Right Here Waiting For You
4 Break The Ice
Notas iniciais
Não me basta todos os problemas que me trouxeram para esse lugar maldito, ainda tenho que receber uma ligação daquela loira abusa que bateu seu carro no meu, justo no momento que tentava relaxar.
Era só o que me faltava, ser assediada por essa criança! Pior foi ouvi-la dizer que está com saudades da minha voz. Será que ela pensa que não tenho mais o que fazer da vida?
Convidar-me para beber! Essa Swan deve me achar ingênua, sei bem o que ela está querendo e de forma alguma vai conseguir algo comigo. Além de não gostar de mulheres, não sou pedófila.
Sei que ainda terei mais dores de cabeça com essa mulherzinha, preciso resolver o problema do carro o quanto antes, só desse jeito me verei livre dela.
Como estou dentro de um táxi a caminho para o hotel, e como não quero de jeito nenhum conversar com o taxista e quero menos ainda pensar na abusada Swan, tiro meu celular do bolso e acesso à internet, afim checar meus e-mails.
Logo de cara já encontro um e-mail de Zelena, minha irmã capacho das vontades de Cora. Minha cabeça lateja só de pensar no assunto da mensagem, tenho certeza que Cora está envolvida, o que me faz suspirar desanimada.
Decido abrir de uma vez e ver qual bomba dessa vez.
Olá maninha, espero que tenha chegado bem em Vegas. No momento deixarei as formalidades de lado, estou escrevendo apenas para informar os planos de nossa querida mãe. Assim talvez você possa tomar à dianteira e preparar tudo, antes que ela resolva mandar alguém para aí. Ou pior, ela mesma decida desembarcar em Vegas.
Ouvi ela falando a respeito de dar uma festa, regada a muito champagne e milionários dispostos a bancarem os solidários, e doarem algumas migalhas dos seus milhões para a caridade.
Um conselho, não deixe mamãe organizar isso, use sua inteligência e se antecipe a ela, ou terá ela aí em Vegas, pegando muito no seu pé e no de Tinker.
Ah, falando em Tinker, faça ela assumir publicamente digamos, suas preferências por garotas, assim mostraremos que somos pessoas abertas a qualquer tipo de relação, ou seja, ganharemos mais atenção do público gay. O que para Cora nada mais significa do que, mais dinheiro na conta bancaria no final do mês.
Desejo-te toda sorte do mundo maninha.
Beijos, Zelena.
Termino de ler já bufando, tudo que mais quero é que esse dia termine logo. Tinker, sempre ela, sempre me fazendo limpar sua bagunça. Só de pensar em organizar tal evento, tenho vontade de matá-la lentamente.
O taxista me deixa em frente ao hotel, entro no saguão do mesmo de cabeça erguida, sem olhar para os lados, e percebo que por onde vou passando, arranco olhares e cochichos. Os funcionários me olham como se eu fosse a personificação do diabo, abro um sorriso irônico, imaginando a reação deles se vissem por aqui, a mãe do pobre diabo, Cora Mills.
Cruzo o bar, e atravesso o casino, até por fim chegar a ala dos escritórios. Paro em frente a bancada da recepcionista e meus olhos param na jovem que aqui está. Ela acabou de desligar o telefone, me olha assustada, como se estivesse vendo um fantasma, o que me faz rolar os olhos. O que Tinker anda falando de mim por aqui?
– Bom dia! — Cumprimento-a com toda paciência e educação do mundo, mas a garota continua assustada.
– Bom dia senhorita Mills, em que posso ajuda-la? – Ela não olha diretamente para mim.
– Tenho uma reunião marcada com Srta. Bell. – Aviso.
– Oh, sim! Ela me informou que Srta, viria. Só um minuto, vou avisar que chegou. – A impeço, antes que ela tire o telefone do gancho.
– Não. – Minha resposta curta e um tanto grossa, a deixa ainda mais assustada. — Qual seu nome, querida?
– Julia, meu nome é Julia, senhorita Mills. — A garota parece nervosa. Em situações como essa me sinto a própria Cora Mills, sempre temida por seus funcionários. Definitivamente essa não é a imagem que quero passar aos meus colaboradores, ao contrário de minha mãe, não quero ser assim tão temida, quero apenas ser respeitada, e quero que eles respeitem o lugar onde trabalham.
