noite! – Infelizmente, minha saudação não sai nada feliz.

— Tudo bem? — Me olha atentamente, aparentemente me analisando ou coisa assim.

— Sim. — É tudo que respondo, faço isso sem ao menos olha-la, como se de repente a culpa fosse toda dela, e de certa forma, é mesmo. Me olha por mais um tempo, até por fim vestir seu semblante de indiferença e tirar os olhos de mim.

— Okay. — Da a partida no carro, e para minha infelicidade, não fala mais nada, o que me faz bufar. As vezes isso me irrita, o jeito indiferente como ela me trata. Quer dizer, ela sabe que não está tudo bem, tenho certeza que sabe, mas ao invés de tentar pelo menos mais uma vez saber o meu problema, ou de me dizer alguma palavra idiota de consolo, prefere apenas se calar.

Me irrito ainda mais por estar pensando sobre isso. Por que diabos eu quero que ela se importe? Eu não quero, certo? Ou pelo menos não deveria querer. Sempre fugi de pessoas que tentam tal coisa. Então por que estou dando importância a não importância dela? Por que gostaria de vê-la insistir para saber sobre o meu problema? E por que diabos eu gostaria de falar sobre ele com ela?

Que merda! As graves acusações de Killian, elas acabam parando na minha cabeça.
— Mas que merda! – Me expresso em voz alta, o que a faz me espiar pelo canto dos olhos.
— Tem certeza que está tudo bem, Srta. Swan? — Primeiro balanço a cabeça afirmando, logo em seguida balanço a cabeça negando.

— Eu odeio ele! — Esbravejo. — Odeio!

— Okay! – Resmunga. De novo não me pergunta nada, limita-se a me acompanhar no silêncio. Não sei se faz isso porque sabe que vou acabar falando, ou porque não tem interesse em saber quem estou odiando. Como meu sobrenome poderia muito bem ser trouxa, prefiro acreditar na primeira opção.

— Você acredita em amor? — Questiono e para minha surpresa ela responde quase que de imediato.

— Sim. — Fala com toda a certeza do mundo.

— O quê? Não, você não pode! — Reclamo. — Não você. — Se até a insensível e inabalável, Regina Mills, acredita nessa coisa, então talvez exista mesmo. — Deixe-me especificar. – Resolvo tentar de novo. — Quero dizer, amor entre duas pessoas, tipo, casais. Duas pessoas se olhando e os corações saindo pelos olhos. — Não sei porque, mas ela ri.

— Sim, acredito. — Responde sorrindo. — Muito embora nunca tenha visto corações saindo pelos olhos. — Acabo esboçando um sorriso ao vê-la sorrir.

— Você sabe que foi só um jeito de dizer. — Balança a cabeça concordando. — Não acredito que você também acredita nisso. Você mais do que ninguém, deveria não acreditar. — Junta as sobrancelhas e me olha brevemente.

— Por quê? — Quer saber.

— Porque você é Regina Mills. — Da de ombros, aparentemente não entendendo o que eu quero dizer. — Você tem todo esse jeito, durão, impenetrável, inacessível, superior, inabalável. — Faz o mesmo de sempre, revira os olhos.

— Quantos elogios, Srta. Swan. — Debocha.

— Desculpa. Só não imaginava que você fosse uma reles mortal, como todos os outros que acreditam nessa historinha de amor, felizes para sempre. — Faço vomitar.

— Não coloque palavras na minha boca, Srta. Swan. Disse que acredito no amor, não disse que acredito no felizes para sempre. — Suspiro e prendo meus olhos nela, que mantém a atenção no trânsito.

— E quem acredita nisso, não vive procurando o príncipe para ser salva e viver feliz para sempre? — Nega.

— Não. Por um acaso você vai viver para sempre? — Volta a me olhar brevemente.

— Até onde estou sabendo, morrerei um dia. — Balança a cabeça concordando.

— Então aí já derrubamos a teoria do felizes para sempre. Nada dura para sempre. – Conclui.

— Eu sei. Mas quando digo felizes para sempre, quero dizer, dividir uma vida, família, filhos, cachorros, etc, etc, até o dia em que você morrer. – Explico. — Você acha isso possível? — Batuca os dedos contra o volante, enquanto parece pensar a respeito.

— Talvez? — Responde com incerteza.

— Rá! — Bato palmas e aponto para ela. — Está vendo? Você não acredita. — Acuso.

— Você não precisa dividir uma vida, família, filhos, cachorros, etc, etc, para amar alguém, Srta. Swan. Você ama muito antes disso tudo, você ama com as poucas informações que tem. — Ela suspira. — Não acredito que estamos debatendo sobre o amor. — Parece falar consigo, enquanto balança a cabeça em reprovação.

— Por favor, continue. Termine sua teoria. — Ao parar em um sinal, ela se volta para mim.

— O que faz você sonhar, e fazer planos, com alguém, Srta. Swan? — Dou de ombros.

— Não sei, faltei nessa aula. – Faço pouco caso.

