Right Here Waiting For You

33 Can't Take my Eyes off You


Notas iniciais
Oiiee, gente linda!!! Como vocês estão? Cá estou eu, como mais um capítulo saindo do forno. Praticamente uma padaria, né não? Hã... Para variar um pouco, quero agradecer a todo mundo que passou por aqui e deixou review. Quem favoritou, quem indicou. Pessoal do Twitter. Obrigada pelo carinho, pelas palavras, pelos incentivos, pelas MPs. Enfim, obrigada por dedicarem um pouco do tempo de vocês os capítulos desse mundo paralelo. De verdade, obrigada de coração! Sobre esse capítulo, ele ficaria enorme, provavelmente o maior até aqui. Só que, além de ultrapassar 19k de palavras, demoraria mais alguns dias para ficar pronto. Então, como esse dá para dividir sem nenhum problema, eu fiz isso. Consequentemente, em vez de esperar mais alguns dias, vamos ter ele hoje (ah sério?). Quem está com a diabete alta, toma um remedinho antes de ler. Emma está de volta, junto ela trouxe todo o romantismo, e as coisas bregas que Reginão tanto fala mal. Acho que é isso. Esse capítulo tá bem leve, bem colher de chá, sem nenhum foco de incêndio.

Saudade. Eu poderia dissertar sobre essa palavra. Poderia citar frases, poemas e outros tipos de sentimentalidades bregas que foram ditas, escritas, esculpidas referindo-se a isso. Saudade pode ser tantas coisas, não pode? É uma palavra tão complexa, algo que vai muito além do que já foi e é falado e escrito por todos os poetas, filósofos, pensadores e afins. Acho que só conhece realmente o significado, quem a sente, sente muito, sente tanto que até dói. Em todos esses vários anos da minha vida, não lembro de ter sido tão espancada, tão machucada, por essa palavra, como fui nos últimos quarenta e dois dias.

Doeu, machucou, apertou, incomodou. Trouxe mau-humor, me fez chorar, me fez ter ansiedade, me fez ter insônia, me fez sonhar dormindo e acordada com um reencontro. Eu senti tanto a falta daquele ser mal-humorado, irritado e ranzinza, vulgo amor da minha vida, que muitos também conhecem pelo nome de Regina Mills.

Senti falta do cheiro, da voz preenchendo meus ouvidos, dos olhos presos aos meus, dos toques, dos beijos e abraços. Dos carinhos trocados, do seu corpo sobre o meu, da respiração pesada incitada pelos momentos que somos apenas desejo, e da respiração que vai se tornando tranquila quando tudo chega ao fim, e ela se aninha em meu peito para dormir. Do aconchego dos seus braços, seus abraços. Do som tranquilo e reconfortante do seu coração. Da paz que só ela me traz. Dos seus dedos alisando meus cabelos, minhas costas, meus ombros, os braços. Da mulher que tornou-se minha casa, que mesmo sem saber e sem querer, me fez entender o real significado de casa. Dela, e de quem eu sou quando estou com ela.

Esses dias longe dela se arrastaram, tiveram muito mais do que apenas 24 horas, foram responsáveis pelo mais rigoroso inverno, que já existiu dentro de mim. Posso apostar que passou pelo menos um ano, dentro desses quarenta e dois dias.

Sim, nós nos falamos em todos eles. Virtualmente, nós nos vimos em todos eles. Ela passou todas as suas noites com Janis e todas as suas madrugadas comigo. Horas a fio. Nunca me desejou boa noite antes das 3:00hrs da madrugada em Nova York. Infelizmente para mim, meia noite em Las Vegas. Algumas noites chegou a dormir, enquanto me ouvia falar e falar. Eu como a completa patética apaixonada que me tornei, ao invés de encerrar a vídeo chamada quando tal coisa acontecia, ficava a assistindo dormir. Muitas vezes foi desse jeito que dormi, a assistindo fazer o mesmo.

Alguns dias eu cheguei a fazer uma mala, e dirigir em direção ao aeroporto. Porém nunca cheguei até lá. No meio do trajeto, eu era atingida pela realidade, o que me fazia lembrar que não podia. Lembrava de Cora, lembrava do quão complicada é a vida de Regina Mills, lembrava de tudo que ela não pode, e muitas vezes em prantos, retornava.

Ela nunca soube sobre isso, e nem nunca vai saber. Sei que ficaria chateada, não comigo, mas com ela mesma. Sei que nenhum desses não poderes é por culpa dela, sei que ela está lutando para que num futuro, nós possamos nos permitir. Assim como sempre soube da vida complicada dessa mulher, e aceitei e quis me envolver mesmo assim. Então não, não seria justo reclamar com ela por causa disso. Não seria justo pôr mais essa preocupação naquela mente já tão atormentada por tantas coisas.

Dentre esses muitos dias, além de saudade, eu também senti ciúmes e inseguranças.

Okay, Robin é gay, eu sei, qualquer um que pare para prestar atenção nele também sabe. É visível, muito visível, até um cego pode ver. O fato é que mesmo assim, eu senti ciúmes. Ciúmes das vezes que ela saiu para almoçar com ele. Ciúmes das vezes que ela saiu para jantar com ele. Das vezes que ele foi dormir na casa dela, mesmo que cada um no seu devido quarto. Ciúmes do dia em que eles foram ao cinema, mesmo que Zelena tenha ido junto. Ciúmes de um ou dois eventos em prol de alguma coisa, que os dois foram juntos. Ciúmes de algumas fotos dos dois juntos, de mãos dadas, que eu vi na rede social daquele viado idiota. Por último, mas não menos importante, ciúmes do plano de Zelena, em que Regina faz de conta estar apaixonada, e que apesar de ser um bom plano, me fez ficar de bico, reclamar, e começar uma discussão desnecessária. Discussão essa, que me levou a insegurança.

Quem sou eu, no mundo em que ela vive? Exatamente, ninguém. Eu não tenho nada, nada. Todo o dinheiro que eu tenho guardado, ela deve ganhar em no máximo uma hora. No mundo de Regina Mills, eu sou pobre, miserável. Um zero à esquerda. Alguém que se não fosse por obra do destino, ela jamais, jamais teria conhecido. Nossas vidas nunca teriam se cruzado, colidido. Elas são diferentes demais. Diferentes em níveis estratosféricos.

Devido ao fato de não ter nada, eu não posso leva-la para almoçar ou jantar em nenhum restaurante bacana, desses que você precisa reservar com dias de antecedência. Também não posso dar-lhe nenhum presente caro. Nenhum tipo de roupa que eu sei que Robin dá a ela, por exemplo. Não posso dar a ela viagens caras, hospedagens caras, programas caros. Nada. A minha companhia idiota é tudo que no momento eu tenho a oferecer.

E tudo bem, como já disse, eu sei que Robin é gay. Sei que ela não está nem aí para o relacionamento deles, para existência dele. Sei que eles não transam, não beijam, não nada. Sei também que ela não precisa que eu lhe dê nada, porque como gosta de sempre deixar claro, ela tem dinheiro e o que quer que venha a querer, pode ter, sem se preocupar com preços. Porém por esses dias eu tenho pensado: Agora que eu não sou mais uma novidade, que não tenho mais nada de novo para mostrar-lhe. Agora que ela sabe como é estar com outra mulher... e se a Srta. Mills conhecer outra que condiz com a realidade dela? Outra que nunca foi pobre? Outra que não tem um sotaque que ela diz ser brega? Outra que goste de falar sobre negócios, compras e vendas de hotéis? Outra também pertencente a alta sociedade norte americana? Outra que nunca foi prostituta, então nunca virá a envergonha-la?

É por isso que eu detestei, abominei todos esses dias que passamos separadas. Eu me tornei essa coisa burra, insegura, ciumenta. Praticamente uma sapatão adolescente. Regina sempre soube da minha realidade. Acho até que um pouco dos sentimentos que tem por mim, é por isso, por eu ser de um mundo completamente diferente do seu. Sei que ela não se importa com isso de eu não ter dinheiro, nem com minha falta de etiqueta. Sei que para ela não é um problema. Acredito também, que ela não dê muita importância para o fato da profissão que tive até pouco tempo, como acredito que se tal coisa um dia vir à tona, vai incomoda-la, nem que seja um pouquinho.

Sei que ela sempre foi muito sincera e honesta comigo. Eu nunca lhe cobrei nada, não por não querer, mas por não ter esse direito. Mesmo assim, todas essas saídas com Robin, ela sempre me falou sobre, antes mesmo de acontecer. O plano de Zelena que ela está tentando pôr em prática, me contou no mesmo dia em que ele nasceu. É como se eu fosse a noiva, e Robin o amante. Ou seja, não existe motivo para as coisas que sinto, não em respeito a ele, mas mesmo assim, a distância me fez senti-las.