– Julia, se acalme! Embora talvez pareça, lhe dou minha palavra que não mordo. – Falo tranquilamente e ela me sorri com um pouco de nervosismo. – Segundo, por favor, não avise a Tinker sobre a minha chegada. – Peço. — Digamos que quero fazer uma surpresa a ela e ver como ela reage. Se é que me entende. – Julia parece mais tranquila, de novo ela me sorri e concorda com a cabeça.
– Tudo bem senhorita Mills, sala primeira a direita. – Sorrio em agradecimento.
– Obrigada! — Despeço-me da secretaria e caminho até a sala de Tinker. Infelizmente para os meus olhos, faço a besteira de entrar sem me anunciar e a cena que vejo é tão inacreditável e inaceitável que o choque me deixa momentaneamente sem reação.
Tinker não tem o menor juízo, responsabilidade, pudor e vergonha na cara, nem no seu local de trabalho! Ela está de olhos fechados, mordendo os lábios, a cabeça recostada no encosto da cadeira. Sua calça está no chão, caída ao lado de sua cadeira, está nua da cintura para baixo. Suas pernas estão sobre a mesa, bem abertas, muito abetas, meu Deus! Como estão abertas. Enquanto isso ela se masturba com uma mão, e segura o celular com outra. Não bastasse tudo isso, ela começa a gemer ensandecida.
Por um momento dou as costas para tentar fugir dali, para evitar um constrangimento ainda maior, mas desisto da ideia assim que lembro que a errada da história é ela. Sair e lhe dar privacidade para que termine o que está fazendo, é o mesmo que concordar com essa pouca vergonha. Irritada, volto a me virar para ela.
– Tinker Bell! – Esbravejo. Instantaneamente ela abre os olhos e o susto faz o celular cair da sua mão. Ao tentar se pôr de pé, ela acaba se enrolando e vai ao chão também. – O que diabos você estava fazendo? – Volto a esbravejar, enquanto ela me espiada por debaixo da mesa, como uma criança faz quando a mãe lhe pega no flagra.
– Me masturbando? – Resmunga enquanto ainda no chão, tenta colocar a calça.
– Então é isso que você faz quando diz que está trabalhando? – Pela primeira vez na vida, Tinker parece sem resposta. – Eu não posso acreditar nisso, não posso! – Irritada, levo as mãos ao rosto, o esfregando.
– Eu posso explicar. – Murmura envergonhada ao se pôr de pé. Para o bem dos meus olhos, sua calça já está no devido lugar.
– Não, você não pode! – Aponto na direção dela. – Pelo amor de Deus! Você perdeu o juízo por completo, é isso? A porta está aberta, e se no meu lugar entrasse outra pessoa? E se fosse minha mãe a praticamente ver seu útero? Você sabe o quanto ela gosta de aparecer de surpresa. – As bochechas de Tinker estão vermelhas, algo inédito até então.
– Será que você pode esperar um pouquinho para a bronca completa? – Pede, antes de olhar para o chão, parece a procura de algo. – Eu só... – Sorri ao achar seu celular. O pega e mostra para mim antes de me dar as costas. – Gata, vamos ter que abortar a missão, minha sócia chegou e... estou terrivelmente encrencada. – Balanço a cabeça negativamente enquanto ela se desculpa com a outra pervertida. – Nos falamos depois, um beijo. – Desliga o telefone, e então se volta para mim, já parece ter se recuperado da vergonha, já que me sorri do mesmo jeito despreocupado que me sorri quando me vê em uma situação normal.
– Regina! Que saudades. – Tenta de aproximar, mas me afasto e com a mão, faço sinal para ela ficar onde está.
– Fique aí! Não me abrace, não quero mesmo um abraço seu. Mantenha suas mãos bem afastadas de mim, principalmente a que você estava usando para... – Para minha infelicidade ela não parece mais estar abalada com meu flagra.
– Me masturbar. – Termina a frase que deixei incompleta.
