Notas iniciais
A primeira ideia que tive de escrever uma Fic era sobre esse episódio ( O Bom, O Mal e a Dominatrix). Acabei por começar por SF e chegamos ao episodio da ideia inicial, portanto a fic que seria única entra nessa e teremos mais capítulos baseados neste episódio.

Heather é levada e Cath pergunta a Brass se ele avisou a Grissom. Brass responde que não.

No laboratório o supervisor sai da reunião e vai falar com Greg que esta trabalhando no caso do Assassino das Miniaturas. Informa que vai precisar tira-lo do caso e empresta-lo para o turno do dia. Greg reclama, mas Griss informa que são ordens de Ecklie.

A música ambiente toca em volume baixo. Luzes tênues.

Catherine Willows observa atentamente a cena, olhos fixos no corpo de Heather.

CW: (olhando para Brass)

Hei, Brass... não entendo uma coisa. Heather é uma dominatrix — não uma submissa.

Como alguém conseguiu dominá-la sem que ela se defendesse?

(JB): (cruzando os braços, olhando para o local)

Também não entendo. O segurança me disse que encontrou o portão da frente destrancado.

Ouviu música vindo do salão, entrou, e a encontrou desacordada.

Sem sinal de luta, e sem ninguém por perto.

Chamou a polícia imediatamente.

CW: (suspira, olhando ao redor) Pelo jeito, esse vai ser um caso complicado...

CW : Sara está chegando aí pra me ajudar.

JB (surpreso, franzindo a testa): Você chamou a Sara? Não tinha outro disponível?

CW : Todos estão ocupados. E a Sara tinha acabado de encerrar um caso.

Por que não poderia ser ela?

JB (hesita, desconfortável) Bom, é que...

Sara entra pela porta lateral, observando o ambiente com um leve sorriso irônico.

SS(brincando): Oi, gente... cheguei atrasada pra festa country?

CW (sarcástica, com um leve sorriso)

Bem na hora!

O seu "papai" aqui não queria que eu te chamasse.

SS (ergue uma sobrancelha, cruzando os braços)

Por que, pai?

Tá certo que eu não sou fã de country... mas posso entrar no ritmo.

JB (desviando o olhar, envergonhado)

Não é isso... bom... Vocês têm muito trabalho. Vou dar uma volta pelo local.

Brass se afasta. Sara e Catherine trocam olhares cúmplices.

Sara e Catherine entraram no salão silencioso, analisando cada canto em busca de evidências. O clima entre elas era profissional, até que a loira, como quem se lembra de algo inevitável, soltou em tom casual:

Catherine: Você sabia que há uns cinco anos a Heather ganhava muito dinheiro com os “trabalhos” dela? Alta classe mesmo.

Sara (curiosa, mas cautelosa): E como ela é... pessoalmente?

Catherine: Bonita. Inteligente. Charmosa. A única mulher que eu vi abalar o Grissom...

O nome causou um leve estremecimento em Sara, que imediatamente arqueou a sobrancelha, surpresa. Catherine percebeu, mas seguiu, aparentemente indiferente ao efeito que causava:

Catherine (continuando):

— Eles tiveram um envolvimento, sabia? Aquela química deles era... quase visível. Faziam um belo par, te digo. Heather é uma das poucas pessoas que conseguem vencê-lo no xadrez mental. Ela o provocava, desafiava... e ele adorava isso.

Sara desviou o olhar, desconfortável, mas tentou manter a compostura.

Sara (tentando interromper):

— Cath, talvez a gente devesse focar no caso...

Mas a loira estava empolgada com a lembrança, quase nostálgica.

Catherine (sem parar):

— Eu sempre disse a ele que precisava procurar alguém fora do trabalho. Envolver-se com colegas só complica. Mas Heather... ela o tirava do eixo de um jeito que ninguém mais conseguiu.

Sara respirou fundo. A cada nova frase, sentia como se estivesse sendo empurrada para fora de um espaço que nem sabia que ocupava.

Felizmente, um lampejo metálico no chão interrompeu a torrente: uma evidência.

Sara (erguendo o objeto): Catherine... olha isso.

Catherine se aproximou, sua atenção enfim desviada para o trabalho.

Catherine: Isso pode nos levar direto ao autor. Vamos ao hospital falar com Heather e recolher o material.

Sara assentiu em silêncio. Por ora, o relato incômodo estava encerrado — mas as palavras ainda ecoavam em sua mente.

O corredor do hospital estava silencioso, exceto pelo som de passos apressados e vozes abafadas atrás das portas fechadas. Sara caminhava com determinação, o kit de coleta em mãos, o crachá pendurado no pescoço. Ao dobrar à esquerda, avistou a porta do quarto onde Heather Kessler estava internada — e ouviu a voz de Jim Brass, inconfundível, impaciente:

Brass (irritado):

— Isso aqui não é um jogo, Heather! A gente precisa dessa coleta, você sabe disso!

Heather (seca, porém provocativa):

— E você sabe que eu tenho o direito de recusar. Não sou obrigada a nada, Jim. Nem agora, nem nunca.

Sara se aproximou e viu a cena: Brass com os braços cruzados, exasperado. Heather recostada na cama, impecável mesmo de avental hospitalar, os olhos firmes nos dele, como quem gostava do embate.