Enfim, eu contei os dias, as horas, os minutos, os segundos para o dia de hoje, e mesmo que se arrastando, ele finalmente chegou. E agora que chegou, eu estou uma pilha de nervos, com dor de barriga, vontade de vomitar e de sair correndo. Estou aterrorizada. Comecei a ficar desse jeito no minuto que avistei Zelena nos esperando no saguão do aeroporto. Ficou pior quando chegamos na mansão que ela chama carinhosamente de apartamento, lugar onde vou me hospedar por uns dias, até acertar algumas coisas do lugar onde vou morar. Lá tomamos café, deixamos Janis, junto com Killian, que ficará comigo uma semana ou duas, até eu me acertar, e então junto com Tinker, seguimos o Empire State.

Agora aqui estou, dentro do elevador, as pernas tão tremulas que tenho medo que não consigam me manter de pé. As mãos igualmente tremulas. O coração a mil, quase escapulindo pela boca. Passando mal, muito mal, desejando abrir a porta dessa caixa de metal e correr até um lugar onde possa vomitar e respirar. Estou alheia ao tagarela de Zelena e Tinker, mesmo achando que elas estão tentando uma comunicação comigo.

Sabe quando você sente-se pouco à vontade? Desconfortável? Em um lugar onde você sabe que não pertence e que de certa forma não quer mesmo pertencer? É assim que me sinto.

“O que eu estou fazendo aqui?” A pergunta ecoa na minha cabeça.

Eu não sei trabalhar em um escritório. Eu nunca fui secretária de alguém. Eu não tenho roupas para trabalhar nesse lugar. Provavelmente eu não tenho nem modos para trabalhar nesse lugar. Meu vocabulário é chulo, cheio de gírias, cheio de erros. Provavelmente nem os verbos eu conjugo certo. Fora que vão falar de mim, me julgar, e em outras circunstâncias, eu não ligaria para isso, mas no momento, eu ligo, já que estou a milhas e milhas distante de casa, sem nenhum amigo, sem nenhum conhecido, sem um lugar para chamar de meu, sem nada.

Okay, eu tenho Regina, tenho Zelena, mas elas não me entenderiam, do mesmo jeito que eu não compreendo elas em muitas coisas. Enfim, o fato é que vão falar que ganhei esse cargo, única e exclusivamente, porque sou “namorada” de Tinker, e é exatamente isso. Não, na verdade é um pouco pior, porque meu envolvimento é com Regina Mills, a CEO dessa empresa bilionária. Eu ganhei esse cargo, porque sou amante dela, e não por algum tipo de merecimento.

Algumas vezes quando pensei sobre, tive um pouco de nojo de mim, me senti um pouco na minha antiga profissão, prostituta. Sei que Regina de jeito algum fez por mal, na verdade, ela fez porque eu não lhe dei outra saída, mas o fato é que me sinto quase isso. Ela meio que me arrumou um emprego de fachada e vai me pagar por ele, tudo porque estamos nos envolvendo.

— Emma?! – Tinker chacoalha meus ombros. Está parada em minha frente, tentando chamar minha atenção.

— Perdão? – Lhe lanço um olhar perdido, confuso e nervoso. Sabe quando alguém te olha com compaixão? É desse jeito que me olha agora. Se olhos pudessem falar, no momento os dela me falariam algo como: eu tentei avisar você, menina desajuizada, agora não tem mais jeito.

— Chegamos. – Me avisa. Como não me mexo, ela é a responsável por me puxar pela mão e me rebocar para fora do elevador.

Mills B. Hotéis e Resorts. Meus olhos param nesse letreiro, acima da porta de entrada do lugar. A porta de vidro fumê, não me deixa ver o que tem lá dentro, mas serve para me deixar mais intimidada do que eu já estava me sentindo. Tal coisa me faz parar, estagnar. Minhas pernas se recusam a seguir em frente.

— O que está acontecendo, Swan, Emma Swan? – Zelena quem me questiona.

— Eu... eu... eu não posso. – Balbucio. – Eu não consigo. – Estou aterrorizada, como nunca estive na vida.

— Claro que consegue. – Me incentiva. – É só um lugar, como outro qualquer. – Continua. – É como o escritório de Bellagio, só que com mais pessoas. – Agora está parada em minha frente, me analisando, enquanto tenta me convencer. – Respira, Emma! – Me pede. – Respira fundo, você precisa fazer isso. – Balanço a cabeça concordando e faço o que me foi sugerido.

— Ela está pálida, tenho medo que venha a desmaiar. – Tinker me olha com preocupação. – Vamos entrar, você senta no sofá da recepção, toma uma água, e quando se sentir bem, nós prosseguimos. – Sugere, eu nego.

— Eu não quero entrar. – Sei que no momento, estou parecendo uma criança. Aquelas chatas, que no primeiro dia de aula, batem pé e se negam a entrar, mas é mais forte do que eu.

— Regina está lá dentro. – Zelena sussurra tal coisa, com certeza, para me convencer a prosseguir, mal sabe ela que ao ouvir tal coisa, minha vontade de recuar aumenta.

— Regina Mills, está lá dentro. – Também sussurro, a corrigindo. – A mulher que no máximo vai me tolerar, e nós sabemos disso. – Continuo. Ganho olhar de reprovação das duas. Estão me julgando e nem fazem questão de disfarçar.

— Okay... – Zelena solta com o ar. – Então vamos tomar um ar, você tenta se acalmar e depois nós entramos, pode ser? – Balanço a cabeça concordando.

— Escadas? – Tinker questiona com a amiga, que afirma com um aceno de cabeça. Cada uma gruda em um braço meu, e me rebocam daqui. Me levam até a porta oposta ao elevador, minha falsa namorada a abre e nós entramos, na verdade, saímos.

Ao contrário de minutos atrás, elas não tagarelam mais, me acompanham no silêncio. Provavelmente estão pensando sobre a mesma coisa: o pequeno surto de medo que acabei de ter. O que com certeza as leva a pensar que eu não vou conseguir enfrentar tudo o que virá pela frente. Gostaria de abrir a boca e dizer que não é isso, porque realmente não é. Porém no momento, dou preferência ao silêncio, para que eu possa me concentrar e me recuperar.

Enquanto descemos, me concentro em respirar fundo. Realmente estou me sentindo mal. Me sinto tonta, fraca e a vontade de vomitar, ela está cada vez pior. Eu deveria ter comido, já faz mais de doze horas, desde a última vez que coloquei algo no estômago, o problema é quando fico nervosa, ou muito ansiosa, perco o apetite, e caso tente me alimentar mesmo assim, acabo pondo tudo para fora. No momento, tudo que tenho para vomitar são algumas xícaras de café e copos d’água.

Não faço ideia de quantos andares depois, nós paramos, elas me ajudam a sentar e de novo voltam a tagarelar, dessa vez sobre a minha pessoa. Fecho os olhos, ergo a cabeça e continuo firme nas respirações profundas.

Ao sentir mãos apertando meus joelhos, abro os olhos e encontro Zelena, um degrau abaixo do que eu estou sentada, agachada entre minhas pernas, me observando. Me sorri amigavelmente, do mesmo jeito como me olha.

— Você tem medo de mim? – Me questiona.

— Não, eu não tenho medo de você.

— Você tem medo de Regina Mills, mesmo que ela venha a ser indiferente porque precisa e não porque quer? – Agora nego com a cabeça.

— Não é isso... eu só... – Volto a balançar a cabeça, sei que é bobagem, insegurança minha, então melhor ficar quieta.

— Nós somos amigas, não somos? – Afirmo. – Eu já enchi tanto a sua paciência por causa de sexo. Até algumas magoas da vida eu já chorei com você. Por que você não quer me falar do que você tem medo? – O jeito como fala comigo, como presta atenção em mim, começa a me trazer vontade de chorar.

— Eu não sei... – Solto com o ar. – Eu me sinto intimidada. Me sinto perdida. Me sinto acuada. Eu não pertenço a esse lugar. A essa classe social. – Desabafo, a voz falha e um tanto embargada. Enquanto ela me analisa em silêncio, aproveito para me livrar de qualquer princípio de lágrimas e vontade de chorar. Tudo que eu menos preciso no momento, é ser premiada com uma crise de choro.

— Talvez não pareça, mas eu entendo o que você está sentindo. Já estive em lugares que me fizeram sentir intimidada, perdida, acuada. Que me fizeram sentir isso, de não pertencer. – Começa. – Sobre a classe social, você acha que todos que trabalham aqui, são milionários? Ricos? – Indaga. – Eu não quero parecer esnobe, mas os únicos milionários aqui, são os donos. Os funcionários são pessoas assalariadas, que as vezes ficam reclamando aumentos, e quando eu sei que não merecem, fico bastante irritada. – Tenta me acalmar. – Todo lugar novo, todo lugar onde não conhecemos ninguém, onde não temos ninguém, nos intimida, nos faz travar, faz querer recuar. Não é exatamente porque você não pertence, é porque é novo, é desconhecido. O desconhecido sempre traz com ele o medo. – Me sorri. – Eu sei que você sabe sobre isso. Você é uma pessoa bastante evoluída para a idade que tem.

