Right Here Waiting For You
11 Burn
Notas iniciais
– Emma Swan, você pode me dizer o motivo do carro da sua amiga, Regina Mills, estar estacionado em frente ao prédio, com a mesma lá dentro, junto com o motivo de você ter chamado a avó da Ruby para ficar com Janis? – Killian e seu jeito direto de se anunciar. Sem tirar a atenção dos vestidos do guarda-roupas, dou de ombros.
– Tinker quer me ver. Regina vai me dar uma carona. – Explico ao puxar um vestido vermelho e ir para frente do espelho.
– Por isso você está assim desanimada? – Volto a dar de ombros.
– Não estava nos planos ver Tinker hoje. – Respondo de mau humor.
– Não estava nos seus planos ver Regina Mills, e você ficou muito feliz com esse imprevisto. – Reviro os olhos e decido não responder nada. Volto ao guarda-roupas, pego uma mochila, duas peças de roupa e meu uniforme de trabalho honrado. – Como foi no parque?
– Normal.
– Só normal? Não teve beijo, abraço, nada? – Tiro os olhos do que estou fazendo e encaro Killian, isso é o suficiente para ele perceber que não estou para suas brincadeiras. – Estou falando sobre beijo e abraço de amigas. – Ironiza.
– Vá se ferrar, Killian. – Solto com o ar. Me livro dos tênis, do jeans e do moletom. Pego uma das minhas muitas lingeries vulgares, meu vestido vermelho e como Killian está aqui, e ficar completamente nua na frente dele não está em pauta, sigo em direção ao banheiro.
– Não gostei do vermelho. – Em resposta a sua opinião, bato a porta do banheiro na sua cara. – VOU ESCOLHER UM MUITO MAIS LINDO. – Berra do outro lado. Não digo nada, melhor nem discutir com ele.
Suspiro e me desfaço das peças intimas e confortáveis que trajava até então. Ao analisar meu corpo no espelho, penso no que poderia mudar nele para torna-lo menos atraente aos olhos de Tinker.
Parar de malhar? Mas isso afetaria as outras mulheres também. Inclusive Regina Mills, que quem sabe um dia, possa ver meus braços. Tecnicamente, ela já viu tudo, frente e verso, sem censura. Tecnicamente também, ela não lembra. Ao que tudo indica, não vou ter a oportunidade de lembra-la, então se ela só ver meus braços, já está de bom tamanho.
Escovo os dentes, lavo o rosto, reforço o desodorante, o perfume e muito sem vontade, coloco a parte de baixo da lingerie de guerra. Estou atacando o sutiã, quando Killian invade meu banheiro sem se anunciar. Assovia e dá um tapa na minha bunda, o que me irrita e me faz lhe lançar um olhar nada amigável.
– Regina Mills definitivamente não sabe o que está perdendo. – Para atrás de mim, e ataca meu sutiã. – Se eu gostasse de mulher, você seria minha. – Comenta enquanto me olha pelo espelho. Mesmo não estando de bom humor, tal comentário me faz rir.
– Se eu gostasse de homens, você com certeza não faria meu tipo, Killian. – Minha sinceridade o faz estapear meu braço.
– Assim você magoa meu coraçãozinho purpurinado. – Não lhe digo nada. Ao tentar pegar o vestido vermelho, ele me impede e me puxa pela cintura, me fazendo virar para ele. – Vista esse. – Me entrega um vestido preto que não uso faz algum tempo pelo motivo de ser curto demais até para uma prostituta.
– Tinker gosta de vermelho. – Respondo, dispensando a peça preta.
– Esquece esse vestido. – O puxa da minha mão. – Põe esse! – Volta a insistir.
– Killian, esse vestido mal cobre minhas coxas. Você não quer que eu chegue assim no hotel, quer? Ninguém deve saber da minha profissão, lembra? E além de tudo, Tinker não gosta de preto. – Ele rola os olhos e volta a estender o vestido.
– Posso apostar que Regina Mills adora preto. – Responde de sobrancelhas arqueadas, enquanto esconde um sorrisinho sugestivo.
– Eu não vou sair com Regina. – Resmungo, enquanto mantenho os olhos no vestido, já pensando seriamente em colocá-lo.
– Não vai porque ela não quer. – Faz questão de deixar tal coisa bem clara. – Mas ela vai dar uma carona para você até no hotel, e pelo amor de Deus! Não existe heterossexualidade que seja capaz de ignorar esse belo par de pernas. – Seu indicador aponta para elas. – Regina Mills já conhece a Emma mãe de Janis. Agora deixe ela na versão sóbria, conhecer um pouquinho da Emma mulher. – De novo me estende o vestido. – Vista. – Tiro os olhos do pano preto, encaro Killian, suspiro e pego a droga do vestido.
Fazendo o que me foi sugerido, o visto. Me volto para o espelho, para me analisar dentro do pedaço de pano. É um vestido simples, de malha, sem detalhes, MUITO curto, e na minha opinião, sem graça alguma.
– Não gostei. — Comento com Killian, que me deixa falando sozinha e volta para o quarto. Sabendo que ele não vai me deixar tirar, abro minha caixa de bijuterias. Só com muitos acessórios para deixar a roupa menos sem graça.