— Amor. — Reponde o que com certeza eu não responderia. – Às vezes você conhece alguém, e por algum motivo você simpatiza com esse alguém, mais do que simpatiza com outros alguéns. Então vai acontecendo. – Volta a prestar atenção no sinal. – Quando você percebe, já está envolvida demais, dependente demais. – Põe o carro em movimento. – E é a partir desse ponto que vem os planos, os sonhos, etc, etc. Você sabe que esses planos, são apenas hipóteses, mas não se importa e talvez não deva mesmo se importar. – Parece perdida em seus pensamentos. A verdade é que eu não sei se ela está falando comigo, ou com ela mesma. – Enfim, você tenta. Às vezes dá certo, outras não. – A frase termina quase em um sussurrar. Meu queixo com certeza está um pouco caído, com tudo que acabei de ouvir. Quer dizer, quem é essa mulher e o que ela fez com Regina Mills? Abro e fecho a boca algumas vezes, sem ter certeza do que devo dizer.

— Wow! – Deixo escapar a primeira idiotice. – Okay, eu não sei o que dizer. – Admito. – Quer dizer, talvez, só talvez, isso faça um pouco de sentido. – Esboça um sorriso e concorda com a cabeça. – Quer dizer, nunca tinha pensado desse jeito. Quando penso nessa coisa de amor, penso nessa gente louca, com sede de amar, sabe? Procurando desesperadamente alguém para ser feliz, para viver essas coisas bonitinhas que estão nos livros e nos filmes, mas que sabemos que não existem. – Opino.

— Ninguém é feliz como nos livros e nos filmes. Todos temos problemas, diferenças. — Concordo.

— Também acho que se isso existe mesmo, talvez não valha a pena. “Amor é entregar a alguém uma arma e deixa-lo apontar para a sua cabeça, acreditando que ele não vai puxar o gatilho”. Esponja Bob. – Ela junta as sobrancelhas e me olha com semblante de indignação, enquanto tenta não rir.

— O desenho? – Acabo rindo do jeito como me olha.

— Sim, o desenho. Sou um amendobobo, yeah! – Abre e fecha a boca algumas vezes, balança a cabeça negativamente, e volta a concentrar a atenção na estrada.

— Às vezes eu acho que você tem no máximo uns treze anos, Srta. Swan. – Seu comentário me arranca uma gargalhada.

— Errou por míseros dez anos. – Fecho minha mão em punho e esbarro gentilmente no braço dela. – Foi um desenho quem disse isso, talvez não seja muito maduro, mas você precisa concordar que faz total sentido. – Me espia pelo canto dos olhos.

— Talvez faça. – Claro que não vai simplesmente concordar, caso contrário não seria Regina Mills.

— Você sabe que faz e muito. Essa coisa, essa história, esse sentimento, não é algo que depende só de você. Tem uma outra pessoa, um outro lado, uma outra vida, envolvida em tudo isso. E você está se entregando a essa pessoa sem ter nenhum tipo de garantia. E isso é assustador. – Só de pensar sobre o assunto, me sinto nervosa, ansiosa, angustiada ou algo assim.

— Talvez se torne um pouco menos assustador, se você pensar que o outro lado é tão refém quanto você. – Opina.

— Não sei. Essa coisa exige confiança, não sei se conseguiria. Quer dizer, como alguém que foi abandonada pelas pessoas que amava, e que juravam lhe amar incondicionalmente, vai confiar em outro alguém? – Suspiro. – Exatamente, não vai. Amar é para os fracos, os fortes engolem qualquer tipo de sentimentalidade e seguem em frente, tipo, sozinhos. – Ela sorri e concorda com a cabeça.

— Exato! – Junto as sobrancelhas ao ouvir tal coisa.

— Exato? Não é nessa parte que você diz que apesar de qualquer coisa, essa história de amar vale a pena? – Nega.

— Não. Acho que você está certa, Srta. Swan. – Já disse que ela dá nó na minha cabeça? Pois é.

— Como assim, sua louca? Primeiro você defende o amor, e depois diz que é melhor não amar? – Ela afirma.

— Você me perguntou se eu acredito no amor. Sim eu acredito. Se vale a pena amar? Não acho que valha. Se aceita um conselho, fuja antes disso acontecer, porque como já eu já disse, quando acontece, não tem mais volta. – Sempre fui bom na história de decifrar mulheres, mas Regina Mills, acho que ela é praticamente indecifrável. Nunca cheguei perto de um exemplar assim.

— Por que você acha que não vale?

— Sabe o que é pior do que ter uma arma apontada para sua cabeça, e acreditar que não vão dispara-la, Srta. Swan? – Nego.

— Prefiro não responder. Melhor continuar tendo treze anos, do que me arriscar a ter sete. – Não ri da minha piada, permanece séria. – O que é pior?

— Apontar uma arma para a cabeça de alguém, e mesmo sem querer, dispara-la. – Sua voz soa tristonha. Ao olhar em sua direção, me surpreendo ao ver seus olhos marejados. Não sei exatamente o que significa isso, mas sei que significa muito, e que a faz sofrer.