— Eu não mereço esse emprego, Zelena. Eu não fiz nada para merece-lo. Quantas pessoas estão aqui há anos, esperando por uma oportunidade assim? – Reclamo com ela, com se de repente, fosse ela a culpada e não eu.

— Talvez eu não mereça ser milionária, mas eu sou. Eu não fiz nada para ser, foi meu pai quem fez. Eu só herdei. – Dá de ombros. – Você está ganhando uma oportunidade. E não, você não está ganhando por um mérito seu, eu sei, você sabe, nós sabemos. O que não significa que você não possa vir a merecer. – Fala pacientemente. – Agarre essa oportunidade, mereça ela. Não se contente só em ser a minha secretária, não enxergue como um emprego “forjado”. Mesmo que você ache que aqui não é o seu lugar, mesmo que as coisas futuramente por uma infelicidade não venham a dar certo, conquiste seu lugar. E se um dia você tiver ou quiser ir, tenho certeza que as portas de qualquer outro lugar, estarão abertas para você. – Faz um discurso motivacional, tentando me incentivar. Sei que está certa, assim como sei que está sendo minha amiga. Gostaria de agradece-la e concordar com tudo que me foi dito, mas no momento, não estou sendo eu. Não consigo falar, talvez nem queira isso. Só queria um lugar onde pudesse me esconder e ficar por tempo indeterminado.

— Eu não poderia ter usado melhores palavras. – É o que Tinker diz. – Emma, eu adoraria leva-la de volta para Las Vegas, junto comigo, mas infelizmente a opção de desistência não existe mais. – Me fala. – Cora não é burra. Claro que ela ficaria feliz com a sua desistência, o que não significa que deixaria passar. As coisas agora vão muito além do seu relacionamento com Regina. Muito além de classes sociais. Muito além de merecer, ou não merecer. – Continua. – Tudo isso que você está sentindo, eu entendo. Porém, você está um pouco atrasada, o tempo de pensar sobre, já se foi. Agora tudo que você pode fazer, é seguir pelo caminho que escolheu. – Eu sei sobre isso. E sendo repetitiva, a verdade é que mesmo estando aqui, empacada, com medo, pensando que não sou desse mundo, continuo querendo continuar. Não quero e não vou desistir, o que não significa que não posso sentir medo, pavor, vontade de sair correndo, certo? – Mandei mensagens para Regina, pedi que ela viesse. É nessa parte que eu desço alguns degraus e espero lá. Não preciso e não quero ver esse reencontro. – Avisa. – Quando você estiver pronta, me avise, para que possamos fazer nossa entrada triunfal. – Dobra os joelhos, arqueia o corpo para frente e beija minha testa. Depois de tal coisa, recompõe a postura, toca os ombros de Zelena e se retira.

— Eu deveria estar me odiando por fazer isso com Tinker. – Murmuro com Zelena. – Mas no momento meu corpo, minha mente e minha alma, acabam de ser atingidos por essa novidade. Regina está vindo, e ela deve estar furiosa, do tipo: querendo meu cu, por eu estar tendo essa atitude bastante infantil. – Meu desabafo a faz rir.

— Em qualquer outra ocasião, você com certeza deveria proteger bem seu cu, porque ela viria com tudo. Mas nessa, meu amor, Regina não vai fazer nada de mal contra seu cu, ou contra qualquer outra parte sua. Ela está insuportavelmente chata, irritante, insuportável, tudo isso por motivos de saudades. Então é melhor você esperar por abraços. – Meu coração bate mais apressado ao ouvir tal coisa. Eu consigo até esboçar um sorriso. Agora meu nervosismo muda de motivo. Regina, está vindo. Eu esperei muitos dias por isso, incontáveis dias por isso. Por esse reencontro. Para me jogar nos braços dela e matar um pouco da minha saudade.

Okay, não vai ser como eu gostaria que fosse, não vai ser do jeito que estou precisando para voltar a ser eu, mas também não vai ser na frente de todo mundo. Vou ser recebida pela mulher que eu amo e que me ama de volta, e não pela executiva linha dura, que precisa me tratar como se eu fosse completamente insignificante. Vamos ter um minuto ou dois de privacidade. Saber que está vindo me alegra, além de me deixar apreensiva e como eu já disse, nervosa.

— Quanto de saudade? – Questiono com minha cunhada, que me rola os olhos.

— Numa escala de zero a cem, mil. – Sua resposta faz meu sorriso crescer. – Olá, Swan, Emma Swan, é um prazer lhe ver novamente. Já estava ficando assustada, achando que você tinha sido abduzida. – Debocha de mim.

— Eu só preciso mesmo vê-la, sabe? – Agora faz que vai vomitar.

— Patéticas. – Fala com voz de nojo. – Me lembre de nunca me apaixonar na minha vida. – Me pede.

— Você é apaixonada pelo segurança. – Rebato.

— De jeito algum. – Responde. – Eu sou apaixonada pelo sexo que ele proporciona, fato. Pela pessoa, não mesmo. Não existe sentimentalidades. Não existe suspiros. Não existe olhos apaixonados. Não existe loucuras. Nada. – Poderia dizer que está mentindo, que está querendo me enganar, ou se enganar, mas vejo que realmente não está. Acontece exatamente o que ela diz que acontece.

Penso até em falar sobre, perguntar se nunca se apaixonou, tentar de alguma forma me distrair, mas ouço barulho de saltos descendo as escadas e mesmo sem saber, sei que é ela. E esse saber, faz minhas borboletas alvoraçarem, faz meu coração batucar mais alto do que já estava batucando, faz meu corpo voltar a tremer.

Sem saber exatamente o que fazer, eu faço com que Zelena saia do lugar onde se encontra e me ponho de pé. Entrego a ela minha bolsa e o casaco quente que estava usando até então.

— Então, como eu estou? – Questiono enquanto olho para mim, checando minha roupa nova e bastante cara. Roupa essa que foi um presente de Tinker, para que eu usasse no dia de hoje.

— Nervosa. – Não faz nem questão de disfarçar que está rindo da minha cara.

— Nunca pensei que fosse dizer isso, mas: eu odeio seu senso de humor. – Reclamo e a faço rir mais.

— Está linda, Swan, Emma Swan! – É o que fala. — Também, com esse corpo lindo, maravilhoso, bem cuidado e malhado, não é difícil ficar maravilhosa. – Agora acho que está pensando alto. — Gostei do macacão pantacourt, ficou perfeito em você. Gostei do coque alto, da maquiagem leve. Até isso que você chama de unhas você pintou. Está de parabéns. – Me elogia. – A única coisa que eu não gostei, mas vou deixar passar porque é seu primeiro dia, é esse par de vans. – Aponta para meus tênis pretos, que combinam com a cor da minha roupa e das minhas unhas. – Vou providenciar saltos, muitos saltos para você. – Tenho vontade de rolar os olhos ao ouvir sobre, mas sei que a situação exige, então melhor concordar sem reclamar.

— Eu posso comprar. – É a resposta que lhe dou.

Me concentro nas escadas e no barulho que se torna cada vez mais audível, enquanto jogo as mãos para dentro dos bolsos do macacão e espero. A cada degrau que a ouço descer, meu coração bate mais e mais apressado. As borboletas tentam romper meu estômago, a ansiedade aumenta e me deixa momentaneamente com falta de ar. Um cachorro impaciente que fica pulando e latindo quando ouve o dono chegar em casa, é assim que me sinto. Mas como tenho bons modos, consigo conter a vontade de pular e latir.

Por fim, ela faz-se visível aos meus olhos, que emocionados ao finalmente revê-la, enchem-se de lágrimas. É aqui que a saudade me devolve a ela, me devolve a nós. É nesse momento que o virtual volta a se tornar real, palpável. Que a distância se extingue. Que incertezas e inseguranças, dão lugar a todas as certezas e seguranças.

Meus olhos sentem o impacto, meu corpo sente o impacto, minha alma sente o impacto, todo o meu eu, sente o impacto. Meu Deus! Como ela é linda. Em momentos assim, me pergunto se ela existe mesmo, se é mesmo real, ou se é fruto da minha imaginação? Como alguém assim, com essa beleza tão estonteante, com esse ar tão evoluído, com esse portar tão único, pode ser mesmo de carne osso? Como pode andar entre reles mortais? Como eu posso ser assim tão sortuda?

O cheiro que tanto senti saudades, invade minhas narinas, entra pela minha corrente sanguínea, faz com que o ar que se tornou escasso desde que ela se foi, volte para os meus pulmões. É como se eu estivesse voltando a respirar, sem estar com todo o peso da falta que me fez, sobre mim.

