Notas iniciais
Oiii gente! Olha eu aqui outra vez (antes do combinado). Milagres acontecem em lugar nenhum, não é mesmo? Quero agradecer a todas que passaram por aqui e deixaram aqueles reviews lindos. Muito obrigada, obrigada pelo carinho e pela receptividade. Um agradecimento especial para a Cris, que deixou uma recomendação maravilhosa para a fanfic! Cris, muito obrigada! Você é uma amada. Obrigada mesmo, mesmo, de coração!!! Quanto ao capítulo, ele ficou BEM grande, e é todo sobre o parque de diversões, e bom, só tem SQ.

Sabe aqueles momentos de bobeira quando você acaba aceitando uma coisa e só depois de ter feito isso é que se dá conta do que realmente fez? Pois é, depois de assinar o maldito contrato para ser “mulher” de Tinker, foi que me dei conta de onde me meti.

Okay, vou ganhar bem para isso, além disso consegui um emprego e uma bolsa de estudos, mas acabei pagando um preço alto por tais coisas. Minha filha nunca fez parte disso, do meu trabalho, do que eu faço por dinheiro. Sempre procurei deixa-la o mais afastada possível. Por isso nunca disse meu nome, por isso fotos comigo sempre foram proibidas, por isso não falo sobre minha vida com minhas clientes.

Tinker nunca foi uma boa ideia, não quando se trata de compromisso, quando se trata de algo que envolva mais do que sexo, quando se trata de sentimentos. Não deveria ter dado ouvido a Regina Mills, não deveria ter cedido, não quando tenho certeza absoluta, que essa história não vai terminar bem.

Graças a Srta. Mills e sua persuasão, Tinker agora faz parte da minha vida, da minha vida real, mesmo que nosso relacionamento seja falso. Fazendo parte da minha vida, faz parte também da vida de Janis, e isso é injusto com ela, já que tal relacionamento não vai durar. É injusto jogar Tinker na vida da minha filha, injusto fazer com que se tornem amigas. Embora Janis não tenha gostado muito de Tinker, sei que se conversarem por dez minutos, ela vai mudar de ideia, ou seja, vai acabar sofrendo quando essa relação terminar.

De novo, tudo culpa de Regina, que além de me fazer voltar atrás, ofereceu Tinker para a vinda ao parque. Janis não convidou Tinker, convidou Regina, se ela não queria vir, era só falar que não queria vir e pronto. Não precisava mesmo ter oferecido Tinker para vir no seu lugar. Desse jeito ela teria me poupado das perguntas de Janis, poupado Tinker de algo que visivelmente ela não queria fazer parte, e poupado todas as pessoas com as quais fui grossa durante o dia, por tal motivo.

Agora ao invés de estar me divertindo, estou aqui, esperando minha Pseudo namorada. Bato o pé impacientemente contra o chão e volto a checar o celular. Merda! Tinker está atrasada, muito atrasada, e tal coisa me irrita ainda mais.

Levanto a cabeça e passo os olhos pelo lugar em busca dela. Os dois homens que estão perto de mim, e conversam sobre alguém tentando estacionar, me fazem olhar em direção a tal coisa. Eles estão obviamente falando sobre o Hummer H2 laranja fluorescente, que manobra para estacionar em uma vaga que para mim, parece apertada demais para o tamanho do carro de guerra.

Para a surpresa de todos, inclusive minha, quem quer que seja, é um ótimo motorista e estaciona perfeitamente o quase caminhão, no espaço pequeno. Ouço comentários preconceituosos, quando alguém diz que é uma mulher ao volante, o que me faz respirar fundo para não bater boca com tais pessoas.

Quando a porta do carro se abre e a motorista sai do mesmo, meu estomago revira. É uma sensação estranha, não sei exatamente explicar porque ele fica assim e como ele fica assim, mas o fato é que desde sábado à tarde, quando Regina Mills apareceu em meu campo de visão, ele começou com essa coisa. Agora sempre que ela passa e deixa o rastro do seu perfume, isso se repete. De repente, já não me sinto mais irritada, e o mau humor que tive durante todo dia, simplesmente se esvai e dá lugar a um largo sorriso em meu rosto.

Acabo sorrindo ainda mais ao ver o traje nada Regina, que está usando. Jeans rasgado, uma camiseta com a legenda “Eu amo Vegas”, que com toda certeza pegou em uma loja do hotel, e um par de vans preto. Provavelmente Tinker viria vestida assim e já que por algum motivo não veio, as repassou para Regina.

É engraçado a ver usando roupas casuais. Ela já não parece mais tão ameaçadora dentro de tais roupas. Parece mais solta assim e parece mais jovem.

Pendura a bolsa em um ombro, olha para seu carro que foi estacionado perfeitamente, ativa o alarme e atravessa a rua.

O engraçadinho que passa por ela e faz uma piada, a faz olha-lo de cara amarrada e falar algo que imagino não ser nenhum elogio, tal coisa me faz rir.

Embora ande de cabeça erguida, olhando para frente, não me percebe aqui, então resolvo parar de admira-la e chama-la.

– Eu gostei das suas roupas. – Falo assim que passa por mim, e giro nos calcanhares, me voltando para ela, que ao me ouvir para e vira-se. Antes de cumprimenta-la, inalo o máximo que posso do cheiro bom do seu perfume. – Boa noite, Srta. Mills! – A saúdo com minha voz mais empolgada e meu sorriso mais cafajeste. Como sempre, tais coisas não a afetam.

– Boa noite, Srta. Swan! – Da uns passos à frente, se aproximando. Pela sua cara amarrada, constato que está aqui muito a contragosto.

– Já disse que gostei das roupas? – Revira os olhos, o que me faz ter certeza que ela não gostou.

– Você pode encontrar peças iguais nas lojas do hotel. – Responde sem vontade.

– Então acredito que sejam caras. – Não há nada de barato naquele hotel, não é diferente com as roupas. Todas as lojas que tem lá dentro, são de marcas bem famosas e caras, muito caras.

– Segundo Tinker, a camiseta custou dez dólares. – Rio.

– Sempre soube que você amava Vegas. – Implico com os dizeres da camiseta.

– Srta. Swan, acredito que não tenha vindo até aqui, para falarmos sobre as minhas roupas. – Volto a rir, imaginado como Tinker a convenceu a pôr essa camiseta. – Onde está Janis? – É a primeira vez que pronuncia o nome da minha filha. É só um nome, certo? E é o nome dela. As pessoas a chamam assim, então não tem mesmo motivo para eu sorrir e para o meu estomago voltar a contorcer, mas infelizmente, tais coisas acontecem. – O quê? – Me olha sem entender, provavelmente o sorriso largo em meu rosto a deixa assim.

– Nada, só estou feliz de vê-la aqui. – Minha resposta sincera a faz desviar os olhos. – Janis também ficará feliz em vê-la aqui. – Conto, e juro que por milésimos de segundos, consigo ver um sorrisinho no rosto dessa mulher durona. – Ela está esperando perto da montanha russa, junto com Killian, vem! – Cutuco meu ombro no seu, o que a faz me olhar de canto antes de caminhar ao meu lado. Jogo minhas mãos para dentro dos bolsos da jaqueta, enquanto mentalmente fico repetindo que Regina Mills, está aqui. Não veio se desculpar, nem veio a trabalho. Provavelmente veio porque Tinker de algum jeito a convenceu, mas enfim, veio, e veio para passar um tempo conosco. Parece até irreal, Regina Mills, aqui, em um parque de diversões, em meio a reles mortais. Ao lembrar dela descendo do carro, resolvo fazer um comentário. – Alguém já disse que você estaciona muito bem? – Indago.

– Algumas pessoas. – Responde tranquilamente, enquanto observa as pessoas pelo lugar.

– Com quem teve aulas de estacionamento?

– Com um manobrista. – Limita-se a responder.

– Você deixou todos os homens que estavam assistindo de queixo caído. – Conto.

– Ah é, não é preciso muito para deixa-los assim. – Seu comentário me faz sorrir.

– Um dia você me ensina? – Seus olhos que até então estavam focados sempre a frente, voltam-se para mim.

– Antes você tem que aprender a dirigir de verdade, Srta. Swan. – Ou é impressão minha, ou está me provocando.

– Está dizendo que não sei dirigir? – Questiono de sobrancelha arqueada.

– Você entrou em uma rua na contramão, e atropelou meu carro, o que me faz crer que não é a melhor das motoristas. – É o que me responde.

– Isso não significa que não sei dirigir! – Me defendo.

– Saber guiar o carro para frente não significa que sabe. – Sua resposta me faz abrir e fechar a boca algumas vezes, por fim suspiro e balanço a cabeça negativamente.

– Desagradável. – Murmurou e vejo um pequeno sorriso se fazer em seus lábios. Assim que ela volta a olhar para frente, me permito sorrir também. – Gostei do seu carro novo. – Volto a puxar assunto.

– Fique longe dele, Srta. Swan. – Seu sutil aviso de novo me faz rir. Os olhos dela param na montanha russa, que chama sua atenção graças a gritaria das pessoas que estão no brinquedo. Balança a cabeça negativamente, aparentemente, reprovando algo.

– Você não gosta de montanha russa?

– Não gosto de nada que me faça tirar os pés do chão. – É o que me responde.

– E quem disse que manter os pés no chão lhe mantém em segurança? – Tira os olhos do brinquedo e de novo me encara.

– Isso é uma metáfora? – O jeito que sua sobrancelha arqueia me faz sorrir.

