Ricordare è Vivere

25 Massachusetts x Las Vegas


Notas iniciais
A viagem de Grissom e a chegada de Keppler

Funcionário (sorridente): Bom dia! Tenho uma entrega para Gilbert Grissom.

Bruno (abrindo a porta): Bom dia! Ele não tá, mas essa é a namorada dele.

O homem virou-se educadamente para Sara, segurando uma caixa retangular, envolta em plástico de proteção e com etiquetas do Massachusetts Institute of Technology bem visíveis.

Funcionário: Bom, posso deixar com a senhora e explicar? É importante que ele receba essa documentação em mãos, mas creio que a senhora possa repassar.

SS (ainda surpresa): Claro, pode sim.

O funcionário entregou a caixa cuidadosamente.

Funcionário: Aqui estão os documentos oficiais do programa de ensino. A passagem está junto com os horários e os termos do contrato. Precisamos da assinatura dele escaneada até amanhã às 12h, ou ele pode assinar digitalmente. Aqui estão as chaves do quarto do alojamento dos professores. Um carro vai busca-lo no aeroporto. Quando estiver perto de completar os 30 dias, entregaremos a passagem de volta. Optaram por não emitir logo para evitar contratempos com o bilhete.

Sara ouvia tudo em silêncio. Estupefata, encarava o rapaz como se ele estivesse falando de outra pessoa — não de seu companheiro. Sua mente girava em círculos, tentando entender como aquilo estava acontecendo sem que ela soubesse de nada.

Funcionário (gentil, mas notando o desconforto): Senhora? Está tudo bem?

SS (respirando fundo, tentando recompor o tom): Sim… claro. Só… só pra entender melhor: do que se trata exatamente, e… quando ele parte?

Funcionário: É um seminário. O senhor Grissom foi convidado para ministrar aulas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Ele parte amanhã. Na segunda já começam as aulas do seminário. A senhora tem alguma dúvida? Qualquer coisa, pode pedir para o senhor Grissom nos ligar.

sara fez que não com a cabeça, mantendo a expressão contida — como se segurasse tudo com os dentes.

SS: Entendi tudo. Obrigada. Agradeço sua atenção.

Virou-se para Bruno com um sorriso falso, quase automático.

SS: Ah, Bruno… pode deixar que faço sua entrega chegar às mãos da sua irmã.

Saiu estarrecida com a notícia bombástica que havia caído no seu colo.

Com passos lentos, ela pegou a caixa, os papéis e a chave do alojamento e levou tudo para o escritório dele. Depositou o material com cuidado sobre a mesa, como se a simples presença daqueles objetos a machucasse. Observou por um momento o ambiente — familiar, organizado, com a marca dele em cada detalhe — e sentiu um nó na garganta.

Sem dizer uma palavra, saiu dali e foi direto para o banheiro.

Ligou o chuveiro e deixou a água escorrer pelas costas, tentando aliviar o peso que parecia prensar seu peito. O vapor preenchia o ambiente, mas não apagava o turbilhão de pensamentos que rodavam em sua mente.

“Trinta dias fora… não. Trinta e cinco. Ele ia mesmo partir sem me contar? Esperava que eu simplesmente aceitasse quando descobrisse?”

Não era só a viagem. Era o segredo. A escolha de esconder. O fato de ele não confiar nela o suficiente para dividir um momento tão importante.

Ficou ali mais tempo do que o normal. Quando finalmente saiu, vestiu algo confortável, caminhou até o quarto e se deitou.

O estômago estava embrulhado. Não conseguiu comer nada. Tentou assistir a algo, tentou ler, mas nada ajudava. A mente insistia em repetir a cena — o funcionário falando com naturalidade, como se ela soubesse de tudo, como se aquilo fosse normal.

Apagou as luzes e tentou dormir.

“É melhor descansar… pensar com calma… amanhã viajo e talvez isso me ajude a clarear tudo.”

Mas o sono não veio fácil. A cama parecia fria, vazia de um jeito diferente. E o silêncio, que antes costumava confortá-la, agora soava como uma acusação.

Já passava das dez da manhã quando Grissom chegou em casa. Estava exausto. O turno foi pesado, e por dentro ele ainda carregava o peso da decisão não dita — e da conversa que, covardemente, continuava adiando.

