Ricordare è Vivere
32 Contritos Corde
Notas iniciais
GG: Sara vamos conversar...
SS: Me deixa em paz Grissom!! Você que teria que ter agido como adulto e não como um moleque na puberdade. Desde que começou esse caso você mudou. O tempo todo sofreu por tudo o que aconteceu com ela e não disfarçou nem na minha frente.
GG: — Sara, não é nada disso! E desculpa a parte dos adultos, mas falei isso porque você está saindo da nossa casa por uma bobagem!
Sara se virou bruscamente, os olhos faiscando, a voz carregada de mágoa e incredulidade.
SS: — Bobagem? VOCÊ ACHA QUE PASSAR A NOITE COM OUTRA MULHER, TENDO UM RELACIONAMENTO COMIGO, É UMA BOBAGEM?
Ela deu um passo à frente, o peito subindo e descendo com a respiração acelerada.
SS: — Me diz uma coisa, Grissom... SE FOSSE AO CONTRÁRIO, HEIN? SE FOSSE EU A PASSAR A NOITE COM O EROS, POR EXEMPLO, ESTARIA TUDO BEM?
Grissom engoliu seco, tomado pelo incômodo da comparação.
GG: — Passar a noite com o Eros? Claro que não iria gostar, Sara! Ainda mais sabendo do interesse dele por você. Eu não gosto dele, e você sabe disso...
SS: — ENTÃO POR QUE EU TENHO QUE ACEITAR? POR QUE, QUANDO É VOCÊ COM A HEATHER, EU TENHO QUE RELEVAR E ACHAR QUE É SÓ UMA BOBAGEM?
Ela se afastou, passando a mão pelos cabelos, tentando controlar a própria raiva, mas a dor transbordava.
Grissom ficou em silêncio por alguns segundos, sem conseguir encontrar uma resposta que diminuísse a dor estampada no rosto dela.
GG: — Sara, pelo amor de Deus! Não é nada disso! Eu passei a noite numa visita social com uma amiga. Ela estava precisando de ajuda! Eros não é seu amigo, não é a mesma coisa que a Heather é pra mim!
Ele tentava justificar, mas Sara balançou a cabeça com um riso irônico, desacreditada.
GG: — Me diz uma coisa: se fosse o seu irmão, ou um dos seus amigos, você também não ajudaria?
SS: — Grissom… eu não transo com os meus amigos, muito menos com o meu irmão. E se eles precisassem de ajuda, claro que ajudaria! Mas avisaria você — como eu sempre fiz! Quando fui ajudar o Greg, te avisei. Quando Mario me ligou no meio da madrugada, te avisei. Se eu tivesse um compromisso importante, principalmente com você, era impossível esquecer. Porque você é — era — a pessoa que divide o teto comigo.
Ela respirou fundo, lutando para manter o controle. A decepção em seus olhos parecia maior que a raiva.
SS: — Mas você não esqueceu só de avisar, Gil. Você me esqueceu. Simplesmente me esqueceu. Nem lembrou que eu existia! Eu liguei quase a noite inteira, várias vezes, e o seu celular? Desligado.
Grissom começou a abrir a boca, mas ela levantou a mão, o impedindo.
SS: — Quando finalmente decido pedir ajuda, achando que talvez algo grave tivesse acontecido, descubro onde estava o meu namorado... aliás, ex-namorado.
Ela deu um passo atrás, a voz firme e baixa.
SS: — Eu não aceito ser opção. Não aceito compartilhamento. Você escolheu cuidar da sua "amiga", ótimo. Mas fez isso esquecendo completamente quem está ao seu lado.
Silêncio. Apenas o som do relógio na parede marcando o tempo que parecia congelado.
GG: — Sara, desculpa por isso... Eu sei que estou errado. Meu Deus, eu já estou até com medo de falar qualquer coisa, porque só sai bobagem daqui...
Ele passou as mãos pelos cabelos, visivelmente abalado.
