Ricordare è Vivere

9 Voltar as origens e virar Fênix ou ficar em Vegas??


Notas iniciais
Esse capítulo rodamos bem mais em outros temas e retornamos a série com o episódio do SWING e Hank ( o cachorro) entrando na história. Lá vamos nós!!!

PARQUE EM FRENTE AO PRÉDIO DE SARA

A claridade suave da manhã beija o rosto de Sara enquanto ela caminha. O fone de ouvido está encaixado com precisão, e os passos firmes ecoam pelo calçadão ainda silencioso. O ar é fresco, a brisa suave movimenta os fios soltos do cabelo. Pela primeira vez em dias, ela sente que pode respirar.

Ela veste uma calça esportiva escura, camiseta clara e carrega uma pequena garrafa d’água. A cada passo, seu corpo parece liberar um pouco do peso que vinha arrastando. O coração ainda apertado, mas o foco agora era outro: ela.

Nesse momento, o celular troca de faixa. E o som familiar invade seus ouvidos:

🎵 “And what if I never kiss your lips again…”

🎵 “Or feel the touch of your sweet embrace…”

Sara para subitamente. A letra é um soco seco no estômago. Os olhos marejam. Ela olha para o céu tentando conter a avalanche que se forma dentro dela.

🎵 “I’ll never be far… and I’ll always be watching you…”

As imagens de Grissom invadem sua mente. A risada discreta, os olhos curiosos, o jeito que a observava em silêncio. As lembranças das duas semanas em San Francisco, das conversas ao entardecer, dos momentos de cumplicidade, de entrega... e depois, da frieza, da ausência, da negação.

Sara senta num banco próximo. Passa a mão nos olhos rapidamente, envergonhada das lágrimas que insistem em cair, mesmo quando prometeu a si mesma que não choraria mais por ele.

SS (sussurrando para si, entre dentes):

— Não é um adeus... mas também não é amor suficiente pra ficar.

Ela respira fundo. Desliga a música. Fica em silêncio por alguns instantes, olhando o movimento da vida ao redor: pessoas correndo, crianças brincando, cachorros latindo. Tudo continua, mesmo com o coração em frangalhos. E era isso que ela precisava lembrar.

Depois de alguns minutos, se levanta. A postura ereta, o olhar mais firme. Volta a caminhar. Dessa vez sem trilha sonora. Apenas o som dos próprios passos e da decisão de se reerguer, mesmo com o peito em pedaços.

Trecho da música:

“E se eu nunca mais beijar seus lábios novamente? Ou sentir o toque do seu doce abraço Como eu vou seguir? Sem você não há lugar ao qual pertenço Bem, algum dia o amor te trará de volta pra mim Mas até que isso aconteça eu terei um coração vazio Então eu terei que acreditar que em algum lugar lá fora você está pensando em mim...”

It's Not Good-Bye

Canção de Laura Pausini

Escolheu ficar numa praça acompanhando as famílias e os casais passeando, brincando. Pensa em tudo que ocorreu nesses anos em Vegas, nos amigos que ganhou, no pai postiço que tem sido Brass, mas também pensa em como Grissom a enjeitava e ao mesmo tempo a albergava, deixando-a confusa.

Já começava a pensar em voltar para São Francisco e ficar com Paola que agora estava casada com Fred, muito feliz e já com um filhinho.

Pensava, pensava até que foi interrompida por uma senhora:

Senhora: Oi??? Por que uma moça bonita esta tão triste?

SS: Oiii!! Nada, coisas da vida.

Senhora: Coisas da vida também machucam. Me chamo Marilyn June e você?

SS: Sara Sidle

MJ: Estou morando agora naquele prédio ali. ( apontou para o local)

SS: Bom então somos vizinhas por que moro ali também. Moro no 03º andar.

MJ: Moro no 02º. Então Sara, por que essa tristeza das coisas que a vida lhe fez?

Sara achou muito simpática sua nova vizinha. Talvez conversar fosse bom.

SS: Muitas coisas, mas a de agora é que... Eu vi o meu grande amor com outra pessoa, Não imagina o quanto isso doeu, doeu muito. Um dia você está feliz com a pessoa e em um piscar de olhos, TUDO ACABA.

MJ: Sara não deixe isso te abalar, RESISTA! Não deixe isso te impedir de conhecer um outro amor, ACREDITE! Saiba que, nem todo porto é SEGURO. Seja amigo do TEMPO, porque com certeza no futuro, ele vai ser seu melhor amigo.

