Ricordare è Vivere

6 O Baile e Novos relacionamentos


Notas iniciais
Acontece o Baile e o ciúme de Gil ainda está vivo. Em passagem de tempo os dois tentam novos pares. Será que vai dar certo?? Tem também alguém que vai jogar umas verdades na cara do Gil

Baile do Laboratório – Noite, Salão de Eventos de um hotel elegante em Las Vegas

A música ambiente embala o ambiente cheio de luzes suaves, decoração sóbria e colegas do turno noturno vestidos com seus melhores trajes. Grissom está parado no topo da escadaria, usando um terno preto impecável, gravata borboleta e ar de quem está mais confortável em um laboratório do que em festas sociais.

Ele segura um copo com água com gás e observa o movimento lá embaixo. Está prestes a descer quando um táxi estaciona do lado de fora. E então, como se o tempo congelasse…

Ela.

Sara Sidle.

Desce do carro com um vestido vermelho intenso, costas nuas, fenda lateral e caimento impecável que delineia seu corpo com elegância. Os cabelos soltos e ondulados caem sobre os ombros. Grissom paralisa. Por um instante, ele não está em Las Vegas, mas de volta a São Francisco, três anos antes, quando viu uma versão semelhante daquela mulher e percebeu que talvez a estivesse perdendo.

Ela se aproxima com um sorriso contido e joga um "Boa noite!" — mas não recebe resposta. Ele a encara, completamente hipnotizado.

SS (sorrindo com sarcasmo e charme):

— Perdeu a voz, Grissom?

Nada. O homem, tão acostumado a interpretar sinais microscópicos, estava mudo diante de um sinal claro e em tamanho real.

SS (ainda com sorriso de canto):

— Funcionou, hein...

Antes que ele diga qualquer coisa, Nick Stokes aparece vibrante.

NS (brincando):

— UAU, Sara! Eu vou ser o cara mais invejado dessa festa!

Ele oferece o braço, e Sara aceita com um olhar rápido de provocação para Grissom, que ainda está ali, completamente desnorteado.

GG (murmurando sozinho):

— Isso definitivamente não estava nos protocolos de segurança...

Ele acompanha com os olhos enquanto Sara e Nick entram no salão.

GG: Pelo amor de Deus ela conseguiu ficar mais bonita ainda! Esse vestido se moldou mais ainda ao corpo. Essa festa vai ser uma loucura, esta mulher vai me enlouquecer.

Nick gira com Sara uma vez, fazendo todos ao redor olharem para ela. Greg, Catherine, Warrick, todos aplaudem a entrada triunfal.

Quando entrou foi logo ao encontro da equipe e ouviu Cath falando que Sara estava atraindo todos os olhares masculinos. Fechou o punho para se controlar.

Brass se aproxima com uma taça.

JB (dando um tapinha nas costas do amigo):

— Ela te atropelou e você nem tentou desviar, né?

GG: Eu… só não a vi chegando.

JB: Ahh você viu! Viu sim.

Grissom sorri, meio derrotado e meio fascinado.

Quando liberado a pista de dança Nick puxou Sara e Warrick levou Cath. A pista de dança está cheia, o DJ alterna entre clássicos dançantes e baladas elegantes. A iluminação é quente e confortável. Todos estão animados — menos Grissom.

Mesa dos dois — Brass serve mais conhaque nos copos.

JB (observando a cara de tacho do amigo):

— Sabe o que é mais engraçado, Gil? Você é um cara brilhante, mas com mulher... parece que está num campo minado sem detector.

GG (resmunga, tentando soar racional):

— Não estou com ciúmes, Jim. Eu só... acho que a pista está cheia demais pra danças tão... próximas.

JB (rindo com sarcasmo):

— Aham. E você acha que ela vai pedir permissão pro chefe pra se divertir?

Grissom desvia o olhar, mas não consegue disfarçar o incômodo. Quando Nick gira Sara e a puxa com um pouco mais de firmeza pela cintura, ele bate o copo na mesa.

GG: Ele está exagerando…

JB: Ah pronto, o Grissom vigilante da moral.

GG (mais sério do que gostaria):

Ela não é... ela não é qualquer uma, Jim.

JB (com um olhar que mistura compaixão e provocação):

Eu sei. Mas a pergunta é: você vai continuar só assistindo enquanto todo mundo dança com a “não é qualquer uma”?

Enquanto isso, na pista

Sara já tinha dançado com Nick, Greg, até com David Hodges (que mal sabia onde pisar), e agora estava com Warrick. Risadas leves, uma troca de piadas sobre quem pisa mais no pé do outro, tudo num clima amigável — mas leve e envolvente.