Sara (intervindo, firme):

— Boa tarde. Eu sou a perita Sara Sidle. Vim recolher o material do kit.

A voz calma, mas decidida, preencheu o ambiente, encerrando o embate em curso. Brass se virou, aliviado ao vê-la.

Brass: Ainda bem que chegou. Boa sorte com ela.

Ele se afastou, lançando um último olhar para Heather, como quem sabia que aquela batalha estava longe do fim.

Heather então voltou o olhar para Sara — avaliando-a de cima a baixo, com um leve sorriso nos lábios.

Enquanto isso Catherine liga para Grissom:

GG: Grissom!!

CW: Gil é Cath! O caso que estou a vitima é Lady Heather. Ela esta bem e foi transferida para o Hospital Desert Palms. Imaginei que quisesse saber.

GG: Obrigada Cath, vou agora mesmo ao hospital.

Desligou e logo pensou alto: “ Sabia que ele iria correndo ao saber. Por que será que Brass não queria avisar?”

No hospital Heather:

— Os homens me julgam pelo que eu faço. Sempre fizeram. Acham que sabem quem eu sou só porque trabalho com prazer... e poder.

Sara (sem tirar os olhos do kit):

— Acontece o mesmo comigo. Só que no meu caso, o julgamento é por ser mulher num campo dominado por homens... e por não sorrir o suficiente.

Heather sorriu levemente, interessada.

Heather:

— Já tinham me falado do seu nome... mas nunca a tinha visto pessoalmente.

Sara (ainda concentrada):

— Eu só ouvi falar de você hoje. Mas Catherine foi bem... descritiva.

(pausa breve)

Prazer em conhecê-la.

Enquanto as duas trocavam farpas cobertas por polidez, Sara continuava o trabalho com o kit, mantendo o controle — até que Heather quebrou o fluxo com um tom levemente provocador:

Heather (olhando para a porta): Grissom?!!

Sara ergueu os olhos e se virou com rapidez. Ao encarar a porta, congelou por um segundo. Grissom estava ali, parado, como um menino pego no flagra. O olhar dele encontrando o dela era hesitante, quase culpado.

Sara (seca, com voz controlada): Já estou acabando.

(a entonação carregava algo mais — decepção contida, talvez mágoa)

Grissom não respondeu. Ficou parado do lado de fora da porta, esperando.

Poucos passos depois, Mario surgiu no corredor e avistou o cunhado.

Mario: Oi, Gil! O que faz por aqui?

Antes que Grissom pudesse dizer algo, Sara saiu do quarto segurando o kit, o rosto impassível. Ao ver os dois homens juntos, manteve o tom formal, mas sua expressão era um livro aberto.

Sara: Grissom, já terminei com ela. Está te esperando. Recolhi o material que ela me autorizou. Está liberada.

Fez uma breve pausa ao ver Mario.

Sara (forçando um sorriso): Oi, irmão.

Grissom (tentando intervir): Sara, olha...

Sara (interrompendo, fria):

— Grissom, preciso voltar ao laboratório. Catherine está me esperando.

(voltando-se para Mario)

Tchau, Mario.

E saiu sem olhar para trás, os passos firmes e o semblante fechado.

Mario a acompanhou com os olhos até que ela desaparecesse no fim do corredor. Depois, virou-se para Grissom e soltou com um meio sorriso irônico:

Mario: É... acho que você ativou o modo fera de uma Sidle. Boa sorte com isso!

Grissom apenas suspirou e balançou a cabeça, antes de entrar no quarto para encarar Heather — e, talvez, as consequências dos fantasmas que ainda não tinha enterrado.

Grissom fechou a porta atrás de si e permaneceu por alguns segundos em silêncio, observando Heather recostada na cama. A iluminação do quarto era suave, mas não o suficiente para suavizar o clima pesado.

Heather (quebrando o silêncio, com um leve sorriso):

— Então... é uma visita profissional ou pessoal?

Grissom manteve-se impassível, os olhos fixos nela.

Grissom: Isso faz diferença?

Heather sorriu mais largo, como se ele tivesse dado exatamente a resposta que ela esperava.

Heather: Pra mim, sempre fez.

Ele não respondeu de imediato. Sentou-se na poltrona ao lado da cama, mas manteve uma distância segura.

Grissom: Só vim garantir que você colaborou com a coleta. O resto... não importa.

Heather (provocando):

— Claro que importa. Você entrou aqui. Podia ter mandado alguém, mas veio. Aposto que veio atrás da sua perita só pra ver se ela estava bem. Não é?

Grissom (sério):

— Eu confio na Sara. Ela sabe se cuidar.

Heather: E mesmo assim, veio. Não é curioso?

Grissom respirou fundo, lutando contra a irritação e o incômodo que aquela conversa despertava.

Grissom:

— Você está sempre testando limites, Heather. Mas esse não é o momento.

Heather (calma):

— Talvez não. Mas é o lugar, não acha?

Um silêncio pairou entre eles. Grissom desviou o olhar, se levantou, começou a andar lentamente até a janela do quarto. Heather o acompanhava com os olhos.

Heather (mais suave):

— Sabe, Gil... às vezes eu penso que, se você não tivesse tanto medo de sentir, nós dois poderíamos ter sido algo diferente.