Escolho uma corrente de prata com um crucifixo também de prata cheio de pedras, que ganhei de presente de alguma cliente. E outra corrente também de prata, um pouco menor. Coloco alguns anéis e estou escolhendo as pulseiras quando Killian volta para o banheiro.
– Esquece as pulseiras, coloque essa jaqueta. – Me estende a jaqueta de couro preta, com zíper e metais em prata. Como eu sei que não adianta opinar, apenas faço sua vontade e coloco a jaqueta. Coloco também o par de unkle boot que ele também trouxe do quarto. Por fim, volto a encarar minha imagem no espelho. Killian que está ao meu lado, sorri satisfeito. – Perfeita. Agora faça uma maquiagem escura, use sombra preta, e esfume esses olhos lindos.
– Eu não sei... – Ainda me analiso. – Olha só o tamanho desse vestido, é praticamente do tamanho da jaqueta. Estou correndo o risco de Regina me mandar voltar e pôr uma roupa descente para que eu possa entrar no seu hotel. – Reclamo com Killian que ri.
– Tenho certeza que ela não vai achar as palavras para mandar você fazer qualquer coisa. – Pelo jeito com o que fala, parece ter certeza mesmo. Como continuo no mesmo lugar, ele pega meu kit maquiagem, me puxa e depois empurra contra a pia, me fazendo encostar na mesma. – Feche os olhos.
– Algo simples, Killian. Não esqueça, não quero ser uma Drag. – É bom sempre avisa-lo, porque quando ele se empolga, perde a noção da realidade.
– Confie em mim! – Impossível. – Pare de bater esse pé contra o chão. – Exige. – Por que está nervosa? – Nervosa não seria a palavra, ansiosa talvez.
– Não estou. Só não quero mesmo ver Tinker hoje. – Reclamo com ele, como se de repente, ele tivesse o poder de decidir sobre isso.
– Você sempre falava bem de Tinker, então não entendo qual o problema. – Comenta.
– Tinker é uma pessoa bacana, mas... – Mas... me pego pensando no mas. Sou paga para isso, então não tem que ter mas, certo? E não tem mas. Não consigo achar um motivo para tanta relutância, é só um dia comum de trabalho.
– Mas ela não é Regina Mills. – Killian resolve terminar minha frase e me faz bufar.
– Para com isso, para de insinuar que estou apaixonada por ela. – Reclamo.
– E você não está? – É uma pena meus olhos estarem fechados, assim não posso rola-los.
– Não, Killian, eu não estou. Desde quando eu me apaixono por alguém? Exatamente, eu não me apaixono. – O ouço rindo.
– Então caso você fosse sair com ela, e não com Tinker, estaria com esse mesmo mau humor, certo? – De novo sinto vontade de rolar os olhos.
– Eu nunca saí com ela, então com certeza se isso estivesse acontecendo, sabemos que eu estaria empolgada. Você sabe que tudo que é novo me empolga. – Esclareço algo que ele já sabe.
– Então você a deseja. – Tiro as mãos dele de mim, só para poder abrir os olhos e enfim rola-los.
– Você tem alguma dúvida sobre isso? – Meu tom debochado o faz rir.
– Fecha esses olhos. – Ordena enquanto ainda ri. – Okay, recapitulando. Você deseja beijar Regina Mills, arrancar-lhe as roupas e faze-la se arrepender por todo esse joguinho duro que ela faz, certo? – Afirmo.
– Certo.
– Se é só isso, por que então não se aproveitou quando ela estava bêbada? – Maldito dia em que contei para Killian tudo que aconteceu entre nós duas naquela maldita noite. – Não me diga que você não se aproveita de pessoas bêbadas, sabemos que isso não é bem verdade. – Faz questão de me lembrar.
– Eu não sei. – Solto com o ar. – Não é porque eu me aproveitei de uma ou duas bêbadas, que por sinal me pediram de todas as formas para que eu me aproveitasse, que eu preciso fazer isso com todas as mulheres. – Respondo na defensiva.
– Pelo o que você me contou, ela também pediu de todas as formas para que você se aproveitasse. – Sua insistência me faz bufar.
– Eu gosto dela, Okay? Não do jeito que você está sugerindo, mas gosto. Ela não confia nas pessoas, tem poucos amigos. Nós duas temos isso incomum. Temos um mundo de diferenças, mas isso nós temos incomum. E eu não sei... – Dou de ombros. – Além de desejar muito tirar as roupas dela, desejo também que sejamos amigas. – Realmente desejo. – Satisfeito?
– Satisfeito. – Tenho certeza que ele está rindo, o que me faz ter vontade de soca-lo. – Porém, caso você resolva mesmo seguir pelo caminho da amizade, devo alerta-la a desistir de qualquer possibilidade de levar ela para cama. – Balanço a cabeça em concordância.
– Não se pode ter tudo, não é mesmo? – Falo com pesar.
– Acho que não. – Responde, dessa vez em tom sério. Ficamos em silêncio. Enquanto Killian parece concentrado na minha maquiagem, meus pensamentos acabam em Regina e em todos os sorrisos que me deu hoje.