– Só se você quiser que seja. – Revira os olhos com minha resposta e antes que possa me dar uma das suas respostas nada educadas, Janis aparece. Abraça a cintura da mulher, como se a conhecesse há tempos, e Regina, Regina Mills, a durona, Regina, vai além, ao tirar minha filha do chão e lhe dar colo.

– Eu não sei se debocho da sua cara ou se lamento por você. – O comentário de Killian me faz tirar os olhos das duas e encara-lo.

– O quê? – Ele me sorri. Conheço esse sorriso, é um sorriso compadecido.

– Eu pensei que você tivesse desistido. – Ele passa os olhos por Regina, me fazendo entender sobre quem está falando.

– E eu desisti. – Respondo rápido demais.

– Onde está Tinker? – Dou de ombros.

– Sei lá! – Me lança um olhar desacreditado, me fazendo olhar em outra direção.

– Você não saiu daqui para ir espera-la? – Afirmo.

– Sim, mas ela não veio, Regina veio em seu lugar. – Não sei o que falo de tão grave, mas ele balança a cabeça em reprovação.

– E você não pensou nem em perguntar por que ela não veio? – Rolo os olhos. Desde que Killian soube do meu “namoro” com Tinker, só sabe falar sobre isso. Puxa o saco dela de todas as maneiras possíveis, e de dez em dez minutos, me aconselha a ficar com ela para todo o sempre.

– Por que perguntaria? Killian, ela não é minha namorada de verdade, não me deve explicações. – O lembro. Ele volta a balançar a cabeça em reprovação, suspira e leva as mãos até a cintura.

– Não, você não desistiu, mas ainda dá tempo para fazer isso. – Me avisa. – Se você insistir, acredito que talvez consiga o que quer, mas com certeza vai levar algum tempo. Tempo esse que vai fazer você amar. – Rolo os olhos e o encaro.

– Não seja romântico Killian, você sabe que isso não combina comigo. – Seu sorriso duvidoso me faz bufar. – Eu só quero que sejamos amigas, Okay? Para com isso! – Me encara por um tempo, tenho impressão que vai me dizer alguma coisa, mas o que quer que seja, ele desiste.

– Amigas? – Sua mão para em meu rosto, seus dedos prendem meu queixo, ele me faz encara-lo. – Amigas? – Repete.

– Sim, amigas! – Solto com o ar, então desvio meus olhos. Balança a cabeça negativamente e volta a sorrir. Seus olhos procuram pela mulher que segura minha filha.

– Não podemos dizer que você não tem um bom gosto. – Resmunga, e se não tivesse me irritado, estaria sorrindo. – Olha só para você, toda desarrumada. – Baixo os olhos afim de olhar para mim mesma. Okay, se eu soubesse que ela viria, não teria vindo com uma jaqueta de moletom, e teria prendido os cabelos ao invés de pôr um boné de um time de baseball, e teria escolhido um jeans menos velho, mas agora não posso fazer mais nada quanto a isso.

– Pelo menos eu estou cheirosa? – Ele ri de um jeito escandaloso.

– Sim, você está. – Me puxa pelos braços e me abraça. – E não há amiga que possa dizer o contrário. – Tenta me provocar. – Vá com calma, Emma e saiba a hora de desistir. – Seu conselho me faz rolar os olhos. Resolvo não lhe dizer nada, até porque não tenho nada a dizer.

– Mami, tio Killian? – Janis nos chama, nos fazendo desfazer do abraço e encara-la. Continua nos braços da Srta. Mills, parece à vontade ali, assim como Regina parece à vontade tendo ela ali. – Vamos? – Convida.

– Na verdade, aconteceu um probleminha com Marcos, e eu não vou poder ficar. – Killian mente na cara dura, e ao invés de desmenti-lo, permaneço em silêncio. Entendo o plano dele, e não posso dizer que não gosto.

– A gente vai ter que ir? – A voz de Janis soa tristonha.

– Desculpa princesa, podemos voltar amanhã? – Ele pede a ela, que no momento está fazendo biquinho de choro.

– Mas eu já esperei até hoje. – Reclama, então lança um olhar para mim. – Mamãe, por favor! – Implora. Suspiro, e resolvo entrar no plano de Killian.

– Janis, nós moramos longe daqui. Um táxi até em casa não vai ser nada barato. – Explico. – Se esperou até hoje, pode esperar mais um pouquinho. – Balança a cabeça negando, lágrimas vem aos seus olhos.

– Chatos! – Nos acusa ao virar o rosto. O esconde no vão do pescoço da Srta. Mills, que sussurra alguma coisa com ela, coisa essa que infelizmente não consigo entender. Então levanta a cabeça e seus olhos me procuram.

– Se estiver tudo bem para você, vocês podem ficar, depois eu as deixo em casa. – Sim, sim, sim. Podemos ficar. Só nós três, como nos meus sonhos mais coloridos e impossíveis.

– Não sei, acho melhor não, você já veio até aqui, não quero que se desloque até a nossa casa só para nos deixar. – Continuo no teatro de Killian, afinal, não quero que ela entenda que ele não precisa ir.

– Srta. Swan, como você disse, já vim até aqui, ou seja, não me faça perder a viagem. – Sua voz soa autoritária. Janis levanta a cabeça e me encara.

– Por favor, Mami! – Seus olhos pidões me fazem suspirar.

– Okay! – Embora esteja com vontade de sorrir, cantar e pular, me mantenho calma, faço casualidade e faço minha voz soar bem normal. – Se não tiver problema para você, então Okay. – Janis levanta os braços e grita o seu “uhu”. Depois beija o rosto de Regina e a abraça, arrancando dela um sorriso lindo, lindo. Não posso observar mais, já que Killian cutuca com o cotovelo em meu braço, pedindo minha atenção.

– Só amigas! – Cantarola debochando. – Pare de sorrir, assim ela vai perceber. – Seu sussurro sai em forma de bronca.

– Boas melhoras ao Marcos, gonorreia tem tratamento. – Ele ri e esbarra a mão em meu ombro, me empurrando.

– Só se ele pegou de você! – Rebate a provocação e me faz rir.

– Impossível. Sabe quanto tempo faz que não fico com um homem? – Penso a respeito, e não consigo lembrar. – Nem eu sei. Então pegou de você, bicha louca! Até porque a área aqui... – Aponto para baixo. – É bem cuidada, obrigada.

– É mais fácil de cuidar, quando nada toca aí. – De novo me faz rir. Antes que eu possa abrir a boca para dizer que não é bem assim, Janis nos interrompe.

– Do que vocês estão falando? – Chama nossa atenção para ela, e ao constatar que ela e a Srta. Mills estavam prestando atenção na nossa conversa, acabado sorrindo muito sem graça. Sem uma resposta pronta, coço a garganta e ajeito o boné em minha cabeça.

– Seu tio Marcos, ele comeu alguma coisa estragada e agora está passando mal, é disso que estamos falando. – Killian explica, e bom, acabo rindo alto porque não consigo não ligar o “comeu alguma coisa estragada”, com a conversa que estávamos tendo. – Emma Swan! – Vira-se para mim, e põe as mãos na cintura. – Pare de difamar o meu pompom. – Exige. — Para que fique bem claro, ele não é estragado, e o resto do comentário farei mais tarde. – Ainda rindo, concordo e levanto as mãos, fingindo inocência.

– Eu não disse absolutamente nada! – Me defendo.

– Mas riu. – Concordo.

– Porque eu estou feliz. – Ao passar os olhos pela Srta. Mills, para explicar o motivo da minha felicidade, vejo que os olhos dela estão em mim. Claro que desvia no mesmo segundo que a olho.

– Eu sei. – Ele suspira, se aproxima e volta a prender meu queixo. – Cuide-se Emma! – Balanço a cabeça e concordo. Ele me dá um selinho e se afasta. Despede-se de Janis da mesma forma, já para Regina, ele apenas dá um tchau de longe.

– Então garotas, vamos nessa? – As convido.

– Vamos!!! – Janis responde com empolgação.

– Então desça do colo da Srta. Mills, você não tem mais tamanho para ser carregada. – A repreendo.

– O colo dela é tão fofinho e ela é tão cheirosa. – Elogia a mulher, arrancando dela um meio sorriso. Não sei quanto ao colo ser fofinho, mas entendo muito bem a parte de ela ser tão cheirosa.

– Desse jeito vou achar que você está querendo me trocar pela Srta. Mills. – Finjo ciúme.

– Mami, você é uma boba! – Me acusa. – Eu nunca vou trocar você por ninguém. – Lhe sorrio.

– Ahan. Era o que eu dizia para os meus pais até... – Balanço a cabeça, desistindo do resto da frase. Eu não troquei eles por ninguém. A princípio dei preferência a eles e deixei minha opção sexual de lado. – Deixa para lá. – Sussurro.

– Até o quê? – Janis me lança um olhar curioso, vejo curiosidade nos olhos da Srta. Mills também.

– Até ela arrumar uma namoradinha. – Ela completa a minha frase, me ajudando. Balanço a cabeça concordando e lhe dou um sorriso fraco.

– Algo assim. – Solto com o ar. Não sei o quanto ela lembra da conversa que tivemos, mas acredito que lembra de uma parte significativa, já que me ajudou prontamente com a pergunta de Janis.

– Eu nunca vou trocar você por uma namoradinha ou namoradinho. – Me promete. – Vamos morar com você. – Sua resposta me faz rir, faz até Regina rir.

– Okay, nós conversamos sobre isso depois. – Concorda e estende os braços para que lhe pegue.

– É sério. – Me avisa, enquanto lhe ajeito em meus braços. Suas pernas abraçam minha cintura, enquanto pendura os braços em meu pescoço. – Eu vou morar com você para sempre. – Insiste, o que me faz sorrir e concordar.

