Right Here Waiting For You

16 I Don't Want To Talk About It


Notas iniciais
Olá, todo mundo! Tudo bem com vocês? Sei que demorei muito dessa vez, mas como podemos ver, não desisti. Muitas vezes me falta tempo, e outras vezes, falta inspiração. Vocês esperam tanto, não acho justo escrever qualquer coisa só para vir aqui e postar. Escrevi esse capítulo, não gostei. Comecei de novo, não gostei, tentei mais uma vez, e estamos aqui. Espero que vocês gostem, se é que tem alguém por aqui ainda. Quero agradecer a todos os reviews do último capítulo, a todas as MPs que vocês me mandaram perguntando se eu estava bem, se estava viva, e a todas que mesmo com esse tanto de tempo de espera, não desistiriam da história. Agradeço também a Lotusflower, Kemacrite e Aninha18, pelas lindas recomendações que deixaram. Muito obrigada, meninas. Amei as palavras, sempre fico muito feliz quando leio que consigo levar vocês lá para dentro da história. É muito gratificante.

A vida é realmente algo muito esquisito, não é mesmo? A gente já nasce apanhando. E nos machucamos para aprender algo básico do tipo, caminhar. E sofremos com a vinda dos dentes, só para mais tarde perde-los. Existe muito empenho e dedicação para que te ensinem a falar, só para depois te mandarem calar a boca. Se você é mulher, tem o grande prazer de ser apresentada a dor da cólica, já no começo da segunda década da sua vida. E não para por aí, você também pode experimentar inteiramente grátis, a famosa dor da cólica e pior, a dor do parto.

São tantas dores desnecessárias que acumulamos durante a vida, que acho que poderia escrever toda uma trilogia sobre o assunto, mas vou me poupar, lhes poupar, nos poupar, e falar apenas sobre uma dor, a do coração.

Não, não estou falando sobre enfarto, infarto, enfarte e todos os jeitos corretos de escrever tal palavra. Nem sobre veias entupidas. Nem sobre remédios. Tampouco sobre Grey’s Anatomy e a saudosa Cristina Yang. Vou falar sobre algo sem cura, algo muito mais antigo que a AIDS, e até mais antigo que o câncer. Algo que até dias atrás, eu pensei não existir, mas infelizmente para mim, para você, e para o resto da humanidade, existe sim. Essa doença terrível, incurável, atende pelo nome de Amor.

Assim como qualquer outra doença, essa também apresenta sintomas. Vamos começar pelo primeiro deles. Caso você se identifique, tudo que posso lhe sugerir é: corre, talvez ainda dê tempo para você.

O sorriso bobinho que sem que você sequer perceba, se forma no seu rosto, quando conhece uma determinada pessoa. Esse é o primeiro sintoma. Aí você pode me dizer: “Ah, Emma, não é porque você conhece uma pessoa, e sorri bobamente por ela, que você vai ama-la”. Eu respondo: talvez não seja, não posso ter certeza, sou nova nessa história de amor e já estou pedindo para sair. Porém, uma coisa eu posso garantir: esse rostinho lindo e angelical (no meu caso, demoníaco, mas angelical), que te faz sorrir sem você nem perceber, vai ferrar com a sua vida, com a sua cabeça, com seus neurônios, com cada parte do seu ser.

Não muito tempo depois desse sorriso bobinho que foi seguido de incontáveis outros, aparece o segundo sintoma. Suspiros. Incontáveis suspiros, suspiros sem fim. Suspiros no café da manhã, suspiros no banho, suspiros quando você está lendo uma revista, suspiro quando está transando com a melhor amiga da mulher responsável pelos suspiros, suspiros até quando você está dormindo. Você lembra da pessoa e sem mais nem menos, acontece, você está suspirando.

No terceiro estágio, seu frágil coração, algo que até então você achava ser só um músculo pulsante, responsável por fazer funcionar as coisinhas do seu corpo, é atingido. E aí, sem razão nem porque, esse pobre e indefeso músculo, entra em colapso toda vez que você bate os olhos, ou sente o cheiro, ou ouve a voz, da pessoa que vai foder com a sua vida. Se você chegou nesse estágio, saiba que se por um acaso ainda existia alguma remota possibilidade de fugir, agora não existe mais. Sim, amiga, o idiota do seu coração, agora vive em função da pessoa que o faz bater fora do ritmo. Fazer funcionar as coisinhas do seu corpo, agora é um mero e insignificante detalhe.

Infelizmente, não paramos por aí, não, conseguimos piorar. Seu cérebro, essa coisa complexa, extensa, linda e várias outras coisas que a Wikipédia pode te falar, também é contagiado. E aí, caras amigas, FODEU GERAL. E não, não é um foder lindo, muito menos um foder gostoso. Quando seu cérebro é atingido, você passa a pensar nessa pessoa umas 16 horas por dia, as outras 8, você passa sonhando com a pessoa. E aí ele revive cada minuto que você passou com ela, mesmo que cada um desses minutos seja insignificante, e não acrescente nada no “relacionamento” de vocês. Sim, relacionamento entre aspas, porque o mesmo só existe no fantasioso mundo do seu debilitado cérebro. E aí, como seu sistema nervoso também foi atingido, coisas estranhas acontecem.

A pessoa te diz “bom dia” sem nem um pingo de emoção, afinal de contas, é só um bom dia. Qualquer ser humano com o mínimo de educação, deseja bom dia, até Regina Mills. Mas, como essa doença, esse vírus, essa coisa, já tomou conta de tudo, para você, não é só um bom dia, é praticamente um bom dia junto com um convite para almoçar, jantar e transar, então você responde “bom dia! Como passou a noite? Como está se sentindo nessa manhã? Vamos almoçar juntas? Que tal um cinema ou um jantarzinho, ou ambas as coisas depois do expediente? ”. Tudo isso com um sorriso na cara, com o coração descompassado, o estômago bugado e as mãos suadas.

Nessa altura da doença, ele e o coração passam a trabalhar juntos. Como eu disse anteriormente, se você ganha um “oi”, o coração faz seu cérebro entender algo com “oi, tenho interesse”, seguido de um sorriso sugestivo e uma piscadela. O cérebro, coitado, no começo até tenta argumentar, mas mais cedo, ou ainda mais cedo, deixa-se levar pela esperança do coração.