A imagem de ela fingindo atirar em minha direção, o jeito como mordeu os lábios, como me sorriu. Seu dedo esbarrando no meu ombro, meu dedo capturando o dela. O mini Elvis Regina II que lhe dei e ela aceitou. Ela beijando a bochecha de Janis, enquanto carregava minha filha em um braço e os balões em outro. Meu boné em sua cabeça, o jeito relaxado com que riu das minhas gracinhas.
Suspiro, enquanto me pergunto o que diabos essa mulher está fazendo comigo.
– Pode abrir os olhos agora. – Killian avisa. Depois de suspirar mais uma vez, faço o que me sugeriu. Infelizmente meus olhos param nos dele, que me olham de um jeito que não gosto nada, nada. Nada diz, apenas me sorri e me vira, me fazendo ficar de frente para o espelho. – Nada mal, não é? – Balanço a cabeça, concordando com o que vejo.
– Se fosse possível, me beijaria. – Meu comentário o faz rir. Passo os dedos pelos cabelos, enquanto decido o que fazer com eles. – Prendo, aliso ou deixo assim? – Questiono com Killian.
– Deixa assim, rebeldes. – Balanço a cabeça concordando e volto para o quarto. Tiro meu baú de perversidades de dentro do guarda-roupas, e aponto para porta. – Chaveie. – Peço a Killian, enquanto abro o cadeado que protege os olhos curiosos de Janis sobre o conteúdo da caixa. Passo os olhos pelos dildos e sorrio diabolicamente para o maior.
– Meu Deus, Tinker Monstro Gaga é assim gulosa? – Killian questiona, o ver o tamanho do dildo que tenho nas mãos. – Santa mãe de Deus, qual o tamanho disso? – Está no mínimo curioso.
– 22 Centímetros de comprimento, por 4,5 centímetros de largura. – Ele assovia, enquanto me assiste jogar o pênis de borracha junto com a cinta para dentro da bolsa.
– Minha Nossa Senhora das Bundas Abençoadas! – Exclama ao me ver pegar um plug. – O que você pretende fazer com ela? – Rolo os olhos pelo drama.
– Como diria Christian Grey: foder duro e com força. – Minha resposta o faz rir escandalosamente.
– Mona, desse jeito você vai me fazer gamar! – Seu comentário me faz rir. – Falta só um pouquinho para eu pedir para você pôr esse pênis lindo e guloso que você não tem, no meu pompom lindo e cheiroso. – Volto a rir.
– Cala a sua boca, Killian!
– Minha curiosidade mandou perguntar se o plug vai atrás ou na frente. – Dou de ombros.
– Na frente. Atrás vou investir com o dildo. – Ele volta a rir alto.
– Socorro! – Leva as mãos ao peito, antes de desmunheca-las. — Ela está preparada para isso? – Indaga. – Emma, esse tamanho magnifico pode causar estragos em quem não está acostumado, no caso, acostumada. – Concordo com a cabeça.
– É bom que ela lembre de mim amanhã. Bom que pense duas vezes antes de me chamar em cima da hora. – Volta a rir escandalosamente.
– Leve pelo menos lubrificante. – Pede ao me estender o mesmo. – Não seja uma menina assim tão má. – Volta a pedir, ao ver que estou pensando sobre levar ou não tal coisa. Por fim suspiro e acabo concordando. – Só por curiosidade, você foderia tão duro e com toda essa força com Regina Mills? – Não. Com Regina eu não usaria nenhum acessório, pelo menos não nos nossos primeiros encontros. E eu seria cuidadosa, e atenciosa e... balanço a cabeça negativamente, afastando a palavra brega que quase pensei.
– Com certeza. – Uso meu tom de voz mais convincente, para que ele sequer cogite a possibilidade de que estou mentindo. Fecho minha bolsa e penduro em um ombro. Faço o mesmo com a mochila com minhas roupas ortodoxias. – Como estou? – Mudo de assunto ao me voltar para ele.
– Linda, loira e cheirosa. – Sua resposta me faz sorrir satisfeita. – Quem olha para você assim, não imagina o tamanho do seu documento. – Seu comentário me arranca uma gargalhada.
– Tchau, bicha! – Anulo o espaço existente entre nós para lhe beijar os lábios. – Se puder, por favor venha ver Janis depois que ela voltar da aula. – Balança a cabeça concordando. – Qualquer coisa, me ligue. – De novo concorda com a cabeça.
– Vá tranquila, não se preocupe com Janis. – Fala em tom sério.
– Okay, então até amanhã!
– Até! – Pisca para mim. – Não esqueça de mandar Tinker fazer a chuca! – Praticamente grita, quando já estou fora do quarto.
(...)
Enquanto desço as escadas e ouço o barulho dos saltos ecoar pelo lugar, penso na futura reação de Regina Mills ao me ver assim. Quer dizer, será que posso de alguma forma, minimamente, afetar ela? Será que ela vai me notar, vai realmente me ver assim, ou vai me ignorar como sempre faz?