Catherine (voltando à mesa dela com Brass e Grissom):

— Se continuar assim, ela vai precisar de gelo nos pés. A mulher não para! Eu parei, não aguento mais!

Os discursos e homenagens acontecem, a equipe recebe seu prêmio e logo depois a pista de dança é reaberta.

Um momento que Sara vai ao banheiro, na volta é abordada por um policial que fez uso além da conta de bebidas. Ele estava insistindo de forma bruta para que a perita o acompanha-se.

Grissom, que tinha ido ao bar para poder acompanha-la mais de perto, sem chamar a atenção, percebe a cena e logo intervém a puxando dele e levando-a para pista de dança. A equipe vê os dois indo, só não perceberam a confusão antes.

CW: Gente é isso mesmo que estou vendo? Gil puxou a Sara para dançar?

JB, NS e WB: GRISSOM ESTA DANÇANDO??

SS: Grissom o que você está fazendo??

GG: Bom, salvando você de um bebum sem limites.

SS: Me trazendo para a pista de dança?

GG (nervoso, mas determinado):

— Eu... talvez não dance tão bem quanto os outros, mas... gostaria de tentar. Com você.

Sara olha para ele, surpresa. Uma sobrancelha arqueada, um sorriso lento que se abre.

SS: Sério que você quer dançar comigo?

GG: Sim, juntando o útil ao agradável. A propósito, você esta mais linda ainda com esse vestido do qu...

Sara o interrompe: O passado fica no passado certo?? Você mesmo fez questão de deixar isso bem claro.

GG: Sara não é bem assim, aqui as coisas são diferentes e …

SS: Você vai dançar ou não?

Ela entrega a mão. Ele aceita.

Eles começam devagar. Ele hesita no início, ela conduz levemente, invertendo os papéis. Depois de alguns segundos, os passos se alinham. O corpo dela encosta levemente no dele.

GG (quase num sussurro):

— Esse vestido... é ainda mais bonito do que eu me lembrava.

SS (com um sorrisinho):

— E você... ainda é péssimo com indiretas.

Eles seguem dançando, se olhando, como se o salão estivesse vazio.

Ao fundo, Catherine toma um gole de vinho.

CW (para Brass):

— Eu vou precisar de outra garrafa. Porque se eles não se beijarem até o fim dessa música, eu mesma jogo os dois dentro do tanque de formol.

JB: Vai por mim, Cath. Hoje, o entomologista dança… mas não escapa.

Estavam dançando bem juntos, corpos colados, quando de repente o policial bebum aparece reclamando que Grissom havia levado a mulher dele. No meio da discussão acaba acertando um soco no supervisor que por incrível que pareça revida com um outro bem forte.

A música parou de tocar de imediato. O salão todo voltou os olhos para a confusão. No chão, o policial bebum tentava entender onde estava, enquanto Grissom, visivelmente irritado e com o rosto levemente avermelhado do impacto, era amparado por Sara.

SS (apreensiva, tocando o rosto dele):

— Grissom, você está bem? Fala comigo.

GG (segurando o maxilar, com um leve sorriso torto):

— Tô bem… acho que acabei de lembrar por que não gosto de dançar em público.

Catherine chega com um pacote de gelo e já o entrega com um olhar nada surpreso.

CW: Sabia que isso ia acontecer. Baile, conhaque, você de olho na Sara, testosterona no ar… Deu até tempo de pegar gelo antes do caos.

Nick se aproxima rindo e com ar de empolgação.

NS: Uouuu!!! Grissom versão Rocky Balboa!! Quem diria?

(grita para o DJ)

Coloca "Eye of the Tiger" aí, DJ!

JB (com o copo ainda na mão, rindo):

O amigo ali tá zonzo até agora! Quase levantou com o crachá da própria delegacia de cabeça pra baixo.

WB (cutucando Nick):

Tá procurando a placa do caminhão que passou por cima dele.

Sara, ainda impressionada, sorri em meio à tensão.

GS (olhando pra Catherine):

Ainda bem que, por algum milagre, Sara estava acompanhada pelo Gil na pista de dança na hora que esse bebum apareceu.

SS: Por que milagre?

E num perfeito coro, todos da equipe, sem ensaio, disseram em uníssono:

— "Porque o Grissom não dança!"

Grissom revirou os olhos, bufando, mas não negou.

GG: Já entendi… muito engraçados vocês.