GG: — Sara, eu não ando transando com a Heather, acredite em mim, por favor. Eu sei que parece estranho, eu sei que errei, mas... eu fui lá porque tinha um palpite. Eu não acredito que ela seja culpada pelo crime. Fui atrás de respostas, e disse que só sairia de lá quando ela falasse. E sim... desliguei o celular.
Sara fecha os olhos com força, como quem tenta conter uma avalanche interna. Respira fundo, mas a voz sai trêmula, ferida.
SS (baixa, porém com firmeza cortante):
— Você desligou o celular…
(abre os olhos, encara Grissom com incredulidade)
— Desligou de propósito…
(dá uma risada amarga)
— Então não foi um erro. Não foi um descuido. Foi uma escolha. Você escolheu não me ouvir. Escolheu não saber de mim.
Grissom se aproxima, estende a mão como se quisesse tocá-la, mas ela recua de leve. A barreira agora é real.
SS: Eu fiquei te ligando a madrugada inteira, desesperada. Achei que tivesse sido sequestrado, machucado, até morto!
(dá um passo à frente, o encara)
— E você lá… tranquilo, investigando sua amiga, de banho tomado, com vinho na mão, e o celular desligado para que ninguém atrapalhasse.
Ela respira com dificuldade, engolindo as lágrimas que teimam em vir. Grissom balbucia algo, mas ela continua.
SS: Não é só sobre a Heather, Grissom. É sobre mim. É sobre você esquecer que a gente existia. Que eu existia.
(pausa)
— E quer saber? Não sei o que é pior... você me trair fisicamente, ou emocionalmente. Porque em todas as versões dessa história, eu fico sozinha.
(Grissom tenta argumentar, a voz quase implorando.)
GG: Eu estava errado, eu sei. Fui idiota. Mas não quero te perder por isso, Sara.
Sara abaixa o olhar por um instante. Quando volta a encará-lo, há mais dor do que raiva. Mais cansaço do que rancor.
Sara fecha os olhos com força, como quem tenta sufocar um grito preso na alma. Respira fundo, mas o ar parece pesado demais para ser leve.
SS: — Grissom, é por isso que eu digo que acaba aqui o nosso relacionamento.
No momento em que você optou por passar a noite com ela, desligando o celular para não ser incomodado — como você mesmo disse — você fez a sua escolha. Você escolheu estar com Heather Kessler... em vez de estar comigo.
Ela faz uma pausa longa, engole o choro, mas ele insiste em escapar pelos olhos.
SS: — Eu espero, de verdade, que você seja feliz. Não te quero mal... nunca quis.
Fui feliz o tempo que estivemos juntos. E desculpa... desculpa mesmo por ter te forçado a um relacionamento que talvez você nunca quis de verdade. Vi que não era a pessoa que você queria, e talvez eu tenha atrapalhado o que você tinha com a Heather. Ela é bonita, inteligente, sensual... e muitas outras qualidades que a Catherine fez questão de jogar na minha cara.
Ela morde os lábios tentando conter a voz embargada.
SS: — Olha... não consigo mais. Preciso ir.
Grissom, que a observava em silêncio, como se apanhasse de cada palavra, explode num rompante contido:
GG: — Sara, o que é isso? Você enlouqueceu? Como pode dizer que escolhi a Heather só porque ontem fui atrás de um palpite? Não é justo!
SS: — Justo? Grissom... olha pra mesa da cozinha. Vai... olha.
Ele hesita, confuso, e então obedece.
Olha a mesa ainda posta, com o castiçal apagado e os pratos intocados. Os olhos se movem lentamente para a mesinha de centro da sala, onde repousam duas taças de vinho e um pequeno presente com um cartão.
O ar sai de seus pulmões como um soco.
SS: — (voz baixa, ferida) Você esqueceu... Grissom.
Esqueceu o nosso aniversário.
Você não ligou. Não mandou uma mensagem. Não apareceu.