Apesar de saber que ela e Tinker não se envolvem com a mesma pessoa. Apesar de ter certeza de que me envolver com ela não é uma boa ideia para mim, nem para ela. Apesar de querer mesmo, mesmo que sejamos amigas, no fundo, bem lá no fundo, existe uma vontade soterrada.
Vontade de que sejamos mais do que amigas. Vontade de tê-la nua em meus braços, de saber como é ficar com ela. De conhecer a Regina Mills de verdade, a Regina por trás da máscara de indiferença que usa constantemente. Mas isso não é possível, é?
Maldita esperança! Mesmo sabendo que não devo imaginar certas coisas, imagino, desejo, quero. Sei que ela não me dá o mínimo de espaço para que haja qualquer tipo de relação entre nós, mas mesmo assim tenho esperança. Tenho esperança de dobra-la, esperança de que venhamos a nos tornar amigas, esperança de tornar essa amizade, uma amizade com benefícios.
Solto um suspiro de lamento, enquanto penso no quanto estou ferrada.
Ao alcançar a rua e olhar em direção ao carro, vejo que a atenção dela está aparentemente no celular, onde também aparentemente, digita alguma coisa. Fecho o portão atrás e de mim e fico parada em frente ao mesmo, enquanto penso se devo faze-la me perceber aqui, ou devo deixar de ser idiota e apenas entrar no carro.
– Misericórdia! Onde você vai assim toda linda, toda produzida, toda gostosa? – A voz de Anna ganha minha atenção, me fazendo olhar em direção a ela, que acaba de atravessar a rua e para em minha frente.
– Trabalhar. – Minha resposta a faz sorrir.
– Desse jeito me sinto na obrigação de juntar um dinheiro para contrata-la. – Seus olhos passam pelo meu corpo sem cerimônia alguma.
– Por que você pagaria por algo que tem de graça? – Sem muita vontade, seus olhos saem das minhas pernas e se concentram em meu rosto.
– Porque você nunca se produziu assim... – Aponta para mim. – Para sair comigo. – Me faz rir.
– Tecnicamente, nós nunca saímos. Mas nesse caso, podemos combinar uma saída. Prometo me produzir do jeitinho que você desejar. – Minha voz sacana e meu olhar sugestivo a fazem morder os lábios, e espalmar meu peito. Suas mãos apalpam meus seios, antes de subirem até meus ombros.
– Do jeitinho que eu quiser? – Ronrona a pergunta, os lábios roçando os meus.
– Sim. – Também ronrono ao tentar beija-la, mas ela se esquiva.
– O sexo pode continuar sendo do mesmo jeitinho de sempre, que você sabe, eu adoro. – O jeito perverso com o qual me olha, me faz rir. – E as roupas, você pode se vestir exatamente como está vestida agora. – Deixo a bolsa e a mochila escorregarem pelos ombros e puxo Anna pela cintura, a trazendo para mim.
Ao levantar os olhos e espiar Regina Mills, vejo que Anna e eu temos total atenção dela, o que faz sorrir e faz meu estomago fazer sua idiotice. Concentro os olhos em Anna e faço de conta que toda a felicidade no meu sorriso, é por sua causa, mesmo sabendo que isso pode me render futuros problemas.
– Me convença a ir vestida assim. – Peço em um ronronar. Fecho os olhos, meu nariz roça o dela, enquanto meus lábios ameaçam beija-la. Antes que eu possa realmente fazer tal coisas, os lábios gulosos dela, devoram os meus, sem pudor, sem cuidado, sem vergonha. Abro minimamente um olho e de novo, espio Regina, que continua concentrada no que acontece. Anna me empurra contra o portão, esfrega o corpo no meu. Minhas mãos descem pela sua bunda, escorregando até a parte interna de suas coxas, procurando contato com seu sexo. Antes que eu consiga tal coisa, a buzina do carro de guerra de Regina, faz Anna pular de susto e faz com que eu me contenha para não rir. – Preciso ir. – Aviso.
– Cliente nova? – Questiona sem se afastar. Seus dentes prendem minha bochecha.
– Só uma mensageira. Agora sou mulher de uma mulher só. – Minha novidade a faz levantar a cabeça para me encarar.
– Exclusividade? – Quase debocha.
– Pois é. – Dou de ombros.
– Tirou a sorte grande, não é, safada? – Dou risada.
– Negócios, Anna, negócios. – Minhas mãos voltam a sua cintura, e gentilmente a tiro da minha frente e junto minhas coisas no chão. – Tchau, gostosa! – Lhe dou um breve beijo. – Vamos combinar nossa saída. – Pisco para ela e sigo meu caminho.
Propositalmente, não olho para onde Regina está, quero que ela pense que nesse momento, nem me lembro dela.
– Mulher de uma mulher só? – Anna debocha, me fazendo olhar para trás.
– Quando essa uma só está presente. – Minha resposta arranca dela uma gargalhada. Abro a porta de trás e jogo minhas coisas ali.
– Cafajeste! – Me acusa. Não digo nada, só abro a porta, agora a do carona e entro. Sem permissão da dona, abro a janela.
