Right Here Waiting For You
29 Dangerous Woman
Notas iniciais
Eu não sei começar sem mencionar que a amo. Oh Deus, eu a amo! Como amo! Amo tanto que as vezes até dói. Muitas vezes ainda não consigo acreditar que é realmente real, que está mesmo acontecendo, que não é um delírio, que nada tem a ver com minha imaginação fértil.
Às vezes também, fico um pouco assustada, nunca de verdade imaginei que isso pudesse realmente existir. É tudo tão novo para mim: amor; carinho; cuidado; borboletas no estômago; pensamentos melosos que o coração manda para o cérebro e o infeliz faz sair pela sua boca; querer estar perto; fazer planos; imaginar-se vivendo com a pessoa. Todas as partes que não envolvem sexo, são novidades para mim. As que envolvem sexo, as vezes acabam sendo também.
Fazer amor e não sexo? Ew, Emma, ew!!! Quando em sã consciência essa coisa cafona sequer passou pela minha cabeça? Exatamente, nunca, nunca mesmo, até é claro, eu virar essa coisa cheia de sentimentos, que suspira até em ver essa mulher mastigando.
Esse ser apaixonado que vos fala, nunca acordou mais cedo para servir café da manhã para alguém. Quando eu acordava mais cedo, era para fugir do sexo matinal. Era para poder tomar banho sozinha, eu e meus pensamentos apenas. Era para não ser convidada para um café dá manhã. Era para não dar oportunidades, nunca para satisfazer a pessoa que estava comigo, nunca para surpreende-la (de um jeito positivo).
Bom, eu também não era de parar para ficar admirando alguém. Claro que na hora do sexo, as vezes acontecia, porque né, ficava tudo bem exposto diante dos meus olhos, mas fora isso, não. Eu não admirava ninguém rindo, nem sorrindo. Não admirava ninguém mastigando um pedaço de qualquer coisa, ou bebendo uma taça de espumante. Não admirava nenhum som de voz, nenhum sotaque de gente metida. Por último, mas não menos importante, não passava minutos, parada feito uma estátua, sorrindo e suspirando enquanto assistia alguém dormir.
Está deitada sobre a cama redonda e segundo ela “brega”, na qual falou muito mal ontem a noite. Nada de bons modos ao dormir. Foi só eu sair dali, para ela tomar posse de quase todo o colchão. Está de bruços, abraçada a dois travesseiros. Os cabelos pretos espalhados, bagunçados, cobrem qualquer parte do seu rosto. As costas completamente nuas, expõe a marca de biquíni já um pouco apagada, que provavelmente alguns dias de verão em algum lugar exótico e caro, lhe proporcionou. A coberta que cobre-lhe o corpo da cintura para baixo, não me deixa ver a escolha pouco provável que fez ontem ao ir até meu guarda-roupas e escolher para usar uma calcinha fio dental, na cor vinho.
Não muito longe dela, sobre o criado-mudo, tem uma das garrafas de vinho que tomamos ontem. Ao lado da mesma, sua taça, borrada pela cor do seu batom.
Pelo chão, estão espalhadas as roupas que fomos tirando ao chegar.
Gosto desse cenário, gosto de admira-la assim, gosto de ver o quão tranquila, ela parece estar. E o meu ego gosta de saber que foi eu a responsável por deixa-la assim, por derruba-la, “nocauteá-la”. Pensar sobre, me faz ter vontade de mais uma dose. O meu desejo por essa mulher, ele não acaba nunca.
Regina Mills é como um tipo altamente viciante de droga. Quando você conhece e pensa nas maravilhas que pode te proporcionar, você deseja. Você fica tentada a experimentar, tentada a saber se é tudo aquilo que você imagina mesmo. Mal sabe você que depois de provar, é impossível viver sem. Uma única dose, uma única dose e você nunca mais vai conseguir largar.
Juro que posso passar o dia todo assim, despertando-a para saciarmos nossas vontades, e admirando-a dormir. Com certeza eu passaria, não existe dúvidas sobre, mas infelizmente existe toda uma vida complicadíssima lá fora, cheia de nós para desatar, cheia de objetos para atirar, cheia de pessoas desocupadas, esperando por nós. Um saco, eu sei, assim como também sei que quanto antes resolvermos, quanto antes vamos poder passar dias em casa, bem desse jeitinho: transando e dormindo. Esse é conto de fadas do mundo moderno, que toda sapatão deseja viver.
Deixo meus pensamentos de lado, deixo também de admira-la e vou até ela. Deito-me ao seu lado e sorrio ao ver nossa imagem refletida no espelho do teto. Regina Mills, a toda poderosa e inacessível, e eu, uma pobre coitada que nem o inglês, fala corretamente. Improvável? Improvável. Impossível? A imagem que vejo refletida no teto, me faz sorrir, e faz meu pensamento berrar: DE JEITO ALGUM IMPOSSÍVEL!
— Babe? – Chamo por chamar, nos dias que fiquei na casa dela, aprendi que quando está nesse estágio de sono, onde não se mexe, respira lentamente, parece desmaiada, só acorda com alguma insistência. “Você acabou com ela, Emma” falo mentalmente com a minha imagem no espelho. Tal coisa faz a imagem sorrir para mim, um sorriso vitorioso, orgulhoso, de quem anda fazendo um bom trabalho.
— Srta. Mills? – Tento de novo. De novo não ganho nem um tipo de respostas.
Suspiro e me volto para ela. Minha mão vai até seus cabelos, em uma tentativa de tornar visível uma parte do seu rosto. – Bicho preguiça? – Faço outra tentativa e de novo não consigo contato. Como disse, parece desmaiada.
Apoio o cotovelo sobre o colchão, o queixo na mão e resolvo tentar de novo.
— Babe! – Com uma mão, chacoalho seus ombros e dessa vez, ela suspira. – Acorde! – Peço gentilmente.
— Não sei quem ser babe. – Responde com voz arrastada, rouca e um tanto falha. Minhas borboletas agitam com isso.
— Você ser babe. – Lhe respondo.
— Então deixe babe dormir. – Pede. – E não chame babe de babe, Srta. Brega Swan. – Já acorda me provocando e me fazendo rir.
— Eu já deixei. – Falo. – Agora está na hora de acordar. – Ela volta a suspirar, joga a mão para frente do rosto e suspira de novo.
— Acho que posso morrer a qualquer momento. – É o que sua voz arrastada me fala. – Minha cabeça vai explodir. – Me faz rir. Com certeza está de ressaca, ela tomou praticamente sozinha, quase duas garrafas de vinho. Claro que eu não fiquei nem um pouco triste com isso. Se a Regina não bêbada já é perversa, a bêbada, meu Deus! Faltam palavras para explicar o quão pervertida e dada ela fica. Até obediente ela fica.
— Por isso também você precisa acordar. – Incentivo. – Tenho remédio para sua ressaca, e uma mesa posta, esperando só para você. – Lhe conto. Tal novidade a faz abrir um olho e me esperar.
— Uma mesa posta? – Questiona.
— Uhum. Panquecas, ovos mexidos, bacon, torradas, waffles, donuts, uma diversidade de frutas, café e suco. – Ao ouvir sobre o que lhe espera, espreguiça o corpo, e deita-se voltada para mim.
— Devo perguntar de onde surgiu essa mesa posta? – Sua voz continua sonolenta, mas agora está também preocupada. Certamente pensando que alguém entrou aqui, para trazer o café. E bom, se tivesse acontecido, com certeza teriam a visto.
— Serviço de quarto. – Conto. – Trouxeram o carrinho com a comida até a porta, onde eu recebi e trouxe para cá. – Explico. – Motel de gente rica e suas regalias, Srta. Mills. – Pisco para ela.
— Café no quarto é regalia? – Pega minha mão e leva até seus cabelos, para ganhar cafuné. Então volta a fechar os olhos.
— Mas é claro que é. – Respondo. – Um motel de reler mortais tem no máximo uma cama que as vezes vibra. Espelho no teto. Uma ducha. Um frigobar com uma cerveja, uma espumante barata, um refrigerante e uma água. E um pacote de biscoitos e alguns chocolates em cima de uma mesinha. – Esse é o extenso “cardápio”, por assim dizer. – Não existe a opção de café da manhã. Não existe a opção de vinhos caros, espumantes caras. Não existe taças de cristal. Não existe um cardápio. Não existe um chefe. Não existe piscina aquecidas nos quartos, nem piscinas de tipo nenhum. Não existe jacuzzi. Tampouco existe pista de dança, sofás, lençóis caros, jogos de luzes. – Finalizo.
— Tendo em vista que você vem em lugares como esse para transar, não é preciso muito mais do que uma cama. – Opina e me faz rolar os olhos. Primeiro, essa é a primeira vez que Regina Mills está em um motel do tipo que se vem para transar. Segundo, tenho certeza que ela não faz ideia de como realmente seja um motel de 0 estrelas. Terceiro, me pergunto que reação teria caso encontrasse um pentelho ou dois nas roupas de cama.
— Nem todos vêm só para transar. – Me sinto na obrigação de contar-lhe tal coisa. — Eu vinha para aproveitar as regalias também. Mas algumas mulheres eram muito mão fechada, então muitas vezes eu ia para lugares sem regalias. – Ao ouvir tal coisa, os olhos dela voltam a abrir. Me balança a cabeça negativamente e tenta não sorrir.
— Tem certeza que estamos falando mesmo de você? – Aqueia uma sobrancelha ao perguntar sobre. — Nem parece a mulher que recusa as regalias que tento lhe dar. – Não sei se a reclamação é falsa ou verdadeira.
— Eu não sou a sua garota de programa. – Concorda.
— Eu sei que não. Se você fosse a minha garota de programa, eu a levaria para um lugar sem nenhum tipo de regalia. – Pelo jeito como acabou de falar, tenho certeza que faria isso mesmo. — Você estaria comigo para prestar um serviço, não para se aproveitar dos benefícios do meu dinheiro. – Regina Mills sendo Regina Mills, me faz rir. – Com quantas mulheres você já esteve, Srta. Swan? – Muda um pouco a direção do assunto e bom, me pega um pouco de surpresa. Eu devo falar mesmo o número real que eu nem eu sei, ou sair pela tangente? Como assim você pergunta para uma ex-prostituta com quantas mulheres ela já esteve? É quase igual perguntar para uma ex-professora, quantos alunos ela já teve.
— Não sei? – Respondo com bastante incerteza. – Muitas... eu acho. Me olha de um jeito que não faço ideia no que pode estar pensando, tal coisa me deixa apreensiva.
— Dessas muitas, quantas já se apaixonaram por você? – Faz uma nova pergunta e de novo eu não sei exatamente o que responder. Quer dizer, eu nunca cheguei e perguntei: “e aí, você está apaixonada por mim?” porém, algumas dessas mulheres, meio que deixaram subentendido. Só que eu não trabalho com números, então...
— A única que deixou meio que explicito que se apaixonou, foi Tinker. Essa nós podemos ter certeza. – Concorda com um balançar de cabeça. – Outras, meio que ficava subentendido. Elas começavam a me dar muitos presentes. Alguns um tanto caros. Era desse jeito que começava, com presentes. Depois vinham os convites para jantar, para ir ao cinema, para ser acompanhante em alguma festa. – Continuo. — Quando chegávamos na parte onde eu era convidada a frequentar a casa, eu decidia que estava na hora de parar. – Explico. – Falava que não podia mais, indicava outra pessoa e caía fora. – O jeito como me olha, continua indecifrável, ou seja, eu continuo apreensiva.
— Você nunca se apaixonou por pelo menos uma? Ou quase apaixonou? – Regina Mills acordou detetive investigativa e resolveu fazer em um único dia, todas as perguntas que nunca me fez.
— Nunca. – Respondo com certeza e convicção.
— Por que eu? – Detetive Mills quer saber. — O que você viu em mim no final das contas? – Agora me olha com curiosidade.
— Primeiro, como falei, eu nunca fui a sua prostituta, nunca lhe prestei esse serviço. – Começo. Ela concorda com a cabeça. – Então nós nunca tivemos isso de limites. Nunca tivemos algo como, profissional/pessoal. – Volta a concordar com a cabeça. Suspiro, enquanto penso em como explicar. — É confuso, sabe? – Continuo pensando a respeito. – Porque eu queria que você contratasse meus serviços. – Ela esboça um sorriso.
— Mesmo? Nunca tinha percebido. – Debocha e me faz sorrir também.
— Mas ao mesmo tempo, eu não queria. – Junta as sobrancelhas e me faz ter vontade de beija-la. – Eu queria que você fosse para cama comigo, não com a prostituta. – Tento explicar.
— Você sabe que teve essa chance. – Concordo com a cabeça.