– Tinker, acorda! Você não está na sua casa, você não está em um bordel, você não pode sequer pensar em fazer o que estava fazendo. – Ela abre a boca para se defender, mas não deixo. – Me ouça, não quero saber das suas piadas ridículas, nesse momento não sou sua amiga. Sou sua sócia, e isso é uma reunião de trabalho. O que eu acabei de ver é completamente inaceitável. – Balanço a cabeça ainda incrédula. — Esse é seu local de trabalho, é você quem está no comando por aqui, ou seja, deveria dar exemplo. – Bufo, e tiro da bolsa o jornal no qual ela é capa, o jogando em sua mesa. — Veja isso! É o nosso hotel, o nosso cassino, e você, uma das donas do mesmo, está beijando uma mulher, enquanto outras três se esfregam em vocês! -Tinker pega o jornal olha por alguns segundos e apenas sorri.
– Essa noite foi louca! – Murmura consigo mesma, enquanto mantém os olhos no jornal. — Regina, não vejo nada demais nisso. Entenda como publicidade grátis. – Volta a sorri e me encara. — Não tem porque tanto alarde. – Lhe lanço um olhar ainda mais incrédulo.
– Nada demais? Uma orgia no meio do nosso cassino não tem nada de mais? – Esbravejo. – Pelo amor de Deus! Temos uma imagem a zelar. Somos proprietárias do maior, melhor e mais procurado hotel de Vegas, e não donas de um puteiro. – Me sinto cada vez mais irritada. – As pessoas não procuram nosso hotel para assistirem um show de orgia ao vivo, caso quisessem esse tipo de entretenimento, procurariam outro lugar, muito mais barato, vulgar e com profissionais. – Passo a mão pelos cabelos. — Os outros sócios estão loucos com isso. – Aponto para o jornal. – Sinceramente, você deveria saber se portar. — Como sempre, ela rola os olhos e faz aquela cara de: você esta ficando igual a sua mãe.
– Talvez eu possa ter passado um pouco da conta. Mas nenhum de vocês pode questionar como lido com negócios por aqui. – Começa na defensiva. — Sou uma ótima profissional. Chequem os relatórios e faturamentos, não existe prejuízos, apenas lucros. E todos os setores estão crescendo e se expandindo. – Suspiro, infelizmente tenho que concordar com ela. Nessa parte, Tinker tem razão. Acho que quando não está ocupada sem masturbando de porta aberta em seu escritório em pleno horário de trabalho, ela faz uma boa administração nas coisas por aqui.
Todos os relatórios que manda semanalmente, os resultados são sempre positivos. Porém, para mamãe, e o resto da diretoria, só lucros não bastam. É necessário se ter uma boa imagem e reputação, e tenho que concordar com ela, dessa vez Tinker passou de todos os limites possíveis.
– Tinker, não estou questionando os resultados, você administra esse lugar com maestria, e seria ótimo se você continuasse administrando, por isso tem que parar de expor o hotel desse jeito. – Opino. – Você sabe o quão conservador são nossos sócios. Por mais que estejamos em Vegas, há algumas coisas que se devem manter intactas. – Explico. – Como a credibilidade do hotel e o nome das pessoas ligadas a ele. Se você desobedecer essas regras, não vai existir pessoa, nem lucros, que os convençam a deixa-la aqui. – Ela solta um longo suspira, balança a cabeça, aparentemente concordando comigo, e senta-se em sua cadeira.
– Você falando assim me faz se sentir culpada. – Murmura. — Você como a pessoa mais responsável e centrada dessa nossa dupla, me diz o que tenho que fazer, e farei como uma boa funcionaria. — Ao menos uma frase sensata. Talvez, apenas talvez, essa loira ainda tenha jeito.
– Primeiro, quero que você mude sua postura em horário de expediente. Isso quer dizer: nada de telefonemas obscenos, nem masturbações, nem nada que envolva sexo e o seu útero exposto a quem resolva entrar na sua sala. – Ela concorda com a cabeça. – Fora de horário de trabalho também não, pelo menos não aqui. Não nesse escritório, não no nosso casino, não no nosso bar, não na nossa boate, não em qualquer lugar que pertença a esse hotel. – Ela abre a boca para protestar, mas não deixo. – Não me interessa se você mora aqui. Você mora aqui porque quer. Você tem dinheiro para morar em qualquer lugar de Vegas, ou seja, está na hora de arrumar um lugar para chamar de seu. – Aviso. – Lá você pode andar pelada pela casa, se masturbar, fazer orgias com quantas mulheres quiser. Apenas lá. – Suspira frustrada, mas de novo balança a cabeça concordando. – Tenho sua palavra de que não vai mais usar nosso hotel para satisfazer seus desejos sexuais?