Desligou o celular.
E enquanto eu te procurava aflita, pensando em mil possibilidades — inclusive se você estava vivo ou morto — você estava na casa da sua ex, confortando-a.
Ela limpa o rosto rapidamente com as costas da mão.
SS: — Então... sim, Grissom. Pra mim, você escolheu.
Escolheu a Heather.
E a escolha tem peso. E consequências.
A minha é ir embora.
Ela caminha até a porta. Grissom dá um passo à frente, mas não consegue tocá-la. Está paralisado pela culpa, pelo choque, pelo erro.
GG: (totalmente chocado, com a voz embargada)
— Sara, meu Deus!! Perdão!! Me desculpa por tudo que é mais sagrado!
Não vou negar que esqueci... sim, esqueci. Mas não foi de propósito, eu... eu estava tentando ajudar, eu achei que...
O telefone de Sara toca. Ela respira fundo e atende, a voz ainda trêmula, mas firme:
SS: — Sidle.
CW (Catherine): — Oi, Sara. É a Cath. A Wendy me deu o seu recado. Está tudo bem? Quer ajuda com alguma coisa?
SS: — Não, Cath, não precisa. Adiantei o assunto, estou voltando agora para o laboratório.
CW: — Certo. Te aguardo aqui. Conversamos quando chegar.
Sara encerra a chamada sem hesitação.
Com movimentos controlados, ela pega a bolsa, o crachá e as chaves. Caminha até a porta com passos decididos.
GG: — Sara, por favor... Vamos terminar essa conversa. Não deixa assim. Me escuta só mais um minuto...
Ela para com a mão na maçaneta, mas não se vira.
SS: — A gente não tem mais nada pra conversar, Grissom.
Acho que ficou bem claro quem era no telefone.
Sim, era a Catherine.
Ela agora o encara por cima do ombro.
SS: — E eu estou voltando para o laboratório pra fechar o caso de agressão à sua... "amiga".
A ênfase nas aspas da última palavra é cortante.
SS: — Então... até mais. No máximo.
Grissom dá dois passos à frente, as mãos tremem, o olhar desesperado.
GG (quase sussurrando, ainda parado no meio da sala, com a voz embargada):
— Sara, não...
Ela é só minha amiga. Eu juro que... não teve nada além da investigação.
Só tentei entender... achei que podia salvá-la.
Eu... eu só queria ajudar...
Sara já está com a mão na maçaneta. Ela para por um instante, de costas para ele. A voz vem baixa, embargada, mas firme.
SS: E quem tentou me salvar, Grissom?
(pausa)
— Quem ficou comigo quando eu esperei por você, sozinha, no nosso jantar?
(outro silêncio)
— Ninguém. E você nem percebeu. Porque estava ocupado demais... salvando outra mulher.
Ela abre a porta. Grissom dá um passo mais, ainda implorando com os olhos.
GG: Eu errei. Me perdoe, Sara...
Ela se vira pela última vez, os olhos marejados, mas sem permitir que a lágrima caia.
SS: Você pode amar alguém e ainda assim não saber cuidar desse amor.
(pausa longa)
— E agora... é tarde demais. Cuida do Hank. Ele merece uma casa onde ninguém esquece que ele existe.
Ela sai. A porta se fecha atrás dela, sem força, sem estrondo. Só silêncio.
GG (baixinho, para si mesmo):
— Você só queria ajudar... e acabou perdendo a única pessoa que realmente te amava...
Grissom caminha devagar pela casa, cada cômodo como um soco.
Na cozinha, a mesa posta: velas agora derretidas, pratos intactos, guardanapos dobrados com cuidado.
Ele abre a geladeira. Lá dentro, está a refeição e as bebidas.
Vai até o banheiro. A banheira ainda cheia, perfumada com sais de banho e pétalas. Uma vela flutua apagada.
No quarto, a cama impecavelmente arrumada.