Ela está maravilhosa, radiante, deslumbrante. Calça seus saltos altos. Veste uma de suas calças sociais pretas. Uma camisa branca por dentro da calça. Os três primeiros botões da mesma, desabotoados, quase expondo a lingerie que usa. O paletó preto, justo e desabotoado, completa seu traje de mulher executiva poderosa. Seus lábios estão pintados de batom vermelho. Os olhos marcados por um lápis preto. Os cabelos perfeitamente escovados. Perfeita, ela está perfeita. Na verdade, ela é perfeita. Tão perfeita que como eu já disse, nem gente ela deve ser.

Seus olhos que estão focados em mim, me olham do jeito como costumam me olhar, como se eu fosse sua presa, como se pudessem ver minha alma, como se pudessem saber sobre tudo que estou pensando. Está parada alguns degraus acima do que eu estou. Tem as mãos dentro dos bolsos da calça e um semblante bastante sério.

Não faço ideia se está brava, muito brava, ou espumando. Não sei se quer me matar agora, ou vai esperar para depois. E também não sei como faço para recuperar minha voz, para quem sabe, poder interagir com ela, implorar por misericórdia, pedir para que não desista de mim.

Estou tão nervosa, mais do que estava antes, quando empaquei na entrada do escritório. Eu esperei tanto por esse reencontro. Fantasiei, ensaiei tantas coisas. E agora estou aqui, parada, estagnada, sem conseguir dar um passo à frente. Sem conseguir me mover. Sem conseguir falar. Meu corpo está em choque. Assim como minha mente. Meu coração, coitado! Do jeito alucinado como está batendo, provavelmente não vai conseguir chegar ao final desse dia.

Ela arqueia uma sobrancelha, enquanto seus olhos continuam me queimando, analisando, estudando.

— Srta. Swan! – Ah sim, estava faltando isso. A sua voz, a voz que eu tanto amo, que tanto mexe comigo. Vê-la falando comigo, dirigindo-se a mim, ao vivo e a cores. Posso não conseguir andar, posso não conseguir falar, não conseguir me expressar, mas sorrir, sorrir eu consigo e é o que faço ao ouvi-la pronunciar meu sobrenome.

Reage ao meu sorriso, esboçando um quase inexistente sorriso, que torna-se um sorrisinho, depois um sorriso e então evolui para um sorriso largo, aberto, que me mostra todos os seus dentes brancos e perfeitamente alinhados.

Ela não está brava, agora eu sei que não. Muito pelo contrário, parece feliz em me ver.

— O gato comeu sua língua? – Me questiona. Como ainda não encontrei minha voz, apenas nego com a cabeça. Me balança a cabeça negativamente enquanto desce os degraus restantes, parando um acima do que estou. Meu corpo se antecipa a minha mente, meus braços envolvem sua cintura, a seguram com firmeza e a tiram do chão.

— Emma! – Reclama comigo enquanto ri e agarra-se a mim do jeito que pode.

O contato físico, meu Deus! Como eu senti falta disso! Como senti falta de senti-la, de toca-la, de tê-la entre meus braços. Como explicar os segundos que antecedem o toque? Como explicar o momento em que os olhos voltam a se ver? Como explicar todos os sentimentos que se apossam de você? Como explicar tanta felicidade? Como explicar tudo que um abraço pode dizer? Como explicar um reencontro?

Talvez seja vago, talvez seja repetitivo, mas é como chegar em casa, depois de passar dias e dias, vagando por aí. Eu cheguei. Eu estou em casa. Agora eu sei que sim.

— Eu senti tanto a sua falta, tanto, tanto! – É o que consigo lhe falar.

— Eu também senti a sua. – Tem felicidade, e um tanto de emoção em sua voz.

Para que possa voltar a olha-la nos olhos, a devolvo ao chão, agora no mesmo degrau em que estou. Me encosto na parede, e a puxo pela cintura, a trazendo junto comigo. Suas mãos vão até meu rosto, elas o afagam, enquanto Regina Mills me sorri bobamente, como se de repente, eu fosse a coisa mais maravilhosa desse mundo.

— Você está linda! – Me faz sorrir igualmente bobinha.

— Você quem está linda. Na verdade, você é linda. Até quando baba enquanto está dormindo. – Por um acaso, ela faz o que quase nem faz quando está comigo, me rola os olhos.

— Eu não babo, Srta. Swan! Pare de ser absurda. – Aperta meu rosto entre suas mãos.

— Então você é linda, até quando está de lingerie bege. – Agora ela junta as sobrancelhas, enquanto pensa a respeito.

— Você nunca me viu de lingerie bege. – Ahh!!! Como eu senti falta dessas nossas implicâncias.

— Não preciso ver, para ter a certeza que você fica linda. – Agora ela ri, o som da sua risada me preenche.

— Eu preciso de um vaso sanitário, um balde, qualquer coisa onde eu possa vomitar. – O comentário desagradável e cheio de nojo, é de Zelena. – Vocês me dão asco! – Reclama. – Antes que eu morra de diabetes, vou subir até o próximo andar, e servir de segurança, para que ninguém flagre vocês aí. – Avisa. – Mas não demorem, não vamos dar chance ao azar. – Isso ela pede de um jeito sério, sem nenhum tipo de graça.

— Já vamos subir. – Regina promete. Está de costas para irmã, seus olhos parecem recusar a saírem dos meus, assim como suas mãos parecem se recusar a saírem do meu rosto, como se de repente, quisessem ter certeza que é real mesmo, que eu estou mesmo aqui.

Nunca pensei que fosse dizer isso, mas a verdade é que Regina Mills, aparentemente está com sérias dificuldades em parar de sorrir.

— Patéticas! – É o que Zelena resmunga, antes de realmente ir.

Compartilhamos um silêncio bom, um silêncio acolhedor, gostoso. Esse é um daqueles momentos em que deixamos as palavras de lado, e conversamos através da troca de olhares. Seus olhos me dizem tantas coisas, tantas sentimentalidades, tantas coisas consideradas por ela bregas. Eles me dizem o quanto ela sentiu minha falta. O quanto gosta de mim. O quanto se preocupa comigo. O quanto me quer bem.

Eu gosto tanto de me perder dentro deles. Gosto tanto quando eles me mostram quem ela é de verdade, as coisas que ela sente, as coisas que quer me dizer, mas não consegue. Regina é uma dessas pessoas que fala mais com os olhos do que com a boca.

Tudo que sente, ela consegue mostrar sem que precise usar uma palavra para isso. Porém, acontece só quando ela deixa que aconteça, quando ela baixa a guarda, e permite-se ser ela. Nem sempre é assim. Nem sempre me deixa saber. Nem sempre me deixa ajudar. Muitas vezes ela prefere sofrer e sentir sozinha.

— Eu amo você! – Me declaro. – Eu amo muito você, Srta. Mills, muito. – Minha declaração faz com que de novo, seu sorriso torne-se largo.

— Eu sei. – É a resposta que me dá. – Você continua uma boa entendedora, certo? – Nesse momento, com essas palavras, ela acabou de dizer que também me ama.

— Muito certo. – Meu sorriso torna-se tão largo quanto o dela, enquanto lhe garanto tal coisa. – O que eu faço com a vontade de beijar você? – Ao tentar fazer tal coisa, ela desvia o rosto, se esquivando.

— Guarde para mais tarde. – Pede. – Assim como eu, você também está de batom, não seria nada inteligente fazermos isso agora. – Solto um suspiro frustrado, mas como não existe outra saída, acabo tendo que concordar. Agora seus braços estão em volta do meu pescoço, seu corpo totalmente junto ao meu, o rosto escondido no vão do meu pescoço. Seu cheiro bom já voltou a fazer parte de mim.

— Queria tanto passar o dia toda abraçada a você, para matar toda minha saudade. – Choramingo minha vontade.

— Eu também queria, mas não podemos. Porém a noite, podemos fazer o que você quiser fazer. – Promete.

— Eu quero você, a sua cama, e a porta do seu quarto chaveada. – A sinto rir.

— Está muito fácil, Srta. Swan, graças aos dias que você vai passar na casa de Zelena. – Esse foi o principal, para não dizer único, motivo que aceitei ficar na casa de Zelena. É muito mais fácil, rápido, prático e seguro, me encontrar com Regina desse jeito. Então quando me foi oferecido ficar alguns dias lá, não fiz nem charme para aceitar.

— Para dificultar um pouco, nós podemos tomar uma garrafa da sua espumante cara. – Sugiro.

— Continua muito fácil. – Rolo os olhos ao ouvir isso. Ela tem muito dinheiro, ou seja, não importa o que eu venha a pedir ou sugerir, vai continuar fácil.

— Então o que você sugere, Srta. tudo fácil? – De novo a sinto rir.