— Mas você estava caindo de bêbada. – Lembro. – Seu corpo naquela noite foi abduzido por um espirito simpático e louco por perversidades. – Me rola os olhos. – Daquele jeito eu não queria. Eu queria de um jeito onde em sã consciência, você quisesse também. Eu queria com a Regina arrogante, chata, quase impossível. Queria que fosse aquela Regina a me olhar nos olhos enquanto eu a enlouquecia, a fazia refém das minhas vontades, dos meus caprichos. Queria ouvir aquela arrogante implorando para que eu a fizesse gozar. Sabe? – Balança a cabeça negativamente. Parece um pouco sem graça. – No começo foi isso, eu me senti atraída e desafiada. Era uma questão de honra conquista-la e leva-la para cama. – Lembro da aposta que fiz com Killian. – Mas no dia seguinte, quando brigamos, eu desisti. Muitas pessoas já tentaram me ofender pela profissão que eu tinha, você foi a primeira que conseguiu. – Conto. – Então você foi lá em casa, conheceu Janis, se desculpou, e não sei... nunca tinha acontecido. Alguém se preocupar com uma prostituta a ponto de ir até a casa dela só para se desculpar? Nunca tinha acontecido. – Dou de ombros. – Eu também tinha muros, tinha meus traumas, meus medos, mas quando penso a respeito, parece que nada disso existiu quando se tratou de você. – Tento explicar. — Você me conheceu, eu nunca tive problemas de falar sobre a minha vida com você. Você me ouviu, se interessou por mim, pela pessoa, pela história por trás da prostituta, por quem eu sou de verdade, sem a parte do sexo. – Lhe sorrio. — Mesmo com toda aquela sua arrogância irritante, com a frieza que as vezes me tratava, com a falta de interesse que as vezes demonstrava, você se preocupava. – Não faço ideia se está acompanhando meu raciocínio confuso, mas espero que sim. — Você me viu como pessoa, não como uma mercadoria. Você não tentou comprar minha atenção com presentes, nem jantares caros, festas ou noitadas. Você simplesmente foi você, e deixou que eu simplesmente fosse eu. – Levo a mão ao seu rosto e o afago. – Não tinha como não acontecer, não tinha como não me apaixonar. – Suspiro. – Você já pode rir e me chamar de brega agora. – Me sorri bobamente.
— Eu gostaria de chama-la disso. – Começa. – Mas a verdade é que você despertar em mim uma vontade irritante de ser tão brega, ou ainda mais brega do que você, Srta. Swan. – Me faz rir. – Eu não sei porque nos encontramos. Não sei se essa loucura toda faz algum sentido, se é mesmo algo que foi fadado a acontecer, ou se somos só nós duas sendo teimosas, desafiando o impossível, indo de mãos dadas, de encontro ao furacão. – Fala. – Se for a segunda opção, não solte a minha mão, Srta. Swan. – Será mesmo que algum dia existiu a possibilidade de não ama-la? Não, acredito que tal possibilidade nunca existiu.
— Se for mesmo a segunda opção, o impossível não será páreo para nós, Srta. Mills. Eu garanto para você que não. – Lhe prometo. Ela me sorri, leva a mão até meu rosto e o afaga.
— Você é a pessoa mais brega/perversa, que provavelmente anda entre o mundo dos vivos. – Não sei se lhe sorrio ou lhe rolo os olhos. Na dúvida, acabo fazendo os dois.
— O fato de eu ter sido prostituta, não incomoda você? – Já que visivelmente o momento romântico terminou, resolvo lhe perguntar o que já quis perguntar algumas vezes, mas nunca soube exatamente como entrar no assunto.
— Não, não me incomoda. – Responde prontamente. – Estaria mentindo se falasse que não gosto das coisas que você aprendeu com a sua profissão. – O jeito desavergonhado como conta tal coisa, me faz rir mais uma vez.
— Você é ridícula. – Minha mão empurra seu rosto. – Eu estava falando sério. – Ela está rindo.
— Eu também estava. – Fala. – Ainda estou. – Depois eu quem sou a perversa, a que só pensa em sexo e essas coisas.
— Na minha imaginação, um dia, quando toda história com sua mãe terminar, e você se sentir confortável para tal coisa, vamos tornar público nosso relacionamento. – Começo. – E você sabe que existe a possibilidade do meu passado sei lá... vir à tona? – Me arqueia uma sobrancelha.
— Você está preocupada com o fato de alguém expor o que você fazia, ou com a possibilidade de eu vir a me chatear caso aconteça? – Quer saber.
— Com a possibilidade de te chatear, envergonhar e coisas do tipo. – Lhe esclareço.
— Então pare de se preocupar. – Pede. – Eu sei do seu passado, e não, ele não me chateia. Nem vai me chatear, caso alguém que não conhece você, que não sabe de você, venha a fofocar sobre. – Responde tranquilamente e com uma sinceridade inquestionável.
— Eu amo você, sabia? – Me declaro e ela sorri.
— Sabia. – Espreguiça-se algumas vezes, boceja, e então resolve sentar-se. – Você já me disse algumas vezes. – Seu indicador cutuca meu nariz. Não sei se eu deveria me incomodar com o fato de ela nunca ter me dito que me ama de volta, mas o fato é que não me incomodo. Claro que gostaria de ouvi-la dizendo, mas não sei, algumas vezes quando olho em seus olhos, eles me dizem algo se não igual, no mínimo parecido. – Bom dia, Srta. Swan! – Me deseja. E tendo uma atitude da Regina que ainda não conheço muito bem, joga-se para cima de mim e me abraça. A atitude inesperada, faz meu cotovelo se desequilibrar, e consequentemente meu queixo escapa da palma da minha mão. Bato a cabeça contra o chão, mas não me importo, gosto quando é ela quem procura por contato.
— Bom dia, Srta. Mills! – Lhe desejo enquanto sorrio. – Dormiu bem? – Minhas mãos param em sua cintura, enquanto ela ajeita-se em cima de mim.
— Quando bebo mais do que devo, meu sono fica não sei... – Me conta. – Algo como, estou morrendo de dor de cabeça faz algum tempo, mas não conseguia, não tinha forças para acordar e procurar por algum remédio. – Me explica. – Enfim, também estou sentindo E gosto de morte gosto de morte. – Faz cara feia ao falar sobre e me faz rir.
— Isso se chama ressaca, Srta. Mills. Você bebeu ontem, como se de repente, não fosse existir um amanhã. Só que existiu.
— Odeio quando existe um amanhã, depois de uma noite de bebedeira. – Reclama. Do mesmo jeito que pulou para cima de mim, ela sai e se põe de pé. – Onde você arrumou esse roupão? – Aponta para a peça que uso.
— No banheiro, mas na minha opinião, você deveria ficar assim. – Praticamente nua, se exibindo para mim. Será que ela tem noção do quão linda é? Não existe um misero defeito nessa mulher.
— Você é insaciável. – Faz uma falsa reclamação. Provavelmente o jeito como eu a olho, a fez concluir isso.
— Que culpa eu tenho de ter uma amante gostosa e perversa? – Questiona. – Além de tudo, é cachorra. – Me sento, tiro os cabelos do lado esquerdo dos ombros, torno o lugar exposto e aponto para marca. – Olha, você deixou seus dentes na minha pele, Srta. Mills. – Não que eu realmente me importe. Até me importaria, mas não com ela.
— Porque você bateu na minha cara. – Tenta se explicar. – Duas vezes. – A lembrança me faz rir.
— Porque você não estava sendo uma vadia obediente. – Acho graça quando o tesão passa e ela volta a ser a Regina controlada. Falar sobre o assunto com essa Regina, a deixa bastante sem graça. – Às vezes é preciso lembra-la sobre quem manda. – Me rola os olhos e me dá as costas. Vai recorrer ao banheiro para fugir do assunto. – Qual foi a praia que deixou a marca do biquíni na sua pele? – Questiono alto, para que ela consiga ouvir no outro cômodo.
— Maldivas. – Responde também alto.
— Sua riqueza me enjoa. – Faço vomitar.
— Eu vou levar você até lá. – Não sei se está falando comigo ou pensando alto.
— Vocês têm hotel lá? – Questiono.
— Não. Porém, sempre existe uma possibilidade. – Se tratando de Regina e negócios, estranho seria se não houvesse uma possibilidade.
— Essa possibilidade seria de passarmos férias lá e eu não conseguir mais vir embora. – A ouço rir.
— Eu não tenho certeza se gosto de lá... – Sua voz vai se tornando mais audível. – Quer dizer, as últimas vezes em que fui, foi só de corpo presente. – Está de volta ao quarto, parada em frente a cama, vestindo um roupão preto. – Caso eu goste mesmo, podemos pensar nessa possibilidade. – De novo não sei se está falando comigo ou pensando alto.
— Possibilidade de que, exatamente? – Arqueio uma sobrancelha.
— Morar lá. – Responde. – Podemos comprar um hotel. – Sabe quando alguém fala “vou ali comprar uma bala?” Regina fala do mesmo jeito, só que referindo-se a compra de um hotel. – Você cuida da parte que envolve pessoas e todas as coisas irritantes que isso implica. E eu cuido da administração. – Continua. – Okay... – Junta as sobrancelhas e me encara. – Essa coisa de mulher sapatão ficar planejando vida em um curtíssimo período de tempo, é real mesmo. – Com certeza esse comentário foi apenas um pensamento alto. Pensamento esse que me faz rir.
— Você não imagina o quão real é. – Digo rindo. – Mas me fala, você conseguiria viver longe do seu trabalho? – Indago. – Porque quando você está falando sobre ele, seus olhos até brilham. – Me dá de ombros.
— Não preciso abandona-lo por completo. – Me dá as costas e caminha rumo ao seu café da manhã. Rapidamente me ponho de pé e a sigo.
— É um plano tentador, mas nem vou me empolgar. – Falo. – Sei que você, eu e seu amado trabalho, sempre formaremos um triangulo. – Me rola os olhos, enquanto engole o comprimido que deixei em cima da mesa do café. Coloco um pouco de água em um copo e lhe entrego, para que ajude o remédio a descer.
— Obrigada! – Me agradece. – E pare de implicar com meu trabalho. – Me dá bronca.
— Só expondo os fatos... – É o que falo. Ela resolve me ignorar. Serve-se de café, pega o jornal do dia, senta-se e resolve lê-lo.
Não me resta outra alternativa a não ser sentar-me ao seu lado e tomar meu café.
Sirvo-me de ovos mexidos, bacons, torradas. Passo para as panquecas, waffles com mel e por último um donut de chocolate. Se tem uma parte do dia que me permito cometer exageros em relação a comida, é a parte que envolve o café da manhã.
“Essa é a refeição mais importante do dia, Emm”, minha mãe falava isso todo santo dia. E por pensar nela, ainda estou aguardando seu telefonema.
Sei que não deveria ter nenhum tipo de esperança, não depois de tudo, mas a verdade é que eu tenho. A verdade é que não consigo não me importar. Até consegui tentar não pensar sobre nesses últimos anos.
Eu estava magoada, chateada, triste. Pensar sobre ela e o que me fez, ou não fez, me afetada, me fazia ter vontade de chorar, então eu bloqueava o máximo possível. Só que agora não consigo mais. Eu fui até lá, vi que ele parece estar mais agressivo do que costumava ser, falei com ela, conheci minha irmã, e não sei... Pode ser uma fraqueza, mas eu me importo, me preocupo. Quero que me ligue, que aceite ser ajudada e principalmente, que ajude Anna. Seu jeito, suas feições seu olhar, me mostraram que não é uma criança feliz. É uma menina assustada, acuada. Isso ficou bastante perceptível.
Será pecado desejar o mal do pai? Porque sempre que eu penso no meu, é o que eu desejo. A vida delas seria muitíssimo mais fácil, se ele não existisse. Me desanima um pouco pensar sobre, porque mesmo tendo essa pequena esperança, fica uma voz chata na minha mente me dizendo que ela nunca vai deixa-lo.
Caso isso aconteça mesmo, eu preciso agir, não preciso? Claro que preciso. Até Regina, que é bem racional, que geralmente não deixa os sentimentos decidirem por ela, que de jeito algum, opina na vida dos outros, me falou sobre. Na verdade, ela me pediu. Regina Mills, a mulher que uma vez eu cogitei não ter coração, me pediu para interferir, caso minha mãe não consiga sair de casa.
Não gostaria de tirar Anna da mãe. Eu magoaria as duas, sei que magoaria. Porém, que tipo de irmã seria eu, se a deixasse lá, a mercê daquele homem? As vezes por amor, nós podemos magoar. Porque eu prefiro magoa-las e dar esperança de um futuro descente para minha irmã, do que não magoa-las e mais dia, menos dias, receber uma notícia trágica sobre elas.
Suspiro ao pensar sobre. O prazo da minha mãe vence hoje, certo? Então vou deixar para realmente fazer algo a respeito, depois que ele acabar. Por enquanto vou fazer o que mais fiz na vida quando se diz respeito a ela: esperar.
Como perdi Regina Mills para um jornal, e sei que no momento, nada do que eu venha a falar, vai fazer com que preste atenção em mim, e como não quero ficar pensando no que pode está acontecendo na casa dos meus pais, pego meu celular para me entreter.
Não demoro mais de um minuto, para tal entretenimento ganhar minha atenção. Killian postou uma foto com Zelena. Os dois sentados em um banco em frente à escola de Janis, pernas cruzadas, segurando um copo de café. Zelena com a cabeça deitada nos ombros do viado. Os dois sorrindo.
Antes que possa comentar sobre com Regina, ela resolve abrir a boca.
— Eu odeio ele. – Resmunga. Ainda está lendo seu jornal.
— Ele quem? – Questiono.
— Donald Trump. – O nome do nosso “querido” presidente sai com nojo da boca dela.
— Você, eu e meio mundo. – Provavelmente nem a família dele gosta dele de verdade. – Você o conhece? Algo como, pessoalmente? – Provavelmente conhece, já que antes de ser presidente, ele era empresário. Residia em Nova York, e também é milionário.
— Infelizmente. – Responde. – Ele é nojento, arrogante, imoral e repugnante. – Distribuiu os elogios com o mesmo tom de nojo.
— O que você quer dizer com imoral? – Questiono.
— Ele olha para você como se você fosse um prato de comida. Não faz nem questão de disfarçar. Tudo que ele fala, parece ter segundas intenções. – Se eu não gostava dele antes, agora ficou um pouco pior.
— Aposto que sua mãe votou nele. – Ela abaixa o jornal e me encara.
— Você tem alguma dúvida sobre isso? – Questiona de sobrancelha arqueada.
— Você não votou, voto? – Por favor, Deus, que ela não tenha feito isso.