Grissom (sem virar):

— Talvez. Mas a vida não é feita só de possibilidades. É feita de escolhas.

Heather: E você escolheu ela.

Ele não respondeu. O silêncio era a confirmação.

De repente, Heather fica em silêncio, expressão mudando bruscamente.

Grissom a observou e a viu curvar-se levemente, o rosto ficando pálido. Ela pressionava o lado direito do corpo com força.

Grissom (indo até ela):

— Heather? O que está sentindo?

Ela fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás, os lábios tremendo.

Grissom (pressionando o botão de emergência ao lado da cama):

— Preciso de ajuda aqui! Rápido!

Em segundos, a equipe médica entrou no quarto. Grissom recuou, dando espaço enquanto os profissionais a atendiam. Um dos médicos o olhou brevemente.

Grissom entrou no laboratório após deixar o hospital. Ainda estava visivelmente abalado pela crise que Heather tivera, mas tentava retomar o foco. Encontrou Sara analisando os materiais recolhidos. O ambiente estava silencioso, exceto pelo som suave dos equipamentos funcionando. Ela nem levantou os olhos quando ele entrou.

Grissom (quebrando o silêncio):

— Alguma novidade sobre o caso da Kessler?

Sara digitou algo no computador, pegou um cotonete de coleta e respondeu com frieza contida:

Sara: Tudo parece apontar pra ela, só pra ela. Nenhuma evidência de terceiros até agora.

Ela se virou para a bancada ao lado, pegando um copo com marcas visíveis de batom.

Sara (com um tom ácido):

— Achei esse copo. Tem batom ao redor. Ainda não testei.

(pausa, olhando para ele)

Acha que é a cor dela?

Grissom sentiu a pontada. Levantou uma sobrancelha, mas não respondeu ao sarcasmo. Respirou fundo antes de falar, focando nos dados do caso:

Grissom: Heather não podia beber... por causa da diabetes. Isso pode explicar a hipoglicemia e o choque que teve no hospital. A equipe médica confirmou que o quadro dela era compatível.

Sara cruzou os braços, visivelmente incomodada, mas manteve o tom profissional.

Sara: Catherine encontrou indícios consistentes de estupro. Heather recusou a coleta, como você sabe. Mas o laudo aponta marcas claras no corpo. Três tentativas de estrangulamento. E o mais estranho...

(pausa dramática)

Sara: ...ela não se defendeu.

Grissom franziu o cenho, confuso.

Grissom (pensativo):

— Isso não faz sentido. Heather sempre foi forte. Durona. Ela jamais ficaria passiva diante de um ataque... ela teria lutado.

Sara o olhou, dessa vez com dor escancarada no olhar. A forma como ele falava da outra mulher, com tanta certeza e quase admiração, doía mais do que ela estava disposta a admitir.

Sara (firme, contendo a emoção):

— Grissom, se me der licença, tenho outras coisas pra analisar. Quero adiantar isso...

(pausa)

Tenho um jantar pra resolver.

Ela começou a organizar seus materiais para sair do laboratório, mas Grissom deu um passo à frente, tentando alcançá-la:

Grissom: Sara, espere. Eu... preciso falar com você.

Ela parou, sem se virar.

Sara: Sobre o trabalho?

Grissom (num tom mais suave):

— Querida, é sério. Por favor?

Sara se virou lentamente, os olhos duros, machucados. Grissom continuou:

Grissom: Só queria te pedir uma coisa. Trata bem a Heather. Ela está diferente... tem algo errado com ela e eu não sei o quê. Aquela mulher que eu vi no hospital não é a Heather que eu conheço. Ela teria se defendido... ela é forte, hábil, e...

Antes que pudesse terminar, a porta do laboratório se abriu de supetão.

Conrad Ecklie (entrando apressado):

— Grissom, precisamos de você agora. Um problema com a perícia do caso Jensen. Tem coisa grande vindo da promotoria.

Grissom olhou para Sara, que já se virava novamente para a bancada, evitando qualquer contato visual. O momento havia se perdido.

Sara (fria, sem olhar para ele): Boa sorte, Supervisor.

Grissom hesitou por um segundo, depois seguiu Conrad para fora da sala, com a consciência pesada e o coração ainda mais.

Sara permaneceu ali, imóvel por um instante. Depois, respirou fundo, tentando se concentrar no que fazia — mas a mão que segurava a lâmina de coleta tremia levemente.

Depois de mais algumas horas no laboratório, Sara terminou as análises pendentes e organizou os laudos. Ainda havia uma tensão em seu corpo — uma mistura de frustração, mágoa e cansaço. Ela olhou para o relógio e, sem pensar muito, pegou as chaves do carro e saiu em direção ao restaurante de Carlos.

O céu de Las Vegas já ganhava tons dourados quando ela estacionou em frente ao pequeno bistrô que ficava escondido em uma rua tranquila, longe do burburinho dos cassinos. Luzes suaves decoravam a fachada, e do lado de dentro, tudo parecia calmo e acolhedor.

Ao entrar, foi recebida pelo próprio Carlos, que saiu da cozinha com o avental ainda manchado de molho e um sorriso sincero no rosto.

Carlos (animado):

— Bem na hora! Ia te ligar em cinco minutos.

Sara (tentando sorrir):

— Desculpa o atraso. O laboratório não quis me deixar sair.