— Se um dia eu entregar uma arma para você, vou acionar a trava de segurança antes. – Funciona, minha piadinha a faz esboçar um sorriso. – Já você, não precisa se preocupar com isso, você sabe o quanto eu sou ruim de mira, então... – Dou de ombros. Seu sorriso cresce, ela me rola os olhos e resmunga que sou idiota. Tais sequencias de atos, me fazem respirar aliviada, já que concluo que ela ficará bem. – Você fica aí me incentivando a não amar, mas olha só... – Puxou sua mão para mim, meus dedos brincam com o anel de noivado que ela carrega no anelar direito. – Às vezes eu fico quase cega com o tanto de brilho que tem nessa coisa. Brilha mais do que toda a família Cullen quando está pegando sol. – Meu comentário arranca dela uma gostosa gargalhada. Estaria muito prestando atenção em tal coisa, se, ela tivesse puxado a mão para longe da minha, como sempre faz. Mas por alguma espécie de milagre ou coisa assim, sua mão permanece exatamente onde está, sobre a MINHA. – Como ele se chama? – Sei que o idiota se chama Robin, já vi ele e seu nome ridículo, chamando no celular dela, e também já ouvi Tinker falando sobre ele, mas pergunto mesmo assim. Puxar qualquer tipo de assunto, por mais desagradável que seja, é uma ótima tentativa de fazer com que sua linda e maravilhosa mão, fique exatamente onde está.

— Robin. – Não tem um pingo de emoção em sua voz. Fala como se estivesse falando de um dos funcionários do hotel.

— Sabe, até alguns minutos atrás, eu jurava que para você, amor era no máximo, algo de comer. Mas como você é você, me surpreendeu totalmente. Você até que é bem sentimental, Srta. Mills. – Meu comentário a deixa pouco à vontade, e a faz puxar a mão para longe da minha. A faz também, me premiar com seu silêncio. – Quando vão casar? – Não faço ideia do porquê perguntei isso. A verdade é que não quero mesmo saber.

— Julho do próximo ano. – De novo, fala como se estivesse falando sobre algo sem importância.

— Com isso concluímos que você é a pessoa fraca dessa história. – Minha conclusão a faz sorrir sarcasticamente.

— Com isso concluímos que você anda vendo ou lendo muitos romances, Srta. Swan. E embora não queira acreditar em tais histórias, você acredita. – Me acusa e me deixa sem entender. Ela fala em códigos. Às vezes tenho a impressão que está tudo bem na minha cara, mas por algum motivo, eu não consigo pegar.

— O exatamente significa isso? – Por algum motivo, balança a cabeça negativamente.

— O que exatamente significa isso? Por que o endereço que me passou, nos trouxe a um cinema drive in? – Tira os olhos do lugar e me lança aquele seu olhar de pouquíssimos amigos. Lhe dou um sorriso nervoso e aponto para o lugar.

— Surpresa!!! – Continuo sorrindo, enquanto ela continua séria.

— Onde está o calçadão, ou a praça na qual correremos, Srta. Swan? – Desvio os olhos dos dela, desse jeito é mais fácil falar sem gaguejar.

— Regina... Srta. Mills, tem quase uma semana que estamos nos vendo para correr e essa corrida sempre acaba não acontecendo. Então hoje resolvi mudar um pouco a programação. A única coisa de diferente, é que vamos olhar para uma tela. – Me defendo.

— Você resolveu mudar a programação? – Para o meu azar, sua voz me mostra que eu a irritei.

— Pois é!

— E por um acaso, resolveu também, me excluir dessa decisão. – Não pergunta, conclui.

— Em minha defesa, se eu falasse, você negaria. – A veia alta em sua testa, estou a vendo, e isso não é bom.

— Sim, eu faria isso. – Esbraveja.

— Mas agora que você já está aqui, não custa nada entrarmos, custa? – De novo tento lhe sorrir.

— Eu não gosto de ser enganada, Srta. Swan. – Concordo.

— Não enganei você, no máximo omiti alguns fatos. – Minha defesa não obtém sucesso. – Ah qual é? Nós sempre conversamos por quase duas horas, que é mais ou menos o tempo que dura um filme. Só mudamos um pouco o roteiro. Da uma chance, vai? – Peço. Mantenho meus olhos nos seus olhos irritados, enquanto espero a raivinha se acalmar.

— Dá próxima vez que você, omitir... – Capricha no deboche quando fala “omitir”. – O que quer que seja de mim, não teremos mais nenhum tipo de contato. – O sutil aviso não sai nada sutil.
— Okay, me desculpa. – Se desse para baixar as orelhas, como os cães fazem quando ganham bronca, estaria fazendo isso nesse exato momento.

— E espero que não esteja passando nenhum filme estúpido de romance. – Resmunga ao tirar os olhos de mim, e voltar a pôr o carro em movimento.

(...)

Infelizmente para mim, o filme que demos azar de pegar, foi algo meio terror, meio suspense, meio não estava preparada. Infelizmente também, foi eu a única pessoa que teve medo. Ainda infelizmente, não encontrei nada que pudesse cobrir meus olhos nas cenas de suspense. Quando tentava me aproximar de Regina, e quem sabe esconder meu rosto no vão do seu pescoço ou coisa do tipo, ela ria da minha cara, se esquivava e vinha com o papo de “quem inventa aguenta, Srta. Swan”.