— Não. – Responde ao pôr o jornal em cima da mesa. – Para os nossos negócios, teria sido bom, porém a repugnância que sinto por ele, é maior do que minha vontade de fazer negócios. – Solto um suspiro de alivio ao ouvir tal coisa.
— Por que eu acho que você também não votou na Hillary? – Regina não tem cara de democrata. Foi criada para ser uma republicana, tenho certeza disso.
— Porque eu não votei. – Dá de ombros. – Não saí de casa para votar na última eleição. Hillary não representava meus interesses.
— Você sabe que republicanos e gays, não combinam, né? – Antes que possa me responder, seu celular começa a tocar. Ela solta um suspiro frustrado, toma o resto do seu café e se põe de pé.
— Está ouvindo esse toque, Srta. Swan? Você falou o nome do diabo, agora ela está me ligando. – Lamenta-se antes de ir em direção ao celular, que deve estar sobre o criado mundo, ou debaixo de alguma peça de roupa.
Demoro alguns segundos até entender que está se referindo a sua mãe. Então lembro de Killian e de Zelena. A Foto! Em um pulo eu me ponho de pé e corro até Regina. Antes que ela possa atender o telefone, eu o roubo da sua mão, o que a faz me olhar de um jeito nada, nada amigável.
— Qual o seu problema? – Questiona comigo enquanto tenta reavê-lo.
— Antes de atender, você precisa me responder, sua mãe sabe que vocês estão em Las Vegas? – Pelo jeito como me olha, parece que não está entendendo é nada.
— Até onde eu sei, não, mas pode desconfiar, caso eu não atenda essa ligação. – De novo tenta pegar o telefone da minha mão.
— Provavelmente ela está sabendo. – Minha voz sai um tanto exasperada. – Killian acabou de postar uma foto com Zelena. – Ao falar tal coisa, consigo fazê-la desistir da ligação.
— Como assim? – Libero a tela do meu celular e o ofereço a ela.
— Olha... – Seus olhos agora estão fixos na foto.
— Um boy a menos para mim, uma mulher a menos para você, sapatão. Esse é o real significado da heterossexualidade de Zelena Mills. – Ela lê a legenda, enquanto descrente, balança a cabeça negativamente. – Me diz que ele não marcou ela nessa foto. – Pede, ainda com os olhos na tela do celular.
— Você sabe que ele marcou. – De novo balança a cabeça negativamente.
— Eu vou matar ela. – É o que fala, seu tom agora irritado. – E depois eu vou matar ele. – Acho que não deveria rir, mas não consigo não achar graça.
— Regina, a matadora! – Tira os olhos do celular e me olha de cara feia. Provavelmente vai me ameaçar também.
— Não é engraçado. – Esbraveja. — Tenho certeza que esse é o motivo da ligação de Cora. – Continua esbravejando. — Que desculpas eu vou dar para estarmos aqui? – Ai, essa veia alta nessa testa linda. Já disse o quanto ela fica sexy quando está assim irritada?
— Não quero irrita-la, mas vamos começar com a seguinte coisa: Você é livre. Tem seu direito de ir e vir, sem ter que dar explicações. – Minha opinião sincera a enfurece ainda mais, seus olhos que se estreitam, me põe a par disso. – Mas, como sua mãe, é a sua mãe, sabemos que essa liberdade não existe na prática. – Tento me redimir. – Porém... – O celular dela volta a tocar. – Diga que Tinker pediu para que vocês viessem. Disse que tinha um assunto particular para tratar. – Dou a solução simples e ela nega.
— Eu não posso fazer isso. Porque se ela ligar para Tinker para confirmar, pode não dar certo. – Lhe rolo os olhos.
— Vai dar certo. Tinker não vai entregar você. – Garanto.
— Como você sabe? – Dou de ombros.
— Só sei. Relaxa! – Peço.
— Não tem como você saber. – Impressionante o quanto seu humor muda quando Cora entra no assunto.
— Tampouco você. – Respondo sem me abalar. – Atenda. – Incentivo. – Atenda e fale o que eu lhe sugeri. Seja a Regina que você é com ela. Não demonstre insegurança, não demonstre medo, não demonstre fraqueza. Não deixe que ela perceba que poder ter algo de errado. – Continua estática, os olhos em mim. Tenho certeza que não faz ideia do que fazer. – Atenda, Srta. Mills, se você não quer que ela venha até Las Vegas, para saber o que está acontecendo, você vai atender agora e vai ser bem convincente. – Irritada, ela bufa, balança a cabeça negativamente e me olha com cara de má.
— Eu odeio você. – Resmunga comigo, enquanto usa o indicador para dar de dedo em mim.
— Coloque no viva-voz. – Peço, sem me abalar com tal declaração. Volta a bufar, me dá as costas e vai até a cama. Senta-se na beirada da mesma, com as pernas para fora. Respira fundo antes de atender a mulher.
— Regina. – Sua voz sai apática.
— Qual o seu problema em atender as minhas ligações, Regina? – Meu coração acelera ao ouvir a voz da mulher. Sim, eu já a vi, nós já interagimos, já ouvi uma mensagem ou duas que mandou para a Srta. Mills, mas essa é a primeira vez que as ouço conversar ao vivo, a cores e sem cortes. E se a voz de Regina, soou apática, a voz de Cora soou bastante irritada.
— Desculpe, não nasci grudada com o telefone. Tampouco fico parada ao lado dele, esperando suas ligações, mamãe. – Tirando o “mamãe”, que saiu com sarcasmo, todo resto continuou com tom apático.
— O que você está fazendo, Regina? – A resposta da filha só serviu para irrita-la mais.
Saio do lugar onde estou, e vou até a Srta. Mills, paro em sua frente e então sento-me no chão. Seus olhos param nos meus. Ela está com medo, vejo que está. Lhe sorrio, tento passar tranquilidade, e com a cabeça, assinto para que responda.
— Tomando café da manhã, e lendo o jornal. – Responde.
— Café da manhã? – Agora além de irritada, parece incrédula. – 11:00hrs da manhã e agora que você está tomando café?! – Questiona.
— Sim. Tomando café. – Responde sem se abalar, quase soletrando a frase.
— Onde você está? – Tinha certeza que essa seria a próxima pergunta, mesmo assim, não deixo de ficar apreensiva.
— Las Vegas. – É vaga.
— O que diabos você e a outra irresponsável que também deu para não atender minhas ligações, estão fazendo em Las Vegas? – Se a tal Cora pudesse morder, nesse momento Regina estaria sendo muito mordida.
Ela olha para mim, de novo parece acuada, sem saber o que dizer. De novo lhe sorrio. Toco seu joelho e assinto para que responda.
— Tinker pediu para que viéssemos. – Começa. – Queria tratar de um assunto particular. – De novo meu coração acelera. Eu sou o assunto particular, e nesse momento, confesso que estou com um pouquinho de medo. Mas é claro que não deixo transparecer isso.
— E que assunto particular seria esse, que não pôde ser tratado por telefone? – Regina suspira. Está ficando irritada. Está deixando o medo de lado e se transformando na Regina má.
— Assunto particular, algo que não diz respeito a você, caso contrário, você teria sido convidada a participar de tal coisa. – Responde. A apatia dando lugar para irritação. – Sabe, mamãe... – Acho graça da ironia que sempre coloca na palavra mamãe. — Desde que Zelena voltou de Dubai, graças a Deus, sem a sua companhia, nós tivemos alguns momentos de família. Acredito que você não faz ideia do que significa, mas enfim... – Agora está debochando. – Ontem à noite nós ficamos jogando conversa fora, acabamos indo dormir tarde... – Essa parte tem a ver comigo, e não com Zelena, mas né? – E graças a isso, hoje eu acordei tarde, ou seja, estou tomando café tarde. Por esse motivo, eu estou com um bom-humor que não costumo ter. Por esse motivo, e só por esse motivo, eu estou tentando conversar civilizadamente com você... – Fala. – Porém você, sendo você, está conseguindo esgotar minha paciência e levar embora meu humor. Então se você não quer que eu lhe mande para o inferno, encerre essa ligação. – Faz uma pausa para tomar ar. — Você já sabe onde eu estou, onde Zelena está, o que eu estou fazendo e o que viemos fazer em Las Vegas. Agora chega. – Até começou falando de um jeito calmo, mas terminou quase latindo também.
— O que está acontecendo com você Regina? – Bom, eu até tive medo da voz irritada da mulher, mas agora que o tom passou para especulativo, esse medo triplicou. – Por que eu acho que você está aprontando bem debaixo do meu nariz? – Jesus! Meu coração nesse momento começa a bater alucinado. Não gosto desse tom de voz, não gosto dessa desconfiança, não gosto dessa mulher.
— Eu não sou nenhuma criança para aprontar alguma coisa. – Não se mostra abalada com a desconfiança da mãe. – Tampouco lhe devo qualquer explicação. Se quer acreditar, acredite. Se não quer, não posso fazer nada a respeito.
— O que tem em Las Vegas? – Faz de conta que não ouviu o que a filha lhe disse. – Você detestava esse lugar. Ainda não entendi porque resolveu passar o natal aí. Não bastasse isso, agora já está de volta. – Talvez agora, nesse exato momento, eu tenha começado a entender o pavor que todos têm por essa tal Cora.
— Eu posso detestar Las Vegas, mas não se preocupe, você continua sendo a minha preferida quando o assunto é detestar. – Responde. – Então quando Robin sugeriu que ficássemos aqui, eu não pensei nem duas vezes sobre. – É impressionante o quanto ela consegue esconder o medo, o pavor que tem pelo o que sua mãe pode vir a fazer, e vestir uma máscara de indiferença para tratar do assunto que tanto lhe assombra. – Quanto a eu estar aqui de novo, vou repetir: Tinker chamou, eu vim. Mas você sabe que eu já não odeio tanto esse lugar? – Está visivelmente provocando a mãe. – Estou até que simpatizando com ele. Tenho certeza que poderia me acostumar com as festas, as noitadas que Las Vegas tem para proporcionar. – A provocação faz com que a mulher fique muda do outro lado da linha. Ela suspira algumas vezes, provavelmente se concentrando para não ceder a afronta da filha. Cora é inteligente, não existe dúvida sobre, ou seja, ela usa da inteligência e não da braveza.
— Eu não sou boba, Regina. Você mais do que ninguém, sabe que eu não sou. – Sua voz sai sombria, e faz os pelos do meu corpo arrepiarem. – Você acha que eu engoli aquela história do seu desaparecimento na noite do evento no Bellagio? – Questiona.
— O que você está sugerindo, mãe? – Não se deixa intimidar, pelo menos não na voz, mas o jeito como seus olhos crescem, me faz crer que ela está já está bastante intimidada. – Na mente fantasiosa de Cora Mills, onde será que eu fui parar? – Continua provocando.
— Eu não sei, porque eu deixei passar. – Responde. – Cuidado, Regina, cuidado! Não me faça investigar, eu sei que você não vai gostar disso. – Ameaça. — O que quer que você esteja fazendo por Las Vegas, o que quer que tenha despertado seu interesse, que seja apenas o que as pessoas buscam nesse lugar: diversão. – É a intimação que a sua voz sombria faz.
— Já pensou que pode não ser diversão? Já pensou que posso ter vindo porque Tinker arrumou algumas provas sobre coisas ilegais que podem lhe colocar na cadeia? – Indaga. — Você matou o homem que ela amava, mãe. E ao contrário do que fez comigo, você não pode manda-la para tratamentos de choque caso ela resolva sei lá... procurar por algum tipo de justiça. – Silêncio, silêncio e mais silêncio no outro lado da linha. Provavelmente Cora sabe que Regina está blefando, mas quando se tem o rabo preso, nunca se pode ter certeza sobre, certo? Então ela precisa saber onde está pisando. Precisa reagir ao ataque, antes mesmo que ele aconteça.
— Não me ameace, Regina. – Finalmente volta a fala, um tom de voz mais brando.
— Ameaçar, eu?! Se tem alguém ameaçando aqui, esse alguém é você. – Está quase debochando. – Quem sou eu para ameaça-la, mãe? Eu só vim até Las Vegas a pedido de uma amiga, e você resolveu fazer um teatro em cima disso.
— Ótimo! Porque se você tentar, dessa vez, eu te deixo na clínica para loucos pelo resto da sua vida. – Pelo jeito como fala, não tenho dúvidas que fará mesmo isso. Sinto raiva ao ouvir tal coisa. Essa mulher é doente, eu tenho certeza que é. É lunática, se acha dona das filhas, acha que pode mandar e desmandar, e infelizmente o muito dinheiro que tem, a ajuda com essas coisas. Ela é como meu pai, só que suas agressões não são físicas, são psicológicas. E assim como ele, está com certeza ficando mais agressiva com o passar do tempo e com as impunidades.
— Sabe o que eu tenho me perguntado nesses últimos tempos? O que é pior, ficar em uma clínica de loucos e ser submetida a tratamentos de choque, ou ter que conviver com você? – Queria poder aplaudir essa mulher linda e corajosa, mas não posso. Primeiro, Cora ouviria. Segundo, tenho certeza que assim que desligar o telefone, a Srta. Mills vai surtar.
— Você não vai me tirar do sério, Regina! – Solta com o ar. – Você é um cão que só ladra querida. Um desses cachorrinhos que quando se sentem ameaçados, correm em busca do dono. Porém seu pai está morto, não tem a quem você recorrer, não tem quem possa vir me morder por você. – Ao ouvir falar do pai, o semblante de Regina muda. Sua veia volta a aparecer, seus olhos voltam a ficar estreitos, seu maxilar fica rígido. Lágrimas de ódio param em seus olhos. Aperta com força e raiva o celular em sua mão.