– Okay, eu espero que você more comigo para sempre. – Retribui meu sorriso, segura meu rosto entre as mãos e junta os lábios aos meus.

– Amo você, Mami! – Se declara.

– E eu amo você, matraca! – Concorda com a cabeça, e tira os olhos de mim, procurando pela Srta. Mills. Nesse exato momento, sei que vai falar algo que não deve.

– Regina, você é uma menina que gosta de quê? – A pergunta simpática e espontânea me faz resmungar seu nome, tentando repreende-la.

– Perdão? – Pelo tom que questiona, não entendeu o significado da pergunta.

– Acho melhor irmos primeiro no carrossel, já que está bem ali. – Aponto com a cabeça para o brinquedo, e começo a andar na direção do mesmo, em uma clara tentativa de fazer Janis mudar de assunto.

– Você é uma menina que gosta de meninas ou meninos? – Insiste. Pelo canto dos olhos, vejo que ela está tranquila com o que lhe foi perguntando.

– Ah, isso. – Seu tom de voz me faz crer que está sorrindo. – Eu sou uma menina que gosta de meninos. – O que é um total desperdício, na minha humilde opinião.

– Só de meninos? – Insiste no assunto.

– Só de meninos. – Confirma. Acabo suspirando, enquanto penso que se ela me desse uma chance, eu poderia muito bem faze-la mudar de ideia.

– Você não gosta nem um pouquinho, nem pequenininho de meninas? – Não sei se devo repreende-la e pedir para que se cale, ou se permito que continue insistindo. É incrível a paciência que Regina tem com Janis, é engraçado e talvez seja até um pouco assustador, o fato é que Janis com toda certeza do mundo a deixa muitíssimo mais sociável, além de fazer com uma certa frequência, ela mostrar os dentes perfeitos que tem na boca.

– Não, pequena Srta. Swan, nem um pouquinho. – Garante.

– Que droga! – Lamenta-se em tom alto, o que de novo faz a mulher rir. – Se ela gostasse de meninas, você poderia ser namoradinha dela. – Resmunga comigo, mas seu resmungo acaba saindo alto demais, então com certeza a Srta. Mills o ouviu. Ao espia-la pelo canto dos olhos a vejo balançar a cabeça negativamente, enquanto tenta não sorrir.

– Tenho certeza que você vai gostar de Tinker, pequena Srta. Swan. – Ao ouvir o nome de Tinker, Janis rola os olhos junto comigo.

– Eu não sei se gosto dela. – Fala para Regina o que vem me falando desde sábado.

– Acho que você deveria dar uma chance a ela. – Ganha a atenção de Janis. – Se a sua mãe gosta dela, então é porque ela deve ser pelo menos um pouquinho legal, não acha? – Okay, ela está com toda certeza tentando persuadir minha filha. E essa voz mansa e terna, junto com esse sorrisinho escondido, vão com certeza ajuda-la com isso. Balanço a cabeça negativamente e lanço um olhar nada amigável para ela. Não é justo tentar fazer com que Janis goste de Tinker, não é justo nem propor que elas tenham algum tipo de amizade, Regina mais do que ninguém, sabe que isso não vai durar mais do que um mês, ou seja, não quero mesmo que Janis se apegue a Tinker.

– Não sei. – Pelo tom da sua resposta, não, ela não acha.

– Não se preocupe com isso. – Intervenho. – Como eu já disse para você, Tinker e eu estamos apenas nos conhecendo. – Concorda com a cabeça.

– Você não gosta dela de verdade verdadeira. – Repete o que eu lhe disse quando tive que lhe explicar sobre Tinker.

– Exato. Se um dia eu gostar dela de verdade verdadeira, nós conversamos sobre vocês duas passarem um tempo juntas, mas enquanto isso não acontece, você não precisa pensar a respeito. – Termino a frase olhando para Regina. Ela entende meu sutil recado, uma prova disso é que dá um aceno com a cabeça. – Agora chega desse assunto. – A coloco no chão. – Aí está, o carrossel que você falou durante todo o mês. – Ela sorri para o brinquedo, seus olhos refletem as várias luzes que o enfeitam.

– Quase não tem fila. – Comemora ao pegar a minha mão e a de Regina, nos puxando para entrarmos na fila do brinquedo.

Se a Srta. Mills fizesse o tipo de pessoa que se desculpa, com certeza estaria fazendo isso agora, mas como não consegue abrir a boca para pronunciar tal palavra, me lança um olhar de desculpa.

– Eu só não acho justo pôr Tinker na vida dela, quando sabemos que isso tem dia marcado para terminar. – Falo em tom baixo, para que só ela ouça.

– Eu fui inconveniente, isso não vai ser repetir. – Promete no mesmo tom.

– Sei que você não está aqui por vontade própria, mas está. E eu tenho certeza que não estaria, se não gostasse pelo menos um pouquinho da minha filha. – Balança a cabeça concordando. – Janis também gosta de você, acho que você já percebeu isso. – De novo concorda. – Então no meio de algo falso, surgiu algo real. – Aponto dela para Janis. – E seu. Não queira dar isso a Tinker, Srta. Mills. Não seria justo com Janis, nem com você. Apenas... – Dou de ombros. – Aproveite. E por favor, não hesite em repreende-la sempre que ela falar algo que não lhe agrade. – Peço. – Sabemos o quanto você é boa nesse quesito, então não hesite em usar com Janis, sempre que ela merecer. – Esboça um sorriso e volta a concordar com a cabeça. Por um segundo, tenho a impressão de que irá falar alguma coisa, mas acaba não dizendo nada.

Janis olha para cima, procurando por nós duas, ganhando nossa atenção.

– Depois a gente vai no minhocão, depois na xícara, depois no carrinho bate-bate, depois no trem fantasma, depois na roda gigante e depois naquele lugar onde tem os alvos para atirar e ganhar o panda gigante. – Quase sem respirar nos passa a programação.

– Okay, mas provavelmente vou pular a parte que envolve a roda gigante. – Regina a avisa.

– Por quê? – Questiona de sobrancelhas arqueadas.

– Porque eu tenho medo de altura, pequena Srta. Swan. – Seu indicador cutuca o nariz de Janis.

– E se eu segurar a sua mão bem apertado? – Sua sugestão a faz sorrir.

– Acho que nem assim, mas prometo pensar. – Janis concorda e resolve não insistir.

Bom, milagrosamente minha filha faz silêncio, e como a Srta. Mills não é muito de conversar, nem de ter paciência quando o assunto é Emma, o silêncio acompanha nós três até o brinquedo ser liberado e Janis voltar a nos puxar pelas mãos.

Gostaria de ver essa cena de fora. Regina, Janis e eu de mãos dadas, algo que até meia hora atrás, pensei que povoaria no máximo minha imaginação, mas contrariando todas as expectativas, ela está aqui, e não parece nem um pouquinho preocupada com o que essa cena pode parecer para quem vê de fora.

– Mas no carrinho bate-bate você vai, né? – Janis que ao que tudo indica estava pensando na resposta de Regina, indaga.

– Sim, no carrinho bate-bate sim. – Responde.

– Sua sorte é que os carrinhos do brinquedo também são automáticos, senão teria que pedir ajuda para lidar com as marchas. – Me meto na conversa das duas só para provocar a Srta. Mills, que me olha com seu ar de superior.

– E eu aconselharia você, pequena Srta. Swan, a pegar uma carona comigo, porque sua mãe aparentemente não é uma boa motorista, e isso pouco tem a ver com o câmbio manual ou automático. – Ao terminar de aconselhar Janis, levanta a cabeça e de novo, me olha com superioridade. Balanço a cabeça negativamente, fingindo incredulidade pelo que acabei de ouvir.

– Só para você ficar sabendo. Srta. Superior Mills, eu sou a melhor motorista de carrinho bate-bate da história dos parques de diversões. – Quase e deixo bem claro o QUASE, posso ver um sorrisinho debochado em seu rosto.

– Deve ser porque se chama carrinho bate-bate. – Me provoca. – Sabemos o quanto pode ser boa na parte do bate-bate. – Acabo rindo do seu tom sério, porém debochado.

– Aposto que consigo passar o tempo em que o brinquedo fica ligado sem bater em ninguém e sem deixar que ninguém bata em mim. – A desafio.

– Regina. – Janis puxa sua mão, ganhando sua atenção. – A Mami é mesmo a melhor no bate-bate. – A avisa.

– Isso é porque você nunca me viu em ação, pequena Srta. Swan. – Fala com tranquilidade.

– Então vamos apostar. – Sugiro.

– E apostaremos o quê? – Penso em algumas coisas, coisas essas que a fariam me dar as costas nesse exato momento e ir embora. Então resolvo apostar algo que não envolva ela e eu trocando saliva, tirando as roupas e coisas do gênero.

– Se eu ganhar, você vai na roda gigante. Se você ganhar, você escolhe. – Estreita os olhos, enquanto aparentemente pensa no que vai me impor caso ganhe.

– Se eu ganhar, você vai escrever na sua testa “a Srta. Mills é a melhor”. – Sua exigência me faz rir alto. Tenho certeza que só exigiu isso porque pensa que não vou aceitar. Ela com certeza não me conhece.

– Okay, trato feito. – Estendo a mão para ela, que como previ, está surpresa por eu ter concordado, mas como ela é Regina Mills, não volta atrás, então junta a mão a minha e a aperta, selando nossa aposta.

– Você vai gostar da roda gigante, Regina, prometo não soltar sua mão. – Janis me arranca uma gargalhada, e um olhar incrédulo de Regina.

