Ricordare è Vivere
8 Coração Ferido
Notas iniciais
Conrad Ecklie passa a ser o novo diretor do laboratório depois de algumas mudanças realizadas pelo novo xerife Jeffrey McKeen. O que também é de conhecimento de todos que Ecklie e Grissom não são os melhores amigos, então o clima pesa e muito com essa promoção.
Falando em promoção, Nick e Sara estavam na disputa por uma. O clima de competição estava intenso e como morena estava decidida a ignorar seu chefe, foca no trabalho, favorecida por estarem na maioria dos casos trabalhando separados.
O supervisor já tinha notado o distanciamento da morena. Há dias ela vinha falando somente o necessário com ele.
Um dia...
CORREDOR DO LABORATÓRIO
Sara conversa com um técnico de laboratório sobre os resultados de uma análise. Está focada, profissional, mas receptiva. De repente, surge Grissom — do nada, como sempre. Ele a interrompe abruptamente, puxando-a pelo braço com certa urgência.
GG (sem rodeios): Sara... Com licença! Será que você poderia me ajudar?
SS (meio surpresa): Sim... Com o quê?
GG (sério): Uma mulher...
Sara arregala os olhos, faz aquela expressão clássica de: “Oi???”. Mil pensamentos passam por sua cabeça em um segundo.
SS (já preparando um sarcasmo): O quê?
GG (continuando, sem perceber o duplo sentido):
Preciso que você examine uma suspeita pra mim.
Sara respira aliviada e revira os olhos com um leve sorriso irônico.
SS (irônica): Ahhh... Claro.
SALA DE COLETA
Sara examina a suspeita — uma mulher visivelmente marcada pelo abuso prolongado de drogas. O trabalho é feito com o cuidado de sempre, mas o semblante de Sara está visivelmente distante, frio. Ao finalizar, organiza os dados e vai ao encontro de Grissom.
CORREDOR / ÁREA DE TRÂNSITO DO LAB | MOMENTOS DEPOIS
Grissom caminha distraído, consultando uma prancheta. Sara se aproxima, segura, profissional.
SS (entregando as amostras):
— Aqui estão as amostras da sua suspeita. Ela tem histórico de abuso de substâncias, marcas antigas de agulhas nos braços e alguns hematomas recentes que parecem não estar relacionados à prisão.
Enquanto ela fala, Grissom não tira os olhos dela. Um olhar fixo, quase hipnotizado. Sara percebe.
SS (parando de falar, franzindo a testa): O que foi?
GG (intrigado, quase melancólico):
— Faz tempo que não te vejo, né?
Sara pisca, incrédula. O absurdo da frase a atinge em cheio. Cruza os braços.
SS (seca): Você me vê todo dia.
E sem dar chance para resposta, vira as costas e sai, balançando a cabeça em descrença. Grissom fica parado, de boca entreaberta, vendo-a se afastar. Pela primeira vez, parece verdadeiramente atingido.
O tempo passa e a disputa pela promoção chega ao fim. Nick informa que ele foi indicado por Grissom, mas Ecklie cortou do orçamento, então ficou só no título. Sara fica uma fera com o entomologista, só que evita demonstrar na frente de Nick.
Grissom e Sara vão trabalhar juntos num caso envolvendo Sam Braun. A morena conversa sobre o caso, mas não olha em momento algum para ele e quando se direciona sua fala está bem ríspida. Grissom percebe:
GG: Sara esta acontecendo alguma coisa? Algum problema?
SS: ( Sem nem olhar para ele, por segurança) Nick me falou sobre o resultado da promoção e disse que você o recomendou, mas Conrad cortou o orçamento. Você disse um tempo atrás que não tinha nenhum problema comigo...
GG: (estava olhando para ela fixamente) Eu não tenho... Eu achei que o Nick era o melhor candidato para a posição...
SS: Por que?
GG: Porque ele não se importava se ia conseguir o trabalho ou não...
SS: Essa é uma razão estúpida..
Grissom não a responde, ignora como sempre faz e retorna ao trabalho deixando a morena com mais raiva ainda. Resultado disso: afogar as mágoas na bebida.
Sara estava fazendo isso frequentemente, bebendo todos os dias. Brass foi quem notou o problema já que vira e mexe a CSI chegava chupando pastilhas para disfarçar o hálito. Ao final de um turno, ele a convida para um café onde pudessem conversar.