Sara ficou surpresa com aquilo, o sorriso curioso se abrindo em seu rosto.

JB: Grissom… eu nunca vi você socar alguém. Dançar? Muito menos. Hoje você zerou a cartela de surpresas.

GG (com um leve sorriso, olhando pra Sara):

Às vezes, algumas pessoas fazem a gente sair da zona de conforto…

(pausa, meio tímido)

— Ou da pista de observação… e entrar na pista de dança.

Sara só observa sem falar nada.

CW (erguendo a taça):

— Um brinde à dama de vermelho, ao soco da noite e… ao improvável dançarino!

Todos brindam, rindo e comentando.

Enquanto o caos se desfaz e o DJ retoma a música, Grissom e Sara trocam um olhar que diz muito mais do que palavras.

Depois da festa, Gil fez questão de levar Sara em casa.

O carro de Grissom estaciona suavemente. O silêncio entre eles é cheio de camadas, não de constrangimento, mas de algo não resolvido – denso, intenso, mas familiar.

GG (desviando os olhos dela por um instante):

— Pronto… a dama está entregue em segurança.

Sara sorri de leve, olhando para ele com aquele brilho nos olhos que ela raramente deixava transparecer.

SS: Eu queria agradecer… por você ter me defendido hoje. Eu…

Ela hesita. Queria dizer mais. Dizer tudo. Mas não quer se machucar de novo.

GG (com os olhos fixos nela):

— Pode parecer loucura, mas…

(pausa, respira fundo)

— Eu daria minha vida por você.

Sara o encara. Ele estava sendo honesto. Desarmado. E isso a pega desprevenida. O olhar dela suaviza, mas logo em seguida ela recua emocionalmente. O medo antigo também vive nela.

SS (baixando os olhos): Boa noite, Grissom.

Ela se vira para entrar, mas ele a chama.

GG: Sara!

Ela para, lentamente vira o rosto por sobre o ombro, aguardando.

GG (com a voz mais baixa, quase rouca):

— Você nunca mais me chamou de Gil.

SS (após um pequeno silêncio):

— Porque o passado ficou no passado… lembra?

Sem dar tempo para resposta, ela vira de novo e entra em casa, deixando Grissom parado na calçada, sentindo o baque da frase.

Ele fica ali por alguns segundos, olhando a porta fechada, como se ela tivesse fechado um capítulo… mas ele sabia que ainda havia páginas soltas. O coração apertado, o arrependimento batendo no peito, e os malditos medos ainda prendendo seus passos.

GG (em voz baixa, para si mesmo):

Eu nunca consegui deixar o passado, Sara… porque você ainda está nele.

Mas ele não bate na porta. Não naquela noite. Apenas entra no carro, silencioso, e dirige devagar… com a cabeça longe dali.

O passado estava sendo mantido no passado ou ao menos tentavam. Os sentimentos de ambos estavam mais ativos do que nunca … com momentos de trocas de carinhos.

A luz do poste lança um tom âmbar sobre os fundos da casa. Grissom saí para respirar. Sabia que havia um corpo na casa, estava procurando há horas, sob o olhar da pessoa que tem plena consciência da localização certa, mas não fala. O rosto sério, testa franzida, lábios pressionados. O nervosismo era evidente.

A porta se abre devagar. É Sara.

SS : Posso ficar aqui com você?

GG: Claro.

Ela o observa por alguns segundos, depois se aproxima devagar. Quando chega perto o suficiente, para na frente dele.

SS (com um tom leve): Você está há horas nisso, Grissom. Vamos conseguir achar.

GG (desviando o olhar por um instante):

— Esse caso… tem um corpo lá e ele sabe onde está. Eu não estou conseguindo enxergar onde é o local exato.

Sara sorri de leve e passa o dedo suavemente pela lateral do rosto dele.

SS (com o toque leve e provocador):

— Tinha um pó de giz aqui…

Grissom paralisa no toque. O coração acelera. Ele a encara, claramente sentindo muito mais do que uma limpeza inocente. Ela também sente, mas se afasta com naturalidade, como se não tivesse feito nada demais.

GG (ainda sem jeito):

— Obrigado… pelo… giz.

Sara dá um meio sorriso, já virando-se para sair, deixando o ar carregado de algo não dito.

Momentos depois acharam o corpo.

Laboratório, véspera de Natal

Os peritos estão trocando lembranças simples. Nada muito elaborado. Grissom observa de longe, como sempre faz, até que vê Sara saindo por um momento. Ela esta do lado de fora do prédio, então ele se aproxima discretamente dela.

