Right Here Waiting For You
9 It's Time
Notas iniciais
Graças a muito estresse, e a fumaça dos cigarros da Srta. Swan, mais o cheiro de carro novo que meu nariz não gostou, tive uma noite de cão. A falta de ar, um dos sintomas da asma, me fez companhia durante toda a noite. Como deixei o broncodilatador em Nova York e com preguiça de levantar e ir até a farmácia mais próxima, decidi conviver com o ar escasso.
Já passava das dez da manhã, quando enfim consegui fechar os olhos e dormir um pouco. O cansaço era tamanho, que quando acordei, já estava atrasada para a reunião com Tinker e com a Srta. Swan, e tal atraso se tornou ainda maior, quando avistei uma farmácia pelo caminho e parei para comprar um broncodilatador.
Como não existe nada de ruim, que não dê um jeito de ficar um pouquinho pior na minha nada doce vida, o “carro” que Tinker me deu, que na verdade também é usado como veículo de guerra nas guerras atuais, não coube na minha vaga de estacionamento, então tive que abandonar meu Hummer H2 laranja fluorescente, no final do estacionamento, distante de todos os outros carros e da entrada dos funcionários.
Não bastasse minha irritação pela noite mal dormida, pela falta de ar, pelo esquecimento do broncodilatador, pelo meu atraso, e pelo tamanho do meu carro de guerra, meu telefone começa a tocar. Ao ver quem é, tenho certeza que a sequência de ligações que acontecerá nos próximos minutos, me deixará um pouco pior. Muito sem vontade, aceito a chamada.
– Alô! – A saúdo de mau humor, enquanto entro no elevador dos funcionários.
– Até que enfim! Pensei que tinha sido abduzida, ou fugido para o deserto. – Sua tentativa de piada me faz revira os olhos.
– O que você quer, Zelena? – Vou direto ao ponto.
– Primeiro, estava querendo saber se você continuava viva, já que há exatos oito dias, você simplesmente sumiu. Não respondeu mais e-mails, telefonemas, mensagens, sinais de fumaça, código Morse. – Seu exagero, de novo me faz revirar os olhos. – Você sabe, não sou muito de me preocupar, mas já estava ficando um pouquinho preocupada. – Se existe algo que não consigo imaginar, esse algo é Zelena preocupada.
– Como você pode concluir, continuo viva, ou seja, você continua tendo que dividir a herança comigo. – Minha resposta a faz rir.
– Não se pode ter tudo, não é mesmo? – Acabo esboçando um sorriso. – Bom, eu perguntaria por onde você andou durante esses dias, mas como sei que você não vai me responder, não vou perder meu tempo. – Gostaria que todas as pessoas fossem assim perspicazes como Zelena, isso me pouparia muito tempo. – Mas como você deve imaginar, mamãe está louca atrás de você e ela vai exigir saber por onde você esteve, então sugiro que já pense em uma desculpa e uma desculpa boa, só assim você vai conseguir faze-la desistir da ideia de ir até aí, fazer uma visita a você. – Inspiro e solto o ar lentamente, pensando na minha nada agradável mãe.
– Zelena, me diga um número. – Peço.
– Como assim um número? Qualquer número? – Está confusa.
– Sim, qualquer número.
– Sete? – Responde incerta.
– Ótimo! Você ganhou. Cora é toda sua. – Ri escandalosamente.
– Você fez mesmo uma piada? – Questiono ainda rindo.
– Entenda como quiser. – Lhe respondo.
– Okay, vou entender como uma piada. – Responde. – Agora vou desligar, estou entrando no cinema. Boa sorte com a mamãe. – Suspiro pensando na “mamãe”.
– Obrigada, bom filme. – Me agradece e desliga.
O elevador me deixa no andar do escritório, que está praticamente vazio. Meus passos ecoam pelo corredor vazio, enquanto caminho em direção a sala de reuniões. Antes que consiga guardar meu celular na bolsa, o telefone volta a tocar. Cora, reviro os olhos ao ver que é ela. Penso em ignorar, mas lembro do que Zelena me disse, então resolvo atender, já que tudo que menos quero é a tê-la por perto.
– Oi! – Falo em tom sério e um tanto irritado.
– Regina Mills, onde você está? – O tom de voz dela sai irritado. Fala como se eu fosse sua propriedade.
– Em Vegas. – Limito a responder.
– Em que lugar de Vegas? – Exige saber, o que me faz bufar.
– No hotel. No andar do escritório. – Conto sem vontade e abro a porta da sala de reuniões. Tinker e a Srta. Swan, já estão por aqui. Não sei sobre qual perversidade estavam conversando, mas param ao me ver. Tinker instantaneamente levanta das pernas da Srta. Swan e procura uma cadeira para pôr a bunda. – Quer que eu mande a localização? – Debocho.
– Devido aos últimos acontecimentos, gostaria sim que me mandasse. – A resposta dela me faz balançar a cabeça negativamente.
– Vai ficar querendo. – Aviso.
– Onde você se meteu durante toda a semana, Regina? – Largo minha bolsa em cima da mesa e caminho até a parede de vidro, dando as costas para as duas.
– Não lhe interessa. – Lhe respondo sem paciência.
– Sim, me interessa, me interessa muito.
– Quantos anos você acha que eu tenho? – Indago sem paciência. – Você não é minha dona, não lhe devo nenhum tipo de explicação. Onde eu estava ou deixei de estar não lhe diz respeito. – Esbravejo com ela e ouço Tinker murmurar com a Srta. Swan.
– Você está aí a trabalho, e eu ainda sou a presidente da empresa então sim, você me deve explicações. – Paciência, Regina, não vale a pena destruir mais um celular só por culpa da sua mãe.
– Bom, eu também sou dona dessa rede, então não, não lhe devo explicações, mamãe. – Capricho no deboche ao chama-la de mamãe.
– O que essa irresponsável que você insiste em chamar de amiga, fez com você? – Refere-se a Tinker. – Aposto que tem muito dela nesse seu desaparecimento. – Rolo os olhos.
– Me levou para uma orgia que durou dias, orgia essa regada a muitas drogas e rock n roll, passei alguns dias em coma, por isso não pude atender sua ligação e nem retorna-las. – Minha resposta ácida, faz Tinker gargalhar, o que me faz concluir que está prestando atenção no meu telefonema. Já Cora, está muda, aparentemente não imaginava tal resposta. Deve com certeza estar se perguntando se estou falando a verdade ou não.