Carlos (gentil):

— Eu sei como é. Mas tá tudo aqui, como combinamos.

Ele se virou e pegou uma sacola térmica elegante, com a logomarca discreta do restaurante bordada. Era tudo pensado — as embalagens, os molhos separados, o vinho que ele havia sugerido e ela aprovou. Tinha risoto para ele, um prato vegetariano para ela, e uma sobremesa que agradava os dois: torta de frutas vermelhas.

Carlos (entregando a sacola):

— Tá tudo fresquinho. É só aquecer no forno por uns minutinhos e abrir o vinho. Um jantar digno de trégua.

Sara segurou a sacola com cuidado, olhando por um segundo para o conteúdo, como se ele pesasse mais do que aparentava.

Sara (baixa):

— Obrigada por fazer isso... mesmo de última hora.

Carlos: Claro. E... vai dar certo, Sara.

Ela ergueu os olhos, surpresa com a frase.

Carlos (calmo):

— Seja lá o que estiver te pesando... só não deixa que isso seja mais alto do que o que vocês já construíram.

Sara assentiu lentamente. Por um instante, seus olhos quase marejaram, mas ela respirou fundo e sorriu, contida.

Sara: Vou tentar. Pelo menos o jantar vai ser perfeito.

Carlos (sorrindo): Isso eu garanto.

Ela agradeceu novamente, deu um aceno rápido e saiu em direção ao carro. Entrou, acomodou a sacola no banco do passageiro e, antes de ligar o motor, apoiou as mãos no volante por alguns segundos, em silêncio. Só depois girou a chave e partiu para arrumar as coisas em comemoração ao aniversário de namoro.

Grissom saiu do laboratório com a mente em turbilhão. As palavras de Sara, sua frieza, os detalhes do caso... tudo parecia estar girando em torno de Heather. Quando recebeu a ligação de Mario, informando que ela havia saído do hospital sem autorização, a decisão foi quase automática.

Ele sequer pensou no jantar combinado. Nem olhou o celular. Só dirigiu — direto para a casa da Dra. Kessler.

Era uma construção elegante e discreta em um bairro silencioso. Ao tocar a campainha, foi atendido por uma funcionária muito gentil e que já conhecia o supervisor.

Funcionária (educada):

— Boa noite, senhor Grissom!

Grissom (curto, porém cordial):

— Boa noite. Heather está?

Funcionária:

— Sim, está na sala tomando um chá. Pode entrar.

Ele entrou. A casa era perfumada com algo suave, lavanda talvez, e havia uma música clássica tocando bem baixinho ao fundo. Grissom andou pelo corredor até avistar Heather sentada em uma poltrona ampla, envolta por um xale, com uma xícara nas mãos. Ao vê-lo, seus olhos se arregalaram levemente.

Heather (surpresa):

— Grissom? O que faz aqui?

Grissom (direto, entrando na sala):

— Vim conversar com você. Saber de verdade o que está acontecendo.

Ele se sentou à sua frente, firme, os olhos presos nos dela.

Grissom: E já te aviso: tenho tempo suficiente. E você também que sei. Por que saiu do hospital?

Heather deu um pequeno gole no chá antes de responder, com desdém contido:

Heather: Não tinha mais nada a fazer lá. Estava me sentindo presa. Médicos demais, perguntas demais. Ninguém escuta o que você não diz.

Grissom a encarou com intensidade.

Grissom:

— Heather, por favor... confie em mim. Eu conheço você.

(pausa)

Você teria reagido àquela agressão. Você sempre reagiu. O que está acontecendo?

Ela hesitou por um momento, como se algo dentro dela finalmente começasse a rachar. Os olhos de Heather, normalmente afiados e controladores, agora pareciam... cansados.

Heather (quebrando o silêncio, em voz baixa):

— Você realmente acha que me conhece, Gil?

Grissom não respondeu. Só a olhou, como se a resposta estivesse mesmo nos olhos dela.

Heather (com um suspiro):

— Algumas lutas a gente cansa de lutar. Outras, a gente perde antes mesmo de começar. E às vezes... só deixamos acontecer.

Ela desviou o olhar, como se aquilo fosse o mais próximo de uma confissão que conseguiria dar.

Grissom (com empatia):

— Você pode me contar. Seja o que for. Eu estou aqui. Mas não posso te ajudar se você continuar se escondendo de mim... de você mesma.

Heather encarou o fundo da xícara por um tempo, como se ali houvesse uma saída. Mas não disse mais nada.

O silêncio se instalou.

Grissom esperou.

E enquanto ele estava ali, sentado na sala de uma mulher que fazia parte do seu passado confuso, o presente — a mulher que o amava, o esperava, o entendia — estava em casa, com um jantar pronto, se perguntando onde ele estava.

No laboratório Brass e Cath conversam sobre o caso e das rugas entre pai e filho que os colocam como suspeitos. Resolvem então voltar ao Parque Temático para conversar de novo com o vigia.

Na casa do casal:

Sara estava empolgada na preparação da comemoração de 02 anos de relacionamento. A casa estava silenciosa, banhada por uma luz quente e suave. Sara havia chegado mais cedo, aliviada por conseguir concluir o turno a tempo. Desde a hora do almoço, quando mandara uma mensagem confirmando o jantar, havia planejado cada detalhe.