SS: Penso que talvez se eu for embora de Vegas eu possa evoluir, viver, mas amor não penso em procurar tão cedo. Acho que nasci pra sofrer por um amor não correspondido.

MJ: Sabe o que eu acho? Que você deve seguir seu coração, então faça o que for melhor para você e no momento o melhor para nós é irmos tomar um sorvete bem ali.

Caíram na risada e foram até o carrinho. Aquela senhora estava fazendo bem para Sara, estava se sentindo leve.

CASA DE GRISSOM, SALA DE ESTAR — FIM DE TARDE

O som da porta batendo se mistura ao latido animado de Hank, que corre até a entrada abanando o rabo. Brass entra com aquele jeito meio desconfiado de sempre, olhos vasculhando o ambiente como se estivesse em uma investigação.

GG: Hei, Brass... Quanto tempo que você não aparece por aqui!

JB (olhando o ambiente):

— É... correria e...

(interrompido por um latido)

— Você tem um cachorro agora??

GG (sorri discreto):

— Sim. Lembra daquele caso do casal morto por um viciado? O cachorro ficou... e acabou se apegando a mim. Eu já queria uma companhia, então...

Hank entra na sala, abanando o rabo e indo direto ao sofá onde Grissom se senta. Brass observa a cena com as mãos nos bolsos, meio sem acreditar.

JB: Não era melhor você arrumar uma namorada?

GG (desviando, levantando-se): Brass... você quer uma bebida?

Clássico Grissom. Brass ergue uma sobrancelha, percebendo a fuga descarada.

JB: Quero sim. E você ainda não falou o nome do cachorro.

GG (entregando o copo): Hank.

Brass engasga com o próprio riso.

JB: Hank?! Você colocou o nome do seu cachorro igual ao do ex da Sara? Kkkkk...

GG (sem graça, tentando se defender):

— Foi coincidência! Quando o peguei, ele já tinha esse nome. O vizinho disse que foi inspirado num personagem de Breaking Bad...

JB (ainda rindo):

— Ok, ok. Muito prazer, Hank... Mas falando em nomes repetidos, acho que a rádio corredor tá dizendo que você também tá repetindo hábitos... Ouvi dizer que anda saindo com a Sofia Curtis.

Grissom vira de imediato, os olhos semicerrados, tom defensivo.

GG: QUE? De onde tiraram isso? Eu não estou saindo com ela.

JB (cruzando os braços, cético):

— Mas tem andado com ela bastante, não?

GG (suspira): A Sofia tem conversado comigo. Tá chateada com o rebaixamento, precisa desabafar. Só isso. E eu... eu entendo ela. Mas não tem nada.

JB (dando de ombros):

— Você é livre. Pode sair com quem quiser.

(pausa, muda o tom)

— Mas não foi por isso que vim aqui. Foi por causa da Sara.

Imediatamente o olhar de Grissom muda. Ele se ajeita na poltrona, o copo já esquecido na mão.

GG (tenso): O que tem a Sara? Aconteceu alguma coisa?

Brass observa com atenção. A forma como Grissom se enrijece, os olhos que de repente não encontram lugar pra repousar. Aquela simples menção já bastou para denunciá-lo.

JB (direto): Na verdade, sim. Mas você é tapado demais pra notar.

Silêncio. Grissom encara Brass, sem reação.

JB (continuando, firme):

— Tenho conversado muito com ela. E ela anda cada vez mais triste. Anda tentando se distrair, focar nela mesma... mas tá difícil. Ouviu os boatos sobre você e Sofia, e isso mexeu com ela. E eu sei... sei o quanto ela sente por você. Tenho medo dela afundar de vez na bebida. Por isso venho tentando puxar ela pra luz.

GG (engolindo em seco): Ela te disse isso?

JB: Disse mais. Me contou que está pensando em voltar pra São Francisco.

Grissom leva alguns segundos para processar. O impacto da informação o desmonta. Seu corpo afunda na poltrona como se tivesse levado um soco no estômago.

GG (quase num sussurro): Voltar pra lá?

Brass observa o amigo com compaixão, mas também com dureza. A conversa precisava acontecer.

JB: É... E talvez dessa vez não volte. Você não precisa fazer um escândalo. Só... pare de fingir que não sente. Ela já carrega o bastante. Você também. Dois tontos feridos, orgulhosos, e com medo de se perder — mas se perdem mesmo assim.