Entrou devagar, com o casaco jogado por cima do ombro. Notou a luz da cozinha apagada, a sala em silêncio. Hank o recebeu com um abanar de rabo e um leve latido abafado, como se também sentisse que o clima naquela casa estava diferente.

Quando entrou no quarto, a viu dormindo. Ou, pelo menos, deitada com os olhos fechados.

Estava deitada de lado, enrolada no edredom, o rosto parcialmente escondido entre os travesseiros. Grissom ficou parado por um instante, observando-a.

Ele suspirou, colocou o celular na cômoda, tirou os sapatos e a camisa, e foi até o banheiro. Tomou um banho, como se aquilo pudesse levá-lo a pensar com mais clareza.

Voltou para o quarto e deitou-se com cuidado, tentando não acordá-la. Sentia-se cansado. Muito. Mas o cansaço físico era menor do que o incômodo mental que o consumia.

Horas mais tarde a morena acordou e foi dar uma volta com Hank. Momentos depois foi a vez do supervisor acordar e estranhou ela não estar em casa, mas como o cachorro também não estava imaginou logo onde ela havia ido. Preparava algo para eles comerem quando ela voltou.

GG: Boa tarde querida!!

SS: Boa tarde!!

(saiu tão sério o cumprimento que fez Grissom olhar boquiaberto para ela)

GG: Aconteceu alguma coisa?

Ignorando sua pergunta, Sara só limitou-se a dizer que iria tomar um banho, deixando-o sem entender nada. Pós o banho ela se arrumou e pegou sua mala, pois tinha que passar no laboratório antes de ir. Grissom observava ela concentrada na arrumação da mala arrumando sem falar nada. Terminou ali e foi em direção a cozinha comer algo. Neste momento ele resolveu quebrar o silêncio:

GG: Chega Sara, você poderia me explicar o que esta acontecendo?

SS: De que você esta falando?

GG: Você voltou da rua, arrumou sua mala e agora o seu prato, sentou nesta mesa comendo e não dirigiu uma palavra pra mim, nem me olhar direito me olhou. O que está acontecendo?? Por que está assim?

SS: Estou só fazendo certo o meu papel na relação já que somos o exemplo de casal que não se comunica.

GG: De que você esta falando?

SS: Grissom eu tenho trabalho a fazer, mas se quer respostas vá até seu escritório que tem uma encomenda para você na mesa.

Mesmo não querendo, Grissom foi e ao pegar na mesa a caixa referente a Universidade, o sangue gelou:

GG: Meu Deus!! Ela descobriu dá pior forma. Voltou correndo para a cozinha.

Ela já estava lavando o prato. Quando virou e o viu explicou tudo o que o funcionário havia lhe dito:

SS: Bom Grissom já lhe expliquei tudo. Tenho que ir!!

(Ia passando por ele quando o mesmo a chamou e ela virou)

GG: Sara, espera! Por favor, não vai embora assim. Me deixa explicar...

SS (fria, sem encará-lo): Você não achou que valia a pena me contar antes. Então não vejo o que há pra explicar agora. Você esta saindo para ficar mais de 30 dias fora e não se importou em me contar, mas agora se acha no direito de falar?! Qual é Grissom, moro com você e ai você me ignora numa decisão importante.

GG: Eu ia te contar hoje, eu juro. Só... só queria encontrar o momento certo.

SS (soltando uma risada irônica): E desde quando a gente precisa de “momento certo” pra conversar sobre a nossa vida? Sobre ficar trinta dias longe? Isso não é uma viagem de trabalho qualquer, Grissom. É um mês inteiro longe de casa... Longe de mim.

Ela puxou a alça da mala com força, claramente lutando para manter a compostura.

GG: Eu não quis te magoar. Eu só... eu tô mal, Sara. Desde aquele ataque, desde o que aconteceu comigo... Não tenho conseguido dormir direito, pensar direito... Achei que esse tempo fora poderia me ajudar a encontrar meu equilíbrio de novo.

SS: E não achou que eu poderia te ajudar com isso?

Silêncio.

SS: É, foi isso que doeu. Você achou mais fácil ir embora do que dividir isso comigo.

GG (voz embargada): Sara, você é a única coisa boa e constante na minha vida. Eu só... tive medo. Medo de te afastar, medo de parecer fraco, medo de te perder.