O pior disso tudo, é que ela não teve nem um pouquinho de medo. Nem por um minuto, nem por alguns segundos, pensou em correr para os meus braços. Triste a vida, não é mesmo? Enquanto eu sofria, ela se divertia com meu medo, e devorava seu lanche.

Agora meus olhos estão nos créditos. Enquanto eu me pergunto que tipo de pessoa sou, ela debocha da minha cara. Estaria muito brava no momento, se não fosse pela risada dela, pelo seu perfume impregnando no carro, pelo jeito tranquilo e solto e que se encontra no momento. Sendo assim, tudo bem ela rir da minha cara.

— Primeiro, você combina de correr, então você muda de planos sem me avisa e me traz para um cinema drive in. Não bastasse mudar tudo o que tínhamos combinados, ainda tem medo de assistir filmes de terror. – Seu deboche me faz rolar os olhos.

— Tecnicamente, você quem me trouxe, você quem dirigiu. Tecnicamente também, não combinamos de correr. Você quem deduziu isso. — Dou de ombros e tento permanecer séria quando me olha de um jeito indignado.

— Até onde estou sabendo, o combinado sempre foi esse. Nos encontrarmos para correr.

— E você pode me responder em qual desses dias que nos encontramos, realmente corremos? — Ela abre a boca para me responder, mas se vê sem resposta e tal coisa me faz rir.

— A culpa é sua! — Sua acusação me faz rir alto.

— Minha? Não sabia que tinha o poder de fazer você ficar sentada. — Lhe lanço um olhar sugestivo. — Será que funciona só com sua bunda sobre bancos, ou podemos testas com as minhas pernas também? — Rola os olhos e balança a cabeça negativamente. — Vamos testar! — Sugiro. — Venha, Srta. Mills, sente-se aqui e depois me beije. — Bato com as mãos sobre as pernas. — Por favor? Agora? Já? — Tento as palavras mágicas. — Droga, não está funcionando. — Ela tenta não rir das minhas idiotices. — Acho que não está funcionando hoje. — Lamento. – Vamos tentar de novo amanhã.

— Você, as suas idiotices e essa sua boca que não se cala nunca, por isso nós nunca corremos. Você me distrai. — Ouvir tal coisa de Regina Mills, me faz sorrir e meu estômago revirar.

— Eu sei um jeito bem eficiente de calar a minha boca, você quer tentar? — Minha pergunta pertinente e um tanto quanto sugestiva, a faz ficar sem graça.

— Não. — É curta e um pouco grossa.

— Sabe, eu torço para que um dia... – Ao ver seu semblante sério, resolvo que é melhor não continuar. — Esquece. — Curiosa, ela tira os olhos do volante e volta a me encarar.

— Srta. Swan, quando você começa algo, seja mulher para terminar. — Me dá bronca.

— Você não gostaria de saber. — Me defendo.

— Então pense antes de começar. — Volta a brigar.

— Torço para que um dia sua boca acorde com uma vontade infinita de beijar a minha. — Está certo que foi eu quem começou, mas ela quis que eu continuasse, então...

— Sonha, Srta. Swan, sonha. — Um fato sobre Regina Mills, quando está na presença da minha humilde pessoa: ela não pisca, rola os olhos.

— Ah, você pode ter certeza que eu sonho. Você beija tão bem. — Me olha com reprovação, mas não diz nada. — Você já beijou uma mulher alguma vez na sua vida? — Agora volta a me olhar com indignação.

— Mas é claro que não. — Responde como fosse óbvio, e bom, meio que é óbvio.

— Não sabe o que está perdendo.

— E não faço questão nenhuma de saber. — Corta o meu barato.

— Mas pensar sobre o assunto, você já pensou, certo? — Está ficando irritada, vejo pela veia alta em sua testa.

— Não, Srta. Swan, não pensei. — Seu tom de voz aumenta. — Me trouxe até aqui para falarmos sobre beijos lésbicos? Deveria ter poupado o meu tempo e o seu também. — Levanto as mãos em rendição.

— Tudo bem, não se irrite, Srta. Heterossexual, não está mais aqui quem perguntou qualquer coisa. Mas assim, hipoteticamente falando, se um dia por um acaso, bem por um acaso mesmo, você acordar com essa vontade, me chama que eu vou. — Nunca se sabe o dia de amanhã, certo? Dizem que milagres acontecem. Então preciso deixar claro que estou aqui para sanar qualquer tipo de curiosidade sobre o assunto.

— Hipoteticamente falando, vai me cobrar quanto por isso? — A pergunta totalmente inesperada, me deixa momentaneamente sem saber o que responder. Poderia jurar que ela se irritaria ainda mais e ameaçaria ir embora, mas contrariando as expectativas que eu não tinha, resolveu me perguntar tal coisa. O que quer dizer com isso? Está pensando sobre o assunto, ou está apenas rindo da minha cara? Constato que é a segunda a opção, quando um sorrisinho se forma no canto da sua boca.

— Hipoteticamente falando, eu já disse isso uma vez, mas vou dizer de novo, porque talvez você não se lembre. — Coço a garganta para recompor minha voz um pouco abalada. — Eu não cobraria um centavo sequer de você, Srta. Mills. — Aproximo meu rosto, enquanto mantenho o contato visual. Sei que para o bem da nossa amizade, deveria recuar, mas resolvo me aproximar um pouco mais. Tal coisa não dura muito, então ela faz o que sabe fazer de melhor, recua.