— Ouça bem o que vou lhe dizer. – Eu já a vi brava, já a vi irritada. Já ouvi seus tons de voz frios, e assustadores, mas como esse, eu nunca tinha ouvido sequer parecido. Sua voz soa sombria, maquiavélica, ameaçadora. – Eu vou destruir você. – Fala. – Eu vou reduzi-la a nada. Você vai ver esse cachorrinho indefeso, transformar-se em um leão. Eu vou morder, e só vou parar quando arrancar sua cabeça, mãe. Depois vou dá-la aos porcos. – A sua voz, o seu semblante, a ameaça, a pessoa transtornada a minha frente, faz os pelos do meu corpo voltarem a eriçar. – Nem que isso seja a última coisa que eu faça em vida. Eu vou arrasta-la para o inferno junto comigo. – Finaliza a ameaça.
De novo, há silencio no outro lado da linha. Mesmo Cora sendo o Diabo que é, o jeito como Regina a ameaçou, com certeza a atingiu. Até eu, que sempre achei sexy o jeito irritado, bravo, ameaçador dela, no momento encontro-me com medo. Não sei quem é essa Regina, mas sei que essa versão eu estou acabando de conhecer.
— Seria uma pena enterrar uma filha, mas acidentes acontecem. – Rebate a ameaça com outra ameaça. – Eu quero você a sua irmã, amanhã de manhã, já na primeira hora, na minha sala. – Ordena. – Quando eu chegar, espero que vocês já estejam me esperando. – Não se despede, não deixa espaço para nenhum tipo de resposta, não nada, apenas desliga o telefone.
Regina tem os olhos irados, fixos no celular. Olha para o mesmo com um ódio mortal, enquanto continua o apertando, como se ao fazer isso, pudesse de repente, esmagar sua mãe, ou alguma coisa do gênero.
— EU VOU ACABAR COM VOCÊ! – Grita para o celular. Só tenho tempo de abaixar a cabeça e protege-la com as mãos, antes que ela atira seu telefone. O choque contra a parede faz peças dele voarem para todos os lados. – VOCÊ ESTÁ FELIZ? – Agora está gritando comigo, acho? Não sei se já é seguro sair da posição de defesa, não sei se tem mais algum objeto perto das suas mãos, mas mesmo assim, eu me arrisco. Tiro as mãos da cabeça e levanto a mesma. O olhar irado agora ele está em mim. – VOCÊ É UMA IRRESPONSÁVEL! ELA VAI MATAR VOCÊ, IGUALZINHO ELA FEZ COM DANIEL. E AGORA, AGORA NÃO TEM MAIS COMO VOCÊ DESISTIR. – Esbraveja comigo enquanto continua me ameaçando com os olhos.
Me ponho de pé e tento me aproximar, mas ela não deixa. Põe-se de pé também, e com as mãos, empurra meus ombros.
— ESTÁ FELIZ AGORA? – Volta a me empurrar. – VOCÊ VAI DEIXAR UMA CRIANÇA ÓRFÃ. – De novo me empurra. – E NÃO, ELA NÃO VAI PODER ME AJUDAR, PORQUE QUANDO SOUBER QUE POR MINHA CAUSA, A MÃE DELA MORREU, ELA VAI ME ODIAR. – Mais uma vez, tenta me empurrar, mas agora eu agarro seus pulsos. Minha ação arranca dela um semblante ainda mais furioso.
— Pare! – Peço.
— EU ODEIO VOCÊ! – Volta a gritar comigo. Sei que está sobre os efeitos de Cora Mills, mas essa gritaria, e os empurrões, estão começando a me irritar também. – IRRESPONSÁVEL. – Irresponsável é a palavra responsável por levar embora a paciência que estava tentando ter.
— E EU ODEIO VOCÊ! – Deixo claro que também sei vociferar, assim como também sei empurrar. – ODEIO SEUS GRITOS! – A empurro mais uma vez. – ODEIO QUANDO VOCÊ ATIRA COISAS! – Ganha mais um empurrão. – ODEIO QUANDO VOCÊ DESCONTA SUA RAIVA EM MIM. – Esse empurrão a derruba sobre a cama. Não lhe dou tempo para que se recupere, vou para cima dela. Sento-me sobre sua cintura, inclino o corpo para frente e seguro seus pulsos. Meus olhos desafiam os dela, os medem, provocam, não se intimidam. – Eu não tenho medo dos seus gritos, não tenho medo dos seus ataques de raivinha, não tenho medo das coisas que você atira, eu não tenho medo de você, Regina Mills, e eu já te falei isso. – Ela se debate, tenta livrar-se das minhas mãos, mas não é capaz. – Fode-la com força e sem dó, é essa a vontade que eu tenho quando você age desse jeito. – Verbalizo minha vontade.
— Me largue! – Ordena de dentes trincados, o maxilar rígido.
— Você não quer que eu faça isso. – Posso ver em seus olhos diabólicos. Quando falei o que tenho vontade de fazer com ela, desejo também se tornou visível ali. Desejo primitivo, desejo furioso, coisa carnal.
— Solte-me agora! – Seus olhos podem me dizer que sim, mas sua boca me diz que não. Nada me resta alternativa então a não ser acatar a ordem verbalizada. Afrouxo seus pulsos, os deixando livres do aperto das minhas mãos.
Mantém os olhos nos meus por alguns segundos, aparentemente está decidindo o que fazer, como proceder. Com certeza ela quer. Com certeza ela está também, achando inapropriado para o momento. Na cabeça dela, deveria estar focada na sua mãe, e nas ameaças que trocaram, e não tentada a deixar Cora de lado, e entregar seu corpo e sua mente as perversidades que fazemos tão bem juntas.
— Você vai mesmo desperdiçar essa oportunidade? – Arqueio a sobrancelha ao indagar. Concluo que sim, ela vai mesmo desperdiçar quando livra os pulsos das minhas mãos.
Quase que instantaneamente, sou surpreendida pelo tapa que ela acerta na minha cara.
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— Au! – Reclamo ao levar a mão ao lado atingido. O que acabou de fazer, junto com o ar de superior com o qual me olha, me enfurece, me irrita, me faz querer revidar. E é o que faço, sem dó, nem piedade, replico o ato carinhoso.
— Vadia! – Exclamo ao acertar a mão na cara dela. Me empurra, fazendo com que saia de cima dela. Deixo as costas caírem sobre o colchão e me limito a esperar seu próximo ato. Por um segundo, acho que vai levantar-se daqui, finalizando o que ainda nem começamos. Porém, felizmente, contrariando minha expectativa, ela ajoelha-se sobre a cama, desfaz-se do roupão e vem para cima de mim, sentando-se sobre meus quadris.
— Não me chame de vadia! – Exige ao diferir outro tapa na minha cara. Parece tão, ou mais enfurecida do que eu. No lado esquerdo da sua face, posso ver a marca dos meus dedos. Pergunto-me o que Cora Mills faria comigo, se soubesse que além de levar sua filha para cama, eu também a deixo marcada e a chamo de vadia.
— VA DI A! – Como eu já disse, na cama eu não recebo ordens, tampouco ameaças, ou exigências. – Cachorra! – Meus elogios fazem com que ela volte a me estapear. Meu rosto arde e isso me irrita. – Peça desculpas! – É minha vez de exigir. Minhas mãos agarram-se aos seus seios, e são rudes, indelicadas com os mesmos. Minha indelicadeza a faz rosnar, como a boa cachorra que está se tornando na cama. Não, ela não se desculpa, ela acerta a minha cara novamente, a faz arder novamente, me grunhir e dessa vez, eu volto a retribuir a gentileza, acertando-lhe o lado direito da face.
Desço minha mão até a calcinha que usa. Meus dedos puxam o pedaço de renda para o lado, então sem prévio aviso, afundam-se nela. Ah sim, como eu imaginei, essa situação, o ódio misturado ao tesão, a excita. O quanto está molhada, lubrificada, deixa tal coisa bem nítida.
Ela gosta, gosta tanto de bater, quanto gosta de apanhar. Ela gosta dos palavrões. Gosta da vulgaridade. Nesse momento, sei que não está me amando, está me usando. Usando para satisfazer seus desejos ocultos, usando para descontar sua raiva. Nesse momento eu também não estou a amando, e também estou a usando. Usando para satisfazer meus instintos mais primitivos.
— Você é mesmo uma vadia, Regina Mills, olha só como essa situação te excita. – Não me responde, nem tenta me bater. No momento me olha-me profundamente, me mostra o diabo em seus olhos, enquanto lentamente, move seus quadris. – Você gosta dessa putaria, não gosta? – De novo não me responde. Só fecha os olhos, morde o lábio inferior e então esboça um sorrisinho sacana, um sorrisinho de satisfação. Meu sexo pulsa com essa visão.
Essa mulher, ela vai ser o meu fim. Dentro e fora da cama, ela vai ser meu fim. Não existe vida pós Regina Mills, eu tenho certeza que não.
Minha mão acerta mais uma vez a sua face.
— Me responde! – Exijo.
— Sim, eu gosto! – Não se abala com o novo tapa, não revida, não abre os olhos. A única coisa que faz é tornar amplo seu sorriso. – Muito. – Responde sorrindo, um sorriso cafajeste, sacana. Joga a cabeça para trás enquanto movimenta sensualmente os quadris sobre meus dedos.
Meus olhos procuram pelo espelho no teto, nele eu vejo refletida a imagem da Srta. Mills, sobre meu corpo. A cara de satisfação, o jeito sedutor como se move, o lábio inferior sendo novamente mordido. O sorrisinho prazeroso. Deus! Essa mulher me deixa louca, de um jeito que nenhuma outra um dia conseguiu deixar. De um jeito que nem o sexo mais sujo que fiz na vida, conseguiu me deixar.
Assisti-la fazer o que está fazendo, me excita, faz meu corpo todo pulsar, faz meu sexo doer de vontade. Não consigo explicar, não consigo pôr em palavras o quanto meu corpo reage a essa mulher. Ela consegue me enlouquecer sem que precise encostar um dedo em mim.
— Pare! – Exijo, ela não obedece.
— Não! – Seu não sai gemido.
— Pare agora! – Minha mão tem que voltar a acertar o seu rosto para que ela acate minha ordem. Solta um suspiro de lamento, mas me obedece. Sua cabeça continua jogada para trás, mas seus olhos se abrem. Me olha através do espelho.
— Você vai me pagar por cada tapa na cara, Srta. Swan. – Ameaça.
— Olhe para mim agora. – Como a mulher não muito obediente que costuma ser, dessa vez ela acata sem reclamar. Vejo luxuria, desejo, prazer em seus olhos escuros e um tanto quanto selvagens.
Meus dedos abandonam seu sexo, e vão até sua boca. Não preciso falar nada a respeito, ela sabe exatamente o que eu quero que faça. Sorri perversamente para mim, antes de desviar os olhos dos meus, e para-los em meus dedos. Olha para eles com cobiça, com vontade, avidez, como se estivesse diante do seu doce favorito. Arrasta a língua por eles, depois os lábios. Os mordica, beija e então abocanha. Seus olhos gulosos e perversos, voltam a procurar pelos meus, enquanto lambuza-se com o seu gosto em meus dedos. De novo meu corpo reage, volta a pulsar, volta a latejar. Se eu pudesse me definir em uma palavra nesse momento, essa palavra seria desejo. Nesse momento eu me resumo a isso. Desejo é tudo que corre pelas minhas veias, é o que meu coração está bombeando. É o que eu respiro, inspiro, transpiro.
— Você é mesmo uma vadia, Srta. Mills! – Elogio quando sua boca abandona meus dedos.
Me dá um sorriso sem vergonha, sem pudor.
— Suja, vulgar e ao seu dispor, Srta. Swan. – Me responde enquanto ainda me sorri.
— Emma, me chame de Emma.
— Suja, vulgar e ao seu dispor, Emma. – Se corrige e quase me leva a loucura. O jeito como meu nome saiu da sua boca, o tom de voz usado para falar tal coisa, o jeito guloso com está me olhando, o jeito sensual, pervertido como se porta. Tudo, simplesmente tudo, tudo me enlouquece.
— De quatro agora. – Inclina o corpo para frente, suas mãos se apoiam contra o colchão, acima da minha cabeça. Aproxima o rosto do meu, seus olhos continuam me devorando. Seus dentes mordem meu lábio inferior, para sem seguida puxa-lo. Seus lábios tocam rapidamente os meus, ela pisca para mim. Beija meu rosto, meu maxilar, minha orelha, o pescoço, e sege até meus ombros. Passa os lábios ali, a língua, beija e morde. Morde de um jeito nada carinhoso, nada leve. Morde de um jeito que me faz gemer e praguejar de dor. Minhas mãos agarram-se aos seus cabelos, e os puxam, a fazendo me largar.
— Para ficar marcado dos dois lados, Emma! – Me provoca, enquanto me dá outro sorriso sacana. Seus olhos desafiam os meus. “Você pode tentar, mas nunca vai me ter obediente”, é isso que eles me dizem, sem que ela precise abrir a boca para se expressar.
— Desse jeito vou ter que colocá-la em uma focinheira, até domestica-la, Srta. Mills. — Minha mão volta a acertar seu rosto, tal coisa a faz rir. A sim, não tenho dúvidas de que está me provocando.
— Tire a calcinha. – Sai de cima de mim, rola para fora da cama e acata minha ordem.
Meus olhos passam pelo seu corpo ainda um pouco bronzeado pelo verão. Por cada pedacinho dele.