CAFETERIA MODESTA, FINAL DO EXPEDIENTE
Sara está visivelmente cansada. Entra com Brass, que já tinha insistido para eles tomarem um café. Ela reluta, mas cede por consideração. Sentam-se em uma mesa nos fundos. Brass pede café preto. Sara só pede água.
JB (direto, mas com ternura):
— Sara... quero começar dizendo que gosto de você como se fosse minha filha. E é com sentimento de pai que estou iniciando essa conversa.
Sara levanta os olhos com uma expressão surpresa. Brass continua.
JB:
— De uns tempos pra cá, venho te observando... O uso constante de pastilhas, o jeito como você anda — irritada, dispersa, como quem carrega o mundo. E... eu me reconheço nisso. Já estive aí.
Sara sorri de leve, mas o olhar é cansado. Tenta desviar.
SS: Brass... também amo você como se fosse meu pai. Você sabe disso. Tenho um orgulho imenso de ser sua filha de coração. Mas as pastilhas são só por causa de uma gripe...
Brass levanta a sobrancelha. Pausa. Depois abaixa o olhar para o café e volta com voz mais firme:
JB: Uhumm... O álcool... reduz a concentração, a atenção, a memória recente, a capacidade de julgamento... E é por isso que, depois da farra, você pode até se esforçar, mas muitas vezes nem lembra da noite anterior.
Sara desvia o olhar, sentindo o peso da verdade que escuta. Ele se inclina, sério, mas com carinho genuíno.
JB (baixando o tom):
— Você é uma CSI brilhante, Sara. Uma das melhores. Mas eu sei reconhecer quando alguém está se afundando tentando engolir a dor com álcool. Não desconte a frustração com o trabalho, ou com um supervisor boco que não sabe o que quer... na bebida.
Sara morde o lábio inferior. Olhos marejados. O silêncio se instala por um momento, apenas o som do bar ao fundo.
JB (ainda com voz suave):
— Não deixe isso te levar pro fundo do poço. Não você... não você, Sara.
Ela inspira fundo, olha para Brass com gratidão e tristeza no olhar, surpresa com a citação sobre a negação de Grissom e Brass percebe:
SS (limpando discretamente os olhos, surpresa):
— Jim... eu não sei do que você está falando... negação de Grissom?
Brass dá um pequeno sorriso de canto. Puxa o ar fundo antes de soltar a verdade.
JB: Filha... posso te chamar assim agora, né? Eu não sou criança... sou investigador. Eu estava lá, na sala de observação, quando o Grissom se declarou pro Dr. Lurie. Você lembra daquela cena, né?
Sara desvia o olhar, pega o copo de água e o segura entre as mãos com força.
JB (calmo, mas direto): E eu tenho quase certeza de que a tal moça que ficou com o Gil quando ele passou aquelas duas semanas em São Francisco... é a mesma moça da qual ele falava naquela confissão. Essa moça... é você.
Silêncio. Sara fecha os olhos. Ele continua, com ternura:
JB: Aquele tonto te ama. Mas é tão medroso, tão travado, que não percebe que, com esse jeito confuso dele, faz vocês dois sofrerem.
Sara não aguenta. As lágrimas descem sem controle. Entre o riso nervoso e o choro contido, ela responde com a voz embargada:
SS:
— Bom... realmente sou eu. A pessoa que ficou com ele em São Francisco. E pelo jeito... a pessoa que ele não acha que vale o risco de perder a carreira.
— Eu sou a tonta... que se apaixonou por esse tonto, como você diz.
Brass dá uma risada suave e afetuosa. Enxuga a ponta do olho discretamente.
JB:
— Quando ele voltou do seminário, eu disse que não conhecia a mulher que ele encontrou, mas que já a admirava pelo bem que ela fez pra ele.
— Agora vejo que fiz a melhor coisa ao mandar aquele teimoso pra São Francisco.
— Ganhei uma filha honesta, inteligente... e que me enche de orgulho.
Sara, com a voz entrecortada de emoção, sorri com ternura:
SS:
— Brass... ou melhor, pai...
— Fico feliz em ter alguém com um coração tão puro e generoso na minha vida.
— E pode deixar... vou procurar ouvir seus conselhos.
Eles se olham em silêncio por um instante. Brass segura a mão dela por cima da mesa com carinho. Há algo sagrado nesse instante. A cafeteria ao fundo continua viva, mas para eles o tempo parece suspenso.