Então um belo dia, cheia de coragem você vai e se declara para a pessoa. Passam-se umas 48 horas, dentro daqueles dez segundos que ela aparentemente está absorvendo a informação. E nessas horas dentro desses segundos, você consegue visualizar tudo, beijos, abraços, roupas jogas no chão, prazer, preguiça, risadas, confissões, mais prazer, carinhos, promessas, quem sabe até uma casa, mais filhos e até um cachorro. Então em uma vacilo da pessoa, você a beija e depois ouve o que ela tem a dizer, e aí, tudo se vai. É como se um enorme buraco negro te sugasse, levando tudo, deixando apenas o vazio. Mas esse sentimento não dura muito, logo esse vazio é completado por um outro sentimento, dor.

Essa dor, ela é tão masoquista, que ela não aceita tentar esquecer, deixar para lá, não aceita se manter distante, não aceita o significado da palavra não.

Regina nunca foi realmente um caso, e acho que se Killian não tivesse insistido em me convencer que estou tendo sentimentos românticos por essa mulher, as coisas entre nós, teriam continuado dentro da normalidade (eu indo para cima, ela recuando). Mas o problema foi que ele convenceu. O músculo pulsante dentro de mim ficou muitíssimo bem convencido, assim como meu cérebro idiota. Diante disso, aproveitando que ela estava na minha casa, que já tínhamos bebido algumas taças de vinho, e que estávamos sozinhas, resolvi jogar minhas fichas, e claro, saí derrotada.

Se existisse um jeito de voltar, claro que eu a teria beijado de novo, mas também, teria enchido a cara naquela noite, teria bebido todas e mais uma. Dizem que a bebida causa apagão, esquecimento, amnésia, não é isso? Então talvez por uma espécie de sorte, na minha lembrança ficaria só o beijo, e o fora que levei, seria totalmente esquecido. A verdade é que ao me lembrar de tal coisa, meus olhos enchem dessas coisas estúpidas, conhecidas como lágrimas, e o problema é que já faz quase uma semana, e não consigo parar de pensar sobre.

Flashback

— Então, como não obtivemos sucesso em acordar Janis, acho que vou indo embora. – Regina pensou alto, com nenhum pouco de ânimo de levantar-se do lugar em que se encontrava.

— Você poderia não ir. – Emma pediu de imediato. Não queria de jeito nenhum que Regina fosse. Queria ficar naquela noite para todo o sempre.

— Claro, poderia acampar na sua sala. – Debochou. – Quem sabe fazer uma fogueira, assar alguns marshmallows. – Além de achar graça do deboche da mulher, Emma também acho a ideia muito boa.

— Adorei essa ideia. Podemos também, contar histórias de terror. – Sugeriu. – Eu posso ficar com muito medo, e você pode me abraçar e beijar. Seria um ótimo jeito de me prometer que tudo vai ficar bem. – Cutucou o cotovelo no braço de Regina. – De repente se eu ficar com muito, muito medo, podemos sei lá... – Voltou seu rosto para o da Pseudo amiga, que tinha os olhos fixos na TV. – Transar... desse jeito vou com certeza esquecer qualquer tipo de medo. – Acabou rindo, quando viu que sua maravilhosa ideia, provocou um meio sorriso e um rolar de olhos naquela mulher difícil.

— Vá dormir e sonhe comigo na sua cama, Srta. Swan. Esse é o único jeito de você conseguir ter qualquer coisa comigo. – Respondeu sem se abalar e sem se dar o trabalho de olhar para a loira absurda.

— Quem ouve você falar, pensa que você nunca me deu bola. – Resolveu provocar.

— Eu estava bêbada, bêbado costuma dar bola para qualquer um que lhe dê atenção. – Rebateu sem se alterar.

— Ai! Doeu ser chamada de qualquer uma. – Reclamou rindo. – Para sua informação, estou longe de ser qualquer uma. – Se defendeu. – Se você fosse para cama comigo, com certeza iria constatar isso. – Regina de novo rolou os olhos.

— Você é a pessoa mais insistente que eu já tive o desprazer de conhecer. – Foi tudo que resmungou.

— Costumo trabalhar com prazeres, Srta. Mills, é uma pena que você não me deixe mostrar o quão boa sou nisso. — Ao ouvir tal coisa, Regina fez vomitar.

— Srta. Swan, você já pensou que pode não ser isso tudo que você acha ser?

— Não, não pensei. Só trabalho com verdades, e a verdade é que eu sou realmente muito boa no que faço. – Não tinha nenhum tipo de dúvidas sobre aquilo.

— Se um dia eu me envolvesse sexualmente com você, — e quero deixar bem claro que não existe essa possibilidade — eu não esperaria nada menos do que inacreditável, excepcional, inimaginável, fantástico, indescritível. O seu ego é tão grande, você faz tanta propaganda sobre si, que me faz concluir que o sexo com você é algo de outro planeta. Um simples orgasmo seria broxante. – Okay, no fantástico mundo de Emma, o sexo entre elas, mais tarde ou ainda mais tarde, com certeza iria acontecer. Poderia ser dali a um dia, uma semana, um mês, dez anos, mas iria. O fato é que sentiu uma ponta de preocupação ao ouvir tal coisa. Quer dizer, e se Regina não a achasse aquilo tudo? Quer dizer, ninguém nunca tinha reclamado, pelo contrário, foi sempre muito elogiada. Tinha certeza que tais elogios eram reais, quando as mulheres com quem transava, sempre lhe ligavam pedindo por mais, e bom, levando em consideração que lhe pagavam por aquilo, deveria mesmo mandar bem naquilo, certo?

Maldita Regina Mills, cada dia mais, se convencia que aquela mulher era o diabo em pele de gente. Como conseguia mexer com seu psicológico daquele jeito? Como conseguia infiltrar-se em seu cérebro tão facilmente e implantar dúvidas ali? De repente, estava um pouco insegura sobre seu desempenho sexual, mas claro que a executiva linha dura não precisava e não iria de jeito nenhum, saber sobre aquilo.