— Senhorita Swan, nós somos amigas? — Junto as sobrancelhas, pela mudança de assunto.

— Somos, não somos? — Me dá de ombros.

— Acho que somos, ou somos algo próximo a isso. — Seus olhos voltam a procurar pelos meus. — Então me deixe esclarecer uma coisa, eu não me envolvo com amigas. E antes que você sugira uma exceção, eu não me envolvo com as mulheres das minhas amigas. — Abro a boca para responder tal coisa. — E pouco me importa se você é mulher dela porque está sendo paga para ser. — Suspiro. Passo as mãos pelos cabelos, e penso em desistir da conversa que começou como uma brincadeira, e pelo que tudo indica, acabou se tornando uma coisa um pouco séria.

— Você dá nó na minha cabeça. — Deixo escapar.

— Amizade é tudo que existirá entre nós, Srta. Swan. Espero que isso desfaça o nó na sua cabeça. — Sua resposta faz alguma parte de mim, ficar triste, ou abalada, ou sei lá. É só a mesma mulher me dando um outro fora. Não tem porque eu me sentir desse jeito. Nunca me senti assim por mulher nenhuma. Tudo bem, sempre tive as que quis ter, mas mesmo assim, tenho certeza que meu ego não deveria se sentir desse jeito.

Resolvo que para o bem dessa linda amizade que como ela fez questão de deixar claro, é tudo que existirá entre nós, vou levar na esportiva e não vou demonstrar o quanto ouvir isso me afetou.

— Você ainda vai pedir, Srta. Mills. Quando fecho os olhos e penso no assunto, ouço sua voz, algo como “Oh, por favor, Srta. Swan, me beije, arranque minhas roupas, me faça sua”. Tento imitar sua voz e seu sotaque, já ela, tenta não rir.

— Nessa hora você acorda da sua sessão de terapia. – Faz pouco caso. – Ridícula. – A ouço resmungar. – Eu nunca falaria “me faça sua”. – Acabo tendo que rir, já que ela está pensando alto e nem se dá conta disso.

— Você falaria, “me chupa gostoso”? – Minha pergunta faz que algo até então inédito, aconteça. As bochechas dela ganham alguns tons de vermelho, entregando sua vergonha. – SRTA. MILLS!!! – Aponto para ela, que fica ainda mais sem jeito. – Você falaria! – A vergonha dela me faz rir muito.

— Não, não falaria! Você é impossível, Srta. Swan. – Responde em tom emburrado.

— Falaria sim! – Tento me recompor.

— Estou perdendo a paciência. – Sim, pelo jeito como me olha, tenho certeza disso.

— Qual o problema em falar isso? – Questiono. – Seja para mim, ou qualquer outra pessoa que você venha a se envolver fisicamente. – Dou de ombros. – Sabemos o quanto isso pode ser bom, e não há vergonha nem pecado algum em pedir tal coisa. – Opino. – Srta. Mills, posso não entender sobre amor, mas entendo um pouco de sexo, e posso lhe garantir que pouquíssimas coisas no mundo, são melhores do que se perder na cama com alguém, sabe? Perder a identidade, a vergonha, a moral, o pudor, a razão. Se entregar ao prazer, desligar a mente, deixar o lado irracional tomar conta. Existe uma beleza fascinante nisso. É algo como, uma obra de arte. – Não faço ideia do que está pensando, mas com certeza está, já que tenho certeza que toda atenção dela, nesse momento pertence a mim. – Se precisar de alguém para se perder, você sabe, estamos aí. Você só precisa pedir. – Lhe lanço uma piscadela.

— Acabou? – Está irritada de novo.

— Acho que sim. – Dou de ombros.

— Ótimo! – Abre a porta do carro e sem me dar qualquer tipo de explicação, sai do mesmo. Qualquer tipo de raiva que esteja sentido, ela desconta na porta do coitado. Acabo rindo alto, pelas atitudes Regina Mills, que acabou de ter. Só depois de rir é que arrisco sair do carro.

— Hey, onde está indo? – Tento ir atrás, mas ela se volta para mim e aponta o indicador em minha direção.

— Fique exatamente onde está, Srta. Swan. – Sua ordem me faz levantar as mãos e concordar.

— Okay. – Me dá as costas e caminha para longe.

Rindo, tiro a caixa de cigarros do bolso da jaqueta, pego um e levo a boca. Como a Srta. Asma, não pode ficar perto de fumaça e coisas assim, resolvo que vou fumar sem acender.

Ao levantar a cabeça e procurar por ela, vejo que foi comprar mais comida. É impressionante como cabe tanta comida em um corpo tão pequeno. E pior, na verdade, melhor, tal fome não afeta sua forma física.

— Regina, Regina, o que você está fazendo comigo? – Penso em voz alta. Suspiro, tiro o cigarro da boca e levanto a cabeça, preciso falar com Deus. – O que eu faço com ela, hein? Ou melhor, o que você está fazendo comigo? Não sei se você anda muito ocupado, ou já conseguiu prestar atenção, mas ela não gosta de mulher. Então por favor, trate de desfazer o que você está fazendo comigo. – Peço. O que acontece? Absolutamente nada, provavelmente ele não está sintonizado em Vegas.

