Ribelle Amato

5 Capítulo 4 - Assustada


Notas iniciais
AAAAHHH, primeira recomendação *-------* que feliz, juro, nao pensei que sairia tão rápido, principalmente pelas fics de The Host nao serem mto visadas... Mas msm, quero muito agradecer a Bruna, autora da fofa recomendação que pode abrir caminho para mais XD Ai, gente, me desculpe por demorar essas quase três semanas!! Eu ia postar na sexta, mas estive mto ocupada estudando e fim de semana tive DUAS festas de 15 anos pra ir, então já viu cm cheguei em casa. E eu ainda estou em semana de prova, ou seja, tive que arranjar tempo inexistente para escrever o cap, que sinceramente, nao ficou cm eu queria. Pensei em postar só semana que vem, para revisar todos os dias e acrescentar algo que eu acho que deva ser melhorado, mas achei que era sacanagem pq recebi a primeira recomendação e tive 8 reviews nesse cap (que foi mais do que nos outros!!). Enfim! Quero desejar boas vindas pros novos leitores e pedir pros fantasminhas aparecerem pois nem metade dos leitores estão comentando! Não gostei mto do cap, mas espero que suas opiniões sejam diferentes da minha!

Capítulo 4 — Assustada

PARADA. A ÚNICA COISA QUE eu podia fazer era permanecer parada em frente ao mercado enquanto via dois brutamontes arrastando meu irmão para longe de mim. Esse era nosso código para caso ele fosse pego. Ninguém poderia ver que os reflexos desbotados em meus olhos castanhos eram lentes feitas sob medida para nos infiltrarmos.

Acontece que só conseguimos um único par de lentes e Matthew insistia sempre que eu que deveria usá-la, pois eu era menina e mais jovem, tinha mais prioridade e toda aquela palestra de duas horas que, na moral, você não entende uma única palavra?

Pois foi na única vez que resolvi ouvir os sermões de Matt que me ferrei por causa disso. Eu que deveria estar sendo arrastada dali, não ele. Eu que deveria ter sido fraca e pega, para que me implantasse uma Alma nojenta e sanguinária que eu faria de tudo para nunca descobrir a existência dele. Eu que deveria estar lá para morrer, não ele; afinal ele sempre foi melhor em tudo, tinha certeza que seria melhor para sobreviver sem mim do que eu sem ele. Eu que deveria estar no lugar dele, para que parasse todo aquele aperto e dor que eu sentia no coração por vê-lo sendo levado de mim e não poder fazer nada.

Levantei minha cabeça e assim que encontrei o olhar implorante de Matt, soube que só havia uma coisa que poderia fazer: ficar... E depois fugir. Fugir para um lugar onde a Alma que seria inserida em seu corpo não descobrisse. Um lugar que nem mesmo ele conhecesse.

E então nunca mais nos veríamos.

Ele abriu a boca para sussurrar o “adeus” que revivi milhões de vezes depois daquela tarde, mas tudo o que ouvi foi:

— Acorde!

— Rocker! Rocker, acorde!

Eu sentia alguém me sacudindo, enquanto a escuridão se esvaía. Eu sentia um aperto no coração e as lágrimas escorrendo por meu rosto como toda noite, desde que passei a ter pesadelos do dia em que me levaram meu irmão mais velho. Acontece que eu não lembrara da luta constante pela qual passava toda noite quando topei dormir com Jamie e Brandt.

Abri meus olhos, sentindo as mesmas lágrimas que salgavam minha boca grudarem meus cílios. Demorou alguns segundos a mais para focalizar o garoto à minha frente, o brilho de preocupação em seus olhos visível à luz fraca do luar, que entrava pelos buracos no teto. De repente, ele me pareceu muito com Matt – sempre preocupado comigo – e eu simplesmente não consegui me segurar. Solucei compulsivamente e me joguei nos braços de Jamie, procurando a mesma segurança que eu encontrara mais cedo. Enterrei meu rosto em seu peito, manchando sua camiseta branca com as lágrimas que corriam copiosamente por meu rosto.

Inicialmente ele se assustara, mas um segundo depois, passou os braços por minha cintura e me abraçou fortemente, permitindo-me chorar silenciosamente. Ficamos assim por bastante tempo – eu chorando e Jamie me sacudindo levemente, acariciando meus cabelos – até que senti que as lágrimas haviam finalmente secado.

— Pode me explicar o que aconteceu aqui? – pediu, segurando por baixo do meu queixo e levantando meu rosto delicadamente para que encarasse seus olhos.

Eu não queria ter que dizer a ninguém como me afeta perder toda a família e ainda sentir que posso recuperar parte dela, mas somente se eu for forte o bastante – coisa que eu sei que não sou. Posso tentar mentir para os outros, mas é impossível mentir para mim mesma.