— Bom, nós temos duas opções para tirar essa sua dúvida. – Mostrou despreocupação na voz. — Primeira, — e preciso dizer que é a opção que mais me agrada — nós tiramos as roupas e você me deixa eu te mostrar que sou isso tudo mesmo e um pouco mais. – Regina pensou que naquele momento, poderia muito bem ser surda, assim não teria ouvido tamanho absurdo. — Segunda, você pode perguntar a Tinker. – Aquela opção não agrava nenhum pouco a Emma. — Mas para que perguntar, se você pode ir ao céu por contra própria, não é mesmo? – Deu um dos seus sorrisos sedutores, e frustrou-se ao concluir que continuavam não fazendo efeito em Regina.

— Você me deu apenas uma opção, Srta. Swan, e preciso dizer que essa opção não é confiável. Tinker está apaixonada por você, ela diria qualquer coisa. – Emma deu de ombros.

— Então só resta a primeira alternativa. Vamos transar. – Deu a solução mais lógica e prazerosa.

— Qual a parte do: não vai acontecer nada entre nós, você não entende? – O tom de voz de Regina, ficou sério. Sabia muito bem que por mais que a Srta. Swan, falasse tudo em tom de brincadeira, tinha verdade até de mais, por trás daquelas sugestões. Então nada melhor do que esclarecer que não, não aconteceria.

— Talvez se você me explicar o porquê, eu comece a entender. E não, porque não, não me faz entender.

— Eu não sou lésbica, Srta. Swan. – Emma deu de ombros.

— Okay, você nunca se envolveu com uma mulher, mas não podemos dizer que nunca se sentiu atraída por uma, não é mesmo? – De novo precisou usar as armas que tinha. – Então você é pelo menos, uma hétero com um desvio de conduta. – Fez a sua defesa, ou seria, seu ataque?

— Você teve sua oportunidade, Srta. Swan. – Foi a longa e desinteressada resposta dada.

— Com você daquele jeito? Nem consensual seria. Gostaria de uma oportunidade onde você possa lembrar depois, e que não exista nada para você culpar. – Explicou e para sua infelicidade não obteve nenhum tipo de resposta. Tal coisa a frustrou e a deixou um pouquinho irritada. — Fala sério, você não sente absolutamente nada por mim? — O tom de brincadeira sempre muito usado por Emma, já não existia mais.

— Absolutamente nada. — Por mais convincente que Regina tenha sido, seu coração bateu mais forte com aquela pergunta.

— Só porque eu sou prostituta? Ou porque eu sou mulher? – Quis saber. Regina respirou fundo, antes de lhe responder. Não queria mesmo aprofundar-se no assunto, porque sabia que não terminaria bem.

— Porque você é a namorada de Tinker. Entre muitas outras coisas. E sim, você ser prostituta e mulher, entram nessas outras coisas. – Foi sincera, como sempre era.

— Eu não sinto nada por Tinker. – Sabia que Regina sabia daquilo, mas resolveu deixar ainda mais claro.

— Isso significa o quê? Que por mim você sente? — Se arrependeu da pergunta, antes mesmo de terminar de faze-la. — Não, esquece. Eu não quero saber a resposta. – E não queria mesmo.

— Sim, isso significa que por você eu sinto. Eu não queria, mas eu sinto. – Emma admitiu em voz alta, não só para Regina, mas para si também.

— Você não sente, Srta. Swan, você acha que sente, única e exclusivamente, porque eu sou alguém que você não conseguiu ter. – Era daquele jeito que Regina gostava de pensar e do jeito que deveria ser.

— Não fale sobre os meus sentimentos, fale sobre os seus. – Esbravejou. — Você não sabe das coisas que eu sinto ou deixo de sentir. Você sabe muito bem que eu tive a oportunidade de ter, exatamente nesse sentido que você está falando. Então se fosse só isso, eu já teria conseguido. – A falta de sensibilidade daquela mulher sem sentimentos, tinha irritado Emma. — Mas não é só isso, e meu Deus... eu fico tão confusa, eu sinto essas coisas que eu nunca senti antes, e eu tenho tanto medo, mas mesmo tendo medo, eu não consigo caminhar na direção contraria. Alguma coisa em você... eu não sei, me chama, me puxa. E você me deixa tão confusa, porque as vezes você me olha como se tivesse interesse em mim também, mas você está me dizendo que não tem e... — Regina não a deixou concluir. Já tinha ouvido demais. Muito mais do que o necessário. Sabia que aquelas palavras iriam ecoar na sua cabeça. Sabia que não iria simplesmente, conseguir ignorar aquilo, então decidiu que o quanto mais rápido interrompesse, menos coisas iriam martelar em sua cabeça.

— Eu roubei o namorado de Tinker. — Ao ouvir tal coisa, Emma calou-se. — A única pessoa com a qual me envolvi afetuosamente, Daniel. Ele namorava com Tinker. – De tantas coisas que poderia falar, perguntou-se mentalmente por que estava entrado naquele assunto? Por que estava desenterrando aquilo? Por que estava contando a Emma sobre tal coisa, e por que queria contar mais? — Você sabe Srta. Swan, eu não sou alguém de fazer amizade fácil. Tinker é e sempre foi minha única amiga. E mesmo ela sendo isso, eu fui lá e lhe tomei o namorado. — Tirou os olhos a muito fixos na TV e encarou a mulher que tanto lhe perturbava a mente. — Ela o amava, era nítido. Até um completo desentendido sobre o amor, podia ver tal coisa. Eu sabia, eu via, eu a ouvia suspirar e declarar-se, mas mesmo assim, essas coisas não foram suficientes para que eu não me envolvesse. – Balançou a cabeça negativamente ao lembrar-se. — Eu simplesmente o peguei para mim. – Contou. — E ao fazer isso, eu parti o coração de Tinker. Fiz isso da pior forma possível. Eu a traí, traí nossa amizade. Traí uma das poucas pessoas que se importavam comigo. – Lamentou-se.