— Hum... – Aparentemente muito sem vontade, ela afrouxa os braços do meu pescoço, levanta a cabeça, e afasta-se um pouco, para que possa me olhar. – Eu sugiro um cachorro quente de três dólares de qualquer esquina. Sugiro flores. Não sugiro a Lady Gaga, porque hoje eu não quero dividir sua atenção com ninguém. Sugeriria chocolates, mas como você é muito chata com isso de calorias, sugiro outra garrafa de espumante. E talvez depois do sexo que eu também estou sugerindo, possamos ver algum filme brega na TV, em homenagem ao dia. – Penso um pouco a respeito do que quis dizer, e então lembro de algo que eu já sabia, que já me desejaram no dia de hoje, que no automático eu agradeci e também desejei, mas que meu nervosismo não me deixou realmente parar para pensar e associar.

— Hoje é dia de São Valentim?! – Não é uma pergunta, é uma afirmação, muito embora tenha saído como pergunta. E ao lembrar disso, eu lembro de outra coisa, muito menos importante, diga-se de passagem.

— Eu odeio o dia de hoje! As pessoas se tornam ainda mais insuportavelmente felizes e bregas. – Reclama comigo. – Então sim, hoje é dia de São Valentim. – Confirma. – Quatorze de fevereiro. – Resolve também me dizer o dia do mês, caso eu também tenha esquecido. Me olha esperando que eu fale alguma coisa, ou algo do gênero.

— Você está bastante feliz e quase brega, para os padrões Regina Mills. – Implico com ela, que me faz careta.

— Não fale besteiras, Srta. Swan! – Ordena enquanto tenta não rir.

— Feliz dia de São Valentim, Srta. Mills! – A desejo um pouco sem graça. Primeiro por ter esquecido, mesmo sabendo. Segundo, porque estava tão enrolada com a mudança e depois tão nervosa, que acabei esquecendo de comprar alguma coisa. Comprar algo para ela é terrivelmente difícil, envolve horas, dias de pesquisa, já que ela meio que tem tudo.

— Feliz dia de São Valentim, Srta. Swan! – Também me deseja. Agora me lança um olhar meio desconfiado, meio questionador, o que me deixa sem entender. O que quer que esteja se passando pela cabeça dela, a faz achar graça.

— O quê? – Questiono.

— Por isso que você é assim tão brega. – Agora já não disfarça mais o sorriso que estava tentando esconder. – A culpa é do dia em que você nasceu. – Continua e deixa claro que de algum jeito, ela sabe sobre a outra coisa muito menos importante. Coisa que nunca falamos sobre, na verdade, ela nunca me questionou sobre. – Você não ia mesmo me falar? – Pergunta e me deixa sem graça, o que me faz desviar os olhos.

Não, eu não falaria. Até porque como já mencionei, estava nervosa demais, surtada demais, para pensar realmente sobre. E também, não tem nada de muito importante nisso. É só um dia, como outro qualquer. Não, na verdade é dia de São Valentim, ou seja, roubou toda a atenção para ele. Quem sou eu, perto de São Valentim? Exatamente, ninguém. E também, como eu abordaria o assunto? “E aí, você sabe que por um acaso, eu nasci do dia de São Valentim? Pois é, parabéns para mim”. E ela também nunca pareceu interessada em saber a data de tal coisa. Agora concluo que é porque já sabia.

— Não sei sobre o que você está falando. – Resmungo enquanto sinto minhas bochechas arderem, entregando meu constrangimento por ter sido descoberta.

— Feliz aniversário, Srta. Swan! – Me deseja. – Eu deveria brigar com você, só pelo fato de saber que você não me falaria sobre. – Me dá bronca. – Porém, como é seu aniversário, como eu sempre sei de tudo, como é dia de São Valentim, como eu talvez tenha sido possuída por esse clima brega e irritantemente feliz, vou deixar passar.

— Obrigada por isso! – Como estou sem graça, não sei exatamente o que falar.

— Não sou nada boa com felicitações. – Meio que avisa. – Mas eu desejo para você, todas as coisas que são desejadas em aniversários. Desejo também que você seja menos teimosa. – O menos teimosa me faz rolar os olhos. – Que não ocupe todo o espaço da minha cama. Que não fique falando que eu babo enquanto durmo, mesmo que tal infâmia realmente aconteça. Que pare de me chamar de babe, mas que continue. Que continue também me falando bobagens absurdas, que me fazem rolar os olhos e rir. Que continue com suas cantadas ridículas de pedreiro, mas que as use só comigo. – Me faz sorrir com seus desejos. – Que você nunca perca esse sorriso, Emma. – Volta a tocar meu rosto. – Essa vontade de viver. Essa leveza. Esse brilho nos olhos. Que você nunca se perca da menina, mesmo se tornando cada dia mais mulher. Você não sabe o quão fascinante é essa junção da menina com a mulher. – Sorri junto comigo. – Eu lhe desejo o mundo, e tudo de melhor que ele tem para lhe dar. – Droga! Por que mesmo eu não posso beija-la? Ela não deveria me falar essas coisas, essas sentimentalidades. Não aqui, não agora. Não enquanto não podemos sequer nos beijar.

— Eu não sou muito de comemorar os meus aniversários. São Valentim é muito mais importante. – Rola os olhos ao ouvir a última frase. – Mas o que eu quero, o que eu mais desejo, o mundo, o universo, Deus, já estão me dando, que é você, Srta. Mills. – Pelo jeito como me sorri, sei que vai fazer graça com meu romantismo.

— Como eu disse, não tem como você não ser brega, o dia não ajuda em nada com isso. – Esse é o jeitinho carinho dela, de retribuir minhas palavras de amor. – Agora vamos falar sério... – Suas mãos espalmam meu peito. — Podemos sair à noite, para comemorar. – Sugere. — Você, eu, Janis, Zelena, Tinker, Killian, o que você me diz? – Nego muitas vezes com a cabeça.

— Quero o cachorro quente da esquina. Junto com ele, quero a privacidade de estar com você, sem precisar disfarçar que estou com você. Quero você, Janis e eu. E depois que ela dormir, quero você e eu. A espumante talvez, o filme talvez, as flores talvez, mas você e eu, isso eu quero com absoluta certeza e não abro mão. – Ela me sorri e abre a boca para com certeza me chamar de brega mais uma vez. – Não ouse! – Me adianto e a faço dar risada.

— Que seja feita sua vontade então, aniversariante. – Quase anula o espaço existente entre nossos lábios, mas infelizmente, acaba se lembrando dos batons e volta a se afastar. – Agora que decidimos sobre isso, que tal você me contar o motivo do pânico que não deixou com que você entrasse? – Me pede. Suspiro, enquanto tento organizar os pensamentos. A verdade é que no presente momento, com ela aqui comigo, percebendo que as coisas entre nós continuam iguais, que ela continua me amando, já não existe mais nenhum tipo de pânico ou nervosismo.

— Ah, Regina! – Volto a suspirar e passo as mãos pelo rosto, então volto a encara-la. Está séria, atenta, esperando que eu lhe fale. – Toda essa distância, ela não me fez nada bem. – Solto com o ar, ao começar. – Eu me tornei burra, insegura. – Me lamento. – Até ciúmes do viado do seu noivo, nós sabemos que eu senti. – Concorda com um aceno e espera pacientemente para que eu continue. Como ela me conhece, sabe que não é só isso. – Toda essa insegurança, o medo, juntando com o sentimento de não pertencer a esse lugar, o não merecimento desse cargo, e o medo da Regina que eu encontraria lá dentro, me fizeram travar. – Tento explicar.

— Você está arrependida? – No momento está camuflando qualquer coisa que possa estar pensando. Tudo que seu semblante me mostra, é dúvida.

— Não. De jeito algum estou arrependida. Eu sei exatamente o que quero, nunca tive dúvidas sobre. Porém, mentiria se falasse que não estou com medo. – Balança a cabeça concordando. Seus olhos investigativos, me analisam atentamente.

— Você está com medo de mim? – Faz uma nova pergunta.

— De você não. Da sua outra versão, a que eu ainda não conheço, e que vou conhecer quando pôr os pés para dentro daquele lugar. – De novo concorda com a cabeça.

— Eu não posso ser eu com você, não quando estivermos lá. – É minha vez de concordar.

— Eu sei e estou de acordo. – Respiro fundo antes de continuar tentando explicar como me senti. – Nós não nos víamos há algum tempo. Eu só não queria encontrar com ela, antes de encontrar com você. Porque eu sei que ela vai quase me ignorar, ela tem que fazer isso, eu sei, não esqueci. Mas toda a paranoia que cultivei durante esses dias, tornariam isso algo que não é, mas eu não conseguiria assimilar. Entende? – Sei que ficou bastante confuso, mas esse é meu jeito nervoso de tentar explicar.

— Entendo. – É tudo que me responde. Seu semblante continua sério/investigativo.

— Você se chateou com o que eu disse? – Nega.

— Não. – É enfática. – Só estou pensando na quantidade de paranoias que se passou por essa cabeça, e que você não quis me falar. – Expõe seu pensamento. – Muitas, para não dizer todas, as vezes que você foi dormir de bico comigo nesse tempo, foi por coisas que sua mente criou e como você de jeito algum quis compartilhar comigo, acabou alimentando tudo isso. – Balanço a cabeça concordando.