SS (olhando-o nos olhos, firme): E no fim, foi exatamente isso que você fez. Vi com isso que você não confia em mim, que moro com você, para saber de antemão que meu companheiro ficará fora por 30 dias. Você pensou que eu fosse fazer o que?? Te impedir de ir? Olha Grissom, espero de coração que você faça uma boa viagem e que possa se recuperar do trauma que passou. Entendo que foi forte e não te recrimino por isso, ao contrário, te apoio. O que esta doendo é saber que você não me vê como uma pessoa importante na sua vida já que preferiu não me contar da viagem. Isso sim machucou demais.

GG: Não Sara por favor, não saia assim. Não quis te magoar, eu juro!

SS: Quis sim!! Vai, Grissom. Vai pra Massachusetts. Encontre o que precisa encontrar. Eu vou fazer o mesmo por mim. Com licença que Henderson me espera.

GG: Sara por favor, o que você está pensando??

Sara pegou as chaves, a mala e saiu sem olhar para trás. A porta se fechou com um clique seco, que reverberou pelo ambiente como uma sentença.

Grissom ficou parado no meio da sala, os olhos fixos na porta fechada. Levou alguns segundos até que o corpo reagisse. A respiração ficou pesada e ele passou as mãos pelo rosto, visivelmente abalado.

GG (sussurrando, sozinho): Eu estraguei tudo... de novo.

A casa agora parecia fria, silenciosa demais — como se tivesse sentido a ausência dela antes mesmo da partida para Henderson.

Subiu até o escritório e encarou novamente o envelope do MIT. Leu com calma, como se as palavras pudessem mudar. Cada frase parecia um lembrete da escolha que fez — e do erro de não partilhar isso com quem mais amava.

Mais tarde, ao deitar-se, encontrou o lado dela da cama intacto. Nenhum perfume no travesseiro. Nenhum bilhete. Nenhuma promessa de retorno calorosa. Apenas a ausência. Um vazio que ele mesmo criou.

Grissom entrou no laboratório com os ombros baixos, o olhar distante. Cumprimentou os colegas com um aceno leve, sem energia. Sentia-se como um estranho no próprio ambiente.

Logo avistou Catherine se aproximando, pasta em mãos, expressão séria, mas gentil. Ela veio informar que precisaria se ausentar e ele falou da viagem para ela:

CW: Certo, volto antes de você ir. Vem cá, quando você soube dessa viagem?

Grissom ficou em silêncio por longos segundos. Seus olhos encontraram os dela, mas nenhuma palavra saiu. Apenas aquele olhar de quem foi pego em algo maior do que imaginava. Culpado. Envergonhado. Perdido.

CW (balançando a cabeça levemente): Esquece... deixa pra lá.

Grissom olhou ao redor. Viu os colegas seguindo suas rotinas, os sons familiares dos equipamentos, os passos apressados. Tudo tão igual… e ao mesmo tempo, tudo tão distante.

O mundo ao redor seguia em frente.

Ele, não.

O plantão chegou ao fim. Grissom saiu em silêncio, o cansaço pesando mais pela culpa do que pelas horas trabalhadas. Ao chegar em casa, o vazio parecia gritar. O cheiro de café velho ainda pairava na cozinha, e a ausência de Sara era quase física. Ele passou a mão no focinho de Hank, que o olhava confuso, como se sentisse tudo o que estava fora do lugar.

Com um suspiro, pegou sua mala, separou as instruções para a babá do cão e o levou até lá. Na despedida, segurou Hank por mais tempo do que o necessário, como se pedir desculpas a ele fosse uma forma de se redimir com ela.

De volta ao laboratório, tentou se concentrar nos últimos relatórios. A luz fria do microscópio contrastava com os pensamentos quentes e dolorosos que o invadiam. A imagem de Sara o ignorando, com o rosto duro, palavras contidas e feridas, não o deixava em paz.

GG (murmurando para si mesmo): Eu sou muito burro... Tenho uma grande mulher do meu lado e só a machuco...

A cada sala por onde passava, ouvia vozes:

— Boa sorte, Grissom!

— Aproveita por lá, chefe!

— Traga lembranças científicas!

E a cada vez, respondia o mesmo:

GG: Eu... volto logo, é só um mês.

Mas por dentro, a dúvida: E se ela não estiver mais aqui quando eu voltar?

Estava chegando a hora. Sua passagem impressa, a mala no escritório, mas seus olhos ainda buscavam por ela, no corredor, na sala de vidro, na entrada. Um sinal. Um olhar. Qualquer coisa.

