Ricordare è Vivere
26 Fim da Saudade
Notas iniciais
O seminário havia sido encerrado com êxito, e o reitor fez questão de agradecer pessoalmente a presença de Grissom, exaltando sua contribuição acadêmica. Com a passagem em mãos, o entomologista sentia uma mistura de ansiedade e expectativa. Queria voltar logo para casa — para os braços que aqueciam seu corpo e alma — embora soubesse que, antes disso, teria que enfrentar a fera magoada... e consertar as coisas.
Enquanto aguardava o carro em frente ao campus, foi surpreendido pela aproximação de Lucia.
Lucia (com um sorriso suave): Vejo que está mesmo voltando para Vegas.
GG: Oi. Sim, estou.
Preciso retomar o trabalho... e, mais importante, consertar algumas coisas com alguém que amo muito.
Lucia: Espero, de coração, que tudo se resolva. Você merece. Estarei torcendo por você.
Ela se aproximou e, com delicadeza, depositou um beijo em sua bochecha.
GG (emocionado): Obrigado, Lucia. Até um dia.
Ele entrou no carro levando mais que uma mala — levava a esperança de um recomeço.
O carro que o levaria chegou e ele entrou partindo para o aeroporto.
Ao chegar em Las Vegas, optou por ir direto ao laboratório, mas a primeira pessoa que viu não foi quem ele queria:
DH: Que bom que voltou Grissom!! Esse laboratório sem você não funciona, vira uma bagunça, sabe acontece...
GG: Hodges eu prefiro ouvir um relatório da Catherine e não de você.
DH: Certo mas...
GG: Tchau Hodges!
Como não encontrou sua equipe ao chegar no laboratório, Grissom seguiu direto para sua sala. Assim que abriu a porta, deparou-se com uma pilha considerável de relatórios pendentes — a realidade de sua ausência refletida em papel e bagunça. Suspirou fundo. Não queria começar o dia atrás de uma mesa. Sentia-se mais vivo em campo.
Decidido, saiu à procura de alguma investigação em andamento e, depois de algumas tentativas frustradas, descobriu onde Warrick estava. Para sua surpresa — e deleite — Brown estava em uma cena ativa e mais do que disposto a ter Grissom ao seu lado novamente.
Warrick (com um sorriso): Olha só quem voltou! Quer sujar as mãos?
Grissom (sorrindo de volta): Por favor. Estou fugindo de uma pilha de papéis que ameaça me engolir.
Warrick atualizou Grissom rapidamente sobre a cena e os avanços até ali. Indicou os pontos que ainda precisavam de atenção, e logo os dois já estavam trabalhando lado a lado, como nos velhos tempos.
O que nenhum deles sabia ainda era que o caso tinha uma conexão obscura e pessoal com alguém do próprio laboratório: o ex-sogro de Keppler estava diretamente envolvido no crime.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Keppler agia nas sombras. Estava ocultando provas — algo que o corroía por dentro. Ele não fazia isso por vontade própria, mas por obrigação. Estava sendo chantageado pelo ex-sogro, que ameaçava expor um segredo do passado capaz de destruir sua carreira e manchar ainda mais sua já frágil reputação.
Cada passo que Grissom e Warrick davam em direção à verdade era um passo mais perto de descobrir o que Keppler tentava desesperadamente esconder.
De volta ao laboratório, Grissom foi direto ao encontro de Keppler. Era hora de conhecê-lo pessoalmente — e, ao mesmo tempo, esclarecer uma dúvida que começava a incomodá-lo.
Encontrou o novo investigador sozinho na sala de evidências, concentrado demais em um laudo para notar sua presença imediata.
Grissom (seco, porém cordial): Keppler?
Keppler (erguendo o olhar): Dr. Grissom. Um prazer, finalmente.
Grissom (direto): Você, por acaso, conhece o policial Michael Conners? Ele apareceu vinculado ao caso em que estou trabalhando com Warrick.
Keppler hesitou por uma fração de segundo. Pequena, quase imperceptível — mas Grissom percebeu.
Keppler (voltando a fitar os papéis): Conners? Não... o nome não me é familiar.