– Sim. – Solta com ar. – Sem sexo, masturbação, telefonemas eróticos e orgias, tem minha palavra. – Sorrio satisfeita.
– Ótimo. Vamos promover um evento para a alta sociedade de Las Vegas. – Dou a notícia. — Só para os mais importantes e influentes, se é que esse lugar tem alguém desse porte. – Faço pouco caso. – Enfim, você conhece os nomes e figurões daqui, então irá fazer uma lista, e entregará os convites pessoalmente. – Aviso. – Tem que ser algo beneficente, em prol de alguma desgraça que anda comovendo as pessoas ao redor do mundo. Pesquise sobre isso. – Ordeno. – Vamos voltar a pôr nosso hotel nas manchetes dos jornais, só que dessa vez com algo positivo. — Tnker me olha sem o menor entusiasmo, como se eu tivesse acabado de manda-la para a forca.
– Entendi, morena. – Sua voz soa desanimada. – Teremos mais um daqueles eventos chatos onde cada um assina um cheque maior do que outro, para dizer que está ajudando a salvar o mundo. – Aceno com a cabeça concordando. — Será um porre, mas se isso limpa minha barra, considere feito. – Sua voz sai em tom de lamento.
– Não me olhe com essa cara, a ideia não foi minha. – Me defendo. — Recebi um e-mail de Zelena, considere como uma sugestão da minha mãe. – Ela rola os olhos.
– Tinha que ter dedo podre da dona cobra nisso. – Resmunga.
– Não é só isso. – Ao ouvir tal coisa, ela me lança um olhar preocupado. — Você terá que assumir publicamente sua orientação sexual, e apresentar essa loira da foto como sua... sua... – Procuro uma palavra para defini-las. – Bom, você tem que assumir um compromisso com ela. – Falo de uma vez. — Não será a melhor saída, mas ao menos mostrará que você estava com alguém com quem tem um relacionamento sério, e não apenas praticando uma orgia no nosso belo cassino. — Tinker me olha completamente assustada, o que me faz presumir que palavra, compromisso, não é algo bem aceito por ela.
– Por todos os deuses do rock! Regina, isso já demais. – Reclama. — Eu sou alguém livre, não me prendo a ninguém. – Tenta se explicar. – E mesmo que eu quisesse, a garota da foto é algo complicado. – Me olha de um jeito que não consigo entender.
– Pois descomplique. – Dou de ombros. – Tinker, você terá que fazer. A pague se for preciso, mas mantenha as aparências. Isso é algo que não esta em discussão, é pegar ou largar. – Aviso. — Se não quer lidar com Cora Mills, a partir dessa semana você será alguém responsável e isso inclui um relacionamento sério. – Tinker se põe de pé e começa a caminhar pela sala como animal enjaulado. Não posso fazer nada sobre isso, não tem como ajuda-la, estou de mãos atadas. Ela sabe que não tem muitas opções, sabe que se Cora aparecer por aqui, tudo vai mudar drasticamente, ela não terá a paciência que eu tenho com Tinker.
– Tudo bem, faremos do seu jeito então. – Concorda por fim. — Mas só um mês, um mês é o tempo que vai durar esse namoro de fachada. É o máximo de tempo que vou conseguir prende-la. – Balanço a cabeça assentindo.
– Ok, é tempo suficiente para que tudo seja esquecido e que hotel recupere sua imagem. – Respiro aliviada. — Acho que temos a solução então. Prepare a lista de convidados para o evento e procure alguma instituição para ser beneficiada. – A lembro. — Ao menos essa sua orgia, irá ajudar alguém. – Tento achar um ponto positivo. — Agora preciso resolver o problema do meu carro. Me envolvi em um acidente assim que cheguei aqui. – Me lamento, ao sentar-me em uma das cadeiras que fica de frente para a mesa de Tinker.
– Que coincidências, tive um problema semelhante. – Ela pega seu celular e volta a sentar-se em sua cadeira. — Se não tiver mais nenhuma reclamação, preciso fazer algumas ligações. – Rolo os olhos pelo o que acabei de ouvir.
– Maneira sutil de mandar embora. – Resmungo ao tirar da bolsa, o celular da tal Emma. – Antes de deixa-la, vou fazer uma ligação. – Aviso enquanto vasculho o celular da Srta. Swan em busca da palavra mãe. Assim que encontro, dou início a ligação.