Começam pelas pernas torneadas, bem desenhadas. Seguem pelas coxas firmes, definidas, sem nenhuma marca, ou coisas do gênero. Passam pela cintura fina, o abdômen seco. Sobem até os seios fartos, as aréolas escuras, os bicos rígidos. Vão até os braços também bem desenhados e firmes. Chegam em seus cabelos curtos bagunçados, revoltos, provavelmente pelo banho de piscina que resolveu tomar ontem à noite. Terminam em seus olhos escuros, onde ora eu encontro seus monstros, ora eu encontro sua alma.
Regina Mills é perfeita, perfeita. Acho que já falei que provavelmente nem gente é. Deve ter sido esculpida, desenhada. Deve ter sido feita por um desses pintores talentosos, e Deus provavelmente achando tão bonita, resolveu dar-lhe vida. E não, eu não falo só do físico, não, sua beleza vai muito além disso. Meu fascínio por ela vai muito além disso.
Eu gosto da bagunça que ela é, dá tempestade que as vezes pode se tornar, e da calmaria que sua presença me traz. Gosto da incógnita que as vezes é. Gosto de olhar em seus olhos e me perder dentro deles. Gosto do timbre da sua voz, do seu sotaque de gente metida. Gosto quando me rola os olhos, me chama de impossível e manda eu me conter. Gosto das provocações. E de todos os sons que eu já ouvi na vida, o da sua risada é o meu favorito.
— Perdeu alguma coisa aqui, Srta. Swan? – Provoca.
Ah sim, espero que quando eu morrer, sua voz seja a última coisa que eu escute nessa vida.
Sem voz para responde-la no momento, meu indicador é o responsável por chama-la de volta para cama. Ela me sorri e vem. De novo senta-se sobre meus quadris.
— Você é tão linda, Srta. Mills, que as vezes me faz ter vontade de abandonar qualquer tipo de sexo que não seja carinhoso. – Rola os olhos e então me sorri.
— Você me irritou, você me estapeou, você me chamou de vadia, de cachorra e quer me comprar uma focinheira, então no momento eu não estou para romantismo, Emma. – Fala o meu nome com deboche, me fazendo rir e deixar de lado a ideia de romantismo.
— Okay, cadela, fique de joelho. – Volto para programação normal, o que a faz sorrir satisfeita.
Faz com que meu corpo fique entre seus joelhos. Arrasto as costas pelo colchão, até que meu rosto fique sob ela. A imagem do seu sexo escorrendo de desejo, me faz sorrir e salivar. Seu cheiro me invade, me tira o raciocínio.
Minhas mãos agarram-se as suas coxas. Faço com que ela as afaste, abaixando assim seu corpo, deixando seu sexo ao alcance da minha boca. Eu o sopro, ela suspira. Beijo seus grandes lábios, arrasto os meus lábios por eles, passo a língua, abocanho e chupo. Ela geme, faz isso em voz alta, sem pudor, sem vergonha e me enlouquece.
Mexe os quadris, em uma tentativa de me fazer, fazer sua vontade. Eu não faço, não ainda. Paro de beija-la, contrariada, ela volta a suspirar. Subo minha mão pela sua coxa, sua virilha. Meu polegar alcança sua entrada, lambuza-se ali, então vai até seu clitóris, o circula e a faz gemer.
O líquido que escorre entre suas pernas e pinga em meu rosto, serve como combustível para o fogo que essa mulher me torna. Meus lábios voltam a beija-la, me lambuzo em meio ao seu melado, seu desejo. Quando me dou por satisfeita, faço sua vontade. Minha língua procura seu clitóris, o acaricia. Movimentos leves, lentos, circulares.
Perversidades, palavras sujas, palavras vulgares, saem gemidas da boca de Regina Mills. A executiva cheia de classe e de bons modos, a mulher milionária, pertencente a altasociedade norte americana, realmente se torna uma vadia suja e vulgar nas minhas mãos. Eu a faço perder a compostura, esquecer as regras, perder a identidade.
Em momentos assim, sei que ela não sabe mais nem quem é, o quanto dinheiro possui, os problemas que lhe atormentam. Em momentos assim, desejo também é a sua única identidade.
Impaciente, ela volta a movimentar seus quadris, querendo ditar seu ritmo, sua vontade. Me faz sorrir e faz minha boca mais uma vez abandona-la para que eu possa questiona-la.
— Pelo amor de Deus! – Exclama. Reclamando por eu ter parado.
— Você já está pronta para se desculpar agora, Srta. Mills? – Questiono. – Porque só desse jeito eu vou fazer o que quer. – E eu sei que ela já sabe sobre isso.
— Eu sinto muito! – Solta com ar. – Me desculpe por ter gritado com você, pode ter atirado meu telefone contra a parede, por tê-la culpado, por ter estapeado sua cara. – Pede. A voz falha, o tom desejoso. Acho graça, e me pergunto se algum dia existirá outra situação na vida, que convença essa mulher teimosa, orgulhosa a pedir desculpas assim tão rapidamente? – Agora por favor, por favor, me faça gozar. – O pedido é praticamente implorado. Além de saber pedir desculpas, ela também sabe implorar. Eu já mencionei que o mundo dá voltas, não mencionei?
— Boa menina! – Elogio, enquanto sorrio satisfeita. — Você já pode ficar de quatro agora. – Sem pestanejar, ela sai de onde se encontrava e acata meu pedido.
Pelo espelho, eu vejo Regina Mills de quatro, e tal imagem volta a me dar água na boca. Meu sexo escorre, lateja, anseia por um toque, um contato, uma caricia. Deseja esfregar-se nela, misturar-se a ela, torar-se dela.
Me ponho de joelhos, me desfaço do roupão e me volto para ela. Suspiro ao vê-la assim, desse jeito, nessa posição, a mercê das minhas vontades, dos meus desejos.
Sem dó, sem delicadeza, sem cuidado, sem receio de marca-la, minha mão acerta sua nádega.
— Cachorra! Gostosa! – Não me responde, apenas mexe os quadris, consequentemente fazendo sua bunda mexer também. É desse jeito que ela me provoca, e só por isso, eu volto a estapeá-la.
Minhas mãos agarram-se a sua cintura, eu a puxo para mim. Suspiro de satisfação quando sua pele quente toca a minha. Subo uma mão pelas suas costas, meus dedos arrastam-se por toda sua extensão, até chegarem ao seu pescoço, sua nuca. Eles se emaranham em seus cabelos e os puxam sem delicadeza, o que a faz gemer.
— Agora que você está quase domesticada, podemos pensar em comprar uma coleira para pôr no seu pescoço. – Ela ri, aparentemente, gostando da ideia.
Solto seus cabelos e ajeito meu corpo sobre o dela. Assim como ela, deixo escapar um gemido quando meus seios tocam suas costas. Esse contato, pele com pele, é inexplicável o quão bom, o quão gostoso é. Minhas mãos procuram seus seios, os tocam, massageiam, estimulam. Enquanto uma continua ali, outra desce pelo seu corpo, se arrasta até seu sexo. Dessa vez sem postergar, meus dedos vão até seu clitóris, movimentam-se sobre ele.
— Isso! – Seus lábios deixam escapar. Sua voz me faz sorrir, sua exclamação me faz continuar. Beijo suas costas, meus lábios e minha língua acariciam ali, enquanto meus dedos continuam a estimulando.
Sua respiração pesada, o resquício de cheiro do seu perfume, o cheiro do seu sexo, sua excitação, seus gemidos que voltam a se fazer bastante audíveis, o jeito como nossos corpos estão, o contato, o conjunto, tudo, Regina Mills faz eu me sentir em chama, me faz arder, me faz queimar.
Queimo de desejo. Tudo, tudo que há em mim está incendiado de desejo. Eu só consigo pensar no quão boa é essa situação, no quanto eu quero fazer isso para sempre, no quão gostoso tudo isso é.
Eu a posso sentir. Ela não me toca, mas eu a sinto em todas as partes do meu corpo, a sinto em cada pedacinho dele. O meu sexo pulsa, lateja, a minha excitação cresce, meus dedos intensificam os movimentos, a Srta. Mills reage a tal coisa proferindo palavras sujas, que intercalam com pedidos para que eu não pare, não pare. Que eu a faça gozar, ela vai gozar. Não pare, Emma, não pare.
Isso é bom, é muito bom, eu me sinto extasiada. A sinto em todas as partes. A voz dela me invade, o cheiro dela me invade. Eu a toco, eu a sinto. Prazer, estou inundada de prazer, muito prazer. Eu quero gozar, eu preciso gozar, eu vou.
Minha respiração torna-se ofegante, minha vagina contrai, os dedos dos meus pés se fecham, espasmos tomam conta do meu corpo, qualquer pensamento se vai.
Acho que pode caber toda uma vida dentro desses poucos, mas tão prazerosos, inexplicáveis, surreais segundos onde acontece um orgasmo.
Quando minha mente volta para o meu corpo, o mesmo está caído sobre o da Srta. Mills. Meus cabelos espalhados pelas suas costas. Minha respiração pesada acompanha a dela, enquanto penso na loucura que acabou de acontecer.
Não sei como explicar, no momento não sei nem o que pensar, o fato é que aconteceu algo que eu já tinha até ouvido falar sobre, mas nunca acreditei que pudesse mesmo acontecer. Sem quase nenhum contato, sem fricção, sem estimulo físico, eu gozei.
Regina Mills me fez gozar, ou me ajudou a gozar, ou me inspirou a isso, sem encostar um dedo sequer em mim. Não sei se no momento eu me encontro assustada ou fascinada, mas o fato é que não consigo não sorrir.
— Você quer ouvir uma coisa louca? – Questiono com ela. Assim como eu, está imóvel.
— Uhum. – É tudo que sua voz agora quase inexistente, me responde.
— Eu gozei. Você não me tocou, eu não me toquei e eu gozei. – Conto a ela.
— Sério? – Agora sua voz sai um tanto incrédula. Mas, né? Se nem eu ainda acredito, imagina outra pessoa.
— Seríssimo. Wow, isso é wow!
— Algo como, quando a gente sonha que está transando e acaba gozando? – Questiona.
— Algo como isso, só que sem sonho, eu estou bem acordada. – Ela ri.
— Não faça ideia de como pode ter acontecido, nem sabia que era possível, mas mesmo assim, nesse caso, disponha, Emma! – Seu comentário me faz sorrir. Okay, o feito foi meu, mas o combustível, foi ela. Tudo que me faz sentir, a pessoa na qual se transforma, sua voz, seu cheiro. Então sim, boa parte desse mérito, é mesmo dela.
— Você está brava comigo? – Agora que os ânimos acalmaram, que ela voltou a ser ela, que a excitação deixou seu corpo, pode ser que só lhe tenha sobrado a irritação.
— Não. – Responde. Saio de cima dela, e deito-me ao seu lado. Tiro-lhe os muitos cabelos que lhe cobrem a face, e a encontro de olhos fechados. – Mas estou brava comigo.
— Por quê? – Minha mão afaga-lhe o rosto. A marca dos meus dedos ainda está em sua pele. Ela abre os olhos e me encara. Não existe vergonha ali, não existe irritação, não existe ódio. Cumplicidade, seus olhos trocam cumplicidades com os meus.
— Porque você tem algum controle, algo que eu não sei explicar, mas que me deixa louca, ensandecida por sexo. Você as vezes faz eu me sentir uma cadela no cio, Srta. Swan. – Sua resposta me faz rir.
— Já falei que vamos lhe comprar uma coleira. – Provoco. – Na verdade, você pode comprar. Uma bem linda, preta, com meu nome cravejado em brilhantes. Eu não me importaria nem um pouco se você gastasse seu dinheiro com isso. – Primeiro, me balança a cabeça negativamente, e então esboça um sorriso.
— Você é impossível. – Fala o de sempre.
— Isso significa que você vai comprar? – Me animo. Um rolar de olhos é a resposta que me dá.
— Eu preciso falar com Zelena. – Muda de assunto. — Preciso saber se Cora conseguiu fazer contato com ela. Preciso de um parecer de Tinker. – Ela suspira. – Eu preciso sair desse casulo e voltar para o mundo real. Tenho muitas coisas pendentes para resolver. – Dessa vez, sei que nada do que eu faça, ou fale, vai fazer com que aceite ficar aqui por mais tempo. Infelizmente isso de mundo real vai acontecer, e eu não posso impedir. Até porque, eu também vivo nesse mundo odioso.
— Pelo menos agora você vai voltar mais calminha para o mundo real. – Balança a cabeça negativamente.
— E mais cheia de marcas, não é? – Essa frase nada mais é do que um sutil aviso para que eu pare com isso. – Quando estivermos em Nova York, convivendo todos os dias com a minha mãe, essas marcas não vão mais poder existir. – Fala comigo como se tivesse falando com uma filha. Aquele aviso que a gente dá, e que se voltar a se repetir, a gente fica pistola e esbraveja muito.
— Você também precisa parar de me marcar. – Agora cada ombro meu, carrega a marca dos dentes de Regina Mills. E bom, eu não tenho uma mãe psicopata, mas eu tenho uma filha curiosa, que caso veja tal coisa, não vai de jeito nenhum deixar passar.
— Sim, eu preciso. – Concorda. – Pare de me provocar, pare de me bater, que eu paro de morder e arranhar. – Se compromete.
— Eu vou cortar as suas unhas se você não fazer isso. – Aviso.
— Mas eu já cortei. – Levanta uma mão e olha para a mesma.
— Regina, se unhas fossem cabelos, esse seu “cortar”, nada mais significaria do que: tirei só as pontinhas. – Ela acha graça. Mostro minha mão a ela. – Isso são unhas curtas. — Junta minha mão a sua e entrelaça nossos dedos.
— As suas nem unhas são. – Resmunga. – Se unhas fossem cabelos, esse seu “cortar”, nada mais significaria do que: pedi para cortar dois dedos, sai de lá praticamente sem cabelos. – A bobagem que acaba de sair da sua boca, me faz dar risada. – Pode ser um corte Chanel então? – Questiona.