Grissom (observando): Hm. Curioso... parece que ele tem ligações com sua antiga jurisdição.
Keppler (forçando naturalidade): Pode ser, mas trabalhei com muitos nomes ao longo dos anos. Nem todos deixam lembranças.
Grissom assentiu lentamente, mas seus olhos não deixaram o rosto de Keppler.
Grissom (calmo): Certo. Se lembrar de algo, me avise.
Saiu sem dizer mais nada. A resposta de Keppler não o havia convencido.
Era sutil, mas algo na postura dele o incomodava — como uma peça fora do lugar em uma miniatura perfeitamente montada.
E, quando Grissom sentia que algo estava errado, raramente se enganava.
A confusão no laboratório estava no auge. Gente indo e vindo, ligações cruzadas, casos empilhados… e, em meio a tudo isso, ele ainda não tinha visto Sara.
"Onde essa mulher está?" — pensou, frustrado, ajeitando os óculos.
Percorreu os corredores com o olhar atento, mas nada dela. Nenhuma pista, nenhum rastro. Era como se estivesse evitando o confronto — ou talvez, apenas ocupada demais. Mesmo assim, o vazio da ausência dela o incomodava mais do que gostaria de admitir.
Sem alternativas e com a pilha de relatórios praticamente gritando por socorro, Grissom voltou para sua sala. Ao abrir a porta, soltou um suspiro resignado ao encarar a montanha de papéis que parecia ter crescido desde a última vez que esteve ali.
Sentou-se, tirou o paletó, arregaçou as mangas e resmungou para si mesmo:
Grissom: Nada como voltar de viagem e ser recebido por uma avalanche de burocracia…
Mas, mesmo tentando se concentrar no trabalho, seus pensamentos continuavam a vagar — sempre voltando para ela.
Grissom estava mergulhado nos relatórios quando, por acaso, olhou para o corredor… e finalmente a viu. Era como se o tempo tivesse pausado por um instante. Um sorriso espontâneo surgiu em seu rosto e, feito um garoto que acaba de ganhar um prêmio, ele largou tudo e saiu apressado de sua sala.
Grissom (animado): Sara!!
Surpresa, ela se virou rapidamente.
Sara (espantada): Oi!! Voltou?
Grissom (se aproximando com um sorriso): Ééé...
Instantaneamente, Sara começou a recuar, visivelmente sem saber como reagir.
Sara: Eu estava fora e eu...
Grissom (farejando de leve, provocando): ...numa lixeira?
Sara (rindo sem jeito): É tão óbvio assim? Bom... ééé... Você parece bem!
Eles continuaram o diálogo enquanto ela andava de costas e ele avançava aos poucos, tentando manter o clima leve.
Grissom: Foi você que colocou o casulo no meu escritório?
Sara (tentando soar indiferente): Frio, seco, sem muita luz... parecia o lugar ideal pra ele.
Grissom (com um brilho nos olhos): Acho que você vai se surpreender quando ele abrir.
Sara (já sorrindo): É, não tenho dúvida...
Eu vou me limpar agora, tá legal?
Grissom (com esperança contida): Nos vemos mais tarde?
Sara (já se afastando): Com certeza.
Ele ficou parado, observando-a até desaparecer pelo corredor. Por um momento, pensou em segui-la… mas antes que pudesse dar um passo, ouviu seu nome sendo chamada ao fundo.
Nick: Grissom! Preciso de você aqui!
Catherine: E eu também!
Grissom suspirou, ajeitou os óculos e virou-se para o novo chamado, mas com um sorriso no rosto. A borboleta, afinal, talvez estivesse começando a abrir as asas.
Na arma encontrada na cena do crime, Nick havia identificado a digital de Keppler. Com a informação em mãos, ele se aproximou de Catherine, preocupado.
Nick: Não sei, Cath... Será que estão armando para ele?
Catherine franziu o cenho, absorvendo o peso da suspeita. Juntos, ela e Nick reuniram suas descobertas para atualizar Grissom.
Grissom ouviu atentamente e logo lembrou da conversa que tivera com Keppler, quando este negou conhecer um tal Frank — uma mentira que agora tinham certeza.