– Regina, eu não estou brincando, me respeite, eu sou sua mãe. – Sua exigência me arranca uma gargalhada de deboche.
– Você não é minha mãe, você é no máximo, a mulher que me pariu. – Esclareço. – Quanto a respeita-la, desculpe, mas você perdeu tal direito há muito tempo. – Também esclareço.
– Eu sou sua mãe, quer você queira, quer não. E enquanto eu for presidente dessa empresa, você me deverá explicações sobre ela. – Está irritada. – Hoje mesmo estou pegando um avião para Vegas. – Balanço a cabeça discordando.
– Então hoje mesmo eu estou indo embora. – Aviso. – Se você pôr os seus pés aqui, volto para Nova York. – Minha resposta a deixa em silêncio. – Graças a Deus, se existe uma coisa que você nunca vai poder tirar de mim, essa coisa é meu direito de ir e vir. Então para que fique bem claro, no momento em que você pôr os pés aqui, eu deixo esse lugar. — Cora continua em silêncio. Já Tinker murmura cada vez mais, com certeza está fofocando com a Srta. Swan.
– Não me desafie, Regina. – Sua frase sai em tom de ameaça.
– Não estou desafiando, estou avisando. – Esclareço. – Me mandou para cá para resolver as coisas, não mandou? Saber onde eu estive ou deixei de estar, não é importante, não diz respeito a você. Saber que estou resolvendo os problemas, isso sim lhe diz respeito. Enquanto estiver fazendo meu trabalho, você não tem direito de reclamar. – De novo ela faz silêncio, provavelmente sua mão está esmagando, ou quebrando alguma coisa, para descontar a raiva que com certeza está sentindo de mim.
– Posso não ir até aí, mas você sabe que está sendo observada, você sempre está sendo observada. – Por um minuto, penso no que aconteceu comigo e com a Srta. Swan na primeira noite que estive aqui e uma ruga de preocupação faz-se presente em minha testa. Mas se Cora soubesse o que houve, com certeza já estaria aqui, o que me faz concluir que está blefando.
– Nesse caso, você sabe exatamente onde estive, mamãe. – Concluo. – Me lamentando por ser uma pobre menina rica, não é isso? – Ela resmunga algo que não consigo entender.
– Cresça, Regina! – Faz pouco caso. – Se você ficar mais um dia sem dar notícias, viajarei para Vegas. Quanto ao seu direito de ir e vir, não me subestime. – Sua ameaça soa sombria. Não respondo nada, a raiva que sinto me faz encerrar a ligação. Minhas mãos se fecham contra o celular, desejando que o mesmo fosse o pescoço da minha mãe. Fecho os olhos e impulsiono o braço, com intenção de jogar o celular contra parede. Antes que eu consiga fazer tal coisa, sinto meu pulso sendo seguro. Ao abrir os olhos, me deparo com a Srta. Swan em minha frente.
– Qual é? É um IPhone 6 Plus, não vale mesmo a pena fazer com que um ataque de raiva o destrua. – Sai em defesa do celular. – Se você não quer mais ele, pode dá-lo para mim. – Sua sugestão faz Tinker gargalhar.
– Solte meu pulso, Srta. Swan! – Ordeno, minha voz soa mais irritada do que deveria. Imediatamente ela acata meu pedido e se afasta.
Falta de ar, a conversa nada agradável com Cora, fez minha falta de ar voltar. Vou até a minha bolsa que larguei em cima da mesa e tiro da mesma o broncodilatador. Tento respirar fundo antes de inala-lo. Viver é difícil, não é não? Pergunto-me como vou listar para Tinker, coisas que me fazem feliz. Não dá para ser feliz, não sendo filha de quem sou.
Sento-me na cadeira do centro, entre a Srta. Swan e Tinker. As duas observam cada movimento meu sem ao menos disfarçar.
– Desculpe pelo atraso, deixei meu broncodilatador em Nova York, então precisei ir até a farmácia atrás de um. – Explico.
– Regina, você sabe que não deve sair nem para passear sem uma bombinha, imagina então viajar. – A frase de Tinker soa como uma bronca.
– Sim, mamãe, eu sei, mesmo assim esqueci.
– Oh, por favor! Não me chame de mamãe. – Faz careta, provavelmente por pensar na minha mãe.
– Desculpe! – Ninguém merece tal xingamento.
– Você está bem? – A srta. Swan questiona, enquanto me analisa.
– Ótima! – Lhe respondo. Assim que abro a boca para começarmos a reunião, meu celular volta a tocar. Ao ver a foto de Robin no mesmo, deixo minha cabeça cair sobre a mesa, batendo com a testa algumas vezes sobre a mesma. – Você agora não. – Resmungo desanimada.
– Eu atendo, deixa comigo. – Tinker avisa, ao pegar o celular. Talvez Tinker conversar com Robin, não seja uma boa ideia, mas estou tão cansada, que resolvo aceitar. Levanta-se do lugar onde está ao dar início a ligação.
– Você está mesmo bem? – A mão da Srta. Swan, volta a tocar meu pulso, me fazendo levantar a cabeça e encara-la.
– Sim. – Sorri e balança a cabeça negativamente.
– Esse seu sim não soou nem um pouco convincente. – Não respondo nada, apenas deixo minha cabeça cair de novo sobre a mesa, dessa vez meu rosto fica voltado em sua direção. Mesmo não olhando para ela, sei que seus olhos estão em mim. – Por que o Wolverine tenta se manter sempre ocupado? – Ao ouvir a pergunta que aparentemente foi feita a minha pessoa, meus olhos procuram pelos dela.
– Perdão? – Questiono, enquanto tento entender de onde veio tamanho absurdo que me foi perguntado.
– Por que o Wolverine tenta se manter sempre ocupado? – Repete. Mentalmente me pergunto qual o problema dela. Espero que não seja algo contagioso. Não faço ideia do porque me perguntou tal coisa. Não acredito que tenho cara de quem gosta do Wolverine e suas roupas um tanto quanto, extravagantes. Minha provável cara de interrogação a faz sorrir. – É uma piada, apenas responda. – Claro, porque obviamente, eu entendo tudo sobre piadas. Deve estar escrito na minha testa “piadista”, ou “deixe aqui sua piada”.
– Não faço a menor ideia, Srta. Swan. – Respondo um tanto quanto irritada e de novo ela sorri.