Mas Sara não aparecia.

E o tempo não parava.

Sara chegou em casa, exausta. Bruno correu ao seu encontro como um pequeno raio de sol num dia cinzento.

Bruno: Oi, dona Sara! Conseguiu achar minha irmã, ela me falou.

SS (sorrindo com delicadeza): Claro que sim. E fiquei mega feliz com o presente. Amo doce de blueberry.

Bruno: Que bom! E muito obrigado pelo favor!

Ao entrar no apartamento, tudo parecia no lugar... exceto o coração dela. O silêncio a envolveu, e como se fosse automático, pensou em Grissom. Respirou fundo. Entendia a importância da viagem — mais do que ninguém, sabia como o trabalho era parte de quem ele era. O problema não era a viagem. Era o silêncio. O segredo. O fato de que ele preferiu guardar aquilo sozinho em vez de compartilhar com ela.

Aquilo ainda doía.

Deitou por alguns minutos, mas logo se levantou. Tinha plantão. A rotina não esperava pela dor de ninguém.

No vestiário, enquanto arrumava as coisas no armário, ouviu passos que conhecia bem. Quando ergueu os olhos, ele estava ali.

GG: Oi… Meu táxi chegou.

SS (fria, mas contida): Oi. Já está indo?

GG: Sim.

Ela hesitou por meio segundo, depois voltou a arrumar os pertences no armário.

SS: Boa viagem. Te vejo na volta.

Virou-se de costas, como se a dor pudesse ser ignorada com uma mudança de ângulo. Mas então, ouviu a voz que conhecia até no silêncio.

GG (baixo, sincero): Vou sentir sua falta...

Ela parou. Ficou imóvel por alguns segundos, ainda de costas. Então virou devagar e o encarou. Tantas palavras queriam sair, mas todas morriam na garganta. Em vez disso, apenas o observou, tentando entender como podia amar tanto alguém tão fechado, tão difícil... e ao mesmo tempo tão seu.

SS (pensando): Ele é um enigma... mas é o meu enigma.

Sem dizer nada, apenas assentiu, com um leve sorriso triste. Ele entendeu. Despediu-se com um último olhar demorado e saiu.

Ela ficou ali parada por alguns instantes. O coração apertado, mas firme. Talvez o tempo fosse mesmo necessário. Para ele. Para ela. Para os dois.

Mike Keppler chega para ganhar experiência com a equipe. Cath simpatiza de cara com ele.

Sara alternava entre momentos de meditação na montanha, caminhadas com Hank e almoços — quando o tempo permitia — com Mario. Já fazia uma semana desde que Grissom havia partido, e eles ainda não haviam se falado. Assim que chegou à cidade, o supervisor enviou uma mensagem dizendo que estava bem, mas não ligou. Sara também não tomou a iniciativa, muito por conta da correria do dia a dia. Além disso, havia decidido respeitar o espaço dele durante esse período fora. Por isso, optou por não telefonar.

A presença de Keppler no laboratório estava gerando um verdadeiro tumulto. O ambiente, já naturalmente tenso pelas investigações em curso, parecia ainda mais carregado com sua chegada. A equipe, com exceção de Catherine, demonstrava clara desconfiança — ninguém se sentia confortável com seus métodos pouco convencionais e sua postura reservada. O clima entre os colegas oscilava entre silêncio desconfiado e olhares trocados pelos corredores.

Em Massachusetts, um professor vinha fazendo sucesso, mas carregava uma tristeza oculta que não passava despercebida. Ao decidir passear pelo campus numa tarde qualquer, foi abordado por uma colega de trabalho.

Professora: O famoso Gilbert Grissom me parece ter um segredo... Algo que o deixa cabisbaixo de vez em quando. Estou certa?

Grissom (sorrindo de canto): Bom... digamos que estou triste por ter magoado uma pessoa que é muito importante pra mim e...

Ele parou de falar, perdido nos próprios pensamentos.

Professora: Por que você não liga pra ela e vê como ela está? Às vezes, a distância ajuda a clarear as coisas.

Grissom a encarou, pensativo.

"É... pode ser uma boa ideia." — refletiu em silêncio.

A colega sorriu e o tirou do devaneio com um convite inesperado:

Professora: Vamos tomar um café? Você parece precisar disso.

