Ribelle Amato
37 Capítulo 34 – Disfarçada
Notas iniciais
Capítulo 34 – Disfarçada
O PRIMEIRO LUGAR QUE PARAMOS FOI a Estação de Cura mais conhecida de Tucson. Poderíamos ter a sorte de encontrá-lo lá, pois geralmente as inserções eram feitas ali. Paramos no estacionamento, no lugar mais afastado possível. Quando pulei da moto para me encontrar com os outros três, percebi que Jared e Larkin usavam óculos de sol e Matt tinha as lentes com os reflexos.
– E agora? — eu perguntei, incrivelmente receosa.
– Eu não sei. — disse Larkin. — O que pretendia quando saiu?
Cocei a nuca nervosamente. — Bem, eu não tinha planejado bem.
Matt revirou os olhos. Ele sabia que às vezes eu era bem impulsiva. Mas se ele sabia disso, por que não tinha aberto meus olhos antes?! Realmente precisávamos de mais preparação, mas agora já era tarde e como já estávamos ali eu não iria embora sem Jamie.
– Podemos tentar entrar e descobrir se Jamie já foi para a sala onde fazem a inserção. — arriscou Jared.
Olhei rapidamente para a entrada lateral do hospital, vendo algumas Almas com jalecos entrando e saindo. Eram, muito provavelmente, os Curandeiros. Desviei meu olhar para a entrada principal, onde entravam pessoas com vários tipos de machucados. E então uma ideia se passou por minha mente.
– Meninos, eu tive uma ideia, mas antes preciso saber se vocês topam. — eu disse.
Os três se entreolharam quase em sincronia.
– Tudo bem, o que planeja, tampinha? — perguntou Matt e eu quase fechei a cara.
– Primeiro, eu preciso que você vá até a recepção do hospital com algum corte ou algum tipo de dor. — eu disse a ele.
– Não tenho um corte, mas arranjo um rapidinho. — Matt disse, pegando alguma coisa no porta-luvas do jipe.
– De jeito nenhum! — exclamei, tentando não chamar muita atenção, mas tentando impedí-lo de se machucar.
– Deixe de ser chata, Rocker! — ele disse, cortando não muito profundamente a pele de seu braço.
Não saiu muito sangue, apenas o suficiente para que eu me apressasse em terminar de explicar meu plano.
– Você vai distrair a atendente enquanto eu e Jared passamos para dentro sem chamar atenção. Entraremos no primeiro banheiro que tiver e nos trancaremos. No primeiro andar mesmo. Tente descobrir se será feita alguma inserção por aqui. Quando você for atendido, você vai até lá e entrega a lente a Jared e pega os óculos.
Eu fiz uma pausa e eles assentiram, confirmando que me ouviam atentamente. Então continuei.
– Quando você sair você vem para cá esperar com Larkin. Vocês ficarão aqui de guarda. Se der alguma coisa errada viremos correndo apenas a ponto de fugir. — outra pausa para eles assimilarem. — Enquanto isso eu e Jared vamos descobrir onde são as inserções e daremos um jeito de tirar Jamie de lá se ele ainda estiver por aqui.
– Tudo bem, mas que história eu uso para enrolar a médica? — perguntou Matt.
– Curandeira! — corrigimos em uníssono.
Matt revirou os olhos. — Tanto faz! Mas o que eu falo?
– Você podia dizer que tinha um amigo sendo reimplantado, porque não se acostumara com o corpo e soube que acharam para ele um humano da resistência. — disse Larkin, surpreendendo a todos.
– De onde saiu essa? — eu perguntei, espantada.
– Tem muito disso aqui, se não sabe. — ele respondeu, colocando a mão espalmada sobre o peito como se estivesse ofendido.
– Boa, garoto! — eu exclamei e fizemos um hi-five.
– Vamos então, antes que algo dê errado. — disse Jared, ajeitando os óculos de sol.
Eu assenti, indicando a Matt que ele deveria ir na frente. E ele foi. Tentou parecer o mais natural possível com aquele corte no braço. Andamos calmamente, bem mais atrás de Matt, como se fôssemos pai e filha vindo visitar amigos internados ou adoentados. Ou apenas nos consultar mesmo. Algumas Almas passavam por nós, sorrindo simpáticas, e éramos obrigados a abrir um sorriso falso. Passamos vagarosamente pelas portas duplas de vidro e vimos Matt já conversando com a recepcionista, que parecia preocupada com o machucado dele, mesmo sendo bem superficial. Ela lhe disse alguma coisa que me foi ininteligível e seguiu pelo corredor.