— Tinker nunca me falou sobre isso. – Emma balbuciou a primeira coisa idiota que lhe vem à cabeça. Como assim, Regina Mills, aparentemente tão correta, fez aquilo com Tinker? Ao pensar tal coisa, Emma teve vontade de socar a própria cabeça. Que direito tinha de sequer pensar a respeito, se estava ali, insistindo para que a mulher, repetisse tal coisa? Aliás, mesmo ouvindo tamanha confissão, não se importava com Tinker naquele momento, continuava querendo e muito, envolver-se com Regina, namorar com Regina, e talvez até ficar velha ao lado dela.

— Eu sei que não. Tinker enterrou essa história. Ela foi tão boa a ponto de esquecer, a ponto de passar por cima do amor que sentia por Daniel, a ponto de me perdoar e retomar a nossa amizade. – Sorriu sem humor, enquanto encarava os olhos surpresos de Emma. — A ponto de me consolar enquanto eu chorava desesperada em cima do caixão dele. A ponto de me aninhar e ficar comigo, quando eu interrompi a gravidez, quando tirei o filho do homem que eu continuo amando. — Lágrimas vieram aos seus olhos, fazendo com que ela olhasse para outra direção. — Então Srta. Swan, acima de você ser prostituta, acima de você ser mulher, acima de qualquer atração que você possa me causar, vem Tinker. – Naquele momento, Emma estava sem palavras. Na verdade, várias palavras pipocavam em sua cabeça, mas infelizmente, nenhuma continuava muito preocupada com Tinker, e sabia que tal coisa, provavelmente irritaria a Srta. Mills. – E sabe o que é pior nisso tudo, Srta. Swan? – Emma apenas balançou a cabeça, em sinal de que não, não sabia. — Eu sou uma má pessoa, Srta. Swan. Egoísta, mesquinha e egocêntrica. Porque existe algo acima de Tinker, e para ser sincera com você e comigo, esse é o principal motivo para que eu sequer cogite a possibilidade de qualquer coisa com você. – Ainda tinha mais? Pensou o que poderia estar acima da amizade de Tinker. Pensou, pensou, pensou mais um pouquinho, e só conseguiu chegar a uma conclusão. Robin, o noivo inútil dela, o homem que não conseguia lhe dar sequer um orgasmo, só poderia ser o infeliz.

— Seu noivo? — Regina chegou a abrir a boca para dizer que não. Para dizer que Robin sequer fazia parte de um dos motivos. Que não sentia absolutamente nada pelo homem, mas do que adiantaria? O que tal coisa resolveria? Era mais fácil dizer que sim, que Robin era o motivo, e não sua mãe psicopata, que poderia facilmente mandar dar cabo em Emma e na pequena Srta. Swan, se só sonhasse com um envolvimento mesmo que apenas sexual, entre a filha e a prostituta.

— Sim, Robin. – Frustrada, era assim que Emma estava se sentindo.

— Você ama ele do mesmo jeito que amou esse Daniel? — Regina negou.

— Não, não do mesmo jeito que eu amei Daniel. Não entendo muito sobre amor, mas eu acho que a gente ama grande, apenas uma vez na vida. – Opinou.

— E se caso a gente não for correspondida? – Emma precisava de uma resposta para aquilo.

— Eu não sei. Talvez esse amor não correspondido, seja algo pequeno, que não deva ser. Talvez você ache um amor maior, que lhe corresponda do mesmo jeito. — Mesmo não concordando com aquilo, balançou a cabeça, fingindo concordância. Não queria outra pessoa, não queria ser correspondida por ninguém, além de Regina. Não entendia absolutamente nada sobre amor, mas mesmo não entendendo nada, sabia que a resposta era aquela mulher.

Que mundo injusto era aquele? Por que existia a opção de gostar de alguém, e não ser correspondida? Por que mesmo não querendo, continuava tendo todos aqueles sentimentos por aquela mulher impossível? Por que não se importava em magoar os sentimentos de Tinker? Por que queria que Regina também não se importasse?

— Você sabe que quando esse contrato acabar, eu não vou ficar com Tinker, não sabe? – A executiva balançou a cabeça afirmando.

— Sei. Você quer minha opinião sobre isso? – Não, não queria droga de opinião nenhuma. Tudo que queria era rolar de amor naquele chão com Regina.

— Não. Eu sei a sua opinião sobre isso, mas meu amor não está à venda. Tinker pode me prometer o mundo, mesmo assim eu não vou ficar. – Deixou claro.

— Decisão arriscada para quem não acreditava no amor.

— Agora que eu acredito, chamaria de decisão correta, mas chame do que quiser. O fato é que, eu não terei mais nenhum tipo de compromisso com Tinker, quando esse contrato chegar ao fim. Estarei livre da sua amiga. – Respondeu com um pouco de irritação.

— O que não significa que ela estará livre do que sente por você. – Regina rebateu.

— Eu não tenho culpa das coisas que ela sente por mim, tampouco você. Eu fiz um contrato onde eu finjo ser a namorada dela, onde ela usa meu corpo e só. Meus sentimentos, minha alma, quem eu sou, o que eu quero, eu, nada disso está redigido nesse contrato. – Contrariada, Emma parecia uma criança contrariada.

— Não disse que temos culpa e nem disse que todas essas coisas que acabou de falar, estão nesse contrato. – Rebateu.

— Mas disse que não se envolve comigo, por esse motivo. – A loira reclamou.

— Não. Não foi o que eu disse, não distorça as coisas, Srta. Swan. Disse que esse seria um dos principais motivos para eu não me envolver com você, caso sentisse vontade de tal coisa.— Emma a estava irritando, uma prova disso, era a veia alta na testa da mulher.

— E você tem certeza que não tem vontade de tal coisa? — Questionou ao anular o espaço no chão que separava seu corpo do da mulher petulante. — Porque sempre que eu chego mais perto, seu corpo me diz que alguma coisa, você sente. — Baixou o tom de voz, aproximando o rosto do de Regina.

— Não me faça ficar com raiva de você, Srta. Swan. — Falou já com raiva, antes de se pôr de pé. — Está na minha hora. Obrigada pelo jantar. Tenha uma boa noite, Srta. Swan. – Não, Emma não podia a deixar ir assim. Não podia ser de Regina, a última palavra, estava irritada demais para deixa-la ir embora assim. Rapidamente se pôs de pé, e antes que a mulher pudesse dar o primeiro passo em direção a porta, a pegou pelo braço.