Tentando contato, perceberam que Keppler não atendia o telefone.
Nick (levantando um ponto): E eu sei onde a Suzy mora.
Nesse momento, Warrick juntou-se ao grupo, e os quatro começaram a debater o caso. Havia muitas peças desconexas, mas o nome Michael circulava na investigação.
Cath (duvidando): Michael? Eu não acredito que ele tenha culpa nisso.
Grissom (decidido): Muito bem. Sara já voltou. Chame-a para que, juntos, investiguem isso a fundo.
Contrariada, Catherine saiu da sala sob o olhar atento de Grissom, que murmurou para si mesmo:
"Bem-vindo ao time."
Catherine foi até o vestiário e chamou Sara, pedindo que retornassem ao apartamento da prostituta para continuar a investigação. Enquanto as duas estavam na casa da mulher, o telefone da loira tocou. Era Jim ligando.
Jim (pelo telefone): Cath, descobri algo importante. Preciso te contar assim que você chegar.
Depois que desligou, Catherine viu Sara mexendo na bolsa de Suzy e exibindo alguns envelopes.
Sara: Olha aqui, achei esses envelopes com as chaves do Blue Siren Motel. Acho que precisamos voltar lá para ver o que encontramos.
Catherine: Certo. Vou com você até lá, depois retorno ao laboratório.
Enquanto isso, Catherine recebeu uma ligação inesperada. Era Keppler, que estava sentado do lado de fora do motel, usando o telefone de Ricky.
Após a conversa, Catherine avisou rapidamente Grissom.
Catherine (ao telefone): Gilbert, estou a caminho do Blue Siren Motel. Keppler está aqui fora.
Sem hesitar, Grissom saiu em disparada para o local.
Ao chegar, encontrou Catherine em prantos, tentando se recompor. Ela estava abalada, mas firme.
Grissom (consolando-a): Cath, calma. Estamos aqui.
Enquanto ela tentava processar tudo, Keppler foi declarado morto ali mesmo, diante deles.
O silêncio tomou conta do ambiente, e a investigação, que já parecia complexa, acabava de tomar um rumo definitivo e ainda mais sombrio.
O ex-sogro de Keppler era, afinal, o culpado pelos assassinatos. No momento em que tentou matar Catherine, Keppler entrou na frente para protegê-la. Naquele instante, um tiro certeiro atingiu o homem.
O disparo fatal não poupou nenhum dos dois — ex-sogro e Keppler morreram ali mesmo, selando um desfecho trágico para a trama.
Diante do estado abalado da colega, Grissom a acompanhou até em casa.
Grissom: Aconteceu de tudo nesses meus dias fora, hein? Você até se apaixonou! Foi rápida.
Catherine (com um sorriso irônico): A paixão às vezes não demora, vem feito um furacão. Você fala isso porque nunca se apaixonou de verdade.
Grissom (arqueando a sobrancelha): Quem disse que não?
Catherine (duvidosa): Sério? Quantas vezes?
Grissom (com um tom meio nostálgico): Como assim, quantas vezes? Me apaixonei só uma vez, lá em 1998.
Catherine (animada): Nossa, até me animou agora. Posso saber quem foi a felizarda?
Grissom (sorrindo e desviando o olhar): Não! Hoje o foco é a senhorita. Vamos falar sobre o tempo que fiquei afastado.
Conversaram um pouco, mas logo a loira voltou ao assunto que lhe chamou a atenção.
Catherine (com sorriso maroto): Então, Grissom, essa tal paixão de 1998... Preciso saber quem é a sortuda. Não me deixe curiosa!
Grissom (disfarçando, desviando o olhar): Ah, você sabe... uma história antiga, meio sem graça.
Catherine (encostando no braço dele, com olhar provocador): Sem graça? Isso não soa nada como o nosso Grissom. Conta logo! Foi alguém do laboratório? Uma professora? Ou uma cientista misteriosa?
Grissom (rindo nervoso): Não, não. Nem professora, nem cientista. Era... alguém que gostava mais de insetos do que de humanos.
Catherine (erguendo a sobrancelha): Ah, quer dizer que foi uma mulher com cara de barata?