Meus olhos param em Tinker, que ao mesmo tempo que eu, prende o celular entre os ombros e a orelha. Ela me sorri e eu acabo retribuindo. Espero o telefone chamar, e para minha infelicidade, caí na caixa.
A possibilidade de que a “mãe” daquela loira depravada não exista, me faz bufar. Repito a chamada e volto a fazer isso por três vezes, todas elas caem na caixa posta. Irritada, desisto da ligação.
Volto a olhar para Tinker, que assim como eu, parece não estar com sorte.
– Algum problema, loira? – A indago.
– Não. – Suspira. – Cai na caixa. – Conta ao largar o celular em cima da mesa. — Tentarei mais tarde. – Junto as sobrancelhas enquanto penso em tal coincidência.
Nós duas nos envolvemos em um acidente de carro, nós duas estamos tentando ligar para os responsáveis, nós duas não conseguimos contato pelo mesmo motivo. Tem algo a mais nessa história, algo de muito errado, não pode ser apenas coincidência.
Será? Não. Não. Tudo bem, Emma Swan é uma prostituta, mas Tinker, Tinker é muito mais velha, ela não sairia com uma prostituta adolescente, sairia? Não, claro que não. Isso seria vulgar demais até para Tinker.
Balanço a cabeça negativamente, tentando afastar tal pensamento, e ganho um olhar curioso de Tinker.
– Vou indo, preciso resolver outras coisas e procurar uma sala para me instalar por aqui. – Aviso.
– Ok. Peça a Julia a chave do escritório anexo a esse. Assim podemos ser vizinhas e nos visitar. – Aponta para a porta que dá acesso ao outro escritório. – E se você quiser descansar. – Apontou para a porta oposta. – Ali fica meu quarto, deixo você tirar um cochilo. – Sorrio em agradecimento.
– Obrigada, vou ficar só com o escritório anexo. – Aviso. – E como estou sem carro, vou ficar por aqui hoje, mas ficarei em um quarto de hospedes. – Pervertida do jeito que Tinker é, prefiro dormir em um quarto bem afastado do dela. – Para termos privacidade, sempre que quisermos entrar uma no escritório da outra, vamos bater na porta, ok? – Ela balança a cabeça concordando.
– Bater na porta, ótima ideia! O pessoal de Nova York deveria adotar esse costume. – Rolo os olhos pela provocação.
– Assim como o pessoal de Vegas, deveria saber que se masturbar no escritório é totalmente antiético. – Ela me mostra a língua. – Até depois, Tinker! – Me despeço.
Saio da sala e vou até Julia, em busca da chave do escritório. Solícita, ela me acompanha até o mesmo, me ajuda com algumas dúvidas, me consegue um notebook e me fala alguma coisa sobre essa cidade infernal que faço questão de não prestar atenção. Antes que ela resolva me contar mais alguma coisa sobre esse inferno carinhosamente apelidado de paraíso, resolvo dispensa-la.
– Pode voltar ao seu trabalho, se precisar de algo eu te chamo. – Mantenho meus olhos na tela do notebook.
– Espero que fique bem aqui, senhorita Mills. – Sorrio em agradecimento.
– É muito gentil da sua parte, Julia. Muito abrigada! — A garota deixa a sala, me deixando sozinha.
Ainda intrigada com as coincidências sobre o acidente, acabo desistindo do que estou fazendo. Mais de meio milhão de pessoas, mais de meio milhão de pessoas vivem nesse antro. Não seria possível Emma Swan, a depravada que afundou seu fusca amarelo cheio de tétano, no meu carro novinho, ser a mesma depravada com quem Tinker anda se esfregando, seria? Não, claro que não, seria muito azar para pouca Regina.
Aquela calcinha que encontrei na minha piscina não é dela, é? Além de bater no meu carro, ela não pode ter tido o desplante de ter invadido a minha casa, tomado as minhas cervejas, nadado na minha piscina e usado meu quarto como quarto de bordel.
Não, não, definitivamente não. Coincidências existem, telefones caem na caixa ao mesmo tempo, acidentes de carro acontecem a todo minuto. Emma Swan, não é a mulher com quem Tinker está envolvida.