— Pode ser, melhor do que nenhum corte. Um corte onde quase não apareça o branco da unha, combinado? – Suspira e concorda com a cabeça.
— Combinado. Quando você chegar em Nova York, vai conhecer meu novo corte de unhas. – Dá sua palavra.
— Você já pensou como vamos fazer para nos vermos em Nova York? Tipo, fora do trabalho? – De novo ela suspira.
— Ainda não cheguei nessa parte, mas... acho que as vezes você pode ir até a casa de Zelena, que fica no meu prédio. Outras vezes eu não sei... não sei como vou fazer para ir até a sua casa. Provavelmente vai ser algo parecido com o que fizemos para vir até aqui. – Bom, como Regina é bastante paranoica e tem medo de que de alguma forma, esteja sendo vigiada, não simplesmente entrou no carro e veio até o motel comigo. Ela desceu primeiro, certificou-se que a garagem estava vazia, abriu a porta de trás do carro, deitou-se sobre o banco, e escondeu-se debaixo de uma coberta. Tipo esses artistas de Hollywood, quando querem se esconder dos paparazzis. Só depois disso foi que eu desci, entrei no carro e saí.
— Complicada essa vida de mulher milionária e poderosa. – Lamento.
— Complicado é ter uma mãe psicopata. – Me corrige. – Você sabe que não vamos poder ter nem 1% da intimidade que temos, quando estivermos na frente dos outros, não sabe? – Parece preocupada. – Eu vou ser fria muitas vezes, apática muitas vezes, arrogante muitas outras. – Continua. – A situação exige que eu seja uma boa atriz, então em algum ponto, talvez você esqueça que estou fingindo e se magoe com isso. – Balanço a cabeça concordando.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Eu sei. E eu vou entender, mesmo que talvez e só talvez, quando eu estiver de TPM ou algo assim, eu me chateie com algumas coisas, eu vou entender. – Lhe garanto. – Faça o que tem que ser feito, faça sem pestanejar e depois volte sempre para os meus braços. – Ela me sorri.
— Nem parece que estava batendo na minha cara minutos atrás. – Implica comigo, como faz sempre ou quase sempre que tento ser romântica.
— Eu falei para você, que você me faz ter vontade de abandonar qualquer tipo de sexo que não seja carinhoso, você quem quis continuar. – Me defendo. – Você gosta de uns tapas, pode falar para mim. – Esboça um sorriso um pouco sem graça.
— Tire as suas próprias conclusões, Srta. Swan. – É o que a safada me responde. Bom, eu não tenho nenhuma dúvida sobre, só gostaria mesmo de ouvi-la admitindo.
— Minhas próprias conclusões me fazem crer que quando eu chegar em Nova York, você terá comprado a coleira para eu pôr no seu pescocinho lindo. – Rola os olhos, suspira, se espreguiça e se senta.
— Preciso das minhas roupas, preciso escovar os dentes, preciso de mais um remédio para dor de cabeça, preciso de um óculos de sol para esconder um pouco da minha cara de ressaca, preciso. – Fala tudo quase sem respirar e me faz rir. Antes que ela consiga sair da cama, seguro seu braço. Me lança um olhar de interrogação.
— Você não está esquecendo do mais importante, Srta. Mills? – Arqueia uma sobrancelha ao ouvir tal coisa.
— Que seria? – Lhe sorrio e me sento.
— Meu beijo. – Falo. Ela sorri e se aproxima. Sua mão toca minha nuca, seus dedos afagam ali. Seus olhos conversam com os meus, enquanto seu rosto vai se aproximando. Me dá um beijinho estalado, seguido de outro e mais outro. Então suspira, abre os olhos e de novo me sorri.
— Vou sentir sua falta, Srta. Swan! – É o que fala ao me abraçar. Um abraço apertado, quentinho, gostoso. Um abraço onde eu gostaria de morar.
— Eu vou morrer de saudades. – Não gosto nem de pensar sobre. Até eu ajeitar tudo por aqui, vai pelo menos um mês. E quando eu me mudar, não tenho certeza de como vai ser, de quando ou como exatamente vamos nos ver. Não sei se teremos a paz que tivemos por esses dias.
Seus braços afrouxam o aperto do meu pescoço, ela beija o lado da minha cabeça e afasta-se para que possa me olhar.
— Você é um furacão que veio para bagunçar a minha vida, Emma Swan. – Oh Deus, meu nome completo saindo da boca dessa mulher, faz meu coração bater mais apressado. – Você me revirou do avesso... – Seus dedos tiram alguns cabelos da frente do meu rosto. – E me fez descobrir que é nesse avesso o meu lado certo. – Pisca para mim e volta a afagar meu rosto. Solto um suspiro apaixonado, antes de lhe sorrir.
— Romântica? – Questiono.
— Romântica. – Responde sem rolar os olhos, sem fazer cara feia, sem achar ruim.
— Eu vou casar com você, sabia? – De novo me sorri, e de novo volta a me beijar.
— Sabia. Nós vamos fazer isso. – Oh Deus, perdoe por chama-lo de novo em um curto período de tempo, mas não é justo o que essa mulher faz comigo, porém se você for o responsável, continue.
Dessa vez ela se afasta, e me abandona sozinha na cama. Com os olhos a observo catando as roupas pelo chão. Separa as minhas e as dela, as coloca sobre a cama e começa a se vestir.
— Essa calcinha está nojenta. – Reclama consigo mesma, só que em voz alta.
— Você não quer tomar um banho? – Convido.
— Quero, mas não posso. Porque sei que você participaria disso, e meu tempo está corrido. Não quero ter que fretar um voo para casa, e se não me engano, o último voo comercial para Nova York, sai no começo da noite. – Fico triste ao pensar que daqui algumas horas, não vou tê-la mais ao alcance dos olhos.
— Eu vou esperar você me ligar. – Falo. – Como você estará perto da sua mãe, acho menos arriscado, você me ligar. Assim não corro o risco de chamar em uma hora inapropriada. – Balança a cabeça em concordância, enquanto tenta entrar no meu jeans skinny.
— Acho uma boa ideia. Provavelmente ligarei sempre a noite, quando chegar em casa. Vou comprar um celular pré-pago, assim se Cora resolver grampear ou hackear meu telefone, não vai encontrar nada. – Não sei se está falando comigo, ou pensando alto e não tenho tempo de perguntar, já que meu telefone escandaloso começa a tocar.
Está em algum lugar pelo chão. Quando Regina me empurrou, ele acabou caindo. Antes que eu possa sair para procura-lo, ela se põe de pé, o encontra e me estende.
— É a sua irmã. – Falo ao ver o nome dela na tela.
— Avise que quero matá-la. – Pede antes de mais uma vez, afastar-se, indo em direção ao banheiro.
— Regina quer matar você! – Atendo desse jeitinho.
— Eu também quero matá-la. – Nada de novo. Mills sendo Mills e seguimos o baile. – Por que diabos ela não atende o telefone? – Ela está brava com a irmã mas sobra para quem? Para a Emma. Nada de novo de novo.
— Porque ela teve um ataque de raiva, e jogou ele contra a parede. Um IPhone a menos vive nesse mundo. – Me lamento.
— Vocês não deveriam estar se amando? – Deixou a irritação de lado, para ficar curiosa.
— Estávamos, mas a sua mãe ligou. – Conto.
— E ela atendeu? – Agora está preocupada.
— Atendeu. Foi algo... – Penso em uma palavra para definir. – Tenso. – Não é exatamente a palavra, mas serve. – Ela estava louca por você não ter atendido telefone. – No dia de hoje damos início as fofocas de cunhadas. – Eu não acredito que você deixou Killian postar uma foto com você. — Dou bronca. – Por um acaso, é por esse motivo que Regina quer te matar. Então caso ela consiga, você vai estar ciente do motivo pelo qual morreu. – Eu sou uma excelente cunhada, não sou?
— Obrigada por me esclarecer. – Debocha. – Eu não atendi porque não sabia o que dizer. Não sabia se ela já tinha falado com Regina. E se nós déssemos desculpas diferentes para estarmos aqui? – Não podemos dizer que Zelena não é inteligente. – Me diz que você conseguiu acalma-la, pelo menos um pouquinho, por favor? – Me faz rir. Nem parece que é tão brava quanto sua irmã.
— Consegui acalma-la alguns poucos. – Falo.
— Sexo? – Essa pessoa, ela não conhece o significado de limites.
— Uhum.
— Daquele dia que eu vi? – Ah é, ela sempre pode ir além.
— Sim.
— Graças a Deus! – Exclama. Parece aliviada. – Você vai para o céu. – Me faz rir.
— Isso é algo que eu já sei. – Dou de ombros. – Você quer me falar o que quer com ela, ou eu peço para ela te ligar depois? – Mudo de assunto.
— Queria saber se ela tinha falado com a mamãe. E o quão ruim foi. E que horas vamos embora. E algumas coisas sobre Tinker. – Suspira. — Vocês vão demorar?
— Não. Estamos saindo em no máximo dez minutos. Você nos encontra lá em casa, pode ser? – Sugiro. — Acho que ela também quer falar com você.
— Okay. Estamos indo para lá. – Não se despede, não nada, apenas desliga, igualzinho a irmã linda que ela tem.
— Qual o problema que você, a sua irmã e aparentemente a sua mãe também, tem em se despedir antes de desligar o telefone? – Como ela está no banheiro, preciso falar alto. Com muito pesar eu me espreguiço, e rolo para fora da cama. Regina resmunga algo que eu não faço ideia do que seja. Provavelmente a escova de dentes a faz fazer isso.
Coloco minha calcinha, o sutiã, o jeans e por último a camiseta. Calço as meias, o tênis, passo os dedos pelo cabelo e Regina ainda continua no banheiro. Vou até a mesa do café, e roubo um donut enquanto espero. Termino ele e nada dela ainda. Antes que o pecado da gula consiga me convencer a pegar outro, sinto os braços dela me abraçando por trás. Eles me apertam, ela deita a cabeça nas minhas costas e me faz sorrir.
— Romântica carinhosa. – Implico com ela.
— Cale a boca, Srta. Swan. – Pede rindo. Ao me voltar para ela e prestar atenção nas suas roupas, não consigo não rir.
Está com meu jeans preto, um blusão preto que também é meu e a toca do mesmo está em sua cabeça. Calça a pantufa do Frajola que emprestei para que viesse até aqui. Seus óculos de sol já estão em seu rosto e alguns muitos cabelos também estão por ali. – O quê? – Questiona desconfiada.
— Não brigue comigo, mas você está muito Reginão com essas roupas. – Não posso ver, mas aposto que está rolando os olhos. – Que vontade de apertar você mulher, e te guardar em um potinho. – A abraço apertado, e não sou retribuída.
— Eu quero as minhas roupas. – É tudo que me fala. – Eu até gosto de ser Reginão, mas dentro delas. – Me faz rir de novo. – Do jeito que estou agora, provavelmente vou mesmo comprar um caminhão. – Regina Mills fazendo piada com a própria cara sobre ser sapatão. Eu vivi para ver isso. Sei que o assunto a incomoda, ficou nítido na noite de ontem quando começaram a fazer graças para cima dela, porém, aparentemente não se incomoda de falar sobre, ou fazer piada sobre, quando está comigo.
— Sabe o que é engraçado? Mesmo vestida assim, mesmo sem suas roupas sociais caras, suas roupas de mulher elegante e formal, você continua com cara de rica, continua com ar de superior. Parece uma dessas mulheres famosas que está saindo de casa depois de uma noitada. – Lhe beijo a testa.
— Não mencione o sobrenome das Kardashians. – Exige.
— Nem pensei sobre. – Agora beijo-lhe os lábios a libero do abraço. – Vou escovar os dentes e podemos ir. Está pronta?
— Se for pronta para deitar no banco traseiro do seu carro, estou prontíssima. Devidamente vestida. – Resmunga.
— Ainda bem que está pronta para o banco do carro, porque se você inventar de sair Reginão desse jeito por aí, vai ter um caminhão de sapatão querendo te levar embora. – Me rola os olhos e me empurra.
— Você é... – Não deixo que termine.
— Impossível, eu sei...
...
Ao chegarmos enfim na minha humilde residência, eu na frente, Regina dez minutos depois, encontramos com a mesma vazia. Com exceção de Leão que estava solto pela sala, e fez a Srta. Mills fazer o maior escândalo e esconder-se atrás de mim como a donzela indefesa que eu sei que ela não é, a mesma estava vazia. Sem Killian, sem Zelena e sem Janis, que ainda estava na aula, o lugar estava estranhamente silencioso.
Como a boa salvadora que sou, guardei meu bicho de estimação na gaiola e salvei minha donzela, ou talvez eu tenha salvado meu camaleão, já que tenho absoluta certeza que a Srta. Mills, pode fazer muito mais mal a ele, só o olhando, do que o coitado pode fazer a ela, usando todas as armas que tem.
Bom, ao contrário do esperado, ou nem tanto assim, já que se trata de Regina Mills, ela não me agradeceu com um beijo, tampouco um abraço. Na verdade, nem agradecer, ela agradeceu. Só disse que eu não fiz nada mais do que a minha obrigação, então foi até o congelador da minha geladeira, fez uma compressa com gelo e resolveu cuidar do rosto um pouco marcado.
Me arrastou até o sofá, deitou-se lá, fechou os olhos quando comecei a mexer nos seus cabelos, e começou a reclamar da demora da irmã.