(risos)
Grissom (sorrindo): Mais ou menos. Ela tinha olhos que podiam ser confundidos com duas joaninhas brilhantes.
Catherine (fazendo drama): Joaninhas, hein? Agora você me deixou mais curiosa ainda.
Grissom (tentando mudar de assunto): Olha, já disse que é uma história longa, com muitos detalhes chatos. Melhor deixarmos pra outra hora.
Catherine (dando um tapinha no ombro dele): Vai ver era a própria Sidle, né? Só que você não quer contar porque ainda está com medo dela.
Grissom (engasgando com o riso): Quem, ela? Imagina... Nada disso.
Catherine (sorrindo marota): Ah, tá bom. Mas um dia eu descubro. E aí você vai me contar tudo, ou vou ter que invadir seus arquivos secretos.
Grissom (fingindo preocupação): Então melhor eu ir me preparando…
Enquanto os amigos conversavam na casa da mãe de Lindsay, Sara já havia retornado para casa — Nick e Warrick ficaram para fechar o caso de Keppler. Ela alimentou Hank, tomou um banho, preparou um lanche rápido e seguiu seu ritual habitual.
Mas, diferente dos outros dias, o sono não vinha. Não eram pesadelos que a mantinham acordada, mas algo diferente: uma inquietação silenciosa, um vazio que parecia crescer a cada minuto.
Sabia que Grissom ainda não havia chegado — provavelmente ainda estava com Catherine — e, após um tempo tentando relaxar, decidiu sair. Precisava de seu lugar, o refúgio da montanha onde gostava de meditar e organizar os pensamentos.
Vestiu um casaco e partiu para o alto da trilha, buscando na quietude da noite um pouco de paz para a mente agitada.
Grissom chegou em casa com o coração acelerado, ansioso pela recepção que teria a sós com Sara. Quando a viu no laboratório pela última vez, tudo o que desejava era beijá-la até perder o ar.
Mas ao entrar no apartamento, o silêncio frio fez seu sangue gelar. Procurou por todos os cantos, mas não encontrou nenhum sinal dela. Tentou ligar, mas o telefone caiu na caixa postal.
Grissom (preocupado, quase sussurrando): Sara? Amor, onde você está?
Pensou por um instante e, ao notar a cama bagunçada, imaginou que talvez ela não tivesse conseguido dormir e tivesse ido relaxar em seu refúgio preferido.
Decidido, partiu para a montanha. No caminho, parou para comprar algo para um piquenique, na esperança de encontrá-la ainda ali.
Mas o pior aconteceu: quando chegou, o lugar estava vazio. Ela não estava.
Grissom resolveu ligar novamente.
Sara: Oi, Grissom!
Grissom (aliviado): Querida, onde você está? Estou rodando a cidade atrás de você!
Sara: Estou no meu antigo apartamento. O Mario pediu para abrir as janelas pra ele, já que precisou viajar, e...
Grissom (interrompendo, decidido): Amor, estou indo te encontrar!
Sara olhou para o telefone, confusa, pensando: Não deixou nem eu responder que iria para casa.
Logo a campainha soou. Sara abriu a porta e deu de cara com o mesmo sorriso que havia visto no laboratório. Sem dizer uma palavra, ele entrou, deixou as bolsas sobre o balcão e se virou para ela, que estava encostada na porta, observando cada movimento.
Grissom (com um sorriso travesso): Primeiramente, quero dizer que ontem foi Dia dos Namorados, então… parabéns atrasado para nós.
Segundo, rodei essa cidade atrás de você porque não aguento mais de saudades dessa sua boca.
E se quiser brigar comigo, terminar o namoro, faça isso depois que eu fizer isso.
Antes que ela pudesse reagir, ele a beijou com uma vontade intensa, sem dar espaço para ela falar ou se mover.
Ele não queria parar, com medo de que ela dissesse que aquele seria o último beijo. Quando a falta de ar começou a apertar, Grissom se afastou um pouco, olhando nos olhos dela com uma expressão vulnerável.
Grissom: Sara... me perdoa, por favor!
Eu fui um idiota com você, mas, de verdade, fiz tudo aquilo com medo da sua reação.