Na cômoda, um balde com a champanhe e um cartão:
"Para o homem que me mostrou o que é amar e ser amada."Ele engole em seco. Ao lado, um vestido preto, simples e elegante, ainda no cabide, como um lembrete do que não foi.
Ele sussurra para si mesmo, arrasado.
GG: O que foi que eu fiz...? Esqueci completamente de todos.
(pausa)
— Eu sei que a Heather precisava... mas não podia fazer isso com a Sara.
(fica imóvel por alguns segundos)
— Machuquei ela de novo. E desta vez... talvez tenha sido a última.
O telefone toca, quebrando o silêncio sepulcral.
GG (pega o celular com as mãos trêmulas):
— Grissom...
JB (frio, direto):
— Grissom, precisamos de você no laboratório. É possível você vir ou está ocupado?
GG: Oi Jim. Daqui a pouco estarei aí. Será que... será que podemos conversar depois?
JB (rígido): Sinceramente? Não sei se quero no momento. Estou muito chateado com você.
A linha cai. Grissom tira o telefone do ouvido devagar, como se tivesse levado um tapa. Fica olhando para a tela apagada por segundos.
GG (olhando para Hank que está deitado perto do sofá, quieto):
— É, Hank... magoei a mulher que eu amo... e os meus melhores amigos.
No laboratório, Sara, Catherine e Wendy estão reunidas em torno de um quadro com fotos e análises. As luzes frias do laboratório acentuam a seriedade da conversa.
CW: Essas evidências apontam para alguém de dentro. A assinatura é emocional, pessoal...
Mandy entra e entrega um laudo para Catherine, que lê rapidamente e sai, pegando o telefone e ligando para Brass. Nesse instante, Grissom entra devagar na sala, tenso.
CW (ainda no telefone, olhando para ele):
— A Sara vai te atualizar do que temos até agora.
Sara continua examinando amostras. Ao ouvir a presença dele, não olha, apenas fala com profissionalismo gélido.
SS: Acho que temos um suspeito. A cronologia das mensagens bate com a movimentação dela. Ainda falta confirmar uma impressão parcial no bracelete, mas... estamos perto.
Ela segue mexendo nos materiais, sem sequer levantar os olhos para ele.
GG (tentando se aproximar):
— Eu sou o único em quem a Heather confia...
SS (sem se virar): Eu já entendi. Afinal, foi com você que ela passou a noite.
GG: Sara...
SS (parando, finalmente olhando para ele com firmeza): Fala!
Grissom abre a boca, mas não consegue dizer nada. Silêncio.
SS: Tá bom. Vai em frente.
Sara sai da sala sem esperar resposta. Grissom, depois de um tempo parado, vai atrás. A encontra em outra bancada, analisando um novo item com a lupa.
GG: Sara... ela tem um problema. Ela poderia ter se defendido, mas... ela queria ser morta. E é isso que estava tentando entender. Por favor, me escuta...
SS (ainda focada na lupa):
— Grissom... já falei. Vá em frente. Você não me deve satisfação.
(pausa)
— É um homem livre. Pode fazer o que quiser da sua vida. Não precisa me explicar nada.
GG: Eu não estou livre, Sara. Tenho você.
SS (larga o que está fazendo e se vira, ferida):
— Não! Você tinha. E escolheu não ter.
(pausa, controlando a emoção)
— Você escolheu desligar seu telefone. Escolheu passar a noite do nosso aniversário com a Heather. Escolheu virar o assunto do momento no laboratório. Está todo mundo comentando.
(baixa o tom, como se perdesse força)
— Você me humilhou. E pior... mais do que quando descobri sobre o Hank.
GG (tentando mudar de assunto, desesperado):
— A Heather tem uma neta... esta com problemas em relação a guarda com o ex marido...
SS (corta, firme):
— Grissom, chega!
(grita)
— Eu disse pra você seguir em frente, não disse que eu ia junto!