GG (sem jeito, segurando um embrulho fino):

— Eu… eu sei que você provavelmente já leu esse, mas… achei que deveria ser seu.

Ela olha curiosa, abre o pacote com cuidado e encontra um livro de capa antiga: “Entomologia Forense – Casos Notáveis” com anotações de campo raras.

SS (surpresa):

— Grissom, esse exemplar é raríssimo… como você conseguiu?

GG (dando de ombros):

— Troquei com um professor de Cornell. Tinha uma edição duplicada aqui. Achei que você cuidaria bem dele.

Ela olha nos olhos dele. É mais do que um presente. É uma forma de dizer "eu te conheço, e você importa para mim".

SS (sincera): Obrigada, Griss… de verdade. Esse presente é… muito especial.

Eles ficam em silêncio, olhos nos olhos, com todo o laboratório em volta, mas parecendo que só existiam os dois.

Só que nem tudo foram flores. Tiveram momentos de crise total a ponto de Sara chegar a pedir para sair do laboratório ( tinha recebido um convite para trabalhar no FBI), mas seguindo conselho de Catherine, o supervisor enviou uma planta para a perita como forma de pedir desculpas.

Sara chega em casa com intuito de começar a sua mudança. Logo escuta batidas na porta. Ao abrir da de cara com um entregador com um vaso com uma planta singela, de folhas verdes vibrantes. Ao lado, um cartão pequeno, de caligrafia conhecida:

"Do Grissom."

Ela o pega, segura por um instante, hesita… e sorri de canto. A raiva começa a desmanchar, substituída por aquele velho sentimento que teima em não ir embora.

SS (ainda olhando a planta):

— Ele nem escreveu nada… só isso.

Sara balança a cabeça, sem conseguir esconder o sorriso. Ela vai até a mesa, senta, e suspira. O pedido de transferência fica ali, ao lado… sem ser enviado.

O caso era que a gangorra emocional dele estava afetando Sara mais do que ela imaginava. A bebida estava sendo seu refugio.

Bar discreto no centro de Las Vegas, noite

Sara está sentada sozinha no balcão, com um copo de cerveja pela metade. Parece exausta, não fisicamente, mas emocionalmente. O olhar distante.

HANK (aparece do outro lado do balcão):

Essa cara é de quem teve um dia ruim ou de quem precisa fingir que não se importa?

Sara dá um risinho sem graça.

SS: Um pouco dos dois. Mas posso garantir que você não quer ouvir os detalhes.

HANK (senta ao lado, simpático):

Eu sou paramédico. Já vi gente desabafar no meio de acidentes, em ambulâncias e até vomitando no meu sapato. Você não vai me chocar.

Sara hesita, mas o olhar dele é calmo, direto, acolhedor.

SS (suspirando): Meu chefe é brilhante. Mas é emocionalmente disfuncional. E eu… não sei mais se estou tentando salvar ele ou a mim mesma.

Hank sorri com empatia, sem forçar nada.

HANK: Você não precisa escolher agora. Às vezes só conversar ajuda. Posso pagar a próxima rodada? Não precisa me contar tudo, só... fica.

Algumas semanas depois, na casa de Sara

Ela e Hank estão no sofá, assistindo algo na TV. Ele traz uma taça de vinho para ela e senta ao lado, puxando sua perna sobre as dele. A cena é leve, tranquila. Um momento de paz que ela não sentia fazia tempo.

HANK (olhando nos olhos dela):

Você parece finalmente estar conseguindo respirar.

SS (sincera): É... com você eu não me sinto em dúvida o tempo todo.

Ela diz, mas no fundo do olhar há um peso — não culpa, mas saudade do que foi. Ou do que quase foi.

Se sentia bem com ele e como Grissom havia falado com ela uma vez: “estava tendo uma vida fora do laboratório”.

Plantão seguinte lá vão os dois trabalhando em um mesmo caso para perplexidade de Sara que pensava que não aconteceria. Ele ter mandado a planta amenizou um pouco a raiva, mas a tinha ainda.

Arquibancada do estádio de hockey, madrugada silenciosa

Sara está sentada observando o local. O silêncio do lugar contrasta com a bagunça emocional dela.

Grissom surge, discreto, senta-se ao seu lado. Fica perto, talvez perto demais.

GG (olhando para a quadra):

Sabia que os jogadores aqui quase se matam em nome do time? E mesmo assim, ninguém considera crime.

SS (sem olhar para ele): Garotos são sempre assim.

GG: É... pelo jeito, esses garotos começaram a brigar e o jogo foi pro espaço.