– Para não ficar coçando o saco. – Mal acaba de me dar a resposta e já está rindo. Se antes eu lhe olhava com indignação e incredulidade, agora nem sei os níveis de tais coisas. – Você entendeu a piada, não entendeu? Sabe o Wolverine, aquele das garras, das roupas amarelas? – Questiona enquanto ainda rir.
– Sei de quem se trata, Srta. Swan.
– Então por que não está rindo? – Dou de ombros.
– Porque não teve o mínimo de graça. – Respondo o óbvio.
– Claro que teve. É só você imagina-lo coçando o saco. – Gargalha, aparentemente está imaginando tal coisa, o que me faz balançar a cabeça descrente. – Você está rindo! – Me acusa enquanto ainda ri da idiotice que contou.
– Não, eu não estou. – Aponta para mim.
– Está sim, estou até vendo os seus dentes. – Okay, talvez eu tenha mesmo feito tal coisa, mas foi sem perceber e não foi pela piada e sim pelas gargalhadas dela.
– Você é tão idiota. – Balança a cabeça, aparentemente concordando comigo, então para de rir e apenas me sorri.
– Fico feliz que a minha idiotice tenha lhe arrancado um sorriso e tenha tornado seu dia menos pior. – Ao entender o que ela fez, acabo esboçando um sorriso e concordo com a cabeça.
– Obrigada por isso, Srta. Swan! — Lhe agradeço.
– Sempre as ordens. – Me responde, e então Tinker volta a se juntar a nós, o que faz a Srta. Swan soltar meu pulso.
– Resolvido. – Me fala ao entregar o celular. – Disse que você está em uma reunião e que liga mais tarde. – Concordo e arrumo minha postura.
– Obrigada! – Me sorri e aperta minha mão.
– Disse que você não retornou as ligações nem outro tipo de contato porque estava muito enrolada com coisas do trabalho. – De novo balanço a cabeça concordando. – Como ele é Robin, acreditou sem questionar. – Volta a apertar minha mão. – Termine com ele, Regina. Tenha um problema a menos. – Sugere.
– Vamos ao que interessa. – Mudo de assunto e puxo minha mão para longe da de Tinker.
– Não é melhor esperarmos Zelena ligar? – Nego enquanto tiro da bolsa a pasta com documentos e um bloco de notas.
– Zelena foi a primeira, de algum jeito conseguiu fazer a ligação antes de Cora. – Tinker arqueia as sobrancelhas, parece surpresa.
– Essa menina tem potencial. – Elogia. – E a propósito, estou orgulhosa de você. Aposto que a gastrite nervosa de Cora está a castigando nesse momento. – Espero que esteja.
– Okay, vamos focar no que interessa. – Peço, já que falar sobre minha mãe na frente de uma quase desconhecida é algo que não está em pauta. – Gostou da reunião urgente de sábado à tarde? – Meu polegar aponta para a Srta. Swan. Tinker abre um sorriso quase maior que o rosto e afirma.
– Adorei sua reunião de sábado à tarde, apesar de não fazer ideia de como você conseguiu tal feito. – Tenho certeza que ela não gostaria de saber. – Depois vai me ensinar a mágica? – Nego.
– Não. – Sou enfática. – Você não precisa saber sobre isso. – Garanto.
– Não? – Me olha desconfiada.
– Não. Você precisa saber que o nome dela é Emma Swan. – A srta. Swan cutuca com o cotovelo no meu braço, ganhando minha atenção. Por algum motivo, me olha com cara de poucos amigos.
– Você não pode sair por aí dizendo meu nome. – Reclama.
– Estamos tratando de negócio, Srta. Swan, não podemos simplesmente deixar que invente um nome. – Explico o óbvio.
– Isso pode me trazer problemas. – Reclama.
– E que problema tal coisa lhe traria? – Me olha indignada, se olhos pudessem falar, os dela estariam berrando que eu sei muito bem sobre isso. Janis.
– Ela também vai ter que saber sobre isso. – Deixo claro.
– Nem pensar. – Me olha irritada.
– Saber sobre o quê? – Tinker está curiosa. Troco um olhar significativo com a Srta. Swan, o que a faz suspirar e desistir.
– Vá em frente. – Resmunga sem vontade, me dando permissão para contar.
– A Srta. Swan tem uma filha. – Ao ouvir tal coisa, o sangue foge do rosto de Tinker, como se ela tivesse acabado de saber sobre algo terrível.
– Uma filha? – Sussurra. Aparentemente está pensando alto.
– Sim, uma filha. – Repito.
– Okay! – Não tem nada de Okay no seu Okay, mas resolvo ignorar.
– Qual o problema dela? – Até a Srta. Swan, nota que ela tem um problema.
– Digamos que, Tinker não se dá muito bem com crianças. – Explico, o que a faz suspirar e resmungar um “ótimo”. – Parem com o drama as duas. Estamos tratando de negócios, algo de curto prazo, então por favor, vamos nos concentrar. – Peço.
– Nosso acerto não envolvia a minha filha. – Volto a encara-la.
– Tudo que envolve você, direta ou indiretamente, envolve sua filha e eu sei que você sabe disso. – Seus olhos ficam presos nos meus, enquanto ela parece pensar em uma resposta.
– Se descobrirem quem sou e com toda certeza descobrirão, quem sofrerá as consequências será Janis. – Concordo.
– Srta. Swan, me responda uma coisa, você tem alguma foto com as suas clientes? – Nega de imediato.
– Claro que não, fotos não fazem parte de nenhum pacote. Sempre deixei bem claro que são terminantemente proibidas. – Ela é esperta, tal conclusão me faz esboçar um sorriso.
– Então Srta. Swan... – Estico os braços e puxo o notebook de Tinker que está sobre a mesa. Quanto a Tinker, parece estar absorta em pensamentos, com certeza digerindo a novidade sobre a filha da Srta. Swan. – Mostre-me como encontrá-la. – Ponho o notebook em sua frente. Ela me olha sem entender. – Apenas me mostre como as pessoas podiam encontrá-la. – Suspira, tira os olhos de mim e acata meu pedido.
Entra em um site nada, NADA, ortodoxo, e digita um apelido, ou nome de guerra, ou sei lá o termo usado, menos ortodoxo ainda. Meus olhos crescem, espantado com o que leem. Já ela, parece surpresa, admirada, espantada, por não encontrar nada a respeito de si.