– Cafajeste não, doadora de orgasmos. – A corrijo. – Gosto de fazer as mulheres felizes. – Ela ri e antes que possa me responder, o carro já está em movimento. Fecho a janela, e muito casualmente, sem tirar o sorriso do rosto, olho em direção a Regina Mills, que tem o semblante fechado. – Desculpe o atraso, tive um imprevisto. – Acho que não preciso falar sobre o imprevisto, certo?
– Isso que você chama de discrição, Srta. Swan? – Ela definitivamente está irritada.
– Ah, qual é? Não é como se a alta sociedade conhecesse a minha vizinha. – Me defendo.
– Quando a alta sociedade souber sobre o seu namoro com Tinker, Srta. Swan, acredite, não vão se contentar apenas com seu rostinho bonito e com o seu sorriso encantador. Sempre tem alguém que vai querer saber mais, que vai desejar o mal, que vai sentir satisfação em querer arruinar você, só para afetar Tinker, o hotel, a rede. – Fala tudo quase sem respirar. — Então pouco importa se ela é sua vizinha, pouco importa que a alta sociedade não a conheça. Agora você faz parte do nosso mundo, Srta. Swan, então é bom você saber que tem alguém de olho, alguém sempre estará de olho. – Abro e fecho a boca algumas vezes, a verdade é que talvez eu estivesse assustada, não só pelas coisas que me falou, mas o jeito como falou. Só que infelizmente meus pensamentos estão na parte do “seu rostinho bonito e o seu sorriso encantador”.
– Você acha meu rosto bonito e meu sorriso encantador? – Minha pergunta a faz tirar atenção da estrada e me lançar um olhar enfurecido.
– Você prestou atenção no que eu disse, Srta. Swan? – Quase berra, enquanto seus olhos me fuzilam.
– Sim, me desculpa. – Respondo na defensiva. – Prometo ser mais discreta e não beijar mais ninguém no meio da rua. – Minha promessa não a abala, ela continua com o mesmo olhar duro. Não gosto desse olhar, ele me lembra e muito, o dia em que ela acordou comigo na sua cama e tudo que sucedeu depois. – Desculpa. – Peço de novo, a fazendo balançar a cabeça negativamente e voltar a prestar atenção na estrada.
Como ela está visivelmente irritada e como sei que quando ela está assim, é melhor não dizer nada, volto a tomar conta do som do carro. Ponho minha playlist para tocar, aumento um pouco o volume e cruzo minhas pernas.
Baixo um pouco a cabeça, enquanto mexo no celular para organizar minhas músicas, isso faz que um pouco de cabelos venha para frente do meu rosto, o que me possibilita espiar Regina Mills pelo canto dos olhos, sem que ela perceba que estou espiando. Ao fazer tal coisa, me surpreendo ao perceber que ela me espia do mesmo jeitinho, na verdade, espia minhas pernas.
Killian, abençoado seja aquela bicha louca! Tenho vontade de sorrir, de tirar os cabelos da frente do rosto e perguntar a ela se posso ajudar, mas como se trata de Regina, sei que tudo que posso fazer se resume a praticamente nada.
Fingindo estar alheia a tudo, começo a cantarolar junto com Ellie Goulding. Devagar descruzo as pernas, e quase em câmera lenta, volto a cruza-las para o lado oposto. Concluo que sim, ela definitivamente está de olho ali. Infelizmente como ela é Regina Mills, não demora a se recompor e voltar a prestar atenção na estrada. Me permito sorrir, antes de tirar os cabelos da frente do rosto e levantar a cabeça.
Ao olhar na direção dela, vejo Elvis Regina II, pendurado na chave do carro. ELVIS REGINA II, O PRESENTE QUE EU LHE DEI. Sei que não é muita coisa, mas tratando-se dela, acho que se torna muita coisa. Quer dizer, ela não jogou seu presente em qualquer lugar, ele está bem ali, penduradinho, bonitinho, na chave do SEU carro.
– Gostei do chaveiro. – Aponto enquanto sorrio. Claro que ela não diz nada, faz de conta que nem ouviu. – Quando você quer, você e a sua perfeita arte de ignorar, conseguem ser irritantes, sabia? – Tento de novo e de novo não tenho resposta.
Suspiro, tiro os olhos dela e volto a prestar atenção no meu celular, pelo menos ele não me ignora. Acabo me arrependendo de tal coisa ao ver que Tinker acabou de me mandar uma mensagem e está digitando outra.
Ao ler sobre o que se trata, bufo, balanço a cabeça em negativo e tenho vontade de xingar muito.
– Você só pode estar de brincadeira comigo! – Esbravejo. – Qual o problema da sua amiga? – Questiono com Regina, e finalmente tenho a atenção dela.
– O que ela fez dessa vez? – Parece interessada.
– “Jane, infelizmente não consegui me livrar dos meus pais, e pelo jeito não conseguirei tão cedo. Desculpe, mas não vou conseguir comparecer ao nosso encontro”. – Resolvo não ler o resto, já que o mesmo envolve corações e beijos. – Não sei porque você disse meu nome para ela, já que ela insiste em me chamar de Jane. – Esbravejo. – Sei menos ainda o motivo de ela ter me convocado, se não sabia se conseguiria ir. – Meu tom de voz sai ainda mais irritado. – Será que ela tem noção da realidade? Não que a minha vida, a minha filha, interessem a ela, mas ela podia ter um pouquinho, só um pouquinho de consideração. – Continuo reclamando.