SS (olhar fixo no vazio): Você não gosta de esportes.

GG (olha pra ela com um meio sorriso):

— Quem disse? Joguei baseball a vida toda.

SS (virando lentamente):

— Baseball? Ah… faz sentido. Tantas estatísticas.

GG (com brilho nos olhos): É um jogo lindo.

SS (arqueia a sobrancelha):

— Desde quando você está interessado em beleza?

GG (sem hesitar): Desde que eu te conheci.

SILÊNCIO.

Sara engole seco. O ar parece denso, parado. Ela o encara, olhos arregalados, tentando decifrar se foi uma memória falsa ou realidade.

GG (levanta como se não tivesse falado nada demais):

— Então... a gente começa por aquela ponta, e segue em linha reta. Vamos?

SS (demora a responder, ainda o observando):

— Claro...

Grissom desce os degraus lentamente. Sara continua sentada, estática, tentando entender o que acabou de acontecer.

SS (pensando):

Ele falou isso mesmo... ou eu imaginei?

Ela balança a cabeça, se levanta com um suspiro e o segue, com o coração batendo mais rápido do que deveria.

Falando no supervisor, através de Catherine soube do namoro de Sara. Disfarçou, mas o ciúme o estava consumindo. Chegou a seguir Sara uma vez e acabou vendo-a com Hank. Voltou para casa e tomou um belo porre. Sentado no sofá lamentava que a amada estivesse nos braços de outro.

GG: Eu sou muito burro!!! A joguei nos braços de outro.

Entre um copo e outro acabou lembrando dos momentos “quentes” que teve com a morena. Junção pensamentos nada puros e bebida o resultado foi uma ereção. Resolveu se resolver no chuveiro, mas ainda com a perita na cabeça.

Passado alguns dias e Sara reabre um caso de assassinato do marido de uma colega. Ela é cadeirante e a chave do crime é a bala que permanece no corpo da amiga mas ela pode não sobreviver à cirurgia para remoção do projétil. A cirurgia é feita, a amiga sobrevive mas Sara fica destroçada já que descobre que é a amiga a assassina. Sara fica mal e Grissom percebe.

GG (calmo, observando):

— Você quer conversar? Podemos… sei lá, beber uma cerveja?

SS (arqueando a sobrancelha):

— Você está me convidando pra sair?

GG (com um leve sorriso):

— Não. Estou te convidando pra conversar. Como amigo.

SS (suspiro resignado):

— Ahhh… Ok. Aceito.

(melhor um momento de amizade do que nada, pensou)

Apartamento de Sara, mais tarde

Os dois estavam sentados no sofá. Cervejas meio vazias em cima da mesinha de centro. A luz baixa e o som ambiente vindo da rua davam à cena um ar melancólico e íntimo.

SS: A verdade é que… dói. Dói saber que ela matou o marido. Dói ter acreditado nela. Dói ter insistido pra cirurgia. Eu quase a matei tentando salvá-la.

GG (suave): Você não é Deus, Sara. Você buscou justiça. Ela enganou você... e isso diz mais sobre ela do que sobre você.

Ela apenas assentiu, a garganta apertada.

Grissom levantou para ir embora. Quando estavam perto da porta, foram se despedir, mas nenhum dos dois se mexeu.

SS (com um sorriso frágil):

— Grissom… obrigada. Foi bom poder desabafar com um… amigo.

Dizer aquilo doeu. Mais do que ela esperava.

Uma lágrima silenciosa escorreu. Grissom a enxugou com a ponta dos dedos, mas seus olhos se encontraram e ficaram presos ali, na tensão de algo que sempre esteve por dizer.

Ele se aproximou, muito devagar. Tocou o rosto dela com carinho. E a beijou.

O beijo começou calmo. De reconhecimento. Mas rapidamente a saudade, a dor, o desejo acumulado transformaram aquilo em algo mais. Entraram tropeçando no apartamento, a porta ficou entreaberta. Esbarraram na bancada da cozinha, entre risos nervosos e beijos desesperados.

As mãos dele se perderam nos cabelos dela, e os suspiros preenchiam o ambiente...

O celular de Grissom tocou. Uma vez. Duas. Três.

Ele afastou os lábios dos dela, sem ar, com o celular ainda tocando no bolso.

GG (quase sem voz): Desculpa… preciso atender.

Sara se afastou devagar. Ele atendeu enquanto ela virava de costas, ainda com o coração disparado.

GG (no telefone, sério):

— Grissom falando… o quê? Agora?

Nessa hora Hank chegou na porta de Sara.