— Então me fala olhando dentro dos meus olhos, que eu não mexo com você. Me diz que amizade é mesmo tudo que você quer de mim. — Suas mãos foram até a cintura de Regina, e em um puxão, a trouxeram para muito perto.

Por um segundo, Regina vacilou, o que fez a boca de Emma, procurar pela da morena, que rapidamente recuperou-se e com o dedo indicador, evitou que os lábios da loira tocassem os seus. Seus olhos foram sugados pelos olhos verdes daquela mulher irritantemente insistente, e ficaram lá, por um tempo que não saberia especificar quanto.

Ela lhe irritava, a sim, ela lhe irritava e muito, céus, como aquela mulher, ou deveria dizer, menina, a tirava do sério.

A odiava, odiava muito. Odiava sua insistência; odiava sua ousadia; odiava como ela lhe desafiava; odiava como lhe perturbava; odiava o jeito como lhe fazia rir; odiava como lhe fazia esquecer do mundo; odiava como lhe fazia esquecer quem era; odiava aqueles malditos olhos claros, que mudavam de tom conforme seu humor; odiava os cabelos bagunçados que ficariam horríveis em qualquer pessoa, mas nela, ficam perfeitos; odiava o sorriso sedutor, e os dentes brancos perfeitamente alinhados; odiava o cheiro cítrico floral, misturado com o cheiro de cigarros. Odiava, odiava e odiava, mas o que mais odiava, era como Emma a fazia sentir vulnerável.

— Você não mexe comigo. — Falou sem se mover um milímetro sequer. Seu indicador continuava sendo tudo o que separava sua boca da de Emma. — E eu não quero a sua amizade, você quem insiste em querer a minha. — Fez o que Emma pediu que fizesse, falou aquilo olhando nos olhos da loira, com a voz firme e convicta. O ódio que sentia no momento, graças a ele conseguiu falar aquilo daquele jeito.

Percebeu pelos olhos da mulher insistente, que suas palavras a tinham afetado, e por uma fração de segundos, sentiu-se mal por aquilo, pensou em talvez dizer que não era bem assim, mas não teve muito tempo para pensar em qualquer coisa, sem que esperasse, Emma puxou a mão de Regina, responsável pelo dedo indicador que separava suas bocas, consequentemente juntando os lábios ao da executiva, que em um primeiro momento, ficou totalmente sem reação. Já em um segundo momento, voltou a sentir raiva de Emma, e a empurrou do jeito que pôde, tentando se afastar.

Ir embora, precisava ir embora e era o que estava fazendo, quando de novo foi puxada pelo braço, antes de conseguir abrir a porta. A loira a empurrou contra a mesma, e prensou seu corpo contra o dela. As mãos de Emma prenderam os braços de Regina contra a parede. Tentou de novo beijar a mulher, que desviou, virando o rosto.

— Você ultrapassou todos os limites do bom senso, Srta. Swan. Solte-me, isso não é um pedido, é uma ordem. – Vociferou.

— Eu não acredito em você. Você pode até falar que não sente nada por mim, mas seu corpo e o jeito como você me olha, me dizem ao contrário. – Esbravejou, enquanto segurava firme os pulsos da executiva, que se debatia, tentando livrar-se.

— É isso que você faz com as mulheres que não querem nada com você, Srta. Swan? As encurrala e obriga a ficarem com você? — Ao ouvir tal coisa, Emma percebeu o quão fora de si estava.

Okay, achava que Regina não tinha sido completamente honesta, achava que existia pelo menos algum sentimento por parte dela também, mas aquilo não lhe dava o direto de fazer o que estava fazendo. Tinha passado de todos os limites. Via no rosto da executiva, que a tinha assustado, e tinha assustado a si própria também. Ao ver como tinha encurralado a mulher, sentiu nojo de si, e instantaneamente, soltou os pulsos de Regina. Recuou um passo, e passou as mãos no rosto, tentando se acalmar.

— Desculpa. — Murmurou envergonhada. — Desculpa, eu não queria fazer isso, eu... — Irritada, encurralada, e talvez um pouco magoada, Regina empurrou a loira a sua frente. Queria xinga-la, estapeá-la, magoa-la, até sentir-se melhor.

— Eu odeio você, odeio você, odeio você... — Continuou repetindo enquanto seu dedo indicador batia no peito de Emma. — Você bateu no meu carro. Você encheu a paciência para beber comigo no bar. Você foi até o meu quarto. Você não quis nada comigo quando podia ter. Você me fez sentir culpada. Você me fez pedir desculpas. Você me fez a ir em parque de diversões. Você colocou a sua filha na minha vida. Você me faz encontrar com você as noites para jogarmos conversa fora. Você me fez vir hoje até aqui. A culpa é sua, é toda sua. Então não me cobre por isso, Srta. Swan. Eu lhe avisei, avisei mais do que uma vez. — Esbravejou enquanto continuava dando de dedo na loira.

— Me desculpa. — Pediu com a voz embargada, os olhos tristonhos, e lágrimas formando-se nos mesmos. Tais coisas acabaram atingindo Regina, fazendo que ela cessasse seu ataque de raiva. Fechou os olhos e respirou o mais fundo que pôde. Aquilo não podia estar mesmo acontecendo. Sua vida era uma piada de muito mal gosto. Não bastava tudo que já lhe tinha acontecido, ainda tinha que ganhar aquele bônus.

Desde que pegou o jornal e viu a foto de Tinker e a Srta. Swan, aos beijos, soube que aquela garota era problema, mas olha só onde acabou indo parar e por conta própria, na casa de tal problema, importando-se com tal problema, envolvida com tal problema.

Ao abrir os olhos, cometeu o erro de procurar pelos olhos do seu problema, e então, foi sugada por eles, ficou presa em meio a tudo que aqueles olhos sempre muito expressivos, queriam lhe dizer, em meio aos muitos sentimentos que via ali.

Viu que sim, infelizmente para ambas, por uma infelicidade do destino, a Srta. Swan, sentia mesmo muitas coisas por ela. Talvez naquele momento, tivesse a conhecido por completo. Coisas boas, coisas que ela não merecia, coisas que ela não podia aceitar. Coisas que só fariam mal a todos. Coisas que trariam de volta desgraças.