– Vou falar com ela. – O tom dela sai quase como desculpas, como se de repente fosse ela a culpada e não Tinker. – Você quer que eu retorne e deixe você em casa? – Nego.
– Não, siga em frente. Vou ficar no hotel, vou esperar essa reunião de pais e filha acabar, e aí, Tinker vai aprender a pensar duas vezes antes de desmarcar comigo. – Penso as coisas que estão na minha bolsa. – Vamos foder duro, com força e sem lubrificante. – Não sei se é minha voz ameaçadora, ou minha frase nada ortodoxa, o fato é que Regina Mills arregala os olhos ao ouvir tal coisa.
– Poupe-me. – Resmunga.
– Desculpa. – Peço. – Eu só faço isso com quem merece. – Resolvo deixar claro. – Quer dizer... eu sei ser carinhosa e cuidadosa. – Tento explicar. – Quer dizer... eu não uso dildo com todas as mulheres, prefiro usar os dedos, a boca, a língua. — Continuou um tanto quanto sem jeito, mais sem jeito do que eu, só Regina, que parece muito desconfortável com o que ouve. – E sexo anal... acontece mais quando me pedem, e também... – Antes que possa continuar minha explicação, ela me impede.
– Srta. Swan, não estou nem um pouco interessada em saber o que você faz ou deixa de fazer com as suas clientes. – Esclarece.
– Eu só... – Ela balança a cabeça em reprovação.
– Fique quieta. – Pede. Suspiro e concordo.
– Só quero dizer que sou diferente quando não saio com clientes. Diferente do tipo... – Me lança um dos seus olhares furiosos, me fazendo desistir. – Fique quieta. – Resmungo e ela balança a cabeça concordando.
O que você foi dizer, Emma? Provavelmente assustou a mulher com a história de foder duro e com força. Se as coisas nunca pesaram a seu favor, com certeza agora tudo piorou. Pior, ela nem deu a chance de você explicar que caso um dia um milagre aconteça e vocês venham a se envolver, você trataria ela como nunca tratou ninguém.
O que você está pensando? Tratar ela como nunca tratou ninguém? De onde tirou isso? Não seja patética! Não tenha esse tipo de pensamento brega! Ela é só Regina Mills, uma mulher difícil, que pelo fato de ser tão difícil, praticamente impossível, atrai você desse jeito. Mas só, não tem nada de diferente, entendeu?
Okay, pare com isso, pare de pensar nela, se concentre em outra coisa. Pense no quanto essa calcinha fio dental está incomodando você. Tinker cancelou, ou seja, você não precisa mais usa-la. Por favor, meta a mão lá e se desfaça disso.
Mas tem Regina, talvez, com certeza, ela não vai gostar de ver você metendo a mão lá para tirar a sua calcinha. Mas você não se importa com isso, se importa? O máximo que ela pode fazer é gritar com você, parar o carro e expulsa-la. Mas a sua bunda, pense no quão maravilhosa é a sensação de desentalar a calcinha de lá. Sim, vale muito apena correr esse risco.
Sem pensar mais sobre o assunto, resolvo arriscar e levo minhas mãos até a calcinha. Sim, vou tira-la. Agora que foquei no quanto ela está me incomodando, não vou conseguir ficar assim.
Claro que minhas mãos entre minhas pernas, chama a atenção de Regina Mills, até porque não é nada comum dar carona para pessoas que de repente, sem explicação, nem prévio aviso, resolvem pôr as mãos lá. Isso é claro, depois de acabar de dizer que fode duro e com força.
– O que você pensa que está fazendo, Srta. Swan? – Pelo seu tom de voz ríspido, concluo que ela não está nem um pouco feliz com o que está acontecendo. Na verdade, parece em dúvida sobre o que eu realmente estou fazendo. Não respondo nada, minha atenção está toda no zíper da peça para que não corra o risco que ela belisque essa região tão sensível.
Sorrio ao enfim conseguir abri-lo.
– Tirando minha calcinha. – Conto ao puxar a mesma e faze-la visível aos olhos de Regina, que incrédula e talvez muito irritada, acompanha a peça ser balançada de um lado para o outro.
– Qual o seu problema? Você não está sozinha. Está no meu carro, na minha presença. – Reclama, parecendo ainda mais irritada.
– Você já usou uma calcinha fio dental? Se sim, deve saber que não é uma das coisas mais confortáveis do mundo e já que não vou mais encontrar com Tinker, não tem necessidade de eu continuar com ela. – Balança a cabeça negativamente e ainda com de cara amarrada, volta a prestar atenção no trânsito. – Não feche a cara para mim. – Peço. – Você deveria reclamar com Tinker. – Desataco meu cinto, e inclino o corpo para o lado, para que possa alcançar minha bolsa na parte de trás, tal coisa faz com que meu corpo se aproxime consideravelmente do dela, que como sempre, fica pouco à vontade com a aproximação. Só para irrita-la um pouquinho, demoro mais do que o necessário para pegar a bolsa e faço questão de roçar meu ombro no dela. – Além de ser depravada e exigir que eu use esse tipo de lingerie, ela cancelou comigo. – Paro minha boca perto do seu rosto, e contenho a vontade de rir ao ver que seus olhos focados a frente nem piscam. Talvez ela tenha trancado a respiração. – Duas vezes. – Esclareço, antes de enfim voltar ao meu lugar.