Tenho tanto medo de te perder e...
Sua voz falhou, e ele engoliu em seco, tentando encontrar forças para continuar.
Grissom: Você é a coisa mais importante da minha vida.
Sara o beijou novamente, dessa vez com um sorriso malicioso.
Sara: Parabéns atrasado para nós! E, olha, eu até estava doida para brigar com você, mas depois desse beijo...
(riu baixinho)
Peça desculpas depois, porque desde que te vi no laboratório, com essa barba que já está me fazendo loucuras, e juntando a minha saudade, não penso em outra coisa a não ser fazer amor loucamente com você.
Grissom abriu o maior sorriso, os olhos brilhando de desejo. Num impulso, a pegou no colo.
Grissom: Gilllll...
Sem perder tempo, partiu com ela para o quarto, deixando para trás qualquer dúvida ou mágoa.
Movimentaram o quarto com vontade, entre beijos e risadas. De repente, Sara começou a rir, lembrando de algo.
Sara: Estou lembrando de você no laboratório... se eu não me afastasse, você me agarrava sem dó.
Grissom (com um sorriso malicioso): Eu fiquei louco quando te vi. Acho que faria isso mesmo.
Sabe, pensei até em ir atrás de você no chuveiro, mas o Nick me chamou na última hora.
Sara (surpresa): Você não faria isso??
Grissom: Com a saudade que eu estava? Faria sim! Estava desesperado sem saber como você me receberia de volta.
Falando nisso... nós não estamos em casa e já fizemos a maior bagunça no quarto do seu irmão.
Sara o beijou, com um sorriso maroto.
Sara: Sabe que a culpa é sua, né? Por não ter me esperado dizer que ia para casa.
Grissom (sorrindo enquanto pegava as bolsas): Que tal tomarmos um banho, comer a refeição que trouxe e depois partirmos para nosso lar para continuar comemorando o Dia dos Namorados atrasado?
Sara (com brilho nos olhos): Amei sua ideia!
No chuveiro, a água quente escorria sobre eles enquanto conversavam sobre tudo e nada. Entre risos e confidências, Sara quebrou o silêncio mais sério.
Sara: Gil, vamos esquecer esse episódio da viagem, tá? Quero que a gente siga em frente.
Grissom (segurando sua mão, firme): Pode deixar. Nada será escondido de você, Sara. Prometo que não vou guardar mais nada sério.
Ela sorriu, aliviada, enquanto eles se abraçavam sob a água, renovando a confiança que os unia.
Depois do banho e do jantar, voltaram para casa. Sabiam que mais tarde precisariam trabalhar, mas aproveitaram aquele momento para se reconectar.
Sentados no sofá, Grissom começou a contar sobre as aulas que ministrava, as curiosidades e os desafios do ensino.
Sara, por sua vez, falou sobre os dias que passou sem ele, as investigações intensas.
— E Catherine? — perguntou Sara, com uma preocupação sincera.
— Ela está abalada, — respondeu Grissom, com um suspiro. — O que aconteceu com Keppler mexeu muito com ela. Ainda está tentando entender tudo.
Eles trocaram olhares, cientes de que, apesar das dores, poderiam contar um com o outro.
Grissom entra em seu escritório e vê um pacote grande, anônimo, sobre sua mesa. Observa com atenção, examina a embalagem antes de abrir. Ao romper o lacre, seu semblante muda. Dentro, encontra mais uma miniatura.
Ele a coloca com cuidado sobre a mesa. É perturbador.
Grissom (sério, para si): Não de novo...
Sala de Layout
Grissom e Catherine analisam a miniatura. A cena mostra uma sala de estar, uma mulher branca deitada de bruços em um sofá, com uma poça de sangue sob ela. Cada detalhe meticulosamente feito. Uma data: “+2 dias”.
CW: Isso é novo... antes não havia prazo. Eles estão nos desafiando.
GG (tenso): Não. Agora é pessoal... mandaram diretamente pra mim.
Cath aponta um detalhe: uma miniatura de um crachá de supervisor de laboratório jogado no chão, ensanguentado. Ao lado, um bilhete colado no fundo da maquete.