Killian foi eleito como culpado pelo atraso. Foi também eleito como culpado pela ligação de Cora. Foi eleito como culpado por ter deixado solto, meu bicho de estimação. Pensei até em abrir a boca e dizer que com toda a certeza desse mundo, foi Janis quem fez tal coisa, já que assim como a Srta. Mills, Killian também tem aversão e medo do camaleão, porém, como não queria que ela começasse a reclamar de mim também, só balancei a cabeça em concordância, e chamei meu amigo de esquecido.
Quase meia hora de reclamações depois, três batidas na porta a fizeram se calar e se pôr de pé. Fez algumas ameaças contra sua irmã e meu amigo, e praticamente foi marchando até a porta. Temendo que ela pudesse pegar um dos poucos objetos da minha casa, para jogar contra eles, eu levantei quase na velocidade da luz, agarrei a mão dela e fui junto.
Agora aqui estamos, prestes a abrir a porta.
— Não grite, não se exalte, não atire coisas. – A incentivo, na verdade, peço, quase imploro. – Você é capaz. Confio no seu potencial. – Tenho a mão na maçaneta, enquanto falo tais coisas. Bom, pelo jeito como me olha, resolvo não falar mais nada e apenas abrir.
Ao fazer tal coisa, a Srta. Mills é pega de surpresa, assim como eu.
Não é Zelena, tampouco Killian, e pensando aqui rapidamente sobre, não faria muito sentido ser eles, já que Killian tem a chave da minha casa. Enfim, para a surpresa de Regina, que vai da irritação a um semblante um tanto sem graça, Tinker é quem estava batendo.
Ela ignora completamente a presença da sua ex-amiga e olha para mim. Parece calma, tranquila, controlada, bem diferente da mulher com a qual falei no dia anterior.
— Emma! – Me saúda enquanto me dá um sorriso simpático.
— Tinker! – Regina exclama. A visita não esperada, a pegou bastante surpresa, tão de surpresa, que deixou pálido o seu rosto. Regina Mills não é de fugir das coisas, mas no momento, posso apostar que se tivesse essa opção, ela a escolheria.
Os olhos da sua ex-amiga que descem até nossas mãos unidas, faz com que a Srta. Mills, desfaça o contato quase na velocidade da luz.
— Regina! Guarda-roupas novo? – Lhe sorri sarcasticamente e dá um passo à frente, tornando perigosamente curta a distância entre elas. O sorriso rapidamente vai se desfazendo enquanto as duas se encaram, se medem, se desafiam. O clima que se torna instantaneamente tenso, me deixa um pouco nervosa. Enquanto penso em alguma coisa para dizer, ou falar, para talvez tentar acalmar os ânimos, Tinker vira a mão na cara da Srta. Mills.
— Isso é por Daniel. – Avisa. E antes que eu possa me recuperar do que aconteceu para intervir, ela faz de novo, acertando o outro lado da face da ex-amiga. – Isso é por Emma. – Fala de novo e de novo acerta mais um tapa. – E isso é por você ser uma amiga infiel. – Regina Mills acaba de levar três tapas na cara e não reagir a nenhum deles. Na verdade, pelo jeito como está parada, sem reação, ainda encarando Tinker, dá a entender que sua cara continuará ali, bem disponível para quantos tapas sua ex-amiga quiser lhe dar.
— É o melhor que você pode fazer? – Questiona com Tinker. Enquanto isso põe as mãos para traz, claramente mostrando que não vai revidar, além de incentiva-la a bater mais.
Ao ouvir tal coisa, Tinker levanta a mão para fazer, porém dessa vez eu saio do transe em que estava e levo minha mão ao seu pulso a impedindo de fazer. Os únicos tapas que a cara maravilhosa de Regina Mills pode ganhar, são os meus. Isso porque eles fazem parte de toda uma perversidade, que no final, a faz gozar.
Aperto com força seu pulso, enquanto lhe lanço um olhar nada amigável.
— Chega! – Ordeno. – Se você encostar nela de novo, ela não vai revidar, mas eu vou. – Aviso. – Juro para você que eu meto a mão na sua cara, Tinker. — Tenho certeza que o tom da minha voz lhe diz que eu realmente farei isso.
— Defendendo a namoradinha? – Debocha.
— Emma, deixe que ela faça. – Regina interfere.
— Está vendo? Ela gosta de apanhar. – Continua debochando, enquanto tenta livrar o pulso do meu aperto.
— Ela gosta, gosta sim. Mas não de você, não desse jeito. – Sei que não deveria responder assim. Sei que entendeu o que estou falando, como sei que isso deve machuca-la. Seu semblante debochado que vai se desfazendo, deixa tal coisa bem clara. Porém ela já foi má com Regina na conversa que elas tiveram ontem. Falou tudo que tinha para falar e com certeza, não ouviu absolutamente nada. Depois de tudo ainda veio até minha casa, e acertou três tapas nela. Chega! Isso é muito mais do que o aceitável. Está na hora de revidar, não vou mais deixar que ela faça isso, não vou aceitar mais nenhum tipo de destrato, muito menos os que envolvem agressão física. Se Regina sabe só latir, então serei responsável pela parte que morde.
— Emma!!! – A Srta. Mills esbraveja.
— O que diabos eu estou fazendo aqui? – Tinker se questiona. Em um puxão, consegue livrar seu braço. – Eu vou embora, não preciso de mais essa humilhação, não preciso disso. – Não sei se está mais chateada, ou mais irritada. Talvez um misto das duas coisas.
— Fique! – Regina intervém. – Por favor fique. Fique e me bata o quanto você quiser bater. Desconte toda sua raiva, eu não me importo. Faça o que você quiser fazer, mas fique. Fique e ajude ela. – Seu pedido que sai praticamente implorado, faz sua ex-amiga que já tinha nos dado as costas, parar e voltar.
— Quero falar com você, a sós. – Ignora Regina e volta-se novamente para mim.
— Okay. – Solto com o ar. Já não tenho mais nem certeza se isso é mesmo uma boa ideia. Se quero mesmo essa mulher em nossas vidas, mas sei que se falar sobre com Regina, ela vai surtar. Então vou fazer sua vontade. – Vamos até a sacada. – Aponto para dentro de casa, para que ela entre. Regina sai da frente da porta, para que ela possa passar.
— Estarei no quarto. – A Srta. Mills resmunga comigo antes de retirar-se, indo em direção ao mesmo, para nos dar a privacidade exigida por Tinker.
Em silêncio, ela acompanha-me até a sacada. Ajeito uma cadeira para que se sente e sento-me sobre o parapeito. Acendo um cigarro, deixo a nicotina acalmar meu ânimo e só então resolvo começar.
— Por que você está agindo desse jeito? – Solto a pergunta junto com a fumaça. Ela ignora a cadeira que lhe ofereci, e se aproxima, parando ao meu lado. Apoia os braços no parapeito e mira um ponto qualquer à sua frente.
— Como você agiria se estivesse no meu lugar? – Pergunta quase a mesma coisa que Regina me perguntou no dia anterior. – O que você faria se fosse traída pela segunda vez pela sua melhor amiga? – Tem a voz mortificada, um semblante triste, talvez cansando. Tira o cigarro da minha mão e o traga.
— Ela não traiu você. – Minha resposta a faz sorrir sem humor. – Regina ficou comigo só depois que o contrato que tinha com você, chegou ao fim... – Começo a explicar, mas ela me interrompe.
— Ah, sério? – Tira os olhos do ponto qualquer e me encara. Vejo muitas lágrimas represadas ali. – Deveria me sentir menos traída por isso? – Questiona. – Eu falei para ela tudo que sentia por você. E o que ela fez? – Passa os dedos pelos olhos e volta a olhar para frente. Suspiro e resolvo tentar outra abordagem.
— Você não gosta de mim, Tinker. – Dou a minha opinião sincera sobre. – Você gosta da prostituta. – Continuo. – Você não me conhece, você conhece Jane, a prostituta, não a Emma. – Como ela se apossou do meu cigarro, tiro outro da carteira e o acendo. – Desculpe-me se parecer rude, mas você conhece a personagem que você me pagava para ser. – Essa é a verdade. – Nosso relacionamento, se você quer pôr como relacionamento, se resumia a muito sexo, bebedeiras e festas. – Faço uma pausa para fumar, enquanto torço para que ela tente absorver e entender o que quero lhe dizer. Me acompanha no silêncio. Um silêncio chato, um silêncio sentido, um silêncio que até então, eu nunca tinha visto em Tinker. Me sinto mal por tê-la magoado, ou por termos a magoado, por outro lado não teria sido justo para nenhuma de nós três, se eu tivesse ficado com ela por pura conveniência. – Quando você teve oportunidade de conhecer quem eu sou, você fugiu. Você fugiu de Janis, mandou Regina no seu lugar. – Resolvo continuar. – Nas vezes que você teve oportunidade de me conhecer, você mandou sua amiga no seu lugar. – Essa é a verdade. – E eu não lhe culpo. Você gosta de ser livre, você gosta de festas, você gosta de noitadas, gosta de não ter hora para acordar no outro dia, gosta de não ter responsabilidades e tudo bem você gostar disso, mas não sou eu a pessoa que pode lhe acompanhar nisso. – Volto a fazer uma pausa para fumar. – Eu tenho uma filha, e junto com ela eu tenho muitas responsabilidades. Quando eu não estava me prostituindo, eu estava sendo mãe, fazendo coisas de mãe, cuidado de uma criança. – Explico. — Você fugiu da Emma mãe, e mandou sua amiga no seu lugar, e acho que foi nesse dia, que eu que já tinha bastante interesse nela, percebi mesmo que subconscientemente, que estava me encantando. – Finalizo.
— Eu não sabia que ela poderia vir a me trair de novo. – Insiste na mesma coisa.
— Ouça... – Tomo ar antes de começar. – Eu não sei da história de vocês duas com Daniel. Eu sei que desde que eu insisto nela, esse infeliz está no meio. – Queria um dia ter a oportunidade de esbravejar com ele. – O que Regina fez foi errado? Foi errado, Mas ela fez sozinha? – Com um balançar de cabeça, me responde que não. – Que bom que você está ciente disso, porque pelo jeito como você põe as coisas, parece que você elegeu ela como a única culpada. Como se ela tivesse obrigado ele a alguma coisa. Como se não fosse algo que ele permitiu. – Exponho minha opinião. – Você já procurou saber detalhes sobre essa história? Porque se sua amiga fugiu dele, como fugiu de mim, mesmo sendo eu sua falsa namorada, com certeza o seu querido Daniel, é muito culpado nessa história. – Continuo. – Você não sabe o quanto foi difícil conseguir algo com ela. Na verdade, ainda é. – Lamento. — Não é todo dia que ela abaixa a guarda e deixa acontecer. Porque não bastasse a vida conturbada dela, todos os traumas, ainda tem uma mãe louca, e essa amizade com você. – Reclamo.
— Agora a culpa é minha? – De todas as coisas que poderia me falar, que poderia questionar, que poderia reclamar, escolhe essa, um tanto sem sentido. Tinker está magoada, ou seja, não está interessada em explicações, não está interessada em tentar enxergar um pouco além, não está interessada em nada que não seja culpar Regina.
— Se você está procurando alguém em quem pôr a culpa, a culpa é toda minha. – Falo. – Desde que a conheci, no dia em que liguei falando sobre o carro que atropelei, eu a desejei. Eu não a conhecida, não fazia a mínima noção de quem era, muito menos que era sua amiga. – Continuo. – Ela negou. Ela me disse que não gostava de mulheres. Ela me ofendeu. Ela tentou se manter longe. Mas você nos aproximou, você nos deu oportunidades de nos conhecermos, graças a você, eu conheci ela. – Não sei que tipo de jogo o destino faz. Às vezes eu acho que ele brinca, joga com as pessoas, mas a verdade é essa, se não fosse por Tinker, talvez Regina e eu não existíssemos como “casal”. – Eu a conheci e percebi que boa parte da prepotência, da arrogância dela, é uma máscara. Algo para manter todos afastados. É assim que ela se protege. Regina é atormentada por tantas coisas. – Trago uma última vez meu cigarro, antes de apaga-lo no meu vaso de cigarros. – Eu me pergunto como vocês deixaram ela ir tão fundo. Por que vocês não fizeram nada a respeito? – Tira os olhos do além, e volta-se para mim. Agora me olha com indignação, enquanto balança a cabeça negativamente.
— Não fale do que você não sabe. Você não tem ideia de quantas vezes eu insisti para que ela fosse a um médico, para que se tratasse, para que procurasse ajuda. – Esbraveja.
— E quantas vezes você levou ela até um médico? Quantas vezes você levou ela até a ajuda? Quantas vezes você levou ela para espairecer? Quantas vezes tirou ela do trabalho? Quantas vezes você insistiu nela? – Disparo as perguntas. — Ou você acha que uma pessoa depressiva, sem nenhuma perspectiva de vida, sem nada ao que se agarrar, sem nenhuma esperança, vai pensar “menina, não é que eu preciso mesmo de ajuda?”. – Mantém os olhos nos meus por alguns segundos, antes de me responder.
— Tudo que aconteceu com ela, foi ela quem procurou. – É a infeliz resposta que me dá.
— Você nunca perdoou ela, perdoou? – Questiono. – Essa magoa de agora, pouco tem a ver comigo e muito tem a ver com Daniel. – Está claro agora, muito claro, pelo menos para mim. Não sei se ela tem consciência disso. – Eu acredito que você quis perdoar, tentou perdoar e até achou que fez tal coisa, mas é nítido que não aconteceu. – Exponho meu ponto de vista.
— Talvez eu não tenha feito mesmo isso. E que bom que eu não fiz, porque olha só onde nós estamos, de novo. – Me faz balançar a cabeça negativamente. Já não sei mais o que dizer, ou o que não dizer. Não sei o que explicar, muito menos se devo explicar. O que adianta ficar falando, falando e falando, se a outra pessoa não quer ouvir?