– Já disse que vou falar com ela. – Responde em tom duro. No momento não consigo saber se ela está irrita comigo, com Tinker ou com nós duas. – Coloque o seu cinto, Srta. Swan. – Ordena no mesmo tom.
– Eu vou, só me deixe pôr outra calcinha. – Lhe respondo, enquanto vasculho minha mochila a procura de uma. – A não ser que você queria que eu fique sem. – Não responde nada, mas o jeito que seus olhos me olham, já é suficiente para me fazer arrepender de ter dito o que eu disse. Ao enfim achar a peça a coloco rapidamente, pego também uma calça jeans, já que para os planos que acabei de fazer e que envolvem Regina, é bom estar de calça. – Olha, meu jeans rasgado combina com o seu. – Aponto de um para o outro.
– Seu cinto, Srta. Swan. – Volta a insistir e me faz revirar os olhos e acatar sua ordem.
– Satisfeita? – Não me responde nada. Volto a calçar meus boots e cheia de coragem, resolvo pôr meu plano em prática. – Então, o que você vai fazer? – Finjo casualidade.
– O que eu vou fazer? – Não entende a pergunta.
– É. – Jogo minhas pernas para cima do painel, cruzando uma sobre a outra. – O que você vai fazer agora? – Ao ver minhas pernas sobre seu painel, ela me dá um tapa, para que eu as desça dali.
– Vou deixar você no hotel, pegar alguns documentos e vou para casa. – Responde de mau humor. – Tire as pernas daí, Srta. Swan. – Ordena e volta a chocar sua mão contra minha perna esquerda. Aproveito tal coisa e tento pegar sua mão. Algo que dura mais ou menos, um segundo.
– Você não gosta de contato físico ou seu problema é comigo? – Me vejo na obrigação de questionar.
– Eu não gosto de pessoas folgadas. – É direta.
– Ai! – Finjo voz de dor. – Você me acha folgada? – Pelo jeito que me olha, parece ter dúvidas sobre eu estar mesmo falando sério. – Acha? – Tira os olhos dos meus e volta a prestar atenção no trânsito.
– Vejamos, você deixou uma das suas calcinhas fio dental boiando na minha piscina. Você bateu no meu carro e quis me culpar. Você só chamou o guincho e um táxi porque eu praticamente a obriguei. Você me fez ajudar a procurar por sua filha quando você já sabia onde ela estava. Você tirou sua calcinha dentro do meu carro comigo no mesmo. – Faz uma pausa para respirar. – Fora as coisas que provavelmente estou esquecendo. – Acabo rindo de todas as duas reclamações. – Ainda quer que eu responda? – Nego.
– Okay, admito que não começamos muito bem, mas você poderia me dar uma chance. – Peço e ganho silêncio como resposta. Mantenho meus olhos nela, que parece incomodada com tal coisa, o que a faz me espirar pelo canto dos olhos. – Você gosta de mim. – Não pergunto, afirmo. Bom, ela me olha como se eu fosse louca. – Um pouquinho, mínima coisa, mas gosta. – Volto a afirmar. – Como já disse, conheço pessoas como você, Srta. Mills. Talvez não pessoas tão cheirosas quanto você, mas enfim, conheço. Isso me faz ter certeza que você não teria ido de jeito algum até minha casa me pedir desculpas... – Faço aspas com as mãos. – Se não se importasse pelo menos um pouquinho. – Minha conclusão a faz rolar os olhos.
– Isso não significa que gosto de você. – Seu tom de voz está mais ameno, parece que está quase se divertindo com a conversa.
– Então você se importa com quem você não gosta? – Minha pergunta a deixa sem resposta e me faz sorrir. – Eu já disse para você que posso ser uma boa amiga. – Mais uma vez na noite, tenho certeza que não vai me responder.
Me castiga com seu silêncio por longos segundos, até que para o carro no sinal. E mais uma vez volta a me espirar pelo canto dos olhos. Batuca os dedos contra o volante, enquanto parece ensaiar alguma coisa, o que me deixa ansiosa.
– Não sei se a palavra amizade, tem o mesmo significado para nós duas. – Enfim murmura, sua atenção no sinal. Sua preocupação com o significado de amizade para mim, me arranca um sorriso.