Ele aceitou com um gesto de cabeça e, enquanto caminhavam até a cafeteria do campus, ela retomou a conversa.

Professora: Me fale da dona da sua tristeza.

Grissom (com um suspiro): Ela é... atraente, dona de um sorriso encantador. E quando eu olho nos olhos dela, sinto borboletas no estômago. É minha companheira, amante, amiga... e eu, infelizmente, sou o homem que vive errando com ela. Sempre acabo fazendo algo que a magoa.

Professora: Mas em uma coisa você não a decepciona: no amor que sente por ela. E se mesmo ferida ela continua ao seu lado, é porque também te ama. Só... se cuide, Grissom. Relacionamentos precisam de equilíbrio. Uma hora ela pode cansar de dar tanto e receber o contrário. E aí, talvez, você a perca — não por falta de amor, mas por excesso de dor.

Grissom abaixou o olhar, absorvendo cada palavra.

Grissom: Tem razão... Vou pensar seriamente nisso. Obrigado por me ouvir.

Na volta para o quarto, Grissom notou algo em frente a janela. Aproximou-se e viu um casulo — o início de uma borboleta da espécie que sabia ser a favorita de Sara. Sorriu, tocado pela coincidência. Aquilo era um sinal. Pegou o casulo com cuidado, colocou-o em uma pequena caixa protetora e decidiu que o enviaria para ela. Mas antes... respirou fundo, criou coragem e finalmente fez o que vinha adiando: ligou.

SS: Sidle.

GG: Sara... é o Grissom.

SS (com a voz menos fria do que ele esperava): Gil... desculpa, não vi o identificador. Como você está?

GG: Bem... na medida do possível. E com muita saudade de você.

Você não pode imaginar como lamento o que aconteceu. Como eu gostaria de apagar tudo... ou voltar atrás e fazer tudo de novo, mas de forma diferente.

Me desculpa, por favor.

Houve um breve silêncio do outro lado da linha.

SS: Gil... Eu só espero, de verdade, que você fique bem.

Estou no meio de um caso agora, então não posso conversar por muito tempo... Mas queria que soubesse que também estou com saudades.

Apesar de ainda estar... chateada.

Beijo.

A ligação caiu logo em seguida.

Grissom ficou ali, com o celular na mão, os olhos fixos no nada, soltando um suspiro profundo. A mágoa ainda estava lá — ele sentiu em cada palavra contida de Sara. Mas havia também afeto, cuidado... e isso lhe deu esperança.

Sara recebeu a encomenda de Grissom ansiosa, mas ao abrir teve uma decepção ao não encontrar nada escrito, mas amenizou ele ter lembrado dela. Dias passando e os 30 dias chegando ao fim.

Grissom resolveu fazer surpresa e não avisar o dia de sua volta. Sentado em sua sala escreveu uma carta para Sara colocando tudo o que estava sentindo, só que ficou sem coragem de enviar. Lembrou logo de uma frase de William Shakespeare: “Pois a coragem cresce com a ocasião.” No caso dele: A coragem não é ausência do medo; é a persistência apesar do medo.

O imbróglio com Keppler só fazia aumentar. A cada dia, a desconfiança da equipe se tornava mais evidente. Algo nele soava... falso. Um tom nos gestos, uma hesitação nas palavras, um olhar que parecia esconder mais do que mostrava. Ninguém conseguia confiar plenamente — com exceção de Catherine, que insistia em defendê-lo.

Mesmo assim, os demais estavam atentos, e até Sofia havia começado a colaborar discretamente com Nick, cruzando dados e observando os passos do novo integrante.

Foi em uma dessas trocas de informações que algo chamou a atenção de ambos. Durante a análise de um caso aparentemente simples, Sofia percebeu uma semelhança com um crime arquivado — algo no padrão do agressor, na escolha da vítima. Intrigada, puxou registros antigos e levou até Nick.

Sofia (mostrando o tablet): Olha isso... esse caso de 2001, em Nova Jersey. As marcas são idênticas.

Nick (surpreso): Não pode ser coincidência. Espera aí... o Keppler não era da polícia de lá nessa época?

Sofia: Exatamente. E esse caso nunca foi solucionado.

Os dois se entreolharam, a tensão crescendo no ar.

Estavam no rastro de algo maior — e, ao que tudo indicava, o passado de Keppler não era tão limpo quanto ele deixava transparecer.

Notas finais
Voltei!!!