E se for? O que isso tem demais? Ok, além de achar Tinker pervertida, vou acha-la também pedófila, mas é só isso. Ela é crescida, vacinada, sabe muito bem com quem sem envolve ou deixa de se envolver. Cada louco com sua mania, não é isso? Claro que vou odiá-la por ter levado uma mulher como Emma Swan, para passar a noite na minha casa, porém vou acabar perdoando.
Suspiro e desisto de pensar no assunto, ser ou não ser, tanto faz, ainda hoje descobrirei tal coisa, mas antes tenho coisas mais importantes a fazer, como por exemplo, trabalhar. Abro meu e-mail e resolvo responder à mensagem de Zelena, sou curta e grossa, “está tudo resolvido”. É tudo que lhe escrevo.
Dividida entre o trabalho e meus pensamentos idiotas que sempre acabavam na possibilidade de Tinker e a Srta. Swan terem alguma coisa, não percebo o tempo passar. Irritada comigo por tal coisa, resolvo acabar de uma vez por todas com minha dúvida.
Pego o celular de Emma, e faço a ligação, meu coração acelera quando começa a chamar. É então que ouço um telefone tocar, levanto a cabeça em busca do som e meu coração bate ainda mais forte quando percebo que vem da sala de Tinker.
Sem pensar, me ponho de pé e devagar caminho em direção a porta. Meu celular continua chamando e o dela continua tocando. Ao alcançar a porta, ouço vozes vindo do outro lado, como uma fofoqueira encosto minha orelha lá, com intuito de ouvir a conversa.
– Oh droga! Esqueci completamente. – Tinker lamenta-se.
– Mas eu não, tenho uma surpresa para você. – Essa voz! Minhas pernas fraquejam. Desligo o celular, não tenho mais dúvida quanto a mãe de Emma Swan. Fico sem ração, parada, ouvindo a conversa entre elas.
– Precisamos tratar de negócios. – A voz de Tinker soa nervosa.
– Que tipo de negócio? Aquele que sua sócia atrapalhou? Garanto que trataremos muito bem disso. – A voz dela sai insinuante, e provocante.
– Isso também, mas não agora. – Tinker avisa.
– Aconteceu alguma coisa? – A voz da Srta. Swan muda de oferecida para preocupada.
– Preciso de um favor seu, Jane. – Ouço sons que só podem ser de beijos e por um tempo ninguém fala nada.
– No que lhe posso ser útil? – A voz da tal “Jane” sai arrastada e sensual.
– Preciso que finja ser minha namorada por um tempo. – Tinker vai direto ao ponto, e de novo a sala fica em silêncio por algum tempo, dessa vez não consigo ouvir sons de beijos.
– Sabe que não sou exclusiva de ninguém. – Emma ou Jane, parece bastante séria. – Não trabalho dessa forma, eu não posso ser sua, delícia, nem que seja só por fingimento. – Meu queixo quase vai ao chão ao ouvir tal coisa. Ela parece bem certa de sua decisão.
– Jane, por favor! É só por um mês, nada além. Eu não lhe pediria se existisse outra saída. – Tinker praticamente implora. – Quanto você quer? – Indaga.
– Quanto eu quero? Como posso querer alguma coisa depois da ajuda que você me deu hoje? – Meu coração volta a acelerar ao ouvir tal coisa. – Eu não teria dinheiro para pagar aquele carro nem que nascesse mais cem vezes. – Acaba com qualquer resquício de dúvida que eu ainda tinha. Emma, Jane, qual o verdadeiro nome da mentirosa?
– Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Jane! Esqueça o conserto do carro, não quero que continue se encontrando comigo por obrigação. Quero continuar pagando por isso. – “Jane” gosta tanto da reposta que por um tempo tudo que ouço são sons de beijos e risadinhas.
– Tem certeza? – A voz dela volta a ficar arrastada e sedutora.
– Absoluta! – Tinker parece em êxtase.
– Um mês! – Avisa. – Apenas um mês, depois disso, nem que você me ofereça todo o dinheiro do mundo, eu não vou ficar. – Deixa claro.
– Apenas um mês. – Tinker concorda de imediato, parece tão feliz, que por um minuto acho que está apaixonada.
– E você sabe, prefiro tudo em dinheiro vivo. — Por Deus! Ela ainda faz exigências? Espero que Tinker saiba com que está se metendo e que não caia na besteira de se envolver emocionalmente.