– Não envolve beijos na boca, nem sexo, se é isso que lhe preocupa. – Esclareço em alto em bom som. – Pode envolver abraços as vezes. Eu gosto de abraçar, o que não significa que eu quero beijar e levar para cama a pessoa que estou abraçando. – O que também não significa que eu não gostaria de beija-la e leva-la para cama. Mas isso ela não precisa mesmo saber. – E eu meio que me comunico com as pessoas, tocando nelas, o que mais uma vez não significa que gostaria de beija-las e leva-las para a cama. – Bom, eu poderia ser 100% honesta com ela, falar sobre os desejos que essa cara amarrada, esse perfume marcante, e os trejeitos dela me fazem sentir, mas claro que se eu fosse 100% honesta, ela começaria a 100% me ignorar. – Me deixa provar que eu posso ser uma boa amiga no sentido literal da palavra? – Peço. Ela suspira, está aparentemente vencida. Tira os olhos do sinal e me encara, tal coisa me deixa ansiosa, meu estômago reclama, o que me faz quase berrar para que ele cale a boca e volte a ser o mesmo estômago inanimado de sempre.
Seus olhos ficam presos nos meus, me analisando, desafiando, estudando. Eles intimam, mas não fujo, posso continuar assim por tempo indeterminado. Gosto de olha-la nos olhos, gosto da Regina que vejo neles.
– E como você vai me provar isso, Srta. Swan? – Não consigo não sorrir ao concluir que ela está muito pensando no assunto.
– Você pode deixar os documentos para pegar mais tarde, e sair comigo. – Sugiro.
– Nem pensar. – Responde prontamente.
– Sair comigo como amigas, não como um encontro. – Esclareço. – Amigas saem, não saem? – Da de ombros.
– Tinker e eu não saímos.
– Deve ser porque você mora em Nova York e ela aqui em Vegas. – Não consigo não ironizar.
– Eu não tenho tempo para esse tipo de coisas, Srta. Swan. – Da a sua explicação.
Infelizmente o carro que está atrás de nós, buzina, avisando a Regina que o sinal abriu, então ela tira a tenção de mim e volta a prestar atenção na estrada.
– Qual é? Você pode se dar uns dias de férias. – Insisto. – Você já é rica, milionária. Pare de ser gananciosa, gaste um tempo se divertindo. – Peço. – Mesmo que você diga que não, sei que se divertiu mais cedo comigo e com Janis. Por que não pode se divertir mais um pouco? Não é pecado se divertir. – Ela está pensando, ela está pensando. Pelo seu semblante tenho certeza que está pensando, e isso me faz ter vontade de fazer a dança da vitória.
– Se por um acaso, eu concordasse com essa sua ideia, onde nós iriamos? – Rio alto, e isso nada tem a ver com sua pergunta e sim com a minha felicidade por ela ter praticamente cedido. Meu estomago volta a fazer sua palhaçada, enquanto minhas mãos se fecham, contendo a vontade de abraçar essa mulher linha dura. – O quê? – Me olha desconfiada, provavelmente não está entendendo minha risada sem sentido.
– Nada. É que quando eu fico feliz, começo a rir. – Explico. — Se por um acaso você concordasse com a minha ideia, Stratosphere Tower é para onde iriamos.
– O que quer fazer lá? – Junta as sobrancelhas, aparentemente não entendendo o que tem para fazer lá.
– Digamos que eu também gosto de parque de diversões, e esse gosto se torna ainda maior, quando se trata de parque de diversões com brinquedos radicais. – Ao enfim entender, ela balança a cabeça negando.
– Você não tem medo da morte, Srta. Swan? – O jeito um tanto quando incrédulo com o qual pergunta, me faz rir.
– E adianta ter, Srta. Mills? – Volta a balançar a cabeça negativamente.
– Não, mas você não precisa provoca-la. – Opina. – Os brinquedos daquele lugar são Kamikazes. É como rir da cara da morte.
– Então digamos que eu gosto de rir da cara da morte. – Dou de ombros. – Venha rir da cara da morte comigo. – Volto a convida-la. – Você não tem noção da quantidade de adrenalina que aqueles brinquedos são capazes de proporcionar. – Me lança um olhar reprovador.
– Nem quero ter.
– Okay, então só venha comigo. Você já esteve lá? Sei que você não gosta de Vegas, apesar da sua camiseta dizer ao contrário. Mas enfim, a vista lá de cima é incrível, tenho certeza que até você vai gostar. – Garanto. – Você vem?! – Insisto. Ela não diz nada. – Por favor? – Volto a insistir. – Por favorzinho! – Meus dedos enroscam na manga da camiseta dela, que suspira, tira minha mão dali e dá um leve aceno com a cabeça.
– Okay. – Seu Okay sai o mais baixo possível, quase inaudível, mas meus ouvidos preparados o ouviram muito bem. Não consigo conter minha felicidade, então levanto os braços, e comemoro muito.
– Obrigada Deus! Nossa Senhora das Causa Impossíveis! Nossa Senhora das Mulheres Extremamente Difíceis! Nossa Senhora dos Parques de Diversões! Valeu, amigos! – Bom, meus agradecimentos fazem Regina Mills fazer uma coisa que não estou acostumada a ver. Ela está rindo abertamente, do mesmo jeito que faz com Janis. Não tenta esconder tal coisa, e isso me deixa em estado de graça.
– Você é tão idiota, Srta. Swan! – Me elogia enquanto ainda ri. Já mencionei o quanto gosto do som dá risada dela? Pois é, eu gosto.
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