Hank, no chão, encosta o focinho na perna de Grissom, como se pressentisse o clima denso. O silêncio se instala, cortado apenas pelo tique-taque do relógio da sala.

Grissom, já abalado com tudo o que ouviu, virou o copo de conhaque de uma vez só. O líquido desce queimando, mas ele nem sente. Está anestesiado. Brass arregala os olhos ao ver o gesto.

JB: Ououou, amigo! Vai devagar aí... virou de uma só vez?

Grissom apoia o copo na mesa com força, respira fundo. Não olha para o amigo.

JB (aproximando-se, mais calmo):

— Gil... eu sei que você também ama a Sara.

Grissom ergue os olhos, espantado, tentando manter a máscara de frieza. Mas é inútil. Brass o encara firme, sem desviar.

GG (defensivo): Eu... não sei de onde você tirou isso.

JB (cruzando os braços):

— Não me olha desse jeito, porque eu estava na sala de observação quando você desabafou com o Dr. Lurie. Eu vi tudo. E sei que falava da Sara.

GG (tentando desviar):

— Eu não estava desabafando. Estava tentando fazer com que ele confessasse!

JB (ri, indignado):

— Ah, tá... Então você vai me dizer que falou aquilo tudo da boca pra fora?

Grissom não responde. O silêncio é uma confissão.

JB (voz firme, tom direto):

— Gilbert Arthur Grissom, não me tire como otário. Eu não sou. Você passou três dias sem dormir, sem tomar banho, sem ir pra casa, obcecado em pegar o assassino da Debby. Sabe por quê? Porque a garota lembrava a Sara. Porque o jeito dela, o sorriso, a inteligência... tudo te corroía por dentro.

Grissom fecha os olhos por um instante. A verdade, quando dita com tanta clareza, machuca.

JB (aproximando-se, olhando nos olhos dele):

— E agora você me vem com essa cara de pau dizer que não tem nada? Faça-me o favor...

GG (recuando, tenso):

— Brass... com todo o respeito... eu não sou obrigado a falar da minha vida pessoal.

JB (voz endurecida, sem hesitar):

— Sim. Você não é obrigado. Mas o problema é quando suas decisões na vida pessoal afetam a minha filha. Porque é isso que a Sara é pra mim.

Grissom o encara, agora completamente exposto. Brass avança um passo, o tom protetor e feroz.

JB: E eu vou defendê-la até o fim. Inclusive de você.

Silêncio absoluto. Hank, o cachorro, observa a tensão no ar, inquieto. Grissom engole em seco, claramente tocado, mas também perdido. Ele nunca viu Brass assim. Nunca o ouviu chamá-la de “minha filha” com tanta convicção. Isso o atinge direto no peito.

GG (baixo, quase um sussurro): Ela disse... que vai embora?

JB (duro):

— Disse. E você não precisa acreditar em mim. Basta olhar nos olhos dela... se ainda tiver coragem.

Agora foi o capitão quem virou o copo...

JB: Quer saber?? Acho melhor mesmo, apesar de me doer, que Sara vá embora. Você tem atitudes egoístas …

GG: EU NÃO SOU EGOÍSTA, HEATHER ME FALOU A MESMA COISA, MAS NÃO SOU.

JB: Drª Kessler tem razão sim e vou te dizer... Você demonstra muito mais interesse na sua posição profissional do que nos sentimentos que você e Sara sentem um pelo outro, não se importa em conhecer os verdadeiros sentimentos dela; Ela veio para Vegas pensando que a história de vocês iria continuar, mas o que encontrou foi um homem que só retribui o amor dela com pedras. Que demostra sentir algo, mas quando ela chega perto recua e renega. Sai com outras mulheres na frente dela, mas quando o contrario acontece eis que surge o supervisor para atrapalhar. Sabe, analisando isto que eu estou falando acho que ela precisa de amor próprio e ele deve vir em primeiro lugar. Será melhor para ela ir embora e finalmente viver, ser feliz.

Brass se levanta, cumprimenta Hank e vai em direção a porta:

GG: Hei!!! Você desabafa, bebe 03 copos de conhaque, levanta e vai embora sem me ouvir ...

JB: E o que você vai me falar? Que você é um idiota que ama, que de tão idiota, não corresponde ao amor da outra idiota?

GG: Quando lembro do momento que conheci Sara me vem na cabeça um trecho de um poema de Shakespeare:

“Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.”