Na cozinha, os pratos cuidadosamente embalados por Carlos haviam sido dispostos em travessas bonitas, o aroma suave preenchia o ar. A mesa estava posta com uma simplicidade elegante: duas taças, guardanapos de linho, velas acesas.

No quarto, tudo também estava preparado. Lençóis limpos e macios, uma música instrumental suave tocando no fundo, pétalas discretamente espalhadas. A banheira estava cheia, água quente com espuma perfumada, e velas ao redor, como em um filme romântico.

Mas foi na sala que ela deixou o detalhe mais especial: sobre a mesinha de centro, um pequeno embrulho azul, com uma fita de cetim. Um presente que ela pensou por dias, algo que combinava com ele — discreto, mas com significado. Ao lado, um cartão com sua caligrafia firme, mas carinhosa: “Dois anos. Você ainda é o meu lugar seguro.”

Sara, então, foi se arrumar. Escolheu um vestido que Grissom gostava — simples, preto, com decote discreto nas costas. Prendeu os cabelos em um coque elegante, passou um batom suave e um perfume que sabia que ele reconheceria de longe.

Pronta, se olhou no espelho e sorriu para si mesma.

Sara (baixo, esperançosa):

— Hoje vai ser uma boa noite.

Sentou-se na poltrona da sala e esperou.

No parque temático:

Ao chegarem ao local, a noite era fria e silenciosa, o velho cenário do parque temático parecia mais abandonado do que nunca.

Jim Brass (olhando em volta, com ironia):

— Ohhh... velho oeste, parceiro.

(bate levemente a palma da mão na lateral da coxa como se saudasse um cavalo invisível)

Catherine Willows (suspira impaciente):

— Tá, eu desisto.

(se vira para ele)

— Eu sei que você sabe alguma coisa entre o Grissom e a Lady Heather. Então... conta logo!

Brass (sorrindo com aquele ar provocador):

— Eu sei de algo muito mais interessante do que Grissom e Lady Hea—

Ele não termina a frase. Ambos param bruscamente ao verem algo no chão, entre os barris decorativos e a fachada do saloon.

CW (fria): Oh, não...

Vernon está estirado no chão, rosto virado para o lado, uma poça de sangue abaixo dele. Um tiro limpo nas costas.

Brass se aproxima devagar, já tirando o celular do bolso.

JB: Central, aqui é o detetive Brass. Temos um óbito confirmado na Old West Town. Vítima masculina, ferimento de arma de fogo. Solicito perícia e transporte do corpo.

Enquanto isso, Catherine começa a vasculhar o local com os olhos treinados. Sem sinais claros de luta. Nenhuma arma por perto.

Mansão Heather:

Grissom e Heather continuam conversando e ela finalmente conta sobre Jerome e toda a raiva que ele está dela.

Na casa do casal:

O tempo começou a passar. As velas queimavam devagar. A comida começava a esfriar. A água da banheira esfriava também.

Ela olhou o celular. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação.

Tentou disfarçar o desconforto se levantando para aquecer a comida, reorganizar os talheres. Sentou-se novamente, desta vez sem sorriso, encarando o presente ainda intacto sobre a mesa.

Aos poucos, a expectativa deu lugar ao silêncio. E o silêncio à certeza.

As horas passam e Sara esta preocupada, nada de Grissom aparecer. Liga para o celular dele e só dá desligado. Ligou para o laboratório e disseram que ele não esta. Senta no sofá o esperando e acaba pegando no sono. Quando acorda percebe que já amanheceu e Grissom não apareceu.

Grissom não viria.

Ela se levantou devagar, apagou as velas, deixou os pratos de lado e foi até o quarto. Olhou a banheira ainda cheia, agora com a espuma quase desaparecendo, a água morna, esquecida.

Sentou-se na beira da cama, tirou os brincos e então... finalmente permitiu que os olhos marejassem.

Ela não chorava alto. Só deixava que a decepção escorresse devagar, como quem já conhecia aquela dor. Como quem já sabia que às vezes o amor não falha — mas quem ama, sim.

Toma um banho, se arruma para retornar ao laboratório. Antes de retornar ao trabalho, guarda a comida e alimenta Hank. Olha desolada para a arrumação da comemoração que não teve. Chega ao laboratório e pergunta pelo supervisor para Nick que disse que o viu saindo do laboratório por volta das 22:00 e depois não o viu mais.

No Parque temático....

Minutos depois, David Phillips chega com a equipe do IML, caminhando com sua habitual calma. Ele se agacha junto ao corpo e verifica os bolsos da camisa.

David: Encontramos o celular dele.

Entrega a Brass, que destrava o aparelho e começa a verificar o histórico recente.

JB (mostrando a tela):

— Última ligação? Heather Kessler. E tem várias outras...

CW (tom seco):

— Ele deve ter ligado ameaçando ela.

Brass guarda o celular, visivelmente preocupado.

JB: E a cereja do bolo: ela não está mais no hospital.

CW (vira-se para ele): O quê?

JB: Liguei para o Mario, ele confirmou. Saiu a revelia.

(pausa dramática)

— E sabemos como ela resolve os próprios problemas...

Catherine cruza os braços, olhando para o corpo no chão, pensativa.