Além de raiva, Emma podia ver nos olhos de Regina, o que a mesma não conseguia, ou não queria expressar. Um pedido de socorro.

— Eu já entendi que você não quer nada comigo. Que as coisas entre nós, não podem ser. Que você é lá de Marte, e que eu vivo perdida aqui na terra. Juro que entendi essas coisas. Mas por favor, eu preciso saber, eu preciso ouvir, o que você sente por mim? – Emma murmurou a pergunta. – Por favor? – Não gostava de chorar na frente de outras pessoas, não gostava de mostrar-se frágil, mas naquele momento, não importou-se com a lágrima que deixou fugir.

— Não sei. – Regina soltou com um suspiro, enquanto balançava a cabeça negativamente. Perguntou-se como não percebeu aquilo antes, como deixou a situação chegar naquele ponto?

— Estamos falando de você. Do que você sente. Como você pode não saber? Eu sou adulta suficiente para entender que não é porque você sente alguma coisa por mim, que você vai se envolver comigo. – Insistiu.

— Eu não sei, Srta. Swan. – Repetiu. — Não sei porque não quero e não vou pensar sobre isso. — Continuou. – Não vou porque é inútil. Não pode e não vai acontecer. – Foi sincera. — E eu pensei que tivesse deixado isso bem claro. – Emma balançou a cabeça afirmando.

— Deixou. Mas isso não me impediu de me apaixonar por você. – Okay, a Srta. Swan já tinha deixado aquilo subentendido naquela noite. O jeito como seus olhos lhe falavam, tinha deixado bastante entendido, mas mesmo assim, ouvir aquilo era diferente, tornava tudo mais real, não deixava margem para achismo. Era aquilo mesmo e ponto. Regina balançou a cabeça negativamente, sem saber como agir, o que falar. Não queria e não sabia lidar com aquilo.

— Você não me conhece. – Perturbada, a declaração da garota, a tinha deixado perturbada. A Srta. Swan, não a conhecia. Aquela era a única explicação lógica, para o que tinha acabado de ouvir. Sabia que não era uma pessoa sequer gostável, imagina então outro tipo de coisa. Não queria aceitar o que tinha acabado de ouvir, não queria pensar sobre aquilo depois, não queria a Srta. Swan apaixonada, não queria magoa-la, não queria magoar-se, não queria magoar Tinker, e de jeito nenhum, queria sofrer e fazer sofrer.

Bom, sua explicação lógica, só serviu para voltar a irritar Emma.

— PORQUE VOCÊ NÃO ME DEIXA CONHECER. – Toda sua raiva, sua irritação, sua frustração, ela gritou em tal frase. Respirou, fundo, passou as mãos pelo rosto tentando se acalmar, e voltou a encarar Regina. – E sim, embora você não quer que eu conheça, posso dizer que conheço. – Garantiu. – Você é uma mulher triste, amargurada, traumatizada, que para não pensar no que fez ou está fazendo com a sua vida, focou toda a sua atenção no trabalho e desde então, vive nele. – Deu um passo à frente, e fez o mesmo que Regina tinha lhe feito minutos atrás, deu com o dedo em seu peito. – Você tem medo de sair dessa falsa zona de conforto que você criou. É mais seguro assim, não é? – Regina agarrou o dedo da loira petulante, e com mais força do que o necessário, o tirou de lá. – Mas sabemos que existe uma pessoa por trás dessa máscara de indiferença. Você tem sentimentos, Srta. Mills. Mesmo sem querer sentir, você sente, sente muito, você se importa, se você continuar assim, fingindo, vai acabar sozinha e consumida pela tristeza. – Concluiu com a voz calma e baixa, os olhos presos nos olhos castanhos que tanto lhe diziam. – Não faça isso com você. – Pediu. — Você não precisa ter medo de mim. – Sussurrou ao levar uma mão ao rosto da mulher, o afagando e acariciando. – Eu não vou machucar você. – Continuou. — Juro por Deus que não. – Regina queria dizer que não era aquilo, que não tinha medo de ser machucada, e sim ao contrário, mas naquele momento, estava sem palavras. Estava um pouquinho irritada pelas dedadas que a Srta. Swan tinha lhe dado, e por tudo que tinha acabado de lhe falar, mas também, sentia outras coisas.

O jeito terno e profundo como a mulher a sua frente lhe olhava, a sinceridade que usou em todas aquelas palavras, a mão afagando seu rosto. De repente pegou-se lembrando do quanto era bom estar apaixonada. Da sensação boa que aquilo causava. Do frio na barriga, do coração acelerado, das “borboletas” no estômago, das mãos suadas, das pernas bambas. Todos aqueles velhos e quase esquecidos sintomas, cabiam em si naquele momento, e foi então que se deu conta, o problema não era apenas a Srta. Swan. Estava acontecendo de novo, não estava? E de novo com a pessoa errada. Foi sincera quando disse a loira, que nunca tinha pensado a respeito dos seus sentimentos por ela, e naquele momento soube exatamente o porquê de nunca ter feito tal coisa.

Algo no olhar de Regina tinha mudado, era perceptível para Emma. Ela parecia assustada, mas não era só isso, tinha mais. Perguntava-se o que mais? A executiva nunca tinha lhe olhado daquele jeito, nunca tinha olhado para alguém daquele jeito, pelo menos não que tenha presenciado. Pela primeira vez, não conseguia decifrar o que os olhos escuros da mulher, queriam lhe dizer.

Mantiveram-se daquele jeito, olhos nos olhos. Enquanto Emma tentava decifrar o que a Srta. Mills, queria lhe dizer. Regina pensava quando? Em que momento aquilo tinha acontecido? Como era possível? O que quer que estivesse pensando, acabou fugindo da sua mente, quando a Srta. Swan, aproximou o rosto do seu. Seu coração que já batia apressado, acelerou o ritmo ainda mais, e suas pernas que já não estavam muito bem, conseguiram ficar um pouco pior. Sabia que deveria sair dali, não importava o que estava sentindo, não importava o que a Srta. Swan, sentia, o certo era ir embora, mas naquele momento, não tinha força suficiente para aquilo. Sua mente e seu corpo, estavam em guerra de novo. Um, apesar de querer ficar, sabia que tinha que ir. Já o outro, recusava-se a sair do lugar em que estava.