— Essa sou eu sendo imatura. – Tento me desculpar.

— Eu não sei o que faço com você. – Ela está tão próxima, o corpo tão junto ao meu, o rosto a centímetros do meu, que poderia muito bem acabar com a distância que ainda nos separa e me beijar.

— Casar e ter filhos, é esse o plano. – Sussurro, os olhos em seus lábios.

— Continua sendo. – É o que me fala. Suas mãos que voltam ao meu rosto, me fazem encara-la. – Eu preciso que você confie em mim. – Me pede.

— Eu confio. – E confio mesmo. Confio nela como nunca confiei em alguém.

— Eu preciso que confie quando estamos juntas, e principalmente quando não estamos. Preciso que confie mesmo quando você estiver aqui, e eu estiver na lua. Eu preciso que você me fale quando algo te incomodar. Preciso que não vá dormir de bico comigo, sem ao menos me dizer o motivo. – Pede. Os olhos fixos nos meus. – Nós vamos atravessar uma tempestade, Srta. Swan, e talvez demore um pouco até que consigamos chegar ao fim dela. Para que você e eu, possamos sobreviver, para que possamos chegar juntas na calmaria, eu preciso que você confie em mim, que fale comigo, que reclame comigo. Você pode me xingar, gritar, vociferar, eu não me importo. Só não se cale. – Continua. – Se casar e ter filhos, é mesmo o que você quer comigo, então você não pode nunca se calar, ignorar, tentar deixar para lá. Porque se você fazer isso, mesmo que nós cheguemos ao fim dessa história pondo minha mãe na cadeia, não vai sobrar muito de nós, para que possamos seguir juntas. – Suas mãos agora afagam meu rosto. – Entende o que eu quero dizer? – Afirmo com um balançar de cabeça.

— Eu sei que você tem razão, entendo o que quero dizer. Só as vezes não acho justo com você. – Tento explicar. – Quer dizer, você tem toda uma vida corrida, problemas, dores de cabeça, uma empresa gigantesca, e ainda tem a sua mãe. Não precisa das minhas inseguranças como bônus. – Foi o que eu pensei durante os dias que me chateei por bobagens.

— O que eu não preciso, é que você engula suas inseguranças. – Me corrige. – Não é errado tê-las. Todas as pessoas têm. Assim como você tem as suas, eu tenho as minhas. – Junto as sobrancelhas ao ouvir sobre.

— Que tipo de inseguranças você tem, relacionadas a mim? – Estou realmente muito curiosa sobre.

— Eu sou seu primeiro amor. Você sabe quantas pessoas ficam com o primeiro amor? As estatísticas não são nada boas, nem animadoras para o meu lado. – Pelo jeito como me fala sobre tal coisa, me faz crer que ela realmente tem bastante insegurança sobre. – Você é jovem, está completando 24 anos hoje. Tem muitas coisas que você está conhecendo agora, como por exemplo, o significado da palavra amor. E se de repente você encontr... – Não deixo que continue, minha mão cobre a sua boca.

— Srta. Mills, a pessoa responsável por falar absurdos e bobagens nessa relação, sou eu, então pare, por favor. – Peço. – Sabemos que eu já estive com muitas, incontáveis mulheres. Provavelmente eu já tive todo tipo de sexo que uma mulher pode ter. – Rola os olhos ao ouvir sobre. – Não vou mentir e falar que nunca me interessei por uma, ou duas, mas tal interesse morreu, assim que as levei para a cama. – De novo acontece outra rolada de olhos. – Por ter estado com muitas mulheres, em muitas situações, eu posso lhe afirmar que com você, foi e é bastante diferente. – Lhe garanto. – Então foda-se a minha pouca idade, foda-se as estatísticas baixas para o primeiro amor. – Agora me olha de cara feia, provavelmente por eu ter usado o foda-se. – Eu tenho muita certeza sobre ser você, muita. Você não faz ideia de quanta. – Finalizo. Ela suspira, e tira minha mão da sua boca.

— Acabou? – Questiona.

— Depende. Se a opção: beijar sua boca já estiver disponível, ainda nem comecei. – Esboça um sorrisinho, enquanto balança a cabeça negativamente.

— Se você tem essa certeza, então deve ajudar positivamente as estatísticas. Ou seja, se algo lhe incomodar, me fale. – Insiste. – E não, a opção beijar a minha boca ainda não está disponível. – Esclarece.

— Vou falar. – Prometo ao lhe sorrir.

— Vamos trabalhar nisso, para que realmente aconteça. – Me avisa.

— Queria ser assim madura como você, babe! – O apelido é o responsável por outro rolar de olhos.

— É algo que se adquire com o tempo, babe! – Me devolve o apelido, pena que é com deboche.

— Um dia você ainda vai me chamar de amor, e vai ser sem nenhum tipo de deboche. – Minha previsão faz com que ela abra e feche a boca algumas vezes. Por fim suspira.

— Vou me abster de comentários. Não falarei nada que futuramente, possa vir a ser usado contra minha pessoa. – Seu comentário me faz rir.

— Muito inteligente, Srta. Mills!

— Eu sei. – Muito modesta também. – Você vai me falar sobre tudo que lhe incomodou nesses dias de distância e sobre todos os motivos que lhe fizeram paralisar e não entrar? – Me pede.

— Vou. – Prometo. – Depois do sexo. – Me dá um sorriso sem humor.

— Problemas antes, sexo depois. – Avisa.

— Tá bom! – Dou de ombros. – Sabemos que na prática o sexo vai vir antes de qualquer palavra. – Exponho meu pensamento. – O jeito como você está me olhando, me diz que você está muito me querendo. – Provoco. – E só de pensar sobre isso, meu sexo pulsa, ou seja, fica claro o quanto eu também estou te querendo. – Não que eu precise falar sobre, sei que ela sabe, mas resolvo expor mesmo assim.

— Quieta, Srta. Swan! – Exige. – Temos um dia todo pela frente e depois temos a sua filha nos esperando em casa. Então não me provoque. – Pelo tom de voz como pede tal coisa, sei que já está se sentindo bastante provocada.

— Não é provocação, é só a verdade. – Falo. – Que culpa eu tenho de ser assim irresistível? – Faz cara de nojo e então faz vomitar.

— Sua falta de modéstia me causa náuseas. – O jeito enojado como fala, me faz rir.

— Eu quero todo aquele fogo que me foi prometido.

— Não se preocupe com isso. Preocupe-se apenas em apaga-lo. – Não foi Regina quem falou isso, foi o diabo predador que sempre vejo em seus olhos em momentos assim. Foi ele também o responsável por fazer meu corpo sentir o impacto. – Ah! – Afasta-se minimante, então levanta as mãos, as tornando bem visíveis aos meus olhos. – Como prometido, estão curtas. – Vejo suas unhas perfeitamente feitas, pintadas de vermelho, e como ela falou, curtas. – Espero que você me deixe toca-la. – Minhas mãos agarram as suas, as tirando da frente do meu rosto. Entrelaço nossos dedos e as abaixo.

— Depois que eu satisfazer toda a vontade que tenho de você, quem sabe? – Preciso pensar sobre. – Hoje é meu aniversário, como você bem lembrou. Então você tem que ser bastante obediente. – Acho que a palavra obediente e todos seus derivados, sempre farão com que ela me role os olhos e faça cara feia. – Você vai ser? – Questiono.

— Se você me deixar uma marca visível, Srta. Swan, juro que eu vou meter a mão na sua cara, e de jeito algum vai ser do jeito como costuma ser. – Não sei se está me avisando, ou ameaçando, mas acho graça.

— Não vamos precisar disso, porque você vai ser obediente, certo? – Insisto.

— Vadias sujas e vulgares, não são obedientes, Srta. Swan. – É a resposta cretina que me dá.

— Eu não posso mesmo acreditar, que vocês já estão falando sobre isso. – Infelizmente, Zelena está de volta. Alguns degraus acima do nosso, nos assistindo descaradamente. – Eu falei para serem rápida e o que vocês fazem? Resolvem se encostar aí... – Aponta para onde estou. – Para falarem sobre perversidades, como se de repente, estivessem em um encontro, tomando um drink, bem despreocupadas e com muito tempo. E não alguns andares abaixo do nosso escritório, lugar onde Cora se encontra. – Ao ouvir o nome da mãe e lembrar-se de onde está, o corpo da Srta. Mills enrijece e quase que instantaneamente, desfaz qualquer contato comigo e se afasta.

— Sério?! – Reclamo com Zelena que continua me olhando com cara de poucos amigos.

— Seríssimo. – Responde. – Não subestime a inteligência da minha mãe, nunca faça isso. – Seu aviso sai bastante sério. Não existe nenhuma margem para brincadeiras.

— Okay. – Regina coça a garganta e encara a irmã. – Só mais um minuto, por favor? – Pede a irmã, que lhe rola os olhos e bufa, bastante contrariada.