– Você acha que eu vou perder, pequena Srta. Swan? – Janis afirma.

– Acho. – É sincera. – A Mami não sabe dirigir muito bem o fusca, ela já bateu com coitado em muitos lugares, mas no carrinho bate-bate, ela é a melhor. – Okay, ela podia ter editado a parte de bater o fusca em vários lugares.

– Pequena Srta. Swan, hoje você vai ver quem é a melhor. – Sua competitividade me faz rir.

– Não deveria contar vitória antes da hora, Srta. Mills, assim posso pensar em poupar seus ouvidos das minhas provocações, caso eu ganhe. – Aviso.

– Eu nunca perco, Srta. Swan. – Abro a boca para dizer que já ouvi ela falar algo parecido há uns dias atrás. Mas recordar da bebedeira e tudo que envolveu a mesma, com certeza não será uma boa ideia.

– Sempre tem uma primeira vez. – Lhe digo o que disse naquela ocasião.

– Não hoje. – É tudo que me responde.

– Vocês não vão entrar no brinquedo? – A pessoa que está atrás de nós nos questiona. Só então me dou conta que ao invés de entrarmos no carrossel, ficamos muito ocupas nos provocando. Com a Srta. Mills não tem cara de quem gosta de formar filas, concluo que ela também não se deu conta de tal coisa. Cabe a Janis nos puxar pelas mãos e nos levar para o brinquedo.

Seguimos toda a programação de Janis. Carrossel, minhocão, trem fantasma, e por último fomos na xícara, que embrulhou meu estomago e nos fez fazer uma parada estratégica para eu vomitar. Sim, Regina Mills me viu vomitar, então se as coisas não pesavam a meu favor antes, depois que ela me viu encarnando a menina do exorcista, com certeza tudo ficou um pouco pior.

Eu bem que tentei expulsa-la para vomitar em paz, mas como estamos falando de Regina Mills, ela continuou exatamente onde estava. Ao lado de Janis, me assistindo, talvez um pouco assustada, ou surpresa com meu enjoo de criança. Enquanto isso minha filha relatava em ricos detalhes o que eu havia comido no café da manhã e almoço e contrariando todas as expectativas, em vez de ficar com nojo, Regina achou tal coisa muito engraçada.

Quando enfim me recuperei, ela nos avisou que já voltava e caminhou para longe de nós. Agora estamos aqui, eu com as mãos na cintura, lacrimejando e fazendo cara de nojo, enquanto Janis continua falando sobre as refeições que eu coloquei para fora.

– Ainda bem que deixamos o cachorro quente para mais tarde. – Comenta comigo.

– Janis, não é nada legal ficar falando para as pessoas o que sua mãe está vomitando. – Reclamo com ela, enquanto coço a garganta que nesse momento arde e muito.

– Por que não? – Passo as mãos pelos meus olhos que ainda lacrimejam e a encaro.

– Porque é nojento. Não é algo que seja do interesse de alguém. – Explico. – Enquanto eu vomitava, você deveria ter puxado a Srta. Mills pela mão e a levado para bem longe daqui. – Suspiro. – Agora ela me viu vomitar. – Me lamento.

– Ela não podia ter visto? – Me lança um olhar de desentendimento.

– Não.

– Por que não? – Volto a coçar a garganta enquanto penso em como responder.

– Porque como eu já disse, é nojento. Agora sempre que pensar em mim, ela vai lembrar de ter me visto vomitando. – Reclamo.

– E isso é ruim? – Muito, muito ruim. Principalmente quando você sonha dormindo e acordada em de repente, quem sabe um dia, conseguir tirar pelo menos uma casquinha da mulher.

– É.

– Desculpe. – Pede. – Da próxima vez eu levo ela bem para longe. – Promete.

– Tudo bem, espero que não tenha uma próxima vez. – Mentalmente amaldiçoo o brinquedo estúpido.

– Brinquedos giratórios não são aconselháveis para pessoas que tem o estomago fraco, Srta. Swan. – Regina está de volta, e com provocações. Envergonhada por ter vomitado, respiro fundo e me volto para ela. Seus olhos me analisam atentos, aparentemente está checando se eu estou bem, então me estende uma garrafa d’água.

– Você não precisava ter visto isso. – Resmungo ao pegar a garrafa me oferecida.

– Já vi coisas piores. – Da de ombros.

– Regina? – Janis a chama, e prontamente ganha sua atenção. – Você pensa na Mami? – A pergunta que faz, me faz engasgar e cuspir toda a água que estava tomando.

– Perdão? – Seu “perdão” sai completamente na defensiva. Tenho certeza que se a pergunta tivesse sido feita por qualquer outra pessoa que não fosse Janis, a essas horas ela estaria latindo contra tal pessoa.

– Você pensa na Mami? – Como Janis não tem noção do perigo, repete a pergunta, mais devagar e declarado. Olho para ela tentando fazer com que se cale, mas não tem jeito. – Pensa? – Insiste e como não ganha uma resposta, resolve continuar. – Se você pensa, você pode por favor sempre pensar em como ela é linda, cheirosa e fofinha, e nunca pensar nela vomitando? – Ao entender a pergunta, Regina volta a postura relaxada, e bom, eu também relaxo os ombros.

– Nunca nela vomitando? – Agora que entendeu o significado da pergunta, parece se divertir com tal coisa. Ao olhar para mim, olho para longe.

– Nunca.

– Nem em você relatando sobre ovos, bacon, panquecas e torradas? – Ela está com toda certeza rindo.

– Nem isso, Mami? – Minha filha volta a me envergonhar, e acaba de entregar a conversa que tivemos enquanto a Srta. Mills foi em busca de água.

– Muito menos isso. – Resmungo sem olhar para as duas.

– Não sei se vou conseguir não pensar nisso. – Continua se divertindo as minhas custas.

– Você pode tentar? – Insiste.

– Tentar eu posso.

– Quando eu ganhar de você no carrinho bate-bate, aposto que a única coisa que vai lembrar quando pensar em mim, é de eu ganhando de você. – Me recomponho e resolvo provocar um pouco.

– Ah, isso. – Pelo jeito cínico que me sorri, sei que vai rebater minha provocação. – Bom, além de lembrar do seu incidente. – Aponta para o vômito. – Lembrarei também da sua cara de derrota. – Oh Deus! Me pergunto se ela tem o mínimo de noção do que a sua linguagem corporal causa nas pessoas.

– Acho que a gente deveria ir no bate-bate, então. Ele está ali. – Janis aponta.

– Por mim tudo bem. – Regina dá de ombros. – Se sua mãe já acabou de vomitar. – Sua piadinha me faz a olhar de canto.

– Já acabou, Mami? – Afirmo com a cabeça. – UHU! Então vamos!!! – Ela não nos espera, simplesmente sai correndo em direção ao brinquedo. A acompanho com o olhar, enquanto caminho ao lado de Regina.

– Você está bem? – Não tem tom de brincadeira, nem provocação em sua voz.

– Sim. – Afirmo. – Obrigada pela água. – Concorda com a cabeça. Tiro a cartela de chicletes do bolso da calça e jogo dois para dentro da boca. – Quer? – Ofereço ao lhe estender a cartela.

– Não, obrigada!

– Se você assim por um acaso, lembrar desse episódio lamentável e a imagem da minha pessoa aparecer na sua mente vomitando, por favor, tente lembrar também daquela noite na boate, quando eu estava um pouco mais agradável aos olhos. – Sei que não devo tocar no assunto da fatídica noite, mas não tenho culpa dos poucos ‘encontros” que tivemos. Sempre que Regina aparece, faz tal coisa sem avisar, ou seja, sempre acaba me pegando desarrumada.

– Srta. Swan, tenho mais o que fazer para sequer cogitar a possibilidade de pensar em você. – Já mencionei o quanto ela sabe ser “gentil” quando quer? Pois é.

– Caso um dia não tenha nada para fazer e resolva pensar em mim. – Dou de ombros. – Apenas... você pode esquecer que me viu vomitando? – Tira os olhos de Janis e olha na minha direção, seus olhos se prendem no meu por alguns segundos, então ela balança a cabeça negativamente.

– Você está mesmo preocupada com isso? – Parece incrédula.

– Não estava nos meus planos vomitar, muito menos fazer isso na sua frente. – Volta a balançar a cabeça negativamente.

– Não estava nos meus planos ficar bêbada, muito menos fazer isso na sua presença, muitíssimo menos arrasta-la para o meu quarto. – Okay, ouvir tal coisa me pega desprevenida. Penso em perguntar algumas coisas, como por exemplo: você lembrou de TUDO? Mas tenho medo e ela parece desconfortável.

– Isso significa o que exatamente? – Murmuro a pergunta.

– Isso significa que você já me viu em uma situação muito pior, Srta. Swan. Então por que não esquecemos ambas as coisas? – Parece um pouco sem paciência.

– Esquecer o que mesmo? – Me olha pelo canto dos olhos.

– Você é sempre assim? – Sua pergunta me faz arquear as sobrancelhas.

– Assim como? Linda e simpática?

– Idiota? – Está visivelmente tentando não sorrir.

– Se você quiser que eu seja, posso ser. – Cutuco meu cotovelo no braço dela, que finalmente desiste de esconder seu sorriso. – Como eu já disse, fico feliz que a minha idiotice faça você sorrir. – Balança a cabeça negativamente e se cala. Juro que gostaria de me infiltrar na cabeça dela, nem que fosse por apenas um minuto, só para saber o que pensa, principalmente o que pensa sobre a minha pessoa.

– Vocês duas andam muito devagar! – Janis vem até nós, nos olha de cara fechada e mais uma vez na noite, nos puxa pelas mãos.