Entra em um outro site, com palavras ainda piores, e volta a buscar pelos nomes de guerra, de novo não encontrando nada. Por último, tenta a busca do Google. Ao ver que seu perfil foi varrido do mundo virtual, tira os olhos assustados da tela do computador e me encara.
– O que você fez? – Questiona boquiaberta.
– Eu nada, mas paguei para que fizesse. – Conto. – Todos os codinomes, nomes de guerra que já teve, nunca existiram, Srta. Swan. – Conto. — Você trabalha em dos bares desse hotel desde que completou dezoito anos. – Tiro da pasta os papéis que comprovam tal coisa e estendo a ela.
Me olha ainda mais assustada, talvez até, amedrontada. Pega os papéis da minha mão e passa os olhos por ele. Parece cada vez mais incrédula.
– E aqui... – Tiro um outro papel da pasta e lhe entrego. – Está o comprovante da sua matricula na UNLV, você começa na segunda. – Não pega o papel, perplexa larga o que tem nas mãos e volta me encarar.
– Como? Fui aceita sem entrevista, nem prova, nem notas, ou cartas de recomendações? – Afirmo. – Como? – Volto a repetir.
– Srta. Swan, não interessa como, interessa que foi aceita. Nosso trato não envolve explicações. – Abre e fecha boca algumas vezes, parece sem saber o que falar.
– Eu tenho medo de você. – Balbucia.
– Eu no seu lugar também teria. – Minha frase soa séria, não há resquícios de brincadeira. – Quanto ao seu estágio, você começa também na segunda. Seu horário é das 13:00 as 19:00 horas. Você vai trabalhar no bar do cassino. Você tem direito a um dia de folga por semana, que não necessariamente cairá sempre os domingos. – Seu olhar assustado retorna, o que me deixa sem entender.
– Estagiários trabalham menos horas. – Balanço a cabeça negando.
– Não nos meus hotéis. – Aviso. – É pegar ou largar, Srta. Swan. – Suspira.
– Que horas eu vou dormir? – Dou de ombros.
– Por qual motivo você acha que posso lhe dar tal resposta? – Volta a suspirar e aponta para Tinker.
– Tinker não vai me deixar dormir à noite. – Pelo tom que fala, acho que está reclamando.
– São só trinta dias, tenho certeza que sobreviverá. – Lhe garanto.
– E Janis? Pode me dizer em que horas dessa minha agenda, terei tempo para ela. – A verdade é que pensei sobre isso também, e bom, tenho certeza que Janis terá tempo com a sua mãe. Tinker não gosta de crianças, então com certeza vai fugir de qualquer compromisso que envolva uma.
– Bom, sugiro que quando seu expediente acabar, você leve Tinker para a sua casa. – Enquanto a Srta. Swan me lança um olhar irritado, demonstrando o quanto odiou a ideia. Tinker me olha assustada, tenho certeza que está se segurando para não me perguntar que tipo de amiga sou.
– Vamos fazer assim, de segunda a quinta, você fica comigo por apenas uma hora. – Quase sorrio ao ver o quanto meu plano deu certo. — Mas as noites de sexta serão todas minhas. Os sábados e domingos combinamos nas sextas. – A sugestão de Tinker nada mais é do que um claro sinal de que ela não quer passar um tempo com crianças.
– Okay, mas o dia da semana que terei livre, será sempre de Janis. – Impõe.
– Nesse caso, todos os sábados que você estiver trabalhando, as noites serão minhas. – Você sabe que a sua vida não tem mais jeito mesmo, quando faz uma reunião no sábado à tarde, para ouvir sua amiga e uma garota de programa discutindo os dias que terão de sexo.
– Okay. – Mesmo sem muita convicção, a Srta. Swan acaba concordando.
– Okay. – Faço algumas anotações no meu bloco de notas. – Há mais algum tópico que queiram debater? – Para o bem dos meus ouvidos, espero que não resolvam falar sobre nada do teor sexual.
– Preciso esclarecer algo. – A Srta. Swan olha diretamente para mim, como se de repente fosse eu a mulher com quem passará um mês. Não digo nada apenas aceno para que continue. – Eu não vou me prostituir durante esse período, quer dizer, não vou entre aspas, porque sabemos o que esse acordo envolve. – Sim, todas sabemos que tal acordo envolve prostituição. – Porém, isso não significa que serei fiel. – Faz careta ao falar a palavra “fiel”. – Delicia. – Finalmente olha para Tinker. – Não é nada pessoal, mas eu não posso prometer fidelidade, única e exclusivamente pelo fato de não conseguir cumprir. – Arqueio as sobrancelhas ao ouvir tal coisa. Penso em falar algumas coisas, na verdade, esclarecer algumas dúvidas, mas como o assunto não me diz respeito, permaneço quieta. – Prometo ser discreta, prometo que vocês jamais saberão, prometo que as colunas sociais dos jornais que vocês saem nunca desconfiarão, enfim, fidelidade é algo que não posso prometer. – Bom, se o propósito dela era esclarecer, ficou bem esclarecido.
– Okay, sendo que cumpra essas promessas. – Embora a voz de Tinker tenha soado despreocupada, sei que não está tudo Okay, mas, como aparentemente nem um milagre fará a Srta. Swan ficar depois desse mês, resolvo fazer de conta que ela me enganou com esse Okay.
– Alguma das duas tem algo mais a declarar ou exigir? – Indago e o silêncio de ambas me faz constatar que não. Fecho meu bloco de notas o coloco na bolsa. – Ótimo! Redigirei o contrato e segunda-feira voltaremos a nos reunir para leitura e assinaturas. – Me ponho de pé, volto a pegar o broncodilatador, e inalo. Feito isso o jogo para dentro da bolsa e penduro a mesma no ombro. – Vou deixa-las a sós. – Aviso a Tinker. — Sabe se precisam de mim por aqui, ou posso ir para casa? – Ela me sorri.
– Pode ir, Regina, está tudo sobre controle por aqui. – Me garante. – Vá e encontre um calçadão para correr no início das noites. – Me sugere.
– Isso terá que ficar para uma próxima oportunidade, pretendo ir para casa fazer algo que não faço há tempos. – Arqueou as sobrancelhas, está curiosa. – Me afogar em um pote de sorvete enquanto assisto TV. – Ela ri.
– Precisa de companhia? – Se oferece.