JB (já andando para o carro):

— Vou procurar um juiz que não seja... digamos... cliente da Lady, pra pedir um mandado.

(dá uma última olhada para o corpo)

— Alguém está limpando a sujeira. E talvez ela esteja tentando sobreviver, ou... terminar o que começou.

Catherine observa a movimentação ao redor do corpo de Vernon enquanto liga para a perita morena.

CW: Sara? Preciso que venha até aqui. Temos uma nova vítima, e o caso agora envolve diretamente a Heather.

Sara chega determinada. Catherine a espera próxima da fita de isolamento.

CW: Vernon foi assassinado. Tiro nas costas. Encontramos uma ligação recente para Heather no celular dele.

SS (franze o cenho):

— Heather saiu do hospital?

CW: Saiu a revelia. Jim já está atrás de um mandado.

As duas começam a vasculhar o local. A tensão entre elas é densa, mas profissional.

Jim Brass se aproxima com um papel na mão e os olhos atentos.

JB: Consegui o mandado. Juíza nova no plantão.

(olha para Sara)

— Tá tudo bem com você?

SS (tentando disfarçar a dor):

— Sim... só estou chateada com uma coisa.

(pausa)

— Depois falo. Você viu o Grissom?

JB (balança a cabeça):

— Não, não o vi desde a tarde.

Catherine se aproxima e chama Brass.

CW: Vamos, Jim. A Heather vai ter que responder algumas perguntas.

SS: Vou levar o corpo para a autópsia. Vejo vocês depois.

O capitão parte com a loira para a casa da Dominatrix.

No Laboratorio...

Albert Robbins prepara os instrumentos. Sara observa, absorta.

SS: Albert, por acaso você viu o Grissom hoje?

AR: Não desde cedo. Por quê?

SS (mexendo no celular):

— Ele sumiu. Não responde mensagens. Nem ligação.

(respira fundo)

— Algo está errado... Preciso falar com a Catherine. Tenta novamente o celular e nada, começa a ficar preocupada com o sumiço e resolve que vai falar com Catherine sobre isso.

A fachada iluminada suavemente pelo poste da rua. Brass e Catherine se aproximam da porta com expressão decidida. Brass bate.

Heather (abre parcialmente a porta):

— Bom dia... essa não é uma boa hora.

JB (levanta o mandado):

— Temos um mandado, Heather. Precisamos que venha conosco à delegacia.

LH (olhos cansados):

— Já falei... minha memória ainda não voltou por completo. Não lembro da noite passada.

JB (tom firme): Então me diga onde esteve a noite toda?

HK: Aqui em casa!!

JB: Pode provar?

Heather se vira calmamente para dentro da casa.

LH: Eles querem saber onde foi que eu passei a noite?

Brass e Catherine trocam um olhar de confusão. Quando olham para dentro da casa...

Gil Grissom aparece na sala, com expressão neutra, mas voz firme.

GG: Ela passou a noite inteira aqui... comigo.

Silêncio absoluto.

CW (olhos arregalados):

— Você ?? O quê.... não....?

JB (um passo para trás):

— Grissom, você está dizendo que é o álibi dela?

GG (encara os dois, sem recuar): Sim.

Heather cruza os braços, observando os dois com um leve sorriso.

Catherine e Brass trocam um olhar de incredulidade e desconfiança.

CW (sussurrando para Jim):

— Isso... vai estourar como uma bomba.

Catherine caminha pela sala da mansão com Heather e Grissom, quando seu celular toca. Ela olha o visor e se afasta discretamente para atender.

CW: Willows.

SS (do outro lado, aflita):

— Cath, é a Sara. Você sabe do Grissom? Estou procurando por ele há horas... o celular dele está dando só desligado.

CW (morde os lábios, responde firme):

— Sei sim, Sara.

(pausa curta)

— Você acredita que chegamos na casa da Heather para conduzi-la para a delegacia... e o palhaço do Grissom está aqui ? Disse que passou a noite com ela. Então agora ela tem um álibi — e é esse babaca do meu amigo.

SS (silêncio breve, voz baixa e trêmula):

— Ele passou a noite com a Heather? Foi isso que eu ouvi?

CW: Sim, ele passou a noite com a amante dele.

(tom ácido)

— Estou voltando para o laboratório com os pombinhos. Nos falamos depois.

Catherine desliga e respira fundo, engolindo a própria indignação antes de entrar na sala.

Sara desliga o telefone em choque. O mundo parece girar ao seu redor. Ela solta a caneta que segurava, cambaleia até uma cadeira e se senta pesadamente. Tenta controlar a respiração.

SS (sussurrando para si):

— Ele... passou a noite com ela...

Wendy entra com uma prancheta, mas para ao ver o estado de Sara. Seus olhos se arregalam.

WENDY (rápida):

— Sara?! Você tá bem?

(pega uma garrafa de água em cima da bancada e entrega)

— Toma, respira fundo. O que aconteceu?

SS (bebe um gole, forçando um sorriso fraco):

— Tá tudo bem, Wendy...

(pausa, voz embargada)

— Foi só uma notícia ruim. Me abalou um pouco, mas já passou.

WENDY (preocupada): Tem certeza?

SS (se levanta, controlando a emoção):

— Tenho sim.

(sorri gentilmente)

— Faz um favor pra mim?

WENDY: Claro.