HP: Oi estava aqui por perto e passei para te ver. Esta bem?

SS: Sim, só muito cansada. Grissom me deu uma carona. Se importa se nos falarmos amanhã?? Preciso mesmo descansar.

HP: Claro que não, descanse!!! Deu um selinho nela. Cumprimentou Grissom que estava terminando a ligação e saiu. Não iria ficar mesmo.

GG (olhando pra ela, culpado):

— Eu… preciso ir.

Ela assentiu, escondendo a frustração e o desapontamento.

SS (sussurrando): Grissom até amanhã!!!

Ele hesitou, como se quisesse voltar a beijá-la. Mas não o fez. Apenas saiu, deixando o ar denso, carregado, e o perfume dele misturado ao dela no apartamento.

Ela se encostou na porta.

SS: Preciso de um banho frio. O que foi que quase aconteceu aqui???

Os meses foram passando e num caso com apelo sexual, Grissom conheceu a famosa Dominatrix Heather Kessler, conhecida como Lady Heather. Um assassinato ocorre no Clube de Fetiche da Dominatrix e a equipe vai ao local para investigar.

O ambiente era escuro, envolto em veludo vermelho e sons abafados. Grissom observava tudo com um misto de curiosidade científica e fascínio silencioso.

GG (olhando para um dos instrumentos):

— Curioso… o controle está em cada detalhe. Mesmo nos objetos.

Voz feminina (segura, doce e ao mesmo tempo firme): O controle está na mente, não nas cordas.

Ele se virou e deu de cara com ela. A ruiva enigmática. Olhos escuros como vinho tinto. Postura de quem não pede licença para entrar em lugar nenhum.

LH: Heather Kessler. Mas os clientes me conhecem como Lady Heather.

E você deve ser… o homem que prefere insetos à companhia humana.

Grissom sorriu. Pela primeira vez em muito tempo, genuinamente intrigado.

Gil se encantou por ela na hora, ficou intrigado com aquela ruiva, enigmática, poderosa, com uma mente maravilhosa e bem atenta.

Entre uma visita e outra Grissom é convidado por Heather para um chá, o que prontamente fora aceito. O entomologista ficou fascinado como ela o lia por completo sem precisar falar muito. Heather lhe contou que tinha uma filha, que era formada em Psicologia e Antropologia. Grissom também se abriu. Falou do trabalho, da mãe e também falou de Sara.

Chá na casa de Heather

Heather servia o chá com precisão cerimonial. Grissom a observava como a um quebra-cabeça. Sentia-se analisado, lido, quase nu — e de um jeito que não o deixava desconfortável, mas vulnerável. E era novo.

LH (após um gole de chá):

— Você ama alguém. E tem medo disso.

Grissom ergueu os olhos.

GG (sincero):

Sim. Ela é… complexa. Forte. Um furacão no laboratório e, mesmo assim, frágil quando menos se espera.

(…) Eu tenho medo de não ser o suficiente. E mais ainda de me perder nela.

Heather apenas assentiu.

LH: O medo paralisa. O desejo empurra. O coração confunde. Mas o corpo… ah, o corpo, sempre sabe o que quer.

Por falar na perita, ela não estava na investigação pois estava em Chicago num curso o qual o Laboratório a enviou.

As visitas aos domínios de Heather estavam bastante frequente. Um dia, novo caso faz com que a equipe retorne a casa da Dominatrix. Entre várias visitas, Heather já havia notado que Grissom estava com problemas de saúde e ele confessou que estava perdendo a audição.

Noite na casa de Heather

Mais uma visita profissional se transformou em uma conversa pessoal. Heather o encorajava a falar sobre a perda auditiva. O olhar dela era intenso, sem julgamentos.

GG: Eu estou… perdendo a audição.

(…) Tem dias em que ouço zumbidos. Tem dias que… não ouço nada.

LH: E ninguém sabe disso?

GG: Só você.

Ela se aproximou. Tocou o rosto dele como quem segura algo frágil. E o beijou. Não houve resistência. A tensão acumulada entre os dois explodiu ali.

Fizeram amor — se é que aquilo podia ser chamado assim — com a força de quem está fugindo de si mesmo.

Manhã seguinte

A luz filtrava pelas cortinas. Heather dormia, os cabelos espalhados no travesseiro de cetim. Grissom, já desperto, observava o teto com os olhos perdidos.

Olhou para o lado. Aquela mulher linda, poderosa, estava ali. Mas o vazio dentro dele era ensurdecedor.