I Don't Want To Talk About It — Fernanda Takai

— Eu não vou machucar você. – Em um sussurro, Emma repetiu o que tinha falado há pouco, enquanto continuava acariciando o rosto da mulher que tanto mexia consigo.

A voz sussurrada, o afago que ganhava, tamanha aproximação, o quanto a loira parecia se importar, todas aquelas coisas, e algumas outras, fizeram com que ao invés de fugir, Regina fechasse seus olhos.

Emma continuou acariciando com as costas dos dedos, o rosto da executiva, que já não parecia tão inalcançável. Não sabia exatamente o que estava acontecendo, o que aparentemente fez a Srta. Mills, mudar de ideia, e nem se aquilo duraria, ou, quanto tempo duraria, mas sabia que naquele momento, Regina Mills, estava entregue, e nem bêbada a mulher estava. Então era mérito seu, não era? Podia fazer aquilo sem culpa, certo?

Estava tão nervosa, que não sabia exatamente o que fazer, mas decidiu que iria devagar. Como nunca teve muita sorte, sabia que muito provavelmente, aquilo não voltaria a se repetir, então queria guardaria na lembrança, o máximo de coisas possíveis.

Arrastou os dedos, por toda a extensão do rosto de Regina. A testa, as sobrancelhas, o nariz, as maçãs da face, o maxilar, o queixo, mais tarde, queria lembrar de cada parte, cada detalhe. Por fim, seus olhos concentraram-se na cicatriz que a mulher carregava consigo. Com o polegar, acariciou aquela marca, como sempre teve vontade de fazer. Aquele pequeno gesto lhe fez sorrir.

Gostava tanto daquela mulher, do cheiro dela, do jeito dela, do sotaque, do ar superior, do jeito como sorria, do som gostoso da sua gargalhada, de como lhe olhava e até de como lhe rolava os olhos. E estando ali com ela, naquela situação, percebeu que gostava muito mais do que havia imaginado.

Lentamente, desceu o dedo para os lábios da mulher, que suspirou com tal ato. Contornou algumas vezes os lábios pintados pelo batom vermelho, e sentiu uma imensa vontade de tomar-lhe os mesmos naquele exato momento, porém conteve sua vontade, e decidiu seguir sua ideia inicial. Quando se deu por satisfeita, toda palma de sua mão, voltou a tocar o rosto da mulher. Devagar, seus dedos desceram pelo rosto da Srta. Mills, até chegarem a seu pescoço, acariciou o mesmo, antes de aninhar os dedos nos cabelos da nuca da mulher.

Nervosa e com o coração batendo a mil, fechou os olhos, e pôs fim a insignificante distância que separava seus rostos. Timidamente, tocou seu nariz no dela, brincado, acariciando, e novamente a ouviu suspirar. Beijou-lhe a ponta do nariz, e escorregou os lábios para a maçã do rosto, beijando ali também. Fez o mesmo com o maxilar, com o outro lado da face, com a testa, e o queixo. Seus lábios estavam parados lá, no queixo da Srta. Mills, que tinha se deixado levar, por todas aquelas pequenas, mas tão significativas caricias.

Achou que suas pernas sempre tão firmes — mas que naquele momento, estavam cada vez mais fracas — não fossem conseguir segura-la, quando enfim, a Srta. Swan, tocou os lábios nos seus. Naquele momento, não tinha mais noção de tempo e espaço, então de jeito nenhum, saberia especificar o quanto tempo os lábios da Srta. Swan, permaneceram imóveis sobre os seus, mas sua ansiedade para que tal coisa continuasse, a fez concluir que foi mais tempo do que o suficiente.

Ao concluir que a Srta. Mills, aparentemente estava mesmo de acordo com o que estava acontecendo, já que não manifestou nenhum sinal contrário, Emma sentiu uma felicidade imensa tomar conta de si, o que a fez sorrir contra a boca da mulher. Estalou os lábios nos dela uma, duas, três vezes. Seus dedos, apertaram os cabelos da nuca de Regina, respirou fundo, voltou a sorrir, e sem pressa, seus lábios capturaram o lábio inferior da mulher, delicadamente, prendeu os dentes lá e puxou. Voltou a capturar o lábio da mulher, dessa vez, acariciando de um lado a outro, os seus no dela.

Tudo que Regina conseguia pensar, era que aquilo era bom, muito bom. A situação, os lábios da Srta. Swan, no seu, o jeito como ela fazia, como os mexia, como aquilo lhe seduzia. Definitivamente, estava gostando daquilo, estava gostando muito, estava gostando tanto, que não se contentou só em ser beijada, resolveu beijar também.

Suas mãos até então inertes, cada uma parada em seu respectivo lado, foram até a cintura da Srta. Swan, e com firmeza, agarraram-se lá. Seus lábios passaram a corresponder os dela, em cada toque, cada movimento. Moldavam-se aos dela perfeitamente, como se tivessem sido feitos exclusivamente para aquilo. Devagar, sem pressa alguma, seus lábios se conheciam, sem completavam, se transbordavam.

Constatou que a boca da Srta. Swan, era diferente de todas que já havia beijado, não que tivesse beijado muitas, mas a dela era com certeza diferente. Os lábios eram delicados, menores, suaves. Claro que eram diferentes, estava beijando uma mulher, e pensar sobre aquilo em outro momento, lhe causaria impacto, mas naquele momento, estava gostando de beijar uma mulher e queria continuar beijando.

O Cheiro da Srta. Swan, a invadia, o gosto de seus lábios, a extasiava. Cada parte do seu corpo, cada célula, reagia aquele momento, aquelas caricias, aquela pessoa teimosa, cheirosa e sem juízo. Sentia como se depois de muito tempo, estivesse despertando. Viva, a sim, sentia-se viva. E no mesmo segundo em que constatou tal coisa, o som do celular da loira, ecoou pelo lugar.

Em um primeiro momento, ignorou e continuou fazendo exatamente o que fazia, mas o telefone continuou tocando e tocando, o que a fez bufar contra a boca de Emma, que achou graça.