JB: Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.

Grissom fica abismado por ouvir Brass também citar Shakespeare

JB: Gil realmente preciso ir, mas como falei, torço sinceramente para você viver esse amor, porém se você não quiser, deixe a Borboleta voar. Se quiser ficar com Sofia, com Heather com quem que seja, fique, mas deixe Sara livre e você sabe do que estou falando. Até mais tarde!!!

Brass vai embora. O som da porta se fechando ecoa pela casa.

Grissom permanece imóvel no meio da sala. Hank deita-se ao lado do sofá, observando o dono com olhos atentos. O silêncio é cortante. Fica apreensivo com a possibilidade de perder Sara. Primeiro foi Heather, agora foi Jim o chamando de egoísta, não queria aceitar que era mais analisando acabou por concordar que fez coisas para atrapalhar o relacionamento dela com o paramédico. Sua cabeça estava confusa, estava nervoso. Suas atitudes egoístas só fizeram machucar quem ele mais ama.

Grissom respira fundo, passa a mão nos cabelos, caminha até o bar e serve outro copo — mas para. Olha o líquido âmbar, pensa... e deixa o copo sobre o balcão, intocado.

Senta-se. Pega um caderno de anotações. Começa a rabiscar compulsivamente. Desenha uma borboleta. Pequena, frágil, em voo.

GG (baixo, para si mesmo):

— Deixe a borboleta voar...

O peso da frase de Brass cai sobre ele como uma avalanche. Seus olhos enchem de lágrimas, mas ele pisca rápido, como se lutasse contra a própria vulnerabilidade.

Ele se levanta de repente, decidido. Anda pela casa, como se buscasse algo. Para diante de uma caixa no escritório. Abre. Lá dentro, objetos pessoais: fotos antigas, correspondências... e um bilhete rabiscado por Sara anos atrás, quando ainda estavam em São Francisco.

O bilhete diz:

"Grissom, obrigada por me ouvir quando o mundo inteiro me calava. — S."

Ele aperta o bilhete contra o peito. A emoção vem forte. Fecha os olhos.

GG (voz trêmula):

— E eu calei você aqui em Vegas...

Hank se aproxima e lambe a mão do dono. Grissom o acaricia distraído, depois levanta-se como quem finalmente decide enfrentar seus fantasmas.

No turno daquela noite Grissom resolveu colocar Sara num mesmo caso que ele. Ela estranhou, pois ultimamente ele vinha evitando se colocar com ela, o que estava sendo muito bom. Neste caso que teria que voltar a trabalhar com ele, disse pra si mesma que seria a mais profissional possível.

O caso era de uma mulher que havia sido encontrada morta numa piscina de hidromassagem numa mansão que havia sido palco de encontro de casais para realização de swing (galerinha ousada).

O swing há cuidados básicos que vão desde o pacto sobre os limites do casal, passando pelas regras do swing e do local escolhido. Afinal, ninguém quer que uma noite especial se torne um pesadelo, porém no caso de Vanessa Keaton virou. Grissom, Sara e Brass levam o casal dono da mansão para prestar depoimento:

Esposa: Eu e meu marido somos adeptos do swing, é um estilo de vida...

JB: Desculpe, estilo de vida??

Esposa: Sim, "Antes de pensar em fazer swing, o casal deve entender o funcionamento do relacionamento. Perceber se existe uma base sólida para dar esse passo"

GG: Fazendo troca de parceiros é avaliar o relacionamento???

Esposa: Paul e eu passamos por um momento difícil há alguns anos atrás... quase nos separamos! O "swing" salvou o nosso casamento! Foi ficando com outras pessoas que me fez perceber o quanto eu amo o meu marido...

Sara em outra sala conversava com o marido:

Marido: Tenho a melhor esposa do mundo. Amo demais a Aaron!!

SS: Mas ainda sim fez sexo com Vanessa Keaton?

Marido: Sim, mas foi diversão. Escuta o swing é uma forma de liberdade regrada. Imagine uma balada, só que com alguns ambientes a mais.... espaço com pista de dança, luz negra e bar, onde a paquera pode rolar solta. O diferencial está realmente nos espaços depois da balada. Quartos com cama extra grande para usos óbvios.

Como se fossem sincronizados Grissom e Sara fizeram a mesma pergunta para o marido e esposa:

GG e SS: Você falou em regra. Quais são as regras?