(pausa)
— Se quisesse minha participação, teria me avisado. Teria dito: “Sara, não posso hoje, a Heather precisa de mim”. Mas não... você simplesmente me excluiu.
(Ela volta ao microscópio, respira fundo.)
SS: Agora me dá licença. Tenho trabalho.
GG: Sara... por favor... vamos conversar direito. Depois do plantão? Só nós dois?
Nesse momento, Sofia entra apressada.
SC: Sara, tem uma moça na sala de interrogatório. Diz que tem informações sobre o caso da Heather Kessler. Eu te acompanho — o Jim tá com a Cath.
SS (olhando apenas para Sofia):
— Vamos então.
Antes de sair, olha rapidamente para Grissom — o olhar é duro, mas há dor por trás.
SS: E Grissom... boa sorte.
Sai com Sofia. Grissom fica parado, derrotado, no meio do corredor. O som de seus próprios pensamentos ecoa mais alto que o ruído dos equipamentos ao redor
Vendo que não conseguiria conversar com Sara naquele momento, Grissom resolve fazer algumas pesquisas sobre a amiga e descobre que Zoe, deu à luz uma criança antes de morrer, e que a criança está com o ex-marido de Heather, Jerome. Grissom faz uma visita a Jerome e sua neta, Allison. Jerome diz a ele que Heather o deixou antes de dar à luz a Zoe e nem mesmo disse que ele tinha uma filha.
Jerome ganhou a custódia exclusiva de Allison, mas Heather recentemente lhe enviou dinheiro para o fundo da faculdade da garota.
Sala de Interrogatório | Laboratório Criminalístico de Las Vegas]
Sofia (SC), olhando para fora pela janela da sala:
— A mulher diz que só quer falar com Grissom. Mas parece que ele saiu.
Sara (SS), impaciente:
— O que será que ela tem de tão importante pra dizer que só serve se for pra ele?
Jim e Catherine entram na sala.
JB: O que está acontecendo aqui?
SC: Aquela moça só quer falar exclusivamente com o Grissom sobre Heather Kessler, mas ele não está...
CW: Então vamos nós. Vamos ver se ela se convence.
Os quatro entram na sala de interrogatório. A mulher, elegante, mas visivelmente nervosa, os encara. Eles explicam a ausência do supervisor e ela aceita falar com eles.
JB: Podemos saber seu nome, por favor?
LS: Me chamo Laís Sanches. Trabalho para a senhora Heather Kessler há alguns anos.
SS (comedida):
— E o que exatamente você quer nos contar, Laís?
LS (respirando fundo):
— Desde que a filha dela, Zoe, morreu... a senhora Kessler nunca mais foi a mesma. E ficou ainda pior depois que descobriu que Zoe tinha uma filha. Jerome — ex-marido dela e pai da Zoe — só soube da paternidade depois da morte da menina. E aí… ele pegou a guarda da Allison e proibiu qualquer contato com Heather.
CW: E o que isso tem a ver com o caso atual?
LS (com voz firme, mas tensa):
— Há alguns dias, um homem chamado Jack ofereceu uma grande quantia de dinheiro à Heather. O objetivo dele era… matar uma mulher durante o sexo. Heather aceitou. Se ofereceu pra ser essa mulher.
Todos se entreolham, surpresos.
CW: Ele realmente pagou?
LS: Sim. Ela recebeu e repassou todo o dinheiro para Jerome. O objetivo era garantir o futuro da neta. Mas... o tal Jack não conseguiu completar o que queria. Agora tenho medo que ele tente de novo. Heather está em perigo.
SS (tentando manter a postura):
— E por que procurou justamente o Grissom?
LS: Porque ela só confia nele. Ontem à noite, ele esteve com ela. Ficaram conversando. Ela contou coisas... desabafou. Parecia mais tranquila.
CW (nervosa):
— Então você os viu juntos ontem?
LS: Vi sim. Ontem. As outras vezes, não.
CW (recuando): Outras vezes?
JB (tentando interromper): Catherine, não precisa...