CW (lendo): “VOCÊ ESTAVA ERRADO.”
GG (em voz baixa):
— Agora não resta dúvida... eu sou o alvo.
Sara, Nick e Warrick assistem ao vídeo da confissão de Ernie Dell. Observam com atenção o modo como ele fala, seu olhar, pausas... algo parece fora do lugar.
Sara (pensativa):
— Ele não estava se confessando... estava protegendo alguém.
Nick: Tipo quem?
Sara: Alguém que ele amava. Talvez um filho... ou alguém que ele criou como filho.
Warrick: Faz sentido. Ninguém constrói esse tipo de miniatura com tanto cuidado se não houver envolvimento emocional.
Agora com todos reunidos, a equipe monta estratégias para tentar antecipar o crime. Sabem que o assassinato está prestes a acontecer e lutam contra o tempo.
A cena corta para a tentativa de resgate. Mas tudo dá errado. A vítima real é localizada tarde demais e já está morta – assassinada pelo próprio irmão, que surtou ao ver a polícia.
Uma policial, que fazia parte da equipe de vigilância, também é baleada e morre na operação.
O clima é sombrio. Grissom segura o crachá da policial falecida, com o olhar pesado. Todos estão abalados.
GG (voz baixa): Dois mortos... e continuamos no escuro.
Sara se aproxima dele, colocando a mão em seu ombro.
SS: Vamos pegar esse assassino, Gil. Agora é pessoal pra todos nós.
Todos os CSI foram para casa após um turno exaustivo. Grissom está sentado no sofá da sala, ainda com a roupa do trabalho, encarando o vazio, claramente imerso em pensamentos.
Sara sai do quarto, com o roupão fechado, segurando duas taças de vinho. Ao ver o namorado ainda ali, se aproxima em silêncio e entrega uma das taças.
SS (carinhosa): Amor, você está bem?
Grissom respira fundo e sorri de leve, aceitando o vinho.
GG: Sim... estou. Só... pensando.
(Silêncio breve)
— Fiquei tanto tempo fora, achando que tudo estaria resolvido quando voltasse. Me preparei para uma nova fase... mais tranquila, mais nossa. Mas parece que esse caso resolveu me esperar.
SS (senta ao lado dele, puxando sua mão):
— Esse caso não vai te deixar em paz tão cedo, mas eu vou.
(Sorri e beija sua mão)
— Por isso, pensei em algo melhor do que café e relatórios para fechar o dia.
Grissom levanta uma sobrancelha, curioso.
GG: Melhor que café?
SS (provocante):
— Banheira. Água quente. Espuma. Massagem. Um vinho decente...
(Ela se inclina no ouvido dele)
— ...e eu.
Grissom dá uma risadinha, rendido.
GG: Tem ideia de como é difícil resistir a você?
SS: Ainda bem que você não precisa resistir.
Ela se levanta e estende a mão para ele.
SS (doce e firme):
— Vamos deixar o trabalho lá fora por hoje, Gil. Vem viver o agora comigo.
Grissom se levanta, envolve a cintura dela com o braço e, juntos, seguem para o banheiro, deixando o peso do dia para trás.
A banheira está cheia de espuma, velas acesas nas laterais e o som suave de jazz instrumental ao fundo. Sara está encostada no peito de Grissom, os dois de olhos fechados, curtindo o silêncio e o calor da água.
De repente, Grissom fala, com aquele tom sério que ele costuma usar antes de soltar uma pérola:
GG: Você acha que alguém pode ser assassinado com uma rolha?
Sara abre um olho devagar, sem se mexer.
SS: Isso é uma proposta? Porque se você interromper esse momento com teoria forense, juro que te afogo.
GG (sorrindo): Relaxa... só estou dizendo que uma taça de vinho bem posicionada pode ser considerada arma branca, dependendo do ângulo.
SS (fazendo graça): E você me chama de dramática?
Ela vira o rosto para ele e coloca um pouco de espuma no nariz dele.
GG (fingindo indignação): Isso é sabotagem. Ataque químico com detergente.
SS (dando um beijo leve na ponta do nariz dele):
Isso é uma advertência. Foco em mim, não no crime.