– Se a companhia levar comida, preciso. – De novo ri.
– Antes de anoitecer estarei lá. – Promete. Concordo e inclino meu corpo para baixo, para que minha boca alcance sua bochecha.
– Vou esperar! – Lhe sorriu e me volto para a Srta. Swan, que não faz questão de disfarçar que está nos observando.
– Segunda-feira, Srta. Swan e sem atrasos. – A lembro. Tiro um cartão da bolsa e lhe entrego. – Mande uma foto frente e verso da sua ID para esse número. – Pega meu cartão e o analisa. – Caso possua um SSC fotografe e também me mande, caso não tenha, providencie. – Balança a cabeça concordando, tira os olhos do cartão e me encara.
– Esse é o número do seu celular? – De todas as perguntas uteis que poderia me fazer, escolheu uma completamente inútil.
– A menos que conheça outra Regina Mills. – Minha resposta a faz sorrir e abrir a boca, tenho certeza que iria falar alguma gracinha, mas desiste. – Até mais, Srta. Swan. – Falo antes de lhe dar as costas.
– Acompanho você. – Avisa ao se pôr de pé. – Tinker, delicia, minha filha está em algum lugar desse hotel me esperando, então preciso ir. – A palavra filha, faz Tinker balançar a cabeça muitas vezes, concordando que ela vá.
– Okay, eu vou ficar por aqui, porque preciso ligar para o meu pai. – Inventa uma desculpa qualquer, com certeza para não correr o risco de conhecer a filha da Srta. Swan. Assim que se põe de pé para se despedir da sua “namorada”, resolvo dar privacidade às duas e caminho para fora da sala. Mal acabo de fechar a porta da mesma e ela volta a ser aberta, ao olhar para trás, vejo a Srta. Swan sair por ela.
– Você podia ter me esperado. – Reclama comigo, como se de repente fossemos amigas, do tipo, inseparáveis. Não lhe respondo nada, rolo os olhos e volto a andar. Em questão de segundos ela já está ao meu lado. – Sinto muito pela sua asma, quer dizer, a fumaça dos meus cigarros... – Está aparentemente tentando se desculpar.
– Não foram seus cigarros que me deixaram assim, Srta. Swan, ou pelo menos, não só eles. – Esclareço.
– Se não foram eles, então foi o quê? – Pelo jeito que fala comigo, concluo que não é mesmo de guardar rancor, não lembra nem um pouco a mulher magoada com a qual falei ontem.
– Estresse, Srta. Swan, quando me aborreço com alguma coisa, tenho falta de ar, um dos sintomas da asma. – Não faço ideia do porque estou respondendo, mas enfim, estou.
– Então sinto muito por isso também, sei que você se aborreceu comigo. – O final da frase sai sussurrado.
– Tudo bem, Srta. Swan, você é o menor problema da minha falta de ar. — Lhe garanto. Pelo canto dos olhos vejo que ao invés de caminhar olhando para frente, ela caminha olhando para mim. – Algum problema? – Questiono ao encara-la, o que a faz sorrir e enfim olhar para frente.
– Problema algum. – Me responde. – Eu estava pensando... – Por que isso me dá medo? – Será que você pode me ajudar a encontrar Janis? – Ao ouvir tal coisa, volto a olhar para ela.
– Por um acaso tenho cara de rastreador? – Ri da minha pergunta.
– Não, você não tem. – Garante. – Mas você sabe onde fica a sala de controle, onde todas as câmeras de segurança são monitoradas, e pode entrar lá, então... – Dá de ombros. – Seria incontáveis vezes mais fácil de encontrá-la assim. – Suspiro e a olho de canto. Caminhamos até o final do corredor em silêncio, então paro e volto a suspirar. Ao invés de seguir a direção que me levará até a saída, resolvo ajudar a Srta. Swan a encontrar a filha.
– Siga-me. – Resmungo e milagrosamente em silêncio, ela me acompanha.
Ao chegar na sala das câmeras e não encontrar ninguém na mesma, balanço a cabeça negativamente. Três, TRÊS, funcionários trabalham nesse lugar, e por algum motivo que não faço ideia do qual, nenhum deles está por aqui. A única desculpa plausível para isso, é que comeram algo estragado e tiveram que ir ao banheiro ao mesmo tempo. E bom, nem isso me faria aceitar o fato de terem deixado o lugar abandonado.
– UAU! Imaginava esse lugar bem menor. – A Srta. Swan parece admirada. – Quantas câmeras tem espalhadas pelo hotel? – Questiona, enquanto gira o corpo em uma tentativa de ver todas as imagens.
– Centenas, não sei exatamente quantas. – Admito. — Mais de vinte por andar. Três em cada elevador, dezenas espalhadas pelo lobby, mais dezenas no cassino, mais dezenas nos bares, boate, na área externa, estacionamento, enfim, há centenas delas. – Assovia.
– Esse lugar é enorme, eu sei, mas aqui dentro é onde dá para entender o quão grande é. – Concordo com a cabeça. – Ninguém toma conta desse lugar? – A pergunta me faz novamente pensar nos irresponsáveis.
– Sim. Três funcionários por turno. – Conto.
– E onde eles estão? – É o que eu também gostaria de saber.
– Não faço ideia, mas assim que descobrir, para casa é para onde irão. – Demitirei os três e por justa causa.
– Mulher má! – Resmunga, me fazendo a olhar de canto. – Só estou brincando! – Se defende. – Me ajude a encontrar, Janis. – Pede. – Você procura nas câmeras desse telão aí e eu procuro nas desse aqui. – Aponta e vira-se para o lugar. Já que a trouxe até aqui, resolvo ajuda-la, afinal, não a posso deixar aqui sozinha, e bom, o quanto antes acharmos a menina, antes poderei ir para casa. Começo pela parte externa, a parte da piscina é a que mais fascina as crianças. – Então... – É impressionante quão pouco tempo a Srta. Swan consegue ficar quieta. – Por que exatamente Tinker não gosta de crianças? – Tenta fazer com que a pergunta soe despreocupada.
– Ela é uma dessas pessoas que acham que crianças são algo como, terrorista. – Explico sem tirar atenção do que estou fazendo.
– Janis não é terrorista. Não que ela seja um anjo, mas na maior parte do tempo é bem-comportada. – Sai em defesa da filha.
– Você tem que dizer isso a Tinker. – Esclareço e a ouço resmungar algo que não entendo.