SS (seca, sem olhar para ele):
Precisa sim, Jim. Pode continuar, Laís.
LS (relutante, mas honesta):
— Uns quatro anos atrás, ele a visitava com frequência. Até que um dia... ele a levou para a delegacia. Depois disso, parou de aparecer. Voltou só quando Zoe morreu. Desde então, ele tem estado por perto. Na noite em que ela voltou da delegacia, ele cuidou dela. Ficou a noite inteira lá. Lembro que de manhã falei com ele — sugeri que trocasse de camisa, porque ainda estava com o cheiro do perfume dela. Perguntei se ele não tinha alguém esperando em casa… Ele não respondeu.
Silêncio absoluto. Catherine abaixa o olhar. Sofia encara Sara discretamente. Jim repara em algo – Sara está com a mão fechada e tensa. De repente, ela solta a caneta quebrada. Um corte fino na palma da mão começa a sangrar.
JB (baixinho): Sara... sua mão...
SS (seca): Não é nada.
JB (se levanta): Senhora Laís, obrigado pelo seu depoimento. Vamos sim entrar em contato com Grissom. Agradecemos por vir. Pode se retirar.
Sara pega um lenço de papel para estancar o sangue. Não diz uma palavra.
Laís sai acompanhada por Sofia. Fica um silêncio desconfortável entre os que restam na sala: Sara permanece imóvel, Jim encosta-se à parede sem saber o que dizer, e Catherine parece perdida em pensamentos. É ela quem rompe o silêncio.
CW (refletindo, como se falasse mais para si mesma):
— Eu lembro... Há quatro anos, ele realmente parecia encantado por ela. Agora, juntando tudo… me dei conta de que ele mentiu pra mim.
SS (num tom cansado): Por quê?
CW (olhando para Sara, séria):
— Lembra quando a casa que você estava periciando explodiu? Aquela noite em que a gente te perdeu por horas…
SS: Lembro...
CW: Eu liguei várias vezes pra ele. Nada. Só pela manhã, ele retornou dizendo que estava exausto, que tinha dormido em casa. Mas se o que essa Laís falou é verdade… ele passou a noite com a Heather.
Jim balança a cabeça lentamente, confirmando.
CW (concluindo):
— Eu e Jim até suspeitamos na época. Ele estava com ela quando o vimos por último, não foi, Jim?
JB (desviando o olhar): É... foi.
(suspira)
Bom, acho que por hoje já deu. Vamos descansar, gente.
SS (tomando coragem): Cath, preciso te pedir um favor. Falei com o Ecklie e pedi uma licença de 15 dias por motivos pessoais. Ele autorizou. Grissom não está, então... posso deixar tudo com você?
CW (mudando o tom para cuidadosa):
— Claro que pode.
Ouvi dizer que você recebeu uma notícia ruim… algo que te abalou. Podemos te ajudar em algo?
SS (sem emoção, apenas com firmeza):
— É sobre minha mãe. Está tudo sob controle, mas... se eu precisar, sei com quem contar.
Hoje mesmo já parto para São Francisco.
CW (sincera):
— Boa viagem, Sara. Cuide de você, e até a volta.
Catherine recolhe seus pertences e se despede com um beijo no rosto dos dois.
CW: Beijos, gente. Até amanhã.
Catherine sai. Jim observa Sara por alguns segundos antes de se aproximar.
JB (em voz baixa, gentil):
— Filha... podemos conversar?
SS (tentando conter a dor com leveza):
— Se não se importa, pode ser na sua casa?
Eu... saí da casa do Grissom.
No momento, sou uma "sem teto". A ideia era ir direto para a casa do meu irmão, mas… acho que vou seguir viagem direto.
JB (com ternura): Nada disso. Vamos pra minha casa.
Lá você toma um banho, se alimenta… e pensa com calma nos próximos passos.
Sara apenas acena com a cabeça, aceitando a oferta. Os dois saem em silêncio, lado a lado.
