Ribelle Amato
6 Capítulo 5 - Repreendida
Notas iniciais
Capítulo 5 – Repreendida
— ROCKER! – RECLAMOU ELE, olhando-me quase furioso.
Eu apenas arregalei os olhos, um pouco chocada.
— Explique. – exigiu.
— Não tenho nada a te explicar. – disse simplesmente, mas sem querer ser muito rude. Levantei-me do colchão para enfatizar minha posição, mas ele também se levantou, postando-se à minha frente com um olhar que me foi impossível reconhecer.
— Se não tivesse, eu não estaria pedindo.
Bufei, irritada. Não era como se ele tivesse o direito de me exigir algum tipo de explicação sobre isso. Admito que não parecia certo alguém que naturalmente odeia Almas ter um tipo de lente que se assemelha ao brilho prateado que é típico da identidade delas. Mas eu também não tinha motivos para negar para negar uma explicação, não era como se fosse sigilo de Estado.
— Ah, ok! – falei, já me irritando. – São lentes feitas sob medida, para se infiltrar entre as Almas. Era assim que eu e Matt nos mantínhamos vivos na maior parte do tempo e à procura de suprimentos.
— E foi assim que seu irmão foi pego?
— Isso. Eu estava com as lentes naquele dia. – respondi, coçando minha maçã do rosto nervosamente.
Ele respirou rápida e pesarosamente, enquanto meneava a mão e estalava os dedos de nervoso. Virava a cabeça de um lado para o outro, como se estivesse analisando algumas de suas opções – que eu desconhecia – e pensando no que deveria fazer com elas. Por fim, pareceu decidir-se, pois se virou para mim com um olhar, decidido, e se pronunciou.
— Você não pode ir.
Desta vez fiquei confusa. Não pelo tom decidido da voz dele, mesmo que isso me confundisse um pouquinho. Foi o que ele disse.
— O que?! – questionei, provavelmente fazendo uma careta, que eu senti nas minhas feições.
— Você não vai mais usar isso. Não vai sair em uma incursão.
Arregalei os olhos, ainda sem acreditar.
— Como é que é?
— Isso saiu um pouco errado. Mas você não pode ir, é muito perigoso usar isso. – disse ele simplesmente, amenizando a expressão, mas não o tom de voz.
— Olha... – comecei. – Você realmente não tem nenhum direito sobre mim. Não pode me dizer o que devo ou não fazer! Essas lentes podem ser a única chance que eu tenho de encontrar meu irmão!
— Ah é?! Veremos o que você faz quando não tem isso em sua posse. – ironizou, mostrando-me a caixinha das lentes que tinha em sua mão rapidamente e colocando-a no bolso traseiro da calça.
Pode parecer meio infantil, mas eu estava tão raivosa por ele fazer exatamente o que eu odeio – me controlar –, que pulei em cima dele, gritando “me devolve!”. Mas não havia nada que eu pudesse fazer se eu precisava daquelas lentes. Era, provavelmente, o caminho mais próximo para conseguir sair, achar Matt e conseguir seu corpo de volta. Então eu pulei nele e tentei pegar a caixinha, mas ele foi mais rápido e mais esperto, segurando meus pulsos. Percebi que não seria fácil pegar a caixinha, então realmente reagi do modo que sempre reagi nesse tipo de situação durante toda a minha vida. Por impulso.
Como minhas mãos estavam presas e completamente inutilizáveis, resolvi usar da minha boa coordenação motora nas pernas e pés. Dobrei meu joelho e levantei a perna esquerda, mas como não queria deixá-lo estéril pelo resto da eternidade, acertei somente seu abdômen, fazendo-o gemer e se curvar sobre si mesmo e liberar minhas mãos. E então vinha a parte que eu realmente não queria fazer, mas ele não ficaria gemendo pelo resto da vida.
Juntei toda a força de vontade que tinha, mas ainda assim era a primeira vez que fazia algo assim. Enfiei a mão no bolso da calça dele e peguei a caixinha, retirando-a dali o mais rapidamente que conseguia. Não esperei até que Jamie se recuperasse totalmente e sai correndo dali, tentando ao máximo manter a caixinha firme em minha mão. Corri por vários e vários túneis, sempre escutando os passos de Jamie atrás de mim, e sua voz gritando meu nome.
Eu sabia que não devia ter feito nada daquilo com ele, mas eu entrei em desespero. A caixinha com lentes prateadas era a única esperança que eu tinha de poder voltar ao mundo exterior e conseguir reaver o que é meu por direito: a presença de meu irmão mais velho, melhor amigo e protetor ao meu lado. Eu merecia isso; qualquer um merecia isso, principalmente quando se era a última pessoa que se tinha no mundo. E eu acho que Jamie não entende o que passo. Tenho certeza que se fosse a irmã dele, ele tentaria de tudo para trazê-la de volta.
Ouvi os passos de Jamie cada vez mais próximos, mas não queria que ele me pegasse. Ao menos não agora. Então fiz, novamente, a primeira coisa que me veio à cabeça. No próximo túnel que dava para a esquerda, e apressei mais um pouco meu passo. Tentei uma parada brusca, que me fez derrapar e trombar agachada contra a parede. Fiquei o mais parada que pude e para que pudesse me disfarçar mais, tapei o nariz com a mão livre. Segurei a caixinha contra meu peito e esperei até que ele passasse correndo pelo meu esconderijo, gritando por mim.
Depois que isso aconteceu, esperei alguns minutos para voltar por onde vim. Coloquei a caixinha em meu bolso do short preto e levantei-me com certa dificuldade, pois ainda estava meio cansada. Andei pelos túneis, tateando as paredes para tentar me encontrar. Pretendia ir até a cozinha – com a caixinha bem segura em meu bolso – e finalmente trabalhar com Peg, mas havia ainda um pequenino grande problema.
Eu estava perdida.
De novo.
— Que maravilha! Primeiro dia aqui e já estou completamente perdida. – resmunguei comigo mesma, tateando as paredes em busca de alguma coisa que me dissesse onde estava.
Fiquei mais alguns minutos rondando por aquelas cavernas sem encontrar uma única alma viva que pudesse me guiar. Onde raios foi parar todo mundo?, pensei. Não era possível que estavam trabalhando todos ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Estava tão distraída que mal percebi quando bati em alguém. Olhei para cima e vi cabelos escuros e olhos azuis que não eram de Jamie. Mãos fortes seguraram meus pulsos antes que eu caísse no chão. Eu sabia que conhecia aqueles olhos, mesmo não sendo de Jamie. Foi um dos primeiros humanos que havia encontrado ali.
— Rocker, você está bem?
— Ian? – perguntei, apenas para garantir.
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