Principalmente quando correria o risco de perder Matt e a mim mesma.

Mas assim que fitei seus olhos azuis celestiais, senti que poderia me convencer de qualquer mentira que existe. Mas não para ele. Não quando ele me encarava intensamente com olhos tão azuis que eu sentia que poderia enxergar minha alma. Afoguei-me completamente na imensidão de seus olhos; lembravam o céu azul tempestuoso e o mar revolto.

— Eu... Eu... – gaguejei, ainda imersa nas profundezas azuis, sentindo meus batimentos cardíacos acelerarem, enquanto eles enxergavam até o canto mais sombrio do meu ser – Prefiro não falar agora.

Ele suspirou derrotado, e voltou a me abraçar, embalando-me de um jeito confortável, e deitando minha cabeça em seu ombro. Ficamos mais um tempo assim, até que ele se pronunciou.

— Vamos, é melhor você ir descansar.

Desesperei-me, já sentindo as lágrimas ameaçarem turvar minha visão. Abracei-o mais forte, impedindo-o de se afastar.

— Não, por favor, não me deixe sozinha! – choraminguei, enquanto ele acariciava meus cabelos.

— Calma... Tudo bem, eu fico aqui...

Ele se deitou no colchão ao meu lado e me puxou para deitar sobre seu peitoral e, ouvindo sua voz calma e carinhosa sussurrando palavras confortáveis e tranquilizadores, adormeci – sem pesadelos me perseguindo.

~*~

Abri os olhos vagarosamente, acostumando-me lentamente à pouca luz que havia ali. Remexi sobre o colchão e senti alguma coisa me apertando levemente. Recordei-me do que acontecera de madrugada enquanto meus olhos percorriam o corpo de Jamie ao lado do meu, desde seu peitoral – onde eu estava deitada – até seu rosto sereno. Ele dormia tranquilamente e eu não queria atrapalhar seu sono – muito menos ficar ali em seus braços enquanto sabia que meu rosto parecia um pimentão. Tentei me levantar silenciosamente, mas os braços de Jamie se fecharam em minha cintura num aperto de ferro. Levantei meu olhar e encontrei os orbes azuis olhando-me preocupado.

— Como está? – perguntou.

— Anh... Como todas as manhãs. – respondi, dando um sorriso forçado. Ele arqueou uma sobrancelha interrogativamente e continuei. – Não muito bem.

Ele suspirou, cansado, e segurou minha mão.

— Pronta para me contar o que houve?

Sinceramente, não. Sempre fomos somente eu e meu irmão e agora que ele se foi, não imaginei que estaria contando meus problemas a outra pessoa. Quem eu queria enganar?! Eu sinto uma necessidade enorme de desabafar com ele. Enquanto pensava em como começar, percebi como o quarto estava silencioso.

Silencioso até demais.

— Não era para ter outro cara aqui? – perguntei, levantando minha cabeça levemente para analisar o quarto.

— Brandt foi a uma incursão. Com Jared, Kyle, Geoffrey e Sunny.

— E o que é incursão?

— É quando saem para conseguir mantimentos.

— E como conseguem sem que sejam pegos?

Ele suspirou, pensando em como me responder.

— Sunny é uma Alma. Quando Kyle, namorado dela, não a deixa ir, levam Peg.

Assustei-me ao saber que Peg participava disso, afinal, parece ser tão frágil. Mas é o que todos fazem, julgam pela capa. E eu não posso fazer isso, já que uma das julgadas fui eu.

— Até sei o porquê. – limpei a garganta e forcei a voz a afinar. – Almas são sempre caridosas e generosas, não vão nem perceber que estão do outro lado da batalha.

Rimos descontraidamente.

— E como você conseguia sobreviver? – perguntou-me e percebi que era agora que diria a ele.

Desvencilhei-me de seus braços e me sentei, pegando a mochila que eu trouxera para cá. Senti o colchão afundar ao meu lado quando Jamie se sentou e se apoiou com a mão atrás de mim. Abri o fecho escondido que havia dentro da mochila e tirei a caixinha branca onde eu guardava as lentes.

— O que é isso? – perguntou-me.

Entreguei-lhe a caixinha e ele abriu ainda confuso, e viu ali as lentes. Ele me olhou indignado e percebi que era o olhar exatamente idêntico ao de Matt quando ele estava prestes a me dar um sermão.

E eu nem sabia que Jamie era de dar sermões.

Notas finais
E aê o que acharam?? Quero opiniões! Dessa vez talvez demore quase um mês para postar, pq minha vida anda dificil, mas eu posto antes se tiver a mesma quantidade de reviews do último cap (ou seja, OITO).