– E você? – A mulher tagarela me faz bufar.
– O que tem eu, Srta. Swan? – Questiono sem paciência.
– Você gosta de crianças? – A pergunta sai praticamente sussurrada. Penso em não responder, mas por algum motivo acabo respondendo.
– Minha convivência com crianças é quase nula. – Paro os olhos em uma criança na beira da piscina. Toco na tela duas vezes, fazendo com que a imagem da câmera se torne maior. Analiso a menina por alguns segundos e concluo que não é a pequena Srta. Swan.
– Não foi isso que perguntei. – Ela resmunga.
– Sim, Srta. Swan, podemos dizer que eu gosto de crianças. – O que devido às circunstâncias chega a ser irônico. Deve ser isso que ela está pensando.
– Janis gostou de você. – Conta. – Minha grosseria com você me rendeu uma bronca e tanto. – Acabo sorrindo ao ouvir tais coisas.
– Ela parece ser bem inteligente. – Comento.
– Ela é, as vezes acho que até demais. Ela convive muito com Killian e assiste muita TV, essas duas coisas fazem com que ela aprenda coisas que ainda não condizem com a idade dela. – Parece lamentar-se.
– Não entendo absolutamente nada sobre como criar uma criança, mas sei que há a possibilidade de trancar os canais adultos e deixar só os infantis. – Não deveria nem tocar no assunto, afinal, isso nada tem a ver comigo, mas como falou sobre, me senti na liberdade de opinar.
– Eu sei, e uso tal opção. O problema é que Killian sabe a senha que dá acesso a todos os canais. Às vezes, ele acaba dormindo primeiro e aí como ela fica sozinha e sem nada para fazer, recorre a TV. – Explica.
– Então o problema não é ela, e sim o tal Killian. – Rolo os olhos ao pensar na figura peculiar que atende por esse nome e que eu tive o desprazer de conhecer. – Imponha limites para ele. – Sugiro.
– Eu bem que tento. – Ela solta com o ar. Como não fui com a cara do sujeito resolvo não falar mais nada a respeito e me concentrar única e exclusivamente na câmera.
Concluo que a pequena Srta. Swan não está na área externa, então meus olhos vão para as câmeras do cassino, lugar também muito frequentado. Por sorte, checo primeiro o bar do lugar, e sorrio ao aparentemente encontrá-la.
Faço com que a imagem ocupe todo o telão e volto a sorrir ao concluir que é mesmo ela. Está conversando com um dos barmans, sentada sobre uma das muitas banquetas, com os cotovelos apoiados sobre o balcão e cara de desanimada.
– Achei você, pequena Srta. Swan. – Murmuro para o vídeo. Mal termino a frase e sinto a Srta. Swan atrás de mim, mais perto do que realmente necessário. Seu corpo está quase em contato com minhas costas, sinto sua respiração tocar minha nuca.
– Achou mesmo. – Sua voz sai praticamente sussurrada ao pé do meu ouvido. Tais sequencias de atos, fazem meu corpo reagir como eu não gostaria que reagisse. Meus olhos fecharam-se sem que eu percebesse, meu coração acelerou sem que eu consentisse. Meu corpo está rígido, não me movo um centímetro sequer. Não sei se fez tais coisas de propósito, mas seu nariz que agora sinto quase roçar em meu pescoço, com certeza está nesse lugar de propósito. Ela inala o ar com tanta força que ouço tal coisa acontecer. Algo me diz que se eu não fizer alguma coisa, ela vai dar um jeito de acabar com esses poucos milímetros que nos separam, então respiro fundo, mentalmente conto até três e volto a abrir os olhos.
– Algum problema, Srta. Swan? – Continuo imóvel, continuo rígida, e ela continua exatamente onde está.
– Desculpe. – Pede ao finalmente recuar. – Eu realmente gosto do seu perfume. – Sua voz parece abalada. Não digo nada, apenas concordo com a cabeça.
– Bom, sua filha como você pode ver, está no bar do cassino. – Minha voz não sai tão firme quanto gostaria. — Problema resolvido. – Concluo. – Até mais ver, Srta. Swan! – Sem me voltar para ela, ou olhar para trás, me despeço e sem esperar resposta saio da sala.
Caminho a passos largos para longe do lugar, acabo entrando em um elevador que milagrosamente se abriu quando passei em frente. Bato o pé impacientemente contra o chão, enquanto espero o mesmo me levar até o térreo.
Por ironia, ele me deixa bem ao lado do bar do cassino, lugar que terei que cruzar, para chegar até a saída dos funcionários. Não consigo não olhar para o bar, para ser mais precisa, para as banquetas do bar. Meus olhos não demorar a encontrar a pequena Srta. Swan, que infelizmente acaba me vendo, e aparentemente tal coisa a faz sorrir.
– Olá, Regina! – Me saúda de longe, o que me impossibilita de passar sem parar para conversa. Lhe sorrio e me aproximo.
– Hey, pequena Srta. Swan!
– Com você está? – Paro ao seu lado e encosto-me no balcão.
– Estou bem, e você, como está? – A cara de desânimo que minha pergunta a faz fazer, me arranca outro sorriso.
– Chateada! – Solta com o ar.
– E por que você está chateada? – Antes que possa me responder, a Srta. Swan de algum jeito se materializa do outro lado dela, ganhando nossa atenção. Os olhos da mulher param em mim, o que me faz olhar em outra direção.
– Aí está você! – Cumprimenta a filha e lhe dá um beijo estalado na bochecha.
– Você demorou. – Reclama com a mãe, antes de voltar-se para mim. — Porque hoje era dia de ir no parque de diversões, e a Mami me arrastou para cá. – Reclama comigo. – O amigo dela me mostrou uma parte desse lugar grandão, mas aí alguém ligou e ele teve que ir e me disse para eu não me mexer daqui, porque a Mami disse que me pegaria aqui. – Ao ouvir tal coisa, lanço um olhar indignado em direção a Srta. Swan, que me sorri muito sem graça. Se ela sabia onde exatamente a filha estava, por que diabos me fez leva-la até a sala das câmeras? Tenho vontade de esbravejar algumas coisas contra ela, mas penso na pequena Srta. Swan, que talvez venha a se assustar se me ver gritar, então contrariando minha vontade, resolvo não começar uma briga. — Já estou esperando aqui faz tempo. – Volta a reclamar, dessa vez com a mãe.