Em outro ponto da cidade...
Grissom conversa com Jerome no jardim da casa. O pai de Zoe finalmente abre o jogo.
JEROME:
— Quando Zoe morreu… tudo desmoronou. Eu não fazia ideia de que era pai. Quando soube, fui atrás da guarda da Alysson. Quis protegê-la, mas... também quis punir Heather. Ela... errou muito comigo.
Grissom ouve com atenção, respeitando o tempo do outro.
GG: Entendo sua dor, Jerome. Mas você precisa saber de algo grave.
Estamos investigando a origem de um dinheiro repassado à Heather. Tudo indica que foi um pagamento... para que ela fosse assassinada. Durante o sexo.
Jerome arregala os olhos, chocado.
JEROME: Meu Deus...
(e depois de um instante)
— E ela aceitou?
GG (direto):
— Ela ofereceu-se.
Pelo que ouvimos, o dinheiro foi entregue a ela... e ela repassou pra você.
Jerome fica em silêncio por um momento, digerindo tudo. Grissom se levanta.
GG: Quero que venha comigo. É hora de falar com ela, pelo bem da Alysson.
Heather está sentada no sofá, nervosa. Ao ver Jerome e Grissom entrando, ela se levanta. O reencontro é tenso, mas Alysson aparece na porta do quarto. Heather a vê e começa a chorar.
LH (emocionada):
— Grissom... muito obrigada.
Mesmo eu sendo tudo, menos fácil pra você.
GG (gentil, porém contido):
— Sou seu amigo, Heather. Quero o seu bem.
Espero que vocês se entendam… pelo bem da Alysson.
Agora, peço licença. Preciso resolver um assunto importante.
LH (com pesar):
— Esse assunto é a Sara, não é?
Imagino o quanto ela está magoada. Você passou a noite aqui.
O Brass já me olhou com reprovação. Ela... deve estar furiosa.
GG: Heather… por favor.
JEROME (intervindo): Você é casado?
GG (hesitando um pouco): Moro com uma pessoa.
JEROME (franco): E mesmo assim passou a noite com a Heather… pra ajudá-la?
GG: Passamos a noite conversando.
Eu precisava entender tudo. E consegui.
Agora ela está sorrindo… e eu me sinto em paz por isso.
JEROME (sem piedade): Você colocou um sorriso nela, mas pelo que parece... tirou o da sua esposa.
Sabe, meu casamento com a Heather não deu certo por um único motivo: falta de comunicação.
Talvez esse seja o seu caso também.
Se você prefere esconder as coisas da pessoa com quem divide a vida...
então nem insista. Não vai dar certo.
Grissom abaixa a cabeça, atingido pelas palavras como se fossem verdades que ele evitava encarar.
GG (com voz pesada): Não foi minha intenção…
E vou conversar com ela. Tentar convencê-la disso.
Não me vejo sem ela.
Ele se vira para sair.
GG (em tom baixo): Preciso ir. Tchau.
Grissom saiu e vai em direção ao antigo apartamento de Sara imaginando que ela teria ido para lá. Ao chegar na portaria encontrou Mario.
GG; Oi Mario, bom dia!! Sara esta ai?
MS: Oi Gil, não sei, cheguei agora do plantão. Ela não chegou em casa?
GG: Na verdade nos brigamos e ela saiu de casa.
MS: Eitaaa!! Você ativou com vontade a fúria Sidle. Peraí vou perguntar ao porteiro.
Mario perguntou e o porteiro informou aos dois que ela não havia aparecido por ali.
GG: Caramba onde será que ela foi?
MS: Será que ela não esta com Jim? Ela chama ele de pai, pode estar com ele.
GG: Verdade, vou até lá. Obrigado Mario!
MS: Boa sorte!
Grissom chegou rápido a casa do capitão que ficou surpreso ao vê-lo na porta.
GG: Jim bom dia!! Sara esta ai?
Fale com o autor