SS: Avisa a Catherine que precisei ir em casa rapidinho. Digo que já, já estou de volta... tá bom?

WENDY (ainda insegura):

— Tudo bem, eu aviso. Mas se precisar de qualquer coisa...

SS (já se afastando): Obrigada, Wendy.

Na mansão...

Grissom está de pé, inquieto, diante de Jim Brass, que ainda esta assimilando o que ouviu: O supervisor do noturno afirmando que passou a noite com Heather Kessler. A tensão é palpável, o clima carregado.

GG (tentando manter a calma):

— Jim, o que aconteceu pra vocês virem atrás da Heather?

JB (olhar frio):

— Encontramos o Vernon morto. Uma das últimas ligações feitas do celular dele foi pra ela, sem contar outras várias.

(pausa curta)

— Grissom, na boa... eu sempre soube que você era meio tapado com sentimentos...

(aproxima-se)

— Mas cretino e mau-caráter? Isso não combina com você.

Grissom se mexe desconfortável, passa a mão no rosto.

GG: Jim... não é nada disso que você está pensando, olha—

JB (corta, voz firme):

— Eu não tô pensando, Gil. Eu tô vendo.

— E ouvi muito bem quando você disse que passou a noite com ela. Ou você tá mentindo pra acobertar a Heather?

GG (tom mais baixo, mas firme):

— Não tô mentindo. É verdade que passei a noite aqui. Mas não é o que parece... você sabe que eu não faria isso com a Sara.

JB (olha para ele, indignado):

— Você se ouve, Grissom?

(voz mais dura)

— O Grissom que eu conhecia… aquele que respeitava as pessoas, que agia com integridade… esse cara não mentiria nem se envolveria com alguém assim com a namorada esperando por ele!

GG: Eu estava preocupado com a Heather. Ela tá diferente, fragilizada, eu só fiquei pra garantir que ela estava segura. Eu dormi no sofá. Não aconteceu nada.

JB (firme, magoado): Você deveria estar preocupado com a Sara, essa mulher que te ama. Ela estava desesperada, Grissom. Procurando por você a horas. Eu mesmo achei que tivesse acontecido algo... mas a verdade é bem pior.

Nesse momento, Catherine entra de volta na sala, interrompendo a conversa, com expressão dura.

CW (olhando diretamente para Grissom, fria):

— Vamos. Heather vai ser conduzida.

Brass respira fundo, se afasta e se posiciona atrás de Heather, que já vem do corredor. Ela lança um último olhar enigmático para Grissom antes de sair escoltada por Brass.

Grissom permanece imóvel por um instante, o peso do que ouviu refletido em seu rosto, sem saber que o pior ainda está por vir.

Grissom caminha rapidamente pelos corredores do laboratório, olhos no chão, ciente dos olhares e dos sussurros que o seguem como uma sombra. Catherine vem atrás, expressão dura, acompanhando-o em silêncio até que ambos entram na sala dele. Ele fecha a porta.

CW (sem rodeios, braços cruzados):

— Olha, eu sei que você não tem só atenção pros seus insetos e pro Hank. Sei que sai com ela, que é homem e que precisa… descarregar as energias.

(ela franze os lábios)

— Mas no meio de uma investigação, Grissom? Ela é a principal suspeita, e você ferrou tudo sendo o álibi dela.

GG (tentando manter a compostura):

— Eu tinha um palpite. Não acredito que a Heather seja culpada. Fui até lá pra confirmar isso. Foi uma visita social.

CW (arqueando a sobrancelha, cínica):

— Social? Quando a sua vida pessoal cruza um caso, você simplesmente... não fala nada? Faz uma visita "social" pra uma suspeita e tá tudo certo?

GG (curto, defensivo): Exato.

Catherine se aproxima, o olhar em chamas, raiva fervendo sob a superfície.

CW:

— Pois bem, bonitão... agora vai me ouvir.

— A minha vontade era te dar uns tapas. Mas sei que você ia gostar, e aí eu ia ficar mais puta ainda.

(ela respira fundo, o tom sobe)

— Você lembra quando ficou dias sem falar comigo porque minha vida pessoal interferiu num caso? Lembra a aula de ética que me deu? Disse que esse era o motivo de não sair com ninguém do trabalho, que era por isso que se mantinha distante... lembra?

Grissom abaixa o olhar, mas não responde.

CW (encarando-o de frente):

— Hipócrita.

— Você, que odeia ser julgado, foi o primeiro a me julgar.

— Você, que sempre se vendeu como imparcial, como incorruptível, agora aparece como álibi de uma suspeita. Não porque é inocente. Mas porque você quis estar com ela.

(ela dá um passo pra trás, a voz embargada de decepção)

— Machista, Grissom. É isso que você está sendo. Quando fui eu, você me tratou como uma qualquer. Mas agora, homem pode transar com a principal suspeita e tudo bem, né?

(pausa pesada)

— Decepcionada com você. Profundamente.

Ela vira-se para sair, mas antes segura a maçaneta e vira o rosto para ele uma última vez.

CW (em tom mais seco, ferido): Ahhh, a Sara… coitada, passou horas te procurando. Preocupada, ansiosa, angustiada. Mas não se preocupe, Grissom. Eu mesma cuidei de encerrar essa preocupação e contei onde você estava e que está vivinho.