Esposa & Marido:

—Não significa não... — Chegar como um casal, sair como um casal... — Drogas, nunca. Camisinhas, sempre

—Nunca ter casos... — Sexo com alguém que não seja o seu parceiro, somente é permitido durante as festas... — Sem fotos, sem vídeos... — E as crianças nunca devem saber...

Marido: Sara a variedade é boa, não ter rotina ajuda apimentar o desejo sexual de cada um....O diferencial é ter um grupo bom que aceite as regras e ter bebidas boas. Junta isso tudo e você ficaria surpresa com o que pode acontecer... Leve seu parceiro um dia, tenho certeza de que vai gostar.

Sara fica de boca aberta e pasma com o depoimento do homem. Já com Grissom:

GG: Podemos dizer que no Swing os casais aproveitam para extravasar ?

Esposa: Sim, é o local para você matar seus desejos, a ideia é apimentar ainda mais a experiência... Todo mundo fantasia sobre outras pessoas... Até você, sr. Grissom! Uma vizinha, uma amiga, uma garota do trabalho.

Grissom ficou vermelho e Brass teve que conter o riso. Saiu da sala e foi pegar um café para ele e Sara. A encontrou no corredor olhando o casal.

SS: Obrigada!! Sei que não devemos ter nossa própria opinião, mas tenho problemas em aceitar o estilo de vida deles.

GG: Bom para eles está tudo bem, acham que esta tudo certo mas pra mim estão só se machucando.

SS: Mas alguém não aguentou mais o tudo bem do jogo e Vanessa Keaton pagou. Eles dizem que procuram essa prática para salvar o casamento mas acho que acabam procurando problemas.

GG: Eles dizem que são felizes assim.

SS: Você acha que são??

O celular de Grissom toca e ele não responde. Neste momento o casal vem na direção dos peritos que estavam sentados colados um no outro.

Marido: Sara, falei com minha esposa e adoraríamos receber um dia você e o Drº Grissom numa reunião do nosso grupo. Ficarei honrado em ser seu guia.

Esposa : E eu a sua Srº Grissom. O senhor tem cara que fantasia várias coisas com a Sara.

Grissom e Sara levantam imediatamente e...

GG: Bom eu e Sara agradecemos o convite, mas achamos que a intimidade precisa ficar privada e em dupla.

Esposa : Se um dia mudarem de ideia ficarei encantada em recebe-los. Até mais!

SS: Grissom é melhor voltarmos para o laboratório agora e rápido.

Não dava para saber quem estava mais vermelho.

A esposa e o marido continuavam falando.

Esposa: Eles parecem um casal bem ativo, mas são discretos, me arrisco a dizer que vivem um romance proibido.

Marido: Isso é sexy, pena que não aceitaram nosso convite.

LABORATÓRIO DE CRIMES — POUCO DEPOIS

Sara entra primeiro, de passos acelerados. Grissom vem logo atrás, ajeitando os óculos e tentando manter a postura, mas está visivelmente desconcertado. Brass surge do corredor com os dois cafés na mão.

JB (erguendo a sobrancelha):

— Perdi alguma coisa ou é impressão minha que vocês acabaram de sair de um episódio de reality bizarro?

SS (seca): Uma daquelas noites que nos lembram que o mundo é bem mais estranho do que o laboratório.

GG (engolindo seco):

— Confirma-se: o pior lugar para discutir sexualidade é a cena de um crime...

Brass entrega o café para Sara e dá um tapinha no ombro de Grissom com um sorrisinho maroto.

JB: Relaxa, chefe. Ao menos você foi promovido a fantasia oficial da anfitriã. Isso é um marco.

SS (olhando para Grissom com ironia):

— Parabéns, Dr. Grissom. Ícone underground da libertinagem vegana.

Grissom suspira fundo. Sara disfarça um sorriso enquanto começa a organizar amostras sobre a bancada. O clima entre os dois parece mais leve, apesar do constrangimento evidente.

GG (tentando voltar ao profissional):

— Certo... Voltando à vítima. A água da hidromassagem estava a 39°C no momento da morte. Considerando o tempo entre o óbito e a chegada da perícia, é provável que o corpo tenha sido posicionado depois de morta.

SS (assumindo o tom técnico):

— Há marcas na cervical. Sinais de estrangulamento, mas leves. Possivelmente um jogo sexual que saiu do controle.

JB: E temos o depoimento do bartender. Disse que viu Vanessa discutindo com outro convidado pouco antes da festa "começar pra valer".