– Do seu jeito então Jane, dinheiro vivo. – De novo elas estão se beijando.
– Ok, então acho que temos um acordo. – Mais beijos estão acontecendo. – Agora, deixe-me fazer o que vim fazer. Agradecer por você ter resolvido o problema com executiva gostosa. – Executiva gostosa, ela me apelidou de executiva gostosa? Por que estou sorrindo com isso? – Au! – Exclama depois de um possível tapa.
– Ela é uma executiva mais gostosa do que eu? – Tal pergunta me deixa ansiosa, por algum motivo, quero muito ouvir a resposta.
– Digamos que vocês possuem belezas diferentes. – Foge da pergunta. – Agora chega de conversa, me diz, você está preparada para a sua recompensa?
– Totalmente. – Tinker responde com empolgação. Então ouço barulho de passos, em seguida uma porta é aberta. – Puta Merda! – Tinker exclama, em um misto de espanto e surpresa, o que atiça e muito a minha curiosidade. – Jane, eu... eu... eu... – Tinker nunca, nunca, nunca mesmo desde que a conheço, tropeçou nas palavras desse jeito. O que me deixa hiper-curiosa para saber do que se trata.
Cuidadosamente, levo minha mão até a maçaneta da porta, e bem devagarzinho a abro, deixo apenas uma quase imperceptível fresta para que possa ver o que ocorre lá dentro. A princípio tudo que vejo é Tinker, então Jane também aparece em meu campo de visão. Não há mais dúvida, Emma Swan, embora esteja de costas tenho certeza que é mesmo ela.
O sobretudo negro que lhe cobria o corpo vai ao chão, revelando sua lingerie vermelha. Meus olhos crescem, preciso admitir que dentro desse modelo indecente e ousado, ela já não parece mais tão menina assim.
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– Garotas! – “Jane” se volta para a porta e com o indicador, faz sinal, chamando alguém. Caso caio para trás ao ver mais duas mulheres. Ambas já de lingerie, elas vão até Tinker, ficando uma de cada lado da minha amiga pervertida, e sem a menor cerimônia, atacam o pescoço da loira, enquanto Emma Swan se posta em sua frente. – Delícia, essas são Jane 2 e Jane 3, e juntamente comigo, estão aqui para servi-la. – Emma avisa antes de beijar a boca de Tinker.
– Oh Jane, aqui não! – Mesmo vencida, Tinker a reprimir. – Vamos até o quarto. — Jane não lhe ouve, tudo que faz é levar as mãos até a calça da sua cliente, desabotoa-la e a fazendo descer até o chão.
– Delicia, aqui sim! – Ela faz com que Tinker sente sobre a mesa. — Será interessante e extremamente sexy. Depois nós vamos para o quarto. — Se abaixa, ficando de joelhos entre as pernas de Tinker, enquanto as outras se livram das roupas de cima da minha amiga, que colabora e muito para aquilo levantando os braços.
Estou incrédula, em choque, irritada, estou estática, não consigo mover um músculo, não conseguiu sequer piscar. A cabeça de Tinker está jogada para trás, enquanto ela geme já incontrolavelmente, a mercê das outras três mulheres.
Não faz nem três horas que Tinker me prometeu que não usaria mais nosso hotel para suas orgias perversas, e já está descumprindo com sua palavra. Aposto que ela já não se lembra mais nem que estou aqui, na sala ao lado. Devo entrar ali e acabar com essa pouco vergonha, claro que devo, mas não consigo, não quero me aproximar nesse momento.
Estou com muita, muita raiva, não só de Vegas, não só de Tinker, não só de Emma Swan, não só das mulheres que estão a acompanhando, mas de mim também. De mim por um motivo bem simples, meu corpo, meu corpo está me dando claros sinais de que está gostando do que os meus olhos vêm.
Vegas, maldita cidade! Maldita Tinker! Maldita Emma Swan! Maldita lingerie vermelha! Fecho meus olhos e junto fecho também a porta que dá acesso ao antro. Emma Swan, se é que é mesmo esse o nome dela, vai pagar caro por isso, vai pagar caro por me deixar assim, vai pagar caro por me intimidar e me fazer recuar dentro do meu próprio hotel. Vai pagar com juros e correção, ou eu não me chamo mais Regina Mills.
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