– Me desculpe por isso. – Peço a ela, que de novo se volta para mim. – Prometo não convocar sua mãe para mais nenhuma reunião durante os sábados e domingos. – De novo ela olha para mãe.
– Ela é sua chefe? – Questiona de sobrancelhas arqueadas.
– Ela é a minha nova chefe, consegui um emprego novo. – Se esquiva. Janis sorri, tira os olhos da mãe e os prende em mim.
– Você pode por favor deixar minha mãe chegar em casa mais cedo todas as noites? – O pedido inesperado, me pega de surpresa e me deixa sem saber o que responder.
– Janis! – É repreendida pela mãe. Sento-me sobre a banqueta, com as pernas voltadas para a garota.
– Acho que não tem problema você chegar em casa um pouco mais cedo durante as noites, Srta. Swan. – Respondo olhando para ela. Tinker deixou a Srta. Swan livre praticamente todas as noites da semana. Então se ela não gastar muito tempo sendo “infiel” a Tinker, sobrará um tempo digno a Janis.
– UHU! – A menina levanta os braços enquanto em comemoração, quica sobre a banqueta. Tal coisa me faz sorrir. – Obrigada! – Agradece ao jogar-se para cima de mim. Surpreendida por tal ato, a seguro do jeito que posso. Um pouco desajeitada e sem ter muita certeza do que fazer, a ajeito sobre minhas pernas. Assim que se ajeita confortavelmente, volta a me surpreender, quando apertar os braços em volta do meu pescoço, me abraçando e deixando momentaneamente sem reação. Talvez seja de família esse negócio de jogar-se para cima das pessoas.
– Janis, você está assustando a Srta. Mills. – Srta. Swan a repreende, mas pelo que posso ver, está se divertindo com a cena.
– Tudo bem! – Garanto ao dar leves tapinhas nas costas da menina. – De nada. – Não sei exatamente o que fazer com minhas mãos, então as paro no meio das costas dela, que se desfaz do abraço, aparentemente para me encarar.
– Você é muito cheirosa, Srta. Mills. – Me chama como a mãe acabou de chamar, e me fala quase a mesma coisa que sua mãe me falou a pouco, tal coisa me faz sorrir um pouco sem graça.
– Muito obrigada! E você, é muito bonita. – Meu elogio a faz sorrir.
– Como a minha mãe? – Olha em direção a mulher, que resmungar o nome da filha, tentando repreende-la.
– Como a sua mãe. – Respondo, agora muito sem graça. – Vocês são muito parecidas, principalmente na quantidade de palavras que conseguem falar em menos de um minuto. – Pelo canto dos olhos, vejo a Srta. Swan sorrir.
– Não entendi. – O semblante de dúvida da garota, me arranca um sorriso.
– Esqueça! – Por um motivo que não entendo, agora é ela quem ri. – O quê? – Questiono.
– Você fala de um jeito engraçado. – Me acusa.
– Eu falo? – Indago ao arquear uma sobrancelha.
– Sim. – Confirma. – Você não diz “oi”, você diz “hey”. E antes, quando você falou sábado e domingo, foi engraçado. Eu não sei explicar, mas você fala diferente um monte de palavras.
– Isso se chama sotaque. – A Srta. Swan senta-se na banqueta que antes era ocupada pela filha e se volta para nós. – A Srta. Mills, não mora em Vegas, ela mora em Nova York, e tem o sotaque de lá. – Faço cara feia ao ouvir tal coisa.
– Eu não tenho sotaque. – Protesto.
– Sim, você tem. Você quase não pronuncia o R no final das palavras, e faz a mesma coisa com as palavras que terminam com G. Sábado, você come o final. E o coitado do Domingo, você quase separa. Eu podia citar várias outras coisas do seu sotaque estranho, mas acho que você já entendeu. – Balanço a cabeça discordando.
– O problema não sou eu, e sim vocês. Vocês têm sotaque, e não eu. Caipiras! – Elas riem.
– Você está em Vegas, ou seja, você tem sotaque, não nós. – Rolo os olhos e resolvo desistir. Não vale a pena discutir, certo?
– Okay, eu tenho sotaque. Satisfeitas? – Ambas balançam a cabeça afirmando. A menina pendura os braços em meu pescoço, pedindo minha atenção.
– Eu acho bonitinho você falando. Todo mundo em Nova York fala assim? – Afirmo.
– Sim. Ou pelo menos, quase todo mundo.
– Legal! Você já viu a Estátua da Liberdade? – Muda de assunto.
– Incontáveis vezes. – Minha afirmação a faz abrir um sorriso empolgado.
– E ela é mesmo grande como parece ser nas fotos e na TV? – Afirmo.
– Sim, ela é mesmo grande. – Garanto.
– Maior do que a que tem em Vegas? – Volto a afirmar.
– A de Vegas é só uma réplica fajuta. – Faço pouco caso. — Vegas não tem nada de muito original, tudo aqui é cópia, uma cópia nada fiel, diga-se de passagem. – Dou minha opinião.
– Nem tudo é cópia. – Srta. Swan sai em defesa da sua cidade. – Os hotéis, as luzes, os cassinos, você não vai encontrar nada aos pés de Las Vegas. O show de luzes no lago do seu hotel é uma prova disso. – Concordo.
– Ah sim, quando falamos sobre exageros, não existe nada que bata essa cidade. – Opino.
– Você sabia que Vegas tem tantas luzes e brilha tanto que dá de ver lá do espaço? – A pequena Srta. Swan, me faz sorrir e afirmar com a cabeça.
– Sabia. Como eu disse, quando se fala sobre exageros, Vegas ganha de qualquer lugar. – Repito.
– Sabia que aqui tem a maior roda-gigante do mundo? – De novo afirmo.
– Sabia. – Cutuco meu indicador no seu nariz.
– Você sabe sobre tudo, você é muito inteligente. – Parece admirada.
– Bom, como eu tenho esse hotel em Vegas, mesmo não gostando da cidade, preciso conhecer sobre ela. Faz parte dos negócios. – Explico.
– Esse hotel é seu? – Questiona de olhos arregalados.
– Digamos que uma parte dele é. – Acho que ela não gostaria de uma explicação sobre sócios e acionistas, então melhor resumir.
– Wow!!! Você tem uma piscina de dinheiro? – Sua pergunta admirada e completamente fora dos padrões me arranca uma risada.