(...) — Quem é a melhor? – Indago ao me aproximar delas. Regina, que perdeu a aposta, me olha com cara de poucos amigos, antes de virar o rosto. Acho engraçado o jeito como levou isso a sério. Ela tentou cercar e encurralar meu carrinho de todas as formas possíveis, me olhou com olhos assassinos, ameaçou até me despedir, mas não teve jeito, não conseguiu me pegar e tal coisa fez o volante do brinquedo apanhar muito. – Emma Swan é a melhor! – Continuo com a provocação. – Quem é invencível? Emma Swan! Emma Swan! Emma Swan! – Cantarolo e bato palmas, enquanto isso ela me ignora e caminha para a saída do lugar. – Bem-vinda ao meu mundo, Srta. Mills, como eu disse, sempre tem uma primeira vez. Como está se sentindo com a sua? – Continua me ignorando.

– Mami, não é legal rir dos amigos. – Janis que tenta não rir, sai em defesa dela.

– Você me perdoa, amiga? – Peço a ela, que revira os olhos e cruza os braços, igualzinho a uma criança contrariada.

– Nós não somos amigas! – Resmunga. Sua expressão fechada e emburrada me faz rir.

– Você quer ser minha amiga? – Para provoca-la, saio do lado de Janis e vou para o lado dela. Meus dedos prendem-se na manga da sua camiseta. – Quer? – A chocalho pela camiseta, enquanto insisto. – Ah diz que sim, vai! Vamos ser amigas? Por favor, por favor, por favorzinho? – Como ela não quer sorrir, vira o rosto na direção contraria e volta a resmungar, dessa vez um “não”. – Vamos ser amigas Srta. Mills, você pode me ensinar a manobrar carros de verdade e eu posso ensina-la como fugir de uma motorista alucinada quando o assunto é carrinho de bate-bate. – Sua mão vai até a minha, a tirando de sua camiseta. Jogo as mãos para dentro dos bolsos da jaqueta e cutuco meu ombro no dela. – Vamos?

– Quantos anos você, Srta. Swan? – Questiona ao finalmente me encara. Lhe sorrio e arqueio as sobrancelhas.

– Quantos você quer que eu tenha? – Minha resposta sai baixa, e soa um tanto quanto, sugestiva. Seus olhos estão presos nos meus, enquanto aparentemente pensa sobre minha resposta, na verdade, sobre o tom com a qual respondi. – Você sabe quantos anos eu tenho. – Volto a cutucar meu ombro no seu e olho para frente.

– A Mami é legal, acho que você deveria ser amiga dela também. – Janis sai em minha defesa.

– Não tenho muita certeza sobre isso. – É o que responde.

– Se você me der uma chance de poder mostrar o quanto sou legal, tenho certeza que vai querer ser minha amiguinha para todo o sempre. – Lhe garanto.

– Não tenho nem um pouco dessa certeza. – Sua resposta me faz rir, ficar em sua frente e caminhar de costas. – O que está fazendo, Srta. Swan? – Sua pergunta sai em tom de bronca, já que provavelmente além de estar relativamente perto, estou ocupando boa parte do seu campo de visão.

– Olhando para você enquanto conversamos. – Explico. – Janis, se formos bater em alguma coisa, nos avise antes. – Minha filha acha graça da situação e levanta o polegar concordando. – Vamos ser amigas? – Insisto e ela bufa. – Eu sou uma boa amiga, posso fazer você rir, posso ouvi-la, posso conforta-la, posso fazer cafunés, posso me afogar com você em um pote de sorvete enquanto assistimos a algum filme velho. – Desde que a ouvi falando para Tinker que ia para casa assistir TV e se afogar em um pote de sorvete, penso consideravelmente sobre isso. Quer dizer, Regina Mills, na casa dela, trajando só a parte de cima de uma das suas camisas sociais, atirada no sofá, relaxada, com um pote de sorvete nas mãos e a atenção na TV, deve ser algo no mínimo, interessante aos olhos. Só não me ofereci naquele dia para ir junto, porque tínhamos acabado de voltar a nos falar. – Além disso tudo eu também sei cantar e dançar. – Resolvo editar a parte do sexo, até porque ela já sabe sobre isso. – Vamos? – Ela para de andar, me fazendo fazer o mesmo. Cruza os braços e de novo seus olhos se prendem nos meus. Não faço ideia do que está prestes a dizer, o fato é que parece desistir e volta a caminhar.

– Vou pensar. – Responde ao desviar os olhos.

– Pense com carinho. – De novo minha voz acaba saindo mais sugestiva do que deveria.

– Caso continue na minha frente, não vou nem me dar ao trabalho. – Seu aviso me faz sair da sua frente de imediato. Volto para o lado de Janis e pego sua mão.

– Vou pensar é sim. – Comenta comigo e avisa a Regina.

– Vou pensar é vou pensar, pequena Srta. Swan. – Discorda.

– Sempre que a Mami me diz que vai pensar, é porque a resposta é sim, mas ela está brava para dizer o sim, daí diz que vai pensar. – Sua explicação faz Regina esboçar um sorriso, e como aparentemente concorda com o que Janis acabou de dizer, não comenta nada a respeito. – Agora vamos aqui? – Pede ao alcançarmos a tenda do tiro ao alvo, onde fica o panda gigante que Janis namora desde o começo do ano, e que minha falta de pontaria nunca permitiu que sequer pensássemos na possibilidade de leva-lo para casa.

Para conseguir o panda é preciso acertar dez alvos que vão se tornando cada vez mais distantes e menores. Além disso, não existe chances para erros. São dez alvos, e só se tem direito a dez tiros, ou seja, é preciso ser praticamente um ninja na arte de atirar, para conseguir tal feito.

– Srta. Mills, você é boa em atirar? – Questiono com ela que dá de ombros.

– Talvez.

– São dez alvos, dez tentativas e o panda que Janis deseja desde o começo do ano. – Aponto. – Se você conseguir, ganha um beijo. – Me olha pelo canto dos olhos.

– Você deveria me incentivar, Srta. Swan, não me desencorajar. – Sua resposta me faz rir.

– Ai, essa doeu! – Reclamo e a vejo sorrir. — O que daremos a Srta. Mills se ela ganhar, Janis? – Não faço ideia do porquê, mas Regina está aparentemente se divertindo por algo que Janis faz. — O quê? – Questiono com ela, que aponta de Janis para mim.

– Quando ela está pensando faz exatamente como você. Fixa os olhos em algum ponto, junta as sobrancelhas e fica completamente compenetrada. – Explica e me deixa meio de queixo caído, já que constato que ela presta atenção em mim, pelo menos um pouquinho.

– Você gosta de banana split? – Janis a questiona.

– Claro que gosto. – Pelo jeito com o que responde, posso apostar que gosta muito.

– Então se você conseguir o panda, eu posso lhe dar um beijo e um abraço e a Mami faz banana split para você, pode ser? Ela faz a melhor banana split de todo o mundo, vai até na lua e volta. – Adoro as propagandas que Janis acaba fazendo sobre a minha pessoa. E adoro também as oportunidades que ela cria para rever uma pessoa, sempre que gosta da mesma.

– Depois do carrinho bate-bate, você deveria acreditar em Janis, sempre que ela fala algo a meu respeito, bom ou ruim, é porque é mesmo. – Ela faz não me ouvir.

– Okay, vamos fazer assim, primeiro eu tento ganhar esse panda, depois combinamos o resto. – Janis balança a cabeça concordando.

– Vou comprar os tickets. – Aviso.

– Deixa que eu faço isso. – Olha diretamente para mim. – Não será um presente caso você pague por isso. – Explica.

– Estamos convencidas de que vamos ganhar? – Provoco, o que a faz rolar os olhos e me dar as costas. Suspiro e ergo a cabeça ao céu.

– Mami? – Janis me chama, está rindo.

– Está rindo de que, garota? – Questiono com desconfiança.

– De você. Você fica tão bobinha quando está pertinho da Srta. Mills. – Me acusa, o que me faz abrir e fechar a boca algumas vezes.

– Não fico nada bobinha. – Me defendo.

– Fica sim, fica igual ao Leão quando ganha comida. – Sua comparação acaba me fazendo rir. Será que o Leão sente-se fodidamente atraído pelos insetos que come? Será que ele suspira com a linguagem corporal dos insetos? Será que sente vontade de toca-los? O que você está pensando, Emma? O Leão come os insetos, morde, mastiga, lambe, degusta, se lambuza. Já você, você mal consegue tocar o braço no braço de Regina. Leão está anos luz na sua frente, sua otária.

– Aqui está. – O inseto, digo, Regina Mills, está de volta, paradinha em minha frente, me estendendo um ticket. – Para você comprei o alvo das crianças. – Aponta para o tal alvo, que é uma garrafa de refrigerante e está mais próxima do que que o primeiro alvo dela. – Você tem cinco chances. – Avisa.

– Okay. – Resmungo ao pegar o papel da sua mão.

Enquanto a Srta. Mills escolhe pacientemente sua arma, eu pego a primeira disponível. Acho engraçado ela explicando para Janis sobre miras e tipos de armas. Tal coisa me faz constatar que ela entende do assunto.

Minha imaginação fértil faz com que eu pense nela com um macacão preto de couro, colado nesse corpo que parece tão bem feito. De preferência com um decote bem caprichado. Os pés calçando saltos. Os cabelos soltos, os lábios marcados com esse batom vermelho provocante que ela usa, os olhos estreitos, a cara de má, e uma pistola nas mãos. Algo como Scarlett Johansson no filme Os Vingadores. Scarlett Johansson, que mulher! Que saúde! Mas Regina Mills, Regina Mills mexe mais com minha imaginação. Então gostaria que ela se vestisse assim, e fosse ser a Viúva Negra lá em casa. Não me importaria nem um pouco em ganhar uns tapas, porque tiros, só a presença dela já os causa.