O céu limpo e completamente cheio de estrelas, acaba ganhando minha atenção. Quando dou por mim, já estou deitada sobre o teto do carro de guerra, o cigarro na boca, os olhos na imensidão.

— O que você está fazendo com a bunda sobre o teto do meu carro, Srta. Swan? – Regina Mills está de volta na sua melhor versão.

— Pensando. –Respondo ao tirar o cigarro da boca.

— Venha pensar aqui embaixo. – Ordena.

— Venha brigar comigo aqui em cima. – Rebato. — Quero mostrar uma coisa. – Insisto.

— Mostre aqui embaixo. – É irredutível.

— Por favor? – Uso o mesmo tom que Janis usa, quando quer me convencer de alguma coisa. O silêncio se faz presente por algum tempo, até que o barulho dos seus pezinhos delicados sobre a lataria do carro, me faz sorrir. Em questão de segundos, está sobre o teto. O semblante fechado, um copo de Coca-Cola na mão.

— Qual o seu problema? – Resmunga comigo.

— Qual o meu problema? Qual o seu problema? Toda vestida com roupas para se exercitar, tomando uma Coca-Cola. Sem falar do lanche que você comeu ainda a pouco. – Implico com ela, que revira os olhos.

— Falou a mulher que está fumando um cigarro apagado. – Rebate minha provocação e me faz rir.

Adam Levine — Lost Stars

— Na minha imaginação fértil, ele está aceso. Estou até sentindo o cheiro da fumaça. – Balança a cabeça negativamente e não me diz mais nada. — Nós somos insignificantes, não somos? – Questiono quando volto a prender os olhos no céu.

— Em qual sentido está falando? — Dou de ombros.

— Acho que todos. — Aponto para cima. — Mas olha só essa imensidão. — Faz silêncio por um tempo.

— Sim, nós somos. — Concorda comigo. — Totalmente insignificantes. — Sem que eu espere, deita-se ao meu lado. Tal coisa ganha totalmente minha atenção. Seus olhos estão céu. Sua postura tranquila, relaxada, a vontade, está de volta. A olhando assim, nem parece a temida Regina Mills.

— Nós somos algo como, o cocô do cavalo do bandido. — Ela me espia pelo canto dos olhos e me sorri.

— Algo perto disso. — De novo concorda.

— Você não. Você tem mais poder, é mais conhecida, mais tudo. Então você pode ser o cavalo do bandido. — Minha implicância a faz rolar os olhos.

— O cocô do cavalo do bandido, o cavalo do bandido, o bandido, o herói... — Dá de ombros. — Tanto faz, Srta. Swan, somos reduzidos a nada. — Suspiro, concordo e volto a mirar o céu. — Como diz a música "somos uma partícula de poeira dentro da galáxia." Ao ouvir tal coisa, desisto do céu e volto a olhar para ela.

— Estrelas perdidas, tentando iluminar a escuridão? — Cito outro trecho da música, o que a faz sorrir. — Eu gosto dessa música. — Conto.

— Eu também.

— Nem sabia que você conhecia Adam Levine. — Da de ombros.

— Não conheço. Só ouvi em um filme, e depois baixei. — Explica.

— É, acho que vimos o mesmo filme. — Cutuco meu braço no seu, e volto a mirar o céu. — Preciso dizer que fico meio melancólica sempre que ouço essa música. — Suspiro. — Quer dizer, ela me faz pensar, qual o sentido da vida? Você já pensou no porque estamos aqui? — Questiono com ela o que vivo me questionando.

— Não faço a menor ideia, Srta. Swan. Acho que não temos motivos para estar, apenas estamos. Talvez não tenha um sentido. — Solto um suspiro frustrado ao ouvir tal coisa.

— Mas então, por que nós vivemos? — Da de ombros.

— Quem sabe?

— Você já pensou que talvez nós não saibamos viver? Que talvez essa seja uma chance única? Que estamos desperdiçando isso? — Minhas perguntas saem angustiadas.

— Sim. Costumava pensar muito sobre isso.

— Eu quero tantas coisas. Tantas coisas que eu já nem sei mais se serão possíveis. O mundo é tão mais fácil quando se é criança. É tão mais fácil fazer planos, tão mais fácil sonhar, acreditar em qualquer coisa. Parece que quanto mais os anos vão passando, mais distantes vamos ficando das coisas que planejamos um dia. – Me lamento.

— Você é jovem, Srta. Swan, é inteligente, insistente, tenho certeza que pode conseguir o que você quiser. — Sua voz soa terna, baixa, e talvez até um pouco carinhosa.