– JANIS! – A Srta. Swan parece envergonhada.
– Não? – Respondo ainda rindo.
– Uma vez eu passei aqui na frente com o tio Killian, e ele disse que os donos de lugares como esse, devem nadar em piscinas cheias de notas de cem. – Explica. – Você não tem mesmo, ou só não que me mostrar? – Insiste.
– Eu não tenho mesmo. Mas caso um dia eu construa uma, chamo você para nadar comigo, combinado? – Abre um sorriso largo e balança a cabeça muitas vezes em concordância.
– Combinado. A Mami pode vir também? – Antes que eu possa responder, a Srta. Swan resolve pôr fim ao assunto.
– Okay, Janis. Saia de cima da Srta. Mills, vamos embora. – Impõe ao se pôr de pé.
– Fiz alguma coisa de errado? – Questiona com a mãe, que lhe lança um olhar de censura. Seu semblante se torna fechado.
– Sem perguntas. Levante-se, vamos. – A menina bufa, resmunga algo que eu não consigo entender e obedece a mãe, pulando das minhas pernas para o colo da mulher.
– Posso perguntar se agora estamos indo no parque de diversões? – Questiona.
– Hoje não. – Sua resposta negativa faz a menina lhe lançar um olhar zangado.
– Mas você prometeu. – Reclama.
– Vamos deixar o parque para a metade da semana, quando as entradas são mais baratas. – Pede.
– Você está tentando me fazer de boba. – Reclama com a mãe, que tenta não rir.
– Não, eu não estou. – Garante.
– Que dia nós vamos? – A insistência da filha faz a Srta. Swan suspirar.
– Quarta-feira.
– Quando é quarta feira? – Faz uma nova pergunta.
– Daqui quatro dias. – Solta com o ar.
– Daqui quatro dias a gente vai, você promete? – Pede.
– Prometo.
– Se você não cumprir, vou ficar muito triste com você. – A Srta. Swan balança a cabeça concordando.
– Eu sei. – Garante. A pequena Srta. Swan tira os olhos da mãe e os prende em mim.
– Você quer vir com a gente, Regina? – Me convida. – Vai ser legal! – Sem saber como negar sem magoa-la, desvio os olhos dos dela, enquanto penso em uma resposta, e ao fazer isso, vejo a pessoa que vai me salvar de tal resposta. Tinker. Ela me lança um olhar nada amigável, quando ao invés de dar cobertura a sua aparente fuga, levanto o braço e faço sinal com a mão, a chamando até nós. Muito sem graça e sem vontade, vem em nossa direção.
– Quem é ela? – Ouço Janis questionar com a mãe.
– Olá! – Tinker chega antes que a Srta. Swan possa responder.
– Oi! – A menina lhe sorri. – Quem é você? – Questiona com a própria Tinker. Ao ver o tom de vermelho que as bochechas dela ganham, faço uma coisa que não fazia a tempo, gargalho.
– Eu... eu... eu... – A gagueira dela me faz rir ainda mais. – A namorada da sua mãe? – Responde perguntando, dessa vez, envergonhando a Srta. Swan. Rio tanto que mais uma vez no dia, sinto falta de ar.
– O quê? – Janis indaga com a mãe.
– É uma longa história, eu explico para você em casa. – Avisa, e lhe olha de um jeito que não lhe dá espaço para questionamentos.
– Tinker vai no parque de diversões com você e sua mãe. – Aviso não só a mãe e filha, mas também a Tinker. Pelo olhar das três, concluo que minha ideia não agradou ninguém. Lanço um sorriso debochado para a Srta. Swan, espero que ela entenda isso como vingança por ter me feito leva-la até a sala das câmeras quando ela sabia onde a filha estava.
– Vou? – Murmura, me lançando um olhar de ódio.
– Vai, claro que vai. Afinal, de contas, vocês precisam sair juntas, a sociedade precisa saber que estão juntas. – As lembro.
– Okay! – Tinker coça a garganta e encara a menina, tenta até sorrir para ela. – Então eu vou, se estiver tudo bem para você. – Apesar de não ter nem um pouco de certeza, Janis acaba balançando a cabeça em concordância.
– Okay, nós combinamos isso durante a semana. – A Srta. Swan parece ter se recuperado do inesperado. – Agora nós precisamos mesmo ir. – Tinker e Janis balançam a cabeça muitas vezes, ambas concordando. – Tchau! – A Srta. Swan sempre tão cheia das palavras, está digamos, econômica.
– Tchau! – Tinker e eu respondemos juntas.
– Tchau! – A pequena Srta. Swan murmura em direção a Tinker, que corresponde com o mesmo murmúrio. – Tchau, Regina! – Olha para mim e me sorri.
– Tchau, pequena Srta. Swan, tenha um bom final de semana. – Desejo lhe sorrindo.
– Você também. Se quiser, pode vir no parque conosco. – Volta a convidar.
– Obrigada pelo convite, mas provavelmente não poderei ir. – Me lança um olhar desanimado. – Mas divirta-se por mim, Okay? – Balança a cabeça concordando, murmura um “Okay”, e sem dizerem mais nada, se vão. Quando já está a uma distância considerável, Tinker fecha a mão em punho e soca meu braço, minha reação é outra gargalhada.
– Você é tão patética! – Acuso enquanto rio. – Medo de uma criança, Tinker, sério? – Debocho.
– Você sabe que eu não gosto de crianças. – Lamenta. – Eu não vou nesse parque de diversões, nem que minha vida sexual dependa disso para sempre. – Parece falar consigo.
– Claro que você vai. Vocês precisam começar a aparecer juntas. Isso faz parte do plano. – Aviso. Levanta a cabeça e me encara, por algum motivo, me sorri.
– A menina, ela gosta de você, e pelos sorrisos que trocou com ela, você também gosta dela. – Conclui. – Eu não vou nesse parque de diversões Regina, mas vou mandar uma representante, você. – Ao ouvir tamanho absurdo, balanço a cabeça negando e lhe lanço um sorriso de incredulidade.
– Tinker, você queria a Srta. Swan, eu lhe consegui a Srta. Swan. Fui apenas uma mediadora, mas agora é com você. – Esclareço. – Não me meta na história de vocês duas, mesmo que ela não seja real. – Peço. — Eu não vou nesse parque de diversões nem que a vida da humanidade dependa disso.
Fale com o autor