— Eu vou esperar bem aqui. – Resmunga ao cruzar os braços. – Vocês duas quando se juntam, perdem completamente a noção da realidade. – Continua reclamando.

— Mi mi mi, blá, blá, blá! – A Srta. Mills tenta imitar a voz da irmã e me faz rir alto.

— Todo esse senso de humor, foi por ter matado a saudade, admite. – Peço a ela, que me sorri.

— Claro que não! Meu Deus, você não sabe o quanto eu amo o dia de São Valentim. – Debocha e me faz rir de novo.

— Que saudades que eu estava de você, mulher. – A puxo de novo para mim. Beijar a sua boca eu não posso, mas o seu pescoço eu posso dar um cheiro sim. – Cheirosa! – Sussurro ao arrastar meu nariz por ali. Tal ação a deixa arrepiada.

— Comporte, Srta. Swan! – Pede. A voz um tanto afetada. Abro um sorriso de satisfação ao ver o quanto ela está querendo, mas acatando seu pedido, eu me comporto e afasto meu rosto dali. Meus olhos que param nos dela e lhe provocam assim como meu sorriso, fazem ela me balançar a cabeça negativamente.

— Você não vale nada. – É o que me fala ao segurar meu rosto entre sua mão e o apertar.

— E você gosta disso. – Continuo provocando.

— E eu estou perdendo a paciência. – Percebo pela voz quase gritada da minha cunhada, que ela está mesmo nervosa com a situação. Regina tira os olhos de mim e procura pela irmã.

— Isso é por você ter me chamado de flor do dia! – É o que fala. Aparentemente, está se vingando.

— Vamos cooperar com ela, babe! – Agora rola os olhos para mim. – Pense nas vezes que ela vai ficar com Janis. – Peço. Por fim a Srta. Mills suspira, solta meu rosto e volta a me encarar.

— Eu tenho uma coisa para você. – Oh, Deus! Da última vez que ela disse que tinha uma coisa para mim, essa coisa era um carro de guerra, gigante e amarelo. Carro esse que ainda está no caminho para Nova York.

— Por que eu tenho medo disso?

— Porque você é você. – Fala com descaso.

— Que tipo de coisa? – Questiono com certo medo, o que a faz respirar fundo.

— Você pode por favor, por favor, parar de chata? – Me pede. Não estou sendo chata, só tenho medo dos presentes dela. E não é culpa minha. Muitas pessoas estão de prova que ela já tentou incentivar Janis a voar, quando lhe comprou todos os balões em um parque de diversões. Fora a faculdade que minha filha já tem dinheiro para cursas, graças a essa mulher. E meu carro, não podemos mesmo esquecer dele. Como não podemos esquecer das horas que comprou no Empire State só para nós. E por último, mas não menos importante, o sofá que me comprou, sofá esse muito mais confortável do que a cama que me pertencia. Mas, Okay, Regina Mills parece tão feliz de estar na minha presença, que vou lhe dar essa chance.

— Okay, me dê essa coisa. – Peço ao estender a mão. Torcendo para que caiba mesmo na palma da mão.

— É um presente de boas-vindas. Deixaria para mais tarde, mas quem sabe ele ajude você a se sentir menos nervosa para encarar o escritório e a Regina chefe. – Me explica. – O de aniversário eu entrego a noite. – Não abra a boca para reclamar. Não abra a boca para reclamar. É o mantra que minha mente canta.

— Okay! – Falo simpaticamente, enquanto lhe sorrio do mesmo jeito e continuo com a mão estendida.

— Se você não se comportar, eu vou tira-lo de você. Estamos entendidas? – Não, não estamos. Junto as sobrancelhas, não fazendo ideia do que quer dizer.

— Estou curiosa. – Continuo lhe mostrando os dentes, agora em um sorriso forçado. – Apenas me dê. – Esboça um sorriso, balança a cabeça negativamente e leva a mão até o paletó. Tira uma caixa não muito pequena do bolso interno do mesmo e me estende. Morrendo de curiosidade, eu nem perco muito tempo olhando. Apenas pego o que foi me dado e vou abrindo. Entrego o papel do presente para ela e me concentro na caixa que com certeza, é de uma joia. – Vai me pedir em casamento? – Sei que não. Pelo tamanho da caixa, não é um anel. Está mais para um cordão, um colar, ou coisa assim.

— Não vamos atropelar as coisas, Srta. Swan. – É o que fala. – Eu ainda nem lhe pedi em namoro. – Bom, eu poderia entrar no tópico e falar sobre, mas a verdade é que tudo que quero saber no momento, é o que tem dentro da caixa, o que obviamente me faz abri-la.

Sabe quando você abre a boca e balança a cabeça de incredulidade e sorri e tem vontade de beijar e transar, todas essas coisas ao mesmo tempo? Sou eu com o presente que acabei de ganhar. Não acredito. NÃO ACREDITO! Não acredito mesmo que ela me deu isso. Meu Deus! Eu não acredito.

Quando falei sobre, quando sugeri, nunca, nunca mesmo, pensei que ela fosse realmente comprar, não por pura e espontânea vontade e agora me deparo isso.

— Você é mesmo uma vadia suja e vulgar. – Sussurro ao tirar a grossa gargantilha de couro de dentro da caixa. A “coleira” que lhe pedi há mais de um mês, no dia do motel. Sim, meu nome está cravejado nela, e sim, com brilhantes, como eu pedi naquela ocasião. – É o melhor presente de grego que eu já ganhei em toda minha vida. – Balbucio enquanto olho admirada, excitada e ainda incrédula. – Na verdade, esse é o melhor presente que já ganhei em toda a minha vida. – Pensar no significado que tem, me deixa... eu não sei, muitas coisas. Feliz, extasiada, mais apaixonada, de novo incrédula, com vontade de sair por aí pulando e gritando para o mundo sobre meu amor, minha paixão e meu tesão por essa mulher. – Srta. Mills, você conseguiu me deixar sem palavras, parabéns. – Tiro os olhos do meu presente e a encaro. Ela tem um sorrisinho sem vergonha nos lábios, o sorrisinho da Regina perversa que vai para a cama comigo.

— Como eu falei, se você não se comportar, ou seja, se me deixar visivelmente marcada, você nunca mais vai ver esse presente de grego. – De novo me avisa.

— Temos aqui... – Faço meu presente visível. – A prova do seu adestramento, Srta. Mills, ou seja, você não precisa mais de castigos. – Me balança a cabeça negativamente, enquanto seus olhos me desafiam.

— Você nunca vai me ter obediente, Srta. Swan, nunca! – Me provoca e me faz dar risada.

— Sabemos que isso é uma inverdade. – Falo. – Você gosta demais das recompensas para ser desobediente, o que me faz concluir que: você desobedece, porque gosta dos tapas. – Minha resposta não a abala, nem leva seu sorriso sacana embora. Ela apenas me dá de ombros.

— Entenda como quiser. – É o comentário que faz.

— Às vezes eu fico pensando se tenho tantos pecados assim, para pagar desse jeito. – Zelena, eu tinha momentaneamente esquecido da presença dela. No momento eu estaria me sentindo um pouco envergonha, se é claro, ela não tivesse assistido um sexo entre Regina e eu. Ou seja, nada do que venha a ouvir, vai superar o que ela de fato viu. – As duas sonsas pervertidas gostariam de uma xícara de café, talvez um chá, para tomarem enquanto conversam sobre perversidades? – Implica. – Oh, Deus! Não bastou eu ter assistido minha irmã transando com outra mulher, claro que não. Eu ainda tive que ir atrás dessa coleira. E agora estou aqui, nessas escadas ouvido essas coisas, enquanto espero pacientemente minha irmã recobrar o juízo, lembrar onde estamos e voltar a ser a mulher responsável que costuma ser. Aquela irmã que sabe que tem uma mãe psicopata. Por favor, se você não estiver muito ocupado ajudando São Valentim a desencalhar as pessoas, e consequentemente as fazendo perder o juízo, me ajude aqui. – Olha para o teto enquanto reclama e pede ajuda a Deus.

— Dramática. – É o que Regina Mills diz. Então suspira e afasta-se de mim. – Eu vou subir, Okay? – Okay estaria se ela me pegasse pela mão e me levasse para sua casa, mas como isso não é de jeito algum possível, então Okay, né? Fazer o quê? Balanço a cabeça em concordância.

— Ache Tinker, diga que Emma está pronta. – Pede a irmã.

— Obrigada, Deus! – Minha cunhada agradece ao tirar seu celular da bolsa, obviamente para contatar Tinker.

— Cachorro quente, você tem mesmo certeza? – Me questiona sobre o cardápio da noite.

— Cachorro quente. – Afirmo. – E Veuve Clicquot. Para balancear um pouco o preço do jantar. – Ri da minha graça.

— Mais alguma coisa? – Afirmo.