— Acho que eu quero o mundo, pelo menos era isso que eu costumava querer. O mundo. – Suspiro. — Mas também quero um lugar para onde eu possa sempre voltar. Quero ser livre, e as vezes acho que também quero alguém que me acompanhe nessa liberdade, ou que esteja me esperando em casa. Quero muito viver, não só existir. Quero poder fechar os olhos tendo a certeza de que se for meu último dia na terra, tudo isso valeu a pena. Não me importo de ser só uma partícula de poeira dentro da galáxia, sendo que essa partícula valha a pena, tenha uma história, não só uma vida cheia de nada. — Provavelmente ela está me achando louca, ou algo parecido. O fato é que seus olhos estão em mim faz um tempo. Não sei se devo permanecer exatamente como estou enquanto ela julga a louca que pareço ser, ou se tiro meus olhos do céu e a encaro, para tentar de algum jeito lhe explicar, o que estou tentando dizer. Suspiro e opto pela segunda opção. Tem um semblante terno, seus olhos brilham e por algum motivo, ela me sorri. — Você está me achando louca? — Nega.

— Não, só estou achando você, seus pensamentos, suas preocupações, assustadoramente parecidos com os pensamentos, e preocupações da Regina de vinte e poucos anos. – Tal confissão me deixa um pouco surpresa.

— Sério? — Afirma com a cabeça. — Quando você vai parar de me surpreender? Quer dizer, você não tem cara de quem tem uma alma livre. — Ela ri.

— Eu não tenho uma alma livre, Srta. Swan. — Suspira.

— Mas pelo jeito, você tinha. Pelo jeito também, deixou que domesticassem você. Posso ajudar a torna-la rebelde de novo. – Ganho mais um rolar de olhos.

— Tenho cara de adolescente, Srta. Swan? – Faço pensar sobre o assunto.

— Quando você põe essas roupas para se exercitar, prende os cabelos em um rabo de cavalo e fica tomando esses refrigerantes horríveis, você até que pode se passar por uma. – Esbarra a mão em meu braço. – Aliás, você nunca me disse quantos anos tem.

— Muitos a mais que você. – Sorrio.

— Meu ego fica feliz em saber disso, porque vendo por esse lado, concluo que tenho alguns anos pela frente para me tornar milionária. – Ela ri.

— Não quero me meter na sua vida, mas preciso alerta-la que, prostituição não lhe tornará milionária. – Balanço a cabeça concordando.

— É, eu sei. – Penso em compartilhar com ela meus planos de abandonar a prostituição assim que meu trabalho com Tinker chegar ao fim, mas como ainda não tenho absoluta certeza, resolvo não fazer. – Mas me diz, porque essa história de alma livre, não deu certo para você? – Sorri sem humor.

— Digamos que minha alma não é minha. – Junto as sobrancelhas, não entendendo exatamente o que ela quer dizer. Antes que eu possa perguntar, ela continua. — Mas pode dar para você, na verdade, acho que pode dar muito certo para você, porém você precisa tentar. – Regina Mills, incentivando minha alma livre. Talvez estejamos vivendo uma noite fora de série.

— Você pode tentar comigo. — Convido. — Pode ser minha parceira de viagens, podemos desbravar o mundo juntas. — Continuo. — Quer dizer, daqui alguns anos, quando Janis estiver na universidade. Nós podemos sair sem direção, sabe? Sem muitos planos, sem muito dinheiro, sem hora marcada, sem relógio, sem mapas ou ponto de chegada. – Dou de ombros. — Apenas, ir... — Ela sorri e balança a cabeça em negativo.

— Não seja absurda, Srta. Swan.

— Não estou sendo. Acredite, pode dar certo. Você leva um pouco da sua responsabilidade, e eu um pouco da minha irresponsabilidade. Você um pouco do seu tom sério e ranzinza e eu um pouco das minhas idiotices. Você leva a sua cultura útil, eu levo a minha inútil. Eu posso ser responsável por nos perder, e você por nos achar. – Lhe sorrio. — Não sei porque as pessoas veem as diferenças como coisas ruins, não acho que sejam. Imagina que tédio, viver com alguém que pensa as mesmas coisas que você, que gostas exatamente das mesmas coisas que você. Que graça tem nisso? – Indago. – Exatamente, nenhuma. Por isso nossa parceria daria certo. Prometo para você que nenhum dia dessa aventura, será um tédio, você tem minha palavra. – Convidar Regina para fazer parte dos meus sonhos cor de rosa, não estava nos meus planos. Contar tal sonho, muito menos. O problema é que não consigo calar a boca. Vou falando, falando, falando e quando vejo, falei demais. O pior é que gostaria mesmo de fazer isso, e gostaria mesmo de que ela fizesse parte disso. — Vem comigo? – Sei que ela vai negar, provavelmente o mundo desabaria sobre nossas cabeças se concordasse, mas mesmo assim, uma parte irritante do meu ser, se sente ansioso, enquanto espera uma resposta.

— Parece um bom plano, Srta. Swan. Porém, é pouco provável que eu possa fazer parte disso. – Esse é seu jeito educado de me dizer não. Mas eu não sei, algo em seu semblante, em seus olhos, me diz que ela parece ter gostado da ideia.

— Por quê? — Questiono.

— Por quê? — Respira fundo. — Por muitos, incontáveis, motivos. Um deles é a minha alma que não é minha, e não me peça maiores detalhes sobre isso. – Não me deixa nem tentar. – Outro, aprendi a não planejar nada que envolva um futuro muito distante. E você está me falando sobre daqui dez, doze, anos. Quando se trata de pessoas, eu no máximo planejo o próximo dia. — Explica.