— É só Tinker. — A Srta. Swan, também murmurou, enquanto ainda lhe beijava. "Só Tinker". Então o “feitiço” foi desfeito. Lembrou-se da amiga, pensou no que estava fazendo. Lembrou-se de Daniel, de tudo que o relacionamento entre eles causou, das mortes e de sua mãe. Tais lembranças a fizeram estagnar.

Ser "amiga" da Srta. Swan, eram um erro. Sair para "correr" com ela, era um erro. Ir ao parque de diversões com ela, foi um erro. Jantar com ela, outro erro. Ir até a casa dela, mais um erro. Mas o que tinha acabado de acontecer, era muito mais do que apenas um erro. Não podia e não devia. Sabia muito bem que aquilo lhe traria mais uma desgraça, e tinha certeza que não aguentaria mais uma. Já carregava um fardo muito grande. Não precisava de mais culpa, de mais mortes. Tinker não merecia aquilo. Tampouco a Srta. Swan e a pequena Srta. Swan.

Concluiu que precisava ser convincente, tinha que engolir qualquer sentimentalidade, qualquer emoção e vestir sua máscara de indiferença. Suspirou e fez tal coisa. Ao abrir os olhos encontrou com os da Srta. Swan já abertos. Seus olhos lhe sorriam bobamente, enquanto sua boca estava imóvel contra a sua. Não contente em lhe sorrir com os olhos, os lábios também lhe sorriram. Ganhou mais um estalinho, antes de ver a boca da garota que tinha idade para ser no máximo sua irmã, afastar-se.

— Eu sou possivelmente a pessoa mais feliz do mundo. – Compartilhou em voz alta, seu pensamento, antes de novo, roubar-lhe um beijinho.

Emma estava em êxtase. Desde que viu aquela mulher, desejou beija-la. Sonhou dormindo e acordada com aquilo, e nem no melhor dos seus sonhos, beija-la era tão maravilhoso assim. Okay, era só um beijo, certo? Ou deveria ser só um beijo, um beijo que nem língua teve, nem segundas intenções, nem nada. Mas ao mesmo tempo que era só um beijo, também era diferente. Nunca tinha beijado alguém daquele jeito, com carinho. Provavelmente porque nunca tinha tido por alguém, os muitos sentimentos que tinha pela Srta. Mills. Provavelmente, porque pela primeira vez na vida, não tinha beijado por beijar. Na sua vida nunca existiu nada de muito puro, nada de muito inocente, muito ingênuo, nada de muito encantador, mas aquele beijo, aquele beijo com certeza tinha tido aquilo tudo e um pouco mais. Estava tão feliz que tinha vontade de sorrir para sempre.

— Srta. Swan. — Coçou a garganta, tentando trazer de volta a sua voz, que estava falha. – Você recorda daquela sábia frase que citou na noite anterior? — Instintivamente, seu polegar tocou os lábios da loira, tentando limpar seu batom de lá. Se pudesse, lhe tiraria as manchas de batom, lhe beijaria de novo, e até lhe faria um carinho nos cabelos, mas o fato é que não podia de jeito nenhum. Aquela pessoa não era sua, e seria melhor para todos, principalmente para Janis e Emma, que continuasse não sendo. — A frase do Bob Esponja, lembra? – A loira balançou a cabeça afirmando, enquanto continuava sorrindo bobamente.

— O amor é entregar a alguém uma arma e deixa-lo apontar para a sua cabeça, acreditando que ele não vai puxar o gatilho. — Repetiu tal frase, fazendo Regina concordar com a cabeça.

— Não me entregue essa arma, Srta. Swan, não faça isso. — Pediu e viu o sorriso de Emma, começar a murchar. — Porque mesmo sem querer, eu vou puxar esse gatilho e eu não vou machucar só você, vou machucar sua filha também. — Seu tom soou sério, sombrio, talvez até ameaçador.

— Não fale em códigos. — Emma pediu, o coração batendo forte, dessa vez por um motivo que sabia que não seria bom.

— Você me perguntou o que eu sinto por você. — A garota afirmou. Regina olhou dentro dos seus olhos, e soube naquele momento, que o único jeito de fazê-la desistir, seria a magoando. — Eu pensei, enquanto nos beijávamos, eu pensei. – Tinha perdido a conta de quantas pessoas magoou com suas palavras durante sua vida, e nunca importou-se com tal coisa, mas fazer aquilo com aquela pessoa, era tão diferente. — E eu não sinto nada. – Continuou. — Por um minuto, eu pensei que pudesse sentir, já que como você bem observou, eu ficava incomodada quando você chegava perto. O fato é que não senti. Confesso que enquanto nos beijávamos, nem atração física, eu consegui sentir. — Pensou em voltar atrás, quando viu os olhos da loira, ficarem marejado e os mesmos desviarem o olhar, mas sabia que não podia, que precisava continuar. — Eu não sei, talvez pelo fato de você ser uma prostituta... — Prostituta, usou aquela palavra de propósito. — E insinuar-se sempre para mim, ou por aquela vez que eu fiquei bêbada, criei uma fantasia, imaginei uma atração, mas agora, eu posso lhe afirmar com toda certeza, eu não sinto nada por você, Srta. Swan. — Viu quando Emma deixou cair a primeira lágrima, e decidiu que se ficasse ali, não conseguiria manter aquilo. — Eu sinto muito. — Murmurou ao afastar-se da garota.

Foi até o sofá, pendurou sua bolsa no ombro e sem olhar para trás ou para os lados, foi embora, levando consigo uma descoberta e muitos sentimentos que lhe foram despertados, e deixando ali, um coração partido. Sabia que tinha puxado o gatilho, e fez aquilo totalmente por querer, sabia que tinha machucado aquela garota, mas não foi um tiro fatal, ela iria sobreviver, se recuperar e o principal, seguir em frente.

Notas finais
Quero dizer que a partir do próximo capítulo, as coisas vão finalmente começar a andar pra elas. Regina vai começar a ligar o foda-se, mesmo sem querer. Emma vai convence-la a escapar de uma festa da alta, e vai levar ela pra uma festa particular, e o resto eu não conto. Então é isso gente, conto com os reviews de vocês. E prometo não demorar mais quase um ano pra atualizar.