— Um cartãozinho, feito por você, me desejando feliz dia de São Valentim. – Faz cara de nojo ao ouvir sobre.

— Vou ver o que posso fazer a respeito. – É o que me fala. – É só isso? – Sim, é só isso. Sei que mesmo sendo “só” isso, ela vai aparecer com mais do que só cachorros quentes, e espumante de preço exorbitante.

— Por enquanto... – Como é uma boa entendedora, sei que sabe o que eu deixei subentendido.

— Até mais tarde então, Srta. Swan! – Despede-se. É então que lembro de algo, algo muito importante. Na verdade, um dos motivos que me fez desistir de entrar no escritório.

— Seja ela. – Peço. Ela junta as sobrancelhas.

— Perdão?

— Seja Regina Mills, a dona dessa empresa, mostre-me ela. – Ao entender meu pedido, me balança a cabeça negativamente.

— Você vai encontrá-la lá dentro, Srta. Swan. – É o que me fala ao me dar as costas, subindo o primeiro degrau. – Mas para que fique claro, muito embora eu ache que o par de tênis com o macacão, combine perfeitamente com você, ela não vai concordar com nada além de saltos, ou algo mais social em seus pés. – Acabo esboçando um sorriso ao ouvir sobre. – Ela também detesta atrasos, e você está terrivelmente atrasada, já no seu primeiro dia. – Continua. — Se um dia ela pegar você no celular, em pleno horário de serviço, ela ficará possessa. – Dá outro aviso. — Suas jaquetas de couro, suas camisetas e seus jeans, jamais serão bem-vindos aqui. – Para ao lado da sua irmã, que se não estivesse brava, estaria rindo. – Certo, irmãzinha?

— Certíssimo. E relacionamentos, você esqueceu de avisar sobre essa parte. – É nessa parte da história que vai implicar com Regina também. — É terminantemente proibido se relacionar amorosamente com alguém, em qualquer canto da empresa. Podemos incluir as escadas nesse qualquer “canto”, em horário ou não de trabalho.

Gloria Gaynor — Can't Take my Eyes off You

— Você conhece a irmã que tem, isso é algo tão óbvio, que nem precisa ser avisado. – Não consigo não rir, ao ouvi-la provocando Zelena. Até a própria Zelena acaba rindo também, além de estapear seu braço. – Ah propósito, feliz dia de São Valentim, Flor do dia. – Deseja ao dar um beijo estalado na bochecha da minha cunhada. Tal ato completamente inesperado de carinho, além de marcar o rosto de Zelena, a surpreende e me faz rir.

— Que tipo de poder você tem sobre esse ser zangado? Ela sobreviveu de mau-humor, todos esses dias que vocês estiveram longe, e agora, como num passe de mágicas, você trouxe a versão mais bem-humorada dela. – Abro um sorriso convencido, enquanto lhe dou de ombros.

— Para você ver, o que minha presença causa nas mulheres. – Pisco para ela, que me balança a cabeça negativamente.

— Estou de olho em você e nessas mulheres. – É o que a Srta. Mills me fala enquanto entrega a pequena bola que fez com o papel de presente a Zelena. – Eu odeio o dia de São Valentim. – Resmunga ao voltar a subir as escadas. – Odeio muito. – Continua. – Mas eu gosto do dia do seu aniversário, Srta. Swan! – Aumenta o tom de voz. Infelizmente para mim, já não está mais visível. – Caso você não saiba, ela está de aniversário, Zelena. — Não acredito que ela fez isso. Regina Mills, a mulher que não se mete na vida dos outros, que não está aí para ninguém, que não faz fofocas, acaba de falar para a irmã, sobre tal coisa. – Ah!!! – Antes que Zelena consiga abrir a boca para falar a respeito, Regina, por algum motivo retorna alguns degraus. Inclina um pouco o corpo para baixo, para que possa me espiar, então me sorri. – Se Reginão fosse uma mulher romântica, dessas insuportavelmente bregas, sabe?! Ela ligaria na rádio sapatão e lhe ofereceria uma música. – Me faz rir e balançar a cabeça negativamente. Meu Deus! Está muito, muito, muito mesmo visível, o quão feliz ela está por eu estar aqui. Regina não é de fazer graças, muito menos é alguém de sorrisos fáceis. Eu nunca tinha visto essa versão quase saltitante de felicidade.

— E que música seria essa? – Questiono enquanto tento conter minha vontade de subir essas escadas para beija-la.

— Oh pretty baby, don’t bring me down I pray... – Essa é a primeira vez que a vejo cantarolando uma música, por livre e espontânea vontade. Além de cantarolar, ela estala os dedos, dando ritmo a mesma. — Oh pretty baby, now that I’ve found, stay... – Pisca para mim, volta a sua postura normal e cantarolando, agora vai de verdade. — And let me love you, baby... Let me love you... – Meu sorriso no momento, não tem como ficar maior. Meus olhos, meu corpo, minha alma, sorriem junto com meus lábios.

Sem acreditar que eu realmente tenho a mulher que tenho, e que ela acabou de cantar para mim, volto a balançar a cabeça negativamente. Passo as mãos pelo rosto, e encaro minha adorável cunhada, que no momento parece em dúvida se ri da minha cara de boba apaixonada, ou ri da cantoria desafinada da irmã igualmente boba apaixonada.

— Eu amo ela! – Me declaro. – Deus, como eu amo essa mulher! – Estou no estado mais pleno de felicidade. – Eu amo muito ela, muito! – Continuo.

— Deus sabe! – Zelena me fala. – Assim como eu sei. – Continua. – Ela também sabe. E se caso você ainda tenha alguma dúvida sobre ela também te amar, acredito que com esse reencontro, não tenha sobrado dúvida alguma. – Concordo.

— Ela me ama! – Sei disso desde o dia que foi embora de Las Vegas e agora tenho um pouco mais de certeza.

— Isso não é nenhuma novidade, Swan, Emma Swan. – É o que me fala. – Novidade mesmo é o seu aniversário. – Meu sorriso murcha, ao ouvir tal coisa. — Em qual parte do dia, você pretendia me contar sobre isso? – Questiona com indignação.

— Não pretendia. – Sou sincera. – Hoje é dia de São Valentim, meu aniversário é só um pequeno detalhe. – Dou de ombros. – E mesmo assim, se São Valentim não existisse, continuaria sem contar. Porque você tem cara de quem iria insistir para que eu desse uma festa, e tudo que quero fazer é correr para casa, esperar sua irmã, e me trancar no quarto com ela. – Rola os olhos ao ouvir sobre.

— Previsível. – É o comentário que faz, enquanto desce alguns degraus. – Pare de ser tapada, aprendiz de cunhada! Aniversários são datas que devemos comemorar. – Dito tal coisa, ela resolve me abraçar. Um abraço apertado, esmagador, um abraço de urso. Não contente com isso, resolve também me tirar do chão. – Feliz aniversário, minha cunhada preferida! – Agora me faz rir. – Eu quero muito brigar com você, por ter sido sonsa e não ter comentado a respeito, mas como além de ser dia de São Valentim, é também o seu aniversário, vou deixar para brigar amanhã. – Me devolve ao chão e se desfaz do abraço. – Eu lhe desejo saúde, paz e toda a felicidade desse mundo. – Me sorri. – E lhe agradeço por ter entrado nas nossas vidas. Principalmente na de Regina. – Um pouco sem graça, e sem saber exatamente o que dizer, retribuo seu sorriso.

— Obrigada, Zelena! Desejo tudo em dobro para você. E você não tem que me agradecer por nada.

— Não me deseje uma Regina em dobro. Só essa já esgota toda a cota de paciência que Deus me deu a mais. Provavelmente esse a mais, Ele deu justamente por eu ter a irmã que eu tenho. – Acabo tendo que rir. – Nem você aguentaria duas dela.

— Duas de quem? – A voz de Tinker se faz audível antes que ela possa se fazer visível.

— Regina. – Zelena responde. – Você sabia que Emma está de aniversário? – Questiona e me faz crer que algo que deveria no máximo ficar entre a Srta. Mills e eu, vai se espalhar junto com o dia de São Valentim. Bom, nosso jantar particular com certeza já era. Não dividiremos só com Janis os cachorros quentes. Nem brindaremos sozinhas, com a minha espumante preferida. Zelena acabou de deixar bem claro que para ela, aniversários não passam em branco, e se ela pensa assim, Tinker com certeza deve pensar umas dez vezes pior.

Tá vendo, Emma? Cuidado com o que você deseja. Você que sempre reclamou de ter que “dividir” o dia do seu aniversário com São Valentim, hoje gostaria de sequer ter sido lembrada.

Notas finais
That's all folks! Quem chegou até aqui, já pode se encaminhar até a sala de espera, pegar seu chapéu e ser esperar abrirem a porta para a festa da Emma. Agora tá com vocês de novo. Conto com aquele review amigo, combinado? Bom resto de semana, gente! Beijos e até a próxima!