Wendy entra pela porta entreaberta, um leve sorriso no rosto, sem saber do clima pesado que reina ali dentro.

Wendy (animada e inocente):

— Bom dia!! Desculpa interromper, mas só vim avisar a você, Cath, que a Sara precisou ir rapidinho em casa. Ela recebeu uma notícia ruim e não estava se sentindo bem… Mas disse que vai retornar.

Wendy nota o silêncio gélido e o semblante fechado dos dois. Hesita, depois sai.

CW (murmura, com sarcasmo ácido):

— Coitada… Deve ser por isso que estava tão aflita, procurando por alguém... Mas ele tava ocupado, né? Descarregando as energias.

Grissom fecha os olhos por um instante, como se as palavras de Catherine tivessem perfurado o peito. O coração já disparado pelo confronto anterior agora bate descompassado com a menção de Sara.

GG (tentando controlar o tom, tenso):

— Cath… Me desculpa por ter atrapalhado sua investigação, mas eu te garanto... Heather não é quem você procura.

Silêncio.

Catherine cruza os braços novamente, olhos fixos nele.

GG (mais baixo): Eu... preciso ir alimentar o Hank. Esqueci completamente… Mas volto em seguida.

CW (seca, mordaz):

— Aii, ai... coitado dele.

(ela dá uma risada amarga)

— Por causa da sua noite animada, você esqueceu até o cachorro???

(ela finge surpresa)

Heather deve ser muito importante pra você, não é?

Grissom sente o golpe. A palavra esqueceu ecoa. Ele realmente havia esquecido Hank... e também Sara. Tudo ao seu redor foi abafado pela obsessão em proteger Heather, ou pela dúvida de que talvez ela estivesse sendo injustamente acusada.

Ele desvia o olhar, engole seco, incapaz de dar uma resposta que amenize tudo.

Sem dizer nada, abre a porta e sai. O som da porta se fechando atrás dele ressoa como um fim silencioso de algo que ele nem percebeu estar perdendo.

Sara chegou em casa e começou a arrumar suas coisas sob os olhares de Hank que estava deitado na cama ainda arrumada para a noite de comemorações que não teve. Procurou pegar o máximo possível para evitar ter que retornar ao local. Pegou as bolsas e emocionada se despediu de Hank:

SS: Hei bebê!! Olha, independente de seu pai colocar outra mulher aqui eu vou sempre ser sua mãe tá?! Te amo muito amigão!! Desde criança sempre sonhei ter um cachorro e você é meu sonho realizado.

Grissom havia chego e ouviu movimentos no quarto. Devagar foi até lá e parou na porta ao ouvir a conversa de Sara com Hank. Ao notar a enorme tristeza dela, sentiu uma sensação de como tivesse levado um soco no estômago. Ficou estático na porta do quarto.

A perita levanta faz mais um carinho no cachorro, pega suas coisas e quando vira é que percebe a presença dele. Respira fundo ...

SS: Já estou saindo. Retirei todas as minhas coisas já, só estava me despedindo de Hank. Com licença que preciso voltar ao laboratório, fique bem.

Grissom sai do transe e percebe as malas nas mãos de Sara, entra em desespero:

GG: Sara por favor espera, precisamos conversar, não saia assim. Vamos agir como adultos.

Sara para no meio do corredor, respira fundo e se vira devagar. Seus olhos estão marejados, mas firmes. A fisionomia muda: a dor dá lugar a uma mistura de mágoa e coragem. Ela segura as alças das bolsas com força, como se fossem escudos.

SS (sem elevar a voz, mas firme):

— Agir como adultos, Grissom?

(dá uma risada seca)

— Você passou a noite com outra mulher, escondeu isso de todos, inclusive da sua equipe… da sua namorada.

(pausa, o encara)

— E ainda tem a audácia de dizer que foi uma visita social. Social, Grissom?

Ele abre a boca para responder, mas ela ergue a mão, pedindo silêncio.

SS: Eu não estou saindo no impulso. Eu estou saindo porque entendi.

(ela aponta para o cenário à volta)

— Isso aqui não é mais meu lugar. Não se engane: o que destrói um relacionamento não é só a traição física... é a quebra de confiança.

(pausa)

— E isso você fez com maestria.

GG (se aproximando):

— Eu não te traí, Sara! Eu fui atrás de respostas, eu só queria descobrir a verdade!

SS (um riso sem humor):

— E precisava dormir com ela pra isso?

GG (desesperado): Eu não dormi com ela! Nada aconteceu! Eu só... eu achei que ela estava em perigo, que alguém queria incriminá-la!

SS (cruzando os braços, ainda firme):

— E mesmo assim, achou mais importante proteger ela do que me considerar. Do que me avisar. Do que pensar no impacto. Você me excluiu, Grissom. Você me deixou no escuro. E isso... isso pra mim é imperdoável.

Silêncio.

Hank se levanta devagar da cama e vai até Sara, encostando o focinho em sua perna. Ela se abaixa, faz um último carinho nele.

SS (em voz baixa para Hank):

— Fica bem, meu amorzinho.

(Ela se levanta, encara Grissom uma última vez.)

SS (mais suave, mas firme):

— Cuide dele.

(pausa)

— E cuide de você, se é que ainda sabe como fazer isso.

Notas finais
continua