Matt a seguiu e eu indiquei a Jared que fôssemos atrás. Ele assentiu, entendendo meu sinal, e andamos pelo mesmo corredor, como se fizéssemos isso todos os dias. Quando saíamos da área da recepção, olhei para as placas sobre as portas e enxerguei um "Apenas para funcionários" sobre a primeira porta do corredor largo. Matt olhou para trás, como se quisesse confirmar que passamos, e eu apontei para a porta que vi. Ele assentiu, antes de seguir com a Alma para mais adentro do corredor. Olhei para os dois lados do corredor, antes de entrar pela porta e puxar Jared comigo.
– Agora esperamos. — Jared disse.
Eu olhei ao redor da grande sala onde fomos parar, procurando por algo útil por ali. Paredes de azulejos brancos e vários armários cinzas ocupando quase setenta e cinco por cento do espaço.
– Ou não apenas esperar. — eu disse, me aproximando do primeiro armário.
Jared me olhou confuso e curioso enquanto eu o abria facilmente. Almas que confiam umas nas outras, não imaginam o quanto um armário sem tranca pode facilitar a vida de humanos resistentes que procuram maneiras de salvar um ao outro. Peguei um par de jalecos e máscaras que haviam ali, rezando para que ninguém entrasse. Joguei o jaleco maior e uma das máscaras para Jared antes de ir até a porta e passar a tranca. Se Matt fosse inteligente, ele iria usar nosso toque próprio para situações como essas. Vesti o jaleco e coloquei uma máscara, deixando-a abaixada.
– Você está parecendo uma Curandeira. — ouvi a voz de Jared dizendo atrás de mim, enquanto terminava de abotoar o jaleco.
– Essa é a intenção, queridinho. — eu me virei para ele e não consegui segurar a risada quando o vi.
Se jaleco e máscara já fica um pouco estranho para Jared, nem queira ver isso junto com um óculos escuros. É hilário.
– Qual a graça? — ele perguntou, franzindo o cenho.
Sem dizer nada — porque estava ocupada demais em não rir novamente — apontei para o espelho de corpo inteiro que havia na parede atrás dele. Jared se virou e entortou a boca em uma careta ao se ver no espelho, mas por fim acabou rindo também. Como eu disse, era hilário.
– Agora eu entendi porque você pediu as lentes para Mattew depois que conseguisse informações. — ele disse.
Eu abri a boca, pronta para responder-lhe com um comentário sarcástico, mas fui interrompida por uma batida na porta. A batida característica de Matt. Corri até a porta e dei dois toques seguidos em cima e três embaixo, como sempre fizemos. Esperei alguns segundos até que ouvi três embaixo, como confirmação. Abri a porta e puxei Matt pelo pulso. Quando ele já estava dentro da sala — reclamando, como sempre — eu rapidamente voltei a trancar a porta.
– Ei, não precisava dessa força toda. — Matt disse, esfregando o pulso que apertei.
Eu revirei os olhos. — Deixa de ser princesinha e me diz logo onde Jamie está. — falei apressadamente.
– Calma, ruiva, não vai nem perguntar como está o braço que fui forçado a cortar?! — ele perguntou, fazendo manha.
E minha paciência foi pro espaço.
Respirei fundo, tentando me controlar. — Mattew Logan Heymiswit.
– Ih, falou o nome todo, melhor não irritar. — ele continuou com a brincadeirinha, até que eu ameacei dar-lhe um soco. Ele sabia o quanto um soco meu doía. — Tudo bem, ruiva, eu consegui informações. Se for ele mesmo que a Curandeira descreveu, ainda não há uma Alma nele.
Eu abri um sorriso, sentindo a esperança crescendo dentro de mim.
– Mas tem um problema. — Matt disse.
Meu sorriso murchou minimamente. — Estava bom demais pra ser verdade. — resmunguei.
– Qual esse problema? — perguntou Jared.
Matt entortou a boca em uma careta. — A inserção começa em vinte minutos.
Fale com o autor