Com o passar dos dias Sara tinha diminuído o uso da bebida, entretanto ainda estava alto. Após um turno resolveu acompanhar Nick e Warrick em um bar. Na volta para casa foi parada e detida pela policia devido a quantidade de álcool ingerida. Um dos policiais a reconheceu e resolveu ligar para Grissom em vez de ficha-la. O supervisor foi imediatamente ao local e ao entrar na sala onde a subordinada estava viu o quanto abatida e envergonhada estava. Aquela cena quebrou seu coração. Sentou ao seu lado e ela em momento algum o olhou. Ele olha para baixo e de repente segura a mão da morena firmemente.
GG: Vamos!! Eu te levo para casa.
Os dois saem de mãos dadas sem pronunciar nada e assim continuam até chegar ao apartamento de Sara, o qual Grissom resolve deixa-la na porta.
SS: Grissom obrigada, mas eu esperava ouvir um sermão seu e não um silêncio.
GG: Sara não tenho que lhe dar sermão, pode acontecer com qualquer um. Só por favor não repita!
SS: Ok mais uma vez obrigada e boa noite!
GG: Boa noite!!
Depois desse episodio ela passa a fazer acompanhamento com Psicólogo. As rugas e embates com o supervisor continuam.
01 semana depois Grissom e Catherine são obrigados a irem num cerimonial em homenagem ao Diretor do Laboratório. O supervisor teria que fazer um discurso em homenagem a Conrad.
Grissom está irritado em frente ao espelho, lutando com a gravata torta. Seu terno escuro está impecável, mas a gravata o faz parecer um cientista deslocado num baile de gala. Catherine aparece na porta, já pronta, elegante e divertida.
CW (rindo):
— Sabia que você devia arranjar uma mulher, né?
GG (olhando pelo espelho, confuso):
— Chegou a essa conclusão só por causa da gravata?
Ela ri, se aproxima e ajeita a gravata com a precisão de quem já fez isso mil vezes. Grissom permanece imóvel, como um aluno sendo repreendido.
Minutos depois, eles chegam ao cerimonial. Grissom ainda emburrado por ter que discursar. De repente, os olhos dele se fixam em uma loira deslumbrante em um vestido sofisticado. Catherine percebe de imediato o interesse.
CW (sem rodeios):
— Sofia Curtis. Investigadora. Era supervisora do turno da manhã, mas Eckley a rebaixou. Disse que vai colocá-la em um dos turnos... isso se já não colocou.
GG (incomodado):
— Mas para isso ele precisa me avisar antes. Eu sou o supervisor.
CW (revirando os olhos):
— Gil, estamos falando do Conrad. Ele não precisa de você pra decidir nada. E você sabe disso.
Catherine segue até sua mesa bufando. Quando Grissom ia se sentar, seu celular vibra. Uma chamada urgente: novo caso. Ele some, deixando Catherine furiosa e forçada a discursar sozinha.
LOCAL DO CRIME
Grissom desce do carro, ajusta o paletó, e mal acredita quando vê quem está de pé ao lado da fita amarela: Sofia Curtis. Ela sorri ao vê-lo.
SOFIA: Supervisor Grissom. Parece que agora somos parceiros.
GG (levemente surpreso, mas tentando disfarçar):
— Pelo visto, o Conrad decidiu por mim.
Durante o processamento do local, Grissom parece encantado com a postura segura — e especialmente falante — de Sofia. Ela discorre longamente sobre padrões de entrada, horários e dinâmica de agressão. Grissom sorri discretamente: admirado e ligeiramente exausto ao mesmo tempo.
DIAS DEPOIS, LABORATÓRIO CSI
Sara caminha com uma pasta nas mãos, concentrada. Ao dobrar o corredor, vê Grissom rindo. Ele está sentado, relaxado, com Sofia... na mesa de Sara.
Sofia gesticula, claramente no meio de uma história. Grissom, de braços cruzados, a observa com um brilho nos olhos raro. A risada dele ecoa pelo corredor. Sara paralisa por um segundo. Não fala nada. Apenas observa.
Catherine se aproxima por trás, percebe a cena, e murmura sem tato:
CW: Naquele evento que fui com ele... ficou babando por ela. Pelo visto, investiu mesmo. Saiu do zero, hein?
Sara não responde. Apenas vira de costas e se afasta com dignidade. Mas seus olhos brilham, não de raiva — de dor. Segura o choro com a força de quem já sofreu demais.
Andando pelo corredor viu no mural um texto:
"Meu coração está ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou." Caio Fernando AbreuFoi para casa e dali resolveu retomar a estratégia para manter sua saúde mental. Qual será essa estratégia???
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