Levantou-se devagar, pegou as roupas e se vestiu em silêncio.

GG (pensando): Por que... não estou feliz?

Na porta, antes de sair, olhou para trás uma última vez. Não sentiu culpa — mas um peso. O peso de saber que tinha procurado consolo onde queria refúgio. E não o encontrou.

Durante o café descobriu que Kessler fazia uso de insulina, o qual ela afirma ser devido a diabetes. Como uma seringa de insulina foi usada como arma no crime, Lady Heather se torna uma suspeita no caso em que Grissom está investigando. Pronto, o modo Gil Grissom de estragar relacionamentos foi ativado e ele conduziu Kessler para a delegacia. Foi zoado até por Jim.

Delegacia, sala de interrogatório

Grissom observa Heather através do vidro da sala de observação. Ela está serena, postura impecável, como se estivesse em uma entrevista e não sob suspeita de homicídio.

Do outro lado do vidro, Brass aparece com um copo de café e um sorriso irônico.

JB: Você passa a noite com a mais famosa Dominatrix de Vegas... e depois a conduz pra delegacia?

(para, dramático)

Cara… você precisa de um manual de relacionamentos.

GG (sério, incomodado):

— A arma foi uma seringa de insulina. No café da manhã ela mesma me contou que era diabética. O protocolo é claro, Jim.

JB (tom jocoso):

Ah sim, claro! “Protocolo antes de prazer”, né?

(pausa e aponta o dedo)

Mas... pelo menos prendeu ela depois do sexo, né?

GG (rosnando): Brass!!!

Brass ri alto, se afasta calmamente.

JB (de costas): Você é um gênio, Gil. Mas emocionalmente... um desastre com PhD.

Laboratório de Criminalística

Grissom está olhando para o relatório de toxinas quando Catherine entra com uma pasta.

CATH: Gil... pedi ao Brass para soltar a Lady Heather.

(Entrega a pasta)

Já identificamos a verdadeira assassina. Uma das submissas dela... ciúmes mal resolvidos.

Grissom fecha os olhos e solta um suspiro longo. O peso da culpa começa a se instalar.

Resolve ir aos domínios dela para se desculpar.

Grissom para o carro em frente à imponente casa. Respira fundo. Bate à porta.

Heather aparece. Está sóbria, elegante, imponente como sempre.

LH (surpresa, fria):

— Grissom? O que faz aqui?

GG (com a cabeça baixa):

— Vim lhe pedir desculpas. Mas... saiba que agi seguindo meus instintos.

Ela o encara por alguns segundos. Então, com um gesto contido:

LH: Entre.

Grissom entra, como quem atravessa um campo minado. Ela o conduz a um salão com luz suave. Sobre a mesa, um bule de porcelana e duas xícaras. Ela serve o chá em silêncio.

GG (tom contido, olhando para a xícara):

— Heather... eu sei que está chateada — e tem toda razão. Meu trabalho sempre foi minha prioridade. Mas... quando vi aquela evidência... eu simplesmente segui o protocolo. Nem lhe dei o direito de se defender. Estou envergonhado.

Heather o observa com calma, como quem avalia um paciente desonesto.

LH: Você e eu somos parecidos, Grissom. Reservados. Cheios de códigos.

(pausa)

Mas existe uma coisa que diferencia convivência de conexão: confiança.

E essa... você não me deu.

Grissom tenta reagir, mas ela levanta a mão.

LH: Eu me abri com você. Contei sobre minha filha, minha saúde, minha vida. Sabe por quê? Porque você foi o primeiro homem a entrar na minha casa e me ver além da “dominatrix”.

Você me respeitou — mas não confiou. E isso muda tudo.

GG (defensivo, sincero):

— Heather... eu confiei sim. Falei com você sobre minha mãe, sobre Sara... sobre a minha vida. Nunca fiz isso com ninguém.

LH (cortante): Não é confiança, Grissom. É desabafo.

(pausa, mais firme)

Confiança é o que você nega à Sara também. Você diz que quer que ela tenha uma vida... mas sempre a puxa de volta. Liga, convoca, distrai. Porque não suporta vê-la seguindo em frente.

Você a ama — mas não assume. E por isso a prende. Você não quer se envolver... então ninguém pode se envolver. Nem comigo, nem com ela.

(pausa, intensa)

Isso tem um nome, Grissom: egoísmo. E, vindo de um homem como você... é cruel.

Grissom engole seco. Está claramente abalado. A fala dela o atingiu em cheio.

LH (com decepção): Passamos uma noite juntos. E no outro dia... sou presenteada com uma prisão.