– Mami! Mami! – Janis pula na minha frente, enquanto balança as mãos na frente do meu rosto, levando embora a imagem da perfeição.

– Hã? – Estou um pouco perdida, e pelo jeito como me olham, Janis e a Viúva Negra da minha imaginação, já perceberam tal coisa.

– Com a cabeça no mundo da lua, Srta. Swan? – Já que não posso coloca-la onde desejo, só me resta o mundo da lua, não é mesmo? É uma pena que não possa lhe responder isso.

– Já escolheu sua arma? – Mudo de assunto e desvio os olhos dos dela. Tenho medo que possa ver o quanto à estou desejando nesse momento.

– Sim. – Me mostra a pistola, e de novo, tenho pensamentos nada puros.

– Okay. – Coço a garganta e me ajeito em frente da bancada. – Vamos lá então. – Solto com o ar, enquanto tento me concentrar no meu alvo. Quando ela para ao meu lado, meus olhos acabam a espiando, o que me faz suspirar ao vê-la estender os braços, segurar a arma com as duas mãos, e estreitar os olhos, espiando pela mira da arma. – Concentra Emma. – Resmungo comigo e volto a procurar meu alvo.

Meu primeiro tiro passa longe, assim como o segundo e o terceiro. Enquanto isso ouço o barulho das balas de festim da Srta. Mills, acertando as latinhas, uma por uma, o que arranca gritos de comemoração de Janis.

Faço uma nota mental de jamais, em hipótese alguma, voltar a tirar Regina Mills do sério. Não faço ideia de onde ela aprendeu a atirar, mas é praticamente uma profissional.

Desisto do meu alvo, que continua intacto e me limito a assisti-la. Ela sorri, enquanto Janis quica ao seu lado, comemorando cada acerto. Dez alvos, dez tentativas, dez acertos. No momento me encontro boquiaberta por tal feito.

– GANHAMOS O PANDA GIGANTE!!! – Janis grita a comemoração e abraça a cintura de Regina. Comemoram por alguns segundos, até minha filha abandona-la, para ir até o responsável pelo jogo, exigir seu prêmio.

Regina volta-se para mim, ainda sorri, ainda tem a arma. Me faz de mira, aponta em minha direção e faz atirar.

– Pah, pah! – O jeito que abre a boca, o jeito que a onomatopeia sai da mesma, o jeito como segura a arma, como seus olhos estão estreitos, como me olha. Sei que ela não está me provocando, mas é completamente provocador. Para piorar a situação, leva a arma até perto da boca e sopra seu cano. Tais sequencias de atos me fazem sentir vontade de muitas coisas, todas essas coisas a fariam atirar em mim de verdade.

Seus dentes prendem seu lábio inferior, enquanto ainda me sorri e me olha. Minhas mãos se fecham, aperto os dedos contra as palmas, tentando de alguma forma conter a vontade que ela me faz ter.

– Atira na minha testa! – Sussurro.

– O quê? – Está com certeza se divertindo com a minha cara.

– Nada! – Repondo enquanto tento me recompor e conter minha vontade de ir até ela.

– Eu sou muito boa nisso! – Balanço a cabeça muitas vezes, concordando completamente.

– Você não tem ideia do quanto! – Minha voz sai empolgada demais, excitada demais, abalada demais, e com certeza, ela percebe demais, já que para de sorrir e devolve a arma ao seu devido lugar. — Com que aprendeu a atirar desse jeito? – Questiono ao me aproximar.

– Alguém já lhe disse que faz muitas perguntas, Srta. Swan? – Sua voz continua tranquila, calma.

– Alguém já disse que você é uma incógnita? — Rebato.

– Aulas, Srta. Swan. – Me responde. – Definitivamente, eu tenho que voltar a praticar. – Parece falar consigo. Pela sua expressão, concluo que tal coisa a faz sentir muito bem. Então sim, ela deve voltar a praticar, deve inclusive me chamar para ir junto. Tenho certeza que não me cansaria de assisti-la praticando. Poderíamos inclusive, investir na roupa de Viúva Negra.

– Caso um dia as coisas não deem mais certo no ramo da hotelaria, você pode investir no serviço de manobrista, ou pode ser uma matadora de aluguel. – Por algum motivo, minha sugestão a faz rir, e vai além, seu dedo indicador cutuca meu ombro o empurrando.

– Você é ridícula, Srta. Swan! – Eu sou ridícula, ah sim, eu sou ridícula, se ela diz que sou então sou.

– Vindo de você acho que isso é um elogio. — Meu dedo mínimo engancha no indicador dela, baixando sua mão junto com a minha. Quando eu penso em bobamente balança-las, Janis e seu panda gigante aparecem, o que faz a Srta. Mills desfazer qualquer tipo de contato.

– REGINA, NÓS GANHAMOS O PANDA GIGANTE! – Continua eufórica. O urso é realmente gigante, quase do tamanho de Janis, isso faz com que o segure com dificuldade.

– Sim, pequena Srta. Swan, nós ganhamos o panda gigante. – Os melhores e mais sinceros sorrisos dela, Janis os tem.

– MAMI, NÓS GANHAMOS O PANDA GIGANTE! – Ela e o panda voltam-se para mim, é impossível não rir da sua felicidade, e do jeito como tenta segurar o urso.

– Sim, Janis, vocês ganharam o panda gigante. – O tiro dos braços dela. – Deixa que eu carrego para você, senão vai acabar tropeçando nos pés e vai cair. – Me sorri largo e concorda.

– Ele vai poder dormir com a gente? – Me pede.

– Se ele dormir com a gente, eu vou acabar ficando sem cama. – Janis é totalmente espaçosa, as vezes quase me faz cair da cama, então não, não tem lugar para esse panda na nossa cama.

– Então onde ele vai dormir? – Parece preocupada.

– E se fazermos uma cama para ele no chão? – Sorri, aparentemente a ideia lhe agrada.

– Do meu lado? – Afirmo.

– Do seu lado. – Balança a cabeça concordando.

– Então tá. – Volta a me sorrir e se volta para Regina, que nos assiste quase sorrindo. Abraça a cintura da mulher e recosta a cabeça nela.

– Obrigada, Regina! – Lhe agradece.

– De nada, Janis! – Suas mãos afagam as costas da minha filha. – Faça bom proveito. – Janis levanta a cabeça para olha-la.

– Você acha que é um panda menina? – Questiona. – Se for, vou chamar de Regina. – Nesse caso, dividirei a cama com o urso.

Ela ri, gosto de sua risada, é bonita, gostosa de se ouvir, contagiante, diria eu.

– Eu não faço a menor ideia. – Responde, o que faz Janis voltar-se para mim.

– Mami, o que você acha que é? – Dou de ombros.

– Também não sei. – Me olha desanimada, me pedindo ajuda.

– Como vamos achar um nome então? – Penso um pouco sobre o assunto.

– E se colocarmos dois nomes? Um de menino e outro de menina? – Vejo que minha ideia agrada quando ela sorri.

– O que você acha? – Questiona com a Srta. Mills.

– O panda é seu, você decide. – Cutuca o indicador no nariz da minha filha, enquanto continua sorrindo para ela.

– Então já sei um nome. – Nos avisa.

– Então nos conte. – Peço.

– Elvis Regina Swan. – O nome exótico me faz rir alto. – O quê? Não é bom? – Me olha desconfiada, enquanto ainda estou rindo. – Não é bom? – Agora questiona com Regina.

– É um ótimo nome, pequena Srta. Swan, não de ouvidos para a sua mãe. – Me lança um olhar nada feliz, o que me faz parar de rir.

– É um bonito nome. – Resolvo concordar. Janis me olha com desconfiança, mas não me diz nada. Pega a mão da Srta. Mills e estende a mão livre para mim, me fazendo pôr o urso debaixo do braço para lhe dar a mão.

– Você! – O garoto que cuida do lugar me chama, me fazendo largar a mão de Janis e voltar. Me estende algo, que só vejo o que é, quando chego perto. – Seu prêmio de consolação. – Meu prêmio de consolação é um panda igual ao de Janis, só que umas mil vezes menor. Um panda chaveiro.

– Obrigada! – Murmuro o agradecimento enquanto olho para o meu panda desnutrido. Caminho de volta até elas, que aparentemente pararam para Janis comprar um balão. Ela fala com o tiozinho que está vendendo, enquanto é assistida por Regina.

– Algum problema lá? – Questiona comigo quando paro ao seu lado. Nego e lhe mostro meu prêmio.

– Ele só quis me entregar o prêmio de consolação. – Conto e lhe estendo. – Para você. Não é tão grande, na verdade, não é nem um pouco grande quanto o de Janis, nem tão fofo, mas... – Dou de ombros. – Foi o que minha falta de mira conseguiu. Você pode sei lá... – Volto a dar de ombros. — Pendurar na chave do seu carro, ou não. – Meu medo de que não aceite, me faz murmurar tais coisas, mas contrariando minhas expectativas, ela esboça um sorriso e o pega da minha mão.

– Obrigada! – É tudo que me diz.

– De nada! – Lhe respondo sorrindo. – Vai chama-lo de Elvis Regina II? – Implico com ela, que me olha de canto.

– Elvis é pelo Elvis Presley? – Essa é a primeira vez que me faz uma pergunta em termos de curiosidade.