— Okay. – Resolvo não insistir, até porque é um sonho muito, muito distante, que não sei mesmo, se um dia vai acontecer. — O próximo dia é melhor do que nenhum dia, certo? — Esboça um sorriso e concorda. — Então me diz, o que você vai fazer amanhã à noite? E não me diga que vai trabalhar, porque ninguém trabalha na noite de ação de graças.

— Nossa, tem isso. – Pela cara dela, tinha esquecido completamente. – Por isso Tinker viajou? – Afirmo com a cabeça. — Não sei, ir para Nova York não está nem em pauta, então provavelmente irei dormir. — Seu plano me faz rolar os olhos.

— Dormir? Corta essa. Vou fazer um jantar lá em casa. Você pode vir. — Convido.

— Desculpe, mas não vai dar. – Como sempre, se esquiva.

— Por quê? Ficar com a sua cama é melhor do que ir na minha casa? — Rola os olhos.

— Por que você sempre exige uma resposta? — Questiona.

— Por que você sempre foge delas?

— Nós já conversamos sobre isso. — Nego.

— Não. Você me falou que só poderíamos ser amigas se fosse do seu jeito, mas não me explicou o motivo. – Esclareço.

— O motivo Srta. Swan, é a sua segurança. — Está se irritando. — O que me faz lembrar, que não deveríamos mesmo, ter vindo a esse cinema estúpido. — Rolo os olhos.

— Você fala com se alguém estivesse nos vigiando, como se eu estivesse correndo algum perigo. — Sorri sem humor.

— E como você pode ter certeza que não está?

— Eu só sou a "namorada" de Tinker, Srta. Mills, não uma foragida do FBI. — Balança a cabeça negativamente, e me olha com reprovação. — O quê?

— Você não faz ideia de onde está se metendo. — Sua voz sai sombria.

— Ouça, mesmo que o FBI, a CIA, os terroristas, estejam atrás de mim, ou de você, ou do seu dinheiro, tanto faz, eu não me importo. – Dou de ombros. — Você já deu o recado, eu já entendi, agora deixa comigo.

— Não, você definitivamente não entendeu. — Esbraveja.

— Então você pode ir na minha casa, e tenta me explicar enquanto janta. O que acha? — Bufa e rola os olhos.

— Acho que você é a pessoa mais teimosa que eu já tive o desprazer de conhecer, Srta. Swan. — Acabo rindo da sua resposta. — Eu estou falando sério, não tem graça nenhuma. — Me olha irritada.

— Ao concluir isso, você sabe que vou insistir, até ouvir você confirmando sua presença. — Aviso. — Ah, qual é? Janis quer ver você. Aposto que você também quer ver ela. Só um jantar, depois voltamos a programação normal. — Continuo insistindo. — Por favor?

— Não! — Já não é um não mais tão convincente.

— Por favorzinho?

— Não!

— Por favor, por favor, por favorzinho?! — Revira os olhos.

— Não, não, nãozinho! — Me faz rir e também acaba rindo.

— Você sabe que você vai. – Apoio o cotovelo no teto o carro, me viro para ela e apoio o queixo na mão. – Você precisa conhecer o Leão. – Faz cara de nojo.

— Não faço questão nenhuma de conhecer seu bicho exótico. Aliás, esse é outro bom motivo para não ir. Ew! – Sou onomatopeia me faz rir.

— Prometo que deixo ele na gaiola. Além do mais, Janis agora só quer saber de você, tipo, melhores amigas. – Ela ri, provavelmente do meu tom enciumado. – Como melhor amiga, você precisa faze-la esquecer essa história de beijos de língua. – Largo meu cigarro em um canto qualquer, e levo a mão até sua testa, tirando dali uns fios de cabelo.

— O problema não é ela, e sim o depravado do seu amigo. – Fala em tom sério, quase irritado.

— Eu já falei com ele, falei com ela também, mas tenho certeza de que se você falar, ela vai dar ouvidos. – Suspira e prende os olhos nos meus. Me mantém nesse hipnotismo por algum tempo, e a verdade é que eu gosto muito quando isso acontece.

— Vou pensar. – Sussurra enquanto ainda me olha.

— Obrigada! – Lhe sorrio e para minha felicidade, ela me retribui.

— De nada! – Não sei exatamente porque, mas meu coração está batendo descompassado. Meu estômago resolve acompanha-lo e começa com a revolução de sempre. A vontade que tenho, é de acabar com a distância que resta entre minha boca e a sua. Não sei, nesse momento tenho impressão de que ela cederia, mas também tenho medo de pôr tudo a perder. Fecho os olhos, respiro fundo, e volto a me deitar ao seu lado.

Apaixonada, infelizmente, talvez eu tenha que começar a trabalhar com essa possibilidade.

Notas finais
Sim, a Regina vai nessa noite de ação de graças. Sim, a Emma vai definitivamente partir para o ataque. Sim, esperem por uma DR. Bom, agora é com vocês! Quem quer o próximo levanta a mão. É isso amiguinhas, conto com aquele review amigo de vocês. Beijos e boa semana!