SS (cruzando os braços):

— E aposto que esse convidado não era o marido. A tal liberdade consensual quase sempre vira uma armadilha emocional.

Grissom observa Sara com atenção. A forma como ela fala do caso tem algo de pessoal, uma sombra de frustração nos olhos. Ele sente o peso do que ainda não foi dito entre eles.

GG (mais brando): Às vezes a busca por liberdade escancara o quanto estamos presos... às próprias emoções.

Sara levanta os olhos para ele. Por um instante, o clima muda. Tudo se cala entre eles. Depois ela desvia o olhar.

SS: Vou para a sala de microscopia. Talvez consiga alguma coisa do tecido sob as unhas da vítima.

Ela sai, e Grissom fica olhando. Brass percebe.

JB (em tom baixo):

— E aí, Grissom... Está esperando o quê? O convite oficial?

Grissom sorri sem graça. Mas dessa vez, não discute.

Descobriram no final que a enteada da vitima fora quem havia a matado. Saíram da sala citando as regras do swing:

SS: Chegue e saia como um casal

GG: Nada de fotos nem vídeos

SS: Nada de casos

GG: E as crianças não podem saber

SS: Decoramos as regras, ainda bem que Paul e Aaron não estão perto...

Os dois riram e voltaram ao Laboratório. Quando foi entregar seu relatório, Gil a surpreendeu..

GG: Sara topa tomar um café comigo?

Sara fez cara de espanto para ele e antes de responder, Sofia entra na sala:

SC: Oi Sara!! (que só balança a cabeça) Grissom terminou? Podemos tomar café?

Grissom se assusta, tinha esquecido que marcou com Sofia no dia anterior e antes de falar alguma coisa ouve a voz de Sara:

SS: Bom gente não quero atrapalhar, tenham um bom dia!!

GG: Sara espera por favor!!!

SS: Grissom eu preciso ir, tenho um compromisso...

Falou e saiu logo dali. Não queria acompanhar nenhuma troca de carinhos do suposto casal e precisa se arrumar para seu compromisso.

Grissom foi até a porta querendo ir atrás de Sara, mas Sofia quebrou o silêncio..

SC: Atrapalhei alguma coisa? Me desculpa!!

GG: Não, não!! Olha me desculpa, eu tenho várias coisas para fazer ainda então deixo esse café para depois.

SC: Ok então!! Tchau e até mais tarde!

ESTACIONAMENTO DO LABORATÓRIO

Sara caminha em direção ao carro, os passos acelerados. O rosto firme, mas os olhos brilham de mágoa. Ao abrir a porta do carro, ela encosta a testa no volante por alguns segundos, respirando fundo.

SS (pensando):

"Por que ainda me surpreendo? Era óbvio que ele ia escolher a segurança, a conveniência. Como sempre."

LABORATÓRIO / SALA DE GRISSOM

Grissom só balançou a cabeça chateado:

“Merda, ela deve estar mega chateada, ohhh idiota que eu sou’ Dá um soco na mesa “ desse jeito ela vai embora”.

Os olhos fixos na porta por onde Sara saiu. Ele respira fundo, tira os óculos e os apoia na mesa.

GG (murmurando):

— Um convite... Só isso. Um maldito café. Era o começo. E eu... estraguei tudo.

Passa as mãos no rosto e senta-se pesadamente. Puxa a gaveta, tira a caneca com desenhos de insetos que Sara havia lhe dado anos atrás, ainda ali. Olha para ela como se fosse um espelho de suas falhas.

Nick passa pela sala e o vê pensativo, com o olhar perdido.

NS (batendo de leve na porta):

— Tá tudo bem, chefe?

GG (tentando se recompor):

— Estou, Nick. Só... pensando.

NS (entrando):

— Bom, se servir de consolo, o swing do caso foi menos embaraçoso do que a interação entre você e a Sara. Só dizendo.

Grissom dá um leve sorriso torto, mas sem humor. Nick o observa mais um instante, depois sai. Grissom olha novamente para a caneca e sussurra:

GG: Eu preciso fazer algo... antes que seja tarde.

QUAL É O COMPROMISSO DE SARA???

Notas finais
No próximo a resposta da pergunta 1. Fênix é um pássaro lendário da mitologia grega, que morria, mas depois de algum tempo renascia das próprias cinzas. 2. Casmurro: indivíduo teimoso, obstinado, cabeçudo