– Sim. Janis ama ele. – Conto. – Ela diz que se um dia tiver um irmão, ele vai ter esse nome. – Ela sorri.

– Espero que não dê o nome do meio de Regina. – E essa é a primeira vez que a ouço tentando fazer uma piada, o que me faz rir.

– Não tenho planos de fazer com que a família cresça, mas caso um dia dedos comecem a engravidar e um acidente aconteça, talvez eu ponha mesmo esse nome exótico. – Antes de ela possa me responder, se é que ia mesmo responder, Janis nos chama.

– Já decidi. – Avisa.

– E qual você quer? – Regina a questiona, e pelo sorriso largo que ela abre, tenho certeza que não vou gostar de ouvir.

– Todos! – Como previ. – Pode ser? – Não, não pode ser, qualquer mero mortal como eu, diria que não pode de jeito nenhum ser, mas Regina não é uma mera mortal como eu, ela tem muito, muito, muito dinheiro, então sorri e concorda com a cabeça, como se querer todos os balões fosse a coisa mais normal e aceitável desse mundo.

– Pode. – Responde simplesmente, como se tivesse concordando em lhe dar uma bala.

– Não, não pode! – Ordeno, e ganho a atenção das duas. – Janis, tem mais de vinte balões aí. Você sabe quanto custa cada um?

– Caro?! – Parece em dúvida.

– Sim, caro. Muito caro. – Continuo irritada. – Não seja assim, fazer isso é muito feio, você está abusando da boa vontade da Srta. Mills. Assim ela não vai ser mais sua amiga. – Seus olhos se entristecem e ela procura por Regina.

– Me desculpa, prometo não fazer mais isso. – Pede em tom de vergonha. – Eu não preciso de nenhum balão. – Ao ouvir tal coisa e ver a cara de arrependida da minha filha, Regina me lançar um olhar nada amigável, antes de me encarar.

– Eu disse que ela poderia escolher quantos quisesse. – Sai em defesa de Janis.

– Isso não significa escolher todos. – Rebato.

– Não tem problema algum ela escolher todos. – Balanço a cabeça negativamente enquanto penso se ela tem ideia do absurdo que acabou de me dizer.

– Sim, tem muito problema ela escolher todos. Você por um acaso já ouviu falar em limites? – Nesse momento estou indignada. O mundo em que ela mora, é de todos os tipos e formas possíveis, diferente do mundo em que eu moro. – Dar todos esses balões a ela é como dizer: Janis, você pode tudo. – Balança a cabeça, discordando da minha opinião.

– Janis. – Muda o tom de voz para falar com a minha filha, além é claro de sorrir para ela. – Ganhar esses balões não significa que você pode tudo, nem significa que você pode discordar da sua mãe, Okay? Só significa que estou lhe dando um presente de natal adiantado, combinado? – Janis me olha desconfiada e com medo da minha reação dá um leve aceno com a cabeça. Depois do Papai Noel fazer tal explicação para a minha filha, volta a me encarar e aí acontece algo que eu achava ser impossível, surreal, inexistente. Me olha de um jeito pidão.

Os olhos arregalados o semblante triste, mostrando toda a vulnerabilidade que eu tenho certeza que ela não tem. Janis me olha exatamente desse jeitinho, quando quer muito me convencer a fazer uma de suas vontades.

Essa mulher é o diabo, com certeza ela é, tenho certeza que ela sabe que mexe comigo, assim como tenho certeza que sabe que essa sua cara de cão que caiu da mudança, vai me convencer a ceder. Ela sabe exatamente o que fazer para convencer alguém a fazer suas vontades, claro que ela sabe, faz parte do trabalho dela.

Como eu disse, ela é o diabo. Bela, inteligente, instigante, segura, perspicaz. As vezes olha de um jeito tão intenso que tenho quase certeza que ela consegue ler pensamentos. Seus olhos, é exatamente em seus olhos onde vejo o demônio que é. Parar os olhos nos dela, é como receber um convite mudo. Eles chamam, desafiam quem quer que seja a se aproximar. Mesmo me olhando do jeito que olha agora, para me pedir algo, o convite continua camuflado ali. Soa quase como uma provocação, algo do tipo “você não tem coragem”.

– Srta. Swan... – Meus olhos se concentram em seus lábios vermelhos, que pronunciam meu sobrenome de um jeito forte e único. – Será só hoje, apenas hoje, e caso tal presente venha a lhe trazer problemas futuros, por favor, não hesite em me procurar. – Imitando seu semblante, seu tom de voz também é pidão. Não respondo nada, não quero ceder a tamanho absurdo, muito embora eu saiba que já está cedido. – Tenho sua permissão? – Insiste. Tiro os olhos do diabo, e miro um ponto qualquer, é mais seguro assim. Suspiro e balanço a cabeça negativamente.

– Eu não vou mesmo compactuar com isso. – Murmuro ao dar as costas para elas, e caminhar para longe, para não ver Janis ganhar TODOS os balões, e principalmente para não entrar no jogo perigoso de Regina Mills. – O que está acontecendo com você é? – Esbravejo comigo. Tiro o celular do bolso da jaqueta e me assusto ao ver o quanto as horas voaram no tempo que estamos aqui.

Esqueço das horas quando abro o WhatsApp e vejo a quantidade de mensagens que Tinker me mandou. O que mais uma vez me faz pensar no diabo que atende pelo nome de Srta. Mills, graças a ela, o número que eu usava só para a prostituição, não existe mais. Ou seja, agora Tinker sabe meu número pessoal.

Rolo os olhos ao ver a quantidade de emojis de corações e beijos e olhos apaixonados ela me mandou, mas o que me frustra mesmo, é saber que ela quer me ver, e o que me irrita, é saber que não posso negar.

A alta gargalhada de Janis, rouba minha atenção do celular e me faz voltar para trás, está no colo de Regina, que a segura com um braço, enquanto sua outra mão segura a quantidade absurda de balões. Não sei sobre o que conversam, mas com certeza estão se divertindo. Acabo sorrindo quando depois de rir, Regina beija a bochecha sortuda da minha filha.

– Qual o seu problema, Emma? – Me repreendo e me obrigo a tirar os olhos das duas. Sento Elvis Regina sobre o banco ao meu lado e volto a prestar atenção no celular.

Como meu plano de ficar em casa já era, mando uma mensagem para Ruby, perguntando se a avó dela está disponível para ficar com Janis, e claro, ofereço dinheiro a mais, já que estou pedindo em cima da hora.

– Mami? – Janis me chama e embora tenha vontade de olhar para elas, continuo com os olhos na tela do celular.

– Sim? – Respondo de mau humor.

– Podemos ir na roda gigante agora? – Nego, antes de levantar a cabeça e olhar única e exclusivamente para ela.

– Janis, a roda gigante vai ter que ficar para outro dia. Já está passando das onze, e amanhã de manhã você tem que acordar cedo. Além disso, Tinker me mandou algumas mensagens. – Mostro o celular para ela. – Preciso vê-la. – Ouvir tal coisa a faz fechar a cara.

– Hoje? – Afirmo.

– Hoje.

– Que droga! Mas hoje é meu dia. – Reclama.

– Eu sei, por isso estamos aqui. Fizemos tudo o que você queria, inclusive, você comprou até a vendedora de balões. – Aponto para Regina, mas não a olho. – Agora precisamos mesmo ir. – A aviso.

– E eu vou ficar com quem? – Está visivelmente chateada.

– Com a avó de Ruby.

– Você volta hoje? – Nego.

– Só amanhã no começo da noite. – Cruza os braços e tira os olhos de mim. – Janis, por favor! Não fique brava comigo. – Peço. – Eu preciso ir.

– Não pode ser amanhã? – Tenta de novo e ao me ver negando, ela bufa. – Por que não? – Espero que Regina esteja prestando atenção no que a ideia idiota dela do contrato de um mês, faz com a minha vida e a de Janis, espero também que esteja se sentindo culpada.

– Porque não, não me faça perguntas difíceis. – Como sei que ela vai continuar insistindo, resolvo apelar. – Você quer que eu chame ela para ir lá em casa? – Só pergunto porque tenho certeza da resposta que vai me dar.

– Não. – Murmura. – Okay, pode ir. – Finalmente concorda. – Chata! – Ao ouvir do que me chamou, lhe lanço um olhar irritado.

– Obrigada, Janis! Amo, amo a sua consideração. – Esbravejo. Pego o panda gigante, o colo debaixo do braço e sem esperar por elas, começo a caminhar em direção a saída.

Sim, mau humor me deixa sem o mínimo de paciência possível, me faz regredir alguns anos e me comportar como uma adolescente imatura e rebelde, me faz ter vontade de brigar com quem quer que me dirija a palavra.

Como a Srta. Mills e sua asma, não gostam da fumaça dos meus cigarros, aperto o passo, abrindo uma distância considerável entre elas, para só então, tirar a carteira do bolso da jaqueta e acender um. Trago o máximo que posso desse calmante tão bom, tentando com isso, trazer minha paciência de volta.

Não é nada demais, certo? É só Tinker me chamando, como já fez incontáveis vezes. Janis também se encaixa nas incontáveis vezes no quesito reclamação, quando aviso em cima da hora que preciso sair. Então não tem porque eu estar assim irritada. Okay, eu não quero mesmo ir, se tivesse opção de escolha, com certeza ficaria em casa, mas sei que depois de estar lá, vou acabar gostando. O sexo com Tinker é bom, sempre gostei, e de uma certa forma, sempre me diverti.