GG: Confesso que, nesse momento, a cena do crime é bem mais agradável...
Ele desliza as mãos nos ombros dela e a puxa mais para perto.
SS (brincando): Se eu sou a vítima, você é o principal suspeito.
GG: E eu me declaro culpado.
Eles se beijam, rindo um pouco, deixando o clima leve e amoroso tomar conta do espaço.
Pela manhã...
Grissom, já de terno, revistando a maleta enquanto toma um gole de café.
GG (calmo, como quem avisa algo comum):
— Querida, então... minha mãe, de última hora, nos chamou para um coquetel hoje à noite. Vai acontecer lá no Instituto onde ela é voluntária, voltado para pessoas com deficiência.
Sara, ainda de pijama, escova na mão, paralisa no meio da sala.
SS: Oi?!! Como assim?! Gil... eu... vou conhecer sua mãe?! Não dá tempo nem de entrar em pânico direito! Eu devia ter ensaiado... me preparado psicologicamente, socialmente... espiritualmente!
GG (colocando o crachá): Amor, fique calma. Vai dar tudo certo. Ah, e é de gala o evento, tá? Preciso ir. Te encontro mais tarde.
Ele beija a testa dela com carinho e sai como se tivesse acabado de dizer “tem leite na geladeira”.
SS (ainda estática): Gala?? G-a-l-a??? Ele saiu. Ele saiu e deixou a bomba. SOCORRO!!!
Ela se joga no sofá, mas o telefone toca.
SS (pegando o celular suspirando): Sidle...
Paola (animada): Oi amiga! Como você está?
SS (quase chorando):
AMIGAAA! Você ligou na hora certa!
Paola (intrigada): Nossa! Posso saber por quê?
SS: Porque o Grissom resolveu que HOJE é o dia perfeito pra me apresentar à mãe dele. Tipo... A MÃE DO GRISSOM, Paola!
Paola (entre risos):
— Gente!!! É sério isso? Já vai conhecer a sogra?! Tá oficial demais, hein! Ai que tudo!
SS: E pra melhorar, é num evento de gala. Gala, Paola! Onde gente anda como se estivesse desfilando pro Oscar. Eu mal consegui escolher um pão hoje de manhã!
Paola (rindo): Sara, você é linda e é um amor de pessoa. Vai arrasar! E olha, se ele resolveu te apresentar pra mãe dele, é porque ele te ama de verdade. Relaxa e confia!
SS (dramática): Eu vou dar vexame.
Paola: Desliga esse telefone agora, vai pro salão, dá aquele tapa no visual e depois me liga pra contar tudinho. Boa sorte, Sarinha!
SS (respirando fundo): Obrigada amiga... vou fazer isso. Torce por mim! Tchau!
O problema é que Sara também foi chamada para o caso que ficou bem complicado. Demoraram, mas chegaram ao final e resolveram a questão.
Os pombinhos foram para casa se arrumar e Grissom pediu que Sara fizesse sua barba:
SS: Você confia em mim?
GG: Profundamente
Grissom, sentado à mesa da cozinha, segura uma toalha sobre os ombros enquanto Sara termina de passar a navalha com todo cuidado.
SS (brincando):
— Sabe que agora você está literalmente nas minhas mãos, né?
GG (sorrindo):
— Eu confio em você profundamente… Mesmo com essa lâmina afiada a centímetros do meu pescoço.
SS (com um olhar divertido):
— Humm... bom saber. Só mais um segundo... pronto! Está oficialmente digno de uma festa de gala.
GG (erguendo uma sobrancelha):
— Você se superou. Agora vou me trocar… onde está meu terno?
SS (fazendo mistério):
— No quarto de hóspedes. E por favor, se vista lá. Quero te surpreender depois.
GG (curioso):
— Surpresa? Do tipo que me deixa nervoso ou do tipo que me faz suar a mão?
SS: Do tipo que vai te deixar sem palavras. Agora vai!
Grissom já pronto, na sala, terno impecável e expressão de quem está se perguntando se a gravata está mesmo alinhada. Ele olha o relógio, ajeita os óculos… e então a porta do corredor se abre.
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