(ri com amargura)

Você sequer esperou o chá esfriar...

Silêncio. Grissom finalmente levanta os olhos.

GG: Heather... espero de verdade que um dia me perdoe.

(pausa)

Nossas conversas me fizeram bem. Muito bem.

(sussurra)

Me perdoe... por tudo.

Ele se levanta. Heather permanece sentada, os olhos firmes acompanhando seus passos. Grissom caminha até a porta e sai.

É, o termo relacionamento com outras pessoas não estava rolando para os GEEKS. Enquanto o relacionamento de Gil e Lady Heather afundava, o de Sara já estava por um fio. A perita vinha estranhando que nem sempre Hank podia sair, colocava sempre a culpa no trabalho. Não que o dela fosse ótimo mas estava estranho. Ficou magoada pela atitude dele um dia quando ele sentiu repulsa pelo cheiro dela depois que ela estava lidando com um corpo em decomposição. Saiu quase correndo. A cena foi acompanhada de perto por Grissom, que diga-se de passagem adorou. Ficou feliz por que Gil a ajudou a se limpar lhe trazendo limões.

GG: Vá pro vestiário e entre pro banho que te levo uns limãozinhos que são ótimos para tirar esse cheiro. (Ambos riram)

Durante um caso em que estava trabalhando com Catherine a verdade veio a tona. Hank estava noivo de outra mulher, que era cadeirante. Sara investigando o caso acabou por visita-la e com a moça contando as histórias de seu relacionamento e vendo várias fotos deles juntos pela casa, entendeu o por que das ausências.

DELEGACIA | MANHÃ

O caso está encerrado. Sara respira fundo, olhos cansados, tentando manter a compostura. Catherine se aproxima.

CATHERINE (gentil):

— Eu te espero no carro, tá? Não demora.

SS: Obrigada, Cath...

Catherine sai. Sara está prestes a sair quando Hank aparece no corredor. Ofegante. Ele parece tenso, aflito. Traz o peso de uma verdade que já chegou tarde demais.

HP: Liguei pro laboratório... Disseram que estava aqui.

(olhar de culpa)

Você conheceu a Elaine, né?

Sara assente, tentando manter a voz estável.

SS (seca): É... conheci.

(pausa)

Ela é bem legal.

(olha direto nos olhos dele)

Se você quer saber... não, eu não contei sobre a gente.

HANK (desconcertado):

— Eu sinto muito, Sara...

SS (engolindo o orgulho):

— É... eu também.

Silêncio. Hank não sabe mais o que dizer. Sara também não quer mais ouvir.

HP (quase sussurrando): Eu...

SS (interrompendo, com um meio sorriso triste):

— A gente se vê por aí.

Ela se afasta, passos firmes, mas seu rosto revela a dor. Ao atravessar a porta da delegacia e ver Catherine no carro, segura as lágrimas. Entra no carro sem dizer uma palavra.

Catherine olha para ela com carinho e preocupação. Sara fixa o olhar pela janela, os olhos marejados. Só o som do motor preenchendo o silêncio pesado.

CW: Tem algum programa??

SS: Nenhum

CW: Topa uma cerveja?

SS: Vamos nessa

BAR DISCRETO, MESA DE CANTO | ALGUM TEMPO DEPOIS

As duas estão com garrafas pela metade. O ambiente é acolhedor e discreto. Sara mexe no rótulo da cerveja, pensativa.

CW: Quer falar sobre o que aconteceu?

SS (com um suspiro):

Não é o fim com Hank que me destruiu...

(pausa)

Foi a forma. Como tudo foi se desenrolando. A mentira... a sensação de ser "a outra" sem nem saber disso.

CW (baixando o tom): Você merece coisa muito melhor. Você sabe disso, né?

SS: Eu sei.

(olha pra Catherine, com os olhos marejados)

Mas tem mais. Eu não estava apaixonada por ele. Estava tentando seguir em frente.

(pausa longa)

Eu amo outro homem...

Catherine ergue as sobrancelhas, surpresa, mas respeita o silêncio que segue.

CW (curiosa, mas cuidadosa):

— Alguém do laboratório?

SS (pequeno sorriso triste) Segredo...

CW (brinca): Hm... posso tentar adivinhar?

SS (rindo fraco): Nem pense nisso...

As duas riem suavemente. O momento é leve, mas carregado de emoção sincera.

Notas finais
Que invertida a Heather deu no Gil, até simpatizei com ela Hank estrupício já vazou Próximo capitulo vem cena do lençol e Butterfly