— Eu não ficaria com você, mesmo que Regina e eu, nunca tivéssemos nos conhecido. – Conto. – Aliás, esse contrato, se não fosse por ela, nem teria acontecido e você sabe disso. – A lembro. — Você aparentemente só tem interesse em acusa-la, mas quero que você saiba que por muitas vezes, ela me incentivou a ficar com você. – Exponho. — Você acha que seria justo eu fazer isso? Ficar com alguém que eu não amo? Você acha que nós merecemos isso? – Questiono. – Você merece alguém que te ame Tinker, que se dê por inteiro. Você merece alguém que quando olhe para você, mesmo conhecendo todos os seus medos, todos os seus receios, todos os seus erros, suas imperfeições, suas complicações, não fuja. Alguém que veja o caos que você é e em vez de te dar as costas, fique e te estenda a mão.
— Regina é essa pessoa para você? – Afirmo com a cabeça.
— Sim, ela é. Sem nenhum tipo de dúvidas, ela é. – Balança a cabeça concordando, enquanto mantém os olhos nos meus. Não faço ideia do que está pensando. Talvez algo que envolva me derrubar daqui, ou coisas do tipo.
— Essa história não pode terminar bem, Emma. – Pela primeira vez desde que soube do acontecido, abriu a boca para falar outra coisa que não envolve culpar Regina. Temos um pequeno avanço, certo? – Cora não deixará que termine. Pelo amor de Deus! – Agora parece um pouco preocupada. — Você é uma mulher, você não tem dinheiro, você se prostituía. – Mudam as mulheres, mas não mudam os discursos. — Daniel era menos complicado e veja o que aconteceu com ele. – Tenho vontade de rolar os olhos eternamente sempre que ouço o nome desse infeliz.
— Eu não tenho medo. – Já perdi as contas de quantas vezes já disse isso. – Eu preciso que vocês também não tenham. – Peço. – Cora quem deveria temer. Ela quem é a errada. Ela quem deve a justiça. – Nessas alturas da história, ainda preciso expor o óbvio. — Você está odiando sua amiga? Okay. Mas pelo amor de Deus, unam-se por um bem comum. Você amava esse cara, não amava? Talvez ainda ame, por isso nunca perdoou Regina. – Opino. — Ajude a prender essa mulher, assim você estará também vingando a morte dele. Não, vingando não é a palavra. Você estará fazendo justiça. – Suspira. De novo balança a cabeça negativamente. Ensaia algumas coisas para falar, desiste, volta a suspirar.
— O que você precisa que eu faça? – A pergunta um tanto inesperada, feita pela pessoa magoada e ressentida que aparentemente se tornou, me faz sorrir.
— Que invertamos os papéis. Que você finja ser minha namorada. Que façamos de conta que não terminamos. Que por você ter todo o dinheiro que tem, resolveu que eu preciso de um segurança. – Rolo os olhos ao falar a palavra segurança. – Que pensando no futuro de Janis, nós conversamos e decidimos que seria melhor, eu me mudar para Nova York, onde as oportunidades são mais amplas, onde existem escolas melhores, onde tudo acontece, etc. – Não sei porque, volta a balançar a cabeça em negativo.
— Você quer se mudar para a cidade de Cora Mills? Você não faz ideia de onde está se metendo, faz? – Ah não, só pode ser combinado, não existe outra explicação. Elas falam exatamente as mesmas coisas, quando o assunto é essa mulher.
— Sim, eu faço e assumo todos os riscos. – Me olha como se eu fosse louca, mas decide não insistir.
— Sem sexo? – Questiona de sobrancelha arqueada ao mudar de assunto.
— Sem sexo. – Falo prontamente.
— Porque agora você é mulher de uma mulher só. – Debocha.
— Sim, eu sou.
— E eu não ganho nada em troca?
— Além de vingar o mito Daniel? – Indago. – Você vai libertar Regina. E se você não se importa mais com ela, então pense em Zelena, que você também vai libertar. Consequentemente, vai ajudá-la a se livrar do alcoolismo. – Se Tinker não achar uma boa causa, então talvez deva se mudar para o time de Cora.
— Okay, eu gosto de Zelena, mesmo sendo ela irmã de Regina. – Concordo com a cabeça. – Quando eu for a Nova York, para fingir nosso namoro falso, você vai sair comigo. Restaurantes, algumas festas, alguns eventos. – O jeito como fala tais coisas, deixa claro que não está sugerindo, está exigindo. – Sempre de mãos dadas, sempre rindo, trocando carinhos. Uns beijinhos as vezes. – Respiro fundo e mentalmente canto um mantra para me acalmar e aceitar as condições dela. Sei que Regina vai gritar muito comigo se eu não fazer isso. Sei que vai ficar de bico. Vai me ignorar. Vai surtar. Vai perder noites de sono.
— Esses beijinhos nada mais serão do que realmente beijinhos, ou seja, selinhos, nada além. – Faço a minha exigência.
— Nada além. – Concorda. – A não ser que você queira. – Me esforço para não rolar os olhos e nem ser grossa.
— Não quero magoa-la, mas isso não vai acontecer. – Não me responde nada, apenas me sorri e o jeito como faz isso, me perturba. Sabe quando você tem certeza absoluta que não deve fazer certas coisas? Eu tenho essa certeza absoluta que não deveríamos continuar esse namoro falso.
— Temos um acordo. – Estende a mão para mim. Hesito por alguns segundos, enquanto meus olhos ficam parados em sua mão estendida. Não tenho muitas saídas, certo? Se Zelena e Regina dizem que esse é o melhor caminho, então que assim seja. Suspiro e aperto sua mão.
— Temos um acordo. – Tento lhe sorrir também. – Nunca mais bata na cara dela. – Exijo.
— Se ela não se apaixonar pelos sete gatos que pretendo ter... – Me dá de ombros. Desfaço o nosso aperto de mão e me ponho de pé.
— Ela não vai. Vou ficar de olho. – Dou minha palavra.
— Faça isso. – No momento, nem parece a Tinker magoada, ressentida que estava aqui alguns minutos atrás. – Bom, eu preciso ir. – Avisa. – Falei com Zelena ainda a pouco e ela me disse que estarão voltando para Nova York no começo da noite. Já que vamos tentar enganar a Bruxa, melhor eu embarcar nesse avião, e ir até lá, cumprir com meu papel de boa namorada, preocupada com sua mudança e seu novo trabalho. – Balanço a cabeça e lhe sorrio.
— Obrigada por isso, Tinker. De verdade. – Me sorri de volta, me abraça e beija meu rosto.
— Tchau, mulher sem juízo. Conversamos quando eu voltar de Nova York. – Não lhe retribuo o abraço nem o beijo, jogo as mãos para os bolsos traseiros da calça e concordo com a cabeça.
— Boa viagem! – Desejo.
— Cuide-se. E não precisa me acompanhar até a porta, eu sei o caminho. – Volta a beijar meu rosto e sem dizer mais nada, se vai.
Balanço a cabeça negativamente, enquanto continuo pensando que essa não é uma boa ideia. Tinker vai me usar para provocar Regina, tenho certeza que vai. E em meio ao inferno que aparentemente eu vou encontrar em Nova York, tenho certeza que existirão brigas e bate-bocas sobre o assunto.
Bom, agora está feito, e embora futuramente provavelmente Regina conclua que esse namoro falso, não foi uma boa ideia, sei que no presente momento, vai ficar feliz com isso.
Caminho até o quarto, para lhe pôr a par da conversa e consequentemente, lhe contar a novidade. Ao chegar no mesmo, encontro com Killian, sentando ao lado da minha namoradinha, os dois bastante sérios. Não sérios do tipo que estavam brigando ou se odiando, sérios do tipo: aconteceu alguma coisa.
Meu coração acelera ao concluir isso e tudo fica um pouco pior, quando os dois olham para mim com cara de quem sente muito ou coisa do tipo.
— O que aconteceu? – Questiono. – Foi com Janis? – Instantaneamente minha filha para em minha cabeça e eu sinto minhas pernas fraquejarem.
— Janis está bem, na escola. – Killian responde rapidamente e traz alívio ao meu peito.
— Zelena, cadê Zelena? – Questiono com Regina.
— Zelena está bem, Srta. Swan. Foi resolver um problema. – Me conta.
— Que problema? Sua mãe descobriu alguma coisa? – Nega com a cabeça, afasta-se um pouco de Killian e bate com a mão sobre o espaço que abriu entre eles, me convidando para sentar. Nervosa e com as pernas um pouco tremulas, vou até eles e me sento.
— Zelena está no hospital... – Regina começa, mas parece não encontrar palavras para continuar. – Eu não sei não ser direta, então eu vou apenas falar, Okay?
— Por favor, faça isso. – Peço.
— Sua mãe caiu das escadas, quebrou duas costelas e está com um olho bastante machucado. – Meu coração que já batia apressado, agora bate alucinado. Sinto ele bater na minha boca. Sinto meu estômago embrulhar, sinto o ar faltar.
Regina continua falando, eu sei que continua, mas eu não consigo ouvir. Estou impactada, atordoada com a notícia. Claro que não foi isso, não foi de jeito algum isso. Foi ele, foi aquele infeliz, aquele ser escroto que um dia eu chamei de pai, com certeza foi ele.
Anna, penso em Anna, quero perguntar por ela, mas não consigo achar minha voz para fazer tal coisa. Preciso ir até o hospital, preciso saber da minha mãe, e principalmente, preciso saber da minha irmã.
Preciso saber o que aconteceu, preciso saber se foi por minha culpa que ela apanhou, preciso saber se ela tinha falado a ele que viria embora. Preciso pedir de novo para que ela o deixe, para que não volte para casa, para que acima de qualquer pessoa, ela escolha a ela mesma.
Não posso deixar que ela morra, não posso. Mesmo ainda chateada, mesmo ainda magoada, mesmo ainda não tendo a perdoado, eu não desejo seu mal. Ela é minha mãe, mesmo quando não teve coragem para ser, continuou sendo. Quero que ela viva, que cuide da minha irmã, que um dia me aceite do jeito que eu sou, e que um dia quem sabe, seja minha mãe de verdade.
Eu preciso ir, me ponho de pé para ir, e caminho para fazer isso, porém, antes que eu consiga atravessar a sala, Regina me impede, para em minha frente, me segura pelos ombros e os chacoalha.
Continua falando comigo, mas eu continuo sem ouvir, também continuo tentando ir. É então que mais uma vez, em um curto período de tempo nessa história, mais um tapa na cara acontece. Ela me acerta, e ao fazer isso, me tira do transe em que eu me encontrava e me traz de volta a realidade.
— Eu preciso ir até lá. – Falo para ela, que continua me segurando pelos ombros.
— Você precisa respirar. – É o que me diz. – Respire, fundo. – Monstra como eu tenho que fazer é o que eu faço. – De novo. – Pede. E de novo eu faço. – Mais uma vez. – Incentiva e eu repito.
— Eu preciso ir até lá. – Insisto.
— Eu preciso que você confie em mim. – Sua voz sai firme, determinada. Seus olhos um tanto assustados, estão parados nos meus. – Você pode confiar em mim, por favor? – Me pede.
— Eu confio, mas eu preciso... – Aponto para a porta por onde quero sair. – Ela não pode voltar para casa, ele vai... – Balança a cabeça concordando.
— Ela não vai voltar para casa, lhe dou minha palavra que não. – Não está simplesmente falando, está prometendo. – Nós vamos resolver, já estamos resolvendo, mas para isso, eu preciso que você confie em mim, Okay? – Concordo com a cabeça.
— Okay.
— Okay. – Ela solta os meus ombros. – Eu vou até seu quarto agora, vou abrir seu guarda-roupas e vou pegar algo menos despojado emprestado. – Avisa. – Então eu vou sair, vou encontrar Zelena, e nós vamos resolver. – Continua. – Você vai ficar aqui com seu burro falante... – Aponta para Killian. – Você não vai de jeito algum sair daqui para ir até o hospital, muito menos para ir atrás do seu pai. Você vai nos deixar resolver, de um jeito legal, onde ninguém mais vai se machucar com isso, Okay? – Não sei se consigo prometer tal coisa. Não sei se consigo cruzar os braços e ficar aqui, simplesmente esperando que a justiça seja feita. – Eu preciso que você me prometa isso, Emma. Eu não vou conseguir resolver, se enquanto eu estiver lá, minha cabeça estiver em você. – Com um outro balançar de cabeça, concordo.
— Okay.
— Quando você me ver entrando por aquela porta de novo, junto comigo estarão a sua mãe e a sua irmã, é uma promessa que estou lhe fazendo. Eu nunca, nunca quebrei uma promessa e essa não vai ser a primeira. – Dá a sua palavra. A sinceridade como fala, como me olha, é algo inquestionável. – Para isso eu só preciso que você espere aqui. – Pede de novo.
— Eu vou esperar, prometo. – Mesmo tendo vontade de ir atrás do infeliz, por agora eu não vou fazer. Mesmo contra minha vontade, vou fazer o que me pediu. Vou ficar aqui e esperar. Eu confio nela, confio no que me diz, confio no que seus olhos me falam, simplesmente confio.
É engraçado, não é? Depois de todos esses anos, é Regina Mills, mulher que há poucos meses entrou na minha vida, é quem vai trazer minha mãe para casa. A vida é engraçada, ela nunca é o que esperamos que seja, as vezes isso me fascina, outras vezes me assusta. Regina faz parte do que fascina, do que surpreende de um jeito bom, do que chega sem avisar e que você torce para que permaneça, para que nunca se vá, para que torne-se eterna.
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