Compromisso, maldita palavra. Por que as pessoas se comprometem, por quê? E pior, por que me puxam para dentro disso? O mundo seria tão mais simples se as pessoas simplesmente ficassem, transassem e depois pronto. Mas não, Hollywood teve que inventar os casais apaixonados, e agora quem sofre com isso sou eu. Por que diabos eles não investem em amizades coloridas? Sexo sem compromisso? Relacionamento aberto? Por que gostam de complicar algo que não deveria ser complicado?

Amor não existe, é apenas uma invenção, as pessoas gostam da ideia do amor, mas não amam, no máximo, se apaixonam. Coisa que dura dias, no máximo semanas, então o encanto acabada, o sexo deixa de ser bom, e as pessoas começam a se enganar. Para que isso, não é mesmo? Para que se comprometer quando você pode ser feliz apenas transando? A resposta é simples, as pessoas são masoquistas, gostam e muito de sofrer, e como eu disse, sofrer pela ideia de algo que não existe.

Encosto-me no capô de um carro qualquer, e sento Elvis Regina ao meu lado, enquanto acompanho Regina atravessar a rua com Janis e os balões. Olha em minha direção, mas me ao me ver olhando desvia o rosto, o que me faz rolar os olhos.

– Você pode me dizer por que ela é assim tão difícil? – Questiono com Elvis. – Eu sei, ela é gostosa. – Solto com o ar, enquanto a admiro. – Também sei que ela não vai me dar uma chance. – Lamento. – Como eu vou me concentrar em Tinker durante todo esse tempo, quando a amiga fatal dela, fará indiretamente parte desse mês? – Inclino a cabeça para admirar sua bunda dentro da calça jeans apertada. – Ela é tão difícil e esnobe, e meu Deus! Quando fecho os olhos ainda posso vê-la despindo-se para mim. – Balanço a cabeça em sinal de reprovação. – Oportunidade única amigo, e eu desperdicei. – Volto a me lamentar. – Gostaria de saber quem é o idiota que tem isso tudo para ele... – Aponto em direção a ela. – E não sabe cuidar do patrimônio que tem. Você acredita que há anos, ANOS, ela não sabe o que é um orgasmo? – Sempre que lembro disso, fico indignada. – Agora me diz, quem é o doente que a leva para cama e não a faz gozar? – Balanço a cabeça negativamente. – Homens. – Resmungo.

Continuo reclamando e lamentando com Elvis, até por fim, terminar meu cigarro, então coloco meu companheiro debaixo do braço e caminho até elas, que estão encostadas no capô do carro de guerra da Srta. Mills, conversando e rindo. Tenho a impressão de que falam de mim, já que quando me aproximo, as duas se calam, e olham para mim. Paro em frente a Janis, meu pé cutuca o dela, antes de eu encara-la.

– Me desculpe, eu fui uma idiota. – Peço e ganho um sorriso.

– Me desculpe também e obrigada por ter se desdobrado para me trazer até aqui. – “Se desdobrado para me trazer até aqui”. Essa com certeza não é uma frase de Janis. Levanto a cabeça e procuro pela dona da frase, que no momento está olhando para longe de nós. Me sinto tentada a perguntar sobre o que estavam falando. É impressão minha, ou Regina Mills saiu em minha defesa? Penso seriamente em perguntar, mas quais as chances de eu ganhar uma resposta? Exatamente, nenhuma. Faço uma nota mental de questionar com Janis mais tarde.

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– De nada! Prometo que amanhã à noite serei só sua. Se você quiser, podemos ir ao cinema. – Nega.

– Não. Vamos ficar em casa, só nós duas e Elvis Regina. – Tenho certeza que teve a ideia de convidar a Srta. Mills, quando levanta a cabeça para olhar para ela. – Você quer vir, Regina? Mamãe pode fazer sua banana split. – Regina tira os olhos do além e encara Janis.

– Desculpe, mas amanhã eu não posso. Tenho uma reunião com o pessoal de Nova York que com certeza durará horas e com certeza também, me deixará muito brava. – Pelo tom de desanimado que conta, concluo que está falando a verdade. Claro que não é por esse motivo que não vai até a nossa casa, mas pelo menos a desculpa é real.

– Você vai para Nova York? – Nega.

– Não. Vou ligar meu computador e me comunicar com o pessoal de lá. – Janis balança a cabeça concordando.

– Como Skype? – Regina lhe sorri e assente.

– Algo bem parecido.

– Você não pode ir depois da reunião? – Insiste.

– Não, pequena Srta. Swan, amanhã realmente eu não posso. – É firme.

– Janis, não, é não, você sabe disso. – A repreendo.

– Outro dia? – Questiona com Regina que lhe sorri e concorda.

– Outro dia. – Sua resposta sai em tom de promessa, o que muito me agrada. – Agora que tal irmos? – Nos convida.

– Você por um acaso está indo para o hotel? – Questiono e ela assente.

– Sim, preciso pegar alguns papeis.

– Pode me dar uma carona? Só preciso deixar Janis, colocar uma roupa de guerra, escovar os dentes e pegar umas roupas. Prometo não demorar. – Balança a cabeça concordando.

– Sem problemas. – Responde tranquilamente, aparentemente não se importando em me dar uma carona.

Destrava seu tanque de guerra, abre a porta de trás e bota os balões lá. Dou a volta com Janis e o panda e pela porta oposta, ajudo ambos a entrarem, assim como ataco seus cintos. Ao me ajeitar no banco do carona e prestar atenção no interior do carro, assovio.

– UAU! Olha o tamanho desse painel. – Compartilho meu pensamento. – Câmbio automático, central multimídia, tudo digital. – Sorrio, enquanto penso no que vou mexer primeiro. — Gostei!

– Já pensou em vender carros, Srta. Swan? – Regina questiona enquanto sorri.

– Não. – Meus olhos param na imagem da câmera de ré. – Ser manobrista é mais fácil quando se tem uma câmera de ré. – Implico.

– De nada adianta ter uma câmera de ré, quando não se tem senso de espaço. – Rebate minha provocação, enquanto sem trabalho algum, tira o carro do espaço apertado em que está.

– Espero que um dia você me ensine, enquanto isso me contento em ser uma boa motorista no bate-bate. – Comento com ela, enquanto mexo na central multimídia. – Qual o seu problema? Você não pôs nem as horas aqui. – Se eu tivesse um carro assim, já teria mexido, remexido e mexido de novo.

– Desde quando as pessoas se importam com as horas em Vegas? – A espio pelo canto dos olhos, antes de voltar a prestar atenção no que estou fazendo.

– Você sabe, arrumei uma chefe linha dura, se eu só pensar em fazer um comentário parecido com o seu, ela me demite e vai dizer que é por justa causa. – Ela ri.

– Você até que é inteligente, Srta. Swan! – Volto a espia-la pelo canto dos olhos.

– Obrigada pelo até. – Resmungo. – Pronto, agora seu carro já pode lhe informar as horas. – Aviso. – Agora vamos pôr uma música. – Ligo o Bluetooth do carro e depois o do meu celular. – O que quer ouvir? – Questiono enquanto passo os olhos pela minha playlist.

– Qualquer coisa.

– Qualquer coisa não tem. Do que você gosta? – Da de ombros.

– De nada. – Com certeza isso não é verdade, ela pode não saber, mas com certeza gosta de música. Penso em pôr Sweet Dreams para tocar, mas talvez ela encare isso como uma provocação, então resolvo deixar para uma próxima oportunidade.

– Todo mundo gosta de música, Srta. Mills, você só precisa saber qual estilo faz o seu tipo. – Minha opinião a faz rolar os olhos. – Enquanto isso você pode ouvir as minhas. Aliás, vou fazer um CD para você. Emma Hits. – Ela rir e balança a cabeça negativamente. – Ouça essa, porque vou cantar para você. – Aviso ao pôr para tocar.

Sara Bareilles — Brave

– Não cante, Janis, peça para sua mãe não cantar. – Pela careta que faz, provavelmente acha que vou assassinar a música.

– Para o seu azar, Janis já dormiu. – Aviso.

– Sério? – Está surpresa.

– Sim, Janis dorme quase no mesmo instante que o carro entra em movimento. – Conto. Ao espiar pelo retrovisor, ela sorri. — Aumenta aí, vamos cantar. – Convido e ela nega.

– Se aumentar, ela vai acordar. – Dou risada.

– Outro fato sobre Janis, quando ela cai no sono, talvez nem a terceira guerra seja capaz de acorda-la. – Levo a mão até a central multimídia e aumento o volume. Mexo os ombros no ritmo da música, tiro meu boné da cabeça e ponha na dela, com a aba virada para trás. – Sei que já falei isso, mas de novo, adorei sua roupa casual. – Levo minha mão até sua bochecha e a aperto. Claro que isso dura quase nada, já que sua mão enxota a minha. – Cante comigo, Srta. Mills, gosto dessa música, ela me lembra você. – Bato palma no ritmo da canção, antes de começar a cantarola-la. Já Regina, Regina balança a cabeça negativamente, enquanto mantém os olhos focados sempre em frente e tenta não sorrir para mim.

Notas finais
Por hoje é isso! O capítulo do parque continua só que agora sem a Janis, já que a Tinker vai ligar desmarcando quando a Emma já estiver a caminho. Não preciso dizer que ela vai usar a aposta que ganhou pra arrastar a Regina com ela pra outro parque, né? E aí vai ter a parte daquele spoiler que deixei no capítulo anterior e vai ter jantar e ai ter mais interrogatório. Então que quiser cenas do próximo capítulo, deposite aqui um review. Quem quiser seguir no twitter e ganhar uns spoilers @YeahRegal É isso então amiguinha, bom final de semana a todas e até mais! Beijos